No Brasil, onde faltam a cólera e a ira santas, quem, senão elas, hão de expulsar do Templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Ou exterminarão da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Ou banirão da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão elas, a varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão públicos? Quem, senão elas, a precipitar do governo o negocismo, a prostituição política e a tirania? (Rui Barbosa)
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04 junho 2014
Educação terá 10% do PIB. Resolverá?
Leiam o que vai no blog de Reinaldo Azevedo (Veja.com):
Em relação
ao PIB, o Brasil está entre os países que mais investem em educação:
mais do que o Reino Unido (5,6% do PIB), a Suíça (5,5%), os EUA (5,5%) e
o Japão (3,8%). Não obstante, apresentamos um dos piores desempenhos.
Vamos ver: a Holanda investe percentualmente pouco mais do que nós: 5,9%
do seu PIB. Está em 10º lugar no Pisa, o exame internacional que mede a
proficiência dos estudantes. Investindo 5,7%, o nosso país está em 53º
lugar.
Vejam a
tabela de países da OCDE com o percentual de investimento em relação ao
PÌB, a posição no ranking e o desempenho no PISA.
Se este
país chegar mesmo a investir 10% do seu PIB em educação — o que, se
querem saber, duvido que aconteça um dia —, saltará para o topo do
ranking, sempre considerando, claro!, que o nosso Produto Interno Bruto
está ali pelo sétimo ou oitavo lugar. E sabem o que vai acontecer? Se
não houver uma profunda reforma no sistema educacional, a resposta é
nada. Teremos quase o dobro do gasto de hoje para colher os mesmos
resultados pífios.
Pew Research Center, em ampla pesquisa, afirma que brasileiros desaprovam o governo Dilma
O
descontentamento com o governo se estende às mais diversas áreas,
segundo aponta o Pew Research Center, em quadro publicado pelo Estadão.
Vejam:
03 junho 2014
‘O governo acabou’, de Marco Antonio Villa
Publicado no Globo desta terça-feira
MARCO ANTONIO VILLA
MARCO ANTONIO VILLA
O governo Dilma definha a olhos vistos. Caminha para um fim
melancólico. Os agentes econômicos têm plena consciência de que não
podem esperar nada de novo. Cada declaração do ministro da Fazenda é
recebida com desdém. As previsões são desmentidas semanas depois. Os
planos não passam de ideias ao vento. O governo caiu no descrédito. Os
ministérios estão paralisados. O que se mantém é a rotina
administrativa. O governo se arrasta como um jogador de futebol, em fim
de carreira, aos 40 minutos do segundo tempo, em uma tarde ensolarada.
Apesar do fracasso — e as pífias taxas de crescimento do PIB estão aí
para que não haja nenhum desmentido —, Dilma é candidata à reeleição.
São aquelas coisas que só acontecem no Brasil. Em qualquer lugar do
mundo, após uma pálida gestão, o presidente abdicaria de concorrer. Não
aqui. E, principalmente, tendo no governo a máquina petista que, hoje,
só sobrevive como parasita do Estado.
A permanência no poder é a essência do projeto petista. Todo o resto é
absolutamente secundário. O partido necessita da estrutura estatal para
financeiramente se manter e o mesmo se aplica às suas lideranças — além
dos milhares de assessores.
É nesta conjuntura que o partido tenta a todo custo manter o mesmo
bloco que elegeu Dilma em 2010. E tem fracassado. Muitos dos
companheiros de viagem já sentiram que os ventos estão soprando em
sentido contrário. Estão procurando a oposição para manter o naco de
poder que tiveram nos últimos 12 anos. O desafio para a oposição é como
aproveitar esta divisão sem reproduzir a mesma forma de aliança que
sempre condenou.
Como o cenário político foi ficando desfavorável à permanência do
petismo, era mais que esperada a constante presença de Lula como
elemento motivador e agregador para as alianças. Sabe, como criador, que
o fracasso eleitoral da criatura será também o seu. Mas o sentimento
popular de enfado, de cansaço, também o atingiu. O encanto está sendo
quebrado, tanto no Brasil como no exterior. Hoje suas viagens
internacionais não têm mais o apelo do período presidencial. Viaja como
lobista utilizando descaradamente a estrutura governamental e
intermediando negócios nebulosos à custa do Erário.
Se na campanha de 2010 era um presidente que pretendia eleger o
sucessor, quatro anos depois a sua participação soa estranha, postiça. A
tentativa de transferência do carisma fracassou. Isto explica por que
Lula tem de trabalhar ativamente na campanha. Dilma deve ficar em um
plano secundário quando o processo eleitoral efetivamente começar. Ela
não tem o que apresentar. O figurino de faxineira, combatente da
corrupção, foi esquecido. Na história da República, não houve um
quadriênio com tantas acusações de “malfeitos” e desvios bilionários,
como o dela. O figurino de gerentona foi abandonado com a sucessão de
“pibinhos”. O que restou? Nada.
Lula está como gosta. É o centro das atenções. Acredita que pode
novamente encarnar o personagem de Dom Sebastião. Em um país com uma
pobre cultura democrática, não deve ser desprezada a sua participação
nas eleições.
A paralisia política tem reflexos diretos na gestão governamental. As
principais obras públicas estão atrasadas. Boa parte delas, além do
atraso, teve majorados seus custos. Em três anos e meio, Dilma não
conseguiu entregar nenhuma obra importante de infraestrutura. Isto em um
país com os conhecidos problemas nesta área e que trazem sérios
prejuízos à economia. Mas quando a ideologia se sobrepõe aos interesses
nacionais não causa estranheza o investimento de US$ 1 bilhão na
modernização e ampliação do porto de Mariel. Ou seja, a ironia da
história é que a maior ação administrativa do governo Dilma não foi no
Brasil, mas em Cuba.
Os investimentos de longo prazo foram caindo, os gastos para o
desenvolvimento de educação, ciência e tecnologia são inferiores às
necessidades de um país com as nossas carências. Não há uma área no
governo que tenha cumprido suas metas, se destacado pela eficiência e
que o ministro — alguém lembra o nome de ao menos cinco deles? — tenha
se transformado em referência, positiva, claro, pois negativa não faltam
candidatos.
O irresponsável namoro com o populismo econômico levou ao abandono
das contas públicas, das metas de inflação e ao desequilíbrio das
tarifas públicas. Basta ver o rombo produzido no setor elétrico. A ação
governamental ficou pautada exclusivamente pela manutenção do PT no
poder. As intervenções estatais impuseram uma lógica voluntarista e um
estatismo fora de época. Basta citar as fabulosas injeções de capital —
via Tesouro — para o BNDES e os generosos empréstimos (alguns, quase
doações) ao grande capital. E a dívida pública, que está próxima dos R$
2,5 trilhões?
No campo externo as opções escolhidas pelo governo foram as piores
possíveis. Mais uma vez foi a ideologia que deu o tom. Basta citar um
exemplo: a opção preferencial pelo Mercosul. Enquanto isso, o eixo
dinâmico da economia mundial está se transferindo para a região
Ásia-Pacífico.
Ainda não sabemos plenamente o significado para o país desta gestão.
Mas quando comparamos os nossos índices de crescimento do PIB com os dos
países emergentes ou nossos vizinhos da América Latina, o resultado é
assustador. É possível estimar que no quadriênio Dilma a média sequer
chegue a 2%. A média dos emergentes é de 5,2%, e da América Latina, de
3,2%. E o governo Dilma ainda tem mais sete meses pela frente. Meses de
paralisia econômica. Haja agonia.
GOL CONTRA – Insatisfação de brasileiros com o país é igual à de populações de países árabes convulsionados, aponta instituto
Por Cláudia Trevisan, no Estadão:
A percepção do brasileiro em relação à situação do País, à conjuntura econômica e ao governo Dilma Rousseff se deteriorou de maneira acentuada em apenas um ano, desde que milhares de pessoas tomaram as ruas do País para protestar contra a corrupção e a má qualidade dos serviços públicos, como revela levantamento inédito do Pew Research Center, um dos principais institutos de pesquisa dos EUA.
A percepção do brasileiro em relação à situação do País, à conjuntura econômica e ao governo Dilma Rousseff se deteriorou de maneira acentuada em apenas um ano, desde que milhares de pessoas tomaram as ruas do País para protestar contra a corrupção e a má qualidade dos serviços públicos, como revela levantamento inédito do Pew Research Center, um dos principais institutos de pesquisa dos EUA.
