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31 agosto 2012

Mensalão: um chiste para o registro da História

Deu no blog de Ricardo Setti (Veja. com):

O MENSALÃO e Neil Ferreira: “Digo eu: deu zebra! Mensaleiros levam surra histórica e tremem na base”

Mensaleiros tomam uma lavada -- para mim, deu zebra! (Foto: Marius Becker / AFP)
"Mensaleiros tomam uma lavada -- para mim, deu zebra!" (Foto: Marius Becker / AFP)

Por Neil de alma lavada  Ferreira, publicado hoje no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo, comandado pelo velho e querido amigo Moisés Rabinovici.

DIGO EU: DEU ZEBRA!
Mensaleiros levam sova histórica e tremem na base, acho que Dirceu O Inocente ronda a Embaixada de Cuba. João Paulo Cunha, deputado corrupto do PT, toma goleada de 9×2. Para mim, deu uma zebrona.
Lá na minha Cerqueira Cezar, pobre de temas locais espetaculares, rica de tias velhas cheias de sabedoria, como eram as irmãs mais velhas do meu pai, havia um indesmentido postulado de sabedoria popular que afirmava: “De urna e cabeça de juiz, nunca se sabe o que vai sair”. Desta vez saiu uma zebraça.
Zebra, além do bicho listrado, é o que saiu das cabeças dos Ministros do STF, dando a um time modesto, que tinha como capital apenas a maior torcida do Brasil, a oportunidade de ganhar de maneira inesperada e de goleada, de um time grande, rico, recheado de supostos craques e que, suspeitava-se, teria a maioria dos juízes e bandeirinhas nas algibeiras.
Só como exemplo de como a coisa pintava ser afradescendenta, um atacante deles, em completo impedimento, entrou livre na área e marcou um gol totalmente irregular. Os bandeirinhas olharam de lado e o gol valeu, foi o segundo que eles marcaram – e parou aí, thanks God. Thanks God nada, thanks Juízes cheios de saber jurídico e de olho nas Tábuas e Letras da Lei.
A Mensaleirada danou-se como eu não esperava, ninguém esperava. Tenho certeza de que o que veio surpreendeu a torcida toda nas arquibancadas, numeradas, numeradas cobertas e camarotes. Na geralzona, a torcida do “país dos mais de 80%” nem sabia que estava havendo jogo, pensava que já tinham vencido a peleja “ontem”, não tomaram tento nem com o foguetório soltado na confirmação da derrota deles.
9×2, como eu havia previsto pra eles, como não foi; e não pra nós, como foi. Nunca um erro tão crasso me deixou tão feliz.
Eu fazia uma conta paranoica mas com certa lógica. O Personal Creator da Estaferma nomeou seis Capas Pretas, a Estaferma, cria indiscutível do Personal Creator, nomeou mais dois, o que soma oito.
Até as escolas públicas que ensinam com base no livro “Nós pesca us peixe”, introduzido sob o patrocínio do brimo Haddad, “u mió Ministro da Hinducassão que eçepaíz já teve”, conforme afirmação do nosso maior especialista em Educação, PhD pela Universidade do ABC, são capazes de resolver esta questão de Matemática Pura:
“Onze, que é a soma total dos Ministros, menos oito nomeados pelo Personal Creator e por sua cria, a Estaferma, são três”.
Donde, este trouxa aqui, arvorando-se em dotado de sabença em Física Quântica, Direito Penal e Cabeças de Juízes, escreveu várias vezes neste espaço: 8 x 3 pros Mensaleiros.
Leitores e amigos se admiraram da minha capacidade de voyeur do futuro próximo e com a desconfiança de que iriamos tomar uma lavada. Não tomamos; demos.
caiu João Paulo Cunha, um vai derrubando o outro, até que caiam todos, inclusive Delúbio, Genoíno e Dirceu O Inocente
"Meus amigos otimistas falam em um dominó --caiu João Paulo Cunha, um vai derrubando o outro, até que caiam todos, inclusive Delúbio, Genoíno e Dirceu O Inocente"
Com a fama subindo-me à cabeça, depois de ler entrevistas das Excelências naquele “patois” que só eles mesmos entendem, sem que os jornalistas se dessem ao trabalho de traduzi-las em benefício dos pobres de espírito como este locutor que vos fala, mudei minha conta de 8×3 para 9×2 pros Mensaleiros. Acertei na mosca na contagem, errei as moscas.
Como se sabe, chutei 9×2 pra eles; como se sabe, deu 9×2 pra nós. Se eu treinar mais e melhorar a pontaria, como o faz Rogério Ceni para mandar as cobranças das faltas diretas ao gol, espero acertar na contagem de novo, mas do lado certo. A ver.
Meus amigos e demais torcedores do mesmo time, otimistas, preveem um dominó – - caiu João Paulo Cunha, um vai derrubando o outro, até que caiam todos, inclusive Delúbio, Genoíno e Dirceu O Inocente. Data Venia e com o devido respeito a Vossas Excelências, duvido e tenho minhas razões, espero que errando de novo.
Pensando o impensável, como fazem os pesquisadores diuturnamente, chuto a Teoria do Boi de Piranha: e se o Deputado Corrupto João Paulo Cunha foi apenas o boi jogado ao rio repleto de piranhas (nós), para que o devorássemos mais à jusante, para que toda a boiada passasse ilesa mais à montante? Absurdo? Tomara. Mas não mais absurdo do que, a meu ver, esses 9×2. “De urna e cabeça de juiz…” etc etc.
Ficou mais do que provado que o Mensalão existe, ao contrário do que alguém falou ao New York Times; os Mensaleiros podem pegar cana; “Caixa Dois” não é mais “só” crime eleitoral, pois não importa para aonde vai grana suja, importa de onde veio. O corolário é: Nem os mais poderosos podem fazer tudo o que quiserem.
Dirceu O Inocente deve estar suando frio, eu estaria se fosse ele, mesmo sendo apenas o “Capitão do Time”. A lavagem da imundície não chegará ao Presidente do Clube, aquele que segundo Dirceu O Inocente “sabia de tudo o que eu fazia”.
Um passo está sendo dado. Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para o Brasil. Há STF no fim do túnel.
Acendeu-se uma luz, é certo. Mas por mais veloz que a luz seja, a escuridão sempre chega antes.

27 agosto 2012

Decreto nº 7.777 — O Retorno da ditadura

por Diogo Caneda dos Santos, delegado da Polícia Federal Representante Local da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal em Santa Maria (RS) (publicado por Ricardo Setii, em Veja,com):

“Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação.”
(Legião Urbana)
Causa perplexidade a ingerência do governo federal na mídia, no que se refere ao tratamento dado às reivindicações dos servidores públicos.
Diariamente, os meios de comunicação alardeiam os malefícios causados pelas greves, mas não se vê um veículo sequer tecer crítica à postura do governo.
A mídia omite que grande parte dos servidores públicos federais está com seus salários congelados há mais de cinco anos. Enquanto isso, a inflação medida por índices oficiais é de mais de 30%. Nesse período, o governo instalou o que chamou de “mesa de negociação”. Contudo, tal mesa não passou de ardil.
Os representantes das categorias dos servidores passaram a ser convocados para reuniões quase que semanais, nas quais o governo pedia que apresentassem novamente o pedido que já havia sido entregue na reunião anterior. Os servidores em nenhum momento deixaram de comparecer às tais rodadas de “negociação”, mas nunca houve, de fato, negociação, já que o governo não fez qualquer contraproposta aos pleitos das categorias.
Tal estado de coisas empurrou os servidores para um movimento grevista sem precedentes na história deste país.
A Constituição Federal assegura o direito do servidor público à revisão anual de sua remuneração. Da mesma, forma, garante o direito de greve.
Não obstante, tais mandamentos constitucionais vêm sendo solenemente ignorados pela presidente da República que, no dia 1º de janeiro de 2011, sob o teto da Câmara dos Deputados jurou “manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.
Estejam os leitores certos de que os servidores não gostam de fazer greve. É extremamente desgastante sofrer todas as pressões que resultam de um movimento dessa natureza. Saibam as senhoras e os senhores que é com dissabor e certa dose de constrangimento que esses profissionais dizem não às demandas legítimas do cidadão, que precisa do serviço público.
Ademais, quando se parte para a medida extrema da greve é porque os salários dos servidores não mais cobrem suas despesas mensais ordinárias, elevadas pela inflação. Premidos por essa dificuldade econômica, precisam partir para um movimento que pode lhes acarretar o corte do ponto e o consequente não recebimento de seu salário, já insuficiente para honrar compromissos assumidos.
Esses homens e mulheres que investiram dinheiro, tempo, dedicação e estudo; que sacrificaram seu convívio familiar e sua vida social para serem aprovados em concursos públicos cada vez mais difíceis, querem apenas continuar a viverem com a dignidade de outrora.
Neste momento, o governo e a mídia a ele aliada por interesses puramente econômicos, retomam o discurso de que o serviço público seria a sangria dos cofres da nação.
Esquecem os governantes que o papel primordial do Estado é, justamente, prestar serviço público, em especial nas áreas de saúde, educação e segurança. É essa a finalidade do Estado.
Devemos nos preocupar quando a mídia divulga como positiva a queda nos gastos com a folha de pagamento do governo. Isso significa que o serviço público entregue ao cidadão está perdendo qualidade ou até deixando de ser prestado.
Ao mesmo tempo em que o governo federal argumenta que não tem recursos para conceder a reposição da inflação aos servidores, em virtude da crise européia, estabelece uma polpuda renúncia fiscal em prol das montadoras de veículos, as quais encontram no Brasil as maiores margens de lucro praticadas no mundo.
Não bastasse tudo isso, os atuais governantes, os quais se dizem vítima do regime ditatorial que outrora maculou a história política brasileira, parecem ter aprendido rápido com seus antigos oponentes.
Depois de ignorar por três anos as legítimas reivindicações dos servidores públicos federais, desobedecendo à Constituição, no que se refere ao reajuste anual dos salários, a presidente exige punição rigorosa aos grevistas e edita o Decreto nº 7.777, de 24 de julho de 2012.
Através desse decreto, a presidente pretende retirar a força normativa de dispositivos da Constituição Federal que atribuem aos órgãos federais suas competências, permitindo que servidores estaduais e municipais desempenhem atividades que, constitucionalmente, são atribuídas a servidores federais.
O atual governo, por não concordar com a Constituição Federal que jurou cumprir e defender, agora edita um decreto que afronta diretamente a ordem constitucional posta.
Em um país dito democrático, era de se esperar que os veículos de comunicação se levantassem contra esse estado de coisas, mas não é isso o que estamos vendo.
No passado, a imprensa foi tolhida pela força das armas e a censura era oficializada. Hoje, boa parte da imprensa está tolhida não por fuzis, mas pela força econômica de contratos publicitários com o governo.
Receitas de bolo voltam a ser mais importantes do que manifestos pela democracia.
Voltam a soprar os ventos da ditadura.

26 agosto 2012

Grevistas voltam a confrontar Planalto, e o governo usar o gás de pimenta democrático, didático, humanista e progressista

Por Reinaldo Azevedo (Veja.com)

Polícia justa, democrática, humanista, como nunca antes houve na história destepaiz, usa gás pimenta, um instrumento da sociedade igualitária, para conter grevistas em Brasília. Se fosse a PM de São Paulo, Gilberto Carvalho diria se tratar de uma prática fascista (Foto: Ed Ferreira/AE)
Legenda e título irônicos, né? Pois é… Leiam o que informa o Estadão:
No Estadão:
Em mais um dia de confrontos entre grevistas e policiais militares em frente ao Palácio do Planalto, servidores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União fizeram ontem uma barulhenta manifestação, derrubaram grades de proteção e até atrasaram a cerimônia de arreamento da bandeira diante do Palácio.
Com rojões, buzinas, faixas e bandeiras, os manifestantes tentam chamar a atenção para suas reivindicações. O governo insiste em sua oferta de 15,8% de aumento para servidores do Judiciário, em três anos – porcentual que a categoria rejeitou como “humilhação”.
Havia faixas criticando o PT, por não conceder os reajustes – “PT nunca mais”, dizia uma delas. Outras pediam “autonomia do Judiciário”. Os servidores também entoaram “Fora Dilma, fora PT, nunca mais queremos te ver” e “Ôô, ôo, a ditadura voltou”.
A PM calculou, na praça, 500 manifestantes – e os sindicalistas, 2.500. O ultimato da presidente Dilma Rousseff, que mandou cortar o ponto e até demitir os grevistas que tiverem cometido ilegalidades, produziu efeito contrário entre os servidores da Receita, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Federal (PF), chamados de “sangue azul” por receberem os salários mais altos. As três categorias recusaram os 15,8% de reajuste e decidiram ampliar o movimento pelo País – o que poderá provocar mais caos nos próximos dias nos setores de importação e exportação, estradas e aeroportos.
Confronto
A manifestação começou em frente à sede do Supremo Tribunal Federal – onde prosseguia o julgamento do mensalão. Depois, os servidores seguiram para o Palácio do Planalto, onde entraram em confronto com a PM, quando alguns servidores derrubaram algumas grades. No momento do protesto, o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Luis Inácio Adams, estava no gabinete do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho,
Próximo à janela do gabinete de Carvalho, no 4.º andar, diante da praça, Adams narrava para algumas pessoas o protesto, gesticulando e imitando a ação dos policiais que davam cacetadas nos manifestantes que derrubaram as grades. Paus e líquidos foram atirados nos PMs, que revidaram com spray de pimenta. Enquanto o batalhão de choque da PM cercava uma parte do palácio, o Exército, mais uma vez, estava na parte mais próxima à entrada do Planalto. De acordo com o tenente-coronel Antônio Carlos, responsável pelo policiamento, não houve feridos nem servidores presos. “Foi uma manifestação tranquila, sem muitos problemas”, afirmou.
(…)

Fazenda perdida: pasta não tem projeção para o PIB de 2012

Na VEJA Online, com Agência Estado:
Minutos depois de informar, por meio da 16ª edição do boletim ”Economia Brasileira em Perspectiva”, a redução da projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano, o Ministério da Fazenda voltou atrás. Em e-mail enviado por sua assessoria de comunicação, a pasta afirmou que as informações da página 35 (referentes a investimentos e Produto Interno Bruto) ainda estão em revisão e que devem ser desconsideradas.
A Fazenda havia comunicado nesta tarde de sexta-feira que o PIB do país encerraria este ano com alta de apenas 3%, contra 4,5% da projeção anterior. Com o novo número, a projeção do ministério empatava com a da pasta do Planejamento, cuja expansão da atividade esperada é também de 3%, conforme o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do terceiro bimestre.
Após recuar e ser questionada pela reportagem se a projeção anterior (4,5%) ainda estava valendo, a assessoria da Fazenda reiterou a sinalização que já foi dada pelo governo federal, via Ministério do Planejamento, de que a economia não deve crescer mais de 4% neste ano. Afirmou ainda que o novo número do MF será comunicado em outro momento. Em resumo, a projeção anterior está em revisão e a estimativa atual não está fechada.
A previsão ‘errada’ do MF era mais otimista que a do Banco Central e do mercado. O BC trabalha com uma expansão de somente 2,5% neste ano – a autoridade monetária revisou seu número, anteriormente de 3,5%, no Relatório Trimestral de Inflação de junho. Dados do boletim Focus desta segunda-feira – levantamento realizado junto a consultorias, corretoras e bancos brasileiros – apontam que os economistas têm uma expectativa de PIB ainda pior, com alta de 1,75% no ano.
A Fazenda projetou ainda que o PIB de 2013 crescerá 5,5% – exatamente o porcentual que constava na edição anterior do boletim.
Inflação
O boletim revisou também a previsão de inflação medida pelo IPCA de 2012 para 4,7%, ante os 4,4% apontados anteriormente. O documento destaca, contudo, que as pressões sobre os preços têm se dissipado progressivamente, ainda que assuma que houve impacto da alta das commodities no exterior sobre os custos no país.
Desonerações tributárias
O documento destacou ainda que as desonerações tributárias neste ano até julho somaram 35,9 bilhões de reais. Desse total 10,9 bilhões de reais referiram-se a desonerações de investimentos. “Com o intuito de impulsionar a atividade econômica, o governo tem concedido benefícios fiscais para diversos setores, que totalizaram pelo menos 97,8 bilhões de reais entre 2007 e 2011″, informou o boletim. Nesse período, conforme o documento, 32% do total, ou cerca de 31 bilhões de reais, foram incentivos aos investimentos.
O documento apontou ainda que “a manutenção das baixas taxas de desemprego e o aumento do rendimento real das famílias permitem inferir que está em curso uma normalização nas captações e empréstimos”. A equipe econômica projeta que, no segundo semestre deste ano, o mercado de crédito será mais benigno e contribuirá para a aceleração da atividade econômica. O boletim informou que, em junho deste ano, o mercado de crédito no Brasil atingiu montante superior a 2,2 trilhões de reais, alcançando o equivalente a 50% do PIB.

