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18 outubro 2010

Manifesto da Igreja Católica_CNBB

APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS
Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,
- considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto,
- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher,
- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,
- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto,
- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,
- considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,
- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto - problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,
- considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,
- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,
- considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,
RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.
Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil” (http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf), elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.
COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1 DA CNBB

Borat Rousseff_Por Diogo Mainardi (Veja)

Se Borat tem o potássio, Dilma Rousseff tem o pré-sal. Um é igual ao outro. Da mesma maneira que Dilma Rousseff louva nossas reservas de petróleo do pré-sal, Borat louva as reservas de potássio de seu país. Para estimular o sentimento nacionalista do eleitorado, Dilma Rousseff pode até tentar adaptar o hino de Borat:
O Brasil é um país glorioso!
É o exportador número um do pré-sal.
O resto da América do Sul tem um pré-sal inferior
O pai de Dilma Rousseff nasceu em Gabrovo, na Bulgária. O vilarejo romeno de Glod está localizado ali perto. Foi em Glod que Sacha Baron Cohen filmou Borat. Se o pai de Dilma Rousseff tivesse permanecido na Bulgária, a atual candidata a presidente do Brasil, com um tantinho de sorte, poderia ter sido uma das protagonistas do filme, exatamente como Spiridom Ciorebea.
Spiridom Ciorebea é um dos moradores de Glod. Sacha Baron Cohen escalou-o para o papel de Livamuka Sakonov, o aborteiro do vilarejo de Borat. Spiridom Ciorebea acabou processando os autores do filme. Assim como Dilma Rousseff, ele recusou-se a aceitar que o caracterizassem como um fautor do aborto. Assim como Dilma Rousseff, ele foi desmentido publicamente e perdeu o processo.
Borat é sempre acompanhado por Azamat Bagatov, seu produtor, que foi treinado no Ministério da Propaganda soviético. Dilma Rousseff é sempre acompanhada por José Eduardo Dutra, presidente do PT. Recentemente, José Eduardo Dutra disse que o debate sobre o aborto pertence à Idade Média. O que pertence à modernidade, para o PT, é a Casa Civil de Erenice Guerra e de seu filho Israel.
Israel? Borat, em sua viagem aos Estados Unidos, tenta comprar uma pistola para se proteger dos judeus. Impossibilitado de comprar uma pistola, resolve comprar um urso. O urso de Dilma Rousseff é Mahmoud Ahmadinejad, o ditador iraniano que prometeu resolver o problema dos judeus, riscando Israel do mapa.
Na hierarquia de Borat, Deus ocupa o primeiro lugar. Depois: o homem, o cavalo, o cachorro, a mulher, o rato e o inseto. Na hierarquia de Dilma Rousseff, Deus era um retardatário, mas durante a campanha eleitoral Ele foi empurrado rapidamente para a frente, ultrapassando até mesmo o inseto e o rato.

17 outubro 2010

Banco alemão acusa Dilma

Na Folha Online. Volto em seguida:
O banco KfW, controlado pelo governo alemão, entrou com ação contra a CGTEE (companhia de geração térmica de energia do governo federal) na qual afirma que o diretor da Eletrobras Valter Cardeal teria conhecimento de uma fraude milionária envolvendo a construção de usinas de biomassa no Sul. As informações foram divulgadas pela revista “Época” deste final de semana.
A CGTEE é uma subsidiária da Eletrobras, estatal na qual Cardeal é diretor de Engenharia e foi presidente. Segundo a revista, na ação judicial, o banco diz que “até mesmo alguns políticos conheciam os fatos, como a então ministra, Dilma Rousseff”. A fraude na CGTEE foi revelada pela Operação Curto-Circuito da Polícia Federal em 2007. A PF constatou que parte do dinheiro desapareceu.
Conforme a investigação, o grupo que comandava a estatal forjou um aval em nome da CGTEE para ajudar uma empresa privada - a Winimport - a obter empréstimo de 157 milhões de euros para erguer sete usinas de biomassa. Das sete, cinco não saíram do papel.
Ou seja, a CGTEE foi usada como fiadora do negócio. Empresas públicas são proibidas de dar garantias internacionais a empresas privadas. Segundo a revista, executivos da empresa alemã teriam afirmado em depoimentos à Justiça Federal gaúcha que Cardeal visitou a sede da empresa em 2005 e “estava ciente das garantias”. A Justiça Federal gaúcha abriu processo por acusação de formação de quadrilha, estelionato, corrupção passiva e ativa. Cardeal não foi incluído no processo e nega envolvimento no esquema.
Veja o que Diogo Mainardi publicou sobre a trama em março de 2009:
A CPI dos Grampos recebeu outro documento do computador de Protógenes Queiroz [delegado da Operação Satiagraha]. É aquele que escarafuncha a intimidade de Dilma Rousseff. Está armazenado na pasta “Zeca Diabo”, o nome dado por ele a José Dirceu. Trata-se de um relatório clandestino, que parece reproduzir um diálogo entre um informante do delegado e alguém com acesso ao ambiente da ministra. Dilma Rousseff é associada a dois nomes. O primeiro nunca dependeu dela para fazer carreira, por isso tenho de calar o bico. O segundo - Valter Cardeal - é mais constrangedor. Em 2003, ele foi nomeado por Dilma Rousseff para a diretoria da Eletrobrás. No mesmo período, tornou-se presidente do conselho da CGTEE e da Eletronorte. Em 2006, ganhou o cargo de presidente da Eletrobrás. Sempre na esteira de Dilma Rousseff. No ano seguinte, foi acusado de envolvimento com o esquema de propinas da Gautama, depois de ser grampeado pela PF. Sim: ele foi grampeado. Sim: pela PF.
A seguir, trecho de um podcast de Diogo, da semana seguinte:
Na última semana, analisei trechos do material encontrado no computador de Protógenes Queiroz e encaminhado à CPI dos Grampos. Um documento, em particular, tem de ser mais debatido: o relatório no qual os agentes engajados pela PF comentam, com linguagem rasteira, os boatos sobre os relacionamentos amorosos de Dilma Rousseff. Numa homenagem a Protógenes Queiroz, que sempre manifestou um interesse especial pela cultura indiana, chamei esse relatório de Kama Sutra da Satiagraha.
O Kama Sutra da Satiagraha tem como protagonistas Dilma Rousseff e outros dois nomes: o primeiro, como mencionei em minha coluna, é Valter Cardeal, diretor da Eletrobras. Em 2007, depois de ter sido nomeado presidente da empresa, ele foi grampeado pela PF e denunciado por envolvimento com o esquema de propinas da empreiteira Gautama. O segundo nome eu prefiro manter em respeitoso sigilo porque ele, Silas Rondeau - Epa! -, nunca precisou da ministra para fazer carreira, já que é visceralmente ligado ao grupo de José Sarney. O que importa, em seu caso, é o seguinte: na Operação Navalha, ele também foi acusado pela PF de envolvimento com o esquema de propinas da Gautama.
Xiii! A 'casa' caiu!

Casa Cilvil não para de 'produzir' corrupção

Por Silvio Navarro e Fernanda Odilla, na Folha:
O irmão do diretor de Engenharia e Planejamento da Eletrobras, Valter Cardeal -homem forte de Dilma Rousseff (PT) no setor elétrico -, atua como consultor de empresas interessadas em investir em energia eólica, área que terá R$ 9,7 bilhões em investimentos do PAC 2. Edgar Luiz Cardeal é dono da DGE Desenvolvimento e Gestão de Empreendimentos, criada em 2007 para elaborar projetos no setor.
O responsável pela gestão do Proinfa, programa de incentivo ao uso de energias alternativas -como a eólica- é o irmão do empresário. Valter Cardeal é braço-direito de Dilma no setor elétrico há 20 anos. Quando a presidenciável do PT foi secretária de Minas e Energia do RS, ele era diretor da CEEE, empresa estadual de energia. Ele também preside o Conselho de Administração da Eletrosul, que gerencia a política energética no Sul -onde atua a empresa do irmão. Edgar oferece a empresas projetos para erguer torres de energia eólica em fazendas cuja locação ele negocia.
Sócio de duas empresas do ramo, Ricardo Pigatto relatou à Folha ter contratado Edgar para investir em três parques eólicos no RS. “Estabelecemos um valor fixo com pagamentos mensais e, depois, uma taxa de sucesso se o negócio der certo.” Pigatto disse que firmou três contratos com Edgar, e que os pagamentos mensais eram para custear estudos que viabilizariam o projeto. Pelo contrato, a taxa de sucesso sobre o projeto varia de 0,2% a 10% se o governo comprar a energia ou se o negócio for vendido a terceiros.

Mais um caso de estorsão na Casa Civil de Dilma

Na VEJA desta semana, o repórter Diego Escotesguy narra mais um episódio assombroso da Casa dos Horrores em que se transformou a Casa Civil na gestão Dilma-Erenice Guerra. Um deputado, sócio de uma emissora de televisão no Maranhão, foi extorquido por um assessor de Erenice — e isso aconteceu… na gestão Dilma! Leiam trecho da reportagem.
*
O advogado Vladimir Muskatirovic, conhecido em Brasília como “Vlad”, ocupa a poderosa chefia de gabinete da Casa Civil da Presidência da República. Assim como a ex-ministra Erenice Guerra fez carreira no governo à sombra da candidata petista Dilma Rousseff, Vlad fez carreira no governo à sombra de Erenice Guerra. Ele era subordinado de Erenice quando esta ocupava a chefia da assessoria jurídica do Ministério de Minas e Energia. Quando Dilma assumiu a Casa Civil e Erenice levou sua turma junto, Vlad foi o primeiro a acompanhá-las. Apesar de a ex-ministra ter sido apeada do Palácio após vir a público a existência de uma central de corrupção na Casa Civil, Vlad permanece no cargo. Não é por acaso. Além da amizade com Erenice, Vlad mantém relações fraternas com o senador Gim Argello, figura secundária dos subterrâneos de Brasília, que, sabe-se lá por qual razão, caiu nas boas graças de Dilma nos últimos anos. Nos ambientes em que o senador Gim brilha, Vlad é uma celebridade. VEJA descobriu um dos casos que fazem a fama do chefe de gabinete.
Em 2007, Vlad, já como assessor de Dilma, na Casa Civil, cobrou 100.000 reais de propina - e recebeu parte do dinheiro - para resolver uma pendência de um deputado junto à Presidência da República. O deputado chama-se Roberto Rocha, do PSDB do Maranhão. Ele é sócio da TV Cidade, retransmissora da Record no estado, e de duas rádios. O pedágio foi exigido para que a Casa Civil autorizasse uma mudança societária nessa TV. O que a Casa Civil tem a ver com isso? Tudo.
Leia a íntegra da reportagem na revista.

