Prof. Pinheiro (*)
Brasil: quem são os donos do
Poder.
As eleições no Brasil nunca se
contentaram em circunscrever-se apenas aos distritos regional ou local. E nem aos
períodos de tempo designados para cada pleito.
As estratégias eleitorais
montadas pelos caciques partidários (são 29 partidos registrados nesta data,
segundo site do TSE: www.tse.jus.br), vão desde
a designação dos candidatos pensando nos resultados imediatos da atual refrega
e se estendem às candidaturas das eleições seguintes.
O Brasil saiu de um quadro bipartidário
em 1980 (Arena x PDS) para o quadro multipartidário de hoje. Aliás, não é de
hoje. Desde a anistia política de 1979 e a consequente repatriação dos antigos
caciques da esquerda, como Leonel Brizola, Miguel Arraes e outros, o quadro
partidário se segmentou, dadas as vaidades e interesses pessoais desses
caciques. Desde então, o Brasil se esfarelou partidariamente. Mas, na verdade,
o que conta mesmo no geral são três espectros políticos: os partidos de esquerda
(PT e seus partidos satélites); os partidos de direita (PL e seus satélites. Se
muito, uns três partidos), e os partidos de centro (aqueles que oscilam entre
esquerda e direita, ao sabor das negociatas). Todos se dizendo “democráticos”.
Para gerir essa geleia
partidária, o Brasil criou uma jabuticaba: o TSE e seus espelhos regionais (os
TREs), com poderes quase absolutos sobre o Processo Eleitoral, legislando e
julgando todos os atos sobre as eleições; sobre os partidos; sobre os candidatos;
sobre a propaganda eleitoral; sobre as finanças; e sobre os resultados
eleitorais. A par das urnas eletrônicas sem apuração pública do somatório dos
votos, que é feito por um computador centralizado no TSE e que tem dado margem
a inúmeras controvérsias. Principalmente o seu custo financeiro, sua estrutura nababesca
e as mordomias de seus membros. Fora as dúvidas acerca das decisões tomadas ao
sabor dos casuísmos.
O processo eleitoral brasileiro
ainda conta com um grande problema que é o financiamento das campanhas. Seja
privado, seja público, pela via dos seus Fundos partidário e eleitoral, os
caciques se digladiam para comandar esses Fundos e daí exercerem seus nacos de
Poder.
Abstraindo todo esse caldo de
cultura, tendo como certos os seus resultados, montam-se os cenários municipal,
regional e federal. Uns dependendo dos outros.
Daí que uma eleição nunca é
apenas uma eleição, mas várias concatenadas umas nas outras, em que os resultados
de umas influenciam as outras. Dos resultados eleitorais de 2024 se processarão
as estratégias para 2026.
Dando nomes aos bois, nesta
eleição de 2024 se movimentam Lula e o PT x Bolsonaro e o PL. Este
provavelmente com maior influência nas Regiões Norte, Sudeste, Sul e
Centro-Oeste. Aquele com maior influência no Nordeste. Os resultados dirão quem
irá se cacifar melhor para 2026. Tudo sob a supervisão do TSE...
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