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05 março 2013

Lula, Dilma, o PT e a fixação em FHC

FHC: comparar os governos petistas com os do PSDB chega a ser doentio! Será que não sabem olhar para a frente?

"Não estará o PT repetindo o equívoco, com uma leitura míope do mundo e distorcida do papel do Estado?" (Foto: Helvio Romero / AE)
"Não estará o PT repetindo o equívoco, com uma leitura míope do mundo e distorcida do papel do Estado?" (Foto: Helvio Romero / AE)

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Artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo
SEM DISFARCE NEM MIOPIA
As forças governistas, depois de precipitarem a campanha eleitoral, voltaram ao diapasão antigo: comparar os governos petistas com os do PSDB. Chega a ser doentio! Será que não sabem olhar para a frente? As conjunturas mudam. O que é possível fazer numa dada fase muitas vezes não pode ser feito em outra; políticas podem e devem ser aperfeiçoadas.
Porém, na lógica infantil prevalecente, em lugar de se perguntar o que mudou no País em cada governo, em que direção e com qual velocidade, fazem-se comparações sem sentido e imagina-se que tudo começou do zero no primeiro dia do governo Lula.
Na cartilha de exaltação aos dez anos do PT no poder, com capa ao estilo realismo socialista e Dilma e Lula retratados como duas faces de uma mesma criatura, a História é reescrita para fazer as estatísticas falarem o que aos donos do poder interessa. Nada de novo sob o sol: é só lembrar dos museus soviéticos que borravam nas fotos os rostos dos ex-companheiros caídos em desgraça…

Governo mostra miopia estratégica quanto ao futuro
O PSDB não deve entrar nessa armadilha. É melhor olhar para a frente e deixar as picuinhas para quem gosta delas.
Quanto ao futuro, o governo está demonstrando miopia estratégica.
Depois de quatro anos iniciais de consolidação da herança bendita, a política econômica teve de reagir ao violento impacto da crise de 2007/2008. Foi necessário, sem demora, expandir o gasto público, desonerar setores produtivos, ampliar o crédito por intermédio dos bancos públicos, etc.
Em situações extraordinárias, medidas extraordinárias. Mas o cachimbo foi entortando a boca: a discricionariedade governamental tornou-se a regra desde então.
Com isso, a credibilidade do Banco Central foi posta em xeque, a transparência das contas públicas também. Cresceram as dúvidas sobre a inflação futura e sobre o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal.
Não há que exagerar na crítica: por ora, o trem não descarrilou.

A máquina governamental está enguiçada
Mas as balizas que asseguraram crescimento com estabilidade – câmbio flutuante, metas inflacionárias e responsabilidade fiscal -, mesmo ainda em pé, se tornam cada vez mais referências longínquas.
A máquina governamental está enguiçada, como o próprio governo sente, e sua incapacidade para consertá-la é preocupante. Os expedientes utilizados até agora com o propósito de acelerar o crescimento deram em quase nada (o pibinho).
Na ânsia de acelerar a economia, o governo beijou a cruz e apelou para as concessões (portos, aeroportos, estradas) e mesmo privatizações (de partes da distribuição energética). Mas a viseira ideológica, o hábito de se fecharem pequenos grupos, a precariedade gerencial não permitem dar efetividade a decisões que ferem o coração de suas crenças arcaicas.
Enquanto a China puxar as exportações de matérias-primas e de alimentos, tudo se vai arranjando.
Mesmo assim, a produção industrial torna-se menos competitiva e perde importância relativa no processo produtivo.
A balança comercial já deixou de ser folgada, mas com o financiamento estrangeiro as contas vão fechando.
"Na cartilha de exaltação aos dez anos do PT no poder, com capa ao estilo realismo socialista e Dilma e Lula retratados como duas faces de uma mesma criatura, a História é reescrita para fazer as estatísticas falarem o que aos donos do poder interessa"
"Na cartilha de exaltação aos dez anos do PT no poder, com capa ao estilo realismo socialista e Dilma e Lula retratados como duas faces de uma mesma criatura, a História é reescrita para fazer as estatísticas falarem o que aos donos do poder interessa"

No curto prazo, tudo bem. Em prazo mais longo, volta a preocupar o fantasma da “vulnerabilidade externa”.
Já se veem no horizonte sinais de retomada na economia mundial.
Não me refiro a uma incerta recuperação do emprego e do equilíbrio fiscal, este em alguns países da Europa, aquele nos Estados Unidos. Refiro-me ao que Schumpeter salientava para explicar a natureza do crescimento econômico, uma onda de inovações.
Provavelmente serão os Estados Unidos que capitanearão a nova investida capitalista mundial. O gás de xisto e os novos métodos de extração de petróleo tornarão aquele país a grande potência energética. Junto com ele, Canadá, México, Argentina e Brasil podem ter um lugar ao sol. De ser isso verdade, uma nova geopolítica se desenha, com, por um lado, um polo chinês-asiático e outro americano.

Perguntas que é preciso fazer
 Isso num contexto político e cultural que não aceita hegemonias, no qual, portanto, a multiplicidade de polos e subpolos requer uma nova institucionalidade global.
Diante disso, como ficará o Brasil: pendendo para a Alba (Aliança Bolivariana para as Américas), de inspiração chavista?
À margem da nova aliança atlântica proposta pelos Estados Unidos que, por agora, contempla apenas a América do Norte e a Europa?
Iremos fortalecer nossos laços como mundo árabe longínquo, ou este terminará por se aconchegar na dupla formada pela China e pela Índia, ambos países carentes de energia?
E como nos situaremos na dinâmica da nova fase do capitalismo global?
Ao que eu saiba, ela continuará dependendo do aumento contínuo de produtividade para assegurar as bases do bem-estar social (que não será decorrência automática disso, mas de políticas adequadas).
Como, então, querer acelerar o crescimento utilizando truques e maquiagens, do tipo subsídios tópicos, exceções de impostos setoriais, salvamento de empresas via hospital BNDES ou Caixa Econômica?

Na época do Real, o PT queria dar o calote na dívida externa
Quando o PSDB fez o Plano Real, percebeu as oportunidades que se abriam para o Brasil com a globalização, desde que ajustássemos a economia e iniciássemos políticas de inclusão social. Na época o PT não entendeu do que se tratava.
Queria dar o calote da dívida externa e sustentava o inadequado programa Fome Zero, que jamais saiu do papel.
Foram as bolsas que o PSDB introduziu que salvaram o PT quando este, tardiamente, se deu conta de que era melhor fazer uma política de transferência direta de rendas. Em geral, aferrou-se à ideia de que a globalização seria uma ideologia – o neoliberalismo -, e não a maneira contemporânea de organizar a produção com base em novas tecnologias e novas normas.
Não estará o PT repetindo o equívoco, com uma leitura míope do mundo e distorcida do papel do Estado? A resposta cabe ao governo.
Ao PSDB cumpre oferecer a sua visão alternativa e um programa contemporâneo que amplie as possibilidades de realização pessoal e coletiva dos brasileiros.
Sem esquecer o passado, mas com os olhos no futuro.

Baderneiros xingam o jornalista Merval Pereira


Escritor do livro 'Mensalão', Merval é tratado como Yoani...

