(Título é meu):
O presidente Lula ofereceu-se nesta segunda-feira para tratar de um problema resolvido cinco dias antes pelo governador Alberto Goldman. “Estou disposto a entrar nessa conversa sobre a participação de São Paulo na Copa de 2014″, ofereceu-se o palanqueiro que, segundo a FIFA, até agora não fez nada do que prometeu há três anos. Lula está liberado para cuidar desse débito colossal: não existe nenhuma roda de conversa à espera de quem fala muito e pouco faz. Foi desfeita no momento em que Goldman informou que não seriam investidos sequer 10 centavos de dinheiro público na construção de um novo estádio.
É o que o governador guardou para dizer nesta manhã, numa reunião no Palácio dos Bandeirantes, ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e ao ministro do Esporte, Orlando Silva. O anfitrião e o prefeito Gilberto Kassab têm prioridades bem mais relevantes a atender. Ambos entenderam que é extorsivo o preço a pagar pelo ingresso no clube das cidades-sedes. São Paulo não precisa da Copa. A Copa é que precisa de São Paulo.
Se a CBF e a FIFA se derem por satisfeitas com o Morumbi reformado ou com o Pacaembu expandido, ótimo. Se acharem que isso é insuficiente, estejam à vontade para promover o jogo de abertura em outras paragens, programar para a maior metrópole do país partidas menos relevantes ou mesmo excluir São Paulo de vez do mapa da Copa. Porque as opções param por aí. O elefante branco não virá.
Para aflição da turma dos contratos sem licitação, das comissões milionárias, dos canteiros de obras transformados em viveiros de larápios, Lula e Ricardo Teixeira enfim encontraram um interlocutor altivo. Orlando Silva e seus sócios não encontraram outro cúmplice ativo. Os que sonham com os cifrões do estádio novo vão ficar sem dormir.
Goldman lavaria a alma dos homens de bem se, depois de anunciada a decisão, entregasse aos visitantes um recorte de jornal e um vídeo. No recorte, estariam assinaladas em vermelho duas frases que Ricardo Teixeira repetiu em todas as entrevistas concedidas em Zurique depois de formalizada a escolha do país-sede da Copa. Primeira: “Não vamos nos meter na construção de estádios e estradas nem em licitações”. Segunda: “Faço questão absoluta de garantir que a Copa de 2014 será uma Copa em que o poder público nada gastará em atividades desportivas”.
O vídeo registra o que disse Lula em 7 de junho deste ano numa entrevista à jornalista Adriana Saldanha, da ESPN. Trechos: “O Brasil não tem o direito de ter um estádio como o Morumbi e inventar que ele não serve e tentar fazer um estádio novo só para a Copa do Mundo. (…) Vamos parar com esse negócio de achar que não tem área de estacionamento, não tem área pra isso, não tem área pra aquilo… Se a gente quiser encontrar defeitos, a gente vai encontrar defeitos em qualquer coisa. Mas vamos olhar um pouco as virtudes, o estádio está pronto. É só fazer algumas modificações e torná-lo pronto para a Copa do Mundo”.
Goldman não deveria perder a chance de escancarar o oportunismo obsceno do governo Lula e a arrogância gulosa dos parceiros de Ricardo Teixeira com o argumento de que está apenas cumprindo promessas feitas pelo presidente da República e pelo presidente da CBF.
No Brasil, onde faltam a cólera e a ira santas, quem, senão elas, hão de expulsar do Templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Ou exterminarão da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Ou banirão da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão elas, a varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão públicos? Quem, senão elas, a precipitar do governo o negocismo, a prostituição política e a tirania? (Rui Barbosa)
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22 julho 2010
Lula esturra contra Fifa_Por Augusto Nunes
(O título é meu):
Nunca antes na história do futebol, garantiu o presidente Lula no meio da festança em Zurique, a FIFA tomou uma decisão tão acertada quanto a que conferiu ao País do Carnaval o privilégio de organizar a Copa do Mundo de 2014. “Será uma tarefa incomensurável, mas poderemos fazer essa Copa”, caprichou o palanqueiro em 30 de outubro de 2007. Pausa ligeira, uma lágrima furtiva e o cutucão no vizinho: “Faremos uma Copa para argentino nenhum botar defeito. Vocês verão coisas lindas da natureza e nossa capacidade de construir bons estádios.” Passados quase três anos, nenhum argentino enxerga alguma coisa que mereça reparos: a revisita ao palavrório na Suiça informa que só estão prontas as “coisas lindas da natureza” ─ pelo menos as que não dependem do governo.
O resto ─ um mundaréu de obras abrangendo estádios, aeroportos, a malha de transportes urbanos, o sistema de trânsito, a rede hoteleira e outros pontos críticos ─ continua no papel. “Falta tudo”, resumiu no fim da Copa da África do Sul o secretário-geral da FIFA, Jerôme Valcke. Se a Seleção tivesse conquistado o hexa, o carnaval temporão inibiria ou acabaria abafando qualquer cobrança da entidade que controla o futebol mundial. Caso algum cartola com sotaque ousasse atrapalhar o feriadão nacional, seria silenciado aos gritos pela pátria de chuteiras: um país que ganha seis vezes a taça é capaz de fazer em seis meses o que outros não fazem em seis anos.
O fiasco do time de Dunga mostrou que o presidente foi traído pelo complexo de Deus. Nem combinou com os holandeses nem preparou um plano B. Surpreendido pelo pito de Jerôme Valcke, entrou em campo sem aquecimento e viajou na bravata aloprada. “Terminou uma Copa do Mundo na África do Sul agora e já começam aqueles a dizer: ‘Cadê os aeroportos brasileiros? Cadê os estádios brasileiros? Cadê os corredores de trem brasileiros? Cadê os metrôs brasileiros?’”, improvisou. “Como se nós fôssemos um bando de idiotas que não soubéssemos fazer as coisas e não soubéssemos definir as nossas prioridades”.
O uso do sujeito indeterminado comprova que Lula sabe com quem está falando: “aqueles” são os dirigentes da FIFA, entidade que não se impressiona com chiliques de devedores. O uso da primeira pessoa do plural comprova que Lula se considera um Macunaíma mais esperto: o “nós” transforma todos os brasileiros em alvo do petardo endereçado ao destinatário com endereço certo e sabido. Valcke circunscreveu o diagnóstico a uma fantasia batizada de “PAC da Copa”. Mas vale para o PAC1, o PAC 2 e demais filhotes da família aos cuidados da mãe que não diz coisa com coisa. Quem não sabe fazer o que promete é Lula. Quem não sabe definir prioridades e materializá-las é Lula.
Sabe-se há muitos anos que a diferença entre um estadista e um político é que, enquanto o primeiro pensa na próxima geração, o segundo pensa na próxima eleição. Graças a Lula, constatou-se que a segunda categoria se divide entre os que pensam na próxima eleição todos os dias e os que só pensam nisso o tempo todo. Para vencer, fazem qualquer negócio. Vendem a mãe, não admitem erros nem se responsabilizam por estragos causados por gente que nomeou. Os culpados são sempre os outros, vem confirmando o presidente desde que a FIFA denunciou a farsa que ainda ilude milhões de brasileiros.
Dois dias depois do truque do sujeito indeterminado, o camelô de si mesmo reapresentou em Diadema o truque do vilão misterioso. “Tem uma pessoa, que eu não sei quem é, mas que cria muitas dificuldades para dar licenças ambientais não só aqui, mas em várias cidades de São Paulo”, acusou. As risadas subalternas na plateia subalterna avisaram que, se o orador está em dúvida, os ouvintes amestrados sabem que é José Serra. A invencionice explica porque ainda não deram as caras em território paulista o trem-bala que Lula prometeu começar a construir em 2006, o terceiro aeroporto que Dilma Rousseff prometeu começar a construir em 2007 e outros colossos que só aparecem no comício de todos os dias.
Lula, na opinião de Lula, é o maior governante da História. A afilhada Dilma Rousseff, na opinião do padrinho, é a maior gerente de país de todos os tempos. E no entanto nada acontece, além da multiplicação dos dependentes do Bolsa Família e da liberação de verbas que não chegam ao destino oficial. Favorecido pelo crescimento econômico que segue seu curso apesar do governo, o Brasil é contemplado uma vez por semana com algum milagre visível apenas aos olhos de quem crê nos superpoderes do enviado pela Divina Providência para salvar o Brasil.
Por enxergar as coisas como as coisas são, o secretário-geral da FIFA está cobrando o cumprimento das promessas que fizeram do país a sede da Copa de 2014. Valcke tem motivos para desconfiar de que andou lidando com tratantes e ineptos, mas não usou a expressão “um bando de idiotas”. Quem trata os brasileiros como se fôssemos todos idiotas é o presidente da República.
Nunca antes na história do futebol, garantiu o presidente Lula no meio da festança em Zurique, a FIFA tomou uma decisão tão acertada quanto a que conferiu ao País do Carnaval o privilégio de organizar a Copa do Mundo de 2014. “Será uma tarefa incomensurável, mas poderemos fazer essa Copa”, caprichou o palanqueiro em 30 de outubro de 2007. Pausa ligeira, uma lágrima furtiva e o cutucão no vizinho: “Faremos uma Copa para argentino nenhum botar defeito. Vocês verão coisas lindas da natureza e nossa capacidade de construir bons estádios.” Passados quase três anos, nenhum argentino enxerga alguma coisa que mereça reparos: a revisita ao palavrório na Suiça informa que só estão prontas as “coisas lindas da natureza” ─ pelo menos as que não dependem do governo.
O resto ─ um mundaréu de obras abrangendo estádios, aeroportos, a malha de transportes urbanos, o sistema de trânsito, a rede hoteleira e outros pontos críticos ─ continua no papel. “Falta tudo”, resumiu no fim da Copa da África do Sul o secretário-geral da FIFA, Jerôme Valcke. Se a Seleção tivesse conquistado o hexa, o carnaval temporão inibiria ou acabaria abafando qualquer cobrança da entidade que controla o futebol mundial. Caso algum cartola com sotaque ousasse atrapalhar o feriadão nacional, seria silenciado aos gritos pela pátria de chuteiras: um país que ganha seis vezes a taça é capaz de fazer em seis meses o que outros não fazem em seis anos.
O fiasco do time de Dunga mostrou que o presidente foi traído pelo complexo de Deus. Nem combinou com os holandeses nem preparou um plano B. Surpreendido pelo pito de Jerôme Valcke, entrou em campo sem aquecimento e viajou na bravata aloprada. “Terminou uma Copa do Mundo na África do Sul agora e já começam aqueles a dizer: ‘Cadê os aeroportos brasileiros? Cadê os estádios brasileiros? Cadê os corredores de trem brasileiros? Cadê os metrôs brasileiros?’”, improvisou. “Como se nós fôssemos um bando de idiotas que não soubéssemos fazer as coisas e não soubéssemos definir as nossas prioridades”.
O uso do sujeito indeterminado comprova que Lula sabe com quem está falando: “aqueles” são os dirigentes da FIFA, entidade que não se impressiona com chiliques de devedores. O uso da primeira pessoa do plural comprova que Lula se considera um Macunaíma mais esperto: o “nós” transforma todos os brasileiros em alvo do petardo endereçado ao destinatário com endereço certo e sabido. Valcke circunscreveu o diagnóstico a uma fantasia batizada de “PAC da Copa”. Mas vale para o PAC1, o PAC 2 e demais filhotes da família aos cuidados da mãe que não diz coisa com coisa. Quem não sabe fazer o que promete é Lula. Quem não sabe definir prioridades e materializá-las é Lula.
Sabe-se há muitos anos que a diferença entre um estadista e um político é que, enquanto o primeiro pensa na próxima geração, o segundo pensa na próxima eleição. Graças a Lula, constatou-se que a segunda categoria se divide entre os que pensam na próxima eleição todos os dias e os que só pensam nisso o tempo todo. Para vencer, fazem qualquer negócio. Vendem a mãe, não admitem erros nem se responsabilizam por estragos causados por gente que nomeou. Os culpados são sempre os outros, vem confirmando o presidente desde que a FIFA denunciou a farsa que ainda ilude milhões de brasileiros.
Dois dias depois do truque do sujeito indeterminado, o camelô de si mesmo reapresentou em Diadema o truque do vilão misterioso. “Tem uma pessoa, que eu não sei quem é, mas que cria muitas dificuldades para dar licenças ambientais não só aqui, mas em várias cidades de São Paulo”, acusou. As risadas subalternas na plateia subalterna avisaram que, se o orador está em dúvida, os ouvintes amestrados sabem que é José Serra. A invencionice explica porque ainda não deram as caras em território paulista o trem-bala que Lula prometeu começar a construir em 2006, o terceiro aeroporto que Dilma Rousseff prometeu começar a construir em 2007 e outros colossos que só aparecem no comício de todos os dias.
Lula, na opinião de Lula, é o maior governante da História. A afilhada Dilma Rousseff, na opinião do padrinho, é a maior gerente de país de todos os tempos. E no entanto nada acontece, além da multiplicação dos dependentes do Bolsa Família e da liberação de verbas que não chegam ao destino oficial. Favorecido pelo crescimento econômico que segue seu curso apesar do governo, o Brasil é contemplado uma vez por semana com algum milagre visível apenas aos olhos de quem crê nos superpoderes do enviado pela Divina Providência para salvar o Brasil.
Por enxergar as coisas como as coisas são, o secretário-geral da FIFA está cobrando o cumprimento das promessas que fizeram do país a sede da Copa de 2014. Valcke tem motivos para desconfiar de que andou lidando com tratantes e ineptos, mas não usou a expressão “um bando de idiotas”. Quem trata os brasileiros como se fôssemos todos idiotas é o presidente da República.
21 julho 2010
'Evolução' da educação no Brasil
Uma aluna me mandou um texto sobre a 'evolução da educação' no Brasil. Veja:
*A Evolução da Educação...*
Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.
*Leiam relato de uma Professora de Matemática:*
Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:
*1. Ensino de matemática em 1950: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?
*2. Ensino de matemática em 1970: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?
*3. Ensino de matemática em 1980: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Qual é o lucro?
*4. Ensino de matemática em 1990: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
*5. Ensino de matemática em 2000: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
a) ( )SIM b) ( ) NÃO
*6. Ensino de matemática em 2009: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
*7. Em 2010 vai ser assim: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro
descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
E se um moleque resolve pichar a sala de aula e a professora faz com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos, pois a professora provocou traumas na criança.
Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:
Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
*A Evolução da Educação...*
Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.
*Leiam relato de uma Professora de Matemática:*
Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:
*1. Ensino de matemática em 1950: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?
*2. Ensino de matemática em 1970: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?
*3. Ensino de matemática em 1980: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Qual é o lucro?
*4. Ensino de matemática em 1990: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
*5. Ensino de matemática em 2000: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
a) ( )SIM b) ( ) NÃO
*6. Ensino de matemática em 2009: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
*7. Em 2010 vai ser assim: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro
descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
E se um moleque resolve pichar a sala de aula e a professora faz com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos, pois a professora provocou traumas na criança.
Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:
Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
11 julho 2010
RF confessa que quebrou sigilo de EJ_Por Igor Gielow, na Folha deste sábado
Depois de um longo silêncio, a Receita divulgou nota em que subverte a ordem das coisas e anuncia que não houve invasão “externa” do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB. Segundo o texto, é quase detalhe que o fisco confirme que auditores bisbilhotaram sem ordem aparente as declarações de renda de Eduardo Jorge -que teve investigação sobre suposta irregularidade arquivada.
É preocupante a ligeireza com a qual é tratado um crime, e como isso se aproxima da mulher que almeja ser presidente e seu partido.
Dilma Rousseff afirma que nunca ordenou a confecção de tal dossiê, que circulou entre petistas. Fica em seu favor o benefício da dúvida, embora ela tenha dito o mesmo sobre um papelório com gastos de FHC e de sua mulher -apenas para sabermos que ele foi gestado nos computadores da repartição na qual ela dava as ordens.
No poder, o PT acostumou-se com a prática de fuçar o alheio, e o caso dos aloprados de 2006 é apenas a prova mais vistosa. É sintomático que o Rasputin da Medvedev de Lula atenda pelo nome de Antonio Palocci. “Boa fonte”, como dizem alguns jornalistas, geralmente os mesmos que relativizam sua participação no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo para abafar a divulgação de lobbies “y otras cositas más”.
Todos os políticos fazem dossiês e os vazam para a imprensa. O chamado jornalismo investigativo não passa, em digamos 90% dos casos, de apuração de informações que surgem de interesses contrariados. É do jogo. Mas há uma diferença entre levantar informações públicas e usar de meios ilegais para a desconstrução do adversário -em especial quando o resultado é manipulado para parecer algo que não é.
É o caso do dossiê contra EJ. Que diz menos ao tucano e mais à segurança da sociedade. É imperativo saber o nome de quem quebrou seu sigilo, e para quem ele foi vazado.
É preocupante a ligeireza com a qual é tratado um crime, e como isso se aproxima da mulher que almeja ser presidente e seu partido.
Dilma Rousseff afirma que nunca ordenou a confecção de tal dossiê, que circulou entre petistas. Fica em seu favor o benefício da dúvida, embora ela tenha dito o mesmo sobre um papelório com gastos de FHC e de sua mulher -apenas para sabermos que ele foi gestado nos computadores da repartição na qual ela dava as ordens.
No poder, o PT acostumou-se com a prática de fuçar o alheio, e o caso dos aloprados de 2006 é apenas a prova mais vistosa. É sintomático que o Rasputin da Medvedev de Lula atenda pelo nome de Antonio Palocci. “Boa fonte”, como dizem alguns jornalistas, geralmente os mesmos que relativizam sua participação no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo para abafar a divulgação de lobbies “y otras cositas más”.
Todos os políticos fazem dossiês e os vazam para a imprensa. O chamado jornalismo investigativo não passa, em digamos 90% dos casos, de apuração de informações que surgem de interesses contrariados. É do jogo. Mas há uma diferença entre levantar informações públicas e usar de meios ilegais para a desconstrução do adversário -em especial quando o resultado é manipulado para parecer algo que não é.
É o caso do dossiê contra EJ. Que diz menos ao tucano e mais à segurança da sociedade. É imperativo saber o nome de quem quebrou seu sigilo, e para quem ele foi vazado.
Marcos Mazoni, Diretor do Serpro, faz campanha ilegal_Por Silvio Navarro, na Folha:
Instalado no comando de um órgão estratégico da máquina pública, o diretor-presidente do Serpro (serviço de processamento de dados do governo federal), Marcos Mazoni, desempenha simultaneamente a função de arregimentar servidores na Esplanada e organizar carreatas em Brasília para a campanha de Dilma Rousseff (PT). O ponto de encontro, segundo o próprio Mazoni, é o estacionamento do Serpro. A convocatória dos funcionários é feita pela internet, em horário de expediente.
A maioria da comitiva petista é composta de servidores do Serpro, do Ministério da Educação e da Casa Brasil, órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia para acesso gratuito à internet. Segundo a legislação eleitoral, funcionários públicos não podem participar de campanha em horário de trabalho. As recomendações constam da cartilha da AGU (Advocacia-Geral da União), avalizada pela Comissão de Ética Pública da Presidência.
O dirigente atua em parceria com Marcelo Branco, coordenador de Dilma na internet, de quem é amigo. Gaúchos, trabalharam juntos no órgão de processamento de dados do RS. Um dos eventos ocorreu anteontem. O número um do Serpro fez o chamado pelo seu Twitter, às 11h34: “Hoje vamos fazer uma carreata pró-Dilma ao meio dia aqui em Brasília”. Ontem, ele mandou o seguinte recado, às 11h43, para Branco: “Avisa a “companheirada” de Brasília que estamos fazendo carreatas todas as quintas ao meio dia saindo da frente da sede Serpro”.
A partir da semana que vem, os atos pró-Dilma conduzidos por ele serão semanais. “Para não precisar toda hora dizer, vai ter uma programação permanente, toda quinta-feira”, disse à Folha. Mazoni e Marcelo Branco também trocam mensagens sobre acordos políticos no Rio Grande do Sul. Na terça-feira passada, Branco escreveu no Twitter, às 13h16: “Exclusivo: ex-governador Collares do PDT apoia Tarso para governador e Dilma para presidente”. Mazoni respondeu quatro minutos depois: “Como é bom ser conselheiro de Itaipu hahaha”. Collares é conselheiro da empresa binacional e, para apoiar Tarso, rompeu com seu partido, que indicou o vice de José Fogaça (PMDB) ao governo.
A maioria da comitiva petista é composta de servidores do Serpro, do Ministério da Educação e da Casa Brasil, órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia para acesso gratuito à internet. Segundo a legislação eleitoral, funcionários públicos não podem participar de campanha em horário de trabalho. As recomendações constam da cartilha da AGU (Advocacia-Geral da União), avalizada pela Comissão de Ética Pública da Presidência.
O dirigente atua em parceria com Marcelo Branco, coordenador de Dilma na internet, de quem é amigo. Gaúchos, trabalharam juntos no órgão de processamento de dados do RS. Um dos eventos ocorreu anteontem. O número um do Serpro fez o chamado pelo seu Twitter, às 11h34: “Hoje vamos fazer uma carreata pró-Dilma ao meio dia aqui em Brasília”. Ontem, ele mandou o seguinte recado, às 11h43, para Branco: “Avisa a “companheirada” de Brasília que estamos fazendo carreatas todas as quintas ao meio dia saindo da frente da sede Serpro”.
A partir da semana que vem, os atos pró-Dilma conduzidos por ele serão semanais. “Para não precisar toda hora dizer, vai ter uma programação permanente, toda quinta-feira”, disse à Folha. Mazoni e Marcelo Branco também trocam mensagens sobre acordos políticos no Rio Grande do Sul. Na terça-feira passada, Branco escreveu no Twitter, às 13h16: “Exclusivo: ex-governador Collares do PDT apoia Tarso para governador e Dilma para presidente”. Mazoni respondeu quatro minutos depois: “Como é bom ser conselheiro de Itaipu hahaha”. Collares é conselheiro da empresa binacional e, para apoiar Tarso, rompeu com seu partido, que indicou o vice de José Fogaça (PMDB) ao governo.
O 'programa' de Dilma_Na "Carta ao Leitor" da revista Veja
Uma reportagem desta edição de VEJA analisa o episódio - bizarro - em que Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência da República, assinou e depois voltou atrás a respeito do conteúdo de seu programa de governo, dando publicidade a uma segunda versão do texto, mais amena do que o original furiosamente esquerdista.
Além de revelar a falta de controle da candidata sobre os radicais de seu partido, o fato deixa evidente o descaso dos governistas com um documento programático que, por sua natureza, deveria ter sido fruto da mais detida atenção. Mas não reside nessa confusão o potencial de dano maior do episódio. O mais espantoso é a permanência no segundo documento petista de uma visão de mundo distorcida e perigosa, em especial no que se refere a um dos pilares consagrados da democracia - a liberdade de expressão.