A radical
mudança de humor em um espaço tão curto de tempo é rara, disse ao Estado
Juliana Horowitz, brasileira responsável pelo trabalho. Segundo ela, o
Pew Research realizou levantamentos em 82 países desde 2010 e só viu
oscilações tão acentuadas em lugares que passaram por crises ou rupturas
institucionais, como o Egito.
“O nível
de frustração expressado pelos brasileiros em relação à direção de seu
país, sua economia e seus líderes não tem paralelo em anos recentes”,
diz o texto de apresentação da pesquisa. Horowitz ficou surpresa com a
magnitude da transformação na opinião pública e atribuiu essa mudança
principalmente à piora da situação econômica e ao aumento da inflação. A
insatisfação com a realização da Copa do Mundo no Brasil também
contribuiu: 61% dos entrevistados responderam que o evento é ruim para o
País, por tirar recursos que poderiam ser usados em serviços públicos.
Na comparação com o ano passado, a mudança mais acentuada de humor
ocorreu na percepção da situação econômica. O porcentual dos
entrevistados que a classifica de “ruim” subiu de 41% para 67%, enquanto
o índice dos que a consideram boa caiu de 59% para 32%. A inflação foi
apontada como o principal problema brasileiro por 85% dos entrevistados,
pouco acima da criminalidade e da assistência médica, ambos com 83% das
menções.
01 junho 2014
O pibinho, os gringos e a conspiração de São Pedro_Por Rolf Kuntz (no Estadão)
O pibinho, os gringos e a conspiração de São Pedro
* Rolf Kuntz
Com o desastre econômico do primeiro trimestre, uma
expansão miserável de 0,2% combinada com inflação alta e enorme rombo
comercial, a presidente-gerente Dilma Rousseff completou três anos e
três meses de fracasso econômico registrado oficialmente. O fracasso
continua, como confirmam vários indicadores parciais, e continuará nos
próximos meses, porque a indústria permanece emperrada e o ambiente
econômico é de baixa produtividade. Mas o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, parece desconhecer a história dos últimos três anos e um
quarto. Em criativa entrevista, ele atribuiu o baixo crescimento
brasileiro no primeiro trimestre a fatores externos e a problemas
ocasionais. A lista inclui a instabilidade cambial, a recuperação ainda
lenta das economias do mundo rico e a inflação elevada principalmente
por causa dos alimentos. Culpa dos gringos, portanto, e isso vale
igualmente para o judeu Simão, também conhecido como São Pedro,
supervisor e distribuidor das chuvas e trovoadas.
No triste cenário das contas nacionais divulgadas nesta
sexta-feira, só se salva a produção agropecuária, com crescimento de
3,6% no trimestre e de 4,8% no acumulado de um ano. Os detalhes mais
feios são o investimento em queda e o péssimo desempenho da indústria.
Em sua pitoresca entrevista, o ministro da Fazenda atribuiu o baixo
investimento à situação dos estoques e ao leve recuo - queda de 0,1% -
do consumo das famílias, causado em grande parte pela alta do custo da
alimentação. A explicação pode ser instigante, mas deixa em total
escuridão o fiasco econômico dos últimos anos, quando o consumo, tanto
das famílias quanto do governo, cresceu rapidamente.
O investimento em máquinas, equipamentos, construções civis e
obras públicas - a chamada formação bruta de capital fixo - caiu, como
proporção do produto interno bruto (PIB), durante toda a gestão da
presidente Dilma Rousseff.
No primeiro trimestre de 2011, quando o governo estava
recém-instalado, essa proporção chegou a 19,5%. Caiu seguidamente a
partir daí, até 17,7% nos primeiros três meses de 2014. Durante esse
período o consumo das famílias aumentou velozmente, sustentado pela
expansão da renda e do crédito, mas nem por isso os empresários
investiram muito mais.
Além disso, o governo foi incapaz de ir muito além da retórica e
das bravatas quando se tratou de executar as obras do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). Nem as obras da Copa avançaram no ritmo
necessário, apesar do risco de um papelão internacional.
A estagnação da indústria reflete o baixo nível de
investimentos, tanto privados quanto públicos, e a consequente perda de
poder de competição. Por três trimestres consecutivos a produção
industrial tem sido menor que nos três meses anteriores. Encolheu 0,1%
no período julho-setembro, diminuiu 0,2% no trimestre final de 2013 e
0,8% no primeiro deste ano. Não há como culpar as potências estrangeiras
ou celestiais por esse desempenho.
O conjunto da economia brasileira é cada vez menos produtivo,
embora alguns segmentos, como o agronegócio, e algumas empresas
importantes, como a Embraer, continuem sendo exemplos internacionais de
competitividade.
O baixo crescimento do PIB, apenas 0,2% no trimestre e 2,5% em
12 meses, reflete essa perda de vigor, associada tanto à insuficiência
do investimento em capital fixo quanto à escassez crescente de pessoal
qualificado. Não por acaso, o País apareceu em 54.º lugar, numa lista de
60 países, na última classificação de competitividade elaborada pelo
International Institute for Management Development (IMD), da Suíça.
O baixo desempenho da economia, especialmente da indústria, tem
tudo a ver com a piora das contas externas. O efeito mais evidente é a
erosão do saldo comercial. No primeiro trimestre, período de referência
das contas nacionais atualizadas, o País acumulou um déficit de US$ 6,1
bilhões no comércio de mercadorias. O resultado melhorou um pouco desde
abril, mas na penúltima semana de maio o buraco ainda era de US$ 5,9
bilhões. O Banco Central (BC) continua projetando um saldo de US$ 8
bilhões para o ano, muito pequeno para as necessidades brasileiras. No
mercado, a mediana das projeções coletadas em 23 de maio na pesquisa
semanal do BC indicava um superávit de apenas US$ 3 bilhões.
Estranhamente, os deuses parecem ter poupado outros países dos
males atribuídos pelo ministro da Fazenda ao quadro externo. Outras
economias continuaram crescendo mais que a brasileira e com inflação
menor, apesar de sujeitas à instabilidade dos mercados financeiros e a
outros problemas internacionais. A inflação no Brasil tem permanecido
muito acima da meta oficial, 4,5%, e a maior parte das projeções ainda
aponta um resultado final em torno de 6% para 2o14. Até agora, o recuo
de alguns preços no atacado pouco afetou o varejo e os consumidores
continuam sujeitos a taxas mensais de inflação superiores a 0,5%. O
ritmo poderá diminuir nos próximos meses, mas, por enquanto, as
estimativas indicam um repique nos quatro ou cinco meses finais de 2014.
O aperto monetário, interrompido pelo BC na quarta-feira, pode
ter produzido algum efeito, mas o desajuste das contas do governo ainda
alimenta um excesso de demanda. Na quinta-feira o Tesouro anunciou um
superávit primário de R$ 26,7 bilhões nos primeiros quatro meses. Quase
um terço desse total, R$ 9,2 bilhões, ou 31%, correspondeu a receita de
concessões e dividendos. As concessões renderam 207,4% mais que no
período de janeiro a abril do ano passado. Os dividendos foram 716,4%
maiores que os do primeiro quadrimestre de 2013. Chamar isso de
arrecadação normal e recorrente sem ficar corado vale pelo menos um
Oscar de ator coadjuvante. A economia vai mal, mas a arte cênica
brasileira ainda será reconhecida. Há mais valores entre o céu e a terra
do (que) sonham os críticos da política econômica.
29 maio 2014
Dilma decidiu extinguir a democracia por decreto. É golpe!
Leiam o que vai no blog de Reinaldo Azevedo (Veja.com):
Atenção, leitores!
Seus
direitos, neste exato momento, estão sendo roubados, solapados,
diminuídos. A menos que você seja um membro do MTST, do MST, de uma
dessas siglas que optaram pela truculência como forma de expressão
política.
De mansinho, o PT e a presidente Dilma Rousseff resolveram instalar no país a ditadura petista por decreto. Leiam o conteúdo do decreto 8.243, de
23 de maio deste ano, que cria uma tal “Política Nacional de
Participação Social” e um certo “Sistema Nacional de Participação
Social”. O Estadão escreve nesta quinta um excelente editorial a
respeito. Trata-se de um texto escandalosamente inconstitucional, que
afronta o fundamento da igualdade perante a lei, que fere o princípio da
representação democrática e cria uma categoria de aristocratas com
poderes acima dos outros cidadãos: a dos membros de “movimentos
sociais”.