Merval Pereira: cercado e xingado por manifestantes no Rio (Foto: adpf.org.br)
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MEU MOMENTO YOANI
Na sexta-feira à noite, na inauguração do novo museu MAR na Praça Mauá, passei por rápidos instantes a mesma situação que enfrentou a blogueira Yoani Sánchez quando esteve no país recentemente.
Havia diversas manifestações nos arredores do museu, onde participavam da inauguração a presidente Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. O barulho era insuportável dentro do museu, que, com seu lindo teto ondulado, criou um inesperado efeito acústico no interior do prédio.
Uma era contra o fechamento dos teatros do Rio depois da tragédia de Santa Maria. Muitos teatros, que funcionavam sem as medidas de segurança necessárias, continuam fechados e os artistas estavam ali protestando.
Mas protestavam contra o quê? Deveriam mesmo protestar contra o fato de terem passado todo esse tempo trabalhando e recebendo pessoas em lugares sem condições de segurança adequada. Deveriam protestar contra a Prefeitura, mas pelo que ela não fez, e não pelo que está fazendo, embora tardiamente.
Havia um pequeno grupo reclamando casas prometidas e não entregues. E havia um terceiro grupo, mais barulhento e agressivo, que protestava contra a revitalização da zona portuária do Rio e também contra a Medida Provisória dos Portos, que em boa hora a presidente Dilma enviou ao Congresso.
Baderneiros do PT, do PC do B, da “Juventude Socialista” e do PDT
Aparentemente não havia no grupo nenhum estivador ou operário, eram todos jovens estudantes com máscaras e cartazes que alertavam: “Gestão mata” e “Choque mata” em referência ao Choque de Ordem da Prefeitura.
O que esses jovens do PT, do PCdoB, da Juventude Socialista, do PDT, sei lá de onde, queriam dizer é que a revitalização do centro do Rio é uma modernidade que rejeitam. E o que dizer da nova legislação sobre os portos do país?
O que está por trás dos protestos, no entanto, é uma nada estranhável, embora exótica, aliança entre órgãos sindicais e empresários que operam os portos sem competição, beneficiando-se de uma reserva de mercado tão ultrapassada quanto prejudicial à economia brasileira.
Os jovens radicais estavam ali protestando contra a modernização da cidade e a possibilidade de os novos administradores de portos disputarem cargas com os terminais já existentes e contratarem mão de obra pelo regime da CLT, à qual estão subordinados todos os trabalhadores brasileiros.
A aliança dos sindicatos dos concessionários dos portos, que não querem competição de jeito nenhum
Sindicatos liderados pelo Paulinho da Força Sindical, deputado federal pelo PDT, querem impedir a modernização dos portos, obrigando os novos terminais a contratarem os estivadores pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo). E têm o apoio de concessionários dos portos, que querem tudo menos competição para melhorar a produtividade.
No entanto, dar competitividade ao setor portuário é fundamental para a retomada do crescimento, reduzindo o chamado custo Brasil. E lá estavam os jovens esquerdistas não apenas protestando, como seria normal em uma democracia, mas agredindo verbal e quase fisicamente as pessoas que passavam por uma espécie de corredor polonês que a polícia deixou que fizessem.
Agressões verbais chegaram perto da agressão física
As pessoas que saiam da festa de inauguração forçosamente tinham que passar pelos manifestantes para pegar seus carros, e houve momentos em que as agressões verbais chegaram às raias da agressão física.
Uma senhora que ia à nossa frente foi chamada de “fascista” por um manifestante, que gritou tão perto do seu rosto que quase houve contato físico.
Passei pelo grupo com minha mulher sob os gritos dos manifestantes, e um deles me reconheceu.
Gritou alto: “Aí Merval fdp”.
A tensão que está no ar nesses dias em que, como previu Gilberto Carvalho, “o bicho vai pegar”
Foi o que bastou para que outros cercassem o carro em que estávamos, impedindo que saísse. Chutaram-no, socaram os vidros, puseram-se na frente com faixas e cartazes impedindo a visão do motorista.
Só desistiram da agressão quando um grupo de PMs chegou para abrir caminho e permitir que o carro andasse.
Foram instantes de tensão que permitiram sentir a violência que está no ar nesses dias em que, como previu o Ministro Gilberto Carvalho, “o bicho vai pegar”.
É claro que o que aconteceu com a blogueira cubana Yoani Sanchez nem se compara, mas o ocorrido na noite de sexta-feira mostra bem o clima belicoso que os manifestantes extremistas estão impondo a seus atos supostamente de protesto.
E é impressionante que jovens ditos revolucionários se empenhem em defender um sistema arcaico que só interessa às corporações sindicais que já estão instaladas nos portos e a empresários que se beneficiam de privilégios que emperram a economia brasileira.
A presidente Dilma está certa ao não aceitar as pressões políticas para mudar a medida provisória dos portos, essencial para a revitalização da economia.

“PIBINHO” DO BRASIL LEVA BAILE ESPETACULAR DO PERU

Por Ricardo Setti em Veja.com:

(Ilustração: american.org)
Pois é, meus amigos. Com toda essa cascata de elogios ao lulalato e seus prodígios, o Peru, outrora miserável e eterno patinho feio da economia da América Latina — quem diria? — , está dando um baile espetacular no nosso país em matéria de desenvolvimento.
Vejam só: contra os miseráveis, raquíticos, quase humilhantes 0,9% de crescimento do nosso Produto Nacional Bruto (PIB) em 2012 — governaço da “gerentona” que tudo sabe, tudo vê, tudo supervisiona e em tudo manda –, o Peru cresceu 6,3%.
Façam as contas: EXATAS SETE VEZES MAIS DO QUE O BRASIL!
Humala: no governo do ex-nacionalista ferrenho, o Peru continuou sendo país seguro para investimentos estrangeiros (Foto: elcomercio.com)
E isso no governo de Ollanta Humala, o coronel da reserva que ostentava perfil ultranacionalista, parecia ser o terror dos mercados e cujo governo, com equilíbrio e sensatez, manteve o Peru como campo fértil e seguro para os investimentos estrangeiros.
Mas, na verdade, o Peru cresce acima de 6% desde 2002! E os salários vêm tendo aumento real anual de 6% a 7%.
A consequência foi que o número de miseráveis — pessoas vivendo com menos de 2 dólares por dia — baixou de espantosos 56% para a metade, 28%, nesse período. Humala promete baixar o percentual para 15% até deixar o governo, em 2015.
As vendas no comércio explodiram em 2012, aumentando 20% em relação ao ano anterior.
Velarde: presidente do Banco Central, respeitado pelos mercados, foi mantido por Humala no cargo (Foto: lamula.pe)
“Isso é apenas o que acontece com qualquer país quando começa a tornar-se mais dinâmico em termos de demanda doméstica por uma classe média emergente que começa a consumir cada vez mais”, diz o presidente do Banco Central do Peru, Julio Velarde, um respeitado economista formado no Peru com estudos complementares na Alemanha e um doutorado na Universidade Brown, nos Estados Unidos.
Ah! Antes que me esqueça: o Banco Central do Peru goza de autonomia, prevista na Constituição.
E a reputação de Velarde junto à comunidade de negócios é tal que, quando o recém-eleito Humala indicou seu nome ao Congresso para continuar por mais quatro anos no posto que já ocupava, a Bolsa de Lima cresceu quase 5% — num dia em que os principais mercados do mundo despencavam — e o índice de risco do Peru, que já era baixo comparado com vários países europeus na faixa de 300 pontos para cima, caiu de 185 para 176 pontos.

