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25 novembro 2010

A verdade sobre a economia monetária brasileira: Lula não se conforma de não ter criado o Real e os fundamentos da economia e por isso ataca FHC

Em 28 de fevereiro de 1986, acuado pela escalada da inflação, o governo do presidente José Sarney não se limitou a cortar três zeros do cruzeiro, como fizeram quase todos os antecessores desde os anos 50. Também aposentou a velha moeda e criou o cruzado.
Três anos depois, ainda no governo Sarney, novamente sumiram três zeros e o cruzado foi substituído pelo cruzado novo.

Em 1990, dois meses depois da posse, o presidente Fernando Collor repetiu o truque da troca de nome com zeros a menos, aposentou o cruzado novo e ressuscitou o cruzeiro.

Em agosto de 1993, já com Itamar Franco no lugar de Collor, o governo amputou três zeros do cruzeiro e criou o cruzeiro real.

Em julho de 1994, último ano do governo Itamar, o real nasceu no bojo do plano com o mesmo nome concebido por uma equipe de economistas sob o comando do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Em circulação há 16 anos, a moeda continua exibindo a saúde que faltou às versões anteriores, todas fulminadas pela inflação selvagem.
Instados a lidar com a maldição cinquentenária, Itamar Franco e FHC dispensaram-se de lamúrias, derrotaram o inimigo aparentemente invencível e enjaularam a inflação que parecia indomável. Herdeiro de um país financeiramente estabilizado, Lula foi o único presidente, além do antecessor, que não precisou encomendar à Casa da Moeda cédulas com outro nome, zeros a menos ou zeros a mais. Desde 1994, da menor fração à cédula de 100 reais, nada mudou.
“Recebi um país em péssima situação”, vive mentindo Lula. “Nós assumimos um país com a inflação descontrolada”, vive mentindo Dilma Rousseff. A permanência, a longevidade e a solidez da moeda são a prova mais contundente de que Lula, beneficiário da herança bendita, segue espancando os fatos para expropriar de FHC a paternidade do histórico ponto de inflexão: quem tem menos de 25 anos nem faz ideia do que é inflação.
Em paragens menos embrutecidas, pais-da-pátria que assassinam a verdade em público se arriscam a ter a discurseira interrompida por chuvas de dinheiro metálico. Graças a FHC, Lula e Dilma estão livres desse perigo: há 16 anos, os brasileiros não jogam fora sequer moedas de 5 centavos. A julgar por seu desempenho na campanha eleitoral de 2010, a oposição oficial nunca soube disso.

Uma "bala" no trem

Por Dimmi Amora e Leila Coimbra, na Folha:
As empresas francesas de trens de alta velocidade vão desistir de participar do leilão do trem-bala do Brasil se ele for confirmado para a próxima segunda-feira. Alemães e espanhóis devem seguir o mesmo caminho, conforme apurou a Folha. Os grupos multinacionais estão sendo procurados desde a semana passada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para formarem consórcios com empresas nacionais, mas ainda apostam num adiamento do leilão por parte do governo. Com a desistência francesa, o governo fica ainda mais pressionado a tentar conseguir que pelo menos mais um consórcio entre na disputa.
Até agora, só o grupo sul-coreano, formado pela estatal operadora Korail e pela fabricante Rotem/Hyundai e que teria mais 20 empresas nacionais e estrangeiras, confirma que fará proposta. A França foi o segundo país a deter a tecnologia, em 1981. Sua fabricante de equipamentos, a Alstom, é a que tem mais trens de alta velocidade em operação no mundo. É investigada por suspeita de pagamento de propina por contratos no Brasil. Os japoneses, pioneiros na tecnologia, também não devem entrar no negócio. Uma fonte do país classificou como “muito difícil” a participação no projeto que prevê ligar Campinas-SP-Rio se o leilão for na segunda.
Um grupo de 20 empreiteiras de São Paulo ligadas à Associação de Empreiteiras de Obras Públicas e que se apresentou como interessado desistirá se a data for mantida. Para realizar o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, o governo forjou um consórcio de última hora com a estatal da Eletrobras e subsidiárias garantindo 49% do projeto. No caso do trem-bala, essa possibilidade é mais remota. Isso porque o edital exige que o consórcio tenha um fabricante e um operador desse tipo de trem.
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Comento
E aqui em Manaus, como vão as coisas com o VLT? Por que a gente também não mete uma "bala" nele? Olha que até o Negão Amazonino Mendes não gosta do troço. Aonde existe é dificitário e cheio de problemas técnicos, além de ser muito cara a tarifa, que tem de ser subsidiada. Ora, vão-se...

Um dos 3 porquinhos, José eduardo Cardoso (PT-SP), deve ir para o MJ

Por João Domingos e Vera Rosa, no Estadão. O título do texto não foi dado pelo jornal. Na prática, sua autora é Dilma Rousseff (veja o vídeo):
O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) é o nome mais cotado para ser o novo ministro da Justiça. Ele tem mantido seguidas reuniões com a presidente eleita, Dilma Rousseff, para tratar de temas relativos à pasta da Justiça no próximo governo. Cardozo é também um dos três principais integrantes da equipe de transição de Dilma.
Dos temas relativos à segurança que vêm sendo debatidos entre a presidente eleita e Cardozo estão a continuidade da instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em pontos tomados pelo crime organizado, como as favelas do Rio, e também formas de combater o crack.
Este é um assunto que foi muito estudado pela equipe do programa de governo de Dilma Rousseff. E ela sempre falava na questão do crack tanto nas entrevistas coletivas durante a campanha quanto nos debates, quando as perguntas tratavam de temas relativos à segurança pública.
Tanto Dilma quanto Cardozo acreditam que serão necessárias ações de repressão ao tráfico do crack, no seu nascedouro, e diretamente nas cracolândias. Paralelamente, acham que o governo deve investir no apoio aos centros de recuperação de drogados que já existem, além da criação de novos.
Eles entendem ainda ser necessária uma ação nas fronteiras para o combate ao tráfico de drogas e de armas. Dilma é especialmente encantada com os Veículos Não Tripulados (Vants) comprados de Israel e que estão em fase de teste pela Polícia Federal. Quer adquirir novos modelos. Cardozo concorda com essa política e defende continuar a gestão do ex-ministro Tarso Genro - a começar pela independência e profissionalização da Polícia Federal (PF).
Perfil. Cardozo não se candidatou à reeleição como deputado federal pelo PT de São Paulo. Ele é secretário geral do partido e integra a corrente Mensagem ao Partido, da qual faz parte também o ex-ministro Tarso Genro, atual governador eleito pelo Rio Grande do Sul.