Estava no primeiro texto, e foi mantida no segundo, a afirmação de que os órgãos de imprensa são “pouco afeitos à qualidade, ao pluralismo, ao debate democrático”, sendo, portanto, necessário “compensar o monopólio e concentração dos meios de produção”.
Além do uso ignorante do adjetivo “afeito”, a proposta do PT trai o mesmo e irrefreável ímpeto liberticida que na União Soviética, Cuba e Coréia do Norte serviu de base para a supressão da imprensa independente. A liberdade de jornais, revistas, televisão e rádio começa a morrer quando um governo acredita ser seu papel avaliar e aprimorar os meios de comunicação.
Expressões como essas não passam de eufemismos para esconder as reais intenções. Ninguém pode cobrar do PT que entenda o papel da imprensa nas democracias, como não se pode cobrar de um índio do Xingu que formule a Segunda Lei da Termodinâmica. Mas nenhum programa de governo, petista ou não, pode se arvorar em juiz da imprensa ou quaisquer outras atividades que, por serem conquistas civilizatórias, não pertencem ao universo oficial.
A imprensa não tem lições a receber de quem não compreende esse valor universal da democracia - à esquerda ou à direita. Para justificar a supressão de jornais livres, o ditador comunista Vladimir Lênin disse que “nosso governo não aceitaria uma oposição de armas letais. Mas idéias são mais letais que armas”. Na mesma linha, o ditador fascista Benito Mussolini afirmava que “os franceses eram decadentes por culpa da sífilis, do absinto e da liberdade de imprensa”.
Que o PT não perca de vista que ambos, e suas respectivas ideologias, foram varridos da história - enquanto a imprensa livre sobreviveu aos totalitarismos que ajudou a combater.
Além de revelar a falta de controle da candidata sobre os radicais de seu partido, o fato deixa evidente o descaso dos governistas com um documento programático que, por sua natureza, deveria ter sido fruto da mais detida atenção. Mas não reside nessa confusão o potencial de dano maior do episódio. O mais espantoso é a permanência no segundo documento petista de uma visão de mundo distorcida e perigosa, em especial no que se refere a um dos pilares consagrados da democracia - a liberdade de expressão.
Estava no primeiro texto, e foi mantida no segundo, a afirmação de que os órgãos de imprensa são “pouco afeitos à qualidade, ao pluralismo, ao debate democrático”, sendo, portanto, necessário “compensar o monopólio e concentração dos meios de produção”.
Além do uso ignorante do adjetivo “afeito”, a proposta do PT trai o mesmo e irrefreável ímpeto liberticida que na União Soviética, Cuba e Coréia do Norte serviu de base para a supressão da imprensa independente. A liberdade de jornais, revistas, televisão e rádio começa a morrer quando um governo acredita ser seu papel avaliar e aprimorar os meios de comunicação.
Expressões como essas não passam de eufemismos para esconder as reais intenções. Ninguém pode cobrar do PT que entenda o papel da imprensa nas democracias, como não se pode cobrar de um índio do Xingu que formule a Segunda Lei da Termodinâmica. Mas nenhum programa de governo, petista ou não, pode se arvorar em juiz da imprensa ou quaisquer outras atividades que, por serem conquistas civilizatórias, não pertencem ao universo oficial.
A imprensa não tem lições a receber de quem não compreende esse valor universal da democracia - à esquerda ou à direita. Para justificar a supressão de jornais livres, o ditador comunista Vladimir Lênin disse que “nosso governo não aceitaria uma oposição de armas letais. Mas idéias são mais letais que armas”. Na mesma linha, o ditador fascista Benito Mussolini afirmava que “os franceses eram decadentes por culpa da sífilis, do absinto e da liberdade de imprensa”.
Que o PT não perca de vista que ambos, e suas respectivas ideologias, foram varridos da história - enquanto a imprensa livre sobreviveu aos totalitarismos que ajudou a combater.
7 dias de campanha oficial de Dilma_Por Celso Arnando
“Eu digo pra vocês uma outra coisa”, inicia Dilma mais um vídeo vexaminoso de discurso de campanha disponível em seu site oficial – desta vez na favela de Heliópolis, a maior de São Paulo, onde o governo Lula mantém vagos programas.
Uma pessoa que sempre inicia um pensamento por muletas do tipo “Eu digo pra vocês uma outra coisa”, ou suas variáveis “Eu quero dizer uma coisa” ou “Eu queria dizer uma coisa pra vocês”, não sabe o que quer dizer, nem como dizer, uma coisa ou outra coisa. No caso de Dilma, ela não sabe dizer coisa alguma.
A boia introdutória e os gestos que a acompanham, vê-se no vídeo, são seguidos por um vácuo verbal de súbita apoplexia de segundos, com a mão repousada ao peito, que parece durar uma eternidade – essa “outra coisa” que ela quer dizer é apenas mais um pensamento nulo, pela redundância oca, expresso numa forma ainda mais primitiva:
– Nesta questão da moradia, essa é uma questão fundamental, é uma questão de cidadania.
Uma bolha de ar tem mais consistência que isso. O assunto é moradia? Dilma não sabe do que está falando. Nem sabe que mente:
“Nós estamos prevendo um milhão de moradias até o final deste ano tem de tá contratada e já deixamos pronto um projeto para mais 2 milhões a partir de 2011”
A indigência verbal disfarça o número falso, desonesto, impossível de cumprir até com peças de Lego. Ela apenas repete o que ouviu ou leu, por alto, em algum papel deixado sobre sua mesa.
O assunto é educação? A começar de sua própria, Dilma nada sabe também. José Serra passou-lhe um pito nesta sexta-feira, por Dilma ter insinuado estupidamente que, no sistema de dois professores por sala de aula, implantado em São Paulo com bons resultados, um único salário é dividido pela dupla. Não foi apenas má-fé, mas desconhecimento puro, produto de uma extraordinária incultura geral. Dilma nada sabe sobre o Brasil, sequer sobre o governo Lula, de quem se apresenta como “coordenadora geral”.
O assunto é saúde? Dilma não tem uma única ideia saudável sobre o tema, nem sequer sobre o câncer que teve – como informa o vídeo que gravou para um simpósio de ginecologia, deixando como mensagem que o câncer “passa, com certeza absoluta”.
O assunto é Bolsa-Família? Pelo menos disso – menina dos olhos encachaçados de Lula – ela entende, pois não? Nada. Neste vídeo em Heliópolis, ela chuta uma informação sobre o sistema em São Paulo. Mercadante, com a boca encoberta, parece tentar corrigi-la de um erro grosseiro. Ela fez cara feia e insiste no erro, mas fica claro o constrangimento.
O início oficial da campanha presidencial, sem os travos da hipocrisia pré-eleitoral, escancarou para a opinião pública, pelo menos para quem quiser ver e ouvir, o que há nove meses vinha sendo solidificado, através de transcrições, trechos de vídeo e “denúncias” em fóruns de discussão inteligente, mas alternativos, como esta coluna – nunca na grande imprensa, que se mantém até hoje estranhamente omissa diante da aberração: Dilma Rousseff, com seu assombroso despreparo pessoal, intelectual e gerencial, envergonha não só os brasileiros que votarão em Serra, e correm o risco de ter uma fraude como presidente, como deveria envergonhar também os petistas que fecham os olhos, por causa dos bilionários interesses em jogo, diante da absurda unção e ascensão da candidata fabricada perversamente por Lula.
Os dirigentes petistas sabem disso desde o momento em que Lula colocou Dilma na rua, ordenando – se soubesse o que isso significa –“Parla”.
Mercadante, Temer, Marta perceberam isso desde o começo, assim que ouviram o primeiro discurso de Dilma. Tremeram na base, achavam que estava tudo liquidado.
Não contavam, porém, que no Brasil de Lula, o Brasil da falta de educação, Dilma subiria nas pesquisas na mesma proporção de sua extraordinária produção de sandices.
Justiça seja feita: Dilma sempre foi absolutamente democrática na escolha das tribunas para expor sua ignorância essencial — de encontros com misses, numa TV local, ao programa nacional da Luciana Gimenez; de uma modesta emissora comunitária do interior da Paraíba aos estúdios da maior rádio do país, a Jovem Pan de São Paulo. Da quadra “multiesportiva” de Heliópolis, como neste vídeo, ao auditório principal da Fiesp.
Nunca disse nada que se aproveitasse, rigorosamente nada. E – fenômeno – Dilma tem piorado a olhos vistos. Ao final do primeiro mandato de quatro anos, a analfabeta funcional de hoje terá regredido à condição de analfabeta de nascença, de dona Lindu.
Só nestes sete dias de campanha oficial – período saudado euforicamente pelo site dela com a manchete “milhares de pessoas com Dilma na primeira semana de campanha à presidência” – seu portfólio de cretinices e erros grotescos de concordância, lógica, sintaxe, geografia, história, teoria política e qualquer outra cadeira do conhecimento humano já é o maior da história de nossa pobre República.
Dilma na presidência, com essa gravíssima fragilidade mental, será joguete na mão da petralhada sedenta por mais oito anos de botim — uma rubrica da presidente valerá milhões.
E ela nem poderá ser tratada como Rainha decorativa, pois falta-lhe a nobreza.
Uma pessoa que sempre inicia um pensamento por muletas do tipo “Eu digo pra vocês uma outra coisa”, ou suas variáveis “Eu quero dizer uma coisa” ou “Eu queria dizer uma coisa pra vocês”, não sabe o que quer dizer, nem como dizer, uma coisa ou outra coisa. No caso de Dilma, ela não sabe dizer coisa alguma.
A boia introdutória e os gestos que a acompanham, vê-se no vídeo, são seguidos por um vácuo verbal de súbita apoplexia de segundos, com a mão repousada ao peito, que parece durar uma eternidade – essa “outra coisa” que ela quer dizer é apenas mais um pensamento nulo, pela redundância oca, expresso numa forma ainda mais primitiva:
– Nesta questão da moradia, essa é uma questão fundamental, é uma questão de cidadania.
Uma bolha de ar tem mais consistência que isso. O assunto é moradia? Dilma não sabe do que está falando. Nem sabe que mente:
“Nós estamos prevendo um milhão de moradias até o final deste ano tem de tá contratada e já deixamos pronto um projeto para mais 2 milhões a partir de 2011”
A indigência verbal disfarça o número falso, desonesto, impossível de cumprir até com peças de Lego. Ela apenas repete o que ouviu ou leu, por alto, em algum papel deixado sobre sua mesa.
O assunto é educação? A começar de sua própria, Dilma nada sabe também. José Serra passou-lhe um pito nesta sexta-feira, por Dilma ter insinuado estupidamente que, no sistema de dois professores por sala de aula, implantado em São Paulo com bons resultados, um único salário é dividido pela dupla. Não foi apenas má-fé, mas desconhecimento puro, produto de uma extraordinária incultura geral. Dilma nada sabe sobre o Brasil, sequer sobre o governo Lula, de quem se apresenta como “coordenadora geral”.
O assunto é saúde? Dilma não tem uma única ideia saudável sobre o tema, nem sequer sobre o câncer que teve – como informa o vídeo que gravou para um simpósio de ginecologia, deixando como mensagem que o câncer “passa, com certeza absoluta”.
O assunto é Bolsa-Família? Pelo menos disso – menina dos olhos encachaçados de Lula – ela entende, pois não? Nada. Neste vídeo em Heliópolis, ela chuta uma informação sobre o sistema em São Paulo. Mercadante, com a boca encoberta, parece tentar corrigi-la de um erro grosseiro. Ela fez cara feia e insiste no erro, mas fica claro o constrangimento.
O início oficial da campanha presidencial, sem os travos da hipocrisia pré-eleitoral, escancarou para a opinião pública, pelo menos para quem quiser ver e ouvir, o que há nove meses vinha sendo solidificado, através de transcrições, trechos de vídeo e “denúncias” em fóruns de discussão inteligente, mas alternativos, como esta coluna – nunca na grande imprensa, que se mantém até hoje estranhamente omissa diante da aberração: Dilma Rousseff, com seu assombroso despreparo pessoal, intelectual e gerencial, envergonha não só os brasileiros que votarão em Serra, e correm o risco de ter uma fraude como presidente, como deveria envergonhar também os petistas que fecham os olhos, por causa dos bilionários interesses em jogo, diante da absurda unção e ascensão da candidata fabricada perversamente por Lula.
Os dirigentes petistas sabem disso desde o momento em que Lula colocou Dilma na rua, ordenando – se soubesse o que isso significa –“Parla”.
Mercadante, Temer, Marta perceberam isso desde o começo, assim que ouviram o primeiro discurso de Dilma. Tremeram na base, achavam que estava tudo liquidado.
Não contavam, porém, que no Brasil de Lula, o Brasil da falta de educação, Dilma subiria nas pesquisas na mesma proporção de sua extraordinária produção de sandices.
Justiça seja feita: Dilma sempre foi absolutamente democrática na escolha das tribunas para expor sua ignorância essencial — de encontros com misses, numa TV local, ao programa nacional da Luciana Gimenez; de uma modesta emissora comunitária do interior da Paraíba aos estúdios da maior rádio do país, a Jovem Pan de São Paulo. Da quadra “multiesportiva” de Heliópolis, como neste vídeo, ao auditório principal da Fiesp.
Nunca disse nada que se aproveitasse, rigorosamente nada. E – fenômeno – Dilma tem piorado a olhos vistos. Ao final do primeiro mandato de quatro anos, a analfabeta funcional de hoje terá regredido à condição de analfabeta de nascença, de dona Lindu.
Só nestes sete dias de campanha oficial – período saudado euforicamente pelo site dela com a manchete “milhares de pessoas com Dilma na primeira semana de campanha à presidência” – seu portfólio de cretinices e erros grotescos de concordância, lógica, sintaxe, geografia, história, teoria política e qualquer outra cadeira do conhecimento humano já é o maior da história de nossa pobre República.
Dilma na presidência, com essa gravíssima fragilidade mental, será joguete na mão da petralhada sedenta por mais oito anos de botim — uma rubrica da presidente valerá milhões.
E ela nem poderá ser tratada como Rainha decorativa, pois falta-lhe a nobreza.
06 julho 2010
O programa liberticida do PT da Dilma_In Augusto Nunes
Em parceria, o presidente que jamais levou um livro no isopor da praia e a Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim produziram um indispensável esboço ideológico do governo Dilma Rousseff. Sob o codinome Programa Nacional de Direitos Humanos, foi lançada no Natal a primeira edição do Guia do Stalinismo Farofeiro.
A constatação acima reproduzida encerrou o texto publicado aqui no Direto ao Ponto em 12 de janeiro. Dois dias depois, a coluna retomou o tema no post com o título A liberdade não foi convidada. Confiram:
A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem 30 artigos. O 1° constata que todos nascemos livres. O 3° estabelece que todo homem tem direito à liberdade. O 17° sublinha o direito irrevogável à liberdade de opinião e expressão. Sempre claros e coerentes, outros registros condensam em linguagem diplomática uma concisa lição de Don Quixote a Sancho Pança.
“A liberdade”, ensinou o personagem de Miguel de Cervantes, “é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus; a ela não podem igualar-se os tesouros que encerra a terra e nem o mar encobre; pela liberdade, assim como pela honra, se pode e deve aventurar a vida; e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode vir aos homens”.
O 3° Programa Nacional de Direitos Humanos tem 71 páginas e 29.538 palavras. Nesse pântano de vogais e consoantes, a expressão liberdade vem à tona 19 vezes, sempre com significado diverso ─ e muito menos nobre ─ do que lhe atribuíram o magnífico escritor e os arquitetos do mais belo documento político da era moderna. A Liberdade ─ substantiva, maiúscula, luminosa ─ não figura entre os direitos humanos vislumbrados por pastores do autoritarismo. A Liberdade não foi convidada para o comício da companheirada.
O Programa Nacional de Direitos Humanos é também o esqueleto da plataforma política da candidata Dilma Rousseff (que chancelou o papelório irresponsável com o selo de má qualidade da Casa Civil). A palanqueira sem rumo e seu padrinho sem siso andam sonhando com um Brasil polarizado entre os soldados do povo e a elite golpista. Se o Guia do Stalinismo Farofeiro não for atirado ao lixo a tempo, o casal de caçadores de votos pode acabar enredado num duelo perigoso.
Do lado de lá estarão os liberticidas. Do lado de cá, os democratas que jamais capitularam. Eles não passarão sem resistência.
A esquerda psicótica continua a mesma, atestou a chegada ao Tribunal Superior Eleitoral da primeira versão do programa de governo de Dilma Rousseff, que denuncia na forma e no conteúdo o estreito parentesco com o Programa Nacional de Direitos Humanos. O que mudou foi o cacife dos parceiros da base alugada, informou a pronta substituição do documento por outro que o sócio majoritário considerasse aceitável.
“O que foi registrado foi o programa do PT”, esclareceu em nome do PMDB o ex-governador fluminense Moreira Franco, vice-presidente da Caixa Econômica Federal. “Vamos ter um programa de governo que retrate a visão política dos partidos que compõem a coligação”. Para os morubixabas que escoltam o vice Michel Temer, a Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim pode até usar a política externa para viajar de volta à Guerra Fria na máquina do tempo do Itamaraty. Mas devem permanecer intocadas as diretrizes da política interna que o PMDB e seus congêneres utilizam como instrumento de poder e fábrica de dinheiro sujo.
Se Dilma Rousseff for eleita, portanto, o futuro estará condicionado ao desfecho do confronto entre a caravela dos insensatos tripulada pelo PT e o navio pirata a serviço do PMDB. Chegou a hora de juntá-los no mesmo naufrágio e conduzir o Brasil a um porto seguro.
A constatação acima reproduzida encerrou o texto publicado aqui no Direto ao Ponto em 12 de janeiro. Dois dias depois, a coluna retomou o tema no post com o título A liberdade não foi convidada. Confiram:
A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem 30 artigos. O 1° constata que todos nascemos livres. O 3° estabelece que todo homem tem direito à liberdade. O 17° sublinha o direito irrevogável à liberdade de opinião e expressão. Sempre claros e coerentes, outros registros condensam em linguagem diplomática uma concisa lição de Don Quixote a Sancho Pança.
“A liberdade”, ensinou o personagem de Miguel de Cervantes, “é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus; a ela não podem igualar-se os tesouros que encerra a terra e nem o mar encobre; pela liberdade, assim como pela honra, se pode e deve aventurar a vida; e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode vir aos homens”.
O 3° Programa Nacional de Direitos Humanos tem 71 páginas e 29.538 palavras. Nesse pântano de vogais e consoantes, a expressão liberdade vem à tona 19 vezes, sempre com significado diverso ─ e muito menos nobre ─ do que lhe atribuíram o magnífico escritor e os arquitetos do mais belo documento político da era moderna. A Liberdade ─ substantiva, maiúscula, luminosa ─ não figura entre os direitos humanos vislumbrados por pastores do autoritarismo. A Liberdade não foi convidada para o comício da companheirada.
O Programa Nacional de Direitos Humanos é também o esqueleto da plataforma política da candidata Dilma Rousseff (que chancelou o papelório irresponsável com o selo de má qualidade da Casa Civil). A palanqueira sem rumo e seu padrinho sem siso andam sonhando com um Brasil polarizado entre os soldados do povo e a elite golpista. Se o Guia do Stalinismo Farofeiro não for atirado ao lixo a tempo, o casal de caçadores de votos pode acabar enredado num duelo perigoso.
Do lado de lá estarão os liberticidas. Do lado de cá, os democratas que jamais capitularam. Eles não passarão sem resistência.
A esquerda psicótica continua a mesma, atestou a chegada ao Tribunal Superior Eleitoral da primeira versão do programa de governo de Dilma Rousseff, que denuncia na forma e no conteúdo o estreito parentesco com o Programa Nacional de Direitos Humanos. O que mudou foi o cacife dos parceiros da base alugada, informou a pronta substituição do documento por outro que o sócio majoritário considerasse aceitável.
“O que foi registrado foi o programa do PT”, esclareceu em nome do PMDB o ex-governador fluminense Moreira Franco, vice-presidente da Caixa Econômica Federal. “Vamos ter um programa de governo que retrate a visão política dos partidos que compõem a coligação”. Para os morubixabas que escoltam o vice Michel Temer, a Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim pode até usar a política externa para viajar de volta à Guerra Fria na máquina do tempo do Itamaraty. Mas devem permanecer intocadas as diretrizes da política interna que o PMDB e seus congêneres utilizam como instrumento de poder e fábrica de dinheiro sujo.
Se Dilma Rousseff for eleita, portanto, o futuro estará condicionado ao desfecho do confronto entre a caravela dos insensatos tripulada pelo PT e o navio pirata a serviço do PMDB. Chegou a hora de juntá-los no mesmo naufrágio e conduzir o Brasil a um porto seguro.
05 julho 2010
As esquerdas irrelevantes do PT_Por Ethan Edwards_In Augusto Nunes
“A cada vez que Lula sentia necessidade de enforcar alguém, parte da esquerda corria a lhe oferecer um pedaço de corda, outra lhe trazia um pescoço”, constata Ethan Edwards em mais um texto admirável, que amplia e ilumina o post sobre a subordinação do PT à vontade de Lula e à cupidez do PMDB. É o tipo de leitura que não se adia:
Em 1980, a esquerda entregou a Lula a direção do processo de construção do PT. Compreendia que, de outro modo (isto é, com base nos princípios do marxismo ─ na hipótese de que alguém os conhecesse), não conseguiria construir o partido com que sonhava. Ou entregava a chefia do partido a Lula e seus amigos despolitizados (sabendo que daquilo adviria, na melhor hipótese, um partido populista) ou ficava à margem desse processo onde já se encontravam embarcados os militantes da Teologia da Libertação e o “novo sindicalismo”.
Optou, depois de pensar um pouco (na verdade, bem pouco), por associar-se a estes e ajudar a construir o partido que se dizia “dos trabalhadores”, reservando-se a ilusão de que, com o tempo, acabaria por arrebatar do operário personalista e seus cortesãos o comando do processo. Essa capitulação tinha um fundo realista. A esquerda já suspeitava (embora nunca tenha examinado de frente essa suspeita) que, em vez de complicados problemas teóricos, o que tornava impossível, no Brasil, a construção de um partido “verdadeiramente revolucionário” era algo bem mais difícil de “equacionar”: o povo brasileiro.
Cristão, conservador, respeitador das hierarquias, profundamente ligado à família, avesso a regras impessoais, o máximo de “comunismo” a que o brasileiro comum alguma vez se permitiu foi o de Dias Gomes e de João Saldanha, que estavam para Lênin e Trotsky assim como a umbanda está para a reforma protestante. Quem insistisse em construir no Brasil um partido marxista estaria condenado a viver num gueto. Lula, ao contrário da esquerda que o cercava, falava diretamente ao coração do “brasileiro médio”. O mais inteligente era entregar-lhe a chefia do novo partido.
