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23 março 2011

Sobre o 'ficha-limpa' e o Supremo


Vejam o que Reinaldo Azevedo escreve sobre o assunto (Veja.com):
É claro que muitos se dirão frustrados com a eventual não-aplicação da lei do Ficha Limpa já em 2010. Para desaire de alguns, entendo que a sua inconstitucionalidade não está apenas na violação do princípio da anterioridade — não se muda o processo eleitoral menos de um ano antes do pleito —; está também no desrespeito ao princípio da presunção de inocência.
Vale a pena violar a Constituição para se fazer “justiça episódica”, ainda que movida por uma aspiração justa?
Sempre que alguém aplaudir uma aplicação de exceção da lei,  estará pondo uma corda no próprio pescoço. A própria imprensa, cegada, na sua maioria, pelo desejo de pegar alguns larápios — desejo que pode ser bom e honesto, mas que não tem o direito de ser burro —, está brincando com fogo. Há muita gente que odeia a liberdade de expressão, por exemplo. Os projetos para “controlar a mídia” estão por aí. Assembléias Legislativas, inspiradas na Confecom de Franklin Martins, já começam a votar os seus próprios códigos particulares. ATENÇÃO, SENHORES COMANDANTES DE JORNAIS, TVs, REVISTAS, PORTAIS E AFINS: a Constituição, com clareza inquestionável, assegura a liberdade de expressão - com igual  clareza, garante a presunção da inocência.
Nada impede que, em nome da voz rouca das ruas, de “milhões” de assinaturas, do “desejo coletivo” e outras demagogias, atalhos sejam encontrados para impor formas veladas de censura. Ou alguém é inocente a ponto de achar que a lei que é desrespeitada para “pegar Jader Barbalho” restará inteira para proteger a imprensa, por exemplo?
A questão é antiqüíssima. Está em “Críton - Ou do Dever“, um dos Diálogos, de Platão. Críton tenta convencer Sócrates a deixar a cidade, a fugir - ou vai morrer, uma vez que já foi condenado. E se dispõe a financiar a fuga. Os dois têm, então, um diálogo sobre o dever, a justiça e a “vontade do povo”. Reproduzo trechos, na tradução de Márcio Pugliesi e Edson Bini. E, bem, recomendo Sócrates e Platão para alguns ministros do Supremo.  Volto para encerrar.
*
(SÓCRATES) - se, ao seguir a opinião dos ignorantes, destruíssemos aquilo que apenas por um regime saudável se conserva e que pelo mau regime se destrói, poderemos viver depois da destruição do primeiro? E, diga-me, não é este nosso corpo?
(CRÍTON) - Sem dúvida, nosso corpo.
(SÓCRATES) - E podemos viver com um corpo corrompido ou destruído?
(CRÍTON)   - Seguramente, não.
(SÓCRATES) - E poderemos viver depois da corrupção daquilo que apenas pela justiça vive em nós e do que a injustiça destrói? (…)
(CRÍTON)  - De modo algum.
(SÓCRATES) - E, não é a mais preciosa?
(CRÍTON) - Muito mais.
(SÓCRATES) - Portanto, querido Críton, não devemos nos preocupar com aquilo que o povo venha a dizer, mas sim pelo que venha a dizer o único que conhece o justo e o injusto, e este único juiz é a verdade. Donde poderás concluir que estabeleceste princípios falsos quando disseste inicialmente que devíamos fazer caso da opinião do povo acerca do justo, o bom, o digno e seus opostos. Talvez se me diga: o povo pode fazer-nos morrer.
(CRÍTON)   - Dir-se-á assim, seguramente.
(…)
(SÓCRATES)  É correto que nunca se deve cometer injustiça? É lícito cometê-la em certas ocasiões? Ou é absolutamente certo que toda injustiça deva ser evitada como já concordamos há pouco? E todas essas opiniões, nas quais acordamos, dissiparam-se em tão pouco tempo e seria possível que em nossa idade, Críton, nossas mais sérias controvérsias tivessem sido como as das crianças sem que nos apercebêssemos? Ou devemos nos ater unicamente ao que dissemos, de que toda injustiça é vergonhosa e nociva para aquele que a comete, diga o que queira dizer a multidão, e resulte dela o bem ou o mal? Falaremos assim, ou não?
(CRÍTON)   - Assim.
(SÓCRATES) - Então, também não devemos cometer injustiça relativamente àqueles que no-la fazem ainda que este povo acredite que isto seja lícito, uma vez que concordas que isto não pode ser feito de modo algum.
(CRÍTON) - Assim me parece.
(SÓCRATES) - É ou não lícito fazer mal a uma pessoa?
(CRÍTON)  - Não é justo, Sócrates.
(SÓCRATES)   - É justo, como o vulgo acredita, pagar o mal com o mal?  Ou é injusto?
(CRÍTON) - É injusto.
(SÓCRATES) - É correto que entre fazer o mal e ser injusto não há diferença?
(CRÍTON) - Concordo.
(SÓCRATES) - Portanto, nunca se deve cometer injustiça nem pagar o mal com o mal, seja lá o que for que nos tiverem feito (…)
Voltei
Leiam o diálogo inteiro. Deve existir em vários sites por aí. Sócrates não foge. A passagem fundamental do trecho que reproduzo é esta: “se, ao seguir a opinião dos ignorantes, destruíssemos aquilo que apenas por um regime saudável se conserva e que pelo mau regime se destrói, poderemos viver depois da destruição do primeiro?”
O corpo de uma democracia são as leis, é o estado de direito. E nem mesmo para punir “os maus” se deve corrompê-lo com um mau regime, com uma má disciplina. Se as leis que temos não são suficientes ou eficientes para enfrentar os problemas dados, que sejam mudadas — coisa que o Supremo não pode fazer —, mas jamais aviltadas, ainda que com propósitos nobres.
O Supremo começa a ouvir mais o vulgo do que Sócrates e Platão.
Comento:
Confesso que fico tentado a 'lascar' com o 'ficha-limpa' nessa turma de safardana, mas diante de uma lógica tão meridiana de Reinaldo, sou obrigado a concordar com ele.

24 fevereiro 2011

A Reforma Política não vai sair tão cedo...


Por Marcelo de Moraes, no Estadão:
Apontada como prioritária por senadores e deputados, a proposta de reforma política caminha rapidamente para repetir a fórmula que impediu sua aprovação no Congresso nos últimos anos: excesso de projetos, divergências radicais de posições e falta de acordo entre Senado e Câmara em torno de uma agenda comum. Na prática, os dois maiores partidos da base governista, PT e PMDB, defendem ideias opostas em relação a um dos eixos principais da reforma: a manutenção ou não do sistema de eleição proporcional.
O PMDB quer adotar a eleição por voto majoritário, a chamada “Lei Tiririca” ou “distritão”. Por essa regra, quem tem mais votos é o eleito. Já o PT quer manter o sistema de eleição proporcional. Os peemedebistas defendem a modificação no sistema por entender que existem distorções na utilização do chamado coeficiente eleitoral, que contabiliza todos os votos recebidos pelos partidos e suas coligações e calcula quantas vagas serão destinadas por legenda.
Reação do eleitor. O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), defensor do “distritão”, avalia que a população não entende mais por que um deputado bem votado fica fora do Congresso, abrindo espaço para outro candidato com menos votos (mas cuja legenda teve um coeficiente eleitoral maior). O PT discorda da posição, pois isso marcaria o fim de uma de suas grandes vantagens, o voto em legenda, que acaba aumentando significativamente seu coeficiente. Na verdade, os petistas acreditam que o voto proporcional fortalece os partidos como instituição.
Independentemente do conteúdo do texto a ser votado, o fato é que, politicamente, a divisão entre os dois maiores partidos do Congresso e da base governista aponta para um impasse em torno dessa discussão. Desde 1999, quando a primeira discussão organizada sobre a reforma política foi fechada pelo Senado, sempre que um ponto desse tema gerava conflito, a tramitação emperrava.
Comento:
Acho que a reforma política - assim como a 'tributária' ou 'fiscal' - não é coisa de se marcar data e aprovar em bloco. Acho que é um processo. E quem está sendo mais proativo em apresentar Projetos que fazem essa questão avançar 'são os PL's de iniciativa popular, do tipo 'abuso do poder econômico' e 'ficha-limpa'. Falei.

23 fevereiro 2011

Voltei! Amazonino 'ganhou' o mundo...