O que faz o
decreto da digníssima presidente? Em primeiro lugar, define o que é
“sociedade civil” em vários incisos do Artigo 2º. Logo o inciso I é uma
graça, a saber: “I – sociedade civil – o cidadão, os coletivos,
os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados,
suas redes e suas organizações”.
Pronto!
Cabe qualquer coisa aí. Afinal, convenham: tudo aquilo que não é
institucional é, por natureza, não institucional. Em seguida, o texto da
Soberana estabelece que “todos os órgãos da administração pública
direta ou indireta” contarão, em seus conselhos, com representantes
dessa tal sociedade civil — que, como já vimos, será tudo aquilo que o
governo de turno decidir que é… sociedade civil
Todos os
órgãos da gestão pública, incluindo agências reguladoras, por exemplo,
estariam submetidos aos tais movimentos sociais — que, de resto,
sabemos, são controlados pelo PT. Ao estabelecer em lei a sua
participação na administração pública, os petistas querem se eternizar
no poder, ganhem ou percam as eleições.
Isso que a
presidente está chamando de “sistema de participação” é, na verdade, um
sistema de tutela. Parte do princípio antidemocrático de que aqueles
que participam dos ditos movimentos sociais são mais cidadãos do que os
que não participam. Criam-se, com esse texto, duas categorias de
brasileiros: os que têm direito de participar da vida púbica e os que
não têm. Alguém dirá: “Ora, basta integrar um movimento social”. Mas
isso implicará, necessariamente, ter de se vincular a um partido
político.
A
Constituição brasileira assegura o direito à livre manifestação e
consagra a forma da democracia representativa: por meio de eleições
livres, que escolhem o Parlamento. O que Dilma está fazendo, por
decreto, é criar uma outra categoria de representação, que não passa
pelo processo eletivo. Trata-se de uma iniciativa que busca corroer por
dentro o regime democrático.
O PT está
tentando consolidar um comissariado à moda soviética. Trata-se de um
golpe institucional. Será um escândalo se a Ordem dos Advogados do
Brasil não recorrer ao Supremo contra essa excrescência. Com esse
decreto, os petistas querem, finalmente, tornar obsoletas as eleições. O
texto segue o melhor padrão da ditadura venezuelana e das
protoditaduras de Bolívia, Equador e Nicarágua. Afinal, na América
Latina, hoje em dia, os golpes são dados pelas esquerdas, pela via
aparentemente legal.
Inconformado com a democracia, o PT quer agora extingui-la por decreto.
20 maio 2014
PORQUE AÉCIO PODE GANHAR ESTA ELEIÇÃO_Análise feita por Ricardo Setti (Veja.com)
PORQUE AÉCIO PODE GANHAR ESTA ELEIÇÃO: leitura do mapa eleitoral de 2010
mostra que as coisas mudaram, para MUITO melhor, favorecendo o candidato
tucano em 2014







Aécio
é celebrado por partidários ao ser eleito presidente do PSDB, a 18 de
maio do ano passado: quadro em 2014, com ele no páreo, é muito diferente
do que Serra protagonizou em 2010 — e é melhor (Foto: Gazeta do Povo)
A presidente Dilma venceu o tucano José Serra no segundo turno das
eleições de 2010 por 12 milhões de votos — em percentual, ela teve
56,05% dos votos válidos, Serra, 43,95%.
Este texto pretende mostrar, com FATOS e NÚMEROS, como é
perfeitamente possível que o candidato tucano em 2014, Aécio Neves,
apresente um resultado muito diferente — podendo vencer as eleições.
Não estou levando em conta pesquisas de intenção de voto (em que
Aécio vem subindo, bem como o outro candidato de oposição, Eduardo
Campos, do PSB, ao passo que Dilma cai).
E, por ora, vamos SUPOR que Eduardo Campos, menos conhecido, com
menos estrutura, menos apoios e menos bases estaduais do que as de
Aécio, não consiga chegar ao segundo turno.
É claro que poderemos ter uma disputa Dilma x Eduardo Campos, ou,
quem sabe — em política o impossível é apenas o que uma das
possibilidades — até uma disputa Eduardo x Aécio.
O cenário deste texto, portanto, refere-se exclusivamente a uma disputa entre Dilma e Aécio.
Vou de início considerar o perfil muito
diferente dos candidatos Aécio e Serra e, principalmente, as alianças
partidárias que Serra NÃO conseguiu estabelecer em Estados vitais e que,
com Aécio, vêm sendo formadas ou estão se esboçando. Depois disso,
tratarei dos resultados eleitorais do segundo turno de 2010 e tentarei
mostrar como eles poderão mudar, dramaticamente, neste ano — mudar para
melhor para o PSDB.
E este post vai apresentar NÚMEROS. Vamos precisar somar para chegar à conclusão que apresento no segundo parágrafo acima.
Comecemos por rápidas considerações sobre diferenças de perfil entre os dois candidatos.

Dilma
e Serra se cumprimentam antes do último debate da campanha passada, a
30 de setembro de 2010: o adversário da presidente este ano tem perfil
bem diferente (Foto: Bruno Domingos/Reuters)
Serra, sem dúvida um notável administrador público, é um político
individualista e criador de arestas; Aécio é agregador por natureza,
circula em diferentes áreas, costura alianças com facilidade. Serra tem
72 anos de idade; Aécio, 54. Nem os mais ferrenhos admiradores de Serra
consideram-no carismático; Aécio tem esse dom difícil de definir. Serra
consegue se desentender e afastar correligionários; Aécio transita bem
até com adversários. Serra já perdeu 2 eleições para prefeito e 2 para
presidente; Aécio ganhou as 3 eleições majoritárias que disputou.
Posso estar redondamente enganado, mas parece-me que Aécio terá um
índice de rejeição muito inferior ao que Serra alcançou nas eleições
presidenciais que travou. Posso também estar redondamente enganado, mas
penso que Aécio tem potencial para obter votos onde Serra não
conseguiria.
Agora, vamos analisar a situação em vários Estados que
definiram a eleição de 2010 em favor do lulopetismo — e nos quais a
situação, neste 2014, tem tudo para ser bem diferente.
Iniciemos por MINAS GERAIS, o Estado que Aécio governou por 8
anos e que representa no Senado. Em Minas, Dilma massacrou José Serra
no segundo turno, com 1,8 milhão de votos a mais.

MINEIROS
— Pimenta da Veiga (centro) com o ex-governador Antonio Anastasia
(esq.) e Aécio: o candidato ao governo quer que o tucano ganhe em seu
Estado, Minas, por 3,5 milhões de votos. Serra perdeu por 1,8 milhão em
2010 (Foto: otempo.com.br)
Com Aécio, que deixou o governo de Minas em 2010 com mais de 80% de
popularidade após dois mandatos e se elegeu com votação recorde para o
Senado, alguém duvida de que a história será outra? Até o prefeito de
Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), poderá apoiar Aécio, seu aliado em
duas eleições, mesmo tendo o líder de seu partido, Eduardo Campos, como
aspirante ao Planalto. O candidato a governador pelo PSDB, Pimenta da
Veiga, quer que a aliança de 16 partidos que o apóia — e a Aécio — faça
com que o tucano vença Dilma por 3,5 milhões de votos.
Mas vamos supor que a diferença seja menor, seja de 3 milhões de votos. Só
aí, levando em conta o 1,8 milhão que Dilma colocou sobre Serra, estará
4,8 milhões de votos menor a vantagem de 12 milhões que a presidente
obteve sobre o rival tucano nas eleições passadas.
Sigamos agora para SÃO PAULO, o maior colégio eleitoral do país, com perto de 32 milhões de eleitores (quase 23% do total brasileiro, pouco acima de 141 milhões).
Em São Paulo, terra natal e base política de Serra, ele,
naturalmente, venceu em 2010, por 1,9 milhão de votos de vantagem sobre
Dilma. Na verdade, foi pouco — poderia ser mais. O governador Geraldo
Alckmin, em 2006, disparou no primeiro turno 4 milhões de votos à frente
do adversário petista — e ele era ninguém menos do que o próprio Lula, o
“Deus” da ministra Marta Suplicy.

Lula
com Alckmin durante um dos debates da campanha de 2006: o tucano bateu o
“Deus” de Marta Suplicy, no primeiro turno, por 4 milhões de votos em
São Paulo. Se Aécio repetir a proeza no segundo turno deste ano… (Foto:
Jonne Roriz/Agência Estado)
Admitamos, então, que, tendo um candidato de Minas e um vice de São
Paulo, como se cogita, Aécio cresça em relação ao que obteve Serra. Em
vez de 1,9 milhão de votos à frente, que tenha apenas 500 mil votos
mais, e fecha o Estado com 2,4 milhões à frente da presidente Dilma.