Aécio Neves se empenha por Serra no segundo turno

Por Malu Delgado, no Estadão:
Estrategista político central da campanha do segundo turno de José Serra (PSDB) à Presidência, o senador Aécio Neves afirma que subestimam a inteligência tucana aqueles que acham que por trás de seu real empenho na causa está o compromisso de que os
paulistas não serão novamente obstáculo para as pretensões mineiras em 2014.
Para o ex-governador mineiro, Serra tem possibilidade real de vencer, sobretudo porque, no segundo turno, incorporou a tese de que representa um projeto político coletivo. Aécio começa inclusive a traçar uma missão para o Senado caso Serra vença: ajudá-lo a formar uma maioria no Congresso. “É importante o Serra agora mostrar ao Brasil que ele é um time político”, disse Aécio ao Estado numa conversa telefônica, após ter organizado, na capital mineira, um ato de adesão de aproximadamente 400 prefeitos à candidatura de Serra. Em sua visão, essa é a aposta feita pelas principais lideranças do PSDB que saíram vitoriosas nas urnas no primeiro turno e agora estão engajadas na campanha de Serra. “Vamos mostrar que ele não vai governar sozinho.”
A pedido do próprio Serra, Aécio vai viajar pelo País. Já tem viagens escaladas para pelo menos sete Estados. Além disso, gravou na sexta-feira novas participações para os programas eleitorais gratuitos.
A vitória de Antonio Anastasia em Minas Gerais, afirma, é outro fator que explica a mudança de ares e o engajamento de prefeitos e lideranças locais na campanha de Serra. “A partir do momento em que o nosso grupo político ganha, há uma tendência natural de engajamento maior dos que já estavam do nosso lado e de uma busca de aproximação de alguns que tinham de colocar um pé em cada canoa.” O otimismo, porém, não desobriga o experiente político de uma avaliação realista: “Ninguém também pode achar que virou a eleição. Não. Vai ser uma eleição dura até o final. Mas o momento é positivo para nós.”
O clima da campanha em Minas para José Serra está diferente do que era no primeiro turno. O que explica essa mudança?
Acho que são duas coisas distintas. Primeiro, existe uma movimentação silenciosa, que independe de lideranças e dos partidos. Acho que há uma certa desilusão e um desencanto com o PT, com a Dilma. Foram esses votos que migraram para a Marina, não migraram diretamente para o Serra. Podem, agora, de forma majoritária, ir para ele. É um movimento que eu não sei quantificar, mas que existe. (…) A partir do momento em que o nosso grupo ganha, da forma que ganhou, há uma tendência de engajamento maior dos que já estavam do nosso lado e de uma busca de aproximação de alguns que estavam mais distantes, e que tinham de colocar um pé em cada canoa. Essas duas coisas se complementam: um sentimento geral e difuso na sociedade, que passa por valores, e uma aproximação com o governo eleito. Isso serve para Minas e pode servir para São Paulo, Paraná. E agora é uma eleição sem a poluição de seis, sete eleições. É só Serra.
O sr. terá uma missão extra-Minas neste segundo turno. Sua atuação não ficará restrita ao Estado, é maior que isso.
Tive, na quinta-feira, uma longa conversa com o Serra. Acertamos alguns eventos. Terei uma agenda com ele. Vou a outros lugares a pedido dele. Estou indo para Goiás e Pará na quinta que vem, e na sexta ao Piauí e Alagoas. Ainda devo ir à Bahia. E vou a alguns eventos que o Serra achar importante, com ele. É importante o Serra, agora, mostrar ao Brasil que ele é um time político, que representa um grupo que tem credibilidade nos Estados, que tem trabalhos desenvolvidos e aprovados. É importante para os indecisos que ainda existem, e os que votaram em Marina, que percebam que votar no Serra é mais do que votar no Serra - é votar em um projeto que é o do Beto (Richa, eleito governador do Paraná), do Geraldo (Alckmin, eleito governador de São Paulo), do nosso em Minas, do Marconi (Perillo, que disputa o segundo turno em Goiás). Vamos mostrar que o Serra não vai governar sozinho. É um esforço que vamos ter daqui por diante, até o final da campanha. Essa exposição de falar em nome dele e mostrar que vai ser um governo solidário e de muitas cabeças.

Governo da Dilma/PT tem convênio para despenalizar aborto

Por Leandro Colon, no Estadão:
A postura da candidata Dilma Rousseff (PT) em prometer aos eleitores não mudar a lei do aborto contradiz a atuação do próprio governo que representa. O Ministério da Saúde publicou, em 4 de outubro, um dia depois do primeiro turno, a prorrogação de um convênio que estuda mudanças na sua legislação. O projeto, segundo o contrato publicado no Diário Oficial da União, chama-se “Estudo e Pesquisa - Despenalizar o Aborto no Brasil”.
Dilma divulgou ontem uma carta em que diz ser contra o aborto e promete não tomar “iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação” sobre o assunto. O objetivo dela é diminuir a resistência de grupos religiosos que pregam voto contra a petista, por ter defendido no passado a descriminalização do aborto.
Só que a promessa vai na contramão da atuação do Ministério da Saúde nos últimos anos e tem incomodado entidades que atuam em parceria com o governo. Esse recente convênio, prorrogado até fevereiro de 2011, foi fechado no ano passado com a Fundação Oswaldo Cruz, do Rio, e faz parte do Grupo de Estudo sobre o Aborto, que reúne desde 2007 entidades civis dispostas a debater o assunto com o Executivo, o Judiciário e o Legislativo. O governo desembolsou, só para a Fiocruz, R$ 121 mil para incentivar a discussão.
Coordenador desse grupo de estudos em todo o País, o médico Thomaz Gollop lamenta a carta de Dilma e o rumo da discussão sobre o tema no segundo turno. “O enfoque está errado, inadequado, seja para qual for o candidato. O Brasil precisa se informar. Nas alturas dos acontecimentos, isso virou uma discussão de posicionamento radical”, diz. “Acho muito ruim que esse tema seja motivo de barganha. É completamente inadequado que o candidato diga o que vai ser feito.”
O projeto apoiado pelo governo trata, segundo extrato do Diário Oficial, de estudo para “despenalizar” o aborto, ou seja, não aplicar penas às mulheres que adotam essa prática, condenada por lei. Mas, segudo o coordenador, a idéia é ir mais longe e não fazer mais do aborto um crime.
(…)

14 outubro 2010

Dilma teve somente 35% dos eleitores votando nela_Por Reinaldo Azevedo

Ó, eu sou aquele que continua a não saber quem vai vencer a eleição presidencial de 2010. “Eles”, vocês estão cientes, sabem e estão tão certos disso como os crentes num “budismo qualquer”, diria o poeta. O que me cabe é desfazer contas fantasiosas com que o petismo tenta enganar a opinião pública, sempre com o auxílio luxuoso da calculadora torturada dos “especialistas em pesquisa”, que confessam tudo aquilo que desejam seus manipuladores. E o maior dos engodos é a fabulosa capacidade de Lula de transferir votos, que é bem menor do que parece. Já chego lá. Antes, algumas considerações.
Uma das besteiras espantosas, que virou propaganda do PT na TV, diz que o Brasil quer eleger uma mulher. Qual é a conta? Somando-se os percentuais de votos de Marina Silva, do PV (19,33%), aos de Dilma Rousseff, do PT (46,91%), chega-se a 66,24%, contra, então, 33,67% dados aos homens, dos quais 32,61% são do tucano José Serra. Nesse caso, o sexo vira uma categoria política, e a eleição seria decidida numa clivagem de gênero. Ouso divergir da malandragem. Lembro que outras associações são possíveis.  E é ao fazer a conta que descobrimos que não será tão fácil marcar com uma plaquinha, a exemplo do que pretende aquele blogueiro pançudo do PT, as pessoas que reagem às ordens de Luiz Inácio Lula da Silva.
Maioria de oposição
Comecemos pela conta mais simples de todas: Dilma só não obteve os 50% mais um dos votos válidos porque os que se opuseram à sua candidatura — e, portanto, às ordens do Babalorixá de Banânia — formaram a maioria dos eleitores: 53,09%. É claro que são pessoas e partidos bastante diferentes entre si. Mas serão Dilma e Marina menos desiguais só porque mulheres? Ora, essa conta que leva a um confronto de gêneros é um truque ridículo, uma bobagem. Revela também preconceito. Até parece que mulheres estão condenadas a deixar suas divergências de lado — estas se tornariam um privilégio dos machos — para se unir em torno da, sei lá eu,  “condição feminina”.
Antes que avance, uma lembrança. Lula, que tem licença para dizer todas as bobagens que lhe pintam na cachola, afirmou anteontem num comício em Ceilândia, no Distrito Federal, o que segue:
“Uma pergunta que vocês precisam fazer a vocês mesmos: que diabo esse Lula, com tanto macho perto dele, macho que cerca ele a vida inteira, foi escolher uma mulher para ser presidente da República? Eu poderia ter escolhido um deputado, um senador, um governador, não poderia? Por que fui escolher a Dilma? Hoje estou convencido que a minha decisão foi certa.”
Muita gente não atentou para o caráter obviamente preconceituoso da expressão, embora a intenção, certamente, tenha sido outra. Lula, no fim das contas, está pedindo que o eleitor deixe de lado uma fragilidade de Dilma: a sua inexperiência. E põe em pé de igualdade com essa vulnerabilidade o fato de a candidata não ser um dos “machos” que o cercam. O presidente está afirmando que a escolha natural seria, então, um “macho experiente”. Ele é que decidiu inovar — afinal, é um representante daquela espécie… Se a imprensa, com as exceções de praxe, não fosse tão condescendente com as bobagens que Lula diz, ele até poderia ser um governante popular, mas certamente não seria um mito, o que sempre é nefasto na vida pública. Vamos seguir.
Se é possível afirmar que as mulheres obtiveram mais votos, também é possível afirmar que as oposições venceram o governo. Ou não? “Ah, mas os oposicionistas não vão se unir, e o eleitorado de Serra e Marina são muito diferentes entre si: 1) essa diferença pode ser menor do que parece; 2) Marina e Dilma, tudo indica, também não marcharão unidas. Na política, e mais fácil a convergência de eleitorados de oposição do que a convergência de eleitorados de gênero.
A popularidade e a mistificação
A dita popularidade de Lula quase mata a política no Brasil e funda o moto-contínuo eleitoral, a saber: governo aprovado pela população torna a eleição um mero ritual de homologação; fará sempre o seu sucessor. Reitero: não sei quem vai vencer a disputa, mas sei que a transferência de votos de Lula para Dilma é muito, mas muito!, menor do que parece. E o é de vários modos.
As pesquisas de avaliação do governo e do presidente quando casadas com as pesquisas eleitorais refletem, na verdade, a opinião do eleitorado, não exatamente dos brasileiros. E é num eleitorado de 135.804.433 de pessoas que Lula atinge a marca de 77% de bom e ótimo. “Se é assim, dizem muitos, então ele já elegeu seu sucessor” — no caso, sucessora. Huuummm… Dilma obteve, nesse universo, 47.651.434 de votos,  ou 35,08% dos votos. Sabem o que isso significa? 64,92% dos eleitores não votaram na candidata indicada pelo presidente aprovado por 77%!
Não, não me tomem os petralhas por bobinho. Não estou dizendo que essa maioria que não votou em Dilma rejeita ou esnoba Lula; nada disso. Estou afirmando apenas que são pessoas que resistiram a seu comando; que a esmagadora “aprovação” não significa necessariamente voto. E por que o percentual final da petista foi de 46,91%? Porque os votos válidos somaram 101.590.153 pessoas. Deixaram de votar 24.610.296; outras 6.124.254 anularam, e 3.479.340 preferiram o branco.
Abstenção e votos brancos e nulos existem em todas as democracias do mundo. No país do presidente mais popular da Terra, como se diz por ai, esses votos ganham sabor especial  porque não há como essa gente não estar contemplada naqueles 77% que supostamente acham o governo ótimo ou bom. Acham, mas não votam? Acham, mas anulam? Acham, mas votam em branco?
Sigamos mais um pouco. Vamos pensar, então, na porcentagem de Dilma entre os votos válidos: 46,91%, a menos de quatro pontos da metade mais um. O PT tem um terço do eleitorado — vá lá, do “eleitorado válido” —, seja Dilma a candidata ou um poste. No primeiro turno da eleição, o presidente mais popular do Sistema Solar transferiu à sua candidata, no máximo, 14 pontos dos votos válidos (isso na suposição de que ela não tenha conseguido nada por seus próprios méritos). É voto pra chuchu? Ô se é! Não para Lula! Eu esperava mais do maior presidente do mundo mundial…
Não estou subestimando a dianteira de Dilma. Tampouco estou afirmando que ela vai perder — eu nunca digo coisas assim; as pitonisas de aluguel é que asseguravam a derrota de Serra. Estou deixando claro que Lula não tem o controle da massa como asseveram alguns mistificadores — o que não significa que ele não queira ter. De todo modo, não é preciso contar com o concurso dos ausentes e dos que invalidaram seu voto para concluir uma coisa inequívoca: a maioria das pessoas que votaram no primeiro turno preferiu a crítica ao auto-elogio desmedido.
Lula ainda não é “a opinião pública”. Entre as pessoas aptas a votar, só 35% escolheram a sua candidata; no grupo, certamente estão os eleitores que o fariam com ou sem a orientação do presidente - logo, a sua influência direta é ainda menor.
“Ah, então Dilma vai perder, Reinaldo?” Eu não sei. No momento ao menos, a coisa pode não andar muito bem no arraial petista. Ou eles não estariam tão furiosos.

