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05 março 2010

Miscigenação entre o colonizador branco e a escrava negra_Gilberto Freyre

"Introduzidas as mulheres africanas no Brasil dentro dessas condições irregulares de vida sexual, a seu favor não se levantou nunca, como a favor das mulheres índias, a voz poderosa dos padres da Companhia. De modo que por muito tempo as relações entre colonos e mulheres africanas foram as de franca lubricidade animal. Pura descarga de sentidos. Mas não que fossem as negras que trouxessem da África nos instintos, no sangue, na carne, maior violência sensual que as portuguesas ou as índias.
"Dampier, que esteve na Bahia, no século XVII, soube de vários colonos amasiados com negras: “Plusieurs dês portugais, qui ne sont pás marrez, entreiennent de cês femmes noires pour leurs maitresses.” Já não eram as relações dos portugueses com as pretas, as de pura animalidade dos primeiros tempos. Muita africana conseguira impor-se ao respeito dos brancos; umas, pelo temor inspirado por suas mandingas; outras, como as Minas, pelos seus quindins e pela sua finura de mulher. Daí ter uma minoria delas conquistado para si uma situação quase idêntica à que o moralismo parcial dos jesuítas só soubera assegurar para as índias. Situação de “caseiras” e “concubinas” dos brancos; e não exclusivamente de animais engordados nas senzalas para gozo físico dos senhores e aumento do seu capital-homem."
Trecho do livro Casa grande & Senzala, de Gilberto Freyre

Negros donos de escravos negros_Demétrio Magnoli

"Se a escravidão tradicional africana funcionou como alicerce para a venda de escravos aos traficantes europeus e árabes, também é verdade que o tráfico negreiro ampliou o escravismo na África. A população cativa do Congo chegou a representar 50% do total. No reino vassalo do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século XVI, a classe dos escravos era a fonte do poder do rei e da aristocracia.
O reino Ashanti dominou a Costa do Ouro por três séculos e a venda de escravos para os traficantes representou a mais importante fonte de suas rendas, que eram trocadas por bens comercializados pelos europeus. Os lugares onde foram erguidos os empórios de escravos não eram posses dos traficantes, mas da chefia ashanti, que os cedia mediante um aluguel mensal. Os ingleses pagavam pelo uso do Castelo de Cape Coast. No golfo da Guiné, antes do reino Ashanti, cujo apogeu se deu no século XVIII o negócio do tráfico tinha como foco o estado de Oyo, na atual Nigéria, e depois transferiu-se para o Daomé, no atual Benin. Os chefes do Daomé mantinham estreitas relações com os traficantes luso-brasileiros do Rio de Janeiro e, quando o Brasil declarou sua independência, chegaram a explorar a hi-pótese de se juntar ao Império de D. Pedro I na condição de província ultramarina.
As guerras entre Estados africanos tornaram-se mais comuns nas áreas sob a influência dos empórios negreiros, pois a captura e escravização passaram a figurar como fontes essenciais de riqueza para as chefias. As guerras crônicas entre os ashantis e os acans forneceram, para as chefias de ambos os lados, muitos dos cativos que foram vendidos como escravos nos empórios da Costa do Ouro. Entre 1814 e 1816, os ashantis conduziram uma sangrenta guerra contra uma coalizão
dos akins e akwapis para recuperar acesso a portos marítimos e, desse modo, aoí traficantes europeus. Pouco antes do fim do tráfico transatlântico, em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que “o tráfico de escravos tem sido o princípio norteador de meu povo” e, ainda, que “ele tem sido a fonte da nossa glória e riqueza”.’1 Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.
O nexo africano do sistema internacional de comércio de escravos pesa como uma rocha em certos países da África. “Não discutimos a escravidão”, assegura Barima Kwame Nkye XII, um chefe supremo do povoado ganes de Assin Mauso, enquanto Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma “amnésia geral sobre a escravidão”.5 A “amnésia” concerne, especialmente, ao papel desempenhada pelos chefes ashantis, cujos descendentes continuam a ocupar lugares destacados na sociedade ganesa. Uma história oficial procura estabelecer uma distinção absoluta entre a escravidão tradicional, descrita como mais ou menos benevolente, e o tráfico internacional, que é atribuído exclusivamente aos europeus. Contudo, em algumas regiões africanas, descendentes de escravos não têm, até hoje, o direito de herança.
O trecho acima é do livro Uma Gota de Sangue, de Demétrio Magnoli.

