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31 dezembro 2010

Lula por um dia! _ Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Lula da Silva acaba hoje - tem mais uma solenidadezinha para a pantomima da despedida e só! Depois é passado. Se a sua eleição foi celebrada como o advento, tenta-se fazer de sua despedida um rito sacrificial, embora exultante, como se ele estivesse caminhando para uma imerecida imolação, mesmo sendo sucedido na Presidência por um nome do seu grupo político. A ua cascata lacrimosa - e como ele chora fácil, não? - é só uma nota patética no rito corriqueiro das democracias: os governantes eleitos exercem por um tempo o mandato e depois deixam o poder, seguindo o que vai estabelecido nas leis. O circo que se arma dá a entender que ele está nos fazendo uma generosa concessão. E não está! Ao contrário: a democracia, na qual ele nunca acreditou muito, é que foi generosa com ele.
É claro que o Brasil teve alguns avanços. Lula estava lá para isto mesmo:  tentar melhorar o que não ia bem. É essa a função dos governos, ou não precisaríamos deles. Afinal, se o objetivo não fosse aumentar o bem-estar coletivo e garantir o pleno exercício das liberdades públicas e individuais, serviriam para quê? Só para tungar a carteira dos contribuintes? Nem Lula nem governante nenhum têm o direito de nos cobrar por aquilo que nós lhes demos. Eles não nos dão nada! Para ser mais exato, tiram. Aceitamos, como uma das regras do jogo, conceder-lhes algumas licenças em nome da ordem necessária para viver em sociedade. Só isso!
Lula se vai. Não há nada de especial nisso. Na manhã seguinte, como diria o poeta, os galos continuarão a tecer as manhãs - consta que eles só pararam de cantar quando morreu Papa Doc, o ditador do Haiti. Não creio que devotem o mesmo silêncio reverencial a Papa Lula! O petista terá cumprido oito anos de um governo que fez pouco caso das leis, das instituições e do decoro, e tal ação deletéria nada teve a ver com suas eventuais qualidades. A virtude não deriva do vício;  o bem não descende do mal.
A democracia, que garante amanhã a posse de Dilma Rousseff, teve no PT - e particularmente em Lula - um adversário importante em momentos cruciais da história do Brasil. Esse é o partido que não participou do colégio eleitoral que pôs fim ao regime militar; que se negou a homologar a Constituição de 1988; que se recusou a dar sustentação ao governo de Itamar Franco; que sabotou - e cabe a palavra -  todas as tentativas de reformar o país empreendidas por FHC e que, agora, se esforça para censurar a imprensa.
A sorte foi, sem dúvida, generosa com Lula caso se considere a sua ação efetiva para a consolidação da democracia política. Seus hagiógrafos tendem a superestimar a sua atuação como líder sindical, ignorando a sua histórica irresponsabilidade no que respeita aos marcos institucionais, que são aqueles que ficam e que compõem o molde no qual a sociedade articula as suas diferenças.
Neste último dia de Lula, meu brinde vai para a democracia, que sobreviveu às ações deletérias de um líder e de um partido que se esforçam de modo metódico para solapá-la em nome de suas particularíssimas noções de Justiça.
Vai, Lula! Os que preservam a democracia o saúdam!
Comento:
 Reinaldo Azevedo consegue sempre escrever aquilo que a gente gostaria. Nenhum reparo ao que vai acima.

"Assim é um líder"_Nelson Rodrigues

Íntegra da crônica Assim é um líder, de Nelson Rodrigues, publicado no jornal O Globo em 9 de janeiro de 1968

Nelson Rodrigues
O líder é um canalha. Dirá alguém que estou generalizando. Exato: estou generalizando. Vejam, por exemplo, Stalin. Ninguém mais líder. Lenin pode ser esquecido, Stalin, não. Um dia, os camponeses insinuaram uma resistência. Stalin não teve nem dúvida, nem pena. Matou, de forma punitiva, 12 milhões de camponeses. Nem mais, nem menos: – 12 milhões. Era uma maravilhoso canalha e, portanto, o líder opuro.
E não foi traído. Aí está o mistério que, realmente, não é mistério. É uma verdade historicamente demonstrada: – o canalha, quando investido de liderança, faz, inventa, aglutina e dinamiza as massas de canalhas. Façam a seguinte experiência: – ponham um santo na primeira esquina. Trepado num caixote, ele fala ao povo. Mas não convencerá ninguém, e repito: – ninguém o seguirá. Invertam a experiência e coloquem na mesma esquina, e em cima do mesmo caixote, um pulha indubitável. Instantaneamente, outros pulhas, legiões de pulhas, sairão atrás do chefe abjeto.
Mas, dizia eu que Stalin não foi traído, nem Hitler. O Führer, para morrer, teve de se matar. (Nem me falem do atentado dos generais grã-finos. Há uma só verdade: – nem o soldado alemão, nem o operário, nem o jovem, nem o velho, traíram Hitler.) E, quanto a Stalin, ninguém mais amado. Só Hitler foi tão amado. Aqui mesmo, no Brasil. Bem me lembro, durante a guerra, dos nossos stalinistas. Na queda de Paris, um deles veio-me dizer, de olho rútilo e lábio trêmulo: – “Hitler é muito mais revolucionário que a Inglaterra”.
Sim, o que se sentia, aqui, por Stalin, era uma dessas admirações hediondas. Eu via homens de voz grossa, barba cerrada, ênfase viril. Em cada um dos seus gestos, a masculinidade explodia. E, quando falavam de Stalin, eles se tornavam melífluos, como qualquer “travesti” do João Caetano ou do Teatro República. O que se sentia, por trás desse arrebatamento stalinista, era um amor quase físico, uma espécie de pederastia idealizada, utópica, sagrada. Com as mandíbulas trêmulas, uma salivação efervescente, os fanáticos chamavam o Guia de “o Velho”. E essa paixão era de um sublime ignóbil.
Já o Czar foi o antilíder. Há um quadro russo da matança da Família Imperial. (A pintura de lá, tanto a czarista, como a soviética, é puro Osvaldo Teixeira.) Eis o que nos mostra a tela: empilhados, numa bacanal de defuntos, o Czar, a Czarina, as princesinhas, etc., etc. Uns por cima dos outros, e cravejados de bala. Os soldados receberam a ordem e estouraram a cara dos velhos, das mocinhas, dos meninos. Mas não vamos assumir, aqui, nenhuma postura sentimental. Eis o que importa diser.
Na véspera de morrer, o nosso Nicolau entretinha-se na redação do seu diário. Fazia diário como qualquer heroína da Coleção das Moças. Reparem no antilíder, no anti-rei, no antitudo. No dia seguinte estariam à mostra os intestinos dele mesmo, as tripas da mulher, dos filhos, dos sobrinhos, dos netos. Mas ele não teve nenhum sentimento da morte. No jardim havia um “lago azul” como o da nossa canção naval. E, lá, dois ou três cisnes deslizavam mansamente. Um mundo já morria e outro ia nascer. E o Czar estava fascinado pelos cisnes, e a última página do diário era a eles dedicada. Um homem assim teria de ser exterminado a bala ou a pauladas, como uma ratazana.
Alguém lembrará a figura de Kennedy. Era um líder que preservava um mínimo de humanidade. Mas não era líder. Lembro-me da babá portuguesa da minha garotinha. Ao ver o retrato de Kennedy, gemeu com sotaque: – “Bonito como uma virgem”. Era um líder de luxo, isto é, um antilíder. Ao entrar na política, o pai, outro aristocrata, deu-lhe um cheque de um milhão de dólares. E mais: – Johnny casou-se com Jacqueline. E a mulher bonita é própria do falso líder. Nem Stalin, nem Hitler, fariam essa dupla concessão ao sentimento e ao sexo. Reexaminem toda a vida de Kennedy: – não foi, em momento nenhum de sua história e de sua lenda, um canalha. E não soube fazer pulhas para juntá-los em torno de sua liderança.
Pensem no pacto germano-soviético. Todos os que o aceitaram ou que ainda hoje o justificam eram e são perfeitos, irretocáveis canalhas. De um só lance, Stalin e Hitler degradaram toda uma época. Eis o que desejo ressaltar: – faltava a Kannedy essa capacidade de aviltar um povo. Ao passo que Stalin fez seu povo à imagem e semelhança da própria abjeção. Mas foi na morte que Kennedy demonstrou a ineficácia e falsidade de sua liderança.
O líder não morre antes, nem depois. O derrame escolheu a hora certa para matar Stalin. Hitler meteu uma bala na cabeça no momento justo em que precisava estourar os miolos. Waterloo aconteceu quando se esgotou a vitalidade histórica da era napoleônica. Se Lenin vivesse mais quinze dias, seria outro Trotski. E Kennedy caiu antes do tempo, morreu quando não tinha que morrer. Imaginem um cristo morto de coqueloche aos três anos. Não seria Cristo, não seria nada. Kennedy morreu ao lado da mulher bonita. E, de repente, veio a bala e arrancou-lhe o queixo, forte, crispado, vital. Restava tudo por fazer; o horizonte da reeleição abria-se diante dele. Esta morte antes do tempo mostrou que Kennedy não era Kennedy. O amor que lhe consagramos é um equívoco.
Falo, falo, e não sei bem por que estou dizendo tudo isso. Agora me lembro, Eu disse algo parecido ontem, num sarau de grã-finos. Não achem graça. Aprende-se muito no grã-finismo, e repito: certos grã-finos têm um sutil faro histórico, diria melhor, profético. Sentem, por vezes, antes dos outros, o que eu chamaria “odor da História”. E um desses estava-me dizendo, num canto, com uma convicção forte: – “Vai haver o diabo neste país”. Disse e fez um “suspense”. Instiguei-o: – “O diabo, como?” E ele, misterioso: – “Você não sente que vem por aí não sei o quê?” Esse “não sei o quê” era pouco para a minha fome. O grã-fino punha mais gelo no copo. Insinuou: – “”Há muita insatisfação”. Ainda era pouco. E eu queria saber, concretamente, o que vinha por aí. Perguntei: – “Sangue?” E o outro: cara a cara comigo e um ar de quem promete hemorragia nacional inédita: – “Sangue”.
Todavia, o “suspense” continuava. “Sangue”, dissera ele. Mas, quem ia derramar o sangue, e que sangue? Ainda olhei para os lados, como a procurar, entre os convidados, um possível Drácula. Quando, porém, o grã-fino falou em “esquerda”, a minha perplexidade não teve mais tamanho. Recuei dois passos avancei outros tantos e perguntei: – “Você acredita na nossa esquerda? Nessa que está aí?”
Ele acreditava. Então perdi a paciência e falei sem parar, Quem ia mudar qualquer coisa neste País? A esquerda tem um canalha para exercer uma liderança concreta e proveitosa? Senhoras entraram no debate. Fez-se, ali, uma alegre pesquisa de pulhas. Mas os canalhas lembrados eram, ao mesmo tempo, imbecis. E o que a história pedia era um crápula com seu toque de gênio. Em suma: não ocorria aos presentes um nome válido. A última palavra foi minha. Disse eu mais ou menos o seguinte: – enquanto a esquerda que aí está não for substituída até seu último idiota, não vai acontecer nada, rigorosamente nada.
Comento:
Qualquer semelhança não é mera coincidência...

