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04 dezembro 2010

O fatos desmentem Lula_Editorial do Estadão

Fiel a seu costume de contar a história à sua maneira, sem o mínimo compromisso com os fatos e a verdade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais uma vez falou sobre a “herança maldita” recebida em 2003, ao iniciar seu primeiro mandato. Desta vez, o rosário de inverdades foi desfiado perante o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. O evento foi uma das várias despedidas programadas pelo presidente para este mês. De novo ele falou sobre o País quebrado e sobre o mau estado da economia no momento da transição do governo. De novo ele se entregou a uma de suas atividades prediletas, a autolouvação despudorada, atribuindo a si e a seu governo a inauguração de uma economia com fundamentos sólidos, estabilidade e previsibilidade. As pessoas informadas e capazes de discernimento conhecem os fatos, mas talvez valha a pena recordá-los mais uma vez, para benefício dos mais jovens e dos vitimados pela propaganda petista.
A primeira informação escamoteada pelo presidente Lula e pela companheirada é a origem da crise inflacionária e cambial de 2002. Os problemas surgiram quando as pesquisas mostraram o crescimento da candidatura petista. Não surgiram do nada e muito menos de uma perversa maquinação dos adversários. Os mercados simplesmente reagiram às insistentes ameaças, costumeiras no discurso petista, de calote na dívida pública e de outras lambanças na política econômica. Figuras importantes do partido haviam apoiado um irresponsável plebiscito sobre a dívida e mais de uma vez haviam proposto uma “renegociação” dos compromissos do Tesouro.
Tinha sólidos motivos quem decidiu fugir do risco proclamado pelos próprios petistas. A especulação cambial e a instabilidade de preços foram o resultado natural desses temores. A Carta ao Povo Brasileiro, com promessas de seriedade, foi o reconhecimento do vínculo entre a insegurança dos mercados e as bandeiras petistas.
Essas bandeiras não foram inventadas pelas fantasmagóricas elites citadas pelo presidente nas perorações mais furiosas. São componentes de uma longa história. Petistas apoiaram algumas das piores decisões econômicas dos últimos 30 anos. Uma de suas figuras mais notórias aplaudiu entre lágrimas uma das mais desastradas experiências dos anos 80, o congelamento de preços do Plano Cruzado. Nenhum petista ensaiou uma discussão séria quando os erros se tornaram mais que evidentes e o plano começou a esboroar-se.
Naquele período, como nos anos seguintes, petistas continuaram pregando o calote da dívida externa. Ao mesmo tempo, torpedearam todas as tentativas importantes de reordenação política e econômica e resistiram a assinar a Constituição.
O PT combateu as inovações do Plano Real. Foi contra a desindexação de preços e salários. Resistiu ao saneamento das finanças estaduais e municipais. Combateu - como já vinha combatendo - a privatização de velhas estatais, mesmo quando não havia a mínima razão estratégica para manter aquelas empresas sob o controle do Tesouro. Criticou a Lei de Responsabilidade Fiscal e atacou todas as iniciativas de ajuste das contas públicas.
A economia foi retirada do caos e seus fundamentos foram consertados, nos anos 90, contra a vontade do PT. O saneamento e a privatização de bancos estaduais permitiram o resgate da política monetária. Graças a isso foi possível, em 2003, conter o surto inflacionário em poucos meses. O Banco Central simplesmente manejou ferramentas forjadas na administração anterior.
Todos os princípios e instrumentos de política econômica essenciais à estabilidade nos últimos oito anos são componentes dessa herança mais que bendita. Se os tivesse abandonado há mais tempo, o governo Lula teria sido não só um fracasso, mas um desastre. Mas a fidelidade aos princípios do governo FHC nunca foi total. O inchaço da administração, o loteamento de cargos, a desmoralização das agências de regulação e o desperdício são partes da herança deixada à sucessora do presidente Lula, além de compromissos irresponsáveis, como o de um trem-bala mal concebido e contestado econômica e tecnicamente. Esse legado não será descoberto aos poucos. Já é bem conhecido.

02 dezembro 2010

Porque Serra perdeu a eleição_Por Augusto Nunes

A anedótica impontualidade, que desde sempre o faz chegar atrasado a todos os compromissos, acabou contaminando o calendário político e subvertendo o relógio eleitoral de José Serra. O candidato à Presidência da República demorou demais para entrar oficialmente na disputa, para concentrar-se na campanha, para costurar a coligação nacional, para montar as alianças regionais ou para decidir quem seria o vice. Nesta quinta-feira, ao aparecer no Senado depois de três semanas de sumiço (e depois da hora marcada), confirmou que vai terminar o ano como começou: chegando à estação quando o trem já partiu.
Em público, Serra assumiu (com 25 dias de atraso) a responsabilidade pela derrota. “A culpa sempre é do candidato”, reconheceu na primeira linha do mea culpa revogado pelo que disse em encontros reservados com senadores tucanos. A soma das conversas informa que Serra divide a culpa pelo fracasso entre o rolo compressor do governo federal e o desinteresse de companheiros de partido pela eleição presidencial. Ressentido com o que qualifica de “traições”, a maior das quais imagina ter sido protagonizada por Aécio Neves, quer ser compensado com a presidência nacional do PSDB.
Colecionador de bons desempenhos como deputado federal, senador, secretário de Estado, ministro, prefeito e governador, é compreensível que Serra recuse a aposentadoria. Também é aceitável que atribua à própria força eleitoral uma parcela considerável dos votos obtidos em 31 de outubro. É natural, enfim, que não se sinta forçado a abandonar a vida pública por uma derrota: a morte política nunca ocorre antes da morte física. O incompreensível, o inaceitável, o antinatural é perceber que a ficha ainda não caiu. Alguma alma caridosa precisa contar-lhe que nenhum candidato com chances de conquistar a presidência foi tão indiscutivelmente culpado pela própria derrota.
“Cada um tem um estilo e Serra foi fiel ao estilo dele: define uma linha e, aconteça o que acontecer, vai em frente”, resumiu com a habitual elegância o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na entrevista publicada pela Folha em 2 de novembro. Resumo da ópera: fora o marqueteiro Luiz Gonzalez, o candidato da oposição oficial não consultou ninguém, não pediu um só conselho a quem quer que seja. Fez questão de errar sozinho — e só não cometeu mais erros por falta de tempo.
Ao abortar a ideia das prévias partidárias, por exemplo, perdeu quaisquer chances de ter Aécio Neves como vice. Ao contemplar o legado de FHC com o olhar deliberadamente vesgo do inimigo, enxergou um problema onde sempre existiu, mais que uma solução, o maior trunfo eleitoral dos oposicionistas. Dilma Rousseff atravessou a campanha celebrando o Brasil de anúncio da Petrobras que Lula finge ter construído. O ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso fez de conta que nem participou do governo que mudou para muito melhor o país real.
Em vez de defender as privatizações que aumentaram a distância entre o Brasil e as cavernas, preferiu acusar Dilma de ser menos estatizante do que parece. Em vez do Serra decidido a encerrar a Era da Mediocridade, apresentou-se ao eleitorado um certo Zé pronto para ocupar o lugar do Silva e aperfeiçoar a obra do presidente que estava, segundo o suposto adversário, “acima do bem e do mal”. A adversária que todo candidato pede a Deus implorou pelo nocaute o tempo todo. O oponente fugiu ao combate e tentou ganhar encostado voluntariamente nas cordas.
Prisioneiro da falácia marqueteira segundo a qual eleitores preferem que participantes de um duelo troquem cobranças por arrulhos e interpelações por sonetos românticos, Serra desperdiçou incontáveis oportunidades de liquidar o duelo. As pesquisas de intenção de voto avisaram que questões vinculadas a valores morais e princípios éticos influenciariam a decisão do eleitor. Inibido pela paralisante estratégia do medo, inquieto com a possível exposição de pecados tucanos, Serra arriou a bandeira do combate à corrupção desfraldada no discurso em que se despediu do cargo de governador.
Açulada pela tibieza do oponente, a política aprendiz colocou na mesma categoria criminosa a confusa história protagonizada por Paulo Preto e o escândalo medonho da Casa Civil estrelado por Erenice Guerra — o andor mais vistoso da procissão infame engrossada por estupradores de sigilo fiscal, fabricantes de dossiês cafajestes e governantes fora-da-lei. Tecnicamente, Serra perdeu para a sucessora escolhida por um presidente sem compromisso com a verdade, a legislação eleitoral e o Código Penal. Vistas as coisas de perto, Serra foi o grande algoz de si próprio. Não existem traidores a condenar. Não há responsabilidades a apurar.
“Ele nunca vai admitir isso”, concordam 10 em cada 10 tucanos. “Se foi teimoso a vida inteira, não é agora que vai mudar. Ocorre que a paisagem brasileira mudou, e quem não se adaptar à guinada histórica não tem chances de salvação. As urnas de 2010 testemunharam o nascimento da oposição real. Difere da oposição oficial na cara, no ânimo, na alma. Tem um patrimônio superior a 40 milhões de votos e outros 20 milhões a conquistar. Tem as linhas gerais de um programa, como veremos em outro post. E tem um estadista, Fernando Henrique Cardoso, acumulando as funções de patriarca e ideológo.
Faltam líderes que efetivamente representem a oposição real, e não há vagas nesse grupo de elite para quem faz o que fez Serra na campanha de 2010. Falta um partido que se oponha ao governo antes e depois da eleição, livre-se dos delinquentes de estimação e não perca tempo com intrigas domésticas. O PSDB até pode transformar-se nesse porta-voz da resistência democrática. Por enquanto, não é.

