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20 fevereiro 2014

VENEZUELA: Em nome do DEM, senador Agripino cobra posição do governo Dilma

Do blog de Ricardo Setti (Veja. com):
senador José Agripino (DEM-RN) (Foto: Ag. Senado)
Senador José Agripino, presidente do DEM: governo brasileiro precisa defender a paz e os direitos humanos na Venezuela (Foto: Agência Senado)
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O senador José Agripino (DEM-RN), um dos principais líderes da oposição no Congresso e presidente do DEM, reclamou hoje uma posição do governo brasileiro frente à situação de violência e caos vivida pela Venezuela, com o governo Maduro reprimindo com dureza os protestos de centenas de milhares de cidadãos.
“Os conflitos vividos neste momento pela sociedade venezuelana afligem e inquietam as nações democráticas no mundo inteiro”, manifestou-se Agripino, em nota em nome do partido. “O Brasil exerce natural papel de liderança na América do Sul. E, em assim sendo, impõe-se que o governo brasileiro, sem ideologias que não sejam a defesa da paz e o respeito aos direitos humanos, se posicione de modo a contribuir para o fim de um estado de beligerância de conseqüências imprevisíveis”.

Dilma é uma atrapalhada além de azarada

AZARADA
Escrito por 
Uma coisa a gente precisa admitir: a presidente Dilma é azarada. Bem ao contrário do sortudo presidente Lula.
É verdade que Dilma fez escolhas que se mostraram equivocadas, como a tentativa de crescer via consumo e as intervenções nos juros, nos preços, no sistema elétrico. Mas não é menos verdade que o ambiente foi desfavorável.
          Se FHC, também azarado,  havia padecido com as sucessivas crises dos emergentes (México 94, Coréia 97, Rússia 98), Lula assumiu a presidência em 2003, quando o mundo todo exibia um crescimento exuberante. E, especialmente, no momento de máxima aceleração da China, o que turbinou nossas exportações e trouxe uma enxurrada de dólares para o país. Pela primeira vez na história, o Brasil teve sobra de dólares. 
         Caiu do céu. Do céu internacional e do agronegócio, sempre tão hostilizado pelo PT. Pois foi o agronegócio que trouxe a maior parte dos dólares. 
         Lula também usufruiu dos benefícios da estabilização monetária, iniciada com o Real em 1994 e consolidada no início de seu governo, o que permitiu a volta do crédito, turbina do consumo. 
         Verdade que veio a crise financeira dos EUA (2009). Mas, como todos os demais emergentes, o Brasil estava mais preparado, em razão mesmo das reservas de dólares. 
         E se FHC havia sofrido com a maior seca da história, Lula ganhou períodos generosamente chuvosos. Verdade que houve enchentes e alagamentos, mas o apagão teria sido pior. 
         E por falar em azar, Dilma está apanhando uma seca parecida com a de FHC. A presidente também apanhou com os efeitos da crise financeira. Primeiro, pegou recessão nos países desenvolvidos e quando estes começaram a se levantar, os emergentes, e especialmente a China, desaceleraram. O comércio externo virou, dos superávits enormes, para um déficit real. 
         O Fed, banco central dos EUA, primeiro, inundou o mundo de dólares baratos, forçando a valorização das moedas emergentes; agora, está retirando dólares, forçando desvalorizações - e inflação. 
         Os efeitos da estabilização monetária e da volta do crédito se esgotaram. E os truques da era Lula, como a falsa capitalização da Petrobrás ou a equivocada aliança Sul-Sul,  começaram a mostrar seus efeitos negativos. 
         O Brasil e os emergentes em geral, de queridinhos, viraram fonte de instabilidades. 
         Só falta Dilma perder a Copa. 
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 Com racionamento?
De uma entrevista na CBN (quarta-feira) com o engenheiro Mário Veiga, presidente da consultoria PSR, e um dos mas respeitados especialistas no setor elétrico: 
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. Há um risco de racionamento de 18,5%; racionamento, no caso, quer dizer, falta de mais de 4% da demanda por energia, algo equivalente a deixar sem luz 12 milhões de residências; 
. Embora seja verdade que, por oposição, há uma chance de 81,5% de não ocorrer racionamento, o risco de 18,5% é muito elevado para os padrões do sistema; 
. O problema não decorre da atual seca, nem do excesso de demanda; o sistema vem dando sinais de dificuldades há anos; 
. Não é o caso de se recorrer agora a um racionamento preventivo; dá para esperar até abril, ou seja, até o final do período de chuvas; pode ser que São Pedro ajude; mas um racionamento é uma complexa operação, que não pode ser improvisada; ou seja, deveria estar sendo preparada; 
. Há óbvios atrasos na entrada em operação de usinas e sistema de distribuição; 
. Há problemas estruturais; não se pode dizer que está tudo em ordem quando o sistema está usando todas as termoelétricas (espécie de seguro) e quando as usou mesmo em tempos de chuva; 
. Os últimos anos mostram também uma série de trapalhadas do governo, que deixaram distribuidoras sem energia contratada, obrigando-as a recorrer ao mercado livre, pagando preços muito mais elevados (hoje, de R$ 1.700/megawatt/hora); 
. O prejuízo tem que ser pago pelo Tesouro (pelo contribuinte brasileiro) ou pelo consumidor, na tarifa, já que a culpa do desequilíbrio financeiro não é das distribuidoras, nem das demais empresas do setor. 
. Simplificando, e sem contar os rombos do ano passado, o Tesouro teria que repassar, em 2014, cerca de R$ 24,5 bilhões; ou aplicar um aumento de tarifas de 24%. 
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Eis, portanto, o dilema da presidente Dilma: aumentar o gasto público -e prejudicar a realização do superávit primário, num ambiente de desconfiança com as contas do governo - ou elevar tarifas, com forte impacto numa inflação já alta, isso exigindo juros mais altos - tudo com prejuízo político. 
Uma bela enrascada - trapalhadas em cima de azar.

O PAC da Ilha da Fantasia

Editorial doO Estado de S.Paulodesta quinta-feira:
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Foi mais um espetáculo digno da Ilha da Fantasia, também conhecida como Brasília, capital do menos dinâmico dos países emergentes. O Brasil cresceu no ano passado mais que em 2012 e deverá crescer ainda mais neste ano, proclamou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao apresentar com sua colega do Planejamento, Miriam Belchior, mais um balanço triunfal do PAC 2, a segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento. Em 2012 a economia brasileira cresceu apenas 1% e o desempenho no ano passado, tudo indica, ficou longe de brilhante, mas o ministro dispensou esses detalhes. Em seu mundo, muito diferente e muito distante dessas ninharias, os problemas do Brasil vieram todos de fora, na pior fase da crise global. E agora? Com a recuperação dos Estados Unidos e do mundo rico, problemas continuarão sendo importados, porque os estímulos monetários americanos serão reduzidos e os mercados financeiros serão afetados. Em resumo, ruim com crise, ruim sem crise.
Mas o País conseguirá atravessar essa fase sem grandes danos, graças à solidez das contas públicas e à sua saúde econômica, garantiu o ministro da Fazenda. Ninguém sabe ainda quanto cresceu no ano passado o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. As estimativas mais otimistas são próximas de 2,3%. Para este ano, a última projeção do mercado financeiro é um resultado pior, de 1,79%. Talvez os dois ministros tenham tido a esperança de criar, com seu alegre dueto, um pouco mais de otimismo entre os economistas do mercado e, especialmente, entre os avaliadores de risco de crédito, ultimamente mal-humorados em relação ao País.
A mensagem teria sido mais convincente se tivessem apresentado uma boa meta fiscal para este ano - de tamanho razoável e com detalhes críveis de execução orçamentária -, mas o assunto foi evitado. Nem sequer, segundo o ministro da Fazenda, se havia resolvido como cuidar do aumento de custo da energia elétrica, um provável fato de aumento do gasto do Tesouro nos próximos meses.
Mantega e Belchior preferiram concentrar-se na enumeração dos avanços do PAC. Mas, como em todos os balanços anteriores, a retórica oficial foi muito mais impressionante que os detalhes da execução. Segundo o relatório, foram investidos no programa R$ 773,4 bilhões entre 2011 e 2013. Esse valor corresponde a 76,1% do total previsto para aplicação até o fim de 2014. Segundo a ministra do Planejamento, a execução está adiantada, porque essa porcentagem é superior à do período transcorrido (75%). Mas o quadro é muito menos bonito quando visto mais de perto.
Mais uma vez a maior fatia do dinheiro foi destinada ao setor habitacional. Foram destinados ao programa Minha Casa, Minha Vida R$ 328,1 bilhões. Isso corresponde a 42,42% dos R$ 773,4 bilhões empregados até o fim de 2013. O PAC, portanto, continua sendo principalmente um grande programa de construção habitacional - uma atividade com reflexos na manutenção do emprego a curto prazo, mas com efeito muito limitado na eliminação dos principais obstáculos ao crescimento, como as deficiências no setor de transporte e na área de energia.
Mas o detalhe fica um pouco mais feio quando se decompõe o valor registrado como investimento em habitação. A maior parte desse dinheiro, R$ 253,8 bilhões, corresponde a financiamentos. Falta esclarecer quanto desse valor foi efetivamente destinado a habitações novas.
No eixo de transportes, um dos mais importantes para a política de desenvolvimento econômico, foram aplicados R$ 43,8 bilhões, destinados a 3.080 quilômetros de rodovias concluídos em todo o País. O relatório registra obras em andamento em 6.915 quilômetros de estradas. A soma das duas parcelas - a concluída e aquela ainda em execução - dá 9.995 quilômetros. Só se terminou, portanto, uma fração correspondente a 30,81% das obras iniciadas no setor rodoviário. Isto é apenas mais um dos muitos pormenores feios do balanço. O conjunto reforça uma velha suspeita, renovada a cada balanço: mais que um nome de fantasia, Programa de Aceleração do Crescimento é um nome fantasioso. Não é programa nem acelera crescimento nenhum.

O Brasil no rumo de uma ditadura civil do PT...