Trinta anos depois, a situação da esquerda petista não melhorou. Na verdade, deteriorou-se por completo. Se lhe serve de consolo, entretanto, deve-se registrar que nessa jornada em direção à irrelevância a esquerda jamais pediu ajuda a ninguém. Caminhou sempre com as próprias pernas. A cada vez que Lula sentia necessidade de enforcar alguém, parte da esquerda corria a lhe oferecer um pedaço de corda, outra lhe trazia um pescoço. O executado quase sempre era um dos seus – mas isso não tinha importância.
O que importava, então? Boa pergunta. Aceitemos, por generosidade, que tudo não passou de um enorme erro de cálculo. Mas a pergunta que realmente interessa, no entanto, é outra, e não se refere ao passado: por que, trinta anos depois daquela decisão infeliz, a esquerda continua, como um velho serviçal desfibrado, a apoiar todos os atos, mesmo os mais desprezíveis, de um governo banalmente populista, que enriqueceu os milionários e se aliou ao que havia de pior na política brasileira, e que evidentemente jamais abrirá caminho para a “revolução”, qualquer que seja a revolução que a esquerda diz almejar?
A pessoa ideal para responder a essa pergunta já faleceu: a Dra. Nise da Silveira. Ex-trotskista, dedicou toda sua vida madura a tratar de esquizofrênicos. Ela provavelmente compreenderia, melhor do que ninguém, o que se passa na alma de um petista que continua a se imaginar “revolucionário”. Ela lhe daria tinta e pincel e o estimularia: “Pinte, meu filho. Pinte mandalas. Você vai se sentir muito melhor”.
Em 1980, a esquerda entregou a Lula a direção do processo de construção do PT. Compreendia que, de outro modo (isto é, com base nos princípios do marxismo ─ na hipótese de que alguém os conhecesse), não conseguiria construir o partido com que sonhava. Ou entregava a chefia do partido a Lula e seus amigos despolitizados (sabendo que daquilo adviria, na melhor hipótese, um partido populista) ou ficava à margem desse processo onde já se encontravam embarcados os militantes da Teologia da Libertação e o “novo sindicalismo”.
Optou, depois de pensar um pouco (na verdade, bem pouco), por associar-se a estes e ajudar a construir o partido que se dizia “dos trabalhadores”, reservando-se a ilusão de que, com o tempo, acabaria por arrebatar do operário personalista e seus cortesãos o comando do processo. Essa capitulação tinha um fundo realista. A esquerda já suspeitava (embora nunca tenha examinado de frente essa suspeita) que, em vez de complicados problemas teóricos, o que tornava impossível, no Brasil, a construção de um partido “verdadeiramente revolucionário” era algo bem mais difícil de “equacionar”: o povo brasileiro.
Cristão, conservador, respeitador das hierarquias, profundamente ligado à família, avesso a regras impessoais, o máximo de “comunismo” a que o brasileiro comum alguma vez se permitiu foi o de Dias Gomes e de João Saldanha, que estavam para Lênin e Trotsky assim como a umbanda está para a reforma protestante. Quem insistisse em construir no Brasil um partido marxista estaria condenado a viver num gueto. Lula, ao contrário da esquerda que o cercava, falava diretamente ao coração do “brasileiro médio”. O mais inteligente era entregar-lhe a chefia do novo partido.
Trinta anos depois, a situação da esquerda petista não melhorou. Na verdade, deteriorou-se por completo. Se lhe serve de consolo, entretanto, deve-se registrar que nessa jornada em direção à irrelevância a esquerda jamais pediu ajuda a ninguém. Caminhou sempre com as próprias pernas. A cada vez que Lula sentia necessidade de enforcar alguém, parte da esquerda corria a lhe oferecer um pedaço de corda, outra lhe trazia um pescoço. O executado quase sempre era um dos seus – mas isso não tinha importância.
O que importava, então? Boa pergunta. Aceitemos, por generosidade, que tudo não passou de um enorme erro de cálculo. Mas a pergunta que realmente interessa, no entanto, é outra, e não se refere ao passado: por que, trinta anos depois daquela decisão infeliz, a esquerda continua, como um velho serviçal desfibrado, a apoiar todos os atos, mesmo os mais desprezíveis, de um governo banalmente populista, que enriqueceu os milionários e se aliou ao que havia de pior na política brasileira, e que evidentemente jamais abrirá caminho para a “revolução”, qualquer que seja a revolução que a esquerda diz almejar?
A pessoa ideal para responder a essa pergunta já faleceu: a Dra. Nise da Silveira. Ex-trotskista, dedicou toda sua vida madura a tratar de esquizofrênicos. Ela provavelmente compreenderia, melhor do que ninguém, o que se passa na alma de um petista que continua a se imaginar “revolucionário”. Ela lhe daria tinta e pincel e o estimularia: “Pinte, meu filho. Pinte mandalas. Você vai se sentir muito melhor”.
04 julho 2010
FHC e a crise internacional
O mundo continua se contorcendo sem encontrar caminhos seguros para superar as consequências da crise desencadeada no sistema financeiro. Até a ideia (que eu defendi nos anos 1990 e parecia uma heresia) de impor taxas à movimentação financeira reapareceu na voz dos mais ortodoxos defensores do rigor dos bancos centrais e da intocabilidade das leis de mercado. No afã de estancar a sangria produzida pelas exacerbações irracionais dos mercados, outros tantos ortodoxos passaram a usar e até a abusar de incentivos fiscais e benesses de todo tipo para salvar os bancos e o consumo.
Paul Krugman, mais recentemente, lamentou a resistência europeia à frouxidão fiscal. Ele pensa que o corte aos estímulos pode levar a economia mundial a algo semelhante ao que ocorreu em 1929. Quando a crise parecia acalmada, em 1933, suspenderam-se estímulos e medidas facilitadoras do crédito, devolvendo a recessão ao mundo. Será isso mesmo? É cedo para saber. Mas, barbas de molho, as notícias que vêm do exterior, e não só da Europa, mas também da zigue-zagueante economia americana e da letárgica economia japonesa, afora as dúvidas sobre a economia chinesa, não são sinais de uma retomada alentadora.
Enquanto isso, vive-se no Brasil oficial como se nos tivéssemos transformado numa Noruega tropical, na feliz ironia deste jornal em editorial recente. E em tão curto intervalo que estamos todos atônitos com tanto dinheiro e tantas realizações. Basta ler o último artigo presidencial no Financial Times. A pobreza existia na época da “estagnação”. Agora assistimos ao espetáculo do crescimento, sem travas, dispensando reformas e desautorizando preocupações. Se no governo Geisel se dizia que éramos uma ilha de prosperidade num mundo em crise, hoje a retórica oficial nos dá a impressão de que somos um mundo de prosperidade e o mundo, uma distante ilha em crise. Baixo investimento em infraestrutura? Ora, o PAC resolve. Receio com o aumento do endividamento público e o crescente déficit previdenciário? Ora, preocupação com isso é lá na Europa. Aqui, não. Afinal, Deus é brasileiro.
Só que a realidade existe. A prosperidade de uns depende da de outros no mundo globalizado. Por mais que estejamos relativamente bem em comparação com os países de economia mais madura, se estes estagnarem ou crescerem a taxas baixas, haverá problemas. A queda nos preços das matérias-primas prejudicará as nossas exportações, grande parte delas composta de commodities. A ausência de crescimento complicará a solução dos desequilíbrios monetários e fiscais dos países ricos e isso significará menos recursos disponíveis para o Brasil no mercado financeiro global. Não devemos ser pessimistas, mas não nos podemos deixar embalar em devaneios quase infantis, que nos distraem de discutir os verdadeiros desafios do País.
Infelizmente, estamos às voltas com distrações. Um cântico de louvor às nossas grandezas, de uma falta de realismo assustador. Embarcamos na antiga tese do Brasil potência e, sem olhar em volta, propomo-nos a dar saltos sem saber com que recursos: trem-bala de custos desconhecidos, pré-sal sem atenção ao impacto do desastre no Golfo do México sobre os custos futuros da extração do petróleo, capitalização da Petrobrás de proporções gigantescas, uma Petro-Sal de propósitos incertos e tamanho imprevisível. Tudo grandioso. Fala-se mais do que se faz. E o que se faz é graças a transferências maciças do bolso dos contribuintes para o caixa das grandes empresas amigas do Estado, por meio de empréstimos subsidiados do BNDES, que de quebra engordam a dívida bruta do Tesouro.
A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o “mercado” e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse?
No México do PRI, cujo domínio durou décadas, o presidente apontava sozinho o candidato a suceder-lhe, num processo vedado ao olhar e às influências da opinião pública. No entanto, quando a escolha era revelada ao público – “el destape del tapado” -, o escolhido via-se obrigado a dizer o que pensava. Aqui, o “dedazo” de Lula apontou a candidata. Só que ela não pode dizer o que pensa para não pôr em risco a eleição. Estamos diante de uma personagem a ser moldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de “alienação”.
Esconde-se, assim, o que realmente está em jogo. Queremos aperfeiçoar nossa democracia ou aceitaremos como normais os grandes delitos de aloprados e as pequenas infrações sistemáticas, como as de um presidente que dá de ombros diante de seis multas a ele aplicadas por desrespeito à legislação eleitoral? Queremos um Estado partidariamente neutro ou capturado por interesses partidários? Que dialogue com a sociedade ou se feche para tomar decisões baseadas em pretensa superioridade estratégica para escolher o que é melhor para o País? Que confunda a Nação com o Estado e o Estado com empresas e corporações estatais, em aliança com poucos grandes grupos privados, ou saiba distinguir uma coisa da outra em nome do interesse público? Que aposte no desenvolvimento das capacidades de cada indivíduo, para a cidadania e para o trabalho, ou veja o povo como massa e a si próprio como benfeitor? Que enxergue no meio ambiente uma dimensão essencial ou um obstáculo ao desenvolvimento?
Está na hora de cada candidato, com a alma aberta e a cara lavada, dizer ao País o que pensa.
Paul Krugman, mais recentemente, lamentou a resistência europeia à frouxidão fiscal. Ele pensa que o corte aos estímulos pode levar a economia mundial a algo semelhante ao que ocorreu em 1929. Quando a crise parecia acalmada, em 1933, suspenderam-se estímulos e medidas facilitadoras do crédito, devolvendo a recessão ao mundo. Será isso mesmo? É cedo para saber. Mas, barbas de molho, as notícias que vêm do exterior, e não só da Europa, mas também da zigue-zagueante economia americana e da letárgica economia japonesa, afora as dúvidas sobre a economia chinesa, não são sinais de uma retomada alentadora.
Enquanto isso, vive-se no Brasil oficial como se nos tivéssemos transformado numa Noruega tropical, na feliz ironia deste jornal em editorial recente. E em tão curto intervalo que estamos todos atônitos com tanto dinheiro e tantas realizações. Basta ler o último artigo presidencial no Financial Times. A pobreza existia na época da “estagnação”. Agora assistimos ao espetáculo do crescimento, sem travas, dispensando reformas e desautorizando preocupações. Se no governo Geisel se dizia que éramos uma ilha de prosperidade num mundo em crise, hoje a retórica oficial nos dá a impressão de que somos um mundo de prosperidade e o mundo, uma distante ilha em crise. Baixo investimento em infraestrutura? Ora, o PAC resolve. Receio com o aumento do endividamento público e o crescente déficit previdenciário? Ora, preocupação com isso é lá na Europa. Aqui, não. Afinal, Deus é brasileiro.
Só que a realidade existe. A prosperidade de uns depende da de outros no mundo globalizado. Por mais que estejamos relativamente bem em comparação com os países de economia mais madura, se estes estagnarem ou crescerem a taxas baixas, haverá problemas. A queda nos preços das matérias-primas prejudicará as nossas exportações, grande parte delas composta de commodities. A ausência de crescimento complicará a solução dos desequilíbrios monetários e fiscais dos países ricos e isso significará menos recursos disponíveis para o Brasil no mercado financeiro global. Não devemos ser pessimistas, mas não nos podemos deixar embalar em devaneios quase infantis, que nos distraem de discutir os verdadeiros desafios do País.
Infelizmente, estamos às voltas com distrações. Um cântico de louvor às nossas grandezas, de uma falta de realismo assustador. Embarcamos na antiga tese do Brasil potência e, sem olhar em volta, propomo-nos a dar saltos sem saber com que recursos: trem-bala de custos desconhecidos, pré-sal sem atenção ao impacto do desastre no Golfo do México sobre os custos futuros da extração do petróleo, capitalização da Petrobrás de proporções gigantescas, uma Petro-Sal de propósitos incertos e tamanho imprevisível. Tudo grandioso. Fala-se mais do que se faz. E o que se faz é graças a transferências maciças do bolso dos contribuintes para o caixa das grandes empresas amigas do Estado, por meio de empréstimos subsidiados do BNDES, que de quebra engordam a dívida bruta do Tesouro.
A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o “mercado” e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse?
No México do PRI, cujo domínio durou décadas, o presidente apontava sozinho o candidato a suceder-lhe, num processo vedado ao olhar e às influências da opinião pública. No entanto, quando a escolha era revelada ao público – “el destape del tapado” -, o escolhido via-se obrigado a dizer o que pensava. Aqui, o “dedazo” de Lula apontou a candidata. Só que ela não pode dizer o que pensa para não pôr em risco a eleição. Estamos diante de uma personagem a ser moldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de “alienação”.
Esconde-se, assim, o que realmente está em jogo. Queremos aperfeiçoar nossa democracia ou aceitaremos como normais os grandes delitos de aloprados e as pequenas infrações sistemáticas, como as de um presidente que dá de ombros diante de seis multas a ele aplicadas por desrespeito à legislação eleitoral? Queremos um Estado partidariamente neutro ou capturado por interesses partidários? Que dialogue com a sociedade ou se feche para tomar decisões baseadas em pretensa superioridade estratégica para escolher o que é melhor para o País? Que confunda a Nação com o Estado e o Estado com empresas e corporações estatais, em aliança com poucos grandes grupos privados, ou saiba distinguir uma coisa da outra em nome do interesse público? Que aposte no desenvolvimento das capacidades de cada indivíduo, para a cidadania e para o trabalho, ou veja o povo como massa e a si próprio como benfeitor? Que enxergue no meio ambiente uma dimensão essencial ou um obstáculo ao desenvolvimento?
Está na hora de cada candidato, com a alma aberta e a cara lavada, dizer ao País o que pensa.
02 julho 2010
O triste fim da era Dunga. Graças a Deus!!
Por Reinaldo Azevedo (O título é meu).
Dunga é uma equação triste.
Dunga é o resultado da soma viciosa da disciplina com a segurança.
Na sua entrevista coletiva, afirmou que o melhor resultado do seu trabalho era o estado de consternação dos jogadores com a derrota. Ao falar de seu trabalho na Seleção, afirmou (vai em dunguês):
“Talvez o maior resultado foi o resgate do [orgulho] de jogar pela Seleção Brasileira. Se você entrar no vestiário agora e ver (sic) a fisionomia do jogador, poderias (sic) entender melhor. E eu me sinto muito orgulhoso de ter estado à frente deste grupo de trabalho, com esses jogadores, com a dignidade com que eles sempre se comportaram na Seleção brasileira”.
Como se nota, Dunga nos ensinou o sentido da tragédia sem ter nos dado a grandeza heróica. Ele não sabe como ganhar uma Copa do Mundo, mas sabe perder com a dignidade dos bravos.
Em outro momento estupefaciente de sua entrevista, afirmou — e é preciso um pouco de boa-vontade para entender o que quis dizer:
“É lógico que esse nervosismo veio pelo fato de o adversário virar e que o comprometimento que esses jogadores estavam tendo na Seleção Brasileira… Se você pegar a história da Seleção, poucas vezes uma Seleção ficou 52 dias sem folga, sem nada, e ninguém reclamar… Poucas vezes você viu uma a seleção ficar 52 dias, e não foi a primeira vez, e não tem nenhuma polêmica, as coisas transcorreram normalmente, como têm que ser, com muita transparência. E aí é óbvio que muitos jogadores olham essa Copa do Mundo, viram essa copa do mundo, como a grande oportunidade da vida de cada um, de fazer a sua história dentro da Seleção Brasileira. Então isso acaba acontecendo o nervosismo, você começa a querer acelerar o jogo, querer fazer as coisas, muita falta, muito jogo truncado, o jogo não andava, cada falta demorava 10, 20, 30 segundos para dar seguimento, o juiz dava explicação, por que que dá falta, por que não, apitava pra lá e pra cá, e isso acaba fazendo com que o jogador vá ficando nervoso durante o jogo”
Entendi. O time de Dunga ficava nervoso com o apito do juiz e se descontrolava. Quando a seleção de Kim Dung-Il fez aquele jogo medíocre contra a seleção de Kim Jong-Il, comparei o treinador brasileiro a uma inspetora do meu colégio. Havia as regras da escola, e havia aquelas que ela mesma inventava. O “bom elemento” era o que seguia as dela, não as da instituição. Foi mais ou menos esse princípio que fez de Felipe Melo o nome do jogo, um craque no time de Dunga.
Ele está orgulhoso? Está! Fez uma seleção diferente daquela de 2006, quando, então, o país perdeu, e os jogadores pareciam não se importar muito. Estes não! Perdem, mas sofrem barbaridade!
A fala é esgarçada, não faz sentido, é expressão de um raciocínio embolado e embotado. Quantos não se lembram com carinho da Seleção de 1982? Perdeu também! Mas, ao menos, a gente gostava de ver aquela gente jogar. Dunga nos tirou o prazer sem nos dar a eficiência do dever.
Sem contar que, numa mesma fala, Dunga exalta o seu método, o seu jeito Coréia de Norte de ser, do qual ninguém reclama, e anuncia, ao mesmo tempo, a sua ineficiência. Se bem entendi, o regime de concentração, que ele exalta, levou a um resultado desastroso, e, por isso mesmo, ele o defende!!! É a equação perfeita dos loucos.
Para Dunga, o poema de Ascenso Ferreira, já citado aqui algumas vezes:
“Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
- Para que?
- Pra nada!”
Dunga é triste, é chato, é malcriado, é teimoso e sabe jogar feio.
— Pra quê?
— Pra nada!
Por Reinaldo Azevedo
Dunga é uma equação triste.
Dunga é o resultado da soma viciosa da disciplina com a segurança.
Na sua entrevista coletiva, afirmou que o melhor resultado do seu trabalho era o estado de consternação dos jogadores com a derrota. Ao falar de seu trabalho na Seleção, afirmou (vai em dunguês):
“Talvez o maior resultado foi o resgate do [orgulho] de jogar pela Seleção Brasileira. Se você entrar no vestiário agora e ver (sic) a fisionomia do jogador, poderias (sic) entender melhor. E eu me sinto muito orgulhoso de ter estado à frente deste grupo de trabalho, com esses jogadores, com a dignidade com que eles sempre se comportaram na Seleção brasileira”.
Como se nota, Dunga nos ensinou o sentido da tragédia sem ter nos dado a grandeza heróica. Ele não sabe como ganhar uma Copa do Mundo, mas sabe perder com a dignidade dos bravos.
Em outro momento estupefaciente de sua entrevista, afirmou — e é preciso um pouco de boa-vontade para entender o que quis dizer:
“É lógico que esse nervosismo veio pelo fato de o adversário virar e que o comprometimento que esses jogadores estavam tendo na Seleção Brasileira… Se você pegar a história da Seleção, poucas vezes uma Seleção ficou 52 dias sem folga, sem nada, e ninguém reclamar… Poucas vezes você viu uma a seleção ficar 52 dias, e não foi a primeira vez, e não tem nenhuma polêmica, as coisas transcorreram normalmente, como têm que ser, com muita transparência. E aí é óbvio que muitos jogadores olham essa Copa do Mundo, viram essa copa do mundo, como a grande oportunidade da vida de cada um, de fazer a sua história dentro da Seleção Brasileira. Então isso acaba acontecendo o nervosismo, você começa a querer acelerar o jogo, querer fazer as coisas, muita falta, muito jogo truncado, o jogo não andava, cada falta demorava 10, 20, 30 segundos para dar seguimento, o juiz dava explicação, por que que dá falta, por que não, apitava pra lá e pra cá, e isso acaba fazendo com que o jogador vá ficando nervoso durante o jogo”
Entendi. O time de Dunga ficava nervoso com o apito do juiz e se descontrolava. Quando a seleção de Kim Dung-Il fez aquele jogo medíocre contra a seleção de Kim Jong-Il, comparei o treinador brasileiro a uma inspetora do meu colégio. Havia as regras da escola, e havia aquelas que ela mesma inventava. O “bom elemento” era o que seguia as dela, não as da instituição. Foi mais ou menos esse princípio que fez de Felipe Melo o nome do jogo, um craque no time de Dunga.
Ele está orgulhoso? Está! Fez uma seleção diferente daquela de 2006, quando, então, o país perdeu, e os jogadores pareciam não se importar muito. Estes não! Perdem, mas sofrem barbaridade!
A fala é esgarçada, não faz sentido, é expressão de um raciocínio embolado e embotado. Quantos não se lembram com carinho da Seleção de 1982? Perdeu também! Mas, ao menos, a gente gostava de ver aquela gente jogar. Dunga nos tirou o prazer sem nos dar a eficiência do dever.
Sem contar que, numa mesma fala, Dunga exalta o seu método, o seu jeito Coréia de Norte de ser, do qual ninguém reclama, e anuncia, ao mesmo tempo, a sua ineficiência. Se bem entendi, o regime de concentração, que ele exalta, levou a um resultado desastroso, e, por isso mesmo, ele o defende!!! É a equação perfeita dos loucos.
Para Dunga, o poema de Ascenso Ferreira, já citado aqui algumas vezes:
“Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
- Para que?
- Pra nada!”
Dunga é triste, é chato, é malcriado, é teimoso e sabe jogar feio.
— Pra quê?
— Pra nada!
Por Reinaldo Azevedo
01 julho 2010
Mais sobre pesquisas_In Augusto Nunes
Em 1982, iludido pela vantagem mantida por Jair Soares ao longo do primeiro dia da apuração, espertamente amplificada pelo berreiro triunfalista dos adversários, o senador Pedro Simon incorreu no pecado da precipitação: reconheceu formalmente a vitória do candidato do PDS ao governo gaúcho, desmobilizou o esquema de fiscalização montado pelo PMDB e foi descansar. Já estava na casa na praia quando a distância que o separava de Jair Soares começou a encurtar ─ e então descobriu que a contagem dos votos começara pelos municípios controlados pelo PDS e passara ao largo dos redutos oposicionistas. Voltou às pressas para Porto Alegre e exortou os fiscais do PMDB a retomarem as posições abandonadas. Tarde demais. Entre a rendição e o recomeço do combate, a fraude correu solta nas sessões eleitorais sem vigilância. Simon perdeu por 22.373 votos de diferença. Foi derrotado não por falta de eleitores, mas por excesso de ingenuidade.