01 dezembro 2010

Dilmula faz reforma ministerial

Leia editorial do Estadão: (O título parte meu, visto que o Estadão traz: "A 'reforma ministerial'"):
Nunca se deve subestimar o gosto do presidente Lula pelo som da própria voz. Ainda assim, é improvável que neste seu derradeiro mês no Planalto ele ainda tenha tempo de proferir uma falsidade comparável às suas reiteradas garantias de que não indica nomes para Dilma Rousseff porque o futuro Ministério tem de ter “a cara” dela. Teria se a sucessora tivesse barba e bigode. De fato, o que se desenrola em Brasília nas últimas semanas, à vista do País, é menos a constituição de um novo Gabinete, de acordo com as preferências pessoais e os compromissos políticos de um líder em vias de assumir a Presidência, do que outra reforma ministerial do governo Lula.
Foi ele, afinal, quem manteve nos seus lugares - por enquanto - o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o titular da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Dilma também fez a vontade de Lula trazendo o antecessor de Mantega, Antonio Palocci, para a Casa Civil, o coração do poder. Nesse caso, aliás, pode-se falar em indicações em sequência. Foi Lula quem instalou o ex-ministro na cúpula da campanha da sua apadrinhada, de onde ele desalojou o amigo mais próximo da candidata, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte. Passada a eleição, nada mais natural que Palocci conduzisse a transição de governo.
A lista continua. Por escolha do presidente, ficará no Planalto, porém em outra sala, o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, transferido para a Secretaria-Geral da Presidência. Ainda graças a Lula, sairá do Planalto, em direção à Esplanada, a assessora Miriam Belchior, promovida a ministra do Planejamento - cujo titular, Paulo Bernardo, deverá por sua vez migrar para as Comunicações. Lula ainda se movimenta para manter no governo, embora não mais no Banco Central, o atual presidente Henrique Meirelles. Na montagem da coligação dilmista, Lula tentou emplacar o seu nome como vice, mas o PMDB exigiu Michel Temer.
Agora, com o aval do patrono de Dilma, Meirelles ocuparia o futuro (e cobiçado) Ministério dos Portos e Aeroportos. Lula também aconselhou a sua pupila a conservar Nelson Jobim na Defesa e Marco Aurélio Garcia como assessor internacional. Teria feito o mesmo por Carlos Luppi no Trabalho e por Sérgio Gabrielli na Petrobrás. Em relação a todos eles, as preferências do presidente ou nem precisavam ser enunciadas ou foram transmitidas com relativa discrição. Caso excepcional é o do ministro da Educação, Fernando Haddad, cujo cargo, vorazmente disputado pela companheirada paulista, parecia fadado a mudar de mãos, depois dos sucessivos fiascos do Enem.
Os políticos petistas não gostam do acadêmico Haddad porque ele não lhes dá a atenção de que se julgam merecedores. Mas o presidente gosta de sua atuação - a ponto de transformar três eventos da área do ensino, anteontem, em comícios de campanha ministerial. Foi no primeiro deles que Lula deu o seu show de hipocrisia ao negar de pés juntos que interferira na montagem do Ministério. O que, aliás, vem repetindo todos os dias, desde que a formação do Ministério de Dilma passou a ocupar lugar predominante no noticiário político, recorrendo, como sempre, às metáforas futebolísticas tipo “o técnico tem de ter liberdade para mudar seu time”.
Já se escreveu que jamais um presidente brasileiro interferiu tanto na composição da equipe do sucessor. Mas a verdade é que a presente conjuntura é única na história da democracia brasileira. Antes de 1964, só um presidente (Vargas) viu eleger-se quem apoiava (Dutra). Depois da ditadura, Sarney herdou o governo que Tancredo montara, Itamar completou o mandato de Collor, com a glória do lançamento do Real, Fernando Henrique e Lula foram os seus próprios sucessores. Para completar o ineditismo, elege-se presidente uma figura que nunca disputou um mandato, carente de base política própria, escolhida, construída e conduzida à vitória por seu mentor.
Mesmo que Lula fosse honesto ao falar em “rei morto, rei posto”, seria apenas natural que Dilma Rousseff fosse bater à sua porta na hora de escalar o seu time. O Brasil terá quatro anos para saber até onde irá essa dependência

Base alugada PT-PMDB briga pelo butim e ameaça governo Dilmula

Por Denise Madueño, Eugênia Lopes e Christiane Samarco, no Estadão:
O PT e o PMDB na Câmara estão convencidos de que, por enquanto, só o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está satisfeito com a montagem do ministério de Dilma Rousseff. E já ameaçam criar problemas para a presidente eleita. Parlamentares dos dois partidos ficaram irritados com a indicação à revelia das bancadas do petista Paulo Bernardo para as Comunicações e do peemedebista Sérgio Côrtes, na pasta da Saúde.
Ignorados no processo de escolha, petistas e peemedebistas - incluído aí o vice-presidente eleito, deputado Michel Temer (PMDB-SP) - não conseguiram, até agora, emplacar seus indicados e sentem-se desprestigiados. Os mais nervosos advertem que está em jogo a governabilidade no mandato de Dilma, porque serão os deputados que vão votar os interesses do Palácio do Planalto no Congresso.
Os nomes do PT e do PMDB já divulgados não passaram pelas bancadas federais, nem tampouco são ministros com os quais os parlamentares que dão sustentação ao governo no Congresso se identificam. A exemplo do que fez Lula, os dois partidos apontam uma manobra para impingir mais uma vez aos deputados o apadrinhamento de ministros na cota da bancada.
Cota fluminense. O indicado para a Saúde, Sérgio Luiz Côrtes da Silveira, é apadrinhado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Côrtes é secretário estadual de Saúde do Rio e médico ortopedista. Chega ao futuro governo Dilma na cota do PMDB fluminense. É o segundo nome que Cabral emplaca na Saúde. Em março de 2007, ele indicou o sanitarista José Gomes Temporão, até hoje no cargo.
Em conversas reservadas, integrantes do PMDB afirmam que Côrtes não representa o partido na equipe, pois entra na cota de Cabral. A indicação irritou os peemedebistas a tal ponto que Temer - que insiste em fazer Moreira Franco ministro de sua cota pessoal - recebeu manifestações de solidariedade na bancada. Sérgio Cabral, afirmam os deputados, nunca consultou o partido sobre a indicação.
Clã petista. No PT, a reclamação é semelhante. A indicação de Paulo Bernardo, hoje titular do Planejamento, para a pasta das Comunicações é vista como uma articulação de Dilma e Lula.
A pasta, que ganhará musculatura no novo governo, transformou-se no xodó de Dilma e poderá ganhar assento nas reuniões semanais da coordenação política de governo. Atualmente o Ministério das Comunicações abriga o Plano Nacional de Banda Larga - programa para universalizar a internet rápida - e é responsável pela regulamentação das concessões de rádio e TV. Cuidará, ainda, da nova lei de comunicação digital.
Os deputados do PT não se consideram representados pelo futuro primeiro escalão já escolhido: Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento), Fernando Haddad (Educação), Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral). Apesar de petistas, não são escolhas da bancada. No caso de Haddad, as críticas são maiores. Petistas afirmam que o ministro fez campanha só para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), escanteando os 17 deputados de São Paulo.
Disciplinados, os petistas não ameaçam retaliação ou enfrentamento com o governo. O mesmo não ocorre com o PMDB. “Os deputados do PT vão votar tudo, mas a bancada do PMDB para votar tem de ter apoio do governo”, resumiu um peemedebista insatisfeito.