'Intelequitais' do PT fazem também um 'manifesto'_Por Reinaldo Azevedo

Um bando de petistas disfarçados de intelectuais e artistas — é a fantasia predileta dos obscurantistas — decidiu assinar um “manifesto” em defesa da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Até aí, nada de estranho. Eles adoram essas coisas. A rigor, desde que a democracia e a liberdade de imprensa estejam “do lado de lá”, eles assinam manifesto em favor de qualquer coisa: dengue, catapora, paralisia infantil…
O texto é uma tentativa de resposta ao Manifesto em Defesa da Democracia, que já atingiu a marca de 83.950 signatários, caminhando célere para as 100 mil assinaturas — em breve, poderá ser conhecido como o “Manifesto dos 100 Mil”, uma das maiores mobilizações da sociedade civil de que se tem notícia na história recente do país. E SEM O APOIO DA IMPRENSA, É BOM DEIXAR CLARO!
Os brucutus não disfarçam a intenção. A primeira frase do manifesto do bem, O DOS 100 MIL, é esta: “Numa democracia, nenhum dos Poderes é soberano. Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.” Os supostos “intelectuais e artistas” decidiram emular e escreveram: “Em uma democracia nenhum poder é soberano. Soberano é o povo.” A diferença parece pequena, mas é gigantesca. A primeira formulação exclui a tirania dita popular; a segunda só se realiza com ela, entenderam? “Soberano”, à moda dessa gente, era o “povo” na Alemanha hitleriana, na URSS stalinista ou na Cuba castrista.
Para não variar, um dos “inimigos” dos auto-intitulados “intelectuais & artistas” é a imprensa. Lê-se lá:
“É profundamente anti-democrático - totalitário mesmo - caracterizar qualquer crítica à imprensa como uma ameaça à liberdade de imprensa. Os meios de comunicação exerceram, nestes últimos oito anos, sua atividade sem nenhuma restrição por parte do Governo. Mesmo quando acusaram sem provas. Ou quando enxovalharam homens e mulheres sem oferecer-lhes direito de resposta. Ou, ainda, quando invadiram a privacidade e a família do próprio Presidente da República.”
Em primeiro lugar, o assédio à liberdade de imprensa foi uma constante no governo Lula; não terem conseguido intento não quer dizer que não tenham tentando. Em segundo lugar, a liberdade, que resiste, não é uma dádiva, mas uma garantia constitucional. Em terceiro, as “acusações” sem provas, de que reclamam, certamente se referem a “invenções” como mensalão e caso Erenice Guerra; em quarto, ninguém violou a intimidade da família do presidente: a referência remete à empresa de Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, ex-monitor de jardim zoológico, convertido em empresário de sucesso com a ajuda da então Telemar, hoje Oi, empresa que é concessionária de serviço público e da qual o BNDES, um banco público, é, na prática, sócio. Não se trata de intimidade familiar, mas de escândalo público.
Os “intelectuais & artistas” acreditam que essas são evidências das falhas da imprensa, que, então, lastimam. Eu, se fosse a imprensa, far-lhes-ia a todos a vontade: que os signatários desse documento, que vêem uma imprensa tão abominável, deixem de freqüentar… a imprensa. Pronto! Jornais, revistas, rádios e páginas eletrônicas do que chamam “mídia” não são mesmo dignos de abrigar a notável contribuição desses gênios. Tenham paciência!
Alguns dos signatários, como diria certa personagem do filme Casablanca, são os “suspeitos de sempre”, famosos por freqüentar “manifestos”; outros são ainda meros candidatos a celebridades no mundo do protesto. Ente os primeiros da lista, temos:
- Leonardo Boff - é famoso por ter escrito um livro em parceria com Frei Betto em que funde teologia e zoologia. Alguém dirá: “São Francisco também fez isso”. Não exatamente. No livro desses dois gigantes, os filósofos são os animais…
- Maria da Conceição Tavares - famosa por ter emprestado a Aloizio Mercadante os prolegômenos que o levaram a convencer o PT de que o Plano Real daria com os burros n’água. No Plano Cruzado, que ela ajudou a formular e que naufragou, esta senhora urrava e chorava de felicidade. No Real, que salvou o Brasil, ela urrava e chorava de raiva. Uma amiga do povo, enfim…
- Oscar Niemeyer - Nada a dizer. Proponho que Niemeyer crie um monumento em homenagem a… Niemeyer e ao “comunismo de resultados”.
- Marilena Chaui - Pfuiii… Esta que Bruno Tolentino chamava “Marxilena” e a quem dedicou um soneto fescenino é famosa por pelo menos dois livros: “O que é ideologia”, escrito em parceria com Karl Marx, e “Cultura e Democracia”, escrito em parceria com Claude Lefort. O problema é que os co-autores não tiveram seus nomes devidamente creditados, se é que me entendem…
- José Luis Fiori - é outro que se tornou notável por antever um grande desastre no Brasil por causa do Plano Real, cujos autores ele classificava, apropriando-se indevidamente de um texto literário, de “moedeiros falsos”. Passou os oito anos do governo FHC fazendo previsões catastrofistas, que não se confirmaram. O manifesto que assina agora exalta as virtudes da economia, decorrentes do Plano Real, cujo desastre ele anteviu… Em comum com os outros, tem o grande talento de não ficar vermelho… por fora.
Emir Sader - bem, é o lado mais circense do manifesto. É aquele rapaz que não sabe a diferença entre os verbos “posar” e “pousar”. É uma bobagenzinha, claro! O problema é que essa é só uma das coisas que ele não sabe. Sader é tão criativo que costuma se expressar numa língua que ele inventou, inspirada no português.
Não vou me estender na lista. Noventa por cento dos signatários são conhecidos apenas pelo Google ou pela lista dos beneficiários de prebendas e mamatas oficiais.
Eles querem é ditadura!

11 outubro 2010

Lula perdeu mais duas: o Nobel da Paz e o IgNobel da Dilma...

Por Augusto Nunes:
Celso Amorim está foragido, Marco Aurélio Garcia segue trancado no gabinete, Dilma Rousseff faz cara de paisagem, Gilberto Carvalho esconde os jornais, Marisa Letícia prefere tratar de coisas da família e Lula finge que jamais pensou no caso.
Todos fazem de conta que o campeão mundial de popularidade em pesquisa nunca sonhou com o prêmio Nobel da Paz. Que não foi pensando nisso que dedilhou a lira do delírio no Oriente Médio e no Irã. Estimulado pelos áulicos, o presunçoso incontrolável acreditou que se tornara a versão brasileira de Nelson Mandela. Pela segunda vez em uma semana, colidiu com a realidade.
Perdeu para o chinês Liu Xiaobo, preso por defender os direitos humanos. O cruzamento da soberba com a ignorância nunca ouviu falar no premiado, e renunciou faz muito tempo à luta que mantém Liu Xiaobo na cadeia. Hoje só combate em palanques, para continuar no Planalto com o nome de Dilma Rousseff. Vai perder mais uma.

Institutos de pesquisa ou 'lojas' de 'porcentagens'? _ Por Augusto Nunes (Veja)

Um dia antes da eleição, a última pesquisa do Vox Populi liquidou a fatura em favor de Dilma Rousseff: com 57% das intenções de voto, a candidata de Lula e do instituto foi dispensada da disputa do segundo turno —por uma diferença de muitos milhões de cabeças. “Fomos os primeiros a identificar o crescimento de Dilma”, gabou-se Marcos Coimbra, presidente da loja de porcentagens. Esqueceu-se de combinar com as urnas: terminada a contagem dos votos, os 57% foram reduzidos a 46%.
Entre a profecia de Coimbra e o encerramento da apuração, quase 14 milhões de brasileiros sumiram misteriosamente no buraco negro escavado por 11 pontos percentuais. É uma demasia de gente, mas comerciantes de índices não se abalam por tão pouco. Já na terça-feira, lá estava Coimbra no Correio Braziliense. Nem se deu ao trabalho de explicar o desaparecimento da imensidão de eleitores. Preferiu ensinar que até um caso de polícia tem seu lado positivo.
“O bom é que tudo isso mostra que o efeito da divulgação de pesquisas na opinião pública é muito menor do que temem alguns”, recitou. “Se dependesse delas, Marina teria tido metade da votação que obteve”. Quer dizer: o Voz Populi imaginava que a manipulação dos números elegeria a candidata do instituto já no dia 3. Infelizmente, a influência dos truques e acrobacias não abreviou a canseira.
Em paragens civilizadas, os coimbras da vida passariam a semana sentados no meio fio, chorando lágrimas de esguicho e examinando as opções possíveis: sair em desabalada carreira ou apresentar-se à delegacia mais próxima, escoltado por um advogado que cobra por minuto. Mas o País do Carnaval ainda não aprendeu a tratar como criminosos os especialistas em estelionato estatístico. Sem medo de cadeia, os ilusionistas preparam outro lote de pesquisas forjadas para que se dissemine a certeza da vitória governista.
Sem terem sequer balbuciado desculpas pelo fiasco no primeiro turno, estão prontos para o segundo ato da farsa. Tomara que os pesquisadores de araque reprisem a fraude. Depois de surpreendidos pela gargalhada coletiva dos brasileiros decentes, serão desmoralizados de vez pelas urnas.