Vale a pena evocar o equívoco de Pedro Simon antes que os democratas, confrontados com a barulheira forjada para fantasiar Dilma Rousseff de presidente eleita por uma pesquisa, caiam numa armadilha semelhante à montada em 1982. Faz de conta que não se trata de outro prodígio estatístico. Faz de conta que Dilma é vista com simpatia pela maior parte dos entrevistados. Ainda assim, só os cretinos fundamentais e os vigaristas de ofício ousam afirmar, sem ficarem ruborizados, que o duelo que nem começou foi encerrado a quatro meses da eleição. Nenhum programa foi apresentado no horário gratuito. Não houve um único debate entre os candidatos. Mas Dilma deve ser empossada de imediato, repetem os balidos do rebanho. Em 1982, os farsantes ao menos se ampararam em urnas e cédulas. Passados quase 30 anos, bastam intenções de voto colhidas por um instituto cujo acervo de erros tem o tamanho do que guarda as mentiras contadas por Dilma Rousseff.
Em 2002, depois de eleito senador, o companheiro Aloízio Mercadante acusou o Ibope de tê-lo prejudicado com a fabricação de índices sem parentesco com a realidade. “Na véspera da votação, eu aparecia com 15% a menos do que tive”, choramingou o Herói da Rendição. “Muitos eleitores deixaram de votar em mim por acharem quer eu não tinha chances”. Para fazer com os adversários o que acha que o Ibope lhe fez, Mercadante voltou a acreditar em pesquisas. Mas só em âmbito federal. Continua descrente, por exemplo, dos índices que mostram a quantas anda a sucessão paulista. Segundo o Ibope, o candidato a governador do PT patina abaixo dos 20%, enquanto Geraldo Alckmin flutua na faixa dos 50%. Mercadante diz que a campanha nem começou.
Muito mais espantoso que o índice atribuído a Dilma é o conferido a José Serra. Convencido de que a maior obra de um governante é eleger o sucessor, Lula impôs a candidata a todos os partidos e está em campo ilegalmente desde 2007 para vincular Dilma à sua imagem. Depois de uma boa largada, Serra não assumiu efetivamente o comando da campanha e hesita em vincular-se à oposição real. O PT do Maranhão engoliu até a família Sarney. Serra perde tempo com o DEM, que deveria ter mandado às favas há muito tempo em nome da moral e dos bons costumes.
Dilma e Lula passam o tempo celebrando proezas imaginárias. O candidato oposicionista não conseguiu, até agora, transformar-se no porta-voz das legiões de inconformados com a Era da Mediocridade. E ainda assim continua a ostentar um índice que lhe garante o apoio de mais de 40 milhões de brasileiros. Lula elege até um poste? Os índices atribuídos a Serra e Dilma gritam que não. Os descontentes com o governo não passam de 4 milhões (ou zero, se a margem de erro oscilar para baixo)? Nesse caso, nem quem engole o convívio com Lula consegue digerir Dilma Rousseff.
O que falta a Serra para entender que o presidente só ficou melhor no retrato por que a oposição partidária não se opõe? O que espera para dispensar a Dilma Rousseff o tratamento que merece um embuste? Por que não trata de denunciar ─ com todas as letras, sem tantas cautelas e ressalvas ─ o que deve ser denunciado? Milhões de brasileiros desconhecem o que há por trás do país de ficção propagandeado por marqueteiros federais: a corrupção endêmica, a roubalheira colossal, a impunidade desavergonhada, a política externa infame, o assalto ao aparelho estatal, o fracasso do PAC, a gastança criminosa, a aliança que une velhos oligarcas, neogatunos e esquerdistas psicóticos, as ameaças à democracia e à liberdade, o ovo da serpente camuflado no Plano Nacional de Direitos Humanos, a arrogância fora-da-lei de Lula, sobretudo o despreparo incomparável da candidata à presidência. Cabe a Serra escancarar os tumores camuflados pela discurseira oficial.
Campanha eleitoral não é vale-tudo, precisam aprender o monarca e seus cortesãos. Nem um curso de boas maneiras, precisam aprender os oposicionistas em campanha. Quem insiste em dançar um minueto ao som de um trio elétrico acaba atropelado por um bloco de sujos.
Vale a pena evocar o equívoco de Pedro Simon antes que os democratas, confrontados com a barulheira forjada para fantasiar Dilma Rousseff de presidente eleita por uma pesquisa, caiam numa armadilha semelhante à montada em 1982. Faz de conta que não se trata de outro prodígio estatístico. Faz de conta que Dilma é vista com simpatia pela maior parte dos entrevistados. Ainda assim, só os cretinos fundamentais e os vigaristas de ofício ousam afirmar, sem ficarem ruborizados, que o duelo que nem começou foi encerrado a quatro meses da eleição. Nenhum programa foi apresentado no horário gratuito. Não houve um único debate entre os candidatos. Mas Dilma deve ser empossada de imediato, repetem os balidos do rebanho. Em 1982, os farsantes ao menos se ampararam em urnas e cédulas. Passados quase 30 anos, bastam intenções de voto colhidas por um instituto cujo acervo de erros tem o tamanho do que guarda as mentiras contadas por Dilma Rousseff.
Em 2002, depois de eleito senador, o companheiro Aloízio Mercadante acusou o Ibope de tê-lo prejudicado com a fabricação de índices sem parentesco com a realidade. “Na véspera da votação, eu aparecia com 15% a menos do que tive”, choramingou o Herói da Rendição. “Muitos eleitores deixaram de votar em mim por acharem quer eu não tinha chances”. Para fazer com os adversários o que acha que o Ibope lhe fez, Mercadante voltou a acreditar em pesquisas. Mas só em âmbito federal. Continua descrente, por exemplo, dos índices que mostram a quantas anda a sucessão paulista. Segundo o Ibope, o candidato a governador do PT patina abaixo dos 20%, enquanto Geraldo Alckmin flutua na faixa dos 50%. Mercadante diz que a campanha nem começou.
Muito mais espantoso que o índice atribuído a Dilma é o conferido a José Serra. Convencido de que a maior obra de um governante é eleger o sucessor, Lula impôs a candidata a todos os partidos e está em campo ilegalmente desde 2007 para vincular Dilma à sua imagem. Depois de uma boa largada, Serra não assumiu efetivamente o comando da campanha e hesita em vincular-se à oposição real. O PT do Maranhão engoliu até a família Sarney. Serra perde tempo com o DEM, que deveria ter mandado às favas há muito tempo em nome da moral e dos bons costumes.
Dilma e Lula passam o tempo celebrando proezas imaginárias. O candidato oposicionista não conseguiu, até agora, transformar-se no porta-voz das legiões de inconformados com a Era da Mediocridade. E ainda assim continua a ostentar um índice que lhe garante o apoio de mais de 40 milhões de brasileiros. Lula elege até um poste? Os índices atribuídos a Serra e Dilma gritam que não. Os descontentes com o governo não passam de 4 milhões (ou zero, se a margem de erro oscilar para baixo)? Nesse caso, nem quem engole o convívio com Lula consegue digerir Dilma Rousseff.
O que falta a Serra para entender que o presidente só ficou melhor no retrato por que a oposição partidária não se opõe? O que espera para dispensar a Dilma Rousseff o tratamento que merece um embuste? Por que não trata de denunciar ─ com todas as letras, sem tantas cautelas e ressalvas ─ o que deve ser denunciado? Milhões de brasileiros desconhecem o que há por trás do país de ficção propagandeado por marqueteiros federais: a corrupção endêmica, a roubalheira colossal, a impunidade desavergonhada, a política externa infame, o assalto ao aparelho estatal, o fracasso do PAC, a gastança criminosa, a aliança que une velhos oligarcas, neogatunos e esquerdistas psicóticos, as ameaças à democracia e à liberdade, o ovo da serpente camuflado no Plano Nacional de Direitos Humanos, a arrogância fora-da-lei de Lula, sobretudo o despreparo incomparável da candidata à presidência. Cabe a Serra escancarar os tumores camuflados pela discurseira oficial.
Campanha eleitoral não é vale-tudo, precisam aprender o monarca e seus cortesãos. Nem um curso de boas maneiras, precisam aprender os oposicionistas em campanha. Quem insiste em dançar um minueto ao som de um trio elétrico acaba atropelado por um bloco de sujos.
27 junho 2010
O governo Lula é uma catástrofe!
(O título é meu).
Por Estelita Hass Carazzai, na Folha:
Um relatório do Ministério do Planejamento aponta que há “desarticulação” das ações do próprio governo federal no combate a inundações e alagamentos no Brasil. O texto cita o fato de obras antienchente estarem espalhadas por ministérios, a precariedade dos bancos de dados, a atuação da Defesa Civil -mais reativa do que preventiva- e a falta de planos de segurança de barragens.
O texto estava no site Portal do Planejamento, do governo federal, que saiu do ar dois dias depois de inaugurado, na semana passada, por ter criado desconforto com as críticas a ações de governo. O relatório é outra constatação negativa em relação à ação do poder público na prevenção de catástrofes como a que matou ao menos 51 em Alagoas e Pernambuco.
A Folha revelou que os dois Estados têm sistemas falhos de prevenção de enchentes, que incluem a falta de radares meteorológicos em Pernambuco e de Defesa Civil em cidades alagoanas. Além disso, o governo federal, em sete anos e meio, gastou mais com reconstrução e assistência às vítimas (R$ 5,8 bilhões) do que com prevenção (R$ 1,1 bilhão).
DIVISÃO
Segundo o texto, obras de drenagem urbana estão em três ministérios (Integração Nacional, Cidades e Saúde), o que cria problemas, já que nem sempre fica claro qual é o campo de atuação de cada órgão e quais são os critérios de seleção dos projetos. O texto cita a dificuldade de acesso a dados hidrometeorológicos, o que faz com que obras antienchentes sejam planejadas com base em informações defasadas.
Também há críticas às obras de drenagem, que privilegiam o rápido escoamento das águas da chuva, mas não levam em conta prejuízos nas cidades próximas, para onde são direcionadas.
Por Estelita Hass Carazzai, na Folha:
Um relatório do Ministério do Planejamento aponta que há “desarticulação” das ações do próprio governo federal no combate a inundações e alagamentos no Brasil. O texto cita o fato de obras antienchente estarem espalhadas por ministérios, a precariedade dos bancos de dados, a atuação da Defesa Civil -mais reativa do que preventiva- e a falta de planos de segurança de barragens.
O texto estava no site Portal do Planejamento, do governo federal, que saiu do ar dois dias depois de inaugurado, na semana passada, por ter criado desconforto com as críticas a ações de governo. O relatório é outra constatação negativa em relação à ação do poder público na prevenção de catástrofes como a que matou ao menos 51 em Alagoas e Pernambuco.
A Folha revelou que os dois Estados têm sistemas falhos de prevenção de enchentes, que incluem a falta de radares meteorológicos em Pernambuco e de Defesa Civil em cidades alagoanas. Além disso, o governo federal, em sete anos e meio, gastou mais com reconstrução e assistência às vítimas (R$ 5,8 bilhões) do que com prevenção (R$ 1,1 bilhão).
DIVISÃO
Segundo o texto, obras de drenagem urbana estão em três ministérios (Integração Nacional, Cidades e Saúde), o que cria problemas, já que nem sempre fica claro qual é o campo de atuação de cada órgão e quais são os critérios de seleção dos projetos. O texto cita a dificuldade de acesso a dados hidrometeorológicos, o que faz com que obras antienchentes sejam planejadas com base em informações defasadas.
Também há críticas às obras de drenagem, que privilegiam o rápido escoamento das águas da chuva, mas não levam em conta prejuízos nas cidades próximas, para onde são direcionadas.
Não acredito nesses 'Institutos de pesquisa'...
Os institutos de pesquisa se tornaram parte da ação política deste ou daquele grupo/partido, foi direto ao ponto o comentário de Ethan Edwards, prontamente transferido para este espaço. Conciso, claro, elegante, o texto introduz exemplarmente o tema das pesquisas eleitorais. Confira:
Não creio nesses números. Há muito tempo os institutos de pesquisa não pesquisam; tornaram-se parte da ação política deste ou daquele grupo/partido. O próprio PT, quando era outsider, foi vítima desses esquemas. Em São Paulo, mais de uma vez apareceu, dois dias antes da eleição, com dez, vinte por cento a menos do que os votos que efetivamente obteve. No plebiscito sobre o desarmamento, todos os institutos “erraram” por muito, como “erraram” por muito, recentemente, na Colômbia. Os políticos já chegaram à conclusão de que pesquisa é coisa séria demais para ser deixada nas mãos de pesquisadores. Os institutos de pesquisa destinam-se, hoje, a induzir a opinião pública, não a compreendê-la.
Entretanto, é bom lembrar que as pesquisas podem muito, mas não podem tudo. Principalmente, elas não podem chocar-se contra o senso comum. Não há pesquisa capaz de impingir aos eleitores franceses um líder nacionalista que tenha sotaque alemão. Jânio Quadros e Collor eram loucos, mas o que diziam fazia sentido, inspirava confiança em milhões de pessoas, soava plausível. Lula literalmente enfeitiça seus eleitores. Dilma Rousseff é o oposto de tudo isso. É como se ela não conseguisse disfarçar um permanente e profundo enfado, quando não mal-estar, diante de todas essas “banalidades” que as pessoas comuns amam, respeitam, admiram. Um dos elementos do carisma é a simpatia. Dilma Rousseff é incapaz de gerar essa emoção. E isso nenhum instituto de pesquisa conseguirá lhe dar.
O senso comum prevalecerá. Os “franceses” não votarão numa “alemã”.
Não creio nesses números. Há muito tempo os institutos de pesquisa não pesquisam; tornaram-se parte da ação política deste ou daquele grupo/partido. O próprio PT, quando era outsider, foi vítima desses esquemas. Em São Paulo, mais de uma vez apareceu, dois dias antes da eleição, com dez, vinte por cento a menos do que os votos que efetivamente obteve. No plebiscito sobre o desarmamento, todos os institutos “erraram” por muito, como “erraram” por muito, recentemente, na Colômbia. Os políticos já chegaram à conclusão de que pesquisa é coisa séria demais para ser deixada nas mãos de pesquisadores. Os institutos de pesquisa destinam-se, hoje, a induzir a opinião pública, não a compreendê-la.
Entretanto, é bom lembrar que as pesquisas podem muito, mas não podem tudo. Principalmente, elas não podem chocar-se contra o senso comum. Não há pesquisa capaz de impingir aos eleitores franceses um líder nacionalista que tenha sotaque alemão. Jânio Quadros e Collor eram loucos, mas o que diziam fazia sentido, inspirava confiança em milhões de pessoas, soava plausível. Lula literalmente enfeitiça seus eleitores. Dilma Rousseff é o oposto de tudo isso. É como se ela não conseguisse disfarçar um permanente e profundo enfado, quando não mal-estar, diante de todas essas “banalidades” que as pessoas comuns amam, respeitam, admiram. Um dos elementos do carisma é a simpatia. Dilma Rousseff é incapaz de gerar essa emoção. E isso nenhum instituto de pesquisa conseguirá lhe dar.
O senso comum prevalecerá. Os “franceses” não votarão numa “alemã”.
24 junho 2010
AL e PE: o Haiti é aqui!
Leia editorial do Estadão:
Dezenas de mortes já foram confirmadas, há mais de 600 pessoas desaparecidas, mais de 115 mil desabrigados e cidades inteiras foram praticamente destruídas pelos temporais que caíram sobre os Estados de Alagoas e Pernambuco. Faltam alimentos, água potável e energia em algumas regiões e as comunicações são precárias. O governo liberou R$ 100 milhões para obras de reconstrução. Uma parcela de R$ 50 milhões já está disponível e a outra metade, destinada à recuperação da infraestrutura, vai demorar um mês ou mais para poder ser usada — um tempo enorme numa situação como essa —, devido à burocracia. Depois dos catastróficos efeitos dos deslizamentos das encostas no Rio, das enchentes em São Paulo e em Santa Catarina, o que se pergunta é o que o governo tem feito em matéria de prevenção?
Muito pouco e muito seletivamente. O governo federal é pródigo em gastos, mas não nesse caso ? só despendeu 14% (R$ 70,4 milhões) dos R$ 508,3 milhões previstos no orçamento para “prevenção de desastres”. Como informa o portal Contas Abertas, o Estado de Alagoas, o mais atingido pelas cheias, não recebeu um centavo do governo federal para prevenção em 2010. Pernambuco teve um pouquinho mais de sorte. Foram-lhe repassados R$ 172,2 mil, ou seja, 1% das dotações específicas do Ministério da Integração Nacional. Do total liberado, a Bahia recebeu 57% (R$ 40,1 milhões). Não por coincidência o titular da Pasta até abril era Geddel Vieira Lima (PMDB), hoje candidato ao governo daquele Estado.
Em auditoria anteriormente realizada, o TCU já havia observado o favorecimento à Bahia durante a gestão de Vieira Lima no Ministério. Como se recorda, o presidente Lula tomou-lhe as dores, negando, peremptoriamente, qualquer benefício indevido. Os números, porém, falam por si. É verdade que Alagoas foi aquinhoada com R$ 3,8 milhões do governo federal em 2010 “para ações de assistência de socorro e assistência a pessoas afetadas por calamidades”, mas trata-se de verba relativa às chuvas de 2009. Isso, porém, representa apenas 1% do montante repassado por meio desse programa em todo o País (R$ 542,6 milhões). Pernambuco foi contemplado com R$ 19,8 milhões, não mais que 4% desse total.
O Estado do Rio sofreu muito com as enchentes e deslizamentos de encostas em abril deste ano e é compreensível que tenha recebido 22% (R$ 118,3 milhões) das verbas alocadas para esse fim. Agora, com a liberação de novos recursos, Alagoas e Pernambuco devem também elevar sua participação. O governo age depois de a porta ter sido arrombada. Está claro que a gestão de recursos para prevenção é ditada por interesses político-partidários.
É preciso, de uma vez por todas, acabar com o manejo errático de verbas pelo governo central, nesses casos em que a ingerência política pode comprometer a vida de milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, o Brasil tem de desenvolver meios para prevenir catástrofes e se, muitas vezes, elas vão além das previsões, é indispensável criar instrumentos que permitam uma ação rápida e eficaz de assistência às populações atingidas por flagelos. O Brasil sempre está sujeito a acidentes climáticos em diferentes regiões, em qualquer época do ano. As pesadas chuvas que caíram sobre os dois Estados do Nordeste podem ter sido anômalas, podem ter resultado do efeito La Niña, mas, com certeza, não foi esta a primeira vez que ocorreram.
Como têm ressaltado os técnicos, faltam estudos que orientem a preservação de matas ciliares e fiscalização que evite a ocupação irregular das margens de rios. E, como as tempestades deste ano têm mostrado tão dramaticamente, não se pode permitir a construção de moradias em áreas sabidamente de risco.
Tudo isso requer que o dinheiro disponível não seja usado para distribuir benesses políticas e haja disposição para vencer uma intratável burocracia. Está na hora de o poder público fazer respeitar as normas de uso e ocupação do solo e de termos uma Defesa Civil que efetivamente previna os desastres naturais e seja capaz de prestar socorro imediato às suas vítimas.
Dezenas de mortes já foram confirmadas, há mais de 600 pessoas desaparecidas, mais de 115 mil desabrigados e cidades inteiras foram praticamente destruídas pelos temporais que caíram sobre os Estados de Alagoas e Pernambuco. Faltam alimentos, água potável e energia em algumas regiões e as comunicações são precárias. O governo liberou R$ 100 milhões para obras de reconstrução. Uma parcela de R$ 50 milhões já está disponível e a outra metade, destinada à recuperação da infraestrutura, vai demorar um mês ou mais para poder ser usada — um tempo enorme numa situação como essa —, devido à burocracia. Depois dos catastróficos efeitos dos deslizamentos das encostas no Rio, das enchentes em São Paulo e em Santa Catarina, o que se pergunta é o que o governo tem feito em matéria de prevenção?
Muito pouco e muito seletivamente. O governo federal é pródigo em gastos, mas não nesse caso ? só despendeu 14% (R$ 70,4 milhões) dos R$ 508,3 milhões previstos no orçamento para “prevenção de desastres”. Como informa o portal Contas Abertas, o Estado de Alagoas, o mais atingido pelas cheias, não recebeu um centavo do governo federal para prevenção em 2010. Pernambuco teve um pouquinho mais de sorte. Foram-lhe repassados R$ 172,2 mil, ou seja, 1% das dotações específicas do Ministério da Integração Nacional. Do total liberado, a Bahia recebeu 57% (R$ 40,1 milhões). Não por coincidência o titular da Pasta até abril era Geddel Vieira Lima (PMDB), hoje candidato ao governo daquele Estado.
Em auditoria anteriormente realizada, o TCU já havia observado o favorecimento à Bahia durante a gestão de Vieira Lima no Ministério. Como se recorda, o presidente Lula tomou-lhe as dores, negando, peremptoriamente, qualquer benefício indevido. Os números, porém, falam por si. É verdade que Alagoas foi aquinhoada com R$ 3,8 milhões do governo federal em 2010 “para ações de assistência de socorro e assistência a pessoas afetadas por calamidades”, mas trata-se de verba relativa às chuvas de 2009. Isso, porém, representa apenas 1% do montante repassado por meio desse programa em todo o País (R$ 542,6 milhões). Pernambuco foi contemplado com R$ 19,8 milhões, não mais que 4% desse total.
O Estado do Rio sofreu muito com as enchentes e deslizamentos de encostas em abril deste ano e é compreensível que tenha recebido 22% (R$ 118,3 milhões) das verbas alocadas para esse fim. Agora, com a liberação de novos recursos, Alagoas e Pernambuco devem também elevar sua participação. O governo age depois de a porta ter sido arrombada. Está claro que a gestão de recursos para prevenção é ditada por interesses político-partidários.
É preciso, de uma vez por todas, acabar com o manejo errático de verbas pelo governo central, nesses casos em que a ingerência política pode comprometer a vida de milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, o Brasil tem de desenvolver meios para prevenir catástrofes e se, muitas vezes, elas vão além das previsões, é indispensável criar instrumentos que permitam uma ação rápida e eficaz de assistência às populações atingidas por flagelos. O Brasil sempre está sujeito a acidentes climáticos em diferentes regiões, em qualquer época do ano. As pesadas chuvas que caíram sobre os dois Estados do Nordeste podem ter sido anômalas, podem ter resultado do efeito La Niña, mas, com certeza, não foi esta a primeira vez que ocorreram.
Como têm ressaltado os técnicos, faltam estudos que orientem a preservação de matas ciliares e fiscalização que evite a ocupação irregular das margens de rios. E, como as tempestades deste ano têm mostrado tão dramaticamente, não se pode permitir a construção de moradias em áreas sabidamente de risco.