Publicado no blog de Augusto Nunes em Veja.com:
‘Nêumanne: Para onde íamos e aonde chegamos’, um artigo de Deonísio da Silva
DEONÍSIO DA SILVA
A demissão do jornalista e escritor José Nêumanne Pinto do SBT convoca-nos a um momento de reflexão muito pertinente.
Talvez tenha sido um passo decisivo no rumo de uma aliança que tem tudo para dar errado: a submissão ao poder de uma fatia relevante da mídia.
Quem trabalha na mídia ou a ela comparece eventualmente com artigos esporádicos, pode atestar o que digo: semana, sim, semana também, vinham telefonemas, mensagens, dossiês, recortes, excertos de áudios e vídeos, enfim um catatau convidando os destinatários a ajudar os remetentes de tão graves denúncias, repercutindo-as.
Mas pouco a pouco as coisas começaram a mudar. Iniciava-se a construção de um mundo estranho entre os intelectuais, que começava por indulgências plenárias a figuras referenciais que tinham, depois de anos de oposição, chegado ao poder!
Aqueles jornalistas e outros intelectuais que antes eram procurados para receber, não apenas denúncias, mas também calúnias, que pouco a pouco começaram a detectar, passaram a sofrer execrável clivagem. Se não repercutissem, estavam traindo os destinatários, mas muito pior ainda se escrevessem contra os interesses dos remetentes!
Aos poucos, como se combatessem um perigoso vírus, passaram a isolar os recalcitrantes, os indiferentes e principalmente aqueles que, por sua altivez e independência, jamais se tinham curvado a governo algum, nem sequer nos tempos ditatoriais!
Os detalhes me fascinam. Gosto de apreciar o que eles revelam e escondem. Profissionais de Letras, muitos deles habitualmente engajados nessas absolvições a Lula, criticaram asperamente FHC porque ele errou a pronúncia, não a escrita, de UMA palavra! Um ex-senador e ex-ministro dos tempos da ditadura foi atacado furiosamente porque errou a concordância verbal de um sujeito da oração, daqueles que são eles mesmos uma armadilha, coisa que não são em outras línguas. Exemplo: no Português “o povo” requer o verbo no singular, mas o  Inglês “the people” requer o verbo no plural. Dali a dizer ao distinto público e a vender ao governo milhares de exemplares de um livro que absolvia a falta de concordância nominal e a sua companheira inseparável, a concordância verbal, foi um pulinho. Logo “nóis pega o peixe” constituía-se em paradigma emblemático da novilíngua.
Aonde chegamos? Se você é um intelectual capaz de ler os fatos à luz da História, e não ao pálido lume das lamparinas do tempo que dura um mandato, já é de per si um suspeito. (Para melhor definição de “suspeito” e “suposto”, em outros sentidos, ver artigos postados recentemente no blog do audaz jornalista e talentoso romancista Moacir Japiassu).
Ainda que você reconheça figuras admiráveis tentando sinceramente acertar no poder federal, se não deixar de criticar as safadezas de outros, já é, mais do que “suspeito”, culpado! E alguém a ser evitado!
Penso que a demissão de José Nêumanne Pinto do SBT é um sinal dos tempos muito preocupante. Ela se dá por motivos inconfessáveis e por enquanto ele apenas trocou de emissora. Mas quando estiver “tudo dominado”, daí, sim, os ovos da serpente terão descascado, e os filhotes logo saberão o que fazer. O que? O que as cobras criadas vêm tentando fazer há mais tempo!
Só uma penúltima coisinha a mais: em outros tempos, uma demissão assim gerava um caudal de protestos. Agora, não. Porque estão caladinhos aqueles que ontem vociferavam. Eles agora só vociferam a favor! E nisto também se enganam, pois “o silêncio é aquilo que se diz naquilo que se cala”, lição que aprendi de um querido professor.
Portanto, é forçoso reconhecer neles uma vitória parcial que, se for total, colocará o Brasil no rumo aonde já chegaram Argentina e Venezuela. O Brasil dá indícios de caminhar naquela direção. Dependerá de nós que esta via seja interrompida, alterada ou excluída da rota, pois sabemos que isso termina em tragédias! As democracias se apoiam em liberdades, sendo a da imprensa fundamental. E a liberdade é o direito que os outros têm  de serem contra nós, sem que sofram punição alguma por isso, respeitadas as leis.
E a última coisa a ponderar é: quem censura, tem medo. E no caso é bom perguntar: tem medo de quê? Aqueles que se comportam como Nêumanne inspiram medo ao poder. Mas se inspiram medo verdadeiramente, é porque é fraco esse poder. Ou se considera fraco. Em democracias como a dos EUA, falar mal do governo é tão trivial que no decorrer de séculos soubemos mais dos EUA por seus nacionais do que por seus críticos estrangeiros.
Mas no Brasil, onde tudo parece ao contrário, um partido que se jacta de a próxima eleição estar ganha ainda no primeiro turno, dá indícios que deflagrou alianças que têm o fim de evitar o pior!
E o que é “o pior”? É deixar o poder. Daí, sim, o medo passa a pânico. Mesmo por hipótese, convém indagar os motivos deste pânico. (xx)

19 fevereiro 2014

Mercosul bolivariano...

Editorial do Estadão desta terça-feira:
Após guardar silêncio obsequioso por vários dias, o Mercosul resolveu pronunciar-se a respeito das manifestações na Venezuela, cuja repressão gerou confrontos e resultou na morte de ao menos três pessoas. Em lugar de condenar a violência e de conclamar o governo de Nicolás Maduro a respeitar o direito democrático de protestar, o bloco sul-americano, do qual o Brasil faz parte, preferiu alinhar-se aos chavistas. Ao escolher um lado, o Mercosul mostra definitivamente que sua diplomacia é refém da ideologia bolivariana, apoiando um governo que violenta a democracia à luz do dia.
Em nota oficial, tão chavista que parece ter sido da lavra do próprio Maduro, os integrantes do Mercosul criticam as "tentativas de desestabilizar a ordem democrática" - uma clara alusão aos manifestantes. A referência é ainda mais explícita quando o bloco diz rejeitar "as ações criminosas de grupos violentos que querem espalhar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela como uma ferramenta política".
Por fim, os parceiros de Maduro "expressam seu mais forte rechaço às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular" - uma acusação explícita de golpismo. A solução, segundo a nota, seria "aprofundar o diálogo sobre as questões nacionais, dentro do quadro das instituições democráticas e do Estado de Direito, como tem sido promovido pelo presidente Nicolás Maduro nas últimas semanas". O Mercosul pretende fazer crer, portanto, que Maduro - aquele que chama os manifestantes de "fascistas" e "golpistas" - quer mesmo dialogar.
Para completar a pantomima, a nota expressa a "posição firme na defesa e preservação das instituições democráticas" e invoca o "compromisso democrático do Mercosul", sem que haja uma única referência às violações cometidas pelo governo.
Compare-se esse comunicado com o emitido pela União Europeia (UE) sobre o mesmo assunto. Além de ter sido divulgada dois dias antes, a nota da UE pede calma a representantes de toda a sociedade, "tanto em seus atos quanto em suas declarações", e reafirma o princípio de que "a liberdade de expressão e o direito de participar de manifestações pacíficas são essenciais" - ponderação ausente na nota do Mercosul, que praticamente criminaliza os manifestantes. Por fim, a UE "faz um apelo às autoridades da Venezuela para que estendam a mão a todos os setores da sociedade" - isto é, considera que a iniciativa do diálogo deve partir de quem detém o poder.
Esperar que o governo venezuelano resolva dialogar com a oposição, no entanto, é ingênuo. Há 15 anos no poder, os chavistas não apenas construíram uma ampla estrutura de controle do Estado, como também montaram um sistema de defesa paraestatal, armando milícias nas regiões mais populosas da Venezuela. Movidos pela retórica patriótica e socialista, os chavistas não estão interessados no diálogo - ao contrário, é o confronto que eles desejam, para legitimar o regime de exceção que se está consolidando no país.
Não surpreende, assim, que se multipliquem as denúncias de arbitrariedades cometidas por agentes do governo contra os manifestantes - a maioria dos quais estudantes que protestavam contra a insuportável situação do país, com inflação galopante, escassez de produtos básicos e criminalidade fora de controle. Há relatos de prisões arbitrárias, de ataques das milícias chavistas e de tortura de presos.
Diante disso, as redes sociais, um dos poucos espaços ainda livres no país, vinham ecoando críticas ao silêncio do Mercosul, incitando o Brasil a fazer uso de sua importância regional para pressionar Maduro a interromper a violência. É possível imaginar agora a decepção desses oposicionistas.
O Mercosul considera a Venezuela uma democracia plena - como se a mera realização de eleições fosse suficiente para comprovar a saúde institucional do país. No entanto, se ainda resta algo do espírito democrático na Venezuela, ele não está nas envenenadas instituições, e sim nas ruas, com os estudantes que, corajosamente, desafiam a máquina repressiva chavista para expressar seu descontentamento.

12 fevereiro 2014

IDEIAS PARA AJUDAR O PREFEITO ARTHUR NETO (5)

De novo...
Sugiro ao prefeito que elimine a conversão dos veículos que vem do Japiim pelo v-8 (na verdade é assim que o povo ainda denomina a via), passando por baixo da passagem de nível da bola do Coroado (complexo Gilberto Mestrinho), proibindo assim a entrada destes à direita na Av. das Torres.
Para tanto, basta alongar a mureta que protege na subida da rampa (sentido Zona Leste e Japiim, à esquerda) por meio de dentes-de-dragão forçando esses veículos (que vem do Japiim) a seguirem em frente, rumo ao Detran. Na verdade isso forçaria aos mesmos a acessarem a Av. das Torres seguindo pela rotatória e não passando por baixo rumo ao Detran.
Assim, quanto àqueles veículos que vêm do Japiim ou da Zona Leste e querem acessar a Av. das Torres (governador Lindoso), os mesmos deveriam ou seguir em frente rumo ao Detran, ou devem ser forçados a acessarem a rotatória do mesmo complexo, à direita e em frente (para os que vêm do Japiim) ou, como já é, pela alça à direita para quem vem da Zona Leste. Na verdade, para estes já existe a entrada antes da concessionária Murano que justamente dá acesso à Av. das Torres. Ali deveria existir uma placa com os dizeres "Acesso à Av. das Torres" a fim de orientar melhor os motoristas.
Isso desafogaria o congestionamento ali na bola do Coroado.
Confuso? Hum, hum. Mais confuso é o trânsito de Manaus...
Pense nisso, prefeito!