28 fevereiro 2010

Vida longa à Nova República_José Serra

Nos 25 anos passados desde a redemocratização, a sociedade brasileira amadureceu, alcançou a estabilidade política e encontrou o rumo do crescimento
José Serra é governador de São Paulo e provável candidato do PSDB à Presidência da República
A Nova República completa 25 anos em março, mês em que Tancredo Neves deveria tomar posse na Presidência. Há razões para sustentar que se trata da fase da história do Brasil com o maior número de conquistas de indiscutível qualidade política e humana.
Em primeiro lugar, o país nunca havia conhecido um quarto de século ininterrupto de democracia de massas. É nítido o contraste com a oligárquica República Velha, de eleições a bico de pena, sacudida por intervenções nos estados, revoluções e instabilidade.
O período supera igualmente a fase democrática após a queda de Getúlio Vargas, em 1945. E não só pela duração – o regime da Constituição de 1946 foi desfeito em menos de vinte anos pelo golpe que derrubou João Goulart. A Nova República vai muito além na expansão sem precedentes da cidadania e na eliminação quase total das restrições ao direito de voto, com o eleitorado praticamente se confundindo com o universo da população adulta.
Longe de acarretar maior instabilidade, a ampliação da participação das massas populares coincide com um período de completa ausência de conspirações, golpes militares, quarteladas, intervenções preventivas e epílogos políticos trágicos ou temerários. Bem diferente do período anterior, que teve Aragarças e Jacareacanga, durante o governo de Juscelino Kubitschek; o movimento do marechal Lott, de 11 de novembro de 1955; o suicídio de Vargas, em 1954; e a renúncia de Jânio Quadros, em 1961.
Desde a Questão Militar do Império, passando pela primeira década da República, pela Revolta da Armada, pelo tenentismo, pela Revolução de 1924, pela de 1930, pela de 1932, pela insurreição comunista de 1935, pelo golpe de novembro de 1937 e pelo golpe de 1964, é a primeira vez que o fator militar desaparece da política brasileira, e a hipótese do golpe dos quartéis se torna na prática impensável.
Não se pode atribuir essa tranquilidade à ausência de fatores de desestabilização, que foram às vezes dramáticos: a doença e a morte inesperada do presidente eleito no momento mesmo da transição do regime militar para o civil, o processo de impeachment e afastamento de Collor.
Muito menos se pode alegar que tudo se deve a uma conjuntura econômico-social particularmente favorável. Ao contrário: boa parte dos últimos 25 anos se desenrolou sob o signo da aceleração da inflação, até atingir o limiar da hiperinflação, com o agravamento dos conflitos distributivos. Em seguida, houve a fase das grandes crises financeiras mundiais (1994-1995, 1997-1998, 2007-2008). Convém não esquecer a coincidência também com as décadas perdidas em matéria de crescimento econômico. Não faltaram reveses sérios que, em outras épocas, teriam abalado as instituições. Um dos maiores foi o fracasso do Plano Cruzado e dos inúmeros planos que se sucederam, alguns com medidas draconianas, como o confisco da poupança.
Não obstante tais obstáculos, a Nova República conseguiu completar com normalidade uma conquista que permaneceu fora do alcance dos regimes do passado. A alternância tranquila no poder de forças político-partidárias antagônicas provocava sempre a polarização e a radicalização da sociedade brasileira. São exemplos os períodos de 1954-1955 e, com consequências mais graves, entre 1961 e 1964. Neste quarto de século, a alternância passou a fazer parte das conquistas adquiridas: já ninguém mais contesta a legitimidade das vitórias eleitorais, do processo democrático e do natural desejo dos adversários vitoriosos de governar sem perturbações.
"Neste quarto de século, a alternância de poder passou a fazer parte das conquistas adquiridas: já ninguém mais contesta a legitimidade das vitórias eleitorais, do processo democrático e do natural desejo dos adversários vitoriosos de governar sem perturbações"
O resultado é ainda mais impressionante quando se observa que uma dessas alternâncias aparentemente mais contrastantes foi a chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores, encarado, a princípio, se não como força desestabilizadora, ao menos de comportamento radical e deliberadamente à margem na política nacional. Basta lembrar, como exemplo, a decisão do PT de punir seus deputados que votaram em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, e sua recusa em homologar a Constituição de 1988.
O PT, aliás, acabou por ser, por paradoxal que pareça, um dos principais beneficiários dos grandes erros históricos de julgamento que cometeu. Nos dois primeiros casos, porque a eleição do primeiro presidente civil e as conquistas sociais e culturais da Constituição foram os fatores-chave que possibilitaram criar o clima que eventualmente conduziria o partido ao poder. Outros erros históricos seguiram-se àqueles. O partido também se opôs à estabilização da economia brasileira, denunciando com estridência o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas soube, posteriormente, colher seus bons frutos.
Este último exemplo, o da estabilização, é especialmente notável. Os governos militares, apesar dos 21 anos de poder discricionário em termos de elaboração de leis e normas, com elevado grau de repressão social e sindical, fracassaram por completo em liquidar a herança da inflação, acelerada na segunda metade dos anos 1950, mas que provinha do fim da
II Guerra Mundial. Pior do que isso: agravaram em muito o problema ao criar a indexação da moeda, que tanto iria complicar o combate à inflação. Ao mesmo tempo, conduziram o país para a gravíssima crise da dívida externa a partir de 1981-1982, dando início a quase uma década e meia perdida no que respeita ao crescimento econômico.
O Brasil, que, segundo os estudos do professor Angus Maddison, havia sido por mais de um século, entre 1870 e 1980, o país de maior crescimento médio entre as dez maiores economias do mundo – EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, China, Índia, União Soviética, Brasil e México –, esqueceu a fórmula do crescimento e passou até a menosprezá-lo, como, aliás, ainda o fazem alguns.
Pois bem, o período de um quarto de século da Nova República, sem repressão nem poderes especiais, conseguiu finalmente derrubar a superinflação. Fez mais: resolveu o problema persistente da dívida externa herdada e até deu começo a uma retomada promissora do crescimento econômico, e à expansão do acesso das camadas de rendimentos modestos ao crédito e ao consumo, inclusive de bens duráveis.
Duas observações acautelatórias se impõem a esta altura. A primeira é que as conquistas da Segunda Redemocratização não foram o resultado de milagres instantâneos. Custaram esforços enormes e, com frequência, só se deram depois de muitas tentativas e erros. É por isso que o período tem de ser analisado na sua integridade, êxitos e fracassos juntos, já que estes são partes inseparáveis do processo de aprendizagem coletiva, para o qual contribuíram numerosos dirigentes e cidadãos numa linha de continuidade, não de negação e ruptura.
A segunda é que nenhuma conquista é definitiva, nenhum progresso é garantido e irreversível. Assim como não somos escravos dos erros do passado, tampouco devemos crer que a eventual sabedoria dos acertos de ontem se repetirá invariavelmente hoje e amanhã. É necessário destacar tal aspecto porque a estabilidade, o crescimento e os ganhos de consumo, no que concerne ao panorama econômico-social, ainda não têm garantidas as condições de sustentabilidade no médio e no longo prazos.
"As fases da história
não podem ser arbitrariamente datadas a partir de um ou outro governante ao qual queiram alguns devotar um culto de exaltação. Elas só terão coerência se corresponderem a instantes decisivos de mudança institucional: a República, a Revolução de 1930, a Primeira Redemocratização, em 1945, o golpe de 1964, a Segunda Redemocratização ou Nova República"
Nosso dever é, por conseguinte, o de assumir com humildade e coragem a herança desses 25 anos, não para negar o passado, mas para superá-lo, a fim de fazer mais e melhor. Não é apenas por uma coincidência deste momento com o aniversário dos primeiros 25 anos da Nova República que devemos reclamar essa denominação, injustamente esquecida devido talvez às decepções dolorosas dos primeiros anos, quando a história nos surpreendeu com o desaparecimento prematuro de Tancredo Neves, o galope da superinflação e a renitência do patrimonialismo na vida pública brasileira. Mas o Brasil mudou para melhor.
A verdade é que os fatos alinhados acima, indiscutíveis na sua consistência e na sua imensa importância, atestam o discernimento e a sabedoria que deram perenidade à obra fundadora dos grandes responsáveis pela Nova República. E aqui evoco os nomes de alguns que já nos deixaram, além de Tancredo: Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Leonel Brizola, Teotônio Vilela, José Richa, Mário Covas, Sobral Pinto, Raymundo Faoro e Celso Furtado.
O exemplo inspirador de Nelson Mandela está aí para nos mostrar que a grandeza do instante fundador não se esgota naquele momento da partida, mas continua a fazer diferença no futuro. As fases da história não podem ser arbitrariamente datadas a partir de um ou outro governante ao qual queiram alguns devotar um culto de exaltação. Elas só terão coerência se corresponderem a instantes decisivos de mudança institucional: a República, a Revolução de 1930, a Primeira Redemocratização, em 1945, o golpe de 1964, a Segunda Redemocratização ou Nova República. A razão não é difícil de compreender e já está presente em Maquiavel: os fundadores de uma nova ordem na base da virtude em grande parte determinam como haverão de viver os homens e mulheres de acordo com as leis e a Constituição criadas.
O Brasil de hoje tem a cara e o espírito dos fundadores da Nova República: senso de equilíbrio e proporção; moderação construtiva na edificação de novo pacto social e político; apego à democracia, à liberdade e à tolerância; paixão infatigável pela promoção dos pobres e excluídos, pela eliminação da pobreza e pela redução da desigualdade. É na fidelidade a esse legado que haveremos de manter e superar o que até aqui se tem feito e realizar mais e melhor para o crescimento integral do povo brasileiro.

