(O título é meu)
Se só Celso Arnaldo consegue decifrar o dilmês, traduzir para o inglês o que diz Dilma Rousseff é mais complicado que marcar, sozinho, o ataque inteiro do Santos. Se soubesse disso, a angolana escalada para a missão impossível teria pedido demissão antes da chegada a Nova York da sucessora que Lula inventou. Acompanhe o calvário da tradutora do Discurso sobre o Nada, resumido por Celso Arnaldo:
Eu cantei a bola. O tradutor de Dilma em Nova York seria levado à loucura ao perceber, já nas primeiras palavras, que a simultaneidade da tradução é uma impossibilidade humana na compreensão e na versão da fala de Dilma para qualquer idioma.
Dito e feito. Leio na Folha que a coletiva de imprensa no New York Palace teve problemas de tradução. O problema é Dilma — mas, em respeito à convidada, culparam o mensageiro.
A primeira parte de sua entrevista foi traduzida por um homem. Os tradutores simultâneos, não sei se todos sabem, têm normas rígidas de trabalho – não podem atuar mais do que duas horas seguidas, porque é uma das três mais estressantes atividades do mundo, dizem os especialistas.
No caso de discurso ou entrevista de Dilma, o tempo máximo de trabalho contínuo deve ser reduzido ao prazo de meia hora, estourando – findo o qual, o coitado é levado ao pronto-socorro mais próximo, com estafa galopante, olhos em midríase, pulso acelerado, delírios trêmulos, um quadro, enfim, de overdose.
Efetivamente, esse primeiro tradutor pediu para sair depois de meia hora. Saiu cambaleando e precisou de ajuda para não desabar, sendo levado ao serviço médico da casa.
Entra em cena uma mulher, a angolana Marísia Lauré, que fala 12 línguas e domina inglês e português como Shakespeare e Camões. Ninguém melhor do que uma mulher para entender a alma e a fala de Dilma, certo? Errado.
Já nas primeiras frases, Marísia entrou em pane. Quando Dilma, discorrendo sobre o Banco Central, mencionou a expressão “autonomia operacional”, a tradutora, já em transe, esqueceu o “operacional”. Dilma percebeu, parou e, numa língua que remotamente lembrava o inglês, corrigiu: “Opereichional autônomi”.
E veio à tona a repressora Dilma: “Eu peço para você traduzir literalmente, porque é complicado”.
Sim, é complicado. Dilma é mais complicada ainda. Ela passou a falar sobre privatizações e as empresas que devem permanecer públicas, como Petrobras, Eletrobras, bancos públicos. A tradutora esperou que a convidada concluísse a frase para traduzir. Ao final, Dilma conferiu com a platéia: “Não faltou da Petrobras?”. Não, não tinha faltado.
Na frase seguinte, Dilma ouviu o início da tradução e, achando que havia mais um erro, interrompeu Marísia. “No, no,no. Yes, yes, yes”, emendou, ao se dar conta de que a frase traduzida estava correta, arrancando risos da plateia atônita. E emendou: “Eu prefiro que você copie e faça porque se não eu vou quebrar meu raciocínio todo, tá bom?”
Tava mais ou menos bom, porque a esta altura Marísia estava quase desmaiando com o raciocínio quebrado de Dilma. Preferiria estar traduzindo, sob chibatadas, o ditador King Jong-il em coreano – idioma que ela não domina.
Na pergunta seguinte, a angolana trocou “redução da dívida” por “redução de impostos”. Dilma a interrompeu novamente.
“Copia, minha santa, eu vou falar”.
Nesse momento, a organização trouxe de volta o tradutor anterior – que, segundo testemunhas, entrou no palco empurrado. Chegaram a ver o brilho de uma lâmina em suas costas – mas a informação ainda carece de confirmação.
E a coisa foi indo, aos trancos e barrancos, como qualquer fala de Dilma, traduzida para qualquer idioma, mas sobretudo no original, em português.
Ao final da coletiva, Maurísia e Dilma se abraçaram. A tradutora, ainda com o olhar perdido, esgazeado, pediu desculpas e atribuiu o engano ao excesso de trabalho – de fato, cinco minutos traduzindo Dilma equivalem aos seis anos que Champollion gastou decifrando a Pedra da Rosetta.
“Você trabalha muito bem”, disse Dilma, comprovando, mais uma vez, que mentir é sua melhor tradução.
Apenas uma dúvida: como verter “minha santa” para o português? My Saint, por acaso?
No Brasil, onde faltam a cólera e a ira santas, quem, senão elas, hão de expulsar do Templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Ou exterminarão da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Ou banirão da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão elas, a varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão públicos? Quem, senão elas, a precipitar do governo o negocismo, a prostituição política e a tirania? (Rui Barbosa)
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25 maio 2010
O PT comprado e vendido no Maranhão_Por Augusto Nunes
Em 2005, quando o escândalo do mensalão implodiu o templo das vestais de araque, os brasileiros descobriram que os sacerdotes do PT, enriqueciam em missas negras que juntavam ecumenicamente cardeais e coroinhas alugados em quaisquer partidos. Passados cinco anos, informa a presente edição da revista VEJA, os velhos gigolôs do monopólio da ética vão além de comprar, alugar ou arrendar. Também são arrendados, alugados ou comprados, como anda ocorrendo no Maranhão.
Como a convenção regional do PT negou-se a ratificar o apoio à reeleição de Roseane Sarney, conforme Lula ordenara, a governadora resolveu apressar as coisas com os métodos aperfeiçoados pela famiglia em 50 anos de vilanias. Vários delegados municipais já receberam de R$ 20 mil a R$ 40 mil para entenderem que o melhor para o Maranhão é a troca da aliança celebrada com o PCdoB, que lançou a candidatura do deputado Flávio Dino, pelo palanque da herdeira do Homem Incomum.
Pela qualidade da mercadoria, o preço parece excessivo. Mas tem cara de fim de feira. Além da bolada, os convertidos ganham um brinde que aplaca remorsos improváveis: a gratidão do chefe supremo, que prometeu ao amigo que chamava de ladrão facilitar as coisas para a filha em apuros. Alguns petistas maranhenses ainda consideram intragável tal parceria. Terão de achá-la saborosa ou mudar de partido.
A gritaria dos milicianos contra a direita reacionária, o capitalismo selvagem e a oligarquia exploradora não rima com a submissão a um clã que é tudo isso e muito mais. Mas sempre prevalece a vontade do cara que está em todas. Em junho de 2005, Lula abençoou a compra de delinquentes aliados. Neste fim de maio, abençoa a venda de companheiros desfrutáveis.
Quando nasceu, há apenas 30 anos, a sigla pretendia ser moderna. Perdeu o viço ainda adolescente, envelheceu antes da idade adulta, perdeu a honra aos 25 anos, perdeu os militantes que sonhavam, virou um bando de milicianos, fez a opção pelo primitivismo e, acanalhada pelo Grande Pastor, hoje é uma seita condenada à morte.
Sempre berrando juras de amor aos ícones da esquerda psicótica, o PT, quem diria?, agoniza no colo da elite golpista do Maranhão.
Como a convenção regional do PT negou-se a ratificar o apoio à reeleição de Roseane Sarney, conforme Lula ordenara, a governadora resolveu apressar as coisas com os métodos aperfeiçoados pela famiglia em 50 anos de vilanias. Vários delegados municipais já receberam de R$ 20 mil a R$ 40 mil para entenderem que o melhor para o Maranhão é a troca da aliança celebrada com o PCdoB, que lançou a candidatura do deputado Flávio Dino, pelo palanque da herdeira do Homem Incomum.
Pela qualidade da mercadoria, o preço parece excessivo. Mas tem cara de fim de feira. Além da bolada, os convertidos ganham um brinde que aplaca remorsos improváveis: a gratidão do chefe supremo, que prometeu ao amigo que chamava de ladrão facilitar as coisas para a filha em apuros. Alguns petistas maranhenses ainda consideram intragável tal parceria. Terão de achá-la saborosa ou mudar de partido.
A gritaria dos milicianos contra a direita reacionária, o capitalismo selvagem e a oligarquia exploradora não rima com a submissão a um clã que é tudo isso e muito mais. Mas sempre prevalece a vontade do cara que está em todas. Em junho de 2005, Lula abençoou a compra de delinquentes aliados. Neste fim de maio, abençoa a venda de companheiros desfrutáveis.
Quando nasceu, há apenas 30 anos, a sigla pretendia ser moderna. Perdeu o viço ainda adolescente, envelheceu antes da idade adulta, perdeu a honra aos 25 anos, perdeu os militantes que sonhavam, virou um bando de milicianos, fez a opção pelo primitivismo e, acanalhada pelo Grande Pastor, hoje é uma seita condenada à morte.
Sempre berrando juras de amor aos ícones da esquerda psicótica, o PT, quem diria?, agoniza no colo da elite golpista do Maranhão.
Lula: jugar en primera división sin mojarse_El País.com_Tribuna: Jorge Castaneda (*)
Hace tiempo que el Brasil de Lula busca un papel global, y que el mundo reconoce sus méritos y celebra sus esfuerzos. La prensa internacional ha hecho del gigante sudamericano la niña de sus ojos, colocando en un mismo plano el carisma de Lula, el Mundial de Fútbol del 2014, las Olimpiadas del 2016, el desempeño de Itamaratí (la Cancillería) en la Ronda Doha y el creciente papel brasileño en América Latina, desplazando tanto a México como a Estados Unidos, incluso en el patio trasero de ambos: Honduras.
A Washington le irrita que un aliado sin "vela en el entierro" entorpezca sus planes, sean o no justos
Lula puede salir airoso de su mediación en Irán o acabar mal con todos
En realidad, detrás de unas magníficas relaciones públicas y 16 años de buen gobierno (Cardoso y Lula), aunados a un crecimiento económico mediano pero sostenido, se perfilan varias aventuras diplomáticas fallidas, disimuladas por la superficialidad y la inercia mediáticas. Pero quizás se acerque la hora de la verdad, ya sea para confirmar el surgimiento de un nuevo protagonista global, ya sea para corroborar una obviedad: no bastan las ganas para ser una potencia mundial.
En efecto, el intento de Lula por lograr, de la mano de Turquía y de su mágica mancuerna diplomática (el primer ministro Erdogan y el canciller Davutoglu), un acuerdo con el régimen iraní que impidiera la imposición de nuevas sanciones a Teherán puede convertirse en un éxito notable o en una debacle. Los dos miembros no permanentes del Consejo de Seguridad de la ONU (CSONU) presentaron la semana pasada un acuerdo con el presidente Ahmadineyad cuyo propósito ostensible consiste en evitar que el programa de enriquecimiento de uranio iraní se traduzca en la fabricación de una arma atómica. Para ello, propusieron canjear, en el plazo de un año, uranio enriquecido de bajo grado iraní por varillas occidentales de uranio enriquecido de alto grado, destinadas exclusivamente al reactor de investigación de Teherán.
El propósito real residió, sin embargo, en impedir que el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas considerara -y en su caso aprobara- un paquete de nuevas sanciones contra el país gobernado por los ayatolás. Dicha eventualidad hubiera obligado a Ankara y a Brasilia a afrontar una disyuntiva del diablo: seguir el consenso anti-Teherán y traicionar su propia retórica, u oponerse a una resolución patrocinada por los miembros permanentes del Consejo de Seguridad y quedarse solos en el intento, mostrando el aislamiento y la confrontación que entraña su "nueva diplomacia".
La lógica turca es evidente. La república aún kemalista posee intereses reales en la zona. Lleva a cabo un comercio intenso con su vecino; tiene en común una población kurda significativa; recibe parte de su gas y petróleo de Irán; una proporción importante de la población iraní habla turco. Su nueva política exterior consiste en alejarse de las viejas posturaspro Estados Unidos y pro Israel (Turquía es miembro fundador de la OTAN) y en acercarse a sus vecinos -Siria, Grecia e Irán, por supuesto- y al mundo islámico en su conjunto.
La lógica brasileña es menos obvia. No hay intereses significativos de Brasil en Irán, el antisemitismo de Ahmadineyad es mal visto por la comunidad judía de São Paulo, e Itamaratí sabe muy bien que pocas cosas exasperan más a los norteamericanos que un país aliado sin "vela en el entierro" entorpezca sus propósitos, con independencia de la justeza de estos últimos. En el fondo, el gambito de Lula es otro: utilizar la inminente crisis iraní para consolidar su lugar en el firmamento diplomático internacional.
El problema es que el acuerdo de Teherán no bastó para impedir la presentación de un proyecto de resolución por Washington y los demás miembros permanentes del Consejo, que contempla una cuarta etapa de sanciones con más dientes y más amplias. Todo indica, incluso, que los norteamericanos pudieron contar desde antes del esfuerzo turco-brasileño con los nueve votos necesarios para aprobar su resolución, dada por lo menos la abstención rusa y china para evitar un veto. Austria, Japón, Gabón, Uganda y México se encontraban en principio a bordo y Bosnia-Herzegovina y Nigeria en el limbo. Ya existía en principio una coalición suficiente para imponer nuevas sanciones, incluyendo un embargo de materiales susceptibles de ser utilizados para la construcción de misiles y no sólo de la ojiva nuclear que portarían.
Así, de prosperar la iniciativa de Estados Unidos, Francia y el Reino Unido (apoyada por Alemania y tolerada, en todo caso, por Rusia y por China), Brasil se hallaría en el peor de los mundos posibles. Tendrá que tomar partido, después de buscar evitarlo a través de un compromiso que adoleció de un defecto congénito. Una de las partes, es decir, Washington, nunca estuvo de acuerdo, aunque Davutoglu insista en que todo fue consultado con la secretaria de Estado Clinton. Si Brasil aprueba las sanciones en el CSONU, se habrá desdicho de su rechazo a las mismas; si vota en contra, lo hará en compañía, en el mejor de los casos, solo de Turquía y Líbano. Y si se abstiene, confirmará lo que muchos hemos reiterado: Lula quiere jugar en primera división, pero sin mojarse.
He aquí el quid del asunto. En realidad, Brasil ha logrado poco en el ámbito internacional, más allá de titulares. El objetivo diplomático número uno de Lula -lograr un escaño permanente en el Consejo de Seguridad- se ve, al término de ocho años de esfuerzos, menos viable que nunca. La aventura en Honduras resultó en una tragicomedia tropical: Brasil no pudo restituir a su asilado huésped Manuel Zelaya, este permaneció varios meses en la Embajada brasileña, y hoy Itamaratí solo puede chantajear a españoles y mexicanos con su ausencia en caso de cualquier invitación o reconocimiento al nuevo presidente hondureño. La reanudación de la Ronda de Doha sigue indefinidamente pospuesta, Copenhague no resultó y Cancún no promete, e incluso las diversas iniciativas regionales presentadas por Brasil de la mano con Hugo Chávez se hallan estancadas.
Ello se debe a una debilidad intrínseca del esquema. El tamaño de una economía (Japón) o de una demografía (India) no otorga ipso facto el estatuto de actor mundial. Más bien es la toma de partido, los valores impulsados y la eficacia a escala regional lo que, en su conjunto, pueden (o no) convertirse en una catapulta al estrellato internacional. Brasil linda con nueve países, y todos ellos padecen serios conflictos internos (Colombia, Bolivia, Venezuela) o con sus vecinos (Argentina con Uruguay, Colombia con Venezuela y Ecuador, Perú con Ecuador y con Chile, Bolivia con Chile). Pero Lula en ese pantano no ha querido incursionar: mantiene una prudente pasividad antiintervencionista, o un franco respaldo a las posiciones bolivarianas de Chávez, Correa, Morales, Daniel Ortega en Nicaragua y los hermanos Castro en La Habana. Se resiste a impulsar valores, a tomar partido, o a buscar resultados concretos en su propio terreno.
Tal vez resulte más fácil mediar entre Teherán y Washington (aunque nadie lo ha logrado desde 1979) que entre Caracas y Bogotá, o entre Buenos Aires y Montevideo. A pesar de su patente irritación, quizás Barack Obama y Hillary Clinton prefieran darle el beneficio de la duda al proyecto turco-brasileño antes que ceder a la impaciencia de Israel y de Francia. Lula puede salir airoso de su lance en las planicies persas o acabar mal con todos. Posiblemente debiera haberse mostrado satisfecho con las portadas de las revistas, sin buscar en exceso llenarlas de contenido. Suele ser más difícil.
(*)Jorge Castañeda, ex secretario de Relaciones Exteriores de México, es profesor de Estudios Latinoamericanos en la Universidad de Nueva York.
A Washington le irrita que un aliado sin "vela en el entierro" entorpezca sus planes, sean o no justos
Lula puede salir airoso de su mediación en Irán o acabar mal con todos
En realidad, detrás de unas magníficas relaciones públicas y 16 años de buen gobierno (Cardoso y Lula), aunados a un crecimiento económico mediano pero sostenido, se perfilan varias aventuras diplomáticas fallidas, disimuladas por la superficialidad y la inercia mediáticas. Pero quizás se acerque la hora de la verdad, ya sea para confirmar el surgimiento de un nuevo protagonista global, ya sea para corroborar una obviedad: no bastan las ganas para ser una potencia mundial.
En efecto, el intento de Lula por lograr, de la mano de Turquía y de su mágica mancuerna diplomática (el primer ministro Erdogan y el canciller Davutoglu), un acuerdo con el régimen iraní que impidiera la imposición de nuevas sanciones a Teherán puede convertirse en un éxito notable o en una debacle. Los dos miembros no permanentes del Consejo de Seguridad de la ONU (CSONU) presentaron la semana pasada un acuerdo con el presidente Ahmadineyad cuyo propósito ostensible consiste en evitar que el programa de enriquecimiento de uranio iraní se traduzca en la fabricación de una arma atómica. Para ello, propusieron canjear, en el plazo de un año, uranio enriquecido de bajo grado iraní por varillas occidentales de uranio enriquecido de alto grado, destinadas exclusivamente al reactor de investigación de Teherán.
El propósito real residió, sin embargo, en impedir que el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas considerara -y en su caso aprobara- un paquete de nuevas sanciones contra el país gobernado por los ayatolás. Dicha eventualidad hubiera obligado a Ankara y a Brasilia a afrontar una disyuntiva del diablo: seguir el consenso anti-Teherán y traicionar su propia retórica, u oponerse a una resolución patrocinada por los miembros permanentes del Consejo de Seguridad y quedarse solos en el intento, mostrando el aislamiento y la confrontación que entraña su "nueva diplomacia".
La lógica turca es evidente. La república aún kemalista posee intereses reales en la zona. Lleva a cabo un comercio intenso con su vecino; tiene en común una población kurda significativa; recibe parte de su gas y petróleo de Irán; una proporción importante de la población iraní habla turco. Su nueva política exterior consiste en alejarse de las viejas posturaspro Estados Unidos y pro Israel (Turquía es miembro fundador de la OTAN) y en acercarse a sus vecinos -Siria, Grecia e Irán, por supuesto- y al mundo islámico en su conjunto.
La lógica brasileña es menos obvia. No hay intereses significativos de Brasil en Irán, el antisemitismo de Ahmadineyad es mal visto por la comunidad judía de São Paulo, e Itamaratí sabe muy bien que pocas cosas exasperan más a los norteamericanos que un país aliado sin "vela en el entierro" entorpezca sus propósitos, con independencia de la justeza de estos últimos. En el fondo, el gambito de Lula es otro: utilizar la inminente crisis iraní para consolidar su lugar en el firmamento diplomático internacional.
El problema es que el acuerdo de Teherán no bastó para impedir la presentación de un proyecto de resolución por Washington y los demás miembros permanentes del Consejo, que contempla una cuarta etapa de sanciones con más dientes y más amplias. Todo indica, incluso, que los norteamericanos pudieron contar desde antes del esfuerzo turco-brasileño con los nueve votos necesarios para aprobar su resolución, dada por lo menos la abstención rusa y china para evitar un veto. Austria, Japón, Gabón, Uganda y México se encontraban en principio a bordo y Bosnia-Herzegovina y Nigeria en el limbo. Ya existía en principio una coalición suficiente para imponer nuevas sanciones, incluyendo un embargo de materiales susceptibles de ser utilizados para la construcción de misiles y no sólo de la ojiva nuclear que portarían.
Así, de prosperar la iniciativa de Estados Unidos, Francia y el Reino Unido (apoyada por Alemania y tolerada, en todo caso, por Rusia y por China), Brasil se hallaría en el peor de los mundos posibles. Tendrá que tomar partido, después de buscar evitarlo a través de un compromiso que adoleció de un defecto congénito. Una de las partes, es decir, Washington, nunca estuvo de acuerdo, aunque Davutoglu insista en que todo fue consultado con la secretaria de Estado Clinton. Si Brasil aprueba las sanciones en el CSONU, se habrá desdicho de su rechazo a las mismas; si vota en contra, lo hará en compañía, en el mejor de los casos, solo de Turquía y Líbano. Y si se abstiene, confirmará lo que muchos hemos reiterado: Lula quiere jugar en primera división, pero sin mojarse.
He aquí el quid del asunto. En realidad, Brasil ha logrado poco en el ámbito internacional, más allá de titulares. El objetivo diplomático número uno de Lula -lograr un escaño permanente en el Consejo de Seguridad- se ve, al término de ocho años de esfuerzos, menos viable que nunca. La aventura en Honduras resultó en una tragicomedia tropical: Brasil no pudo restituir a su asilado huésped Manuel Zelaya, este permaneció varios meses en la Embajada brasileña, y hoy Itamaratí solo puede chantajear a españoles y mexicanos con su ausencia en caso de cualquier invitación o reconocimiento al nuevo presidente hondureño. La reanudación de la Ronda de Doha sigue indefinidamente pospuesta, Copenhague no resultó y Cancún no promete, e incluso las diversas iniciativas regionales presentadas por Brasil de la mano con Hugo Chávez se hallan estancadas.
Ello se debe a una debilidad intrínseca del esquema. El tamaño de una economía (Japón) o de una demografía (India) no otorga ipso facto el estatuto de actor mundial. Más bien es la toma de partido, los valores impulsados y la eficacia a escala regional lo que, en su conjunto, pueden (o no) convertirse en una catapulta al estrellato internacional. Brasil linda con nueve países, y todos ellos padecen serios conflictos internos (Colombia, Bolivia, Venezuela) o con sus vecinos (Argentina con Uruguay, Colombia con Venezuela y Ecuador, Perú con Ecuador y con Chile, Bolivia con Chile). Pero Lula en ese pantano no ha querido incursionar: mantiene una prudente pasividad antiintervencionista, o un franco respaldo a las posiciones bolivarianas de Chávez, Correa, Morales, Daniel Ortega en Nicaragua y los hermanos Castro en La Habana. Se resiste a impulsar valores, a tomar partido, o a buscar resultados concretos en su propio terreno.
Tal vez resulte más fácil mediar entre Teherán y Washington (aunque nadie lo ha logrado desde 1979) que entre Caracas y Bogotá, o entre Buenos Aires y Montevideo. A pesar de su patente irritación, quizás Barack Obama y Hillary Clinton prefieran darle el beneficio de la duda al proyecto turco-brasileño antes que ceder a la impaciencia de Israel y de Francia. Lula puede salir airoso de su lance en las planicies persas o acabar mal con todos. Posiblemente debiera haberse mostrado satisfecho con las portadas de las revistas, sin buscar en exceso llenarlas de contenido. Suele ser más difícil.
(*)Jorge Castañeda, ex secretario de Relaciones Exteriores de México, es profesor de Estudios Latinoamericanos en la Universidad de Nueva York.
24 maio 2010
O Ipea, Dilma e o PAC 'furado'_Da Agência Brasil.