11 fevereiro 2014

‘PT não gosta do Judiciário independente’, um texto de Marco Antonio Villa

Publicado no blog de Marco Antonio Villa
O Partido dos Trabalhadores, que teve suas lideranças históricas condenadas no processo do mensalão, é incansável. Quer porque quer desmoralizar o Supremo Tribunal Federal. O PT não gosta do Judiciário independente. O partido fez de tudo para dificultar o andamento da Ação Penal 470. Pressionou ministros e insinuou até chantagem. Depois desqualificou as condenações. E transformou as prisões em espetáculo de “resistência”. Em seguida, forjou convites fantasiosos de trabalho desacreditando os postulados do regime semiaberto. Deu — para o bem da democracia — tudo errado.
O alvo seguinte foi o presidente do STF, o ministro Joaquim Barbosa. É o mais odiado pelos marginais do poder, feliz expressão do ministro Celso de Mello. Desde 2012 sofre ataque cerrado dos petistas e dos seus aliados, dos blogs sujos que infestam a internet — e que são financiados com dinheiro público. É injuriado e caluniado sistematicamente pelo Ministério da Verdade petista.
Recentemente, Barbosa passou por mais uma situação extremamente constrangedora, quando da abertura dos trabalhos legislativos. E a ofensiva continua: no último sábado, o ex-presidente Lula, com a grosseria habitual, voltou a atacá-lo. O sinhozinho de São Bernardo do Campo não perdoa a independência do ministro Barbosa. Mais ainda: sonha que o STF seja uma repartição do Palácio do Planalto, uma espécie de Suprema Corte ao estilo cubano.
Para os policiais da verdade, o ministro Barbosa não pode tirar férias. Quando o fez, teve os repórteres nos seus calcanhares. Privacidade, zero. E até com certa ironia foram descritos os presentes que comprou em Paris. No fundo estava implícito que negro brasileiro deveria levar daqui um berimbau (e por que não um pandeiro?). É o velho racismo cordial, tão nosso como a jabuticaba.
Os petistas e seus sequazes aproveitaram o momento para desviar a atenção pública dos crimes cometidos pelos apenados. Construíram uma versão de que eram inocentes e que estavam sendo perseguidos por Barbosa. Como se o processo do mensalão e as condenações fossem da sua exclusiva responsabilidade. Como se os seus substitutos legais na presidência não pudessem dar andamento às decisões de rotina da Ação Penal 470.
Dias depois o foco foi dirigido ao ex-deputado João Paulo Cunha. Deu diversas entrevistas, atacou o tribunal, principalmente, claro, o ministro Barbosa. O sentenciado chegou a promover almoço em frente ao prédio da Suprema Corte. Fez de tudo para achincalhar o STF.
Mas os petistas são insaciáveis: agora tentam desqualificar o cumprimento de uma das penas — a de multa. Muito citado durante o julgamento do mensalão, o jurista Claus Roxin defende que não “se pode aprender a viver em liberdade e respeitando a lei, através da supressão da liberdade; a perda do posto de trabalho e a separação da família, que decorrem da privação de liberdade, possuem ainda maiores efeitos dessocializadores. O desenvolvimento político-criminal deve, portanto, afastar-se ainda mais da pena privativa de liberdade. Em seu lugar teremos, principalmente, a pena de multa, e é em especial no seu uso que reside a tendência à suavização de que falei acima (Estudos de Direito Penal, Renovar, 2008, pp.18-19)”.
Portanto, multa é uma pena. No caso da liderança petista, a pena de multa foi acrescida à privação da liberdade. Assim, neste caso, uma não está dissociada da outra. A nossa Constituição é muito clara quando determina que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado” (artigo 5º, XLV) e a multa é uma das formas da individualização da pena (artigo 5º, XLVI,c). E, no Código Penal, o valor da multa está vinculado às condições econômicas do réu.
A “vaquinha” patrocinada pelos petistas e seus asseclas violou explicitamente a decisão do STF, a Constituição e o Código Penal. É absolutamente ilegal. Os petistas saudaram como uma manifestação de solidariedade. Até aí, nenhum problema. Afinal, o respeito ao ordenamento jurídico nunca foi uma característica do PT. O mais terrível foi encontrar até um ex-presidente do STF respaldando esta chicana. E mais: os ministros da Suprema Corte silenciaram — ou quando se pronunciaram foi sobre a forma da doação, que é importante, mas marginal frente à gravidade da questão central.
Contudo, nem sempre é possível controlar todas as variáveis de um projeto criminoso de poder, outra feliz expressão do decano do STF. Henrique Pizzolatto percebeu ─ ainda na fase processual ─ que tinha sido jogado ao mar pela liderança petista. Logo ele, o homem de 73 milhões de reais. Não quis representar o papel de mordomo, como nas velhas tramas cinematográficas. Resolveu com seus próprios meios fugir do país. Foi preso. Sabe muito. Deve ter medo, principalmente se recordar os acontecimentos de Santo André.
Vale destacar que foram os milionários desvios do fundo Visanet, oriundos do Banco do Brasil, a principal fonte de recursos do mensalão, como ficou comprovado no julgamento. Sem este dinheiro, não teria havido a compra de apoio parlamentar. E quem foi o organizador deste peculato? Henrique Pizzolatto. Mas teve a colaboração de comparsas, como é possível constatar no relatório final da CPMI dos Correios, e que não foram indiciados pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza, em 2007.
O governo brasileiro, obviamente, prefere que Pizzolato permaneça na Itália. O pedido de extradição é para inglês ver. Hoje, ele é o elo mais fraco entre os sentenciados petistas. E se romper com a lei da omertà poderá ser o homem-bomba da campanha presidencial.

Bandidos é o que eles são

O Estado de S.Paulo (Editorial desta terça-feira):
Os poucos que ainda se iludiam com os black blocs - por ingenuidade ou recusa teimosa de abrir os olhos para a realidade, sabe-se lá por que - agora não têm mais desculpa. O artefato explosivo que atingiu na cabeça e matou o cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, lançado por dois integrantes desse grupo, durante manifestação no Rio de Janeiro contra o aumento da tarifa de ônibus, na última quinta-feira, é a trágica demonstração de que os black blocs não passam de perigosos delinquentes que se disfarçam de adeptos de um vago e confuso anarquismo.
As cenas gravadas por amadores - e a mais reveladora delas por uma rede de televisão russa - documentaram com precisão o ataque covarde de que foi vítima Santiago Andrade, que estava ali fazendo o seu trabalho. Além de correrem o mundo, mostrando a verdadeira face dos vândalos que se apropriaram das manifestações de protesto, elas permitiram à polícia carioca obter dados importantes sobre os dois criminosos.
Um deles, o tatuador Fábio Raposo, de 22 anos - que já tem duas passagens pela polícia -, se entregou na madrugada de sábado. Ele sabia que, por ser mais facilmente identificável que seu cúmplice pelas posições em que foi filmado durante o ato criminoso, logo seria localizado e preso. Sua versão de que apenas entregou o artefato explosivo - sem saber exatamente do que se tratava - a outra pessoa, filmada apenas de costas, que não conhecia e foi quem o acionou, foi considerada "no mínimo fantasiosa" pelo delegado da 17.ª DP, Maurício Luciano, encarregado da investigação do caso. Opinião compartilhada por peritos que analisaram as gravações.
Indiciado como coautor do crime de tentativa de homicídio qualificado com uso de explosivo - acusação que passa a ser de homicídio, depois da morte do cinegrafista, segunda-feira - e por crime de explosão, Raposo se deu conta de que não valia a pena tentar salvar a pele de seu cúmplice e decidiu colaborar com a polícia, pondo fim às versões destinadas a confundir as investigações. Seu advogado prometeu fornecer ao delegado Maurício Luciano a identidade de quem acendeu o pavio do artefato.
Com isso deve se fechar o círculo desse caso, típico do comportamento dos black blocs, cuja violência não tem como alvo apenas o patrimônio público e privado. Eles tratam com total indiferença e desprezo também a vida humana, como fica claro nas cenas em que utilizaram friamente aquele artefato, sabendo quais poderiam ser as suas consequências para quem fosse por ele atingido.
Desde que esse grupo - a essa altura, melhor seria dizer esse bando - se infiltrou nas manifestações iniciadas em junho passado e na prática passou a comandá-las, não faltaram advertências da polícia e das autoridades da área de segurança de vários Estados de que ele tinha de ser tratado de forma diferente, como criminoso que é. As cenas impressionantes, veiculadas pela televisão, dos atos de vandalismo sistematicamente praticados pelos black blocs durante as manifestações, que passaram por isso a não merecer esse nome - com depredação de prédios públicos, sinalização de trânsito, agências bancárias e revendedoras de carros -, sem falar no bloqueio de importantes vias, com reflexo no trânsito já caótico das grandes cidades, deveriam bastar para confirmar o alerta das autoridades.
A verdade é que, por receio de parecerem "repressivas" - mas não é elementar que o crime seja reprimido? - e se prejudicarem politicamente, nem elas se preocuparam seriamente em dar consequência prática à sua constatação, ou seja, tratar os black blocs e seus assemelhados como criminosos que agem em bando, como quadrilha. De político esses grupos nada têm. Não sabem sequer o que é o anarquismo que reivindicam. É pois como bandidos que devem ser tratados. Dar-lhes ares românticos de revoltados é pura irresponsabilidade, que só pode redundar em novos crimes.
A solidariedade que alguns black blocs foram prestar a Fábio Raposo, em frente à 17.ª DP, no Rio, apesar do grave crime por ele cometido, mostra que a arrogância desse bando não tem limites e que é preciso agir com urgência e rigor para colocá-lo na linha.