Guardemos esse número: meio milhão de votos mais do que obteve Serra.
Vamos em frente. Agora, é a vez da BAHIA, quarto maior colégio do país, com mais de 10 milhões de eleitores. Ali, sem ter palanque nem apoio significativo, Serra viu-se esmagado por Dilma em 2010: perdeu por 2,8 milhões de votos!
Agora, a coisa mudou. Dilma não terá um palanque extraordinário no
Estado — o candidato do PT, Rui Costa, deputado federal e ex-chefe da
Casa Civil do governador Jaques Wagner, não provocou até agora um
levante das massas em favor da bandeira vermelha do PT.
E terá pela frente uma chapa duríssima, que Aécio conseguiu montar
aglutinando inimigos históricos irreconciliáveis, desta vez juntos para
derrotar o PT no Estado e em nível nacional: o duas vezes ex-governador
Paulo Souto (DEM), candidato ao Palácio de Ondina, o ex-deputado e
ex-vice-presidente do Banco do Brasil Geddel Vieira Lima (PMDB),
aspirante ao Senado, e o ex-deputado Joacy Góes, ex-diretor do jornal Tribuna da Bahia,
candidato a vice-governador pelo PSDB. A chapa tem apoio do prefeito de
Salvador, ACM Neto (DEM), um dos dois prefeitos mais bem avaliados do
Brasil.
Não é impossível que não apenas Aécio não seja derrotado na Bahia por
margem considerável, mas que vença. De todo modo, os 2,8 milhões de
votos a mais para Dilma de 2010 vão desabar.
Outro Estado em que as coisas mudaram radicalmente em relação a 2010 é PERNAMBUCO. O massacre ocorrido em Minas e na Bahia, proporcionalmente, se manteve em Pernambuco, onde Dilma saiu-se no segundo turno com 2,3 milhões de votos sobre Serra.
Agora o bicho vai pegar: o próprio Estado de Pernambuco tem candidato
a presidente, com o ex-governador Eduardo Campos (PSB), eleito duas
vezes por grande maioria e sempre bem avaliado nas pesquisas de opinião
pública, e que tirou facilmente da Prefeitura do Recife o petista João
da Costa Bezerra nas eleições de 2012 em prol do candidato de seu
partido, Geraldo Júlio.

O
ex-governador Paulo Souto (com o microfone), com Aécio (esq.), o
prefeito ACM Neto e Geddel: palanque forte do tucano na Bahia (Foto:
ascom/democratas)
Parece não haver dúvida de que Dilma será pulverizada por Campos em
seu Estado natal, onde o eleitorado próprio do PSDB e do DEM poderá
eliminar diferenças entre Aécio e a candidata do PT na disputa pelo
posto de segundo mais votado.
Digamos, então, que os 2,3 milhões de votos caiam para 300 mil em
favor de Dilma. São 2 milhões de votos menos naquela vantagem apontada
lá em cima, de 12 milhões.
A esta altura, já estamos EMPATADOS, teoricamente, em relação a 2010.
Os 12 milhões de votos a mais de Dilma sobre Serra terão desaparecido.
Para não tornar este post interminável, vamos, então, examinar só
mais três Estados nos quais Dilma fez a festa sobre Serra em 2010, mas
que desta vez exibirão um panorama muito distinto: Ceará, Maranhão e
Amazonas.
No CEARÁ, outra derrota impiedosa de Serra em 2010: ficou 2,3 milhões de votos para trás. Naquele
ano, Serra estava praticamente sozinho no palanque — estavam com Dilma
os irmãos Cid Gomes, governador, e o ex-ministro Ciro Gomes, que já
foram tucanos, o PT local, que é forte, o PCdoB, que não é nanico, e o
PMDB, sempre numeroso. Dilma ainda recebeu o reforço da presença
constante de Lula na campanha. O único e relutante suporte de Serra no
Ceará foi o então senador Tasso Jereissati, que não conseguiu se
reeleger.
Desta vez, a ampla coligação que elegeu Dilma está problemática. O
PMDB do senador Eunício Oliveira — líder disparado nas pesquisas de
intenção de voto, com mais de 40% das preferências — deixou o governo de
Cid Gomes (PROS), tem o apoio do PROS nacional e complica a vida dos
irmãos Gomes. O PT está dividido entre apoiar o candidato dos Gomes —
que ainda não se decidiram por um nome — ou lançar a ex-prefeita de
Fortaleza Luizianne Lins.
O três vezes ex-governador Tasso Jereissati decidiu voltar à política e Aécio está tentando costurar uma aliança com Eunício.
Tudo indica que dá para esquecer os 2,3 milhões de votos a mais de Dilma em 2010.
Até no MARANHÃO, onde parece que nada muda nunca, há
novidades. O favorito disparado para vencer as eleições, até o momento,
fincado em radical oposição ao domínio da família Sarney, é o
ex-deputado Flávio Dino (PCdoB), também ex-presidente da Embratur, que
ofereceu palanque a Aécio Neves e, posteriormente, a Eduardo Campos.
Apesar da aliança histórica do PCdoB com o PT, o PT local,
pressionado por Dilma, apoia os Sarney, cujo candidato a governador é o
senador suplente Lobão Filho (PMDB), que jamais disputou uma eleição
antes e tornou-se candidato há algumas semanas substituindo um
secretário de Estado inexpressivo.
Alguma coisa estranha anda acontecendo por lá, porque a governadora
Roseana Sarney (PMDB), com quem Dilma contava para manter a folgada
maioria que tem no Senado, desistiu de disputar o cargo e vai continuar
no Palácio dos Leões até o dia 1º de janeiro de 2015.
Parece-me, portanto, que será um otimismo deslavado considerar que,
tendo um candidato forte a governador fazendo campanha contra, Dilma
repita em 2014 os 1,688 milhão de votos que, em 2010, livrou sobre Serra
no Estado com a maioria dos piores indicadores sociais do país.

Arthur
Virgílio, prefeito de Manaus e o mais popular do país: este ano, o
presidenciável tucano terá palanque forte no Amazonas, onde Serra levou
de 9 a 1 de Dilma (Foto: psdb.org)
Finalmente, o AMAZONAS. O eleitorado é relativamente
pequeno, próximo a 2 milhões de votos, mas o que aconteceu ali em 2010 é
altamente expressivo. No primeiro turno, Dilma teve 90% dos votos
válidos! Nove em cada dez! Foi, proporcionalmente, a mais severa derrota
de Serra no país — e terminou, no segundo turno, com a presidente quase
1 milhão de votos na frente — 866 mil, para sermos mais exatos.
Serra estava solitário, isolado, sem nada e sem ninguém. Agora, Aécio
Neves terá no palanque o prefeito mais bem avaliado do Brasil, o
ex-senador Arthur Virgílio (PSDB), valendo sempre lembrar que Manaus e
região detêm 60% do eleitorado amazonense.
No terceiro maior colégio eleitoral do país, o Rio de Janeiro, não se
pode dizer que Dilma repetirá, na certa, a vitória por 1,7 milhão de
votos a mais que Serra na disputa com Aécio.
A perspectiva de ter uma surpresa como a ex-presidente do Supremo
Ellen Gracie como candidata ao governo, o apoio do PMDB e sua forte
capilaridade no interior, e de figuras como Cesar Maia (ele próprio
candidato a governador pelo DEM) e de Fernando Gabeira podem diminuir
consideravelmente a diferença, sem contar que Aécio, criado no Rio de
Janeiro por ser filho de deputado na época em que a Câmara ainda não
fora transferida para Brasília, tem fortes conexões cariocas e
fluminenses.
Não menciono outros Estados porque, longe de ser problemas para o
PSDB e aliados, são terra fértil para eles: os tucanos venceram as
eleições de 2006 e de 2010 no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande
do Sul, e tendem a voltar ganhar em todo o Sul, com seu enorme
contingente de 21 milhões de eleitores. José Serra venceu Dilma nos dois
Mato Grosso e em Goiás em 2010, grande cinturão do agronegócio, que
anda furioso com o governo petista.
Feitas as contas, vê-se que a leitura do cenário de 2010, com os
atores e as mudanças de 2014, tornam perfeitamente possível uma vitória
tucana no dia 26 de outubro próximo — data da realização do segundo
turno das eleições para presidente e governador.