Sultão "Dilmula" quer comprar avião nababesco de R$ 500 milhões

Por Igor Gielow e Breno Costa, na Folha: (O título é meu!!)
O presidente Lula fez ontem uma defesa enfática da compra do Aerodilma, o novo avião que deverá substituir o Aerolula. “Não tem por que não comprar. Acabou aquela bobagem do Aerolula. Acho que o Brasil precisa de um avião com mais autonomia para o presidente.” A negociação do avião foi revelada pela Folha anteontem. Há duas opções na mesa, que podem custar até mais de R$ 500 milhões, cinco vezes o custo do atual avião do presidente.
Lula disse ontem no Maranhão que “o Brasil passa humilhação” porque a autonomia do Aerolula é limitada, impedindo voos sem escala a vários locais. As opções estudadas preveem ida até a Ásia sem as atuais duas paradas. O presidente confundiu o Aerolula, um moderno Airbus-319 executivo, com o antigo avião presidencial -o Boeing 707 conhecido como Sucatão, que ainda serve à FAB como avião-tanque. “Você deveria perguntar para a imprensa que viajou num Sucatão para saber o que é uma viagem presidencial. O Brasil não pode ser um país grande do jeito que é, e ter um comportamento humilhante muitas vezes lá fora”, disse. Lula quer fechar o negócio para evitar desgaste da presidente eleita, Dilma Rousseff, no episódio. Ela não se manifestou sobre a compra, mas sua equipe econômica adotou discurso da necessidade de corte de gastos.
Não há verba orçamentária, mas o financiamento é de longo prazo e depende da aprovação de um projeto pelo Congresso. O presidente indicou que a escolha pode recair na compra de dois novos aviões de transporte e reabastecimento aéreo. Um deles viria com uma área VIP, e seria usado em voos intercontinentais. O consórcio europeu EADS já ofertou à FAB o Airbus-A330MRTT, um avião pelo qual a Austrália pagou R$ 516 milhões em 2008.

Americanos não se enganavam com o Luladilma e os brazucas

Por Jamil Chade, no Estadão:Um governo permeado pela corrupção, defensor de posições polêmicas em relação ao Irã e com um profundo sentimento antiamericano. Essa era a percepção que a diplomacia americana mantinha sobre o governo Lula, de acordo com mensagens sigilosas trocada pelo embaixador no Brasil e o Departamento de Estado entre 2008 e 2009. As mensagens foram divulgadas ontem pela organização WikiLeaks.
Os documentos escancaram uma realidade de desconfiança mútua e uma acirrada disputa no interior do governo brasileiro sobre qual estratégia adotar em relação a Washington. Do lado americano, não se esconde a necessidade de contar com o Brasil como um estabilizador na América Latina, obrigando a Casa Branca a insistir em aprofundar a relação.
Isso não impediu, porém, que os diplomatas americanos fizessem avaliações duras sobre Lula, indicando uma gestão marcada pela corrupção entre seus “mais próximos aliados”, assolado pela “praga” da compra de votos e sem ter dado uma resposta ao crime no Brasil. A crítica é feita pelo ex-embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel. “O governo Lula tem sido afetado por uma grave crise política”, afirma o documento, citando “escândalos e tráfico de influência”.
“A principal preocupação popular - crime e segurança pública - não diminuiu durante sua administração (de Lula)”, informa um telegrama enviado ao Departamento de Estado. O documento, de 2008, insinua que o Bolsa-Família o ajudou se reeleger em 2006. “Lula foi eleito em 2002 em grande parte pela promessa de promover um agenda social ambiciosa, incluindo generosos pagamentos aos pobres. Diante da popularidade dessas medidas, ele foi reeleito em 2006″, completou. Um outro documento deixa clara a percepção americana sobre o Brasil: “Cooperação amistosa. Mas não uma forte amizade.”
Para Washington, a resistência vem diretamente do Itamaraty que “mantém uma tendência antiamericana”. “O governo de centro-esquerda tem evitado uma cooperação mais estreita em temas políticos e militares e tem nos mantido a uma certa distância dos temas de segurança.”

Luladilma se diz a " encarnação do povo", ou: o povo é encarnação dele

Por Leonencio Nossa, no Estadão. O título é meu:
A um mês de deixar o Planalto, o presidente Lula revelou ontem que, na crise do mensalão, em 2005, ameaçou o Congresso dizendo-se “a encarnação do povo”. Ele aproveitou um discurso de improviso durante visita ao canteiro de obras da usina hidrelétrica de Estreito para relatar encontros privados com o senador José Sarney (PMDB).
“Uma vez o Sarney foi conversar comigo e eu disse: Sarney, eu só quero que o senhor diga lá dentro (Congresso Nacional) o seguinte: Se eles (oposição) tentarem dar um passo além da institucionalidade, eles não sabem o que vai acontecer neste País”, relatou. “Este País teve presidente que foi embora, presidente que se matou ou foi cassado. Eles vão saber que eu sou diferente. Que não é o Lula que está na Presidência, mas a classe trabalhadora”.
Lula confidenciou que tinha “muita dúvida” se teria condições de governar o País. “Este País já tinha criado as condições para o Getúlio Vargas se matar, não deixar o Juscelino assumir e cassou o João Goulart. Eu falei: o que eles vão aprontar comigo? E eles tentaram em 2005. Só que eles não sabiam que este País, pela primeira vez, tinha eleito um presidente que era a encarnação do povo, lá em Brasília.”
Comento:
A gente não vai se livrar assim tão facilmente do Lula, não!
Afinal, ele estará começando dia 1 de janeiro o seu terceiro mandato usando a alcunha de Dilma Roussef...E se preparando para voltar em 2014 - que Deus nos livre!