Dilma/PT utilizam a mentira como método_Por Augusto Nunes (Veja)

Dilma Rousseff repete com orgulho que se negou a dizer verdades perigosas mesmo sob tortura, lembrou um texto aqui publicado em agosto de 2009. Ela tinha pouco mais de 20 anos, mas sabia muito, quando foi presa pela polícia da ditadura. Mesmo confrontada pelos inquisidores com copiosas evidências e provas materiais, mesmo submetida a torturas, garantiu que não havia participado de assaltos a banco e outras ações armadas, desmentiu o envolvimento com grupos de extrema-esquerda, escondeu os nomes dos parceiros de vida clandestina, não admitiu sequer que era quem era.
A candidata que Lula inventou gosta de contar que, apesar da sensação de desamparo e insegurança, não deixou escapar qualquer informação que a prejudicasse, ou colocasse em risco os companheiros que lutavam para substituir a ditadura militar pela ditadura do proletariado. Em três anos de cadeia, descobriu que a mentira pode garantir a sobrevivência física. No coração do poder há oito anos, descobriu que a mentira pode ser o preço da sobrevivência política.
A soma das duas descobertas explica por que Dilma Rousseff mente com a naturalidade de quem está ditando uma receita de bolo: ela acha que negar a verdade é o preço que se paga para continuar vivo. Ela não enxerga diferenças entre um palanque e um pau-de-arara, uma entrevista coletiva ou um interrogatório policial. Não vê motivos para remorsos ou constrangimentos. Nunca é visitada por qualquer espécie de conflito íntimo que possa tornar terríveis os 10 minutos que precedem o sono..
Foi assim em 2008, quando alquimistas da Casa Civil, incumbidos de desviar os holofotes que iluminavam a farra dos cartões corporativos no Planalto, produziram um dossiê que transformava o ex-presidente Fernando Henrique e Ruth Cardoso no mais perdulário dos casais. Pilhada em flagrante, Dilma rebatizou de “banco de dados” a fábrica de dossiês cafajestes gerenciada por Erenice Guerra. E jurou que não fizera o que fez com a mesma convicção aparente da juventude.
Foi assim quando se descobriu que o currículo era enfeitado por um misterioso doutorado em economia pela Unicamp. A Doutora em Nada garantiu que não sabia de nada, nunca havia lido o que estava no site da Casa Civil e nas introduções de todas as entrevistas concedidas desde 2003. Alegou que algum subordinado fizera aquilo sem consultar a beneficiária da fraude, não identificou o culpado, queixou-se da perseguição da imprensa e pediu ajuda a Lula. O Padroeiro dos Companheiros Delinquentes expediu outro habeas corpus perpétuo e o currículo fraudulento voltou para baixo do tapete.
A coleção de mentiras foi ampliada quando Lina Vieira, demitida da secretaria da Receita Federal por honestidade, contou que fora pressionada no fim de 2009 para “agilizar” a auditoria em curso nas empresas da família Sarney. Como fez de conta que não entendeu a ordem de Dilma para esquecer o caso, Lina perdeu o emprego. Numa entrevista à Folha, informou que foi convocada para o encontro pela onipresente Erenice Guerra, reproduziu o diálogo no gabinete, descreveu a cena do crime, até detalhou as vestes da protetora de Fernando Sarney. “Não fiz esse pedido a ela”, retrucou Dilma. No minuto seguinte, pediu de novo ajuda do Mestre.
Enquanto comparsas cuidavam da queima de arquivos – começando pelas fitas do serviço de segurança que endossavam o que Lina Vieira revelara –, ouviu-se a fala do trono: “Duvido que a Dilma tenha mandado recado ou conversado com alguém a esse respeito. Não faz parte da formação política da Dilma”. Fez, faz e, se o eleitorado permitir, continuará fazendo, comprova a edição de VEJA deste fim de semana, que escancara as dimensões inquietantes do salto no escuro.
Governar é escolher. Dilma escolheu como braço-direito uma Erenice Guerra. Até as maçanetas da Casa Civil sabem que, se reportagens de VEJA não tivessem desbaratado a quadrilha formada por parentes e agregados, a Mãe da Bandalheira seria mantida no cargo e promovida a figura mais poderosa de um governo Dilma Rousseff. Revelado o escândalo, a mulher que não sabe escolher sequer a melhor amiga finge que mal conhece Erenice. Mentiu para sobreviver politicamente.
É o que tem feito para safar-se da enrascada em que se meteu com a exibição de vídeos que a mostram defendendo a descriminalização do aborto. Poderia ter mantido o que disse ou informado que mudara de ideia. Em vez disso, preferiu violentar a verdade e atribuir o que comprovadamente afirmou a uma “campanha caluniosa”. As duas opções anteriores teriam provocado estragos bem menores que a reafirmação de que o Brasil pode ser presidido por uma mulher que mente compulsivamente.
“Quando não se sabe o que fazer, melhor não fazer nada”, aconselhava Dom João VI. Nocauteados pela frustração do primeiro turno, os comandantes da campanha governista resolveram voltar à ação ainda grogues. E mobilizaram uma brancaleônica brigada de voluntários dispostos a provar que Dilma decorou a Ave Maria aos 3 anos de idade, leu o catecismo aos 4 e aos 5, dispensada da confissão por falta de pecados, começou a comungar. O inevitável Frei Betto não poderia ficar fora dessa.
Na Folha deste domingo, depois de contar que conheceu a candidata na cadeia, Frei Betto jura que “ex-aluna de colégio religioso, dirigida por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho”. Bonito, isso. O problema é a fonte. Ultimamente, nas dedicatórias escritas em livros com os quais presenteia amigos especialmente próximos, o ex-sacerdote tem repetido a mesma frase antes da assinatura: “do irmão em Cristo e irmão em Castro”. Quem compara a figura de Jesus Cristo a Fidel Castro não é o melhor fiador da religiosidade de ninguém.
Para apagar o fogo, chamaram um incendiário. Absolvida por Frei Betto, a mais santa das mulheres fica com cara de pecadora irremissível.

Band: Dilma ataca Serra sem saber e, sem saber, tenta se defender dos contra-golpes

Por Augusto Nunes (Veja):
Tomar a iniciativa e partir para o ataque num debate eleitoral não é para amadores, ensinou outra vez o duelo transmitido pela Band. Candidata de primeira viagem, espantosamente desarticulada, desprovida de raciocínio ágil, sem vestígios de carisma, Dilma Rousseff desencadeou a ofensiva já na primeira pergunta a José Serra. Levou o troco mas foi em frente. Nas duas horas seguintes, sempre na fronteira do chilique, a veia da pálpebra esquerda latejante de cólera, sobrancelhas em arco de normalista contrariada, tentou combater simultaneamente o português, a lógica e os fatos — além do adversário experiente e tranquilo. Fracassou espetacularmente.
Abalroada por contragolpes sucessivos, levada às cordas por alusões ao bando de Erenice Guerra e ao descompromisso com a coerência, Dilma evocou duas vezes uma mesa atulhada de árabes e judeus, conjugou a cada dois minutos o verbo tergiversar, embaralhou temas distintos ao perguntar ou responder, frequentemente não conseguiu dizer coisa com coisa e, depois de 120 minutos de agressividade e grosserias, queixou-se do baixo nível da campanha. Não aprendeu a atacar nem sabe defender-se.
Nitidamente superior em todos os quesitos, nem por isso Serra foi brilhante. Pode melhorar muito. Pode ser bem mais contundente. A arrogância da oponente o autoriza a ser menos gentil. Deve expor com crueza alguns itens do vasto prontuário. Precisa entender que os brasileiros desinformados estão prontos para aprender que as privatizações modernizaram o país. Mas o essencial é que começou a percorrer o caminho correto.
Aparentemente, Serra preferiu transformar o primeiro debate do segundo turno como laboratório para aperfeiçoar a estratégia e a tática que adotará nos próximos. Além de confirmar que Dilma é a adversária que todo candidato pede a Deus, o confronto na Band mostrou que o eleitorado terá de escolher entre um administrador competente e uma gerente debutante. Em pouco tempo estará consolidada a certeza de que disputam o segundo turno um político com currículo respeitável e uma novata que oculta a folha corrida.
Cumpre a Serra deixar claro que, entre os dois candidatos à Presidência da República, só um pode garantir que não vai desonrar o cargo.

08 outubro 2010

Serra vai partir para o "ataque" contra Dilma_Por Augusto Nunes

Ainda atônito com o milagre da multiplicação dos descontentes, que transformou os 4% das pesquisas fabricadas em 54% dos votos válidos, o presidente Lula decidiu que, para avançar no segundo turno, o palanque de Dilma Rousseff precisa voltar a 2006. “Temos que tirar o foco do aborto e discutir a questão das privatizações”, ordenou o Mestre a seus devotos. A ideia só confirmou que um campeão nocauteado não deve tomar a iniciativa quando ainda está grogue. Antes que alvejasse José Serra com as invencionices forjadas há quatro anos para confundir o eleitorado e derrotar Geraldo Alckmin, foi devolvido à lona pela ofensiva da oposição.
Com o ânimo combatente que faltou no primeiro turno, Serra elogiou Fernando Henrique Cardoso, defendeu enfaticamente a abertura das telecomunicações e registrou que Lula, que teve oito anos para estatizar o que não deveria ter sido privatizado, leiloou dois bancos. Ao lado de Serra, o senador Aécio Neves deu o tom do segundo turno, como registra com o brilho habitual o colunista Ricardo Setti. Numa frase, resumiu o que Dilma ouvirá nos debates do segundo turno caso obedeça à ordem do chefe: “Se eles condenam as privatizações, estão dizendo a cada cidadão brasileiro que pegue o celular e jogue na lata de lixo mais próxima”, avisou Aécio.
“Temos que mostrar que existem dois projetos, e que um deles representa o passado”, disse Lula para justificar a retomada da lengalenga de 2006. As mudanças ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso, como atestam os números reproduzidos na seção Feira Livre, tornaram o Brasil bem mais moderno. O que lembra o tempo das cavernas é o país das estatais corrompidas, ineptas e aparelhadas que Lula preside.
Nos últimos oito anos, foi instituída oficiosamente a política do arrendamento e da privatização bandida. Os Correios, por exemplo, estão arrendados ao PMDB. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal passaram ao controle do PT. A Eletrobrás foi anexada à capitania hereditária explorada pela Famiglia Sarney. E a Casa Civil foi privatizada pela família de Erenice Guerra, braço-direito e melhor amiga de Dilma Rousseff. Virou covil particular.
As declarações de Serra e Aécio confirmam que os líderes do PSDB finalmente ajustaram o discurso à partitura composta por milhões de oposicionistas que enfrentam sem hesitações a Era da Mediocridade. Nos duelos com Dilma, Serra tem o dever de atacar primeiro. Em vez de esperar que a adversária lhe atribua a ideia de privatizar a Petrobras, por exemplo, o candidato tucano deve exigir que ela explique o arrendamento da empresa petroleira a um condomínio liderado pelo PT.
Em seguida, é só perguntar a Dilma se é verdade que pretende estatizar a telefonia. Se a Doutora em Nada disser que não, estará endossando as mudanças implantadas no governo de FHC. Se disser que sim, será condenada ao naufrágio nas urnas.

Serra defende limite para presidente se meter em campanha

Por Gabriela Guerreiro, na Folha:
(…) o tucano José Serra disse nesta quarta-feira que nunca manifestou posição favorável ao aborto. Ao discursar no ato que reúne a oposição em apoio à sua candidatura, Serra disse que as pessoas que mudam suas posições em temas como o aborto querem “enrolar” e “desrespeitar” os brasileiros (…).

“Eu nunca disse que o MST me agrada, porque não me agrada. Eu nunca disse que era a favor do aborto porque eu sou contra. Tem amigos que me acham atrasado. Eu tenho minhas razões íntimas, pessoas, de história, para ter essa convicção. Errado é querer enrolar. Chegou-se ao máximo de estampar em primeira página que o PT ia tirar o aborto do programa. O que não tem direito é uma campanha presidencial enrolar. No fundo é desrespeitar pessoas, os cidadãos. Essa decepção comigo não existirá.”