19 agosto 2012

A vida não é fácil....

Não adianta chorar, a vida tem de ser vivida...
Uma vez vítima da aleatoriedade biológica - e, por isso mesmo tendo nascido sem querer -, um dia, ao saber-se vivo - porque pensante, segundo Decartes -, nada nos resta, a homens e mulheres deste planeta, senão viver a vida...
Se suicidar-se antes da dúvida filosófica com a qual a vida nos afronta, qual seja "quem sou, de onde venho e para onde vou", não seja possível, e, mesmo após tão desconcertante evento, não seja razoável, o que restará fazer?.
Após ser acossado por essa "dúvida filosófica", surge outra dúvida: a morte antecipada - o suicídio - seria a solução aceitável? Além de não se poder explicar a razão de "estar aqui", ainda por cima somos guiados pela dúvida acerca do "destino após a morte" e por um "desejo imanente" de permanecermos aqui.
Talvez isso explique a razão da luta instintiva para nos mantermos vivos "aqui e agora" para, quem sabe, mais à frente, poder chegar a aulguma explicação plausível, isto é, a razão maior que nos leva a nos mantermos "conscientes", apesar dos pesares, e, quem sabe, a decisão de gozar do que for possível gozar nesta vida - de forma triste ou alegre, conforme a ditadura das circunstâncias.
Assim é que decidmos viver o "aqui e agora" para, quem sabe, mais à frente, poder explicar a própria razão da existência em algum outro momento, mesmo que improvável.
O certo é que, superada a vontade de dar cabo à própria existência, esta "imposta" por uma razão superior e equidistante - posto que não explicada nem pelas vontades que assim as decidiram (os nossos pais), e nem por quaisquer outras "autoridades" que sejam capazes de nos convencer sobre a justiça dessa decisão atávica -, resta unicamente a improvável decisão de "ir-se vivendo" até que, algum dia, algo faça sentido.
Assim é que "a vida" vai moldando o "ser vivente" conforme as decisões que este tomar sobre a própria vida e a vida de outros, os quais venha a escolher manipular - como que por "vingança" de ter sido manipulado antes, de forma consciente ou inconsciente -, ou conforme a vida se lhe impôs viver, como que pela "ditadura das circunstâncias"...
Não seria nada estranho, portanto, o fato de homens e mulheres seguirem rumos aparentemenete aleatórios, descolados de qualquer sentido da realidade, não fosse o fato de que a sociedade lhes impusessem suas regras, suas leis - convenientes para uns e incovenientes para outros, mas surgidas como resultado de uma regra "superior", qual seja a da manutenção e usufruto de uma vida breve, mas prazeirosa, cheia de atrativos materiais, legitimadas por uma moral pragmática, capaz de dar sentido à dominação de uns sobre outros com a finalidade de tornar essa vida agradável e dotada de sentido, mesmo que seja uma vida em si mesma misteriosa. Assim, pela dominaçãp de uns sobre outros, o homem dá sentido àquilo que aparentemente nenhum sentido tem: a vida.
Mesmo aos que se voltam ao transcendental, as dúvidas se tornam o principal mote da vida - seja na ciência, seja na religião. Esta tem todas as respostas, o que leva a se duvidar de suas certezas lhe impondo perguntas. Aquela - a Ciência -, tem todas perguntas mas não tem respostas definitivas senão sempre respostas relativas e provisórias que se alimentam de novas perguntas, o que torna a vida uma perplexidade.
Assim, a ciência trata apenas de perguntas, enquanto que a religião trata apenas de respostas. Conclusão: nem uma nem outra me dá o sentido de que preciso para a vida que estou vivendo.
Para obter alguma resposta que considerasse satisfatória, tive de fundir as perguntas da ciência às respostas da religião...Tarefa que não foi nada fácil, visto que a ciência lida com dados da realidade, enquanto que a religião lida com certezas metafísicas...
De qualquer forma, seja como for, o fato de nos sabermos vivos e atores em um mundo cheio de mistérios - muitos dos quais já revelados pela inquietude dos não-conformados, os cientistas, e de outros com suas explicações impossíveis de qualquer verificação prática -, talvez explique a teimosia do homem continuar vivendo...
Nossos filhos nos cobram aquilo que antes cobramos de nossos pais, e assim a vida segue...
Nascemos sem querer, vivemos por querer viver, e novamente morremos sem querer, mesmo que a vida não apresente qualquer sentido...
Assim é que vivemos em um mundo errático, injusto, aleatório, cheio de certezas e de incertezas na mesma proporção...
Já que o responsável por tudo isso - Deus, não se dá por achado, a não ser de forma indireta na Natureza e de maneira "direta" no Texto Sagrado, me vi então obrigado a apelar para ambos... Na natureza, por meio da ciência, e nas Escrituras, por meio de seu estudo e interpretação, tudo de maneira metodológica, pois o método deve ser sempre o caminho adequado para seres finitos como nós...
Que a Ciência tenha se tornado uma forma de "religião", é fato, pois pretende ter todas as respostas, excluindo todas as demais...Como a Religião fez num passado nem tão distante...
Contudo, a Ciência não tem resposta para a dúvida existencial inicial: "quem sou, de onde venho, para onde vou?", mas a Religião, sim...
Para essas questões, a Ciência - por meio da Teoria da Evolução - apresenta Hipóteses como Respostas... Como sou "homem de ciências", não aceito hipóteses como respostas... Como sei que a Ciência jamais terá as respostas as quais almejo - pois esta se baseia em "testes" a partir dos dados -,  e como as respostas da Religião são impossíveis de serem testadas quanto às perguntas filosóficas há muito postas, volto ao começo.
Então, para não ter de "andar em círculos", insatisfeito com as respostas dadas pela Ciência, apelei à Religião, desde que já livre da velha tentação das respostas "dogmáticas' do tipo "isto é assim por que assim é..." - a não ser aquelas que realmente não são possíveis de explicação, como a "trindade" e outros atributos da Divindade, tais como: "onisciência", "onipresença", "onipotência", etc -, que realmente não fazem sentido para nossa mente finita.
Sem me abster das explicações científicas e cada vez mais convencido de que estas me aproximam de Deus - desde que livres de preconceitos -, então passo a me explicar - e a vida que levo -, como fruto de uma complexa teia confeccionada de tal forma que alguma Mente privilegiada, que respeita a aleatoriedade que Ele mesmo definiu como "princípio" da vida - o livre arbítrio dos atores morais humanos e o determinismo dos demais animais e das formas inanimadas-, com uma destinação superior ditada pela Divindade.
Essa Divindade, que a toda prova respeita minhas decisões e anseia pela conquista voluntária da minha consciência, é incapaz de me obrigar a qualquer decisão, mas é capaz de respeitá-la ao ponto de dEle discordar...
Isto pressupõe que sou fruto de uma decisão daquela Mente divina - que é anterior à decisão de meus pais quanto ao fato de me conceberem, e de cuja decisão estão como que "absolvidos" previamente, posto que, de certa forma, agiram conforme decisão dAquela Mente privilegiada, capaz de saber o fim antes do princípio, mas que, de forma não-automática e sem "pré-determinismo", permitiu a minha existência, e também as consequências das minhas decisões durante a vida que levei até aqui, o que é assombroso...
Assim é que - fiel ao texto sagrado -, me torno voluntariamente "excomungado" das práticas totalitárias da Religião e da Ciência - Deus não é totalitário!, Ele é um verdadeiro Democrata, pois respeita as liberdades, mas também é Justo, o que causa muita confusão acerca de seu caráter.
Deus é Compassivo, mas faz Justiça! Isto significa que até para Deus há limite para a minha rebeldia... O fato dEle tolerar a minha rebeldia não significa que Ele não fará Justiça! Ele a tem feito no passado - para assombro de muitos! - e tem guardado para um fim determinado por Ele mesmo a prestação de contas defiitiva...
Pelo texto sagrado sei que, se a vida é injusta, não a é em razão de nenhuma decisão tomada por Deus, mas sim de decisões tomadas por nós mesmos, pois eu decido sobre o tipo de vida que levo... Deus tem tornada sua vontade explícitada por intermédio de sua Palavra Escrita... Contudo, poucos a tem levado em conta...
O fato de não ter determinado acerca da decissão de "estar neste mundo" - decisão esta tomada por meus pais, de forma consciente ou não -, isso não me exime das decisões que tomei acerca da vida que levei até aqui e da vida que levarei daqui para frente...
Assim, consciente de que Deus não levará em conta "os tempos da ignorância" em que vivi, levará em conta os tempos nos quais vivi no pleno conhecimento dEle - até quanto obtiver esse conhecimento, é claro, segundo consta do texto bíblico -, e  serei cobrado por isso.  São Paulo explica...
Bem, muita "gente boa" teve de fazer "longas viagens" filosóficas para chegar à conclusão que cheguei, mas não culpo ninguém por isto....Faz parte da busca. Para mim bastou ter ficado 2 longos anos "exilado" em Tabatinga, mandado para lá como funcionário do INCRA, entre 1977 e 1979, "transferido" na marra pela ditadura que infelicitou o país entre 1964 e 1985. Por isso sou anistiado político. Ali, em Tabatinga, tive "todo o tempo do  mundo" para ler o texto sagrado - como fazem os condenados a longas penas na prisão!-, longe da família, dos amigos, da civilização...
Muita "gente boa" na academia rejeita o texto bíblico para parecer "cientista"... Eu não! Convoco os meus alunos a examinarem o "texto sagrado" para, quando pouco, aumentarem sua cultura geral, e quando muito, saberem porque "estão aqui"...
Sem querer estar com "A" resposta, convoco àqueles que me lêem a buscar na mesma fonte as resposatas que encontrei... Não é sacrifício nenhum... Garanto que é um prazer...
Tenho a grata satisfação de ouvir de muitos ex-alunos que hoje têm "paz de espírito" que foi graças às minhas exortações que chegaram a compulsar as Escrituras Sagradas e ali encontrar as mesmas verdades que eu encontrei...
Se estas considerações fazem com que muita "gente boa" me ache "sectário", "acientífico" ou quejandos, paciência, é da natureza humana desqualificar  a quem não "rezem" pela sua "cartilha"...
De minha parte, sigo a vida sem ter todas as certezas, mas de uma tenho: Deus se sacrificou, se fez Homem para ganhar a humanidade, se humilhou, se esvaziou dos poderes divinos, foi vítima das atrocidadaes a que qualquer um de nós está sujeito, foi privado por algumas horas da própria vida, a fim de nos regatar desta vida ignominiosa que vivemos. Não sei porque Ele resolveu fazer desta forma, mas imagino que foi a melhor forma, pois não é próprio de quem detém todo o Poder agir desta forma, mas, ao contrário.
Quem detém o poder mundano, humilha, se aproveita o máximo possível do poder que detém a fim de usufruir ao máximo o que esta efêmera vida possibilita...
Portanto, me tornei discípulo de Jesus Cristo por meio da leitura da Bíblia, para poder me libertar do  desejo por poder mundano, efêmero, e assim almejar um Poder Superior, eterno, mesmo que submetido às regras desse Poder, por entender melhor.
São Paulo é meu segundo "mestre". Estou em boa companhia...
Respeito meus mestres da academia pelo conhecimento científico que me prorcionaram, mas dedico minha vida presente e futura à Graça de Deus, por meio de Jesus Cristo.
São João deixa claro que Jesus é Deus em pessoa, e São Paulo deixa clao que Ele se esvaziou dos Seus Poderes, os quais não utilizou para benefício próprio mas senão para nos alcançar em nossas perplexidades, dores, doenças, pecados e morte.
Portanto, de todos os Filósofos, Cientistas - seja das ciências da Natureza, seja das Sociais -, Teólogo, e tudo o mais, Jesus é o único Ser capaz de satisfazer àquelas perguntas, as quais, infelizmente, para muitos continuam um grande mistério... Oxalá se desnudem de seus preconceitos e vão à fonte de toda a certeza, as Escrituras Sagradas, hoje paradoxalmente tão disponíveis quanto afastadas das pessoas...