Me dei umas merecidas férias, mas voltei com tudo...
Que coisa, hein, essa do 'nosso' Negão foi de lascar... Não bastou ele desejar a morte soterrada na lama da pobre mulher e ainda a acusou de ser 'paraense', como se mesma fosse portadora de alguma lepra...
Ora, bolas. ele queria o que? Quando foi governador ele propagandeava que aqui em Manaus ele dava casa, comida e roupa lavada para os 'amazonenses'. Qual o 'paraense' que não gostaria de ter isso em sua vida?
'Paraense' é um termo pejorativo e beirando ao preconceito em razão de que muitos deles, enganados pela propaganda, aqui chegaram e alguns tiveram como sorte morar nos alagados, ver as filhas se prostituírem e - lástima das lástimas -  praticarem assaltos. Daí o termo pejorativo da nossa prisão do Rio Puraquequara levar o epíteto de 'pará-quequara'...
Acho que alguém, algum assessor que não gosta dele, lhe disse para ènfrentar` a situação e ir pra linha de frente. Acho difícil isso, pois todos sabem que Amazonino não ouve ninguém, pois ele se acha 'o cara'. Acho que foram os remédios...
Na verdade, acho que o Negão quis atingir o Dudú por ser se Santarém-PA.
O que vocês acham?

24 janeiro 2011

O 'quase' estadista Lula

Por Ricardo Setti (Veja.com):

O que Lula deixou de fazer na educação

Merece leitura o longo e substancioso artigo “As oportunidades que Lula perdeu”, de Gustavo Iochpe, economista especialista em educação, publicado na última edição de VEJA de 2010 – a de 29 de dezembro.
Confira este trecho:
“Creio que os historiadores do futuro distante – presumindo que no futuro haverá historiadores não marxistas no Brasil – serão menos generosos com o governo Lula do que a atual população brasileira. As avaliações históricas dependem também do que ocorre depois que um governante sai do poder, no período em que suas ações frutificam. Meu receio é que esse tempo futuro haverá de demonstrar o tamanho das oportunidades perdidas pelo governo Lula.
Por sua biografia, pelo legado macroeconômico interno que recebeu, pelo ambiente externo que, exceto pelo ano de 2009, Lula teve a fortuna de vivenciar e pela popularidade que granjeou ao longo de sua vida e de seu mandato: por tudo isso, era de esperar que este seria o mandatário que faria as reformas profundas, essenciais para que o Brasil abandonasse o status de eterna promessa e finalmente se juntasse ao rol das nações desenvolvidas.
Mas Lula não foi esse personagem. Teve grande habilidade par perceber os desejos do povo, mas não empreendeu esforços para ir além disso, para mudar percepções ou criar novas demandas, sempre que isso significasse potencial conflito.
Alguém já disse que políticos pensam na próxima eleição e estadistas, na próxima geração. Lula tinha tudo para ser estadista, mas preferiu ser um grande político, cuja maestria foi comprovada nas eleições. Em nenhuma outra área esse viés conservador e acomodatício ficou mais claro do que no setor de educação, e creio que em nenhuma outra o custo, a longo prazo, será mais alto.”

22 janeiro 2011

O lulismo inventou mais uma das suas inúmeras esquisitices: o a incompetência meritória.

O ministro Fernando Hadade, de tanto se enrolar com as provas do Enem – o vestibular nacional que o lulismo inventou -, foi mantido no terceiro mandato de Lula (usando o pseudônimo de “Dilma”) e agora nos brinda com esse primor de ‘SISU’ – que é o sistema de pleitear as vagas das universidades públicas que aderiram ao Enem – que parece mais o ‘samba-do-crioulo-doido’. Ninguém sabe ao certo se vai ou não ganhar aquela tão sonhada vaga na universidade de sua preferência uma vez que ninguém garante nada. O MEC não garante a isenção do processo; a guerra de liminares ganhou as ruas e a Justiça não garante se a última decisão vale ou não vale; a mixórdia é geral na área do MEC.
O InePTo, ops!, INEP – aquele ex-órgão sério que cuidava dos números do MEC – se atrapalha com as provas, com os gabaritos, com as cores das provas e dos gabaritos, com as provas de redação e com suas correções, com os cadastros dos alunos e suas notas, etc. Já trocaram 3 dirigentes em dois anos. É como se o ‘cornuto’ jogasse o sofá da sala fora para não ser mal falado pelas escapadelas da mulher...Ora, ora, como se isso fosse problema para o lulismo... A teimosia é sinal de ‘competência’, pois eles não erram por definição ideológica. Eles sim é que ‘são do bem’ (e não do Dem!). Quem erra é a ‘mídia’ – que eles detestam quando se mostra independente para lhes apontar na fuça sua estupidez.
E não para por aí. Falta é espaço para lhes dedicar mais tempo com suas bobagens...Haja paciência!

Os políticos brasileiros são um desastre natural!

Na hora da crise, em que as intempéries caem sobre os habitantes deste infelicitado país, o governador do Rio estava de férias na Europa... Afinal, ninguém é de ferro. Na verdade, todo mundo sabe que nesta época, todos os anos, assim como o carnaval, os desastres causados pelas chuvas são certos em volume de chuva e que não tem como escoar pelos rios e ruas das cidades de concreto e aço. Em São Paulo, que se encontra há 20 anos nas mãos do PSDB, os petistas federais, por meio da imprensa alugada, deram início à satanização dos governos estadual e municipal. Para eles, as chuvas em São Paulo e as consequentes alagações são culpa dos “demo-tucanos”. Fazem isso porque não admitem que os paulistas teimem em não cair em sua lábia e lhes entreguem seus destinos nas mãos. O esquema de ocupar a mídia com noticiário negativo aos ‘demo-tucanos’ ‘fez água’ – desculpem o trocadilho infame! - quando teve início o processo pluviométrico no Rio de Janeiro – aliás, anunciado pelo INMET às autoridades, que deram de ombro. As ocupações ilegais são tratadas com descaso por medo de contrariar eleitores e ‘movimentos sociais’ ligados ao petismo e outros ‘esquerdistas’ de botequim. Como os políticos não retiraram as pessoas de suas casas com medo de perder os votos, a força da natureza o fez com requintes de crueldade. Tudo isso é perfeitamente previsível. O INMET previu. Ninguém fez nada. A ‘defesa civil’ atua literalmente como bombeiro apenas para resgate de vítimas e dar assistência aos desabrigados. Prevenção que é bom, ó...  Os políticos choram nas frentes das câmeras – até os jornalistas choram -, todos choram e são levados pelo sentimentalismo simplório e obsceno dessa raça!

17 janeiro 2011

Falta de coordenação prejudica resgate de vítimas

No Estadão:
A falta de organização fez com que doações para vítimas da tragédia no Rio permanecessem, até a manhã de ontem, entulhadas a céu aberto e mal protegidas da chuva persistente em Teresópolis. Enquanto isso, várias aeronaves, incluindo cinco do Exército e outras comandadas pela Força Nacional, estavam paradas no campo da Granja Comary, transformado em base aérea das operações de resgate. Local de treinamentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o campo virou depósito de água, comida, material de higiene e roupas. Ontem, já eram 633 mortos e sete municípios em estado de calamidade pública.
Para justificar os helicópteros parados, autoridades do Exército culparam as péssimas condições meteorológicas. Mas helicópteros da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros voaram à vontade, ignorando a chuva que caiu ontem de manhã. Comandado pelo experiente piloto Adonis Oliveira, da tropa de elite da polícia, o Caveirão da Polícia Civil fez dois voos para levar mantimentos a pessoas isoladas em Santa Rita e Santana, resgatar idosos e transportar médico, enfermeiros e remédios. No início da tarde, partiu para mais uma missão, carregado de comida, água, remédios e óleo diesel para geradores. Enquanto isso, das cinco aeronaves do Exército, duas só alçaram voo no início da tarde para levar um médico da polícia à Vila Salamaco e resgatar uma jovem doente mental.
Os próprios soldados comentavam na Granja Comary o absurdo de os helicópteros permanecerem parados. Segundo um deles, uma das aeronaves grandes estava havia dois dias sem voar, com toda a tripulação à disposição. Quem também reclamava muito era o engenheiro Antônio José Fusco, de 42 anos, morador da granja. “É inacreditável ver esses helicópteros parados quando há tanta coisa para carregar.”
Segundo o capitão Eric Lessa, o helicóptero Esquilo até tentou ajudar a Cruz Vermelha, mapeando estradas e descobrindo comunidades isoladas, mas a missão não foi concluída por causa do mau tempo. Em sua contabilidade, no sábado o Exército resgatou 65 pessoas e transportou 700 litros de água, 200 de combustível, 200 de leite, além de 20 cestas básicas e 30 quentinhas. Ontem o Exército disponibilizou o telefone (21) 2742-7351 e o e-mail copserraeb@gmail.com para quem souber de vítimas que precisam de socorro aéreo. Aqui