(…)
o candidato exaltou ações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em seu discurso no ato que reuniu políticos do DEM, PSDB e PPS. Com críticas ao PT, partido a quem se referiu como “duas caras”, Serra defendeu que o Congresso aprove lei que limite a participação do presidente da República em campanhas eleitorais (…).

“Tem certas coisas que não se fazem, são coisas que a gente não faz na vida. Imagine a desigualdade, na linha de massacrar um político que na sua vida só fez defender o interesse do seu Estado e do nosso país”, afirmou. [nota deste blog - referia-se, nesse caso, a Tasso Jereissati]

Nas referências a FHC, Serra lembrou a privatização do setor de telecomunicações e a implantação do real.(…). ”O real eliminou uma nuvem de poeira quente que sufocava o nosso país e oprimia os pobres. Porque, com inflação, quem sofre são os pobres no Brasil e em qualquer lugar do mundo.” (…)

Nas críticas ao PT, o tucano disse que vai responder às provocações “com serenidade”. “As falanges do ódio que insistem em dividir a nação, vamos responder com nosso trabalho presente e nossa crença no futuro. Quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdade nós vamos dizer sobre eles. Não queremos o Brasil como a casa da mãe Joana em que governantes fazem o que querem na hora que querem.”

Marina
Num afago público à candidata Marina Silva (PV), Serra disse que ela é uma pessoa “íntegra, que contribuiu muito para a democracia”. Sem pedir explicitamente o apoio da candidata do PV, Serra afirmou que Marina permitiu que chegasse ao segundo turno. “Ela aproximou gente que não gosta de política. Quem não gosta fica à margem e acaba dando espaço para os que não são gente de bem.”

Lula se exime de culpa por segundo turno

Leia editorial do Estadão:

Parece ter sido escrito pelo presidente Lula o Decálogo do Chefe, criação humorística que de há muito corre o mundo. Reza o seu primeiro mandamento que “o chefe sempre tem razão”. O segundo determina que, “na improvável hipótese de alguma vez o chefe não ter razão, vale o mandamento anterior”. Foi rigorosamente isso que Lula quis transmitir nos encontros de segunda e terça-feira com ministros, governadores e parlamentares eleitos, aliados da candidata Dilma Rousseff.

As reuniões, a propósito, ocorreram no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. Mas, para quem se esmerou em transgredir a legislação antes e durante a campanha, não faz a menor diferença servir-se de novo de um bem público para fins eleitorais.

Tratava-se, na reunião do Alvorada, do que foi considerada uma derrota, apesar da ampla vitória de Dilma nas urnas de domingo: a necessidade de um segundo turno para a decisão final. E entre os correligionários de Dilma ali presentes alguns dos mais importantes atribuíram ao comportamento agressivo de Lula na fase crítica da disputa a migração de uma parcela dos votos dilmistas para Marina Silva.

Os escândalos na Receita e na Casa Civil e a polêmica do aborto fizeram o resto. Por sinal, foi a divulgação das violações do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao tucano José Serra e do balcão de negócios instalado no centro do governo o que levou Lula a voltar-se com esbugalhada hostilidade contra os meios de comunicação. Quando, alertado, trocou a mordida pelo assopro, já no fim da campanha, o estrago estava feito.

A mídia não foi o único alvo da sua ira. Num comício em Santa Catarina, concitou seus comandados à “extirpação” do DEM, aguçando a inquietação daqueles setores da sociedade para os quais nem os êxitos do governo nem a popularidade estelar do seu condutor podem absolvê-lo pelo surto autoritário de que foi acometido. Eis que agora, numa das reuniões no Alvorada, ele invocou, para se justificar, um acerto de contas eleitorais. “Fui muito duro em alguns Estados por onde passei, mas precisava ajudar a eleger alguns senadores”, confessou, candidamente.

No íntimo, ele há de saber que a truculência o situou na contramão da sua absoluta prioridade - eleger Dilma. Em público, porém, se conduz de acordo com o segundo mandamento do Decálogo: quando o chefe erra, prevalece a lei de que o chefe jamais erra. Lula, como se sabe, não tolera más notícias, para as quais sempre encontrará um causador que não ele. Assim, tão logo se confirmou que a sucessão ia para o segundo turno, entrou na muda e saiu de cena. Não teve nem sequer a dignidade de aparecer no domingo à noite ao lado da candidata de sua criação - e se manteve em silêncio decerto por mais tempo do que em qualquer outro momento de seu governo.

É do caráter de Lula jamais assumir parcela de responsabilidade pelos erros e fracassos das equipes que comanda - no governo e em campanha eleitoral -, e, por outro lado, assumir com exclusividade os louros por seus êxitos e vitórias.

Por isso, quando recobrou a voz, tratou de avisar que não tinha nada a ver com o que havia acontecido. “Teve sapato alto e clima de já ganhou, no primeiro turno”, criticou, cobrando do PT “mais humildade”. Logo ele que, no palanque que comandou, foi o único que proclamou a certeza de tal vitória. Não foi apenas para eleitor ver. Muitos dos companheiros a quem se dirigia no Alvorada já tinham ouvido uma vez e outra de sua boca que a sucessão era assunto liquidado. Se, ao fim e ao cabo, der tudo errado, não faltarão culpados - a começar da própria Dilma, que não soube ser simpática com o eleitor. Se der tudo certo, o mérito, naturalmente, será todo dele.

Falta combinar com o eleitorado. A tática petista para o segundo turno terá a volta, de um lado, do Lulinha, paz e amor. De outro, da cantilena de que a ascensão de um tucano ao Planalto abrirá as portas para novas privatizações. A fórmula funcionou no segundo turno de 2006, mas, à parte qualquer outra consideração, não é fácil impingir ao público a visão de um Serra privatista. Afinal, o resultado do primeiro turno mostrou que pelo menos 51,9% do eleitorado conserva sua capacidade de discernimento.

Blog da Dilma e petistas desancam Marina Silva_Por Reinaldo Azevedo

No dia 30 de setembro, três dias antes da eleição, acreditando no que diziam os institutos Ibope, Vox Populi e Sensus, os petistas estavam certos da vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno. Então já era hora de esculhambar Marina Silva. Como já afirmei aqui, o caráter fascitóide dessa gente faz com que sejam ainda mais violentos quando se imaginam triunfantes. O Blog da Dilma não teve dúvida e publicou o post abaixo.

Na charge, a candidata do PV é chamada de “Laranja verde”. Atribui-se a ela esta fala, com visível desdém pela militância verde:
“Distribuição de renda é com a Dilma. Eu farei entre as camadas menos favorecidas, a maior distribuição de oxigênio puro jamais visto neste país”

Abaixo do desenho, o texto afirma:
“Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que disfarçadamente se alegraram com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta, de defensora da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. (…) Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem conhecimento, competência e caráter para governar (…)”

E vai por aí, leitor. Agora que o PT quer o apoio de Marina, o post foi tirado do ar. Mas vocês sabem como é a Internet. Tudo fica registrado.

Dilma e o PT apóiam aborto, mas negam por questão eleitoral

Por Estelite Hass Carazza, na Folha:

O bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, disse que não vai recuar em seu posicionamento contra a candidata Dilma Rousseff (PT) e que o partido está sendo “oportunista” ao estudar voltar atrás na defesa da descriminalização do aborto.
O religioso foi o primeiro nesta eleição a se manifestar publicamente contra a presidenciável do PT -em julho, escreveu um artigo recomendando que os católicos não votassem em Dilma.
Durante a campanha, outros líderes católicos e evangélicos pregaram votos contra ela. Para Bergonzini, 74, a mobilização foi decisiva na votação e deve ter grande influência no segundo turno.

Folha - O PT anunciou que estuda retirar do programa partidário a defesa da descriminalização do aborto. Isso pode alterar seu posicionamento em relação a Dilma?
D. Luiz Gonzaga Bergonzini - Da minha parte, não muda absolutamente nada. Ela tem declarações claríssimas a respeito do aborto. Ou ela não falava com sinceridade naquela época, ou não está falando agora. Outra coisa: o partido, não é de hoje que eles têm essa questão fechada. Em dois congressos que o PT fez, eles aprovaram o aborto como plano de governo. Como é que se explica agora que ela venha falar isso? O fato de mudar agora é de interesse meramente político. Ela está levando a questão conforme as circunstâncias. Ela vai para o lado que o vento sopra. A minha posição é a mesma.

O senhor não acha que a iniciativa do PT em mudar o programa do partido indica um amadurecimento?
Não é amadurecimento, é oportunismo. Mero oportunismo. Por que eles não fizeram isso antes?

Na sua opinião, a questão do aborto e dos valores cristãos influenciou a votação de Dilma no primeiro turno?
Influenciou, sim. Porque eu bati firme nesse sentido, antes do primeiro turno, bem antes. O artigo que eu escrevi atingiu até a imprensa internacional. A partir daí, começou. A Dilma falando que não tinha nada a ver, que era posição do bispo… Não é minha posição, é a posição do Evangelho. Não tenho dúvida nenhuma de que os votos dos cristãos foram decisivos. Se isso vai se repetir, não sei, mas influência vai ter.

CNBB: Não votem em quem defende o aborto!

A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para “VOTAR BEM”, acolhem e recomendam a ampla difusão do “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 que pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico www.cnbbsul1.org.br
São Paulo, 26 de Agosto de 2010.

Dom Nelson Westrupp, scj
Presidente do CONSER-SUL 1

Dom Benedito Beni dos Santos
Vice-presidente do CONSER-SUL 1

Dom Airton José dos Santos
Secretário Geral do CONSER SUL 1
******

APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS

Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,

- considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto,

- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher,

- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,

- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto,

- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,

- considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,

- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto - problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,

- considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,

- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,

- considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,

RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.

Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil” (http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf), elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.

COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1 DA CNBB

06 outubro 2010

Força-tarefa petista para preservar Dilma dela mesma na imprensa

Por Reinaldo Azevedo (Veja):
Prepara-se uma verdadeira força-tarefa — que pretende, acreditem!, ser, antes de tudo, ética!!! — para tentar preservar a petista Dilma Rousseff de si mesma e de suas próprias opiniões. E a imprensa, especialmente a escrita, será o principal campo de operações — e, dali, para a Internet. O grito de guerra já foi dado pelo colunista Elio Gaspari numa notinha curta no domingo. Já chego lá. Ontem, nas suas aparições na TV, a candidata do PT à Presidência fez questão de declarar que é a favor da vida, o que, convenham, é, em sim, uma afirmação estupenda. O contrário, por óbvio, corresponderia a alinhar-se com a morte.
Todos entenderam por que ela fez isso. O PT está convicto de que uma parcela do eleitorado, ao saber, primeiro pela Internet, o que Dilma realmente pensava sobre o aborto, desembarcou de sua candidatura. A informação, de fato, circulou antes na rede, embora as suas declarações mais enfáticas em favor da descriminação e da legalização do aborto tenham sido dadas a um jornal — a Folha — e a uma revista, a Marie Claire. Gaspari, evocando pruridos éticos e apelando até à memória de Ruth Cardoso, chamou esse debate de baixaria. É? Coisa do andar de cima moral é fazer dossiê contra a mulher de um ex-presidente que era um exemplo de correção, não é mesmo?
Ao falar em Ruth, o colunista está atribuindo a “operação” ao PSDB, o que é falso como nota de R$ 3. Ele é o “Nosso Guia” de muitos epígonos na profissão; outros o seguirão na ladainha, acusando o debate de ser “conservador”, “reacionário”, “baixaria”, “irrelevante”. Digamos que estivéssemos mesmo diante de uma irrelevância (para mim e para outros cristãos, não é!!!), cabe a pergunta: quer dizer que esses setores da imprensa pretendem censurar uma VERDADE IRRELEVANTE sobre Dilma, mas jamais censuraram as MENTIRAS RELEVANTES que os petistas contam sobre o governo FHC, por exemplo? Que diabo de critério ético é esse?
Quando a campanha do PT diz que Lula assumiu o governo “com a inflação fora do controle”, o que é uma mentira estúpida, qual a reação? “Ah, política é assim mesmo; o PSDB que responda!” Algum pito na companheira quando sugere que o Brasil vivia um verdadeiro caos social na gestão tucana, que não se importaria com os pobres? Nada! Silêncio sepulcral. Alguém deu algum pito em Aloizio Mercadante por causa de sua campanha bucéfala contra a suposta “aprovação automática” em São Paulo? NADA!!!