João Batista Araújo de Oliveira e a educação brasileira

Por Nathalia Goulart (nas páginas amarelas de Veja - trechos da entrevista). A íntegra está na revista:
 
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Há décadas governos estaduais, municipais e federal se vangloriam de suas escolas-modelo, unidades que recebem toda a atenção da administração de plantão e que, por isso, se destacam dos demais colégios públicos pela excelência. Os governantes deveriam, na verdade, se envergonhar da situação, afirma o educador João Batista Araújo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG dedicada à educação. O argumento do especialista é simples: “As escolas-modelo são exceções. A regra, como sabemos, são as demais escolas do Brasil”. Para incentivar governos a corrigir a distorção. Oliveira criou, em parceria com a Gávea Investimentos e a Fundação Lemann, o Prêmio Prefeito Nota 10, que vai dar 200 mil reais a administradores municipais cuja rede de ensino fundamental obtenha a melhor avaliação na Prova Brasil, exame federal que mede a qualidade do ensino público no ciclo básico. Escola-modelo, portanto, não conta. “Não adianta o prefeito falar que tem duas escolas excepcionais se as demais não acompanham esse nível. Queremos premiar o conjunto.” Confira a seguir a entrevista que ele concedeu a VEJA.

O MEC divulgou nesta semana os resultados da Prova Brasil, que mostra o nível de aprendizado das crianças no ciclo fundamental das escolas públicas. Como o senhor avalia os resultados?
Eles foram divulgados com grande fanfarra, mas não há nenhuma justificativa para isso. Se você analisa a questão no tempo, percebe que existe estagnação. Há um ponto fora da curva, os resultados divulgados em 2010. Mas eles não foram corroborados neste novo exame, e já esperávamos isso. Estamos onde estávamos em 1995. Há uma melhora bem pequena nos anos iniciais da escola, e pouquíssima variação nas séries finais e no ensino médio. Os gastos em educação aumentaram — e muito — e foram criados muitos programas, mas isso não tem consistência suficiente para melhorar a qualidade do ensino. Então, temos duas hipóteses para a estagnação: ou os programas criados são bons, mas não foram bem executados, ou são desnecessários e não trouxeram benefício algum.

Especialistas, entre os quais o senhor, pregam que uma reforma educacional eficaz se faz com receitas consagradas — ou seja, sem invencionices. Quais são os ingredientes para o avanço?
O primeiro é uma política para atrair pessoas de bom nível ao magistério. Desde a década de 60 há um rebaixamento do nível do pessoal, e a qualidade do ensino depende essencialmente do professor. O segundo ingrediente é a gestão do sistema. Uma boa gestão produz equidade: todas as escolas de uma mesma rede funcionam segundo o mesmo padrão. Hoje, unidades de uma mesma rede estadual ou municipal apresentam desempenhos díspares. O terceiro é a existência de um programa de ensino estruturado, que falta ao Brasil. As escolas têm um punhado de papéis reunidos sob o nome de “proposta político-pedagógica”, seja lá o que isso queira dizer: começa com uma frase do Paulo Freire e termina citando Rubem Alves. Os governos de todos os níveis abriram mão de manter uma proposta de ensino, detalhando o que os alunos devem aprender em cada série. O quarto ingrediente é um sistema de avaliação que possa medir a evolução do aprendizado. Para isso, porém, é preciso ter um programa de ensino: afinal, se você não sabe o que ensinar, como vai saber o que avaliar? De posse de bons profissionais, gestão, programa de ensino e métodos de avaliação, acrescenta-se o último ingrediente, um sistema de premiação e punição. Algumas redes começam a pensar em um sistema de premiação, mas não adianta só dar incentivo. É preciso premiar quem faz direito e punir quem não faz. Hoje, o único punido no sistema de ensino brasileiro é o aluno reprovado. Isso é covardia. Nada acontece com professor, diretor, secretário de Educação, prefeito ou governador quando eles falham.

(…)

Por que é tão difícil levar a qualidade das escolas-modelo para toda a rede de ensino?
Porque no Brasil o que importa é acessório. O legal é colocar xadrez na escola, é ensinar teatro. O brasileiro vai à Finlândia e acha que o sucesso da educação daquele país se deve ao fato de que as paredes das escolas são pintadas de rosa. Na volta ao Brasil, ele quer pintar todas as escolas daquela cor. Depois, ele vai à Franca, onde vê um livro que julga importante e decide introduzi-lo nas escolas daqui… Em vez de olharmos o que os sistemas de ensino daqueles países têm em comum, olhamos exatamente para o que há de diferente neles, como se isso fosse a bala de prata da educação. Por isso gestão é tão importante: é preciso focar o DNA da escola e deixar de lado o que é periférico. O problema é que as escolas e as secretarias de Educação estão povoadas de pedagogos, e não de gestores. Não conheço uma Secretaria de Educação no Brasil que tenha um especialista em demografia, que saiba quantas crianças vão nascer nos próximos anos e, portanto, quantas escolas precisam ser abertas ou fechadas.


Há alguns meses, o MEC anunciou a aquisição de milhares de tablets para professores. O senhor vê isso com bons olhos?
É mais confete. O bom professor vai se beneficiar; o mau, não. E nem o benefício ao bom professor justifica o custo. Quando a tecnologia está atrelada ao professor, ele, o ser humano, vai ser sempre o fator limitante. Nenhum país conseguiu melhorar a educação a partir do uso da tecnologia. Não estou dizendo que a tecnologia seja ruim. Ela tem potencial, desde que seja usada no contexto apropriado. Não adianta colocar ingredientes certos na receita errada.

A sensação generalizada é que o ensino público nacional é um desastre. É uma visão errada?
É uma visão correta. Sobretudo para as crianças pobres, que teriam na escola a única chance de ascensão social. A escola é um desastre quando analisada pela ótica das avaliações internacionais, e um desastre também do ponto de vista pessoal, individual. A única chance que um cidadão tem de melhorar de vida no Brasil é’ por meio da educação de qualidade. E ela não tem qualidade para a maioria das pessoas. O número de jovens que chegam ao ensino médio é baixíssimo, e, entre estes, a evasão é uma calamidade. E o governo é incapaz de entender que há um modelo errado ali, que penaliza jovens justamente quando eles atravessam uma fase de afirmação.

O Enem foi criado como ferramenta de avaliação e aprimoramento do ensino médio. Porém, vem sofrendo mudanças para atender a outro fim: a seleção de estudantes para universidades públicas. Qual a avaliação do senhor a respeito?
Ninguém consegue servir a dois senhores. O Enem nasceu com um formato, mas transformou-se em outra coisa. Ele nasceu para ser uma prova de avaliação das competências dos jovens, mas não deu certo. Em seguida, tentou-se vender a ideia de que é uma prova seletiva, um vestibular barato. E ficamos com esse troço que ninguém sabe o que é. O Enem não tem a menor importância. A ideia de ter uma forma simplificada de ingresso à universidade é bem-vinda, mas isso não serve para todos os estudantes do ensino médio.
(…)
 
Tramita no Congresso o Plano Nacional de Educação, que prevê aumentar o porcentual do PIB destinado à área de 5% para 10%. A falta de dinheiro é a razão de crianças não saberem ler ou operar conceitos fundamentais de matemática?
O país deve investir em educação, mas colocar dinheiro na equação atual é jo­gá-lo fora. O problema mais importante é a gestão. Não adianta pôr mais dinhei­ro no sistema atual porque ele vai ser malgasto. É como pagar dois professo­res que não sabem ensinar: melhor é pagar somente um bom mestre. Temos problemas estruturais muito graves: se eles não forem resolvidos, não haverá financiamento que baste. Desde 1995, o salário do professor quintuplicou no Brasil, mas não houve avanço no de­sempenho do ensino. Então, aumentar uma variável só não vai mexer no resul­tado. A equação é mais complexa. Além disso, 10% é uma cifra descabida do ponto de vista da macroeconomia.

O país estabeleceu metas para o ensino básico até 2021. Como estará o Brasil, do ponto de vista da educação, às véspe­ras do bicentenário da Independência?
Estaremos no mesmo patamar. Não há nenhuma razão para pensar que será diferente. Não se muda a educação, estabelecendo metas, mas a partir de ins­tituições. Não há milagre. Uma vez que não existe investimento nas políticas corretas, não há por que achar que tere­mos uma situação melhor no futuro.

17 agosto 2012

3 meses de greve!!

Na VEJA.com:
A greve dos professores de universidades e institutos federais de ensino superior completa três meses nesta sexta-feira, com 95% das instituições paralisadas e um impasse entre grevistas e o governo federal que parece longe do fim. Os professores de 57 das 59 universidades federais do país estão com os braços cruzados. Nem mesmo as universidades ligadas à Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), que assinou um acordo com o governo em três de agosto, retomaram as atividades plenamente.
Até o momento, das 57 universidades com professores parados, apenas a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) decidiram pela retomada das atividades. Na UFRGS a expectativa é de que o 2º semestre comece no dia 20 de agosto. A instituição interrompeu os trabalhos apenas em 18 de julho, um mês após a deflagração do movimento nacional, e conseguiu finalizar o 1º semestre.  
A greve teve início no dia 17 de maio, com professores de 33 instituições federais de ensino superior. À época, o ministro da educação, Aloizio Mercante, minimizou a paralisação e chegou a comparar os problemas de infraestrutura das federais às “dores do parto”. Em vista do endurecimento do movimento, o governo federal decidiu negociar, e apresentou duas propostas à categoria. A primeira reunião de negociação aconteceu no dia 13 de junho. Na ocasião, o Ministério do Planejamento propôs a reestruturação da carreira docente tomando como referência de remuneração a carreira de servidores do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A proposta, contudo, foi rejeitada pela categoria. 
Já a segunda foi aceita pelos docentes ligados ao Proifes. O governo propôs reajuste entre 25% e 45% ao longo dos próximos três anos, com antecipação dos aumentos de julho para março de 2013, além da diminuição de 17 para 13 nos níveis de carreira. O reajuste contemplaria 140.000 professores, com custo de 4,32 bilhões de reais aos cofres públicos.
O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o de maior representatividade, e o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) rejeitaram a oferta. O alcance do Proifes é questionado. Enquanto os demais sindicatos alegam que ele responde por uma pequena parcela da categoria, com presença em não mais do que 10 instituições, Gil Vicente Reis de Figueiredo, diretor do sindicato, afirma que o número é o dobro. “São 20 instituições que somam 77 campi”, diz.
Os docentes reivindicam reestruturação da carreira, com valorização da atividade acadêmica, baseando-se no tripé ensino, pesquisa e extensão. Em vez dos atuais 17 níveis de remuneração, pedem 13, com variação salarial de 5% entre eles e piso de 2.329,35 reais para 20 horas semanais de trabalho. Hoje, é de 1.597,92 reais. Além disso, querem dedicação exclusiva como regime preferencial de trabalho e pleiteiam carreira única para os professores federais – sem distinção entre magistério superior e magistério do ensino básico, técnico e tecnológico. 
Outro ponto está relacionado a melhores condições de trabalho e infraestrutura. Eles criticam a processo de “precarização” vivido pelas universidades como consequência, principalmente, do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), criado pelo governo federal em 2007.
Muitas universidades expandiram o número de alunos sem que houvesse infraestrutura adequada. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, aumentou em 520% o número de vagas, mas faltam laboratórios, refeitórios e até salas de aula nos novos campi criados. No Rio de Janeiro, a expansão acontece em universidades de lata. No interior do estado, contêineres servem de sala de aula e de depósito para material que deveria servir para cursos da Universidade Federal Fluminense (UFF). Entre 2007 e 2011, o Ministério da Educação (MEC) repassou 4,4 bilhões de reais às federais para obras do Reuni. Contudo, um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) aponta atraso em uma de cada quatro construções avaliadas. 
Os mais prejudicados pela situação são – é claro – os alunos. Eles não sofrem apenas com a greve, mas com o sucateamento das instalações de algumas instituições federais. É o caso de Mara Luana Severo, de 22 anos. A estudante iniciou o curso de odontologia no campus de Patos, localizado no sertão paraibano, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em 2009. As aulas, porém, começaram sem salas de aula ou até mesmo professores da área. A aluna assistia às aulas no auditório da instituição e viajava semanalmente cerca de duas horas e meia para cursar a disciplina de anatomia no campus central. Mara chegou ao 3º ano da graduação sem aulas práticas por falta de laboratórios e clínicas médicas. Quando finalmente a clínica odontológica do campus ficou pronta teve início a greve dos professores. “Mesmo com todas as dificuldades, achava que iria me formar este ano. Agora, ninguém sabe como vai ficar. É uma bola de neve sem fim”, lamenta.
Além de 57 das 59 universidades federais, a greve paralisa os trabalhos em 34 de 38 institutos. Mesmo diante das recusas e sob protestos dos demais sindicatos, o governo encerrou as negociações e diz que enviará o novo orçamento ao Congresso Nacional até o fim de agosto.

14 agosto 2012

Educação brasileira é reprovada

Reproduzo o que foi publicado por Reinaldo Azevedo no seu blog de Veja.com.
Vejam os quadros publicados na Folha Online com a síntese dos dados nacionais do 5º e do 9º anos do ensino fundamental público. Após, leiam reportagem da VEJA.com:
 

 
O Ministério da Educação divulgou nesta terça-feira os novos números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, com os resultados de 2011. Em que pese a euforia do ministro Aloizio Mercadante, apressado em vender o estudo como prova de que todos os estados bateram as metas estabelecidas, os números mostram que a educação no Brasil continua lamentável, especialmente a pública. Pelos dados, as notas de mais de 37% das cidades brasileiras nos anos finais do Ensino Fundamental ficaram abaixo da meta estipulada pelo Ministério da Educação para 2011. Não seria tão mau se não fosse a tal meta, por si só, pífia: em média, o MEC esperava que as redes públicas, ao final da 8ª série, fossem capazes de atingir nota 3,7. Mesmo assim, muitas não conseguiram.
Em oito estados – Amapá, Alagoas, Maranhão, Sergipe, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima e Tocantins –, menos de 50% dos municípios atingiram essa nota. No Rio de Janeiro, único estado da região Sudeste nesse grupo, apenas 41,3% das cidades atingiram a meta. Em Roraima, um recorde macabro: nenhum dos 17 municípios foi capaz de chegar aos 3,7. A nota do estado como um todo — 3,6 — foi inferior à nota que havia sido registrada pelo Ideb em 2009 – quadro que se repetiu no Amapá, em Alagoas e no Mato Grosso do Sul. Mesmo na região Sul do país, apenas 60% das cidades atingiram a meta.
Para Priscila Cruz, diretora do Instituto Todos Pela Educação, os números ruins para essa etapa do ensino não surpreendem. São frutos da falta de projeto educacional. “A segunda parte do ensino fundamental é metade gerida pela rede municipal e metade, pela estadual”, explica. “Ou seja, o Ministério da Educação (MEC) não tem projeto para essa etapa, parece terra de ninguém.”
Segundo ela, diversas razões explicam o baixo desempenho dos estudantes nessa fase. Entre elas estão o aumento do número de professores que ministram as disciplinas em sala de aula — grande parte deles, é bom que se registre, sem a especialização adequada — e a fragmentação curricular. “Os últimos anos do ensino fundamental já refletem a grande crise que se observa no ensino médio”, critica Priscila. “Mas ninguém parece disposto a encarar este fato.”
Do total de municípios do país, 73,5% tiveram notas até 4,4 – que são ruins. Na ponta oposta, a da excelência, apenas 1,5% das cidades conseguiram notas superiores a 5,5. Destas, 53 ficam no Sudeste, 20 no Sul e, apenas uma no Nordeste, o heroico município de Vila Nova do Piauí, no estado homônimo do Piauí. Alagoas conseguiu outro recorde negativo: todas as cidades do estado ficaram com notas abaixo de 3,4.
Início do fundamental
Ao comentar os dados dos primeiros anos do ensino fundamental, o governo alardeou o fato de todos os estados terem batido a meta do Ideb. As metas batidas, porém, são diferentes para cada estado e, mais uma vez, mostram abismos entre as regiões do país. Enquanto a região Nordeste precisava atingir a nota média de 3,5; na região Sudeste a meta foi de 5,2. É como se o governo se contentasse em exigir menos das crianças em estados mais pobres, por não acreditar que seriam capazes, ali, de aprender mais.
Destacando a participação individual dos municípios, os dados mostram que 22,3% deles não alcançaram a pontuação esperada. Ao todo, 55,1% das cidades com rede de educação municipal – que no início do ensino fundamental responde por 80% das matrículas do Brasil – tiveram Ideb inferior a 5. As disparidades regionais se mantêm: enquanto Sergipe tem 80,9% das escolas municipais com notas inferiores a 3,7, em Santa Catarina, esse mesmo número não passa de 0,7%. Apenas 674 dos 5.136 municípios do país avaliados conseguiram Ideb igual ou superior a 6, sendo que nenhum deles na região Norte. Onze estão localizados no Nordeste, 25 no Centro-Oeste, 179 no Sul e 459 no Sudeste. 
O governo espera que as cidades se igualem apenas em 2021, quando todas alcançariam nota 6 no Ideb. Para isso, estados como Alagoas, por exemplo, que teve o pior Ideb do Brasil nos anos iniciais (3,5), terão de avançar muito mais rapidamente do que outros como Minas Gerais, por exemplo, onde a nota já chegou a 5,8. Conforme a nota sobe, torna-se mais difícil mantê-la em crescimento, explica Priscila Cruz.
Como o Ideb mede também a taxa de reprovação, a tendência imediata, afirma ela, é que as escolas tentem melhorar o fluxo de seus alunos para conseguir turbinar o desempenho. “A política imediata e mais fácil é aumentar a aprovação, sem que necessariamente venha acompanhada pela efetiva aprendizagem do aluno”, explica Priscila. “De nada adianta passar alunos de série sem que eles tenham aprendido. Melhorar a aprendizagem em todos os níveis, porém, é muito mais difícil”, completa Priscila.
Vejam agora o resultado nacional para os mesmos 5º e 9º anos do ensino fundamental da escola privada. A diferença é gigantesca, assustadora. Representassem esses números o padrão da educação do país, o Brasil estaria entre as nações desenvolvidas.



No ensino médio, tem-se uma tragédia. Vejam quadros com síntese de dados publicados pela Folha Online.
 


12 agosto 2012

‘Chama o exército’, por Eliane Cantanhêde

PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO DESTA QUINTA-FEIRA
ELIANE CANTANHÊDE
Dilma não só mandou cortar o ponto dos grevistas como aprovou um projeto do Exército para garantir a integridade dos prédios públicos e a oferta de serviços essenciais em caso de ameaça externa (improvável) e principalmente de greves (que se multiplicam).
O sistema “Proteger” está orçado em R$ 9,6 bilhões e, com o Sisfron, de monitoramento de fronteiras, vai custar R$ 21 bilhões em 12 anos, apesar de Dilma argumentar com a crise internacional e com a falta de recursos para não dar aumentos no setor público. O único acordo foi com professores de universidades federais e, mesmo assim, polêmico.
São 13.300 alvos estratégicos do “Proteger”, 371 prioritários, como refinarias, hidrelétricas, centrais de telecomunicações e as principais estradas. Brasília, que abriga os três Poderes e as embaixadas, é listada como o alvo número um.
Para definir o sistema, o Exército estudou casos exemplares, como a invasão da CSN, a greve da refinaria de Paulínea e um curto na rede de Tucuruí, que não teve influência de grevistas, mas afetou boa parte do país.Isso mostra que Dilma não brinca em serviço. Se a democracia prevê o direito de greve, prevê também a garantia dos prédios públicos e dos serviços essenciais à população. Em caso de risco, os militares entram.
É uma boa lembrança quando a elite do funcionalismo testa forças com a presidente: Polícia Federal, Banco Central, Itamaraty, oficiais de inteligência, defensores públicos, auditores da Receita, agências reguladoras (Anatel, Aneel…). Nem todos estão de greve, mas se uniram num movimento único de reivindicação.
O governo avalia que a pressão acaba no dia 31, com a entrega do Orçamento de 2013. É uma visão muito otimista. Os servidores engoliram sapos e ficaram quietos na era Lula (como CUT, UNE, MST) e resolveram devolver agora com Dilma. Não vão recuar tão cedo.
O governo do PT revida botando o Exército na parada.

Lula, a CUT e as greves: gato escondido...

Dilma tenta isolar centrais e negociar diretamente com servidores

Por João Domingos, no Estadão:
Pressionada pela série de paralisações pelo País, a presidente Dilma Rousseff pretende isolar a CUT e outras centrais que comandam as greves em 30 setores do governo federal com as negociações em separado com os servidores.
A estratégia é neutralizar o poder de mobilização das entidades. Dentro do governo, as informações de bastidores são de que a presidente está muito irritada com a CUT, braço sindical do PT, por entender que, de todas as entidades representativas de trabalhadores, deveria ser a primeira a compreender o momento de crise econômica mundial e a queda na arrecadação de impostos.
A CUT, porém, “fugiu do controle”, na avaliação de integrantes do governo. A central sindical é ligada à Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), um dos principais pilares da greve. A entidade tem entre seus associados os sindicatos de servidores federais e os que controlam as grandes agências reguladoras.
No caso dos professores e servidores universitários, os primeiros a entrar em greve, ainda em maio, a central que comanda a mobilização é a Conlutas, controlada pelo PSTU e pelo PSOL, partidos de oposição a Dilma.

10 agosto 2012

Os analfabetos venceram...

Por Reinaldo Azevedo (Veja.com)

Cotas sociais e raciais nas universidades chegam à fase da estupidez absoluta. Dilma vai endossar um crime contra a educação e contra os pobres. Algumas polianas do cotismo agora se assustam. É mesmo, é? STF responde em parte por absurdo!

