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13 fevereiro 2025

 

< Capítulo XIII >

‘PRÓ-REITOR’ DE ‘ADMINISTRAÇÃO’ DA UFAM

 

Conforme eu havia prometido um ano antes ao meu colega e amigo Sylvio Puga, de que participaria de sua campanha para reitor da UFAM em 2017, a partir de janeiro desse ano comecei a ajuda-lo, ainda de ‘férias’ em Salvador.

Como eu estava equidistante das disputas internas no grupo de apoiadores do Sylvio em Manaus, ele me incumbiu de concentrar as propostas da plataforma de campanha.

Passei a receber por e-mail as diversas propostas do grupo e fui organizando por temas, de sorte que tivéssemos um quadro geral de plataforma política para apresentar à comunidade eleitora da UFAM. Encaminhei a Proposta para a equipe de Marketing, que deu o devido tratamento gráfico e integrou a Proposta do candidato.

Essas propostas foram quase que inteiramente cumpridas em seus diversos eixos: infraestrutura (obras concluídas e outras iniciadas para concluir); tecnologia da informação (processo eletrônico - SEI); melhoria dos indicadores pedagógicos tanto da graduação quanto da pós-graduação; avanço das estruturas dos campi; maior integração dos campi por meio do SEI; agilidade dos processos administrativos e de licitações; transparência total das ações por meio do Portal; luta pela recuperação da Fundação de Apoio UNISOL e contratação de Projetos por meio da Fundação de apoio do IFAM, etc.

A campanha para reitor da UFAM foi deslanchada em fins de janeiro e início de fevereiro de 2017. As eleições se deram em março desse ano.

Com uma margem muito pequena de votos, a chapa 33 de Sylvio e Cohen saiu-se vencedora.

Viajei para Manaus em fevereiro para me integrar presencialmente na memorável campanha. Memorável pelos desafios, pelos poucos recursos, pelo enfrentamento da “máquina”, etc.

Quando cheguei em Manaus, encontrei minha casa em pandarecos. Recuperei o portão automático; o telhado com inúmeros vazamentos; e outras mazelas.

O lado bom é que já tinha conseguido vencer as dívidas e, portanto, caso necessário, podia contar com créditos para resolver qualquer emergência.

Usei a minha casa como meu suporte de campanha: adquiri uma rede; um banquinho; um frigobar; uma cafeteira; uma sanduicheira; um colchão inflável; consertei a porta do quarto e, felizmente, o ar condicionado ainda estava funcionando...

Pela manhã, um dos colegas de campanha ia me apanhar em casa para eu poder ajudar no comitê de campanha.

Durante o Carnaval, retornei a Salvador. Retornei para enfrentar um dos piores momentos de minha vida. Inesperadamente, a mãe de minhas filhas resolveu anunciar sua decisão de separar-se de mim. Foi um choque para mim! Não por ela, mas por minhas filhas. Não estava esperando esse desfecho por parte dela. Esse sempre é o meu erro: nunca esperar o pior das pessoas.

Eu, que cuidara de minhas filhas Alice e Clara desde a maternidade, teria de separar-me delas! Mas, como bom estoico que sou, concordei com a proposta dela de “dividirmos as despesas da casa em 50%”. Achei justo. Não esperando pelo seu pior, deixei de reduzir a termo tal acordo.

No dia seguinte passei a buscar imóvel para alugar na Praia do Flamengo, para onde tinha transferido a família um mês antes. Não desconfiei que tudo estava sendo planejado por ela para o desfecho inesperado. As filhas foram retiradas da ‘Escola Gênesis’ (onde eu pagava cerca de R$ 600,00 por cada uma) e foram transferidas para a ‘Escola Sul-americana’ (bem mais cara, cerca de R$ 1.100 cada uma). No apartamento próximo do aeroporto eu pagava R$ 900,00 e fui pagar R$ 1.400,00 na ‘Praia do Flamengo’.

Diante da separação, pedi dela uma passagem de volta (pelo benefício da Azul), e retornei a Manaus. Foi minha pior viajem: separado das filhas; trecho Fortaleza-Manaus cancelado me obrigando a ir no “pinga-pinga”, passando por São Luís, Belém e Santarém. Sem dormir, caindo de sono pelos aeroportos e lutando para manter meu equilíbrio metabólico em razão do diabetes recém-diagnosticado. Um inferno!

Cheguei em Manaus no dia seguinte à noite, 24 horas depois que saí de Salvador, e fui recepcionado pelo meu filho Alexandre, por sua esposa e pela filha (minha neta). Ainda bem! Isso serviu de consolo para mim. Um sinal de que não estaria só na minha dor.

Na UFAM, após o carnaval, a campanha para reitor foi retomada...

Compareci aos seguintes debates da campanha: Benjamim Constant; Itacoatiara; Coari e Humaitá. Foram bons debates. O ‘Sylvio’ se saiu bem em todos eles.

Após uma campanha desgastante, a chapa saiu-se vencedora. Da euforia da vitória às reuniões de transição, participei de todas e ajudei no que pude. Era para mim uma terapia ocupacional.

O reitor já eleito, ‘Sylvio Puga’, me havia reservado a ‘Representação em Brasília’, mas outros fatores acabaram me levando a assumir a ‘pró-reitoria’ de ‘Administração’ (PROADM). Foi para mim um grande desafio. Contudo, as minhas experiências anteriores como ‘Delegado Federal’ da ‘Agricultura’; superintendente do ‘INCRA’; e ‘Delegado Federal’ do ministério dos ‘Transportes e Comunicações’; as chefias do ‘DA’; e a ‘Representação da UFAM em Brasília entre 2001 e 2002, me serviram de lastro para enfrentar o desafio como pró-reitor de Administração da UFAM.

 Ao chegar na PROADM, tive a cautela de não alterar muito as direções dos departamentos, a não ser, por necessidade, a do DEFIN; a do DECC e do Setor de Licitações. Com trocas de “peças”, mas mantendo a estrutura básica. Funcionou muito bem. Fora alguns ajustes naturais de percurso.

Com essa definição de minha vida, passei a estruturar melhor a casa; comprei o carro VW Polo do meu filho André; e passei a cuidar da pró-reitoria como terapia ocupacional.

Contudo, outra surpresa me aguardava: a mãe das minhas filhas em Salvador “virou a pá” contra mim: me acionou na Justiça de Salvador por pensão alimentícia desproporcional aos meus ganhos; me cortou dos seus benefícios assistenciais de saúde e de passagens aéreas. Virou minha inimiga mortal! Em sua “homenagem”, passei a chamá-la de “Falsiane”!

Não fiquei chorando à beira do caminho! Nunca fui disso! Apesar da enorme saudade de minhas filhas, que as entreguei nas mãos de Deus.