26 fevereiro 2010

Lula em Cuba: morra Zapata!!

Vejam o que Augusto Nunes escreveu sobre o caso:
Para fingir que não soube do pedido de socorro emitido por 42 presos políticos cubanos, o presidente Lula compôs um hino à imbecilidade. “As pessoas precisam parar com esse hábito de fazer cartas, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros”, começou. Como se o texto não tivesse sido reproduzido por todos os jornais do país. “Quando uma pessoa manda uma carta para um presidente, no mínimo, só pode dizer que o presidente a recebeu se protocolar a carta”, concluiu. Como se a ditadura dos irmãos amigos se dispusesse a fretar um avião para depositar na Praça dos Três Poderes um dos signatários do documento.
Para culpar o preso político Orlando Zapata Tamayo pela própria morte, Lula ergueu um monumento ao cinismo. “Temos de lamentar, como ser humano, sobre alguém que morreu porque decidiu fazer greve de fome”, começou. Como se Zapata tivesse permanecido 85 dias sem se alimentar para dedicar-se ao ofício de faquir depois da libertação. “Vocês sabem que sou contra, porque fiz greve de fome”, concluiu. Como se merecesse tal qualificação o anedótico jejum que simulou durante a paralisação dos metalúrgicos do ABC entre abril e maio de 1980.
“O pessoal escondia bala, acordava para roubar bolacha, uma vergonha”, diz José Maria de Almeida, um dos participantes da comédia. Em 1997, como atesta o video abaixo, Lula confessou que tentara contrabandear para a cela um pacote de balas Paulistinha. A pedido dos próprios metalúrgicos, em busca de uma saída honrosa para o falso problema, o cardeal Paulo Evaristo Arns solicitou-lhes que encerrassem o que nem começou. O fim da paródia foi celebrado com um amistoso jantar entre encarcerados e carcereiros. “Fiquei tão contente quando a greve de fome acabou que mandei servir lula a dorê para o pessoal”, conta o agora senador Romeu Tuma.
O depoimento gravado em vídeo atesta que, enquanto os companheiros permaneceram hospedados no Dops, o delegado Tuma transformou o que deveria ser uma prisão do regime autoritário num aconchegante hotel com celas. Lula nem faz ideia do que é uma cadeia de ditadura. Nunca soube o que é greve de fome. Conjugados, o falatório em Cuba e as declarações de 1997 avisam que o mundo deste começo de século será lembrado como um deserto de estadistas. É esse o habitat do governante das cavernas.

Democratas: “Sim” á Democracia; “não” às Ditaduras

No momento em que o presidente Lula da Silva faz sua terceira visita a Cuba e posa sorridente para fotos abraçado aos ditadores Fidel e Raúl Castro, a Comissão Executiva Nacional do Democratas lamenta o silêncio inexplicável do governo ante a morte do preso político cubano Orlando Zapata Tamayo, enterrado em Havana no mesmo dia em que chegou ao país a comitiva brasileira.
A agonia e morte do prisioneiro, que estava em greve de fome desde o início de dezembro e vinha sendo torturado por sonhar com um regime de liberdade, é a prova cabal de que a barbárie impera em Cuba. Ali, passa de 200 o número de presos por supostos crimes de “consciência”, segundo estimativa da anistia internacional.
O presidente Lula da Silva, que sempre disse defender a democracia e o Estado de Direito, devia refletir sobre suas responsabilidades perante a história do Brasil, a história do seu partido e até sua própria história, antes de apoiar ditaduras como as que vigoram no Irã e em Cuba. O presidente da República também não devia carrear vultosos financiamentos públicos brasileiros, à revelia do Poder Legislativo, para a ditadura dos irmãos Castro.
Cuba é um país que se tornou pária por não cumprir as cláusulas democráticas exigidas nas relações diplomáticas dos povos civilizados. Também não cumpre contratos. Isto quer dizer que o dinheiro levado por Lula da Silva não será devolvido. O Brasil jamais recebeu de volta os empréstimos que fez a Cuba.
O presidente Lula da Silva não é dono da poupança dos brasileiros. Ele deve gerir os recursos mediante critérios legais, em vez de usá-los para doação a seus ditadores de estimação. Para se ter idéia do absurdo desta ação presidencial cabe lembrar que o montante que Lula garantiu a Cuba é mais de dez vezes superior à soma das doações feitas pelo Brasil ao Haiti, país devastado pelo terremoto de 12 de janeiro.
O Democratas pretende convocar o presidente do BNDES, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, para explicar no Congresso os critérios que foram usados pela instituição para definir os empréstimos a Cuba.Emprestar dinheiro a uma ditadura é financiar a tortura, é homenagear um regime opressivo que leva os dissidentes à morte.
O povo brasileiro apóia a liberdade de pensar, participar e discordar. O povo brasileiro não aceita o equívoco deste governo que vai a Cuba tentar mostrar ditadores, que perderam todas as batalhas da História, como heróis. Heróis são os que morrem pela liberdade.
Brasília, 25 de fevereiro de 2010
Rodrigo Maia- Presidente