IDEIAS PARA AJUDAR O PREFEITO ARTHUR NETO (4)

Mais uma vez, vamos lá!
O prefeito deveria mandar fechar os retornos próximos do TJA no Aleixo (Av. André Araújo) , entre as ruas Paulo VI e Gabriel Gonçalves, e forçar os veículos a fazerem um único retorno próximo da "Cidade das crianças" (onde deveria construir uma rotatória), bem como impedir o acesso à esquerda dos veículos que saem daquele conjunto que fica por trás da cidade das crianças, pela rua 6 do mesmo, e forçar o seu fluxo no sentido na Paraíba.

No link do googlemap abaixo (bem desatualizado!) se vê a região de que estou falando:

 Esse trecho se torna um inferno a qualquer hora do dia e muito mais nas primeiras horas da manhã, entre as 11h e 13h, e ao final do dia.
Por hoje é só.

Lei de segurança nacional nessa turma!

Concordo com Reinaldo Azevedo. A Lei de segurança nacional foi, sim, recepcionada pela CF/88 e deve ser aplicada sem cerimônia contra essa corja dos "black blocs".
Transcrevo a parte dessa lei publicada por Reinaldo e que pode - e deve - ser aplicada nesses casos dos quebra-quebras:
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Não existe vazio legal
Não que exista vazio legal. O que existe é prevaricação. Com coragem e com determinação, há muito tempos estes chamados black blocs já teriam encontrado a devida punição. A que me refiro? Ainda está em vigência no Brasil a Lei 7,170, de 1983, que é a Lei de Segurança Nacional. Ela foi recepcionada pela Constituição de 1988. Transcrevo alguns de seus artigos (em azul):
Art. 15 – Praticar sabotagem contra instalações militares, meios de comunicações, meios e vias de transporte, estaleiros, portos, aeroportos, fábricas, usinas, barragem, depósitos e outras instalações congêneres.
Pena: reclusão, de 3 a 10 anos.
§ 1º – Se do fato resulta:
a) lesão corporal grave, a pena aumenta-se até a metade;
b) dano, destruição ou neutralização de meios de defesa ou de segurança; paralisação, total ou parcial, de atividade ou serviços públicos reputados essenciais para a defesa, a segurança ou a economia do País, a pena aumenta-se até o dobro;
c) morte, a pena aumenta-se até o triplo.
§ 2º – Punem-se os atos preparatórios de sabotagem com a pena deste artigo reduzida de dois terços, se o fato não constitui crime mais grave.
Art. 16 – Integrar ou manter associação, partido, comitê, entidade de classe ou grupamento que tenha por objetivo a mudança do regime vigente ou do Estado de Direito, por meios violentos ou com o emprego de grave ameaça.Pena: reclusão, de 1 a 5 anos.
Art. 17 – Tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito.
Pena: reclusão, de 3 a 15 anos.
Parágrafo único.- Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até a metade; se resulta morte, aumenta-se até o dobro.
Art. 18 – Tentar impedir, com emprego de violência ou grave ameaça, o livre exercício de qualquer dos Poderes da União ou dos Estados.
Pena: reclusão, de 2 a 6 anos.
Art. 19 – Apoderar-se ou exercer o controle de aeronave, embarcação ou veículo de transporte coletivo, com emprego de violência ou grave ameaça à tripulação ou a passageiros.
Pena: reclusão, de 2 a 10 anos.
Parágrafo único – Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até o dobro; se resulta morte, aumenta-se até o triplo.
Art. 20 – Devastar, saquear, extorquir, roubar, sequestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas.
Pena: reclusão, de 3 a 10 anos.
Parágrafo único – Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até o dobro; se resulta morte, aumenta-se até o triplo.

10 fevereiro 2014

FHC: um acorde dissonante, um ponto fora da curva

Em livro, o porquê de FHC ter sido, na Presidência, um acorde dissonante
O PONTO FORA DA CURVA -- Com dona Ruth, a primeira mulher de presidente a chegar a Brasília com uma profissão (Foto: Egberto Nogueira)
O PONTO FORA DA CURVA — Com dona Ruth, a primeira mulher de presidente a chegar a Brasília com uma profissão (Foto: Egberto Nogueira)

Resenha de Augusto Nunes, publicado em edição impressa de VEJA

O ACORDE DISSONANTE

Como Fernando Henrique, o candidato que tinha tudo para dar errado, virou o presidente certo na hora mais incerta

O sociólogo convertido em político aos 48 anos tinha tudo para dar errado como candidato a qualquer coisa. Tal suspeita vira certeza com a leitura das revelações de Fernando Henrique Cardoso no livro escrito em parceria com o jornalista americano Brian Winter.
capa-fhcA versão em português de O Improvável Presidente do Brasil (Civilização Brasileira; 368 páginas; 35 reais) justifica o título com a exposição de traços de temperamento, marcas de nascença, heranças genéticas e outras particularidades que, se favoreceram a trajetória vitoriosa do professor admirado em muitos sotaques, pareciam condenar ao fiasco o político aprendiz.
E reafirma que a chegada de FHC ao Palácio do Planalto em 1994 foi muito mais surpreendente que o triunfo de Lula ou sua substituição por Dilma Rousseff.
O grande viveiro de cabeças baldias tem tudo a ver com o ex-operário sem compromisso com a verdade (e o plural) ou com a mulher que fala dilmês (e não diz coisa com coisa).
Assombrosa, portanto, é a constatação de que um intelectual puro-sangue foi autorizado pelo voto a reinar, durante oito anos, num país em que a palavra elite deixou de designar o que há de melhor num grupo social para tornar-se estigma.
Foi Fernando Henrique o acorde dissonante na ópera do absurdo composta pelos que o antecederam e retomada por seus sucessores. Vistos de perto, os presidentes brasileiros exibem muito mais semelhanças que diferenças. Se estivessem vivos, todos seriam parceiros na base aliada. Menos Fernando Henrique Cardoso, informam os paradoxos que fizeram dele uma figura sem similares.
No país do futebol e do Carnaval, ele jamais calçou um par de chuteiras e não vestiu fantasias nem mesmo quando criança. Na terra dos extrovertidos patológicos, que na campanha se engalfinham com um eleitor desconhecido a cada metro e derramam lágrimas de esguicho na vitória ou na derrota, ele nunca foi além de tapinhas nas costas e chorou menos que Clint Eastwood.
com Itamar Franco (Foto: Nélio Rodrigues)
com Itamar Franco (Foto: Nélio Rodrigues)

No Brasil dos analfabetos sem cura, que instalam e mantêm no poder populistas iletrados, dedicou a maior parte da vida a ensinar, pesquisar, ler, escrever e, sobretudo, pensar. “Como poderia um professor de sociologia, paulista (embora nascido no Rio), ‘elitista’, ‘sem carisma’ e ‘arrogante’ derrotar um homem como Lula?”, perguntava-se.
Um marqueteiro da tribo de Duda Mendonça trataria de reconstruí-lo dos cabelos (sempre com cada fio em seu lugar) aos sapatos (muitos de cromo alemão). Em junho de 1994, com o candidato já em campanha pela Presidência, publicitários amigos tentaram aproximá-lo do que chamavam de “povão” com mudanças menos radicais.
“Decidiu-se que eu devia aparecer mais em mangas de camisa e tentar mostrar mais senso de humor”, exemplifica. “Especulava-se também que talvez eu precisasse de um apelido. Alguém sugeriu ‘FHC’, mas concluímos que era muito parecido com DDT. Acabamos ficando mesmo com Fernando Henrique.”
Com anêmicos 19% nas pesquisas que mantinham Lula acima de 40%, pensou em desistir. Não podia imaginar que derrotaria duas vezes, ambas no primeiro turno, o adversário invencível. Muito menos que FHC seria, ao lado de JK, uma das duas únicas siglas tombadas pelo patrimônio político nacional.
“Sempre tive muita sorte”, reconhece o beneficiário de uma extraordinária soma de acasos, ventos favoráveis, coincidências intrigantes e talento de sobra. Feliz com a vida de chanceler, foi surpreendido pelo presidente Itamar Franco com o convite para assumir o Ministério da Fazenda.
Dando aula: a grande exceção à regra da política brasileira (Foto: Arquivo / Ag. O Globo)
Dando aula: a grande exceção à regra da política brasileira (Foto: Arquivo / Ag. O Globo)

Nunca entendeu as razões da escolha de um sociólogo sem intimidade com assuntos econômicos para domar a hiperinflação. Repassou a tarefa a uma equipe de especialistas que montaram o Plano Real com o expurgo dos erros que haviam cometido no Plano Cruzado. “Fui eleito pela economia”, reconhece Fernando Henrique no capítulo que narra a mais espetacular virada eleitoral desde a redemocratização do país.
Mas foi reeleito por milhões de brasileiros convencidos de que a estabilidade da moeda fora apenas a maior e mais improvável proeza do presidente. Há muitas outras no livro, que é uma espécie de “Fernando Henrique Cardoso para Estrangeiros”.
Não há nada que lembre a densidade informativa e a profundidade analítica do essencial A Arte da Política, coordenado pelo jornalista Ricardo Setti – hoje colunista de VEJA.com. “Mas nunca me referi de modo tão pessoal a certos acontecimentos”, avisa FHC. “É mais fácil, às vezes, entrar em pormenores pessoais conversando em outro idioma.”
As revelações em inglês permitem conhecer melhor alguns interiores, até agora indevassados, do homem que mudou a história de um país que pedia socorro em português.

Black blocs: mataram o primeiro!...

Um animal racional

E assim segue a humanidade...