30 dezembro 2010

O Natal de Jesus é somente de festas?

Muita gente vai estranhar esse título achando que a resposta é óbvia e que as festas se devem ao fato de nesta data ter nascido Jesus Cristo. OK. Concordo. No entanto, continuo a fazer a mesma pergunta com resposta "óbvia". Isso porque não creio que a maioria da humanidade saiba - ou queira saber - mesmo quem foi Jesus Cristo.
Esse Personagem da História (não creio que ainda haja alguém que duvide de Sua historicidade), no entanto, por já parecer "fazer parte da paisagem" (afinal há 2010 anos que a "cristandade" O festeja - e isso é mais do que prova de Sua historicidade, tendo mesmo dividido ao meio a História em aC e aD), todavia as pessoas nem se dão conta de Sua importância para a humanidade. Explico porque: as pessoas - os cristãos, propriamente - se preocupam mais com as tradições das festividades em si do que com o "Homenageado", pois dEle não se lembram como mais do que uma simples figura histórica que a tradição aponta como Alguém que, se dizendo "Filho de Deus", aqui nesta Terra nasceu como criança; foi perseguido logo que nasceu e durante toda a sua vida; ensinou e curou muita gente; escolheu alguns seguidores que denominou de apóstolos; nunca escreveu nada, mas foi o Personagem de Quem mais se escreveu; foi morto por cruciifixão pelos romanos a pedido dos próprios judeus e ressusciou ao terceiro dia e subiu ao Céu  - aqui a fé já começa a fraquejar... - e ninguém nunca mais o viu. Que história triste, não? No Natal somente se contam a "parte boa" da História - o nascimento - e se deixam a parte, como diríamos, "triste" para a "semana santa" entre março e abril, pois afinal o que se quer nesta data natalina é festejar e não contar história triste.
É aqui justamente que reside a importância da resposta à pergunta incômoda: Jesus nasceu para morrer por nós! Como então separarmos as duas partes da História? O nascimento de Jesus - o Natal - é importante justamente porque nesta data - não em dezembro (com noites de invernos rigorosos), mas provavelmente em outubro (quando o clima está agradável e conta com pastores nas colinas de Belém...) - houve o cumprimento da mais importante profecia da bíblia: a de que um dia nasceria uma Criança que "esmagaria a cabeça da serpente" e que foi prometida por Deus lá no Éden logo após a queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Essa história está em Gênesis 3:15: " E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar". Esse diálogo se deu entre Deus e o Tentador (que se "camuflou" por detrás da serpente - usando-a como chamariz e instrumento de tentação), deixando antever que seu domínio (do Tentador) sobre a criação de Deus seria obstaculizada - haveria "inimizade" entre os seguidores de Deus e os seguidores do Tentador - e finalmente este seria julgado  e condenado à morte quando a "semente" (Jesus) da mulher (Maria) desse à luz a um Filho que lhe "esmagaria a caneça", enquanto que esse "Filho do Homem" e também "Filho de Deus" sofreria um "ferimento no calcanhar", ou seja, a morte na cruz e os "longos" (para Quem sempre viveu) 3 dias sob o poder da morte (o cômputo do dia naqueles tempos era inclusivo, isto é, considearava qualquer fração de um dia como "umdia inteiro". Assim, Jesus morreu às 15h de sexta-feira, passou todo o sábado na sepultura, e, ao raiar do 1o dia da semana, ressuscitou - portanto 3 dias). Jesus morreu a nossa morte para que pudéssemos viver a Sua vida.
Percebam como tanto o nascimento quanto a morte de Jesus foram preditas desde o Éden! Assim, não há como separar uma história da outra. Jesus nasceu para morrer. A sentença de mortre decretada por Deus contra a humanidade (Adão e Eva no Éden) após a queda recaiu sobre o próprio Deus na pessoa de Seu Filho - na verdade a segunda pessoa da Divindade. Por Ele, Jesus, a humanidade será reerguida e voltará à harmonia original. Durante toda a História da humanidade se verificou a existência de um "grande conflito" entre os "filhos de Deus" e os "filhos das trevas". A obediência é a grande chave para a liberdade. No ponto em que Adão e Eva caíram, Jesus venceu! Aqueles caíram pela desobediência no Éden; Jesus venceu no "deserto da tentação" e durante todo o Seu ministério. O Tentador procurou de toda sorte obstaculizar o cumprimento dessa profecia, a qual não compreendia muito bem, mas sabia não lhe ser benéfica, pois a sua cabeça seria "esmagada".
Ao longo de toda História da humanidade - e do "povo de Deus em particular - se percebe a "inimizade" entre o mal e o bem. A humanidade desceu fundo na prática do mal, mas sempre houve um remanescente que ficou ao lado de Deus e da verdade. Noé e sua família sobreviveram ao dilúvio - evento tão certo quanto as marcas deixadas pelo mesmo na face da Terra em termos de "grands cannyons", "jazidas de carvão mineral", "petróleo", "fósseis de animais e plantas", etc. Abrahão, Isaac e Jacó deram origem a Israel, o antigo "povo de Deus", de onde nasceu o prometido Messias - Jesus, a "semente" da mulher. Esse povo sofreu cruel oposição do Tentador, que tudo fez para afastá-lo de Deus. Quando Jesus nasceu, o Tentador procurou matá-Lo logo no nascimento. E assim fez ao longo de toda a vida de Jesus, mas sem sucesso a não ser quando Este Se deixou matar na cruz. Por que era necessário que Jesus morresse? Por que Deus arquitetou um plano desses? São Paulo afirma que "sem derramamento de sangue (isto é, a morte) não há remição (perdão) dos pecados (transgressão da Lei de Deus)" (Heb. 9:22). Assim, apenas Alguém que tivesse vida em Si mesmo (como Jesus tinha) podia morrer a morte em nosso lugar e assim "pagar o preço" da transgressão original e de cada filho e filha de Adão e Eva. Na fé de que esse sacrifício foi substitutivo à nossa morte eterna reside o "Plano da Salvação". Jesus declarou: "quem crer em Mim ainda que esteja morto viverá e quem vive e crer em Mim jamais morrerá (eternamente)" (S. João 11:26). A morte eterna é aquela que será destinada a todos quantos continuarem em seu caminho de transgressão da Lei de Deus (Êxodo 20; Apoc. 20:11-15) e a receberão como sentença final. Esta morte também está destinada ao Grande Rebelde, ao Tentador, Satanás, que caiu de sua posição no Céu antes da fundação da Terra (Apoc. 12:7; Ezeq. 28).
Este texto é uma contribuição a todos quantos me acompanham neste espaço e dever ser recebido de forma a levá-los a meditar na figura de Jesus como muito mais do que um simples pregador que morreu de forma vergonhosa, numa aparente derrota, sob os poderes dos homens maus. Deus, para demonstrar que é capaz de se sacrificar pelo pecador sem, todavia, rebaixar a norma de Sua Santa Lei, cumpriu-a e deu o exemplo de como cumpri-la em todas as fases da vida. Daí ter nascido como uma criancinha, ter passado pela infância, adolescência e fase adulta. Por 33,5 anos conviveu nesta Terra como 'estrangeiro' sem se eximir de participar ativamente da vida humana, mas sem cometer nenhum pecado. Foi o 'segundo Adão', isto é, veio sem a natureza pecaminosa (pois sendo Deus não tem em Si mesmo o germe do mal), mas, como qualquer ser humano, foi tentado em tudo quanto poderia ter sido levado a cometer pecado pelo Tentador. Sua 'arma' sempre foi um claro 'está escrito', demonstrando assim a importância de Sua Palavra escrita como um guia seguro para o cristão.
Tão importante quanto as profecias (são mais de 800 no Velho Testamento) acerca de sua primaira vinda como Messias sofredor e 'cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo' (como era prefigurado nos holocaustos e no cerimonial do Templo judaico), devemos olhar para as diversas outras profecias que tratam de seu retorno como Juiz de toda a Terra. Em Sua providência, Deus deixou que o mal maturasse por mais de 2 mil anos. A Terra, por tudo que pode ver e pelo que as inúmeras profecias demonstram, parece estar em seus estertores e a promessa de sua segunda vinda está se cumprindo a passos largos, mas a humanidade, a wexmplo do que ocorreu nos tempos de Noé, está entregue a um incrível e inexplicável frenesi por festas, comemorações, beberagens, comilanças, sexo, drogas e outras práticas divercionistas que a afastam da iminente hora do juízo de Deus. A Natureza geme e pranteia pelas ações do homem. As sociedades estão cheias de corrupção e crimes. Todas as profecias bíblicas se cumpriram. Um de seus maiores estudiosos foi o grande cientista Sir Isaac Newton ("As profecias de Daniel e Apocalipse"). O maior de todos os períodos de tempo profético (Dan. 8:14; 12) se cumpriu em 1844, quando teve início aquilo que em Daniel é chamado de 'tempo do fim'.
Que Jesus Cristo, Deus o Pai, e o Divino Espírito Santo nos ajudem a obedecer aos mandamentos de Deus e possamos alcançar "novos ceús e nova Terra" (Apoc. 21:1) que Ele tem preparado a cada um de nós na Sua segunda vinda. Amém.