RJ: show de incompetência de Dilma e Cabral_Por Reinaldo Azevedo

Vamos a uma abordagem perigosa, delicada mesmo, do que se passa no Rio. Para má sorte — a adicional — das vítimas, a tragédia ocorreu nos primeiros dias do governo Dilma Rousseff, no exato momento em que boa parte da imprensa estava construindo uma nova mitologia —  está ainda —  como chamei aqui: a da Dilma competente e silenciosa, em suposta oposição a seu antecessor, o Lula falastrão e buliçoso. A presidente seria aquela que se esgueira nas sombras, no boníssimo sentido, para fazer o necessário. Enquanto o Babalorixá buscava os holofotes, ela, “mais técnica”, quer saber é de eficiência. Sei…
O céu desabou sobre a região serrana no Rio no meio desse culto à Dilma toda-pura, àquela Sem Pecados.
Some-se a essa patifaria intelectual uma outra: Sérgio Cabral, governador do Rio, é o novo inimputável da política brasileira. Em muitos sentidos, quem ocupa o vácuo deixado por Lula é ele, não Dilma. Parte da imprensa gosta dele. Dias antes da tragédia, ele ocupava o noticiário nos convidando a deixar de ser “hipócritas”: 1) “Quem  nunca teve uma namoradinha que foi obrigada a abortar?”, ele indagava, tentando socializar os pecados; 2) não legalizar o jogo é coisa de moralistas trouxas; 3) drogas? Ora, é preciso discutir a legalização. Alguma crítica? Ao contrário! Cabral passava por corajoso. E foi como um destemido que ele se mandou do Rio em viagem de férias justamente no período em que os morros do estado que ele dirige costumam se liquefazer. Até ele sabe que algo não foi bem, tanto que chegou em falar na necessidade “autocrítica”, mas não agora evidentemente.
Os desgraçados das chuvas estão no inferno há uma semana. O que se vê é um impressionante show de incompetência dos governos Dilma e Cabral. A imprensa, com raras exceções, se limita a adornar com dramas pessoais a impressionante falta de coordenação no socorro aos desabrigados.
A esta altura, uma espécie de gabinete de crise já deveria ter sido criado. Onde é o centro de operações de socorro? Quem coordenada? Quem é o chefe? Quem comanda? Ninguém sabe. O que se tem lá é verdadeiramente um cenário de guerra. Recorro a uma hipótese, que extrema a situação, só para que pensemos um pouco. Ainda bem que o Brasil, por enquanto ao menos, não tem inimigos agressivos — a não ser a desídia. Fico a imaginar se o país chegasse a ser atacado alguma vez por um país estrangeiro. Morreríamos como gado.
Os partidos de oposição — eles existem? — também estão calados. Temem ser acusados de explorar a tragédia. Fico cá a imaginar um desastre nessas proporções se ocorrido no governo tucano. São Paulo, que não padece 5% das agruras do Rio, virou alvo do Partido da Imprensa Petista. As boçalidades escritas sobre Franco da Rocha servem de prova.
Parece que a região serrana do Rio fica nos cafundós dos Judas, na região mais inacessível do planeta. Os relatos são dramáticos. A ajuda não está chegando aos desabrigados. Falta gente, falta organização, falta, ATENÇÃO!, uma ORGANIZAÇÃO DE CARÁTER MILITAR do processo de socorro. Nessas horas, é ela que tem de coordenar os esforços civis.
Não! Em vez disso, estão todos chorando.
Choram as vítimas.
Choram os voluntários.
Choram os repórteres.
Chora o bom senso.
Só o governador do Rio e Dilma ainda não choraram.
Ele só chora quando trata dos royalties do petróleo, e ela, quando fala dos “companheiros que tombaram” tentando implantar uma ditadura comunista no Brasil. Em matéria de tragédias humanas, são durões.
Não que eu quisesse que eles também chorassem. Bastava que tentassem pôr um pouco de ordem no caos. Para isso foram eleitos.

16 janeiro 2011

RJ: prefeitos e governador deviam ser presos por crime

Trecho de primoroso artigo do jornalista Marcos Sá Corrêa sobre a tragédia do Rio de Janeiro em O Estado de S. Paulo:
“(…) No dia em que um prefeito, olhando as nuvens no horizonte, enxergar a mais remota possibilidade de ir para a cadeia pelas mortes que poderia impedir e incentivou, as cidades brasileiras deixariam aos poucos de ser quase todas, como são, feias, vulneráveis e decrépitas.
De graça ou com o dinheiro virtual do PAC, os políticos não consertarão nunca a desordem que os elege.
Não adianta ameaçá-los com ações contra o Estado ou a administração pública, porque o Estado e a administração pública, na hora de pagar a conta, somos nós, os contribuintes.
O remédio é responsabilizar homens públicos como pessoas físicas pelos crimes que cometem contra a vida. Às vezes em série, como acaba de acontecer na região serrana do Rio de Janeiro.
O resto é conversa fiada. (…)”

Calamidade do RJ: estudo de 2008 alertou Cabral, que nada fez

Por Evandro Spinelli, na Folha:
Um estudo encomendado pelo próprio Estado do Rio de Janeiro já alertava, desde novembro de 2008, sobre o risco de uma tragédia na região serrana fluminense -como a que ocorreu na última segunda-feira e que já deixou ao menos 547 mortos. A situação mais grave, segundo o relatório, era exatamente em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, os municípios mais devastados pelas chuvas e que registram o maior número de mortes. Essas cidades tiveram, historicamente, o maior número de deslizamentos de terra. O estudo apontou a necessidade do mapeamento de áreas de risco e sugeriu medidas como a recuperação da vegetação, principalmente em Nova Friburgo, que tem maior extensão de florestas.
O estudo apontou que Petrópolis e Teresópolis convivem com vários fatores de risco diferentes -boa parte da área urbana em montanhas e planícies fluviais- e podem ser atingidas por desastres “capazes de gerar efeitos de grande magnitude”. Sobre Nova Friburgo, o documento relata que boa parte de sua população vive em áreas de risco. A cidade registra um dos maiores volumes de chuva do Estado do Rio. O secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, disse que o mapeamento de áreas de risco foi feito, faltando “apenas” a retirada dos moradores, e que os parques florestais da região também foram ampliados.
O governo do Rio gastou dez vezes mais em socorro a desastres do que em prevenção em 2010. Foram R$ 8 milhões para contenção de encostas e repasses às prefeituras contra R$ 80 milhões para reconstrução.
O mesmo acontece com o governo federal, que gastou 14 vezes mais com reconstrução do que com prevenção. Neste ano, a União já liberou R$ 780 milhões para ajudar locais atingidos por enchentes e recuperar rodovias.
ESTUDO
O estudo feito a pedido do governo do Estado em 2008 não apontou os locais exatos de risco de deslizamentos, mas levantou as cidades com maior número de desastres naturais entre 2000 e 2007 e os níveis de ocupação. A geógrafa Ana Luiza Coelho Netto, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenadora do trabalho, disse que o estudo tinha o objetivo de apontar regiões vulneráveis. Por isso, afirmou, não foi possível detalhar os pontos exatos de risco aos moradores. “A partir do estudo poderiam ter feito um detalhamento maior nas áreas mais problematizadas.” Aqui