PMDB de Luladilma: um animal predador, de dentes afiados

Vejam o que diz Reinaldo Azevedo (Veja.com):
Mas o que é o PMDB? Uma federação que reúne os bichos mais estranhos e díspares. Só que há um comando. E os patriotas que estão no topo da cadeia alimentar são Michel Temer, o vice-presidente eleito; os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), e os deputados Henrique Eduardo Alves (RN) e Eduardo Cunha (RJ). E essa gente está bastante descontente com a “reforma ministerial” promovida por Lula.
A presidente eleita, Dilma Rousseff, quer dar cinco ministérios para o partido, que acha pouco. Os predadores consideram que a Defesa, onde fica Nelson Jobim, e a Saúde — o provável indicado é Sérgio Cortês — são da cota pessoal da presidente eleita. Faz sentido? De certo modo, sim. Jobim não ocupa a vaga por indicação partidária, todo mundo sabe. Cortês, diz agora Sérgio Cabral, governador do Rio, não foi exatamente indicação sua, mas escolha de Dilma.
Assim, aquele grupo que exerce a hegemonia no partido até se contentaria com as cinco pastas, mas descontadas as duas — ou seja, sete. E quer uma compensação pela perda do Ministério das Comunicações, que vai para o petista Paulo Bernardo. Além do patriotismo que lhes é muito próprio, os peemedebistas precisam de cargos para acomodar a máquina partidária. A Defesa, apesar de um belo naco do Orçamento, não se presta muito a esse papel. Também não tem capilaridade para “fazer política pública”, entenderam? A Saúde é um latifúndio, sim, mas, hoje, mais desgasta do que rende dividendos. E é uma pasta bastante submetida à vigilância da imprensa. Mais: Dilma concentrou boa parte de suas promessas eleitorais nessa área: fará, para o bem e para o mal, o que achar melhor, independentemente do que queiram os peemedebistas.
Antonio Palocci, o futuro chefe da Casa Civil, já está em campo, tentando apaziguar os ânimos. Está lá para isso. A equação é delicada. O PMDB percebeu que o núcleo decisório do governo, o primeiríssimo escalão mesmo, aquele onde as coisas de fato se decidem, ficou com uma equipe de lulistas. Nem à presidente eleita coube escolher muito. Lula é uma espécie de Putin informal de sua Medvedev.
Alijado do centro do poder, o PMDB quer ministérios que tenham dinheiro e que lhe dê condições de manter satisfeita, com cargos e obras, a faminta máquina partidária. Ou ameaça fazer valer o seu “poder de fogo” no Congresso.

25 novembro 2010

Acorda, oposição!!!!

Veja este texto primoroso de Augusto nunes (Veja.com), que gostaria de ter escrito:
A iminente troca de gerente não afetou a produtividade da usina de escândalos, safadezas e espantos em geral instalada há oito anos no coração do poder. Ainda atônito com as bandalheiras da quadrilha de Erenice Guerra, dos estupradores de sigilo fiscal ou dos fabricantes de dossiês bandidos, que se juntaram para reduzir a campanha presidencial de 2010 a um evento político-policial, o país que presta foi abalroado desde o primeiro minuto do mês pelos assombros de novembro.
Não há perigo de melhorar, reiteraram, entre outras obscenidades, a tentativa de exumação da CPMF, o segundo naufrágio do Enem, a descoberta de uma advogada sanguessuga na equipe de transição, o balcão de barganhas cafajestes explorado pelo PT e pelo PMDB ou as recorrentes ofensivas federais contra a liberdade de imprensa. A turma parece cada vez mais cínica, ressalvou a discurseira triunfalista inspirada no Brasil Maravilha que Lula inventou sobre os escombros legados por Fernando Henrique. Mas o governo, em sua essência, continua o mesmo.
A oposição oficial também continua a mesma, berrou o silêncio indecoroso dos líderes do PSDB — alguns em férias, outros cuidando da montagem de equipes, os restantes imersos no recesso oficioso que começa depois de uma eleição e acaba quando vai chegando a seguinte. Posto em sossego, o maior partido oposicionista não captou ou não entendeu o recado das urnas. Nem alcançou as dimensões de uma oportuníssima advertência formulada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sempre ele.
“Não estou disposto mais a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história”, perdeu a paciência FHC numa entrevista concedida à Folha na noite de 31 de outubro, quando Dilma Rousseff ainda ensaiava o discurso da vitória e José Serra tentava adiar a cerimônia do adeus com um improvável “até logo”. Caso fosse menos tolerante, FHC poderia ter dito a mesma frase já em 2002, quando Serra adotou a estratégia da covardia reprisada por Geraldo Alckmin em 2006 e levada às últimas consequências neste ano.
Os dois fracassos anteriores sedimentaram a suspeita de que o maior partido de oposição não sabe fazer oposição. A suspeita virou certeza depois do fiasco da campanha de 2010 — a mais errática, inepta, insossa e pusilânime campanha conduzida por um candidato do PSDB. A coleção de equívocos, cretinices e monumentos à insensatez não cabe num post só. Veja-se neste texto, portanto, apenas o ponto de partida para o debate que se desdobrará em mais artigos e em centenas de comentários enviados pelo timaço da coluna.
IMPOSTURA TEM LIMITE
Se Dilma Rousseff foi a adversária que todo candidato pede a Deus, Serra soube ser o candidato com que sonha a mais bisonha adversária. Se o PT seguiu protagonizando bandidagens e trapalhadas suficientes para ser enterrado sem honras por dois ou três discursos de um Carlos Lacerda ou de um Jânio Quadros, o PSDB reafirmou a vocação para desperdiçar em tiroteios domésticos a munição que não ousa usar contra o alvo verdadeiro. O candidato e o partido se mereceram. Quem merece coisa bem melhor é a imensidão de brasileiros insatisfeitos com o governo. Merece e, até que enfim, passou a exigir.
“Esses 44 milhões que votaram em José Serra não são do PSDB”, compreendeu FHC. “É uma parte da sociedade brasileira que pensa de outra maneira, e não se pode aceitar a ideia de que há uma separação entre pobres e ricos. Nunca vi uma elite tão grande”. O Brasil dos descontentes é infinitamente maior que Serra e muito mais combativo que o PSDB, registrei num post aqui publicado no mesmo dia da entrevista de FHC. No primeiro turno, incontáveis eleitores frustrados com a tibieza do candidato tucano optaram por Marina Silva. No segundo, digitaram o número de Serra para votar na democracia.
O PSDB continuará distante desse colosso eleitoral se não se der conta de que, depois deste 31 de outubro, não chances de sobrevivência para quem se declara adversário do governo mas não sabe, ou não quer, interpretar o pensamento e as aspirações da resistência democrática. Os líderes que não aprenderem a opor-se o tempo todo logo não terão ninguém a liderar, e serão substituídos por quem souber que a prudência não pode anular a bravura. Sobretudo, não haverá esperança de salvação para políticos que engolem sem engasgos a discurseira que, simultaneamente, amaldiçoa o grande governo de FHC e celebra o faz-de-conta da potência sul-americana, como se algo de grandioso pudesse vicejar na Era da Mediocridade.
A ausência de réplicas tucanas aos palavrórios de novembro atesta que, até agora, o recado de FHC não interrompeu a interminável siesta pós-eleitoral. “Eu recebi uma herança maldita”, Lula mentiu de novo em Seul, na reunião do G-20. Enquanto a oposição oficial fazia cara de paisagem, um editorial do Estadão recolocou as coisas no lugar. “Para que a memória do país não fique contaminada pela falta de memória do nosso ‘pato manco’”, rebateu o último parágrafo, “convém lembrar (…) a derrubada da inflação com o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a criação do Proer, a criação das agências reguladoras, as privatizações, especialmente da telefonia, da Vale, da Embraer (…). Lula e o PT foram contra tudo isso”.
Quem não teme revides da oposição diz o que lhe dá na telha ou o que chefe manda, mostrou há dias Dilma Rousseff em outro improviso desbeiçado. “O grande desafio é dar um salto e avançar em cima dessa herança bendita, que tem sempre um grande peso e que para honrá-la temos que ser inovadores”, decolou a oradora aprendiz, a bordo do “momento mágico vivido pela nação” e dos “indicadores sociais de países desenvolvidos” que Lula colheu sabe-se lá em qual das tantas hortas de sabujices. Ninguém no PSDB indignou-se com a novidade: depois de vender anos a fio a fraude da “herança maldita”, o camelô de si mesmo resolveu lançar na praça, pela voz da protegida, o embuste da “herança bendita”.
Nenhum deputado, senador, governador ou cartola partidário julgou necessário antecipar-se ao que escreveu José Roberto Guzzo na edição de VEJA desta semana. “O Brasil não tem um único indicador comparável aos do Primeiro Mundo em áreas fundamentais como educação, saúde, esgotos, transporte coletivo, criminalidade, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e por aí afora”, corrigiu o colunista. “Não tem competência, sequer, para montar um exame de escola como o Enem”.
Com ou sem o PSDB, a oposição real vem defendendo o legado de Fernando Henrique com a convicção obstinada que sempre faltou à oficial. Com ou sem o partido, a oposição de verdade está também decidida a matar no nascedouro a farsa concebida para substituir a realidade por um Brasil de cartão postal e anúncio da Petrobras. É preciso ensinar ao governo que impostura tem limite. E o PSDB precisa aprender que quem vive morto de medo acaba morrendo de inanição.