FHC não entende Dilma Rousseff

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso esteve no programa Manhattan Connection, do GNT, no domingo. Diogo Mainardi quis saber se ele entende o que fala Dilma Rousseff. Com humor, respondeu o tucano:
“Tenho dificuldade mesmo. Você sabe que eu sou curto de inteligência; às vezes; eu não consigo. Ela não termina o raciocínio, e eu não tenho imaginação suficiente para saber o que ela iria dizer”.
Na mosca!

Lula confessou que quer controlar a imprensa_Por Reinaldo Azevedo

Vejam o que Reinaldo Azevedo escreveu acerca da fala de Lula sobre o controle da imprensa:
Então fica combinado: Lula não pára de falar bobagem, e eu não paro de escrever que ele fala bobagem. Ele não desiste, eu também não. Nesta segunda, em dois momentos, o Babalorixá de Banânia, já nos estertores da apoteose mental, resolveu atacar a imprensa, evidenciando, pela enésima vez, que ainda não entendeu direito o que é essa tal democracia — ou, o mais provável, já entendeu, mas não gosta.
Em café da manhã com jornalistas, voltou a defender o controle da “mídia”, negando, como sempre, que pretenda censurar a imprensa. Leia esta sua fala, publicada na Folha Online:
“Temos que fazer um debate que todos participem e aprovar uma lei que seja o caminho do meio, nem o que quer a extrema direita nem o que quer a extrema esquerda. Tem que ter bom senso”.
Como as palavras fazem sentido, o que temos acima é uma confissão: Lula pretende mesmo censurar a imprensa; esta que existe não lhe serve. Por que afirmo isso? O Apedeuta defende uma lei que seja o “caminho do meio”. O meio de qual polarização? Segundo ele, entre a “extrema direita” e a extrema esquerda”.
A extrema esquerda, no que diz respeito à comunicação, é formada por aquele bando de desocupados, financiados pelo governo ou por ONGs, que participaram da Confecom (Conferência de Comunicação) e aprovaram o “controle social da mídia”. Ela seria uma das pontas dessa luta.  E a extrema direita? Onde estaria?
Seria a imprensa que está aí, entenderam? Ao classificá-la de extremista, Lula pode reivindicar para si o “centro”. A lógica se impõe: se, para o barbudo, a “mídia” é hoje de extrema direita, é evidente, então, que ele está defendendo uma lei — OBSERVEM QUE ELE FALA EM “LEI” — que a force a caminhar para a esquerda. E como isso se faria sem policiamento de conteúdo? Não se faria! A proposta será inescapavelmente autoritária. Nos limites da Constituição e das leis democráticas, o único juiz aceitável do que a imprensa pública ou deixa de publicar é o indivíduo.
Trata-se de uma mentira grosseira a ilação de que a imprensa brasileira é de “extrema direita”. A verdade é bem outra, como sabem os leitores. Os valores dominantes hoje nas redações do país são majoritariamente de esquerda. Basta escolher o tema e fazer o teste. Mais ainda: a grande popularidade de Lula se deve à generosíssima cobertura que lhe dispensa a imprensa que ele quer controlar. Por que essa obsessão?
Ele tentou se explicar:
“Não defendo o controle da mídia, mas responsabilidade. [a mídia] Precisa parar de achar que não pode ser criticada, porque, toda a vez que é criticada, diz que é censura. Quando faz a matéria, diz que é liberdade de imprensa; quando recebe a crítica, diz que é censura”.
Nunca é tarde para Lula aprender alguma coisa, e eu ensino, embora, ex-professor, eu saiba reconhecer um esforço inútil. O problema não está na crítica que Lula e os petistas fazem à imprensa, mas na mobilização do aparato de estado contra a liberdade de expressão. O Apedeuta estabelece uma equivalência entre o Planalto e o jornalismo que é absolutamente falsa! Afinal, nós não podemos pressionar os poderosos com leis de sotaque discricionário, mas eles podem tentar nos intimidar. Mais: a sociedade tem a obrigação de vigiar o governo, mas um governo não pode tentar vigiar a sociedade além dos limites estabelecidos pela Constituição.
Quando a imprensa critica um governante — e é claro que a crítica pode ser injusta —, é razoável supor que estamos num regime democrático. Quando um governante critica a imprensa — sem apontar seus supostos erros —, estamos diante, quando menos, de uma tentação autoritária.
Não, Lula! Não passará!
Quem está passando é Lula.
Faltam apenas três dias.
PS: Era visível o ar compungido de Lula, triste mesmo, de quem está prestes a ser retirado do parquinho porque expirou o prazo do bilhete.
Comento:
Concordo com tudo o que foi dito acima.

26 dezembro 2010

Dilma: uma presidenta descartável.

Sábado, Dezembro 25, 2010

De Guilherme Fiuza, na revista Época:
Dilma, o contratempo
Deu tudo certo no Plano Dilma, com exceção de uma palavra que anda incomodando seus artífices: Dilma.A prorrogação da DisneyLula em direção ao infinito está funcionando bem. A vitória eleitoral relativamente fácil renovou o oxigênio dessa formidável máquina de ocupação do Estado pelo exército de companheiros. O PT e seus sócios de vida fácil estão, porém, apreensivos com o futuro do paraíso estatal sem a mística do filho do Brasil. Inventar Dilma e colocá-la na Presidência foi uma jogada de mestre. O único inconveniente é que agora ela vai ter que governar. Serão quatro anos de exaustiva ginástica para não desmanchar o fetiche do Padre Cícero do ABC. Esse contratempo vinha sendo bem dissimulado nos três anos que Dilma passou em campanha eleitoral. Agora o PT rasgou a fantasia.
O porta-voz da sinceridade foi o escudeiro Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, escalado para manter a encarnação do chefe no palácio – agora como secretário-geral da presidenta. Perguntado sobre a possibilidade da volta de Lula ao posto em 2014, ele mandou às favas o teatro em torno do primeiro governo feminino do Brasil: “Num cenário de a Dilma fazer um governo bom, é evidente que ela vai à reeleição. Se houver dificuldades e ele (Lula) for a solução para a gente ter uma vitória, ele pode voltar.” É comovente o acesso de franqueza. Até os eufemismos habituais sobre um novo governo promissor, ou mesmo as evasivas sobre a impossibilidade de prever o futuro, sumiram de cena. Sem meias-palavras, o porta-voz do messias já fala abertamente em sua volta, mediante a hipótese de Dilma fazer besteira.
É antropologicamente interessante ver o discurso do triunfalismo feminista girar 180 graus para o pragmatismo fisiológico. Nunca é tarde para se dizer a verdade. Antes mesmo de largar o osso, Lula é lançado candidato para 2014 pelos companheiros que já cogitam as “dificuldades” do governo Dilma.O país assistirá a uma batalha interessante daqui para frente: a luta do fisiologismo contra o fisiologismo do B. Como é voraz, essa nova elite nacional.