25 fevereiro 2010

Dicionário Lulista

Augusto Nunes pediu que jornalistas fizessem, sob a coordenação de Marcelo Fairbanks, um Breve Dicionário da Novilíngua Lulista:
adaptar-se à realidade. 1. Cair na vida, trocar o templo das vestais pelo bordel. 2. Topar qualquer negócio para chegar ao poder ou nele permanecer. 3. Enriquecer com negociatas capitalistas sem renunciar ao falatório socialista.
aloprado. Companheiro pilhado em flagrante durante a execução de bandalheiras encomendadas pela direção do partido ou pelo Palácio do Planalto.
analfabetismo. 1. Pré-requisito para subir na vida. 2. Termo que, usado no sentido depreciativo, identifica outro preconceito alimentado por integrantes da elite golpista ou louros de olhos azuis.
asilo político. Situação jurídica que deve beneficiar todo companheiro condenado em outros países por crimes comuns ou atos de terrorismo.
base aliada (sin.: base alugada). 1.Bando formado por parlamentares de diferentes partidos ou distintas especialidades criminosas , que alugam o apoio ao governo, por tempo determinado, em troca de verbas no Orçamento da União, nomeações para cargos público, dinheiro vivo e favores em geral. 2. Quadrilha composta exclusivamente por deputados e senadores.
Bolívar (Simón). Herói das guerras de libertação da América do Sul que, segundo Hugo Chávez, reencarnou no fim do século passado com o nome de Hugo Chávez.
bolivariano. 1. Comunista que não quer confessar que é comunista. 2. Devoto de Hugo Chávez. 3. Napoleão-de-hospício (pop.).
cargo de confiança. 1. Empregão reservado a companheiros do PT ou companheiros integrantes da base aliada, que nem precisam perder tempo com concurso para ganhar um um salário de bom tamanho. 2. Cala-boca (pop.).
cartão corporativo. Objeto retangular de plástico que permite gastar dinheiro dos pagadores de impostos sem dar satisfação a ninguém.
caixa dois. Dinheiro extorquido sem recibo de empresários amigos, geralmente proprietários de empreiteiras.
coligação. Puxadinho feito pela base aliada (ou base alugada) e/ou por suas ramificações regionais.
Comissão da Verdade. Grupo de companheiros escalados para descobrir qualquer coisa que ajude a afastar a suspeita, disseminada por Millôr Fernandes, de que a turma da luta armada não fez uma opção política, mas um investimento.
companheiro. 1. Qualquer ser vivo ou morto que esteja do lado de Lula. 2. Político que, no momento da adesão ao governo, deixa de ser inimigo do povo para ser promovido a patriota. 3. Delinquente convertido em cidadão exemplar depois de receber a bênção de Lula. 4. Integrante do rebanho que engole até um Sarney se o chefe mandar.
controle social da mídia. Censura exercida por censores que fingem saber o que o povo quer ler, ouvir ou ver.
corrupção. 1. Forma de ladroagem que, praticada por adversários do governo, deve ser denunciada. 2. Forma de coleta de dinheiro que, praticada por companheiros, deve ser tratada como um meio plenamente justificado pelos fins. 3. Ilegalidade elogiável se praticada em nome do partido. 4. Crime que pode ser justificado pelo passado do companheiro mesmo quando praticado em proveito próprio. 5. Hobby preferido dos companheiros da base alugada.
Cuba. 1. Ditadura que deve servir de modelo para qualquer democracia. 2. Ilha-prisão que abriga gente condenada a ser feliz. 3. Terra Prometida para os outros.
cueca. Cofre de uso pessoal utilizado no transporte de moeda estrangeira adquirida criminosamente.
Aloízio Mercadante. Companheiro inventor da retirada triunfal, da rendição vitoriosa e da revogação do irrevogável.
bagre-do-Madeira. Espécime da fauna aquática amazônica especializado em ataques terroristas a hidrelétricas do PAC.
Bolsa Família. Maior programa de compra oficial de votos do mundo.
camarada de armas. Companheiro diplomado em cursinho de guerrilha que só disparou tiros de festim; guerrilheiro que ainda não descobriu onde fica o gatilho do fuzil. (Ex.: Dilma Rousseff e José Dirceu são camaradas de armas.)
ditadura do proletariado. Forma superior de democracia, tão avançada que dispensa o povo de votar ou dar palpites porque os companheiros dirigentes sabem tudo o que o povo quer.
Fernando Henrique Cardoso. 1. Ex-presidente que, embora tivesse ampla maioria no Congresso, fez questão de aprovar a emenda da reeleição com a compra de três votos no Acre só para provocar o PT. 2. Governante que, depois de oito anos no poder, só conseguiu inaugurar a herança maldita.
FHC. 1. Grande Satã; demônio; capeta; anticristo;. satanás; diabo. 2. Assombração que vive aceitando debater com Lula só para impedir que o maior governante de todos os tempos se dedique à construção do Brasil em tempo integral. 3. Sigla que, colocada nas imediações do SuperLula, provoca no herói brasileiro efeitos semelhantes aos observados no Super-Homem perto da kriptonita.
MST. 1. Entidade financiada pelo governo para fazer a reforma agrária com a substituição de terras produtivas pela agricultura familiar. 2. Movimento formado por lavradores que não têm terra e, por isso mesmo, não sabem plantar nem colher.
ou seja. Expressão usada pelo Primeiro Companheiro para avisar que, por não saber o que dizer, vai berrar o que lhe der na cabeça.
pedra fundamental. Obra do PAC inaugurada antes de começar a ser construída.
perereca. Espécie de batráquio adestrada em criadouros tucanos para ações de sabotagem contra viadutos do PAC.

24 fevereiro 2010

Eleitores preferem Serra para Presidente do Brasil

Governador de SP pode vencer no 1º turno se PSB não apresentar candidato
Brasília (18) - Pesquisa Ibope, realizada entre 6 e 9 de fevereiro, reforça a tendência revelada em levantamentos anteriores e mostra que o governador José Serra (SP) continua como o preferido dos eleitores brasileiros nas eleições deste ano.
Neste levantamento, encomendado pela Associação Comercial de São Paulo, Serra é o preferido de 36% dos entrevistados, enquanto 25% optam por Dilma Rousseff, candidata oficial do governo petista. Em terceiro lugar está Ciro Gomes (PSB) com 11%, seguido da senadora Marina Silva (PV), 8%.
A pesquisa mostra que, mesmo sem campanha, mesmo respeitando a Lei eleitoral, mesmo sem comícios por todo o Brasil, o governador de São Paulo abre 11 pontos percentuais no 1º turno, diferença que sobe para 13% quando Ciro Gomes segue a tendência de sair da disputa. Nesse caso, o nome do PSDB venceria a eleição já no primeiro turno, por 41 a 28% dos votos válidos.
O líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida, avalia que o resultado não traz nenhuma novidade. "Essa é mais uma pesquisa que comprova o que todos nós estamos cansados de saber: Serra é o favorito", afirma.
Segundo o deputado, os resultados "jogam um balde de água fria" na candidatura oficial, em franca campanha, além de desmistificar a tentativa de passar para os eleitores que os dois estariam empatados tecnicamente.
No eleitorado feminino, a candidata também não consegue decolar. Mesmo sem o candidato do PSB na disputa, a candidata oficial tem apenas 24% de votos entre as mulheres, enquanto Serra tem 41% .
Para a senadora Marisa Serrano (MS), a pesquisa desmente uma tese, infundada, do PT, de que as mulheres teriam dificuldades em votar no PSDB. "Os números revelam a preferência do eleitorado feminino por Serra. Isso é questão de competência, não de machismo. As mulheres sabem que Serra é o mais preparado", afirma. "A pesquisa é boa, pois mesmo sem fazer campanha, Serra continua liderando. Vai ser uma boa disputa, se a justiça garantir igualdade de direitos".
O Ibope mostra outros números relevantes, como, por exemplo, que 64% dos brasileiros querem mudanças. Ainda segundo o Ibope, Serra é o mais conhecido do eleitor, 75% disseram conhecê-lo. E, apesar dessa alta popularidade, o governador ainda apresenta potencial de crescimento: 53% dos entrevistados afirmam que com certeza votariam nele para presidente ou que poderiam votar. Além disso, Serra tem a seu favor o menor índice de rejeição: 29%.
"As pesquisas são claras, não mentem. Serra é o único candidato preparado", afirma o deputado Antonio Pannunzio (SP),lembrando a superexposição que o governo promove à sua candidata e o fato do governador paulista sequer ter anunciado a candidatura. "O resultado prova que o nome de Serra é o único consolidado", diz Pannunzio (SP).
Para a realização da pesquisa, o Ibope ouviu 2.002 eleitores em 144 municípios em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

13 fevereiro 2010

A retórica de Lula_O 'lulês' nos discursos chulos

Postados por Reinaldo Azevedo, reproduzo aqui:
Abaixo, alguns trechos de falas presidenciais extraídos do Dicionário Lula, de Ali Kamel. Agora entendo o que Marilena Chaui quis dizer numa entrevista ao afirmar que, quando Lula fala, o mundo se ilumina.