Pois é… Ah, a alegria “democratista” dos inocentes, dos bem-pensantes, dos tolos. Algumas almas que se queriam e se querem generosas acreditavam que, se flertassem “só um pouquinho” com o cotismo, estariam contribuindo para a justiça social. Jamais se deram conta de que o papel das universidades, por exemplo, não é acabar com a desigualdade — tampouco perpetuá-la. Ou elas se orientam exclusivamente segundo os critérios de competência ou desempenho — vale dizer: mérito —, ou estarão assumindo um papel que não é o seu. Nem cumprirão a sua função primordial nem se desincumbirão com eficiência da nova tarefa que lhes é atribuída. Quando declararam constitucional a aplicação de cota racial — contra, entendo eu, a Carta Magna —, os ministros do Supremo não imaginavam o que estava por vir. Modestamente, eu imaginava isso e antevejo coisas piores. Pois bem, a presidente Dilma Rousseff está prestes a fazer uma grande besteira. E vai fazer. Porque é da natureza da corrente de pensamento a que ela pertence. A que me refiro?
A deputada Nice Lobão (PSD-MA), mulher do ministro Edson Lobão (Minas e Energia), tem dois grandes feitos na carreira: é a campeã de faltas às sessões da Câmara em 2011 e é autora de um projeto, já aprovado também no Senado — só falta agora a sanção de Dilma — que determina que as universidades e os institutos técnicos federais reservem 50% das vagas para alunos oriundos das escolas públicas. Mas não só isso! Nice Lobão resolveu transformar o ingresso na universidade num misto de charada grega com luta de classes e racialismo (sabem como são esses marxistas radicais da família Lobão, né?). A estrovenga aprovada no Senado está aqui.
Como funciona?
1 – Os alunos das escolas públicas serão selecionados segundo o seu “Coeficiente de Rendimento” no ensino médio. Para eles, o Enem, por exemplo, não terá a menor importância.
A ESTUPIDEZ ESPECÍFICA -  Já aqui se abre a primeira e escandalosa porta para injustiças. Dentro da ruindade geral das escolas públicas, há diferenças brutais de qualidade. O aluno que tiver um bom desempenho numa escola relapsa e pouco exigente levará vantagem ao competir com o que tiver um desempenho médio numa escola séria. Mais: sabemos que inexistem critérios objetivos para avaliar se o currículo oficial foi mesmo ministrado. Aliás, não existe um currículo nacional!!! Não encontrei na lei nenhuma referência sobre estado de origem do estudante e vaga pretendida. Como se trata de ensino federal, entendo que o candidato de um estado pode concorrer a uma vaga na federal de outro. O ensino médio é uma lástima no país inteiro, é fato. Mas sabemos que, mesmo dada a ruindade geral, há disparidades regionais brutais. Não só isso: os negros e pardos de Santa Catarina somam pouco mais de 11%; na Bahia, chegam a 78%. Um negro ou pardo de Santa Catarina que disputasse uma vaga na Universidade Federal da Bahia certamente seria selecionado segundo a cota baiana, mas carregando o “Coeficiente de Rendimento” da escola catarinense.
2 – Atenção para a loucura: metade daqueles 50% de vagas reservadas a escolas públicas terá de ser preenchida por alunos oriundos de famílias com renda per capita de até 1,5 salário mínimo.
A ESTUPIDEZ ESPECÍFICA – A lei é omissa sobre a forma como se vai fazer essa verificação. Será com base apenas na declaração do candidato? Cada universidade federal terá de investigar a renda familiar do aluno para saber se ele fala a verdade? Ora… Não há estrutura para isso. Fingir pobreza passará a ser um bom negócio. Será um critério de seleção superior ao conhecimento de matemática e língua portuguesa. Tão logo isso esteja em vigência, é evidente que haverá uma inflação de candidatos com renda per capita inferior ao limite estabelecido, certo? E a lei que convida à fraude.
3 – Deputados e senadores avançaram ainda mais na sandice. Essa metade da metade que tem de pertencer a famílias com renda per capita inferior a 1,5 mínimo tem der ser preenchida por autodeclarados negros, pardos e indígenas, segundo o percentagem apontada pelo IBGE na unidade da federação em que está a universidade.
A ESTUPIDEZ ESPECÍFICA – Um pobre branco da escola pública leva desvantagem ao competir com um preto pobre ou mestiço pobre da escola pública, ainda que os dois tenham, então, o mesmo perfil social. A propósito: no caso do candidato indígena, o seu Coeficiente de Rendimento no que concerne ao domínio da língua terá como referência o português ou o idioma da sua tribo? Nesse caso, quem avalia?
4 – E aqueles outros 25% — a metade da metade oriunda da escola pública, mas que pode pertencer a famílias com renda per capita superior a 1,5 mínimo? Também para eles vale o critério da cor da pele.
ESTUPIDEZ ESPECÍFICA – É a mesma do item 3
A estupidez geral
A senhora Dilma Rousseff, que apoia o projeto, está botando os últimos pregos no caixão das universidades e institutos federais de ensino. Por quê? Só porque está abrindo as portas aos alunos da escola pública? NÃO!!! PORQUE METADE DAS VAGAS DESSAS INSTITUIÇÕES NÃO TERÁ MAIS NENHUM COMPROMISSO COM O DESEMPENHO DOS ALUNOS.
Notem que nem mesmo se exigirá deles uma nota aceitável no Enem — um exame que já é comprovadamente fraco. O único critério associado a desempenho é o tal Coeficiente de Rendimento, auferido em escolas distintas, provas distintas, segundo critérios distintos. Cria-se, obviamente, uma pressão sobre o professor da escola pública — que já padece, como diria o poeta, de diabólicos azares — em favor da facilitação. Ele e seus alunos terão clareza de que uma prova mais severa pode concorrer para criar dificuldades futuras ao aluno.
A escola pública vai melhorar?
A proposta, longe de democratizar o ensino universitário, concorre para democratizar a ignorância e para rebaixar o ensino universitário. Como se está assegurando ao aluno o ingresso na universidade segundo critérios que nada têm a ver com desempenho e competição, o que se tem, na prática, é uma pressão contrária: quanto mais relapso é “bonzinho” for o professor, tanto melhor.
Conheço e convivo com professores universitários, alguns meus contemporâneos da universidade. Atestam que a quantidade de semianalfabetos que chegam ao ensino superior é assustadora. Em vez de concorrer para melhorar a escola pública — sim, eu sei que é um processo demorado, mas não há outra saída —, essa lei vai usar a baixa qualidade como facilitador para o acesso ao ensino superior — vale dizer: quanto pior a escola de ensino médio, melhor!
Eis aí. Reitores das universidades federais incensavam as políticas de cotas. Também eles, mesmo sendo quem são, houveram por bem mandar os critérios acadêmicos para a ponta do pavio e aderir à demagogia. E os cotistas avançaram. A deputada Eunice, da grande família Lobão, pegou carona no debate e resolveu levar a coisa a sério, a seu modo. Pimba! Elio Gaspari, o maior propagandista das cotas no Brasil — para ele, quem se opõe à ideia é a turma do “andar de cima” — deve estar satisfeito.
Agora os cotistas pretendem que o mesmo modelo seja aplicado ao mercado de trabalho público e privado. Chegará a hora em que alguém proporá que o Congresso, as Assembleias, as Câmaras de Vereadores e os tribunais obedeçam a critérios dessa natureza — por que não? Teremos uma democracia que não será feita dos mais votados e dos mais competentes, tudo em nome da… Justiça!
Ao votar a favor da proposta, o senador Pedro Taques (PDT-MT), que costuma ser sério, evocou a experiência americana como exemplo de política bem-sucedida de cotas. Acho que ele deveria estudar melhor o assunto — e não vou me alongar agora sobre esse particular. Noto, no entanto, que cota social e racial, com essa precisão na divisão da cor da pede e com esse número de vagas garantidas aos cotismo, não foi aplicada em lugar nenhum do mundo, nem na África do Sul pós-apartheid.
Agora, os reitores das universidades federais e os professores estão assustados. Sabem o que os espera. Anos de incúria e de desastre no ensino público vão cair inteiros no seu colo. Em muitas universidades, já se discute a criação de cursos especiais para os alunos, algo que os capacite minimamente em matemática e língua portuguesa. Eu estou falando sério.
O desastre já está em curso
Não é o que se vá produzir o desastre. Ele já está em curso. Será agravado. Entre os estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa. Vejam quadro.
Em 2001/2002, 2% dos alunos universitários tinham apenas rudimentos de escrita e leitura. Em 2010, essa porcentagem havia saltado para 4%. Vale dizer: 254.800 estudantes de terceiro grau no país são quase analfabetos. Espantoso? Em 2001/2002, 24% não eram plenamente alfabetizados. Um número já escandaloso. Em 2010, pularam para 38%. Isso quer dizer que 2.420.600 estudantes do terceiro grau não conseguem ler direito um texto e se expressar com clareza. É o que se espera de um aluno ao concluir o… ensino fundamental!
O quadro já era ruim, como se nota, e foi agravado pela dupla Lula/Haddad. Agora, a lei da dona Lobão, aprovada na Câmara, acolhida por ampla maioria no Senado e a ser sancionada por Dilma vai se encarregar de liquidar com o que resta.
Minhas homenagens ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que lutou brava e quase solitariamente contra essa estupidez no Senado. Foi inútil. Em nome da proteção aos pobres e aos vulneráveis, a maioria dos senadores mandou os pobres e os vulneráveis para a ponta do pavio. O que esses valentes fizeram foi condenar os ensinos fundamental e médio públicos à eterna ruindade. E essa ruindade, que já havia se alastrado para o ensino universitário, lá se instará de vez!
Espero um texto de Elio Gaspari demonstrando por que isso é bom para os brasileiros e por que os críticos da proposta da dona Lobão são “demofóbicos”. Eu sempre presto muita atenção aos argumentos dos “demofílicos”.
PS – Ah, sim: Câmara, Senado e Dilma vão pisotear a autonomia universitária. Bem feito, senhores reitores! É nisso que dá ter o nariz marrom, viver de joelhos para o Executivo, subordinar a inteligência a um ente de razão. Vocês pediram chicote e vão ter chicote! Serão os coveiros das universidades federais.

09 agosto 2012

Juramento de advogado

“Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da Justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas”.
Confesso que não é nada fácil, diante das absurdas práticas com as quais se estão acostumados do "lado de cá do balcão", advogar da forma rápida como se fez o juramento, mas não é impossível.
Muita coisa já mudou, principalmente com o advento do CNJ, mas não é fácil imaginar que isso seja suficiente para debelar a incúria administrativa, a desídia funcional, a soberba, o abuso de poder,enfim, a "juizite" de que padecem muitos magistrados, quando não a corrupção ativa pura e simples.
Perco muitos clientes porque lhes digo as dificuldades que os processos podem apresentar, principalmente quanto ao tempo que pode trancorrer entre o ingresso e a sentença.
Já fui vítima de decisões contrárias absolutamente iníquas que foram reformadas em segundo grau, mas que atrasaram o processo grandemente.
Não é à toa que advogados torcem para que seus processos "caiam" em determinadas varas e rezam penhoradamente para que não "caiam" em outras, tudo a fim de terem os processos a devida agilidade e também não tenham a necessidade de pagar por isso, se é que me entendem...
É consagrada a crítica segunda a qual "juiz não tem prazo, mas o advogado sim" e este é constantemente premido pelos tais prazos sob pena de os processos serem simplesmente arquivados sem o julgamento do mérito por juizes "loucos por se livrarem" dos ditos cujos, por pura preguiça, ou, o que é pior, como forma de "pressionar" a parte a se "coçar".
É assim que nunca tive ilusões quanto ao exercício dessa nobre profissão, a qual exerço segundo o juramento, mas com o sacrífício da conta bancária e do patrimônio, mas sem arrenpendimento, contando que Deus seja louvado e impute isso como parte de sua Justiça, essa sim, infalível e incorruptível.