As rodovias brasileiras necessitam de R$ 183,5 bilhões em investimentos para dar conta das demandas atuais. Deste total, apenas 13% estão contemplados pela primeira versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo o estudo Rodovias Brasileiras: Gargalos, Investimentos, Concessões e Preocupações com o Futuro, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
- Identificamos três categorias de gargalos. A primeira, relacionada ao campo de recuperação, adequação e duplicação, é a que mais demanda recursos: R$ 144,18 bilhões. Para construção e pavimentação serão necessários outros R$ 38,5 bilhões. E a terceira categoria está relacionada com o que chamamos, do ponto de vista da engenharia, de obras de arte. Estas, que envolvem obras como pontes e viadutos, carecem de R$ 830 milhões - explica o coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos Campos.
- O PAC cobre aproximadamente 13% das demandas identificadas, e apenas 7% no que se refere a recuperação e duplicação de vias - avalia Campos.
- O programa é um grande avanço em relação ao que vinha sendo feito, que era praticamente nada. Mas ainda é insuficiente em relação à degradação que houve na malha rodoviária brasileira, em consequência de 25 anos sem investimentos - acrescenta.
Segundo o pesquisador, 70% das obras do programa ligadas a rodovias estão com o cronograma atrasado.
- Parte dos atrasos da execução física dessas obras é justificada pelas paralisações do TCU (Tribunal de Contas da União) - acrescenta.
Campos explica que o estudo do Ipea só leva em consideração o PAC 1, que prevê investimentos de R$ 23,3 bilhões entre 2007 e 2010. A segunda versão do programa prevê investimentos de R$ 50,4 bilhões entre 2011 e 2014.
O economista também chama a atenção para a necessidade de ampliação e duplicação das estradas prevista para os próximos anos, em decorrência do crescimento da economia. Isso, segundo ele, implica aperfeiçoar o modelo de concessão de rodovias.
- Há inclusive problemas no sistema de contratos de concessão, que têm prazos de 25 anos e não preveem a ampliação da malha brasileira prevista para o período - avalia. Ele sugere que, para amenizar esse tipo de problema, o país adote um sistema similar ao do Chile.
- No modelo chileno, a empresa diz qual é o total de receita necessária para cobrir os investimentos e a manutenção, além, é claro, do lucro. Ganha quem apresentar a menor receita, e o contrato se encerra no momento em que a receita se iguala ao total previsto de custos e de lucro. Ou seja: o aumento da receita, após a concessão, faria com que o contrato termine antes - explica.
- Como sempre, as rodovias continuarão dependendo dos investimentos públicos, que, reforçados pelo PAC, tiveram crescimento superior a 500% entre 1999 e 2008 - disse o pesquisador.
Ele acrescenta que apenas 15% das rodovias interessam ao setor privado.
- Se considerarmos que 9% da malha já está com eles, vemos claramente que há um teto (de investimentos privados) muito próximo ao quadro atual.
De acordo com o Ipea, há no Brasil 170 mil quilômetros de rodovias pavimentadas. Deste total, 61 mil quilômetros são de vias federais.
Segundo o estudo, os recursos destinados ao setor de transporte subiram, em termos proporcionais ao Produto Interno Bruto, de 0,38% em 1999 para 1,15% em 2008. Em termos de valor, isso equivale a um aumento de R$ 1,7 bilhão para R$ 33 bilhões. No caso específico do transporte rodoviário, o aumento médio foi de 70%, passando de R$ 1,1 bilhão para R$ 26,6 bilhões.
O estudo diz, ainda, que mais de 65% das estradas federais estão em um estado entre deficiente e péssimo e que apenas 12% estão pavimentadas. Um retrato que, segundo Campos, não condiz com a importância desse tipo de transporte, que é responsável pelo deslocamento de cerca de 60% das cargas transportadas nacionalmente.
- Identificamos três categorias de gargalos. A primeira, relacionada ao campo de recuperação, adequação e duplicação, é a que mais demanda recursos: R$ 144,18 bilhões. Para construção e pavimentação serão necessários outros R$ 38,5 bilhões. E a terceira categoria está relacionada com o que chamamos, do ponto de vista da engenharia, de obras de arte. Estas, que envolvem obras como pontes e viadutos, carecem de R$ 830 milhões - explica o coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos Campos.
- O PAC cobre aproximadamente 13% das demandas identificadas, e apenas 7% no que se refere a recuperação e duplicação de vias - avalia Campos.
- O programa é um grande avanço em relação ao que vinha sendo feito, que era praticamente nada. Mas ainda é insuficiente em relação à degradação que houve na malha rodoviária brasileira, em consequência de 25 anos sem investimentos - acrescenta.
Segundo o pesquisador, 70% das obras do programa ligadas a rodovias estão com o cronograma atrasado.
- Parte dos atrasos da execução física dessas obras é justificada pelas paralisações do TCU (Tribunal de Contas da União) - acrescenta.
Campos explica que o estudo do Ipea só leva em consideração o PAC 1, que prevê investimentos de R$ 23,3 bilhões entre 2007 e 2010. A segunda versão do programa prevê investimentos de R$ 50,4 bilhões entre 2011 e 2014.
O economista também chama a atenção para a necessidade de ampliação e duplicação das estradas prevista para os próximos anos, em decorrência do crescimento da economia. Isso, segundo ele, implica aperfeiçoar o modelo de concessão de rodovias.
- Há inclusive problemas no sistema de contratos de concessão, que têm prazos de 25 anos e não preveem a ampliação da malha brasileira prevista para o período - avalia. Ele sugere que, para amenizar esse tipo de problema, o país adote um sistema similar ao do Chile.
- No modelo chileno, a empresa diz qual é o total de receita necessária para cobrir os investimentos e a manutenção, além, é claro, do lucro. Ganha quem apresentar a menor receita, e o contrato se encerra no momento em que a receita se iguala ao total previsto de custos e de lucro. Ou seja: o aumento da receita, após a concessão, faria com que o contrato termine antes - explica.
- Como sempre, as rodovias continuarão dependendo dos investimentos públicos, que, reforçados pelo PAC, tiveram crescimento superior a 500% entre 1999 e 2008 - disse o pesquisador.
Ele acrescenta que apenas 15% das rodovias interessam ao setor privado.
- Se considerarmos que 9% da malha já está com eles, vemos claramente que há um teto (de investimentos privados) muito próximo ao quadro atual.
De acordo com o Ipea, há no Brasil 170 mil quilômetros de rodovias pavimentadas. Deste total, 61 mil quilômetros são de vias federais.
Segundo o estudo, os recursos destinados ao setor de transporte subiram, em termos proporcionais ao Produto Interno Bruto, de 0,38% em 1999 para 1,15% em 2008. Em termos de valor, isso equivale a um aumento de R$ 1,7 bilhão para R$ 33 bilhões. No caso específico do transporte rodoviário, o aumento médio foi de 70%, passando de R$ 1,1 bilhão para R$ 26,6 bilhões.
O estudo diz, ainda, que mais de 65% das estradas federais estão em um estado entre deficiente e péssimo e que apenas 12% estão pavimentadas. Um retrato que, segundo Campos, não condiz com a importância desse tipo de transporte, que é responsável pelo deslocamento de cerca de 60% das cargas transportadas nacionalmente.
21 maio 2010
Dilma no 'Ratinho"_Por Celso Arnaldo_In Augusto Nunes
O heroico Celso Arnaldo resolveu encarar, de uma vez só, um Programa do Ratinho e uma apresentação de Dilma Rousseff. Constatou que a afinação da dupla conseguiu piorar o Discurso Sobre o Nada. Confira:
No fim da entrevista, Ratinho anuncia um “jogo rápido” com Dilma — quer definições curtas para conceitos, instituições, figuras da política. Moleza para Dilma, estadista de raciocínio rápido, conciso, lógico, autêntico, natural e criativo. Vamos lá:
Corrupção: “Algo que nós temos de investigá, apurá bastante direitinho e puni, doa a quem doer”.
Imprensa: “Imprensa eu associo com liberdade de imprensa. A coisa mais, é, importante que nós conquistamos nesse período de democracia”.
Política: “É algo que nós temos de fazer dentro de princípios éticos porque é uma das coisas fundamentais para se melhorá a democracia neste país”.
Terrorismo: “Acho que o terrorismo tem de ser combatido”.
José Dirceu: “É uma pessoa que é um militante do Partido dos Trabalhadores e que tem de ser, tem de tê o direito a se defendê”.
Lula: “O maior político do mundo”.
Hugo Chávez: “Um dos presidentes da América Latina com os quais nós temos de convivê”.
Ratinho se preparava para encerrar, quando Dilma, angustiada, o interrompe:
“Com os quais, não, com o qual, desculpe, fiz um erro de português feio. É com o qual, eu falei com os quais. Hugo Chávez, um presidente da América Latina com o qual temos de convivê”
Interessante esse “desculpe nossa falha” de Dilma Rousseff. Primeiro que, se ela adotar esse costume de parar para se corrigir, cada resposta sua vai levar duas horas e meia. Segundo — e aqui só mesmo Dilma — é que desta vez ela não precisava se corrigir. Surpreendentemente, a concordância estava certa — absolutamente certa.
Na construção original, o plural presidentes a autorizava a usar “com os quais”. Já na errata, “um presidente” de fato exigiria “com o qual” — mas não foi isso que ela disse antes.
Ou seja: Dilma não só nunca percebe quando erra como também se corrige quando está certa. E com o agravante de mudar o certo para provar que estava errada.
Incrível: Dilma errou no erramos.
No fim da entrevista, Ratinho anuncia um “jogo rápido” com Dilma — quer definições curtas para conceitos, instituições, figuras da política. Moleza para Dilma, estadista de raciocínio rápido, conciso, lógico, autêntico, natural e criativo. Vamos lá:
Corrupção: “Algo que nós temos de investigá, apurá bastante direitinho e puni, doa a quem doer”.
Imprensa: “Imprensa eu associo com liberdade de imprensa. A coisa mais, é, importante que nós conquistamos nesse período de democracia”.
Política: “É algo que nós temos de fazer dentro de princípios éticos porque é uma das coisas fundamentais para se melhorá a democracia neste país”.
Terrorismo: “Acho que o terrorismo tem de ser combatido”.
José Dirceu: “É uma pessoa que é um militante do Partido dos Trabalhadores e que tem de ser, tem de tê o direito a se defendê”.
Lula: “O maior político do mundo”.
Hugo Chávez: “Um dos presidentes da América Latina com os quais nós temos de convivê”.
Ratinho se preparava para encerrar, quando Dilma, angustiada, o interrompe:
“Com os quais, não, com o qual, desculpe, fiz um erro de português feio. É com o qual, eu falei com os quais. Hugo Chávez, um presidente da América Latina com o qual temos de convivê”
Interessante esse “desculpe nossa falha” de Dilma Rousseff. Primeiro que, se ela adotar esse costume de parar para se corrigir, cada resposta sua vai levar duas horas e meia. Segundo — e aqui só mesmo Dilma — é que desta vez ela não precisava se corrigir. Surpreendentemente, a concordância estava certa — absolutamente certa.
Na construção original, o plural presidentes a autorizava a usar “com os quais”. Já na errata, “um presidente” de fato exigiria “com o qual” — mas não foi isso que ela disse antes.
Ou seja: Dilma não só nunca percebe quando erra como também se corrige quando está certa. E com o agravante de mudar o certo para provar que estava errada.
Incrível: Dilma errou no erramos.
Com Lula e o Brasil ninguém pode! _ Por Augusto Nunes
(O título é meu)
“Se o acordo for ignorado, vamos reagir”, avisou Celso Amorim. “Se vierem as sanções, os Estados Unidos vão se dar mal”, rosnou Marco Aurélio Garcia. “Vou esperar para ver o que vem”, completou Lula com cara de quem acordou invocado. Os recados do chanceler de bolso, do conselheiro para assuntos cucarachas e do presidente da potência emergente deixaram claro que a trinca recém-chegada de Teerã não estava para brincadeira. As demais nações que endossassem o acordo com os aiatolás atômicos. Se falassem em sanções contra o Irã, o desacato internacional ao Brasil e à Turquia não ficaria sem resposta.
É possível que tenham ocorrido falhas na tradução. É possível que os gringos tenham imaginado que o repertório de retaliações do Brasil não vai muito além do boicote à Copa do Mundo e do cancelamento do Carnaval. O fato é que ninguém deu importância às frases ameaçadoras. Com o apoio das nações que efetivamente influenciam os destinos do mundo, o governo americano substituiu o acordo malandro por outra rodada de castigos aos iranianos provocadores. Restou a Lula botar a culpa nos ianques, proclamar-se vitorioso e bater em retirada.
O problema do país tropical, confirmou o mais recente dos incontáveis fiascos internacionais da Era da Mediocridade, não é o complexo de vira-lata. Essa disfunção, diagnosticada por Nelson Rodrigues, só deu as caras entre 1950, quando a derrota na final contra o Uruguai transformou o brasileiro no último dos torcedores, e 1958, quando a Seleção triunfou na Copa da Suécia. O verdadeiro problema nacional é o contrário do complexo de vira-lata: é a síndrome de com-o-Brasil-ninguém-pode.
Aprende-se ainda no útero que a nossa bandeira é a mais bonita do mundo, embora ninguém se atreva a sair por aí tentando combinar camisa azul, calça verde e paletó amarelo. Aprende-se no berço que o nosso hino é o mais bonito do mundo, muitos sustenidos e bemóis à frente da Marselhesa. Aprende-se no jardim da infância que Deus é brasileiro, e portanto o país do futuro pode esperar que o futuro chegue dormindo em berço esplêndido.
Já chegou, acredita Lula, portador da síndrome em sua forma mais aguda. Ele decidiu que o país com quem ninguém pode é presidido por um governante que pode tudo. Acha-se capaz de solucionar conflitos cujas origens se perdem no tempo com fórmulas tão singelas quanto as usadas nos anos 70 pelo dirigente sindical escalado para entender-se com os patrões. Não enxerga diferenças entre povos divorciados por ódios milenares e um casal em crise. Dá palpites em conflagrações exemplarmente complexas com a desenvoltura de doutor no assunto. Essa mistura de ingenuidade, soberba e ignorância acabou produzindo uma forma muito singular de mitomania.
No cérebro de Lula, vale repetir, a área reservada à acumulação de conhecimentos é um terreno baldio. Por não ter assistido a uma só aula de geografia, ainda sofre para descobrir no mapa-múndi onde fica o Oriente Médio. Mas promete encerrar com duas conversas confrontos sobre os quais nada sabe. Por nunca ter lido um livro de história, ignora que o Irã é a antiga Pérsia, confunde o xá com chá, não faz a menor ideia de quem foi Khomeini. Desconhece o passado que produziu os ahmadinejads do presente. Mas chama de amigo um vigarista juramentado que promoveu a parceiro preferencial.
Entre os flagelos que atormentam o Brasil figuram mais de 10 milhões de analfabetos, um sistema de saneamento básico que só cobre metade das moradias, cicatrizes apavorantes no sistema de saúde e de educação, favelas miseráveis penduradas em morros sem lei, fronteiras fora do alcance do Estado, zonas de exclusão que encolheram o mapa oficial em milhões de quilômetros quadrados, a violência epidêmica, a corrupção endêmica, o primitivismo político, uma demasia de carências a eliminar. O presidente faz de conta que isso é conversa de inimigo da pátria e capricha na pose de conselheiro do mundo.
Candidato a secretário-geral da ONU, Lula já é um dos favoritos na disputa do título de idiota útil da década.
“Se o acordo for ignorado, vamos reagir”, avisou Celso Amorim. “Se vierem as sanções, os Estados Unidos vão se dar mal”, rosnou Marco Aurélio Garcia. “Vou esperar para ver o que vem”, completou Lula com cara de quem acordou invocado. Os recados do chanceler de bolso, do conselheiro para assuntos cucarachas e do presidente da potência emergente deixaram claro que a trinca recém-chegada de Teerã não estava para brincadeira. As demais nações que endossassem o acordo com os aiatolás atômicos. Se falassem em sanções contra o Irã, o desacato internacional ao Brasil e à Turquia não ficaria sem resposta.
É possível que tenham ocorrido falhas na tradução. É possível que os gringos tenham imaginado que o repertório de retaliações do Brasil não vai muito além do boicote à Copa do Mundo e do cancelamento do Carnaval. O fato é que ninguém deu importância às frases ameaçadoras. Com o apoio das nações que efetivamente influenciam os destinos do mundo, o governo americano substituiu o acordo malandro por outra rodada de castigos aos iranianos provocadores. Restou a Lula botar a culpa nos ianques, proclamar-se vitorioso e bater em retirada.
O problema do país tropical, confirmou o mais recente dos incontáveis fiascos internacionais da Era da Mediocridade, não é o complexo de vira-lata. Essa disfunção, diagnosticada por Nelson Rodrigues, só deu as caras entre 1950, quando a derrota na final contra o Uruguai transformou o brasileiro no último dos torcedores, e 1958, quando a Seleção triunfou na Copa da Suécia. O verdadeiro problema nacional é o contrário do complexo de vira-lata: é a síndrome de com-o-Brasil-ninguém-pode.
Aprende-se ainda no útero que a nossa bandeira é a mais bonita do mundo, embora ninguém se atreva a sair por aí tentando combinar camisa azul, calça verde e paletó amarelo. Aprende-se no berço que o nosso hino é o mais bonito do mundo, muitos sustenidos e bemóis à frente da Marselhesa. Aprende-se no jardim da infância que Deus é brasileiro, e portanto o país do futuro pode esperar que o futuro chegue dormindo em berço esplêndido.
Já chegou, acredita Lula, portador da síndrome em sua forma mais aguda. Ele decidiu que o país com quem ninguém pode é presidido por um governante que pode tudo. Acha-se capaz de solucionar conflitos cujas origens se perdem no tempo com fórmulas tão singelas quanto as usadas nos anos 70 pelo dirigente sindical escalado para entender-se com os patrões. Não enxerga diferenças entre povos divorciados por ódios milenares e um casal em crise. Dá palpites em conflagrações exemplarmente complexas com a desenvoltura de doutor no assunto. Essa mistura de ingenuidade, soberba e ignorância acabou produzindo uma forma muito singular de mitomania.
No cérebro de Lula, vale repetir, a área reservada à acumulação de conhecimentos é um terreno baldio. Por não ter assistido a uma só aula de geografia, ainda sofre para descobrir no mapa-múndi onde fica o Oriente Médio. Mas promete encerrar com duas conversas confrontos sobre os quais nada sabe. Por nunca ter lido um livro de história, ignora que o Irã é a antiga Pérsia, confunde o xá com chá, não faz a menor ideia de quem foi Khomeini. Desconhece o passado que produziu os ahmadinejads do presente. Mas chama de amigo um vigarista juramentado que promoveu a parceiro preferencial.
Entre os flagelos que atormentam o Brasil figuram mais de 10 milhões de analfabetos, um sistema de saneamento básico que só cobre metade das moradias, cicatrizes apavorantes no sistema de saúde e de educação, favelas miseráveis penduradas em morros sem lei, fronteiras fora do alcance do Estado, zonas de exclusão que encolheram o mapa oficial em milhões de quilômetros quadrados, a violência epidêmica, a corrupção endêmica, o primitivismo político, uma demasia de carências a eliminar. O presidente faz de conta que isso é conversa de inimigo da pátria e capricha na pose de conselheiro do mundo.
Candidato a secretário-geral da ONU, Lula já é um dos favoritos na disputa do título de idiota útil da década.
20 maio 2010
Brasil não ganha uma lá fora_Por Reinaldo Azevedo
(O título é meu)
O maestro do vexame de agora é Celso Amorim, Abaixo, atualizo a lista de seus desastres. Certamente falta coisa, mas vamos lá:
NOME PARA A OMC
Amorim tentou emplacar Luís Felipe de Seixas Corrêa na Organização Mundial do Comércio em 2005. Perdeu. Sabem qual foi o único país latino-americano que votou no Brasil? O Panamá!!! Culpa do Itamaraty, não de Seixas Corrêa.
OMC DE NOVO
O Brasil indicou Ellen Gracie em 2009. Perdeu de novo. Culpa do Itamaraty, não de Gracie.
NOME PARA O BID
Também em 2005, o Brasil tentou João Sayad na presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Deu errado outra vez. Dos nove membros, só quatro votaram no Brasil — do Mercosul, apenas um: a Argentina. Culpa do Itamaraty, não de Sayad.
ONU
O Brasil tenta, como obsessão, a ampliação (e uma vaga permanente) do Conselho de Segurança da ONU. Quem não quer? Parte da resistência ativa à pretensão está justamente no continente: México, Argentina e, por motivos óbvios e justificados, a Colômbia.
CHINA
O Brasil concedeu à China o status de “economia de mercado”, o que é uma piada, em troca de um possível apoio daquele país à ampliação do número de vagas permanentes no Conselho de Segurança da ONU. A China topou, levou o que queria e passou a lutar… contra a ampliação do conselho. Chineses fazem negócos há uns cinco mil anos, os petistas, há apenas 30…
DITADURAS ÁRABES
Sob o reinado dos trapalhões do Itamaraty, Lula fez um périplo pelas ditaduras árabes do Oriente Médio.
CÚPULA DE ANÕES
Em maio de 2005, no extremo da ridicularia, o Brasil realizou a cúpula América do Sul-Países Árabes. Era Lula estreando como rival de George W. Bush, se é que vocês me entendem. Falando a um bando de ditadores, alguns deles financiadores do terrorismo, o Apedeuta celebrou o exercício de democracia e de tolerância… No Irã, agora, ele tentou ser rival de Barack Obama…
ISRAEL E SUDÃO
A política externa brasileira tem sido de um ridículo sem fim. Em 2006, o país votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas, no ano anterior, negara-se a condenar o governo do Sudão por proteger uma milícia genocida, que praticou os massacres de Darfur — mais de 300 mil mortos! Por que o Brasil quer tanto uma vaga no Conselho de Segurança da ONU? Que senso tão atilado de justiça exibe para fazer tal pleito?
FARC
O Brasil, na prática, declara a sua neutralidade na luta entre o governo constitucional da Colômbia e os terroristas da Farc. Já escrevi muito a respeito.
RODADA DOHA
O Itamaraty fez o Brasil apostar tudo na Rodada Doha, que foi para o vinagre. Quando viu tudo desmoronar, Amorim não teve dúvida: atacou os Estados Unidos.
UNESCO
Amorim apoiou para o comando da Unesco o egípcio anti-semita e potencial queimador de livros Farouk Hosni. Ganhou a búlgara Irina Bukova. Para endossar o nome de Hosni, Amorim desprezou o brasileiro Márcio Barbosa, que contaria com o apoio tranqüilo dos Estados unidos e dos países europeus. Chutou um brasileiro, apoiou um egípcio, e venceu uma búlgara.
HONDURAS
O Brasil apoiou o golpista Manuel Zelaya e incentivou, na prática, uma tentativa de guerra civil no país. Perdeu! Honduras realizou eleições limpas e democráticas. Lula não reconhece o governo.
AMÉRICA DO SUL
Países sul-americanos pintam e bordam com o Brasil. Evo Morales, o índio de araque, nos tomou a Petrobras, incentivado por Hugo Chávez, que o Brasil trata como uma democrata irretocável. Como paga, promove a entrada do Beiçola de Caracas no Mercosul. Quem está segurando o ingresso, por enquanto, é o Parlamento… paraguaio! A Argentina impõe barreiras comerciais à vontade. E o Brasil compreende. O Paraguai decidiu rasgar o contrato de Itaipu. E o Equador já chegou a seqüestrar brasileiros. Mas somos muito compreensivos. Atitudes hostis, na América Latina, até agora, só com a democracia colombiana. Chamam a isso “pragmatismo”.
CUBA, PRESOS E BANDIDOS
Lula visitou Cuba, de novo, no meio da crise provocada pela morte do dissidente Orlando Zapata. Comparou os presos políticos que fazem greve de fome a bandidos comuns do Brasil.
IRÃ, PROTESTOS E FUTEBOL
Antes do apoio explícito ao programa nuclear e do vexame de agora, já havia demonstrado suas simpatias por Ahmadinjead e comparado os protestos das oposições contra as fraudes eleitorais à reclamação de uma torcida cujo time perde um jogo.