Tudo isso requer que o dinheiro disponível não seja usado para distribuir benesses políticas e haja disposição para vencer uma intratável burocracia. Está na hora de o poder público fazer respeitar as normas de uso e ocupação do solo e de termos uma Defesa Civil que efetivamente previna os desastres naturais e seja capaz de prestar socorro imediato às suas vítimas.
Dilma na frente: Pesquisa Ibop_dia 22.06_comentada por Reinaldo Azevedo
Vocês sabem que não brigo com números de pesquisa. No máximo, contesto métodos. Já fiz aqui restrições a procedimentos do Sensus e do Vox Populi e faria de novo se eles repetissem as mesmas práticas. Independentemente do resultado. E não há nada de errado com, até onde se sabe, a atuação do Ibope. Os números da pesquisa são estes que estão aí. Não há nada que determine que os números não vão mudar. Hoje, a fotografia é ruim para o tucano José Serra, como já foi para a petista Dilma Rousseff um dia. “É, mas ela está em ascensão, tem o presidente Lula, a economia a favor etc”. Tudo isso é verdade e já era um dado da equação quando ele decidiu se lançar na disputa. Antever que a petista seria competitiva ou pudesse ultrapassar o tucano na pesquisa nunca chegou a ser uma previsão ousada, não é mesmo? Havia quem apostasse nisso para fevereiro. A ultrapassagem só aconteceu no fim de junho.
O resultado é especialmente preocupante para os tucanos porque vem na seqüência do bom programa do PSDB no horário político. Não há muitos reparos a fazer no que foi levado ao ar. Em relação ao Ibope de 6 de junho, em pesquisa encomendada pela TV Globo, ele oscilou dois pontos para baixo, dentro da margem de erro — de 37% para 35% —, e ela cresceu 3, dos mesmos 37% para 40%. No segundo turno, a movimentação foi mais significativa: havia um empate rigoroso em 42%, e agora ela lidera com 45% a 38%.
O candidato tucano anda tendo algumas dificuldades, como a demora em definir o candidato a vice-presidente, por exemplo. Não creio, no entanto, que isso possa ter tido alguma influência. A rigor, ninguém vota em vice. A questão pode gerar, no máximo, notícia negativa na imprensa, mas nada relevante. Caso se tente procurar o “erro” fundamental de Serra e do PSDB, ninguém vai achar. É que a tarefa sempre foi e continuará a ser hercúlea. Nunca antes nestepaiz se viu máquina eleitoral tão azeitada: faz os seus gols com os pés — tem números a exibir —, mas também faz os gols com as mãos, como estamos cansados de ver.
A disputa se dá em condições de absoluto desequilíbrio. A grande campanha em favor de Dilma — além da mobilização pessoal de Lula — está na propaganda oficial e das estais, que já não se distingue da campanha eleitoral. A Petrobras, o Banco do Brasil e a CEF, para citar três casos, não vendem produtos, mas um “novo Brasil”, o mesmo de que fala Dilma. É campanha eleitoral. Pode-se argumentar que também o estado de São Paulo é um grande anunciante. É verdade! Em São Paulo!!! A propaganda das estatais e do governo federal é nacional. Essa propaganda não busca falar apenas com o “povão”. Veja-se, por exemplo, o dito “plano de investimentos” da Petrobras. O Estadão fez hoje um excelente editorial a respeito. A estatal está em plena campanha eleitoral — em favor de Dilma, obviamente.
O horário eleitoral e os eventuais debates — se é que Dilma vai comparecer — tendem não a igualar as condições das disputas (isso é impossível!), mas, ao menos, a minorar os efeitos da desproporção entre a máquina governista e a oposição. O PT sabe que ainda não liquidou a fatura, e o PSDB sabe que algo vai ter de mudar.
Numa campanha, as coisas não caminham sempre num mesmo sentido. Alguns números das pesquisas Datafolha, de 2006, demonstram isso. Em maio daquele ano, Lula aparecia com 45%, e Alckmin, com 22%. Um mês depois, o tucano tinha 29%, e o petista, 46%. Em 8 de agosto, 24% a 47%. Em 5 de setembro, 27% a 51%. A verdade das urnas de outubro foi outra: sete pontos apenas de diferença nos votos válidos.
O resultado é especialmente preocupante para os tucanos porque vem na seqüência do bom programa do PSDB no horário político. Não há muitos reparos a fazer no que foi levado ao ar. Em relação ao Ibope de 6 de junho, em pesquisa encomendada pela TV Globo, ele oscilou dois pontos para baixo, dentro da margem de erro — de 37% para 35% —, e ela cresceu 3, dos mesmos 37% para 40%. No segundo turno, a movimentação foi mais significativa: havia um empate rigoroso em 42%, e agora ela lidera com 45% a 38%.
O candidato tucano anda tendo algumas dificuldades, como a demora em definir o candidato a vice-presidente, por exemplo. Não creio, no entanto, que isso possa ter tido alguma influência. A rigor, ninguém vota em vice. A questão pode gerar, no máximo, notícia negativa na imprensa, mas nada relevante. Caso se tente procurar o “erro” fundamental de Serra e do PSDB, ninguém vai achar. É que a tarefa sempre foi e continuará a ser hercúlea. Nunca antes nestepaiz se viu máquina eleitoral tão azeitada: faz os seus gols com os pés — tem números a exibir —, mas também faz os gols com as mãos, como estamos cansados de ver.
A disputa se dá em condições de absoluto desequilíbrio. A grande campanha em favor de Dilma — além da mobilização pessoal de Lula — está na propaganda oficial e das estais, que já não se distingue da campanha eleitoral. A Petrobras, o Banco do Brasil e a CEF, para citar três casos, não vendem produtos, mas um “novo Brasil”, o mesmo de que fala Dilma. É campanha eleitoral. Pode-se argumentar que também o estado de São Paulo é um grande anunciante. É verdade! Em São Paulo!!! A propaganda das estatais e do governo federal é nacional. Essa propaganda não busca falar apenas com o “povão”. Veja-se, por exemplo, o dito “plano de investimentos” da Petrobras. O Estadão fez hoje um excelente editorial a respeito. A estatal está em plena campanha eleitoral — em favor de Dilma, obviamente.
O horário eleitoral e os eventuais debates — se é que Dilma vai comparecer — tendem não a igualar as condições das disputas (isso é impossível!), mas, ao menos, a minorar os efeitos da desproporção entre a máquina governista e a oposição. O PT sabe que ainda não liquidou a fatura, e o PSDB sabe que algo vai ter de mudar.
Numa campanha, as coisas não caminham sempre num mesmo sentido. Alguns números das pesquisas Datafolha, de 2006, demonstram isso. Em maio daquele ano, Lula aparecia com 45%, e Alckmin, com 22%. Um mês depois, o tucano tinha 29%, e o petista, 46%. Em 8 de agosto, 24% a 47%. Em 5 de setembro, 27% a 51%. A verdade das urnas de outubro foi outra: sete pontos apenas de diferença nos votos válidos.
22 junho 2010
Serra no debate da Folha e Portal UOL: Dilma deve desculpas
Abaixo, uma síntese do do Portal G1 sobre a participação do tucano José Serra na sabatina da Folha, aquele de que Dilma Rousseff fugiu?
*
O candidato a presidente da República pelo PSDB, o ex-governador de São Paulo José Serra, disse que tem uma “enorme curiosidade” para saber quem será o candidato a vice na sua chapa, mas afirmou que, para ele, a discussão não é “estressante”.
“Eu também tenho uma enorme curiosidade. Até o fim deste mês, resolve. Essa não tem sido uma questão estressante para mim nem para grande parte do PSDB”, declarou na manhã desta segunda (21), durante sabatina promovida pelo jornal “Folha de S.Paulo”.
(…)
Dossiê e investigação
O tucano criticou a adversária Dilma Rousseff (PT), que, para ele, é responsável pela suposta montagem de um dossiê contra integrantes da campanha do PSDB. Para Serra, a petista está devendo desculpas públicas. “Diante das evidências, caberia uma atitude mais drástica, de afastar as pessoas, pedir desculpas publicamente”, afirmou.
A um internauta que perguntou se ele tinha “ânsia de poder” porque não terminou mandatos anteriores para os quais foi eleito, o candidato tucano disse não ver problemas.
“Veja, em qualquer país do mundo, quando um governador é candidato, ele deixa o mandato. Nos EUA, nem precisa se afastar. É um problema do contexto da legislação. Tanto na prefeitura quanto no governo do Estado, eu cumpri meu programa”, afirmou.
O candidato prometeu criar uma “nota fiscal brasileira”, análoga à nota fiscal paulista, criada pelo governo estadual, que dá créditos aos consumidores que pedem nota fiscal na compra de produtos ou serviços.
Tabelinha com Marina e questão ambiental
Serra negou haver qualquer tipo de parceria entre ele e Marina Silva no ataque à candidata Dilma Rousseff. “Até toparia uma tabelinha, mas não tem. (…). Agora, eu tenho uma aproximação grande da questão ambiental. Isso eventualmente pode promover proximidades.”
Serra aproveitou a oportunidade para ressaltar seu apoio a Fernando Gabeira, candidato do PV ao governo do Rio e ressaltar que também se considera um ambientalista. “Acho ele um grande quadro. É uma pessoa de que gosto muito e respeito muito.”
Sobre a proposta de mudança do código florestal, disse que prefere que essa questão seja avaliada na próxima gestão. Ele ressaltou que não acredita em incompatibilidade entre meio ambiente e agricultura. “Não pode dividir em anjos ou demônios.”
Pedágios caros em SP
Questionado sobre a percepção de que São Paulo tem boas estradas, mas pedágios altos, ele atacou o modelo federal de concessão. “Sei que o modelo das federais não funciona, é um vexame.” Ele disse que a BR-116 continua sendo a rodovia da morte e criticou a interdição da Rodovia Fernão Dias.
(…)
Royalties do pré-sal
“Esta é uma questão que nunca deveria ter sido levantada em ano eleitoral. Para quê? Criou-se a sensação de que o pré-sal está aí na esquina. Levantar em ano eleitoral é trazer a discórdia e a desavença para o país.”
Bolsa Família
“É uma pena que você tenha pesquisado e deixado de ver o que o Lula falou. Antes de ser presidente, Lula e o PT chamavam o programa de Bolsa Esmola.”
Uso da máquina
“Passam sete anos anos e meio, e pesquisa fala sobre o crack. Candidata volta a falar e governo faz um programa [...]. É uma tabelinha quase que perfeita do uso da máquina.”
Bolívia
“São vários fatores. (…) Nada contra o povo boliviano. É um país por que tenho muito carinho. Agora, que o governo lá faz corpo mole [em relação ao tráfico de drogas], faz.”
União civil de pessoas do mesmo sexo
“Sou a favor da união civil. Eu acho que, se preencheu os requisitos que têm para qualquer um para adotar, acho que tem tanto problema grave que, para a criança, é uma salvação. Não vejo por que não aproveitar.”
Cotas
“Sou a favor de ações afirmativas, que é o que foi feito na Unicamp.”
Morumbi na Copa
“Por mim, teria feito no Morumbi. Aquilo que precisava de governo, garantimos tudo. Eu defendi que a abertura fosse aqui e o fechamento fosse no Rio. Meu sonho, enquanto vivo, é ver o Brasil ganhar uma copa no Maracanã.”
Ensino religioso
“O Brasil é um estado laico, embora a constituição tenha no preâmbulo ‘em nome de Deus’. Em escola publica, no máximo, poderia ter curso sobre história das religiões. Se é um colégio católico, judaico, ninguém é obrigado a se matricular.”
*
O candidato a presidente da República pelo PSDB, o ex-governador de São Paulo José Serra, disse que tem uma “enorme curiosidade” para saber quem será o candidato a vice na sua chapa, mas afirmou que, para ele, a discussão não é “estressante”.
“Eu também tenho uma enorme curiosidade. Até o fim deste mês, resolve. Essa não tem sido uma questão estressante para mim nem para grande parte do PSDB”, declarou na manhã desta segunda (21), durante sabatina promovida pelo jornal “Folha de S.Paulo”.
(…)
Dossiê e investigação
O tucano criticou a adversária Dilma Rousseff (PT), que, para ele, é responsável pela suposta montagem de um dossiê contra integrantes da campanha do PSDB. Para Serra, a petista está devendo desculpas públicas. “Diante das evidências, caberia uma atitude mais drástica, de afastar as pessoas, pedir desculpas publicamente”, afirmou.
A um internauta que perguntou se ele tinha “ânsia de poder” porque não terminou mandatos anteriores para os quais foi eleito, o candidato tucano disse não ver problemas.
“Veja, em qualquer país do mundo, quando um governador é candidato, ele deixa o mandato. Nos EUA, nem precisa se afastar. É um problema do contexto da legislação. Tanto na prefeitura quanto no governo do Estado, eu cumpri meu programa”, afirmou.
O candidato prometeu criar uma “nota fiscal brasileira”, análoga à nota fiscal paulista, criada pelo governo estadual, que dá créditos aos consumidores que pedem nota fiscal na compra de produtos ou serviços.
Tabelinha com Marina e questão ambiental
Serra negou haver qualquer tipo de parceria entre ele e Marina Silva no ataque à candidata Dilma Rousseff. “Até toparia uma tabelinha, mas não tem. (…). Agora, eu tenho uma aproximação grande da questão ambiental. Isso eventualmente pode promover proximidades.”
Serra aproveitou a oportunidade para ressaltar seu apoio a Fernando Gabeira, candidato do PV ao governo do Rio e ressaltar que também se considera um ambientalista. “Acho ele um grande quadro. É uma pessoa de que gosto muito e respeito muito.”
Sobre a proposta de mudança do código florestal, disse que prefere que essa questão seja avaliada na próxima gestão. Ele ressaltou que não acredita em incompatibilidade entre meio ambiente e agricultura. “Não pode dividir em anjos ou demônios.”
Pedágios caros em SP
Questionado sobre a percepção de que São Paulo tem boas estradas, mas pedágios altos, ele atacou o modelo federal de concessão. “Sei que o modelo das federais não funciona, é um vexame.” Ele disse que a BR-116 continua sendo a rodovia da morte e criticou a interdição da Rodovia Fernão Dias.
(…)
Royalties do pré-sal
“Esta é uma questão que nunca deveria ter sido levantada em ano eleitoral. Para quê? Criou-se a sensação de que o pré-sal está aí na esquina. Levantar em ano eleitoral é trazer a discórdia e a desavença para o país.”
Bolsa Família
“É uma pena que você tenha pesquisado e deixado de ver o que o Lula falou. Antes de ser presidente, Lula e o PT chamavam o programa de Bolsa Esmola.”
Uso da máquina
“Passam sete anos anos e meio, e pesquisa fala sobre o crack. Candidata volta a falar e governo faz um programa [...]. É uma tabelinha quase que perfeita do uso da máquina.”
Bolívia
“São vários fatores. (…) Nada contra o povo boliviano. É um país por que tenho muito carinho. Agora, que o governo lá faz corpo mole [em relação ao tráfico de drogas], faz.”
União civil de pessoas do mesmo sexo
“Sou a favor da união civil. Eu acho que, se preencheu os requisitos que têm para qualquer um para adotar, acho que tem tanto problema grave que, para a criança, é uma salvação. Não vejo por que não aproveitar.”
Cotas
“Sou a favor de ações afirmativas, que é o que foi feito na Unicamp.”
Morumbi na Copa
“Por mim, teria feito no Morumbi. Aquilo que precisava de governo, garantimos tudo. Eu defendi que a abertura fosse aqui e o fechamento fosse no Rio. Meu sonho, enquanto vivo, é ver o Brasil ganhar uma copa no Maracanã.”
Ensino religioso
“O Brasil é um estado laico, embora a constituição tenha no preâmbulo ‘em nome de Deus’. Em escola publica, no máximo, poderia ter curso sobre história das religiões. Se é um colégio católico, judaico, ninguém é obrigado a se matricular.”
20 junho 2010
José Serra_Entrevista na Veja (Páginas Amarelas)
O candidato do PSDB à Presidência da República diz que o loteamento de cargos no governo do PT turbinou a corrupção e dá sua receita de governabilidade sem clientelismo
****************
Nenhum outro político brasileiro tem no currículo uma vida pública como a de José Serra, 68 anos, candidato do PSDB à sucessão de Lula. Jovem, presidia a União Nacional dos Estudantes (UNE) quando veio o golpe de 64, que o levou ao exílio, expatriação que duraria até 1978. De volta ao Brasil com diploma de economia no bolso, foi secretário do Planejamento, deputado constituinte, senador, ministro do Planejamento e da Saúde, prefeito e governador. Sobre Dilma Rousseff, ele diz: “Hoje me choca ver gente que sofreu sob a ditadura no Brasil cortejando ditadores que querem a bomba atômica, que encarceram, torturam e matam adversários políticos, fraudam eleições, perseguem a imprensa livre, manipulam e intervêm no Legislativo e no Judiciário. Isso é incompatível com a crença na democracia e o respeito aos direitos humanos”.
************************
O senhor já enfrentou todo tipo de adversário em eleições, mas, desta vez, a se fiar nas palavras do presidente Lula, vai concorrer com um “vazio na cédula”, preenchido com o nome de Dilma Rousseff. Afinal, quem é seu adversário nesta eleição?
Só tenho a certeza de que não vai ser Lula, cujo mandato termina no próximo dia 31 de dezembro. Adversários são todos os demais candidatos à Presidência da República. Por trás dos nomes na tela da urna eletrônica há a história, as propostas e a credibilidade de cada um. Minha obrigação é me apresentar aos brasileiros sem subestimar nem superestimar os demais. Deixemos que os eleitores julguem. É muito bom que os candidatos sejam diferentes entre si e também em relação aos presidentes que já deram sua contribuição ao Brasil. A beleza da vida está justamente em cada um ter seus próprios atributos.
Depois que os repórteres da sucursal de VEJA em Brasília desvendaram uma tentativa de aloprados do PT de, uma vez mais, montar uma central de bisbilhotagem de adversários, as operações foram desautorizadas pela cúpula da campanha. O senhor responsabiliza a candidata Dilma Rousseff diretamente pelas malfeitorias ali planejadas?
Só cabe lamentar e repudiar as tentativas de difusão de mentiras, de espionagem, às vezes usando dinheiro público, às vezes usando dinheiro de origem desconhecida, como em 2006. São ofensas graves e crimes que ferem até mesmo direitos básicos assegurados pela Constituição brasileira. Isso não é honesto com o eleitor. É coisa de gente que rejeita a democracia. A candidata disse que não aprova esse tipo de atitude, mas não a repudiou, não pediu desculpas públicas nem afastou exemplarmente os responsáveis. Essa reação tímida e a tentativa de culpar as vítimas fazem dela, a meu ver, responsável pelos episódios.
Por que para a democracia brasileira é positivo experimentar uma alternância de poder depois de oito anos de governo Lula?
Querer se pendurar no passado é um erro, não de campanha, mas em relação ao país. Eleição diz respeito ao futuro. Por isso, a questão que se coloca agora aos eleitores é escolher o melhor candidato, aquele que tem mais condições de presidir o Brasil até 2014. Eu ofereço aos brasileiros a minha história de vida e as minhas realizações como político e administrador público. Ofereço as minhas ideias e propostas. Espero que os demais candidatos façam o mesmo, para que os brasileiros possam comparar.
Como o senhor conseguiu governar a cidade e o estado de São Paulo sem nunca ter tido uma única derrota importante nas casas legislativas e sem que se tenha ouvido falar que lançou mão de “mensalões” ou outras formas de coerção sobre vereadores e deputados estaduais?
Em primeiro lugar, é preciso ter princípios firmes, não substituir a ética permanente pela conveniência de momento. É vital ter e manifestar respeito à oposição, ao Judiciário, à imprensa e aos órgãos controladores. Exerci mandatos de deputado e senador durante onze anos. Todos os que conviveram comigo no Congresso sabem que minhas moedas de troca são o trabalho, a defesa de ideias e propostas, o empenho em persuadir os colegas de todos os partidos e regiões. O segredo está em três palavras: ouvir, argumentar, decidir. Há o mito de que emendas de deputado são sempre ruins. Não são. Na maioria das vezes, elas visam a resolver ou aliviar problemas reais que afligem as pessoas de sua região. Portanto, atender os deputados segundo critérios técnicos é atender seus eleitores. Outra coisa fundamentalmente diferente é distribuir verbas ou cargos em troca de votos. Isso eu nunca fiz e nunca farei.
(…)
Como seria a política econômica em um eventual governo Serra? Qual é o perfil ideal para o cargo de ministro da Fazenda?
A manutenção da estabilidade é inegociável. Isso significa manter a inflação baixa. Com a combinação dos regimes fiscal, monetário e cambial, caminharíamos sem rupturas para um ambiente macroeconômico cujo resultado inevitável seria a trajetória descendente dos juros. Uma taxa de juros menor é, aliás, condição para atrair mais investimentos privados destinados à infraestrutura, sem ter de dar os subsídios que hoje distorcem o processo. Quanto mais alta a taxa real de juros, maior é a taxa interna de retorno exigida pelos investidores privados em infraestrutura. Para compensar o juro alto, o governo é obrigado a dar subsídios.
E o perfil do seu ministro da Fazenda?
É preciso ganhar a eleição primeiro. (…) Precisarei ter comigo auxiliares que entendam que a política econômica é um processo político também. Na política, para fazer com que as coisas aconteçam, você tem de se equilibrar sobre o fio da navalha. É uma eterna balança entre paralisar-se por se aferrar a certas concepções ou abandoná-las de vez e se perder no caminho. Isso fica claro na negociação política. É menos evidente mas tão válido quanto na condução da política econômica.
Dê o exemplo de um economista que preencha os requisitos acima, a quem o senhor admire e com quem ainda não trabalhou.
Olhe lá! Não estou fazendo nenhuma nomeação antecipada. Mas teria muitos exemplos. Um deles? O Arminio Fraga, como perfil. Sabe economia, é pragmático, não doutrinário. Soube navegar em mar revolto e deu enorme contribuição à estabilidade econômica do país ao instituir o regime de metas de inflação.
****************
Nenhum outro político brasileiro tem no currículo uma vida pública como a de José Serra, 68 anos, candidato do PSDB à sucessão de Lula. Jovem, presidia a União Nacional dos Estudantes (UNE) quando veio o golpe de 64, que o levou ao exílio, expatriação que duraria até 1978. De volta ao Brasil com diploma de economia no bolso, foi secretário do Planejamento, deputado constituinte, senador, ministro do Planejamento e da Saúde, prefeito e governador. Sobre Dilma Rousseff, ele diz: “Hoje me choca ver gente que sofreu sob a ditadura no Brasil cortejando ditadores que querem a bomba atômica, que encarceram, torturam e matam adversários políticos, fraudam eleições, perseguem a imprensa livre, manipulam e intervêm no Legislativo e no Judiciário. Isso é incompatível com a crença na democracia e o respeito aos direitos humanos”.