A verdade sobre a economia monetária brasileira: Lula não se conforma de não ter criado o Real e os fundamentos da economia e por isso ataca FHC

Em 28 de fevereiro de 1986, acuado pela escalada da inflação, o governo do presidente José Sarney não se limitou a cortar três zeros do cruzeiro, como fizeram quase todos os antecessores desde os anos 50. Também aposentou a velha moeda e criou o cruzado.
Três anos depois, ainda no governo Sarney, novamente sumiram três zeros e o cruzado foi substituído pelo cruzado novo.

Em 1990, dois meses depois da posse, o presidente Fernando Collor repetiu o truque da troca de nome com zeros a menos, aposentou o cruzado novo e ressuscitou o cruzeiro.

Em agosto de 1993, já com Itamar Franco no lugar de Collor, o governo amputou três zeros do cruzeiro e criou o cruzeiro real.

Em julho de 1994, último ano do governo Itamar, o real nasceu no bojo do plano com o mesmo nome concebido por uma equipe de economistas sob o comando do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Em circulação há 16 anos, a moeda continua exibindo a saúde que faltou às versões anteriores, todas fulminadas pela inflação selvagem.
Instados a lidar com a maldição cinquentenária, Itamar Franco e FHC dispensaram-se de lamúrias, derrotaram o inimigo aparentemente invencível e enjaularam a inflação que parecia indomável. Herdeiro de um país financeiramente estabilizado, Lula foi o único presidente, além do antecessor, que não precisou encomendar à Casa da Moeda cédulas com outro nome, zeros a menos ou zeros a mais. Desde 1994, da menor fração à cédula de 100 reais, nada mudou.
“Recebi um país em péssima situação”, vive mentindo Lula. “Nós assumimos um país com a inflação descontrolada”, vive mentindo Dilma Rousseff. A permanência, a longevidade e a solidez da moeda são a prova mais contundente de que Lula, beneficiário da herança bendita, segue espancando os fatos para expropriar de FHC a paternidade do histórico ponto de inflexão: quem tem menos de 25 anos nem faz ideia do que é inflação.
Em paragens menos embrutecidas, pais-da-pátria que assassinam a verdade em público se arriscam a ter a discurseira interrompida por chuvas de dinheiro metálico. Graças a FHC, Lula e Dilma estão livres desse perigo: há 16 anos, os brasileiros não jogam fora sequer moedas de 5 centavos. A julgar por seu desempenho na campanha eleitoral de 2010, a oposição oficial nunca soube disso.

Uma "bala" no trem

Por Dimmi Amora e Leila Coimbra, na Folha:
As empresas francesas de trens de alta velocidade vão desistir de participar do leilão do trem-bala do Brasil se ele for confirmado para a próxima segunda-feira. Alemães e espanhóis devem seguir o mesmo caminho, conforme apurou a Folha. Os grupos multinacionais estão sendo procurados desde a semana passada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para formarem consórcios com empresas nacionais, mas ainda apostam num adiamento do leilão por parte do governo. Com a desistência francesa, o governo fica ainda mais pressionado a tentar conseguir que pelo menos mais um consórcio entre na disputa.
Até agora, só o grupo sul-coreano, formado pela estatal operadora Korail e pela fabricante Rotem/Hyundai e que teria mais 20 empresas nacionais e estrangeiras, confirma que fará proposta. A França foi o segundo país a deter a tecnologia, em 1981. Sua fabricante de equipamentos, a Alstom, é a que tem mais trens de alta velocidade em operação no mundo. É investigada por suspeita de pagamento de propina por contratos no Brasil. Os japoneses, pioneiros na tecnologia, também não devem entrar no negócio. Uma fonte do país classificou como “muito difícil” a participação no projeto que prevê ligar Campinas-SP-Rio se o leilão for na segunda.
Um grupo de 20 empreiteiras de São Paulo ligadas à Associação de Empreiteiras de Obras Públicas e que se apresentou como interessado desistirá se a data for mantida. Para realizar o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, o governo forjou um consórcio de última hora com a estatal da Eletrobras e subsidiárias garantindo 49% do projeto. No caso do trem-bala, essa possibilidade é mais remota. Isso porque o edital exige que o consórcio tenha um fabricante e um operador desse tipo de trem.
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Comento
E aqui em Manaus, como vão as coisas com o VLT? Por que a gente também não mete uma "bala" nele? Olha que até o Negão Amazonino Mendes não gosta do troço. Aonde existe é dificitário e cheio de problemas técnicos, além de ser muito cara a tarifa, que tem de ser subsidiada. Ora, vão-se...

Um dos 3 porquinhos, José eduardo Cardoso (PT-SP), deve ir para o MJ

Por João Domingos e Vera Rosa, no Estadão. O título do texto não foi dado pelo jornal. Na prática, sua autora é Dilma Rousseff (veja o vídeo):
O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) é o nome mais cotado para ser o novo ministro da Justiça. Ele tem mantido seguidas reuniões com a presidente eleita, Dilma Rousseff, para tratar de temas relativos à pasta da Justiça no próximo governo. Cardozo é também um dos três principais integrantes da equipe de transição de Dilma.
Dos temas relativos à segurança que vêm sendo debatidos entre a presidente eleita e Cardozo estão a continuidade da instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em pontos tomados pelo crime organizado, como as favelas do Rio, e também formas de combater o crack.
Este é um assunto que foi muito estudado pela equipe do programa de governo de Dilma Rousseff. E ela sempre falava na questão do crack tanto nas entrevistas coletivas durante a campanha quanto nos debates, quando as perguntas tratavam de temas relativos à segurança pública.
Tanto Dilma quanto Cardozo acreditam que serão necessárias ações de repressão ao tráfico do crack, no seu nascedouro, e diretamente nas cracolândias. Paralelamente, acham que o governo deve investir no apoio aos centros de recuperação de drogados que já existem, além da criação de novos.
Eles entendem ainda ser necessária uma ação nas fronteiras para o combate ao tráfico de drogas e de armas. Dilma é especialmente encantada com os Veículos Não Tripulados (Vants) comprados de Israel e que estão em fase de teste pela Polícia Federal. Quer adquirir novos modelos. Cardozo concorda com essa política e defende continuar a gestão do ex-ministro Tarso Genro - a começar pela independência e profissionalização da Polícia Federal (PF).
Perfil. Cardozo não se candidatou à reeleição como deputado federal pelo PT de São Paulo. Ele é secretário geral do partido e integra a corrente Mensagem ao Partido, da qual faz parte também o ex-ministro Tarso Genro, atual governador eleito pelo Rio Grande do Sul.