O maestro do vexame de agora é Celso Amorim, Abaixo, atualizo a lista de seus desastres. Certamente falta coisa, mas vamos lá:
NOME PARA A OMC
Amorim tentou emplacar Luís Felipe de Seixas Corrêa na Organização Mundial do Comércio em 2005. Perdeu. Sabem qual foi o único país latino-americano que votou no Brasil? O Panamá!!! Culpa do Itamaraty, não de Seixas Corrêa.
OMC DE NOVO
O Brasil indicou Ellen Gracie em 2009. Perdeu de novo. Culpa do Itamaraty, não de Gracie.
NOME PARA O BID
Também em 2005, o Brasil tentou João Sayad na presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Deu errado outra vez. Dos nove membros, só quatro votaram no Brasil — do Mercosul, apenas um: a Argentina. Culpa do Itamaraty, não de Sayad.
ONU
O Brasil tenta, como obsessão, a ampliação (e uma vaga permanente) do Conselho de Segurança da ONU. Quem não quer? Parte da resistência ativa à pretensão está justamente no continente: México, Argentina e, por motivos óbvios e justificados, a Colômbia.
CHINA
O Brasil concedeu à China o status de “economia de mercado”, o que é uma piada, em troca de um possível apoio daquele país à ampliação do número de vagas permanentes no Conselho de Segurança da ONU. A China topou, levou o que queria e passou a lutar… contra a ampliação do conselho. Chineses fazem negócos há uns cinco mil anos, os petistas, há apenas 30…
DITADURAS ÁRABES
Sob o reinado dos trapalhões do Itamaraty, Lula fez um périplo pelas ditaduras árabes do Oriente Médio.
CÚPULA DE ANÕES
Em maio de 2005, no extremo da ridicularia, o Brasil realizou a cúpula América do Sul-Países Árabes. Era Lula estreando como rival de George W. Bush, se é que vocês me entendem. Falando a um bando de ditadores, alguns deles financiadores do terrorismo, o Apedeuta celebrou o exercício de democracia e de tolerância… No Irã, agora, ele tentou ser rival de Barack Obama…
ISRAEL E SUDÃO
A política externa brasileira tem sido de um ridículo sem fim. Em 2006, o país votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas, no ano anterior, negara-se a condenar o governo do Sudão por proteger uma milícia genocida, que praticou os massacres de Darfur — mais de 300 mil mortos! Por que o Brasil quer tanto uma vaga no Conselho de Segurança da ONU? Que senso tão atilado de justiça exibe para fazer tal pleito?
FARC
O Brasil, na prática, declara a sua neutralidade na luta entre o governo constitucional da Colômbia e os terroristas da Farc. Já escrevi muito a respeito.
RODADA DOHA
O Itamaraty fez o Brasil apostar tudo na Rodada Doha, que foi para o vinagre. Quando viu tudo desmoronar, Amorim não teve dúvida: atacou os Estados Unidos.
UNESCO
Amorim apoiou para o comando da Unesco o egípcio anti-semita e potencial queimador de livros Farouk Hosni. Ganhou a búlgara Irina Bukova. Para endossar o nome de Hosni, Amorim desprezou o brasileiro Márcio Barbosa, que contaria com o apoio tranqüilo dos Estados unidos e dos países europeus. Chutou um brasileiro, apoiou um egípcio, e venceu uma búlgara.
HONDURAS
O Brasil apoiou o golpista Manuel Zelaya e incentivou, na prática, uma tentativa de guerra civil no país. Perdeu! Honduras realizou eleições limpas e democráticas. Lula não reconhece o governo.
AMÉRICA DO SUL
Países sul-americanos pintam e bordam com o Brasil. Evo Morales, o índio de araque, nos tomou a Petrobras, incentivado por Hugo Chávez, que o Brasil trata como uma democrata irretocável. Como paga, promove a entrada do Beiçola de Caracas no Mercosul. Quem está segurando o ingresso, por enquanto, é o Parlamento… paraguaio! A Argentina impõe barreiras comerciais à vontade. E o Brasil compreende. O Paraguai decidiu rasgar o contrato de Itaipu. E o Equador já chegou a seqüestrar brasileiros. Mas somos muito compreensivos. Atitudes hostis, na América Latina, até agora, só com a democracia colombiana. Chamam a isso “pragmatismo”.
CUBA, PRESOS E BANDIDOS
Lula visitou Cuba, de novo, no meio da crise provocada pela morte do dissidente Orlando Zapata. Comparou os presos políticos que fazem greve de fome a bandidos comuns do Brasil.
IRÃ, PROTESTOS E FUTEBOL
Antes do apoio explícito ao programa nuclear e do vexame de agora, já havia demonstrado suas simpatias por Ahmadinjead e comparado os protestos das oposições contra as fraudes eleitorais à reclamação de uma torcida cujo time perde um jogo.
O LENINISMO DE MERCADO DOS COMPANHEIROS_Por Reinaldo Azevedo
O episódio da censura ao vídeo dos prefeitos (ver post abaixo) é mais do que uma escolha, sei lá, intelectual: trata-se de uma natureza. Para “eles”, o mundo se divide em duas categorias: existem aqueles que estão sob a orientação — de preferência, o comando — do “Partido” e aqueles que não estão.
Como “O Partido”, na melhor tradição leninista, representa “a” vontade dos homens revolucionários, que têm o código do futuro, qualquer manifestação fora de seu controle representa, obviamente, uma ameaça e deve ser banida. Se “O Partido” está na oposição, cumpre mobilizar “a sociedade” contra o “estado autoritário”; se “O Partido” está no poder, aí, então, mobiliza-se o “estado autoritário” (que passa a ser “democrático”) contra “a sociedade”, que passa a ser manifestação do atraso.
Entenderam como funciona?
Em qualquer dos casos, quem se ferra é a liberdade, já que o único espaço legítimo de divergência passa a ser aquele que existe no ambiente do próprio “Partido”. Nesse particular — e em muitos outros particulares… —, o PT ainda é um partido leninista, sim. Pouco importa se passou a conviver com a economia de mercado. Ou, melhor ainda, pouco imposta se hoje se considera o gerente, o condutor, o ente de razão da economia de mercado — com todas as delícias que isso implica.
O que o PT herdou do bolchevismo — e poderia ter herdado do fascismo, porque daria na mesma — é o ódio à liberdade; é a repulsa a tudo aquilo que representa “o outro” — que, de fato, são “os outros”, já que a graça está na diversidade. Não para eles! A única diversidade possível é aquela reunida no “Partido”.
Sei por que se irritam comigo; sei por que tentam me enredar em suas histórias escabrosas. Não é porque eu denuncie esta ou aquela falcatruas — dedico-me pouco a isso; não é porque eu revele as suas ineficiências. Mas é porque eu exponho a sua filiação ideológica e o risco que representam não ao capitalismo, mas à democracia!
Censurar um vídeo como o que vai abaixo (no post de Reinlaod, em Veja.com)evidencia que Dilma saiu da VAR-Palmares, mas a VAR-Palmares não saiu de Dilma.
Quando ela pertencia àquela organização terrorista (desculpo-me por não chamar de “revolucionária” a morte de inocentes, tá?), julgava ter a forma do futuro. E julga ainda. Por isso não pode conviver com a crítica, esteja ela certa ou errada. Se está fora do ambiente do “Partido”, estará sempre errada.
Como “O Partido”, na melhor tradição leninista, representa “a” vontade dos homens revolucionários, que têm o código do futuro, qualquer manifestação fora de seu controle representa, obviamente, uma ameaça e deve ser banida. Se “O Partido” está na oposição, cumpre mobilizar “a sociedade” contra o “estado autoritário”; se “O Partido” está no poder, aí, então, mobiliza-se o “estado autoritário” (que passa a ser “democrático”) contra “a sociedade”, que passa a ser manifestação do atraso.
Entenderam como funciona?
Em qualquer dos casos, quem se ferra é a liberdade, já que o único espaço legítimo de divergência passa a ser aquele que existe no ambiente do próprio “Partido”. Nesse particular — e em muitos outros particulares… —, o PT ainda é um partido leninista, sim. Pouco importa se passou a conviver com a economia de mercado. Ou, melhor ainda, pouco imposta se hoje se considera o gerente, o condutor, o ente de razão da economia de mercado — com todas as delícias que isso implica.
O que o PT herdou do bolchevismo — e poderia ter herdado do fascismo, porque daria na mesma — é o ódio à liberdade; é a repulsa a tudo aquilo que representa “o outro” — que, de fato, são “os outros”, já que a graça está na diversidade. Não para eles! A única diversidade possível é aquela reunida no “Partido”.
Sei por que se irritam comigo; sei por que tentam me enredar em suas histórias escabrosas. Não é porque eu denuncie esta ou aquela falcatruas — dedico-me pouco a isso; não é porque eu revele as suas ineficiências. Mas é porque eu exponho a sua filiação ideológica e o risco que representam não ao capitalismo, mas à democracia!
Censurar um vídeo como o que vai abaixo (no post de Reinlaod, em Veja.com)evidencia que Dilma saiu da VAR-Palmares, mas a VAR-Palmares não saiu de Dilma.
Quando ela pertencia àquela organização terrorista (desculpo-me por não chamar de “revolucionária” a morte de inocentes, tá?), julgava ter a forma do futuro. E julga ainda. Por isso não pode conviver com a crítica, esteja ela certa ou errada. Se está fora do ambiente do “Partido”, estará sempre errada.
19 maio 2010
Instituto Sensus sem noção_Por Débora Santos, no Portal G1:
(O título é meu).
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram nesta terça-feira (18), por 6 votos a 1, multar em R$ 53,2 mil o Instituto Sensus por ter divulgado pesquisa eleitoral antes do prazo estabelecido por lei. A pesquisa, divulgada no dia 13 de abril, apontava empate técnico entre o pré-candidato tucano José Serra (32,7%) e a petista Dilma Rousseff (32,4%).
Segundo o TSE, não cabe recurso à decisão, que foi tomada com base em representação apresentada pelo PSDB contra o instituto. A legenda alegou que a publicação do resultado feriu a regra eleitoral que estipula o prazo de cinco dias para a divulgação a contar do registro das informações no TSE. A sigla chegou a ter autorização da Justiça Eleitoral para fiscalizar a pesquisa.
O relator ministro Joelson Dias negou o pedido do PSDB, afirmando que houve apenas erro material no pedido de registro da pesquisa. Segundo ele, isso não teria afetado as informações por meio da metodologia emprega e o período de realização da pesquisa.
O PSDB entrou com recurso, que nesta terça-feira foi aceito pelo TSE, apesar de o relator do processo ter mantido o entendimento de que o instituto não deveria ser multado.
O primeiro registro da pesquisa foi feito pelo instituto no dia 5 de abril, em nome do Sindicato de Trabalhadores em Concessionárias de Rodovias (Sindecrep). A entidade negou à imprensa que tivesse encomendado o levantamento ao Sensus, o que fez o instituto realizar um segundo registro, desta vez em nome do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo (Sintrapav), no dia 9. A contar desse dia, a pesquisa só poderia ter sido revelada um dia depois da data em que foi divulgada.
Na defesa apresentada à Justiça, o Instituto Sensus argumentou que cometeu um erro na hora de preencher o formulário do registro, trocando o nome de um sindicato por outro. O G1 tentou contato com a equipe do Instituto Sensus nesta terça-feira (18), mas não conseguiu.
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram nesta terça-feira (18), por 6 votos a 1, multar em R$ 53,2 mil o Instituto Sensus por ter divulgado pesquisa eleitoral antes do prazo estabelecido por lei. A pesquisa, divulgada no dia 13 de abril, apontava empate técnico entre o pré-candidato tucano José Serra (32,7%) e a petista Dilma Rousseff (32,4%).
Segundo o TSE, não cabe recurso à decisão, que foi tomada com base em representação apresentada pelo PSDB contra o instituto. A legenda alegou que a publicação do resultado feriu a regra eleitoral que estipula o prazo de cinco dias para a divulgação a contar do registro das informações no TSE. A sigla chegou a ter autorização da Justiça Eleitoral para fiscalizar a pesquisa.
O relator ministro Joelson Dias negou o pedido do PSDB, afirmando que houve apenas erro material no pedido de registro da pesquisa. Segundo ele, isso não teria afetado as informações por meio da metodologia emprega e o período de realização da pesquisa.
O PSDB entrou com recurso, que nesta terça-feira foi aceito pelo TSE, apesar de o relator do processo ter mantido o entendimento de que o instituto não deveria ser multado.
O primeiro registro da pesquisa foi feito pelo instituto no dia 5 de abril, em nome do Sindicato de Trabalhadores em Concessionárias de Rodovias (Sindecrep). A entidade negou à imprensa que tivesse encomendado o levantamento ao Sensus, o que fez o instituto realizar um segundo registro, desta vez em nome do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo (Sintrapav), no dia 9. A contar desse dia, a pesquisa só poderia ter sido revelada um dia depois da data em que foi divulgada.
Na defesa apresentada à Justiça, o Instituto Sensus argumentou que cometeu um erro na hora de preencher o formulário do registro, trocando o nome de um sindicato por outro. O G1 tentou contato com a equipe do Instituto Sensus nesta terça-feira (18), mas não conseguiu.
17 maio 2010
Cuidado! Dilma não é brindadeira, não!_Por Celso Arnaldo_In Augusto Nunes
“A galhofa já não basta”, escreveu Celso Arnaldo neste ótimo texto sobre a ameaça que representa para o país a candidatura de Dilma Rousseff. Também acho. A sucessora que Lula inventou é uma piada, mas uma piada no poder é um perigo, e perigos devem ser tratados com seriedade. Ressalvo, contudo, que nunca nos limitamos a galhofas, que aliás é coisa muito séria. Galhofa não é brincadeira, sobretudo quando incorpora a ironia localizada na fronteira do sarcasmo.
Para desmontar a fraude aqui identificada há oito meses, a coluna procura dosar corretamente o humor que desconcerta o farsante e o ataque frontal que traduz a indignação do país que presta. A fórmula tem sido aplicada com eficácia? Boa pergunta para o timaço de comentaristas. Leia e diga o que acha.
Por enquanto, levamos a coisa na brincadeira ─ e nos divertimos muito. Mas acho que a coisa ficou séria. Porque ela não é a Hebe Camargo ou a Ana Maria Braga ─ ainda pode ser eleita presidente da República.
Há oito meses ouço tudo o que Dilma diz em público. Não lhe ouvi ainda uma frase inteligente. Um raciocínio límpido, criativo. Uma tirada esperta. Um jogo de palavras que faça sentido lógico e tenha algum requinte metafórico. Uma boa ideia própria. Uma resposta satisfatória e sincera. Um pensamento sobre o Brasil que denote um juízo superior sobre nossas raízes, nossas mazelas e nosso futuro. Um cacoete de estadista. Uma réplica ferina. Sequer uma grosseria fina tirada do bolso do casaquinho como recurso dialético.
Só sandices, pensamentos toscos, construções que não param de pé, só o mais absoluto desconhecimento das leis básicas da argumentação, da sintaxe, da gincana política e da articulação de modernos conceitos de estado. Uma incultura geral inédita entre pessoas públicas.
Decorou de orelhada meia dúzia de conceitos primários ─ o Brasil como quinta potência, a creche como berço de tudo, a casa como identidade pessoal ─ e os repete país afora, com um detalhe: a repetição, que normalmente produz aprimoramento, só piora sua capacidade de expressão. Não consegue sequer reproduzir, sem erros grosseiros, máximas, ditados e aforismos que já fazem parte da psique popular.
Políticos cometem gafes, dizem asneiras, cometem atentados de estilo. Mas não todos os dias. Não em todos os discursos, todas as entrevistas, todas as frases. Todas, literalmente todas. Qualquer pessoa tem lampejos.
Em Dilma, nada se salva, rigorosamente nada. Não domina nenhum tema, nada lhe é familiar. Nem sua doença, nem os livros que (não) leu, os filmes que (não) viu. Nem sequer sua família lhe é familiar. Pior: apresenta a forma mais profunda de ignorância, que é não saber que não sabe. Se se assistisse no estarrecedor vídeo do Neymar/Ganso, diria que deu um show de bola.
Dilma Rousseff não chega a ser uma dona de casa caindo de paraquedas na disputa da Presidência. Ela não tem nem mesmo os dons mínimos para ser “do lar” – haja vista o omelete Superpop, cujos ovos ela mexeu antes de quebrar, se é que isso era possível. Palmirinha seria uma candidata mais viável. Dilma é nosso Zelig ─ e de Woody Allen só tem a feiúra. E olha nós aqui de novo fazendo piada com algo seriíssimo.
Acho que basta. Uma coisa é chutar de canela ao falar de Vidas Secas, dos instintos paternos, de Neymar e Ganso. Outra é divagar tão ignorantemente sobre um hipotético arsenal atômico de um país hoje aliado. Dilma não é uma ameaça ao vernáculo ─ mas à segurança nacional.
Essa mulher evidentemente não tem a menor condição de representar um único brasileiro ─ sequer seu neto Gabriel, ainda “unborn”. O que dirá de representar o Brasil, sujeitando-nos à galhofa, ao escárnio, a incidentes diplomáticos irreparáveis ─ do que são prova o “meio ambiente como ameaça ao desenvolvimento” e as agora reveladas bombas nucleares do Irã, país que ela nem sabe onde fica. Impô-la ao país, sem medir as consequências, é uma afronta ─ e, de todos os malfeitos do PT, o mais criminoso.
A bem da verdade: ela não tem culpa. Os escândalos do mensalão e dos aloprados privaram Lula de suas duas apostas para a sucessão ─ Dirceu e Palocci. Então, por instinto de sobrevivência, ele se lembrou da gerentona do sub-solo, a mineira-gaúcha de poucas e duras palavras, que exigia para ontem o que não podia ser feito hoje e nem seria feito amanhã — como as obras do PAC.
Durante anos, a inegável eficiência dos técnicos do segundo escalão do governo camuflou a fraude da falsa competência. No dia em que o Criador, depois da última cinzelada na criatura, ordenou “Fala Dilma”, o mito começou a ruir.
Mas, na busca desesperada pela continuidade da Ptcracia, os criadores fingem que não percebem o cruel desmoronamento da criatura Dilma ─ e ainda fazem questão de exibi-la, como uma avis rara mais primitiva que os Pterossaurus.
Se não me falha a memória, o mito começou a ruir aqui.
Mas a galhofa já não basta.
Agora, com a ameaça da bomba nuclear, é preciso falar sério sobre Dilma Rousseff.
Para desmontar a fraude aqui identificada há oito meses, a coluna procura dosar corretamente o humor que desconcerta o farsante e o ataque frontal que traduz a indignação do país que presta. A fórmula tem sido aplicada com eficácia? Boa pergunta para o timaço de comentaristas. Leia e diga o que acha.
Por enquanto, levamos a coisa na brincadeira ─ e nos divertimos muito. Mas acho que a coisa ficou séria. Porque ela não é a Hebe Camargo ou a Ana Maria Braga ─ ainda pode ser eleita presidente da República.
Há oito meses ouço tudo o que Dilma diz em público. Não lhe ouvi ainda uma frase inteligente. Um raciocínio límpido, criativo. Uma tirada esperta. Um jogo de palavras que faça sentido lógico e tenha algum requinte metafórico. Uma boa ideia própria. Uma resposta satisfatória e sincera. Um pensamento sobre o Brasil que denote um juízo superior sobre nossas raízes, nossas mazelas e nosso futuro. Um cacoete de estadista. Uma réplica ferina. Sequer uma grosseria fina tirada do bolso do casaquinho como recurso dialético.
Só sandices, pensamentos toscos, construções que não param de pé, só o mais absoluto desconhecimento das leis básicas da argumentação, da sintaxe, da gincana política e da articulação de modernos conceitos de estado. Uma incultura geral inédita entre pessoas públicas.
Decorou de orelhada meia dúzia de conceitos primários ─ o Brasil como quinta potência, a creche como berço de tudo, a casa como identidade pessoal ─ e os repete país afora, com um detalhe: a repetição, que normalmente produz aprimoramento, só piora sua capacidade de expressão. Não consegue sequer reproduzir, sem erros grosseiros, máximas, ditados e aforismos que já fazem parte da psique popular.
Políticos cometem gafes, dizem asneiras, cometem atentados de estilo. Mas não todos os dias. Não em todos os discursos, todas as entrevistas, todas as frases. Todas, literalmente todas. Qualquer pessoa tem lampejos.
Em Dilma, nada se salva, rigorosamente nada. Não domina nenhum tema, nada lhe é familiar. Nem sua doença, nem os livros que (não) leu, os filmes que (não) viu. Nem sequer sua família lhe é familiar. Pior: apresenta a forma mais profunda de ignorância, que é não saber que não sabe. Se se assistisse no estarrecedor vídeo do Neymar/Ganso, diria que deu um show de bola.
Dilma Rousseff não chega a ser uma dona de casa caindo de paraquedas na disputa da Presidência. Ela não tem nem mesmo os dons mínimos para ser “do lar” – haja vista o omelete Superpop, cujos ovos ela mexeu antes de quebrar, se é que isso era possível. Palmirinha seria uma candidata mais viável. Dilma é nosso Zelig ─ e de Woody Allen só tem a feiúra. E olha nós aqui de novo fazendo piada com algo seriíssimo.
Acho que basta. Uma coisa é chutar de canela ao falar de Vidas Secas, dos instintos paternos, de Neymar e Ganso. Outra é divagar tão ignorantemente sobre um hipotético arsenal atômico de um país hoje aliado. Dilma não é uma ameaça ao vernáculo ─ mas à segurança nacional.
Essa mulher evidentemente não tem a menor condição de representar um único brasileiro ─ sequer seu neto Gabriel, ainda “unborn”. O que dirá de representar o Brasil, sujeitando-nos à galhofa, ao escárnio, a incidentes diplomáticos irreparáveis ─ do que são prova o “meio ambiente como ameaça ao desenvolvimento” e as agora reveladas bombas nucleares do Irã, país que ela nem sabe onde fica. Impô-la ao país, sem medir as consequências, é uma afronta ─ e, de todos os malfeitos do PT, o mais criminoso.
A bem da verdade: ela não tem culpa. Os escândalos do mensalão e dos aloprados privaram Lula de suas duas apostas para a sucessão ─ Dirceu e Palocci. Então, por instinto de sobrevivência, ele se lembrou da gerentona do sub-solo, a mineira-gaúcha de poucas e duras palavras, que exigia para ontem o que não podia ser feito hoje e nem seria feito amanhã — como as obras do PAC.
Durante anos, a inegável eficiência dos técnicos do segundo escalão do governo camuflou a fraude da falsa competência. No dia em que o Criador, depois da última cinzelada na criatura, ordenou “Fala Dilma”, o mito começou a ruir.
Mas, na busca desesperada pela continuidade da Ptcracia, os criadores fingem que não percebem o cruel desmoronamento da criatura Dilma ─ e ainda fazem questão de exibi-la, como uma avis rara mais primitiva que os Pterossaurus.
Se não me falha a memória, o mito começou a ruir aqui.
Mas a galhofa já não basta.
Agora, com a ameaça da bomba nuclear, é preciso falar sério sobre Dilma Rousseff.
Dilma e a insegurança pública_In Augusto Nunes
“Primavera para Dilma” é uma versão tupiniquim daquele filme do Mel Brooks, “Primavera para Hitler”, depois transformada num musical da Broadway, “Os produtores”, em que dois espertalhões montam a pior peça de todos os tempos para fracassar na primeira noite e não precisar remunerar os investidores às prometidas taxas inviáveis. Mas a peça se torna um fenômeno de bilheteria, um cult instantâneo. E os produtores vão parar na cadeia por fraude.
Lula produziu a pior candidata do mundo. Seria derrubada no primeiro discurso, a primeira entrevista. Não foi. Seguiu em frente, em performances cada vez mais vexaminosas, e, pelo menos para um instituto de pesquisa, lidera o ranking das urnas.