24 dezembro 2010

Lula x FHC = Mao Tse Tung x Deng Xiao Ping_Por C. A. Sardenberg

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEGUNDA-FEIRA

Carlos Alberto Sardenberg
Quando um governante tem ampla aprovação popular, decorre daí que está fazendo a coisa certa? Depende do que se entende pela coisa certa, é claro, mas a relação não é direta. É possível que um líder tenha prestígio enquanto faz uma administração absolutamente desastrosa, e isso vale tanto para os eleitos quanto para os ditadores.
O exemplo mais evidente é o de Mao. Até hoje a China reverencia o “grande líder”, que, entretanto, conduziu o País a grandes desastres: fome matando milhões, economia arrasada, assassinatos em massa, torturas. Já a potência econômica de hoje foi fundada por Deng Xiao Ping, aliás, ele próprio prisioneiro durante a revolução cultural maoista. Mas é a imagem de Mao que se vê por toda parte.
Agitação e propaganda são boa parte da explicação. Governantes bem-sucedidos na admiração popular têm isso em comum, a capacidade de falar diretamente às pessoas e vender gato por lebre. Criam slogans simples e de imediata compreensão, lançam um plano atrás do outro, não importa se o primeiro foi simplesmente abandonado. Tudo apoiado pelos instrumentos da propaganda.
Nas ditaduras é mais fácil. Como disse Lula no lançamento de seu balanço, no mundo todo os jornais não falam bem do governo, exceto na China e em Cuba. Verdade. O problema é que Lula fez esse comentário em tom de reclamação, como se, na democracia, com imprensa livre, tivesse que gastar muita energia e dinheiro (pagando publicidade na mídia) para passar a sua verdade.
Mas o fato é que Lula foi muito bem nesse quesito. Passou seu governo inteiro no palanque, anunciando planos e mais planos, metas e mais metas, inaugurando várias vezes a mesma obra. Uma parte da imprensa simplesmente aderiu ou foi obrigada a isso pelo volume das verbas oficiais de publicidade. A imprensa livre e independente, apesar das reclamações do presidente, sempre cobriu essas atividades, o que ampliou os palanques.
A Ferrovia Transnordestina é um caso exemplar: foi lançada e “inaugurada” cinco vezes, sempre apresentada pelo presidente como sua obra especial. Prometida para este final de ano, tem menos de 100 km prontos, para um projeto de quase 3 mil. Nada disso impediu que a obra aparecesse como resultado de sucesso na prestação de contas de Lula, aquela registrada em cartório. Claro que o texto não diz que a obra está pronta, mas, sim, em execução, que foi viabilizada “pela primeira vez”, sem nenhuma referência aos atrasos e problemas que ainda enfrenta.
Ou seja, não é prestação de contas, mas pura propaganda. Lula não perde a oportunidade de alardear sua elevada popularidade, suas virtudes de operário-presidente. Sua turma também. É o maior presidente de todos os tempos, disse uma vez Dilma Rousseff. E, quando criticado por esses excessos, Lula joga na cara dos críticos: o País nunca cresceu tanto, a renda aumentou, a pobreza diminuiu e o mundo respeita o Brasil. Por que ele não pode se vangloriar desses feitos?
Eis a quase-verdade (ou, claro, quase-mentira). É verdade que o País está de novo num bom momento. Mas não é verdadeira a conclusão que Lula tira disso: que isso tudo só está acontecendo porque ele é o presidente.
Basta olhar em volta. Os países emergentes em geral descreveram trajetória igual à brasileira: estabilidade macroeconômica construída nos anos 90 e, especialmente no período 2003/08, os benefícios de uma onda de prosperidade mundial que elevou espetacularmente os preços de nossos produtos de exportação, trazendo abundância de dólares. Na crise do final de 2008/09, o mesmo desempenho: dois ou três meses de recessão, seguidos de forte recuperação, situação atual.
No conjunto, todos os emergentes cresceram forte, acumularam reservas internacionais e têm hoje o mesmo problema da moeda local valorizada (exceto a China, que mantém sua moeda desvalorizada, um caso à parte). Mas reparem: nos anos dourados, 2003/08, o País cresceu menos que os emergentes em geral e menos que a média latino-americana. Todos reduziram a pobreza e em todos se formaram novas classes médias. E grande parte dos países tem programas sociais tipo Bolsa-Família. O Chile Solidário, por exemplo, para ficar na América Latina.
Mas por que o Brasil se tornou tão festejado no mundo? Ora, porque o Brasil, estável, é um enorme país, de amplas oportunidades econômicas. Isso já aconteceu antes na história deste país.
Isso é o lulismo: estabilidade macroeconômica ortodoxa, uma onda mundial favorável, um setor privado (agronegócio e mineração) capaz de atender à demanda global e dinheiro público para gastar com as diversas clientelas, dos mais pobres até as grandes empreiteiras. Um bom momento inflado pelo presidente no palanque.
O problema é que esse tipo de propaganda esconde os problemas. No que o Brasil é diferente dos demais emergentes importantes? É pelo pior: o País continua consumindo mais do que produz, investe menos que a média emergente (sim, com PAC e tudo, continua investindo menos de 20% do PIB), cobra impostos demais de suas empresas e pessoas, tem ainda a taxa de juros mais alta do mundo, um gasto público exagerado e ineficiente, uma bomba-relógio na Previdência.
O governo Lula simplesmente empurrou esses problemas para a frente. Vão cobrar um preço quando o mundo parar de ajudar. Aí surgirá uma nova interpretação da era Lula, assim como da era FHC, um período de reformas que se mostram duradouras.
Lula, claro, não é igual a Mao. Longe, muito longe disso. Há um oceano entre um ditador e um presidente eleito e reeleito. Mas o que têm em comum é a enorme capacidade de formar a opinião pública. Mao, transformando desastre em avanço heroico. Lula, herdando um bom momento, para multiplicá-lo e assumir pessoalmente todos os méritos.
E o presidente Fernando Henrique Cardoso certamente é o nosso Deng.

23 dezembro 2010

Lula: um maníaco à solta_Por Reinaldo Azevedo

No post abaixo, que trata do “chega pra lá” que a Comissão de Orçamento deu no Babalorixá de Banânia, escrevi no título: “Primeiro sinal de que Lula já era”. Sim, leitor, há certo exagero retórico aí. Só estou chamando a atenção para o fato de que, por mais que Lula tente manter as rédeas do país, as instâncias políticas têm especial apreço por quem detém o poder de fato — vale dizer, a caneta.
Lula dará trabalho a Dilma Rousseff. Vai assombrar a política como nenhum outro ex-presidente na história destepaiz… Tratarei do assunto mais tarde. Ele não suporta ser contrariado. Calcinou todos aqueles que a tanto se aventuraram: ou tiveram de sair do PT ou foram reduzidos à irrelevância. Vamos ver como se comporta tendo, pela primeira vez na sua história, um (uma) petista mais poderoso (a) do que ele — ao menos formalmente.
É claro que num eventual braço-de-ferro com Dilma, ela perderia, porque o poder real do PT não está no Executivo, mas no aparelhamento do estado. O confronto jamais chegaria a tanto — e ambos tentariam evitá-lo ao máximo, já que não seria bom para ninguém. Quem  convive com Lula conhece a sua irritação com quem não faz aquilo que ele manda. Lula acaba de ter a primeira manifestação — ainda pequena, quase irrelevante — de que, a partir de 1º de janeiro, ele estará na planície, ainda que tenha enchido de espiões o Planalto.
Terá Dilma alguma ambição de existir politicamente? Eis uma boa questão. Por enquanto, na transição, ela fala por meio de um eloqüente silêncio. Deve ter percebido que Lula está no auge da fase maníaca; nunca, como agora — prestes a deixar o mandato —, sentiu-se tão poderoso. É uma fase complicada. Nessas horas, sendo impossível dar um sossega-leão para o doido, o melhor é guardar certa distância.

Ser Gay, agora é Lei! Nos EUA. Brevemente no Brasil...

Na Folha Online. 
O presidente Barack Obama sancionou nesta quarta-feira a lei que revoga a proibição de gays assumidos servirem nas Forças Armadas dos Estados Unidos. Em um discurso muito ovacionado antes da assinatura, Obama agradeceu diversas vezes a todos os envolvidos na derrubada ao veto que vigorava há 17 anos e disse que ter gays entre os militares vai fortalecer a segurança nacional.
“Eu estou muito feliz. Este é um dia muito feliz. Eu quero agradecer a todos vocês, especialmente às pessoas neste palco. Cada um de vocês trabalhou tão duro nisto”, disse Obama, que gaguejou de início. Diante de uma plateia de militares, o presidente lembrou a história de um militar americano que, há 66 anos, durante a Segunda Guerra, foi salvo por um colega na Europa. Anos depois, eles decidiram se reencontrar e ele descobriu que devia sua vida a um homem gay. “Ele não tinha ideia e francamente não ligava. Ele sabia que só estava vivo e só voltara para cuidar de sua família por causa do amigo”, disse Obama. O presidente afirmou ainda que diminuir um militar por sua sexualidade é como diminuir por questões de religião, raça ou crença - todas essas vetadas nas Forças Armadas dos EUA.
“Esta manhã eu estou orgulhoso em assinar a lei que vai acabar com o Não pergunte, não conte”, afirmou. “Esta lei [...] vai fortalecer nossa segurança nacional. Milhares de pessoas foram obrigadas a deixar as Forças Armadas, não importa sua competência ou bravura, por sua sexualidade. Nenhum mais será obrigado a viver uma mentira, olhar por trás dos seus ombros”. Obama garantiu ainda que a lei, agora sancionada, será aplicada de maneira rápida em todo o país. “Nós não vamos arrastar nossos pés nisso”.
PROCESSO
Em vigor há 17 anos, a política conhecida como “Don’t Ask, Don’t Tell” ["Não pergunte, não conte", em tradução livre] determina que as Forças Armadas não devem perguntar aos militares sobre sua orientação sexual, e os militares não devem divulgá-la. A revogação da política entra em vigor 60 dias após ser sancionada por Obama, por Gates e pelo almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
O secretário de Defesa, Robert Gates, apoia o fim da proibição, uma das principais promessas de campanha de Obama, e cita um estudo recente em que os militares concluíram que a revogação gerava poucos riscos. Na última quarta-feira (15), a proibição foi derrubada pela Câmara dos Representantes (deputados), deixando nas mãos do Senado o passo final para enterrar a atual política. No sábado (18), o Senado também derrubou a proibição, em uma decisão histórica comparada por muitoscom o fim da segregação racial no meio militar dos EUA.
A decisão representou uma reviravolta, já que há poucos dias o Senado havia bloqueado uma tentativa de votação do fim da política - levantando temores de que ela não seria novamente reconsiderada antes do próximo ano. O Pentágono deve agora elaborar um plano para a aplicação das regras alteradas, além de decidir como as tropas serão instruídas sobre a nova política e como ficam os processos disciplinares, os benefícios e o status de quem foi demitido por violar as regras atualmente em vigor, segundo o coronel David Lapan, porta-voz do Departamento de Defesa.
OBSTÁCULO
Alguns críticos dizem que o Pentágono pode demorar a adotar as novas regras, numa concessão ao ceticismo interno. “Este é um obstáculo político por parte dos comandantes. Os militares poderiam revogar a proibição de amanhã se quisessem, mas isso não vai acontecer”, disse Aaron Belkin, diretor do Centro Palm, da Universidade da Califórnia, Santa Barbara. Alguns oficiais de alta patente, como James Amos, comandante dos Marines, são contra a mudança, alegando que ela cria riscos para a estabilidade das Forças Armadas num momento de sobrecarga para os militares nas guerras do Iraque e Afeganistão.
Geoff Morrell, secretário de imprensa do Pentágono, negou que os comandantes tenham a intenção de protelar a reforma.
PESQUISA
Recentemente, um estudo desenvolvido pelo Pentágono revelou que derrubar a lei que proíbe homossexuais assumidos nas Forças Armadas causaria um pouco de perturbação no início, mas não traria problemas disseminados ou de longo prazo para os EUA.
O estudo revelou que 70% dos militares acham que derrubar a lei teria efeitos mistos, positivos, ou nenhum efeito, enquanto 30% preveem consequências negativas ou demonstram preocupação. A oposição foi maior entre os militares de combate, com 40% dizendo ser uma má ideia. O número subiu para 46% entre os fuzileiros navais.
A pesquisa foi enviada para 400 mil militares, dos quais 69% disseram ter trabalhado com alguém que eles acreditam ser gay ou lésbica. Desses, 92% disseram que o trabalho em conjunto foi muito bom, bom, ou nem bom nem ruim, segundo as fontes citadas pelo jornal ‘The Washington Post’.
As unidades de combate deram respostas semelhantes: 89% das unidades de combate do Exército e 84% das unidades de combate dos Fuzileiros Navais disseram ter tido experiências boas ou neutras ao trabalhar com gays ou lésbicas, revela o ‘Post’.
Um recente relatório de um grupo de trabalho do Pentágono recomendou que não haja banheiros ou chuveiros separados para militares homossexuais, e que alguns benefícios, como assistência jurídica gratuita, poderão ser oferecidos para casais do mesmo sexo.
LEI
A lei foi criada em 1993 por Bill Clinton. Ele prometera, logo após a eleição, derrubar o veto aos gays no Exército, criado durante a Segunda Guerra (1939-1945). Sem apoio do legislativo, o projeto tornou-se um veto indireto: os militares gays e bissexuais podem servir, desde que escondam sua sexualidade. Desde então, cerca de 13 mil foram dispensados das Forças Armadas sob a lei.
Apesar de a maioria das dispensas serem resultado de militares gays se assumindo, grupos de defesa dos direitos gays dizem que isso foi usado por colegas de trabalho vingativos para fazer alarde sobre soldados que nunca fizeram de sua sexualidade um problema. Mudar a lei foi uma das promessas de Barack Obama em sua campanha presidencial em 2008. No mundo todo, 29 países - incluindo Israel, Canadá, Alemanha e Suécia — aceitam soldados assumidamente gays, segundo a Log Cabin Republicans, um grupo defensor dos direitos gays.
Comento:
O Império começa a se auto-destruir...Quando as Forças Armadas começam a "se desarmar" de certos princípios, a derrocada é certa... Foi assim com os assírios, com os egípcios, com os babilônicos, com os persas, com os gregos e com os romanos. Estes, então, após dominarem por 5 séculos, o exército começou a plantar e criar galinhas, além de participar de muitas festas regadas a muita bebida e sexo de todas as formas. Deu no que deu. As drogas - que nós vendemos pra eles - já estão minando o Império por dentro. Somos os "novos bárbaros" a "detonar" por fora, e os "novos romanos" a "se detonar" por dentro...Bum!!!