Post do Leitor de Ricardo Setti (Veja.com): “O PT não pode permitir uma imprensa livre por que esta é incompatível com seu plano de poder e de controle da informação na sociedade”


Ou a imprensa é livre, independente - e privada - ou é órgão de propaganda (Foto: Reprodução)
Ou a imprensa é livre, independente - e privada - ou é órgão de propaganda (Foto: Dedoc / Editora Abril)

Milton Simon Pires
CONTROLE DE IMPRENSA – EMIR SADER E AS ILUSÕES GARANTIDAS
Ilusões Perdidas é uma das obras primas de Balzac.
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Romance que tem como personagem principal o jovem Lucien Chardon, é uma crônica social da França do século XIX no período da Restauração. Narra principalmente a decepção do jovem poeta interiorano que, em meio a hipocrisia de Paris e tendo falhado como escritor, procura no jornalismo o caminho para o sucesso.
Sem Lei de Imprensa ou Fórum Nacional para Democratização das Comunicações, imagino que o sofrimento de Lucien ao enfrentar os interesses da mídia privada seria um prato cheio para o nosso Emir Sader quando escreveu “Imprensa livre é imprensa privada?” (Emir Sader – Carta Maior – 28/10/2009).
Neste dia primeiro de março, o Diretório Nacional do PT manifestou-se mais uma vez sobre o tema e, naquilo que se chama “aviso da história”, deixou explícitas as suas intenções sobre o assunto.
Para sabermos se existe ou não risco de censura no Brasil petista não é sobre a natureza da democracia nem sobre a função social da imprensa que devemos pensar. A relação entre sociedade livre e imprensa independente está suficiente estabelecida pela história.
Está mais do que claro que, numa democracia, a imprensa não deve ser controlada pelo governo. Os governos democráticos não têm ministros da informação para decidir sobre o conteúdo dos jornais nem sobre as atividades dos jornalistas; não exigem que os jornalistas sejam investigados pelo Estado; nem obrigam os jornalistas a aderir a sindicatos controlados pelo governo.
Nesse sentido, não é sobre Rosseau, Voltaire, ou Jeremy Bentham que vamos falar aqui para entender a questão da liberdade de imprensa do ponto de vista histórico e filosófico. Vamos, isto sim, recorrer a um filósofo contemporâneo chamado Isaiah Berlin que, ao discorrer sobre liberdade, afirma que esta é basicamente o “direito de ser deixado em paz”.
Este conceito, na obra de Berlin, chama-se “liberdade negativa” em oposição à capacidade do sujeito, através das suas próprias ações, de exercer aquilo que pensa ser a sua liberdade – liberdade esta “positiva”.
Fiz esta breve introdução para dizer que é este, ao meu ver, o “armamento teórico” que alguém precisa portar se quiser enfrentar o Partido dos Trabalhadores no que se refere a questão do controle de imprensa.
O que se impõem, para não ser enganado, é voltar no tempo e compreender, em primeiro lugar a natureza totalitária de uma organização criminosa que, misturando marxismo com religião e o submundo do sindicalismo paulista, apresentou-se como partido político e agora governa o Brasil há 10 anos!
Mesmo que quisesse (e não quer) o PT não pode permitir uma imprensa livre por que esta é incompatível com seu plano de poder e de controle da informação na sociedade.

A mente brilhante e o cérebro baldio


03 março 2013

Mensalão vira História


Em livro, Merval Pereira esquadrinha o mensalão e mostra como o Brasil ficou melhor depois da decisão do Supremo

ILUSÃO DE ÓTICA -- O ex-ministro do Supremo Ayres Britto (à esq) e o ainda ministro Gilmar Mendes: Lula achou que o primeiro seria seu subordinado, porque o nomeou, e achacou o segundo, pensando que ele se intimidaria. Errou nas duas vezes: onde ele enxergou presas fáceis havia, na verdade, juízes honrados (Fotos: STF)
ILUSÃO DE ÓTICA -- O ex-ministro do Supremo Ayres Britto (à esq) e o ainda ministro Gilmar Mendes: Lula achou que o primeiro seria seu subordinado, porque o nomeou, e achacou o segundo, pensando que ele se intimidaria. Errou nas duas vezes: onde ele enxergou presas fáceis havia, na verdade, juízes honrados (Fotos: STF)
Resenha de Augusto Nunes, publicada em edição impressa de VEJA

O INÍCIO DO FIM – ENFIM
Não há tribunal capaz de iluminar da noite para o dia a face escura de um país. Mas, como demonstra Merval Pereira em seu livro sobre o mensalão, o Supremo acendeu irrevogavelmente os holofotes
Numa paisagem infestada de repórteres invertebrados, críticos construtivos, colunistas estatizados e analistas que combatem valentemente quem ousa discordar do governo, o espaço ocupado por jornalistas nascidos sob o signo da independência e condenados a amar a verdade acima de todas as coisas parece perturbadoramente acanhado.
É mesmo diminuto, mas não há motivos para inquietação.
Os integrantes dessa linhagem nunca foram muitos.
Mas cada um vale por uma multidão, comprova Merval Pereira em Mensalão – O Dia a Dia do Mais Importante Julgamento da História Política do Brasil (Record; 285 páginas; 34,90 reais).
“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”, ensinou Cláudio Abramo. É o que Merval tem feito há mais de quarenta anos, ao longo dos quais brilhou como repórter de campo ou exercendo cargos de chefia nas Organizações Globo, no Jornal do Brasil e em VEJA.
É o que faz todos os dias em sua coluna em O Globo e nos comentários para a Globo News e para a rádio CBN.
O Supremo revogou a norma não escrita segundo a qual alguns são mais iguais que outros
Foi o que fez durante os quatro meses e meio em que milhões de brasileiros acompanharam – primeiro com ceticismo, depois com esperança, enfim com justificado entusiasmo – o julgamento da quadrilha que tentou a captura do Estado democrático de direito até ser desbaratada em meados de 2005.

