O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, classifica a greve de servidores públicos como um atentado à democracia - e defende mudanças na lei que permite paralisações no funcionalismo.
Há uma série de ameaças de greve de funcionários públicos de setores essenciais. Isso assusta o governo?
Estamos preocupados. É hora de discutir uma regulação melhor para distinguir o direito de greve do setor privado do direito de greve do serviço público. No serviço público, a greve não é feita contra o patrão, é feita contra a sociedade. É um atentado descarado contra a democracia. Essa característica não permite que os dois setores tenham a mesma legislação sobre greve.
Como regular isso?
O Judiciário deu um primeiro sinal ao derrubar a jurisprudência de que era preciso manter o atendimento de apenas 30% nos serviços em greve. Isso pode valer para o serviço privado, jamais para o serviço público. Serviços essenciais têm de funcionar integralmente sempre. Greve no serviço público tem de ser muito restrita. Agora isso vai mudar.
Mas no governo Lula, que já está no oitavo ano, pouco foi feito nessa direção...
Estou no cargo há pouco mais de seis meses, não posso falar de todo o governo. Há um anteprojeto de lei para regulamentar o direito de greve do servidor. O governo tem cortado o ponto dos servidores grevistas e a AGU vem participando de negociações sobre essas ameaças de greve. Mas há uma característica muito complicada, que são os limites dos direitos da burocracia do estado. A Constituição foi muito pródiga em direitos para essa burocracia, com irredutibilidade salarial, prerrogativas de movimentação, estabilidade, direito de greve.
O senhor acha que os direitos dos servidores travam o serviço público?
Às vezes, o excesso de direitos da burocracia inviabiliza a governança. A burocracia de estado é boa tecnicamente, vem evoluindo, mas precisa se afinar mais com os princípios de governança. O direito a esses benefícios não pode ser usado para inviabilizar o estado. A burocracia cria pequenos totalitarismos no governo. Há servidores que não cumprem leis e não são punidos. Isso não pode existir, a lei deve ser cumprida por todos. É outro atentado à democracia.
Mas, ainda assim, a máquina pública continua crescendo no governo petista.
Não quero acabar com a burocracia, com o funcionalismo público, mas qualificá-la. O que há muitas vezes é a politização da atividade burocrática, o que é danoso. O funcionário pode não gostar pessoalmente daquele governo, mas tem obrigação, como servidor, de servi-lo. Eu sempre votei no presidente Lula, desde 1989. Mas quando fui agente público na administração FHC eu a defendi da mesma maneira que defendo hoje o governo. Defendi as privatizações, defendi o Sivam, defendi o governo nas questões de greve, fui assessor do Gilmar Mendes… O que a gente precisa é de um funcionalismo que seja responsável, que sirva ao país independentemente do partido que esteja no governo.
No Brasil, onde faltam a cólera e a ira santas, quem, senão elas, hão de expulsar do Templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Ou exterminarão da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Ou banirão da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão elas, a varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão públicos? Quem, senão elas, a precipitar do governo o negocismo, a prostituição política e a tirania? (Rui Barbosa)
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16 maio 2010
14 maio 2010
Oposição silencia sobre Tuma Jr_Por Augusto Nunes
Pelo conjunto da obra, Romeu Tuma Junior conseguiu transformar-se num personagem espantoso no país que já não se espanta com nada. Delegado de polícia, confessou-se incapaz de distinguir um mafioso de um coroinha. Para virar secretário nacional de Justiça, bastou-lhe a certidão de nascimento. Incumbido de combater a pirataria e a evasão de divisas, comprou produtos contrabandeados e tentou liberar o embarque de uma deputada com 160 mil dólares escondidos na bagagem.
Alojado no alto escalão do Ministério da Justiça, reduziu o gabinete a território fora-da-lei. Em setembro, ao saber da prisão do bandido de estimação Paulinho Li, apareceu sem convite na Polícia Federal para explicar que só conhece o Paulinho Li, não o mafioso Paulinho Li. Contou o que ocorrera ao ministro Tarso Genro. “Toca o pau”, animou-o o chefe solidário. Tocou o pau com tanta animação que, há menos de um mês, o novo ministro Luiz Paulo Barreto promoveu o subordinado a presidente do Conselho de Combate à Pirataria.
Apadrinhado por Lula, afagado por Tarso Genro, promovido por Barreto, é compreensível que tenha reagido às denúncias publicadas pelo Estadão com o cinismo agressivo que identificam os condenados à impunidade. “É um problema político”, disse quando confrontado com as provas colhidas pela Polícia Geral. As declarações seguintes comprovaram que, no faroeste tropical produzido pela Era Lula, xerifes podem virar bandidos, dispensar disfarces e debochar dos homens de bem sem o risco de perder a estrela no peito.
“Tirem o cavalo da chuva: não vou sair”, sugeriu aos interessados em confirmar se o governo pedira que se afastasse do cargo. O ministro Barreto recomendou educadamente que se licenciasse por um mês, para costurar algum álibi consistente. O subordinado aceitou entrar em férias e voltar em 10 dias, por que precisava “descansar um pouco”. Enfim convencido a prorrogar o descanso, zombou outra vez do ministro: “Vou pegar um sol e voltar moreninho”.
Se não há limites para a arrogância do meliante sem medo, tampouco existem fronteiras para a leniência do presidente sem pudores. Há uma semana, com a expressão compungida de seminarista que perdeu a fé, voz de mãe de preso entrevistada pela TV em dia de rebelião na cadeia, o Pregador dos Pecadores Companheiros aconselhou o país a esperar o fim das investigações. Informado de que as investigações sobre Tuma Junior nem começaram, explicou que não tem autoridade para abrir inquéritos. Informado de que lhe sobra autoridade para afastá-lo do cargo, louvou a “folha de serviços prestados ao país por um delegado muito respeitado”.
Lula deve ter incluído nessa folha de serviços a viagem do secretário nacional de Justiça a Pequim, onde baixou em fevereiro de 2009 para discutir com autoridades chinesas um “acordo de cooperação no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro”. A viagem acaba de ser incorporada ao prontuário do servidor da pátria por outra descoberta divulgada pelo Estadão desta quinta-feira: o segundo representante brasileiro na incursão pelo Extremo Oriente foi Paulinho Li. Ele mesmo. Com diárias doadas pelo Ministério da Justiça.
Para o governo em avançado estágio de decomposição moral, Tuma Junior é só mais um na multidão. Se o Brasil ficasse repentinamente civilizado, e alguém gritasse “olha o rapa” no meio da plateia de um grande comício de Dilma Rousseff, todos no palanque sairiam em desabalada carreira. Por acreditar que princípios éticos não influenciam a decisão do eleitorado, Lula vive desempenhando o papel de comparsa com convicção e entusiasmo. Vê-lo associado a Tuma Junior não tem nada de espantoso. O que espanta é a mudez dos oposicionistas.
Em 31 de março, ao deixar o governo paulista para disputar a presidência, o candidato José Serra disse o que o Brasil que presta esperava ouvir há muito tempo: “Estou convencido de que o governo, assim como as pessoas, tem que ter honra. E assim falo não só porque aqui não se cultiva escândalos, malfeitos, roubalheira, mas também porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito”.
O caso protagonizado por Tuma Junior é um escândalo que envolve malfeitos e roubalheiras. O que espera Serra para mostrar-se fiel ao discurso e garantir que, se for o vitorioso, tais afrontas não serão toleradas? Ou a oposição condena sem rodeios o malfeitor ou terá optado pelo silêncio cúmplice. Pouco importa que o senador Romeu Tuma e o PTB inteiro repliquem com a adesão à candidatura de Dilma Rousseff. A opção correta vale qualquer custo. A honestidade não tem preço.
Alojado no alto escalão do Ministério da Justiça, reduziu o gabinete a território fora-da-lei. Em setembro, ao saber da prisão do bandido de estimação Paulinho Li, apareceu sem convite na Polícia Federal para explicar que só conhece o Paulinho Li, não o mafioso Paulinho Li. Contou o que ocorrera ao ministro Tarso Genro. “Toca o pau”, animou-o o chefe solidário. Tocou o pau com tanta animação que, há menos de um mês, o novo ministro Luiz Paulo Barreto promoveu o subordinado a presidente do Conselho de Combate à Pirataria.
Apadrinhado por Lula, afagado por Tarso Genro, promovido por Barreto, é compreensível que tenha reagido às denúncias publicadas pelo Estadão com o cinismo agressivo que identificam os condenados à impunidade. “É um problema político”, disse quando confrontado com as provas colhidas pela Polícia Geral. As declarações seguintes comprovaram que, no faroeste tropical produzido pela Era Lula, xerifes podem virar bandidos, dispensar disfarces e debochar dos homens de bem sem o risco de perder a estrela no peito.
“Tirem o cavalo da chuva: não vou sair”, sugeriu aos interessados em confirmar se o governo pedira que se afastasse do cargo. O ministro Barreto recomendou educadamente que se licenciasse por um mês, para costurar algum álibi consistente. O subordinado aceitou entrar em férias e voltar em 10 dias, por que precisava “descansar um pouco”. Enfim convencido a prorrogar o descanso, zombou outra vez do ministro: “Vou pegar um sol e voltar moreninho”.
Se não há limites para a arrogância do meliante sem medo, tampouco existem fronteiras para a leniência do presidente sem pudores. Há uma semana, com a expressão compungida de seminarista que perdeu a fé, voz de mãe de preso entrevistada pela TV em dia de rebelião na cadeia, o Pregador dos Pecadores Companheiros aconselhou o país a esperar o fim das investigações. Informado de que as investigações sobre Tuma Junior nem começaram, explicou que não tem autoridade para abrir inquéritos. Informado de que lhe sobra autoridade para afastá-lo do cargo, louvou a “folha de serviços prestados ao país por um delegado muito respeitado”.
Lula deve ter incluído nessa folha de serviços a viagem do secretário nacional de Justiça a Pequim, onde baixou em fevereiro de 2009 para discutir com autoridades chinesas um “acordo de cooperação no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro”. A viagem acaba de ser incorporada ao prontuário do servidor da pátria por outra descoberta divulgada pelo Estadão desta quinta-feira: o segundo representante brasileiro na incursão pelo Extremo Oriente foi Paulinho Li. Ele mesmo. Com diárias doadas pelo Ministério da Justiça.
Para o governo em avançado estágio de decomposição moral, Tuma Junior é só mais um na multidão. Se o Brasil ficasse repentinamente civilizado, e alguém gritasse “olha o rapa” no meio da plateia de um grande comício de Dilma Rousseff, todos no palanque sairiam em desabalada carreira. Por acreditar que princípios éticos não influenciam a decisão do eleitorado, Lula vive desempenhando o papel de comparsa com convicção e entusiasmo. Vê-lo associado a Tuma Junior não tem nada de espantoso. O que espanta é a mudez dos oposicionistas.
Em 31 de março, ao deixar o governo paulista para disputar a presidência, o candidato José Serra disse o que o Brasil que presta esperava ouvir há muito tempo: “Estou convencido de que o governo, assim como as pessoas, tem que ter honra. E assim falo não só porque aqui não se cultiva escândalos, malfeitos, roubalheira, mas também porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito”.
O caso protagonizado por Tuma Junior é um escândalo que envolve malfeitos e roubalheiras. O que espera Serra para mostrar-se fiel ao discurso e garantir que, se for o vitorioso, tais afrontas não serão toleradas? Ou a oposição condena sem rodeios o malfeitor ou terá optado pelo silêncio cúmplice. Pouco importa que o senador Romeu Tuma e o PTB inteiro repliquem com a adesão à candidatura de Dilma Rousseff. A opção correta vale qualquer custo. A honestidade não tem preço.
13 maio 2010
Dilma escala Neymar e Ganso-Por Celso Arnaldo in Augusto Nunes
Com a segurança de um lateral escalado para acompanhar Pelé sem perder Garrincha de vista, Dilma Rousseff resolveu incluir no Discurso sobre o Nada um capítulo sobre futebol. Começou por dizer o que pensa de Neymar e Ganso. Depois de analisar o vídeo de 45 segundos, Celso Arnaldo decidiu convocá-lo para a seleção dos melhores momentos de Dilma Rousseff. Confira:
O bisonho comentário da Dilma hoje cedo no twitter, a respeito da lista de Dunga, passou a ideia de que ela também não entende de futebol ─ se é que entende de alguma coisa.
Mas era um julgamento injusto ─ o formato de 140 toques certamente prejudicou-lhe o raciocínio. Porque, na entrevista de ontem à noite para a imprensa gaúcha, indagada sobre a seleção, Dilma Rousseff revelou-se um João Saldanha de terninho, pela análise ferina e cortante a respeito da não-convocação de Neymar e Ganso.
Se a ouvisse antes, é provável que Dunga se convencesse:
“Na minha humildade, né, no meu chinelo da minha humildade, eu gostaria muito de ver o Neymar e o Ganso. Porque eu acho que 11 entre 10 brasileiros gostariam. Porque deu alegria ao futebol. Porque, a gente… Eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê. E acho que o Neymar e o Ganso têm essa capacidade. Fazê a gente olhá.. Porque é uma coisa que, né, mexe com a gente. Tem esse lado brincalhão e alegre.”
Nenhum dos ferrenhos defensores de Neymar e Ganso na seleção descreveu melhor o futebol mágico da dupla santista, que enfeitiçou 11 de cada 10 brasileiros ─ mais feitiço do que isso, impossível.
De chinelos humildes, um dia Dilma contará ao neto Gabriel, que nascerá depois da Copa, quem foram Neymar e Ganso, transformados numa só entidade: “Menino: eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê”. Nem a avó de Gabriel Garcia Márquez, inspiradora de “Cem anos de solidão”, transmitiu ao neto um realismo tão mágico.
Este vídeo é titular absoluto na seleção de melhores momentos de Dilma. Talvez camisa 10.
O bisonho comentário da Dilma hoje cedo no twitter, a respeito da lista de Dunga, passou a ideia de que ela também não entende de futebol ─ se é que entende de alguma coisa.
Mas era um julgamento injusto ─ o formato de 140 toques certamente prejudicou-lhe o raciocínio. Porque, na entrevista de ontem à noite para a imprensa gaúcha, indagada sobre a seleção, Dilma Rousseff revelou-se um João Saldanha de terninho, pela análise ferina e cortante a respeito da não-convocação de Neymar e Ganso.
Se a ouvisse antes, é provável que Dunga se convencesse:
“Na minha humildade, né, no meu chinelo da minha humildade, eu gostaria muito de ver o Neymar e o Ganso. Porque eu acho que 11 entre 10 brasileiros gostariam. Porque deu alegria ao futebol. Porque, a gente… Eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê. E acho que o Neymar e o Ganso têm essa capacidade. Fazê a gente olhá.. Porque é uma coisa que, né, mexe com a gente. Tem esse lado brincalhão e alegre.”
Nenhum dos ferrenhos defensores de Neymar e Ganso na seleção descreveu melhor o futebol mágico da dupla santista, que enfeitiçou 11 de cada 10 brasileiros ─ mais feitiço do que isso, impossível.
De chinelos humildes, um dia Dilma contará ao neto Gabriel, que nascerá depois da Copa, quem foram Neymar e Ganso, transformados numa só entidade: “Menino: eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê”. Nem a avó de Gabriel Garcia Márquez, inspiradora de “Cem anos de solidão”, transmitiu ao neto um realismo tão mágico.
Este vídeo é titular absoluto na seleção de melhores momentos de Dilma. Talvez camisa 10.
09 maio 2010
Dilma na IstoÉ_Por Celso Arnaldo
Entrevista de capa com Dilma na Istoé que saiu hoje. Foi uma sabatina ─ até o Boechat, colunista da revista, fez parte da banca, que, em foto na carta do editor, parece reunião de Ministério.
O resultado? Desastre, lógico. O texto final deve ter sido bastante copidescado, porque Dilma em estado bruto é impublicável ─ a não ser que se queira destruí-la ou expô-la ao ridículo, o que não era o caso, pois o tom da entrevista é o clássico levantamento de bola.
Em nenhum momento ─ nota-se pelas perguntas ─ Dilma foi tirada de sua zona de conforto. Mas a camaradagem da equipe e a revisão formal da entrevista não foi suficiente para tirar as ideias de Dilma das grutas primitivas do pensamento humano. Por isso, sobram respostas estarrecedoras. Amostras:
Sobre ser presidente:
“É um momento alto da minha vida, talvez o maior.”
Preparada para a presidência?
“Tenho clareza, hoje, de que conheço bem o Brasil e os escaninhos do governo federal. Então, sem falsa modéstia, me acho extremamente capacitada para o exercício desse cargo.”