Celso Amorim = Nelson Jobim = 2 bestas quadradas

Leia editorial do Estadão:
É intelectualmente pobre - e moralmente esquálida - a argumentação com que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tentou justificar a abstenção do Brasil diante de um projeto internacional de resolução condenando o Irã por “violações recorrentes de direitos humanos”. Apresentada por 24 países liderados pelo Canadá ao comitê da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) voltado para essas questões, a proposta destacou entre tais violações o apedrejamento como método de execução.
Foi uma referência óbvia à situação da iraniana Sakineh Ashtiani, sentenciada à lapidação por ter cometido adultério - embora fosse viúva. Diante dos protestos mundiais contra o que a presidente eleita, Dilma Rousseff, viria a qualificar como “uma coisa bárbara, mesmo considerando usos e costumes de outros países”, o Irã aparentemente modificou a forma da pena de morte para enforcamento, sob a alegação, fabricada às pressas, de que Ashtiani também assassinara o marido.
No comitê de direitos humanos da ONU, a resolução foi aprovada por 88 a 44 votos, com 57 abstenções. Por ação ou omissão, ficaram do lado do regime liberticida de Teerã, além do Brasil, países como Cuba, Benin, Líbia, Síria, Sudão e Venezuela. Entre os vizinhos, Chile e Argentina votaram contra o Irã. Não é a primeira vez que, no governo Lula, o Brasil se nega a condenar notórios violadores das garantias fundamentais da pessoa, como se o país não tivesse firmado as convenções internacionais mais significativas a esse respeito, a começar da Carta da Organização das Nações Unidas.
Para o chanceler Amorim, a via mais efetiva para sustar os abusos perpetrados por ditaduras ou democracias de vitrine é o diálogo a portas fechadas. Manifestações públicas e o apoio a sanções adotadas pela comunidade internacional, segundo ele, servem apenas para agradar a imprensa e “algumas ONGs”.
Trata-se de uma consternadora deturpação dos fatos. Compromissos em privado e pressões ostensivas estão longe de se excluir. Ao longo da história, muitas vidas foram salvas graças a diferentes modalidades de combinação, ditadas pelas circunstâncias, entre ambos os recursos.
A crer no ministro, o Brasil teria se abstido de alma leve na recente votação por duas razões. Primeiro, porque “falamos diretamente (da questão do apedrejamento) com o governo do Irã”, o que seria muito mais eficaz do que as condenações aprovadas por outros países sem as mesmas “condições de diálogo” com Teerã. E segundo, porque o País teria contribuído para a alegada decisão iraniana de suspender a lapidação. “Não posso atribuir ao Brasil, porque seria pretensioso”, disse o chanceler, impado de pretensão, “mas em várias ocasiões já nos foi assegurado que o apedrejamento não vai ocorrer.”
A recusa do Itamaraty a afirmar na cena mundial os valores que o Brasil adotou com a redemocratização não apenas os subordina a um cálculo de conveniências que nem sequer demonstram ser vantajosas, mas prejudicam o País na frente externa.
Governos muitas vezes decidem patrocinar ou endossar condenações a regimes de força também para mostrar à opinião pública internacional de que lado se encontram da divisa que separa o humanismo da insensibilidade moral. O mundo decerto não é uma confraria de querubins. Mas não há atenuantes para a cumplicidade com a barbárie.
No governo brasileiro, por sinal, há quem vá mais longe nesse rumo do que o chanceler Amorim. Trata-se do seu colega da Defesa, Nelson Jobim. Para ele, “essa questão de direitos humanos é ocidental” e o apedrejamento da iraniana não é “problema nosso”.
Numa caricatura rústica do conceito de relativismo cultural, Jobim chega a negar a existência de valores universais. O que há “são hábitos”, e o Ocidente não pode impor as suas concepções. A pretensão de fazê-lo, segue o disparate, é o que “produz intolerância” - e pode levar os países a “importar o terrorismo”. Fosse Jobim ministro da Defesa de uma ditadura, o bestialógico ainda poderia ser interpretado como uma forma de autoproteção. Nas circunstâncias atuais, é simplesmente incompreensível.

24 novembro 2010

Serra desmente Lula, que continua em campanha

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:
O ex-governador José Serra (PSDB) respondeu nesta quarta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou um pedido de desculpas do tucano pelo episódio da “bolinha de papel” durante a campanha presidencial (ver posts abaixo).
Serra disse que Lula está em campanha para 2014 ao “mentir”. já que foi de fato atingido por um objeto durante visita ao Rio de Janeiro, além de uma bolinha de papel: “Ele continua fazendo campanha, talvez já tenha começado sua campanha para 2014, e dizendo mentiras inclusive muito pouco apropriadas para a figura de um presidente da República”, afirmou.
(…)Serra disse que o petista vai deixar uma “herança bastante adversa” para sua sucessora Dilma Rousseff (PT) com problemas na economia do país. “Está deixando um grande nó para o próximo governo, um nó de difícil solução que vai custar muito caro ao país: déficit público maquiado, inflação ascendente, o maior déficit de balanço de pagamentos da nossa história, câmbio supervalorizado com o crescimento descontrolado das importações.”
O tucano classificou de “megalomaníaco” o projeto de construção do trem-bala do governo federal e se mostrou contrário à recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). “Essa história de que vai repartir CPMF entre governo federal, Estados e municípios é conversa.”
Serra se reuniu no Congresso com lideranças do PSDB na Câmara e no Senado para fazer um balanço da campanha eleitoral.
O tucano fez mistério sobre seu futuro político ao afirmar que não tem planos para as próximas eleições. Ele negou que esteja negociando sua indicação para a presidência do PSDB ou do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao partido. “Não estou em campanha. Estou me recuperando fisicamente da campanha, procurando trabalho, decidindo o que vou fazer para ganhar a vida. E vou continuar, como desde os 20 anos de idade, no trabalho político.”
COPA
Serra também reagiu às críticas do presidente Lula de que o governo de São Paulo atendeu a “interesses comerciais” para desistir do Morumbi para sediar a abertura da Copa de 2014. O presidente fez as críticas nesta quarta-feira durante entrevista a blogueiros.
“Ele fez promessas e mais promessas para o São Paulo, o Morumbi, e na hora “h” tirou o time. Os compromissos que o governo do Estado assumiu em relação ao estádio ele cumpriu. Aquilo que competia ao governo federal, ficou só no trololó.”
O tucano disse estar “assombrado” com a postura de um presidente “que deveria estar governando o Brasil, mas continua fazendo campanha”. “Parece que isso o Lula sabe fazer: campanha e mentir. É o que ele mais sabe fazer na vida, aparentemente.”
Serra reagiu ainda às acusações do petista de que fez uso político do acidente com o Airbus da TAM em 2007, época em que governava o Estado de São Paulo. “É um comentário muito raivoso, são muitos anos. Ele poderia perfeitamente ter tido isso há muitos anos e não o faria porque soaria como piada de mau gosto.”

Os 3 da economia de Dilma "Lula": a realidade exige corte de gastos

Para tentar afastar as dúvidas sobre a postura fiscal no próximo governo, Mantega disse que vai reduzir da dívida pública de 41% do PIB para 30% do PIB, em 2014, e enfatizou que, depois do aumento dos gastos nos últimos anos, “2011 será um a no de recuperação fiscal com corte de gastos de custeio para aumentar a poupança pública”. Nesse linha, avisou que o BNDES receberá menos recursos e que os financiamentos necessários terão que ser supridos pelo setor privado. Nos últimos meses, o BNDES recebeu aporte de mais de R$ 180 bilhões.
Para controlar as contas públicas, Mantega citou como fundamental que não sejam aprovados projetos em tramitação no Congresso, entre eles a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 300, que eleva salários na área de segurança pública. Segundo o ministro, isso representaria aumento de gastos de R$ 46 bilhões para a União, Estados e municípios.
Além disso, Mantega citou aumento do Judiciário, reajuste de aposentados que ganham mais do que dois salários mínimos, aumento do salário mínimo acima dos R$ 540 negociados pelo governo e recomposição salarial dos funcionários públicos federais. Mantega deu entrevista no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), ao lado de Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central), que compõem a equipe econômica da presidente eleita, Dilma Rousseff.
Comento
Viram como a realidade se impõe? Mantega - o "desenvolvimentista que deu asas à gastança de Lula - agora terá de fazer o inverso: cortar gastos. 
Meirelles - o "monetarista", responsável pela moeda e por segurar a inflação (+imposto de pobres) - foi "defenestrado" pela Dilma-Lula justamente por isso.
Dilma-Lula prometeu baixar os juros. Só não disse - porque não sabia, ou não queria saber - se isso era possível. Para não ter de aumentar os juros, terá de cortar despesas - o que nenhum governo sabe fazer, ou não quer. Agora eu quero ver o "c" da cotia assobiar...