14 janeiro 2011

Carlos Drummond de Andrade atualíssimo

PRECE DO BRASILEIRO
Carlos Drummond de Andrade

Meu Deus,
só me lembro de vós para pedir,
mas de qualquer modo sempre é uma lembrança.
Desculpai vosso filho, que se veste
de humildade e esperança
e vos suplica: Olhai para o Nordeste
onde há fome, Senhor, e desespero
rodando nas estradas
entre esqueletos de animais.
Em Iguatu, Parambu, Baturité,
Tauá
(vogais tão fortes não chegam até vós?)
vede as espectrais
procissões de braços estendidos,
assaltos, sobressaltos, armazéns
arrombados e - o que é pior - não tinham nada.
Fazei, Senhor, chover a chuva boa,
aquela que, florindo e reflorindo, soa
qual cantata de Bach em vossa glória
e dá vida ao boi, ao bode, à erva seca,
ao pobre sertanejo destruído
no que tem de mais doce e mais cruel:
a terra estorricada sempre amada.
Fazei chover, Senhor, e já! numa certeira
ordem às nuvens. Ou desobedecem
a vosso mando, as revoltosas? Fosse eu Vieira
(o padre) e vos diria, malcriado,
muitas e boas… mas sou vosso fã
omisso, pecador, bem brasileiro.
Comigo é na macia, no veludo/lã
e matreiro, rogo, não
ao Senhor Deus dos Exércitos (Deus me livre)
mas ao Deus que Bandeira, com carinho
botou em verso: “meu Jesus Cristinho”.
E mudo até o tratamento: por que vós,
tão gravata-e-colarinho, tão
vossa excelência?
O você comunica muito mais
e se agora o trato de você,
ficamos perto, vamos papeando
como dois camaradas bem legais,
um, puro; o outro, aquela coisa,
quase que maldito
mas amizade é isso mesmo: salta
o vale, o muro, o abismo do infinito.
Meu querido Jesus, que é que há?
Faz sentido deixar o Ceará
sofrer em ciclo a mesma eterna pena?
E você me responde suavemente:
Escute, meu cronista e meu cristão:
essa cantiga é antiga
e de tão velha não entoa não.
Você tem a Sudene abrindo frentes
de trabalho de emergência, antes fechadas.
Tem a ONU, que manda toneladas
de pacotes à espera de haver fome.
Tudo está preparado para a cena
dolorosamente repetida
no mesmo palco. O mesmo drama, toda vida.
No entanto, você sabe,
você lê os jornais, vai ao cinema,
até um livro de vez em quando lê
se o Buzaid não criar problema:
Em Israel, minha primeira pátria
(a segunda é a Bahia)
desertos se transformam em jardins
em pomares, em fontes, em riquezas.
E não é por milagre:
obra do homem e da tecnologia.
Você, meu brasileiro,
não acha que já é tempo de aprender
e de atender àquela brava gente
fugindo à caridade de ocasião
e ao vício de esperar tudo da oração?
Jesus disse e sorriu. Fiquei calado.
Fiquei, confesso, muito encabulado,
mas pedir, pedir sempre ao bom amigo
é balda que carrego aqui comigo.
Disfarcei e sorri. Pois é, meu caro.
Vamos mudar de assunto. Eu ia lhe falar
noutro caso, mais sério, mais urgente.
Escute aqui, ó irmãozinho.
Meu coração, agora, tá no México
batendo pelos músculos de Gérson,
a unha de Tostão, a ronha de Pelé,
a cuca de Zagalo, a calma de Leão
e tudo mais que liga o meu país
e uma bola no campo e uma taça de ouro.
Dê um jeito, meu velho, e faça que essa taça
sem milagres ou com ele nos pertença
para sempre, assim seja… Do contrário
ficará a Nação tão malincônica,
tão roubada em seu sonho e seu ardor
que nem sei como feche a minha crônica.

Comento:
Que tal se trocássemos a seca do Nordeste pelas enchentes do Sudeste e outras patacoadas como a copa de 70 pela chegada do Ronaldinho Gaucho no Flamento?

11 janeiro 2011

As vitórias de Pirro do Itamaty lulista _Por Reinaldo Azevedo

LISTA DE BESTEIRAS E DERROTAS DE CELSO AMORIM:

NOME PARA A OMC
Aamorim tentou emplacar Luís Felipe de Seixas Corrêa na Organização Mundial do Comércio em 2005. Perdeu. Sabem qual foi o único país latino-americano que votou no Brasil? O Panamá!!! Culpa do Itamaraty, não de Seixas Corrêa.
OMC DE NOVO
O Brasil indicou Ellen Gracie em 2009. Perdeu de novo. Culpa do Itamaraty, não de Gracie.
NOME PARA O BID
Também em 2005, o Brasil tentou João Sayad na presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Deu errado outra vez. Dos nove membros, só quatro votaram no Brasil - do Mercosul, apenas um: a Argentina. Culpa do Itamaraty, não de Sayad.
ONU
O Brasil tenta, como obsessão, a ampliação (e uma vaga permanente) do Conselho de Segurança da ONU. Quem não quer? Parte da resistência ativa à pretensão está justamente no continente: México, Argentina e, por motivos óbvios e justificados, a Colômbia.
CHINA
O Brasil concedeu à China o status de “economia de mercado”, o que é uma piada, em troca de um possível apoio daquele país à ampliação do número de vagas permanentes no Conselho de Segurança da ONU. A China topou, levou o que queria e passou a lutar… contra a ampliação do conselho. Chineses fazem negócos há uns cinco mil anos, os petistas, há apenas 30…
DITADURAS ÁRABES
Sob o reinado dos trapalhões do Itamaraty, Lula fez um périplo pelas ditaduras árabes do Oriente Médio.
CÚPULA DE ANÕES
Em maio de 2005, no extremo da ridicularia, o Brasil realizou a cúpula América do Sul-Países Árabes. Era Lula estreando como rival de George W. Bush, se é que vocês me entendem. Falando a um bando de ditadores, alguns deles financiadores do terrorismo, o Apedeuta celebrou o exercício de democracia e de tolerância… No Irã, agora, ele tentou ser rival de Barack Obama…
ISRAEL E SUDÃO
A política externa brasileira tem sido de um ridículo sem fim. Em 2006, o país votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas, no ano anterior, negara-se a condenar o governo do Sudão por proteger uma milícia genocida, que praticou os massacres de Darfur - mais de 300 mil mortos! Por que o Brasil quer tanto uma vaga no Conselho de Segurança da ONU? Que senso tão atilado de justiça exibe para fazer tal pleito?
FARC
O Brasil, na prática, declara a sua neutralidade na luta entre o governo constitucional da Colômbia e os terroristas da Farc. Já escrevi muito a respeito.
RODADA DOHA
O Itamaraty fez o Brasil apostar tudo na Rodada Doha, que foi para o vinagre. Quando viu tudo desmoronar, Amorim não teve dúvida: atacou os Estados Unidos.
UNESCO
Amorim apoiou para o comando da Unesco o egípcio anti-semita e potencial queimador de livros Farouk Hosni. Ganhou a búlgara Irina Bukova. Para endossar o nome de Hosni, Amorim desprezou o brasileiro Márcio Barbosa, que contaria com o apoio tranqüilo dos Estados unidos e dos países europeus. Chutou um brasileiro, apoiou um egípcio, e venceu uma búlgara.
HONDURAS
O Brasil apoiou o golpista Manuel Zelaya e incentivou, na prática, uma tentativa de guerra civil no país. Perdeu! Honduras realizou eleições limpas e democráticas. Lula não reconhece o governo.
AMÉRICA DO SUL
Países sul-americanos pintam e bordam com o Brasil. Evo Morales, o índio de araque, nos tomou a Petrobras, incentivado por Hugo Chávez, que o Brasil trata como uma democrata irretocável. Como paga, promove a entrada do Beiçola de Caracas no Mercosul. Quem está segurando o ingresso, por enquanto, é o Parlamento… paraguaio!  A Argentina impõe barreiras comerciais à vontade. E o Brasil compreende. O Paraguai decidiu rasgar o contrato de Itaipu. E o Equador já chegou a seqüestrar brasileiros. Mas somos muito compreensivos. Atitudes hostis, na América Latina, até agora, só com a democracia colombiana. Chamam a isso “pragmatismo”.
CUBA, PRESOS E BANDIDOS
Lula visitou Cuba, de novo, no meio da crise provocada pela morte do dissidente Orlando Zapata. Comparou os presos políticos que fazem greve de fome a bandidos comuns do Brasil.
IRÃ, PROTESTOS E FUTEBOL
Antes do apoio explícito ao programa nuclear e do vexame de agora, já havia demonstrado suas simpatias por Ahmadinjead e comparado os protestos das oposições  contra as fraudes eleitorais à reclamação de uma torcida cujo time perde um jogo.

