< Capítulo XIV
>
COM 60 ANOS RECOMEÇANDO
A VIDA
Não
é fácil recomeçar a vida após os sessenta anos de idade, mas foi o que
aconteceu comigo.
Como
compensação por tudo o que eu estava tendo de enfrentar, no trabalho e na
família, Deus me proveu uma companheira que foi para mim um bálsamo. Resposta
para minhas preces.
Antes
de me mudar para Salvador, havia conhecido de vista uma moça que era vizinha e
morava no final da rua de nossa casa e fiquei simplesmente embevecido pela sua
beleza exótica de mestiça das raças negra, branca e índia. Mas, na época, a
única coisa que pude fazer foi ficar admirando-a.
Em
respeito a mim mesmo e ao meu senso de lealdade a Deus. Afinal, embora a mãe
das minhas filhas nunca tenha aceitado casar comigo (já planejava separar-se de
mim? Vá saber...), eu sempre procurei respeitar aos mandamentos de Deus. Nem
sempre consigo, mas tento.
Contudo,
após meu retorno nas condições que voltei, me vi completamente livre para um
novo relacionamento. Voltei a admirar a Miriane (que gosta de ser chamada de
Míriam), mas não mais como meu ‘amor platônico’ e sim como uma possibilidade ‘real’.
Passei a falar disso para todos os nossos conhecidos, vizinhos, amigas, aos
tios dela. E fazer com que meus recados chegassem até ela. Uma amiga dela
acabou fazendo com que ela soubesse. Fez ela falar comigo ao telefone.
Registro
isso porque ela foi para mim – e ainda é – uma pessoa muito importante na minha
vida. Neste momento, estamos longe um do outro por razões que não cabe aqui
esmiuçar. Respeito a decisão dela.
O
certo é que ela aceitou conversarmos e começamos a sair para nos conhecer. Deu
certo, mas tão certo, que nos casamos em 04/01/2019.
Nosso
casamento culminou no batismo da Míriam na IASD do Shangrilá. Ela, que era
pentecostal, passou a atuar na IASD com aquilo de que ela mais gosta: crianças.
Ela
estava cursando ‘Pedagogia’ para trabalhar com crianças de alfabetização.
Minha
percepção acerca do comportamento da Míriam estava absolutamente correta. Ela
se demonstrou ser tudo o que eu imaginei sobre ela. Mas vejam como são as
coisas: a pessoa mais indicada para ter filhos meus não me deu nenhum. Com
certeza o problema está comigo e não com ela. Afinal, ela é muito jovem e eu já
estou contornando o “cabo da Boa Esperança”.