Celso Amorim = Nelson Jobim = 2 bestas quadradas

Leia editorial do Estadão:
É intelectualmente pobre - e moralmente esquálida - a argumentação com que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tentou justificar a abstenção do Brasil diante de um projeto internacional de resolução condenando o Irã por “violações recorrentes de direitos humanos”. Apresentada por 24 países liderados pelo Canadá ao comitê da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) voltado para essas questões, a proposta destacou entre tais violações o apedrejamento como método de execução.
Foi uma referência óbvia à situação da iraniana Sakineh Ashtiani, sentenciada à lapidação por ter cometido adultério - embora fosse viúva. Diante dos protestos mundiais contra o que a presidente eleita, Dilma Rousseff, viria a qualificar como “uma coisa bárbara, mesmo considerando usos e costumes de outros países”, o Irã aparentemente modificou a forma da pena de morte para enforcamento, sob a alegação, fabricada às pressas, de que Ashtiani também assassinara o marido.
No comitê de direitos humanos da ONU, a resolução foi aprovada por 88 a 44 votos, com 57 abstenções. Por ação ou omissão, ficaram do lado do regime liberticida de Teerã, além do Brasil, países como Cuba, Benin, Líbia, Síria, Sudão e Venezuela. Entre os vizinhos, Chile e Argentina votaram contra o Irã. Não é a primeira vez que, no governo Lula, o Brasil se nega a condenar notórios violadores das garantias fundamentais da pessoa, como se o país não tivesse firmado as convenções internacionais mais significativas a esse respeito, a começar da Carta da Organização das Nações Unidas.
Para o chanceler Amorim, a via mais efetiva para sustar os abusos perpetrados por ditaduras ou democracias de vitrine é o diálogo a portas fechadas. Manifestações públicas e o apoio a sanções adotadas pela comunidade internacional, segundo ele, servem apenas para agradar a imprensa e “algumas ONGs”.
Trata-se de uma consternadora deturpação dos fatos. Compromissos em privado e pressões ostensivas estão longe de se excluir. Ao longo da história, muitas vidas foram salvas graças a diferentes modalidades de combinação, ditadas pelas circunstâncias, entre ambos os recursos.
A crer no ministro, o Brasil teria se abstido de alma leve na recente votação por duas razões. Primeiro, porque “falamos diretamente (da questão do apedrejamento) com o governo do Irã”, o que seria muito mais eficaz do que as condenações aprovadas por outros países sem as mesmas “condições de diálogo” com Teerã. E segundo, porque o País teria contribuído para a alegada decisão iraniana de suspender a lapidação. “Não posso atribuir ao Brasil, porque seria pretensioso”, disse o chanceler, impado de pretensão, “mas em várias ocasiões já nos foi assegurado que o apedrejamento não vai ocorrer.”
A recusa do Itamaraty a afirmar na cena mundial os valores que o Brasil adotou com a redemocratização não apenas os subordina a um cálculo de conveniências que nem sequer demonstram ser vantajosas, mas prejudicam o País na frente externa.
Governos muitas vezes decidem patrocinar ou endossar condenações a regimes de força também para mostrar à opinião pública internacional de que lado se encontram da divisa que separa o humanismo da insensibilidade moral. O mundo decerto não é uma confraria de querubins. Mas não há atenuantes para a cumplicidade com a barbárie.
No governo brasileiro, por sinal, há quem vá mais longe nesse rumo do que o chanceler Amorim. Trata-se do seu colega da Defesa, Nelson Jobim. Para ele, “essa questão de direitos humanos é ocidental” e o apedrejamento da iraniana não é “problema nosso”.
Numa caricatura rústica do conceito de relativismo cultural, Jobim chega a negar a existência de valores universais. O que há “são hábitos”, e o Ocidente não pode impor as suas concepções. A pretensão de fazê-lo, segue o disparate, é o que “produz intolerância” - e pode levar os países a “importar o terrorismo”. Fosse Jobim ministro da Defesa de uma ditadura, o bestialógico ainda poderia ser interpretado como uma forma de autoproteção. Nas circunstâncias atuais, é simplesmente incompreensível.

24 novembro 2010

Serra desmente Lula, que continua em campanha

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:
O ex-governador José Serra (PSDB) respondeu nesta quarta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou um pedido de desculpas do tucano pelo episódio da “bolinha de papel” durante a campanha presidencial (ver posts abaixo).
Serra disse que Lula está em campanha para 2014 ao “mentir”. já que foi de fato atingido por um objeto durante visita ao Rio de Janeiro, além de uma bolinha de papel: “Ele continua fazendo campanha, talvez já tenha começado sua campanha para 2014, e dizendo mentiras inclusive muito pouco apropriadas para a figura de um presidente da República”, afirmou.
(…)Serra disse que o petista vai deixar uma “herança bastante adversa” para sua sucessora Dilma Rousseff (PT) com problemas na economia do país. “Está deixando um grande nó para o próximo governo, um nó de difícil solução que vai custar muito caro ao país: déficit público maquiado, inflação ascendente, o maior déficit de balanço de pagamentos da nossa história, câmbio supervalorizado com o crescimento descontrolado das importações.”
O tucano classificou de “megalomaníaco” o projeto de construção do trem-bala do governo federal e se mostrou contrário à recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). “Essa história de que vai repartir CPMF entre governo federal, Estados e municípios é conversa.”
Serra se reuniu no Congresso com lideranças do PSDB na Câmara e no Senado para fazer um balanço da campanha eleitoral.
O tucano fez mistério sobre seu futuro político ao afirmar que não tem planos para as próximas eleições. Ele negou que esteja negociando sua indicação para a presidência do PSDB ou do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao partido. “Não estou em campanha. Estou me recuperando fisicamente da campanha, procurando trabalho, decidindo o que vou fazer para ganhar a vida. E vou continuar, como desde os 20 anos de idade, no trabalho político.”
COPA
Serra também reagiu às críticas do presidente Lula de que o governo de São Paulo atendeu a “interesses comerciais” para desistir do Morumbi para sediar a abertura da Copa de 2014. O presidente fez as críticas nesta quarta-feira durante entrevista a blogueiros.
“Ele fez promessas e mais promessas para o São Paulo, o Morumbi, e na hora “h” tirou o time. Os compromissos que o governo do Estado assumiu em relação ao estádio ele cumpriu. Aquilo que competia ao governo federal, ficou só no trololó.”
O tucano disse estar “assombrado” com a postura de um presidente “que deveria estar governando o Brasil, mas continua fazendo campanha”. “Parece que isso o Lula sabe fazer: campanha e mentir. É o que ele mais sabe fazer na vida, aparentemente.”
Serra reagiu ainda às acusações do petista de que fez uso político do acidente com o Airbus da TAM em 2007, época em que governava o Estado de São Paulo. “É um comentário muito raivoso, são muitos anos. Ele poderia perfeitamente ter tido isso há muitos anos e não o faria porque soaria como piada de mau gosto.”