IDEIAS PARA AJUDAR O PREFEITO ARTHUR NETO (3)

Vamos lá!
Até hoje não entendi a razão lógica - se é que existe - para que a alça da passagem de nível da Recife/Detran que vem no sentido da Paraíba para o Eldorado ter sido fechada e o trânsito desviado pela Paraíba para dentro do Parque Dez... Deve ter sido coisa de "português"...
Quem vem pelo V-8 deveria ter trânsito livre pela Recife até a rotatória do Eldorado, mas, em vez disso, como a tal "alça" está fechada para isso, o motorista que não fez o desvio  por dentro do Parque Dez é obrigado a seguir pelo V-8 até a Djalma Batista.
O mais inusitado dessa ópera bufa é que "ineventaram" 2 cruzamentos: 1) um na cabeceira dessa passagem de nível, justamente pelos veículos que foram desviados pelo Parque Dez e que queiram seguir pela Maceió; e 2) pelos esses mesmos veículos e mais aqueles que vem pela Recife a partir da rotatória do Eldorado, se afunilando, passando por baixo da passagem de nível e "cruzando" com os veículos que vêm pelo V-8. É confuso? Muito! Jabuticaba pura! Somente a passagem de nível do Olímpico ganha dessa presepada, onde existe um SINALEIRO EM BAIXO DA MESMA! Talvez o Eduardo Braga explique. Vamos lá! Coragem ex-governador e atual senador e líder do desgoverno Dilma!

Sugestões:
1) abrir a alça da passagem de nível para quem vem pelo v-8 e queira ir diretamente à rotatória do Eldorado;
2) fechar a lateral da passagem de nível para os veículos que vem da rotatória do Eldorado, à direita rumo ao v-8, e forçar que sigam em frente, acabando com o cruzamento com o v-8;
3) acabar com o retorno no v-8 após o passagem de nível, à direita, obrigando a seguir em frente para o Eldorado e Djalma Batista.

Se isso que vai aí acima exposto não é factível, gostaria de saber as razões dessa charada...

‘Afinal, Lula, que * é essa?’, um artigo de Ricardo Noblat

Publicado no Blog do Noblat
RICARDO NOBLAT
Concorda com a frase ‘Na política nunca podemos dizer nunca‘?
Bem, eu concordo. E parto dela para compartilhar com vocês o que penso.
Por exemplo: Sarney apoiou a ditadura militar de 1964 até à véspera de ela cair 21 anos depois. Então, rapidinho, passou para o lado dos que a combatiam. Entendeu?
É confuso. Outro exemplo? Em 1989, Lula e Collor brigaram pela presidência da República.
Collor ganhou chamando Lula de comunista. Lula perdeu chamando Collor de desonesto. Hoje, um apoia o outro.
Último exemplo?
Foi Lula quem fez Joaquim Barbosa ministro do Supremo Tribunal Federal. Os dois sempre estiveram do mesmo lado.
No último sábado, sem citar o nome dele, Lula bateu duro em Joaquim. Acusou-o de ter condenado inocentes. Sugeriu que Joaquim será candidato a alguma coisa.
Por que Lula procedeu assim? Porque o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, contou à VEJA o que ouviu de Joaquim no final do ano passado.
Em resumo, Joaquim disse que cansara. A experiência de ser ministro já estava de bom tamanho para ele. Desde então, segundo Marco Aurélio, “ventila-se” no Supremo Tribunal Federal (STF) que Joaquim será candidato à vaga de Dilma.
(Contenha a euforia, Noblat!)
Em 2005, estourou o escândalo do mensalão que quase derrubou o governo. Mensalão foi o nome dado ao esquema de compra de votos com dinheiro público para que Lula governasse.
Nunca teve nome o esquema de compra de votos no Congresso que permitiu a reeleição de Fernando Henrique.
Política é negócio. Um negócio milionário. Dê-me o que quero e lhe darei o que você quer. Nada sai de graça.
Estou dando voltas porque escrevo cansado. Vamos adiante, todavia.
Ameaçado pelo escândalo, Lula ocupou uma cadeia nacional de rádio e televisão para pedir desculpas aos brasileiros, negar que existira mensalão e se dizer traído. Suas mãos tremiam.
Mensalão? Jamais ouvira falar, disse. Corrigindo: ouvira uma vez, sim senhor. Foi quando recebeu em audiência o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), seu aliado.
Mandou investigar o que Jefferson lhe contou. A investigação no Congresso durou uma semana. Nada foi descoberto.
Lula ouviu falar do mensalão pela segunda vez quando visitou Goiás. O governador Marconi Perillo alertou-o para a compra do passe de deputados. E Lula?
Na boa… Nem aí.
Temeu-se depois que ele fosse capaz de se matar. Foi salvo pelo ministro José Dirceu.
(Se gosto de Dirceu? Gosto sim, política à parte)
Quanto aos traidores…
Bem, Lula não apontou nomes de traidores. Afinal, como reclamar do julgamento daqueles que o traíram? Incoerência total. Falta de compromisso com a verdade.
Nada que seja estranho à política cujas bases são a mentira, a fraude e a enganação. Lula não parecia um político melhor nem pior do que qualquer outro. Era diferente apenas. Deixou de ser.
Poderia ter dito com toda a clareza possível que seus traidores não foram esses que estão atrás das grades. E mais o que está preso na Itália. E nem os que estão dentro do STF.
Seria a forma mais eficiente de defendê-los. Mas tal coisa seria o mesmo que admitir que o mensalão existiu. E que ele, Lula, de fato fora traído.
O silêncio é a mais preciosa lei da máfia. E ele tem preço. Tanto no caso do traidor como no de quem se sente traído.
Ensinam os manuais sobre traições: morra sem confessar. Se for o caso, valerá o preço de ir para o inferno mentindo.
Que saudade de O Poderoso Chefão.

09 fevereiro 2014

IDEIAS PARA O PREFEITO ARTHUR NETO (2)

ALVORADA

Bem, vamos lá de novo com ideias sobre Manaus...
A rua 8 do Alvorada I também poderia ser transformada pelo prefeito em "Shopping-de-rua", bem como a Av. "J" no Alvorada II, visto que essas vias são uma grande alternativa para as compras e poderiam também ser dotadas de calçadões e terem instaladas lojas de departamento que serviriam como âncora. Algumas já estão por lá.

BANCOS 24 H

Encontrar um terminal de banco funcionando em algumas praças populares de Manaus é um tormento! 
A praça de alimentação do D. Pedro é um desses exemplos. Se você estiver com sua família em um daqueles pequenos lanches e não perceber que não pode pagar com cartão, aí você estará com sérios problemas. Na praça de alimentação do D. Pedro, na verdade em um posto de gasolina que fica em frente, existe um caixa eletrônico do Banco do Brasil que nem para "enfeite" se presta. Claro que ali deveria existir um "banco 24 h"! E se for na copa que os turistas os procurem?
Não é apenas na Dom Pedro, mas em várias outras praças semelhantes não existem "bancos 24 h" e isso é um serviço essencial que a prefeitura deveria cuidar de exigir dos estabelecimentos bancários a instalação dos mesmos.

PASSAGEM DE NÍVEL DA UFAM

A passagem de nível da Ufam é uma dessas obras que já estão atrasadas há décadas! Recentemente, ainda no governo Amazonino, fizeram uma intervenção simples e que melhorou enormemente o trânsito no local. Mas ainda é uma solução paliativa. E olhe que foi uma ideia de estudantes de engenharia da própria Ufam feita há 5 ou 6 anos atrás...
A passagem de nível é coisa simples, mas, enquanto ela não sai, que tal alargar a pista na saída do Campus no sentido "bola do Coroado" (afastando a cerca do Campus para trás) dando fluidez constante nessa alça (exclusivamente para quem sai do Campus), "jogando" parte desse trânsito no próprio bairro do Coroado, à direita, e lá na frente próximo do conjunto Tiradentes?




‘A oposição parece acordar’, editorial do Estadão Publicado no Estadão deste sábado

O Estado de S.Paulo
Antes tarde do que nunca, a oposição dá sinais de que começa a despertar da profunda letargia em que esteve mergulhada nos últimos anos, desde que o PT assumiu o poder. Exímio manipulador das massas com a sedução de seu populismo despudorado, durante os oito anos de mandato presidencial Lula conquistou índices estratosféricos de aprovação popular e, vendendo a falácia de uma "herança maldita", deu um nó na oposição. Esta não teve competência, nem disposição, para impedir a reeleição de 2006, apesar da eclosão, em 2005, do escândalo do mensalão. Daí para a frente o lulopetismo se firmou no poder. Deu-se ao requinte de impor um poste para sua sucessão. A patranha de que sua candidata era uma gerente competente, somada a seu prestígio, foi bastante para eleger Dilma, mas não para esconder, depois, o fracasso administrativo que é este governo.
O Brasil de hoje não é o mesmo de três anos atrás. Dilma Rousseff não tem nem de longe o carisma de seu antecessor - embora desfrute de grande popularidade - e enfrenta enormes dificuldades para administrar o insaciável apetite do PT pelo poder e a ganância por vantagens de uma base aliada tão ampla quanto infiel. O que existe hoje é um desgoverno escandalosamente alicerçado sobre o fisiologismo, a preocupação eleitoreira com as aparências e, de quebra, um anacrônico dogmatismo ideológico. Aí estão, para comprová-lo, os indicadores econômicos persistentemente insatisfatórios; a incapacidade de cumprir orçamentos e prazos até nos projetos prioritários do PAC; a ameaça de um vexame internacional que tem deixado a Fifa de cabelos em pé com as obras para a Copa do Mundo; e, sobretudo, a crescente insatisfação difusa dos brasileiros com "tudo isso que está aí" transbordando para as ruas desde junho do ano passado.
Isso tudo até a oposição já está conseguindo enxergar.
O teor das declarações feitas nas últimas semanas pelos principais pré-candidatos a enfrentar Dilma Rousseff nas urnas de outubro parece indicar que as lideranças oposicionistas finalmente estão dispostas a deixar seu berço esplêndido e assumir postura mais contundente diante do desgoverno que aí está, deixando de se comportar "quase como se pedissem desculpas ao País por se opor a Lula e ao PT", como observou Dora Kramer em sua coluna (5/2).
Aécio Neves, pré-candidato do PSDB: "Sob o pretexto das festas de fim de ano, a presidente volta à TV para fazer autoelogio e campanha eleitoral (...). Apenas como exemplo, na ilha da fantasia a que a presidente nos levou mais uma vez, a qualidade do ensino tem melhorado e a criação de creches é comemorada. Enquanto isso, no Brasil real, os resultados dos testes internacionais demonstram o contrário". E ainda, já em janeiro: "Em relação aos leilões do Galeão e do Aeroporto Tancredo Neves, em Confins (MG), a grande constatação é de que, quando o PT acompanha a agenda proposta pelo PSDB, o PT acerta. O lamentável é que essas concessões venham com dez anos de atraso".
Ainda em novembro, preenchendo uma lacuna que chamara a atenção já no pleito presidencial de 2002, o senador mineiro havia deixado claro que Lula também está na mira da oposição tucana: "O presidente Lula tem que parar de brigar com a história. Se não houvesse o governo do Fernando Henrique, com a estabilidade econômica, com a modernização da economia, não teria havido sequer o governo do presidente Lula".
Por sua vez, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, ex-ministro de Lula, pré-candidato do PSB, também foi incisivo ao apresentar o seu programa de governo: "O País saiu dos trilhos (...) esse pacto social novo que está no seio da sociedade brasileira não tolera mais esse velho pacto político que mofou e que não vai dar nada de novo e de bom ao povo brasileiro. Não há nesse país, em nenhum recanto onde possamos andar, ninguém que ache que mais quatro anos do que está aí vai fazer bem ao povo brasileiro". E ainda: "Não há política social que faça efeito sem desenvolvimento. É o que estamos vendo agora: crescimento do analfabetismo, emprego perdendo qualidade, País perdendo competitividade. Vamos legar o quê para as futuras gerações?".