10 janeiro 2011

Ópera dos malandros

Vejam o que Augusto Nunes publicou em 23 de julho:
 
(1989. Lula e Collor estão num estúdio de televisão, em bancadas próximas. Há um apresentador entre eles. O cenário informa que se trata de um debate eleitoral)
Lula: Meu adversário representa a elite exploradora. É moço na aparência, mas representa o Brasil antigo, o Brasil velho, o Brasil que precisa acabar.
Collor: O outro candidato defende abertamente a luta armada, a invasão de casas e apartamentos. (Vira-se para Lula). Você é um cambalacheiro. Fez cambalacho com o Sarney.
Lula: O Sarney é um incompetente, incapaz. Mas se quiser pode votar em mim. (Vira-se para Collor). Você também pode. Mas mesmo assim eu não teria nada de parecido com você.
Collor: Você não saba a diferença entre uma duplicata e uma fatura. É um ignorante.
(1989. Lula está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PT)
Lula: Meu adversário é o candidato dos corruptos. Ele representa a elite que sempre explorou os pobres do Brasil.
(1989. Collor está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PRN)
Collor: Não sou eu quem diz que Lula quis forçar o aborto. Quem diz é Miriam Cordeiro, mãe da Lurian.
(1992. Lula está num estúdio de rádio ao lado de um jornalista. O jornalista pergunta se tem pena de Collor. O entrevistado responde com voz pausada)
Lula: Tenho pena do Collor. Não é que eu tenho pena. Como ser humano eu acho que uma pessoa que teve uma oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja. E ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena, porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse pelo menos conduzir o país, se não a uma solução definitiva, pelo menos a indícios de soluções para os velhos problemas que nós vivemos. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que pelo menos eles conheçam o passado político”.
(2005. Collor está numa sala de sua casa em Maceió, ao lado de um jornalista)
Collor: O mensalão mostrou quem são os corruptos, os ladrões do país. Eles hoje estão no governo. O Lula é o chefe.
(2007. Lula está cercado de jornalistas numa sala grande no Palácio do Planalto)
Lula: O senador Fernando Collor tem tudo para fazer um grande mandato.
(2009. Claramente irritado, Collor está na tribuna do Senado)
Collor: Nenhum ataque ao presidente Lula ficará sem resposta!
(2009. Lula e Collor estão juntos num palanque em Alagoas)
Lula: Tenho de agradecer o companheiro Fernando Collor pelo bom trabalho que está fazendo.
(2010. Num palanque em Maceió, Lula, Collor e Dilma Rousseff estão de mãos dadas, dançando e cantando, em coro com a plateia, o refrão do jingle da campanha do candidato a governador de Alagoas)
Todos: É Lula apoiando Collor,/é Collor apoiando Dilma/pelos mais carentes./É Lula apoiando Dilma,/é Dilma apoiando Collor/para o bem da nossa gente.
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Vinte anos depois da cena inicial, Collor ajuda Lula a tentar eleger a sucessora e Lula ajuda Collor a reiniciar a aventura que resultou, entre outras obscenidades, no confisco da poupança, na roubalheira medonha e no despejo vergonhoso. A ausência de valores morais e princípios éticos é o traço comum que permitiu a dois sessentões descobrirem só agora que foram amigos de infância. A Ópera dos Malandros encontrou a apoteose mais que perfeita.

04 janeiro 2011

O "febeapá" dos ministros de Dilma

Por Reinaldo Azevedo (Veja.com):
A posse de vários ministros, ontem, forneceu já vasto material para o futuro febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País) do governo Dilma. Tivemos Ideli Salvatti (Pesca) - aquela que não distingue uma tilápia de um pirarucu - indignada porque se referem a ela de modo jocoso, indagando quando peixes ela já pescou na vida. Garibaldi Alves Filho, da Previdência, admitiu: Dilma certamente preferiria alguém mais qualificado do que ele para o cargo, de que não entende nada. E lembrou que Edson Lobão, nas Minas e Energia, padece de seu mesmo mal. Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, tentou convencer os militares de que a tal Comissão da Verdade - porta aberta para o revanchismo - é uma coisa boa para os próprios militares… Mas foi o inexcedível Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, a dar um show.
Atrasado na ciência ao menos uns 200 anos, o valente disparou que o Brasil “será o primeiro país tropical desenvolvido”. A Austrália sofre com uma enchente dos diabos agora, mas não se ouve falar de grandes catástrofes humanas justamente porque se trata de um país… desenvolvido!!! E, saiba o ministro Mercadante, também “tropical”, com um dos maiores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo.
A bobagem revela uma cabeça atrasada, sem o devido preparo intelectual para o cargo. E pensar que esse portento obteve há três semanas o título de “doutor em economia” pela Unicamp - com uma “tese” cantando as glórias do governo Lula! A suposição de que o clima determina o grau de desenvolvimento (e o Brasil seria o primeiro a superar o entrave) está lá com as teorias deterministas do fim do século 18 e do século 19, que associavam o calor ao atraso e à indolência. Montesquieu, que prestou serviços relevantes ao pensamento, estava certo de que muito calor conduzia à tirania…
Se é para exaltar o pioneirismo do PT, Mercadante não se importa em extinguir a Austrália ou em aderir às teses as mais esdrúxulas. O homem é um empirista. Se as nações mais ricas estão nas áreas mais frias da Terra, e as mais pobres, nas mais quentes, isso deve querer dizer alguma coisa… Mas o quê???
Há pouco, ouvi cantar alguns galos ao longe. Não demora, vai amanhecer. Sempre amanhece depois que eles cantam. Mercadante é do tipo que acredita que, caso matemos todos os galos, o mundo cai numa noite eterna…
Ele vai cuidar da ciência e da tecnologia! Protejam os seus galos!
PS - E os petralhas ainda perguntavam: “Sem Lula, vai escrever sobre o quê?” Pois é…

03 janeiro 2011

Lula "rouba" a cena de Dilma com o caso Battisti

Por Ricardo Setti (Veja.com):
Cesare Battisti: a decisão de manter o terrorista no Brasil desmoraliza o país diante da opinião pública internacional
Tanto fez, que ele acabou conseguindo: na véspera da posse da primeira mulher eleita presidente em 121 anos de República, Lula com seu ego inigualável conseguiu retirar de Dilma Rousseff e voltar para si as atenções do país e de boa parte da opinião pública internacional com a vergonhosa decisão de não extraditar para a Itália o terrorista e assassino Cesare Battisti. Um infeliz roubo de cena.
Trata-se de um atropelo ao Direito Internacional que parte de um absurdo: baseado em quilométrico e palavroso parecer de 65 páginas da Advogacia Geral da União (leia aqui), o governo brasileiro age na suposição de que o terrorista, condenado por quatro assassinatos em seu país, em julgamentos fundados na lei e com direito a plena defesa e em três instâncias diferentes, fosse ser vítima de perseguição política, como se a Itália fosse uma Coreia do Norte, um Irã, uma Venezuela.
“Há fundadas razões para suposição de que o extraditando possa ter agravada sua situação pessoal”, delira a AGU. “A questão exige que se proteja, de modo superlativo possível, a integridade de pessoa eventualmente exposta a perigo, em ambiente supostamente hostil”.
O fato de o primeiro-ministro Silvio Berlusconi comportar-se como um cafajeste abominável não subtrai à Itália o caráter de ser uma das democracias mais livres do planeta. Battisti não seria “vítima de perseguição política” alguma caso fosse extraditado: ele cumpriria, com base na Constituição e nas leis de um Estado democrático, os 30 anos de cadeia a que se viu condenado (na verdade, recebeu prisão perpétua, mas o Brasil não extradita sentenciados a menos que seu país de origem concorde em que cumpra o máximo de tempo de prisão previsto no ordenamento jurídico brasileiro).
Battisti não é um “perseguido político”, como queria seu grande amigo Tarso Genro, atual governador do Rio Grande do Sul e ministro da Justiça de Lula quando o terrorista foi preso, em 2007. Condenado na Itália, teve sua situação reiterada pela França, onde andou foragido, e seu caso passou pelo crivo da Corte Europeia de Direitos Humanos. É um criminoso responsável pela morte de dois comerciantes, um agente de segurança e um policial.
A decisão vergonhosa de mantê-lo no Brasil desmoraliza o país diante da opinião pública internacional e significa uma bofetada no rosto da bela Itália, país amigo do qual descendem mais de 30 milhões de brasileiros, além de arranhar as relações do Brasil com importantíssimos parceiros comerciais, financeiros e culturais — os países da União Europeia, da qual a Itália é membro proeminente.