22 dezembro 2010

Um prêmio para o incrível dep. Luiz Sérgio_Por Reinaldo Azevedo

O Ministério de Dilma Rousseff, já apontei aqui, consegue ser mais lulista do que o do próprio Lula. É sinal de tutela. Se a futura presidente será ou não tutelada, bem, isso nós vamos ver. Em certo sentido, pior do que está não fica. Eu realmente não creio que Dilma vá nos brindar com o besteirol diário do atual presidente. Não se trata nem de otimismo nem de esperança. É que, em muitos aspectos, Lula é mesmo insuperável.
Do grupo de ministros anunciados nesta terça, o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) como titular das Relações Institucionais chega a ser chocante chocante. Qual é a sua maior credencial para o cargo? É do grupo de José Dirceu, o dito “consultor” de empresas privadas! E só. Não se pode dizer dele nem mesmo que seja um parlamentar influente, que exerça alguma forma de liderança na Casa. Não é conhecido por ser especialmente hábil. Não é conhecido por ser especialmente inteligente. Não é conhecido por ser especialmente influente. O que o faz notável é ser uma espécie de porta-voz dos anseios de Dirceu. Logo, o “consultor” ganhou um ministério.
Sérgio se fez notar duas vezes em 2008 — e, em ambas, sua atuação foi asquerosa. Ele foi o relator da CPI dos Cartões Corporativos. Corajoso, não tentou disfarçar que estava na comissão para livrar a cara dos petistas. Mas isso ainda era pouco: Sérgio poupou todos os ministros de Lula — não sugeriu um só indiciamento dos companheiros — e , de quebra, cobrou  explicações dos ministros de… FHC!!! Quando a comissão apurava o dossiê feito na Casa Civil, comandada por Dilma Rousseff e Erenice Guerra, contra FHC e Ruth Cardoso, o servidor José Aparecido, acusado de vazar o procedimento ilegal, depôs. Sérgio, muito inquiridor, quis saber o que significavam estas três letras que encerravam um e-mail escrito por Aparecido: “sds”. O homem respondeu: “Saudações”. Luiz Sérgio agradeceu!
Também em 2008, quando se conseguiram no Senado as assinaturas necessárias para fazer uma CPI sobre as lambanças na Petrobras, Sérgio liderou um ato público contra a CPI, acusando um complô, o que era mentira estúpida, para tentar privatizar a empresa.
Esse sujeito, subordinado a Dirceu — o mais antiinstitucional dos petistas —, será ministro das Relações Institucionais, pasta que cuida da articulação política. É uma piada!
Não sei se o governo Dilma estará à altura do seu ministério. Espero que não! Ou será ruim de doer.

MP processo Fernando Pimentel, futuro ministro de Dilma

Por Eduardo Kattah e Marcelo Portela, no Estadão. 
O Ministério Público de Minas Gerais propôs à Justiça ação penal contra o ex-prefeito de Belo Horizonte e futuro ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), e outros, por crimes como fraude em licitação pública, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Na denúncia criminal, o MP apontou irregularidades no processo de implantação do programa Olho Vivo, que levou à instalação de câmeras de vigilância nas ruas da capital mineira, na época em que Pimentel chefiava o Executivo municipal.
Figura também entre os acusados formalmente o procurador-geral do município, Marco Antônio de Rezende Teixeira. A denúncia foi apresentada no último dia 14 - um dia antes de Pimentel ser confirmado como ministro - pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público na 9ª Vara Criminal do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte.
De acordo com os promotores, os crimes resultaram em prejuízo ao erário “de mais de R$ 5 milhões em valores nominais”. O inquérito civil público foi instaurado em 2004, motivado por denúncia de dispensa indevida de licitação na contratação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) pela Prefeitura. “As investigações provaram que a licitação foi dispensada de forma irregular, que os equipamentos foram adquiridos por preços superfaturados, com nota fiscal falsa e importados mediante crime tributário e, ainda, com recursos públicos indevidamente recebidos do município de Belo Horizonte”, informou o MP.
Os promotores autores da ação alegam que estão convencidos de que houve prática criminosa por parte dos denunciados. Conforme o MP, a Prefeitura declarou o repasse de cerca de R$ 8 milhões pela compra, por parte da CDL, das 83 câmeras do programa. A entidade, no entanto, somente teria comprovado a compra de R$ 3 milhões em equipamentos.
Conforme a Promotoria, as “provas” foram apuradas por meio de perícias realizadas não apenas no inquérito civil, mas também em inquéritos da Polícia Civil de Minas e da Polícia Federal. A Justiça ainda irá decidir se recebe ou não a denúncia.
Outro lado
Procurado nesta terça-feira, 21, pelo Estado, Pimentel disse que não comentaria a acusação do MP e indicou o atual procurador-geral do município - que já ocupava o cargo na administração do petista - para falar sobre o caso. Segundo Teixeira, a denúncia “foi feita apenas para figurar na imprensa”. “Juridicamente, (a peça) não tem o menor fundamento. É um disparate total”, classificou.
O MP afirma que um dos problemas no convênio é que a prefeitura não poderia repassar recursos à CDL porque a entidade teria dívidas em execução pelo Executivo municipal. Teixeira, porém, afirma que a CDL já havia parcelado o débito e cumpria o parcelamento. “Ela (entidade) tinha direito de assinar contrato como qualquer outro contribuinte”, disse.
Outra irregularidade, segundo o MP, seria o uso de nota fiscal falsa, em nome de uma empresa inexistente, para comprovar a origem do equipamento. Os promotores que assinam a denúncia afirmaram no inquérito civil que o material teria entrado no País ilegalmente.
Teixeira alega que integrantes do Polícia Militar - que também participa do convênio e é a responsável pela operação das câmeras - estiveram na empresa paulista para verificar o que seria adquirido, já que eram responsáveis pela escolha do equipamento. “Depois é que ela (empresa) teve a inscrição estadual revogada pela Fazenda de São Paulo por causa de alguma irregularidade fiscal. Mas a empresa existia. Houve manipulação da prova”, afirmou.
O procurador-geral negou repasses além dos valores previstos no contrato e acusou o MP de parcialidade e perseguição. Ele afirma que a denúncia trata de um fato “requentado, sem o menor cabimento no sentido jurídico”. Para Teixeira, o MP tenta explorar o caso politicamente, motivo pelo qual apresentou a denúncia à Justiça na véspera da confirmação de Pimentel para o Ministério de Dilma Rousseff.
COMENTO:
Ele foi considerado "aloprado-mor" do dossiê contra José Serra, chefe do Lanzzetta e cia.
Agora, uma pergunta: se não pôde ficar como coordenador de campanha de Dilma, pode ser ministro de Dilma?

Reajuste dos parlamentares em mais de 60% teve reação em Brasília

Em O Globo:
A tarde desta terça-feira foi marcada por protestos contra o aumento dos parlamentares. Em frente ao Congresso, centenas de estudantes secundaristas e universitários de Brasília se reuniram numa manifestação contra a decisão tomada na semana passada, que aumentou o salário dos deputados e senadores em 61,8%. Os estudantes foram barrados quando tentavam invadir o salão principal e, com cartazes e faixas com frases contra o reajuste, chamaram a atenção da imprensa.
Já no Senado, o que era para ser uma simples solenidade de entrega de comenda, transformou-se num enorme constrangimento para os parlamentares presentes no plenário quando o bispo de Limoeiro do Norte, no Ceará, dom Manuel Edmilson Cruz, recusou-se a receber a Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara. A razão da recusa também foi o reajuste concedido aos parlamentares. Ao discursar, o bispo destacou a realidade dos brasileiros menos favorecidos, obrigados a enfrentar filas nos hospitais da rede pública e foi taxativo:
“A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la.” O público presente à sessão, presidida por Inácio Arruda (PCdoB-CE), aplaudiu a decisão.
O bispo ainda acrescentou que o reajuste dos parlamentares deve guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e o da aposentadoria e afirmou que “sua postura não tinha a pretensão de dar lições a pessoas tão competentes e tão boas”. O senador José Nery (PSOL-PA) cumprimentou o bispo pela atitude considerada “coerente” e disse que entendia a recusa.
COMENTO :
Finalmente alguns estudantes que não fazem parte da Une do PT deram a cara à tapa.
O bispo, então, deu um tapa na cara do Congresso Nacional... Bem feito! Ainda existem pessoas de bem "neztepaiz", viu seu Luís Inácio?!