12 novembro 2010

Dilma de Lula: a leitora que dorme na segunda página_Por Augusto Nunes

O jornalista Celso Arnaldo Araújo nem precisou embarcar com Dilma Rousseff para acompanhá-la numa espantosa viagem pelo mundo dos livros. Entre outros assombros, o caçador de cretinices descobriu uma das grandes diferenças entre a presidente eleita e Lula. O criador não esconde a invencível aversão por leituras. A criatura finge que lê. Confira:
“Dilma Rousseff não viaja se não tiver três livros na bagagem”, avisa a repórter Catia Seabra, enviada especial da Folha à Alemanha, confiando cegamente em sua fonte – no caso, a própria Dilma.
A jornalista viajou, na First da TAM para Frankfurt, a caminho de Seul, por intermináveis 11 horas, ao lado da presidente eleita – que voa em aviões de carreira enquanto não puder estrear o Aerodilma.
Sim, “três livros na bagagem”, relata a Folha de hoje. Pode ter sido apenas uma força de expressão da repórter – aliás, um surrado clichê jornalístico. Algo como: “Paul McCartney chegou ao Brasil trazendo na bagagem o desejo de fazer aqui os melhores shows de sua vida”. Isto é: o “na bagagem”, nesses casos, tem o sentido metafórico de continente de um conteúdo também imaginário.
Mas nada mais adequado à dobradinha Dilma-livros. Mesmo porque, a jornalista volta à fantasia no final de sua crônica aérea: “Na bagagem, carrega um iPad e três livros”. E aspeando Dilma: “Se eu não tiver três livros, sei lá. Não fico bem.”
Sei lá: Dilma se contenta apenas em “ter” os três livros? Ler não está nos planos de viagem? E o que significa esse “não fico bem?” Será que, para Dilma, livros em viagem têm o efeito daqueles paninhos de estimação que crianças carregam pra baixo e pra cima e sem os quais não dormem?
De qualquer forma, como a repórter não conta ter visto a presidente sequer folheando um dos três anônimos livros-paninhos durante as 11 horas de voo, presumo que eles tenham mesmo apenas função terapêutica-cognitiva: Dilma precisa saber que eles estão lá, “na bagagem”, para “ficar bem”.
Não fica bem é com as letras. Como notaram os colaboradores desta coluna, ao longo dos últimos meses, Dilma dá permanentemente a impressão de nunca ter lido nenhum livro, sobre qualquer assunto. Sua bagagem literária, porém, é enorme. A repórter, no penúltimo parágrafo de seu relato, menciona, em passant, tê-los visto ao lado de cremes e maquiagem — mas certamente se esqueceu de perguntar os títulos dos três livros trazidos pela presidente eleita em sua primeira viagem internacional.
Preferiu puxar conversa sobre seus genéricos hábitos de leitura, aérea ou terrestre. E resume assim as preferências presidenciais: “Dilma enaltece autores angolanos, rasga elogios ao belga Georges Simenon e admite que dormiu na segunda página de um livro do mexicano Carlos Fuentes”.
Eu gostaria de saber o nome, apenas o nome, sem a necessária correspondência de obra, de um, apenas um, desses enaltecidos autores angolanos. E de conhecer o teor dos “rasgados elogios” de Dilma a Simenon, sobre cuja obra vale o mesmo repto: Georges Simenon assinou 190 livros e 154 novelas e escreveu, sob uns 20 diferentes pseudônimos, mais uns 150 romances — Dilma bem que poderia citar um só. E bem que o Inspetor Maigret, criação imortal de Simenon, poderia ser chamado para comprovar a existência e a autoria desses três misteriosos livros que Dilma carregou para a viagem a Seul.
Quanto a Carlos Fuentes, o fascinante Carlos Fuentes, diplomata mexicano com status intelectual para dar aulas em Harvard, Princeton e Cambridge, é mesmo um sonífero para passageiros como Dilma – será esta, aliás, a função basal dos três livros da presidente eleita?
Nesta viagem a Frankfurt, especificamente, não. Catia relata que Dilma, sem nenhuma leitura, dormiu 7 das 11 horas a bordo – de pijaminha marrom da Primeira Classe. Antes, deu corda ao repórter e ao fotógrafo, mas fez um pedido: “Não vá tirar uma foto minha dormindo. Todo mundo baba quando dorme”.
Esse estado quase catatônico em voo é produto, talvez, de um também misterioso “remedinho francês” para insônia a que ela recorre, como revelou à repórter da Folha.
Bem, aí o assunto deixa o âmbito literário para invadir a seara do Temporão. Esse remedinho já está disponível no SUS?
Se a repórter quisesse detalhes sobre as três obras, Dilma Rousseff iria consumir as 11 horas do voo caçando respostas em vão. Como comprova o vídeo, o neurônio solitário não sabe sequer o nome do autor nem o título do livro que está lendo. Só o timaço de comentaristas pode desvendar o enigma: que livros estavam na bagagem da viajante, amigos?

Jefferson Peres: a falta que faz um homem honrado

Vejam este post primoroso de Augusto Nunes (Veja.com):
“Volto a este microfone para manifestar meu desalento com a vida pública deste país”, avisou o senador Jefferson Péres na tarde de 30 de agosto de 2006. Nos sete minutos seguintes, sem minuetos retóricos, sem quaisquer truques de tribuno, o parlamentar do PDT amazonense limitou-se a contemplar a paisagem do inverno eleitoral com o olhar desconsolado de um homem de bem. A plateia diminuta pressentiu que testemunhava um momento histórico. Mas ninguém poderia saber que ouvia o testamento político de Jefferson Péres, morto em maio de 2008.
O destino dispensou-o da promessa incluída no discurso. “Não quero mais viver a vida pública”, decidira. Até 2010, seguiria entrincheirado na tribuna, combatendo sem tréguas o  presidente em campanha pela reeleição. Encerrado o mandato, “continuar pelejando por todos os meios possíveis”, mas longe do coração do poder. Não queria permanecer no cenário do mensalão, “um dos piores escândalos de corrupção deste país”, consumado com a conivência do presidente da República. Lula sabia de tudo, constatou.
O áudio é uma aula sobre como deve falar um político que se opõe ao governo. Pouco importava que Lula fosse vitorioso “com 99,9% dos votos”, ressalvou. “Estarei na tribuna dizendo que ele devia ser destituído, porque o que fez foi muito grave”. Também se recusava a ajustar seu comportamento aos desígnios da maioria. “Podem chamar até o Fernandinho Beira-Mar e fazê-lo presidente”, ironizou. Que não contassem com ele.
Sincero, corajoso, Péres desancou o Executivo e o Legislativo com igual inclemência, mas observou que “a crise ética não é só da classe política, é de grande parte da população”. Indignado com a subserviência de artistas e intelectuais governistas, qualificou de “cínicas e desavergonhadas” as declarações do grupo de abreus e bettis que havia reverenciado Lula, dias antes, na casa de Gilberto Gil.
Se estivesse vivo, o senador não veria uma paisagem muito melhor. Mas certamente o animaria a certeza de que a solidão acabou. Concordariam com homens como Jefferson Péres os milhões de brasileiros que lutam pelo fim da Era da Mediocridade mas não se sentem representados pela oposição oficial.
Comento
É de arrepiar como o nosso saudoso ex-professor e ex-senador pelo Amazonas significava no Senado uma referência de comportamento ético inatacável. O país perdeu o grande brasileiro, que ficou sem substituto à altura. O Senado perdeu sua referência ética. O país de Lula e Dilma não entende disso, mas 44% do povo lhes disse NÃO! Votaram em José Serra menos pelo que disse e mais pelo que não disse, mas representava a anti-continuidade da vergonha, da sem-cerimônia, da falta de ética, da roubalheira livre e solta dos aloprados e dos "petralhas" da vida...

