Prof. Pinheiro (*)_19.08.2024
O Camelô morreu! Viva o Camelô!
Silvio Santos (Senor Abravanel) morreu neste sábado.
Pablo Marçal “nasceu” no debate eleitoral da BAND!
Ambos tinham em comum a mesma origem “profissional”.
Sílvio Santos começou a vida
vendendo bugigangas nas ruas. Fazia, sem teoria nenhuma, o que os marqueteiros
recomendam aos bons vendedores: oferecia às pessoas “coisas de que (talvez) não
necessitavam, para pagarem com dinheiro que (eventualmente) não tinham ”. Em
outras palavras, criava necessidade. Despertava o interesse em seu público.
Chamava a atenção dos transeuntes para seus "incríveis" produtos. Despertava
neles o interesse, o desejo. E finalmente a aquisição. Na verdade, era um
excepcional animador de plateias. Fez disso a razão de sua vida com o Baú da
Felicidade. Na Globo, na TVS e no SBT. Nunca deixou de ser camelô. Fez fortuna! Cada uma das filhas (7), dizem, receberá algo
como R$ 100 milhões. A viúva, cinco vezes mais! Soma de mais de 1 bilhão de reais.
É emblemático que quase ao mesmo
tempo surja no cenário nacional a figura de um Pablo Marçal. Ao contrário de
Sílvio, já chega rico, milionário, e “vendendo” aos paulistanos o “sonho” de
terem parte de seus problemas resolvidos nas áreas mais diversas, tendo como
substrato teórico a formação de animador de investidores de internet (que os
adversários chamam pejorativamente de coaching), de financista, além de
bacharel em direito. Principalmente um gestor de inúmeros negócios
bem-sucedidos. Um empreendedor.
Marçal se apresentou no debate de
maneira completamente disruptiva, debochada mesmo, vestido de maneira informal,
com boné na cabeça (e mensagem subliminar com um M estampado), quebrando as regras há tanto tempo estabelecidas pelos
marqueteiros eleitorais e pelas emissoras de tv, que transformaram os debates
eleitorais em algo detestável de assistir. Um festival de platitudes sobre temas
previamente estabelecidos, sorteados, com tempo de pergunta e de resposta. Um
saco!
Marçal destruiu com isso tudo. De
propósito. Tornou-se a sensação do pleito. Em uma semana tocou o terror nas
três candidaturas até então melhor avaliadas pelos institutos de pesquisa. Parece
que não irão mais a nenhum debate com a presença de Pablo. Fugiram?
Boulos foi “exorcizado“ com a
CTPS em resposta à provocação de que Pablo era uma espécie de “padre Kelmon”.
Viralizou nas redes sociais! Boulos virou meme.
Nunes se apequenou. Não tem
posição definida. Nem esquerda, nem direita. Virou um “zé ninguém”.
Provavelmente, vai amargar o abandono dos bolsonaristas.
Tábata foi rotulada por Pablo
como “para-choque de comunista” e “adolescente mimada”.
Datena provavelmente seguirá os
passos de Boulos. Apoiador de comunista e invasor de propriedades (um valor
desprezado pelos comunistas desde sempre).
É paradoxal que o direitista
Pablo Marçal tenha feito hoje o mesmo que fez o esquerdista Mário Covas com
Paulo Maluf nos anos 80/90: quebrou todas as regras do debate.
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(*) Administrador e advogado,
mestre em Administração e especialista em docência superior.