O legado maldito da era Lula

Por Ricardo Setti 9Veja.com):
O presidente Lula encerra o mandato com uma decisão vergonhosa — a de não extraditar o terrorista e assassino Cesare Battisti para a Itália, como mandaria a legislação, o bom senso, o sentimento de justiça e as relações com um país amigo (leia post).
É como um escultor que dá seu toque final a uma obra. No caso, uma obra que o presidente parece ter perseguido com obstinação — a permanente tentativa de desmoralização das instituições. É esta a herança maldita, eivada de descaso moral, que passará à frente, hoje, à presidente eleita, Dilma Rousseff.
Lula deixa um legado positivo em realizações, que não se pode negar: a manutenção da estabilidade econômica que herdou dos antecessores Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), na qual se baseou o grande crescimento do PIB e a formidável geração de empregos ocorridos em sua gestão, ambos impulsionados por uma conjuntura internacional extraordinariamente favorável. E, entre outros aspectos louváveis, a marcante distribuição de renda, também estribada na “rede de proteção social” do antecessor FHC, que seu governo ampliou e aprofundou.
Em compensação, em matéria de herança maldita, o presidente que hoje deixa o Planalto…
* Viu seu governo ser tisnado por escândalos nos Correios, na compra de ambulâncias, na montagem de dossiês fajutos para prejudicar adversários, na transformação da Casa Civil em balcão de negócios.
* Desmoralizou o quanto pôde o Congresso Nacional, por meio de seu então braço direito, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, que edificou um esquema de compra de apoio parlamentar, o mensalão, qualificado pelo procurador-geral da República como “formação de quadrilha”.
* Silenciou espantosamente diante da explosão do mensalão, para se pronunciar tardiamente dizendo-se “traído”, sem jamais apontar quem o traiu e por quê.
* Como parte do mesmo processo, fez composições com qualquer grupo político disposto a trocar apoio parlamentar por benesses governamentais, “não importando o quanto de incoerência essas novas alianças pudessem significar diante do que propunha, no passado, a aguerrida ação oposicionista de Lula e de seu partido na defesa intransigente dos mais elevados valores éticos na política”, como brilhantemente recordou o Estadão em editorial de 9 de setembro do ano passado. No saco de gatos governista o antes purista PT passou a conviver com o que há de pior na política brasileira, gente como José Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Paulo Maluf e Fernando Collor.
* Envergonhou os brasileiros de bem quando comparou com bandidos comuns trancafiados em prisões brasileiras os dissidentes da ditadura cubana, e confraternizou com o ditador Raúl Castro no exato momento em que um deles morria em consequência de uma greve de fome.
* Envergonhou os brasileiros de bem estreitando laços com regimes ditatoriais, como os de Cuba ou do tenebroso Irã, ou com caudilhos autoritários como o venezuelano Hugo Chávez, e concordando em que o governo se abstivesse sistematicamente na ONU de condenar as violações de direitos humanos nesses países e em outros como a China, o Sudão e a Síria, aliando-se, na organização internacional, ao que há de pior em matéria de regimes autoritários.
* Desmoralizou as agências reguladoras, que deveriam ser órgãos técnicos e apartidários, para normatizar e fiscalizar áreas fundamentais da economia e da vida do país como o petróleo, as telecomunicações, a saúde pública ou a aviação, loteando-as entre políticos, cortando sua autonomia e reduzindo seus recursos no Orçamento.
* Desmoralizou o Tribunal Superior Eleitoral, zombando em público das sucessivas multas e advertências que recebeu por violar a lei ao fazer campanha para sua candidata à Presidência, Dilma Rousseff, em horário de trabalho e utilizando espaços e outros recursos públicos.
* Desmoralizou o Tribunal de Contas da União, ao apontá-lo seguidamente como entrave à execução de obras públicas nas quais a corte detectou problemas, e mandando seguir obras cuja paralisação havia sido determinada pelo TCU.
* Desmoralizou uma instituição que por décadas figurava entre as mais confiáveis entre os brasileiros, os Correios, aparelhando-0s politicamente e deixando que o que antes era um centro de excelência em ninho de corrupção.
* Desestimulou os brasileiros que se esforçam por estudar e avançar em seu progresso educacional, ao passar invariavelmente a impressão de orgulhar-se de não possuir um diploma universitário e de, mesmo podendo, não ter estudado além do ensino elementar.
* Desmoralizou com frequência a majestade do próprio cargo, transformando a figura do presidente em palanqueiro vulgar, encantado pela própria voz, proferindo uma catarata diária de discursos e frequentes e constrangedores disparates, que dividiu o país entre “eles” e “nós”, falou em “extirpar” um partido político legítimo, o DEM, e zombou do candidato da oposição à Presidência, José Serra (PSDB), quando este se viu envolvido em incidente provocado por baderneiros no Rio de Janeiro.
* Fez o possível para desmoralizar a História, ao martelar em seus discursos e, indireta e insidiosamente, na caríssima propaganda de seu governo, que o Brasil começou com sua chegada ao Planalto, há oito anos, quando “os brasileiros se reencontraram com o Brasil e consigo mesmos” — desconsiderando e desrespeitando o trabalho de antecessores, principalmente FHC, e agindo como se o que a propaganda oficial chama de “reencontros” não ocorresse em surtos desde, pelo menos, a Inconfidência Mineira (1789). E depois passando pela Independência (1822), a República (1889) e, mais recentemente, pelos anos JK (1955-1961), as esperanças suscitadas com a eleição de Jânio Quadros (1961), o “Brasil Grande” da ditadura militar, o extraordinário movimento das Diretas-Já (1983-1984), o surto de civismo que significou a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em janeiro de 1985, e a comoção gigantesca que acompanhou sua morte, em abril do mesmo ano, o delírio otimista do Plano Cruzado (1986), o apoio ao Plano Real (1994) e a eleição em primeiro turno de FHC (ainda em 1994).
Nesse sentido, não importam seus índices de popularidade: Lula deixa uma herança maldita.
E já vai tarde.

31 dezembro 2010

Lula por um dia! _ Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Lula da Silva acaba hoje - tem mais uma solenidadezinha para a pantomima da despedida e só! Depois é passado. Se a sua eleição foi celebrada como o advento, tenta-se fazer de sua despedida um rito sacrificial, embora exultante, como se ele estivesse caminhando para uma imerecida imolação, mesmo sendo sucedido na Presidência por um nome do seu grupo político. A ua cascata lacrimosa - e como ele chora fácil, não? - é só uma nota patética no rito corriqueiro das democracias: os governantes eleitos exercem por um tempo o mandato e depois deixam o poder, seguindo o que vai estabelecido nas leis. O circo que se arma dá a entender que ele está nos fazendo uma generosa concessão. E não está! Ao contrário: a democracia, na qual ele nunca acreditou muito, é que foi generosa com ele.
É claro que o Brasil teve alguns avanços. Lula estava lá para isto mesmo:  tentar melhorar o que não ia bem. É essa a função dos governos, ou não precisaríamos deles. Afinal, se o objetivo não fosse aumentar o bem-estar coletivo e garantir o pleno exercício das liberdades públicas e individuais, serviriam para quê? Só para tungar a carteira dos contribuintes? Nem Lula nem governante nenhum têm o direito de nos cobrar por aquilo que nós lhes demos. Eles não nos dão nada! Para ser mais exato, tiram. Aceitamos, como uma das regras do jogo, conceder-lhes algumas licenças em nome da ordem necessária para viver em sociedade. Só isso!
Lula se vai. Não há nada de especial nisso. Na manhã seguinte, como diria o poeta, os galos continuarão a tecer as manhãs - consta que eles só pararam de cantar quando morreu Papa Doc, o ditador do Haiti. Não creio que devotem o mesmo silêncio reverencial a Papa Lula! O petista terá cumprido oito anos de um governo que fez pouco caso das leis, das instituições e do decoro, e tal ação deletéria nada teve a ver com suas eventuais qualidades. A virtude não deriva do vício;  o bem não descende do mal.
A democracia, que garante amanhã a posse de Dilma Rousseff, teve no PT - e particularmente em Lula - um adversário importante em momentos cruciais da história do Brasil. Esse é o partido que não participou do colégio eleitoral que pôs fim ao regime militar; que se negou a homologar a Constituição de 1988; que se recusou a dar sustentação ao governo de Itamar Franco; que sabotou - e cabe a palavra -  todas as tentativas de reformar o país empreendidas por FHC e que, agora, se esforça para censurar a imprensa.
A sorte foi, sem dúvida, generosa com Lula caso se considere a sua ação efetiva para a consolidação da democracia política. Seus hagiógrafos tendem a superestimar a sua atuação como líder sindical, ignorando a sua histórica irresponsabilidade no que respeita aos marcos institucionais, que são aqueles que ficam e que compõem o molde no qual a sociedade articula as suas diferenças.
Neste último dia de Lula, meu brinde vai para a democracia, que sobreviveu às ações deletérias de um líder e de um partido que se esforçam de modo metódico para solapá-la em nome de suas particularíssimas noções de Justiça.
Vai, Lula! Os que preservam a democracia o saúdam!
Comento:
 Reinaldo Azevedo consegue sempre escrever aquilo que a gente gostaria. Nenhum reparo ao que vai acima.