Aos 63 anos, eleito há quase dois para a Academia Brasileira de Letras, o jornalista carioca reconstitui essa metamorfose fascinante no livro que reúne 86 artigos publicados na página 4 de O Globo, precedidos por um pedagógico prefácio do ex-ministro Carlos Ayres Britto e completados por dois textos inéditos que induzem o mais descrente dos leitores a acreditar que o Brasil nunca mais será o mesmo.
Começou a mudar – para melhor. Como adverte o posfácio, nenhuma decisão judicial é capaz de iluminar da noite para o dia a face escura de um país. Se no Brasil Maravilha que Lula inventou é possível até erradicar a miséria por decreto, no Brasil real os avanços são mais demorados. O Supremo não erradicou a corrupção. Ao condenar uma organização criminosa comandada por figurões federais, contudo, revogou a norma não escrita segundo a qual alguns são mais iguais que os outros, embora todos sejam iguais perante a lei.
O brasileiro corrupto não virou uma espécie extinta
Ao contrário do miserável-brasileiro, o brasileiro corrupto não virou uma espécie extinta. Mas ninguém mais pode considerar-se condenado à perpétua impunidade.
Veja-se o escândalo protagonizado por Rosemary Noronha e seus comparsas. Um jipe doado a um dirigente do PT por serviços prestados a uma empresa privada, exemplifica Merval, “equivale à operação plástica para a chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, em troca talvez de uma audiência marcada”.
Nem existem diferenças notáveis entre arranjar emprego para a ex-mulher do político poderoso e premiar com um cruzeiro marítimo a secretária que diz que conversa com o ex-presidente todos os dias. O caso Rose sugere que o país é o de sempre. Visto de perto, informa aos gritos que as coisas mudaram.
Lula enxergou subordinados obedientees onde havia juízes honrados
Há um ano, como relata Merval Pereira, Lula estava em campanha para adiar o julgamento do mensalão ou absolver todos os culpados. Confiante no apoio de gente que nomeou, como o presidente Ayres Britto ou o relator Joa­quim Barbosa, enxergou subordinados obedientes onde havia juízes honrados.
Decidido a ganhar de goleada, recorreu à chantagem para enquadrar Gilmar Mendes.
A vítima do achaque contou o que acontecera e Lula preferiu acompanhar o julgamento pela TV Justiça. Surpreendido pela descoberta das bandalheiras de Rose, está em silêncio há mais de três meses. “Depois do julgamento do mensalão, há mais chance de o poderoso de plantão, apanhado com a boca na botija, pagar por seus crimes, até mesmo na cadeia”, constata Merval.
É verdade, confirma a estridente mudez de Lula.

O JEITO PETISTA DE CENSURAR

Difamar é o negócio desses dois petistas

DINHEIRO PÚBLICO -- André Guimarães (à dir.) trabalha no gabinete do   deputado André Vargas, vice-presidente da Câmara (Fotos: Juliana Knobel /   Frame / Estadão Conteúdo)
DINHEIRO PÚBLICO -- André Guimarães (à dir.) trabalha no gabinete do deputado André Vargas, vice-presidente da Câmara (Fotos: Juliana Knobel / Frame / Estadão Conteúdo)
Texto de Hugo Marques publicado na edição de VEJA que está nas bancas

DIFAMAR É O NEGÓCIO
Petista que criou rede para denegrir adversários agora vende a tecnologia a prefeituras do partido
São muitas as histórias de anônimos que alcançaram a fama por meio da internet. O petista André Guimarães tem planos ambiciosos nessa direção. Criador da RedePT13, uma organização virtual formada por perfis falsos e blogs apócrifos usados para atacar aqueles que são considerados inimigos do partido, ele já é uma celebridade entre seus pares.
Se é preciso espalhar uma mentira para difamar alguém, Guimarães é acionado. Se for apenas para ridicularizar um oponente, o rapaz conhece todos os caminhos sujos. Na visita da blogueira Yoani Sánchez, ele trabalhou como nunca. A rede postou montagens fotográficas, incentivou os protestos e difundiu um falso dossiê produzido contra ela pela embaixada cubana. O problema é que o “ciberguerrilheiro” petista sustenta sua atividade criminosa com dinheiro público, dinheiro do contribuinte.
André Guimarães é funcionário do Congresso. Está lotado e recebe salário no gabinete do deputado André Vargas, o atual vice-presidente da Câmara e secretário nacional de comunicação do PT. Mas, como dito, o rapaz é ambicioso.
Ele está montando uma espécie de franquia. Quer expandir sua rede de difamação por todo o país. Os alvos, é claro, são os adversários do PT. Os financiadores, como sempre, os cofres públicos. Com as credenciais de homem da cúpula nacional petista, Guimarães está percorrendo municípios do país para oferecer a prefeitos e vereadores seus serviços.
Identificando-se como “consultor de mídias sociais”, ele oferta aos mandatários petistas um pacote, como ele diz, já testado e aprovado: a tecnologia de utilização das ferramentas da internet para desqualificar adversários políticos e espalhar na rede as versões de interesse do cliente. Mas, como nem petista trabalha de graça, o pacote, dependendo da amplitude, custa entre 2.000 e 30.000 reais.
Um dos primeiros interessados na franquia de Guimarães foi o prefeito de Jaciara (MT), Ademir Gaspar, que confirmou as negociações. O rapaz também já esteve em São Bernardo do Campo (SP), Ubatuba (SP) e Vitória da Conquista (BA) — quatro das 635 cidades administradas pelo partido. Um amplo e milionário mercado que pode render bons e lucrativos negócios.
Procurado, o consultor se atrapalhou todo na hora de se explicar. Primeiro, tentou negar que seu trabalho para “melhorar as mídias desse pessoal que tem mandato” seja remunerado. Depois, admitiu que até poderia levar algum dinheiro, mas era coisa pequena, quase um agrado voluntário: “Existe, sim, a possibilidade de quem quiser me pagar eu aceitar”.
(CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Mais adiante, reconheceu que cobra um valor das prefeituras interessadas: “Se eu for fazer uma consultoria dessas aí, vai ser 2.000 reais por mês”.
Indagado sobre as atividades do subordinado, o deputado André Vargas se disse surpreso: “Ele trabalha comigo, mas eu não sabia disso, não. É informação nova. Vou avaliar”. Outro dia, o presidente do Congresso, Renan Calheiros, demitiu duas estagiárias do Senado por causa de um comentário, considerado indecoroso, que elas fizeram na internet sobre um rato que apareceu nas dependências do Senado.
André Guimarães não corre esse risco. Em maio, ele será um dos destaques do encontro nacional dos chamados “blogueiros progressistas”, espécie de tropa de elite dos difamadores a serviço do PT. O encontro vai acontecer em Fortaleza.
A lista de atrações do evento reúne desde Lula até o mensaleiro José  Dirceu.

Gustavo Ioschpe: Como identificar um bom professor


O que faz um bom professor? (Foto: Fernanda Preto)
O que faz um bom professor? (Foto: Fernanda Preto)
Artigo publicado em edição impressa de VEJA