A esperança agora é o primeiro debate. Se ela não sair de cartaz, será a maior fraude da história da política brasileira. E Lula merecerá prisão perpétua — com o consolo do menino do MEP, hoje um senhor, como companheiro de cela.
Mas Dilma continua atraindo público. Em entrevista coletiva neste domingo, em Salvador, ao lado do governador Jaques Wagner, ela falou sobre os temas que domina tão bem, com destaque para a segurança pública — uma “questão muito importante” no governo Lula, que continuará sendo uma “questão muito importante” em seu governo. Foi muito aplaudida: podemos esperar um Brasil completamente seguro sob Dilma.
“Criamos a Força Nacional de Segurança Pública e vamos tê de expandi. A Força Nacional de Segurança Pública ela foi criada justamente porque era necessário que houvesse uma força nacional em que, em casos de extrema gravidade, no que se refere à segurança pública, pudesse haver uma intervenção”.
Depois de explicar que a Força Nacional de Segurança Pública é uma Força Nacional de Segurança Pública, Dilma finalmente explicou por que a Força Nacional de Segurança Pública parece mais fictícia que a tropa de elite do Capitão Nascimento: não houve no Brasil, nos últimos seis anos, nenhum caso de extrema gravidade “no que se refere” à segurança pública para que ela precisasse intervir.
Que a Força esteja com Dilma. Mas ela prometeu mais. Prometeu acabar com a rede do crime organizado:
“Nosso negócio não é só combatê. É derrotá. Quando o negócio é derrotá, cê tem de descobri em que condições cê derrota”.
Desconfio que, por enquanto, o crime organizado está mais organizado que o pensamento de Dilma sobre o crime organizado – e o desorganizado também.
“Pra você desmontá a rede, cê precisa de conhecê a rede, tê esse, essa, isso que a Polícia Federal faz, que é jugá a inteligência e fazê ações de desmantelamento dessas redes, né? Por isso foi muito importante”.
É por coisas assim que o desmantelamento da rede de sandices proferidas por Dilma deve ser a prioridade número 1 de qualquer ação de inteligência do eleitor consciente.
Ou esse filme-catástrofe ainda leva o Oscar.
Lula produziu a pior candidata do mundo. Seria derrubada no primeiro discurso, a primeira entrevista. Não foi. Seguiu em frente, em performances cada vez mais vexaminosas, e, pelo menos para um instituto de pesquisa, lidera o ranking das urnas.
A esperança agora é o primeiro debate. Se ela não sair de cartaz, será a maior fraude da história da política brasileira. E Lula merecerá prisão perpétua — com o consolo do menino do MEP, hoje um senhor, como companheiro de cela.
Mas Dilma continua atraindo público. Em entrevista coletiva neste domingo, em Salvador, ao lado do governador Jaques Wagner, ela falou sobre os temas que domina tão bem, com destaque para a segurança pública — uma “questão muito importante” no governo Lula, que continuará sendo uma “questão muito importante” em seu governo. Foi muito aplaudida: podemos esperar um Brasil completamente seguro sob Dilma.
“Criamos a Força Nacional de Segurança Pública e vamos tê de expandi. A Força Nacional de Segurança Pública ela foi criada justamente porque era necessário que houvesse uma força nacional em que, em casos de extrema gravidade, no que se refere à segurança pública, pudesse haver uma intervenção”.
Depois de explicar que a Força Nacional de Segurança Pública é uma Força Nacional de Segurança Pública, Dilma finalmente explicou por que a Força Nacional de Segurança Pública parece mais fictícia que a tropa de elite do Capitão Nascimento: não houve no Brasil, nos últimos seis anos, nenhum caso de extrema gravidade “no que se refere” à segurança pública para que ela precisasse intervir.
Que a Força esteja com Dilma. Mas ela prometeu mais. Prometeu acabar com a rede do crime organizado:
“Nosso negócio não é só combatê. É derrotá. Quando o negócio é derrotá, cê tem de descobri em que condições cê derrota”.
Desconfio que, por enquanto, o crime organizado está mais organizado que o pensamento de Dilma sobre o crime organizado – e o desorganizado também.
“Pra você desmontá a rede, cê precisa de conhecê a rede, tê esse, essa, isso que a Polícia Federal faz, que é jugá a inteligência e fazê ações de desmantelamento dessas redes, né? Por isso foi muito importante”.
É por coisas assim que o desmantelamento da rede de sandices proferidas por Dilma deve ser a prioridade número 1 de qualquer ação de inteligência do eleitor consciente.
Ou esse filme-catástrofe ainda leva o Oscar.
16 maio 2010
O que pensa Marina_Por Flávia Tavares, no Estadão
Marina Silva chegou atrasada ao escritório que será seu comitê em São Paulo, no bairro de Pinheiros. Os muros externos estão pintados de verde, a decoração é leve, está quase tudo pronto. Ela se atrasou porque estava reunida com assessores e correligionários para definir os últimos detalhes de seu discurso hoje, no lançamento de sua pré-candidatura.
Em uma hora de conversa, a senadora começou a delinear posições sobre política econômica e externa e sobre como tocará as reformas política, tributária e previdenciária, se eleita: “Defendo a criação de uma Constituinte exclusiva, para fazer as reformas e nos tirar dessa paralisia.” Falou sobre alianças políticas, sempre defendendo a comunhão de ideias acima de acordos que perpetuem o fisiologismo. Por fim, defendeu o Estado laico veementemente, enquanto reafirmava sua fé.
A postura de não se aliar a políticos e partidos dos quais a senhora discorda a inviabiliza politicamente?
Sempre fui de dialogar com todos os segmentos. Tenho interação com lideranças de todos os partidos. A diferença é a qualidade dessa interação. Vou na direção de pessoas com quem tenho uma comunidade de pensamento. A ligação se estabelece não simplesmente pelo vínculo partidário, mas pelo vínculo com a causa e os princípios. Mas não se trata da interação pragmática com aqueles que se sentem donos do poder.
Que interlocução a senhora busca?
Uma interlocução que aponte para uma nova visão de como resolver os problemas do Brasil. Isso quer dizer não negar contribuições ao longo dos anos. Por isso, identifico conquistas no governo do presidente FHC, com o Plano Real, aperfeiçoadas pelo presidente Lula. Mas sei que não chegamos ao fim da história. Tivemos vitórias, mas temos imensos desafios pela frente.
Quais os principais desafios?
Se pensarmos que temos no Brasil 18% de jovens analfabetos e que 7 milhões deles estão no Nordeste e que 55% das crianças do ensino fundamental não concluem a 8.ª série, esses são grandes desafios. Se considerarmos que o Brasil é uma potência ambiental e que podemos fazer a diferença para quebrar paradigmas e construir novas bases para nos desenvolver econômica e socialmente, também.
Se eleita, a senhora não vai precisar do apoio dos partidos com os quais não quer se aliar agora?
Qualquer mudança profunda é fruto de acordo social. Se não tiver um que legitime as transformações, não tem como tocá-las. Se ganhar, quero sair da eleição com legitimidade e respaldo para implantar as mudanças a partir de princípios e não do fisiologismo que transformou em reféns aqueles que ganharam o poder cheios de boas intenções.
Quem a senhora apoiará se não for para o segundo turno?
Segundo turno se discute no segundo turno. Irei conversar com aquele que não for para o segundo turno comigo. Aprendi a afirmar o que penso e como opero nos meus 30 anos de PT. As pessoas diziam sobre o PT o que hoje dizem de mim. Quando saímos do PMDB para criar o PT, diziam que estávamos fazendo o jogo da ditadura, do Golbery do Couto e Silva. E nada se revelou mais falso. Agora, não estou fazendo o jogo do Serra, nem da Dilma, nem de ninguém. Faço a defesa de um projeto político para o Brasil, já que os partidos, inclusive o PT, não foram capazes de atualizar seu pensamento.
Que atualizações eram necessárias?
Os partidos de esquerda na ditadura não se atualizaram no pensar da reconquista da democracia fora da ideia verticalizada de partido comunista. O PT fez essa atualização. Mas não se atualizou na questão da sustentabilidade.
Quais serão suas diretrizes com relação à política econômica?
Não temos aventuras a fazer. Pelo contrário, temos dito que é fundamental manter o tripé usado desde que se conseguiu a estabilidade econômica: o controle da inflação, as reservas e o câmbio flutuante, além da autonomia do Banco Central.
Como a senhora avalia a política externa do presidente Lula?
Temos avanços a ser preservados. O olhar que o Brasil teve para regiões do mundo sem pensar em interesse comercial, a partir de uma visão solidária, com a África, por exemplo, é positivo. Por outro lado, existem princípios que devem ser estabelecidos. A defesa dos direitos humanos não pode ser relativizada. O caso de Cuba é claro. Reconhecemos que, antes da revolução, havia a ditadura de Fulgencio Batista, que aviltava os direitos humanos. Do ponto de vista das conquistas sociais, a revolução foi importante. Mas, se é bom para o Brasil ter democracia e liberdades políticas e de expressão, deve ser bom também para os cubanos.
E a visita do presidente Lula ao Irã?
O Brasil tem uma cultura e uma tradição de paz que nos credencia para dar exemplo. Portanto, não pode dar mensagem errada na relação com o Irã, já que não há segurança quanto à bomba atômica. O diálogo é importante, é bom ter um país ocidental dialogando com eles. Mas não se podem dar sinalizações incorretas, dar credibilidade a quem está prendendo, executando e aviltando as liberdades políticas e, ainda, com risco de armamento nuclear.
A sra. pretende fazer as reformas política, tributária e previdenciária?
Essas reformas têm feito parte de um consenso oco, em que todos falam e ninguém leva a cabo o que falou durante as eleições. Essas reformas estratégicas para o País deveriam fazer parte de um processo de Constituinte exclusivo, que nos ajudasse a sair dessa paralisia.
A senhora defende o ensino do criacionismo em escolas públicas?
Isso é uma inverdade. O que defendi na entrevista que gerou essa polêmica foi o ensino do evolucionismo dentro de escolas confessionais. Não entendo como transformaram isso em defesa do criacionismo.
Mas acredita no criacionismo?
Não tenho formulação sobre isso. Creio em Deus como 95% dos brasileiros e acredito que Deus criou todas as coisas. Não preciso de teoria científica para justificar isso e não coloco nenhuma teoria científica para contrapor a ciência em relação a isso. Não acho que se deva fazer contraposição entre fé e ciência.
Como lidar com o rótulo de conservadora que algumas posições em temas polêmicos lhe rendem?
Vou lidar sendo coerente e transparente. Primeiro, quero que não fique nenhuma dúvida da minha defesa do Estado laico. É uma conquista da sociedade brasileira e é graças ao Estado laico que eu posso ser cristã-evangélica, que outros podem ser católicos, espíritas, ateus, judeus ou muçulmanos. Em relação aos princípios de fé, eu defendo a vida.
Em uma hora de conversa, a senadora começou a delinear posições sobre política econômica e externa e sobre como tocará as reformas política, tributária e previdenciária, se eleita: “Defendo a criação de uma Constituinte exclusiva, para fazer as reformas e nos tirar dessa paralisia.” Falou sobre alianças políticas, sempre defendendo a comunhão de ideias acima de acordos que perpetuem o fisiologismo. Por fim, defendeu o Estado laico veementemente, enquanto reafirmava sua fé.
A postura de não se aliar a políticos e partidos dos quais a senhora discorda a inviabiliza politicamente?
Sempre fui de dialogar com todos os segmentos. Tenho interação com lideranças de todos os partidos. A diferença é a qualidade dessa interação. Vou na direção de pessoas com quem tenho uma comunidade de pensamento. A ligação se estabelece não simplesmente pelo vínculo partidário, mas pelo vínculo com a causa e os princípios. Mas não se trata da interação pragmática com aqueles que se sentem donos do poder.
Que interlocução a senhora busca?
Uma interlocução que aponte para uma nova visão de como resolver os problemas do Brasil. Isso quer dizer não negar contribuições ao longo dos anos. Por isso, identifico conquistas no governo do presidente FHC, com o Plano Real, aperfeiçoadas pelo presidente Lula. Mas sei que não chegamos ao fim da história. Tivemos vitórias, mas temos imensos desafios pela frente.
Quais os principais desafios?
Se pensarmos que temos no Brasil 18% de jovens analfabetos e que 7 milhões deles estão no Nordeste e que 55% das crianças do ensino fundamental não concluem a 8.ª série, esses são grandes desafios. Se considerarmos que o Brasil é uma potência ambiental e que podemos fazer a diferença para quebrar paradigmas e construir novas bases para nos desenvolver econômica e socialmente, também.
Se eleita, a senhora não vai precisar do apoio dos partidos com os quais não quer se aliar agora?
Qualquer mudança profunda é fruto de acordo social. Se não tiver um que legitime as transformações, não tem como tocá-las. Se ganhar, quero sair da eleição com legitimidade e respaldo para implantar as mudanças a partir de princípios e não do fisiologismo que transformou em reféns aqueles que ganharam o poder cheios de boas intenções.
Quem a senhora apoiará se não for para o segundo turno?
Segundo turno se discute no segundo turno. Irei conversar com aquele que não for para o segundo turno comigo. Aprendi a afirmar o que penso e como opero nos meus 30 anos de PT. As pessoas diziam sobre o PT o que hoje dizem de mim. Quando saímos do PMDB para criar o PT, diziam que estávamos fazendo o jogo da ditadura, do Golbery do Couto e Silva. E nada se revelou mais falso. Agora, não estou fazendo o jogo do Serra, nem da Dilma, nem de ninguém. Faço a defesa de um projeto político para o Brasil, já que os partidos, inclusive o PT, não foram capazes de atualizar seu pensamento.
Que atualizações eram necessárias?
Os partidos de esquerda na ditadura não se atualizaram no pensar da reconquista da democracia fora da ideia verticalizada de partido comunista. O PT fez essa atualização. Mas não se atualizou na questão da sustentabilidade.
Quais serão suas diretrizes com relação à política econômica?
Não temos aventuras a fazer. Pelo contrário, temos dito que é fundamental manter o tripé usado desde que se conseguiu a estabilidade econômica: o controle da inflação, as reservas e o câmbio flutuante, além da autonomia do Banco Central.
Como a senhora avalia a política externa do presidente Lula?
Temos avanços a ser preservados. O olhar que o Brasil teve para regiões do mundo sem pensar em interesse comercial, a partir de uma visão solidária, com a África, por exemplo, é positivo. Por outro lado, existem princípios que devem ser estabelecidos. A defesa dos direitos humanos não pode ser relativizada. O caso de Cuba é claro. Reconhecemos que, antes da revolução, havia a ditadura de Fulgencio Batista, que aviltava os direitos humanos. Do ponto de vista das conquistas sociais, a revolução foi importante. Mas, se é bom para o Brasil ter democracia e liberdades políticas e de expressão, deve ser bom também para os cubanos.
E a visita do presidente Lula ao Irã?
O Brasil tem uma cultura e uma tradição de paz que nos credencia para dar exemplo. Portanto, não pode dar mensagem errada na relação com o Irã, já que não há segurança quanto à bomba atômica. O diálogo é importante, é bom ter um país ocidental dialogando com eles. Mas não se podem dar sinalizações incorretas, dar credibilidade a quem está prendendo, executando e aviltando as liberdades políticas e, ainda, com risco de armamento nuclear.
A sra. pretende fazer as reformas política, tributária e previdenciária?
Essas reformas têm feito parte de um consenso oco, em que todos falam e ninguém leva a cabo o que falou durante as eleições. Essas reformas estratégicas para o País deveriam fazer parte de um processo de Constituinte exclusivo, que nos ajudasse a sair dessa paralisia.
A senhora defende o ensino do criacionismo em escolas públicas?
Isso é uma inverdade. O que defendi na entrevista que gerou essa polêmica foi o ensino do evolucionismo dentro de escolas confessionais. Não entendo como transformaram isso em defesa do criacionismo.
Mas acredita no criacionismo?
Não tenho formulação sobre isso. Creio em Deus como 95% dos brasileiros e acredito que Deus criou todas as coisas. Não preciso de teoria científica para justificar isso e não coloco nenhuma teoria científica para contrapor a ciência em relação a isso. Não acho que se deva fazer contraposição entre fé e ciência.
Como lidar com o rótulo de conservadora que algumas posições em temas polêmicos lhe rendem?
Vou lidar sendo coerente e transparente. Primeiro, quero que não fique nenhuma dúvida da minha defesa do Estado laico. É uma conquista da sociedade brasileira e é graças ao Estado laico que eu posso ser cristã-evangélica, que outros podem ser católicos, espíritas, ateus, judeus ou muçulmanos. Em relação aos princípios de fé, eu defendo a vida.
A comparação que estuprou a verdade é um insulto a Mandela_Por Augusto Nunes
O presidente Lula precisou de duas frases e uma comparação infamante para afrontar a Justiça Eleitoral, escancarar a própria indigência intelectual e assassinar a verdade: “Uma parte da história da Dilma me lembra muito a do Mandela”, disse no programa ilegal do PT. “Uma vez o Mandela me disse que só foi para o confronto quando não deram outra saída para ele”. O estupro da História foi chancelado pela candidata que mente como quem respira: “Eu lutei, sim. Pela liberdade, pela democracia”.
A comparação é mais que uma impostura atrevida, é mais que outro estelionato eleitoreiro. É um insulto ao homem que redesenhou o destino da África do Sul. Nelson Mandela lutou pelo fim do apartheid, pela restauração da liberdade e pelo nascimento do regime democrático. Dilma Rousseff serviu a grupos radicais que queriam trocar a ditadura militar pela ditadura comunista. Ele aceitou o confronto depois de propor todas as soluções pacíficas possíveis. Ela aderiu à luta armada em 1967, um ano antes da decretação do AI-5.
Mandela protagonizou combates reais. Dilma não passou de figurante em assaltos a bancos e cofres particulares. Ele ficou preso 27 anos por liderar a imensa maioria negra. Ela ficou três anos na cadeia por obedecer a extremistas ignorados pelo povo. Mandela venceu. Dilma perdeu. A ditadura militar foi derrotada pela resistência democrática de que jamais participou.
Mandela chegou ao poder pela vontade popular. Dilma, que nunca disputou nem eleição de síndico, é fruto da vontade de Lula. Ele negociou com os carcereiros brancos a extinção do apartheid. Ela despreza os democratas que negociaram a anistia de que foi beneficiária e declara guerra a todos os oposicionistas. Mandela é um grande orador, um líder vocacional e um político sedutor. Dilma não diz coisa com coisa, faz tudo o que manda o mestre e tem a simpatia de um poste.
Nelson Mandela é um estadista. Dilma Rousseff é uma farsa.
A comparação é mais que uma impostura atrevida, é mais que outro estelionato eleitoreiro. É um insulto ao homem que redesenhou o destino da África do Sul. Nelson Mandela lutou pelo fim do apartheid, pela restauração da liberdade e pelo nascimento do regime democrático. Dilma Rousseff serviu a grupos radicais que queriam trocar a ditadura militar pela ditadura comunista. Ele aceitou o confronto depois de propor todas as soluções pacíficas possíveis. Ela aderiu à luta armada em 1967, um ano antes da decretação do AI-5.
Mandela protagonizou combates reais. Dilma não passou de figurante em assaltos a bancos e cofres particulares. Ele ficou preso 27 anos por liderar a imensa maioria negra. Ela ficou três anos na cadeia por obedecer a extremistas ignorados pelo povo. Mandela venceu. Dilma perdeu. A ditadura militar foi derrotada pela resistência democrática de que jamais participou.
Mandela chegou ao poder pela vontade popular. Dilma, que nunca disputou nem eleição de síndico, é fruto da vontade de Lula. Ele negociou com os carcereiros brancos a extinção do apartheid. Ela despreza os democratas que negociaram a anistia de que foi beneficiária e declara guerra a todos os oposicionistas. Mandela é um grande orador, um líder vocacional e um político sedutor. Dilma não diz coisa com coisa, faz tudo o que manda o mestre e tem a simpatia de um poste.
Nelson Mandela é um estadista. Dilma Rousseff é uma farsa.
Para TSE, PT extrapola em propaganda em prol de Dilma_ Por Mariângela Galucci, no Estadão Online
Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que passou dos limites aceitáveis a propaganda em prol da candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff. De acordo com eles, o ápice do desrespeito às regras ocorreu na noite de quinta-feira, quando foi transmitido em rede nacional de rádio e de televisão o programa partidário do PT.
Devido ao que ministros consideram um comportamento reincidente do partido, ganha força no TSE, segundo apurou o Estado com ministros do TSE, a tese de que poderá ter sucesso no tribunal uma eventual representação da oposição acusando Dilma de abuso de poder político e uso dos meios de comunicação em prol da candidatura ao Planalto.
Previsto na lei complementar 64, esse tipo de representação pode levar à inelegibilidade do político e de quem o ajudou na prática dos atos irregulares além da cassação do registro do candidato que foi beneficiado pelo abuso de poder.
Ministros do TSE entendem que há espaço para os partidos de oposição questionarem nos próximos dias a propaganda de quinta-feira, pedindo que Dilma e o PT sejam punidos com multa. E, de acordo com a expectativa deles, se isso ocorrer, o tribunal deverá determinar uma punição ao partido e à candidata, a exemplo do que ocorreu na quinta.
Na ocasião, o TSE decidiu cassar o programa partidário do PT em 2011 e multou o partido em R$ 20 mil e a pré-candidata em R$ 5 mil. O tribunal concluiu por unanimidade que o programa exibido pelo partido em rede nacional de rádio e TV em dezembro foi, na realidade, uma propaganda eleitoral antecipada em prol da candidatura de Dilma.
“Há na propaganda elogios à representada (Dilma) na qualidade de líder e administradora. O programa desbordou dos limites legais, ganhando nítidos contornos eleitorais. Nem acho que a propaganda foi dissimulada”, afirmou o relator da representação no julgamento de quinta, ministro Aldir Passarinho.
Um dos ministros do TSE disse que a equipe responsável por fazer as propagandas do partido e dos candidatos deveria começar ouvir mais o corpo jurídico que assessora a campanha para evitar que a situação se agrave perante a Justiça Eleitoral.
Devido ao que ministros consideram um comportamento reincidente do partido, ganha força no TSE, segundo apurou o Estado com ministros do TSE, a tese de que poderá ter sucesso no tribunal uma eventual representação da oposição acusando Dilma de abuso de poder político e uso dos meios de comunicação em prol da candidatura ao Planalto.
Previsto na lei complementar 64, esse tipo de representação pode levar à inelegibilidade do político e de quem o ajudou na prática dos atos irregulares além da cassação do registro do candidato que foi beneficiado pelo abuso de poder.
Ministros do TSE entendem que há espaço para os partidos de oposição questionarem nos próximos dias a propaganda de quinta-feira, pedindo que Dilma e o PT sejam punidos com multa. E, de acordo com a expectativa deles, se isso ocorrer, o tribunal deverá determinar uma punição ao partido e à candidata, a exemplo do que ocorreu na quinta.
Na ocasião, o TSE decidiu cassar o programa partidário do PT em 2011 e multou o partido em R$ 20 mil e a pré-candidata em R$ 5 mil. O tribunal concluiu por unanimidade que o programa exibido pelo partido em rede nacional de rádio e TV em dezembro foi, na realidade, uma propaganda eleitoral antecipada em prol da candidatura de Dilma.
“Há na propaganda elogios à representada (Dilma) na qualidade de líder e administradora. O programa desbordou dos limites legais, ganhando nítidos contornos eleitorais. Nem acho que a propaganda foi dissimulada”, afirmou o relator da representação no julgamento de quinta, ministro Aldir Passarinho.
Um dos ministros do TSE disse que a equipe responsável por fazer as propagandas do partido e dos candidatos deveria começar ouvir mais o corpo jurídico que assessora a campanha para evitar que a situação se agrave perante a Justiça Eleitoral.