05 fevereiro 2014

Consultoria gratuita ao prefeito Arthur Neto - Por amor a Manaus

Meus caros, resolvi escrever aqui neste espaço algumas sugestões ao prefeito de Manaus Arthur Neto, por quem tenho apreço e a quem conheço desde sua primeira passagem pala prefeitura de Manaus em 1988, quando, surpreendentemente, inflingiu ao ex-governador Mestrinho sua primeira e fragorosa derrota eleitoral.
Naquela oportunidade, eu fui a sua casa e ouvi dele, à beira da piscina, sua preocupação com ter de investir pesado em drenagem profunda para acabar com as alagações das ruas da cidade. Dizia-se que esse tipo de investimento não rende votos. Eu lhe assegurei que isso dependia da sua equipe de marketing, ou seja, que ele deveria fazer os serviços de drenagem e dizer isso à população. Quem disse que não rende votos? Quem já havia tentado? Ele fez e tem até hoje a gratidão da população. 
Da mesma forma agiu ele com relação à abertura da duplicação da "estrada da cidade nova", tornando aquela via muito mais rápida e segura.
O caso dos camelôs foi pura safadeza do Amazonino para com o Arthur. Este era o adversário direto do Amazonino (não diretamente contra ele, mas contra o próprio Mestrinho) ao governo do Estado e precisava ser tirado do páreo. Como a Associação Comercial do Amazonas - ACA pedia a retirada dos camelôs que eram agenciados pelo Sukatão, o Arthur cumpriu o prometido, mas esqueceu de que poderia ser vítima - como foi - das ações políticas do Amazonino, que deixou a PM largar o cacete nos camelôs. Esse fato deixou o Arthur como que "marcado" pelo eleitor para cargos executivos e - paradoxo! - o mesmo eleitor (ou quem sabe 'outro'?) o reabilitou justamente para o mesmo cargo em face de uma "galega" se atrever a por as mãos na cidade.
Muito bem. Feitas as "apresentações", vou direto ao ponto: Manaus, desde a primeira passagem de Arthur como prefeito - e foi um bom prefeito, pois, com 10 vezes menos recursos, fez muita coisa e ainda deixou a prefeitura equilibrada financeiramente - as coisas mudaram muito, começando pelo tamanho da cidade, que cresceu horizontalmente e hoje demanda uma quantidade de serviços quase impossível de ser atendida.
Contudo, sem grandes gastos - às vezes, nenhum gasto -,  é possível fazer alguns pequenos ajustes para dar um pouco mais de alívio a certas situações de mobilidade urbana, que inferniza a vida da gente. A partir de hoje vou apresentar - e se alguém quiser me ajudar nisso basta me enviar sugestões - a fim de ajudar o prefeito com algumas ideias sobre pequenas intervenções na cidade que podem desafogar o trânsito ou dar mais racionalidade em alguns locais e situações específicos.

O PARQUE DEZ DE NOVEMBRO

Para quem não sabe, eu fui o técnico responsável pelo asfaltamento do Parque Dez (conjunto Castelo Branco) quando era ainda estagiário da Prefeitura de Manaus em 1972-3 (depois, fui contratado como Auxiliar de Engenharia). As ruas do Parque Dez são extremamente estreitas. Não dá para passar dois carros um ao lado do outro. Me pergunto: por que até hoje ninguém da Prefeitura fez no Parque Dez o mesmo que se fez no Vierialves? E o que se fez lá? Ora bolas, fizeram com que as ruas fossem mão única, alternadamente. E olha que as ruas de lá são três vezes mais largas!!
Tenho certeza que dá para pintar 26 placas com setas de "sentido único", tornando cada uma das suas ruas "mão única" e assim redirecionar o trânsito ali. Acho que seria um ganho enorme para os moradores e transeuntes.  Também seria necessário impedir que veículos estacionem nessas ruas.

A RUA DO COMÉRCIO DO PARQUE DEZ

Outra coisa que poderia ser feita é trazer a cobertura que ficava na rua Marechal Deodoro e cobrir a rua do Comércio do Parque Dez, e transformá-la em shopping-de-rua, fechada para veículos (que poderiam ficar estacionados dentro do CSU, abrindo-se uma entrada pela "parte de cima" que dá na rua atrás da rua do Comércio) e com as fachadas das lojas padronizadas, inclusive com lojas-âncoras (minimercados, franquias, etc.), sem esquecer, claro, do financiamento e treinamento dos lojistas e seus colaboradores.

Bem, por hoje ficamos nessas duas sugestões. Peço aos auxiliares diretos do prefeito que levem a ele essas sugestões. É assessoria gratuita!

PT sem limites

Editorial do Estadão desta quarta

Além dos limites

 O que se pode esperar de um partido político cujas principais lideranças e, em consequência, sua militância são incapazes de distinguir o público do privado? Os petistas têm extrapolado todos os limites do comportamento democrático e republicano nas manifestações de repúdio à condenação dos mensaleiros pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O desacato ostensivamente praticado pelo petista André Vargas, vice-presidente da Câmara dos Deputados, ao presidente da Suprema Corte, Joaquim Barbosa, sentado a seu lado durante a solenidade de abertura do ano legislativo, mostra mais uma vez que o lulopetismo se considera acima das instituições da República: Joaquim Barbosa representava naquele ato o Poder Judiciário. Não podia ser tratado como um "inimigo" do PT e provocado pelo parlamentar paranaense com a reiterada exibição de um gesto, o punho cerrado, que se tornou o debochado símbolo de protesto dos mensaleiros encarcerados. Não bastasse isso, Vargas, em mensagens pelo celular, escreveu que gostaria de dar "uma cotovelada" em Barbosa. Ontem, desdisse o que havia escrito.
A companheirada se considera detentora do monopólio da virtude e, nessa condição, autorizada a lançar mão de qualquer meio para cumprir sua missão redentora. Mas, no mundo real, os militantes partidários, mesmo quando investidos de mandato popular ou de autoridade delegada, estão, como toda a cidadania, obrigados a respeitar a lei, as instituições, os procedimentos da convivência democrática. E certamente a desrespeitosa atitude de André Vargas no plenário do Congresso Nacional não foi um bom exemplo, exceto para os correligionários habituados a se comportarem como torcedores de futebol organizados em gangues.
O episódio do mensalão tem oferecido ao lulopetismo todas as oportunidades de demonstrar que o partido, que há quase 35 anos se colocou na cena política com o propósito radical de lutar contra "tudo isso que está aí", acabou se transformando, depois de chegar ao poder, numa legenda igual ou pior do que todas aquelas que sempre combateu com violência e rancor.
De início, quando denunciado pelo cúmplice deputado Roberto Jefferson, o PT negou a existência de um esquema de compra de apoio parlamentar mediante o pagamento mensal de propina. No auge da repercussão negativa do episódio, Lula declarou que o PT deveria pedir desculpas à Nação. Já no exercício do segundo mandato, passou a se referir ao episódio como uma "farsa" que se dedicaria a desmontar tão logo deixasse o governo. Quando percebeu que o julgamento pelo STF era inevitável tentou, nem sempre com a conveniente discrição, influenciar os ministros. Anunciada a condenação dos criminosos, fingiu-se de morto. Mas desde então trabalha intensamente nos bastidores para criar junto à militância petista uma reação emocional ao julgamento "autoritário e injusto", para minimizar os efeitos politicamente negativos da prisão da elite petista. E esse trabalho inclui a tentativa de manter mobilizada uma militância frequentemente mal informada e ingênua, fazendo-a crer que é possível a anulação do julgamento.
A estratégia traçada pelo lulopetismo prioriza a "fulanização" da decisão do STF. Não é o colégio de 11 ministros, 8 deles nomeados pelos governos petistas, o responsável pela condenação dos heroicos ex-dirigentes do partido. O culpado é Joaquim Barbosa, o implacável ministro-relator da Ação Penal 470. E para regozijo dos petistas o próprio Barbosa facilita as coisas com reiteradas atitudes impulsivas e inexplicáveis, como a de ter entrado em férias sem assinar a ordem de prisão de João Paulo Cunha.
Foi a deixa para que o deputado dirigisse uma carta aberta ao presidente do STF vazada no caradurismo com que os petistas costumam subverter as evidências em benefício próprio. Cunha refere-se o tempo todo a Joaquim Barbosa como se ele fosse o único responsável por sua condenação. E insiste na falácia de que foi condenado "sem provas", aleivosia que respinga na ampla maioria de ministros que o penalizou pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Tudo era o que se podia esperar de pessoas que não têm noção de limites.