17 maio 2014
‘Notas pré-Copa’, um artigo de Roberto Pompeu de Toledo
Publicado na edição impressa de VEJA
ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
1. Copa do Mundo seria melhor com um pouco menos de patriotadas. No
México havia (ainda há?), pouco antes da competição, a cerimônia de
“embandeiramento” do time nacional. Nesse momento o time passava a
representar a nação. No Brasil, sem a mesma pompa de Estado, mas
presente ao fundo uma enorme bandeira nacional, o anúncio dos jogadores
convocados procurou igual efeito. O técnico Luiz Felipe Scolari, antes
de desfiar a lista, pediu que todos – “comissão técnica, direção da CBF,
imprensa, torcedores” – nos unamos em torno do mesmo “norte”, ainda que
discordando desta ou daquela convocação. Mais tarde, ao vivo no Jornal
Nacional, disse que era hora de todos os brasileiros vestirem a “camisa
amarela”. À sua maneira, embandeirou a seleção.
2. Copa do Mundo também seria melhor sem intoxicação publicitária.
Mais do que ninguém os publicitários deveriam saber que tudo o que é
excessivo cansa. E, no entanto, dá-lhe Felipão vendendo carro,
televisores, assinatura de telefone celular. Dá-lhe Neymar vendendo
tudo. Antes de começar a Copa já enjoou. Sorte que depois do apito
inicial do jogo inicial o enjoo passa. Cura-o a atração irresistível da
bola correndo.
3. Felipão preocupou-se à toa com eventuais discordâncias agudas na
convocação. Não houve dissenso nem poderia haver. Tirando Neymar, os
outros 22 poderiam ser substituídos por outros 22 sem diferenças
acentuadas. Isso não é sinal de pujança do futebol brasileiro; é sinal
de nivelação por baixo dos estoques de craques.
4. Outra razão para a falta de dissenso é a carência de identificação
dos torcedores com os jogadores. Muitos dos convocados saíram tão cedo
do país que nem disputaram campeonatos de primeira divisão no Brasil. De
repente aparece um sujeito chamado Luiz Gustavo, ou um sujeito chamado
Hulk, de quem nunca se ouvira falar e que, sem ter vestido a camisa de
nenhum grande clube brasileiro, agora é titular da seleção. Ou é
reserva, como o sujeito chamado Dante. Além das torcidas clubísticas,
havia também as rivalidades regionais. Paulistas e cariocas disputavam
quem forneceria mais quadros para a seleção. Hoje, a disputa possível
seria se serão convocados mais ingleses ou mais espanhóis, quer dizer:
mais entre os que jogam na Inglaterra ou mais entre os que jogam na
Espanha.
5. Felipão é esperto. Ao embandeirar a seleção, busca duplo efeito.
Primeiro, formar a famosa “corrente pra frente”. Segundo, dividir
responsabilidades. Mostrando-se desunidos, os brasileiros serão também
culpados, se sobrevier a cruel desdita da derrota. Ele tem plena noção
da carga que lhe pesa nos ombros. O pior cenário é a desclassificação
prematura. Já nas oitavas de final, é mais do que possível que o Brasil
venha a enfrentar ou a Holanda, que o desclassificou em 2010, ou a
Espanha, a campeã naquela ocasião. Derrotado o time de Felipão, o
torneio passaria a ser uma festa de argentinos, espanhóis, italianos,
ingleses e outros, com o Brasil pagando a conta. As massas poderão se
excitar.
6. Pior que o vexame no campo de jogo será o eventual vexame do
despreparo para o evento. Prometeram-se investimentos que não vieram. A
famosa “mobilidade urbana” será a de sempre, com forte tendência
imobilizante, atenuada quem sabe apenas por puxadinhos nos aeroportos e
decretação de feriados em dias de jogo. Alguns dos estádios só ficarão
prontos na última hora, e tomara que se mostrem seguros. Tomara que não
falte energia no pico das comunicações que cruzarão o planeta. Se isso
tudo ocorrer razoavelmente a contento (completamente a contento não é
mais possível) e se não houver torcedor com volúpia de jogar vaso
sanitário no adversário, será um alívio.
7. A Copa continua um risco para o governo, mas na semana passada
funcionou a favor. O craque Renan Calheiros, agora com cabeleira que
ameaça a de David Luiz, soube jogar de olho na tabela – tanto enrolou
que fez a CPI da Petrobras enroscar com a Copa. O assunto Petrobras
morreu. Agora é Copa. O embandeiramento da seleção marcou o início de
seu reinado.
15 maio 2014
Hoje é o primeiro dia das muitas dores de cabeça que Dilma terá com a Copa
No blog de Reinaldo Azevedo (Veja.com):
...Prepare-se, soberana!
...Prepare-se, soberana!
Hoje
é o ensaio geral das dores de cabeça que a presidente Dilma terá
durante a Copa do Mundo — as mesmas que a impedirão de discursar no jogo
inaugural do torneio. Uma vaia que fizesse o Itaquerão vir abaixo
poderia ter um efeito devastador em ano eleitoral. E a vaia viria, tão
certo como Aloizio Mercadante é capaz e conceder entrevistas
desastradas.
Organizações
dos autointitulados sem-teto marcaram protestos em sete capitais:
Belém, Fortaleza, Palmas, Brasília, Salvador, São Paulo e Curitiba.
Estão previstos protestos contra o gasto de dinheiro público da Copa em
14: Manaus, Belém, Fortaleza, Natal, Recife, Cuiabá, Brasília, Salvador,
Belo Horizonte, Vitória, Rio, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. País
afora, em várias dessas cidades, há greves ou de servidores ou de
categorias profissionais que tendem a engrossar os protestos (vejam
quadros publicados em reportagem da Folha Online).
Na capital
paulista, por exemplo, parte dos professores da rede municipal de
ensino cruzou os braços. No Rio, há paralisações de professores das
redes municipal e estadual e de parcela de cobradores e motoristas de
ônibus. Em Pernambuco, a greve é de policiais militares, o que já
ensejou a intervenção da Força Nacional de Segurança.
Se alguém
dissesse a Lula, em 2007, que a Copa do Mundo poderia vir a ser uma
grande dor de cabeça para o petismo, ele certamente riria da cara do
interlocutor. E, convenham, em certa medida, ninguém realmente contava
com isso. Embora existam muitos grupos de extrema esquerda na raiz
desses movimentos, o repúdio ao dinheiro público empregado na Copa, em
contraste com a precariedade de alguns dos serviços oferecidos pelo
estado, mobilizou mais gente.
Desde o
começo, o governo e o PT lidaram muito mal com esses protestos. Cumpre
não esquecer: o ovo dessa serpente foi posto em São Paulo. Durante uns
bons pares de dias, em junho do ano passado, o Planalto, especialmente
por intermédio do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, achou que
poderia, ainda que de modo oblíquo, incitar a massa contra o governo do
Estado. Deu no que deu.
De resto,
já escrevi aqui mais de uma vez, o próprio Planalto, por intermédio de
Gilberto Carvalho, incita à desordem quando dialoga mesmo com grupos que
optam pela violência. Quando aquela turma do Passe Livre ganhou assento
no Palácio, meus caros, Dilma estava dando um sinal e um tiro no
próprio pé. Carvalho certamente a convenceu de que era o melhor a fazer.
Ela deveria ter me escutado…
A coisa se
espalhou de tal modo que várias embaixadas brasileiras fizeram ontem um
alerta ao Itamaraty. Poderão ser alvos de ataques. O mundo globalizado
sai por aí comprando causas. E um país como o Brasil, que consegue
juntar de modo tão desassombrado, expressões muito claras da miséria com
a opulência do Brasil-potência do lulo-petismo é um prato cheio.
Vejam vocês! Até Lula, sempre tão sabido, pode ter algo a aprender com a realidade. O dia será quente.
14 maio 2014
COPA DO MUNDO: Brutal incompetência do governo leva a fracasso vergonhoso nas obras prometidas e torna o país vitrine para o mundo — de suas coisas ruins
Leia post de Ricardo Setti (Veja.com):

Estado
das obras em trecho da Avenida Miguel Sutiel, de Cuiabá, onde fica o
hotel que hospedará a delegação da FIFA: a foto é desta semana! (Foto:
Joel Lima/Folhapress)
Chiiiii… Lá vem ele de novo.
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o “Gilbertinho”, fazendo uma autocrítica?
Na questão do vergonhoso atraso das obras para a Copa do Mundo, o governo Dilma “foi incompetente”?
Como assim? Gilbertinho admitindo o óbvio, o que todo o país sabe?
Nããããããããããããão, nada disso.
Foi incompetente, disse Gilbertinho, no diálogo com os chamados “movimentos sociais” e com “a sociedade” sobre o evento.
Pois, uma vez mais, Gilbertinho fugiu do assunto, como no caso das vaias em que recebeu no Sindicato dos Bancários do Rio.
Fugiu do assunto!
O governo foi BRUTALMENTE incompetente.
O jornal Folha de S. Paulo, em esplêndido trabalho de reportagem e em minucioso levantamento,
acaba de demonstrar isso, de forma cabal e definitiva: a um mês de a
bola começar a rolar na Arena Corinthians, só 41% do prometido foi
cumprido.
NEM A METADE!
De um evento cuja realização o Brasil buscou, pelo qual caitituou,
para o qual Lula rodou mundo afora, só faltando mendigar, e acabou
recebendo a incumbência de realizar HÁ SETE ANOS.
Pois bem — mostrou a Folha –, nesses sete anos, das 167 metas para a Copa, só 68 foram concluídas. Das restantes, 60 estão incompletas
— passageiros descerão em aeroportos em obras, não conseguirão trafegar
por transporte público inacabado, terão dificuldades em avenidas feitas
pela metade, não ultrapassarão viadutos que só serão entregues em 6
meses ou mais –, 28 só serão entregues DEPOIS da Copa e 11 foram simplesmente abandonadas.

Gilberto
Carvalho descascando um abacaxi: no caso da Copa, nem metade da casca
foi tirada por um governo incompetente (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom /
Agência Brasil)
Que mobilidade urbana, que nada! Que melhora nos transportes públicos, que nada! Que “legado” para a população, que nada!
Isso num país que tem empreiteiras de porte gigantesco — responsáveis
por obras ciclópicas no mundo todo –, que dispõe de engenheiros ,
arquitetos e urbanistas de Primeiro Mundo, cuja iniciativa privada é
competente e competitiva.
O problema do Brasil, está mais uma vez comprovado, não é o Brasil — é
o Estado brasileiro, pesadão, gordo, corrupto, atrasado, incompetente,
concebido teoricamente para servir a sociedade mas que só sabe sugá-la.
E, hoje, sob a presidente Dilma, temos um problema adicional sobre o
problema de sempre — porque esse Estado lerdo, atrasado e incompetente,
já contaminado por pecados do lulopetismo desde Lula, é há quase quatro
anos tocado por um GOVERNO incompetente, inchado, com absurdos 39
ministérios, atarantado, confuso, que não sabe para onde ir, que aos
poucos detona os fundamentos da economia, esconde a inflação com
preocupação eleitoral, não sabe fazer o país crescer, deteriora as
contas públicas e está jogando no lixo a credibilidade internacional que
o Brasil obteve e foi fortalecendo a partir do Plano Real e da
estabilização econômica, em 1994.
A Copa, que poderia ser a vitrine de um novo Brasil perante o mundo,
apenas tornará visível justamente aquele Brasil que queremos deixar para
trás, mas que o lulopetismo não permite.
11 maio 2014
As pesquisas reforçam a advertência: Dilma Rousseff é o Celso Pitta do Lula
No "Direto ao Ponto" do blog de Augusto Nunes (Veja.com)
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Atualizado às 17h25

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Atualizado às 17h25

Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação registrados nas
pesquisas de popularidade, o prefeito Paulo Maluf em 1995 e o presidente
Lula em 2007 resolveram mostrar-se capazes de instalar qualquer
nulidade no cargo que ocupavam. Para que cumprissem sem resmungos a
missão de guardar o lugar do chefe, como registrou um post publicado em
julho de 2010, os escolhidos deveriam ser desprovidos de autonomia de voo e luz própria. Quanto mais medíocre, melhor.
Maluf pinçou no secretariado municipal um negro economista. Lula
pinçou no primeiro escalão federal uma mulher economista. Ao apresentar o
sucessor, o prefeito repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo. Mas quem
arranjou o dinheiro foi um gênio da raça chamado Celso Pitta,
secretário de Finanças. Ao apresentar a sucessora, o presidente reiterou
que foi Lula quem pariu o Brasil Maravilha. Mas quem amamentou o
colosso foi uma supergerente chamada Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil
e Mãe do PAC.
Obediente ao criador e guiado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta
atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando
platitudes e louvando o chefe de meia em meia hora. Como herdara uma
cidade mais que perfeita, restou-lhe embelezá-la com espantos de matar
alemão de inveja. Nenhum fez mais sucesso nos programas na TV do que o
Fura-Fila, um veículo leve sobre trilhos instalados em viadutos. Grávido
de orgulho com o desempenho do poste que fabricara, o padrinho ordenou
aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado
fracassasse.
Obediente ao criador e tutelada pelo marqueteiro João Santana, Dilma
percorreu o circuito eleitoral driblando debates e entrevistas,
gaguejando frases descartáveis e bajulando o chefe a cada 15 minutos.
Como herdara um país pronto, restou-lhe acrescentar refinamentos que
fariam do País do Carnaval uma Noruega com praia, samba e futebol. A
campanha eleitoral nem começara quando os primeiros apitos do trem-bala
anunciaram a chegada do Fura-Fila de Dilma. Grávido de confiança no
poste que esculpira, o padrinho deixou claro que disputava o terceiro
mandato disfarçado de Dilma, já conhecida nas lonjuras da nação como a
“mulher do Lula”.
São Paulo demorou três anos para descobrir que era governada pelo
pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, os iludidos
escorraçaram Pitta do emprego e Maluf nunca mais foi eleito para
qualquer cargo executivo. Milhões de brasileiros já constataram que a
nação é presidida por uma fraude. Os eleitores que ainda não enxergaram a
vigarice são suficientemente numerosos para que a pior governante desde
o Descobrimento continue a sonhar com um segundo mandato. Mas também
sobram motivos para que a oposição acredite – e a última pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira deixa ainda mais evidente – que uma era pode estar chegando ao fim.
“Volta, Lula!” não é uma palavra de ordem. É um grito de medo. Não é a
senha para a ofensiva. É um pedido de socorro inútil. Se a afilhada
naufragar, o padrinho não escapará do abraço de afogado. Dilma Rousseff é
o Celso Pitta de Lula.
‘O Brasil está com ódio de si mesmo’, de Arnaldo Jabor
Publicado no Estadão
ARNALDO JABOR
ARNALDO JABOR
O Brasil está irreconhecível. Nunca pensei que a incompetência casada
com o delírio ideológico promoveria este caos. Há uma mutação histórica
em andamento. Não é uma fase transitória; nos últimos 12 anos, os donos
do poder estão a criar um sinistro “espírito do tempo” que talvez seja
irreversível. A velha “esquerda” sempre foi um sarapatel de populismo,
getulismo tardio, leninismo de galinheiro e agora um desenvolvimentismo
fora de época. A velha “direita”, o atraso feudal de nossos
patrimonialistas, sempre loteou o Estado pelos interesses oligárquicos.
A chegada do PT ao governo reuniu em frente única os dois desvios: a
aliança das oligarquias com o patrimonialismo do Estado petista. Foi o
pior cenário para o retrocesso a que assistimos.
07 maio 2014
‘Adeus, PT’, de Marco Antonio Villa
Publicado no Globo desta terça-feira
MARCO ANTONIO VILLA
MARCO ANTONIO VILLA
A cinco meses da eleição presidencial é evidente o sentimento de
enfado, cansaço, de esgotamento com a forma de governar do Partido dos
Trabalhadores. É como se um ciclo estivesse se completando. E terminando
melancolicamente.
A construção do amplo arco de alianças que sustenta politicamente o
governo Dilma foi, quase todo ele, organizado por Lula no início de
2006, quando conseguiu sobreviver à crise do mensalão e à CPMI dos
Correios. Naquele momento buscou apoio do PMDB — tendo em José Sarney o
principal aliado — e de partidos mais à direita. Estabeleceu um
condomínio no poder tendo a chave do cofre. E foi pródigo na
distribuição de prebendas. Fez do Tesouro uma espécie de caixa 1 do PT.
Tudo foi feito — e tudo mesmo — para garantir a sua reeleição.
Parodiando um antigo ministro da ditadura, jogou às favas todo e
qualquer escrúpulo. No jogo do vale-tudo não teve nenhuma
condescendência com o interesse público.
A petização do Estado teve início no primeiro mandato, mas foi a
partir de 2007 que se transformou no objetivo central do partido. Ter
uma estrutura permanente de milhares de funcionários petistas foi uma
jogada de mestre. Para isso foram necessários os concursos — que
garantem a estabilidade no emprego — e a ampliação do aparelho estatal.