Dilma defende cotas raciais no mestrado e doutorado_Por Ranier Bragon, na Folha Online:
A petista Dilma Rousseff afirmou na noite desta sexta-feira, na abertura do Encontro Nacional de Negras e Negros do PT, que se eleita ampliará a política de cotas raciais no ensino “queiram eles ou não”. E chegou a apoiar manifestação do público defendendo a adoção do sistema para o ingresso em mestrado e doutorado.
“O que nos une é o compromisso de que nós vamos fazer políticas afirmativas ou de cotas queiram eles ou não”, discursou Dilma, que acolheu depois manifestação vinda da plateia: “Isso, cota pra mestrado, pra pós-graduação”.
O governo, que desde 2004 tenta aprovar no Congresso um modelo de cotas raciais para a graduação das universidades federais, adota hoje a política no ProUni, o programa de subsídio nas universidades particulares a estudantes de baixa renda.
Na pauta de julgamentos do STF (Supremo Tribunal Federal) há uma ação que questiona a constitucionalidade do sistema.
No discurso de ontem Dilma afirmou que “entre os pobres há um contingente enorme da população negra” e também defendeu a presença de negros no Itamaraty. Ela afirmou no encontro que o presidente Lula dará o nome “Zumbi dos Palmares” ao próximo petroleiro brasileiro.
“O que nos une é o compromisso de que nós vamos fazer políticas afirmativas ou de cotas queiram eles ou não”, discursou Dilma, que acolheu depois manifestação vinda da plateia: “Isso, cota pra mestrado, pra pós-graduação”.
O governo, que desde 2004 tenta aprovar no Congresso um modelo de cotas raciais para a graduação das universidades federais, adota hoje a política no ProUni, o programa de subsídio nas universidades particulares a estudantes de baixa renda.
Na pauta de julgamentos do STF (Supremo Tribunal Federal) há uma ação que questiona a constitucionalidade do sistema.
No discurso de ontem Dilma afirmou que “entre os pobres há um contingente enorme da população negra” e também defendeu a presença de negros no Itamaraty. Ela afirmou no encontro que o presidente Lula dará o nome “Zumbi dos Palmares” ao próximo petroleiro brasileiro.
Serra critica loteamento de cargos na saúde_In Reinaldo Azevedo
Na primeira visita ao Rio como pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra atacou o que considera loteamento de cargos no governo, em especial na área da saúde e nas agências reguladoras. O tucano prometeu que, se eleito, fará “de cara” a reforma administrativa e garantiu que vai reduzir cargos comissionados (sem concurso público).
Ex-ministro da Saúde, Serra citou o exemplo da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para atacar o aparelhamento do governo Lula. “A Funasa foi destruída, ficou no chão”, afirmou, em entrevista ao programa de Francisco Barbosa, da Rádio Tupi. Durante almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro, voltou ao assunto e disse que, no atual governo, as agências reguladoras “foram pervertidas porque foram loteadas politicamente”.
Sobre a reforma tributária, o tucano disse que, “infelizmente este governo não fez, o anterior também não”. Ele acrescentou: “Ninguém fala contra, mas cada um tem uma ideia. O projeto do governo ficou pior ainda. Virou uma sopa de pedra, cada setor queria pôr uma pedrinha.”
Em meio a negociações do PSDB com partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que têm cargos no governo, como PTB e PP, Serra avisou que não aceitará indicações de políticos. “Estou aberto a alianças, mas o pessoal sabe o que penso. Nunca aceitei indicação. Quando um deputado ou senador me dizia que tinha um nome, eu respondia: então, não me fala, porque não será nomeado.”
Serra deu entrevistas a duas rádios populares e à emissora de TV católica Rede Vida, além de falar durante uma hora e meia para empresários na Associação Comercial. O tucano voltou a dizer que, se eleito, será o “presidente da produção” e fez promessas na área de segurança e educação, como a criação de um braço fardado da Polícia Federal, para atuar nas fronteiras e reprimir o tráfico de armas e drogas. Aqui
Ex-ministro da Saúde, Serra citou o exemplo da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para atacar o aparelhamento do governo Lula. “A Funasa foi destruída, ficou no chão”, afirmou, em entrevista ao programa de Francisco Barbosa, da Rádio Tupi. Durante almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro, voltou ao assunto e disse que, no atual governo, as agências reguladoras “foram pervertidas porque foram loteadas politicamente”.
Sobre a reforma tributária, o tucano disse que, “infelizmente este governo não fez, o anterior também não”. Ele acrescentou: “Ninguém fala contra, mas cada um tem uma ideia. O projeto do governo ficou pior ainda. Virou uma sopa de pedra, cada setor queria pôr uma pedrinha.”
Em meio a negociações do PSDB com partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que têm cargos no governo, como PTB e PP, Serra avisou que não aceitará indicações de políticos. “Estou aberto a alianças, mas o pessoal sabe o que penso. Nunca aceitei indicação. Quando um deputado ou senador me dizia que tinha um nome, eu respondia: então, não me fala, porque não será nomeado.”
Serra deu entrevistas a duas rádios populares e à emissora de TV católica Rede Vida, além de falar durante uma hora e meia para empresários na Associação Comercial. O tucano voltou a dizer que, se eleito, será o “presidente da produção” e fez promessas na área de segurança e educação, como a criação de um braço fardado da Polícia Federal, para atuar nas fronteiras e reprimir o tráfico de armas e drogas. Aqui
Lula no mundo_In Reinaldo Azevedo
Na VEJA:
Em seu projeto de evitar a aprovação de sanções internacionais ao Irã, como punição à recusa do país em rever o seu programa nuclear, o presidente brasileiro agendou uma visita ao colega iraniano Mahmoud Ahmadinejad neste domingo, 16. Lula prometeu pedir a Ahmadinejad, “olho no olho”, que aceite a proposta de receber urânio enriquecido de outros países, uma maneira de garantir que o material seja utilizado para fins pacíficos. O Irã usa encontros assim não para assumir compromissos, mas para ganhar tempo e escapar deles. A visita ocorre uma semana depois de o governo iraniano executar, por enforcamento, cinco ativistas políticos da minoria curda. Neste artigo, o analista Moisés Naím diz que a amizade com ditadores e aventuras diplomáticas como a de Lula no Irã são uma traição aos seus princípios democráticos, mancham o seu legado político e minam o poder de influência internacional do Brasil.
O primeiro admirador desiludido por ele foi George W. Bush. O segundo foi Álvaro Uribe. Em seguida, decepcionou Pascal Lamy, o chefe da Organização Mundial do Comércio. Depois, partiu o coração de Barack Obama. Mais tarde o de Hillary Clinton. Seguiram-se os opositores de Mahmoud Ahmadinejad, no Irã. Impôs também duros golpes de desânimo àqueles que enfrentam os abusos dos governantes de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia e que o viam como um modelo em sua luta contra a autocracia. Depois veio a perplexidade dos devotos que não entenderam como é possível que num dia ele defenda a entrada de Cuba na Organização dos Estados Americanos (OEA) e, no dia seguinte, a expulsão de Honduras. Como pode num dia denunciar com eloquência e com lógica perfeita o irracional bloqueio americano a Cuba e, no dia seguinte, liderar o bloqueio da América Latina a Honduras? Não faltaram os admiradores que esperavam que ele tivesse uma posição menos complacente com Néstor e Cristina Kirchner. Nem a surpresa de seus fãs que não entendem a que se deve sua recente paixão por missões diplomáticas suicidas, como sua solitária defesa das ambições nucleares iranianas ou sua autocandidatura como mediador entre palestinos e israelenses.
Segue trecho do artigo de Moisés Naím:
Se é verdade que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem altíssimos índices de popularidade no Brasil, nos círculos mais influentes do mundo o aplauso é menos entusiasmado. Isso não quer dizer que fora do país Lula não seja admirado. O fato de ter sido escolhido pela revista Time como um dos personagens mais influentes é só um dos muitos exemplos do reconhecimento internacional às conquistas de Lula. Seu protagonismo no G20 contrasta com a invisibilidade de outros latino-americanos: o mexicano Felipe Calderón e a mulher de Néstor Kirchner. Não há dúvida de que Lula e o Brasil ganharam um papel relevante e merecido nas negociações internacionais mais vitais para a humanidade: clima, energia, comércio, finanças e proliferação nuclear. Isso foi possível graças ao tamanho do Brasil, ao seu progresso social e econômico admirável, à sua democracia, à fascinante biografia de Lula e ao seu inegável carisma. Todos os líderes querem ser amigos de Lula e desenvolver relações próximas com ele e o Brasil. Lula é amigo de todos e a todos seduz. Para depois partir-lhes o coração
Em seu projeto de evitar a aprovação de sanções internacionais ao Irã, como punição à recusa do país em rever o seu programa nuclear, o presidente brasileiro agendou uma visita ao colega iraniano Mahmoud Ahmadinejad neste domingo, 16. Lula prometeu pedir a Ahmadinejad, “olho no olho”, que aceite a proposta de receber urânio enriquecido de outros países, uma maneira de garantir que o material seja utilizado para fins pacíficos. O Irã usa encontros assim não para assumir compromissos, mas para ganhar tempo e escapar deles. A visita ocorre uma semana depois de o governo iraniano executar, por enforcamento, cinco ativistas políticos da minoria curda. Neste artigo, o analista Moisés Naím diz que a amizade com ditadores e aventuras diplomáticas como a de Lula no Irã são uma traição aos seus princípios democráticos, mancham o seu legado político e minam o poder de influência internacional do Brasil.
O primeiro admirador desiludido por ele foi George W. Bush. O segundo foi Álvaro Uribe. Em seguida, decepcionou Pascal Lamy, o chefe da Organização Mundial do Comércio. Depois, partiu o coração de Barack Obama. Mais tarde o de Hillary Clinton. Seguiram-se os opositores de Mahmoud Ahmadinejad, no Irã. Impôs também duros golpes de desânimo àqueles que enfrentam os abusos dos governantes de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia e que o viam como um modelo em sua luta contra a autocracia. Depois veio a perplexidade dos devotos que não entenderam como é possível que num dia ele defenda a entrada de Cuba na Organização dos Estados Americanos (OEA) e, no dia seguinte, a expulsão de Honduras. Como pode num dia denunciar com eloquência e com lógica perfeita o irracional bloqueio americano a Cuba e, no dia seguinte, liderar o bloqueio da América Latina a Honduras? Não faltaram os admiradores que esperavam que ele tivesse uma posição menos complacente com Néstor e Cristina Kirchner. Nem a surpresa de seus fãs que não entendem a que se deve sua recente paixão por missões diplomáticas suicidas, como sua solitária defesa das ambições nucleares iranianas ou sua autocandidatura como mediador entre palestinos e israelenses.
Segue trecho do artigo de Moisés Naím:
Se é verdade que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem altíssimos índices de popularidade no Brasil, nos círculos mais influentes do mundo o aplauso é menos entusiasmado. Isso não quer dizer que fora do país Lula não seja admirado. O fato de ter sido escolhido pela revista Time como um dos personagens mais influentes é só um dos muitos exemplos do reconhecimento internacional às conquistas de Lula. Seu protagonismo no G20 contrasta com a invisibilidade de outros latino-americanos: o mexicano Felipe Calderón e a mulher de Néstor Kirchner. Não há dúvida de que Lula e o Brasil ganharam um papel relevante e merecido nas negociações internacionais mais vitais para a humanidade: clima, energia, comércio, finanças e proliferação nuclear. Isso foi possível graças ao tamanho do Brasil, ao seu progresso social e econômico admirável, à sua democracia, à fascinante biografia de Lula e ao seu inegável carisma. Todos os líderes querem ser amigos de Lula e desenvolver relações próximas com ele e o Brasil. Lula é amigo de todos e a todos seduz. Para depois partir-lhes o coração
Diogo Mainardi - “O Chamberlain de Macaé” sábado, 15 de maio de 2010
Lula foi ao baile funk de Mahmoud Ahmadinejad assim como Vagner Love foi à Rocinha. Vagner Love confraternizou com os assassinos do Comando Vermelho? Lula está confraternizando com os assassinos da Guarda Revolucionária iraniana. Vagner Love faz trabalho humanitário no morro? Lula, segundo Dilma Rousseff, faz trabalho humanitário no Golfo Pérsico. Vagner Love foi festejar os dois gols que marcou contra o Macaé? Lula está festejando os dois gols que marcou contra o Brasil.
O Brasil é uma espécie de Macaé do mundo. Isso é uma sorte. Se o Brasil fosse a Inglaterra, Lula já estaria consagrado como o nosso Chamberlain. Sempre que alguém quer guerrear, surge algum pateta tentando ser intermediário da paz. Em 1938, o primeiro-ministro da Inglaterra, Chamberlain, viajou para a Alemanha para negociar olho no olho com Hitler. Depois de alguns encontros, eles assinaram um tratado de paz, pelo qual Hitler se comprometia a ocupar apenas uma parte do território da Checoslováquia. Chamberlain voltou à Inglaterra comemorando a paz. Seis meses mais tarde, Hitler atropelou Chamberlain e ocupou o resto da Checoslováquia. Em seguida, ocupou a Europa inteira.
Se Lula é o Chamberlain de Macaé, Mahmoud Ahmadinejad só pode ser o Hitler de Macaé. Como Hitler, ele mata seus opositores. Como Hitler, ele persegue as minorias. Como Hitler, ele tem um plano para eliminar todos os judeus. Só lhe falta o poder de fogo, porque um Macaé, felizmente, é sempre um Macaé. O papel de Lula é esse: dar-lhe algum tempo para que ele possa obter uma arma nuclear. Na semana passada, um articulista do Washington Post chamou Lula de “idiota útil” de Mahmoud Ahmadinejad. O articulista está certo. Mas há outros “idiotas úteis”, além de Lula. O G15, reunido neste domingo no baile funk iraniano, conta também com a Venezuela, de Hugo Chávez, com o Zimbábue, de Robert Mugabe, e com a Indonésia, de Susilo Bambang Yudhoyono, eleito pela Time, em 2009, uma das 100 personalidades mais influentes do mundo. Time é uma espécie de VEJA de Macaé. Aqui
O Brasil é uma espécie de Macaé do mundo. Isso é uma sorte. Se o Brasil fosse a Inglaterra, Lula já estaria consagrado como o nosso Chamberlain. Sempre que alguém quer guerrear, surge algum pateta tentando ser intermediário da paz. Em 1938, o primeiro-ministro da Inglaterra, Chamberlain, viajou para a Alemanha para negociar olho no olho com Hitler. Depois de alguns encontros, eles assinaram um tratado de paz, pelo qual Hitler se comprometia a ocupar apenas uma parte do território da Checoslováquia. Chamberlain voltou à Inglaterra comemorando a paz. Seis meses mais tarde, Hitler atropelou Chamberlain e ocupou o resto da Checoslováquia. Em seguida, ocupou a Europa inteira.
Se Lula é o Chamberlain de Macaé, Mahmoud Ahmadinejad só pode ser o Hitler de Macaé. Como Hitler, ele mata seus opositores. Como Hitler, ele persegue as minorias. Como Hitler, ele tem um plano para eliminar todos os judeus. Só lhe falta o poder de fogo, porque um Macaé, felizmente, é sempre um Macaé. O papel de Lula é esse: dar-lhe algum tempo para que ele possa obter uma arma nuclear. Na semana passada, um articulista do Washington Post chamou Lula de “idiota útil” de Mahmoud Ahmadinejad. O articulista está certo. Mas há outros “idiotas úteis”, além de Lula. O G15, reunido neste domingo no baile funk iraniano, conta também com a Venezuela, de Hugo Chávez, com o Zimbábue, de Robert Mugabe, e com a Indonésia, de Susilo Bambang Yudhoyono, eleito pela Time, em 2009, uma das 100 personalidades mais influentes do mundo. Time é uma espécie de VEJA de Macaé. Aqui
Para o PT, greve federal é atentado à democracia!?_In Reinaldo Azevedo
O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, classifica a greve de servidores públicos como um atentado à democracia - e defende mudanças na lei que permite paralisações no funcionalismo.
Há uma série de ameaças de greve de funcionários públicos de setores essenciais. Isso assusta o governo?
Estamos preocupados. É hora de discutir uma regulação melhor para distinguir o direito de greve do setor privado do direito de greve do serviço público. No serviço público, a greve não é feita contra o patrão, é feita contra a sociedade. É um atentado descarado contra a democracia. Essa característica não permite que os dois setores tenham a mesma legislação sobre greve.
Como regular isso?
O Judiciário deu um primeiro sinal ao derrubar a jurisprudência de que era preciso manter o atendimento de apenas 30% nos serviços em greve. Isso pode valer para o serviço privado, jamais para o serviço público. Serviços essenciais têm de funcionar integralmente sempre. Greve no serviço público tem de ser muito restrita. Agora isso vai mudar.
Mas no governo Lula, que já está no oitavo ano, pouco foi feito nessa direção...
Estou no cargo há pouco mais de seis meses, não posso falar de todo o governo. Há um anteprojeto de lei para regulamentar o direito de greve do servidor. O governo tem cortado o ponto dos servidores grevistas e a AGU vem participando de negociações sobre essas ameaças de greve. Mas há uma característica muito complicada, que são os limites dos direitos da burocracia do estado. A Constituição foi muito pródiga em direitos para essa burocracia, com irredutibilidade salarial, prerrogativas de movimentação, estabilidade, direito de greve.
O senhor acha que os direitos dos servidores travam o serviço público?
Às vezes, o excesso de direitos da burocracia inviabiliza a governança. A burocracia de estado é boa tecnicamente, vem evoluindo, mas precisa se afinar mais com os princípios de governança. O direito a esses benefícios não pode ser usado para inviabilizar o estado. A burocracia cria pequenos totalitarismos no governo. Há servidores que não cumprem leis e não são punidos. Isso não pode existir, a lei deve ser cumprida por todos. É outro atentado à democracia.
Mas, ainda assim, a máquina pública continua crescendo no governo petista.
Não quero acabar com a burocracia, com o funcionalismo público, mas qualificá-la. O que há muitas vezes é a politização da atividade burocrática, o que é danoso. O funcionário pode não gostar pessoalmente daquele governo, mas tem obrigação, como servidor, de servi-lo. Eu sempre votei no presidente Lula, desde 1989. Mas quando fui agente público na administração FHC eu a defendi da mesma maneira que defendo hoje o governo. Defendi as privatizações, defendi o Sivam, defendi o governo nas questões de greve, fui assessor do Gilmar Mendes… O que a gente precisa é de um funcionalismo que seja responsável, que sirva ao país independentemente do partido que esteja no governo.
Há uma série de ameaças de greve de funcionários públicos de setores essenciais. Isso assusta o governo?
Estamos preocupados. É hora de discutir uma regulação melhor para distinguir o direito de greve do setor privado do direito de greve do serviço público. No serviço público, a greve não é feita contra o patrão, é feita contra a sociedade. É um atentado descarado contra a democracia. Essa característica não permite que os dois setores tenham a mesma legislação sobre greve.
Como regular isso?
O Judiciário deu um primeiro sinal ao derrubar a jurisprudência de que era preciso manter o atendimento de apenas 30% nos serviços em greve. Isso pode valer para o serviço privado, jamais para o serviço público. Serviços essenciais têm de funcionar integralmente sempre. Greve no serviço público tem de ser muito restrita. Agora isso vai mudar.
Mas no governo Lula, que já está no oitavo ano, pouco foi feito nessa direção...
Estou no cargo há pouco mais de seis meses, não posso falar de todo o governo. Há um anteprojeto de lei para regulamentar o direito de greve do servidor. O governo tem cortado o ponto dos servidores grevistas e a AGU vem participando de negociações sobre essas ameaças de greve. Mas há uma característica muito complicada, que são os limites dos direitos da burocracia do estado. A Constituição foi muito pródiga em direitos para essa burocracia, com irredutibilidade salarial, prerrogativas de movimentação, estabilidade, direito de greve.
O senhor acha que os direitos dos servidores travam o serviço público?
Às vezes, o excesso de direitos da burocracia inviabiliza a governança. A burocracia de estado é boa tecnicamente, vem evoluindo, mas precisa se afinar mais com os princípios de governança. O direito a esses benefícios não pode ser usado para inviabilizar o estado. A burocracia cria pequenos totalitarismos no governo. Há servidores que não cumprem leis e não são punidos. Isso não pode existir, a lei deve ser cumprida por todos. É outro atentado à democracia.
Mas, ainda assim, a máquina pública continua crescendo no governo petista.
Não quero acabar com a burocracia, com o funcionalismo público, mas qualificá-la. O que há muitas vezes é a politização da atividade burocrática, o que é danoso. O funcionário pode não gostar pessoalmente daquele governo, mas tem obrigação, como servidor, de servi-lo. Eu sempre votei no presidente Lula, desde 1989. Mas quando fui agente público na administração FHC eu a defendi da mesma maneira que defendo hoje o governo. Defendi as privatizações, defendi o Sivam, defendi o governo nas questões de greve, fui assessor do Gilmar Mendes… O que a gente precisa é de um funcionalismo que seja responsável, que sirva ao país independentemente do partido que esteja no governo.
14 maio 2010
Oposição silencia sobre Tuma Jr_Por Augusto Nunes
Pelo conjunto da obra, Romeu Tuma Junior conseguiu transformar-se num personagem espantoso no país que já não se espanta com nada. Delegado de polícia, confessou-se incapaz de distinguir um mafioso de um coroinha. Para virar secretário nacional de Justiça, bastou-lhe a certidão de nascimento. Incumbido de combater a pirataria e a evasão de divisas, comprou produtos contrabandeados e tentou liberar o embarque de uma deputada com 160 mil dólares escondidos na bagagem.
Alojado no alto escalão do Ministério da Justiça, reduziu o gabinete a território fora-da-lei. Em setembro, ao saber da prisão do bandido de estimação Paulinho Li, apareceu sem convite na Polícia Federal para explicar que só conhece o Paulinho Li, não o mafioso Paulinho Li. Contou o que ocorrera ao ministro Tarso Genro. “Toca o pau”, animou-o o chefe solidário. Tocou o pau com tanta animação que, há menos de um mês, o novo ministro Luiz Paulo Barreto promoveu o subordinado a presidente do Conselho de Combate à Pirataria.
Apadrinhado por Lula, afagado por Tarso Genro, promovido por Barreto, é compreensível que tenha reagido às denúncias publicadas pelo Estadão com o cinismo agressivo que identificam os condenados à impunidade. “É um problema político”, disse quando confrontado com as provas colhidas pela Polícia Geral. As declarações seguintes comprovaram que, no faroeste tropical produzido pela Era Lula, xerifes podem virar bandidos, dispensar disfarces e debochar dos homens de bem sem o risco de perder a estrela no peito.
“Tirem o cavalo da chuva: não vou sair”, sugeriu aos interessados em confirmar se o governo pedira que se afastasse do cargo. O ministro Barreto recomendou educadamente que se licenciasse por um mês, para costurar algum álibi consistente. O subordinado aceitou entrar em férias e voltar em 10 dias, por que precisava “descansar um pouco”. Enfim convencido a prorrogar o descanso, zombou outra vez do ministro: “Vou pegar um sol e voltar moreninho”.
Se não há limites para a arrogância do meliante sem medo, tampouco existem fronteiras para a leniência do presidente sem pudores. Há uma semana, com a expressão compungida de seminarista que perdeu a fé, voz de mãe de preso entrevistada pela TV em dia de rebelião na cadeia, o Pregador dos Pecadores Companheiros aconselhou o país a esperar o fim das investigações. Informado de que as investigações sobre Tuma Junior nem começaram, explicou que não tem autoridade para abrir inquéritos. Informado de que lhe sobra autoridade para afastá-lo do cargo, louvou a “folha de serviços prestados ao país por um delegado muito respeitado”.