ATENÇÃO PARA AS FRASES: PARA ESSA GENTE, AS VERDADES DITAS SOBRE DILMA SÃO REACIONÁRIAS; JÁ AS MENTIRAS DITAS SOBRE OS TUCANOS SÃO PROGRESSISTAS.

E, agora, em nome da ética, esses decorosos vêm acusar “baixaria” e cobrar “debate elevado”? Que tipo de sublime elevação pode haver numa máquina de propaganda que constrói todo o seu edifício retórico numa mentira, a saber: “O Brasil vivia nas trevas e de lá foi resgatado pelo PT, ignorando a óbvia continuidade do governo”. NEM MESMO A IDÉIA DE UNIFICAR OS PROGRAMAS SOCIAIS É DE LULA! ELE PRÓPRIO ADMITE EM VÍDEO QUE A IDÉIA LHE FOI DADA POR UM GOVERNADOR TUCANO (ver posts abaixo).
Está em curso uma operação para blindar Dilma Rousseff. O PT tem todo o direito de tentar. E alguns colunistas têm o direito, claro!,de entrar na corrente de propaganda. E eu tenho o direito de chamá-los por seus respectivos nomes. Não foi o PSDB que levou Dilma Rousseff a dar aquelas entrevistas. Ela o fez porque quis e porque considerava, até abril do ano passado, que aquilo era o certo. Demonstrou-o, diga-se, em atos, quando sua pasta deu o “ok” ao decreto que continha o Programa Nacional dos Direitos Humanos, em que o aborto aparece como um “direito humano”, o que certamente assombraria o mundo.

Dilma, agora, se diz “a favor da vida”. Muito bem! Só pode estar se referindo ao aborto. Em sua afirmação, pois, está contida a idéia de que defender a descriminação é estar contra a vida — de onde se deduz, e estou num exercício puramente lógico, que ela era contra a vida ao menos até abril de 2009, quando falou à revista Marie Claire.
De súbito, vejo alguns coleguinhas muito preocupados com “propostas”. E dizem: “Ah, esse negócio de aborto não tem importância. Por que não discutimos o Brasil?” Muito bem! Comecemos, então, por não mentir sobre o Brasil que o PT herdou e que deixará como herança. Eu topo deixar de lado essa suposta “verdade irrelevante” se os petistas pararem com suas “mentiras relevantes”. Vejam que é uma troca que evidencia a minha generosidade: com ironia, digo que eu até abriria mão do direito de dizer essa verdade sobre eles se eles cumprissem a obrigação de não dizer mentiras sobre os outros.

Como o "datafolha" faz perguntas sobre religião/voto/aborto para o PT

Por Reinaldo Azevedo:
Como se vê abaixo, há um lugar, ao menos, em que os institutos de pesquisa não tiveram perda total: a cadeia. Faz sentido! Os eleitores brasileiros não deixam de ser tratados como cativos de uma doxa. As pesquisas se dão numa verdadeira cela fechada, assim: a) o eleitor aprova Lula?; b) votaria no candidato de Lula?; c) seguiria a orientação de Lula; d) quem é o candidato de Lula?
A ordem das questões nem sempre é essa - os não-venais costumam perguntar, primeiro, em quem o vivente vota. Mas o resultado costuma ser bem parecido.
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Um leitor me mandou o link do blog Coturno Noturno com a informação. Visitei o site do TSE para conferir. O Datafolha registrou ontem no TSE uma pesquisa, encomendada pela Folha e pela TV Globo, para o segundo turno da eleição presidencial, que ocorre no dia 31. Os questionários serão aplicados nos dias 7 e 8. Serão ouvidas 19.400 pessoas. O Datafolha quer saber as coisas de praxe: em quem o sujeito vai votar, em quem votou no primeiro turno, se o apoio de Lula a um candidato — e, agora, de Marina — altera a opinião do eleitor, a avaliação do governo Lula…
Até aí, vá lá, embora haja o que dizer a respeito das questões acima — fica para o fim do texto. Vamos ao que é essencial: o Datafolha resolveu saber o peso que a questão do aborto teve no primeiro turno e terá no segundo. Huuummm… É uma curiosidade que nasce de uma tese. Também isso vai para o fim. Quero abordar o que considero uma exorbitância e, vênia máxima, talvez um servicinho prestado ao PT — involuntário, é claro.
Uma coisa é tentar saber se a opinião de um candidato sobre o aborto pode ou não interferir na escolha do eleitor; outra, bem diferente, é transformar PESQUISA ELEITORAL NUM VERDADEIRO INQUÉRITO. É O QUE FAZ O DATAFOLHA. Querem ver?
P.17-18 - Pergunta a religião do entrevistado (evangélico pentecostal, não-pentecostal, umbanda, candomblé, espírita, católico etc…);
p.19 - A Igreja orientou a NÃO votar em algum candidato? (mostra o cartão com os nomes);
P.20 - A pessoa mudou?;
P.21 - Se mudou, em qual dos candidatos deixou de votar (mostrar cartão);
P.22 - Diz qual é o estatuto do aborto legal e pergunta se a pessoa é favorável à lei, à ampliação dos casos de aborto legal, ao fim da criminalização do aborto etc.;
P22ª - A entrevistado recebeu orientação para não votar naquele candidato da P.19 por causa do aborto?
Digamos, só digamos, que se constate que uma porcentagem relevante de eleitores recebeu, sim, a orientação de suas respectivas igrejas. E daí? A eventual confirmação dessa hipótese, com a indicação da confissão religiosa, exporá as igrejas e os religiosos — padres, pastores e outros — à pressão; no caso, é evidente que será à pressão oficial. Não sejamos hipócritas: embora, até agora, só a Igreja Universal do Reino de Deus tenha orientado seus fiéis a votar na candidata Dilma, é evidente que essa pesquisa tenta confirmar uma hipótese: foi a migração do voto evangélico que impediu a vitória de Dilma no primeiro turno.
O PT economiza um dinheirão. Poderia ele mesmo encomendar a algum instituto uma pesquisa como essa, não é mesmo? O Datafolha decidiu fazer de graça. É claro que isso pode ser, sim, matéria de interesse até sociológico — mas não durante o processo eleitoral. Nesse período, a divulgação desses dados pode servir de bússola de campanha a um único partido: o PT.
“E se a pesquisa constatar, Reinaldo, que isso não aconteceu?” Não muda o espírito da coisa. É evidente que se tenta buscar um “fenômeno” que explique a murchada da candidatura de Dilma Rousseff nos cinco ou seis dias finais do primeiro turno, num ritmo que não é lá muito usual, a menos que tenha acontecido, então, o tal evento excepcional ou que os institutos, os honestos, tenham andado errados durante um bom tempo.
E só para encerrar: Datafolha, Ibope e os demais precisam avaliar o governo Lula e a popularidade do presidente semana a semana, o que é repetido pelas TVs à exaustão? Isso já começa a ficar ridículo. Que variação se espera entre uma sexta-feira e outra?
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Comento:
Viram como esses caras são isentos?
No Amazonas tem um sujeito que é funcionário (oops!prestador de serviços) do governo, da prefeitura de Manaus e os escambau e ainda posa de "pesquisador sério"...Qua! Qua! Qua! O nome dele? Vou dar apenas as iniciais: começa com "Du" e termina com "rango".

Receita Federal "de Lula" é a favor do estupro...do sigilo fiscal

Por Leandro Colon, no Estadão:
Investigação da Receita Federal desmente o servidor petista Gilberto Souza Amarante, lotado em Formiga (MG), e afirma que ele acessou intencionalmente, sem motivação funcional, o banco de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, em 3 de abril de 2009. “Os indícios encontrados não remetem a um acesso equivocado, mas sim a uma consulta direcionada”, diz relatório assinado pela corregedoria na última quinta-feira. Em cima disso, foi pedida a abertura de um processo disciplinar contra o funcionário.
A apuração da Receita, obtida pelo Estado, contradiz a versão de Amarante de que abriu os dados de Eduardo Jorge por “confusão”. Filiado ao PT desde 2001, ele alegou que buscava um “homônimo” do dirigente tucano. Mas corregedoria descarta essa possibilidade. Segundo a investigação, o servidor violou os dados do tucano e, em 41 segundos, abriu informações, inclusive, sobre as empresas de Eduardo Jorge, acessando cerca de 10 páginas cadastrais. “Disso se conclui inicialmente que Gilberto Souza Amarante realizou pesquisa direcionada ao CPF ou ao nome de Eduardo Jorge Caldas Pereira”, afirma o relatório da Receita.
De acordo com a investigação, ficou “caracterizada a plausibilidade das denúncias, bem como por não se comprovar, nessa fase da investigação, motivação funcional para realização de tais acessos”. A corregedoria diz que não há nenhum documento ou elemento na Receita em Formiga que justifique a abertura dos dados do tucano.
O resultado da apuração da Receita contraria ainda o discurso da presidenciável Dilma Rousseff (PT) em reunião ontem com governadores e senadores eleitos. Segundo gravação do ‘Blog do Noblat’, Dilma elencou a quebra do sigilo fiscal de tucanos como um dos fatores de sua não vitória no primeiro turno. Mas, segundo ela, “ficou caracterizado que havia uma situação em que se tratava de um esquema de corrupção específico da Receita”.
Dilma tentou referir-se ao caso das violações de Mauá e Santo André, em que a Receita e a Polícia Federal buscam descaracterizar o caráter político das quebras fiscais. Agora, em Minas Gerais, a investigação já aponta para um direcionamento, por parte de um filiado ao PT, no acesso aos dados de Eduardo Jorge.
O servidor Gilberto Souza Amarante declarou à Receita que não se lembra os motivos que o levaram a abrir os dados do vice-tucano. No mês passado, ele afirmou que buscava um homônimo. A investigação mostra o contrário. “Caso isso ocorresse, teria sido registrado como acesso todos os contribuintes que possuem tal denominação (Eduardo Jorge)”, diz o relatório da Receita.
A corregedoria diz que, além do vice-presidente do PSDB, apenas um outro Eduardo Jorge, também morador em Brasília, teve seus dados acessados. Mas, neste caso, o servidor não ficou um segundo sequer com a tela aberta. Logo em seguida, o petista acessou as informações do dirigente tucano por 41 segundos.

Dilma é "aborteira"; Serra, não!