Em todos os ministérios, sem exceção, aumentou o número de funcionários.
E os admitidos — quase todos eles — eram identificados com o petismo.
Desta forma — e é uma originalidade do petismo —, a tomada do poder
(o assalto ao céu, como diria Karl Marx) prescindiu de um processo
revolucionário, que seria fadado ao fracasso, como aquele do final da
década de 60, início da década de 70 do século XX. E, mais importante,
descolou do processo eleitoral, da vontade popular. Ou seja,
independentemente de quem vença a eleição, são eles, os petistas, que
moverão as engrenagens do governo. E o farão, óbvio, de acordo com os
interesses partidários.
Se no interior do Estado está tudo dominado, a tarefa concomitante
foi a de estabelecer um amplo e fiel arco de dependência dos chamados
movimentos sociais, ONGs e sindicatos aos interesses petistas. Abrindo
os cofres públicos com generosidade — e que generosidade! — foi
estabelecido um segundo escudo, fora do Estado, mas dependente dele. E
que, no limite, não sobrevive, especialmente suas lideranças, longe dos
recursos transferidos do Erário, sem qualquer controle externo.
O terceiro escudo foi formado na imprensa, na internet, entre
artistas e vozes de aluguel, sempre prontas a servir a quem paga mais.
Fazem muito barulho, mas não vivem sem as benesses estatais. Mas ao
longo do consulado petista ganharam muito dinheiro — e sem fazer
esforço. Basta recordar os generosos patrocínios dos bancos e empresas
estatais ou até diretamente dos ministérios. Nunca foi tão lucrativo
apoiar um governo. Tem até atriz mais conhecida como garota-propaganda
de banco público do que pelo seu trabalho artístico.
Mas tudo tem um começo e um fim, como poderia dizer o Marquês de
Maricá. E o fim está próximo. O cenário não tem nenhum paralelo com 2006
ou 2010. O desenho da eleição tende à polarização. E isto,
infelizmente, poderá levar à ocorrência de choques e até de atos de
violência. O Tribunal Superior Eleitoral deverá ser muito acionado pelos
partidos. E aí mora mais um problema: quem vai presidir as eleições é o
ministro Dias Toffoli – como é sabido, de origem petista, foi advogado
do partido e assessor do sentenciado José Dirceu.
Se a oposição conseguir enfrentar e vencer todas estas barreiras, não
vai ter tarefa fácil quando assumir o governo e encontrar uma máquina
estatal sob controle do partido derrotado nas urnas. As dezenas de
milhares de militantes vão — se necessário — criar todo tipo de
dificuldades para a implementação do programa escolhido por milhões de
brasileiros. Aí — e como o Brasil é um país dos paradoxos — será
indispensável ao novo governo a utilização dos DAS (cargos em comissão).
Sem eles, não conseguirá governar e frustrará os eleitores.
Teremos então uma transição diferente daquela que levou ao fim da
Primeira República, em 1930; à queda de Vargas, em 1945; ou, ainda, da
que conduziu ao regime militar, em 1964. Desta vez a mudança se dará
pelo voto, o que não é pouco em um país com tradição autoritária. O
passado petista — que imagina ser eterno presente — terá de ser
enfrentado democraticamente, mas com firmeza, para que seja respeitada a
vontade das urnas.
É bom não duvidar do centralismo democrático petista. Não deve ser
esquecido que o petismo é o leninismo tropical. Pode aceitar sair do
governo, mas dificilmente sairá do aparelho de Estado. Se a ordem de
sabotar o eleito em outubro for emitida, os militantes-funcionários vão
segui-la cegamente. Claro que devidamente mascarados com slogans ao
estilo de “nenhum passo atrás”, de “manter as conquistas”, de impedir o
“retorno ao neoliberalismo”. E com uma onda de greves.
A derrota na eleição presidencial não só vai implodir o bloco
político criado no início de 2006, como poderá também levar a um racha
no PT. Afinal, o papel de Lula como guia genial sempre esteve ligado às
vitórias eleitorais e ao controle do aparelho de Estado. Não tendo nem
um, nem outro, sua liderança vai ser questionada. As imposições de
“postes”, sempre aceitas obedientemente, serão criticadas. Muitos dos
preteridos irão se manifestar, assim como serão recordadas as
desastrosas alianças regionais impostas contra a vontade das lideranças
locais. E o adeus ao PT também poderá ser o adeus a Lula.
03 maio 2014
Acredite quem quizer: Dilma vai investir em porto do Uruguai
DEPOIS DE CUBA, O URUGUAI: Governo Dilma poderá colocar 1 bilhão em porto que vai concorrer em vantagem com os brasileiros
Depois de Cuba, o Uruguai.

Neste
local, junto à cidade d e Rocha, no Uruguai, está prevista a construção
do superporto — em boa parte com o dinheiro brasileiro (Foto:
elpais.com.uy)
O BNDES vai precisar explicar as razoes que levaram o governo Dilma
Rousseff a apoiar a construção, no Uruguai, de um porto de águas
profundas que — acreditem!!! — poderá, por ser moderno e projetado para
ter custos baixos, “roubar” cargas de terminais brasileiros.
Repetindo o caso Cuba — e enquanto os
obsoletos portos brasileiros aumentam o custo Brasil e prejudicam a
competitividade das nossas exportações –, o governo está prestes a
colocar pelo menos 1 BILHÃO DE DÓLARES nas mãos do governo uruguaio para
o porto, a ser erigido na cidade de Rocha, que fica a menos de 300
quilômetros de um dos principais portos brasileiros, o de Rio Grande
(RS).
O requerimento de informação para
esclarecer o caso é de autoria do líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes
Ferreira (SP), e foi protocolado na Secretaria Geral da Mesa, após o
jornal O Globo ter revelado que as negociações entre Brasil e Uruguai estão “a pleno vapor”.
A reportagem mostra que o apoio brasileiro deve ser forte: “cerca de
US$ 1 bilhão do BNDES, recursos do Orçamento, via Fundo de Convergência
Estrutural do Mercosul (Focem), e conhecimento técnico, segundo fontes
que acompanham a negociação. Maior oferta de frequências marítimas,
fretes mais baratos, tempo de deslocamento menor e, principalmente,
possibilidade de alcance do mercado asiático pelo Estreito de Magalhães
(na extremo sul do continente), em condições de concorrência com o Canal
do Panamá, atraem o Brasil.”

O
senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do PSDB: país está exportando sua
poupança em vez de investir na própria infraestrutura (Foto: Agência
Senado)
Para Aloysio, porém, o governo brasileiro, além de exportar a
poupança do país, prejudica cada vez mais o investimento em
infraestrutura. “O BNDES precisa enviar ao Senado todas as informações
que esclareçam essa tentativa de gastar recursos do povo brasileiro em
obras que não sejam para melhorar a infraestrutura do país”.
O Globo registrou que operadores
portuários brasileiros temem uma concorrência com um porto mais moderno,
mais capacitado e menos burocrático (e caro) que os nacionais,
principalmente no Sul do Brasil.
O projeto uruguaio, segundo os estudos
atuais revelado pelo jornal, é ousado: calado (profundidade) de 20
metros, que permite a atracação de navios com capacidade para até 180
mil toneladas. Os portos do Sul do Brasil têm, no máximo, 14 metros de
calado e recebem navios com capacidade de até 78 mil toneladas. “O porto
uruguaio pode sugar cargas da região, afetando Sul e Centro-Oeste do
Brasil, Paraguai, Bolívia e Norte e Centro da Argentina”, publicou O Globo.
Caso o empreendimento de fato saia do papel, poderá contar não só com
recursos do BNDES e do Focem, como do Programa de Financiamento às
Exportações (Proex), que prevê, por exemplo, subsídios para tornar a
taxa de juros compatível com as do mercado internacional.
Do tamanho de Paranaguá e Rio Grande juntos
Diz ainda o jornal: “Como os navios no mundo são cada vez maiores,
para ganho de escala, o porto deve se consolidar como parte das grandes
rotas intercontinentais, deixando os terminais brasileiros de fora.
“O próprio governo uruguaio publica em sua página na internet algumas
estimativas sobre o novo porto, que em 2025 deve movimentar 87,5
milhões de toneladas, mais do que a soma dos terminais de Paranaguá
(PR), com 44,7 milhões de toneladas em 2013) e de Rio Grande (com 33,2
milhões de toneladas em 2013).