Lula deve ter incluído nessa folha de serviços a viagem do secretário nacional de Justiça a Pequim, onde baixou em fevereiro de 2009 para discutir com autoridades chinesas um “acordo de cooperação no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro”. A viagem acaba de ser incorporada ao prontuário do servidor da pátria por outra descoberta divulgada pelo Estadão desta quinta-feira: o segundo representante brasileiro na incursão pelo Extremo Oriente foi Paulinho Li. Ele mesmo. Com diárias doadas pelo Ministério da Justiça.
Para o governo em avançado estágio de decomposição moral, Tuma Junior é só mais um na multidão. Se o Brasil ficasse repentinamente civilizado, e alguém gritasse “olha o rapa” no meio da plateia de um grande comício de Dilma Rousseff, todos no palanque sairiam em desabalada carreira. Por acreditar que princípios éticos não influenciam a decisão do eleitorado, Lula vive desempenhando o papel de comparsa com convicção e entusiasmo. Vê-lo associado a Tuma Junior não tem nada de espantoso. O que espanta é a mudez dos oposicionistas.
Em 31 de março, ao deixar o governo paulista para disputar a presidência, o candidato José Serra disse o que o Brasil que presta esperava ouvir há muito tempo: “Estou convencido de que o governo, assim como as pessoas, tem que ter honra. E assim falo não só porque aqui não se cultiva escândalos, malfeitos, roubalheira, mas também porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito”.
O caso protagonizado por Tuma Junior é um escândalo que envolve malfeitos e roubalheiras. O que espera Serra para mostrar-se fiel ao discurso e garantir que, se for o vitorioso, tais afrontas não serão toleradas? Ou a oposição condena sem rodeios o malfeitor ou terá optado pelo silêncio cúmplice. Pouco importa que o senador Romeu Tuma e o PTB inteiro repliquem com a adesão à candidatura de Dilma Rousseff. A opção correta vale qualquer custo. A honestidade não tem preço.
Alojado no alto escalão do Ministério da Justiça, reduziu o gabinete a território fora-da-lei. Em setembro, ao saber da prisão do bandido de estimação Paulinho Li, apareceu sem convite na Polícia Federal para explicar que só conhece o Paulinho Li, não o mafioso Paulinho Li. Contou o que ocorrera ao ministro Tarso Genro. “Toca o pau”, animou-o o chefe solidário. Tocou o pau com tanta animação que, há menos de um mês, o novo ministro Luiz Paulo Barreto promoveu o subordinado a presidente do Conselho de Combate à Pirataria.
Apadrinhado por Lula, afagado por Tarso Genro, promovido por Barreto, é compreensível que tenha reagido às denúncias publicadas pelo Estadão com o cinismo agressivo que identificam os condenados à impunidade. “É um problema político”, disse quando confrontado com as provas colhidas pela Polícia Geral. As declarações seguintes comprovaram que, no faroeste tropical produzido pela Era Lula, xerifes podem virar bandidos, dispensar disfarces e debochar dos homens de bem sem o risco de perder a estrela no peito.
“Tirem o cavalo da chuva: não vou sair”, sugeriu aos interessados em confirmar se o governo pedira que se afastasse do cargo. O ministro Barreto recomendou educadamente que se licenciasse por um mês, para costurar algum álibi consistente. O subordinado aceitou entrar em férias e voltar em 10 dias, por que precisava “descansar um pouco”. Enfim convencido a prorrogar o descanso, zombou outra vez do ministro: “Vou pegar um sol e voltar moreninho”.
Se não há limites para a arrogância do meliante sem medo, tampouco existem fronteiras para a leniência do presidente sem pudores. Há uma semana, com a expressão compungida de seminarista que perdeu a fé, voz de mãe de preso entrevistada pela TV em dia de rebelião na cadeia, o Pregador dos Pecadores Companheiros aconselhou o país a esperar o fim das investigações. Informado de que as investigações sobre Tuma Junior nem começaram, explicou que não tem autoridade para abrir inquéritos. Informado de que lhe sobra autoridade para afastá-lo do cargo, louvou a “folha de serviços prestados ao país por um delegado muito respeitado”.
Lula deve ter incluído nessa folha de serviços a viagem do secretário nacional de Justiça a Pequim, onde baixou em fevereiro de 2009 para discutir com autoridades chinesas um “acordo de cooperação no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro”. A viagem acaba de ser incorporada ao prontuário do servidor da pátria por outra descoberta divulgada pelo Estadão desta quinta-feira: o segundo representante brasileiro na incursão pelo Extremo Oriente foi Paulinho Li. Ele mesmo. Com diárias doadas pelo Ministério da Justiça.
Para o governo em avançado estágio de decomposição moral, Tuma Junior é só mais um na multidão. Se o Brasil ficasse repentinamente civilizado, e alguém gritasse “olha o rapa” no meio da plateia de um grande comício de Dilma Rousseff, todos no palanque sairiam em desabalada carreira. Por acreditar que princípios éticos não influenciam a decisão do eleitorado, Lula vive desempenhando o papel de comparsa com convicção e entusiasmo. Vê-lo associado a Tuma Junior não tem nada de espantoso. O que espanta é a mudez dos oposicionistas.
Em 31 de março, ao deixar o governo paulista para disputar a presidência, o candidato José Serra disse o que o Brasil que presta esperava ouvir há muito tempo: “Estou convencido de que o governo, assim como as pessoas, tem que ter honra. E assim falo não só porque aqui não se cultiva escândalos, malfeitos, roubalheira, mas também porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito”.
O caso protagonizado por Tuma Junior é um escândalo que envolve malfeitos e roubalheiras. O que espera Serra para mostrar-se fiel ao discurso e garantir que, se for o vitorioso, tais afrontas não serão toleradas? Ou a oposição condena sem rodeios o malfeitor ou terá optado pelo silêncio cúmplice. Pouco importa que o senador Romeu Tuma e o PTB inteiro repliquem com a adesão à candidatura de Dilma Rousseff. A opção correta vale qualquer custo. A honestidade não tem preço.
13 maio 2010
Dilma escala Neymar e Ganso-Por Celso Arnaldo in Augusto Nunes
Com a segurança de um lateral escalado para acompanhar Pelé sem perder Garrincha de vista, Dilma Rousseff resolveu incluir no Discurso sobre o Nada um capítulo sobre futebol. Começou por dizer o que pensa de Neymar e Ganso. Depois de analisar o vídeo de 45 segundos, Celso Arnaldo decidiu convocá-lo para a seleção dos melhores momentos de Dilma Rousseff. Confira:
O bisonho comentário da Dilma hoje cedo no twitter, a respeito da lista de Dunga, passou a ideia de que ela também não entende de futebol ─ se é que entende de alguma coisa.
Mas era um julgamento injusto ─ o formato de 140 toques certamente prejudicou-lhe o raciocínio. Porque, na entrevista de ontem à noite para a imprensa gaúcha, indagada sobre a seleção, Dilma Rousseff revelou-se um João Saldanha de terninho, pela análise ferina e cortante a respeito da não-convocação de Neymar e Ganso.
Se a ouvisse antes, é provável que Dunga se convencesse:
“Na minha humildade, né, no meu chinelo da minha humildade, eu gostaria muito de ver o Neymar e o Ganso. Porque eu acho que 11 entre 10 brasileiros gostariam. Porque deu alegria ao futebol. Porque, a gente… Eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê. E acho que o Neymar e o Ganso têm essa capacidade. Fazê a gente olhá.. Porque é uma coisa que, né, mexe com a gente. Tem esse lado brincalhão e alegre.”
Nenhum dos ferrenhos defensores de Neymar e Ganso na seleção descreveu melhor o futebol mágico da dupla santista, que enfeitiçou 11 de cada 10 brasileiros ─ mais feitiço do que isso, impossível.
De chinelos humildes, um dia Dilma contará ao neto Gabriel, que nascerá depois da Copa, quem foram Neymar e Ganso, transformados numa só entidade: “Menino: eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê”. Nem a avó de Gabriel Garcia Márquez, inspiradora de “Cem anos de solidão”, transmitiu ao neto um realismo tão mágico.
Este vídeo é titular absoluto na seleção de melhores momentos de Dilma. Talvez camisa 10.
O bisonho comentário da Dilma hoje cedo no twitter, a respeito da lista de Dunga, passou a ideia de que ela também não entende de futebol ─ se é que entende de alguma coisa.
Mas era um julgamento injusto ─ o formato de 140 toques certamente prejudicou-lhe o raciocínio. Porque, na entrevista de ontem à noite para a imprensa gaúcha, indagada sobre a seleção, Dilma Rousseff revelou-se um João Saldanha de terninho, pela análise ferina e cortante a respeito da não-convocação de Neymar e Ganso.
Se a ouvisse antes, é provável que Dunga se convencesse:
“Na minha humildade, né, no meu chinelo da minha humildade, eu gostaria muito de ver o Neymar e o Ganso. Porque eu acho que 11 entre 10 brasileiros gostariam. Porque deu alegria ao futebol. Porque, a gente… Eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê. E acho que o Neymar e o Ganso têm essa capacidade. Fazê a gente olhá.. Porque é uma coisa que, né, mexe com a gente. Tem esse lado brincalhão e alegre.”
Nenhum dos ferrenhos defensores de Neymar e Ganso na seleção descreveu melhor o futebol mágico da dupla santista, que enfeitiçou 11 de cada 10 brasileiros ─ mais feitiço do que isso, impossível.
De chinelos humildes, um dia Dilma contará ao neto Gabriel, que nascerá depois da Copa, quem foram Neymar e Ganso, transformados numa só entidade: “Menino: eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê”. Nem a avó de Gabriel Garcia Márquez, inspiradora de “Cem anos de solidão”, transmitiu ao neto um realismo tão mágico.
Este vídeo é titular absoluto na seleção de melhores momentos de Dilma. Talvez camisa 10.
09 maio 2010
Dilma na IstoÉ_Por Celso Arnaldo
Entrevista de capa com Dilma na Istoé que saiu hoje. Foi uma sabatina ─ até o Boechat, colunista da revista, fez parte da banca, que, em foto na carta do editor, parece reunião de Ministério.
O resultado? Desastre, lógico. O texto final deve ter sido bastante copidescado, porque Dilma em estado bruto é impublicável ─ a não ser que se queira destruí-la ou expô-la ao ridículo, o que não era o caso, pois o tom da entrevista é o clássico levantamento de bola.
Em nenhum momento ─ nota-se pelas perguntas ─ Dilma foi tirada de sua zona de conforto. Mas a camaradagem da equipe e a revisão formal da entrevista não foi suficiente para tirar as ideias de Dilma das grutas primitivas do pensamento humano. Por isso, sobram respostas estarrecedoras. Amostras:
Sobre ser presidente:
“É um momento alto da minha vida, talvez o maior.”
Preparada para a presidência?
“Tenho clareza, hoje, de que conheço bem o Brasil e os escaninhos do governo federal. Então, sem falsa modéstia, me acho extremamente capacitada para o exercício desse cargo.”
No fundo, ela é incapaz de ter clareza sobre sua extrema falta de capacidade para exercer esse “cargo”.
Pretende casar no meio do mandato (perguntinha mais colegial….)?
“A vida não é assim, tem que se confluírem os astros…Eu não sou uma pessoa carente propriamente dita, tive uma vida afetiva muito boa, muito rica. Mas nos relacionamentos há uma variável que é estratégica, que é com quem eu vou casar. Essa variável estratégica eu tenho que saber, porque assim, no genérico, isso não existe.”
Uma pessoa não-carente propriamente dita não saberia dizer isso com alguma propriedade? Mas Dilma, convenhamos, é conscienciosa: para casar, além da confluência dos astros, precisa saber com quem. Nada desses casamentos genéricos arranjados ─ com o Chávez ou ou o Morales, por exemplo.
É a favor do aborto?
“O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói. Imagino que a pessoa saia de lá baqueada”.
Outra resposta reveladora de quem conhece bem os meandros da alma feminina. Mas faltou apontar a agressão que não dói. E a “pessoa” que sai de lá baqueada seria a mulher?
Sobre sua experiência com o câncer:
“A gente dá mais valor a coisas que costumam passar despercebidas. Você olha para o sol e fica pensando se você vai poder continuar vendo esta coisa bonita. Você fica mais alerta. Só combate isso se tiver força interna.”
Olhar para o sol talvez impeça a pessoa de continuar vendo essa coisa bonita, porque isso cega. E a força interna que combateu o câncer de Dilma é composta pelos oncologistas do Hospital Sirio-Libanês.
O Lula é um bom chefe?
“O Lula é uma pessoa extremamente afetiva. Ele não te olha como se você fosse um instrumento dele. Te olha como uma pessoa, te leva em consideração, te valoriza, brinca. Ele tem uma imensa qualidade: ele ri, ri de si mesmo.”
Resposta que mereceria uma junta médica maior do que a equipe que entrevistou Dilma. Mas, de cara, o fato de que Lula não te olha como instrumento, mas como uma pessoa, já impressiona favoravelmente ─ é um estadista. Agora, o fato de ele rir de si mesmo não é vantagem – nós também rimos dele o tempo todo.
Até sobre futebol Dilma discorreu com propriedade:
“Quero o Neymar e o Ganso na Seleção. Tenho muita simpatia pelo Ganso, aquele jeito meio desconcertado de falar. Mas gosto dos dois.”
Vocês também reivindicam a convocação do Ganso pelo jeito desconcertado de ele falar? Aquele grasnar descompassado, de passes mágicos? Se for pelo jeito desconcertado de falar, a seleção é Dilma e mais 10.
Sobre as longas reuniões do ministério com Lula:
“A busca de um consenso é um jeito que criamos no governo. Algumas vezes o presidente chamava isto de toyotismo. Não é a linha de montagem da Ford, onde cada um vai olhando só uma parte. É aquele método de ilha da Toyota, porque você faz tudo em conjunto.”
Essa o pessoal da Istoé deixou passar, sem revisão, só de sacanagem. Nem Taiichi Ohno, muito menos Henry Ford conseguiriam explicar melhor a diferença entre toyotismo e fordismo.
Istoé: Dilma é um calhambeque avariado que vai ficar no acostamento da história. De que linha de montagem saiu esse troço?
O resultado? Desastre, lógico. O texto final deve ter sido bastante copidescado, porque Dilma em estado bruto é impublicável ─ a não ser que se queira destruí-la ou expô-la ao ridículo, o que não era o caso, pois o tom da entrevista é o clássico levantamento de bola.
Em nenhum momento ─ nota-se pelas perguntas ─ Dilma foi tirada de sua zona de conforto. Mas a camaradagem da equipe e a revisão formal da entrevista não foi suficiente para tirar as ideias de Dilma das grutas primitivas do pensamento humano. Por isso, sobram respostas estarrecedoras. Amostras:
Sobre ser presidente:
“É um momento alto da minha vida, talvez o maior.”
Preparada para a presidência?
“Tenho clareza, hoje, de que conheço bem o Brasil e os escaninhos do governo federal. Então, sem falsa modéstia, me acho extremamente capacitada para o exercício desse cargo.”
No fundo, ela é incapaz de ter clareza sobre sua extrema falta de capacidade para exercer esse “cargo”.
Pretende casar no meio do mandato (perguntinha mais colegial….)?
“A vida não é assim, tem que se confluírem os astros…Eu não sou uma pessoa carente propriamente dita, tive uma vida afetiva muito boa, muito rica. Mas nos relacionamentos há uma variável que é estratégica, que é com quem eu vou casar. Essa variável estratégica eu tenho que saber, porque assim, no genérico, isso não existe.”
Uma pessoa não-carente propriamente dita não saberia dizer isso com alguma propriedade? Mas Dilma, convenhamos, é conscienciosa: para casar, além da confluência dos astros, precisa saber com quem. Nada desses casamentos genéricos arranjados ─ com o Chávez ou ou o Morales, por exemplo.
É a favor do aborto?
“O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói. Imagino que a pessoa saia de lá baqueada”.
Outra resposta reveladora de quem conhece bem os meandros da alma feminina. Mas faltou apontar a agressão que não dói. E a “pessoa” que sai de lá baqueada seria a mulher?
Sobre sua experiência com o câncer:
“A gente dá mais valor a coisas que costumam passar despercebidas. Você olha para o sol e fica pensando se você vai poder continuar vendo esta coisa bonita. Você fica mais alerta. Só combate isso se tiver força interna.”
Olhar para o sol talvez impeça a pessoa de continuar vendo essa coisa bonita, porque isso cega. E a força interna que combateu o câncer de Dilma é composta pelos oncologistas do Hospital Sirio-Libanês.
O Lula é um bom chefe?
“O Lula é uma pessoa extremamente afetiva. Ele não te olha como se você fosse um instrumento dele. Te olha como uma pessoa, te leva em consideração, te valoriza, brinca. Ele tem uma imensa qualidade: ele ri, ri de si mesmo.”
Resposta que mereceria uma junta médica maior do que a equipe que entrevistou Dilma. Mas, de cara, o fato de que Lula não te olha como instrumento, mas como uma pessoa, já impressiona favoravelmente ─ é um estadista. Agora, o fato de ele rir de si mesmo não é vantagem – nós também rimos dele o tempo todo.
Até sobre futebol Dilma discorreu com propriedade:
“Quero o Neymar e o Ganso na Seleção. Tenho muita simpatia pelo Ganso, aquele jeito meio desconcertado de falar. Mas gosto dos dois.”
Vocês também reivindicam a convocação do Ganso pelo jeito desconcertado de ele falar? Aquele grasnar descompassado, de passes mágicos? Se for pelo jeito desconcertado de falar, a seleção é Dilma e mais 10.
Sobre as longas reuniões do ministério com Lula:
“A busca de um consenso é um jeito que criamos no governo. Algumas vezes o presidente chamava isto de toyotismo. Não é a linha de montagem da Ford, onde cada um vai olhando só uma parte. É aquele método de ilha da Toyota, porque você faz tudo em conjunto.”
Essa o pessoal da Istoé deixou passar, sem revisão, só de sacanagem. Nem Taiichi Ohno, muito menos Henry Ford conseguiriam explicar melhor a diferença entre toyotismo e fordismo.
Istoé: Dilma é um calhambeque avariado que vai ficar no acostamento da história. De que linha de montagem saiu esse troço?
08 maio 2010
Lula 'toma' escola técnica de JK_Por Bernardo Mello Franco (FSP_08.05.10)
A pressa para divulgar ações em ano eleitoral levou o governo a inflar estatísticas e tropeçar na geografia, em campanha publicitária de R$ 60 milhões paga pela Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República. A propaganda oficial atribui ao governo Lula a inauguração de escolas técnicas federais criadas muito antes da posse do presidente, em 2003. Além disso, usa mapas com indicações trocadas -no do Estado de São Paulo, por exemplo, há cidades indicadas a cerca de 400 quilômetros do local correto.
Os erros estão espalhados em anúncios de meia página publicados anteontem nos principais jornais do país, inclusive na Folha. As peças foram regionalizadas para divulgar obras em cada um dos 26 Estados e no Distrito Federal. O material apresenta como novas escolas técnicas abertas em governos anteriores ou que ainda estão em construção. O anúncio publicado nos jornais de Brasília, por exemplo, traz um mapa com cinco unidades assinaladas. Quatro não existem e uma foi inaugurada em 1958, pelo então presidente Juscelino Kubitschek.
Abaixo do mapa, um texto de apoio informa que a Escola Técnica de Planaltina “já prepara jovens para o mercado de trabalho”. Como a unidade existe desde 1958, os primeiros jovens formados já devem ter celebrado os 70 anos de idade. O Planalto é reincidente no erro. Em fevereiro do ano passado, quando Lula reabriu a escola, o material de divulgação omitia tratar-se de uma obra de JK, como o presidente reconheceu no discurso. Sobre as escolas em construção, o texto diz que serão abertas “até o final da expansão da rede”, sem indicar data. No mapa, não há qualquer observação de que elas ainda não existem.
O problema se repete no anúncio dos jornais cariocas. Lá, aparece como nova a unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica em Maria da Graça, no subúrbio do Rio. O site do Cefet informa que ele existe desde 1997 e foi apenas transformado em “unidade descentralizada” em 2006. Além de inflar dados, os mapas erram a localização de cidades e confundem bairros com municípios. No de São Paulo, Campinas virou um pontinho no norte do Estado. Caraguatatuba, cujo nome oficial contém “Estância Balneária”, foi “promovida” do litoral para o topo da Serra do Mar. No mapa do Rio, bairros como Realengo foram sinalizados com o padrão gráfico de cidades.
Os erros estão espalhados em anúncios de meia página publicados anteontem nos principais jornais do país, inclusive na Folha. As peças foram regionalizadas para divulgar obras em cada um dos 26 Estados e no Distrito Federal. O material apresenta como novas escolas técnicas abertas em governos anteriores ou que ainda estão em construção. O anúncio publicado nos jornais de Brasília, por exemplo, traz um mapa com cinco unidades assinaladas. Quatro não existem e uma foi inaugurada em 1958, pelo então presidente Juscelino Kubitschek.
Abaixo do mapa, um texto de apoio informa que a Escola Técnica de Planaltina “já prepara jovens para o mercado de trabalho”. Como a unidade existe desde 1958, os primeiros jovens formados já devem ter celebrado os 70 anos de idade. O Planalto é reincidente no erro. Em fevereiro do ano passado, quando Lula reabriu a escola, o material de divulgação omitia tratar-se de uma obra de JK, como o presidente reconheceu no discurso. Sobre as escolas em construção, o texto diz que serão abertas “até o final da expansão da rede”, sem indicar data. No mapa, não há qualquer observação de que elas ainda não existem.
O problema se repete no anúncio dos jornais cariocas. Lá, aparece como nova a unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica em Maria da Graça, no subúrbio do Rio. O site do Cefet informa que ele existe desde 1997 e foi apenas transformado em “unidade descentralizada” em 2006. Além de inflar dados, os mapas erram a localização de cidades e confundem bairros com municípios. No de São Paulo, Campinas virou um pontinho no norte do Estado. Caraguatatuba, cujo nome oficial contém “Estância Balneária”, foi “promovida” do litoral para o topo da Serra do Mar. No mapa do Rio, bairros como Realengo foram sinalizados com o padrão gráfico de cidades.
O caos em Manacapuru_Prof. Pinheiro (Repórter_09.05.10)
Manacapuru vive sob nova direção desde o último dia 13.04.2010, quando houve a posse e investidura de Ângelus Figueira no cargo de Prefeito Constitucional do Município de Manacapuru, em sessão solene realizada perante a Câmara Municipal de Vereadores do Município realizada no dia 20 de abril de 2010.
Empossados no cargo, imediatamente Ângelus buscou saber da real situação de Manacapuru e constatou que os antigos ocupantes da Prefeitura, em completa desobediência à Resolução nº 06, do TCE-AM, que estabelece normas para o processo de transmissão do cargo de Prefeito, não deixaram praticamente nenhum documento que possibilitasse a retomada dos serviços do ponto em que ficaram. Mais grave ainda: os serviços estavam paralisados... Esse fato fez com que Ângelus registrasse Boletim de Ocorrência, tal o grau de desestruturação administrativa que encontrou o Município. Além do BO, ajuizou das competentes ações na Justiça de Busca e Apreensão de tudo o que se encontra desaparecido, sob a responsabilidades dos gestores que o antecederam.
Inúmeros valores foram repassado ao Município pelo Governo federal, mas sem comprovação dos gastos e das obras e serviços contratados num montante de mais de R$ 232 milhões. vDa mesma forma quanto aos convênios com o governo federal, num montante de R$ 28 milhões.