BC eleva previsão de défixcit externo em 2011

Por Fernando Nakagawa e Fabio Graner, no Estadão:
O rombo das contas externas vai crescer em 2011. Projeção divulgada pelo Banco Central mostra que gastos como o aluguel de equipamentos, viagens internacionais e pagamentos de juros devem levar o déficit para US$ 64 bilhões, novo recorde e 31% maior que o esperado para 2010.
A estimativa anterior era de US$ 60 bilhões. Na cifra são somadas as compras e vendas de bens e serviços do Brasil com o exterior. O cenário esperado pelo BC mostra que as despesas em dólar devem continuar crescendo no próximo ano, embora em ritmo um pouco menor.
Recorde. O cenário de piora na conta corrente teve mais um capítulo no mês passado, quando o indicador apresentou rombo de US$ 4,69 bilhões - o pior saldo para o mês desde o início da série de dados, em 1947.
A principal responsável foi a conta de serviços e rendas, que continuou no vermelho. O aluguel de equipamentos, por exemplo, fechou o mês deficitário em US$ 1,22 bilhão, o pagamento de juros em empréstimos externos atingiu US$ 558 milhões e a remessa de lucros e dividendos por multinacionais instaladas no Brasil somou US$ 1,94 bilhão.
Além disso, o resultado foi prejudicado pelo aumento das importações. Com o aumento da compra de mercadorias importadas em ritmo mais acentuado do que as exportações, a balança comercial gerou apenas US$ 312 milhões ao Brasil no mês passado.
O crescimento econômico é um dos fatores que explicam esse movimento em 2010 e a expectativa de aumento do déficit externo em 2011. Uma expansão da economia leva a aumento na renda, o que estimula importações, viagens ao exterior e também os investimentos na economia. Com isso, despesas como aluguel de equipamentos originados do exterior sobem. A contratação de equipamentos (como plataformas de petróleo e grandes guindastes, entre outros) deve somar US$ 14,5 bilhões em 2011, valor 11,5% maior que a previsão anterior. Também devem crescer gastos em sistemas eletrônicos, seguros, fretamentos marítimos, passagens aéreas e viagens internacionais.
COMENTO:
Com a expectativa de 83% da populaçlão de que o governo "Dilma" será ótimo ou bom, segundo o Datafolha, e a economia mundial em baixa, os gastos públicos da "era Lula" em alta, ao déficit externo se acentiuando - gerando emprego lá fora -, a inflação resfolegando no seu cangote, etc., a probabilidade de uma ressaca forte nessa expectativa ficará por conta dela não poder entregar o que prometeu "nunca antes na história deztepaiz". A vingança virá a galope...Quem viver, verá...

21 dezembro 2010

Nem todos são como o PT...

Por Agusto Nunes (o título é meu):
Tavares, o canalha, foi um dos grandes tipos criados por Chico Anysio. Sempre de pileque, copo de uísque na mão, topete de galã de antigamente, terno e gravata amarfanhados que identificam boêmios de botequim, o personagem passava o tempo tentando conciliar o noivado com a moça rica e feia com assédios explícitos às empregadas da casa ou às amigas do alvo do golpe do baú. O quadro terminava com o bordão popularíssimo no Brasil dos anos 70: “Sou, mas quem não é?”
Passados 30 anos, o canalha inventado por Chico Anysio reencarnou no PT: a cada canalhice consumada, a seita dos devotos de Lula alega ter feito o que todo mundo faz. Eles começaram a incorporar a criatura do humorista genial em 2005, quando o escândalo do mensalão revelou que o templo das vestais era só o esconderijo das messalinas. Aperfeiçoado ao longo do segundo mandato do chefe, o script se repete com ligeiros retoques a cada bandalheira descoberta pela imprensa. Enquanto atribui a denúncia da vez a “manobras políticas”, o partido que antes reivindicava o monopólio da ética agora prefere acusar o inimigo de ter incorrido no mesmo pecado. Todos são canalhas.
Contemplada pelo olhar deliberadamente estrábico do PT, a história recente do país não tem nada a ver com o mundo real. Informa, por exemplo, que a roubalheira do mensalão não foi o maior de todos os escândalos, mas uma confusão envolvendo recursos não contabilizados. Muito mais graves foram o mensalão mineiro, coisa do PSDB, e o mensalão do DEM, protagonizado em Brasília pela turma do ex-governador José Roberto Arruda.
Na campanha presidencial, a mesma alquimia amparou a tentativa de equiparar Erenice Guerra, que fez da Casa Civil o covil da quadrilha chefiada pela melhor amiga de Dilma Rousseff, a um certo Paulo Preto, que na hipótese mais sombria embolsou dinheiro doado por empresas privadas à campanha de José Serra. Também ampliada pela lupa da malandragem, a partilha de obras do metrô combinada por grandes empreiteiras nem precisou acontecer para ser apresentada como um crime bem mais hediondo que o estupro do sigilo fiscal de dirigentes do PSDB.
“Quanto mais mentiras contarem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles”, prometeu José Serra às vésperas do lançamento oficial da candidatura à Presidência.  Cabe ao governador Alberto Goldman cumprir a promessa que Serra esqueceu no discurso. Com a determinação e a ênfase que faltaram ao candidato, Goldman precisa cobrar o pronto esclarecimento do assassinato de Walderi Braz Paschalin, prefeito de Jandira eleito pelo PSDB. Só a identificação dos criminosos e a aplicação do castigo que merecem podem evitar que o PT transforme Paschalin num Celso Daniel tucano e Jandira numa Santo André do PSDB.
Quem acha que os fins justificam os meios é capaz de vender a mãe (e entregar em domicílio), tratar o pai a bofetadas, roubar a poupança da avó, encontrar semelhanças entre Lula e Winston Churchill ou entre os dois crimes sem parentesco. Celso Daniel já fora escolhido para exercer na campanha de 2002 as funções que, repassadas a Antonio Palocci, pavimentaram o caminho que o levaria ao Ministério da Fazenda. Paschalin era só mais um entre centenas de prefeitos tucanos. Os cofres abarrotados da prefeitura de Santo André continham boladas suficientes para bancar campanhas do partido e a boa vida da companheirada. Não é o caso de Jandira.
Mas os companheiros já decidiram que houve na cidade um crime decorrente de motivações políticas que negam ter existido em Santo André. E agora desconfiam de que o prefeito tucano andou pagando a vereadores o que batizaram de “mensalinho”. É preciso ser muito canalha para agir dessa forma, dirão os leitores. Mas quem não é?, retrucarão os sócios do clube dos cafajestes. É hora de mostrar-lhes que milhões de brasileiros não são.
O PSDB só poderá hastear a bandeira da moralidade caso consiga livrar-se dos próprios esqueletos no armário. A oposição oficial não chegará a lugar nenhum se continuar algemada a um Eduardo Azeredo, ou se hipotecar a honra em solidariedade a delinquentes refugiados no ninho. O homicídio em Jandira pode se tornar o inadiável ponto de inflexão. Se algum tucano estiver atolado no episódio, que acerte as contas com a Justiça já expulso do partido.
O Brasil decente espera que os responsáveis pela elucidação do assassinato encerrem o quanto antes o espetáculo da desfaçatez ensaiado pelo PT. Para tanto, basta que o crime seja inteiramente desvendado e se aplique aos autores, seja qual for sua filiação partidária, a punição devida. Feito isso, que o caso exemplar seja estendido aos ainda pendentes, começando por Santo André. Não se pode permitir que o PT utilize cinicamente o prefeito morto em Jandira para escapar da maldição que o persegue há oito anos ─ e há de persegui-lo até que sejam eliminadas as sombras que encobrem a verdade sobre a execução de Celso Daniel.

Três raposas e um galinheiro

Por Augusto Nunes (o título é meu):

Primeiro relator do Orçamento de 2011, o senador Gim Argello deixou o cargo em 7 de dezembro ─ antes que chegasse o camburão. Na edição do dia 5, o Estadão informou que o parlamentar do PTB de Brasília (e conselheiro de Dilma Rousseff) era o autor de emendas forjadas para favorecer entidades fantasmas e ONGs dirigidas por amigos ou agregados. A tunga não ficou por menos de R$ 4,5 milhões. Numa chorosa carta de despedida, Argello debitou a delinquência na conta de conspirações urdidas por adversários políticos e afastou-se do cenário do crime.
Indicada para substituí-lo, a senadora Ideli Salvatti, do PT de Santa Catarina, não completou 36 horas no cargo. Deixou-o em 9 de dezembro, uma quinta-feira, quando foi escolhida por Dilma Rousseff para servir à pátria no Ministério da Pesca. O novo emprego serviu-lhe de pretexto para sumir do Congresso antes que alguém chamasse o camburão: três dias mais tarde, o Estadão revelou que, nos orçamentos de 2009, 2010 e 2011, a relatora substituta destinara R$ 1,25 milhão de sua cota de emendas a cinco entidades catarinenses exploradas por companheiros do PT (quatro) e do PRB (uma).
Habitualmente ruidosa, Ideli preferiu sair à francesa. Não escreveu cartas de despedida, não tentou berrar explicações, nem transmitiu formalmente o posto à senadora Serys Slhessarenko, do PT do Mato Grosso. A euforia da companheira de sobrenome impronunciável, de saída do gabinete que a hospedou por oito anos, prestes a despedir-se do Congresso, quase não coube no twitter: “É isso mesmo, aceitei o desafio da relatoria do orçamento 2011. A primeira mulher a ocupar a vaga. Mais um avanço para nós, mulheres!!!”
Grávida de contentamento, não viu o camburão virando a esquina. “Eu me senti enganada, me senti traída”, acaba de informar à sucessora de Ideli, que sucedeu Argello. É uma trinca e tanto. Na edição desta semana, VEJA informou que Liane Maria Muhlenberg, 67 anos, assessora de Serys há três, conseguiu R$ 4,7 milhões em convênios com o governo – todos sem licitação. Para embolsar a bolada, garantida por emendas apresentadas por parlamentares do PT, Liane assinou uma declaração afirmando que os dirigentes do Instituto de Pesquisa, Ação e Mobilização (Ipam) – presidido por ela – “não são membros dos poderes Executivo e Legislativo”.
Funcionária do Senado desde 2007 (contratada por Serys), Liane foi transferida em agosto (a pedido de Serys) para a equipe subordinada à 2ª vice-presidência (ocupada por Serys). Mas a receptora do dinheiro garante que a chefe é inocente. “Para tirar a senadora do foco”, pediu demissão. Pretende enfrentar sozinha as consequências do pecado que diz ter cometido por distração.
“Não é justo que, por minha causa, ela fique numa situação embaraçosa”, recitou  Liane. “Tenho certeza que só divulgaram essa história porque a senadora é relatora do Orçamento. Não tem nada, nada e nada de ilegal”. Roberto Freire, presidente do PPS e deputado federal eleito por São Paulo, pediu nesta segunda-feira o afastamento de Serys. Ele acha que o pedido de demissão da parceira não encerra o caso.
A relatora acha que encerra. “Ela era uma pessoa que trabalhava em minha assessoria e eu desconhecia que ela tivesse relação com qualquer instituto”, alegou nesta tarde. “Eu nunca fiz nenhuma emenda para nenhum instituto, e ela foi exonerada e ponto. Eu tenho que tratar agora é do Orçamento”.  Serys acha que foi “enganada e traída”. Os brasileiros decentes acham que são considerados idiotas pelos três relatores delinquentes, pelos partidos que avalizaram seus nomes, pelos comparsas que os protegem e pelos oposicionistas que não os tratam como casos de polícia.
“O governo deve ter algum senador com ficha limpa  para ser relator do Orçamento”, acredita Roberto Freire. Se olhar a turma de perto, vai descobrir que não sobrou nenhum.