“Os preços dos fretes serão competitivos a ponto de atrair
empresários brasileiros. Nas rotas para China — maior destino das
exportações brasileiras –, Japão e Sudeste Asiático, a tonelada
transportada pode ficar entre 12,50 e 22,50 dólares mais barata,
enquanto para a Europa a redução de custos pode chegar a 3,50 dólares
por tonelada.
Dilma despenca e garante segundo turno
PESQUISA SENSUS: DILMA TEM 35% E AÉCIO 23,7%
Do jornal O Estado de S. Paulo
Pesquisa Sensus divulgada neste sábado, 3, indica que se as eleições fossem realizadas hoje, haveria votação em segundo turno.
A presidente Dilma Rousseff (PT) teria 35% das intenções de votos, o senador tucano Aécio Neves (MG) teria 23,7% e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) teria 11%. O total de votos em branco, nulos ou de pessoas que se manifestaram dizendo não saber em quem votar ou não responderam à pesquisa é de 30,4%.
Juntos, Aécio e Campos têm 34,7% dos votos, praticamente a mesma porcentagem de Dilma (diferença de 0,3%). A margem de erro é de 2,2%.
Do jornal O Estado de S. Paulo
Pesquisa Sensus divulgada neste sábado, 3, indica que se as eleições fossem realizadas hoje, haveria votação em segundo turno.
A presidente Dilma Rousseff (PT) teria 35% das intenções de votos, o senador tucano Aécio Neves (MG) teria 23,7% e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) teria 11%. O total de votos em branco, nulos ou de pessoas que se manifestaram dizendo não saber em quem votar ou não responderam à pesquisa é de 30,4%.
Juntos, Aécio e Campos têm 34,7% dos votos, praticamente a mesma porcentagem de Dilma (diferença de 0,3%). A margem de erro é de 2,2%.
Especial VEJA: …E tudo acabou na mais longa ditadura
Publicado na edição impressa de VEJA


Os golpistas em geral tinham um objetivo comum a uni-los todos:
acabar com o governo de João Goulart e livrar o Brasil do perigo
vermelho. Derrubado Jango e afastado o risco da “comunização”, como se
dizia na época, era hora de festejar. A imprensa, em peso, celebrou o
golpe, com a solitária exceção da Última Hora. “Fora!”, gritava o Correio da Manhã,
ao comemorar a queda de Jango. O ex-presidente Juscelino Kubitschek,
então senador, simpatizou com a ideia de ver um general comandando o
país até a eleição presidencial de 1965, na qual era favorito. Carlos
Lacerda, governador da Guanabara, deu entrevista saudando a vitória
militar e não conteve as lágrimas: “Obrigado, meu Deus, muito
obrigado!”. A classe média do Rio de Janeiro, aliviada, reuniu milhares
de pessoas na Marcha da Vitória, abençoada pelo cardeal dom Jaime
Câmara, para quem o golpe contara com o “auxílio divino obtido por nossa
Mãe Celestial”.
Atingido o objetivo que unira a todos e passada a euforia, a carranca
da realidade reapareceu. O arco dos aliados pró-golpe não tinha mais o
elo sólido em comum, e logo começaram pressões – e contrapressões – para
endurecer e perpetuar o regime. Uma semana depois do golpe, o Correio da Manhã
protestava contra a queima de exemplares do jornal nas bancas, numa
operação que “possuía todos os requintes de intolerância e barbárie
característicos dos regimes totalitários”. Dois meses depois do golpe,
JK, que votara a favor do general Humberto Castello Branco para
presidente da República, estava cassado. Três meses depois do golpe,
Lacerda já percebera que os civis não seriam mais que coadjuvantes no
regime militar e chegou a chamar Castello Branco de “Napoleanão”, em
referência ao estilo imperial do militar de 1,64 metro de altura. Dois
anos depois do golpe, a classe média, assustada com a reação truculenta
do regime contra os protestos estudantis, já não reconhecia o governo
que apoiara. Em 1968, quatro anos depois do golpe, a indignação popular
saiu às ruas do Rio depois do assassinato, pela Polícia Militar, de um
estudante de 18 anos. O protesto entraria para a história como a
Passeata dos Cem Mil e foi abençoado por dom Jaime Câmara, o mesmo
cardeal que, anos antes, louvara os militares vitoriosos. Por fim, no
dia 13 de dezembro de 1968, o general Arthur da Costa e Silva, segundo
general-presidente, baixou o AI-5, o ato institucional que o autorizava a
fechar o Congresso, cassar mandatos parlamentares, censurar a imprensa e
governar por decreto.
Com o AI-5, quatro anos, oito meses e treze dias depois do golpe,
estava oficialmente proclamada a ditadura militar. Por que o golpe deu
origem a um regime moderado inicialmente e acabou na mais longa e brutal
ditadura da história do Brasil? Quase sempre, as rupturas fogem do
controle. Em seu clássico Anatomia das Revoluções, o
historiador Crane Brinton, morto em 1968, mostra que boa parte das
revoluções começa com esperança, triunfa sob líderes moderados e, sob o
peso das inevitáveis contradições internas, acaba por se radicalizar e
naufraga no autoritarismo. O ciclo se repetiu nas revoluções inglesa,
francesa e russa, que terminaram, respectivamente, sob o comando de um
ditador regicida (Oliver Cromwell), um corso belicista (Napoleão
Bonaparte) e um tirano paranoico (Josef Stalin). Nesse processo de
radicalização autoritária, Brinton, inspirado na declaração de um
revolucionário francês do século XVIII, escreveu o seguinte: “A
revolução, como Saturno, devora os próprios filhos”.
Em 1964 não aconteceu uma revolução. Os militares não tinham um
conjunto doutrinário capaz de dar ao golpe esse caráter orgânico e
profundo. Mas houve uma ruptura que, de certo modo, reprisou o ciclo
descrito por Brinton. Triunfou sob o comando de Castello Branco, um
militar culto, de formação liberal e avesso ao barbarismo autoritário, e
acabou sob o tacão implacável de Emílio Garrastazu Médici – de todos os
generais-presidentes o que menos se incomodou com o uso da força bruta.
Por volta de 1970, o golpe já esfacelara as instituições nacionais e
devorara alguns de seus filhos mais pródigos. Perdera apoio até de um
pedaço da elite e dos políticos conservadores.
O triunfo dos radicais de qualquer ideologia e em qualquer regime
decorre de circunstâncias muito específicas, mas, em geral, relaciona-se
à organização e ao ambiente. Os radicais são mais disciplinados e mais
obstinados que os moderados. Por isso, costumam se organizar com mais
competência e empenho. São ainda favorecidos por um ambiente em que toda
manifestação de moderação é vista como covardia. No regime de 64, os
radicais, sob o apoio ou o silêncio de comandantes militares,
endureceram o regime a ponto de implantar o terrorismo de Estado para
combater o terrorismo de esquerda. Explodiram bombas e colocaram presos
no pau de arara. A direita extremista, que antes do golpe atuava por sua
conta e risco, transferiu-se para dentro da máquina do Estado,
anarquizando a ordem militar. E a radicalização da linha dura criou um
ambiente no qual qualquer gesto de prudência equivalia a sinal de
fraqueza.
Subvertido pela tortura e pela anarquia, o regime viveu a ilusão de
que poderia eliminar o inimigo na clandestinidade do porão e no silêncio
da censura. A tortura e o combate à esquerda armada cumpriram o
objetivo imediato, mas apodreceram o regime moralmente. Disso, a
ditadura jamais se recuperaria. A pensadora Hannah Arendt explicou: está
fadada ao fracasso toda política de Estado cujo objetivo seja fazer
seus adversários “desaparecer em silencioso anonimato”. A força bruta
descarnou o regime. Até hoje, meio século depois do golpe, num Brasil em
quase tudo diferente do de 1964, os comandantes militares não admitem
que “fugitivos”, “desaparecidos” e “suicidas” foram, na verdade,
assassinados. Sendo uma instituição baseada na ética, na honra e na
lealdade, as Forças Armadas ainda precisam reconhecer para a sociedade
que esse passado é condenado também pelos militares.
Colaboradores: André Petry, Augusto Nunes,
Carlos Graieb, Diogo Schelp, Duda Teixeira, Eurípedes Alcântara, Fábio
Altman, Giuliano Guandalini, Jerônimo Teixeira, Juliana Linhares, Leslie
Lestão, Otávio Cabral, Pedro Dias, Rinaldo Gama, Thaís Oyama e Vilma
Gryzinski.
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