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O senhor já enfrentou todo tipo de adversário em eleições, mas, desta vez, a se fiar nas palavras do presidente Lula, vai concorrer com um “vazio na cédula”, preenchido com o nome de Dilma Rousseff. Afinal, quem é seu adversário nesta eleição?
Só tenho a certeza de que não vai ser Lula, cujo mandato termina no próximo dia 31 de dezembro. Adversários são todos os demais candidatos à Presidência da República. Por trás dos nomes na tela da urna eletrônica há a história, as propostas e a credibilidade de cada um. Minha obrigação é me apresentar aos brasileiros sem subestimar nem superestimar os demais. Deixemos que os eleitores julguem. É muito bom que os candidatos sejam diferentes entre si e também em relação aos presidentes que já deram sua contribuição ao Brasil. A beleza da vida está justamente em cada um ter seus próprios atributos.
Depois que os repórteres da sucursal de VEJA em Brasília desvendaram uma tentativa de aloprados do PT de, uma vez mais, montar uma central de bisbilhotagem de adversários, as operações foram desautorizadas pela cúpula da campanha. O senhor responsabiliza a candidata Dilma Rousseff diretamente pelas malfeitorias ali planejadas?
Só cabe lamentar e repudiar as tentativas de difusão de mentiras, de espionagem, às vezes usando dinheiro público, às vezes usando dinheiro de origem desconhecida, como em 2006. São ofensas graves e crimes que ferem até mesmo direitos básicos assegurados pela Constituição brasileira. Isso não é honesto com o eleitor. É coisa de gente que rejeita a democracia. A candidata disse que não aprova esse tipo de atitude, mas não a repudiou, não pediu desculpas públicas nem afastou exemplarmente os responsáveis. Essa reação tímida e a tentativa de culpar as vítimas fazem dela, a meu ver, responsável pelos episódios.
Por que para a democracia brasileira é positivo experimentar uma alternância de poder depois de oito anos de governo Lula?
Querer se pendurar no passado é um erro, não de campanha, mas em relação ao país. Eleição diz respeito ao futuro. Por isso, a questão que se coloca agora aos eleitores é escolher o melhor candidato, aquele que tem mais condições de presidir o Brasil até 2014. Eu ofereço aos brasileiros a minha história de vida e as minhas realizações como político e administrador público. Ofereço as minhas ideias e propostas. Espero que os demais candidatos façam o mesmo, para que os brasileiros possam comparar.
Como o senhor conseguiu governar a cidade e o estado de São Paulo sem nunca ter tido uma única derrota importante nas casas legislativas e sem que se tenha ouvido falar que lançou mão de “mensalões” ou outras formas de coerção sobre vereadores e deputados estaduais?
Em primeiro lugar, é preciso ter princípios firmes, não substituir a ética permanente pela conveniência de momento. É vital ter e manifestar respeito à oposição, ao Judiciário, à imprensa e aos órgãos controladores. Exerci mandatos de deputado e senador durante onze anos. Todos os que conviveram comigo no Congresso sabem que minhas moedas de troca são o trabalho, a defesa de ideias e propostas, o empenho em persuadir os colegas de todos os partidos e regiões. O segredo está em três palavras: ouvir, argumentar, decidir. Há o mito de que emendas de deputado são sempre ruins. Não são. Na maioria das vezes, elas visam a resolver ou aliviar problemas reais que afligem as pessoas de sua região. Portanto, atender os deputados segundo critérios técnicos é atender seus eleitores. Outra coisa fundamentalmente diferente é distribuir verbas ou cargos em troca de votos. Isso eu nunca fiz e nunca farei.
(…)
Como seria a política econômica em um eventual governo Serra? Qual é o perfil ideal para o cargo de ministro da Fazenda?
A manutenção da estabilidade é inegociável. Isso significa manter a inflação baixa. Com a combinação dos regimes fiscal, monetário e cambial, caminharíamos sem rupturas para um ambiente macroeconômico cujo resultado inevitável seria a trajetória descendente dos juros. Uma taxa de juros menor é, aliás, condição para atrair mais investimentos privados destinados à infraestrutura, sem ter de dar os subsídios que hoje distorcem o processo. Quanto mais alta a taxa real de juros, maior é a taxa interna de retorno exigida pelos investidores privados em infraestrutura. Para compensar o juro alto, o governo é obrigado a dar subsídios.
E o perfil do seu ministro da Fazenda?
É preciso ganhar a eleição primeiro. (…) Precisarei ter comigo auxiliares que entendam que a política econômica é um processo político também. Na política, para fazer com que as coisas aconteçam, você tem de se equilibrar sobre o fio da navalha. É uma eterna balança entre paralisar-se por se aferrar a certas concepções ou abandoná-las de vez e se perder no caminho. Isso fica claro na negociação política. É menos evidente mas tão válido quanto na condução da política econômica.
Dê o exemplo de um economista que preencha os requisitos acima, a quem o senhor admire e com quem ainda não trabalhou.
Olhe lá! Não estou fazendo nenhuma nomeação antecipada. Mas teria muitos exemplos. Um deles? O Arminio Fraga, como perfil. Sabe economia, é pragmático, não doutrinário. Soube navegar em mar revolto e deu enorme contribuição à estabilidade econômica do país ao instituir o regime de metas de inflação.
As 'maravilhas' do (des)governo Lula segundo a SPI_do MPOG
Ribamar Oliveira, do jornal Valor Econômico, colheu essas avaliações num portal oficial, do próprio governo. Uma síntese:
1 - a política de reforma agrária do governo Lula não alterou a estrutura fundiária do país nem assegurou aos assentamentos assistência técnica, qualificação, infra-estrutura, crédito e educação;
2 - a qualidade dos assentamentos é baixa;
3 - os programas oficiais não elevam a renda dos agricultores, que ficam dependendo do Bolsa Família;
4 - imposições da legislação trabalhista no campo acabam provocando fluxo migratório para as cidades;
5 - a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não definiu uma política de curto ou médio prazo para a formação de um estoque estratégico e regulador de produtos agrícolas.
6 - em futuro próximo, a produção de biodiesel não será economicamente viável;
7 - a reconstrução de uma indústria nacional de defesa voltada para o mercado interno, prevista na Estratégia Nacional de Defesa, não se justifica;
8 - a educação brasileira avançou muito pouco e apresenta os mesmos índices de 2003 em várias áreas:
9 - é baixa a qualidade da educação em todos os níveis; os que concluem os cursos não têm o domínio dos conteúdos, e as comparações com indicadores internacionais mostram deficiências graves no Brasil;
10 - O analfabetismo funcional, entre jovens e adultos, está em 21% na PNAD de 2008, uma redução pequena com relação à PNAD de 2003, que era de 24,8%. O número absoluto de analfabetos reduziu-se, no mesmo período, de 14,8 para 14,2 milhões, o que aponta a manutenção do problema.
Essas informações todas estavam no “Portal do Planejamento”, criado pela Secretaria de Planejamento e Investimento Estratégico (SPI), tarefa que durou um ano e meio. E QUE SUMIU EM UM DIA. Bastaram uma ordem e um clique. É isto mesmo: o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) mandou tirar o site do ar. Eram cerca de 3 mil páginas abordando 52 temas.
1 - a política de reforma agrária do governo Lula não alterou a estrutura fundiária do país nem assegurou aos assentamentos assistência técnica, qualificação, infra-estrutura, crédito e educação;
2 - a qualidade dos assentamentos é baixa;
3 - os programas oficiais não elevam a renda dos agricultores, que ficam dependendo do Bolsa Família;
4 - imposições da legislação trabalhista no campo acabam provocando fluxo migratório para as cidades;
5 - a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não definiu uma política de curto ou médio prazo para a formação de um estoque estratégico e regulador de produtos agrícolas.
6 - em futuro próximo, a produção de biodiesel não será economicamente viável;
7 - a reconstrução de uma indústria nacional de defesa voltada para o mercado interno, prevista na Estratégia Nacional de Defesa, não se justifica;
8 - a educação brasileira avançou muito pouco e apresenta os mesmos índices de 2003 em várias áreas:
9 - é baixa a qualidade da educação em todos os níveis; os que concluem os cursos não têm o domínio dos conteúdos, e as comparações com indicadores internacionais mostram deficiências graves no Brasil;
10 - O analfabetismo funcional, entre jovens e adultos, está em 21% na PNAD de 2008, uma redução pequena com relação à PNAD de 2003, que era de 24,8%. O número absoluto de analfabetos reduziu-se, no mesmo período, de 14,8 para 14,2 milhões, o que aponta a manutenção do problema.
Essas informações todas estavam no “Portal do Planejamento”, criado pela Secretaria de Planejamento e Investimento Estratégico (SPI), tarefa que durou um ano e meio. E QUE SUMIU EM UM DIA. Bastaram uma ordem e um clique. É isto mesmo: o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) mandou tirar o site do ar. Eram cerca de 3 mil páginas abordando 52 temas.
19 junho 2010
Dilma na Europa: a falsa estadista_por Celso Arnaldo in Augusto Nunes
(O título é meu)
Onde está o Celso Arnaldo?, andam perguntando dezenas de leitores justificadamente ansiosos. Caçando cretinices na Europa, esclarece o texto sobre as andanças de Dilma Rousseff. Em qualquer lugar, o neurônio solitário é uma fábrica de declarações sem pé nem cabeça, frases desastrosas e raciocínios bisonhos. O relato confirma que, exposta a mudanças de fuso horário, a qualidade do produto fica ainda pior. Confira:
Deslocada e patética até num encontro de garis (licença, Boris), por sua ignorância genérica e a incapacidade de articular qualquer pensamento, Dilma Rousseff na Europa é uma caricatura que diverte, mas envergonha o Brasil.
Nossa Zelig é uma jeca com nível intelectual de copeira da Casa Civil, que não conhece sequer os códigos da faixa de pedestre e que evidentemente desconhece rudimentos da cultura europeia ou de qualquer forma de cultura ─ embora sua assessoria tenha se apressado em divulgar que, depois do encontro com Sarkozy, a candidata foi a um museu: aposto meus três álbuns de figurinha completos da Copa 2010 que ela não sabe nem o nome do museu que visitou nem é capaz de lembrar e descrever qualquer obra que a tenha impressionado. Se viu a Mona Lisa no Louvre, achou-a parecida com a Ideli Salvatti fazendo cara de paisagem depois de voltar de Paris com seu assessor para lamentar.
Diante de um microfone, em qualquer lugar do mundo, o cérebro de Dilma produz pensamentos primitivos, expressos por uma combinação de palavras que desafia estudos de neurolinguística em aborígenes australianos.
Já reunimos, nesta coluna, exemplos da sintaxe teratológica de Dilma em número suficiente para, empilhados, obstruírem a cratera do Eyjafjallajokull. Mas há uma faceta oculta na fala rocambolesca de Dilma – a produção de duplos sentidos que, mesmo subconscientes, como boa parte dos lapsos verbais, reforçam ao Brasil pensante a indecência de sua candidatura.
No caso de Dilma, o ato falho não é ocasional nem autodiagnosticado imediatamente, como nas pessoas normais — mas sequencial e autônomo. E ela não o percebe, porque sua fala, uma vez anunciada, deixa de ter conexão com o cérebro que a emitiu. Por isso, ela nunca faz juízo de valor sobre a bobagem que acabou de falar. E a repetirá na frase ou na entrevista seguinte. Aconteceu em Paris.
Os amigos desta coluna que se espantaram com o “Pois é, nem dado tenho” hão de se encantar com a singeleza bruta da candidata ontem, na gare do trem-bala para Bruxelas, que a levaria ao encontro com Durão Barrroso, quando questionada por jornalistas brasileiros sobre se lhes daria ou não entrevista.
O relato é da repórter do Globo online:
“Depende, uai. Se eu conseguir, depois de falar com o Barroso”
Se eu estivesse lá, acho que teria ouvido Durão, em vez de Barroso. Mas vamos em frente.
“A senhora não gosta muito da imprensa, não é?”, insistiu um jornalista.
“Não acho nem mau nem ruim. Não tenho por que dar entrevista três vezes por dia. Eu dou uma vez por dia.”
Um jornalista lembrou que o assédio tende a piorar. Ela respondeu:
“Isso é o que vocês querem. Eu quero uma vez por dia”.
E, segundo relata a correspondente do Globo online, esse passou a ser o bordão de Dilma nos minutos restantes da não-entrevista:
“Só dou uma vez por dia”, repetiu ela, várias vezes.
O deputado José Eduardo Cardozo, oficialmente o único acompanhante masculino da candidata nesse ridículo tour da falsa estadista pela Europa, ficou preocupadíssimo com a interpretação que possam fazer do ato falho de Dilma e está tentando agora não ser visto com ela.
Como Cardozo é um sujeito inteligente, já deve ter notado que qualquer ato de Dilma é falho.
Dilma, em si, é um ato falho permanente.
Onde está o Celso Arnaldo?, andam perguntando dezenas de leitores justificadamente ansiosos. Caçando cretinices na Europa, esclarece o texto sobre as andanças de Dilma Rousseff. Em qualquer lugar, o neurônio solitário é uma fábrica de declarações sem pé nem cabeça, frases desastrosas e raciocínios bisonhos. O relato confirma que, exposta a mudanças de fuso horário, a qualidade do produto fica ainda pior. Confira:
Deslocada e patética até num encontro de garis (licença, Boris), por sua ignorância genérica e a incapacidade de articular qualquer pensamento, Dilma Rousseff na Europa é uma caricatura que diverte, mas envergonha o Brasil.
Nossa Zelig é uma jeca com nível intelectual de copeira da Casa Civil, que não conhece sequer os códigos da faixa de pedestre e que evidentemente desconhece rudimentos da cultura europeia ou de qualquer forma de cultura ─ embora sua assessoria tenha se apressado em divulgar que, depois do encontro com Sarkozy, a candidata foi a um museu: aposto meus três álbuns de figurinha completos da Copa 2010 que ela não sabe nem o nome do museu que visitou nem é capaz de lembrar e descrever qualquer obra que a tenha impressionado. Se viu a Mona Lisa no Louvre, achou-a parecida com a Ideli Salvatti fazendo cara de paisagem depois de voltar de Paris com seu assessor para lamentar.
Diante de um microfone, em qualquer lugar do mundo, o cérebro de Dilma produz pensamentos primitivos, expressos por uma combinação de palavras que desafia estudos de neurolinguística em aborígenes australianos.
Já reunimos, nesta coluna, exemplos da sintaxe teratológica de Dilma em número suficiente para, empilhados, obstruírem a cratera do Eyjafjallajokull. Mas há uma faceta oculta na fala rocambolesca de Dilma – a produção de duplos sentidos que, mesmo subconscientes, como boa parte dos lapsos verbais, reforçam ao Brasil pensante a indecência de sua candidatura.
No caso de Dilma, o ato falho não é ocasional nem autodiagnosticado imediatamente, como nas pessoas normais — mas sequencial e autônomo. E ela não o percebe, porque sua fala, uma vez anunciada, deixa de ter conexão com o cérebro que a emitiu. Por isso, ela nunca faz juízo de valor sobre a bobagem que acabou de falar. E a repetirá na frase ou na entrevista seguinte. Aconteceu em Paris.
Os amigos desta coluna que se espantaram com o “Pois é, nem dado tenho” hão de se encantar com a singeleza bruta da candidata ontem, na gare do trem-bala para Bruxelas, que a levaria ao encontro com Durão Barrroso, quando questionada por jornalistas brasileiros sobre se lhes daria ou não entrevista.
O relato é da repórter do Globo online:
“Depende, uai. Se eu conseguir, depois de falar com o Barroso”
Se eu estivesse lá, acho que teria ouvido Durão, em vez de Barroso. Mas vamos em frente.
“A senhora não gosta muito da imprensa, não é?”, insistiu um jornalista.
“Não acho nem mau nem ruim. Não tenho por que dar entrevista três vezes por dia. Eu dou uma vez por dia.”
Um jornalista lembrou que o assédio tende a piorar. Ela respondeu:
“Isso é o que vocês querem. Eu quero uma vez por dia”.
E, segundo relata a correspondente do Globo online, esse passou a ser o bordão de Dilma nos minutos restantes da não-entrevista:
“Só dou uma vez por dia”, repetiu ela, várias vezes.
O deputado José Eduardo Cardozo, oficialmente o único acompanhante masculino da candidata nesse ridículo tour da falsa estadista pela Europa, ficou preocupadíssimo com a interpretação que possam fazer do ato falho de Dilma e está tentando agora não ser visto com ela.
Como Cardozo é um sujeito inteligente, já deve ter notado que qualquer ato de Dilma é falho.
Dilma, em si, é um ato falho permanente.
11 junho 2010
Sandra Starling deixa o PT: "Manda quem pode, obedece quem tem juízo"
MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM TEM JUÍZO
Adeus ao Partido dos Trabalhadores
Ao tempo em que lutávamos para fundar o PT e apoiar o sindicalismo ainda “autêntico” pelo Brasil afora, aprendi a expressão que intitula este artigo. Era repetida à boca pequena pela peãozada, nas portas de fábricas ou em reuniões, quase clandestinas, para designar a opressão que pesava sobre eles dentro das empresas.Tantos anos mais tarde e vejo a mesma frase estampada em um blog jornalístico como conselho aos petistas diante da decisão tomada pela Direção Nacional, sob o patrocínio de Lula e sua candidata, para impor uma chapa comum PMDB/PT nas eleições deste ano em Minas Gerais.
É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido por tantos e tantos anos. Ajudei a fundá-lo, com muito sacrifício pessoal; tive a honra de ser a sua primeira candidata ao governo de Minas Gerais em 1982. Lá se vão vinte e oito anos! Tudo era alegria, coragem, audácia para aquele amontoado de gente de todo jeito: pobres, remediados, intelectuais, trabalhadores rurais, operários, desempregados, professores, estudantes.
Íamos de casa em casa tentando convencer as pessoas a se filiarem a um partido que nascia sem dono, “de baixo para cima”, dando “vez e voz” aos trabalhadores. Nossa crença abrigava a coragem de ser inocente e proclamar nossa pureza diante da política tradicional.
Vendíamos estrelinhas de plástico para não receber doações empresariais. Pedíamos que todos contribuíssem espontaneamente para um partido que nascia para não devermos nada aos tubarões. Em Minas, tivemos a ousadia de lançar uma mulher para candidata ao Governo e um negro, operário, como candidato ao Senado. E em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do País naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma.
Recordo tudo isso apenas para compartilhar as imagens que rondam minha tristeza. Não sou daqueles que pensam que, antes, éramos perfeitos. Reconheço erros e me dispus inúmeras vezes a superá-los. Isso me fez ficar no partido depois de experiências dolorosas que culminaram com a necessidade de me defender de uma absurda insinuação de falsidade ideológica, partida da língua de um aloprado que a usou, sem sucesso, como espada para me caluniar. Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida.
Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima. Trocando em miúdos, vejo que é hora de, mais uma vez, parafrasear Chico Buarque: “Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde.”
Adeus ao Partido dos Trabalhadores
Ao tempo em que lutávamos para fundar o PT e apoiar o sindicalismo ainda “autêntico” pelo Brasil afora, aprendi a expressão que intitula este artigo. Era repetida à boca pequena pela peãozada, nas portas de fábricas ou em reuniões, quase clandestinas, para designar a opressão que pesava sobre eles dentro das empresas.Tantos anos mais tarde e vejo a mesma frase estampada em um blog jornalístico como conselho aos petistas diante da decisão tomada pela Direção Nacional, sob o patrocínio de Lula e sua candidata, para impor uma chapa comum PMDB/PT nas eleições deste ano em Minas Gerais.
É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido por tantos e tantos anos. Ajudei a fundá-lo, com muito sacrifício pessoal; tive a honra de ser a sua primeira candidata ao governo de Minas Gerais em 1982. Lá se vão vinte e oito anos! Tudo era alegria, coragem, audácia para aquele amontoado de gente de todo jeito: pobres, remediados, intelectuais, trabalhadores rurais, operários, desempregados, professores, estudantes.
Íamos de casa em casa tentando convencer as pessoas a se filiarem a um partido que nascia sem dono, “de baixo para cima”, dando “vez e voz” aos trabalhadores. Nossa crença abrigava a coragem de ser inocente e proclamar nossa pureza diante da política tradicional.
Vendíamos estrelinhas de plástico para não receber doações empresariais. Pedíamos que todos contribuíssem espontaneamente para um partido que nascia para não devermos nada aos tubarões. Em Minas, tivemos a ousadia de lançar uma mulher para candidata ao Governo e um negro, operário, como candidato ao Senado. E em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do País naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma.
Recordo tudo isso apenas para compartilhar as imagens que rondam minha tristeza. Não sou daqueles que pensam que, antes, éramos perfeitos. Reconheço erros e me dispus inúmeras vezes a superá-los. Isso me fez ficar no partido depois de experiências dolorosas que culminaram com a necessidade de me defender de uma absurda insinuação de falsidade ideológica, partida da língua de um aloprado que a usou, sem sucesso, como espada para me caluniar. Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida.
Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima. Trocando em miúdos, vejo que é hora de, mais uma vez, parafrasear Chico Buarque: “Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde.”
10 junho 2010
Lula é desonesto, demagogo e um perigo para a democracia
O poeta Ferreira Gullar concedeu uma entrevista ao jornal O Dia, de Minas. Fala, obviamente, sobre literatura e cultura. Mas também fala sobre política (íntegra aqui).
(…)
Neste ano temos eleição presidencial. Você está animado?
Ah, vai ser uma batalha. Os dois candidatos estão empatados. Espero que o Serra ganhe. Será um absurdo se o Lula, que empurrou a Dilma garganta adentro do PT, vá empurrar agora garganta adentro do país só pela vontade exclusiva dele. Acho que nem a Dilma é a favor disso.
Mas o governo Lula não teve nenhum mérito?
Não é que não teve nenhum mérito. O principal problema do Lula é ele não reconhecer o que ele deve aos governos anteriores. Tudo dele é “Nunca na história deste país…”. Ele se faz dono de tudo o que ele combateu. Por que o Brasil passou pela crise da maneira que passou? Porque havia o Proer (programa de auxílio ao sistema financeiro). Mas o PT foi para a rua condenar o Proer dizendo que o governo FHC estava dando dinheiro para banqueiro. E a Lei de Responsabilidade Fiscal? O PT entrou no STF contra a lei. Ainda está lá o processo do PT para acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT era contra o superávit primário, era contra tudo. Quer dizer, tudo o que eles estão adotando e que se constitui a infraestrutura da política econômica eles combateram. Agora o cara não reconhece isso: ele diz que fez tudo. O Lula é, de fato, uma pessoa desonesta. Um demagogo. E isso é perigoso. Está arrastando o país para posições que são realmente inacreditáveis. O cara se tornar aliado do Ahmadinejad, o presidente de um país que tem a coragem de dizer que não houve o Holocausto? Ele está desqualificando mundialmente porque está negando um fato real que não agrada a ele. Então não pode. O Brasil vai se ligar a um cara desse? É um oportunismo e uma megalomania fora de propósito. É um desastre para o país. Eu espero que a Dilma perca a eleição. Não tenho nada contra ela, mas contra o que isso significa. O PT é um perigo para o país. O aparelhamento do Estado, o domínio dos fundos de pensão… Um sistema de poder que vai ameaçar a própria democracia. As pessoas têm que tomar consciência.