Nota da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais desagrava Joaquim Barbosa

NOTA PÚBLICA
DESAGRAVO AO EXMO. SR.MINISTRO JOAQUIM BARBOSA
PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MAGISTADOS ESTADUAIS – ANAMAGES, vem a público externar sua insatisfação pela falta de decoro e de respeito ao PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, em razão da conduta antiética do Exmo. Sr. Deputado Federal André Vargas (PT-PR) durante a solenidade de abertura do ano legislativo.
A Constituição da República acolheu a tripartição de Poderes, atribuindo aos Chefes do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário o mesmo status de mandatários da Nação.
Se o ilustre Deputado, como publicamente tem se manifestado, discorda do julgamento da AP 470, popularmente chamada de processo do mensalão, é um direito seu. Mas, o seu entendimento pessoal, não o autoriza a afrontar a honra e dignidade do Presidente da Suprema corte brasileira, em Sessão Solene na Casa Legislativa.
Ao se colocar de punho cerrado, gesto de contestação e insatisfação dos condenados na referida ação penal quando foram presos, S. Exa. não ofendeu apenas e tão só o Sr. Ministro Joaquim Barbosa, um dos julgadores, mas toda a Nação brasileira, eis que o poder de julgar é atribuído aos magistrados pela vontade soberana do povo, através das normas votadas pelas Casas Legislativas.
Não se diga, como o fez o Ilustre Deputado: “O ministro está na nossa Casa. Na verdade, ele é um visitante, tem nosso respeito, mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve”.
O Congresso Nacional, o Senado a República e a Câmara dos Deputados não pertencem a um partido ou a alguma pessoa, mas sim ao povo brasileiro e devem ser tratados como um santuário da democracia, da diversidade de pensamentos e de ideias.
A independência e harmonia entre os Poderes da República somente serão efetivamente respeitados se o protocolo e a fidalguia imperarem.
O Plenário não é palco ou palanque eleitoral, nem pode admitir condutas contrárias ao decoro parlamentar e à regras mínimas de educação e convivência.
Como cidadão e fora dos limites da casa do Povo, o Sr. Deputado pode se manifestar como bem entender, assim como qualquer outro cidadão, arcando, por óbvio, com as responsabilidade por eventuais ofensas à honra. Contudo, enquanto Parlamentar, tem o dever de se haver com lhanura e fidalguia, máxime quando recebe, junto com seu colegiado, o Chefe de outro Poder.
Ao Ministro Joaquim Barbosa apresentamos nosso desagravo, com a certeza de que S.Exa. não se deixará abalar pelo incidente e que continuará conduzir o julgamento dos recursos com INDEPENDÊNCIA e LIVRE DE PRESSÕES, honrando a toga e a magistratura brasileira. Ao bom Juiz não importa o resultado de um julgamento, pressões de grupos ou a vontade pessoal de quem quer seja, mas sim A REALIZAÇÃO PLENA DA JUSTIÇA.
Brasília, 04 de fevereiro de 2.014
Antonio Sbano

04 fevereiro 2014

Lavagem de dinheiro ou "arrecadação"?

Gilmar Mendes diz que é preciso examinar se não há lavagem de dinheiro em grana arrecadada por PT para pagar multa. E, de novo, o financiamento de campanha
Gilmar Mendes, ministro do STF, fez declarações nesta terça-feira que me deixaram um pouquinho envergonhado. Não por ele, que disse as coisas pertinentes. Mas por setores nem tão minoritários da imprensa, que assistiram ao espetáculo de pornografia política explícita e fizeram de conta que nada estava acontecendo. Houve até quem elogiasse! A que me refiro? À tal “arrecadação” que o PT teria feito pela Internet para pagar a multa de políticos presos por corrupção ativa e passiva, peculato e formação de quadrilha.
O ministro perguntou, segundo informa a Folha: “Será que esse dinheiro que está voltando é de fato de militantes? Ou estão distribuindo dinheiro para fazer esse tipo de doação? Será que não há um processo de lavagem de dinheiro aqui? São coisas que nós precisamos examinar”.
O ministro foi adiante:
“Há algo de grave nisso. E precisa ser investigado. E essa gente, eles não são criminosos políticos, não é gente que lutava por um ideal e está sendo condenado por isso. São políticos presos por corrupção (…) são coisas que precisam ser refletidas. A sociedade precisa discutir isso”.
Perfeito! Mendes, de resto, não está a falar de um caso ainda em julgamento, mas de sentenças já com trânsito em julgado. O deboche é explícito
O Supremo Tribunal Federal está a um voto de jogar o financiamento das campanhas eleitorais na clandestinidade, naquele que pode ser um dos mais graves erros cometidos pelo tribunal em toda a sua história. O acinte dos petistas para “arrecadar” o dinheiro da multa ajuda a iluminar o debate. Afirmou o ministro:
“Isso mostra também o risco desse chamado modelo de doação individual. Imaginem os senhores, com organizações sindicais, associações, distribuindo dinheiro por CPF”.
No ponto! Se as doações de empresas forem proibidas, sobrarão duas alternativas, que se combinarão:
a: financiamento público, que hoje beneficia o PT, que é o maior partido na Câmara;
b: doações de pessoas físicas.
Vejam o caso do dinheiro supostamente “doado” aos mensaleiros. Quem são as pessoas? Quem aceita financiar criminosos com tanta determinação? Qual é a origem dessa grana?
O “esquema” montado pelo PT para pagar as multas revela, sem que tenha sido essa a intenção, é óbvio, o que está por trás da proibição das doações de empresas. O país ficará reféns de esquemas que se movem nas sombras.
Por Reinaldo Azevedo (Veja. com)

02 fevereiro 2014

Tesouro Nacional paga mais caro para se endividar. Dívida pública passa de 2,1 trilhões de reais


economia _ crescimento 02 
TESOURO PAGA MAIS CARO PARA SE ENDIVIDAR
Editorial econômico publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo
Em 2013, a Dívida Pública Federal em títulos foi afetada pela deterioração da política macroeconômica, como se constata pelo relatório mensal do Tesouro Nacional, divulgado na quinta-feira.
Em geral, os indicadores pioraram, caso dos prazos de vencimento, que encurtaram; dos custos, que aumentaram; e do saldo da dívida total, inclusive em moeda estrangeira, que passou de R$ 1,916 trilhão, em dezembro de 2012, e de R$ 2,028 trilhões, em novembro de 2013, para R$ 2,122 trilhões, em dezembro de 2013.
Só entre novembro e dezembro o Tesouro aumentou a dívida em 2,58% para oferecer mais recursos às instituições federais e pagar os compromissos com as empresas de energia elétrica.
Isoladamente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) necessitou da emissão de R$ 24 bilhões em papéis federais, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) precisou de R$ 1,5 bilhão e a companhia de energia CEEE exigiu mais de R$ 800 milhões.
Papéis com custo médio anualizado da ordem de 11,3% foram emitidos para que o BNDES ofereça crédito subsidiado e o governo arque com os benefícios mal calculados que propiciou aos consumidores de energia elétrica. Na margem, cresceu o custo da dívida – e tende a crescer mais, em decorrência da elevação da taxa de juros.
Para evitar a colocação de títulos corrigidos pela taxa Selic [10,5% ao ano], o Tesouro aceitou pagar juros elevados pelos papéis prefixados. Entre os meses de dezembro de 2012 e de 2013, a participação desses títulos aumentou de 40% para 42%, suprindo o que não foi colocado em papéis indexados pela inflação. Os títulos corrigidos pela Selic ficaram levemente acima do máximo previsto no plano de financiamento da dívida (PAF).
Outros indicadores mostram com clareza o aumento das dificuldades do Tesouro para prever o que ocorrerá em 2014: o PAF admite que o estoque da dívida possa crescer em relação a 2013 entre o mínimo de 2,26% e o máximo de 9,33%. A diferença (R$ 150 bilhões ou 7% da dívida) é enorme.
Bancos e não residentes financiaram a União em 2013.
A leniência fiscal de 2013 já cobra seu preço.
Piorou o humor dos investidores com os emergentes, Brasil incluído. Como afirmou o fundador do Grupo Pimco [maior empresa de gestão de investimentos do mundo, movimentando cerca de 2 trilhões de dólares], Bill Gross: “Turquia e África do Sul foram reprovadas no teste de câmbio. Não espere para ver quem será o próximo. Reduza riscos e fuja para os títulos do Tesouro dos EUA”.
O Tesouro Nacional terá de conviver com isso.