09 novembro 2010

O Enem "de Dilma e Lula" foram pro brejo

Por Nathalia Goulart. na Veja Online:
A Justiça Federal do Ceará acatou nesta segunda-feira pedido de liminar do Ministério Público Federal e determinou a suspensão temporária em todo o Brasil do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010. “A suspensão tem caráter temporário e cabe recurso ao Ministério da Educação”, afirma a juíza Carla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal, responsável pela decisão. Procurado pela reportagem, o MEC, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que está ciente da decisão judicial, mas não quis se pronunciar a respeito. Enquanto vigorar a suspensão judicial, segundo a juíza, o MEC não poderá divulgar informações sobre resultados das provas do fim de semana e tampouco marcar nova prova.
“Acatei o pedido de liminar porque entendi que o Enem não foi realizado com a devida segurança, desde a impressão até sua realização, neste fim de semana”, acrescenta a magistrada, referindo-se às falhas de impressão dos cadernos de questões e respostas entregues aos candidatos no sábado. “A suspensão é válida até que a Justiça avalie o recurso que o MEC provavelmente apresentará, ou até que os responsáveis pelo exame apresentem soluções consideradas suficientes para estancar as falhas do Enem 2010.”
A magistrada criticou também a proposta em estudo no MEC de realização de novo exame, ao qual compareceriam apenas os estudantes diretamente prejudicados pelo erro na impressão das provas de cor amarela. “O que foi apresentado até agora, aplicar a prova apenas a esses candidatos, não é suficiente”, diz. “Novas provas poriam em desigualdade todos os candidatos remanescentes.”
A juíza criticou ainda as declarações do presidente Joaquim José Soares Neto, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do MEC responsável pelo Enem. Em entrevista coletiva após a realização da prova do sábado, Soares Neto se referiu ao exame como uma “missão cumprida”, a despeito dos problemas ocorridos. “Isso é espantoso. É uma afronta ao coração do Enem”, diz Carla de Almeida.
Em nota, o procurador da República Oscar Costa Filho, que apresentou a ação civil pública aceita pela Justiça, também criticou a proposta do MEC de realização de nova avaliação. “O fato do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) ter aventado realizar provas separadas para o mesmo concurso apenas confirma o total desconhecimento dos princípios que informam os concursos públicos, entre os quais a igualdade”, diz.

05 novembro 2010

Os honoráveis assassinos na última ceia...

Vejam este post de Reinaldo Azevedo. Está um primor.
Outro dia a Globo exibiu um filme bastante interessante, que eu já tinha visto em vídeo. Se vocês não assistiram, recomendo. Chama-se O Último Jantar (The Last Supper), de 1995, dirigido por Stacy Title. A boa tradução, obviamente, seria “A Última Ceia”. O trocadilho é esse, já que, vocês verão, à sua moda, o filme trata de um ritual religioso. Ainda que venham a detestá-lo, vale por Cameron Diaz, que está uma belezoca (tá, essa dica é para os rapazes). Mas as moças têm lá bons estímulos ao intelecto, hehe.
Estudantes “liberais” (nos EUA, isso quer dizer “a esquerda possível”, já que, para sorte deles, a história os blindou contra certo tipo de delírio do atraso), todos com aspirações intelectuais e libertárias, moram juntos. São jovens, modernos, divertidos e se acham tolerantes e inteligentes. Um deles pega carona, sem saber, com um homicida perigoso. O cara acaba ficando para o jantar. É um gorila de extrema direita: xenófobo, militarista, antipacifista. O choque com os “liberais” é inevitável e chega ao confronto físico. Resumo: um dos “pacifistas” acaba por cravar-lhe uma faca nas costas.
A “turma do bem” havia cometido um assassinato. Ocorre que o brutamontes dizia coisas tão desprezíveis e era tão violento, que o ato se confundiu com legítima defesa. Passado o torpor, tem início a racionalização da morte:
- era um fascista; merecia viver?;
- vivo, ele tornaria o mundo melhor ou pior?;
- os “liberais” não vinham sendo muito moles e covardes? Não havia chegado a hora de agir?
Os “tolerantes” têm uma idéia: começam a chamar para jantar pessoas pelas quais nutrem um olímpico desprezo. Todas elas são submetidas a um “julgamento”. Ignorantes do risco que correm, são estimuladas, incitadas mesmo, a dizer o que pensam. Passam pelo festim diabólico, entre outros:
- o reverendo homofóbico que vê na aids um castigo de Deus;
- o machista misógino;
- a militante antiaborto;
- o sujeito que não acredita no efeito-estufa;
- um rapaz contrário ao direito dos sem-teto;
- a moça que detesta arte contemporânea…
A todos é dado um certo “direito de defesa”, embora não saibam que estão sendo julgados. A cada coisa chocante que dizem, segue uma pergunta para que digam algo ainda pior. “Reprovados”, são induzidos a tomar um vinho envenenado. O tribunal dos liberais, dos progressistas, dos modernos, é implacável. A fala das vítimas é não mais do que uma caricatura do que seriam as opiniões “conservadoras”.
O que Title faz é jogar na boca dos “condenados” aquilo que seus algozes gostariam de ouvir. Explico-me: eles querem eliminar seus adversários - assim, quanto mais idiotas e simplistas eles forem, melhor. A regra é a seguinte: reduza seu oponente a um borrão de tudo aquilo que você mais odeia, e haverá, então, um bom motivo para eliminá-lo. É a intolerância dos tolerantes.
Contei o fim do filme? Não! O desfecho é surpreendente. Aqueles pobres idiotas, que reivindicam o direito de dizer quem pode e quem não pode viver, não estavam preparados para uma abordagem um pouco mais requintada do mundo. E terão a chance de experimentá-la, o que os humilha intelectualmente. Não vou contar mais. Vejam.
No Brasil
Os esquerdistas no Brasil gostariam que seus adversários fossem tão tolos quanto são os dos assassinos de O Último Jantar. Se a Igreja Católica - a séria - combate a abordagem oficial sobre a camisinha, então ela é “responsável pela expansão da aids porque estimularia o sexo sem proteção”; se alguém acusa o Bolsa Família de ser a indústria da miséria, então é porque quer que os pobres morram de fome; se faz restrições de natureza ética ao aborto, então é porque despreza os direitos da mulher. Aí fica fácil: ao reduzir o Outro à estupidez, podem matar sem culpa.
E qual é a suposição intectualmente verossímil para que possam ser assassinos éticos? Os “direitistas” estariam defendendo “o passado”, enquanto eles, os “esquerdistas”, teriam a nos oferecer um futuro glorioso.

Voltei!!! O rescaldo pós-eleitoral

Bem, pessoal, voltei. Um pouco atrasado em razão de questões partuculares. Não foi dor-de-cabeça pela vitória de Dilma, não. Ela mereceu e o país também é merecedor dela. Para o bem, ou para o mal.
Os 44% de brasileiros que disseram NÃO ao lulismo, relegaram o PSDB `oposição.
Foi uma luta dura a enfrentada por José Serra. De pedrada na cabeça a satanização. Lula depredou a ordem legal e utilizou a máquina pública qualhada de petista para não entregar o queijo...
Essa história do PSDB de fazer oposição sem o lema do "quanto pior, melhor" é uma bobagem. Oposição na emocracia não deve ter adjetivos do tipo "comportada", "responsável", etc., pois afinal o governo tem uma maioria tão acachapante, construída à base do pior aparelhamento do estado a que se teve notícia desde os milicos de 64, que qualquer genuflexão da oposição será tida como fraqueza pelos 44% de brasileiros que votaram em Serra, que, aliás, não está "morto" não.
Se o Aécio Neves acha que será fácil "escantear" um candidato que teve 44% dos votos, está enganado. O tempo dirá.
E sim, a Dilma ganhou por apenas 6% de diferença, os quais, se tivessem resolvido votar em Serra, poderiam hoje estar significando - o gerúndio aqui está bem colocado... - uma catástrofe ao lulo-petismo-dilmismo.
Se Lula mesmo ganhando faz muchoxo, culpa a "oposiçcão" pela única derrota que teve no Congresso - a CPMF, a qual agora está fazendo a Dilma patrocinar a sua volta um dia depois dela ter dito que era contra!, e, vejam só!, com a ajuda da oposição! -, na verdade é parte de sua "lábia": acusa a oposição de raivosa para v6e-la de joelhos em nome do "bom mocismo". O mesmo "bom mocismo" ao qual Lula se nega a desempenhar como "magistrado" do pleito eleitoral - vejam só se Lula é disso...
Uma coisa é certa: se o PSDB e o DEM não marcarem posição e fizerem OPOSIÇÃO ao lulo-petismo-dilmismo, aí então é melhor pegar o barco do balatal...