MERDA
Ou ao defender seu programa de saneamento básico:
Pense num “cabra” [o próprio Lula] que, um dia, saiu dessa rua Auriverde e foi morar na rua Verão, numa casa nova, com cheiro de tinta, em junho de 1963. E, em janeiro de 1964, acordou à meia-noite, com rato disputando espaço com barata, com merda boiando na ponta do nariz, com água batendo no colchão, e teve que se levantar à noite para levantar o colchão, para levantar a mãe, para tirar as irmãs. (12/7/07, Recife - PE. Lançamento do PAC nas áreas de saneamento e urbanização no estado de Pernambuco)

Ao defender o Programa de Aceleração do Crescimento:
Só é contra quem não sabe o que é carregar uma lata d’água na cabeça por quatro ou cinco léguas. Só é contra quem não sabe o que é pegar um pote d’água cheio de barro, de merda de animal, de caramujo, levar para dentro de casa, colocar para assentar e ficar tomando aquela água barrenta cheia de caramujo para pegar doença, para apodrecer os dentes, para pegar vermino­se. Então, quem tem água Perrier na geladeira pode até ser contra. (27/7/07, Natal - RN. Lançamento do PAC Saneamento e Urbanização no estado do Rio Gran­de do Norte)

COCÔ
Ou ao defender a transposição das águas do São Francisco:
Vou fazer porque sei o que é ir buscar água num açude e ficar separando cocô da água - cocô de cavalo, cocô de cabrito - para pegar água numa canequinha, colocar num pote, deixar assentar, para depois, no dia seguinte, tomar um me­tro de barro dentro da água com caramujo. Eu sei, porque eu já bebi; sei porque já fui buscar água em açude. (11/2/05, Caruaru - PE. Inauguração da Clínica Asa Branca, do Programa Brasil Sorridente)

FEZES
Ao defender a criação do Fundo de Habitação Social:
Eu li um livro muito importante chamado Geografia da Fome, um livro pro­duzido pelo Josué de Castro em 1946, se não me falha a memória, em que ele descreve a vida do cidadão que mora na palafita, em que ele comia as próprias fezes porque fazia um buraco, criava o caranguejo, defecava ali, o carangue­jo comia e ele comia o caranguejo, a história é mais ou menos essa. (23/3/06, Brasília - DF. 16.ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - CDES)

FEDENTINA, ESGOTO
Ao defender o seu programa de obras para baixa renda:
Quero dizer para vocês que essas obras que nós estamos aqui assinando contrato com o Governo e com a prefeitura certamente são o início da mudança da cara da periferia de Fortaleza. As mulheres pobres deste país não são obrigadas a levantarem todo dia, abrirem a porta e cheirar uma fedentina de esgoto a céu aberto de rios podres na frente das suas casas. (28/2/08, Fortaleza - CE. Assinatura de atos de saneamento e habitação do PAC)

RATOS, BARATAS
Ou ao defender o seu programa de combate à fome:
Eu me lembro de que, uma vez, no sindicato, nós denunciamos que os trabalhadores comiam rato na favela do Alves Dias. Foi um escândalo. A pessoa lia o jornal e achava que a gente era xiita: “Onde já se viu dizer que as pessoas comem rato?” E comiam. Em Quipapá, Pernambuco, quando fui pela primeira vez, com Jarbas Vasconcelos [governador de Pernambuco], Marcos Freire [po­lítico pernambucano, já falecido] e Cristina Tavares [política pernambucana, já falecida], entramos numa casa que tinha uma família comendo rato. E não era preá, era rato mesmo. (25/3/03, Brasília - DF. Discurso no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - Consea)

Ou ao defender a necessidade de investimentos nas regiões metropolitanas:
Então nós resolvemos, em vez de espalhar o dinheiro por todo o território nacional, centrar o dinheiro nas grandes cidades brasileiras, que é onde tem os maiores problemas, tem mais criminalidade, tem mais tráfico de droga, tem mais gente apinhada, às vezes crianças repartindo três metros quadrados com rato, com barata e com esgoto a céu aberto. (21/6/07, Belo Horizonte - MG. Visita às obras do projeto Vila Viva Aglomerado da Serra)

SARNA, PIOLHO
Ao defender a recriação da Sudene:
A Sudene que durante muito tempo foi responsável por 60% de todo o ICMS arrecadado no Nordeste brasileiro. E ela deixou de cumprir as suas funções para com o Nordeste quando os governantes deixaram de cumprir as suas funções com o Nordeste. Porque não é possível que uma mãe descubra que uma criança está com sarna ou com piolho e resolva jogar a criança fora, junto com a água. (30/4/08, Brasília - DF. Lançamento da carteira de trabalho informatizada e do Cartão de Identificação do Trabalhador)

BUNDA
Ao defender a criação de escolas técnicas:
O formado tem facilidade de arrumar emprego e tem facilidade de ganhar um salário melhor. O não formado bota a carteira no bolso da bunda, anda dias e meses atrás de um emprego e ninguém pega o emprego, e quando pega é para ganhar um salário mínimo ou, às vezes, só arruma emprego terceirizado. (9/5/08, Ilhéus - BA. Lançamento do Plano de Aceleração do Desenvolvimento e de Diversificação Agrícola na Região Cacaueira do estado da Bahia)

ÚTERO PERFURADO
Ao defender a atenção do Estado para o drama de adolescentes grávidas:
Eu conheço casos de meninas que perfuraram o útero com agulha de fazer tri­cô. Eu conheço casos, na Bahia e em outros estados do Nordeste, em que meni­nas colhiam fuligens no fogão de lenha, achando que aquilo poderia resolver o problema da sua gravidez. (7/5/07, Brasília - DF. Entrevista à Rede Católica de Rádio, no Palácio do Planalto)

Ao defender seu programa habitacional:
Quem mora numa grande cidade ou numa cidade média, fora do mangue, simplesmente não conhece o que é uma palafita. Mas eu já vi mulher com uma estaca de pau grudada na costela, que perfurou o seu útero e matou o seu filho. É o tipo de moradia mais degradante que pode existir. (11/3/03, Brasília - DF. Encontro com prefeitos - VI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios)

PONTO G
Ao falar de um possível acordo com George Bush em relação à rodada de Doha:
Nós já conversamos muito sobre a rodada de Doha ao longo desses últimos meses e nós estamos andando com muita solidez para encontrar a possibilidade, com o chamado ponto G, de fazer um acordo. (9/3/07, São Paulo - SP. Declaração à imprensa após almoço de trabalho sobre biocombustível com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush)

12 fevereiro 2010

SEM MEDO DO PASSADO_Fernando Henrique Cardoso

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado.

Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.
Tags: Estadão, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Sem Medo do Passado

O pensamento cartesiano de Dilma Rousseff

Recolhi algumas 'pérolas' da falação de Dilma, reproduzida de Celso Arnaldo por Augusto Nunes:
1) “Sem sombras de dúvidas, a casa é o lugar mais sagrado onde a gente tem condição de construir uma coisa que protege cada um de nós e que faz com que cada um de nós não esteja sozinho no mundo, é a primeira coisa que é a família”.
2)“O presidente Lula foi o primeiro presidente que depois de mais de 25 anos, mais de 30 anos, voltou a tratar a questão habitacional como uma questão importante. No passado, trataram um pouco a questão habitacional como uma questão importante mas não fizero olhando os mais pobres, fizero olhando os remediados, uma classe média”.
3)“O campus vai permitir que, sem sair de Governador Valadares, sem ter que ir para outras cidades, ou mesmo para os Estados Unidos, o morador vai poder se formar aqui. É mais uma oportunidade”.
Como Dilma - a palanqueira - não para de falar, vem mais por aí...
Em 25.02.10:
4) “Nós, quando falam assim vamos virar a quinta potência porque falam olha vai ser a primeira potência ou a China ou a Índia, ou… a China ou, ou os Estados Unidos. A segunda, talvez a Índia ou o Japão. E a quinta, né, aí já tem quatro países, seria o Brasil (…) O que nós temos de falar é outra coisa: tá perfeito isso. Isso é um dado que eles olham em relação ao crescimento do produto do País. Nós do governo temos de falar o seguinte: nos interessa, sim, sê a quinta economia. Mas nós vamos ter de ser a quinta economia desde que os 190 milhões brasileiros tenham nível de vida de quinta economia”.
5)“Nós tamo num momento em que o Brasil está sendo de fato reconhecido como uma grande potência em acelerado crescimento, acelerada aparição de oportunidades. O Brasil não tá sendo visto só por nós, mas sendo visto internacionalmente (…). Nós tivemo um crescimento econômico que não excluía o povo brasileiro, seus 190 milhões, mas incluía.”
Dilma, Minas e RGS (19.03.10):
6)“Muita gente diz que a ministra diz que é mineira, mas não é. A gente não é de um estado ou de outro por conta da vida política, mas da infância, da adolescência, da juventude. Eu saí de Minas aos 23 anos. Nenhum político da oposição pode tirar Minas de minha experiência. Saí de Minas, mas Minas não saiu de mim”.
7)“Vou repetir o que repito a horas: a pesquisa é retrato do momento. Nós tamu em março, a eleição é em outubro, e ninguém sobe de salto alto”.
8)“Não podemos deixar que se reproduza desigualdade na raiz da desigualdade”.
9)“Nós estamos não mais só conquistando território, nós estamos melhorando o território, assegurando que o território hoje tem uma logística adequada”.
10) Sobre Juscelino:“Grande presidente desenvolvimentista, responsável, visão ampla de País”.

Dilma fala mais besteira que Lula

Veja só o que ela fez em Governador Valadares(MG):
"Vocês aqui de Juiz de Fora, homens, mulheres, as crianças…”, desembestou Dilma Rousseff no discurso em Governador Valadares. Imediatamente corrigida pelos gritos da multidão, demorou a compreender que promovera uma alteração no mapa do Brasil que nem o PAC conseguiu inaugurar. Só depois da segunda fundação de Juiz de Fora em Governador Valadares o neurônio solitário assimilou a informação berrada pela plateia. A oradora olhou feio para o homem ao lado: “O reitor me passou errado”, acusou. Os moradores da cidade descobriram que o reitor acha que Governador Valadares é Juiz de Fora, ou que Juiz de Fora é Governador Valadares, tanto faz. E o os mineiros ficaram sabendo que a Mineira do Século é tão mineira que precisa que alguém lhe diga em que lugar de Minas está". Minha nossa!!

11 fevereiro 2010

Bate-boca eleitoral

O FHC, doido por um holofote e querendo responder aos ataques do PT, e este sequioso para promover o debate de tema único ao comparar os governos Lula e FHC e assim esconder a Dilma do PAC, atacou o governo Lula e se dispõe a debater com Lula ambos os govrnos. Serra se esconde para não entrar nessa fuzarca, o que faz muito mal porque quer ganhar eleição sem combate. Deixar que um debate pobre desses tome conta da agenda é tudo o que o Lula, a Dilma e o PT querem...Mas FHC trouxe o debate para o centro do ringue, empunhou as luvas e chama Lula pro pau...Te mete!
Vejam um resumo de Augusto Nunes:
"O eleitor merece saber se Lula recebeu uma herança maldita e reconstruiu o país, como repete há pelo menos seis anos, ou se resolveu valer-se de mentiras e fantasias para desqualificar o legado do antecessor que acabou com a inflação, consolidou a democracia constitucional e fixou diretrizes econômicas que, em sua essência, vigoram até hoje. É assunto sério demais para ser tratado por intermediários, muito menos por moleques de recado. É coisa para gente grande. Os eleitores merecem ver em ação os dois protagonistas ─ só eles, e sem figurantes por perto.
O debate se tornou inevitável no momento em que o presidente decidiu que a eleição tem de ser plebiscitária. FHC já topou. Lula não poderá furtar-se ao duelo que provocou". É isso aí!!

A UFAM, o ENEM e a incúria

Novamente a UFAM se vê às voltas com a Justiça Federal por conta de incúria administrativa no 'Vestibular'. Como em repetidos anos anteriores, a questão volta à baila como um 'sambinha de uma nota só'. Desta vez foi um 'erro' (segundo a PROEG) no Edital, que atribuía peso 2 à prova de redação do ENEM, quando deveria ter atribuído peso 1. Por mim continuaria o peso 2 a fim de melhor selecionar alunos que saibam ler e escrever. Ao promover uma 'errata' em pleno processo de inscrições sem 'devolver' o prazo original para inscrições, o MPF entendeu que a UFAM 'atropelou' o processo e a juíza da 3a. Vara Federal, Dra. Alcione, concedeu liminar suspendendo as matrúculas na UFAM e que, no mérito, pode ser estendida a decisão para todo o país. O MEC está a braços com a Procuradoria da UFAM a fim de evitar mais esse 'vexame' nacional ao ministro Fernando Hadade.

