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Capítulo XI >
‘PROFESSOR’ DA
UFAM
Foi num misto de alegria contida, alívio e alta expectativa sobre o que me aguardaria o futuro, que, assumi agora como professor da Instituição mais prestigiosa do Estado - a Universidade Federal do Amazonas -, a qual, assim como a ETFAM, faria toda a diferença na minha vida. Dei muitas graças a Deus por isso. Nem acreditava que isso estava acontecendo comigo, com este matuto do Careiro da Várzea, o qual, há trinta anos chegava em Manaus dando “bom dia a manequim de loja”.
Contudo,
cheguei com a devida humildade para conviver com meus antigos professores,
agora os tendo como ‘colegas’ (!) de Departamento Acadêmico da Faculdade de Estudos Sociais, no curso de Administração. Isso ainda soava
inacreditável para mim. Mas deixei o deslumbramento à parte e, com pés na
realidade, trabalhei duro para me qualificar mais ainda para exercer a cátedra.
Tive
ajuda e incentivo da parte dos meus ex-professores como: Felismino Soares;
Brito Filho; Luiz Aurélio; Haroldo Jathay; Carlinhos;
Em
que pese estivesse iniciando como professor do ‘Departamento de Administração’ (DA),
da FES/UFAM, não cheguei totalmente neófito, pois, como já relatei, há quatro
anos já lecionava no magistério superior, no curso de ‘Administração em
Comércio Exterior’, do CIESA.
Assim
é que, num salto extraordinário para este matuto, assumi ao lado do saudoso
prof. Luiz Aurélio como subchefe do DA e, logo em seguida, pela desistência do
Aurélio, tornei-me ‘Chefe do DA’! Acho até que essa foi a forma como o Aurélio
me fez chegar tão rápido a essa função. Até porque havia entre nós respeito,
admiração (apesar de nossos estranhamentos ocasionais). Saudades do amigo,
professor e colega de ‘Direito’! Neste momento, paro de escrever porque tomado
pela emoção...
Com
a ajuda do Aurélio, conseguimos trazer a UFSC para ministrar uma turma de
Mestrado para nosso DA. De vinte e cinco colegas, se formaram doze. Depois, já
como chefe, convenci o reitor a promover a segunda turma em parceria com o
CIESA, onde mantive laços de amizades. Conseguimos formar mais oito professores
da UFAM. Sem nenhum custo.
Me
formei em 1999 como ‘Mestre em Administração’ pela UFSC (Universidade Federal
de Santa Catarina).
Em
2001, após apoiar a eleição do Dr. Hidembergue Frota para reitor, por
convencimento do Diretor da FES, Rosalvo Bentes Machado, e do colega do
Departamento de Economia, Sylvio Puga, fui nomeado ‘Representante da UFAM em
Brasília, onde fiquei entre julho de 2001 a julho de 2002, regressando a Manaus
por vontade própria.
Este
foi o último ano de FHC na presidência da República e o ano da ascensão de Lula
ao Poder federal. O teatro das tesouras funcionando a todo o vapor.
Nesse
contexto, regressei à cátedra e me dediquei a lecionar a disciplina Comércio
Exterior no lugar do colega Sylvio Puga, que estava pró-reitor de Extensão.
Tentei
ajudar a UFAM a apresentar Projetos para captação de recursos em Projetos
oferecidos por meio de Editais mesmo junto ao MEC e outros ministério, já que
a falta de Projetos era – e ainda é -. Um “calcanhar de Aquiles” da
Administração pública brasileira em seus três entes federados: União, Estados e
Municípios. Apesar do esforço, não houve compreensão sobre a natureza da
proposta e acabei desistindo da ideia.
Além
do curso de Administração da sede, me dediquei aos cursos de interiorização nos
municípios de Coari; Parintins; Itacoatiara; e aos cursos em EAD.
Minha
vida familiar se esgarçou de vez. Tentei levar a mulher, Ana Zagury, para
Brasília comigo, mas fracassei. Este foi um dos motivos porque aceitei ir morar
em Brasília e ser o representante da UFAM na capital federal. Como não consegui
levar a mulher para longe dos conflitos familiares nos quais vivia imergida,
acabei retornando, apenas para recrudescer as brigas e finalmente a separação.
Não foi nada fácil, pois o que poderia ter se dado de maneira consensual foi
transformado em processo litigioso. Mais uma pensão alimentícia, fora os bens
que deixei para ela: apartamento que construímos, e toda a mobília. Saí levando
meus bens pessoais – roupas, sapatos, livros e cds. Casar e separar parece ser
o meu “carma”.
Prefiro
dar tudo como perda e preservar minha saúde física e mental. Bens materiais se
compram novamente, mas a paz de espírito não se compra.