(…)
Neste ano temos eleição presidencial. Você está animado?
Ah, vai ser uma batalha. Os dois candidatos estão empatados. Espero que o Serra ganhe. Será um absurdo se o Lula, que empurrou a Dilma garganta adentro do PT, vá empurrar agora garganta adentro do país só pela vontade exclusiva dele. Acho que nem a Dilma é a favor disso.
Mas o governo Lula não teve nenhum mérito?
Não é que não teve nenhum mérito. O principal problema do Lula é ele não reconhecer o que ele deve aos governos anteriores. Tudo dele é “Nunca na história deste país…”. Ele se faz dono de tudo o que ele combateu. Por que o Brasil passou pela crise da maneira que passou? Porque havia o Proer (programa de auxílio ao sistema financeiro). Mas o PT foi para a rua condenar o Proer dizendo que o governo FHC estava dando dinheiro para banqueiro. E a Lei de Responsabilidade Fiscal? O PT entrou no STF contra a lei. Ainda está lá o processo do PT para acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT era contra o superávit primário, era contra tudo. Quer dizer, tudo o que eles estão adotando e que se constitui a infraestrutura da política econômica eles combateram. Agora o cara não reconhece isso: ele diz que fez tudo. O Lula é, de fato, uma pessoa desonesta. Um demagogo. E isso é perigoso. Está arrastando o país para posições que são realmente inacreditáveis. O cara se tornar aliado do Ahmadinejad, o presidente de um país que tem a coragem de dizer que não houve o Holocausto? Ele está desqualificando mundialmente porque está negando um fato real que não agrada a ele. Então não pode. O Brasil vai se ligar a um cara desse? É um oportunismo e uma megalomania fora de propósito. É um desastre para o país. Eu espero que a Dilma perca a eleição. Não tenho nada contra ela, mas contra o que isso significa. O PT é um perigo para o país. O aparelhamento do Estado, o domínio dos fundos de pensão… Um sistema de poder que vai ameaçar a própria democracia. As pessoas têm que tomar consciência.
08 junho 2010
O Brasil teve um 'Pibão' ou um 'Pibinho'?
No Estadão Online:
O Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento de 9% no primeiro trimestre de 2010 ante o mesmo período do ano anterior, segundo divulgou nesta terça-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior alta da série histórica, iniciada em 1995, na comparação com igual trimestre de ano anterior - levando-se em conta todos os trimestres da série. O resultado nesta comparação veio dentro das estimativas do AE Projeções, que variavam de 7,74% a 9,20%, com mediana de 8,55%. Em 12 meses, o PIB acumula alta de 2,4%.
Na comparação com quarto trimestre de 2009, o PIB apresentou alta de 2,7%, a maior ante trimestre imediatamente anterior desde o primeiro trimestre de 2004 - levando-se em conta todos os trimestres. O resultado também veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (2,20% a 3,10%) e acima da mediana projetada de 2,50%. Ainda segundo o IBGE, o PIB do primeiro trimestre somou R$ 826,4 bilhões.
A forte expansão no período equivale a um crescimento anualizado de 11,2%, mesmo resultado registrado pela China no trimestre, segundo a BBC. O cálculo é uma projeção de qual seria a expansão do PIB caso o ritmo de crescimento do primeiro trimestre se mantivesse ao longo de um ano. Os economistas lembram, no entanto, que “é improvável” pensar que o PIB continuará crescendo a essa velocidade nos próximos trimestres, já que alguns indicadores, como o da produção industrial, já desaceleraram nos últimos meses.
A expectativa do mercado, segundo a pesquisa Focus realizada pelo Banco Central junto a instituições financeiras, é de que o PIB deste ano cresça 6,6%, mas algumas instituições já falam em um crescimento de 7,5% em 2010.
Indústria é destaque entre os setores produtivos
O PIB da indústria registrou forte expansão nas duas bases de comparação e ajudou a impulsionar as contas nacionais. O setor cresceu 4,2% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2009, o PIB do setor subiu 14,6%.
O PIB da agropecuária, por sua vez, subiu 2,7% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o quarto trimestre do ano passado. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, a expansão foi de 5,1%.
O PIB de serviços, por fim, registrou expansão de 1,9% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2009, e de 5,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.
Investimentos têm maior alta desde 1995
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil, cresceu 7,4% no primeiro trimestre deste ano ante o quarto trimestre do ano passado. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2009, a FBCF subiu 26,0% no primeiro trimestre deste ano, a maior alta da série do IBGE, iniciada em 1995.
Ainda segundo o IBGE, a taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 18,0% no primeiro trimestre deste ano. No primeiro trimestre do ano passado, a taxa de investimento foi de 16,3%.
Setor externo volta a contribuir negativamente
O forte crescimento das importações fez com que o setor externo, que tinha contribuído positivamente para o resultado do PIB em 2009, tenha voltado a dar uma contribuição negativa no cálculo do Produto, segundo destacou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. As importações entram com sinal negativo nas contas do PIB e cresceram bem acima das exportações no início deste ano.
Segundo o IBGE, as importações de bens e serviços aumentaram 13,1% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009, enquanto as exportações subiram 1,7% no período. Rebeca explica que essa forte expansão das importações reflete o câmbio, o aumento da demanda doméstica e a elevação dos investimentos, que leva à importação de máquinas e equipamentos.
Na comparação com igual trimestre do ano passado, as importações de bens e serviços aumentaram 39,5% no primeiro trimestre de 2010, enquanto as exportações registraram alta de 14,5% no período.
Consumos das famílias e do governo crescem
O consumo das famílias, principal componente das contas brasileiras pelo lado da demanda, aumentou 1,5% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, houve aumento de 9,3% no consumo das famílias. Em 12 meses até março deste ano, o consumo das famílias acumula alta de 6,0%.
Já o consumo do governo teve alta de 0,9% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009 e subiu 2,0% ante igual trimestre do ano passado. Em 12 meses até março, o consumo do governo acumula alta de 3,1%.
Entenda o que é o PIB
O Produto Interno Bruto representa o total de riquezas produzido num determinado período num país. É o indicador mais usado para medir o tamanho da economia doméstica. No Brasil, o cálculo é realizado pelo IBGE, órgão responsável pelas estatísticas oficiais, vinculado ao Ministério do Planejamento.
O cálculo do PIB leva em conta o acompanhamento de pesquisas setoriais que o próprio IBGE realiza ao longo do ano, em áreas como agricultura, indústrias, construção civil e transporte. O indicador inclui tanto os gastos do governo quanto os das empresas e famílias. Mede também a riqueza produzida pelas exportações e as importações. O IBGE usa ainda dados de fontes complementares, como o Banco Central, Ministério da Fazenda, Agência Nacional de Telecomunicações e Eletrobrás, entre outras.
O PIB pode ser medido de duas formas, para um mesmo resultado. Quando o PIB é analisado pela ótica de quem produz essas riquezas, entram no cálculo os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%).
Outra maneira de medir o PIB é pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra essas riquezas. Nesse caso, são considerados o consumo das famílias (60%), o consumo do governo (20%), os investimentos do governo e de empresas privadas (18%) e a soma das exportações e das importações (2%).
O Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento de 9% no primeiro trimestre de 2010 ante o mesmo período do ano anterior, segundo divulgou nesta terça-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior alta da série histórica, iniciada em 1995, na comparação com igual trimestre de ano anterior - levando-se em conta todos os trimestres da série. O resultado nesta comparação veio dentro das estimativas do AE Projeções, que variavam de 7,74% a 9,20%, com mediana de 8,55%. Em 12 meses, o PIB acumula alta de 2,4%.
Na comparação com quarto trimestre de 2009, o PIB apresentou alta de 2,7%, a maior ante trimestre imediatamente anterior desde o primeiro trimestre de 2004 - levando-se em conta todos os trimestres. O resultado também veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (2,20% a 3,10%) e acima da mediana projetada de 2,50%. Ainda segundo o IBGE, o PIB do primeiro trimestre somou R$ 826,4 bilhões.
A forte expansão no período equivale a um crescimento anualizado de 11,2%, mesmo resultado registrado pela China no trimestre, segundo a BBC. O cálculo é uma projeção de qual seria a expansão do PIB caso o ritmo de crescimento do primeiro trimestre se mantivesse ao longo de um ano. Os economistas lembram, no entanto, que “é improvável” pensar que o PIB continuará crescendo a essa velocidade nos próximos trimestres, já que alguns indicadores, como o da produção industrial, já desaceleraram nos últimos meses.
A expectativa do mercado, segundo a pesquisa Focus realizada pelo Banco Central junto a instituições financeiras, é de que o PIB deste ano cresça 6,6%, mas algumas instituições já falam em um crescimento de 7,5% em 2010.
Indústria é destaque entre os setores produtivos
O PIB da indústria registrou forte expansão nas duas bases de comparação e ajudou a impulsionar as contas nacionais. O setor cresceu 4,2% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2009, o PIB do setor subiu 14,6%.
O PIB da agropecuária, por sua vez, subiu 2,7% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o quarto trimestre do ano passado. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, a expansão foi de 5,1%.
O PIB de serviços, por fim, registrou expansão de 1,9% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2009, e de 5,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.
Investimentos têm maior alta desde 1995
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil, cresceu 7,4% no primeiro trimestre deste ano ante o quarto trimestre do ano passado. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2009, a FBCF subiu 26,0% no primeiro trimestre deste ano, a maior alta da série do IBGE, iniciada em 1995.
Ainda segundo o IBGE, a taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 18,0% no primeiro trimestre deste ano. No primeiro trimestre do ano passado, a taxa de investimento foi de 16,3%.
Setor externo volta a contribuir negativamente
O forte crescimento das importações fez com que o setor externo, que tinha contribuído positivamente para o resultado do PIB em 2009, tenha voltado a dar uma contribuição negativa no cálculo do Produto, segundo destacou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. As importações entram com sinal negativo nas contas do PIB e cresceram bem acima das exportações no início deste ano.
Segundo o IBGE, as importações de bens e serviços aumentaram 13,1% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009, enquanto as exportações subiram 1,7% no período. Rebeca explica que essa forte expansão das importações reflete o câmbio, o aumento da demanda doméstica e a elevação dos investimentos, que leva à importação de máquinas e equipamentos.
Na comparação com igual trimestre do ano passado, as importações de bens e serviços aumentaram 39,5% no primeiro trimestre de 2010, enquanto as exportações registraram alta de 14,5% no período.
Consumos das famílias e do governo crescem
O consumo das famílias, principal componente das contas brasileiras pelo lado da demanda, aumentou 1,5% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, houve aumento de 9,3% no consumo das famílias. Em 12 meses até março deste ano, o consumo das famílias acumula alta de 6,0%.
Já o consumo do governo teve alta de 0,9% no primeiro trimestre de 2010 ante o quarto trimestre de 2009 e subiu 2,0% ante igual trimestre do ano passado. Em 12 meses até março, o consumo do governo acumula alta de 3,1%.
Entenda o que é o PIB
O Produto Interno Bruto representa o total de riquezas produzido num determinado período num país. É o indicador mais usado para medir o tamanho da economia doméstica. No Brasil, o cálculo é realizado pelo IBGE, órgão responsável pelas estatísticas oficiais, vinculado ao Ministério do Planejamento.
O cálculo do PIB leva em conta o acompanhamento de pesquisas setoriais que o próprio IBGE realiza ao longo do ano, em áreas como agricultura, indústrias, construção civil e transporte. O indicador inclui tanto os gastos do governo quanto os das empresas e famílias. Mede também a riqueza produzida pelas exportações e as importações. O IBGE usa ainda dados de fontes complementares, como o Banco Central, Ministério da Fazenda, Agência Nacional de Telecomunicações e Eletrobrás, entre outras.
O PIB pode ser medido de duas formas, para um mesmo resultado. Quando o PIB é analisado pela ótica de quem produz essas riquezas, entram no cálculo os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%).
Outra maneira de medir o PIB é pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra essas riquezas. Nesse caso, são considerados o consumo das famílias (60%), o consumo do governo (20%), os investimentos do governo e de empresas privadas (18%) e a soma das exportações e das importações (2%).
04 junho 2010
Ou o TSE enquadra Lula, ou Lula desmoraliza o Judiciário_Por Augusto Nunes em Veja.com
Em 15 de abril de 2009, por 5 votos a 2, o Tribunal Superior Eleitoral puniu com a cassação do mandato o governador do Maranhão, Jackson Lago, eleito pelo PDT. A maioria dos ministros decidiu-se pelo castigo depois da exibição do vídeo que documentou uma solenidade oficial realizada no município de Codó durante a campanha de 2006. No meio do discurso, o então governador José Reinaldo Tavares transformou a mesa das autoridades em palanque e declarou apoio a Lago. Isso não pode, entendeu o TSE. É abuso do poder político.
(Autonomeado Primeiro Cabo Eleitoral em 2007, o presidente da República improvisa um comício por dia para apoiar enfaticamente a candidatura de Dilma Rousseff)
Em 21 de novembro de 2008, o TSE impôs ao governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, o mesmo castigo que aplicaria a Jackson Lago cinco meses mais tarde. Por unanimidade, os ministros decidiram que Cunha Lima, reeleito pelo PSDB, incorrera em “abuso do poder econômico e político” ao usar a máquina do Estado na campanha de 2006. O tribunal considerou particularmente grave a distribuição de 35 mil cheques, somando R$ 3,5 milhões, por uma fundação subordinada ao gabinete do governador.
(Há pelo menos dois anos, Lula e Dilma vêm usando como gazuas eleitorais o dinheiro do Orçamento, do PAC e dos programas sociais. Em vez dos cheques de Cunha Lima, distribuem verbas, contratos, licitações espertas, cestas básicas e bolsa-esmola)
Em 26 de junho de 2009, Marcelo Miranda completou a trinca de governadores punidos por motivos semelhantes em menos de sete meses. Para continuar no cargo mais cobiçado do Tocantins, o candidato do PMDB animou a temporada de caça ao voto com a distribuição de milhares de cargos comissionados. Ganhou nas urnas por larga vantagem. Perdeu no TSE por unanimidade.
(Confrontada com o obsceno aparelhamento do Estado em curso há mais de sete anos, a esperteza de Marcelo Miranda parece peraltice de coroinha. É mais fácil encontrar uma ararinha-azul que um petista desempregado. Os companheiros da base alugada também se arranjaram na vida. Os morubixabas ganharam diretorias em estatais ─ incluída aquela da Petrobras que fura poço. A multidão dos comuns tem salário garantido)
No relato sobre os três casos exemplares, o repórter Fernando Mello, de VEJA.com, incluiu o preciso resumo da ópera produzido pelo ministro Carlos Ayres Britto, então presidente do TSE, tão logo terminou o julgamento de Jackson Lago: “Cinco votos concluíram pelo abuso do poder político, revestido de potencialidade para influenciar o resultado do pleito. Ficou assentado um entrelace de administrações na perspectiva de forçar o eleitorado a dar sequência de trabalho que somente seria assegurada se o governador de então fizesse o seu sucessor”.
De meia em meia hora, Lula e a sucessora que inventou avisam que o Brasil estará em perigo se a candidata for derrotada. O porão dos dossiês cafajestes foi reativado. A fábrica de mentiras já funciona sem intervalos para descanso. A rede escolar paulista acaba de ser inundadas por uma tempestade de panfletos que celebram proezas imaginárias do governo federal. Lula coleciona delinquências que afrontam o cargo que ocupa e a Justiça eleitoral. Oficialmente, a campanha nem começou.
Não existem brasileiros acima da lei. Existem os cumpridores da lei e os fora-da-lei. O presidente se incluiu acintosamente na segunda categoria e reduziu a contraventores aprendizes os governadores cassados. É preciso detê-lo agora. Ou o Judiciário enquadra Lula ou Lula desmoraliza o Judiciário.
Não existe uma terceira opção.
(Autonomeado Primeiro Cabo Eleitoral em 2007, o presidente da República improvisa um comício por dia para apoiar enfaticamente a candidatura de Dilma Rousseff)
Em 21 de novembro de 2008, o TSE impôs ao governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, o mesmo castigo que aplicaria a Jackson Lago cinco meses mais tarde. Por unanimidade, os ministros decidiram que Cunha Lima, reeleito pelo PSDB, incorrera em “abuso do poder econômico e político” ao usar a máquina do Estado na campanha de 2006. O tribunal considerou particularmente grave a distribuição de 35 mil cheques, somando R$ 3,5 milhões, por uma fundação subordinada ao gabinete do governador.
(Há pelo menos dois anos, Lula e Dilma vêm usando como gazuas eleitorais o dinheiro do Orçamento, do PAC e dos programas sociais. Em vez dos cheques de Cunha Lima, distribuem verbas, contratos, licitações espertas, cestas básicas e bolsa-esmola)
Em 26 de junho de 2009, Marcelo Miranda completou a trinca de governadores punidos por motivos semelhantes em menos de sete meses. Para continuar no cargo mais cobiçado do Tocantins, o candidato do PMDB animou a temporada de caça ao voto com a distribuição de milhares de cargos comissionados. Ganhou nas urnas por larga vantagem. Perdeu no TSE por unanimidade.
(Confrontada com o obsceno aparelhamento do Estado em curso há mais de sete anos, a esperteza de Marcelo Miranda parece peraltice de coroinha. É mais fácil encontrar uma ararinha-azul que um petista desempregado. Os companheiros da base alugada também se arranjaram na vida. Os morubixabas ganharam diretorias em estatais ─ incluída aquela da Petrobras que fura poço. A multidão dos comuns tem salário garantido)
No relato sobre os três casos exemplares, o repórter Fernando Mello, de VEJA.com, incluiu o preciso resumo da ópera produzido pelo ministro Carlos Ayres Britto, então presidente do TSE, tão logo terminou o julgamento de Jackson Lago: “Cinco votos concluíram pelo abuso do poder político, revestido de potencialidade para influenciar o resultado do pleito. Ficou assentado um entrelace de administrações na perspectiva de forçar o eleitorado a dar sequência de trabalho que somente seria assegurada se o governador de então fizesse o seu sucessor”.
De meia em meia hora, Lula e a sucessora que inventou avisam que o Brasil estará em perigo se a candidata for derrotada. O porão dos dossiês cafajestes foi reativado. A fábrica de mentiras já funciona sem intervalos para descanso. A rede escolar paulista acaba de ser inundadas por uma tempestade de panfletos que celebram proezas imaginárias do governo federal. Lula coleciona delinquências que afrontam o cargo que ocupa e a Justiça eleitoral. Oficialmente, a campanha nem começou.
Não existem brasileiros acima da lei. Existem os cumpridores da lei e os fora-da-lei. O presidente se incluiu acintosamente na segunda categoria e reduziu a contraventores aprendizes os governadores cassados. É preciso detê-lo agora. Ou o Judiciário enquadra Lula ou Lula desmoraliza o Judiciário.
Não existe uma terceira opção.
02 junho 2010
Lula e o vale-tudo eleitoral: cartilhas com propaganda do governo_Por Fernando Mello, Mirella D'Elia_Em Veja.com
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já avisou muitas vezes que não irá poupar esforços para eleger Dilma Rousseff sua sucessora. Há quatro anos, Lula foi multado em 900.000 reais por distribuir uma cartilha que foi considerada propaganda antecipada. Em uma nova eleição, o governo repete o método: começou a distribuir no mês passado um caderno com 43 páginas exalta programas governamentais e faz elogios à gestão Lula. A publicação é chamada "BRASIL 2009 Estamos vivendo um novo Brasil. Feito por você. Respeitado pelo mundo". Em todas as páginas o bordão "estamos vivendo um novo Brasil" é repetido.
Logo na apresentação, o texto diz que "o Brasil está no caminho certo". A conclusão é ainda mais laudatória e aponta para o futuro, em um ano eleitoral em que Dilma é candidata. Diz o texto: "As principais conquistas do povo brasileiro em 2009 e suas projeções para os próximos anos são apresentadas nesta publicação, que é uma prestação de contas do governo federal, mas também uma demonstração de que o Brasil sabe enfrentar os desafios e encarar o futuro".
A Secretaria de Comunicação da Presidência, responsável pela publicação, diz que imprime o texto todos os anos e que, em 2010, foram produzidos 1,2 milhão de exemplares, ao custo total de 2,195 milhões de reais. A entrega do material ocorreu em 207 mil escolas municipais, estaduais e federais, universidades, federações, sindicatos, bibliotecas, governos estatuais,prefeituras, embaixadas, deputados, vereadores e ONGs. "A distribuição deste ano está praticamente concluída, e nenhum exemplar será entregue no período eleitoral, assim eventual saldo não distribuído até a próxima semana, somente será entregue depois de outubro", informou a Secom por e-mail.
O caderno do governo federal foi citado nesta terça pelo pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, que criticava o mau uso de verbas públicas. VEJA.com esteve em três escolas e encontrou o exemplar em uma delas, na zona sul de São Paulo. Com impressão em quatro cores e fartamente ilustrado com fotos, o material foi distribuído em envelopes do gabinete da Presidência da República.
A cartilha traz dados inflados sobre a gestão Lula. Em um dos mapas, afirma que, desde 2003, "foram criadas 13 novas universidades e 2 foram consolidadas". Ocorre que o próprio ministério da Educação já reconheceu que nove dessas universidades são resultado de transformação ou desmembramentos de instituições já existentes, alegando que "quase todas as universidades brasileiras foram criadas dessa maneira".Além disso, o mapa do Brasil lista todas as universidades e escolas técnicas, sejam elas feitas durante o governo Lula ou não (veja imagem).
Em outros casos, há omissões. Um exemplo aparece no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Dados encaminhados, em março, pela Caixa Econômica Federal ao Tribunal de Contas da União mostram que quase 262.000 moradias foram financiadas até dezembro de 2009 e os investimentos no programa já envolveram aproximadamente 13 bilhões de reais. Os dados utilizados na cartilha foram consolidados até 13 de abril e mostram que foram 408.674 unidades contratadas. Ocorre que, até dezembro, somente 1.221 unidades habitacionais haviam sido concluídas e entregues, número que representa 0,6% da meta de milhão de casas prometidas pelo programa. Na cartilha, o governo federal omite quantas casas foram efetivamente concluídas.