No fundo, ela é incapaz de ter clareza sobre sua extrema falta de capacidade para exercer esse “cargo”.
Pretende casar no meio do mandato (perguntinha mais colegial….)?
“A vida não é assim, tem que se confluírem os astros…Eu não sou uma pessoa carente propriamente dita, tive uma vida afetiva muito boa, muito rica. Mas nos relacionamentos há uma variável que é estratégica, que é com quem eu vou casar. Essa variável estratégica eu tenho que saber, porque assim, no genérico, isso não existe.”
Uma pessoa não-carente propriamente dita não saberia dizer isso com alguma propriedade? Mas Dilma, convenhamos, é conscienciosa: para casar, além da confluência dos astros, precisa saber com quem. Nada desses casamentos genéricos arranjados ─ com o Chávez ou ou o Morales, por exemplo.
É a favor do aborto?
“O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói. Imagino que a pessoa saia de lá baqueada”.
Outra resposta reveladora de quem conhece bem os meandros da alma feminina. Mas faltou apontar a agressão que não dói. E a “pessoa” que sai de lá baqueada seria a mulher?
Sobre sua experiência com o câncer:
“A gente dá mais valor a coisas que costumam passar despercebidas. Você olha para o sol e fica pensando se você vai poder continuar vendo esta coisa bonita. Você fica mais alerta. Só combate isso se tiver força interna.”
Olhar para o sol talvez impeça a pessoa de continuar vendo essa coisa bonita, porque isso cega. E a força interna que combateu o câncer de Dilma é composta pelos oncologistas do Hospital Sirio-Libanês.
O Lula é um bom chefe?
“O Lula é uma pessoa extremamente afetiva. Ele não te olha como se você fosse um instrumento dele. Te olha como uma pessoa, te leva em consideração, te valoriza, brinca. Ele tem uma imensa qualidade: ele ri, ri de si mesmo.”
Resposta que mereceria uma junta médica maior do que a equipe que entrevistou Dilma. Mas, de cara, o fato de que Lula não te olha como instrumento, mas como uma pessoa, já impressiona favoravelmente ─ é um estadista. Agora, o fato de ele rir de si mesmo não é vantagem – nós também rimos dele o tempo todo.
Até sobre futebol Dilma discorreu com propriedade:
“Quero o Neymar e o Ganso na Seleção. Tenho muita simpatia pelo Ganso, aquele jeito meio desconcertado de falar. Mas gosto dos dois.”
Vocês também reivindicam a convocação do Ganso pelo jeito desconcertado de ele falar? Aquele grasnar descompassado, de passes mágicos? Se for pelo jeito desconcertado de falar, a seleção é Dilma e mais 10.
Sobre as longas reuniões do ministério com Lula:
“A busca de um consenso é um jeito que criamos no governo. Algumas vezes o presidente chamava isto de toyotismo. Não é a linha de montagem da Ford, onde cada um vai olhando só uma parte. É aquele método de ilha da Toyota, porque você faz tudo em conjunto.”
Essa o pessoal da Istoé deixou passar, sem revisão, só de sacanagem. Nem Taiichi Ohno, muito menos Henry Ford conseguiriam explicar melhor a diferença entre toyotismo e fordismo.
Istoé: Dilma é um calhambeque avariado que vai ficar no acostamento da história. De que linha de montagem saiu esse troço?
O resultado? Desastre, lógico. O texto final deve ter sido bastante copidescado, porque Dilma em estado bruto é impublicável ─ a não ser que se queira destruí-la ou expô-la ao ridículo, o que não era o caso, pois o tom da entrevista é o clássico levantamento de bola.
Em nenhum momento ─ nota-se pelas perguntas ─ Dilma foi tirada de sua zona de conforto. Mas a camaradagem da equipe e a revisão formal da entrevista não foi suficiente para tirar as ideias de Dilma das grutas primitivas do pensamento humano. Por isso, sobram respostas estarrecedoras. Amostras:
Sobre ser presidente:
“É um momento alto da minha vida, talvez o maior.”
Preparada para a presidência?
“Tenho clareza, hoje, de que conheço bem o Brasil e os escaninhos do governo federal. Então, sem falsa modéstia, me acho extremamente capacitada para o exercício desse cargo.”
No fundo, ela é incapaz de ter clareza sobre sua extrema falta de capacidade para exercer esse “cargo”.
Pretende casar no meio do mandato (perguntinha mais colegial….)?
“A vida não é assim, tem que se confluírem os astros…Eu não sou uma pessoa carente propriamente dita, tive uma vida afetiva muito boa, muito rica. Mas nos relacionamentos há uma variável que é estratégica, que é com quem eu vou casar. Essa variável estratégica eu tenho que saber, porque assim, no genérico, isso não existe.”
Uma pessoa não-carente propriamente dita não saberia dizer isso com alguma propriedade? Mas Dilma, convenhamos, é conscienciosa: para casar, além da confluência dos astros, precisa saber com quem. Nada desses casamentos genéricos arranjados ─ com o Chávez ou ou o Morales, por exemplo.
É a favor do aborto?
“O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói. Imagino que a pessoa saia de lá baqueada”.
Outra resposta reveladora de quem conhece bem os meandros da alma feminina. Mas faltou apontar a agressão que não dói. E a “pessoa” que sai de lá baqueada seria a mulher?
Sobre sua experiência com o câncer:
“A gente dá mais valor a coisas que costumam passar despercebidas. Você olha para o sol e fica pensando se você vai poder continuar vendo esta coisa bonita. Você fica mais alerta. Só combate isso se tiver força interna.”
Olhar para o sol talvez impeça a pessoa de continuar vendo essa coisa bonita, porque isso cega. E a força interna que combateu o câncer de Dilma é composta pelos oncologistas do Hospital Sirio-Libanês.
O Lula é um bom chefe?
“O Lula é uma pessoa extremamente afetiva. Ele não te olha como se você fosse um instrumento dele. Te olha como uma pessoa, te leva em consideração, te valoriza, brinca. Ele tem uma imensa qualidade: ele ri, ri de si mesmo.”
Resposta que mereceria uma junta médica maior do que a equipe que entrevistou Dilma. Mas, de cara, o fato de que Lula não te olha como instrumento, mas como uma pessoa, já impressiona favoravelmente ─ é um estadista. Agora, o fato de ele rir de si mesmo não é vantagem – nós também rimos dele o tempo todo.
Até sobre futebol Dilma discorreu com propriedade:
“Quero o Neymar e o Ganso na Seleção. Tenho muita simpatia pelo Ganso, aquele jeito meio desconcertado de falar. Mas gosto dos dois.”
Vocês também reivindicam a convocação do Ganso pelo jeito desconcertado de ele falar? Aquele grasnar descompassado, de passes mágicos? Se for pelo jeito desconcertado de falar, a seleção é Dilma e mais 10.
Sobre as longas reuniões do ministério com Lula:
“A busca de um consenso é um jeito que criamos no governo. Algumas vezes o presidente chamava isto de toyotismo. Não é a linha de montagem da Ford, onde cada um vai olhando só uma parte. É aquele método de ilha da Toyota, porque você faz tudo em conjunto.”
Essa o pessoal da Istoé deixou passar, sem revisão, só de sacanagem. Nem Taiichi Ohno, muito menos Henry Ford conseguiriam explicar melhor a diferença entre toyotismo e fordismo.
Istoé: Dilma é um calhambeque avariado que vai ficar no acostamento da história. De que linha de montagem saiu esse troço?
08 maio 2010
Lula 'toma' escola técnica de JK_Por Bernardo Mello Franco (FSP_08.05.10)
A pressa para divulgar ações em ano eleitoral levou o governo a inflar estatísticas e tropeçar na geografia, em campanha publicitária de R$ 60 milhões paga pela Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República. A propaganda oficial atribui ao governo Lula a inauguração de escolas técnicas federais criadas muito antes da posse do presidente, em 2003. Além disso, usa mapas com indicações trocadas -no do Estado de São Paulo, por exemplo, há cidades indicadas a cerca de 400 quilômetros do local correto.
Os erros estão espalhados em anúncios de meia página publicados anteontem nos principais jornais do país, inclusive na Folha. As peças foram regionalizadas para divulgar obras em cada um dos 26 Estados e no Distrito Federal. O material apresenta como novas escolas técnicas abertas em governos anteriores ou que ainda estão em construção. O anúncio publicado nos jornais de Brasília, por exemplo, traz um mapa com cinco unidades assinaladas. Quatro não existem e uma foi inaugurada em 1958, pelo então presidente Juscelino Kubitschek.
Abaixo do mapa, um texto de apoio informa que a Escola Técnica de Planaltina “já prepara jovens para o mercado de trabalho”. Como a unidade existe desde 1958, os primeiros jovens formados já devem ter celebrado os 70 anos de idade. O Planalto é reincidente no erro. Em fevereiro do ano passado, quando Lula reabriu a escola, o material de divulgação omitia tratar-se de uma obra de JK, como o presidente reconheceu no discurso. Sobre as escolas em construção, o texto diz que serão abertas “até o final da expansão da rede”, sem indicar data. No mapa, não há qualquer observação de que elas ainda não existem.
O problema se repete no anúncio dos jornais cariocas. Lá, aparece como nova a unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica em Maria da Graça, no subúrbio do Rio. O site do Cefet informa que ele existe desde 1997 e foi apenas transformado em “unidade descentralizada” em 2006. Além de inflar dados, os mapas erram a localização de cidades e confundem bairros com municípios. No de São Paulo, Campinas virou um pontinho no norte do Estado. Caraguatatuba, cujo nome oficial contém “Estância Balneária”, foi “promovida” do litoral para o topo da Serra do Mar. No mapa do Rio, bairros como Realengo foram sinalizados com o padrão gráfico de cidades.
Os erros estão espalhados em anúncios de meia página publicados anteontem nos principais jornais do país, inclusive na Folha. As peças foram regionalizadas para divulgar obras em cada um dos 26 Estados e no Distrito Federal. O material apresenta como novas escolas técnicas abertas em governos anteriores ou que ainda estão em construção. O anúncio publicado nos jornais de Brasília, por exemplo, traz um mapa com cinco unidades assinaladas. Quatro não existem e uma foi inaugurada em 1958, pelo então presidente Juscelino Kubitschek.
Abaixo do mapa, um texto de apoio informa que a Escola Técnica de Planaltina “já prepara jovens para o mercado de trabalho”. Como a unidade existe desde 1958, os primeiros jovens formados já devem ter celebrado os 70 anos de idade. O Planalto é reincidente no erro. Em fevereiro do ano passado, quando Lula reabriu a escola, o material de divulgação omitia tratar-se de uma obra de JK, como o presidente reconheceu no discurso. Sobre as escolas em construção, o texto diz que serão abertas “até o final da expansão da rede”, sem indicar data. No mapa, não há qualquer observação de que elas ainda não existem.
O problema se repete no anúncio dos jornais cariocas. Lá, aparece como nova a unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica em Maria da Graça, no subúrbio do Rio. O site do Cefet informa que ele existe desde 1997 e foi apenas transformado em “unidade descentralizada” em 2006. Além de inflar dados, os mapas erram a localização de cidades e confundem bairros com municípios. No de São Paulo, Campinas virou um pontinho no norte do Estado. Caraguatatuba, cujo nome oficial contém “Estância Balneária”, foi “promovida” do litoral para o topo da Serra do Mar. No mapa do Rio, bairros como Realengo foram sinalizados com o padrão gráfico de cidades.
O caos em Manacapuru_Prof. Pinheiro (Repórter_09.05.10)
Manacapuru vive sob nova direção desde o último dia 13.04.2010, quando houve a posse e investidura de Ângelus Figueira no cargo de Prefeito Constitucional do Município de Manacapuru, em sessão solene realizada perante a Câmara Municipal de Vereadores do Município realizada no dia 20 de abril de 2010.
Empossados no cargo, imediatamente Ângelus buscou saber da real situação de Manacapuru e constatou que os antigos ocupantes da Prefeitura, em completa desobediência à Resolução nº 06, do TCE-AM, que estabelece normas para o processo de transmissão do cargo de Prefeito, não deixaram praticamente nenhum documento que possibilitasse a retomada dos serviços do ponto em que ficaram. Mais grave ainda: os serviços estavam paralisados... Esse fato fez com que Ângelus registrasse Boletim de Ocorrência, tal o grau de desestruturação administrativa que encontrou o Município. Além do BO, ajuizou das competentes ações na Justiça de Busca e Apreensão de tudo o que se encontra desaparecido, sob a responsabilidades dos gestores que o antecederam.
Inúmeros valores foram repassado ao Município pelo Governo federal, mas sem comprovação dos gastos e das obras e serviços contratados num montante de mais de R$ 232 milhões. vDa mesma forma quanto aos convênios com o governo federal, num montante de R$ 28 milhões.
“Em vista dessa situação de descalabro”, afirma Decreto baixado por Ângelus, ante a “iminência de paralisação total da administração do Município, diante do quadro de calamidade pública encontrado na infra estrutura dos prédios do patrimônio publico e de todo sistema viário da sede municipal, bem como frente à inadimplência do erário municipal junto a fornecedores e prestadores de serviços, notadamente em relação ao transporte escolar, comércio de combustível, restaurantes, serrarias, limpeza pública, além da constatação de uso indevido pela gestão anterior de recursos oriundos do Fundo Previdenciário Municipal, com o grave comprometimento da Administração na prestação urgente de serviços públicos essenciais, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança”, o prefeito daquele Município não teve outra alternativa a não ser a “decretação de ESTADO EXCEPCIONAL DE EMERGÊNCIA em toda Administração Pública do Município de Manacapuru, para execução de ações necessárias, a fim de reordenar o direcionamento dos serviços públicos da nova administração, na forma estabelecida em Lei, pelo prazo de 90 dias, sujeito a prorrogação por igual período”.
Assim, o Decreto n. 022/2010, do dia 03.05.10 no Diário Oficial do Estado do Amazonas, comunicou a adoção da medida e comunicou oficialmente ao Governo do Estado do Amazonas, Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Amazonas, Tribunal de Contas do Estado do Amazonas – TCE, Tribunal de Contas da União – TCU, Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Amazonas e Procuradoria da República no Amazonas.
Isso demonstra o perigo de se deixar de tomar decisões rápidas e exemplares no âmbito da Justiça Eleitoral, o que termina por produzir – até mesmo sem querer – um estado de completa entropia do sistema público de um Município da importância de Manacapuru...
Que isso sirva de lição para a Corte Eleitoral do Amazonas e que nas próximas decisões levem em conta os destinos dos munícipes, uma vez que muitos dos malefícios perpetrados por uma administração ameaçada de cassação acabe por se tornar irreversível, como parece ser o caso...
Empossados no cargo, imediatamente Ângelus buscou saber da real situação de Manacapuru e constatou que os antigos ocupantes da Prefeitura, em completa desobediência à Resolução nº 06, do TCE-AM, que estabelece normas para o processo de transmissão do cargo de Prefeito, não deixaram praticamente nenhum documento que possibilitasse a retomada dos serviços do ponto em que ficaram. Mais grave ainda: os serviços estavam paralisados... Esse fato fez com que Ângelus registrasse Boletim de Ocorrência, tal o grau de desestruturação administrativa que encontrou o Município. Além do BO, ajuizou das competentes ações na Justiça de Busca e Apreensão de tudo o que se encontra desaparecido, sob a responsabilidades dos gestores que o antecederam.
Inúmeros valores foram repassado ao Município pelo Governo federal, mas sem comprovação dos gastos e das obras e serviços contratados num montante de mais de R$ 232 milhões. vDa mesma forma quanto aos convênios com o governo federal, num montante de R$ 28 milhões.
“Em vista dessa situação de descalabro”, afirma Decreto baixado por Ângelus, ante a “iminência de paralisação total da administração do Município, diante do quadro de calamidade pública encontrado na infra estrutura dos prédios do patrimônio publico e de todo sistema viário da sede municipal, bem como frente à inadimplência do erário municipal junto a fornecedores e prestadores de serviços, notadamente em relação ao transporte escolar, comércio de combustível, restaurantes, serrarias, limpeza pública, além da constatação de uso indevido pela gestão anterior de recursos oriundos do Fundo Previdenciário Municipal, com o grave comprometimento da Administração na prestação urgente de serviços públicos essenciais, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança”, o prefeito daquele Município não teve outra alternativa a não ser a “decretação de ESTADO EXCEPCIONAL DE EMERGÊNCIA em toda Administração Pública do Município de Manacapuru, para execução de ações necessárias, a fim de reordenar o direcionamento dos serviços públicos da nova administração, na forma estabelecida em Lei, pelo prazo de 90 dias, sujeito a prorrogação por igual período”.