FHC: "Mudar, com pé no chão e visão de futuro"

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - O Estado de S.Paulo
As pesquisas eleitorais estão a indicar que os eleitores começam a mostrar cansaço. Fadiga de material. Há 12 anos o lulopetismo impõe um estilo de governar e de se comunicar que, se teve êxito como propaganda, demonstra agora fragilidade. Toda a comunicação política foi centralizada, criou-se uma rede eficaz de difusão de versões e difamações oficiais pelo País afora, os assessores de comunicação e blogueiros distribuem comunicados e conteúdos a granel (pagos pelos cofres públicos e empresas estatais) e se difundiu o "Brasil maravilha", que teria começado em 2002. Ocorre que a realidade existe e às vezes se produz o que os psicólogos chamam de "incongruências cognitivas". Enquanto os efeitos das políticas de distribuição de renda (criadas pelos tucanos) eram novidade e a situação fiscal permitia aumentos salariais sem acarretar consequências negativas na economia, tudo bem. O cântico de louvor da propaganda encontrava eco na percepção da população.
Desde as manifestações de junho passado, que pegaram governo, oposição e sociedade de surpresa, deu para ver que nem tudo ia bem. A insatisfação estava nas ruas, a despeito das melhorias inegáveis do consumo popular e de alguns avanços na área social. É que a própria dinâmica da mobilidade social e da melhoria de vida e, principalmente, o aumento da informação geram novas disposições anímicas. As pessoas têm novas aspirações e veem criticamente o que antes não percebiam. Começam a desejar melhor qualidade, mais acesso aos bens e serviços e menos desigualdade.
O estopim imediato da reação popular foram os gastos da Copa, o custo do transporte, a ineficiência, a carestia e a eventual corrupção nas obras públicas. Ao lado disso, a péssima qualidade do transporte urbano, da saúde, da educação, da segurança, tudo de cambulhada. Nada é novo, nem a reação provocada por esse mal-estar se orientou, de início, contra um governo específico ou um partido. Significou o rechaço de tudo o que é autoridade. Na medida em que o governo federal reagiu propondo "pactos", que não deslancharam, e vestiu a carapuça, a tonalidade política mudou um pouco. Mas o rescaldo dos protestos - e não esqueçamos que eles têm causas - foi antes a criação de um vago sentimento mudancista do que um movimento político com consciência sobre o que se quer mudar.
Os donos do poder e da publicidade perceberam a situação e se aprestam a se apresentar com máscaras novas. Só que talvez a população queira eleger gente com maior capacidade organizacional e técnica, que conheça os nós que apertam o País e saiba como desatá-los. Essa será a batalha eleitoral do ano em curso. O petismo, solidário com os condenados do mensalão a ponto de coletar "vaquinhas" para pagar as dívidas deles, porá em marcha seus magos para dizer aos eleitores que são capazes da renovação.
E a oposição? Terá de desmascarar com firmeza, simplicidade e clareza truque por truque do adversário e, principalmente, deverá mostrar um caminho novo e convencer os eleitores de que só ela sabe trilhá-lo. Os erros da máquina pública, seu custo escorchante, a incompetência política e administrativa estão dando show no dia a dia. As falhas aparecem nas pequenas coisas, como na confusão armada a partir de uma simples parada da comitiva presidencial em Lisboa, e nas mais graves, como o inexplicável sigilo dos gastos do Tesouro para financiar obras em "países amigos". Isso abriu espaço, por exemplo, para o futuro candidato do PSDB dizer, com singeleza: "Uai, pena que a principal obra da presidente Dilma tenha sido feita em Cuba, e não no Nordeste, tão carente de infraestrutura". Sei que há razões estratégicas a motivar tais decisões. Mas na linguagem das eleições o povo quer saber "quanto do meu foi para o outro". E disso se trata: em quem o eleitor vai confiar mais para que suas expectativas, seus valores e interesses sejam atendidos.
Daí que a oposição deve concentrar-se no que aborrece o povo no cotidiano, sem desconhecer os erros macroeconômicos, que não são poucos.
Quanto à insegurança causada pela violência e pelo banditismo, é preciso reprimi-los e está na hora de o PSDB apresentar um plano bem embasado de construção de penitenciárias modernas, inclusive algumas sob a forma de parcerias público-privadas, como foi feito em Minas Gerais. É o momento para refazer a Lei de Execuções Penais e incentivar os mutirões que tirem das prisões quem já cumpriu pena, como também pôr fim, como está fazendo São Paulo, às cadeias em delegacias e, ainda, incentivar os juízes à adoção de penas alternativas.
Não será possível, sem negar eventuais benefícios de mais médicos, mostrar que a desatenção às pessoas, as filas nos hospitais, a demora na assistência aos enfermos, nada mudou? E que isso se deve à incompetência e à penetração de militantes partidários na máquina pública?
Por que não mostrar que o festejado programa Minha Casa, Minha Vida tem um desempenho ruim quando se trata de moradias para a camada de trabalhadores também pobres, mas cuja renda ultrapassa a dos menos aquinhoados, teoricamente atendidos pelo programa? Sobra uma enorme parcela da população trabalhadora sem acesso à casa própria, tendo de pagar aluguéis escorchantes.
Isso para não falar de um estilo de governo mais simples, mais honesto, que diga a verdade, mostre os problemas e não se fie no estilo "Brasil maravilha". De um governo mais poupador de impostos, reduzindo-os para todos e não apenas para beneficiar as empresas "campeãs" ou "estratégicas". As oposições precisam ser mais específicas e mostrar como reduzirão os absurdos 39 ministérios, como eliminarão o inchaço de funcionários e fortalecerão critérios profissionais para as nomeações. Também chegou a hora de uma reforma política e eleitoral. Não dá para governar com 30 partidos, dos quais boa parte não passa de legenda de aluguel.
Em suma, está na hora de mudar e quem tem a boca torta pelo cachimbo da conivência com a corrupção, o desperdício e a incompetência administrativa, por mais que faça mímica, não é capaz dessa proeza. O passado recente teve suas virtudes, mas se esgotou. Construamos um futuro de menos arrogância, com realismo e competência, que nos leve a dias melhores.
SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE
DA REPÚBLICA

30 janeiro 2014

O Brasil de Dilma e Lula cresce como rabo de cavalo

Em Veja.com, reproduzido no blog de Ricardo Setti:
J.R. GUZZO: “Não fui eu”
"A presidente Dilma daria um enorme passo adiante se deixasse entrar na própria cabeça a ideia de que um fracasso é apenas um fato, e não um julgamento moral" (Foto: Dida Sampaio / AE)
“A presidente Dilma daria um enorme passo adiante se deixasse entrar na própria cabeça a ideia de que um fracasso é apenas um fato, e não um julgamento moral” (Foto: Dida Sampaio / AE)
Artigo publicado em edição impressa de VEJA

NÃO FUI EU
J. R. Guzzo 
Nada como o fracasso para trazer à luz do sol alguns dos defeitos mais desagradáveis que o ser humano esconde nos subúrbios distantes da sua alma.
Diz-me como lidas com teus fracassos, e eu te direi quem és — eis aí o resumo da ópera, numa adaptação do velho provérbio sobre as más companhias. De fato, é quando as coisas complicam que fica mais fácil dividir o bom do mau caráter.
Personalidades construídas com material de primeira qualidade sabem que o fracasso, em si, não é fatal; é apenas o resultado dos erros de julgamento de todos os dias, e, portanto, deve ser enfrentado com a disposição de fazer mudanças, adquirir mais conhecimento, ouvir mais gente e assim por diante.
Mas sabem, também, que o fracasso pode ser um pecado mortal quando o seu autor não admite que fracassou, ou nega que tenha havido realmente um fracasso, ou, pior que tudo, põe a culpa do fracasso nos outros. Seu mandamento principal é uma frase muito ouvida nas salas de aula infantis: “Não fui eu”. São pessoas fáceis de encontrar. Um dos seus habitats é o governo.
A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, não perde nenhuma oportunidade de dizer “não fui eu”. O ano de 2013, para ir direto ao assunto, foi uma droga. O PIB cresceu abaixo de 2,5% — quase metade do que o governo tinha prometido no começo do ano.
O saldo da balança comercial teve o pior resultado desde 2000, com uma queda de quase 90% em relação a 2012. Num tipo de molecagem contábil cada vez mais comum, registrou-se como “exportação” a venda de equipamento que nunca saiu do território nacional.
Em dólar, mesmo, não entrou um centavo no Brasil. Mas no papelório oficial consta o ingresso de quase 8 bilhões, sem os quais, aliás, teria havido déficit na balança de 2013. Outros truques parecidos fazem do Brasil um aluno promissor da Escola de Contabilidade Cristina Kirchner.
Pela primeira vez em dez anos, caíram as vendas de carros. O contribuinte pagou 1,7 trilhão de reais em impostos — a maior soma de todos os tempos. Os brasileiros gastaram cerca de 25 bilhões de dólares no exterior, quatro vezes mais do que os estrangeiros gastaram aqui — e qual a surpresa, quando ficou mais barato comprar um enxoval em Miami do que em Botucatu?
A maior empresa do Brasil, a Petrobras, teve um desempenho calamitoso: em apenas um ano, de 2012 a 2013, foram destruídos 40 bilhões de reais do seu valor de mercado. O Brasil (que Lula, em 2006, proclamou “autônomo” em petróleo, e já pronto para “entrar na Opep”) importou 40 bilhões de dólares em petróleo e derivados em 2013.
A presidente, cada vez mais, dá a a impressão de estar passeando num outro planeta. Segundo Dilma, 2013 até que foi um ano bem bonzinho, e o que pode ter acontecido de ruim não foi culpa dela, e sim da “guerra psicológica” que teria sofrido.
Foram condenados, também, os “nervosinhos” — gente que, segundo o ministro Guido Mantega, fez cálculos pessimistas para as contas públicas de 2013. Veio, então, com uns miseráveis decimais acima das tais previsões — que, de qualquer forma, ficaram muito abaixo da meta prometida. Os juros foram a 10,5% ao ano, a inflação voltou a roncar e o Brasil pode perder o seu sagrado “grau de investimento” em 2014.
A estratégia econômica resume-se hoje a repetir a ladainha de sempre sobre o desemprego de “apenas 4,6%”, que na verdade parece ser de 7%, e o aumento de renda que levou “milhões de brasileiros” a sair da miséria e subir à “classe média”.
Chega a ser piada de humor negro misturar dados de desemprego no Brasil e em países do Primeiro Mundo, para vender a ilusão de que “estamos melhor que eles”. O que adianta isso, quando o abismo entre nosso bem-estar e o do mundo desenvolvido continua igual?
Da “subida social” dos brasileiros, então, é melhor nem falar. Falaro quê, quando o governo decidiu que faz parte da classe média todo cidadão que ganha de 291 reais por mês a 1019? A presidente quer que acreditemos no seguinte disparate: a pessoa entra na classe média se ganhar menos da metade do salário mínimo por mês; se ganhar 1020 reais, já fica rica.
A presidente Dilma daria um enorme passo adiante se deixasse entrar na própria cabeça a ideia de que um fracasso é apenas um fato, e não um julgamento moral. Ninguém se torna um ser humano melhor porque acerta, ou pior porque erra.
Mas no Brasil o que vale não é enfrentar o fracasso lutando pelo sucesso. Melancolicamente, o que funciona é negar a derrota e chamar a marquetagem para dar um jeito nas coisas. O resultado são anos como 2013.