Estávamos
em 2005. Com a ascensão do amigo Serafim Correa à Prefeitura de Manaus e o
colega Jefferson Praia ter assumido a Secretaria de Trabalho, fui convidado par
ajuda-lo.
Nesse
ínterim, conheci a futura mãe de minhas filhas Alice e Clara. O resto da
história basta fazer Ctrl C - Ctrl V. Acho que minha virtude também é o meu
grande defeito: como pratico a filosofia de Epíteto, Sêneca e Marco Aurélio – o
estoicismo – e não me deixo abalar por questiúnculas sem sentido, sou tido por
“saco-de-pancadas” até que dou um basta e... “Ces’t fini”.
Em
2008, fiz uma coisa da qual me arrependo amargamente: comprei um carro em meu
nome para um casal de amigos pagarem. Ela estava com câncer terminal. Meu
coração falou mais alto que minha razão. Me dei mal. Muito mal. Fiquei três
meses sem salário. Fiquei inadimplente no BB, que não me perdoou: zerou meu
saldo; meus limites; meus cartões. Me vi interditado.
Esse
foi também um dos motivos do azedamento da última relação “marital”.
Em
2010, assumi novamente o ‘DA’ juntamente com o ‘Luiz Aurélio’. Aconteceu tudo
como da primeira vez em 1997: ele desistiu e me deixou na chefia.
Conseguimos,
como da vez em que trouxemos o curso de Mestrado com a UFSC. Desta vez trouxemos
o Doutorado com a UFMG.
Entre
2011 e 2012, tive aquilo que se pode chamar de “tempestade perfeita”: era chefe
do DA; iniciei o curso de Doutorado com a UFMG; a mulher foi embora para a casa
da mãe e levou minhas filhas; ainda estava lidando com a crise financeira no
BB; tive de retirar vários pólipos dos intestinos; fiquei quase cego de
catarata e tive de fazer implante de lente (acho que já estava pré-diabético e
não sabia); fui retirado do doutorado por uma conspiração da coordenadora e
dois professores (cujas razões deixo de relatar por uma questão ética). E meu
amigo Sylvio perdeu mais uma disputa para Reitor da UFAM. Entrei em depressão,
que foi por mim mesmo controlada em razão da filosofia estoica.
Mal
comparando, entendi bem a história de Jó: ‘crise financeira’; ‘crise familiar’;
‘crise de saúde’.
As
únicas coisas boas que me aconteceram nesse período foi ter ajudado a ADUA como
primeiro tesoureiro e o meu retorno à IASD.
Para
amenizar a crise financeira, vendi tudo de supérfluo que tinha em casa; corri
atrás de cursos extracurriculares (pós-graduações); virei advogado de
porta-de-cadeia, etc. Deus nunca deixou que passasse fome. Toda semana ganhava
entre R$ 500 e R$ 1000 em audiências nos JEPC (juizados especiais de pequenas
causas). Deixei de rolar dívidas com cartão de crédito (até porque n]ao os
tinha mais).
Houve
um fato bastante pitoresco: dois sócios cearenses iniciaram uma disputa como ex-sócios
de uma empresa comercial de produtos químicos. Toda semana eu tinha de atender
um deles na DP em razão de ‘BO’s que um fazia contra o outro. Assim, ganhava
meu dinheiro com as audiências. Embora eu tentasse os acordos par evitar que se
matassem, eles não amainavam as rixas. Até PMs entraram nas histórias.
A
coisa somente teve fim quando o adversário de meu cliente envolveu a mãe deste
em um processo no JEPC criminal. Ele esqueceu que, em outro juízo, havia se
declarado amigo dos PMs que lhe fazia escolta. Pois cometeu o erro de levar um
deles como sua testemunha na audiência da mãe do meu cliente. Aproveitei para
desmascará-lo. O juiz queria prender os dois em flagrante por litigância de
má-fé, mas deu a oportunidade para eles desistirem daquela ação nitidamente
retaliatória. E assim, cessou o conflito entre eles. E também meus pagamentos
de audiências.
Contudo,
não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.
Minha
companheira, mãe das minhas filhas Alice e Clara, acabou conseguindo o emprego
de seus sonhos na Azul Linhas Aéreas como Comissária de Voo. Contudo, um ano
depois teve de optar entre ser demitida ou transferir-se para Belo Horizonte –
MG.
Como
eu já havia alcançado o tempo para aposentadoria em razão de minha anistia no
INCRA em 1994 - pelo que meu tempo de serviço retroagiu a 1975 -, pedi
aposentadoria voluntária e fui com a família, não para BH, mas para Salvador,
que me serviu de ‘férias sabáticas”, que descreverei em seguida.