“Em vista dessa situação de descalabro”, afirma Decreto baixado por Ângelus, ante a “iminência de paralisação total da administração do Município, diante do quadro de calamidade pública encontrado na infra estrutura dos prédios do patrimônio publico e de todo sistema viário da sede municipal, bem como frente à inadimplência do erário municipal junto a fornecedores e prestadores de serviços, notadamente em relação ao transporte escolar, comércio de combustível, restaurantes, serrarias, limpeza pública, além da constatação de uso indevido pela gestão anterior de recursos oriundos do Fundo Previdenciário Municipal, com o grave comprometimento da Administração na prestação urgente de serviços públicos essenciais, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança”, o prefeito daquele Município não teve outra alternativa a não ser a “decretação de ESTADO EXCEPCIONAL DE EMERGÊNCIA em toda Administração Pública do Município de Manacapuru, para execução de ações necessárias, a fim de reordenar o direcionamento dos serviços públicos da nova administração, na forma estabelecida em Lei, pelo prazo de 90 dias, sujeito a prorrogação por igual período”.
Assim, o Decreto n. 022/2010, do dia 03.05.10 no Diário Oficial do Estado do Amazonas, comunicou a adoção da medida e comunicou oficialmente ao Governo do Estado do Amazonas, Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Amazonas, Tribunal de Contas do Estado do Amazonas – TCE, Tribunal de Contas da União – TCU, Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Amazonas e Procuradoria da República no Amazonas.
Isso demonstra o perigo de se deixar de tomar decisões rápidas e exemplares no âmbito da Justiça Eleitoral, o que termina por produzir – até mesmo sem querer – um estado de completa entropia do sistema público de um Município da importância de Manacapuru...
Que isso sirva de lição para a Corte Eleitoral do Amazonas e que nas próximas decisões levem em conta os destinos dos munícipes, uma vez que muitos dos malefícios perpetrados por uma administração ameaçada de cassação acabe por se tornar irreversível, como parece ser o caso...
Empossados no cargo, imediatamente Ângelus buscou saber da real situação de Manacapuru e constatou que os antigos ocupantes da Prefeitura, em completa desobediência à Resolução nº 06, do TCE-AM, que estabelece normas para o processo de transmissão do cargo de Prefeito, não deixaram praticamente nenhum documento que possibilitasse a retomada dos serviços do ponto em que ficaram. Mais grave ainda: os serviços estavam paralisados... Esse fato fez com que Ângelus registrasse Boletim de Ocorrência, tal o grau de desestruturação administrativa que encontrou o Município. Além do BO, ajuizou das competentes ações na Justiça de Busca e Apreensão de tudo o que se encontra desaparecido, sob a responsabilidades dos gestores que o antecederam.
Inúmeros valores foram repassado ao Município pelo Governo federal, mas sem comprovação dos gastos e das obras e serviços contratados num montante de mais de R$ 232 milhões. vDa mesma forma quanto aos convênios com o governo federal, num montante de R$ 28 milhões.
“Em vista dessa situação de descalabro”, afirma Decreto baixado por Ângelus, ante a “iminência de paralisação total da administração do Município, diante do quadro de calamidade pública encontrado na infra estrutura dos prédios do patrimônio publico e de todo sistema viário da sede municipal, bem como frente à inadimplência do erário municipal junto a fornecedores e prestadores de serviços, notadamente em relação ao transporte escolar, comércio de combustível, restaurantes, serrarias, limpeza pública, além da constatação de uso indevido pela gestão anterior de recursos oriundos do Fundo Previdenciário Municipal, com o grave comprometimento da Administração na prestação urgente de serviços públicos essenciais, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança”, o prefeito daquele Município não teve outra alternativa a não ser a “decretação de ESTADO EXCEPCIONAL DE EMERGÊNCIA em toda Administração Pública do Município de Manacapuru, para execução de ações necessárias, a fim de reordenar o direcionamento dos serviços públicos da nova administração, na forma estabelecida em Lei, pelo prazo de 90 dias, sujeito a prorrogação por igual período”.
Assim, o Decreto n. 022/2010, do dia 03.05.10 no Diário Oficial do Estado do Amazonas, comunicou a adoção da medida e comunicou oficialmente ao Governo do Estado do Amazonas, Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Amazonas, Tribunal de Contas do Estado do Amazonas – TCE, Tribunal de Contas da União – TCU, Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Amazonas e Procuradoria da República no Amazonas.
Isso demonstra o perigo de se deixar de tomar decisões rápidas e exemplares no âmbito da Justiça Eleitoral, o que termina por produzir – até mesmo sem querer – um estado de completa entropia do sistema público de um Município da importância de Manacapuru...
Que isso sirva de lição para a Corte Eleitoral do Amazonas e que nas próximas decisões levem em conta os destinos dos munícipes, uma vez que muitos dos malefícios perpetrados por uma administração ameaçada de cassação acabe por se tornar irreversível, como parece ser o caso...
05 maio 2010
O silêncio é menos absurdo do que o som da insensatez_Augusto Nunes
Acampados nas colunas dos grandes jornais, os profetas da imprensa não se rendem. A tribo previu a rendição sem luta de José Serra, a ruptura entre o governador paulista e Aécio Neves, a deserção de Tasso Jereissati, a aparição de rachaduras na aliança entre o PSDB, o DEM e o PPS, a reedição em escala ampliada do espetáculo da incompetência política apresentado em 2002 e 2006. Se Serra trocasse a reeleição sem riscos pela aventura presidencial, advertiram todos, o fracasso começaria a desenhar-se já em março, quando se daria o que se batizou de “cruzamento das curvas”.
O fenômeno inevitável foi anunciado no fim de fevereiro. Excitados com o crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais, os sacerdotes do jornalismo profético decidiram que, no mês seguinte, a curva ascendente da candidata cruzaria com a linha traçada pelos índices decrescentes de Serra. Anabolizada pela popularidade do presidente, a sucessora que Lula inventou apareceria empatada com o adversário ─ ou já na dianteira. Em abril, poderia encomendar o terninho para o dia da posse.
Erraram todos. Como tem ocorrido desde a eleição do primeiro chefe de caverna, o líder não viu motivos para capitular diante do segundo colocado. No que deveria ser o mais cruel dos meses, Serra lançou oficialmente a candidatura, uniu as correntes de oposição, cresceu nas pesquisas e consolidou-se na liderança com 40% das intenções de voto. São quase 10 pontos percentuais à frente de Dilma. Quase 12 milhões de votos sobre a concorrente estacionada em torno dos 30%, a taxa histórica do PT. Mas profetas são duros na queda. Sempre enxergam o que ninguém mais vê.
Em vez de pedirem perdão aos leitores, sentarem no meio fio e chorarem lágrimas de esguicho, adiaram para abril o cruzamento das curvas. Serra fora beneficiado pelo impacto positivo da festa em Brasília, explicaram. Logo seria identificado como o anti-Lula e começaria a percorrer a trilha do penhasco. Em contrapartida, a adversária se veria liberada da trabalheira no Planalto e poderia concentrar-se em tempo integral na temporada de caça ao voto. Erraram todos de novo. Serra evitou confrontos com quem não é candidato, não cometeu nenhum equívoco. Dilma colecionou tropeços, gafes, declarações desastrosas, platitudes e reticências perplexas.
Nada demais, acabam de decidir os videntes da imprensa. O que houve até agora não valeu. A campanha só vai começar depois da Copa do Mundo. Nos próximos dois meses, Lula poderá descansar para a arrasadora entrada em cena. E Dilma terá tempo para aperfeiçoar a oratória, assimilar truques que uma neófita desconhece e, sobretudo, ficar mais conhecida. Como se Lula não estivesse no palanque e em campanha ostensiva desde meados de 2007, com Dilma todo o tempo a tiracolo. Como se o eleitorado ainda não soubesse quem é a candidata do presidente. Como se ela só precisasse de treinamento. Como se ninguém tivesse percebido que, quanto mais conhecida fica, mais pontos Dilma Rousseff perde.
Como se não fosse possível, enfim, diagnosticar a cada discurseira um caso incurável de indigência intelectual. “Ela precisa concluir o raciocínio”, descobriu Lula na semana passada. O problema é bem mais grave. Só pode ser concluído o que começa, e Dilma é incapaz de articular um raciocínio lógico. É aceitável que Lula não saiba disso: ele não conseguiria enxergar diferenças entre um Franklin Roosevelt e um Evo Morales. É compreensível que o rebanho engula Dilma sem engasgos: os devotos do Mestre engoliram até José Sarney fantasiado de homem incomum. O espantoso é o engajamento na farsa dos colunistas videntes.
Se dirigissem um telejornal, eles reprovariam Dilma Rousseff no primeiro minuto do teste de vídeo. Se comandassem uma redação, a candidata à presidência perderia na primeira linha do texto a disputa pela vaga de estagiária. Como entender o comportamento abúlico, cúmplice, pusilânime de profissionais que escrevem bem e se expressam com clareza? Por que não reagem com estranheza ao palavrório indecifrável? Talvez acreditem que a maioria dos eleitores brasileiros é formada por imbecis juramentados, e que Lula é capaz de eleger até um poste.
Eleger um poste é mais fácil que eleger uma Dilma Rousseff. Postes não falam. A candidata fala coisas incompreensíveis. O silêncio é menos absurdo e menos perturbador do que o som da insensatez.
O fenômeno inevitável foi anunciado no fim de fevereiro. Excitados com o crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais, os sacerdotes do jornalismo profético decidiram que, no mês seguinte, a curva ascendente da candidata cruzaria com a linha traçada pelos índices decrescentes de Serra. Anabolizada pela popularidade do presidente, a sucessora que Lula inventou apareceria empatada com o adversário ─ ou já na dianteira. Em abril, poderia encomendar o terninho para o dia da posse.
Erraram todos. Como tem ocorrido desde a eleição do primeiro chefe de caverna, o líder não viu motivos para capitular diante do segundo colocado. No que deveria ser o mais cruel dos meses, Serra lançou oficialmente a candidatura, uniu as correntes de oposição, cresceu nas pesquisas e consolidou-se na liderança com 40% das intenções de voto. São quase 10 pontos percentuais à frente de Dilma. Quase 12 milhões de votos sobre a concorrente estacionada em torno dos 30%, a taxa histórica do PT. Mas profetas são duros na queda. Sempre enxergam o que ninguém mais vê.
Em vez de pedirem perdão aos leitores, sentarem no meio fio e chorarem lágrimas de esguicho, adiaram para abril o cruzamento das curvas. Serra fora beneficiado pelo impacto positivo da festa em Brasília, explicaram. Logo seria identificado como o anti-Lula e começaria a percorrer a trilha do penhasco. Em contrapartida, a adversária se veria liberada da trabalheira no Planalto e poderia concentrar-se em tempo integral na temporada de caça ao voto. Erraram todos de novo. Serra evitou confrontos com quem não é candidato, não cometeu nenhum equívoco. Dilma colecionou tropeços, gafes, declarações desastrosas, platitudes e reticências perplexas.
Nada demais, acabam de decidir os videntes da imprensa. O que houve até agora não valeu. A campanha só vai começar depois da Copa do Mundo. Nos próximos dois meses, Lula poderá descansar para a arrasadora entrada em cena. E Dilma terá tempo para aperfeiçoar a oratória, assimilar truques que uma neófita desconhece e, sobretudo, ficar mais conhecida. Como se Lula não estivesse no palanque e em campanha ostensiva desde meados de 2007, com Dilma todo o tempo a tiracolo. Como se o eleitorado ainda não soubesse quem é a candidata do presidente. Como se ela só precisasse de treinamento. Como se ninguém tivesse percebido que, quanto mais conhecida fica, mais pontos Dilma Rousseff perde.
Como se não fosse possível, enfim, diagnosticar a cada discurseira um caso incurável de indigência intelectual. “Ela precisa concluir o raciocínio”, descobriu Lula na semana passada. O problema é bem mais grave. Só pode ser concluído o que começa, e Dilma é incapaz de articular um raciocínio lógico. É aceitável que Lula não saiba disso: ele não conseguiria enxergar diferenças entre um Franklin Roosevelt e um Evo Morales. É compreensível que o rebanho engula Dilma sem engasgos: os devotos do Mestre engoliram até José Sarney fantasiado de homem incomum. O espantoso é o engajamento na farsa dos colunistas videntes.
Se dirigissem um telejornal, eles reprovariam Dilma Rousseff no primeiro minuto do teste de vídeo. Se comandassem uma redação, a candidata à presidência perderia na primeira linha do texto a disputa pela vaga de estagiária. Como entender o comportamento abúlico, cúmplice, pusilânime de profissionais que escrevem bem e se expressam com clareza? Por que não reagem com estranheza ao palavrório indecifrável? Talvez acreditem que a maioria dos eleitores brasileiros é formada por imbecis juramentados, e que Lula é capaz de eleger até um poste.
Eleger um poste é mais fácil que eleger uma Dilma Rousseff. Postes não falam. A candidata fala coisas incompreensíveis. O silêncio é menos absurdo e menos perturbador do que o som da insensatez.
Fim do fator previdenciário_Por Eduardo Bresciani e Paula Leite, no Portal G1
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (4) uma proposta que acaba com o fator previdenciário, método usado atualmente para calcular o valor de aposentadorias reduzindo o seu valor na maioria dos casos. A proposta foi adicionada à medida provisória que reajusta o benefício de aposentados que ganham acima de um salário mínimo. A Câmara decidiu aumentar de 6,14% para 7,7% o percentual de reajuste. O projeto segue agora para o Senado Federal.
Criado em 1999 no governo Fernando Henrique Cardoso com o objetivo de reduzir os benefícios de quem se aposenta antes das idades mínimas ou obrigar o empregado a trabalhar mais tempo, o fator previdenciário leva em conta quatro elementos para o cálculo do benefício: alíquota de contribuição, idade do trabalhador, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de vida.
O fator previdenciário afeta o benefício dos trabalhadores que se aposentam por tempo de contribuição. A aposentadoria é calculada da seguinte forma: o valor dos 80% maiores salários de contribuição do trabalhador é multiplicado pelo fator previdenciário. No caso dos trabalhadores que começaram a contribuir antes de 28 de novembro de 1999, valem os 80% maiores salários desde julho de 1994.
Esta é a noite da irresponsabilidade fiscal. Como se acaba com o fator sem calcular quanto isso custa? Não tem cabimento” Deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP)
O cidadão pode consultar o fator previdenciário de acordo com sua idade e tempo de contribuição em tabela fornecida pela Previdência. Hoje, o fator previdenciário para alguém de 50 anos que se aposenta com 30 anos de contribuição, por exemplo, é de 0,513 - o que significa que o cidadão recebe, com o fator, pouco mais da metade do que receberia caso o fator não fosse aplicado.
No caso das aposentadorias por idade, a aplicação do fator é opcional, ou seja, ele só é usado se aumentar o valor do benefício do cidadão.
O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) fez duras críticas à votação. Ele destacou que os deputados sequer sabem a arrecadação que será perdida com o fim do fator previdenciário. “Esta é a noite da irresponsabilidade fiscal. Como se acaba com o fator sem calcular quanto isso custa? Não tem cabimento.”Quando o projeto que elimina o fator foi aprovado no Senado em 2008, o então ministro da Previdência, José Pimentel, chegou a dizer que o impacto no orçamento poderia ser de até 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), foi o autor da emenda que tentava derrubar o fator. Ele argumenta que a mudança seria mais importante que o reajuste para os aposentados. O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), tentou fazer com que a discussão tivesse de ser feita em um processo específico. “Nós vamos fazer a negociação para votar neste ano o fim do fator previdenciário, mas com uma fórmula nova”, chegou a dizer.
Partidos da base aliada como PSB, PDT e PTB votaram a favor da emenda, enquanto PSDB e DEM decidiram liberar as bancadas. O fim do fator começará a valer em 2011 se for aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reajuste dos aposentados
O reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo aprovado0 nesta noite pela Câmara é superior ao índice negociado pelo governo. A proposta inicial era de um reajuste de 6,14% aos benefícios, retroativos a janeiro deste ano.
O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), colocou em seu relatório um percentual de 7% de reajuste, que ele garantia já estar acertado com o Executivo. O reajuste de 7,7% representa um gasto extra de R$ 1,7 bilhão em relação à proposta original do governo, de 6,14%.
Partidos da base aliada, no entanto, desejavam elevar o reajuste para 7,7% e contaram com o apoio da oposição, que tentou até aprovar um aumento maior, de 8,7%.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), foi o autor da emenda que ampliou o reajuste. Ele chegou a participar de uma negociação com o Senado para se tentar um acordo no percentual de 7,7%, mas o Executivo não concordou com a proposta.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta tarde no Congresso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetará o reajuste se o percentual for “exorbitante”. Vaccarezza já afirmou que Lula vetará o índice de 7,7% porque a Previdência não teria condições de bancar este reajuste.
No Senado, a tendência é que o percentual aprovado na Câmara seja mantido. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), maior bancada da Casa, já declarou que é “irrelevante” a diferença de R$ 600 milhões que o reajuste de 7,7% trará em relação ao percentual de 7% para os cofres públicos.
Criado em 1999 no governo Fernando Henrique Cardoso com o objetivo de reduzir os benefícios de quem se aposenta antes das idades mínimas ou obrigar o empregado a trabalhar mais tempo, o fator previdenciário leva em conta quatro elementos para o cálculo do benefício: alíquota de contribuição, idade do trabalhador, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de vida.
O fator previdenciário afeta o benefício dos trabalhadores que se aposentam por tempo de contribuição. A aposentadoria é calculada da seguinte forma: o valor dos 80% maiores salários de contribuição do trabalhador é multiplicado pelo fator previdenciário. No caso dos trabalhadores que começaram a contribuir antes de 28 de novembro de 1999, valem os 80% maiores salários desde julho de 1994.
Esta é a noite da irresponsabilidade fiscal. Como se acaba com o fator sem calcular quanto isso custa? Não tem cabimento” Deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP)
O cidadão pode consultar o fator previdenciário de acordo com sua idade e tempo de contribuição em tabela fornecida pela Previdência. Hoje, o fator previdenciário para alguém de 50 anos que se aposenta com 30 anos de contribuição, por exemplo, é de 0,513 - o que significa que o cidadão recebe, com o fator, pouco mais da metade do que receberia caso o fator não fosse aplicado.
No caso das aposentadorias por idade, a aplicação do fator é opcional, ou seja, ele só é usado se aumentar o valor do benefício do cidadão.
O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) fez duras críticas à votação. Ele destacou que os deputados sequer sabem a arrecadação que será perdida com o fim do fator previdenciário. “Esta é a noite da irresponsabilidade fiscal. Como se acaba com o fator sem calcular quanto isso custa? Não tem cabimento.”Quando o projeto que elimina o fator foi aprovado no Senado em 2008, o então ministro da Previdência, José Pimentel, chegou a dizer que o impacto no orçamento poderia ser de até 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), foi o autor da emenda que tentava derrubar o fator. Ele argumenta que a mudança seria mais importante que o reajuste para os aposentados. O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), tentou fazer com que a discussão tivesse de ser feita em um processo específico. “Nós vamos fazer a negociação para votar neste ano o fim do fator previdenciário, mas com uma fórmula nova”, chegou a dizer.
Partidos da base aliada como PSB, PDT e PTB votaram a favor da emenda, enquanto PSDB e DEM decidiram liberar as bancadas. O fim do fator começará a valer em 2011 se for aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reajuste dos aposentados
O reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo aprovado0 nesta noite pela Câmara é superior ao índice negociado pelo governo. A proposta inicial era de um reajuste de 6,14% aos benefícios, retroativos a janeiro deste ano.
O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), colocou em seu relatório um percentual de 7% de reajuste, que ele garantia já estar acertado com o Executivo. O reajuste de 7,7% representa um gasto extra de R$ 1,7 bilhão em relação à proposta original do governo, de 6,14%.
Partidos da base aliada, no entanto, desejavam elevar o reajuste para 7,7% e contaram com o apoio da oposição, que tentou até aprovar um aumento maior, de 8,7%.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), foi o autor da emenda que ampliou o reajuste. Ele chegou a participar de uma negociação com o Senado para se tentar um acordo no percentual de 7,7%, mas o Executivo não concordou com a proposta.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta tarde no Congresso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetará o reajuste se o percentual for “exorbitante”. Vaccarezza já afirmou que Lula vetará o índice de 7,7% porque a Previdência não teria condições de bancar este reajuste.
No Senado, a tendência é que o percentual aprovado na Câmara seja mantido. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), maior bancada da Casa, já declarou que é “irrelevante” a diferença de R$ 600 milhões que o reajuste de 7,7% trará em relação ao percentual de 7% para os cofres públicos.
04 maio 2010
Íntegra do discurso de Serra aos evangélicos
Em evento em Santa Catarina:
Conforme Jesus ensinou, quando você entra numa casa, numa cidade, deve saudar a todos e a todas com a paz do senhor.
Eu queria agradecer muito ao convite que me foi feito pelo nosso presidente, pastor Cesino Bernardino, para vir aqui no dia de hoje. Queria também cumprimentar todas as autoridades, homens e mulheres que são da vida pública aqui presentes, através do governador do Estado de Santa Catarina, nosso Leonel Pavan. Eu vou começar fazendo uma citação, de Lucas, que tem muito a ver com essa organização de missionários. No Cap. 10 Vers. I, Lucas no diz: “Depois disso, o senhor designou outros 70, e os enviou ,de dois em dois ,para que o precedessem em cada cidade e lugar onde ele estava falando, e lhes fez a seguinte advertência: ‘A Seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da Seara que mande trabalhadores para a sua Seara’”.
É interessante lembrar dessas palavras de Jesus, porque, no Brasil, o impulso fundamental para esta ação de missionários foi dada em dois. Duas pessoas que chegaram da Suécia a Belém do Pará, em 1910. Eram os missionários, o ideal dos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren. Chegaram em Belém em 19 de novembro de 1910. E Santa Catarina fez história no evangelismo nacional, porque em 1923, um deles, missionário Gunnar Vingren, teve informações, lá em Belém, de que em Santa Catarina havia o movimento pentecostal em andamento. Foram dois que vieram ao Brasil, como os pregadores de Cristo. Ele veio aqui para o Sul e, aqui chegando, encontrou o trabalho iniciado pelo Pastor André Bernardino da Silva, pioneiro da Assembléia de Deus em Santa Catarina. E o que vejo hoje desse congresso, liderado pelo Pastor Cesino, é a preocupação em fazer missionários para a evangelização no Brasil e no mundo. Eu sei que o trabalho extraordinário não só no campo espiritual, mas o relevante serviço prestado na área social que os Gideões têm realizado.
Quando no governo de São Paulo, eu, através da sanção ao Projeto de Lei votado na Assembléia Legislativa e aprovado, instituí, em São Paulo, o dia dos Gideões Missionários de Última Hora do Estado de São Paulo. Mais ainda, Pastor Cesino: nós instituímos também o dia da Expocristã, da literatura do evangelho, que é vasta no nosso país, no Estado de São Paulo, em 2 de setembro. Faz parte do calendário oficial do Estado de São Paulo, e eu decidi isso depois de visitar essa feira em 2007, me dando conta da enorme importância que tem para a leitura do nosso povo a ação dos evangélicos. Através da leitura da Bíblia é que todos os fiéis são introduzidos no momento em que se aproximam de uma igreja evangélica.
Num tempo em que os governos, as ações, lutam contra a pobreza, a violência, o terrorismo, os problemas sociais em geral, vocês estão aqui trabalhando para um mundo melhor, para que haja paz entre os povos. Que Deus abençoe todos e todas que hoje estão nesse grande congresso. Trabalhando juntos, nós vamos fazer do Brasil uma das principais nações do mundo. Vamos fazer do Brasil um país de todos e de todas.