Por Reinaldo Azevedo:
Os petistas, quando flagrados numa ilegalidade ou numa posição considerada incômoda, têm uma primeira e imediata resposta: “Você também!”
Dilma, como se sabe, era favorável à descriminação e/ou legalização do aborto — defendeu as duas coisas, que, no caso, resultam em uma só — até abril de 2009. Já era a pré-candidata de Lula à Presidência, sem nenhuma dúvida. Aí resolveu descrever um arco para não atracar no cais. Ao perceber que a tese não é muito popular entre os brasileiros, embora seja uma resolução aprovada pelo congresso do PT, que todo militante (ela é uma) tem a obrigação de defender, começou a se dedicar à arte da “engrolação”, um neologismo a que recorro, a partir de um quase arcaísmo: o verbo ENGROLAR.
Pois bem. Os petistas, na rede, agora decidiram acusar Serra de suas coisas: a) de ter aprovado a pílula do dia seguinte; b) de ter aprovado o aborto em caso de estupro.
Duas mentiras:
1) A pílula do dia seguinte é anterior à gestão de Serra no Ministério da Saúde;
b) o Código Penal não pune o aborto em caso de estupro e risco de morte da mãe desde 1940. Serra não era nem um feto ainda. Nasceu em 1942! A norma técnica para o aborto em caso de estupro buscou apenas ordenar, no ambiente da Saúde, o que a lei não punia, protegendo a mulher. Mas atenção! Dois dos procedimentos necessários eram estes:
1) “Informação à mulher - ou a seu representante legal -, de que ela poderá ser responsabilizada criminalmente caso as declarações constantes no Boletim de Ocorrência Policial (BOP) forem falsas.
2) Cópia do Boletim de Ocorrência Policial.
Em 2004, Humberto Costa, primeiro ministro da Saúde do governo Lula, baixou nova norma dispensando o boletim de ocorrência:
“O Código Penal não exige qualquer documento para a prática do abortamento nesses casos e a mulher violentada sexualmente não tem o dever legal de noticiar o fato à polícia. Deve-se orientá-la a tomar as providências policiais e judiciais cabíveis, mas, caso ela não o faça, não lhe pode ser negado o abortamento”.
Estes são os fatos no detalhe:
a) Serra não autorizou a chamada pílula do dia seguinte;
b) a legislação não pune o aborto em caso de risco de morte da mãe e de estupro desde 1940. O PT gosta de culpar Serra de muita coisa. Mas parece difícil responsabilizá-lo por uma lei cuja vigência antecede o seu próprio nascimento em dois anos, não é mesmo?

Inquérito contra Lula por reunião com eleitos no Alvorada para cabalar votos

PPS pedirá inquérito contra Lula por reunião na Alvorada

Por Gustavo Uribe, da Agência Estado:
O PPS anunciou no início da tarde desta terça-feira, 5, que irá ingressar nesta semana com representação no Ministério Público Eleitoral (MPE) pedindo a abertura de inquérito contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em decorrência de reunião promovida na manhã desta segunda no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente. O evento contou com a participação de governadores e senadores eleitos que fazem parte da base de apoio do governo. O objetivo foi discutir estratégias para a campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff, no segundo turno.
Na representação, o PPS deve alegar que o presidente infringiu o artigo 73 da Lei Eleitoral Nº 9.504/2007, que veda o uso de imóveis públicos em benefício de candidatos. A sigla oposicionista argumenta ainda que a reunião foi feita em “pleno horário de expediente”. “É claramente a utilização de recursos dos cofres públicos para fins eleitorais, o que configura um crime eleitoral”, acusa o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE).
O parlamentar estuda ainda ingressar com representações contra os governadores e senadores presentes no evento, pelo suposto uso de dinheiro público no deslocamento até Brasília, bem como na hospedagem na capital federal. Alguns políticos presentes participaram ontem de encontro com a candidata Dilma e pernoitaram no Distrito Federal.

Comento:
Muito bem! O Lula não pode fazer o que bem quer porque tem o TSE e parte do STF na mão. Ele ainda não é o Chaves, é apenas "projeto", mas não se pode deixá-lo solto senão ele leva a delinquência política à frente, no que se especializou desde o mensalão.

05 outubro 2010

O mapa mentiroso dos "ibopes"_In Reinaldo de Azevedo (Veja)



O leitor Feliciano Maduro decidiu juntar dois mapas. As áreas vermelhas indicam vitória de Dilma; as azuis, de Serra; o que está em cinza, indefinição.
Pois bem: à esquerda, vocês têm o Brasil como o Ibope disse que ele era no dia 2. À direita, o Brasil que saiu das urnas um dia depois.
Não fosse a estúpida loquacidade dos responsáveis pelas pesquisas no Brasil, que passaram a falar mais do que diziam seus números já perturbados, há esse constrangedor contraste.
Ainda falaremos muito sobre pesquisas nos próximos dias e os analistas que se tornaram contínuos ou do erro ou da má fé. Os “especialistas em pesquisa” do Estadão, Daniel Bramatti e José Roberto de Tolerado, deram o seguinte título para a reportagem sobre os mapas de votação: “Marina tira eleitores de Dilma, que perde em mais estados do que se previa”.
O que faz aí este “se” como índice de indeterminação do sujeito, cara pálida? Quem previa? Preparem-se para a reação corporativista dos institutos. Reivindicarão o direito de continuar declarando que estão certos, mesmo errados. O resultado de seus levantamentos nos estados também é uma tragédia. Daqui a pouco um deles sai da toca para acusar os críticos de “obscurantistas”. Os honestos tratem de rever sua ciência, coisa que os desonestos não farão, é claro! Em qualquer dos casos, os loquazes diretores de instituto devem falar menos e acertar mais.
*****
A eleição de 2010 tem um grande derrotado, vença Serra ou Dilma: as pesquisas de opinião. E nem me refiro especialmente ao resultado, embora todos os institutos tenham errado: uns mais, outros menos. Refiro-me à derrota desse importante instrumento de avaliação da opinião pública. E isso só aconteceu porque o ambiente foi tomado por vigaristas e negociantes — que não vendem um serviço, mas um resultado. As pessoas sérias envolvidas com essa atividade deveriam evitar a defesa corporativa da “categoria”. Os que erram de boa-fé devem procurar afinar seus instrumentos. Os malandros continuarão a fazer malandragens; são pagos para isso. Por isso mesmo, os que procuram acertar — em vez de se acertar — devem evitar as más companhias.
Comecemos pelo óbvio: erraram, sim! Todos! Sem exceção! O Datafolha, mais perto da realidade, dava a Dilma 50% dos votos válidos no dia do pleito. Ela obteve 47,6% — fora da margem de erro. O Sensus via a candidata com 54,7% dos válidos. Para o Vox Populi, a petista estava 12 pontos à frente da soma dos adversários. No dia 29 de outubro, o Ibope atribuía a Dilma 55% dos votos válidos — 7,4 pontos a mais do que ela conseguiu. Os erros se repetiram em boa parte dos estados. Desse bola para os levantamentos, aquele que será, em números absolutos, o senador mais votado da história do Brasil —Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) — deveria ter entregado os pontos.
Vou insistir neste aspectos: embora o resultado não seja irrelevante, inaceitável mesmo foi o comportamento de alguns “responsáveis” (?) pelos institutos, que resolveram posar de analistas políticos e videntes. Não se contentavam em passar adiante números que, como vimos, se mostraram errados: também faziam perorações a respeito e expeliam sentenças definitivas.
O mais animado deles, sem dúvida, é Marcos Coimbra, o manda-chuva do Vox Populi, instituto que chegou a agonizar e que renasceu com força no petismo. Ele trabalha para e com o PT, embora suas pesquisas e ele próprio sejam vistos em certas áreas, só em certas áreas, como isentos. Coimbra é colunista de uma revista petista e escreve também no Correio Braziliense — como “cientista social”, é claro…
No quarta passada, ele concedeu uma entrevista a um blog. Divirtam-se:

Pergunta - Marina Silva está crescendo sobre votos de Dilma Rousseff?
Coimbra - Não dá para dizer. Dilma cresceu tanto após o início do horário gratuito da propaganda eleitoral que roubou votos dos outros dois. Agora, esses votos estão, ao que parece, voltando para eles.

Quantos votos, de fato, Dilma precisa perder para que haja segundo turno?
Nos dados de nosso tracking (corroborados por vários outros que temos de pesquisas desenvolvidas em paralelo), a vantagem dela para a soma dos outros estava em 12 pontos percentuais ontem. Se 6 pontos passassem dela para os outros, a eleição empataria e o prognóstico de vitória no primeiro turno seria impossível. Como cada ponto equivale a mais ou menos 1,35 milhão de eleitores, isso seria igual a 8 milhões de eleitores (sem raciocinar com abstenções).

Marina Silva pode ultrapassar José Serra?
É muito pouco provável, no conjunto do país. Possível em alguns lugares, como a região Norte e o DF. Talvez se consolide no Rio, onde ela já está na frente.

Qual o quadro que o senhor acha mais provável?
Vitória de Dilma no primeiro turno.

Voltei (Reinaldo):
Está muito claro, não? Em quatro dias, seria preciso uma migração de oito milhões de eleitores. Concordo com Coimbra: isso não aconteceu! É que seus números estavam, para ser simpático, errados. O curioso é que sua entrevista, claramente passada por e-mail — nunca vi alguém falar entre parênteses — foi “concedida” a dezenas de blogs de esquerda, inclusive àqueles com financiamento estatal.
Um dos blogueiros da turma, o mais circense deles — é mentira que estejam pensando em usá-lo naquele número do canhão —,escreveu a propósito dessa entrevista:
“O responsável pela Vox Populi, Marcos Coimbra, deu corajosa entrevista (…). Coimbra diz o que o tracking da Vox diz há 28 dias: não mudou nada e a Dilma vence no primeiro turno. Ou seja, Coimbra desmoralizou a última ‘pesquisa’ do Datafalha. Faltam 5 dias para a eleição. Coimbra joga a credibilidade de seu passado profissional e a integridade de sua empresa nessa afirmação: Dilma venceria no primeiro turno.”
Como se nota, segundo tal raciocínio, a integridade se desintegrou.
O Sensus faz pesquisa para a CNT (Confederação Nacional dos Transportes), presidida pelo dublê de empresário e político Clésio Andrade. É aquele instituto que me encanta particularmente por sua precisão decimal. No dia 29, Dilma teria 54,7% dos votos; Serra, 29,5%, e Marina, 13,3%. A previsão não ficou para Ricardo Guedes, diretor técnico do instituto, mas para o “especialista” Clésio: “Num período de quatro dias, é muito difícil reverter essa vantagem”.
Anteontem, o Ibope divulgou uma pesquisa: 51% dos válidos para Dilma, número reiterado na boca de urna realizada ontem. Ok, errou, paciência, certo? Mais ou menos. Carlos Augusto Montenegro, depois de fazer uma previsão temerária há alguns meses assegurando a vitória de Serra, passou a asseverar a vitória de Dilma no primeiro turno com a mesma convicção. E até chegou a sugerir que a oposição estava fazendo baixa exploração dos escândalos e não respeitava a democracia. São comportamentos inaceitáveis.
Pesquisas interferem no processo político
Pesquisas de opinião não são irrelevantes. Interferem no processo político: facilitam ou dificultam doações; facilitam ou dificultam a formação de palanques regionais; geram ondas de notícia positiva ou negativa; ajudam a plasmar a expectativa dos eleitores sobre o possível vitorioso etc. Tornam-se, pois, parte do jogo político.
O segundo turno está aí. Não pensem que os malandros desistiram de malandragens só porque foram flagrados. Ser flagrado é parte do seu ofício. está no preço. Sabem que os números que “apuram” acabarão divulgados de um modo ou de outro. Então que as pessoas eventualmente sérias envolvidas com essa atividade saibam fazer a diferença. Um bom caminho é não se sentir patrulhado por essa vizinhança incômoda, procurando ajustar os próprios números à metafísica influente da canalha.
*****
Comento:
Aqui no Amazonas os "ibopeiros" cometeram as mesmas sandices e posam por aí de "cientistas políticos". Claro, após as eleições as "bocas das urnas" falam por si mesmas. Todavia, os "ibopeiros" as apresentam (as pesquisas de boca-de-urna) como sua última e mais "precisa" pesquisa no afã de "apagar" as bobagens e tendenciosdaddades que pariram ao longo da campanha. Ora, vão-se!...