Os 3 da economia de Dilma "Lula": a realidade exige corte de gastos

Para tentar afastar as dúvidas sobre a postura fiscal no próximo governo, Mantega disse que vai reduzir da dívida pública de 41% do PIB para 30% do PIB, em 2014, e enfatizou que, depois do aumento dos gastos nos últimos anos, “2011 será um a no de recuperação fiscal com corte de gastos de custeio para aumentar a poupança pública”. Nesse linha, avisou que o BNDES receberá menos recursos e que os financiamentos necessários terão que ser supridos pelo setor privado. Nos últimos meses, o BNDES recebeu aporte de mais de R$ 180 bilhões.
Para controlar as contas públicas, Mantega citou como fundamental que não sejam aprovados projetos em tramitação no Congresso, entre eles a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 300, que eleva salários na área de segurança pública. Segundo o ministro, isso representaria aumento de gastos de R$ 46 bilhões para a União, Estados e municípios.
Além disso, Mantega citou aumento do Judiciário, reajuste de aposentados que ganham mais do que dois salários mínimos, aumento do salário mínimo acima dos R$ 540 negociados pelo governo e recomposição salarial dos funcionários públicos federais. Mantega deu entrevista no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), ao lado de Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central), que compõem a equipe econômica da presidente eleita, Dilma Rousseff.
Comento
Viram como a realidade se impõe? Mantega - o "desenvolvimentista que deu asas à gastança de Lula - agora terá de fazer o inverso: cortar gastos. 
Meirelles - o "monetarista", responsável pela moeda e por segurar a inflação (+imposto de pobres) - foi "defenestrado" pela Dilma-Lula justamente por isso.
Dilma-Lula prometeu baixar os juros. Só não disse - porque não sabia, ou não queria saber - se isso era possível. Para não ter de aumentar os juros, terá de cortar despesas - o que nenhum governo sabe fazer, ou não quer. Agora eu quero ver o "c" da cotia assobiar...

12 novembro 2010

Dilma de Lula: a leitora que dorme na segunda página_Por Augusto Nunes

O jornalista Celso Arnaldo Araújo nem precisou embarcar com Dilma Rousseff para acompanhá-la numa espantosa viagem pelo mundo dos livros. Entre outros assombros, o caçador de cretinices descobriu uma das grandes diferenças entre a presidente eleita e Lula. O criador não esconde a invencível aversão por leituras. A criatura finge que lê. Confira:
“Dilma Rousseff não viaja se não tiver três livros na bagagem”, avisa a repórter Catia Seabra, enviada especial da Folha à Alemanha, confiando cegamente em sua fonte – no caso, a própria Dilma.
A jornalista viajou, na First da TAM para Frankfurt, a caminho de Seul, por intermináveis 11 horas, ao lado da presidente eleita – que voa em aviões de carreira enquanto não puder estrear o Aerodilma.
Sim, “três livros na bagagem”, relata a Folha de hoje. Pode ter sido apenas uma força de expressão da repórter – aliás, um surrado clichê jornalístico. Algo como: “Paul McCartney chegou ao Brasil trazendo na bagagem o desejo de fazer aqui os melhores shows de sua vida”. Isto é: o “na bagagem”, nesses casos, tem o sentido metafórico de continente de um conteúdo também imaginário.
Mas nada mais adequado à dobradinha Dilma-livros. Mesmo porque, a jornalista volta à fantasia no final de sua crônica aérea: “Na bagagem, carrega um iPad e três livros”. E aspeando Dilma: “Se eu não tiver três livros, sei lá. Não fico bem.”
Sei lá: Dilma se contenta apenas em “ter” os três livros? Ler não está nos planos de viagem? E o que significa esse “não fico bem?” Será que, para Dilma, livros em viagem têm o efeito daqueles paninhos de estimação que crianças carregam pra baixo e pra cima e sem os quais não dormem?
De qualquer forma, como a repórter não conta ter visto a presidente sequer folheando um dos três anônimos livros-paninhos durante as 11 horas de voo, presumo que eles tenham mesmo apenas função terapêutica-cognitiva: Dilma precisa saber que eles estão lá, “na bagagem”, para “ficar bem”.
Não fica bem é com as letras. Como notaram os colaboradores desta coluna, ao longo dos últimos meses, Dilma dá permanentemente a impressão de nunca ter lido nenhum livro, sobre qualquer assunto. Sua bagagem literária, porém, é enorme. A repórter, no penúltimo parágrafo de seu relato, menciona, em passant, tê-los visto ao lado de cremes e maquiagem — mas certamente se esqueceu de perguntar os títulos dos três livros trazidos pela presidente eleita em sua primeira viagem internacional.
Preferiu puxar conversa sobre seus genéricos hábitos de leitura, aérea ou terrestre. E resume assim as preferências presidenciais: “Dilma enaltece autores angolanos, rasga elogios ao belga Georges Simenon e admite que dormiu na segunda página de um livro do mexicano Carlos Fuentes”.
Eu gostaria de saber o nome, apenas o nome, sem a necessária correspondência de obra, de um, apenas um, desses enaltecidos autores angolanos. E de conhecer o teor dos “rasgados elogios” de Dilma a Simenon, sobre cuja obra vale o mesmo repto: Georges Simenon assinou 190 livros e 154 novelas e escreveu, sob uns 20 diferentes pseudônimos, mais uns 150 romances — Dilma bem que poderia citar um só. E bem que o Inspetor Maigret, criação imortal de Simenon, poderia ser chamado para comprovar a existência e a autoria desses três misteriosos livros que Dilma carregou para a viagem a Seul.
Quanto a Carlos Fuentes, o fascinante Carlos Fuentes, diplomata mexicano com status intelectual para dar aulas em Harvard, Princeton e Cambridge, é mesmo um sonífero para passageiros como Dilma – será esta, aliás, a função basal dos três livros da presidente eleita?
Nesta viagem a Frankfurt, especificamente, não. Catia relata que Dilma, sem nenhuma leitura, dormiu 7 das 11 horas a bordo – de pijaminha marrom da Primeira Classe. Antes, deu corda ao repórter e ao fotógrafo, mas fez um pedido: “Não vá tirar uma foto minha dormindo. Todo mundo baba quando dorme”.
Esse estado quase catatônico em voo é produto, talvez, de um também misterioso “remedinho francês” para insônia a que ela recorre, como revelou à repórter da Folha.
Bem, aí o assunto deixa o âmbito literário para invadir a seara do Temporão. Esse remedinho já está disponível no SUS?
Se a repórter quisesse detalhes sobre as três obras, Dilma Rousseff iria consumir as 11 horas do voo caçando respostas em vão. Como comprova o vídeo, o neurônio solitário não sabe sequer o nome do autor nem o título do livro que está lendo. Só o timaço de comentaristas pode desvendar o enigma: que livros estavam na bagagem da viajante, amigos?

