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01 setembro 2024

Auto-biografia do prof. Pinheiro. (Cap. VII)

 

< Capítulo VII >

ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Iniciei, em maio de 1.985, minha caminhada como administrador na Fundação Centro de Apoio ao Distrito Agropecuário (FUCADA), Fundação Pública vinculada à Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA).

O exercício dessa função superior por mim na FUCADA foi a prova da assertividade com a qual tanto havia perseguido estudar, nos cinco anos anteriores.

O INCRA (na verdade, seus dirigentes) não entendiam dessa forma. Já os dirigentes do Instituto de Terras do Amazonas (ITERAM), sim. Principalmente o seu Diretor Técnico Isaías. Por isso que serei eternamente grato. Estou falando de dirigentes como Bernardes Lindoso (seu primeiro Presidente); de Isaías, seu Diretor Técnico; e de tantos outros colegas, que deram total apoio. Confiança se conquista.

Administração se tornara para mim a grande nova paixão de minha vida profissional! Tem um ditado que diz que uma paixão antiga somente se esquece por meio de uma nova paixão. Assim foi o que aconteceu comigo em relação à ‘topografia’ (que já tinha evoluído para ‘cartografia’). E à matemática.

Esse desenlaqce teve início ainda em Tabatinga, onde fui topógrafo (proscrito, é bem verdade) e chefe do setor. Essa chefia me “obrigou” a exercer atividades burocráticas.

Como sempre gostei de saber o 'porquê das coisas, me interessei pela administração como disciplina científica. Comecei a estudar ‘administração’ por conta própria. Assim é que fui “inoculado” por essa nova paixão. Contudo, guardei no meu coração a gratidão a Deus pelo que havia me proporcionado o exercício da ‘topografia’/’cartografia’. Matemática não se esquece. Sempre a pratiquei em apoio àquelas disciplinas outras.

Agora como ‘administrador’, minha nova paixão, tive meu primeiro desafio: elaborar o Regimento Interno (RI) e o 'Plano de Carreiras e Salários (PCCS)' da FUCADA. Esse desafio me serviu também de “laboratório” como administrador. E foi para mim motivo de muito orgulho! O Conselho de Administração da SUFRAMA aprovou sob aplausos.

Dada minha origem humilde de ‘matuto’ do ‘Careiro da Várzea’, esse fato foi para mim o cumprimento de um sonho, que julgava quase impossível. Para minha sorte e júbilo, as ‘peças técnicas’ por mim produzidas na FUCADA, quais sejam, o ‘Organograma’ e o ‘Regimento’, bem como o ‘PCCS’, apresentados para aprovação no Conselho de Administração (CAS) da SUFRMA, foram bastante elogiados e aprovados à unanimidade, para minha satisfação e do Diretor Johnny de Carli. Tanto que o meu colega administrador, Sérgio Kusbick, se referiu a esse evento como tendo sido uma verdadeira ‘rasgação de seda’...

Contudo, não me dei por satisfeito em atuar como administrador, essa profissão de tanto prestígio profissional!

Como já mencionei em outro capítulo, em 1985 prestei novo vestibular para ‘Direito Noturno’ e obtive sucesso. Assim, passei a perseguir essa outra nova profissão de enorme prestígio no mundo acadêmico e social. Pena que hoje esteja tão vilipendiada. Como professor de Direito Constitucional; Direito Administrativo; Direito Tributário; Direito municipal, etc., estou perplexo com as recentes decisões da nossa mais alta corte.

Iniciei o primeiro semestre de estudos do curso de Direito nesse mesmo ano de 1985, já trabalhando como administrador da FUCADA.

Assim, cumpri o primeiro período de Direito, o período básico, no primeiro semestre de 1.985.

Como administrador já formado, aproveitei no curso de Direito sessenta créditos cumpridos no curso de ‘Administração’ no curso de ‘Direito’. Portanto, tive de cursar apenas ‘cento e vinte créditos’ no curso de ‘Direito’, o que me facilitou bastante, mas, por outro lado, deixei de cursar várias disciplinas que me fizeram falta mais tarde e que acabei tendo de estudar como autodidata.

Este ‘ex-matuto’ não tinha noção, mas estava quebrando vários tabus sociais ao ascender para um seleto grupo de profissionais de grande prestígio: a advocacia. Para isso, no entanto, tive de enfrentar problemas de ordem logística que não tornava nada fácil essa tarefa. Como a sede da FUCADA – uma fazenda-modelo que, depois de estruturada, seria entregue para a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) – ficava no km 38 da BR-174, no início da área pertencente à SUFRAMA, no Distrito Agropecuário, isso me obrigava a, todo dia, ir de Manaus para a Fazenda, e vice-versa, a fim de poder estudar na Faculdade de Direito.

Nesse tempo, a BR-174 não era asfaltada, o que tornava a viagem de grande dificuldade em razão dos atoleiros causados pelas intensas chuvas, típicas da Região Amazônica. Entre dezembro a junho de cada ano, as chuvas de monção acontecem na Região. Dois colegas já haviam morrido nesse trecho da rodovia por conta disso. Bateram com seu carro de frente com um caminhão-tanque que estava estacionado à margem da estrada. Morreram um advogado e um agrônomo, deixando duas famílias enlutadas. O advogado era marido de uma Assistente Social da SUFRAMA muito querida.

Vendo esse meu novo sacrifício para estudar, o Diretor Executivo da FUCADA, Johnny De Carli, me mandou trabalhar, a partir do primeiro semestre de 1.986, na sede da SUFRAMA, no Distrito Industrial (DI), onde a FUCADA tinha um escritório de representação. Assim, minha vida de estudante de Direito foi facilitada. Ao que agradeço penhoradamente a Deus e ao Johnny, meu querido amigo.

Para garantir minha permanência na sede da SUFRAMA, o Dr. Johnny me incentivou a disputar as eleições para vice-presidente da ‘Associação dos Servidores da SUFRAMA’ (ASFRAMA), da qual faziam parte, além dos servidores da SUFRAMA, os da FUCAPI e da FUCADA. A FUCAPI era a ‘Fundação de Apoio ao Distrito Industrial’, da SUFRAMA. Obtive sucesso nessa empreitada graças à participação maciça dos servidores da FUCADA naquela eleição - a única função eleitoral da qual participei em toda a minha vida! Portanto, por essa 'manobra,' fiquei agora trabalhando na SUFRAMA como administrador e vice-presidente da ASFRAMA, até 1.988.

Em 1986, como Secretário Geral do PTB, função que assumi por convite do meu professor de ‘Direito Comercial’ e ex-governador, Dr. Plínio Ramos Coelho, de saudosa memória, e também por incentivo do Dr. Johnny De Carli, participei, naquele ano, como ‘coordenador’ das ‘fiscalizações das eleições’ para governador, senador, deputados federais e estaduais.

A atuação política era para mim um desafio desde 1.982 Naquele ano meio que 'empurrado'. Desta vez, não. Fiz de maneira voluntária e capacitada como administrador e aluno de Direito.

Essa empreitada valeu para mim como ‘porta de entrada’ para outras atividades de grande prestígio social, como é sabido por todos: a ocupação de cargos ‘comissionados’ no governo federal. Assim é que, dois anos mais tarde, em 1.988, haveria as eleições municipais, as quais mudariam minha vida profissional. O Dr. Johnny De Carli, que fora guindado à função política de ‘Delegado Federal’ do Ministério da Agricultura (MINAGRI), resolveu participar como candidato a ‘vereador’ de Manaus pelo PTB. Dada sua habilidade política, obteve improvável êxito!

Isso me abriu a oportunidade de substituí-lo no MINAGRI como ‘Delegado Federal’. Assim foi que me tornei ‘Delegado Federal’ da Agricultura em seu lugar. Mérito técnico e político meus. E generosidade do Johnny.

No próximo capítulo falarei mais sobre essas atividades comissionadas de grande prestígio político.

(*) Prof. Pinheiro. Téc. em Estradas; Administrador; advogado; especialista em docência superior; e mestre em administração.