Na parte dedicada ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os dados dão conta de um investimento de 403 bilhões de reais até dezembro de 2009. O valor previsto até o fim de 2010 é de 638 bilhões. A cartilha omite uma informação divulgada nesta terça pelo próprio governo: até abril de 2010, os empreendimentos concluídos no PAC equivalem a R$ 302,5 bilhões, ou 46,1% do total previsto para o período. Também são listados números do PAC 2, programa lançado por Dilma Rousseff para o período pós-2010.
No caso da Reforma Agrária, o governo não informa que deixou de cumprir suas próprias metas de assentamentos. O único dado que está na cartilha é de que, desde 2003, foram 574.609 famílias assentadas. Desse total que o governo diz ter assentado, 387,5 mil (67%) estão na Amazônia Legal (Estados do Norte, Mato Grosso e Maranhão). Segundo especialistas, esse tipo de assentamento ocorre porque as terras são mais baratas, mas têm problemas graves de infraestrutura. Além disso,o governo não informa que, em sete anos de gestão, a promessa anual de famílias contempladas na reforma agrária foi cumprida uma única vez, em 2005.Em 2009,foram 55.498 famílias assentadas, mas a meta era de 75.000.
No caso das escolas técnicas, o material diz que, no Distrito Federal, uma escola foi "implantada" em 2009 e quatro "programadas" para 2010. A única escola inaugurada no ano passado foi a de Planaltina, que existe desde 1958 , aberta durante o governo Juscelino Kubitschek. O governo federal diz que a unidade foi iincorporada à Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica em 2009 e que, ao se tornar federal, passou por uma completa mudança em sua infraestrutura física, quadro de pessoal, recursos orçamentários de manutenção e gestão e proposta pedagógica.
Multa - Há quatro anos, a distribuição de outra cartilha do governo federal fez com que o TSE decidisse punir severamente o presidente Lula por propaganda eleitoral antecipada: multa de 900 mil reais. No entanto, até hoje não houve pagamento. E a discussão se arrasta na justiça. A multa foi decidida pelo plenário do TSE em agosto de 2006.
Ao julgar uma representação proposta pelo PSDB, os ministros entenderam que a publicação, chamada "Brasil, um país de todos", fazia propaganda fora do prazo estipulado pela legislação eleitoral a partir de julho do ano em que o pleito ocorre.
Mais de um milhão de exemplares foram distribuídos em janeiro de 2006 pela Casa Civil e pelo ministério do Planejamento. Ao mandar punir Lula, o relator da ação, ministro José Delgado, destacou que a cartilha fazia "louvores às realizações do governo federal, sem objetivo de orientação educacional, informação ou comunicação social". O governo recorreu e a discussão já foi interrompida quatro vezes por pedidos de vista. O TSE decidirá se a multa será reduzida.
Caráter informativo. Legalmente, a propaganda institucional só é proibida nos três meses anteriores à eleição. Mas é preciso atender a alguns critérios para não ferir a Constituição Federal. A publicação precisa ter caráter informativo e não prestar-se à promoção de autoridades.
Diz o texto constitucional: "A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos".
Um ex-ministro do TSE ouvido por VEJA.com disse estranhar a distribuição do material. "Não vejo razão para isso a não ser tentar atrair posições simpáticas". O Ministério Público ou qualquer cidadão podem questionar na justiça uma publicação do governo caso desconfiem de mau uso do dinheiro público. O Ministério Público também pode pedir à Justiça Eleitoral a abertura de uma investigação para apurar se houve irregularidades.
Logo na apresentação, o texto diz que "o Brasil está no caminho certo". A conclusão é ainda mais laudatória e aponta para o futuro, em um ano eleitoral em que Dilma é candidata. Diz o texto: "As principais conquistas do povo brasileiro em 2009 e suas projeções para os próximos anos são apresentadas nesta publicação, que é uma prestação de contas do governo federal, mas também uma demonstração de que o Brasil sabe enfrentar os desafios e encarar o futuro".
A Secretaria de Comunicação da Presidência, responsável pela publicação, diz que imprime o texto todos os anos e que, em 2010, foram produzidos 1,2 milhão de exemplares, ao custo total de 2,195 milhões de reais. A entrega do material ocorreu em 207 mil escolas municipais, estaduais e federais, universidades, federações, sindicatos, bibliotecas, governos estatuais,prefeituras, embaixadas, deputados, vereadores e ONGs. "A distribuição deste ano está praticamente concluída, e nenhum exemplar será entregue no período eleitoral, assim eventual saldo não distribuído até a próxima semana, somente será entregue depois de outubro", informou a Secom por e-mail.
O caderno do governo federal foi citado nesta terça pelo pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, que criticava o mau uso de verbas públicas. VEJA.com esteve em três escolas e encontrou o exemplar em uma delas, na zona sul de São Paulo. Com impressão em quatro cores e fartamente ilustrado com fotos, o material foi distribuído em envelopes do gabinete da Presidência da República.
A cartilha traz dados inflados sobre a gestão Lula. Em um dos mapas, afirma que, desde 2003, "foram criadas 13 novas universidades e 2 foram consolidadas". Ocorre que o próprio ministério da Educação já reconheceu que nove dessas universidades são resultado de transformação ou desmembramentos de instituições já existentes, alegando que "quase todas as universidades brasileiras foram criadas dessa maneira".Além disso, o mapa do Brasil lista todas as universidades e escolas técnicas, sejam elas feitas durante o governo Lula ou não (veja imagem).
Em outros casos, há omissões. Um exemplo aparece no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Dados encaminhados, em março, pela Caixa Econômica Federal ao Tribunal de Contas da União mostram que quase 262.000 moradias foram financiadas até dezembro de 2009 e os investimentos no programa já envolveram aproximadamente 13 bilhões de reais. Os dados utilizados na cartilha foram consolidados até 13 de abril e mostram que foram 408.674 unidades contratadas. Ocorre que, até dezembro, somente 1.221 unidades habitacionais haviam sido concluídas e entregues, número que representa 0,6% da meta de milhão de casas prometidas pelo programa. Na cartilha, o governo federal omite quantas casas foram efetivamente concluídas.
Na parte dedicada ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os dados dão conta de um investimento de 403 bilhões de reais até dezembro de 2009. O valor previsto até o fim de 2010 é de 638 bilhões. A cartilha omite uma informação divulgada nesta terça pelo próprio governo: até abril de 2010, os empreendimentos concluídos no PAC equivalem a R$ 302,5 bilhões, ou 46,1% do total previsto para o período. Também são listados números do PAC 2, programa lançado por Dilma Rousseff para o período pós-2010.
No caso da Reforma Agrária, o governo não informa que deixou de cumprir suas próprias metas de assentamentos. O único dado que está na cartilha é de que, desde 2003, foram 574.609 famílias assentadas. Desse total que o governo diz ter assentado, 387,5 mil (67%) estão na Amazônia Legal (Estados do Norte, Mato Grosso e Maranhão). Segundo especialistas, esse tipo de assentamento ocorre porque as terras são mais baratas, mas têm problemas graves de infraestrutura. Além disso,o governo não informa que, em sete anos de gestão, a promessa anual de famílias contempladas na reforma agrária foi cumprida uma única vez, em 2005.Em 2009,foram 55.498 famílias assentadas, mas a meta era de 75.000.
No caso das escolas técnicas, o material diz que, no Distrito Federal, uma escola foi "implantada" em 2009 e quatro "programadas" para 2010. A única escola inaugurada no ano passado foi a de Planaltina, que existe desde 1958 , aberta durante o governo Juscelino Kubitschek. O governo federal diz que a unidade foi iincorporada à Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica em 2009 e que, ao se tornar federal, passou por uma completa mudança em sua infraestrutura física, quadro de pessoal, recursos orçamentários de manutenção e gestão e proposta pedagógica.
Multa - Há quatro anos, a distribuição de outra cartilha do governo federal fez com que o TSE decidisse punir severamente o presidente Lula por propaganda eleitoral antecipada: multa de 900 mil reais. No entanto, até hoje não houve pagamento. E a discussão se arrasta na justiça. A multa foi decidida pelo plenário do TSE em agosto de 2006.
Ao julgar uma representação proposta pelo PSDB, os ministros entenderam que a publicação, chamada "Brasil, um país de todos", fazia propaganda fora do prazo estipulado pela legislação eleitoral a partir de julho do ano em que o pleito ocorre.
Mais de um milhão de exemplares foram distribuídos em janeiro de 2006 pela Casa Civil e pelo ministério do Planejamento. Ao mandar punir Lula, o relator da ação, ministro José Delgado, destacou que a cartilha fazia "louvores às realizações do governo federal, sem objetivo de orientação educacional, informação ou comunicação social". O governo recorreu e a discussão já foi interrompida quatro vezes por pedidos de vista. O TSE decidirá se a multa será reduzida.
Caráter informativo. Legalmente, a propaganda institucional só é proibida nos três meses anteriores à eleição. Mas é preciso atender a alguns critérios para não ferir a Constituição Federal. A publicação precisa ter caráter informativo e não prestar-se à promoção de autoridades.
Diz o texto constitucional: "A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos".
Um ex-ministro do TSE ouvido por VEJA.com disse estranhar a distribuição do material. "Não vejo razão para isso a não ser tentar atrair posições simpáticas". O Ministério Público ou qualquer cidadão podem questionar na justiça uma publicação do governo caso desconfiem de mau uso do dinheiro público. O Ministério Público também pode pedir à Justiça Eleitoral a abertura de uma investigação para apurar se houve irregularidades.
A mentira grotesca do PAC em números_Por Reinaldo Azevedo
Chamei, desde o primeiro dia, o tal “PAC” de “PACtóide”, remetendo à palavra “factóide”, aquilo que não existe, ilusionismo para enganar trouxa. Em que consistiu a mais formidável mentira deste governo até hoje?
1 - Chamou-se PAC ao conjunto de obras realizadas no país;
2 - entraram na conta do PAC as obras tocadas por empresas privadas, as obras das estatais e aquelas financiadas pelo Orçamento;
3 - o PAC nunca significou “dinheiro a mais”, suplementar;
4 - o que o PT fez foi submeter todas as obras do Brasil a uma variante do “centralismo democrático”.
Pois bem. Fez-se hoje um novo balando do PAC. Atenção! Estamos falando do PAC UM. Na sua megalomania marqueteiro-patológica, Lula já lançou o DOIS. Trata-se de uma salada formidável de números. SE O LEITOR QUER “NÃO ENTENDER NADA”, SUGIRO QUE VISITE TODOS OS SITES DOS GRANDES VEÍCULOS. CADA UM ATIRA PARA UM LADO. DEPOIS VÁ À AGÊNCIA BRASIL, COM A NOTÍCIA TODA PICOTADA EM PÍLULAS, COM O GOVERNO SEMPRE NO PAPEL DE EFICIENTE TOCADOR DE OBRAS.
Isso é um tática. Joga-se uma maçaroca de dados no colo dos jornalistas, que saem desesperados tentando entender o que significa aquela zona vazada num misto de “militantês” com “tecnocratês”.
Vamos ver:
1 - As obras “concluídas” do PAC somam R$ 302,5 bilhões de um total previsto de R$ 656,5 bilhões — ou 46,1%;
2 - Diz o governo que a execução financeira totaliza R$ 463,9 bilhões — ou 70,7% do total. Que bom, né? Pois é. Nesse total, estão incluídos:
- R$ 154,5 bilhões de investimento das estatais - 33,23% (a quase totalidade deve ser da Petrobras);
- R$ 98,1 bilhões de investimento do setor privado;
- R$ 157,9 bilhões de financiamento habitacional a pessoas físicas;
- R$ 41,8 bilhões de investimentos do Orçamento Geral da União;
- R$ 5,2 bilhões de financiamento ao setor público;
- R$ 6,4 bilhões de contrapartidas de estados e municípios
Dilma pode não ter dançado o “rebolation-tion-tion”, mas é mestra no “enrolation-tion-tion”. Pergunta-se: as estatais, e quase tudo é da Petrobras, não investiriam não fosse o “PAC”? E o setor privado? Os R4 157,9 bilhões do tal “financiamento habitacional a pessoas físicas”, num plano de “aceleração” do crescimento, querem dizer exatamente o quê?
EIS A PROVA: NÃO EXISTE!
Os números provam o óbvio: o PAC não existe. O que isso quer dizer? Que não existem obras? Ora, claro que sim! Não estariam sendo tocadas, por acaso, sem esse nome-fantasia?
O PAC deveria ter sido um esforço concentrado para realizar mais do que se realizaria sem ele, certo? Como se entregou menos da metade, supõe-se que o esforço concentrado ou não deu em nada ou funcionou como ação negativa. E esse menos da metade, como se nota, foi garantido pelas estatais e pelo setor privado.
Estamos diante de especialistas na arte de iludir. Sendo verdadeiros os números, em que resultou, até agora, a fantástica obra do PAC? Dos anunciados R$ 656,5 bilhões do “programa”, só 6,36% foram efetivamente tocados com recursos do Orçamento Geral da União — ou 9% do que o próprio governo considera efetivamente investido.
1 - Chamou-se PAC ao conjunto de obras realizadas no país;
2 - entraram na conta do PAC as obras tocadas por empresas privadas, as obras das estatais e aquelas financiadas pelo Orçamento;
3 - o PAC nunca significou “dinheiro a mais”, suplementar;
4 - o que o PT fez foi submeter todas as obras do Brasil a uma variante do “centralismo democrático”.
Pois bem. Fez-se hoje um novo balando do PAC. Atenção! Estamos falando do PAC UM. Na sua megalomania marqueteiro-patológica, Lula já lançou o DOIS. Trata-se de uma salada formidável de números. SE O LEITOR QUER “NÃO ENTENDER NADA”, SUGIRO QUE VISITE TODOS OS SITES DOS GRANDES VEÍCULOS. CADA UM ATIRA PARA UM LADO. DEPOIS VÁ À AGÊNCIA BRASIL, COM A NOTÍCIA TODA PICOTADA EM PÍLULAS, COM O GOVERNO SEMPRE NO PAPEL DE EFICIENTE TOCADOR DE OBRAS.
Isso é um tática. Joga-se uma maçaroca de dados no colo dos jornalistas, que saem desesperados tentando entender o que significa aquela zona vazada num misto de “militantês” com “tecnocratês”.
Vamos ver:
1 - As obras “concluídas” do PAC somam R$ 302,5 bilhões de um total previsto de R$ 656,5 bilhões — ou 46,1%;
2 - Diz o governo que a execução financeira totaliza R$ 463,9 bilhões — ou 70,7% do total. Que bom, né? Pois é. Nesse total, estão incluídos:
- R$ 154,5 bilhões de investimento das estatais - 33,23% (a quase totalidade deve ser da Petrobras);
- R$ 98,1 bilhões de investimento do setor privado;
- R$ 157,9 bilhões de financiamento habitacional a pessoas físicas;
- R$ 41,8 bilhões de investimentos do Orçamento Geral da União;
- R$ 5,2 bilhões de financiamento ao setor público;
- R$ 6,4 bilhões de contrapartidas de estados e municípios
Dilma pode não ter dançado o “rebolation-tion-tion”, mas é mestra no “enrolation-tion-tion”. Pergunta-se: as estatais, e quase tudo é da Petrobras, não investiriam não fosse o “PAC”? E o setor privado? Os R4 157,9 bilhões do tal “financiamento habitacional a pessoas físicas”, num plano de “aceleração” do crescimento, querem dizer exatamente o quê?
EIS A PROVA: NÃO EXISTE!
Os números provam o óbvio: o PAC não existe. O que isso quer dizer? Que não existem obras? Ora, claro que sim! Não estariam sendo tocadas, por acaso, sem esse nome-fantasia?
O PAC deveria ter sido um esforço concentrado para realizar mais do que se realizaria sem ele, certo? Como se entregou menos da metade, supõe-se que o esforço concentrado ou não deu em nada ou funcionou como ação negativa. E esse menos da metade, como se nota, foi garantido pelas estatais e pelo setor privado.
Estamos diante de especialistas na arte de iludir. Sendo verdadeiros os números, em que resultou, até agora, a fantástica obra do PAC? Dos anunciados R$ 656,5 bilhões do “programa”, só 6,36% foram efetivamente tocados com recursos do Orçamento Geral da União — ou 9% do que o próprio governo considera efetivamente investido.
Entrevista com Ricardo Lewandowski_Por Alexandre Oltramari e Gustavo Ribeiro, de Brasília
Para presidente do TSE, Lula é cidadão como outro qualquer
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Em seu discurso de posse como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Ricardo Lewandowski prometeu agir com o "máximo rigor" para coibir irregularidades nas eleições de outubro. Desde então, o TSE já multou duas vezes o presidente Lula por fazer campanha antecipada para a candidata petista, Dilma Rousseff. Somadas às duas multas aplicadas pelo tribunal em março, antes da posse de Lewandowski, o presidente já foi condenado quatro vezes pelo mesmo delito. Em entrevista à VEJA.com, o ministro disse que, apesar disso, não se espanta com as reiteradas ilegalidades cometidas pelo presidente. Segundo ele, Lula é um cidadão como outro qualquer.
VEJA TAMBÉM
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O presidente Lula já recebeu quatro multas por campanha antecipada. Como o senhor se sente ao ver a maior autoridade do país desrespeitar a lei?
Eu penso que o presidente é um cidadão como outro qualquer. Ele deve observar a lei e, como qualquer outro cidadão que não observa a lei, está sujeito às punições que a lei determina. Eu não faço distinção entre o presidente e qualquer outra pessoa na hora de aplicar a lei. Não vejo nada de excepcional nisso.
Mas não era de se esperar que o presidente, pela posição que ocupa, fosse o primeiro a zelar pelo cumprimento da lei em vez de desrespeitá-la de maneira reiterada?
Percebi que, desde que o tribunal se tornou mais rigoroso com as condutas de propaganda antecipada, houve uma certa contenção por parte de todos os atores políticos em respeitos às decisões do Tribunal Superior Eleitoral...
Mas as punições que vem sendo aplicadas tem se mostrado inócuas, tanto é que a lei vem sendo desrespeitada continuadamente...
Concordo que as multas não estão surtindo o efeito desejado. Mas estamos limitados. Não podemos criar multas mais duras que não estão previstas na lei. Mas isso é uma questão cultural. Não é porque a multa é branda que não precisamos cumprir a lei. É possível que aqueles que foram apenados pela Justiça Eleitoral venham a corrigir sua conduta. Isso é uma coisa bastante recente. Eu espero, como presidente eleitoral, que as multas surtam efeito. Espero que tenham impactos político e moral.
No início do mês, no exato momento em que o TSE punia o PT com a cassação de seu próximo programa na televisão, o partido transgredia novamente a lei ao fazer propaganda antecipada na televisão para a candidata Dilma Rousseff...
Aquela foi uma situação excepcional. Em função dos prazos processuais, nós não conseguimos chegar a uma decisão em tempo oportuno. Daqui pra frente, acredito que, se houver uma próxima infração e se as representações forem ajuizadas a tempo, nós teremos condições de reagir tempestivamente.
Ou seja, a Justiça tardou e falhou. É possível torná-la mais ágil?
Não diria que falhou. A multa foi aplicada. A legislação processual não permitiu que déssemos uma resposta adequada ao programa que foi ao ar. Trata-se de um problema legal, não de vontade do TSE. Nossa legislação eleitoral está defasada. O Código Eleitoral tem mais de 55 anos. . Há um verdadeiro cipoal legislativo. Um dos pontos mais urgentes são os recursos judiciais. Hoje em dia existem incontáveis recursos, alguns meramente protelatórios. É possível promover uma racionalização, seja no campo da multiplicidade de recursos, seja na abreviação dos prazos processuais.
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Em seu discurso de posse como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Ricardo Lewandowski prometeu agir com o "máximo rigor" para coibir irregularidades nas eleições de outubro. Desde então, o TSE já multou duas vezes o presidente Lula por fazer campanha antecipada para a candidata petista, Dilma Rousseff. Somadas às duas multas aplicadas pelo tribunal em março, antes da posse de Lewandowski, o presidente já foi condenado quatro vezes pelo mesmo delito. Em entrevista à VEJA.com, o ministro disse que, apesar disso, não se espanta com as reiteradas ilegalidades cometidas pelo presidente. Segundo ele, Lula é um cidadão como outro qualquer.
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O presidente Lula já recebeu quatro multas por campanha antecipada. Como o senhor se sente ao ver a maior autoridade do país desrespeitar a lei?
Eu penso que o presidente é um cidadão como outro qualquer. Ele deve observar a lei e, como qualquer outro cidadão que não observa a lei, está sujeito às punições que a lei determina. Eu não faço distinção entre o presidente e qualquer outra pessoa na hora de aplicar a lei. Não vejo nada de excepcional nisso.
Mas não era de se esperar que o presidente, pela posição que ocupa, fosse o primeiro a zelar pelo cumprimento da lei em vez de desrespeitá-la de maneira reiterada?
Percebi que, desde que o tribunal se tornou mais rigoroso com as condutas de propaganda antecipada, houve uma certa contenção por parte de todos os atores políticos em respeitos às decisões do Tribunal Superior Eleitoral...
Mas as punições que vem sendo aplicadas tem se mostrado inócuas, tanto é que a lei vem sendo desrespeitada continuadamente...
Concordo que as multas não estão surtindo o efeito desejado. Mas estamos limitados. Não podemos criar multas mais duras que não estão previstas na lei. Mas isso é uma questão cultural. Não é porque a multa é branda que não precisamos cumprir a lei. É possível que aqueles que foram apenados pela Justiça Eleitoral venham a corrigir sua conduta. Isso é uma coisa bastante recente. Eu espero, como presidente eleitoral, que as multas surtam efeito. Espero que tenham impactos político e moral.
No início do mês, no exato momento em que o TSE punia o PT com a cassação de seu próximo programa na televisão, o partido transgredia novamente a lei ao fazer propaganda antecipada na televisão para a candidata Dilma Rousseff...
Aquela foi uma situação excepcional. Em função dos prazos processuais, nós não conseguimos chegar a uma decisão em tempo oportuno. Daqui pra frente, acredito que, se houver uma próxima infração e se as representações forem ajuizadas a tempo, nós teremos condições de reagir tempestivamente.
Ou seja, a Justiça tardou e falhou. É possível torná-la mais ágil?
Não diria que falhou. A multa foi aplicada. A legislação processual não permitiu que déssemos uma resposta adequada ao programa que foi ao ar. Trata-se de um problema legal, não de vontade do TSE. Nossa legislação eleitoral está defasada. O Código Eleitoral tem mais de 55 anos. . Há um verdadeiro cipoal legislativo. Um dos pontos mais urgentes são os recursos judiciais. Hoje em dia existem incontáveis recursos, alguns meramente protelatórios. É possível promover uma racionalização, seja no campo da multiplicidade de recursos, seja na abreviação dos prazos processuais.
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