04 fevereiro 2010

Dilma_As cretineces da bichinha palanqueira

Vejam só o que o Augusto Nunes republicou do jornalista Celso Arnaldo:
"Metida num charmoso macacão da Petrobras, suando pouco menos do que Lula, que reclamou estar se sentindo como um “pintinho que caiu na poça”, a palanqueira é instada a falar na inauguração do Gasduc III, em Duque de Caxias.
O que está sendo inaugurado é simplesmente o maior gasoduto da América Latina, com um potencial de escoamento de 40 milhões de metros cúbicos/dia. Mas o discurso parecerá igual ao da abertura de uma creche para 12 crianças, na semana passada. A esta altura, já pegamos a fórmula: cada discurso de Dilma começa por um tatibitate sobre os benefícios da obra em si e logo se encaminha, aos trancos e barrancos, para o segmento “nosso Brasil é melhor do que o deles”, onde ela embaralha e magnifica os feitos do governo Lula e suas próprias promessas de continuidade. Aliás, no fim deste texto, você verá que, para Dilma, creche e gasoduto são a mesma coisa.
“No PAC, esse segmento do gasodutos ele é muito importante (..) permite que hoje, com a temperatura que nós temos aqui, está previsto que mais ou menos se atinja algo como 36, 37, 38 graus, isso implica consumo de ar-condicionado, implica também o fato de que nós sabemos que houve, porque o presidente diminuiu a isenção do IPI, uma compra, né, de eletrodomésticos, a chamada linha branca, né, geladeira e outros eletrodomésticos, permitindo então que as pessoas também tivessem um nível melhor”.
Talvez entorpecidas pelo calor de Duque de Caxias que fazia na Refinaria Duque de Caxias, algumas pessoas presentes ao evento entenderam, nessa fala da Dilma, que o presidente Lula aumentou o IPI dos eletrodomésticos, antes de inaugurar o gasoduto, porque está quente demais ─ mas que assim mesmo houve uma corrida à linha branca e que ninguém deve se preocupar com o calor, porque o Gasduc III também levará ar-condicionado para todos e, portanto, um nível melhor.
Eleita Dilma, teríamos na presidência o mais baixo padrão de oratória da história da República. Pior do que Costa e Silva e Dutra ─ este não apenas pelo discurso chocho e descolorido, como pela má “dicchão” e fragilidade intelectual, motivo de inúmeras piadas. Como sua apresentação ao presidente Truman, que o cumprimentou protocolarmente:
─ How do you do, Dutra.
E Dutra:
─ How tru you tru, Truman.
Com Dilma, não dá vontade nem de fazer piada ─ embora sua desarticulação seja sempre risível. Porque por trás de sua rara incapacidade de costurar uma frase sem graves problemas de concordância, redundância, repetição, concatenação e raciocínio, esconde-se a mais primária e nociva forma de populismo, que vê o Estado como o provedor impossível de todas as necessidades humanas, embaralhando metas e limites de todo e qualquer projeto. Para isso, contribui, no caso de Dilma, a linguagem tosca e geralmente ininteligível.
“No nosso país, é muito importante essa questão de oportunidade. E o PAC eu acho que ele trouxe um grande impulso, um impulso enorme no Brasil, que é o impulso de construir aquilo que estava faltando no Brasil”.
O discurso feito no Gasduc III foi, para variar, um conjunto pastoso de platitudes, ideias desconexas e clichês tão mal formulados que se tornam pastiche do clichê. Para isso, Dilma usa meia-dúzia de imagens e metáforas pífias que ela decorou ou colaram na agenda dela ─ como a do soluço, a do povo de quinta potência, a da creche como berço das oportunidades.
“Nós só seremos quinta potência (lá vem…) se o povo brasileiro for quinta potência nossa, a nossa quinta potência”.
(Só faltou dizer “a potência quinta nossa” e “a potência nossa quinta”)
“Dar um passo além no sentido de que todas as crianças do Brasil (lá vem…) tenham direito a creche (…) Porque todos os estudos mostram que a diferença, a diferença, o momento importantíssimo na vida de cada um de nós seres humanos se dá entre 0 e 3, 3 e 5 anos, que é quando a gente se forma. E quando uma pessoa, quando uma criancinha não tem na família o acesso a livros, o acesso a todas as questões culturais que uma criança de classe média tem, ela não tem a mesma oportunidade do que as outras (…) Vocês vejam que é possível perfeitamente ter uma visão ampla do país, unir gasoduto com creche pra criança”.
(Essa visão ampla, essa obsessão pela creche como oportunidade de vida, essa visão tão gasosa só Dilma tem. E onde estão essas crianças já formadas com 3 anos de idade ─ ou seria com 5? Em Harvard? Ou no MIT?)
A tempestade que castiga o neurônio solitário é coisa de assustar paulistano. É tanta trovoada que o Brasil, se não perdeu de vez o juízo, vai acordar bem antes de outubro. Fala mais, Dilma.".
Pressionado pelos comentaristas da coluna, todos cobrando a tradução para o português do que a Mãe do PAC anda dizendo em dilmês castiço, o jornalista Celso Arnaldo acaba de enviar a seguinte mensagem:
Ao anunciar ontem, em Araçatuba, a abertura da licitação para a construção de 20 comboios que irão levar etanol pela Hidrovia Tietê-Paraná, Dilma Rousseff ─ segundo relato do site da Casa Civil ─ demonstrou todo o instinto maternal de Progenitora do PAC:
“Quando fizemos o estaleiro, para que ele pudesse crescer, nós oferecemos cursos aos trabalhadores que eram cortadores de cana e os capacitamos para serem soldadores, eletricistas. Quando eu e o presidente Lula visitamos a região, um dos moradores nos disse que o grande orgulho na cidade era passear de macacão, porque (a pessoa) sai de uma etapa e passa para outra etapa (de vida)”.
Veja que mesmo com a mãozinha piedosa do editor do site, tentando dar sentido ao que não tem sentido algum por meio do acréscimo de “a pessoa” e “de vida”, não fica muito claro por que uma pessoa que passeia de macacão pela cidade tem esse upgrade.
As meninas da cidade têm tara por homens de macacão? Eles foram convidados a posar para a folhinha do estaleiro? É isso?
Depois vocês ainda me pedem para explicar. É covardia.

O quatrilho

Essa expressão gaúcha remonta a uma prática de se disputar nas cartas as namoradas, jogo em que, como em qualquer outro, se pode blefar e esconder as cartas nas mangas – em outras palavras, trapacear. No Amazonas, assiste-se a um enredo muito parecido ao se verem os atuais quatro ‘maiores líderes’ locais – malgrado outras inferências do código Penal – a se reunirem a fim de ‘jogar o jogo sucessório’ nos planos federal e estadual, com reflexos na sucessão municipal.
Eduardo Braga, Amazonino Mendes, Alfredo Nascimento e Omar Aziz (sendo este vice-governador e que deverá disputar a reeleição no cargo quando assumir no lugar de Eduardo Braga quando este se desincompatibilizar em 3 de abril próximo), num autêntico jogo de cena eleitoral, acenam de longe para Lula e Dilma com apoios explícitos.
Os mais experientes em política local, todavia, sabem que isso tanto pode ser considerado real como também apenas aquilo que realmente é: ‘jogo de cena’. Até porque o quadro eleitoral ainda não está bem definido uma vez que Ciro Gomes não deva ser candidato a não ser que resolva servir de aríete a soldo de Lula para ‘bater’ em José Serra, seu esporte favorito. Com Ciro fora da disputa – o mais provável – Serra bate Dilma no primeiro turno.
O PT, Lula e Dilma se vêem às voltas com o racha do PMDB, cuja metade quer Michel Temer e a outra metade quer José Serra.
De outra parte, resta a definição de Aécio Neves na disputa, pois caso resolva ser vice de José Serra numa chapa ‘puro sangue’, as pesquisas demonstram que a parada se define no primeiro turno a favor de Serra.
Assim, Lula e Dilma tem de esfalfar muito a fim de se imporem aos seus próprios aliados políticos, os quais, como é próprio da política, ao menor sinal de fraqueza a debandada será geral...Quem viver, verá.