Assim, o Decreto n. 022/2010, do dia 03.05.10 no Diário Oficial do Estado do Amazonas, comunicou a adoção da medida e comunicou oficialmente ao Governo do Estado do Amazonas, Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Amazonas, Tribunal de Contas do Estado do Amazonas – TCE, Tribunal de Contas da União – TCU, Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Amazonas e Procuradoria da República no Amazonas.
Isso demonstra o perigo de se deixar de tomar decisões rápidas e exemplares no âmbito da Justiça Eleitoral, o que termina por produzir – até mesmo sem querer – um estado de completa entropia do sistema público de um Município da importância de Manacapuru...
Que isso sirva de lição para a Corte Eleitoral do Amazonas e que nas próximas decisões levem em conta os destinos dos munícipes, uma vez que muitos dos malefícios perpetrados por uma administração ameaçada de cassação acabe por se tornar irreversível, como parece ser o caso...
05 maio 2010
O silêncio é menos absurdo do que o som da insensatez_Augusto Nunes
Acampados nas colunas dos grandes jornais, os profetas da imprensa não se rendem. A tribo previu a rendição sem luta de José Serra, a ruptura entre o governador paulista e Aécio Neves, a deserção de Tasso Jereissati, a aparição de rachaduras na aliança entre o PSDB, o DEM e o PPS, a reedição em escala ampliada do espetáculo da incompetência política apresentado em 2002 e 2006. Se Serra trocasse a reeleição sem riscos pela aventura presidencial, advertiram todos, o fracasso começaria a desenhar-se já em março, quando se daria o que se batizou de “cruzamento das curvas”.
O fenômeno inevitável foi anunciado no fim de fevereiro. Excitados com o crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais, os sacerdotes do jornalismo profético decidiram que, no mês seguinte, a curva ascendente da candidata cruzaria com a linha traçada pelos índices decrescentes de Serra. Anabolizada pela popularidade do presidente, a sucessora que Lula inventou apareceria empatada com o adversário ─ ou já na dianteira. Em abril, poderia encomendar o terninho para o dia da posse.
Erraram todos. Como tem ocorrido desde a eleição do primeiro chefe de caverna, o líder não viu motivos para capitular diante do segundo colocado. No que deveria ser o mais cruel dos meses, Serra lançou oficialmente a candidatura, uniu as correntes de oposição, cresceu nas pesquisas e consolidou-se na liderança com 40% das intenções de voto. São quase 10 pontos percentuais à frente de Dilma. Quase 12 milhões de votos sobre a concorrente estacionada em torno dos 30%, a taxa histórica do PT. Mas profetas são duros na queda. Sempre enxergam o que ninguém mais vê.
Em vez de pedirem perdão aos leitores, sentarem no meio fio e chorarem lágrimas de esguicho, adiaram para abril o cruzamento das curvas. Serra fora beneficiado pelo impacto positivo da festa em Brasília, explicaram. Logo seria identificado como o anti-Lula e começaria a percorrer a trilha do penhasco. Em contrapartida, a adversária se veria liberada da trabalheira no Planalto e poderia concentrar-se em tempo integral na temporada de caça ao voto. Erraram todos de novo. Serra evitou confrontos com quem não é candidato, não cometeu nenhum equívoco. Dilma colecionou tropeços, gafes, declarações desastrosas, platitudes e reticências perplexas.
Nada demais, acabam de decidir os videntes da imprensa. O que houve até agora não valeu. A campanha só vai começar depois da Copa do Mundo. Nos próximos dois meses, Lula poderá descansar para a arrasadora entrada em cena. E Dilma terá tempo para aperfeiçoar a oratória, assimilar truques que uma neófita desconhece e, sobretudo, ficar mais conhecida. Como se Lula não estivesse no palanque e em campanha ostensiva desde meados de 2007, com Dilma todo o tempo a tiracolo. Como se o eleitorado ainda não soubesse quem é a candidata do presidente. Como se ela só precisasse de treinamento. Como se ninguém tivesse percebido que, quanto mais conhecida fica, mais pontos Dilma Rousseff perde.
Como se não fosse possível, enfim, diagnosticar a cada discurseira um caso incurável de indigência intelectual. “Ela precisa concluir o raciocínio”, descobriu Lula na semana passada. O problema é bem mais grave. Só pode ser concluído o que começa, e Dilma é incapaz de articular um raciocínio lógico. É aceitável que Lula não saiba disso: ele não conseguiria enxergar diferenças entre um Franklin Roosevelt e um Evo Morales. É compreensível que o rebanho engula Dilma sem engasgos: os devotos do Mestre engoliram até José Sarney fantasiado de homem incomum. O espantoso é o engajamento na farsa dos colunistas videntes.
Se dirigissem um telejornal, eles reprovariam Dilma Rousseff no primeiro minuto do teste de vídeo. Se comandassem uma redação, a candidata à presidência perderia na primeira linha do texto a disputa pela vaga de estagiária. Como entender o comportamento abúlico, cúmplice, pusilânime de profissionais que escrevem bem e se expressam com clareza? Por que não reagem com estranheza ao palavrório indecifrável? Talvez acreditem que a maioria dos eleitores brasileiros é formada por imbecis juramentados, e que Lula é capaz de eleger até um poste.
Eleger um poste é mais fácil que eleger uma Dilma Rousseff. Postes não falam. A candidata fala coisas incompreensíveis. O silêncio é menos absurdo e menos perturbador do que o som da insensatez.
O fenômeno inevitável foi anunciado no fim de fevereiro. Excitados com o crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais, os sacerdotes do jornalismo profético decidiram que, no mês seguinte, a curva ascendente da candidata cruzaria com a linha traçada pelos índices decrescentes de Serra. Anabolizada pela popularidade do presidente, a sucessora que Lula inventou apareceria empatada com o adversário ─ ou já na dianteira. Em abril, poderia encomendar o terninho para o dia da posse.
Erraram todos. Como tem ocorrido desde a eleição do primeiro chefe de caverna, o líder não viu motivos para capitular diante do segundo colocado. No que deveria ser o mais cruel dos meses, Serra lançou oficialmente a candidatura, uniu as correntes de oposição, cresceu nas pesquisas e consolidou-se na liderança com 40% das intenções de voto. São quase 10 pontos percentuais à frente de Dilma. Quase 12 milhões de votos sobre a concorrente estacionada em torno dos 30%, a taxa histórica do PT. Mas profetas são duros na queda. Sempre enxergam o que ninguém mais vê.
Em vez de pedirem perdão aos leitores, sentarem no meio fio e chorarem lágrimas de esguicho, adiaram para abril o cruzamento das curvas. Serra fora beneficiado pelo impacto positivo da festa em Brasília, explicaram. Logo seria identificado como o anti-Lula e começaria a percorrer a trilha do penhasco. Em contrapartida, a adversária se veria liberada da trabalheira no Planalto e poderia concentrar-se em tempo integral na temporada de caça ao voto. Erraram todos de novo. Serra evitou confrontos com quem não é candidato, não cometeu nenhum equívoco. Dilma colecionou tropeços, gafes, declarações desastrosas, platitudes e reticências perplexas.
Nada demais, acabam de decidir os videntes da imprensa. O que houve até agora não valeu. A campanha só vai começar depois da Copa do Mundo. Nos próximos dois meses, Lula poderá descansar para a arrasadora entrada em cena. E Dilma terá tempo para aperfeiçoar a oratória, assimilar truques que uma neófita desconhece e, sobretudo, ficar mais conhecida. Como se Lula não estivesse no palanque e em campanha ostensiva desde meados de 2007, com Dilma todo o tempo a tiracolo. Como se o eleitorado ainda não soubesse quem é a candidata do presidente. Como se ela só precisasse de treinamento. Como se ninguém tivesse percebido que, quanto mais conhecida fica, mais pontos Dilma Rousseff perde.
Como se não fosse possível, enfim, diagnosticar a cada discurseira um caso incurável de indigência intelectual. “Ela precisa concluir o raciocínio”, descobriu Lula na semana passada. O problema é bem mais grave. Só pode ser concluído o que começa, e Dilma é incapaz de articular um raciocínio lógico. É aceitável que Lula não saiba disso: ele não conseguiria enxergar diferenças entre um Franklin Roosevelt e um Evo Morales. É compreensível que o rebanho engula Dilma sem engasgos: os devotos do Mestre engoliram até José Sarney fantasiado de homem incomum. O espantoso é o engajamento na farsa dos colunistas videntes.
Se dirigissem um telejornal, eles reprovariam Dilma Rousseff no primeiro minuto do teste de vídeo. Se comandassem uma redação, a candidata à presidência perderia na primeira linha do texto a disputa pela vaga de estagiária. Como entender o comportamento abúlico, cúmplice, pusilânime de profissionais que escrevem bem e se expressam com clareza? Por que não reagem com estranheza ao palavrório indecifrável? Talvez acreditem que a maioria dos eleitores brasileiros é formada por imbecis juramentados, e que Lula é capaz de eleger até um poste.
Eleger um poste é mais fácil que eleger uma Dilma Rousseff. Postes não falam. A candidata fala coisas incompreensíveis. O silêncio é menos absurdo e menos perturbador do que o som da insensatez.
Fim do fator previdenciário_Por Eduardo Bresciani e Paula Leite, no Portal G1
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (4) uma proposta que acaba com o fator previdenciário, método usado atualmente para calcular o valor de aposentadorias reduzindo o seu valor na maioria dos casos. A proposta foi adicionada à medida provisória que reajusta o benefício de aposentados que ganham acima de um salário mínimo. A Câmara decidiu aumentar de 6,14% para 7,7% o percentual de reajuste. O projeto segue agora para o Senado Federal.
Criado em 1999 no governo Fernando Henrique Cardoso com o objetivo de reduzir os benefícios de quem se aposenta antes das idades mínimas ou obrigar o empregado a trabalhar mais tempo, o fator previdenciário leva em conta quatro elementos para o cálculo do benefício: alíquota de contribuição, idade do trabalhador, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de vida.
O fator previdenciário afeta o benefício dos trabalhadores que se aposentam por tempo de contribuição. A aposentadoria é calculada da seguinte forma: o valor dos 80% maiores salários de contribuição do trabalhador é multiplicado pelo fator previdenciário. No caso dos trabalhadores que começaram a contribuir antes de 28 de novembro de 1999, valem os 80% maiores salários desde julho de 1994.
Esta é a noite da irresponsabilidade fiscal. Como se acaba com o fator sem calcular quanto isso custa? Não tem cabimento” Deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP)
O cidadão pode consultar o fator previdenciário de acordo com sua idade e tempo de contribuição em tabela fornecida pela Previdência. Hoje, o fator previdenciário para alguém de 50 anos que se aposenta com 30 anos de contribuição, por exemplo, é de 0,513 - o que significa que o cidadão recebe, com o fator, pouco mais da metade do que receberia caso o fator não fosse aplicado.
No caso das aposentadorias por idade, a aplicação do fator é opcional, ou seja, ele só é usado se aumentar o valor do benefício do cidadão.
O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) fez duras críticas à votação. Ele destacou que os deputados sequer sabem a arrecadação que será perdida com o fim do fator previdenciário. “Esta é a noite da irresponsabilidade fiscal. Como se acaba com o fator sem calcular quanto isso custa? Não tem cabimento.”Quando o projeto que elimina o fator foi aprovado no Senado em 2008, o então ministro da Previdência, José Pimentel, chegou a dizer que o impacto no orçamento poderia ser de até 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), foi o autor da emenda que tentava derrubar o fator. Ele argumenta que a mudança seria mais importante que o reajuste para os aposentados. O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), tentou fazer com que a discussão tivesse de ser feita em um processo específico. “Nós vamos fazer a negociação para votar neste ano o fim do fator previdenciário, mas com uma fórmula nova”, chegou a dizer.
Partidos da base aliada como PSB, PDT e PTB votaram a favor da emenda, enquanto PSDB e DEM decidiram liberar as bancadas. O fim do fator começará a valer em 2011 se for aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reajuste dos aposentados
O reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo aprovado0 nesta noite pela Câmara é superior ao índice negociado pelo governo. A proposta inicial era de um reajuste de 6,14% aos benefícios, retroativos a janeiro deste ano.
O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), colocou em seu relatório um percentual de 7% de reajuste, que ele garantia já estar acertado com o Executivo. O reajuste de 7,7% representa um gasto extra de R$ 1,7 bilhão em relação à proposta original do governo, de 6,14%.
Partidos da base aliada, no entanto, desejavam elevar o reajuste para 7,7% e contaram com o apoio da oposição, que tentou até aprovar um aumento maior, de 8,7%.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), foi o autor da emenda que ampliou o reajuste. Ele chegou a participar de uma negociação com o Senado para se tentar um acordo no percentual de 7,7%, mas o Executivo não concordou com a proposta.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta tarde no Congresso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetará o reajuste se o percentual for “exorbitante”. Vaccarezza já afirmou que Lula vetará o índice de 7,7% porque a Previdência não teria condições de bancar este reajuste.
No Senado, a tendência é que o percentual aprovado na Câmara seja mantido. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), maior bancada da Casa, já declarou que é “irrelevante” a diferença de R$ 600 milhões que o reajuste de 7,7% trará em relação ao percentual de 7% para os cofres públicos.
Criado em 1999 no governo Fernando Henrique Cardoso com o objetivo de reduzir os benefícios de quem se aposenta antes das idades mínimas ou obrigar o empregado a trabalhar mais tempo, o fator previdenciário leva em conta quatro elementos para o cálculo do benefício: alíquota de contribuição, idade do trabalhador, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de vida.
O fator previdenciário afeta o benefício dos trabalhadores que se aposentam por tempo de contribuição. A aposentadoria é calculada da seguinte forma: o valor dos 80% maiores salários de contribuição do trabalhador é multiplicado pelo fator previdenciário. No caso dos trabalhadores que começaram a contribuir antes de 28 de novembro de 1999, valem os 80% maiores salários desde julho de 1994.
Esta é a noite da irresponsabilidade fiscal. Como se acaba com o fator sem calcular quanto isso custa? Não tem cabimento” Deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP)
O cidadão pode consultar o fator previdenciário de acordo com sua idade e tempo de contribuição em tabela fornecida pela Previdência. Hoje, o fator previdenciário para alguém de 50 anos que se aposenta com 30 anos de contribuição, por exemplo, é de 0,513 - o que significa que o cidadão recebe, com o fator, pouco mais da metade do que receberia caso o fator não fosse aplicado.
No caso das aposentadorias por idade, a aplicação do fator é opcional, ou seja, ele só é usado se aumentar o valor do benefício do cidadão.
O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) fez duras críticas à votação. Ele destacou que os deputados sequer sabem a arrecadação que será perdida com o fim do fator previdenciário. “Esta é a noite da irresponsabilidade fiscal. Como se acaba com o fator sem calcular quanto isso custa? Não tem cabimento.”Quando o projeto que elimina o fator foi aprovado no Senado em 2008, o então ministro da Previdência, José Pimentel, chegou a dizer que o impacto no orçamento poderia ser de até 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), foi o autor da emenda que tentava derrubar o fator. Ele argumenta que a mudança seria mais importante que o reajuste para os aposentados. O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), tentou fazer com que a discussão tivesse de ser feita em um processo específico. “Nós vamos fazer a negociação para votar neste ano o fim do fator previdenciário, mas com uma fórmula nova”, chegou a dizer.
Partidos da base aliada como PSB, PDT e PTB votaram a favor da emenda, enquanto PSDB e DEM decidiram liberar as bancadas. O fim do fator começará a valer em 2011 se for aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reajuste dos aposentados
O reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo aprovado0 nesta noite pela Câmara é superior ao índice negociado pelo governo. A proposta inicial era de um reajuste de 6,14% aos benefícios, retroativos a janeiro deste ano.
O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), colocou em seu relatório um percentual de 7% de reajuste, que ele garantia já estar acertado com o Executivo. O reajuste de 7,7% representa um gasto extra de R$ 1,7 bilhão em relação à proposta original do governo, de 6,14%.
Partidos da base aliada, no entanto, desejavam elevar o reajuste para 7,7% e contaram com o apoio da oposição, que tentou até aprovar um aumento maior, de 8,7%.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), foi o autor da emenda que ampliou o reajuste. Ele chegou a participar de uma negociação com o Senado para se tentar um acordo no percentual de 7,7%, mas o Executivo não concordou com a proposta.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta tarde no Congresso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetará o reajuste se o percentual for “exorbitante”. Vaccarezza já afirmou que Lula vetará o índice de 7,7% porque a Previdência não teria condições de bancar este reajuste.
No Senado, a tendência é que o percentual aprovado na Câmara seja mantido. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), maior bancada da Casa, já declarou que é “irrelevante” a diferença de R$ 600 milhões que o reajuste de 7,7% trará em relação ao percentual de 7% para os cofres públicos.
04 maio 2010
Íntegra do discurso de Serra aos evangélicos
Em evento em Santa Catarina:
Conforme Jesus ensinou, quando você entra numa casa, numa cidade, deve saudar a todos e a todas com a paz do senhor.
Eu queria agradecer muito ao convite que me foi feito pelo nosso presidente, pastor Cesino Bernardino, para vir aqui no dia de hoje. Queria também cumprimentar todas as autoridades, homens e mulheres que são da vida pública aqui presentes, através do governador do Estado de Santa Catarina, nosso Leonel Pavan. Eu vou começar fazendo uma citação, de Lucas, que tem muito a ver com essa organização de missionários. No Cap. 10 Vers. I, Lucas no diz: “Depois disso, o senhor designou outros 70, e os enviou ,de dois em dois ,para que o precedessem em cada cidade e lugar onde ele estava falando, e lhes fez a seguinte advertência: ‘A Seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da Seara que mande trabalhadores para a sua Seara’”.
É interessante lembrar dessas palavras de Jesus, porque, no Brasil, o impulso fundamental para esta ação de missionários foi dada em dois. Duas pessoas que chegaram da Suécia a Belém do Pará, em 1910. Eram os missionários, o ideal dos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren. Chegaram em Belém em 19 de novembro de 1910. E Santa Catarina fez história no evangelismo nacional, porque em 1923, um deles, missionário Gunnar Vingren, teve informações, lá em Belém, de que em Santa Catarina havia o movimento pentecostal em andamento. Foram dois que vieram ao Brasil, como os pregadores de Cristo. Ele veio aqui para o Sul e, aqui chegando, encontrou o trabalho iniciado pelo Pastor André Bernardino da Silva, pioneiro da Assembléia de Deus em Santa Catarina. E o que vejo hoje desse congresso, liderado pelo Pastor Cesino, é a preocupação em fazer missionários para a evangelização no Brasil e no mundo. Eu sei que o trabalho extraordinário não só no campo espiritual, mas o relevante serviço prestado na área social que os Gideões têm realizado.
Quando no governo de São Paulo, eu, através da sanção ao Projeto de Lei votado na Assembléia Legislativa e aprovado, instituí, em São Paulo, o dia dos Gideões Missionários de Última Hora do Estado de São Paulo. Mais ainda, Pastor Cesino: nós instituímos também o dia da Expocristã, da literatura do evangelho, que é vasta no nosso país, no Estado de São Paulo, em 2 de setembro. Faz parte do calendário oficial do Estado de São Paulo, e eu decidi isso depois de visitar essa feira em 2007, me dando conta da enorme importância que tem para a leitura do nosso povo a ação dos evangélicos. Através da leitura da Bíblia é que todos os fiéis são introduzidos no momento em que se aproximam de uma igreja evangélica.
Num tempo em que os governos, as ações, lutam contra a pobreza, a violência, o terrorismo, os problemas sociais em geral, vocês estão aqui trabalhando para um mundo melhor, para que haja paz entre os povos. Que Deus abençoe todos e todas que hoje estão nesse grande congresso. Trabalhando juntos, nós vamos fazer do Brasil uma das principais nações do mundo. Vamos fazer do Brasil um país de todos e de todas.
Me lembro de uma outra citação de Cristo, agora de João… Dizer: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim de Jesus para que tenham vida e tenham essa vida em abundância”. O que significa isso? Que não se trata, através das nossas ações ,apenas de prolongar a vida. Trata-se de ter qualidade de vida. Isso é fundamental. É preciso viver , e é preciso viver bem e cada vez melhor. Essa é uma mensagem de Jesus Cristo. E olha, o trabalho que os missionários fazem está voltado a essa direção: para as crianças, para os idosos, para todas as pessoas, que vivam através de [ininteligível] assistência médica, mas que vivam melhor. Este para mim sempre foi um princípio de vida, na vida privada e na vida pública. Me lembro quando fui ministro da Saúde, ou agora como governador de São Paulo. Nós combatemos o tabagismo, o cigarro. Por quê? Porque faz mal a saúde. Mas eu dizia: “Não é apenas para prolongar a vida das pessoas, é para que tenham uma melhor qualidade de vida”. Porque aquele que fuma, quando fica doente por causa disso, fica, às vezes, anos com problemas de saúde, inclusive problemas de paralisia, não pode andar, sofre com doenças do pulmão. Ou seja, vivem, mas vivem mal. Da mesma maneira, nós fizemos muitas outras coisas nos setores desamparados.
É o caso do deficiente, algum tipo de pessoas com algum tipo de deficiência física. São mais de 20 milhões no nosso país. Pois nós criamos uma rede de reabilitação. Para quê? Para que o deficiente físico possa ser mais cidadão ou mais cidadã. Ele está vivendo, mas ,muitas vezes, encostado. Por quê? Porque não consegue se inserir na sociedade. Então nós fizemos um trabalho que nunca foi feito, de auxílio de reabilitação do deficiente, que ele tenha acesso aos equipamentos públicos e aprenda a viver com a deficiência que tem. Que não é capaz de esconder todas as capacidades que ele também ele carrega consigo.
A isso foi, tirando seguro desemprego do papel para ajudar os desempregados. Fizemos os medicamentos genéricos, para ter medicamentos mais barato e seguro para a população. Enfim, até eu digo porque estou gripado, e também posso me vacinar gratuitamente, até em produção da vacina da gripe no Brasil gratuitamente para aqueles que têm mais de 60 anos. Aqui, provavelmente, só eu, né, pastor, é que posso tomar. Nenhuma mulher, com muita exceção, pode tomar gratuitamente, provavelmente só eu que tomo. Mas estas são ações que para mim mostram a essência do que deve ser o trabalho na vida pública, que é servir ao próximo, é buscar a nossa felicidade, proporcionando felicidade às outras pessoas.
E essa é a essência do trabalho dos Gideões. Daí, o nosso encontro, daí a nossa identidade, daí o fato de quem eu aqui venho para procurar inspiração e ganhar energia para essa batalha. Convencido de que nós vamos fazer mais, que podemos fazer mais e melhor, para essas pessoas que precisam. Olha, eu me lembro que Deus, no dia em que Salomão chegou a ser rei, [Salomão] narrou um sonho, conversou com Deus no sonho.
E Deus lhe disse: “O que você quer? Tudo o que você quiser, eu te darei”. Ele disse: “Eu só quero uma coisa: sabedoria”. Sabedoria. E Deus disse: “Você não quer riqueza, você não quer prestígio, você não quer matar os seus inimigos, você quer sabedoria, e isso você terá”.
E o que eu queria pedir a todos e a todas aqui é que orem, rezem a Deus por mim, no sentido de que ele me dê mais sabedoria para enfrentar a batalha e as lutas que nós temos por diante, voltadas para o progresso do nosso país como um todo. Voltadas aos mais necessitados, voltadas à solidariedade. Por isso, eu me permito pedir que orem por mim para que Deus me dê mais sabedoria. Muito obrigado!
Conforme Jesus ensinou, quando você entra numa casa, numa cidade, deve saudar a todos e a todas com a paz do senhor.
Eu queria agradecer muito ao convite que me foi feito pelo nosso presidente, pastor Cesino Bernardino, para vir aqui no dia de hoje. Queria também cumprimentar todas as autoridades, homens e mulheres que são da vida pública aqui presentes, através do governador do Estado de Santa Catarina, nosso Leonel Pavan. Eu vou começar fazendo uma citação, de Lucas, que tem muito a ver com essa organização de missionários. No Cap. 10 Vers. I, Lucas no diz: “Depois disso, o senhor designou outros 70, e os enviou ,de dois em dois ,para que o precedessem em cada cidade e lugar onde ele estava falando, e lhes fez a seguinte advertência: ‘A Seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da Seara que mande trabalhadores para a sua Seara’”.
É interessante lembrar dessas palavras de Jesus, porque, no Brasil, o impulso fundamental para esta ação de missionários foi dada em dois. Duas pessoas que chegaram da Suécia a Belém do Pará, em 1910. Eram os missionários, o ideal dos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren. Chegaram em Belém em 19 de novembro de 1910. E Santa Catarina fez história no evangelismo nacional, porque em 1923, um deles, missionário Gunnar Vingren, teve informações, lá em Belém, de que em Santa Catarina havia o movimento pentecostal em andamento. Foram dois que vieram ao Brasil, como os pregadores de Cristo. Ele veio aqui para o Sul e, aqui chegando, encontrou o trabalho iniciado pelo Pastor André Bernardino da Silva, pioneiro da Assembléia de Deus em Santa Catarina. E o que vejo hoje desse congresso, liderado pelo Pastor Cesino, é a preocupação em fazer missionários para a evangelização no Brasil e no mundo. Eu sei que o trabalho extraordinário não só no campo espiritual, mas o relevante serviço prestado na área social que os Gideões têm realizado.
Quando no governo de São Paulo, eu, através da sanção ao Projeto de Lei votado na Assembléia Legislativa e aprovado, instituí, em São Paulo, o dia dos Gideões Missionários de Última Hora do Estado de São Paulo. Mais ainda, Pastor Cesino: nós instituímos também o dia da Expocristã, da literatura do evangelho, que é vasta no nosso país, no Estado de São Paulo, em 2 de setembro. Faz parte do calendário oficial do Estado de São Paulo, e eu decidi isso depois de visitar essa feira em 2007, me dando conta da enorme importância que tem para a leitura do nosso povo a ação dos evangélicos. Através da leitura da Bíblia é que todos os fiéis são introduzidos no momento em que se aproximam de uma igreja evangélica.
Num tempo em que os governos, as ações, lutam contra a pobreza, a violência, o terrorismo, os problemas sociais em geral, vocês estão aqui trabalhando para um mundo melhor, para que haja paz entre os povos. Que Deus abençoe todos e todas que hoje estão nesse grande congresso. Trabalhando juntos, nós vamos fazer do Brasil uma das principais nações do mundo. Vamos fazer do Brasil um país de todos e de todas.
Me lembro de uma outra citação de Cristo, agora de João… Dizer: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim de Jesus para que tenham vida e tenham essa vida em abundância”. O que significa isso? Que não se trata, através das nossas ações ,apenas de prolongar a vida. Trata-se de ter qualidade de vida. Isso é fundamental. É preciso viver , e é preciso viver bem e cada vez melhor. Essa é uma mensagem de Jesus Cristo. E olha, o trabalho que os missionários fazem está voltado a essa direção: para as crianças, para os idosos, para todas as pessoas, que vivam através de [ininteligível] assistência médica, mas que vivam melhor. Este para mim sempre foi um princípio de vida, na vida privada e na vida pública. Me lembro quando fui ministro da Saúde, ou agora como governador de São Paulo. Nós combatemos o tabagismo, o cigarro. Por quê? Porque faz mal a saúde. Mas eu dizia: “Não é apenas para prolongar a vida das pessoas, é para que tenham uma melhor qualidade de vida”. Porque aquele que fuma, quando fica doente por causa disso, fica, às vezes, anos com problemas de saúde, inclusive problemas de paralisia, não pode andar, sofre com doenças do pulmão. Ou seja, vivem, mas vivem mal. Da mesma maneira, nós fizemos muitas outras coisas nos setores desamparados.
É o caso do deficiente, algum tipo de pessoas com algum tipo de deficiência física. São mais de 20 milhões no nosso país. Pois nós criamos uma rede de reabilitação. Para quê? Para que o deficiente físico possa ser mais cidadão ou mais cidadã. Ele está vivendo, mas ,muitas vezes, encostado. Por quê? Porque não consegue se inserir na sociedade. Então nós fizemos um trabalho que nunca foi feito, de auxílio de reabilitação do deficiente, que ele tenha acesso aos equipamentos públicos e aprenda a viver com a deficiência que tem. Que não é capaz de esconder todas as capacidades que ele também ele carrega consigo.
A isso foi, tirando seguro desemprego do papel para ajudar os desempregados. Fizemos os medicamentos genéricos, para ter medicamentos mais barato e seguro para a população. Enfim, até eu digo porque estou gripado, e também posso me vacinar gratuitamente, até em produção da vacina da gripe no Brasil gratuitamente para aqueles que têm mais de 60 anos. Aqui, provavelmente, só eu, né, pastor, é que posso tomar. Nenhuma mulher, com muita exceção, pode tomar gratuitamente, provavelmente só eu que tomo. Mas estas são ações que para mim mostram a essência do que deve ser o trabalho na vida pública, que é servir ao próximo, é buscar a nossa felicidade, proporcionando felicidade às outras pessoas.
E essa é a essência do trabalho dos Gideões. Daí, o nosso encontro, daí a nossa identidade, daí o fato de quem eu aqui venho para procurar inspiração e ganhar energia para essa batalha. Convencido de que nós vamos fazer mais, que podemos fazer mais e melhor, para essas pessoas que precisam. Olha, eu me lembro que Deus, no dia em que Salomão chegou a ser rei, [Salomão] narrou um sonho, conversou com Deus no sonho.
E Deus lhe disse: “O que você quer? Tudo o que você quiser, eu te darei”. Ele disse: “Eu só quero uma coisa: sabedoria”. Sabedoria. E Deus disse: “Você não quer riqueza, você não quer prestígio, você não quer matar os seus inimigos, você quer sabedoria, e isso você terá”.
E o que eu queria pedir a todos e a todas aqui é que orem, rezem a Deus por mim, no sentido de que ele me dê mais sabedoria para enfrentar a batalha e as lutas que nós temos por diante, voltadas para o progresso do nosso país como um todo. Voltadas aos mais necessitados, voltadas à solidariedade. Por isso, eu me permito pedir que orem por mim para que Deus me dê mais sabedoria. Muito obrigado!
02 maio 2010
13 passos de uma farsa_Por Reinaldo Azevedo
1 - O PT primeiro reclamou dos blogs e sites tucanos.
2 - Depois houve uma “reportagem” a respeito da suposta virulência tucana numa revista petista, que recebe generosas verbas públicas, embora não tenha leitores.
3 - Páginas da Internet de blogueiros que trabalham para o governo passaram a falar da “guerra suja” na Internet — promovida, claro, pelos tucanos.
4 - “Guerra suja” é quando os petistas são atacados; quando eles atacam, é crítica política.
5 - Depois começou a campanha no Twitter;
6 - A infiltração petista nos grandes jornais ampliou a gritaria;
7 - O PT anunciou que iria recorrer à Justiça e ganhou “reportagens”;
8 - O PT anunciou a convocação de uma entrevista coletiva e ganhou outras “reportagens”;
9 - O PT concedeu a entrevista coletiva e ganhou mais “reportagens”;
10 - Quando o PT efetivamente recorrer à Justiça, receberá um presente: “reportagens”.
11 - Assim atuando, os braços do PT na imprensa ajudam a criar a mentira de que o partido é vítima de uma “guerra suja”, embora se comporte, coitadinho!, com ética refinada;
12 - Já que estaria sendo “atacado”, as baixarias que os petistas promovem desde sempre passam a ser vistas como “reação proporcional”.
13 - Trata-se de uma revolução temporal: o “antes” passa a ser visto como reação ao “depois”.
2 - Depois houve uma “reportagem” a respeito da suposta virulência tucana numa revista petista, que recebe generosas verbas públicas, embora não tenha leitores.
3 - Páginas da Internet de blogueiros que trabalham para o governo passaram a falar da “guerra suja” na Internet — promovida, claro, pelos tucanos.
4 - “Guerra suja” é quando os petistas são atacados; quando eles atacam, é crítica política.
5 - Depois começou a campanha no Twitter;
6 - A infiltração petista nos grandes jornais ampliou a gritaria;
7 - O PT anunciou que iria recorrer à Justiça e ganhou “reportagens”;
8 - O PT anunciou a convocação de uma entrevista coletiva e ganhou outras “reportagens”;
9 - O PT concedeu a entrevista coletiva e ganhou mais “reportagens”;
10 - Quando o PT efetivamente recorrer à Justiça, receberá um presente: “reportagens”.
11 - Assim atuando, os braços do PT na imprensa ajudam a criar a mentira de que o partido é vítima de uma “guerra suja”, embora se comporte, coitadinho!, com ética refinada;
12 - Já que estaria sendo “atacado”, as baixarias que os petistas promovem desde sempre passam a ser vistas como “reação proporcional”.
13 - Trata-se de uma revolução temporal: o “antes” passa a ser visto como reação ao “depois”.
O que está por trás das demarcações de terras_Por Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros:
Por Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros:
As dimensões continentais do Brasil costumam ser apontadas como um dos alicerces da prosperidade presente e futura do país. As vastidões férteis e inexploradas garantiriam a ampliação do agronegócio e do peso da nação no comércio mundial. Mas essas avaliações nunca levam em conta a parcela do território que não é nem será explorada, porque já foi demarcada para proteção ambiental ou de grupos específicos da população. Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil. Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional. Ou seja, as próximas gerações terão de se contentar em ocupar uma porção do tamanho de São Paulo e Minas Gerais. E esse naco poderá ficar ainda menor. O governo pretende criar outras 1 514 reservas e destinar mais 50 000 lotes para a reforma agrária. Juntos, eles consumirão uma área equivalente à de Pernambuco. A maior parte será entregue a índios e comunidades de remanescentes de quilombos. Com a intenção de proteger e preservar a cultura de povos nativos e expiar os pecados da escravatura, a legislação brasileira instaurou um rito sumário no processo de delimitação dessas áreas.
Os motivos, pretensamente nobres, abriram espaço para que surgisse uma verdadeira indústria de demarcação. Pelas leis atuQais, uma comunidade depende apenas de duas coisas para ser considerada indígena ou quilombola: uma declaração de seus integrantes e um laudo antropológico. A maioria desses laudos é elaborada sem nenhum rigor científico e com claro teor ideológico de uma esquerda que ainda insiste em extinguir o capitalismo, imobilizando terras para a produção. Alguns relatórios ressuscitaram povos extintos há mais de 300 anos. Outros encontraram etnias em estados da federação nos quais não há registro histórico de que elas tenham vivido lá. Ou acharam quilombos em regiões que só vieram a abrigar negros depois que a escravatura havia sido abolida. Nesta reportagem, VEJA apresenta casos nos quais antropólogos, ativistas políticos e religiosos se associaram a agentes públicos para montar processos e criar reservas. Parte delas destrói perspectivas econômicas de toda uma região, como ocorreu em Peruíbe, no Litoral Sul de São Paulo. Outras levam as tintas do teatro do absurdo. Exemplo disso é o Parque Nacional do Jaú, no Amazonas, que englobou uma vila criada em 1907 e pôs seus moradores em situação de despejo. A solução para mantê-los lá foi declarar a área um quilombo do qual não há registro histórico. Certas iniciativas são motivadas pela ideia maluca de que o território brasileiro deveria pertencer apenas aos índios, tese refutada pelo Supremo Tribunal Federal. Há, ainda, os que advogam a criação de reservas indígenas como meio de preservar o ambiente. E há também – ou principalmente – aqueles que, a pretexto de proteger este ou aquele aspecto, querem tão somente faturar. “Diante desse quadro, é preciso dar um basta imediato nos processos de demarcação”, como já advertiu há quatro anos o antropólogo Mércio Pereira Gomes, ex-presidente da Funai e professor da Universidade Federal Fluminense.
As dimensões continentais do Brasil costumam ser apontadas como um dos alicerces da prosperidade presente e futura do país. As vastidões férteis e inexploradas garantiriam a ampliação do agronegócio e do peso da nação no comércio mundial. Mas essas avaliações nunca levam em conta a parcela do território que não é nem será explorada, porque já foi demarcada para proteção ambiental ou de grupos específicos da população. Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil. Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional. Ou seja, as próximas gerações terão de se contentar em ocupar uma porção do tamanho de São Paulo e Minas Gerais. E esse naco poderá ficar ainda menor. O governo pretende criar outras 1 514 reservas e destinar mais 50 000 lotes para a reforma agrária. Juntos, eles consumirão uma área equivalente à de Pernambuco. A maior parte será entregue a índios e comunidades de remanescentes de quilombos. Com a intenção de proteger e preservar a cultura de povos nativos e expiar os pecados da escravatura, a legislação brasileira instaurou um rito sumário no processo de delimitação dessas áreas.
Os motivos, pretensamente nobres, abriram espaço para que surgisse uma verdadeira indústria de demarcação. Pelas leis atuQais, uma comunidade depende apenas de duas coisas para ser considerada indígena ou quilombola: uma declaração de seus integrantes e um laudo antropológico. A maioria desses laudos é elaborada sem nenhum rigor científico e com claro teor ideológico de uma esquerda que ainda insiste em extinguir o capitalismo, imobilizando terras para a produção. Alguns relatórios ressuscitaram povos extintos há mais de 300 anos. Outros encontraram etnias em estados da federação nos quais não há registro histórico de que elas tenham vivido lá. Ou acharam quilombos em regiões que só vieram a abrigar negros depois que a escravatura havia sido abolida. Nesta reportagem, VEJA apresenta casos nos quais antropólogos, ativistas políticos e religiosos se associaram a agentes públicos para montar processos e criar reservas. Parte delas destrói perspectivas econômicas de toda uma região, como ocorreu em Peruíbe, no Litoral Sul de São Paulo. Outras levam as tintas do teatro do absurdo. Exemplo disso é o Parque Nacional do Jaú, no Amazonas, que englobou uma vila criada em 1907 e pôs seus moradores em situação de despejo. A solução para mantê-los lá foi declarar a área um quilombo do qual não há registro histórico. Certas iniciativas são motivadas pela ideia maluca de que o território brasileiro deveria pertencer apenas aos índios, tese refutada pelo Supremo Tribunal Federal. Há, ainda, os que advogam a criação de reservas indígenas como meio de preservar o ambiente. E há também – ou principalmente – aqueles que, a pretexto de proteger este ou aquele aspecto, querem tão somente faturar. “Diante desse quadro, é preciso dar um basta imediato nos processos de demarcação”, como já advertiu há quatro anos o antropólogo Mércio Pereira Gomes, ex-presidente da Funai e professor da Universidade Federal Fluminense.
O Lanzetta da “Laranza”_DIOGO MAINARDI
Na VEJA:
O PT contratou Luiz Lanzetta para comandar a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff. Isso mesmo: Luiz Lanzetta. Ninguém sabe quem ele é. Ninguém sabe por que ele foi contratado. Está na hora de tentar saber.
Luiz Lanzetta comanda a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff, mas nenhum dos assessores de imprensa de Dilma Rousseff é comandado por Luiz Lanzetta. De fato, ele só contratou quem o PT mandou contratar. De Helena Chagas, apadrinhada por Franklin Martins, a Oswaldo Buarim, que pertence à quota da própria Dilma Rousseff. Luiz Lanzetta simplesmente assinou seus contratos de trabalho e passou a pagar seus salários. A empresa usada por ele para contratar e para pagar os assessores de imprensa do PT chama-se Lanza. No meio jornalístico brasiliense, ela já ganhou o apelido de “Laranza”.
Em 2002, Marcos Valério pagou um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha presidencial de Lula. Agora, em 2010, Luiz Lanzetta paga um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha de Dilma Rousseff. De lá para cá, tudo melhorou. O tesoureiro do PT, em 2002, era Delúbio Soares. O tesoureiro do PT, em 2010, é o homem da Bancoop. Ufa.
Luiz Lanzetta tem um jornalzinho e um site na internet: brasiliaconfidencial.inf.br. Nas páginas do site, o nome de seu autor é mantido em segredo. A rigor, o site inteiro é mantido em segredo, considerando que praticamente ninguém o conhece. Mas seus artigos costumam ser reproduzidos por blogueiros pagos pelo lulismo. Uma de suas manchetes: “Pesquisa aponta disparada de Dilma”. Outra manchete: “Tropa tucana agride professores”. Outra manchete: “Serra comanda baixaria na internet”.
A campanha de Dilma Rousseff está ruindo. Fernando Pimentel, seu coordenador, é conhecido por suas patetices. Quando era terrorista, ele tentou sequestrar um diplomata americano cinco vezes, e fracassou em todas elas. Mesmo baleado pelas costas, o diplomata americano conseguiu fugir. Na sede da campanha, dois assessores de imprensa pagos por Luiz Lanzetta já pegaram dengue: Helena Chagas e Giles Azevedo. No Rio de Janeiro, um apaniguado da Petrobras, Wagner Tiso, tentou organizar um encontro de artistas com Dilma Rousseff. Só compareceram oito deles, e o de maior prestígio era o cartunista Aroeira.
Lula, alarmado com o desempenho de sua candidata, ordenou que Dilma Rousseff tomasse umas aulas para aprender a falar em público. Sua professora, Olga Curado, treinou também Roger Abdelmassih, aquele médico acusado de ter estuprado dezenas de pacientes. Quem contratou a professora de Dilma Rousseff foi Luiz Lanzetta. Quem pagou a conta foi o homem da Bancoop.
O PT contratou Luiz Lanzetta para comandar a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff. Isso mesmo: Luiz Lanzetta. Ninguém sabe quem ele é. Ninguém sabe por que ele foi contratado. Está na hora de tentar saber.
Luiz Lanzetta comanda a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff, mas nenhum dos assessores de imprensa de Dilma Rousseff é comandado por Luiz Lanzetta. De fato, ele só contratou quem o PT mandou contratar. De Helena Chagas, apadrinhada por Franklin Martins, a Oswaldo Buarim, que pertence à quota da própria Dilma Rousseff. Luiz Lanzetta simplesmente assinou seus contratos de trabalho e passou a pagar seus salários. A empresa usada por ele para contratar e para pagar os assessores de imprensa do PT chama-se Lanza. No meio jornalístico brasiliense, ela já ganhou o apelido de “Laranza”.
Em 2002, Marcos Valério pagou um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha presidencial de Lula. Agora, em 2010, Luiz Lanzetta paga um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha de Dilma Rousseff. De lá para cá, tudo melhorou. O tesoureiro do PT, em 2002, era Delúbio Soares. O tesoureiro do PT, em 2010, é o homem da Bancoop. Ufa.
Luiz Lanzetta tem um jornalzinho e um site na internet: brasiliaconfidencial.inf.br. Nas páginas do site, o nome de seu autor é mantido em segredo. A rigor, o site inteiro é mantido em segredo, considerando que praticamente ninguém o conhece. Mas seus artigos costumam ser reproduzidos por blogueiros pagos pelo lulismo. Uma de suas manchetes: “Pesquisa aponta disparada de Dilma”. Outra manchete: “Tropa tucana agride professores”. Outra manchete: “Serra comanda baixaria na internet”.
A campanha de Dilma Rousseff está ruindo. Fernando Pimentel, seu coordenador, é conhecido por suas patetices. Quando era terrorista, ele tentou sequestrar um diplomata americano cinco vezes, e fracassou em todas elas. Mesmo baleado pelas costas, o diplomata americano conseguiu fugir. Na sede da campanha, dois assessores de imprensa pagos por Luiz Lanzetta já pegaram dengue: Helena Chagas e Giles Azevedo. No Rio de Janeiro, um apaniguado da Petrobras, Wagner Tiso, tentou organizar um encontro de artistas com Dilma Rousseff. Só compareceram oito deles, e o de maior prestígio era o cartunista Aroeira.
Lula, alarmado com o desempenho de sua candidata, ordenou que Dilma Rousseff tomasse umas aulas para aprender a falar em público. Sua professora, Olga Curado, treinou também Roger Abdelmassih, aquele médico acusado de ter estuprado dezenas de pacientes. Quem contratou a professora de Dilma Rousseff foi Luiz Lanzetta. Quem pagou a conta foi o homem da Bancoop.
30 abril 2010
O ranking de Lula, o 'Rei do Mundo'_Por Augusto Nunes
Os milicianos petistas estão em êxtase com a presença de Lula na versão 2010 da lista das 100 personalidades mais influentes do mundo segundo os leitores da Time. A excitação é tanta que as patrulhas companheiras voltaram a chamar de revista americana o que até ontem era “uma publicação estadunidense”. E instalaram o presidente brasileiro no topo de um do ranking que não existe (...).
Lula é mais um na última edição da lista que invariavelmente exibe, além de governantes competentes e homens de bem, o cortejo de figuras repulsivas, ineptos juramentados, perfeitas cavalgaduras, extravagâncias cucarachas, infâmias africanas, abjeções de grotão e jecas tropicais. Em 2004, por exemplo, Lula estreou na relação em companhia do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il, e do psicopata Osama Bin Laden.
O coreano atômico reapareceu no ano seguinte ao lado do tirano aprendiz Hugo Chávez. Em 2006, o bufão venezuelano fez parceria com Mahmoud Ahmadinejad. A lista de 2007 reincorporou Bin Laden e abriu vagas para o genocida sudanês Omar al-Bashir e para ditador interino Raúl Castro, eleito gerente-geral de Cuba pelo irmão mais velho. Até o boliviano Evo Morales conseguiu virar personalidade com influência mundial em 2008.
Incluído pela segunda vez na relação da Time, Lula está empatado com Hugo Chávez e Osama Bin Laden.
Lula é mais um na última edição da lista que invariavelmente exibe, além de governantes competentes e homens de bem, o cortejo de figuras repulsivas, ineptos juramentados, perfeitas cavalgaduras, extravagâncias cucarachas, infâmias africanas, abjeções de grotão e jecas tropicais. Em 2004, por exemplo, Lula estreou na relação em companhia do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il, e do psicopata Osama Bin Laden.
O coreano atômico reapareceu no ano seguinte ao lado do tirano aprendiz Hugo Chávez. Em 2006, o bufão venezuelano fez parceria com Mahmoud Ahmadinejad. A lista de 2007 reincorporou Bin Laden e abriu vagas para o genocida sudanês Omar al-Bashir e para ditador interino Raúl Castro, eleito gerente-geral de Cuba pelo irmão mais velho. Até o boliviano Evo Morales conseguiu virar personalidade com influência mundial em 2008.
Incluído pela segunda vez na relação da Time, Lula está empatado com Hugo Chávez e Osama Bin Laden.
O palanque do terror de Dilma_Por Augusto Nunes
O elenco de filme de terror aglomerado no palanque de Dilma Rousseff reúne até o momento 173 espantos. Estão representados todos os Estados brasileiros e alguns países companheiros. Se quiser ler em voz alta, tire as crianças da sala.
Rio Grande do Sul: Tarso Genro, Marco Aurélio Garcia, Guilherme Cassel, João Pedro Stedile, Marcelo Branco, Maria do Rosário, Diógenes de Oliveira, Fernando Marroni, Elizeu Padilha, Olívio Dutra, Henrique Fontana, Paulo Pimenta, Sérgio Moraes, Paulo Paim e Miguel Rossetto.
Santa Catarina: Ideli Salvatti e Altemir Gregolin.
Paraná: Paulo Bernardo, Gleisi Hoffman, Antonio Bellinati, José Janene e Dr. Rosinha.
São Paulo: José Dirceu, José Genoíno, José Rainha, José Mentor, Antônio Palocci, Aloízio Mercadante, Paulo Maluf, Ricardo Berzoini, Luiz Gushiken, Eduardo Suplicy, Marta Suplicy, Paulinho da Força, João Paulo Cunha, Fernando Haddad, Luiz Marinho, Michel Temer, Matilde Ribeiro, Paulo Vannuchi, Aldo Rebelo, Márcio Thomaz Bastos, Marisa Letícia Lula da Silva, Professor Luizinho, Luiz Eduardo Greenhalgh, Cândido Vaccarezza, Gabriel Chalita, Celso Amorim, Celso Russomano, João Vaccari Neto, Netinho de Paula, Bebel Noronha, Emídio de Souza, Gilberto Carvalho, Orlando Silva , Frank Aguiar, Agnaldo Timóteo e Ângela Guadagnin.
Rio de Janeiro: Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Paulo Duque, Carlos Lupi, Eduardo Cunha, Marcelo Crivella, Benedita da Silva, Lindberg Farias, Eduardo Paes, Wladimir Palmeira, Carlos Alberto Muniz, Jandira Feghali, Carlos Minc, Família Babu e Franklin Martins.
Minas Gerais: Wellington Salgado, Hélio Costa, Newton Cardoso, Marcos Valério, Clésio Andrade, Virgílio Guimarães, Luiz Dulci, Frei Betto, Anderson Adauto, Fernando Pimentel, José Alencar, Edmar Moreira, Jô Moraes, Nilmário Miranda, Sandra Starling, Patrus Ananias, Saraiva Felipe e Walfrido Mares Guia.
Espírito Santo: Ricardo Ferraço.
Mato Grosso: Blairo Maggi, Serys Slhessarenko, Carlos Abicalil e Silval Barbosa.
Mato Grosso do Sul: Zeca do PT e Delcídio Amaral.
Goiás: Delúbio Soares e Iris Rezende.
Tocantins: Marcelo Miranda, Raul Filho, Carlos Gaguim, Rocha Miranda e Wanderley Luxemburgo.
Sergipe: José Eduardo Dutra e Almeida Lima.
Alagoas: Fernando Collor, Ronaldo Lessa e Renan Calheiros.
Paraíba: José Maranhão e Roberto Cavalcante.
Pernambuco: Severino Cavalcanti, Humberto Costa, Maurício Rands, José Múcio Monteiro, João Paulo, Carlos Eduardo Cadoca, Renildo Calheiros e Inocêncio Oliveira.
Bahia: José Sérgio Gabrielli, Geddel Vieira Lima, Jacques Wagner e Haroldo Lima.
Rio Grande do Norte: Henrique Eduardo Alves, Garibaldi Alves, Iberê Ferreira e Fátima Bezerra.
Ceará: Inácio Arruda, José Nobre Guimarães, Eunício de Oliveira, José Pimentel e Luizianne Lins.
Piauí: Wellington Dias e Wilson Martins.
Amazonas: Alfredo Nascimento, Amazonino Mendes, Omar Azis e João Pedro.
Roraima: Romero Jucá e Flamarion Portela.
Rondônia: Valdir Raupp, Eduardo Valverde, Confúcio Moura, Fátima Cleide e Ivo Cassol.
Acre: Sibá Machado, Rodrigo Pinto e Tião Viana.
Amapá: José Sarney e Gilvam Borges.
Distrito Federal: Erenice Guerra, Gim Argello, Valdomiro Diniz, Tadeu Felipelli e Agnelo Queiroz.
Pará: Ana Júlia Carepa, Jáder Barbalho e Alcione Barbalho.
Maranhão: José Sarney, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Sarney Filho, Ricardo Murad, Edison Lobão, Edison Lobinho, Flávio Dino e Epitácio Cafeteira.
Mundo: Hugo Chávez (Venezuela), Mahmoud Ahmadinejad (Irã), Fernando Lugo (Paraguai), Casal Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Manuel Zelaya (Honduras), Rafael Correa (Equador), Daniel Ortega (Nicarágua), Cesare Battisti (Itália), Irmãos Castro (Cuba) e Roberto Mangabeira Unger (Massachusetts).
O produtor é Lula. A principal personagem feminina é Dilma Rousseff. No momento, a coisa parece sem direção.
Rio Grande do Sul: Tarso Genro, Marco Aurélio Garcia, Guilherme Cassel, João Pedro Stedile, Marcelo Branco, Maria do Rosário, Diógenes de Oliveira, Fernando Marroni, Elizeu Padilha, Olívio Dutra, Henrique Fontana, Paulo Pimenta, Sérgio Moraes, Paulo Paim e Miguel Rossetto.
Santa Catarina: Ideli Salvatti e Altemir Gregolin.
Paraná: Paulo Bernardo, Gleisi Hoffman, Antonio Bellinati, José Janene e Dr. Rosinha.
São Paulo: José Dirceu, José Genoíno, José Rainha, José Mentor, Antônio Palocci, Aloízio Mercadante, Paulo Maluf, Ricardo Berzoini, Luiz Gushiken, Eduardo Suplicy, Marta Suplicy, Paulinho da Força, João Paulo Cunha, Fernando Haddad, Luiz Marinho, Michel Temer, Matilde Ribeiro, Paulo Vannuchi, Aldo Rebelo, Márcio Thomaz Bastos, Marisa Letícia Lula da Silva, Professor Luizinho, Luiz Eduardo Greenhalgh, Cândido Vaccarezza, Gabriel Chalita, Celso Amorim, Celso Russomano, João Vaccari Neto, Netinho de Paula, Bebel Noronha, Emídio de Souza, Gilberto Carvalho, Orlando Silva , Frank Aguiar, Agnaldo Timóteo e Ângela Guadagnin.
Rio de Janeiro: Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Paulo Duque, Carlos Lupi, Eduardo Cunha, Marcelo Crivella, Benedita da Silva, Lindberg Farias, Eduardo Paes, Wladimir Palmeira, Carlos Alberto Muniz, Jandira Feghali, Carlos Minc, Família Babu e Franklin Martins.
Minas Gerais: Wellington Salgado, Hélio Costa, Newton Cardoso, Marcos Valério, Clésio Andrade, Virgílio Guimarães, Luiz Dulci, Frei Betto, Anderson Adauto, Fernando Pimentel, José Alencar, Edmar Moreira, Jô Moraes, Nilmário Miranda, Sandra Starling, Patrus Ananias, Saraiva Felipe e Walfrido Mares Guia.
Espírito Santo: Ricardo Ferraço.
Mato Grosso: Blairo Maggi, Serys Slhessarenko, Carlos Abicalil e Silval Barbosa.
Mato Grosso do Sul: Zeca do PT e Delcídio Amaral.
Goiás: Delúbio Soares e Iris Rezende.
Tocantins: Marcelo Miranda, Raul Filho, Carlos Gaguim, Rocha Miranda e Wanderley Luxemburgo.
Sergipe: José Eduardo Dutra e Almeida Lima.
Alagoas: Fernando Collor, Ronaldo Lessa e Renan Calheiros.
Paraíba: José Maranhão e Roberto Cavalcante.
Pernambuco: Severino Cavalcanti, Humberto Costa, Maurício Rands, José Múcio Monteiro, João Paulo, Carlos Eduardo Cadoca, Renildo Calheiros e Inocêncio Oliveira.
Bahia: José Sérgio Gabrielli, Geddel Vieira Lima, Jacques Wagner e Haroldo Lima.
Rio Grande do Norte: Henrique Eduardo Alves, Garibaldi Alves, Iberê Ferreira e Fátima Bezerra.
Ceará: Inácio Arruda, José Nobre Guimarães, Eunício de Oliveira, José Pimentel e Luizianne Lins.
Piauí: Wellington Dias e Wilson Martins.
Amazonas: Alfredo Nascimento, Amazonino Mendes, Omar Azis e João Pedro.
Roraima: Romero Jucá e Flamarion Portela.
Rondônia: Valdir Raupp, Eduardo Valverde, Confúcio Moura, Fátima Cleide e Ivo Cassol.
Acre: Sibá Machado, Rodrigo Pinto e Tião Viana.
Amapá: José Sarney e Gilvam Borges.
Distrito Federal: Erenice Guerra, Gim Argello, Valdomiro Diniz, Tadeu Felipelli e Agnelo Queiroz.
Pará: Ana Júlia Carepa, Jáder Barbalho e Alcione Barbalho.
Maranhão: José Sarney, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Sarney Filho, Ricardo Murad, Edison Lobão, Edison Lobinho, Flávio Dino e Epitácio Cafeteira.
Mundo: Hugo Chávez (Venezuela), Mahmoud Ahmadinejad (Irã), Fernando Lugo (Paraguai), Casal Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Manuel Zelaya (Honduras), Rafael Correa (Equador), Daniel Ortega (Nicarágua), Cesare Battisti (Itália), Irmãos Castro (Cuba) e Roberto Mangabeira Unger (Massachusetts).
O produtor é Lula. A principal personagem feminina é Dilma Rousseff. No momento, a coisa parece sem direção.
28 abril 2010
Ao rei tudo, menos a honra! (Ciro Gomes)
A cúpula de meu partido, o PSB, decidiu-se por não me dar a oportunidade de concorrer à Presidência da República. Esta sempre foi uma das possibilidades de desdobramento da minha luta. Aliás, esta sempre foi a maior das possibilidades. Acho um erro tático em relação ao melhor interesse do partido e uma deserção de nossos deveres para com o país.
Não é hora mais, entretanto, de repetir os argumentos claros e já tão repetidos e até óbvios. É hora de aceitar a decisão da direção partidária. É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso País!
Quero agradecer, muito comovido, a todos os que me estimularam, me apoiaram, me ajudaram, nesta caminhada da qual muito me orgulho.
Quero afirmar que uma democracia não se faz com donos da verdade e que, se minhas verdades não encontram eco na maioria da direção partidária, é preciso respeitar e submeter-se à decisão. É assim que se deve proceder mesmo que os processos sejam meio tortuosos, às vezes.
É o que farei.
Deixo claro: acato a decisão da direção do partido. Respeitarei as diretrizes que, desta decisão em diante, devem ser tomadas em relação ao nosso posicionamento na conjuntura política brasileira.
Meu entusiasmo, e o nível de meu modesto engajamento, entretanto, compreendam-me, por favor, meus companheiros, irão depender do encaminhamento, pelo partido, de minhas preocupações com o Brasil, com nossa falta de um projeto estratégico de futuro, com a deterioração ética generalizada de nossa prática política, com a potencial e precoce esclerose de nossa democracia.
Agradeço novamente aos companheiros de partido pelo apoio que sempre me deram. Faço também um agradecimento especial ao povo cearense pelo apoio de todas as horas; mas minha lembrança mais grata vai para o simpatizante anônimo, para o brasileiro humilde, para a mulher trabalhadora, para os jovens, em nome de quem renovo meu compromisso de seguir lutando!
Não é hora mais, entretanto, de repetir os argumentos claros e já tão repetidos e até óbvios. É hora de aceitar a decisão da direção partidária. É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso País!
Quero agradecer, muito comovido, a todos os que me estimularam, me apoiaram, me ajudaram, nesta caminhada da qual muito me orgulho.
Quero afirmar que uma democracia não se faz com donos da verdade e que, se minhas verdades não encontram eco na maioria da direção partidária, é preciso respeitar e submeter-se à decisão. É assim que se deve proceder mesmo que os processos sejam meio tortuosos, às vezes.
É o que farei.
Deixo claro: acato a decisão da direção do partido. Respeitarei as diretrizes que, desta decisão em diante, devem ser tomadas em relação ao nosso posicionamento na conjuntura política brasileira.
Meu entusiasmo, e o nível de meu modesto engajamento, entretanto, compreendam-me, por favor, meus companheiros, irão depender do encaminhamento, pelo partido, de minhas preocupações com o Brasil, com nossa falta de um projeto estratégico de futuro, com a deterioração ética generalizada de nossa prática política, com a potencial e precoce esclerose de nossa democracia.
Agradeço novamente aos companheiros de partido pelo apoio que sempre me deram. Faço também um agradecimento especial ao povo cearense pelo apoio de todas as horas; mas minha lembrança mais grata vai para o simpatizante anônimo, para o brasileiro humilde, para a mulher trabalhadora, para os jovens, em nome de quem renovo meu compromisso de seguir lutando!
25 abril 2010
Entrevesita com a senadora Kátia Abreu (CNI)_Diogo Schelp_Veja
Sobre a mesa da presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), em Brasília, há um grande coelho azul igual ao que a Mônica, personagem do cartunista Mauricio de Sousa, utiliza para bater naqueles que a provocam. O bicho de pelúcia foi um presente que a equipe da CNA deu à presidente da entidade, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), de 48 anos, como brincadeira em referência à sua fama de briguenta. No Senado ou no comando da confederação, ela tem procurado provar que muitas das medidas do governo que atrapalham o desenvolvimento do agronegócio e aumentam a insegurança jurídica no país são orientadas por preconceito ideológico. Agropecuarista desde os 25 anos de idade, quando, grávida do terceiro filho, ficou viúva e teve de assumir a fazenda do marido, a senadora concedeu a seguinte entrevista a VEJA.
Qual é a imagem que os brasileiros têm dos produtores rurais?
A ideia prevalente, e errada, é que o agronegócio exporta tudo o que produz, cabendo aos pequenos produtores abastecer o mercado interno. Pequenos, médios e grandes produtores destinam ao mercado interno 70% de tudo o que colhem ou criam. Também é muito forte e igualmente errada a noção de que fazendeiro vive de destruir a natureza e escravizar trabalhadores. Obviamente, como em qualquer atividade, ocorrem alguns abusos no campo. Mas o jogo duro de nossos adversários isolou os produtores do debate e espalhou essa ideia terrorista sobre a nossa atividade. Esses preconceitos precisam ser desfeitos.
Como?
Mostrando na prática que não somos escravocratas e que não destruímos o meio ambiente. Nós temos um projeto em parceria com a Embrapa dedicado a pesquisar e difundir boas práticas que permitam unir produção rural e proteção do ambiente. Essa história de trabalho escravo também precisa ser abordada com ações que produzam respostas práticas. Nós treinamos 200 instrutores para inspecionar fazendas pelo Brasil e avaliar as condições de vida dos empregados. Já visitamos mais de 1.000 fazendas. O que se vê é uma imensa boa vontade da maioria dos proprietários de cumprir tudo o que a lei manda e seguir direito as normas reguladoras. Ocorre que a norma que rege o trabalho no campo, a NR-31, tem 252 itens. Em qualquer atividade, cumprir 252 critérios é muito difícil. Nas fazendas, isso é uma exorbitância. Até em uma fazenda-modelo um fiscal vai encontrar pelo menos um item dos 252 que não está de acordo com a norma.
Por que nas fazendas isso seria uma exorbitância?
Imagine que um determinado trabalhador seja responsável por tirar leite das vacas da fazenda. Um belo dia, o dono acha que o mais adequado é mudar a função do empregado e ele passa a, digamos, ser encarregado de roçar o pasto. Parece simples, mas não é. A norma legal determina que, para mudar de função, o trabalhador precisa antes de mais nada se submeter a um exame médico, que é apenas o primeiro passo de um complexo processo de transferência de uma vaga para outra. Bem, essa exigência seria burocrática e custosa até mesmo em um escritório de contabilidade na cidade. Nas pequenas e médias fazendas, que são 80% das propriedades rurais brasileiras, ela é um absurdo. Quem não sabe que, nessas fazendas, o mesmo trabalhador costuma exercer diversas funções no decorrer do dia? Ele tira leite de manhã cedo, trata das galinhas às 10 horas, às 4 da tarde cuida dos porcos e depois vai roçar o pasto. Outras regras abusivas e difíceis de ser cumpridas à risca por todos os fazendeiros são as que determinam as dimensões exatas dos beliches, a espessura dos colchões ou a altura das mesas nos refeitórios.
Um produtor pode ser acusado de manter trabalho escravo apenas por descumprir detalhes como esses?
Sim.
(…)
Essa é uma postura do governo Lula em geral ou apenas de uma minoria no poder?
Há pessoas no governo que não são xiitas. O ministro do Desenvolvimento Agrário (Guilherme Cassel) e o ex-titular da Pasta de Meio Ambiente (Carlos Minc), contudo, em vez de encontrar soluções para os problemas, passaram os últimos anos dividindo o país para aumentar a sua torcida. Eles não tinham o direito de fazer isso. Um ministro de estado deve proteger o Brasil, não apenas alguns brasileiros. Quero fazer um desafio aos ministros do Trabalho, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário: que eles administrem uma fazenda de qualquer tamanho em uma região de nova fronteira agrícola e tentem aplicar as legislações trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade. Mas não podem fazer milagre, porque nós vamos acompanhar. Se, depois de três anos, eles conseguirem manter o emprego e a renda nessa propriedade, fazemos uma vaquinha, compramos a terra para eles e damos o braço a torcer, reconhecendo que estavam certos.
O que mais atrapalha os negócios no campo?
A insegurança jurídica.
(…)
A senhora é contra a reforma agrária?
Não. Sou contra a invasão. Sou contra tomar a terra com um índice de produtividade imbecil, que não é compatível com a atualidade da gestão do empresariado brasileiro. Hoje, os saudosistas de esquerda destroem pé de laranja e invadem órgãos de pesquisa porque o latifúndio improdutivo não existe mais. Os radicais não se conformam com isso. Há quarenta anos, éramos um dos maiores importadores de comida do mundo. Atualmente, não só somos autossuficientes como nos tornamos o segundo maior exportador de alimentos.
O que o produtor rural quer do próximo presidente?
Precisamos que o próximo presidente entenda que dividir o país entre pequenos e grandes é uma visão simplista e ruinosa. É necessário que ele saiba que existe uma classe média rural que não tem a escala das grandes empresas agrícolas, mas que também não se enquadra na agricultura familiar. Essa classe média rural é vulnerável às oscilações de preços e de clima, mas não tem condições de se proteger sozinha disso. Nesse ponto, o estado pode ajudar. Mas a primeira pergunta que faremos aos candidatos será: o que eles pensam a respeito da propriedade privada?
(…)
A senhora sonha em ser candidata a vice-presidente na chapa de José Serra?
Preciso deixar que a decisão partidária prevaleça. Ninguém pode querer ser vice de alguém. As pessoas querem ser o personagem principal, aquele que terá a caneta na mão para implementar as suas decisões, ideais e planos. O vice é apenas um coadjuvante. Mas fico orgulhosa quando meu nome é citado por eu ser de um estado novo, o Tocantins, por ser mulher e por representar o setor agropecuário, que nunca teve muito espaço nas chapas majoritárias e na política nacional.
Íntegra
Qual é a imagem que os brasileiros têm dos produtores rurais?
A ideia prevalente, e errada, é que o agronegócio exporta tudo o que produz, cabendo aos pequenos produtores abastecer o mercado interno. Pequenos, médios e grandes produtores destinam ao mercado interno 70% de tudo o que colhem ou criam. Também é muito forte e igualmente errada a noção de que fazendeiro vive de destruir a natureza e escravizar trabalhadores. Obviamente, como em qualquer atividade, ocorrem alguns abusos no campo. Mas o jogo duro de nossos adversários isolou os produtores do debate e espalhou essa ideia terrorista sobre a nossa atividade. Esses preconceitos precisam ser desfeitos.
Como?
Mostrando na prática que não somos escravocratas e que não destruímos o meio ambiente. Nós temos um projeto em parceria com a Embrapa dedicado a pesquisar e difundir boas práticas que permitam unir produção rural e proteção do ambiente. Essa história de trabalho escravo também precisa ser abordada com ações que produzam respostas práticas. Nós treinamos 200 instrutores para inspecionar fazendas pelo Brasil e avaliar as condições de vida dos empregados. Já visitamos mais de 1.000 fazendas. O que se vê é uma imensa boa vontade da maioria dos proprietários de cumprir tudo o que a lei manda e seguir direito as normas reguladoras. Ocorre que a norma que rege o trabalho no campo, a NR-31, tem 252 itens. Em qualquer atividade, cumprir 252 critérios é muito difícil. Nas fazendas, isso é uma exorbitância. Até em uma fazenda-modelo um fiscal vai encontrar pelo menos um item dos 252 que não está de acordo com a norma.
Por que nas fazendas isso seria uma exorbitância?
Imagine que um determinado trabalhador seja responsável por tirar leite das vacas da fazenda. Um belo dia, o dono acha que o mais adequado é mudar a função do empregado e ele passa a, digamos, ser encarregado de roçar o pasto. Parece simples, mas não é. A norma legal determina que, para mudar de função, o trabalhador precisa antes de mais nada se submeter a um exame médico, que é apenas o primeiro passo de um complexo processo de transferência de uma vaga para outra. Bem, essa exigência seria burocrática e custosa até mesmo em um escritório de contabilidade na cidade. Nas pequenas e médias fazendas, que são 80% das propriedades rurais brasileiras, ela é um absurdo. Quem não sabe que, nessas fazendas, o mesmo trabalhador costuma exercer diversas funções no decorrer do dia? Ele tira leite de manhã cedo, trata das galinhas às 10 horas, às 4 da tarde cuida dos porcos e depois vai roçar o pasto. Outras regras abusivas e difíceis de ser cumpridas à risca por todos os fazendeiros são as que determinam as dimensões exatas dos beliches, a espessura dos colchões ou a altura das mesas nos refeitórios.
Um produtor pode ser acusado de manter trabalho escravo apenas por descumprir detalhes como esses?
Sim.
(…)
Essa é uma postura do governo Lula em geral ou apenas de uma minoria no poder?
Há pessoas no governo que não são xiitas. O ministro do Desenvolvimento Agrário (Guilherme Cassel) e o ex-titular da Pasta de Meio Ambiente (Carlos Minc), contudo, em vez de encontrar soluções para os problemas, passaram os últimos anos dividindo o país para aumentar a sua torcida. Eles não tinham o direito de fazer isso. Um ministro de estado deve proteger o Brasil, não apenas alguns brasileiros. Quero fazer um desafio aos ministros do Trabalho, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário: que eles administrem uma fazenda de qualquer tamanho em uma região de nova fronteira agrícola e tentem aplicar as legislações trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade. Mas não podem fazer milagre, porque nós vamos acompanhar. Se, depois de três anos, eles conseguirem manter o emprego e a renda nessa propriedade, fazemos uma vaquinha, compramos a terra para eles e damos o braço a torcer, reconhecendo que estavam certos.
O que mais atrapalha os negócios no campo?
A insegurança jurídica.
(…)
A senhora é contra a reforma agrária?
Não. Sou contra a invasão. Sou contra tomar a terra com um índice de produtividade imbecil, que não é compatível com a atualidade da gestão do empresariado brasileiro. Hoje, os saudosistas de esquerda destroem pé de laranja e invadem órgãos de pesquisa porque o latifúndio improdutivo não existe mais. Os radicais não se conformam com isso. Há quarenta anos, éramos um dos maiores importadores de comida do mundo. Atualmente, não só somos autossuficientes como nos tornamos o segundo maior exportador de alimentos.
O que o produtor rural quer do próximo presidente?
Precisamos que o próximo presidente entenda que dividir o país entre pequenos e grandes é uma visão simplista e ruinosa. É necessário que ele saiba que existe uma classe média rural que não tem a escala das grandes empresas agrícolas, mas que também não se enquadra na agricultura familiar. Essa classe média rural é vulnerável às oscilações de preços e de clima, mas não tem condições de se proteger sozinha disso. Nesse ponto, o estado pode ajudar. Mas a primeira pergunta que faremos aos candidatos será: o que eles pensam a respeito da propriedade privada?
(…)
A senhora sonha em ser candidata a vice-presidente na chapa de José Serra?
Preciso deixar que a decisão partidária prevaleça. Ninguém pode querer ser vice de alguém. As pessoas querem ser o personagem principal, aquele que terá a caneta na mão para implementar as suas decisões, ideais e planos. O vice é apenas um coadjuvante. Mas fico orgulhosa quando meu nome é citado por eu ser de um estado novo, o Tocantins, por ser mulher e por representar o setor agropecuário, que nunca teve muito espaço nas chapas majoritárias e na política nacional.
Íntegra
22 abril 2010
Serra critica Comércio Exterior de Lula
Por Anna Ruth Dantas, no Estadão Online:
O ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou nesta quinta-feira, 22, a política de comércio exterior do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante evento em Natal promovido pela Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas no Rio Grande do Norte, o tucano disse que, no Brasil, “há pouca agressividade” para o setor.
Serra também voltou a criticar a postura do governo brasileiro diante do Mercosul. O tucano lembrou que apenas um tratado de livre comércio foi firmado durante o governo Lula, enquanto que no mundo todo há cerca de cem acordos em andamento. A declaração foi feita no mesmo dia em que o chancelar argentino, Jorge Taiana, retrucou
as declarações do pré-candidato do PSDB, que na terça-feira, em palestra em Minas, classificou o Mercosul como uma “farsa”.
“O Mercosul tem que se concentrar em ser uma zona de livre comércio, porque além de zona de livre comércio ele passou a ser uma união alfandegária. Ou seja, todas as tarifas do exterior, de política comercial, ficam subordinadas aos quatro países”, explicou o tucano, para quem a situação inviabiliza acordos bilaterais. “O Mercosul não avançou no que era mais importante, na medida em que poderia avançar: o livre comércio entre os países”, afirmou. “O Mercado Comum Europeu e a União Econômica México-Estados Unidos começaram com uma zona de livre comércio. Era importante para ter no futuro uma boa união alfandegária ter uma zona de livre comércio consolidada primeiro”, concluiu.
Serra também não poupou criticas aos fracos investimentos na infraestrutura brasileira e lembrou que nos anos 70 um terço dos investimentos eram voltados para essa área.
Aproveitando o viés econômico do encontro, o pré-candidato tucano disse que a política macroeconômica do governo se sustenta sobre dois tripés: “um do bem e outro do mal”. O último seria composto pelos juros, carga tributária e falta de infraestrutura. Já o tripé do bem é o do câmbio flutuante, metas de inflação e políticas econômicas bem definidas.
Vice
O ex-governador defendeu ainda uma política mais eficiente de incentivo aos genéricos. Ele disse que essa será uma das propostas do seu plano de governo e garantiu que é favorável ao Bolsa Família, tanto que pretende aumentar o número de beneficiados.
“Vamos turbinar de novo os remédios, eles precisam ser turbinados porque é um produto que barateia e é de boa qualidade. Teremos uma cesta de remédios gratuitos próxima a 80 medicamentos, que são distribuídos através dos municípios. Essa é uma questão do acesso aos medicamentos”, afirmou.
Sobre a escolha do candidato a vice-presidente, Serra admitiu que o assunto está sendo tratado pela cúpula do PSDB. “São critérios políticos, de princípios, porque tem que ser alguém afinado com nossos valores, nossos princípios, nossos programas para o Brasil, para todas as regiões. Esse é um processo que se desenvolverá normalmente e até junho teremos uma definição boa. Não estou cuidando pessoalmente disso, quem cuida é o meu partido”, comentou o pré-candidato tucano.
Em campanha
Na chegada ao local da palestra para os empresários, José Serra foi abordado pelo produtor de mel Milton Alves de Araújo. Ele entregou um litro de mel ao tucano que recebeu e, de pronto, na frente de diversos fotógrafos e cinegrafistas, bebeu na boca da garrafa. Questionado sobre a encomenda, Milton Araújo disse que recebeu um telefonema de uma pessoa de São Paulo que pediu para ele ir ao local e entregar o mel a Serra. “Me ligaram de São Paulo, disseram que ele gostava de mel e pediram para eu vir entregar um litro para ele”, comentou o criador de abelha.
O ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou nesta quinta-feira, 22, a política de comércio exterior do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante evento em Natal promovido pela Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas no Rio Grande do Norte, o tucano disse que, no Brasil, “há pouca agressividade” para o setor.
Serra também voltou a criticar a postura do governo brasileiro diante do Mercosul. O tucano lembrou que apenas um tratado de livre comércio foi firmado durante o governo Lula, enquanto que no mundo todo há cerca de cem acordos em andamento. A declaração foi feita no mesmo dia em que o chancelar argentino, Jorge Taiana, retrucou
as declarações do pré-candidato do PSDB, que na terça-feira, em palestra em Minas, classificou o Mercosul como uma “farsa”.
“O Mercosul tem que se concentrar em ser uma zona de livre comércio, porque além de zona de livre comércio ele passou a ser uma união alfandegária. Ou seja, todas as tarifas do exterior, de política comercial, ficam subordinadas aos quatro países”, explicou o tucano, para quem a situação inviabiliza acordos bilaterais. “O Mercosul não avançou no que era mais importante, na medida em que poderia avançar: o livre comércio entre os países”, afirmou. “O Mercado Comum Europeu e a União Econômica México-Estados Unidos começaram com uma zona de livre comércio. Era importante para ter no futuro uma boa união alfandegária ter uma zona de livre comércio consolidada primeiro”, concluiu.
Serra também não poupou criticas aos fracos investimentos na infraestrutura brasileira e lembrou que nos anos 70 um terço dos investimentos eram voltados para essa área.
Aproveitando o viés econômico do encontro, o pré-candidato tucano disse que a política macroeconômica do governo se sustenta sobre dois tripés: “um do bem e outro do mal”. O último seria composto pelos juros, carga tributária e falta de infraestrutura. Já o tripé do bem é o do câmbio flutuante, metas de inflação e políticas econômicas bem definidas.
Vice
O ex-governador defendeu ainda uma política mais eficiente de incentivo aos genéricos. Ele disse que essa será uma das propostas do seu plano de governo e garantiu que é favorável ao Bolsa Família, tanto que pretende aumentar o número de beneficiados.
“Vamos turbinar de novo os remédios, eles precisam ser turbinados porque é um produto que barateia e é de boa qualidade. Teremos uma cesta de remédios gratuitos próxima a 80 medicamentos, que são distribuídos através dos municípios. Essa é uma questão do acesso aos medicamentos”, afirmou.
Sobre a escolha do candidato a vice-presidente, Serra admitiu que o assunto está sendo tratado pela cúpula do PSDB. “São critérios políticos, de princípios, porque tem que ser alguém afinado com nossos valores, nossos princípios, nossos programas para o Brasil, para todas as regiões. Esse é um processo que se desenvolverá normalmente e até junho teremos uma definição boa. Não estou cuidando pessoalmente disso, quem cuida é o meu partido”, comentou o pré-candidato tucano.
Em campanha
Na chegada ao local da palestra para os empresários, José Serra foi abordado pelo produtor de mel Milton Alves de Araújo. Ele entregou um litro de mel ao tucano que recebeu e, de pronto, na frente de diversos fotógrafos e cinegrafistas, bebeu na boca da garrafa. Questionado sobre a encomenda, Milton Araújo disse que recebeu um telefonema de uma pessoa de São Paulo que pediu para ele ir ao local e entregar o mel a Serra. “Me ligaram de São Paulo, disseram que ele gostava de mel e pediram para eu vir entregar um litro para ele”, comentou o criador de abelha.
Dilma dá entrevista à Rádio Jornal_PE
A entrevista dada ontem por Dilma Rousseff à Rádio Jornal, de Pernambuco, exclusiva da web, a seus correspondentes em Brasília, Geraldo Freire e Romualdo de Souza, dois cabras arretados e sem papas na língua, é mais um espanto. Uma pessoa que não sabe explicar o que come não pode ser presidente de seu país. Mas esse é só um detalhe.
A conversa começou pela sala íntima, antes de chegar ao gabinete da presidência. Só assuntos “pessoais”. Esses, Dilma domina bem. Ou não?
Então, ministra, o que acha do jeitinho brasileiro?
“Tem um aspecto do jeitinho que tem algumas qualidades. Mas o jeitinho em si eu não acho que é uma boa, vamos dizê, um bom método de vida, uma boa diretriz de vida. Porque cê só dá o jeitinho porque a coisa não deu certo”.
Lula está tentando achar um jeitinho de consertar a coisa: Dilma não deu certo. Mas o assunto serve para a candidata mostrar que frequentou as aulas de filosofia no colégio:
“O que é ruim do jeitinho é que você se permite coisas que ou não são legais, né, isso não é bom, isso de fato tem de ser condenado, ou são espertezas, vamo botá assim essas espertezas entre aspas, são espertezas que pode prejudicá as outras pessoas, isso não é bom”.
Mas, sempre “brilhante”, vamo botá assim entre aspas, Dilma dá um jeitinho de destacar o lado B do jeitinho, que é obra do governo Lula:
“O jeitinho é algo que a gente tem de achá que não é um jeitinho só, é estratégia de sobrevivência dum povo sofrido. E nesse sentido que eu falo que ele tem um aspecto que a gente tem de dizê que ele se a gente dé oportunidade ao povo brasileiro, dé educação e dé condições de vida, ele mostra toda a sua criatividade. Inclusive, eu desconfio que nós seremos um dos povos mais capazes de criá e inová, sabe, de inventá, porque é surpreendente isso no brasileiro, que é essa, eu acho assim, essa ginga de corpo, no bom sentido da palavra”.
Depois de dizer tantas coisas bonitas sobre a criatividade do brasileiro, ela vai destacar logo a ginga de corpo para dançar rebolation? Surpreendente essa Dilma…
Ah, mas esses nossos colegas de Brasília! A intimidade com o poder… Diálogo entre Geraldo Freire e Dilma:
─ Quando eu lhe via pela TV, eu achava que a senhora era uma mulher de 1 metro e 90 e lhe achava gorda. Quando reencontrei com a senhora no sertão de Pernambuco, a senhora magrinha. A senhora pesa muito?
─ Olha, eu daquele dia pra cá andei engordando uns quilinhos.
─ É, a senhora está um pouco mais forte, é verdade.
─ Tô com uns três quilo (sic) a mais. (…) Agora, esse negócio da gente crescê ou engordá, cê sabe que a televisão engorda a gente, mas crescê eu não sabia, não.
O humor refinado de Dilma é capaz de tirá-la de qualquer situação embaraçosa com a balança.
Mas o assunto seguinte é a gastronomia. A candidata já comeu buchada de bode, pièce de résistance do menu de campanha no sertão nordestino?
“Eu comi já uma buchada”, diz Dilma, mostrando que, em sua sintaxe, o prato principal vem sempre antes do couvert. “Não é a coisa que eu mais gosto no mundo, não. Não vou menti pra ti. Mas não acho ruim também. Mas também porque ficou o presidente me dizendo: é a melhor coisa do mundo. E eu comi com essa coisa na cabeça, que era a melhor coisa do mundo”.
Ou seja: criada à imagem e semelhança de Lula, ainda fez esforço para achar que buchada de bode era a melhor coisa do mundo. Mas concluiu que é apenas a segunda, depois do cupim. E, se depender de si, Dilma é ainda mais caseira:
“Gosto muito de arroz com feijão (…) Acho que é meio a comida tradicional do Brasil, o arroz com feijão”.
Mais uma revelação sociológica da candidata a presidente que acabou de descobrir a interação da internet.
Ousado esse Geraldinho. Já que a candidata dá abertura, vamos mais fundo:
─ Está apaixonada?
─ Não, não estou, não, mas acho assim lamentável. Acho que as pessoas todas deveriam se apaixonar, porque a gente fica mais vivo, né, mais esperto.
Se isso é verdade, então é fato: Dilma não está apaixonada.
A ministra bebe?
“Não bebo muito, não, porque eu não tenho muita resistência e logo logo me faz um pouco de mal”.
Pior seria se fizesse muito mal.
A ministra fuma?
Já, mas parou em 1989. E dá um conselho de ex: “Eu entendo as pessoas que fumam porque eu lembro como eu gostava. Eu queria dizê pros fumantes o seguinte: é uma bomba no seu pulmão, você tá botando doença pra dentro. Eu fiz um esforço. Não foi fácil separar de uma coisa que é um vício. Porque fumar é um vício”.
Eis aí novas revelações inéditas ─ fumar é vício e faz mal ─ que, forçosamente, nos levam à recomendação de uma medida salutar para enfrentar o resto da entrevista:
Dilma ─ consuma com moderação.
A conversa começou pela sala íntima, antes de chegar ao gabinete da presidência. Só assuntos “pessoais”. Esses, Dilma domina bem. Ou não?
Então, ministra, o que acha do jeitinho brasileiro?
“Tem um aspecto do jeitinho que tem algumas qualidades. Mas o jeitinho em si eu não acho que é uma boa, vamos dizê, um bom método de vida, uma boa diretriz de vida. Porque cê só dá o jeitinho porque a coisa não deu certo”.
Lula está tentando achar um jeitinho de consertar a coisa: Dilma não deu certo. Mas o assunto serve para a candidata mostrar que frequentou as aulas de filosofia no colégio:
“O que é ruim do jeitinho é que você se permite coisas que ou não são legais, né, isso não é bom, isso de fato tem de ser condenado, ou são espertezas, vamo botá assim essas espertezas entre aspas, são espertezas que pode prejudicá as outras pessoas, isso não é bom”.
Mas, sempre “brilhante”, vamo botá assim entre aspas, Dilma dá um jeitinho de destacar o lado B do jeitinho, que é obra do governo Lula:
“O jeitinho é algo que a gente tem de achá que não é um jeitinho só, é estratégia de sobrevivência dum povo sofrido. E nesse sentido que eu falo que ele tem um aspecto que a gente tem de dizê que ele se a gente dé oportunidade ao povo brasileiro, dé educação e dé condições de vida, ele mostra toda a sua criatividade. Inclusive, eu desconfio que nós seremos um dos povos mais capazes de criá e inová, sabe, de inventá, porque é surpreendente isso no brasileiro, que é essa, eu acho assim, essa ginga de corpo, no bom sentido da palavra”.
Depois de dizer tantas coisas bonitas sobre a criatividade do brasileiro, ela vai destacar logo a ginga de corpo para dançar rebolation? Surpreendente essa Dilma…
Ah, mas esses nossos colegas de Brasília! A intimidade com o poder… Diálogo entre Geraldo Freire e Dilma:
─ Quando eu lhe via pela TV, eu achava que a senhora era uma mulher de 1 metro e 90 e lhe achava gorda. Quando reencontrei com a senhora no sertão de Pernambuco, a senhora magrinha. A senhora pesa muito?
─ Olha, eu daquele dia pra cá andei engordando uns quilinhos.
─ É, a senhora está um pouco mais forte, é verdade.
─ Tô com uns três quilo (sic) a mais. (…) Agora, esse negócio da gente crescê ou engordá, cê sabe que a televisão engorda a gente, mas crescê eu não sabia, não.
O humor refinado de Dilma é capaz de tirá-la de qualquer situação embaraçosa com a balança.
Mas o assunto seguinte é a gastronomia. A candidata já comeu buchada de bode, pièce de résistance do menu de campanha no sertão nordestino?
“Eu comi já uma buchada”, diz Dilma, mostrando que, em sua sintaxe, o prato principal vem sempre antes do couvert. “Não é a coisa que eu mais gosto no mundo, não. Não vou menti pra ti. Mas não acho ruim também. Mas também porque ficou o presidente me dizendo: é a melhor coisa do mundo. E eu comi com essa coisa na cabeça, que era a melhor coisa do mundo”.
Ou seja: criada à imagem e semelhança de Lula, ainda fez esforço para achar que buchada de bode era a melhor coisa do mundo. Mas concluiu que é apenas a segunda, depois do cupim. E, se depender de si, Dilma é ainda mais caseira:
“Gosto muito de arroz com feijão (…) Acho que é meio a comida tradicional do Brasil, o arroz com feijão”.
Mais uma revelação sociológica da candidata a presidente que acabou de descobrir a interação da internet.
Ousado esse Geraldinho. Já que a candidata dá abertura, vamos mais fundo:
─ Está apaixonada?
─ Não, não estou, não, mas acho assim lamentável. Acho que as pessoas todas deveriam se apaixonar, porque a gente fica mais vivo, né, mais esperto.
Se isso é verdade, então é fato: Dilma não está apaixonada.
A ministra bebe?
“Não bebo muito, não, porque eu não tenho muita resistência e logo logo me faz um pouco de mal”.
Pior seria se fizesse muito mal.
A ministra fuma?
Já, mas parou em 1989. E dá um conselho de ex: “Eu entendo as pessoas que fumam porque eu lembro como eu gostava. Eu queria dizê pros fumantes o seguinte: é uma bomba no seu pulmão, você tá botando doença pra dentro. Eu fiz um esforço. Não foi fácil separar de uma coisa que é um vício. Porque fumar é um vício”.
Eis aí novas revelações inéditas ─ fumar é vício e faz mal ─ que, forçosamente, nos levam à recomendação de uma medida salutar para enfrentar o resto da entrevista:
Dilma ─ consuma com moderação.
O jogo bruto de Dilma_Editorial do Estadão
Um dos editoriais do Estadão desta quarta, 21.04.2010:
Bastaram uns poucos dias do que à legislação eleitoral brasileira apraz qualificar como “pré-campanha” para que a “pré-candidata” Dilma Rousseff deixasse claro como pretende tratar o seu adversário José Serra. Por razões de formação, temperamento e interesse, ela precisa fazer dele um inimigo inconfundivelmente identificado, contra quem, em consequência, possa mover uma guerra sem quartel. As reações agressivas da petista aos primeiros comentários do tucano sobre o governo Lula vêm de uma concepção de combate político fundada na ideia de que os argumentos do outro, não podendo ser ignorados, devem ser convertidos em armas para silenciá-lo e, no limite, aniquilá-lo.
O rombudo estilo pessoal da ex-ministra combina com a tática de terra arrasada que vem adotando. E essa é inseparável da estratégia ditada por Lula de confinar a competição pelo Planalto a um plebiscito ou, como se diz em dialeto petista, a um enfrentamento entre “nós e eles”. O Serra de verdade se apresenta como candidato do que se pode chamar “continuança” - um híbrido da continuidade com a mudança. Por isso fala em “fazer mais”, não em “fazer o oposto”. O mote não deriva apenas da avaliação realista de que investir contra um presidente que flutua nas nuvens da popularidade é suicídio político. Resulta também da convicção de que o Brasil avançou em muitos aspectos por ter Lula sabido usar e expandir a “herança maldita” que lhe tocou.
Mas este Serra - tão à vontade ao elogiar o Bolsa-Família quanto ao criticar o PAC como “uma lista de obras”, a maioria das quais “não foi feita” - não se encaixa no papel que o outro lado gostaria que ele desempenhasse. É muito equilíbrio e maturidade para o populismo plebiscitário de Lula, e desconcertante demais para o raciocínio binário da sua escolhida. Eleitoralmente pode ser um perigo: quando, além disso, o ex-governador ainda contrapuser ao “nós e eles” do presidente uma espécie de “eu e ela”, jogando a cartada de sua experiência contra o noviciado da rival, isso decerto afetará a transposição de votos do patrono para a apadrinhada.
Se é esperado que uma parcela do eleitorado votará em Dilma apenas por ela ser “a mulher do Lula”, outra poderá preferir Serra por ver nele o continuador mais capaz da obra do presidente. Eis por que não é de excluir que a mão pesada da candidata se volte contra si mesma. Não está escrito nas estrelas que o povo responderá amém sempre que ela estigmatizar o oponente como “lobo em pele de cordeiro”, cercado de “exterminadores do futuro”, para neutralizar o seu reconhecimento do que ele entende ser as conquistas da era Lula. Ou quando o chamar, depreciativamente, “biruta de aeroporto”, por ele não fazer o que o PT necessita que faça: atacar em bloco o desempenho do primeiro-companheiro, em vez de separar o joio do trigo.
Já se disse que Serra perdeu para Lula em 2002 porque o tucano representava a continuidade quando o povo queria a mudança. Agora, quando povo quer a continuidade, Lula pretende a todo custo pespegar em Serra a falsa imagem do carbonário que ele próprio foi outrora: contra “tudo isso que está aí”. O problema petista é fazer o rótulo colar. (O de Serra, vender a sua continuança.) É um engano preconceituoso achar que a maioria dos eleitores quer ver sangue na campanha. Quer, isso sim, saber quem é quem, em quem pode confiar mais e quem está mais preparado para fazer o que todos prometem - porque não há, no Brasil de hoje, roteiros antagônicos dos caminhos para o desenvolvimento econômico e o progresso social.
Os políticos que entendem de voto sabem que ataques como os que Dilma tem desferido contra Serra podem ricochetear na candidata que irá às urnas pela primeira vez na vida. Não terá sido por outro motivo que Michel Temer, seu provável companheiro de chapa, apressou-se a defender “um grande debate em torno dos problemas do País, não no nível das questões pessoais”. Ora, o jogo bruto de Dilma é precisamente interditar esse debate, apelando para estocadas pessoais e a invencionice de que Serra é o anti-Lula.
Bastaram uns poucos dias do que à legislação eleitoral brasileira apraz qualificar como “pré-campanha” para que a “pré-candidata” Dilma Rousseff deixasse claro como pretende tratar o seu adversário José Serra. Por razões de formação, temperamento e interesse, ela precisa fazer dele um inimigo inconfundivelmente identificado, contra quem, em consequência, possa mover uma guerra sem quartel. As reações agressivas da petista aos primeiros comentários do tucano sobre o governo Lula vêm de uma concepção de combate político fundada na ideia de que os argumentos do outro, não podendo ser ignorados, devem ser convertidos em armas para silenciá-lo e, no limite, aniquilá-lo.
O rombudo estilo pessoal da ex-ministra combina com a tática de terra arrasada que vem adotando. E essa é inseparável da estratégia ditada por Lula de confinar a competição pelo Planalto a um plebiscito ou, como se diz em dialeto petista, a um enfrentamento entre “nós e eles”. O Serra de verdade se apresenta como candidato do que se pode chamar “continuança” - um híbrido da continuidade com a mudança. Por isso fala em “fazer mais”, não em “fazer o oposto”. O mote não deriva apenas da avaliação realista de que investir contra um presidente que flutua nas nuvens da popularidade é suicídio político. Resulta também da convicção de que o Brasil avançou em muitos aspectos por ter Lula sabido usar e expandir a “herança maldita” que lhe tocou.
Mas este Serra - tão à vontade ao elogiar o Bolsa-Família quanto ao criticar o PAC como “uma lista de obras”, a maioria das quais “não foi feita” - não se encaixa no papel que o outro lado gostaria que ele desempenhasse. É muito equilíbrio e maturidade para o populismo plebiscitário de Lula, e desconcertante demais para o raciocínio binário da sua escolhida. Eleitoralmente pode ser um perigo: quando, além disso, o ex-governador ainda contrapuser ao “nós e eles” do presidente uma espécie de “eu e ela”, jogando a cartada de sua experiência contra o noviciado da rival, isso decerto afetará a transposição de votos do patrono para a apadrinhada.
Se é esperado que uma parcela do eleitorado votará em Dilma apenas por ela ser “a mulher do Lula”, outra poderá preferir Serra por ver nele o continuador mais capaz da obra do presidente. Eis por que não é de excluir que a mão pesada da candidata se volte contra si mesma. Não está escrito nas estrelas que o povo responderá amém sempre que ela estigmatizar o oponente como “lobo em pele de cordeiro”, cercado de “exterminadores do futuro”, para neutralizar o seu reconhecimento do que ele entende ser as conquistas da era Lula. Ou quando o chamar, depreciativamente, “biruta de aeroporto”, por ele não fazer o que o PT necessita que faça: atacar em bloco o desempenho do primeiro-companheiro, em vez de separar o joio do trigo.
Já se disse que Serra perdeu para Lula em 2002 porque o tucano representava a continuidade quando o povo queria a mudança. Agora, quando povo quer a continuidade, Lula pretende a todo custo pespegar em Serra a falsa imagem do carbonário que ele próprio foi outrora: contra “tudo isso que está aí”. O problema petista é fazer o rótulo colar. (O de Serra, vender a sua continuança.) É um engano preconceituoso achar que a maioria dos eleitores quer ver sangue na campanha. Quer, isso sim, saber quem é quem, em quem pode confiar mais e quem está mais preparado para fazer o que todos prometem - porque não há, no Brasil de hoje, roteiros antagônicos dos caminhos para o desenvolvimento econômico e o progresso social.
Os políticos que entendem de voto sabem que ataques como os que Dilma tem desferido contra Serra podem ricochetear na candidata que irá às urnas pela primeira vez na vida. Não terá sido por outro motivo que Michel Temer, seu provável companheiro de chapa, apressou-se a defender “um grande debate em torno dos problemas do País, não no nível das questões pessoais”. Ora, o jogo bruto de Dilma é precisamente interditar esse debate, apelando para estocadas pessoais e a invencionice de que Serra é o anti-Lula.
21 abril 2010
10 mandamentos do bom governante_José Serra
O decálogo do bom governante, por José Serra
O candidato José Serra elencou os dez mandamentos que, segundo ele, devem nortear a atuação de um bom presidente da República:
1. Governar desde o primeiro dia Governo não é escola. O governante precisa entender a máquina pública para começar a administrá-la com eficiência logo que assumir o cargo
2. Formar uma boa equipe Levar gente competente para a administração, fixar metas claras e desestimular antagonismos corrosivos entre os membros do governo
3. Hierarquizar os problemas Tentar resolver todos os problemas ao mesmo tempo é impossível. É preciso elencar prioridades
4. Gastar o dinheiro público com austeridade É preciso cortar desperdícios para poder fazer mais investimentos caberem dentro do Orçamento
5. Não atender a indicações políticas Quem escolhe os ministros e os dirigentes das estatais é o presidente, e não os partidos de sua base ou grupos de parlamentares
6. Prestigiar o Legislativo no Orçamento Liberar as boas emendas de parlamentares, sem tratar os opositores como inimigos, nem os aliados como subalternos
7. Cooperar com outras esferas de governo Ninguém deixa de "faturar" politicamente com uma obra por reconhecer a participação de outros políticos que colaboraram com o projeto
8. Saber conciliar interesses Mas também enfrentá-los de maneira explícita e dentro da lei quando o interesse público se sobrepuser
9. Pôr em prática o ativismo estatal Rejeitar a falsa escolha entre o estado paternalista e obeso e o estado da pasmaceira
10. Revalorizar a produção "Mercado" não pode significar apenas o mercado financeiro internacional. É preciso ouvir todos os mercados, incluindo o agrícola,
o industrial e o de serviços
O candidato José Serra elencou os dez mandamentos que, segundo ele, devem nortear a atuação de um bom presidente da República:
1. Governar desde o primeiro dia Governo não é escola. O governante precisa entender a máquina pública para começar a administrá-la com eficiência logo que assumir o cargo
2. Formar uma boa equipe Levar gente competente para a administração, fixar metas claras e desestimular antagonismos corrosivos entre os membros do governo
3. Hierarquizar os problemas Tentar resolver todos os problemas ao mesmo tempo é impossível. É preciso elencar prioridades
4. Gastar o dinheiro público com austeridade É preciso cortar desperdícios para poder fazer mais investimentos caberem dentro do Orçamento
5. Não atender a indicações políticas Quem escolhe os ministros e os dirigentes das estatais é o presidente, e não os partidos de sua base ou grupos de parlamentares
6. Prestigiar o Legislativo no Orçamento Liberar as boas emendas de parlamentares, sem tratar os opositores como inimigos, nem os aliados como subalternos
7. Cooperar com outras esferas de governo Ninguém deixa de "faturar" politicamente com uma obra por reconhecer a participação de outros políticos que colaboraram com o projeto
8. Saber conciliar interesses Mas também enfrentá-los de maneira explícita e dentro da lei quando o interesse público se sobrepuser
9. Pôr em prática o ativismo estatal Rejeitar a falsa escolha entre o estado paternalista e obeso e o estado da pasmaceira
10. Revalorizar a produção "Mercado" não pode significar apenas o mercado financeiro internacional. É preciso ouvir todos os mercados, incluindo o agrícola,
o industrial e o de serviços
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