Me lembro de uma outra citação de Cristo, agora de João… Dizer: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim de Jesus para que tenham vida e tenham essa vida em abundância”. O que significa isso? Que não se trata, através das nossas ações ,apenas de prolongar a vida. Trata-se de ter qualidade de vida. Isso é fundamental. É preciso viver , e é preciso viver bem e cada vez melhor. Essa é uma mensagem de Jesus Cristo. E olha, o trabalho que os missionários fazem está voltado a essa direção: para as crianças, para os idosos, para todas as pessoas, que vivam através de [ininteligível] assistência médica, mas que vivam melhor. Este para mim sempre foi um princípio de vida, na vida privada e na vida pública. Me lembro quando fui ministro da Saúde, ou agora como governador de São Paulo. Nós combatemos o tabagismo, o cigarro. Por quê? Porque faz mal a saúde. Mas eu dizia: “Não é apenas para prolongar a vida das pessoas, é para que tenham uma melhor qualidade de vida”. Porque aquele que fuma, quando fica doente por causa disso, fica, às vezes, anos com problemas de saúde, inclusive problemas de paralisia, não pode andar, sofre com doenças do pulmão. Ou seja, vivem, mas vivem mal. Da mesma maneira, nós fizemos muitas outras coisas nos setores desamparados.
É o caso do deficiente, algum tipo de pessoas com algum tipo de deficiência física. São mais de 20 milhões no nosso país. Pois nós criamos uma rede de reabilitação. Para quê? Para que o deficiente físico possa ser mais cidadão ou mais cidadã. Ele está vivendo, mas ,muitas vezes, encostado. Por quê? Porque não consegue se inserir na sociedade. Então nós fizemos um trabalho que nunca foi feito, de auxílio de reabilitação do deficiente, que ele tenha acesso aos equipamentos públicos e aprenda a viver com a deficiência que tem. Que não é capaz de esconder todas as capacidades que ele também ele carrega consigo.
A isso foi, tirando seguro desemprego do papel para ajudar os desempregados. Fizemos os medicamentos genéricos, para ter medicamentos mais barato e seguro para a população. Enfim, até eu digo porque estou gripado, e também posso me vacinar gratuitamente, até em produção da vacina da gripe no Brasil gratuitamente para aqueles que têm mais de 60 anos. Aqui, provavelmente, só eu, né, pastor, é que posso tomar. Nenhuma mulher, com muita exceção, pode tomar gratuitamente, provavelmente só eu que tomo. Mas estas são ações que para mim mostram a essência do que deve ser o trabalho na vida pública, que é servir ao próximo, é buscar a nossa felicidade, proporcionando felicidade às outras pessoas.
E essa é a essência do trabalho dos Gideões. Daí, o nosso encontro, daí a nossa identidade, daí o fato de quem eu aqui venho para procurar inspiração e ganhar energia para essa batalha. Convencido de que nós vamos fazer mais, que podemos fazer mais e melhor, para essas pessoas que precisam. Olha, eu me lembro que Deus, no dia em que Salomão chegou a ser rei, [Salomão] narrou um sonho, conversou com Deus no sonho.
E Deus lhe disse: “O que você quer? Tudo o que você quiser, eu te darei”. Ele disse: “Eu só quero uma coisa: sabedoria”. Sabedoria. E Deus disse: “Você não quer riqueza, você não quer prestígio, você não quer matar os seus inimigos, você quer sabedoria, e isso você terá”.
E o que eu queria pedir a todos e a todas aqui é que orem, rezem a Deus por mim, no sentido de que ele me dê mais sabedoria para enfrentar a batalha e as lutas que nós temos por diante, voltadas para o progresso do nosso país como um todo. Voltadas aos mais necessitados, voltadas à solidariedade. Por isso, eu me permito pedir que orem por mim para que Deus me dê mais sabedoria. Muito obrigado!
Conforme Jesus ensinou, quando você entra numa casa, numa cidade, deve saudar a todos e a todas com a paz do senhor.
Eu queria agradecer muito ao convite que me foi feito pelo nosso presidente, pastor Cesino Bernardino, para vir aqui no dia de hoje. Queria também cumprimentar todas as autoridades, homens e mulheres que são da vida pública aqui presentes, através do governador do Estado de Santa Catarina, nosso Leonel Pavan. Eu vou começar fazendo uma citação, de Lucas, que tem muito a ver com essa organização de missionários. No Cap. 10 Vers. I, Lucas no diz: “Depois disso, o senhor designou outros 70, e os enviou ,de dois em dois ,para que o precedessem em cada cidade e lugar onde ele estava falando, e lhes fez a seguinte advertência: ‘A Seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da Seara que mande trabalhadores para a sua Seara’”.
É interessante lembrar dessas palavras de Jesus, porque, no Brasil, o impulso fundamental para esta ação de missionários foi dada em dois. Duas pessoas que chegaram da Suécia a Belém do Pará, em 1910. Eram os missionários, o ideal dos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren. Chegaram em Belém em 19 de novembro de 1910. E Santa Catarina fez história no evangelismo nacional, porque em 1923, um deles, missionário Gunnar Vingren, teve informações, lá em Belém, de que em Santa Catarina havia o movimento pentecostal em andamento. Foram dois que vieram ao Brasil, como os pregadores de Cristo. Ele veio aqui para o Sul e, aqui chegando, encontrou o trabalho iniciado pelo Pastor André Bernardino da Silva, pioneiro da Assembléia de Deus em Santa Catarina. E o que vejo hoje desse congresso, liderado pelo Pastor Cesino, é a preocupação em fazer missionários para a evangelização no Brasil e no mundo. Eu sei que o trabalho extraordinário não só no campo espiritual, mas o relevante serviço prestado na área social que os Gideões têm realizado.
Quando no governo de São Paulo, eu, através da sanção ao Projeto de Lei votado na Assembléia Legislativa e aprovado, instituí, em São Paulo, o dia dos Gideões Missionários de Última Hora do Estado de São Paulo. Mais ainda, Pastor Cesino: nós instituímos também o dia da Expocristã, da literatura do evangelho, que é vasta no nosso país, no Estado de São Paulo, em 2 de setembro. Faz parte do calendário oficial do Estado de São Paulo, e eu decidi isso depois de visitar essa feira em 2007, me dando conta da enorme importância que tem para a leitura do nosso povo a ação dos evangélicos. Através da leitura da Bíblia é que todos os fiéis são introduzidos no momento em que se aproximam de uma igreja evangélica.
Num tempo em que os governos, as ações, lutam contra a pobreza, a violência, o terrorismo, os problemas sociais em geral, vocês estão aqui trabalhando para um mundo melhor, para que haja paz entre os povos. Que Deus abençoe todos e todas que hoje estão nesse grande congresso. Trabalhando juntos, nós vamos fazer do Brasil uma das principais nações do mundo. Vamos fazer do Brasil um país de todos e de todas.
Me lembro de uma outra citação de Cristo, agora de João… Dizer: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim de Jesus para que tenham vida e tenham essa vida em abundância”. O que significa isso? Que não se trata, através das nossas ações ,apenas de prolongar a vida. Trata-se de ter qualidade de vida. Isso é fundamental. É preciso viver , e é preciso viver bem e cada vez melhor. Essa é uma mensagem de Jesus Cristo. E olha, o trabalho que os missionários fazem está voltado a essa direção: para as crianças, para os idosos, para todas as pessoas, que vivam através de [ininteligível] assistência médica, mas que vivam melhor. Este para mim sempre foi um princípio de vida, na vida privada e na vida pública. Me lembro quando fui ministro da Saúde, ou agora como governador de São Paulo. Nós combatemos o tabagismo, o cigarro. Por quê? Porque faz mal a saúde. Mas eu dizia: “Não é apenas para prolongar a vida das pessoas, é para que tenham uma melhor qualidade de vida”. Porque aquele que fuma, quando fica doente por causa disso, fica, às vezes, anos com problemas de saúde, inclusive problemas de paralisia, não pode andar, sofre com doenças do pulmão. Ou seja, vivem, mas vivem mal. Da mesma maneira, nós fizemos muitas outras coisas nos setores desamparados.
É o caso do deficiente, algum tipo de pessoas com algum tipo de deficiência física. São mais de 20 milhões no nosso país. Pois nós criamos uma rede de reabilitação. Para quê? Para que o deficiente físico possa ser mais cidadão ou mais cidadã. Ele está vivendo, mas ,muitas vezes, encostado. Por quê? Porque não consegue se inserir na sociedade. Então nós fizemos um trabalho que nunca foi feito, de auxílio de reabilitação do deficiente, que ele tenha acesso aos equipamentos públicos e aprenda a viver com a deficiência que tem. Que não é capaz de esconder todas as capacidades que ele também ele carrega consigo.
A isso foi, tirando seguro desemprego do papel para ajudar os desempregados. Fizemos os medicamentos genéricos, para ter medicamentos mais barato e seguro para a população. Enfim, até eu digo porque estou gripado, e também posso me vacinar gratuitamente, até em produção da vacina da gripe no Brasil gratuitamente para aqueles que têm mais de 60 anos. Aqui, provavelmente, só eu, né, pastor, é que posso tomar. Nenhuma mulher, com muita exceção, pode tomar gratuitamente, provavelmente só eu que tomo. Mas estas são ações que para mim mostram a essência do que deve ser o trabalho na vida pública, que é servir ao próximo, é buscar a nossa felicidade, proporcionando felicidade às outras pessoas.
E essa é a essência do trabalho dos Gideões. Daí, o nosso encontro, daí a nossa identidade, daí o fato de quem eu aqui venho para procurar inspiração e ganhar energia para essa batalha. Convencido de que nós vamos fazer mais, que podemos fazer mais e melhor, para essas pessoas que precisam. Olha, eu me lembro que Deus, no dia em que Salomão chegou a ser rei, [Salomão] narrou um sonho, conversou com Deus no sonho.
E Deus lhe disse: “O que você quer? Tudo o que você quiser, eu te darei”. Ele disse: “Eu só quero uma coisa: sabedoria”. Sabedoria. E Deus disse: “Você não quer riqueza, você não quer prestígio, você não quer matar os seus inimigos, você quer sabedoria, e isso você terá”.
E o que eu queria pedir a todos e a todas aqui é que orem, rezem a Deus por mim, no sentido de que ele me dê mais sabedoria para enfrentar a batalha e as lutas que nós temos por diante, voltadas para o progresso do nosso país como um todo. Voltadas aos mais necessitados, voltadas à solidariedade. Por isso, eu me permito pedir que orem por mim para que Deus me dê mais sabedoria. Muito obrigado!
02 maio 2010
13 passos de uma farsa_Por Reinaldo Azevedo
1 - O PT primeiro reclamou dos blogs e sites tucanos.
2 - Depois houve uma “reportagem” a respeito da suposta virulência tucana numa revista petista, que recebe generosas verbas públicas, embora não tenha leitores.
3 - Páginas da Internet de blogueiros que trabalham para o governo passaram a falar da “guerra suja” na Internet — promovida, claro, pelos tucanos.
4 - “Guerra suja” é quando os petistas são atacados; quando eles atacam, é crítica política.
5 - Depois começou a campanha no Twitter;
6 - A infiltração petista nos grandes jornais ampliou a gritaria;
7 - O PT anunciou que iria recorrer à Justiça e ganhou “reportagens”;
8 - O PT anunciou a convocação de uma entrevista coletiva e ganhou outras “reportagens”;
9 - O PT concedeu a entrevista coletiva e ganhou mais “reportagens”;
10 - Quando o PT efetivamente recorrer à Justiça, receberá um presente: “reportagens”.
11 - Assim atuando, os braços do PT na imprensa ajudam a criar a mentira de que o partido é vítima de uma “guerra suja”, embora se comporte, coitadinho!, com ética refinada;
12 - Já que estaria sendo “atacado”, as baixarias que os petistas promovem desde sempre passam a ser vistas como “reação proporcional”.
13 - Trata-se de uma revolução temporal: o “antes” passa a ser visto como reação ao “depois”.
2 - Depois houve uma “reportagem” a respeito da suposta virulência tucana numa revista petista, que recebe generosas verbas públicas, embora não tenha leitores.
3 - Páginas da Internet de blogueiros que trabalham para o governo passaram a falar da “guerra suja” na Internet — promovida, claro, pelos tucanos.
4 - “Guerra suja” é quando os petistas são atacados; quando eles atacam, é crítica política.
5 - Depois começou a campanha no Twitter;
6 - A infiltração petista nos grandes jornais ampliou a gritaria;
7 - O PT anunciou que iria recorrer à Justiça e ganhou “reportagens”;
8 - O PT anunciou a convocação de uma entrevista coletiva e ganhou outras “reportagens”;
9 - O PT concedeu a entrevista coletiva e ganhou mais “reportagens”;
10 - Quando o PT efetivamente recorrer à Justiça, receberá um presente: “reportagens”.
11 - Assim atuando, os braços do PT na imprensa ajudam a criar a mentira de que o partido é vítima de uma “guerra suja”, embora se comporte, coitadinho!, com ética refinada;
12 - Já que estaria sendo “atacado”, as baixarias que os petistas promovem desde sempre passam a ser vistas como “reação proporcional”.
13 - Trata-se de uma revolução temporal: o “antes” passa a ser visto como reação ao “depois”.
O que está por trás das demarcações de terras_Por Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros:
Por Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros:
As dimensões continentais do Brasil costumam ser apontadas como um dos alicerces da prosperidade presente e futura do país. As vastidões férteis e inexploradas garantiriam a ampliação do agronegócio e do peso da nação no comércio mundial. Mas essas avaliações nunca levam em conta a parcela do território que não é nem será explorada, porque já foi demarcada para proteção ambiental ou de grupos específicos da população. Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil. Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional. Ou seja, as próximas gerações terão de se contentar em ocupar uma porção do tamanho de São Paulo e Minas Gerais. E esse naco poderá ficar ainda menor. O governo pretende criar outras 1 514 reservas e destinar mais 50 000 lotes para a reforma agrária. Juntos, eles consumirão uma área equivalente à de Pernambuco. A maior parte será entregue a índios e comunidades de remanescentes de quilombos. Com a intenção de proteger e preservar a cultura de povos nativos e expiar os pecados da escravatura, a legislação brasileira instaurou um rito sumário no processo de delimitação dessas áreas.
Os motivos, pretensamente nobres, abriram espaço para que surgisse uma verdadeira indústria de demarcação. Pelas leis atuQais, uma comunidade depende apenas de duas coisas para ser considerada indígena ou quilombola: uma declaração de seus integrantes e um laudo antropológico. A maioria desses laudos é elaborada sem nenhum rigor científico e com claro teor ideológico de uma esquerda que ainda insiste em extinguir o capitalismo, imobilizando terras para a produção. Alguns relatórios ressuscitaram povos extintos há mais de 300 anos. Outros encontraram etnias em estados da federação nos quais não há registro histórico de que elas tenham vivido lá. Ou acharam quilombos em regiões que só vieram a abrigar negros depois que a escravatura havia sido abolida. Nesta reportagem, VEJA apresenta casos nos quais antropólogos, ativistas políticos e religiosos se associaram a agentes públicos para montar processos e criar reservas. Parte delas destrói perspectivas econômicas de toda uma região, como ocorreu em Peruíbe, no Litoral Sul de São Paulo. Outras levam as tintas do teatro do absurdo. Exemplo disso é o Parque Nacional do Jaú, no Amazonas, que englobou uma vila criada em 1907 e pôs seus moradores em situação de despejo. A solução para mantê-los lá foi declarar a área um quilombo do qual não há registro histórico. Certas iniciativas são motivadas pela ideia maluca de que o território brasileiro deveria pertencer apenas aos índios, tese refutada pelo Supremo Tribunal Federal. Há, ainda, os que advogam a criação de reservas indígenas como meio de preservar o ambiente. E há também – ou principalmente – aqueles que, a pretexto de proteger este ou aquele aspecto, querem tão somente faturar. “Diante desse quadro, é preciso dar um basta imediato nos processos de demarcação”, como já advertiu há quatro anos o antropólogo Mércio Pereira Gomes, ex-presidente da Funai e professor da Universidade Federal Fluminense.
As dimensões continentais do Brasil costumam ser apontadas como um dos alicerces da prosperidade presente e futura do país. As vastidões férteis e inexploradas garantiriam a ampliação do agronegócio e do peso da nação no comércio mundial. Mas essas avaliações nunca levam em conta a parcela do território que não é nem será explorada, porque já foi demarcada para proteção ambiental ou de grupos específicos da população. Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil. Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional. Ou seja, as próximas gerações terão de se contentar em ocupar uma porção do tamanho de São Paulo e Minas Gerais. E esse naco poderá ficar ainda menor. O governo pretende criar outras 1 514 reservas e destinar mais 50 000 lotes para a reforma agrária. Juntos, eles consumirão uma área equivalente à de Pernambuco. A maior parte será entregue a índios e comunidades de remanescentes de quilombos. Com a intenção de proteger e preservar a cultura de povos nativos e expiar os pecados da escravatura, a legislação brasileira instaurou um rito sumário no processo de delimitação dessas áreas.
Os motivos, pretensamente nobres, abriram espaço para que surgisse uma verdadeira indústria de demarcação. Pelas leis atuQais, uma comunidade depende apenas de duas coisas para ser considerada indígena ou quilombola: uma declaração de seus integrantes e um laudo antropológico. A maioria desses laudos é elaborada sem nenhum rigor científico e com claro teor ideológico de uma esquerda que ainda insiste em extinguir o capitalismo, imobilizando terras para a produção. Alguns relatórios ressuscitaram povos extintos há mais de 300 anos. Outros encontraram etnias em estados da federação nos quais não há registro histórico de que elas tenham vivido lá. Ou acharam quilombos em regiões que só vieram a abrigar negros depois que a escravatura havia sido abolida. Nesta reportagem, VEJA apresenta casos nos quais antropólogos, ativistas políticos e religiosos se associaram a agentes públicos para montar processos e criar reservas. Parte delas destrói perspectivas econômicas de toda uma região, como ocorreu em Peruíbe, no Litoral Sul de São Paulo. Outras levam as tintas do teatro do absurdo. Exemplo disso é o Parque Nacional do Jaú, no Amazonas, que englobou uma vila criada em 1907 e pôs seus moradores em situação de despejo. A solução para mantê-los lá foi declarar a área um quilombo do qual não há registro histórico. Certas iniciativas são motivadas pela ideia maluca de que o território brasileiro deveria pertencer apenas aos índios, tese refutada pelo Supremo Tribunal Federal. Há, ainda, os que advogam a criação de reservas indígenas como meio de preservar o ambiente. E há também – ou principalmente – aqueles que, a pretexto de proteger este ou aquele aspecto, querem tão somente faturar. “Diante desse quadro, é preciso dar um basta imediato nos processos de demarcação”, como já advertiu há quatro anos o antropólogo Mércio Pereira Gomes, ex-presidente da Funai e professor da Universidade Federal Fluminense.
O Lanzetta da “Laranza”_DIOGO MAINARDI
Na VEJA:
O PT contratou Luiz Lanzetta para comandar a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff. Isso mesmo: Luiz Lanzetta. Ninguém sabe quem ele é. Ninguém sabe por que ele foi contratado. Está na hora de tentar saber.
Luiz Lanzetta comanda a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff, mas nenhum dos assessores de imprensa de Dilma Rousseff é comandado por Luiz Lanzetta. De fato, ele só contratou quem o PT mandou contratar. De Helena Chagas, apadrinhada por Franklin Martins, a Oswaldo Buarim, que pertence à quota da própria Dilma Rousseff. Luiz Lanzetta simplesmente assinou seus contratos de trabalho e passou a pagar seus salários. A empresa usada por ele para contratar e para pagar os assessores de imprensa do PT chama-se Lanza. No meio jornalístico brasiliense, ela já ganhou o apelido de “Laranza”.
Em 2002, Marcos Valério pagou um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha presidencial de Lula. Agora, em 2010, Luiz Lanzetta paga um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha de Dilma Rousseff. De lá para cá, tudo melhorou. O tesoureiro do PT, em 2002, era Delúbio Soares. O tesoureiro do PT, em 2010, é o homem da Bancoop. Ufa.
Luiz Lanzetta tem um jornalzinho e um site na internet: brasiliaconfidencial.inf.br. Nas páginas do site, o nome de seu autor é mantido em segredo. A rigor, o site inteiro é mantido em segredo, considerando que praticamente ninguém o conhece. Mas seus artigos costumam ser reproduzidos por blogueiros pagos pelo lulismo. Uma de suas manchetes: “Pesquisa aponta disparada de Dilma”. Outra manchete: “Tropa tucana agride professores”. Outra manchete: “Serra comanda baixaria na internet”.
A campanha de Dilma Rousseff está ruindo. Fernando Pimentel, seu coordenador, é conhecido por suas patetices. Quando era terrorista, ele tentou sequestrar um diplomata americano cinco vezes, e fracassou em todas elas. Mesmo baleado pelas costas, o diplomata americano conseguiu fugir. Na sede da campanha, dois assessores de imprensa pagos por Luiz Lanzetta já pegaram dengue: Helena Chagas e Giles Azevedo. No Rio de Janeiro, um apaniguado da Petrobras, Wagner Tiso, tentou organizar um encontro de artistas com Dilma Rousseff. Só compareceram oito deles, e o de maior prestígio era o cartunista Aroeira.
Lula, alarmado com o desempenho de sua candidata, ordenou que Dilma Rousseff tomasse umas aulas para aprender a falar em público. Sua professora, Olga Curado, treinou também Roger Abdelmassih, aquele médico acusado de ter estuprado dezenas de pacientes. Quem contratou a professora de Dilma Rousseff foi Luiz Lanzetta. Quem pagou a conta foi o homem da Bancoop.
O PT contratou Luiz Lanzetta para comandar a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff. Isso mesmo: Luiz Lanzetta. Ninguém sabe quem ele é. Ninguém sabe por que ele foi contratado. Está na hora de tentar saber.
Luiz Lanzetta comanda a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff, mas nenhum dos assessores de imprensa de Dilma Rousseff é comandado por Luiz Lanzetta. De fato, ele só contratou quem o PT mandou contratar. De Helena Chagas, apadrinhada por Franklin Martins, a Oswaldo Buarim, que pertence à quota da própria Dilma Rousseff. Luiz Lanzetta simplesmente assinou seus contratos de trabalho e passou a pagar seus salários. A empresa usada por ele para contratar e para pagar os assessores de imprensa do PT chama-se Lanza. No meio jornalístico brasiliense, ela já ganhou o apelido de “Laranza”.
Em 2002, Marcos Valério pagou um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha presidencial de Lula. Agora, em 2010, Luiz Lanzetta paga um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha de Dilma Rousseff. De lá para cá, tudo melhorou. O tesoureiro do PT, em 2002, era Delúbio Soares. O tesoureiro do PT, em 2010, é o homem da Bancoop. Ufa.
Luiz Lanzetta tem um jornalzinho e um site na internet: brasiliaconfidencial.inf.br. Nas páginas do site, o nome de seu autor é mantido em segredo. A rigor, o site inteiro é mantido em segredo, considerando que praticamente ninguém o conhece. Mas seus artigos costumam ser reproduzidos por blogueiros pagos pelo lulismo. Uma de suas manchetes: “Pesquisa aponta disparada de Dilma”. Outra manchete: “Tropa tucana agride professores”. Outra manchete: “Serra comanda baixaria na internet”.
A campanha de Dilma Rousseff está ruindo. Fernando Pimentel, seu coordenador, é conhecido por suas patetices. Quando era terrorista, ele tentou sequestrar um diplomata americano cinco vezes, e fracassou em todas elas. Mesmo baleado pelas costas, o diplomata americano conseguiu fugir. Na sede da campanha, dois assessores de imprensa pagos por Luiz Lanzetta já pegaram dengue: Helena Chagas e Giles Azevedo. No Rio de Janeiro, um apaniguado da Petrobras, Wagner Tiso, tentou organizar um encontro de artistas com Dilma Rousseff. Só compareceram oito deles, e o de maior prestígio era o cartunista Aroeira.
Lula, alarmado com o desempenho de sua candidata, ordenou que Dilma Rousseff tomasse umas aulas para aprender a falar em público. Sua professora, Olga Curado, treinou também Roger Abdelmassih, aquele médico acusado de ter estuprado dezenas de pacientes. Quem contratou a professora de Dilma Rousseff foi Luiz Lanzetta. Quem pagou a conta foi o homem da Bancoop.
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