"Assim é um líder"_Nelson Rodrigues

Íntegra da crônica Assim é um líder, de Nelson Rodrigues, publicado no jornal O Globo em 9 de janeiro de 1968

Nelson Rodrigues
O líder é um canalha. Dirá alguém que estou generalizando. Exato: estou generalizando. Vejam, por exemplo, Stalin. Ninguém mais líder. Lenin pode ser esquecido, Stalin, não. Um dia, os camponeses insinuaram uma resistência. Stalin não teve nem dúvida, nem pena. Matou, de forma punitiva, 12 milhões de camponeses. Nem mais, nem menos: – 12 milhões. Era uma maravilhoso canalha e, portanto, o líder opuro.
E não foi traído. Aí está o mistério que, realmente, não é mistério. É uma verdade historicamente demonstrada: – o canalha, quando investido de liderança, faz, inventa, aglutina e dinamiza as massas de canalhas. Façam a seguinte experiência: – ponham um santo na primeira esquina. Trepado num caixote, ele fala ao povo. Mas não convencerá ninguém, e repito: – ninguém o seguirá. Invertam a experiência e coloquem na mesma esquina, e em cima do mesmo caixote, um pulha indubitável. Instantaneamente, outros pulhas, legiões de pulhas, sairão atrás do chefe abjeto.
Mas, dizia eu que Stalin não foi traído, nem Hitler. O Führer, para morrer, teve de se matar. (Nem me falem do atentado dos generais grã-finos. Há uma só verdade: – nem o soldado alemão, nem o operário, nem o jovem, nem o velho, traíram Hitler.) E, quanto a Stalin, ninguém mais amado. Só Hitler foi tão amado. Aqui mesmo, no Brasil. Bem me lembro, durante a guerra, dos nossos stalinistas. Na queda de Paris, um deles veio-me dizer, de olho rútilo e lábio trêmulo: – “Hitler é muito mais revolucionário que a Inglaterra”.
Sim, o que se sentia, aqui, por Stalin, era uma dessas admirações hediondas. Eu via homens de voz grossa, barba cerrada, ênfase viril. Em cada um dos seus gestos, a masculinidade explodia. E, quando falavam de Stalin, eles se tornavam melífluos, como qualquer “travesti” do João Caetano ou do Teatro República. O que se sentia, por trás desse arrebatamento stalinista, era um amor quase físico, uma espécie de pederastia idealizada, utópica, sagrada. Com as mandíbulas trêmulas, uma salivação efervescente, os fanáticos chamavam o Guia de “o Velho”. E essa paixão era de um sublime ignóbil.
Já o Czar foi o antilíder. Há um quadro russo da matança da Família Imperial. (A pintura de lá, tanto a czarista, como a soviética, é puro Osvaldo Teixeira.) Eis o que nos mostra a tela: empilhados, numa bacanal de defuntos, o Czar, a Czarina, as princesinhas, etc., etc. Uns por cima dos outros, e cravejados de bala. Os soldados receberam a ordem e estouraram a cara dos velhos, das mocinhas, dos meninos. Mas não vamos assumir, aqui, nenhuma postura sentimental. Eis o que importa diser.
Na véspera de morrer, o nosso Nicolau entretinha-se na redação do seu diário. Fazia diário como qualquer heroína da Coleção das Moças. Reparem no antilíder, no anti-rei, no antitudo. No dia seguinte estariam à mostra os intestinos dele mesmo, as tripas da mulher, dos filhos, dos sobrinhos, dos netos. Mas ele não teve nenhum sentimento da morte. No jardim havia um “lago azul” como o da nossa canção naval. E, lá, dois ou três cisnes deslizavam mansamente. Um mundo já morria e outro ia nascer. E o Czar estava fascinado pelos cisnes, e a última página do diário era a eles dedicada. Um homem assim teria de ser exterminado a bala ou a pauladas, como uma ratazana.
Alguém lembrará a figura de Kennedy. Era um líder que preservava um mínimo de humanidade. Mas não era líder. Lembro-me da babá portuguesa da minha garotinha. Ao ver o retrato de Kennedy, gemeu com sotaque: – “Bonito como uma virgem”. Era um líder de luxo, isto é, um antilíder. Ao entrar na política, o pai, outro aristocrata, deu-lhe um cheque de um milhão de dólares. E mais: – Johnny casou-se com Jacqueline. E a mulher bonita é própria do falso líder. Nem Stalin, nem Hitler, fariam essa dupla concessão ao sentimento e ao sexo. Reexaminem toda a vida de Kennedy: – não foi, em momento nenhum de sua história e de sua lenda, um canalha. E não soube fazer pulhas para juntá-los em torno de sua liderança.
Pensem no pacto germano-soviético. Todos os que o aceitaram ou que ainda hoje o justificam eram e são perfeitos, irretocáveis canalhas. De um só lance, Stalin e Hitler degradaram toda uma época. Eis o que desejo ressaltar: – faltava a Kannedy essa capacidade de aviltar um povo. Ao passo que Stalin fez seu povo à imagem e semelhança da própria abjeção. Mas foi na morte que Kennedy demonstrou a ineficácia e falsidade de sua liderança.
O líder não morre antes, nem depois. O derrame escolheu a hora certa para matar Stalin. Hitler meteu uma bala na cabeça no momento justo em que precisava estourar os miolos. Waterloo aconteceu quando se esgotou a vitalidade histórica da era napoleônica. Se Lenin vivesse mais quinze dias, seria outro Trotski. E Kennedy caiu antes do tempo, morreu quando não tinha que morrer. Imaginem um cristo morto de coqueloche aos três anos. Não seria Cristo, não seria nada. Kennedy morreu ao lado da mulher bonita. E, de repente, veio a bala e arrancou-lhe o queixo, forte, crispado, vital. Restava tudo por fazer; o horizonte da reeleição abria-se diante dele. Esta morte antes do tempo mostrou que Kennedy não era Kennedy. O amor que lhe consagramos é um equívoco.
Falo, falo, e não sei bem por que estou dizendo tudo isso. Agora me lembro, Eu disse algo parecido ontem, num sarau de grã-finos. Não achem graça. Aprende-se muito no grã-finismo, e repito: certos grã-finos têm um sutil faro histórico, diria melhor, profético. Sentem, por vezes, antes dos outros, o que eu chamaria “odor da História”. E um desses estava-me dizendo, num canto, com uma convicção forte: – “Vai haver o diabo neste país”. Disse e fez um “suspense”. Instiguei-o: – “O diabo, como?” E ele, misterioso: – “Você não sente que vem por aí não sei o quê?” Esse “não sei o quê” era pouco para a minha fome. O grã-fino punha mais gelo no copo. Insinuou: – “”Há muita insatisfação”. Ainda era pouco. E eu queria saber, concretamente, o que vinha por aí. Perguntei: – “Sangue?” E o outro: cara a cara comigo e um ar de quem promete hemorragia nacional inédita: – “Sangue”.
Todavia, o “suspense” continuava. “Sangue”, dissera ele. Mas, quem ia derramar o sangue, e que sangue? Ainda olhei para os lados, como a procurar, entre os convidados, um possível Drácula. Quando, porém, o grã-fino falou em “esquerda”, a minha perplexidade não teve mais tamanho. Recuei dois passos avancei outros tantos e perguntei: – “Você acredita na nossa esquerda? Nessa que está aí?”
Ele acreditava. Então perdi a paciência e falei sem parar, Quem ia mudar qualquer coisa neste País? A esquerda tem um canalha para exercer uma liderança concreta e proveitosa? Senhoras entraram no debate. Fez-se, ali, uma alegre pesquisa de pulhas. Mas os canalhas lembrados eram, ao mesmo tempo, imbecis. E o que a história pedia era um crápula com seu toque de gênio. Em suma: não ocorria aos presentes um nome válido. A última palavra foi minha. Disse eu mais ou menos o seguinte: – enquanto a esquerda que aí está não for substituída até seu último idiota, não vai acontecer nada, rigorosamente nada.
Comento:
Qualquer semelhança não é mera coincidência...

30 dezembro 2010

O Natal de Jesus é somente de festas?

Muita gente vai estranhar esse título achando que a resposta é óbvia e que as festas se devem ao fato de nesta data ter nascido Jesus Cristo. OK. Concordo. No entanto, continuo a fazer a mesma pergunta com resposta "óbvia". Isso porque não creio que a maioria da humanidade saiba - ou queira saber - mesmo quem foi Jesus Cristo.
Esse Personagem da História (não creio que ainda haja alguém que duvide de Sua historicidade), no entanto, por já parecer "fazer parte da paisagem" (afinal há 2010 anos que a "cristandade" O festeja - e isso é mais do que prova de Sua historicidade, tendo mesmo dividido ao meio a História em aC e aD), todavia as pessoas nem se dão conta de Sua importância para a humanidade. Explico porque: as pessoas - os cristãos, propriamente - se preocupam mais com as tradições das festividades em si do que com o "Homenageado", pois dEle não se lembram como mais do que uma simples figura histórica que a tradição aponta como Alguém que, se dizendo "Filho de Deus", aqui nesta Terra nasceu como criança; foi perseguido logo que nasceu e durante toda a sua vida; ensinou e curou muita gente; escolheu alguns seguidores que denominou de apóstolos; nunca escreveu nada, mas foi o Personagem de Quem mais se escreveu; foi morto por cruciifixão pelos romanos a pedido dos próprios judeus e ressusciou ao terceiro dia e subiu ao Céu  - aqui a fé já começa a fraquejar... - e ninguém nunca mais o viu. Que história triste, não? No Natal somente se contam a "parte boa" da História - o nascimento - e se deixam a parte, como diríamos, "triste" para a "semana santa" entre março e abril, pois afinal o que se quer nesta data natalina é festejar e não contar história triste.
É aqui justamente que reside a importância da resposta à pergunta incômoda: Jesus nasceu para morrer por nós! Como então separarmos as duas partes da História? O nascimento de Jesus - o Natal - é importante justamente porque nesta data - não em dezembro (com noites de invernos rigorosos), mas provavelmente em outubro (quando o clima está agradável e conta com pastores nas colinas de Belém...) - houve o cumprimento da mais importante profecia da bíblia: a de que um dia nasceria uma Criança que "esmagaria a cabeça da serpente" e que foi prometida por Deus lá no Éden logo após a queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Essa história está em Gênesis 3:15: " E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar". Esse diálogo se deu entre Deus e o Tentador (que se "camuflou" por detrás da serpente - usando-a como chamariz e instrumento de tentação), deixando antever que seu domínio (do Tentador) sobre a criação de Deus seria obstaculizada - haveria "inimizade" entre os seguidores de Deus e os seguidores do Tentador - e finalmente este seria julgado  e condenado à morte quando a "semente" (Jesus) da mulher (Maria) desse à luz a um Filho que lhe "esmagaria a caneça", enquanto que esse "Filho do Homem" e também "Filho de Deus" sofreria um "ferimento no calcanhar", ou seja, a morte na cruz e os "longos" (para Quem sempre viveu) 3 dias sob o poder da morte (o cômputo do dia naqueles tempos era inclusivo, isto é, considearava qualquer fração de um dia como "umdia inteiro". Assim, Jesus morreu às 15h de sexta-feira, passou todo o sábado na sepultura, e, ao raiar do 1o dia da semana, ressuscitou - portanto 3 dias). Jesus morreu a nossa morte para que pudéssemos viver a Sua vida.
Percebam como tanto o nascimento quanto a morte de Jesus foram preditas desde o Éden! Assim, não há como separar uma história da outra. Jesus nasceu para morrer. A sentença de mortre decretada por Deus contra a humanidade (Adão e Eva no Éden) após a queda recaiu sobre o próprio Deus na pessoa de Seu Filho - na verdade a segunda pessoa da Divindade. Por Ele, Jesus, a humanidade será reerguida e voltará à harmonia original. Durante toda a História da humanidade se verificou a existência de um "grande conflito" entre os "filhos de Deus" e os "filhos das trevas". A obediência é a grande chave para a liberdade. No ponto em que Adão e Eva caíram, Jesus venceu! Aqueles caíram pela desobediência no Éden; Jesus venceu no "deserto da tentação" e durante todo o Seu ministério. O Tentador procurou de toda sorte obstaculizar o cumprimento dessa profecia, a qual não compreendia muito bem, mas sabia não lhe ser benéfica, pois a sua cabeça seria "esmagada".
Ao longo de toda História da humanidade - e do "povo de Deus em particular - se percebe a "inimizade" entre o mal e o bem. A humanidade desceu fundo na prática do mal, mas sempre houve um remanescente que ficou ao lado de Deus e da verdade. Noé e sua família sobreviveram ao dilúvio - evento tão certo quanto as marcas deixadas pelo mesmo na face da Terra em termos de "grands cannyons", "jazidas de carvão mineral", "petróleo", "fósseis de animais e plantas", etc. Abrahão, Isaac e Jacó deram origem a Israel, o antigo "povo de Deus", de onde nasceu o prometido Messias - Jesus, a "semente" da mulher. Esse povo sofreu cruel oposição do Tentador, que tudo fez para afastá-lo de Deus. Quando Jesus nasceu, o Tentador procurou matá-Lo logo no nascimento. E assim fez ao longo de toda a vida de Jesus, mas sem sucesso a não ser quando Este Se deixou matar na cruz. Por que era necessário que Jesus morresse? Por que Deus arquitetou um plano desses? São Paulo afirma que "sem derramamento de sangue (isto é, a morte) não há remição (perdão) dos pecados (transgressão da Lei de Deus)" (Heb. 9:22). Assim, apenas Alguém que tivesse vida em Si mesmo (como Jesus tinha) podia morrer a morte em nosso lugar e assim "pagar o preço" da transgressão original e de cada filho e filha de Adão e Eva. Na fé de que esse sacrifício foi substitutivo à nossa morte eterna reside o "Plano da Salvação". Jesus declarou: "quem crer em Mim ainda que esteja morto viverá e quem vive e crer em Mim jamais morrerá (eternamente)" (S. João 11:26). A morte eterna é aquela que será destinada a todos quantos continuarem em seu caminho de transgressão da Lei de Deus (Êxodo 20; Apoc. 20:11-15) e a receberão como sentença final. Esta morte também está destinada ao Grande Rebelde, ao Tentador, Satanás, que caiu de sua posição no Céu antes da fundação da Terra (Apoc. 12:7; Ezeq. 28).
Este texto é uma contribuição a todos quantos me acompanham neste espaço e dever ser recebido de forma a levá-los a meditar na figura de Jesus como muito mais do que um simples pregador que morreu de forma vergonhosa, numa aparente derrota, sob os poderes dos homens maus. Deus, para demonstrar que é capaz de se sacrificar pelo pecador sem, todavia, rebaixar a norma de Sua Santa Lei, cumpriu-a e deu o exemplo de como cumpri-la em todas as fases da vida. Daí ter nascido como uma criancinha, ter passado pela infância, adolescência e fase adulta. Por 33,5 anos conviveu nesta Terra como 'estrangeiro' sem se eximir de participar ativamente da vida humana, mas sem cometer nenhum pecado. Foi o 'segundo Adão', isto é, veio sem a natureza pecaminosa (pois sendo Deus não tem em Si mesmo o germe do mal), mas, como qualquer ser humano, foi tentado em tudo quanto poderia ter sido levado a cometer pecado pelo Tentador. Sua 'arma' sempre foi um claro 'está escrito', demonstrando assim a importância de Sua Palavra escrita como um guia seguro para o cristão.
Tão importante quanto as profecias (são mais de 800 no Velho Testamento) acerca de sua primaira vinda como Messias sofredor e 'cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo' (como era prefigurado nos holocaustos e no cerimonial do Templo judaico), devemos olhar para as diversas outras profecias que tratam de seu retorno como Juiz de toda a Terra. Em Sua providência, Deus deixou que o mal maturasse por mais de 2 mil anos. A Terra, por tudo que pode ver e pelo que as inúmeras profecias demonstram, parece estar em seus estertores e a promessa de sua segunda vinda está se cumprindo a passos largos, mas a humanidade, a wexmplo do que ocorreu nos tempos de Noé, está entregue a um incrível e inexplicável frenesi por festas, comemorações, beberagens, comilanças, sexo, drogas e outras práticas divercionistas que a afastam da iminente hora do juízo de Deus. A Natureza geme e pranteia pelas ações do homem. As sociedades estão cheias de corrupção e crimes. Todas as profecias bíblicas se cumpriram. Um de seus maiores estudiosos foi o grande cientista Sir Isaac Newton ("As profecias de Daniel e Apocalipse"). O maior de todos os períodos de tempo profético (Dan. 8:14; 12) se cumpriu em 1844, quando teve início aquilo que em Daniel é chamado de 'tempo do fim'.
Que Jesus Cristo, Deus o Pai, e o Divino Espírito Santo nos ajudem a obedecer aos mandamentos de Deus e possamos alcançar "novos ceús e nova Terra" (Apoc. 21:1) que Ele tem preparado a cada um de nós na Sua segunda vinda. Amém.

FHC não entende Dilma Rousseff

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso esteve no programa Manhattan Connection, do GNT, no domingo. Diogo Mainardi quis saber se ele entende o que fala Dilma Rousseff. Com humor, respondeu o tucano:
“Tenho dificuldade mesmo. Você sabe que eu sou curto de inteligência; às vezes; eu não consigo. Ela não termina o raciocínio, e eu não tenho imaginação suficiente para saber o que ela iria dizer”.
Na mosca!