É a política, estúpido!

Por Reinaldo de Azevedo (Veja):
É bom o tucanato tomar cuidado para não repetir, com Marina Silva, a bobagem ocorrida há alguns meses na definição do vice na chapa. Naquele caso, criou-se a expectativa de que Aécio Neves aceitaria o desafio, ficou-se à espera dele por algum tempo, ele não veio, e os setores da imprensa ávidos por decretar o fim do PSDB proclamaram então: “Derrota!” O tempo agora é mais curto, mas a besteira pode se repetir. “Temos de ter Marina; temos de ter Marina”. E nada de a candidata verde declarar seu apoio. Quando e se não o fizer, virá o óbvio: “Decepção tucana; Marina declara neutralidade”.
Ouso divergir um tantinho dos que acreditam que política é mera conta de somar e subtrair. Fosse assim, bastaria juntar os votos do tucano e da verde, e a fatura estaria liquidada. POLÍTICA É CONTA DE MULTIPLICAR. Vamos devagar.
Primeiro Marina: ela vai ou não vai?
Tendo a achar que não. Será que lhe interessa uma possibilidade de mudança do eixo de poder? Ouço o discurso de Marina e entendo que ela, em uma das mãos, se considera o bom petismo, aquele autêntico, o que não abandonou as suas bandeiras. Na outra, vê-se como a superação das supostas dicotomias que separem petistas de tucanos. Ela seria uma síntese superior dessa oposição, podendo unir as bordas de ambos os lados, com a sua visão de política que chamo “holística” — à falta de algum termo consagrado da literatura política que defina o seu discurso. Realmente não sei se interessa a ela a vitória de um tucano. Tendo a achar que ela flerta mais com um eventual e suposto esgotamento do modo petista de fazer política — ou seja: com a vitória de Dilma. Seria um erro de análise, entendo. Mas não do ponto de vista dela.
Como obteve um resultado bastante expressivo nas urnas, Marina pode tentar vender muito caro o seu apoio. Durante os debates, ela tentou arrancar dos demais candidatos o comprometimento, por exemplo, com o tal Código Florestal, cuja aplicação seria desastrosa para a agricultura do país. Marina tentará impor a sua agenda como se tivesse sido ela a passar para o segundo turno? Se caminhar por aí, as coisas se complicam bem. Vamos ver.
Agora Serra: a questão é política
É claro que o eventual apoio de Marina a Serra seria, do ponto de vista do tucano, muito bem-vindo, desde que ele não tenha de trocar a sua agenda pela agenda dela — esse tipo de acordo não existe; a rigor, nem acordo é. Entendo que a questão é de natureza política. É a política que tem de ser resgatada na campanha.
Em 1998, Covas chegou em segundo lugar na disputa pelo governo de São Paulo (ver post anterior), bem atrás de Paulo Maluf. A campanha eleitoral era pautada pelo puro administrativismo: o governador fez isso, fez aquilo, melhorou aquilo outro… Enfrentava a virulência malufista e suas mistificações. Quase naufragou. Marta, a terceira colocada, declarou, sim, apoio a Covas no segundo turno. Mas, entendo, o que determinou a vitória do tucano foi o embate POLÍTICO com Paulo Maluf. Em vez de ficar no “fiz isso e fiz aquilo e vou fazer mais isto e isto”, fez-se um enfrentamento de valores. E ganhou.
É claro que era mais fácil bater em Maluf do que em Dilma — que continuará pendurada em Lula. Não ignoro isso. Mas não estou falando em “bater” em ninguém. Ao contrário até: acho que é preciso encontrar a linguagem afirmativa dos valores que Serra, como candidato tucano, encarna, em contraste, sim, com Dilma. Com ou sem Marina, opor meramente a “Continuidade de Superação” (tucanos) à “Continuidade de Exaltação” (petistas) não é uma boa idéia para a candidatura do PSDB.
É a política!
Há a tal máxima: “É a economia, estúpido!”, atribuída a um assessor de Clinton na disputa contra Bush pai, lá atrás. Em eleição, queridos, a única frase que faz sentido é esta: “É a política, estúpido!”, já que as virtudes e defeitos da economia são transformados em linguagem… política! Assim como é possível transformar salário, renda, consumo etc em votos, o mesmo se pode fazer com valores. São sempre eles que decidem as eleições. Só para ficar nos EUA: Bush filho, no primeiro mandato, já havia convertido os superávits gêmeos em déficits gêmeos — para não falar no desastre do Iraque, que já estava configurado. E foi reeleito. Obama pegou o país no osso, foi visto como um demiurgo de alcance mundial, o salvador… Duas semanas depois da posse, os republicanos resolveram lembrar que existe oposição no país. Há o risco de os democratas perderem a maioria na Câmara e no Senado.
Não estou chamando ninguém de “estúpido”. Estou apenas brincando com o clichê. Sempre será a política, estúpido!

Comento:
Essa coisa de Serra ficar no "promessômetro" realmente não lhe dará a vitória, mas sim se ele souber chamar Dilma para confrontar seus currículos e suas experiências políticas. Aí, sim, vamos ter novidade.
Ta,bém considero que Serra não pode ficar dando muita bola para Marina se esta quizer se impor como se tivesse ganho a eleição (ou mesmo a passagem para o segundo turno). Ela tem, sim, de calçar a sandália da humildade e pensar no melhor par4a o país e não para seus interesses "messiânicos" à lá Lula de saias. É isso aí...

Dilma, PT e Lula chegam a 46% no ABC

Por Elizabeth Lopes, no Estadão Online:
Apesar de terminar a corrida eleitoral de ontem em primeiro lugar na cidade de São Bernardo do Campo — berço do PT e local onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a carreira política, como sindicalista —, a candidata petista Dilma Rousseff não alcançou 50% dos votos válidos. Na contagem geral na cidade do ABC paulista, Dilma teve 46% contra 32% do tucano José Serra e 19% de Marina Silva (PV), coincidentemente, o mesmo porcentual de votos que os três presidenciáveis tiveram em todo o País e que levou a eleição para a disputa em segundo turno.
“Mesmo na cidade do seu padrinho político e líder em popularidade, Dilma Rousseff não ganharia o pleito no primeiro turno”, afirma o especialista Sidney Kuntz, comparando a votação registrada em São Bernardo do Campo com o restante do País. Segundo ele, a votação da petista no reduto político de Lula, que ficou abaixo do esperado, acendeu a luz amarela entre os correligionários da legenda.
Reuniões emergenciais já estão sendo organizadas para discutir as eventuais falhas ocorridas na reta final do primeiro turno e definir os rumos desta nova fase da campanha. Ao falar do reduto político do presidente da República, o especialista lembra que Frank Aguiar, vice-prefeito de Luiz Marinho (PT) em São Bernardo do Campo, não conseguiu se eleger deputado federal nessas eleições.
Kuntz avalia que apesar do empenho e popularidade de Lula, o PSDB tem muita força em todo o Estado de São Paulo, tanto que o candidato do PSDB ao governo paulista, Geraldo Alckmin, foi eleito no primeiro turno, apesar da margem apertada para obter a maioria dos votos, e o tucano Aloysio Nunes Ferreira obteve uma das duas vagas ao Senado, deixando de fora Netinho de Paula (PCdoB), da coligação petista, e que era apontado pelas pesquisas de intenção de voto como um dos favoritos nessa corrida.
Outras cidades
Na análise da apuração nas cidades do ABC paulista, Dilma só registrou mais de 50% dos votos na cidade de Diadema, município administrado pelo PT. Ali, ela teve 56% dos votos válidos, Serra recebeu 23% e Marina, 19%. Em Mauá, outra cidade administrada pelo PT, Dilma também não chegou a atingir 50% dos votos válidos e ficou com 47%, contra 30% de Serra e 20% de Marina.
Em Santo André, cidade administrada pelo PTB, aliado dos tucanos, Dilma obteve 39%, Serra 36% e Marina 22%. Em São Caetano do Sul, administrada também pelo PTB, Serra liderou com 52%, seguido de Dilma com 23% e Marina com 21%.

01 outubro 2010

Porque Serra não "bate" em Dilma_Por Ethan Edwards_In Augusto Nunes

Com o brilho de sempre, Ethan Edwards fez algumas observações sobre a campanha de José Serra que merecem ser amplamente debatidas pelo timaço de comentaristas. Confiram o que diz nosso craque, amigos. A bola está com vocês.
Num país de cultura democrática fragílima, em que recorrer à lei é identificado (por intelectuais e jornalistas que se acreditam esclarecidos) com “tentativa de vencer no tapetão”, é possível que Serra tenha desistido de avançar pelo caminho das denúncias, principalmente depois que boa parte da imprensa passou a identificar – canalhamente, diga-se – a divulgação dos crimes cometidos dentro do Planalto como uma “tentativa de encontrar a bala de prata” que o levaria ao segundo turno.
É possível, também, que, num país em que jornais noticiam, penalizados, que “psicóloga da prisão diz que Suzane Richtoffen está cada vez mais deprimida”, e em que torcedores vão à porta de delegacias para aplaudir o ex-goleiro Bruno, Serra não tenha querido fabricar mais uma vítima e colocar-se no lugar do algoz. Pois a verdade é que, no Brasil, todo o mundo se diz indignado contra a corrupção, mas a maioria não vê nenhum problema em ser amigo do corrupto, se este for gentil, passar a mão na cabeça de uma criança, sorrir, apertar mãos e arrumar um emprego público para o amigo. Serra deve ter considerado essas variáveis e optado por margear as áreas problemáticas.
Serra conhece o PT e sabe que as denúncias de corrupção atingirão a candidata oficial, mesmo que ele não as faça (o PT nunca precisou de ajuda para produzir um escândalo todo dia). Sabe que será acusado de “estúpido” e “cruel” se atacar duramente Dilma (que é avó, tem câncer, lutou contra a ditadura, lágrimas, lágrimas…), mas que se Dilma afundar como conseqüência das centenas de denúncias originadas nos mais diferentes lugares, “no habrá más penas ni olvido”. Dilma afundará sob a “opinião anônima das ruas” e ele não precisará “sujar as mãos” com isso.
É possível que Serra e seu marqueteiro estejam certos. Talvez não se possa fazer diferente num ambiente em que os inúmeros crimes eleitorais do presidente da República são ignorados ou banalizados pela imprensa e pelos bem-pensantes e uma única palavra dura da oposição é denunciada como crime imprescritível contra a Humanidade (de Lula…). Nesta eleição, o bandido, definitivamente, não é Serra nem seu marqueteiro…
Como eu disse, é um exercício de interpretação. Podem jogar as pedras.