27 janeiro 2010

Ex-reitor da UFAM contrata banca de 19 advogados

Segundo nota em jornal de Manaus, o ex-reitor da UFAM Hidembergue Frota contratou banca de 19 advogados para se defender no TCU. Das duas, uma: ou o caso é sério, ou ele desconfia da capacidade de apenas um profissional lhe defender. A banca também defenderá sua ex-pró-reitora de administração, Neusa Beuren. É...Quem aqui faz, aqui paga...

24 janeiro 2010

FIRMA RIVAL IMPLODE 'IMTT PRIVADO'

O prefeito Amazonino Mendes, rápido quando a questão é gastar dinheiro público sem dar satisfação a ninguém, viu adiado seu plano de instalar um 'IMTT privado'. A licitação que teve seu curso anormal via Semef, foi abortado por uma empresa Suprema Sistemas Viários Ltda, rival da que estava 'programada' para ganhar a 'licitação' de R$ 92 milhões, a empresa Consladel - Construtora e Laços Detentoras e Eletrônica Ltda, segundo o vereador Marcleo Ramos, que deve saber o que está dizendo. Estavam previstos serviços os mais variados: desde a instalação de placas 'é proibido' correr na cidade a mais de 10km/h até à contratação de engenheiros e peões, máquinas, equipamentos, os escambau. Um detalhe: essa última empresa é uma daquelas 'desinteressadas' doadoras de dinheiro pra campanha de Amazonino. Não é uma beleza!?

A IMPROVÁVEL VOLTA DE MANOEL RIBEIRO

A política tem uma incrível capacidade surpreender até mesmo ao mais cético observador. A volta do ex-prefeito de Manaus Manoel Ribeiro – que foi o primeiro prefeito diretamente eleito de Manaus após a ditadura militar que vigeu entre 1964 e 1984, não somente era improvável quanto parecia também até impossível de acontecer. Mas a política – segundo o próprio ‘exumado político – não conhece o terreno da impossibilidade.
Manoel Ribeiro, após se eleger vice-governador em 1982 na chapa de Gilberto Mestrinho, foi eleito prefeito de Manaus em disputa acirrada em 1985 enfrentando Dona Amine Lindoso, ex-primeira dama amazonense (já falecida), assumindo a prefeitura em lugar do então prefeito indireto Amazonino Mendes.
Como vice-governador era cotado para ser “o próximo”, como o marketing da época o caracterizou, mas passou a contar com a concorrência direta do ex-prefeito Amazonino.
Amazonino na ocasião entregou a prefeitura nas mãos do seu já desafeto Manoel Ribeiro, após uma passagem meteórica pela prefeitura a ponto de credenciar-se como candidato a substituir Mestrinho no governo do Estado – diz a lenda que contando com uma boa ajuda do filho de Mestrinho, João Tomé.
O certo é que Amazonino surgia no cenário amazonense como um novo nome a ser considerado no tabuleiro político local graças a seu estilo populista tão ao gosto de seu mentor, Gilberto Mestrinho - Boto Tucuxi navegador.
Após vencer a queda-de-braço interna, acabou se elegendo em 1986 e em 1988 defenestrou como corrupto do cargo de prefeito eleito de Manas o seu então maior desafeto Manoel Ribeiro, este mesmo que agora foi buscar no ‘exílio’ a que se autocondenara no Rio de Janeiro.
Com que propósito? É um pedido de desculpa? Só o tempo dirá e as estrelas entenderão...

14 janeiro 2010

AMAZONINO DESISTE DE SER CANDIDATO?

Nada pode ser descartado em ternos políticos, nem mesmo essa possibilidade. Nesse campo todos sabem que aquilo que se diz pela manhã pode ser alterado à noite. A hipótese levantada pelo candidato é apenas isso que é: uma hipótese.
Por que alguém que detém a preferência do eleitorado deveria simplesmente ‘jogar a toalha’ sem nem ao menos ‘subir ao ringue’? Quem conhece Amazonino sabe muito bem que esse não é o seu perfil, isto é, ele não é de fugir à luta, mas, por outro lado, não se pode descartar a possibilidade de que esteja dissimulando apoiar outrem, aí sim, perfeitamente de acordo com sua esperteza, uma forma de descartar possíveis retaliações indesejadas de alguém que hoje detém um poder incontrastável junto à aprovação popular, como é o caso de Lula da Silva, e ainda garantir de quebra apoios financeiros junto ao governo federal e angariar a simpatia local por um improvável desapego ao cargo de governador do Estado.
Afinal não foi à toa que ele chegou aonde chegou em sua carreira política. Mestre dos disfarces – Scarface do Amazonas, o Negão, como gosta de ser popularizado, sabe que o cenário político é presa do tempo e, neste momento, talvez este não lhe tão favorável, o que não quer dizer que continue sendo assim mais pra frente.
Restam ainda dois meses e meio para que uma decisão definitiva seja tomada. Até lá, vai remando a favor da correnteza. Ao final de março, caso as monções não lhe sejam definitivamente favoráveis, então dará sua cartada final apoiando aquele candidato que mais lhe seja favorável, ou seja, alguém que lhe ajude a fazer as construções da infraestrutura que Manaus necessita, não sendo desprezível a enxurrada de recursos que pode vir a administrar por conta da copa de mundo, com forte apelo continuísta em provável segundo mandato.
De resto, o jogo de xadrez permite jogar o peão às feras e guardar a rainha para melhor jogada...

09 janeiro 2010

A mordaça dos PeTralhas

O Lula, em nome dos direitos humanos, com uma canetada só matou vários coelhos. Matou o 'coelho' da Anistia ao pôr a caserna na berlinda do julgamento por crimes de tortura ao passo que protege os bandidos de 'esquerda'. Estes estão sendo premiados com gordas indenizações na Comissão de 'anistia' do Ministério da Justiça. Matou o 'coelho' da agricultura brasileira, o agronegócio e a Reforma Agrária ao proteger os bandidos do MST. Matou o 'coelho' da liberdade de imprensa ao impor penalidades aos órgãos de comunicações se o governo entender que estes feriram os 'direitos humanos'. Lembrem-se que é o governo que vai decidir se e quando os 'direitos humanos' foram ou não feridos pelos órgãos de imprensa. PeTralha não suporta mesmo liberdade de informação... Qualquer governo gosta mesmo é de propaganda. Este, então, traz no seu DNA a propaganda como arma de permanência no Poder. Bingo! Este é o ponto! Manterem-se no Poder per seculum secolurum, este é o objetiovo dessa gente. Para isso vão movimentar tudo e todas as armas que puderem...