As meninas do PT aprenderam rápido...Por Augusto Nunes



“As mulheres estão preparadas para fazer serviços que antes só os homens faziam”,  repetiu Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral. E pelo menos algumas mulheres do PT fazem certos serviços melhor que qualquer marmanjo, informam as proezas consumadas pela própria presidente eleita e pelas três companheiras agrupadas na foto quando agiam juntas no Senado. Ao transformar Erenice Guerra em gerente-geral da Casa Civil, por exemplo, Dilma forneceu-lhe a gazua que provocou estragos suficientes para reduzirem a amadores os amigos José Dirceu e Valdomiro Diniz. A trinca que aparece na passarela confirma que a seleção feminina do PT está pronta para enfrentar de igual para igual o time que junta os piores do partido e da base alugada.
Acampada durante quatro anos no governo do Pará, Ana Júlia Carepa (à direita) superou até Jader Barbalho em todos os quesitos ─ do desmatamento da Amazônia à expansão do território dominado por grileiros bandidos, passando pela invenção das cadeias mistas, cujas celas chegam a abrigar 20 criminosos e uma menina de 15 anos presa por suspeita de furto. Despejada do palácio pelo eleitorado, aguarda uma vaga no ministério de Dilma Rousseff. Ideli Salvatti (centro) conseguiu o emprego de ministra da Pesca graças ao naufrágio da candidatura ao governo catarinense. A folha de serviços avisa que pode faltar pescado na Semana Santa.
Nesta quarta-feira, uma reportagem da Folha de S. Paulo confirmou que Serys Slhessarenko (à esquerda), impedida pelo PT de disputar a reeleição para o Senado, tem todos os defeitos necessários para reivindicar um gabinete no primeiro escalão.  Voraz como Gim Argello, destrambelhada como Ideli, inventiva como Ana Júlia, a relatora do Orçamento de 2011 também sabe mentir com a naturalidade de Dilma Rousseff. Há dois dias, jurou ignorar o que fazia Liane Muhlenberg. Leu hoje no jornal que sabia há oito meses das atividades da assessora que dirige uma ONG contemplada com verbas milionárias por parlamentares petistas.
Em abril deste ano, a Folha pediu à senadora mato-grossense que explicasse o generoso tratamento concedido ao Instituto de Pesquisa e Ação Modular (IPAM), comandado por Liane. “Busquei as informações e vimos que é tudo regular”, declarou Serys. Nesta segunda-feira, mudou bruscamente de rumo: “Eu desconhecia que ela tivesse qualquer relação com qualquer instituto”, disse sem ficar ruborizada. “Fui traída”. Não foi localizada nas últimas horas. Decerto está concentrada na divisão do bolo do Orçamento.
E ali continuará se os parlamentares da oposição não vocalizarem a indignação dos 44 milhões de brasileiros que rejeitaram a candidatura de Dilma Rousseff também para acabar com a roubalheira impune. O que há com os senadores oposicionistas, sobretudo os que estão deixando o Congresso, que não ouvem a grita do Brasil decente? O que faz um Artur Virgílio que não exige a imediata punição de Gim Argello? O que há com um Tasso Jereissati que aceita em silêncio a permanência de Serys Slhessarenko no cargo de relatora?
A renúncia do vampiro à gerência do banco de sangue não absolveu o fora-da-lei Gim Argello. A mentira contada pela raposa incumbida de proteger o galinheiro avisa que Serys espanca códigos morais com a mesma desenvoltura exibida nas agressões ao Código Penal. O governo perdeu a vergonha faz tempo. A oposição oficial está prestes a perder a confiança do Brasil que presta.

O Brasil da fantasia de Lula_Ethan Edwards_In Augusto Nunes

 
“Vim buscar a chave do Banco do Brasil”, comunicava a mulher negra e miserável que aparecia de vez em quando na minha casa em Taquaritinga. Eu tinha menos de 10 anos e era filho do prefeito. Ela tinha pouco mais de 40 e decidira que era filha de Getúlio Vargas, de quem havia herdado o banco estatal. Só fiquei intrigado na primeira visita. Nas seguintes, até tentei esticar a conversa com a doce maluca antes de fazer o que minha mãe ordenara: devia recomendar-lhe que resolvesse o problema com meu irmão mais velho, funcionário da agência local. Pacientemente, Flávio explicava que não podia entregar a chave sem conferir a certidão de nascimento. A órfã do presidente prometia buscá-la no cartório. Três ou quatro meses mais tarde, lá estava ela no portão para a reprise do ritual.
Lembrei-me da doida mansa com quem contracenei na infância ao saber que o presidente Lula registrou em cartório um Brasil imaginário. É uma Pasargada retocada pelo traço de Oscar Niemeyer. Tem trem-bala, aviões pontuais como a rainha da Inglaterra, rodovias federais de humilhar alemão, casa e luz para todos, três refeições por dia para a nova classe média, formada pelos pobres de antigamente. Quem quiser ver mendigo de perto deve voar até Paris e sair à caça de algum clochard. A transposição das águas do São Francisco erradicou a seca e transformou o Nordeste numa formidável constelação de lagos, represas e piscinas. Os morros do Rio vivem em paz e quem mora nas favelas do Alemão não troca o barraco por nenhum apartamento de cobertura no Leblon.
No país do cartório, o governo não rouba nem deixa roubar, o mensalão é coisa de Fernando Henrique Cardoso, os delinquentes engravatados foram presos pela Polícia Federal, os ministros são honestos, os parlamentares servem à nação em tempo integral e o presidente da República cumpre e manda cumprir cada um dos Dez Mandamentos. Lula fez em oito anos o que os demais governantes não fizeram em 500.  A superexecutiva Dilma Rousseff precisa acautelar-se para não exagerar na eficiência: se melhorar, estraga.
Daqui a alguns anos, é possível que um filho do prefeito de São Bernardo do Campo tenha de lidar com um homem gordo, de barba grisalha, voz roufenha e o olhar brilhante dos doidos de pedra, querendo que a paisagem real seja substituída pela maravilha registrada no cartório. A cobrança da filha de Getúlio tropeçava na falta da certidão de nascimento que o pai do novo Brasil acaba de providenciar. Depois de repetir que governou a República, ele vai reclamar o que lhe pertence sobraçando um calhamaço cheio de selos, carimbos, rubricas e assinaturas.
“Nada é impossível neste país”, deu de repetir Lula ultimamente. Nada mesmo. É possível até um ex-presidente acabar trepado num caixote, na praça principal de São Bernardo, exigindo aos berros a existência de um Brasil que inventou.