COMO IDENTIFICAR UM BOM PROFESSOR
“Você seria capaz de descrever as qualidades daquele professor especial que teve no passado, de forma que os atributos dele pudessem ser copiados por todos os outros professores em atividade? Essa é uma pergunta difícil”
Vou fazer uma pergunta fácil: você teve algum professor especial, que fez diferença na sua vida? Se você passou mais de dez anos estudando, aposto que não apenas a resposta foi positiva, como imediatamente lhe veio à mente aquele(a) professor(a). Agora, uma pergunta mais difícil: você poderia descrever as qualidades desse professor especial, de forma que seus atributos pudessem ser copiados por todos os outros professores em atividade?
Uma série de estudos demonstra que um bom professor exerce influência substancial sobre seus alunos, não apenas durante o período escolar mas por toda a vida. Boa educação melhora a saúde, diminui a criminalidade e aumenta o salário. Eric Hanushek, pesquisador de Stanford, calcula que um professor que esteja entre os 25% do topo da categoria e que tenha uma turma de trinta alunos gera, a cada ano, um aumento na massa salarial desses alunos de quase 500 000 dólares ao longo da vida deles.
O problema é que, mesmo que todos saibam intuitivamente quem é um bom professor, ainda não conseguimos explicar e decompor o seu comportamento de forma que seja possível identificar os bons profissionais, promovê-los e reproduzir a sua atuação. Os estudos estatísticos, que se valem de dados facilmente quantificáveis, nos trazem alguns bons indícios – por exemplo, a experiência do professor só importa nos dois a cinco primeiros anos de carreira; professores que faltam às aulas têm alunos que aprendem menos; professores que obtiveram notas melhores em testes padronizados, estudaram em universidades mais competitivas e têm mais habilidade verbal exercem impacto positivo sobre o aprendizado dos alunos; quanto mais sindicalizados os professores, mais eles faltam e mais insatisfeitos estão com a carreira; e professores com expectativas mais altas para seus alunos também obtêm resultados superiores.
Essas são todas variáveis “de fora”; estudos mais recentes começam a entrar na escola e na sala de aula e tentam explicar os componentes de um bom professor.
Um estudo lançado em janeiro representa um grande passo à frente (esse e todos os outros estudos citados aqui estão em www.twitter.com/gioschpe). Patrocinado pela fundação Bill & Melinda Gates, ele conseguiu criar um “mapa da mina” para a identificação de bons professores, depois de acompanhar milhares de professores e alunos em sete distritos escolares americanos (incluindo Nova York, Dallas e Denver) ao longo de três anos.
Normalmente, só cito neste espaço estudos publicados em revistas acadêmicas ou simpósios, que são revisados e criticados por outros acadêmicos, porque é pequena a probabilidade de uma fundação privada reconhecer em um relatório que, “depois de três anos de esforços e milhões de dólares gastos, não encontramos nada de relevante”. Nesse caso, porém, creio que a exceção é justificada, não apenas por se tratar de uma fundação séria, que chamou pesquisadores renomados para o trabalho, mas também por seu design inovador.
Em 2009-2010, o estudo tentou criar instrumentos que identificassem professores competentes. Chegou a um menu de três itens: observação de professores em sala de aula, questionários preenchidos pelos alunos e ganhos dos alunos em testes padronizados, ou seja, quanto os alunos daquele determinado professor ganhavam em aprendizado de um ano a outro nesses testes (equivalentes ao nosso Enem ou Prova Brasil).
"Você teve algum professor especial, que fez diferença na sua vida?" (Foto: Getty Images)
"Você teve algum professor especial, que fez diferença na sua vida?" (Foto: Getty Images)
Fez-se um trabalho cuidadoso para estabelecer quem deveria observar os professores, quantas vezes e olhando para quais dimensões; como inquirir os alunos; e, no quesito valor agregado, teve-se a precaução de controlar uma série de variáveis dos alunos (status social, situação familiar etc.) para que se pudesse isolar a qualidade do professor, não do aluno.
Mesmo com todos esses cuidados, ainda há muito que não sabemos nem controlamos que pode interferir nos resultados. Pode ser que os melhores alunos procurem os melhores professores, ou que os melhores professores escolham dar aulas para turmas ou séries melhores, e aí o que pareceria o impacto do professor seria uma complexa interação entre professores e alunos que inviabilizaria qualquer análise.
(Seria como examinar a eficácia de um médico julgando apenas a taxa de cura dos seus pacientes. Se os casos mais complicados procuram os melhores médicos, ou se os melhores médicos procuram os pacientes mais intratáveis, é provável que os melhores médicos e os piores tenham pacientes com expectativa de vida similar, apesar de terem competências radicalmente distintas.)
A fundação então conseguiu fazer o que se faz nas ciências exatas para isolar o efeito de uma variável: no ano seguinte, distribuiu os professores aleatoriamente. A turma a que cada um ensinaria foi totalmente determinada por sorteio. Mais de 1 000 professores, atendendo mais de 60 000 alunos, participaram. E os resultados são fascinantes.
Em primeiro lugar, a performance esperada dos professores ficou muito próxima da performance real (ambas medidas pelo aprendizado de seus alunos). Ou seja, os professores identificados como bons através das observações de seus pares, questionários de alunos e valor agregado em anos anteriores continuaram, gros­so modo, sendo bons professores ensinando a turmas aleatoriamente escolhidas.
Em segundo lugar, foi possível sofisticar o modelo. Testaram-se quatro variações das ferramentas de avaliação dos professores, e notou-se que uma das melhores combinações era aquela que dava peso igual (33% a cada um) aos três componentes (performance em teste, observação e questionário de alunos).
Quando alguns professores reclamam que é reducionismo avaliá-los somente pela performance de seus alunos em testes, aparentemente têm razão: é melhor adicionar essas duas outras variáveis. Também se testaram vários modelos diferentes de observação docente, desde aquele em que o professor é avaliado por seu diretor até versões mais complexas.
Os modelos mais confiáveis se mostraram aqueles em que o professor foi avaliado por pelo menos quatro observadores, em aulas diferentes, sendo dois deles pessoas da administração da escola (é importante que seja mais de uma para evitar a influência de conflitos/preferências pessoais) e dois, outros professores, treinados para a tarefa.
Nenhum estudo é definitivo, muito menos um feito por uma fundação, e nada garante que os mesmos achados serão encontrados no Brasil, ainda que normalmente o que apareça nos Estados Unidos também se verifique aqui. Mas, ante o modelo atual, obviamente fracassado, em que o professor é contratado por concurso no início da carreira e depois fica esquecido em sua sala de aula, fazendo o que bem entender e sendo promovido por nível de estudo e experiência, o horizonte descortinado por essa pesquisa é bem mais promissor. Precisamos encontrar e premiar os bons professores.
E ter ferramentas objetivas e mensuráveis para tirar os maus profissionais da sala de aula. Sem isso, dificilmente sairemos dessa pasmaceira.

‘Lula, aliás Lincoln’, editorial do Estadão

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

Lula deu agora para se comparar com Abraham Lincoln. A maior afinidade com o presidente responsável pela abolição da escravatura nos Estados Unidos, Lula a vê diretamente relacionada com a postura crítica da imprensa em relação a ambos: “Esses dias eu estava lendo o livro do Lincoln. E fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860, igualzinho bate em mim”. Com seu habitual descompromisso com a seriedade, Lula pretendeu ombrear-se com um dos maiores vultos da História e, ao mesmo tempo, mais uma vez desqualificar o trabalho da imprensa, a quem acusa do imperdoável crime de frequentemente contrariar suas opiniões e interesses. Foi um dos melhores momentos de seu show de meia hora durante as comemorações dos 30 anos da CUT, na última quarta-feira em São Paulo.
Essa nova bravata do Grande Chefe do Partido dos Trabalhadores (PT) não chega a ser novidade. É apenas mais uma a enriquecer a já alentada antologia das melhores pérolas de seu sofisticado pensamento político-filosófico. Novidade é a revelação de que Lula anda lendo livros. Confessou-o explicitamente, em tom de blague, dirigindo-se ao ministro Gilberto Carvalho, que fazia parte da mesa. “Estou lendo muito agora, viu Gilberto? Só do Ricardo Kotscho e do Frei Betto, li mais de 300″, exagerou, em simpática referência a dois ex-colaboradores com quem já manteve relações mais estreitas.
Depois de falar mal da imprensa, Lula sugeriu que, diante da “falta de espaço” para as questões de interesse dos assalariados na mídia “conservadora”, os sindicatos de trabalhadores se articulem para ampliar e tomar mais eficazes seus próprios meios de comunicação. Uma recomendação um tanto ociosa, pelo menos do que diz respeito à CUT, que dispõe de uma ampla rede de comunicação integrada por uma emissora de televisão, três de rádio, dois sites de notícias, dois jornais e uma revista mensal. Mas o verdadeiro problema não é exatamente a existência ou não de veículos de comunicação abertos às questões de interesse das organizações sindicais, mas o nível de credibilidade e, consequentemente, de audiência e leitura desses veículos.
Na verdade, o que o lulopetismo ambiciona para a consolidação de seu projeto de poder é dispor de mecanismos de controle da grande mídia, dos jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão que atingem o grande público e por essa razão têm maior peso na formação de opinião. Por entenderem que a maior parte da grande mídia está comprometida com interesses das “elites” e, por essa razão, é “antidemocrática”, o PT e seus aliados à esquerda defendem a criação de mecanismos que permitam a “democratização dos meios de comunicação”. Trata-se de um argumento absolutamente falacioso, pela razão óbvia de que, se a grande mídia tivesse realmente o viés que lhe é atribuído pela companheirada, o petismo, que se diz discriminado e perseguido por ela, não venceria três eleições presidenciais consecutivas e não estaria comemorando 10 anos de hegemonia política no plano federal.
Ocorre que o pouco que existe de pensamento político em Lula e seus companheiros está hoje quase todo vinculado estritamente à garantia das vantagens materiais que o poder proporciona. O que vai além disso se deixou impregnar pelo autoritarismo que sustenta regimes como os do Irã, Coreia do Norte e China, no Oriente, e Cuba e as repúblicas “bolivarianas” da Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua, no Ocidente. Ou seja, as autocracias às quais a diplomacia do governo petista se aliou.
Lula, a bem da verdade, não tem formação marxista – ou qualquer outra. Foi sempre um pragmático, avesso a dogmatismos. Forjado na luta sindical, seu pensamento se resume ao confronto de interesses entre empregados e patrões. O resultado desse pragmatismo é a indigência de valores que, como nunca antes na história deste país, predomina hoje na vida política nacional e tem seu melhor exemplo no nosso desmoralizado Parlamento.
Mas Lula é líder popular consagrado, glória que lhe subiu à cabeça e lhe permite acreditar no que quiser, inclusive que se parece com Abraham Lincoln.

Balança comercial tem o pior fevereiro da história do país


Na VEJA.com:
A balança comercial brasileira registrou déficit de 1,276 bilhão de dólares em fevereiro,  conforme informou nesta sexta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações, que somaram 15.551 bilhões de dólares no mês, ficaram abaixo das importações, de 16.827 bilhões de dólares, o que explica o saldo negativo – o maior para meses de fevereiro desde 1959, início da série histórica do Banco Central.  Analistas esperavam um déficit de 500 milhões de dólares. Foi o segundo mês consecutivo de déficit comercial, ainda sob a influência do registro atrasado de aquisições de gasolina feita pela Petrobras no exterior em 2012, mas que estão sendo contabilizadas somente neste ano, elevando as importações. Em janeiro, o déficit havia ficado em 4 bilhões de dólares, também o pior resultado para o mês desde 1959.
Em fevereiro, o volume de exportações subiu 13,7% sobre o mesmo mês de 2012. Pela média diária, as vendas externas caíram quase 9% no mês passado sobre 2012. Os embarques para a China cresceram 2,3% pela média diária na comparação com fevereiro de 2012, enquanto que para os Estados Unidos caíram 25,4% e, para a União Europeia, 18,3%. Já as importações de fevereiro ficaram praticamente estáveis em relação a igual mês de 2012. Mas, pela média diária houve alta de quase 3% em fevereiro sobre janeiro. No mês passado, as importações de combustíveis e lubrificantes somaram 3 bilhões de dólares. Pela média diária, que somou 166,7 milhões de dólares, houve alta de 37,5% sobre um ano antes. Com isso, o ano acumula déficit comercial de 5,312 bilhões de dólares. No mesmo período do ano passado, o saldo estava positivo em 399 milhões de dólares.
A expectativa do governo é que os saldos deficitários na balança comercial sejam revertidos no segundo trimestre, com o início dos embarques da safra agrícola brasileira e com as exportações de minério de ferro com preços superiores aos praticados em 2012.

Aécio critica estagnação econômica e diz que País está ‘no rumo errado’


No Estadão:
O senador Aécio Neves (MG), provável candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, criticou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que ficou em 0,9% em 2012. Em nota, o tucano afirmou que o governo Dilma Rousseff poderia ter tomado medidas no ano passado para evitar a estagnação, mas escolheu o “irrealismo”. Em sua avaliação, o Brasil segue “no rumo errado”.
“Se o governo Dilma não optasse pelo irrealismo e pela auto enganação, o País talvez tivesse se livrado do mau resultado do PIB anunciado hoje pelo IBGE”, inicia a nota do senador. “Tivesse o governo do PT tomado melhor pé da situação já no decorrer de 2012, é possível que nossa economia não tivesse tido desempenho tão negativo quanto o crescimento de 0,9% conhecido nesta manhã. Tempo perdido não se recupera”, afirma.
O tucano aponta que o Brasil cresceu “muito menos que o resto do mundo”, que setores como a indústria “vão de mal a pior” e a expectativa para os próximos meses na área de investimentos “não é das melhores”. “São diagnósticos que vimos apresentando ao longo dos últimos meses, mas aos quais a gestão da presidente Dilma Rousseff contrapôs-se com previsões tão otimistas quanto irrealistas. O resultado oficial do IBGE mostra que estávamos certos, infelizmente”, acrescenta.

01 março 2013

LISTA DE MOVIMENTO “ANTIPOLÍTICA” ESPELHA NOVA GERAÇÃO

Jamil Chede (Estadão)
ROMA — Eles são jovens profissionais, pequenos empresários, técnicos com formação universitária, economistas, comerciantes, artistas, 15% estão desempregados e todos estão fartos dos políticos tradicionais.
Esse é, na realidade, o maior partido político da Itália hoje, formado por cidadãos que se dizem “antipolíticos” e conseguiram causar a maior surpresa nas eleições italianas. Ontem, os novos deputados não escondiam a euforia diante do resultado. Mas ainda não têm respostas para como aplicarão sua agenda política.
O Movimento 5 Estrelas é liderado pelo comediante Beppe Grillo. Mas não é ele quem se sentará na cadeira do Parlamento.
Isso porque, há 22 anos, ele matou três pessoas em um acidente de carro e decidiu que não teria direito de representar o povo politicamente. No novo Parlamento italiano, se um dia de fato entrar em vigor, 170 de seus membros virão do novo movimento, criado há apenas três anos.
A média de idade dos eleitos é de 32 anos e 40% deles são mulheres, a maior proporção entre todos os partidos na Europa hoje.
Com uma campanha fundamentalmente feita pela internet e um exército de jovens voluntários, o movimento acumulou mais de 7 milhões de votos (25%). O grupo conquistou 1 milhão de votos a mais que o partido de Silvio Berlusconi e três vezes mais que o movimento de Mario Monti, o primeiro-ministro demissionário.
Hoje, Grillo é o personagem político com maior número de seguidores nas redes sociais (2,25 milhões de seguidores), cinco vezes mais que o premiê britânico, David Cameron.
Carla Ruocco: "Nossos eleitores estão cansados de corrupção e simplesmente abandonaram os partidos tradicionais" (Foto: Movimentolazio.org)
Carla Ruocco: "Nossos eleitores estão cansados de corrupção e simplesmente abandonaram os partidos tradicionais" (Foto: Movimentolazio.org)
A lista de nomes do grupo é um espelho de uma geração que, até hoje, não havia conhecido a crise ou cortes sociais. “A guerra de gerações começou. Nossos eleitores estão cansados de corrupção e simplesmente abandonaram os partidos tradicionais”, disse em entrevista ao Estado Carla Ruocco, uma das estrelas do novo movimento.
A sede do movimento contrastava-se ontem com a dos partidos tradicionais. Jovens circulando sem os ternos bem cortados dos políticos tradicionais italianos. O poder financeiro também se contrastava. Enquanto o grupo montou seu quartel-general em um hotel de 3 estrelas de Roma, o Partido Democrático alugou um palacete.
“Justamente o custo da política é algo que precisamos arrumar”, disse Carla. “Hoje, políticos italianos gastam uma fábula e têm salários estratosféricos. Nossa primeira proposta no Parlamento será cortar os salários dos deputados e senadores”, afirmou. “Queremos também o fim de vários governos provinciais, a redução no número de deputados e mesmo a união de municípios”, acrescentou.
Questionada sobre se achava que o futuro da Itália estava em suas mãos, ela não fugiu à responsabilidade.
“Não temos nas mãos o futuro da Itália, queremos é dar um futuro para esse país. Tenho um filho de 8 anos e outro de 6″, disse. “Quero ajudar a dar um futuro para eles, num país meritocrático e transparente.”
“A classe política na Itália frustrou milhões de pessoas por anos e já não mais representava os cidadãos. Passaram a estar distantes da sociedade e nossa vitória faz bem a todos, na Itália e na Europa”, declarou Alberto Di Battisti, outro jovem deputado eleito. “Os partidos tradicionais receberam um duro recado: ou mudam ou vão desaparecer.”
Apesar da euforia, não faltavam perguntas sem respostas no movimento. Sobre o fato de terem se tornado da noite para o dia na força que poderia permitir a formação de um governo, Carla Ruocco deixa a porta aberta. “Temos um programa detalhado que é para colocar no centro o cidadão”, disse. “Vamos conversar com todos. Mas estamos determinados a manter tudo o que prometemos na campanha”, insistiu.
Na prática, ninguém sabe o que isso quer dizer.
Muitos dos deputados eleitos jamais conheceram Grillo. Poucos sabem como farão para aumentar aposentadorias e seguro-desemprego, como prometeram, nem como encontrarão dinheiro para nacionalizar bancos falidos ou financiar o projeto ambiental que defendem. Mas, por enquanto, a ordem é a de demonstrar força.

27 fevereiro 2013

Lya Luft: Como deve ser uma boa escola — dever de todos os governos


A boa escola na visão de Lya Luft (Foto: Ajari)
Lya Luft: "Tem de existir escolas para todas as crianças, em todas as comunidades, as mais remotas, com qualidades básicas: não ultrapassar o número de alunos bem acomodados, e que eles não tenham de se locomover para muito longe; instalações dignas, que vão das mesas às paredes, telhado, pátio para diversão e recreio, lugar para exercício físico e esportes (...)" (Foto: Ajari)
Artigo publicado na edição de VEJA que está nas bancas
A BOA ESCOLA
Meu brilhante colega Gustavo Ioschpe, uma das mais lúcidas vozes no que diz respeito à educação, escreveu sobre o que é um bom professor. Eu já começava este artigo sobre o que acho que deva ser uma boa escola, então aqui vai.
Lya Luft
Lya Luft
Primeiro, a escola tem de existir. No Brasil há incrivelmente poucas escolas em relação à necessidade real.
Tem de existir escolas para todas as crianças, em todas as comunidades, as mais remotas, com qualidades básicas: não ultrapassar o número de alunos bem acomodados, e que eles não tenham de se locomover para muito longe; instalações dignas, que vão das mesas as paredes, telhado, pátio para diversão e recreio, lugar para exercício físico e esportes; instalações sanitárias decentes, cozinha para alimentar os que não comem suficientemente em casa; alguém com experiência médica ou de enfermagem para atender os que precisarem.
Em cada sala de aula, naturalmente, uma boa prateleira com livros sem dúvida doados pelos governos federal, estadual, municipal. E que ali se ensine bem o essencial: aritmética, bom uso da linguagem, noções de história e geografia para que saibam quem são e onde no mundo se situam.
Falei até aqui apenas de ensino elementar em escolas menos privilegiadas economicamente. Em comunidades mais resolvidas nesse sentido, tudo isso não será apenas bom, mas excelente, desde a parte material até professores muito bem preparados que sejam bem exigidos e bem pagos.
No chamado segundo grau, além de livros, quem sabe computadores, mas – ainda que escandalizando alguns – creio que esses objetos maravilhosos, que eu mesma uso constantemente, não substituem um bom professor. E que, nesse degrau da vida, todos sejam preparados para a universidade, desde que queiram e possam.
Pois nem todos querem uma carreira universitária, nem todos têm capacidade para isso: para eles, excelentes Escolas Técnicas, depois das quais podem ter mais ganho financeiro do que a maioria dos profissionais liberais.
Professores com mestrado e se possível doutorado, diretores que conheçam administração, psicólogos que conheçam psicologia, todos com saber e postura que os alunos respeitem a fim de que possam aprender.
Finalmente a universidade, que enganosamente se julga ser o único destino digno de todo mundo (já mencionei acima os cursos técnicos cada dia melhores e mais especializados). Universidade precisa existir, mas não na abundância das escolas elementares.
É incompreensível e desastrosa a multiplicação de faculdades de medicina, por exemplo, cujas falhas terão efeitos dramáticos sobre vidas humanas. Temos pelo país muitas onde alunos não estudam anatomia, pois não há biotério, não têm aulas práticas, pois não há hospital-escola. Essa é uma realidade assustadora, mas bastante comum, que, parece, se tenta corrigir.
Dessas pseudofaculdades sairão alunos reprovados nas essenciais provas do CRM, mas que eventualmente vão trabalhar sem condição de atender pacientes. Faculdades de direito pululam pelo país, sem professores habilitados, sem boas bibliotecas, formando advogados que nem escrever razoavelmente conseguem, além de desconhecer as leis – e reprovados aos magotes nas importantíssimas provas da OAB.
"Professor não é sacerdote nem faquir" (Foto: Pedro Mota)
"Professor não é sacerdote nem faquir" (Foto: Pedro Mota)
Coisa semelhante aconteceria com faculdades de engenharia mal preparadas, se existirem, de onde precisam sair profissionais que garantam segurança em obras diversas, de edifícios, casas, estradas, pontes.
Vejam que aqui comentei apenas alguns dos inúmeros cursos existentes, muitos com excelente nível, mas não se ignorem os que não têm condições de funcionar, e mesmo assim… existem. Em todas essas fases, segundo cada nível, incluam-se professores bem preparados, muito dedicados, e decentemente pagos – professor não é sacerdote nem faquir.
O que aqui escrevo é mero, simples, bom-senso. Todos têm direito de receber a educação que os coloque no mundo sabendo ler, escrever, pensar, calcular, tendo ideia do que são e onde se encontram, e podendo aspirar a crescer mais.
Isso é dever de todos os governos. E é nosso dever esperar isso deles.

Entenda as diferenças entre os cursos universitários nos EUA

Cláudia Emi Izumi - UOL Educação - 27/02/2013 - São Paulo, SP
A pesquisa que antecede a entrada em um curso superior nos Estados Unidos pode ficar confusa se o estudante não conhece a terminologia acadêmica. Um exemplo é o `undergraduate education`. Ao contrário do que parece sugerir, o termo se refere à graduação.
O ensino superior americano é estruturado de uma forma diferente do sistema de ensino brasileiro.
Confira os principais termos
Associate degree – Termo para quem termina um community college (faculdade comunitária), com dois anos de duração e ênfase no mercado de trabalho. O diploma não tem validade no Brasil. Ele pode ser, porém, uma opção para entrar em uma universidade americana, pois os anos no community college podem ser abatidos na universidade e esta, por sua vez, pode ter o diploma reconhecido no Brasil.
Bachelor’s degree ou baccalaureate – Os dois se referem a `bacharelado`.
Double major ou dual program – É uma graduação dupla, no qual o estudante se forma em duas áreas de `major` em um único curso. Nem todas as universidades americanas oferecem essa possibilidade.
Graduate education ou postgraduate education – São os cursos de pós-graduação. Nesta categoria se encaixam mestrados, doutorados e MBAs.
Honor degree – São cursos de graduação com aulas e ritmo de estudo mais intensos que a graduação tradicional. Geralmente as vagas são preenchidas por alunos considerados de excelência.
Major – É um dos nomes para graduação, mas frequentemente mais usado quando o curso já foi concluído. O minor, que também costuma ser citado, é a área de estudo secundária. Você pode ter um `major` em história e um `minor` em estudos asiáticos, por exemplo.
Master’s degree – É o mestrado.
PhD – É o título de quem concluiu um doutorado. Originalmente, significa `doutor em filosofia` (`doctor of Phylosophy`), mas não se limita a esse campo do conhecimento.
Undergraduate education – São os cursos de graduação.

26 fevereiro 2013

UFAM REPROVADA PELA CGU




Foi noticiado pelo jornal Diário do Amazonas no último dia 15 que a Ufam não passou no teste da transparência em sua gestão.
Segundo aquele periódico, foram detectadas 33 impropriedades pela Controladoria Geral da União (órgão responsável pela auditoria interna dos órgãos da União) em inspeção feita na Ufam.
Algumas dessas falhas de gestão deu-se nos processos licitatórios, ou seja, no início do processo de aquisição (de bens, obras e serviços), tais como “restringir a preferência por produtos de uma única marca; (...) pagar valor acima do praticado no mercado; (...) e realizar ‘pesquisa de preços’ com uma única empresa”, bem como “identificou uma lista de ‘restos a pagar’ em diversas notas de empenho QUITADAS (dadas como liquidadas, isto é, concluídas em suas etapas para pagamento) que somadas chegam ao valor próximo de R$ 700 mil”, dentre outras irregularidades.
O que nos deixa preocupados com esse tipo de notícia é que coloca a Ufam no mesmo saco-de-gatos (ou seria de ratos?) que os demais órgãos públicos, ou seja, carente dos mínimos cuidados de zelo pela “coisa pública”, sem a menor preocupação com a sua imagem institucional.
Pior, no entanto, é consierar isso normal. Não, isso não é normal! Na verdade, isso é extremamente grave, pois uma Instituição que tem o dever de ensinar, de preparar, gestores dotados de conhecimentos e de técnicas corretas, dentro da legalidade, tanto na iniciativa privada quanto na administração pública, não poderia ser pega justamente cometendo práticas desonestas, ferindo os princípios constitucionais da Administração.
Deveria, isto sim, ser tida como também praticante daquilo que ensina, praticante das regras que toda a sociedade aplaude, praticante de procedimentos austeros com os dinheiros públicos e nunca de práticas “condenáveis” seja pela CGU, seja pelo TCU.
Isso demonstra para toda a sociedade que, infelizmente, “o nosso maior patrimônio” também padece dos mesmos males que o restante daqueles que não tem o menor cuidado com o dinheiro público, passa uma imagem de que seus dirigentes não são em nada diferentes daqueles que, por ignorância (o que é grave em uma academia), desonestidade ou má fé, repete as mesmas práticas que os demais dirigentes de órgãos públicos.
A licitação é um procedimento legal que permite aos órgaos públicos contratar fornecedores de maneira isonômica, mas o que se vêem todos os dias são “dispensas de licitação” para favorecer os amigos dos dirigentes de plantão. Prefeitos que assumiram recentemente os cargos alardeiam “estado de calamidade” (o que pode ser verdadeiro em face da ladroagem e incúria a que estão submetidas as administrações municipais), para então decretarem a “dispensa” do processo licitatório e assim contratar os amigos. A “coisa pública” passa a ser uma “ação entre amigos”.
Tanto quanto a “dispensa” pura e simples de licitação, são odiosas as trapaças formais para direcionar nos editais o fornecedor de determinado produto, obra ou serviço, exigindo “qualidades” que somente um deles pode apresentar.
Superfaturar compras, obras e serviços, então, virou quase “regra” nos tristes dias nos quais vivemos, em que os governos de plantão vivem qualhados de demagogos, incompetentes e desonestos. A própria Policia Federal detectou que o superfaturamento se incia no próprio Diário Oficial quando publica decretos e portarias de “registro de preços” JÁ SUPERFATURADOS, nos quais se baseiam os orçamentos apresentados nos Projetos Básicos que instruem os processo licitatórios.
Poderíamos elencar aqui milhares de exemplos de malversação de dinheiros público, mas esse assunto já estão tão presente nos meios de comunicaçõe que se tornararm objeto de fadiga, o que leva a apatia, o pior, a leniência com práticas nefastas para o Estado brasileiro.
Ontem o jornal "a Crítica" noticiou que a Ufam também é "campeã em gastos com viagens". Teria se tornado uma espécie de, como posso chamar?, UfamTur... Realmente, gastar algo como R$ 700 mil reais com viagens não é fácil de explicar mesmo para uma Instituição do tamanho da Ufam.
Aguardamos uma resposta firme da atual reitora, que está em franca campanha continuista...