Jefferson Peres: a falta que faz um homem honrado

Vejam este post primoroso de Augusto Nunes (Veja.com):
“Volto a este microfone para manifestar meu desalento com a vida pública deste país”, avisou o senador Jefferson Péres na tarde de 30 de agosto de 2006. Nos sete minutos seguintes, sem minuetos retóricos, sem quaisquer truques de tribuno, o parlamentar do PDT amazonense limitou-se a contemplar a paisagem do inverno eleitoral com o olhar desconsolado de um homem de bem. A plateia diminuta pressentiu que testemunhava um momento histórico. Mas ninguém poderia saber que ouvia o testamento político de Jefferson Péres, morto em maio de 2008.
O destino dispensou-o da promessa incluída no discurso. “Não quero mais viver a vida pública”, decidira. Até 2010, seguiria entrincheirado na tribuna, combatendo sem tréguas o  presidente em campanha pela reeleição. Encerrado o mandato, “continuar pelejando por todos os meios possíveis”, mas longe do coração do poder. Não queria permanecer no cenário do mensalão, “um dos piores escândalos de corrupção deste país”, consumado com a conivência do presidente da República. Lula sabia de tudo, constatou.
O áudio é uma aula sobre como deve falar um político que se opõe ao governo. Pouco importava que Lula fosse vitorioso “com 99,9% dos votos”, ressalvou. “Estarei na tribuna dizendo que ele devia ser destituído, porque o que fez foi muito grave”. Também se recusava a ajustar seu comportamento aos desígnios da maioria. “Podem chamar até o Fernandinho Beira-Mar e fazê-lo presidente”, ironizou. Que não contassem com ele.
Sincero, corajoso, Péres desancou o Executivo e o Legislativo com igual inclemência, mas observou que “a crise ética não é só da classe política, é de grande parte da população”. Indignado com a subserviência de artistas e intelectuais governistas, qualificou de “cínicas e desavergonhadas” as declarações do grupo de abreus e bettis que havia reverenciado Lula, dias antes, na casa de Gilberto Gil.
Se estivesse vivo, o senador não veria uma paisagem muito melhor. Mas certamente o animaria a certeza de que a solidão acabou. Concordariam com homens como Jefferson Péres os milhões de brasileiros que lutam pelo fim da Era da Mediocridade mas não se sentem representados pela oposição oficial.
Comento
É de arrepiar como o nosso saudoso ex-professor e ex-senador pelo Amazonas significava no Senado uma referência de comportamento ético inatacável. O país perdeu o grande brasileiro, que ficou sem substituto à altura. O Senado perdeu sua referência ética. O país de Lula e Dilma não entende disso, mas 44% do povo lhes disse NÃO! Votaram em José Serra menos pelo que disse e mais pelo que não disse, mas representava a anti-continuidade da vergonha, da sem-cerimônia, da falta de ética, da roubalheira livre e solta dos aloprados e dos "petralhas" da vida...

09 novembro 2010

O Enem "de Dilma e Lula" foram pro brejo

Por Nathalia Goulart. na Veja Online:
A Justiça Federal do Ceará acatou nesta segunda-feira pedido de liminar do Ministério Público Federal e determinou a suspensão temporária em todo o Brasil do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010. “A suspensão tem caráter temporário e cabe recurso ao Ministério da Educação”, afirma a juíza Carla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal, responsável pela decisão. Procurado pela reportagem, o MEC, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que está ciente da decisão judicial, mas não quis se pronunciar a respeito. Enquanto vigorar a suspensão judicial, segundo a juíza, o MEC não poderá divulgar informações sobre resultados das provas do fim de semana e tampouco marcar nova prova.
“Acatei o pedido de liminar porque entendi que o Enem não foi realizado com a devida segurança, desde a impressão até sua realização, neste fim de semana”, acrescenta a magistrada, referindo-se às falhas de impressão dos cadernos de questões e respostas entregues aos candidatos no sábado. “A suspensão é válida até que a Justiça avalie o recurso que o MEC provavelmente apresentará, ou até que os responsáveis pelo exame apresentem soluções consideradas suficientes para estancar as falhas do Enem 2010.”
A magistrada criticou também a proposta em estudo no MEC de realização de novo exame, ao qual compareceriam apenas os estudantes diretamente prejudicados pelo erro na impressão das provas de cor amarela. “O que foi apresentado até agora, aplicar a prova apenas a esses candidatos, não é suficiente”, diz. “Novas provas poriam em desigualdade todos os candidatos remanescentes.”
A juíza criticou ainda as declarações do presidente Joaquim José Soares Neto, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do MEC responsável pelo Enem. Em entrevista coletiva após a realização da prova do sábado, Soares Neto se referiu ao exame como uma “missão cumprida”, a despeito dos problemas ocorridos. “Isso é espantoso. É uma afronta ao coração do Enem”, diz Carla de Almeida.
Em nota, o procurador da República Oscar Costa Filho, que apresentou a ação civil pública aceita pela Justiça, também criticou a proposta do MEC de realização de nova avaliação. “O fato do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) ter aventado realizar provas separadas para o mesmo concurso apenas confirma o total desconhecimento dos princípios que informam os concursos públicos, entre os quais a igualdade”, diz.

05 novembro 2010

Os honoráveis assassinos na última ceia...

Vejam este post de Reinaldo Azevedo. Está um primor.
Outro dia a Globo exibiu um filme bastante interessante, que eu já tinha visto em vídeo. Se vocês não assistiram, recomendo. Chama-se O Último Jantar (The Last Supper), de 1995, dirigido por Stacy Title. A boa tradução, obviamente, seria “A Última Ceia”. O trocadilho é esse, já que, vocês verão, à sua moda, o filme trata de um ritual religioso. Ainda que venham a detestá-lo, vale por Cameron Diaz, que está uma belezoca (tá, essa dica é para os rapazes). Mas as moças têm lá bons estímulos ao intelecto, hehe.
Estudantes “liberais” (nos EUA, isso quer dizer “a esquerda possível”, já que, para sorte deles, a história os blindou contra certo tipo de delírio do atraso), todos com aspirações intelectuais e libertárias, moram juntos. São jovens, modernos, divertidos e se acham tolerantes e inteligentes. Um deles pega carona, sem saber, com um homicida perigoso. O cara acaba ficando para o jantar. É um gorila de extrema direita: xenófobo, militarista, antipacifista. O choque com os “liberais” é inevitável e chega ao confronto físico. Resumo: um dos “pacifistas” acaba por cravar-lhe uma faca nas costas.
A “turma do bem” havia cometido um assassinato. Ocorre que o brutamontes dizia coisas tão desprezíveis e era tão violento, que o ato se confundiu com legítima defesa. Passado o torpor, tem início a racionalização da morte:
- era um fascista; merecia viver?;
- vivo, ele tornaria o mundo melhor ou pior?;
- os “liberais” não vinham sendo muito moles e covardes? Não havia chegado a hora de agir?
Os “tolerantes” têm uma idéia: começam a chamar para jantar pessoas pelas quais nutrem um olímpico desprezo. Todas elas são submetidas a um “julgamento”. Ignorantes do risco que correm, são estimuladas, incitadas mesmo, a dizer o que pensam. Passam pelo festim diabólico, entre outros:
- o reverendo homofóbico que vê na aids um castigo de Deus;
- o machista misógino;
- a militante antiaborto;
- o sujeito que não acredita no efeito-estufa;
- um rapaz contrário ao direito dos sem-teto;
- a moça que detesta arte contemporânea…
A todos é dado um certo “direito de defesa”, embora não saibam que estão sendo julgados. A cada coisa chocante que dizem, segue uma pergunta para que digam algo ainda pior. “Reprovados”, são induzidos a tomar um vinho envenenado. O tribunal dos liberais, dos progressistas, dos modernos, é implacável. A fala das vítimas é não mais do que uma caricatura do que seriam as opiniões “conservadoras”.
O que Title faz é jogar na boca dos “condenados” aquilo que seus algozes gostariam de ouvir. Explico-me: eles querem eliminar seus adversários - assim, quanto mais idiotas e simplistas eles forem, melhor. A regra é a seguinte: reduza seu oponente a um borrão de tudo aquilo que você mais odeia, e haverá, então, um bom motivo para eliminá-lo. É a intolerância dos tolerantes.
Contei o fim do filme? Não! O desfecho é surpreendente. Aqueles pobres idiotas, que reivindicam o direito de dizer quem pode e quem não pode viver, não estavam preparados para uma abordagem um pouco mais requintada do mundo. E terão a chance de experimentá-la, o que os humilha intelectualmente. Não vou contar mais. Vejam.
No Brasil
Os esquerdistas no Brasil gostariam que seus adversários fossem tão tolos quanto são os dos assassinos de O Último Jantar. Se a Igreja Católica - a séria - combate a abordagem oficial sobre a camisinha, então ela é “responsável pela expansão da aids porque estimularia o sexo sem proteção”; se alguém acusa o Bolsa Família de ser a indústria da miséria, então é porque quer que os pobres morram de fome; se faz restrições de natureza ética ao aborto, então é porque despreza os direitos da mulher. Aí fica fácil: ao reduzir o Outro à estupidez, podem matar sem culpa.
E qual é a suposição intectualmente verossímil para que possam ser assassinos éticos? Os “direitistas” estariam defendendo “o passado”, enquanto eles, os “esquerdistas”, teriam a nos oferecer um futuro glorioso.

Voltei!!! O rescaldo pós-eleitoral

Bem, pessoal, voltei. Um pouco atrasado em razão de questões partuculares. Não foi dor-de-cabeça pela vitória de Dilma, não. Ela mereceu e o país também é merecedor dela. Para o bem, ou para o mal.
Os 44% de brasileiros que disseram NÃO ao lulismo, relegaram o PSDB `oposição.
Foi uma luta dura a enfrentada por José Serra. De pedrada na cabeça a satanização. Lula depredou a ordem legal e utilizou a máquina pública qualhada de petista para não entregar o queijo...
Essa história do PSDB de fazer oposição sem o lema do "quanto pior, melhor" é uma bobagem. Oposição na emocracia não deve ter adjetivos do tipo "comportada", "responsável", etc., pois afinal o governo tem uma maioria tão acachapante, construída à base do pior aparelhamento do estado a que se teve notícia desde os milicos de 64, que qualquer genuflexão da oposição será tida como fraqueza pelos 44% de brasileiros que votaram em Serra, que, aliás, não está "morto" não.
Se o Aécio Neves acha que será fácil "escantear" um candidato que teve 44% dos votos, está enganado. O tempo dirá.
E sim, a Dilma ganhou por apenas 6% de diferença, os quais, se tivessem resolvido votar em Serra, poderiam hoje estar significando - o gerúndio aqui está bem colocado... - uma catástrofe ao lulo-petismo-dilmismo.
Se Lula mesmo ganhando faz muchoxo, culpa a "oposiçcão" pela única derrota que teve no Congresso - a CPMF, a qual agora está fazendo a Dilma patrocinar a sua volta um dia depois dela ter dito que era contra!, e, vejam só!, com a ajuda da oposição! -, na verdade é parte de sua "lábia": acusa a oposição de raivosa para v6e-la de joelhos em nome do "bom mocismo". O mesmo "bom mocismo" ao qual Lula se nega a desempenhar como "magistrado" do pleito eleitoral - vejam só se Lula é disso...
Uma coisa é certa: se o PSDB e o DEM não marcarem posição e fizerem OPOSIÇÃO ao lulo-petismo-dilmismo, aí então é melhor pegar o barco do balatal...

21 outubro 2010

A Dilma do PT "roubou" o apresentador do PSDB

Vejam só como o PT e a Dilma se acostumaram a se apropriarem das ideias do PSDB:


Viram como eles são "fissurados" em PSDB...

Dilma se espelha no El Coma Andante

Vejam só (uma imagem vale por mil palavras, não):
1) Dilma e a ditadura cubana:

2) Dilma e o MST:


3) Dilma e a liberdade de imprensa:


4) Onde o PAC teve início (Guaribas-PI) e assim mesmo ficou (um "memorial"):

O pensamento de Lula sobre o "Bolsa-família"

Vejam o que Lula acha e achava das políticas assistencialistas - antes, com FHC (1994), e hoje, no seu "governo":


Viram como o valente é "honesto" intelectualmente? Ele é o PT!!

Petista defende privatização da Vale

COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO
PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO No 374, DE 2007
Dispõe sobre a realização de plebiscito acerca da retomada do controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce pelo Poder Executivo.
Autor: Deputado IVAN VALENTE
Relator: Deputado JOSÉ GUIMARÃES
I - RELATÓRIO
Trata-se de projeto de decreto legislativo que determina que o Tribunal Superior Eleitoral faça realizar, em todo o Território Nacional, um censo plebiscitário com a finalidade de recolher manifestação, favorável ou contrária, dos cidadãos, acerca da retomada do controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce pelo Poder Executivo da União. Justifica o ilustre Autor que o processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce caracterizou apropriação do patrimônio do povo brasileiro por particulares e deve ser revertido em nome do controle público sobre os recursos naturais essenciais para o crescimento do país e para a manutenção de sua soberania. A matéria ainda será apreciada pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania É o relatório.

II - VOTO DO RELATOR
Cabe à Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio proferir parecer sobre o mérito econômico da matéria em tela. Nesse sentido, do ponto de vista econômico, o primeiro foco de análise deveria se concentrar sobre a questão de se seria ou não um bom negócio para a economia brasileira reverter a privatização da Vale. Cabe ressaltar que tais considerações envolvem argumentações técnicas de relativa profundidade, que dificilmente poderiam ser abordadas de maneira completa em um debate público, no calor de um processo eleitoral plebiscitário, eivado de argumentos simbólicos e simplistas que, muitas vezes, podem distorcer aspectos econômicos de maior complexidade.
Isto posto, de forma preliminar, é preciso considerar que a Companhia Vale do Rio Doce é um dos orgulhos nacionais desde a sua fundação e em muito contribuiu para o desenvolvimento do País. Com efeito, trata-se da segunda maior mineradora do mundo e da maior empresa privada do Brasil. É a maior produtora de minério de ferro e de pelotas do mundo e a segunda maior de níquel. A Vale destaca-se ainda na produção de manganês, cobre, bauxita, caulinita, carvão, cobalto, platina, alumina e alumínio. A dimensão dos seus negócios a credencia como uma das grandes empresas mundiais, cujos negócios provocam desdobramentos não só na economia brasileira, mas na economia global.
De fato, desde sua criação, no Governo Vargas, a Vale se organizou como uma empresa de economia mista, caracterizada pela participação de sócios privados e do setor público em forma de sociedade aberta, com o controle acionário majoritário nas mãos da União. Hoje, a Vale é uma empresa privada de capital aberto, com sede na cidade do Rio de Janeiro, com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), inclusive integrando o Índice Dow Jones, indicando que seu desempenho econômico influencia diretamente um dos mais importantes indicadores da economia mundial.
Ao final de 2006, a Vale anunciou a incorporação da INCO canadense, a maior mineradora de níquel do mundo, operação de aquisição que foi efetivada no decorrer de 2007, sob forte esquema de engenharia financeira internacional. Após essa incorporação, formou-se um novo conglomerado empresarial - CVRD Inco, cujo valor de mercado em 2008 foi estimado em 196 bilhões de dólares pela consultoria Economática, perdendo no Brasil apenas para a Petrobrás (287 bilhões) e se tornando a 12º maior empresa do mundo.
Não há como negar que a mudança das características societárias da Companhia Vale do Rio Doce foi passo fundamental para estabelecer uma estrutura de governança afinada com as exigências do mercado internacional, que possibilitou extraordinária expansão dos negócios e o acesso a meios gerenciais e mecanismos de financiamento que em muito contribuíram para este desempenho e o alcance dessa condição concorrencial privilegiada de hoje. De fato, pode-se verificar que a privatização levou a Vale a efetuar investimentos numa escala nunca antes atingida pela empresa, graças à eliminação da necessidade de partilhar recursos com o Orçamento da União, o que, naturalmente, se refletiu em elevação da competitividade da empresa no cenário internacional e permitiu a série de aquisições necessárias para o crescimento do conglomerado minerador a nível internacional.
A despeito das mudanças societárias terem sido favoráveis aos negócios da empresa, ainda persiste muita controvérsia sobre os ganhos do setor público com o processo. Nesse sentido, é preciso destacar que a União, apesar da perda do controle gerencial, ainda permanece um importante acionista da Companhia. Com efeito, o Conselho de Administração da Vale é controlado pela Valepar S.A, que detém 53,3% do capital votante da empresa (33,6% do capital total). Por sua vez a constituição acionária da Valepar é a seguinte: Litel/Litela (fundos de investimentos administrados pela Previ) com 58,1% das ações, Bradespar com 17,4%, Mitsui com 15,0%, BNDESpar com 9,5%, Elétron (Opportunity) com 0,02%.
Se forem consideradas as ações da Previ (cuja diretoria é indicada pela União) e do BNDES como de influência direta do governo federal, este gerencia, por posse ou indicação, cerca de 41% do capital votante (incluindo participações externas à Valepar). Incluindo-se, ainda, a participação do Bradesco e dos investidores brasileiros, cerca de 65% do capital votante da empresa se encontram no País.
Nesse sentido, não só a influência da União nos destinos da empresa é ainda muito grande, como sua participação nos lucros da empresa é muito significativa, especialmente se for avaliado que, após a  privatização, e em conseqüência do substancial aumento dos preços do minério de ferro, a Vale fez seu lucro anual subir de cerca de 500 milhões de dólares em 1996 para aproximadamente 12 bilhões de dólares em 2006.
O número de empregos gerados pela companhia também aumentou desde a privatização - em 1996, eram 13 mil e, em 2006, já superavam mais de 41 mil. Ademais, a União, além de ser beneficiária desses resultados através do BNDES, de fundos de previdência de suas estatais e de participação direta, ainda viu a arrecadação tributária com a empresa crescer substancialmente.
De fato, em 2005, a empresa pagou 2 bilhões de reais de impostos no Brasil,cerca de 800 milhões de dólares ao câmbio da época, valor superior em dólares ao próprio lucro da empresa antes da privatização.
Assim, é de difícil sustentação econômica o argumento de que houve perdas para a União. Houve ganhos patrimoniais, dado o extraordinário crescimento do valor da empresa; houve ganhos arrecadatórios significativos, além de ganhos econômicos indiretos com a geração de empregos e com o crescimento expressivo das exportações. A rigor, a União desfez-se do controle da empresa, em favor de uma estrutura de governança mais ágil e moderna, adaptando a empresa à forte concorrência internacional, mantendo expressiva participação tanto nos ganhos econômicos da empresa, como na sua própria administração.
E tal processo foi, inegavelmente, bem-sucedido. Diante dos fatos, consideramos que a proposta de submeter a reversão de um processo econômico desta natureza e desta monta é desprovido de sentido econômico e pode trazer sérios prejuízos à própria empresa e a seus acionistas, entre os quais se inclui, como exposto, o próprio interesse da União.
Pelas razões expostas, votamos pela rejeição do Projeto de Decreto Legislativo nº 374, de 2007.
Sala da Comissão, em de de 2009.
Deputado JOSÉ GUIMARÃES
Relator
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 Comento:
Viram como os petistas são "honestos" intelectualmente? É assim que eles são: se beneficiam das ações do PSDB/FHC/Serra e, para ganhar as eleições de qualquer jeito (se não eles perdem as boquinhas no emprego federal), eles satanizam as privatizações (escondendo que de fato são a favor, pois delas se beneficiaram) e mentem de forma contumaz (usam a mentira como método e a desonestidade em geral como princípio).
Como diria o Botinele, "Pau neles, companheiros!"

20 outubro 2010

Estatismo e suas consequências_Editorial do Estadão

O enfraquecimento da economia venezuelana, em boa parte devido à política de estatização que o governo socialista de Hugo Chávez intensificou nos últimos anos, é um exemplo do que poderia acontecer com a economia brasileira se fossem transformadas em política de governo as teses antiprivatistas defendidas por militantes do PT e que vêm marcando a propaganda eleitoral da candidata Dilma Rousseff.
É contínua, e em alguns casos avassaladora, a perda de eficiência das empresas cujo controle foi transferido para o governo bolivariano de Chávez, que só em raras situações ressarciu adequadamente os antigos controladores. O mau desempenho da grande maioria das empresas estatizadas contribui para manter a atividade econômica do país no atoleiro e os preços em alta – a Venezuela tem o pior desempenho econômico da região desde o início da crise mundial.
A produção da siderúrgica Sidor, antes controlada pelo grupo argentino Techint, caiu 28% desde sua estatização em 2008, de acordo com reportagem do jornal Valor. A fabricante de alumínio Venalum, que gerou lucro de US$ 60 milhões no último ano sob controle privado (2005), agora estatal só gera prejuízos. A Bauxilum, que quando privada chegou a produzir 5,6 milhões de toneladas de bauxita por ano, em 2010, como estatal, só produzirá 3 milhões. No campo, dos 350 mil hectares desapropriados pelo governo em 2009, só 9,4 mil hectares estão sendo cultivados – ou seja, 97,3% continuam improdutivos, de acordo com um instituto de pesquisa privado.
Num curto, mas denso balanço da situação de seu país em 2009, o presidente da Federação das Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela, Noel Álvarez, afirmou: “O ano termina com um colapso nos serviços públicos de água, luz, transporte e infraestrutura viária, uma queda na produção, um aumento no desemprego, intervenções em propriedades rurais e expropriação de empresa e aumento da insegurança pessoal e jurídica.”
Era, na época, o retrato de um país cujas bases econômicas vinham sendo solapadas por uma política populista destinada a garantir a perpetuidade do caudilho no poder. Em 2010, essa política foi intensificada e, com a apertada vitória da situação na eleição de setembro – Chávez perdeu a maioria de dois terços necessária para a aprovação de mudanças legislativas importantes -, foi estendida com mais vigor para outras áreas, especialmente a de alimentos, politicamente muito sensível. Inversamente proporcionais ao avanço do Estado venezuelano sobre a economia, os resultados globais são cada vez piores.
Em 2010, só até agosto, as desapropriações do governo chavista atingiram 174 empresas privadas, a maior parte das quais pertence ao setor de fornecimento da indústria de petróleo e gás. Mas – como dissemos – a onda atual inclui também empresas da área de produção e distribuição de alimentos.
A explicação do governo para a ampliação da intervenção também nessa área foi a necessidade de evitar o desabastecimento, em razão da retenção indevida de estoques. Pode ser mera coincidência, mas o fato é que, em meados do ano, milhares de toneladas de alimentos importados pelo governo apodreceram nos contêineres parados nos portos controlados pelo Estado bolivariano, o que afetou a popularidade do caudilho e de seu partido.
Para os empresários atingidos pelas desapropriações, receber a indenização devida é uma espécie de loteria. Em alguns casos, o pagamento equivaleu aos valores de mercado. Mas, de 44 empresas associadas à Câmara Americana de Comércio, que foram desapropriadas, apenas 9 admitiram que receberam o pagamento adequado.
Essa política estatizante, além de reduzir investimentos públicos em áreas como saúde, educação e segurança pública – pois, quando paga, o governo desvia recursos para áreas em que o setor privado é mais eficiente -, gera insegurança jurídica. Temerosa, também a iniciativa privada deixa de investir, o que retarda a recuperação da economia. É sobre isso que conviria aos eleitores brasileiros refletir.

19 outubro 2010

Dilma atira no pé no debate da RedeTV!

Como ocorreu no debate na Band, também neste domingo Dilma Rousseff acertou no próprio pé ao mirar em Fernando Henrique Cardoso. José Serra novamente comparou os ex-presidentes que apoiam cada candidato. Dilma tem a seu lado José Sarney e Fernando Collor, que só não conseguiram acabar com o Brasil porque depois deles vieram Itamar Franco e Fernando Henrique, que estão com Serra.
A bala seria desviada para a testa da adversária se o candidato da oposição sugerisse a Dilma que convença Lula a topar o desafio lançado publicamente por FHC: um debate entre os dois na TV. Enquanto ambos passam a limpo os oito anos de cada um, os candidatos à sucessão tratam do futuro. Serra deixou escapar uma chance preciosa talvez porque ainda veja um problema onde já está claro que existe um trunfo eleitoral.
O candidato deveria parar por uns tempos de ouvir marqueteiros e conversar mais com Aloysio Nunes Ferreira. Único protagonista do horário eleitoral do PSDB a apresentar-se ao lado do presidente que matou a inflação, Aloysio saltou de 4% nas pesquisas para mais de 32% nas urnas. Além de superar o recorde de Aloízio Mercadante, baixar a crista de Marta Suplicy e impedir que os paulistas piorassem a Casa do Espanto com Netinho de Paula, o senador mais votado da história restabeleceu a verdade assassinada: como aprendeu Lula em duas lições inesquecíveis, Fernando Henrique é muito bom de urna.
Graças a um ministro da Justiça da Era FHC, está claro que o ex-presidente é um cabo eleitoral de primeira grandeza. Em 3 de outubro, ele ajudou Aloysio Nunes Ferreira a conquistar 11,2 milhões de votos em São Paulo. Quase 2 milhões a mais que Serra.

Dilma espanca o idioma em visita a museu da língua portuguesa

Dilma Rousseff deve gostar de viver perigosamente. Depois da espetacular conversão que a levou do ateísmo para a carolice sem ter aprendido o Sinal da Cruz, a candidata que trata o idioma a pontapés resolveu visitar o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e discorrer sobre o tema numa entrevista coletiva. Único especialista em dilmês do Brasil, o jornalista Celso Arnaldo Araújo não iria perder essa, claro. Não percam o relato do grande caçador de cretinices:
Ainda me impressiono com o que esses marqueteiros obrigam os candidatos a fazer, exigindo deles o que vai de encontro às suas resistências ou dificuldades mais profundas. De Dilma, que não decorou nem o sinal da cruz, já tinham exigido fé demais.
Mas agora passaram do ponto, tentando transformá-la numa devota da língua portuguesa ─ justo ela, que há um ano carrega por palanques e microfones de todo o Brasil a mais desarticulada candidatura presidencial da história da República. Dilma cultiva tão bem as palavras da língua portuguesa quanto Duda Mendonça trata seus galos ─ que se bicam até sangrar, humilhados, zonzos.
Já conhecendo bem a dialética da campanha dilmista, eu sabia que depois da visita ao Museu da Língua Portuguesa anunciada no twitter ─ tão demagógica quanto a de Goebbels ao Museu Rainha Sofia para ver Guernica de Picasso ─  ela daria entrevista sobre o tema, à porta.
Bingo. Perdão ─ agora não é mais entrevista, é o tal “minuto propositivo” que o João Santana inventou para as pessoas acreditarem que Dilma só falará um minuto. No caso, foram penosos 11 despropositados minutos de espancamento impiedoso do pobre português, à porta de seu próprio museu.
“Meu minuto propositivo hoje diz respeito a duas coisas. Primeiro é uma questão que eu acho que é fundamental. Nós sabemos que há um problema muito sério não só aqui em São Paulo mas em vários estados da Federação, é que as crianças e os jovens passam de ano, mas quando você vai fazer os testes de matemática e de língua portuguesa, o nível de aproveitamento é baixíssimo. Então, estão passando de ano sem aprender”.
Dilma pretendeu criticar, evidentemente, o sistema de progressão continuada que vigora em São Paulo ─ esquecendo que foi algo do gênero, ou a benevolência de seus professores, que lhe permitiu concluir o curso de Economia que diz ter feito, com uma agravante: no caso dela, parece claro não ter havido progressão alguma.
“Uma das maiores preocupações que eu vô tê é garanti que as crianças passem de ano no Brasil e ao mesmo tempo aprendam, que não pode sê assim”.
Talvez fosse melhor ao contrário ─ que as crianças primeiro aprendessem e depois passassem de ano. Mas Dilma quer garantir que as crianças passem de ano no Brasil ─ e, aparentemente, pretende impedir nossos filhos de passarem o Réveillon no exterior para equilibrar a balança de pagamentos. Tem meu apoio: tenho quatro filhos, eles querem sempre ir para a Disney e sai muito caro.
“E aí uma questão deve sê enfatizada e deve sê muito considerada. A questão de duas, de dois conhecimentos. Um é a matemática. Hoje nós temos um grande incentivo à matemática, através das olimpíadas da matemática, onde participam 20 milhões de pessoas, de alunos. E é meu objetivo fazê também uma olimpíada da língua portuguesa”.
Ótimo. Um país que ainda tem 30 milhões de analfabetos latu senso, incluindo um deputado federal eleito, e milhões de analfabetos funcionais, vai produzir, no governo Dilma, gramáticos olímpicos. Ela, pessoalmente, não passaria dos 10 metros bem rasos. Fala, Dilma Houaiss:
“Nós criamos uma língua própia (sic), que é a língua brasileira, através de uma série de casamentos que ao longo do processo foram feitos com as línguas de origem indígena, o bantu e outras…”.
Epa! Bantu de origem indígena? A própria Dilma Houaiss vem em socorro de Dilma Rousseff:
“Desculpa, a tupi e outras. E com toda a descendência nossa africana também, o bantu e outras”.
Perdoe-se o lapso momentâneo, louve-se a correção quase imediata. Mas o fato é que os marqueteiros, ou os monitores do Museu, só ensinaram a ela uma língua de cada tronco – daí o salvador “e outras”, que saiu automaticamente três vezes. Uma pergunta que quer calar: a que família linguística pertence o dilmês?
“Tudo isso mostra que nós temos de valorizá a língua portuguesa. Porque não existe como uma criança ou um jovem, se ele não se apropiá (sic), não existe como se ele não se apropiá (sic) da língua portuguesa e da matemática de ele tê acesso aos outros conhecimentos. Está provado isso”.
Então está comprovado o mistério de Dilma: ela não tem nenhum conhecimento sobre rigorosamente nenhum assunto porque não se apropiou da língua portuguesa.
Amigos: parei quando o cronômetro marcava apenas 2min44s. Vocês têm pela frente ─ se a matemática não me trai ─ mais 8min16s propositivos, em que ela deixa o português de lado e, ainda maltratando cruelmente a matéria do museu, discorre com a graça e a espontaneidade habituais sobre assuntos diversos, inclusive o escândalo do dia, a tal história do banco alemão que perdeu 200 milhões de dólares para uma subsidiária da Eletrobras.
Ela culpa o banco alemão por ter caído no golpe.

Dilma diz no JN não ser possível controlar roubalheira na Casa Civil

“Ninguém controla o governo inteiro”, repetiu no Jornal Nacional desta segunda-feira Dilma Rousseff, ainda agarrada à versão tão convincente quanto um sorriso de Marco Aurélio Garcia: uma chefe da Casa Civil não consegue enxergar uma quadrilha em ação na sala ao lado. A roubalheira promovida pela turma da melhor amiga Erenice Guerra correu solta, mas Dilma descobriu só agora que qualificou de  “factoide” um balaio de crimes capitulados no Código Penal.
“Estou indignada”, informou com a voz de quem está ensaiando a Ave Maria. A  indignação não tem nada a ver com as patifarias do sobrinho honorário Israel Guerra, nem com as negociatas envolvendo os Correios, a Anac e a Infraero, muito menos com a transformação da Casa Civil em covil. O que a deixa irritada é nepotismo.
“A Erenice errou”, disse. “Erro”, como ensina o Mestre Lula, é um crime cometido por bandidos de estimação. E Dilma sempre fez questão de expor publicamente a especial estima devotada à figura que indicou para substituí-la no ministério mais importante da República. Ao despedir-se do cargo para dedicar-se à campanha presidencial, como mostra o vídeo, ela deixou o Planalto de braços dados com Erenice. A demonstração de afeto ficou com jeito de coisa de comparsa.
William Bonner quis saber o que produziu a mais recente conversão protagonizada por Ciro Gomes. Ainda outro dia, o companheiro do Ceará achava que José Serra está muito mais preparado que Dilma para assumir a Presidência, que o PMDB é um “ajuntamento de assaltantes” e que o candidato a vice Michel Temer é “o chefe da turma”. Como é que virou coordenador da campanha da aliança governista?
“O Ciro ficô magoado pela circunstância que levô ele a não sê candidato”, respondeu Dilma. Simples assim. Amainado o chilique, Ciro entendeu que quem não tem preparo é o outro, que o PMDB é um exército de voluntários da pátria e que Temer sempre serviu aos interesses da nação.

PSDB denuncia Vox Populi_VejaOnLine

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, convocou a imprensa no fim da manhã desta terça-feira para denunciar a  “conspiração” do instituto de pesquisa Vox Populi ao indicar a vitória da candidata do PT, Dilma Rousseff. Em um pronunciamento de dez minutos no comitê do partido, em São Paulo, o tucano fez referência aos levantamentos realizados pelo instituto. Um deles indicava até que a candidata petista seria eleita já no primeiro turno. ” O Vox Populi disse no dia 29 de setembro que a Dilma ia ganhar no primeiro turno com 12 pontos de vantagem. Não dá para acreditar que foi um erro, foi uma safadeza de um instituto que trabalha para o PT.”
O tucano disse ainda: “Temos enfrentado uma ação combinada de gente que não respeita a lei, em uma ação poderosa para influenciar as intenções de voto”.
Guerra cobrou que as empresas de pesquisa eleitoral sejam fiscalizadas. “Desde o início, observamos uma contradição, as pesquisas foram para um lado e o resultado foi para outro. Não deveria ser permitido que esses institutos promovessem uma fraude contra a opinião pública, sem neutralidade”. O presidente do PSDB informou que o partido não cogita a possibilidade de entrar na Justiça.
Métodos questionados – Não é a primeira vez que os métodos adotados pelo Vox Populi são alvo de questionamento. Em abril, reportagem do site de VEJA mostrou que uma pesquisa feita pelo instituto naquele mês tinha um detalhe no mínimo curioso. Em um dos questionários apresentados, o nome do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, aparecia de forma invertida.
Na época, o Vox Populi alegou que isso ocorreu por causa de “problemas técnicos no programa de conversão do PDF” e que a deficiência foi sanada na hora de botar a pesquisa na rua. Os dados entregues à Justiça Eleitoral são exatamente os utilizados pelos entrevistadores.
Outros dados entregues pelo Vox Populi ao TSE mostraram que os pesquisadores repetiram o itinerário (incluindo ruas, casas e endereços dos entrevistados) em duas sondagens, feitas em abril e janeiro. Em ambos os casos, Dilma Rousseff apareceu em ascensão (no mais recente, tecnicamente empatada com Serra). O instituto negou ter repetido o itinerário.
Não cabe à Justiça Eleitoral sair às ruas e assumir o papel de fiscal de pesquisas eleitorais. Cabe a ela receber a documentação necessária para registrar uma pesquisa e não checar se o material bate com o que foi apresentado para a população ou se alguém está agindo de má fé. Pela lei eleitoral, o Ministério Público, candidatos, partidos e coligações é que devem ficar de olho. São eles que têm legitimidade para pedir a impugnação de uma pesquisa. Só dessa forma a Justiça Eleitoral pode se pronunciar.
(Adriana Caitano)