Uma crônica sobre os inquilinos do Planalto

Por Augusto Nunes (o título é meu).
De volta ao Brasil de sempre, resignaram-se há oito anos as paredes do gabinete presidencial depois de uma ligeira contemplação do novo inquilino. Desde Jânio Quadros, a grande sala no terceiro andar do Palácio do Planalto já abrigou napoleões de hospício, generais de exército da salvação, perfeitas cavalgaduras, messias de gafieira, gatunos patológicos, vigaristas provincianos e outros exotismos da fauna brasileira. Por que não um Luiz Inácio Lula da Silva?
Quem conhece a saga republicana sabe que a ascensão ao poder de um ex-operário metalúrgico só restabeleceu a rotina da anormalidade que vigora, com curtíssimos intervalos, desde o fim do governo Juscelino Kubitschek. Na galeria dos retratos dos presidentes, Lula está à vontade ao lado dos vizinhos de parede. Sente-se em casa. A discurseira  delirante e ininterrupta está em perfeita afinação com a ópera do absurdo. O acorde dissonante é Fernando Henrique Cardoso. Um confirma a regra. O outro é a exceção.
O migrante nordestino que chegou à Presidência sem escalas em bancos escolares tem tudo a ver com o país dos 14 milhões de analfabetos, dos 50 milhões que não compreendem o que acabaram de ler nem conseguem somar dois mais dois, da imensidão de miseráveis embrutecidos pela ignorância endêmica e condenados a uma vida não vivida. Esse mundo é indulgente com intuitivos que falam sem parar sobre assuntos que ignoram. E é hostil a homens que pensam e agem com sensatez. É um mundo que demora a alcançar em sua exata dimensão a lucidez do sociólogo nascido no Rio que tinha escrito muitos livros quando se instalou no Planalto.
O Brasil de Lula tem a cara primitiva de sempre. O Brasil  de FHC provou que a erradicação do atraso não é impossível. Pareceu até civilizado no primeiro dia de 2003, quando se completou um processo sucessório exemplarmente democrático. Durante a campanha eleitoral, o presidente fez o contrário do que faria o sucessor oito anos mais tarde. Embora apoiasse José Serra, não mobilizou a máquina administrativa em favor do candidato, não abandonou o emprego para animar palanques e consultou os principais concorrentes antes de tomar decisões cujos efeitos ultrapassariam os limites do mandato prestes a terminar. Consumada a vitória do adversário, FHC pilotou o período de transição e ajudou a conter a fuga de investidores inquietos com a folha corrida do PT.
NEM RUTH CARDOSO FOI POUPADA
O Brasil de janeiro de 2003 tinha poucas semelhanças com o que Itamar Franco encontrou depois do despejo de Fernando Collor. Em 1994, o ministro da Fazenda de Itamar comandou a montagem do Plano Real. Nos oito anos seguintes, fez o suficiente para entregar a Lula um Brasil alforriado da inflação e da irresponsabilidade fiscal, modernizado pela privatização de mamutes estatais deficitários e livre de tentações autoritárias.
“Aqui você deixa um amigo”, disse o sucessor com a faixa verde e amarela já enfeitando o peito. Foi a primeira das mentiras, vigarices, trapaças e traições que alvejariam a assombração que está para o SuperLula como a kriptonita para o Super-Homem. Criminosamente solidário com José Sarney, a quem chamava de ladrão, obscenamente amável com Fernando Collor, a quem chamava de corrupto, o ressentido incurável, incapaz de absorver as duas derrotas no primeiro turno e conformar-se com a inferioridade intelectual, guardou o estoque inteiro de truculências e patifarias para tentar destruir um antigo aliado, um adversário leal e um homem honrado.
Lula nunca pronuncia o nome do antecessor. Evita até identificá-lo pelas iniciais. Delega as agressões frontais a grandes e pequenos canalhas, que explicitam o que o chefe insinua. Há sempre os sarneys, dirceus, jucás, berzoinis, collors, dutras, renans, mercadantes, tarsos, gilbertinhos, dilmas e erenices prontos para a execução do trabalho sujo que não poupou sequer Ruth Cardoso, vítima do papelório infame forjado em 2008 na fábrica de dossiês da Casa Civil. A cada avanço dos farsantes correspondeu uma rendição sem luta do PSDB, do PPS e do DEM. FHC não é atacado pelos defeitos que tem ou pelos erros que cometeu, mas pelas qualidades que exibe e pelas façanhas que protagonizou.
Ele merecia adversários menos boçais e aliados mais corajosos. Há algo de muito errado com a oposição oficial quando um grande presidente, para ressuscitar verdades reiteradamente assassinadas desde 2003, tem de defender sozinho um patrimônio político-administrativo que deveria ser festejado pelos partidos que o apoiaram. Há algo de muito estranho com um PSDB que não ouve o que diz seu presidente de honra. Nem lê o que escreve, como atestam dois artigos antológicos publicados no Estadão.
O PONTO FORA DA CURVA
No primeiro artigo, em outubro de 2008, FHC avisou que a democracia brasileira estava ameaçada pelo “autoritarismo popular” do chefe de governo, que poderia descambar numa espécie de subperonismo amparado nas centrais sindicais, em movimentos ditos sociais e nas massas robotizadas.  “Para onde vamos?”, perguntava o título. A Argentina de Juan Domingo Perón foi para os braços de Isabelita e acabou no colo de militares hidrófobos. O Brasil de Lula foi para Dilma Rousseff. É cedo para saber  onde acabará.
Em fevereiro, com 968 palavras, FHC enterrou no jazigo das malandragens eleitoreiras a fantasia costurada durante sete anos. “Para ganhar sua guerra imaginária, o presidente distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação, nega o que de bom foi feito e apossa-se de tudo que dele herdou como se dele sempre tivesse sido”, resumiu no segundo artigo. Depois de ensinar que o Brasil existia antes de Lula e existirá depois dele, recomendou que se apanhasse a luva atirada pelo sucessor: “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer”.
Em vez de seguir o conselho e sugerir a Lula que topasse um debate com Fernando Henrique, José Serra reincidiu no crime praticado em 2002 — com agravantes. Além de esconder o líder que aumentou a distância entre o país e a era das cavernas, apareceu no horário eleitoral ao lado de Lula, convertido num Zé decidido a prosseguir a obra do Silva. Aloysio Nunes Ferreira fez o contrário. Tinha 3% das intenções de voto quando transformou FHC em principal avalista da candidatura. Elegeu-se senador com a maior votação da História. Saudado por sorrisos, cumprimentos e aplausos quando caminha nas ruas de São Paulo, FHC nunca foi hostilizado em público. Depois da vaia no Maracanã, Lula não voltou a dar as caras fora do circuito das plateias amestradas.
Desde o dia da eleição, FHC tem exortado o PSDB a transformar-se num partido de verdade, com um programa que adapte à realidade brasileira a essência da social-democracia, combata sem hesitações a corrupção institucionalizada e, sobretudo, aprenda que o papel da oposição é opor-se, como ele próprio tem feito há oito anos. “Por enquanto, o único partido que temos é o PT”, repetiu há dias. “Sem uma linha política clara a seguir, o PSDB continuará a agir segundo as circunstâncias e a perder tempo com questões pontuais”. Pode perder de vez também o respeito e a confiança do eleitorado oposicionista, adverte a reação provocada pela Carta de Maceió. O teor vergonhoso do documento comprova que os governadores tucanos não captaram o recado do patriarca.
Na trajetória desenhada pelos presidentes da República, FHC é o ponto fora da curva. Pode ser esse o seu destino, sugere a paisagem deste fim de 2010. Assegurada a vaga na História, poupado da obsessão pelo poder, ainda assim não recusa o combate, não faz acordos, não capitula. Em respeito à própria biografia, e por entender que a nação merece algo melhor, continua a apontar a nudez do pequeno monarca. Oito anos mais velho, ficou oito anos mais novo: nenhum líder político é tão parecido com a oposição real, rejuvenescida e revigorada neste outubro por 44 milhões de votos, quanto Fernando Henrique Cardoso.

12 dezembro 2010

Faltou só um...

José Sarney, Romero Jucá e Gim Argello combinam alguma coisa no Senado
O artigo 288 do Código Penal avisa: “associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes”, pode custar de um a três anos de reclusão.
Se Renan Calheiros tivesse chegado minutos antes, a conversa juntaria mais de três pessoas. E a foto não seria só uma foto. Seria uma prova.

FHC responde a Gilberto Carvalho

CARTA PUBLICADA NO ESTADÃO DESTA QUARTA-FEIRA

Calúnias

Li com espanto a entrevista do sr. Gilberto Carvalho publicada neste jornal na edição de domingo passado (“Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela”, 5/12, A10). Espanto porque imaginei que o entrevistado devesse estar mais preocupado em se defender de insinuações que podem manchar a sua biografia ─ a de haver sido receptador de propinas extorquidas por um bando de seus companheiros de partido que teriam usado a administração petista de Santo André para obter recursos para uso político, como afirmam procuradores estaduais ─ do que em dar curso a calúnias contra mim.
Lula, segundo o entrevistado, recusa o termo “mensalão” para caracterizar os desatinos praticados nas relações entre seu governo e a Câmara dos Deputados, quando da alegada compra de apoios políticos. Na verdade, trata-se de mero jogo de palavras para negar a periodicidade da propina, e não sua existência. Artifício semelhante a outro ─ este com consequências jurídicas maiores ─ quando afirmou que o dinheiro utilizado naquelas práticas teria sido obtido de “sobras de campanha”, esquecendo-se de que houve transações entre poder público e agentes privados como no caso da Visanet.
Para melhorar a imagem presidencial, Gilberto Carvalho diz que Lula, ao negar que seu governo tenha comprado votos, me acusa nominalmente de tê-lo feito para aprovar a emenda da reeleição. Ora, jamais houve qualquer indício nem qualquer afirmação direta de que eu assim procedera. Mais ainda, os rumores sobre uma escuta telefônica feita entre deputados de um Estado que estariam envolvidos em tais práticas aberrantes surgiram num jornal meses depois de aprovada a referida emenda, com votação avassaladora ─ 80% no Senado e margem de mais de 20 votos acima dos 308 requeridos na Câmara.
No caso, a referida escuta teria feito alusão ao primeiro nome de um de meus ministros. Para evitar dúvidas o ministro eventualmente aludido foi, por decisão própria, à Comissão de Justiça da Câmara, prestou todos os esclarecimentos e desafiou quem dissesse o contrário da verdade, que era sua inocência. Posteriormente, três ou quatro deputados ─ mais tarde ligados à base do governo Lula ─ renunciaram a seus mandatos para evitar cassações, confessando culpa, mas sem qualquer envolvimento do PSDB e muito menos do governo ou meu.
Se não fosse o suficiente ser um procedimento contrário à ética, mesmo em termos pragmáticos, seria de todo descabido comprar o que era, explicitamente, oferecido: a opinião pública, os editoriais de toda a mídia e a maioria avassaladora do Congresso Nacional eram favoráveis à emenda da reeleição, contra a qual se batiam isoladamente o PT e os “malufistas”, pela razão de haver nessas correntes quem quisesse disputar as eleições presidenciais e temesse minha força eleitoral, comprovada na reeleição em primeiro turno em 1998. Estes são os fatos.
Custa-me a crer que Lula, para se defender do indefensável no caso do mensalão, ataque a honra de um ex-presidente que foi seu amigo nas horas difíceis e que não usa de artimanhas para desacreditar adversários. Dói mais ainda que pessoas como Gilberto Carvalho ecoem o sabidamente falso para endeusar o chefe. Sinal dos tempos, que arrastam mesmo os que parecem ser melhores a cair na calúnia, na mesquinharia e na mediocridade.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO