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29 maio 2014

Dilma decidiu extinguir a democracia por decreto. É golpe!

Leiam o que vai no blog de Reinaldo Azevedo (Veja.com):
Atenção, leitores!
Seus direitos, neste exato momento, estão sendo roubados, solapados, diminuídos. A menos que você seja um membro do MTST, do MST, de uma dessas siglas que optaram pela truculência como forma de expressão política.
De mansinho, o PT e a presidente Dilma Rousseff resolveram instalar no país a ditadura petista por decreto. Leiam o conteúdo do decreto 8.243, de 23 de maio deste ano, que cria uma tal “Política Nacional de Participação Social” e um certo “Sistema Nacional de Participação Social”. O Estadão escreve nesta quinta um excelente editorial a respeito. Trata-se de um texto escandalosamente inconstitucional, que afronta o fundamento da igualdade perante a lei, que fere o princípio da representação democrática e cria uma categoria de aristocratas com poderes acima dos outros cidadãos: a dos membros de “movimentos sociais”.
O que faz o decreto da digníssima presidente? Em primeiro lugar, define o que é “sociedade civil” em vários incisos do Artigo 2º. Logo o inciso I é uma graça, a saber: “I – sociedade civil – o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”.
Pronto! Cabe qualquer coisa aí. Afinal, convenham: tudo aquilo que não é institucional é, por natureza, não institucional. Em seguida, o texto da Soberana estabelece que “todos os órgãos da administração pública direta ou indireta” contarão, em seus conselhos, com representantes dessa tal sociedade civil — que, como já vimos, será tudo aquilo que o governo de turno decidir que é… sociedade civil
Todos os órgãos da gestão pública, incluindo agências reguladoras, por exemplo, estariam submetidos aos tais movimentos sociais — que, de resto, sabemos, são controlados pelo PT. Ao estabelecer em lei a sua participação na administração pública, os petistas querem se eternizar no poder, ganhem ou percam as eleições.
Isso que a presidente está chamando de “sistema de participação” é, na verdade, um sistema de tutela. Parte do princípio antidemocrático de que aqueles que participam dos ditos movimentos sociais são mais cidadãos do que os que não participam. Criam-se, com esse texto, duas categorias de brasileiros: os que têm direito de participar da vida púbica e os que não têm. Alguém dirá: “Ora, basta integrar um movimento social”. Mas isso implicará, necessariamente, ter de se vincular a um partido político.
A Constituição brasileira assegura o direito à livre manifestação e consagra a forma da democracia representativa: por meio de eleições livres, que escolhem o Parlamento. O que Dilma está fazendo, por decreto, é criar uma outra categoria de representação, que não passa pelo processo eletivo. Trata-se de uma iniciativa que busca corroer por dentro o regime democrático.
O PT está tentando consolidar um comissariado à moda soviética. Trata-se de um golpe institucional. Será um escândalo se a Ordem dos Advogados do Brasil não recorrer ao Supremo contra essa excrescência. Com esse decreto, os petistas querem, finalmente, tornar obsoletas as eleições. O texto segue o melhor padrão da ditadura venezuelana e das protoditaduras de Bolívia, Equador e Nicarágua. Afinal, na América Latina, hoje em dia, os golpes são dados pelas esquerdas, pela via aparentemente legal.
Inconformado com a democracia, o PT quer agora extingui-la por decreto.

20 maio 2014

A charge de SPONHOLZ: certas plateias amestradas


a charge plateias amestradas

PORQUE AÉCIO PODE GANHAR ESTA ELEIÇÃO_Análise feita por Ricardo Setti (Veja.com)

PORQUE AÉCIO PODE GANHAR ESTA ELEIÇÃO: leitura do mapa eleitoral de 2010 mostra que as coisas mudaram, para MUITO melhor, favorecendo o candidato tucano em 2014
Aécio é celebrado por partidários ao ser eleito presidente do PSB, a 18 de maio do ano passado: quadro em 2014, com ele no páreo, é muito diferente do que Serra protagonizou em 2010 -- e é melhor (Foto: Gazeta do Povo)
Aécio é celebrado por partidários ao ser eleito presidente do PSDB, a 18 de maio do ano passado: quadro em 2014, com ele no páreo, é muito diferente do que Serra protagonizou em 2010 — e é melhor (Foto: Gazeta do Povo)
A presidente Dilma venceu o tucano José Serra no segundo turno das eleições de 2010 por 12 milhões de votos — em percentual, ela teve 56,05% dos votos válidos, Serra, 43,95%.
Este texto pretende mostrar, com FATOS e NÚMEROS, como é perfeitamente possível que o candidato tucano em 2014, Aécio Neves, apresente um resultado muito diferente — podendo vencer as eleições.
Não estou levando em conta pesquisas de intenção de voto (em que Aécio vem subindo, bem como o outro candidato de oposição, Eduardo Campos, do PSB, ao passo que Dilma cai).
E, por ora, vamos SUPOR que Eduardo Campos, menos conhecido, com menos estrutura, menos apoios e menos bases estaduais do que as de Aécio, não consiga chegar ao segundo turno.
É claro que poderemos ter uma disputa Dilma x Eduardo Campos, ou, quem sabe — em política o impossível é apenas o que uma das possibilidades — até uma disputa Eduardo x Aécio.
O cenário deste texto, portanto, refere-se exclusivamente a uma disputa entre Dilma e Aécio.
Vou de início considerar o perfil muito diferente dos candidatos Aécio e Serra e, principalmente, as alianças partidárias que Serra NÃO conseguiu estabelecer em Estados vitais e que, com Aécio, vêm sendo formadas ou estão se esboçando. Depois disso, tratarei dos resultados eleitorais do segundo turno de 2010 e tentarei mostrar como eles poderão mudar, dramaticamente, neste ano — mudar para melhor para o PSDB.
E este post vai apresentar NÚMEROS. Vamos precisar somar para chegar à conclusão que apresento no segundo parágrafo acima.
Comecemos por rápidas considerações sobre diferenças de perfil entre os dois candidatos.
Dilma e Serra se cumprimentam antes do último debate da campanha passada, a 30 de setembro de 2010: o adversário da presidente este ano tem perfil bem diferente (Foto: Bruno Domingos/Reuters)
Dilma e Serra se cumprimentam antes do último debate da campanha passada, a 30 de setembro de 2010: o adversário da presidente este ano tem perfil bem diferente (Foto: Bruno Domingos/Reuters)
Serra, sem dúvida um notável administrador público, é um político individualista e criador de arestas; Aécio é agregador por natureza, circula em diferentes áreas, costura alianças com facilidade. Serra tem 72 anos de idade; Aécio, 54. Nem os mais ferrenhos admiradores de Serra consideram-no carismático; Aécio tem esse dom difícil de definir. Serra consegue se desentender e afastar correligionários; Aécio transita bem até com adversários. Serra já perdeu 2 eleições para prefeito e 2 para presidente; Aécio ganhou as 3 eleições majoritárias que disputou.
Posso estar redondamente enganado, mas parece-me que Aécio terá um índice de rejeição muito inferior ao que Serra alcançou nas eleições presidenciais que travou. Posso também estar redondamente enganado, mas penso que Aécio tem potencial para obter votos onde Serra não conseguiria.
Agora, vamos analisar a situação em vários Estados que definiram a eleição de 2010 em favor do lulopetismo — e nos quais a situação, neste 2014, tem tudo para ser bem diferente.
Iniciemos por MINAS GERAIS, o Estado que Aécio governou por 8 anos e que representa no Senado. Em Minas, Dilma massacrou José Serra no segundo turno, com 1,8 milhão de votos a mais.
Pimenta da Veiga (centro) com o ex-governador Antonio Anastasia (esq.) e Aécio: quer que o tucano ganhe em seu Estado, Minas, por 3,5 milhões de votos. Serra perdeu por 1,8 milhão em 2010 (Foto: otempo.com.br)
MINEIROS — Pimenta da Veiga (centro) com o ex-governador Antonio Anastasia (esq.) e Aécio: o candidato ao governo quer que o tucano ganhe em seu Estado, Minas, por 3,5 milhões de votos. Serra perdeu por 1,8 milhão em 2010 (Foto: otempo.com.br)
Com Aécio, que deixou o governo de Minas em 2010 com mais de 80% de popularidade após dois mandatos e se elegeu com votação recorde para o Senado, alguém duvida de que a história será outra? Até o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), poderá apoiar Aécio, seu aliado em duas eleições, mesmo tendo o líder de seu partido, Eduardo Campos, como aspirante ao Planalto. O candidato a governador pelo PSDB, Pimenta da Veiga, quer que a aliança de 16 partidos que o apóia — e a Aécio — faça com que o tucano vença Dilma por 3,5 milhões de votos.
Mas vamos supor que a diferença seja menor, seja de 3 milhões de votos. Só aí, levando em conta o 1,8 milhão que Dilma colocou sobre Serra, estará 4,8 milhões de votos menor a vantagem de 12 milhões que a presidente obteve sobre o rival tucano nas eleições passadas.
Sigamos agora para SÃO PAULO, o maior colégio eleitoral do país, com perto de 32 milhões de eleitores (quase 23% do total brasileiro, pouco acima de 141 milhões).
Em São Paulo, terra natal e base política de Serra, ele, naturalmente, venceu em 2010, por 1,9 milhão de votos de vantagem sobre Dilma. Na verdade, foi pouco — poderia ser mais. O governador Geraldo Alckmin, em 2006, disparou no primeiro turno 4 milhões de votos à frente do adversário petista — e ele era ninguém menos do que o próprio Lula, o “Deus” da ministra Marta Suplicy.
Alckmin e Lula durante um dos debates da campanha de 2010: o tucano bateu o "Deus" de Marta Suplicy, no primeiro turno, por 4 milhões de votos em São Paulo. Se Aécio consegue repetir a proeza... (Foto: Jonne Roriz/Agência Estado)
Lula com Alckmin durante um dos debates da campanha de 2006: o tucano bateu o “Deus” de Marta Suplicy, no primeiro turno, por 4 milhões de votos em São Paulo. Se Aécio repetir a proeza no segundo turno deste ano… (Foto: Jonne Roriz/Agência Estado)
Admitamos, então, que, tendo um candidato de Minas e um vice de São Paulo, como se cogita, Aécio cresça em relação ao que obteve Serra. Em vez de 1,9 milhão de votos à frente, que tenha apenas 500 mil votos mais, e fecha o Estado com 2,4 milhões à frente da presidente Dilma.
Guardemos esse número: meio milhão de votos mais do que obteve Serra.
Vamos em frente. Agora, é a vez da BAHIA, quarto maior colégio do país, com mais de 10 milhões de eleitores. Ali, sem ter palanque nem apoio significativo, Serra viu-se esmagado por Dilma em 2010: perdeu por 2,8 milhões de votos!
Agora, a coisa mudou. Dilma não terá um palanque extraordinário no Estado — o candidato do PT, Rui Costa, deputado federal e ex-chefe da Casa Civil do governador Jaques Wagner, não provocou até agora um levante das massas em favor da bandeira vermelha do PT.
E terá pela frente uma chapa duríssima, que Aécio conseguiu montar aglutinando inimigos históricos irreconciliáveis, desta vez juntos para derrotar o PT no Estado e em nível nacional: o duas vezes ex-governador Paulo Souto (DEM), candidato ao Palácio de Ondina, o ex-deputado e ex-vice-presidente do Banco do Brasil Geddel Vieira Lima (PMDB), aspirante ao Senado, e o ex-deputado Joacy Góes, ex-diretor do jornal Tribuna da Bahia, candidato a vice-governador pelo PSDB. A chapa tem apoio do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), um dos dois prefeitos mais bem avaliados do Brasil.
Não é impossível que não apenas Aécio não seja derrotado na Bahia por margem considerável, mas que vença. De todo modo, os 2,8 milhões de votos a mais para Dilma de 2010 vão desabar.
Outro Estado em que as coisas mudaram radicalmente em relação a 2010 é PERNAMBUCO. O massacre ocorrido em Minas e na Bahia, proporcionalmente, se manteve em Pernambuco, onde Dilma saiu-se no segundo turno com 2,3 milhões de votos sobre Serra.
Agora o bicho vai pegar: o próprio Estado de Pernambuco tem candidato a presidente, com o ex-governador Eduardo Campos (PSB), eleito duas vezes por grande maioria e sempre bem avaliado nas pesquisas de opinião pública, e que tirou facilmente da Prefeitura do Recife o petista João da Costa Bezerra nas eleições de 2012 em prol do candidato de seu partido, Geraldo Júlio.
Souto (com o microfone), com Aécio (esq.), ACM Neto e Geddel: palanque forte do tucano na Bahia (Foto: ascom/democratas)
O ex-governador Paulo Souto (com o microfone), com Aécio (esq.), o prefeito ACM Neto e Geddel: palanque forte do tucano na Bahia (Foto: ascom/democratas)
Parece não haver dúvida de que Dilma será pulverizada por Campos em seu Estado natal, onde o eleitorado próprio do PSDB e do DEM poderá eliminar diferenças entre Aécio e a candidata do PT na disputa pelo posto de segundo mais votado.
Digamos, então, que os 2,3 milhões de votos caiam para 300 mil em favor de Dilma. São 2 milhões de votos menos naquela vantagem apontada lá em cima, de 12 milhões.
A esta altura, já estamos EMPATADOS, teoricamente, em relação a 2010. Os 12 milhões de votos a mais de Dilma sobre Serra terão desaparecido.
Para não tornar este post interminável, vamos, então, examinar só mais três Estados nos quais Dilma fez a festa sobre Serra em 2010, mas que desta vez exibirão um panorama muito distinto: Ceará, Maranhão e Amazonas.
No CEARÁ, outra derrota impiedosa de Serra em 2010: ficou 2,3 milhões de votos para trás. Naquele ano, Serra estava praticamente sozinho no palanque — estavam com Dilma os irmãos Cid Gomes, governador, e o ex-ministro Ciro Gomes, que já foram tucanos, o PT local, que é forte, o PCdoB, que não é nanico, e o PMDB, sempre numeroso. Dilma ainda recebeu o reforço da presença constante de Lula na campanha. O único e relutante suporte de Serra no Ceará foi o então senador Tasso Jereissati, que não conseguiu se reeleger.
Desta vez, a ampla coligação que elegeu Dilma está problemática. O PMDB do senador Eunício Oliveira — líder disparado nas pesquisas de intenção de voto, com mais de 40% das preferências — deixou o governo de Cid Gomes (PROS), tem o apoio do PROS nacional e complica a vida dos irmãos Gomes. O PT está dividido entre apoiar o candidato dos Gomes — que ainda não se decidiram por um nome — ou lançar a ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins.
O três vezes ex-governador Tasso Jereissati decidiu voltar à política e Aécio está tentando costurar uma aliança com Eunício.
Tudo indica que dá para esquecer os 2,3 milhões de votos a mais de Dilma em 2010.
Até no MARANHÃO, onde parece que nada muda nunca, há novidades. O favorito disparado para vencer as eleições, até o momento, fincado em radical oposição ao domínio da família Sarney, é o ex-deputado Flávio Dino (PCdoB), também ex-presidente da Embratur, que ofereceu palanque a Aécio Neves e, posteriormente, a Eduardo Campos.
Apesar da aliança histórica do PCdoB com o PT, o PT local, pressionado por Dilma, apoia os Sarney, cujo candidato a governador é o senador suplente Lobão Filho (PMDB), que jamais disputou uma eleição antes e tornou-se candidato há algumas semanas substituindo um secretário de Estado inexpressivo.
Alguma coisa estranha anda acontecendo por lá, porque a governadora Roseana Sarney (PMDB), com quem Dilma contava para manter a folgada maioria que tem no Senado, desistiu de disputar o cargo e vai continuar no Palácio dos Leões até o dia 1º de janeiro de 2015.
Parece-me, portanto, que será um otimismo deslavado considerar que, tendo um candidato forte a governador fazendo campanha contra, Dilma repita em 2014 os 1,688 milhão de votos que, em 2010, livrou sobre Serra no Estado com a maioria dos piores indicadores sociais do país.
Arthur Virgílio, prefeito de Manaus e o mais popular do país: este ano, o presidenciável tucano terá palanque forte no Amazonas, onde Serra levou de 9 a 1 de Dilma (Foto: psdb.org)
Arthur Virgílio, prefeito de Manaus e o mais popular do país: este ano, o presidenciável tucano terá palanque forte no Amazonas, onde Serra levou de 9 a 1 de Dilma (Foto: psdb.org)
Finalmente, o AMAZONAS. O eleitorado é relativamente pequeno, próximo a 2 milhões de votos, mas o que aconteceu ali em 2010 é altamente expressivo. No primeiro turno, Dilma teve 90% dos votos válidos! Nove em cada dez! Foi, proporcionalmente, a mais severa derrota de Serra no país — e terminou, no segundo turno, com a presidente quase 1 milhão de votos na frente — 866 mil, para sermos mais exatos.
Serra estava solitário, isolado, sem nada e sem ninguém. Agora, Aécio Neves terá no palanque o prefeito mais bem avaliado do Brasil, o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB), valendo sempre lembrar que Manaus e região detêm 60% do eleitorado amazonense.
No terceiro maior colégio eleitoral do país, o Rio de Janeiro, não se pode dizer que Dilma repetirá, na certa, a vitória por 1,7 milhão de votos a mais que Serra na disputa com Aécio.
A perspectiva de ter uma surpresa como a ex-presidente do Supremo Ellen Gracie como candidata ao governo, o apoio do PMDB e sua forte capilaridade no interior, e de figuras como Cesar Maia (ele próprio candidato a governador pelo DEM) e de Fernando Gabeira podem diminuir consideravelmente a diferença, sem contar que Aécio, criado no Rio de Janeiro por ser filho de deputado na época em que a Câmara ainda não fora transferida para Brasília, tem fortes conexões cariocas e fluminenses.
Não menciono outros Estados porque, longe de ser problemas para o PSDB e aliados, são terra fértil para eles: os tucanos venceram as eleições de 2006 e de 2010 no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, e tendem a voltar ganhar em todo o Sul, com seu enorme contingente de 21 milhões de eleitores. José Serra venceu Dilma nos dois Mato Grosso e em Goiás em 2010, grande cinturão do agronegócio, que anda furioso com o governo petista.
Feitas as contas, vê-se que a leitura do cenário de 2010, com os atores e as mudanças de 2014, tornam perfeitamente possível uma vitória tucana no dia 26 de outubro próximo — data da realização do segundo turno das eleições para presidente e governador.

17 maio 2014

‘Notas pré-Copa’, um artigo de Roberto Pompeu de Toledo


Publicado na edição impressa de VEJA
ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
1. Copa do Mundo seria melhor com um pouco menos de patriotadas. No México havia (ainda há?), pouco antes da competição, a cerimônia de “embandeiramento” do time nacional. Nesse momento o time passava a representar a nação. No Brasil, sem a mesma pompa de Estado, mas presente ao fundo uma enorme bandeira nacional, o anúncio dos jogadores convocados procurou igual efeito. O técnico Luiz Felipe Scolari, antes de desfiar a lista, pediu que todos – “comissão técnica, direção da CBF, imprensa, torcedores” – nos unamos em torno do mesmo “norte”, ainda que discordando desta ou daquela convocação. Mais tarde, ao vivo no Jornal Nacional, disse que era hora de todos os brasileiros vestirem a “camisa amarela”. À sua maneira, embandeirou a seleção.
2. Copa do Mundo também seria melhor sem intoxicação publicitária. Mais do que ninguém os publicitários deveriam saber que tudo o que é excessivo cansa. E, no entanto, dá-lhe Felipão vendendo carro, televisores, assinatura de telefone celular. Dá-lhe Neymar vendendo tudo. Antes de começar a Copa já enjoou. Sorte que depois do apito inicial do jogo inicial o enjoo passa. Cura-o a atração irresistível da bola correndo.
3. Felipão preocupou-se à toa com eventuais discordâncias agudas na convocação. Não houve dissenso nem poderia haver. Tirando Neymar, os outros 22 poderiam ser substituídos por outros 22 sem diferenças acentuadas. Isso não é sinal de pujança do futebol brasileiro; é sinal de nivelação por baixo dos estoques de craques.
4. Outra razão para a falta de dissenso é a carência de identificação dos torcedores com os jogadores. Muitos dos convocados saíram tão cedo do país que nem disputaram campeonatos de primeira divisão no Brasil. De repente aparece um sujeito chamado Luiz Gustavo, ou um sujeito chamado Hulk, de quem nunca se ouvira falar e que, sem ter vestido a camisa de nenhum grande clube brasileiro, agora é titular da seleção. Ou é reserva, como o sujeito chamado Dante. Além das torcidas clubísticas, havia também as rivalidades regionais. Paulistas e cariocas disputavam quem forneceria mais quadros para a seleção. Hoje, a disputa possível seria se serão convocados mais ingleses ou mais espanhóis, quer dizer: mais entre os que jogam na Inglaterra ou mais entre os que jogam na Espanha.
5. Felipão é esperto. Ao embandeirar a seleção, busca duplo efeito. Primeiro, formar a famosa “corrente pra frente”. Segundo, dividir responsabilidades. Mostrando-se desunidos, os brasileiros serão também culpados, se sobrevier a cruel desdita da derrota. Ele tem plena noção da carga que lhe pesa nos ombros. O pior cenário é a desclassificação prematura. Já nas oitavas de final, é mais do que possível que o Brasil venha a enfrentar ou a Holanda, que o desclassificou em 2010, ou a Espanha, a campeã naquela ocasião. Derrotado o time de Felipão, o torneio passaria a ser uma festa de argentinos, espanhóis, italianos, ingleses e outros, com o Brasil pagando a conta. As massas poderão se excitar.
6. Pior que o vexame no campo de jogo será o eventual vexame do despreparo para o evento. Prometeram-se investimentos que não vieram. A famosa “mobilidade urbana” será a de sempre, com forte tendência imobilizante, atenuada quem sabe apenas por puxadinhos nos aeroportos e decretação de feriados em dias de jogo. Alguns dos estádios só ficarão prontos na última hora, e tomara que se mostrem seguros. Tomara que não falte energia no pico das comunicações que cruzarão o planeta. Se isso tudo ocorrer razoavelmente a contento (completamente a contento não é mais possível) e se não houver torcedor com volúpia de jogar vaso sanitário no adversário, será um alívio.
7. A Copa continua um risco para o governo, mas na semana passada funcionou a favor. O craque Renan Calheiros, agora com cabeleira que ameaça a de David Luiz, soube jogar de olho na tabela – tanto enrolou que fez a CPI da Petrobras enroscar com a Copa. O assunto Petrobras morreu. Agora é Copa. O embandeiramento da seleção marcou o início de seu reinado.

15 maio 2014

Hoje é o primeiro dia das muitas dores de cabeça que Dilma terá com a Copa

No blog de Reinaldo Azevedo (Veja.com):
...Prepare-se, soberana!
Hoje é o ensaio geral das dores de cabeça que a presidente Dilma terá durante a Copa do Mundo — as mesmas que a impedirão de discursar no jogo inaugural do torneio. Uma vaia que fizesse o Itaquerão vir abaixo poderia ter um efeito devastador em ano eleitoral. E a vaia viria, tão certo como Aloizio Mercadante é capaz e conceder entrevistas desastradas.
Organizações dos autointitulados sem-teto marcaram protestos em sete capitais: Belém, Fortaleza, Palmas, Brasília, Salvador, São Paulo e Curitiba. Estão previstos protestos contra o gasto de dinheiro público da Copa em 14: Manaus, Belém, Fortaleza, Natal, Recife, Cuiabá, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. País afora, em várias dessas cidades, há greves ou de servidores ou de categorias profissionais que tendem a engrossar os protestos (vejam quadros publicados em reportagem da Folha Online).
Contra a Copa 1
Na capital paulista, por exemplo, parte dos professores da rede municipal de ensino cruzou os braços. No Rio, há paralisações de professores das redes municipal e estadual e de parcela de cobradores e motoristas de ônibus. Em Pernambuco, a greve é de policiais militares, o que já ensejou a intervenção da Força Nacional de Segurança.
contra a copa 2
Se alguém dissesse a Lula, em 2007, que a Copa do Mundo poderia vir a ser uma grande dor de cabeça para o petismo, ele certamente riria da cara do interlocutor. E, convenham, em certa medida, ninguém realmente contava com isso. Embora existam muitos grupos de extrema esquerda na raiz desses movimentos, o repúdio ao dinheiro público empregado na Copa, em contraste com a precariedade de alguns dos serviços oferecidos pelo estado, mobilizou mais gente.
Desde o começo, o governo e o PT lidaram muito mal com esses protestos. Cumpre não esquecer: o ovo dessa serpente foi posto em São Paulo. Durante uns bons pares de dias, em junho do ano passado, o Planalto, especialmente por intermédio do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, achou que poderia, ainda que de modo oblíquo, incitar a massa contra o governo do Estado. Deu no que deu.
De resto, já escrevi aqui mais de uma vez, o próprio Planalto, por intermédio de Gilberto Carvalho, incita à desordem quando dialoga mesmo com grupos que optam pela violência. Quando aquela turma do Passe Livre ganhou assento no Palácio, meus caros, Dilma estava dando um sinal e um tiro no próprio pé. Carvalho certamente a convenceu de que era o melhor a fazer. Ela deveria ter me escutado…
Contra a copa 3
A coisa se espalhou de tal modo que várias embaixadas brasileiras fizeram ontem um alerta ao Itamaraty. Poderão ser alvos de ataques. O mundo globalizado sai por aí comprando causas. E um país como o Brasil, que consegue juntar de modo tão desassombrado, expressões muito claras da miséria com a opulência do Brasil-potência do lulo-petismo é um prato cheio.
Vejam vocês! Até Lula, sempre tão sabido, pode ter algo a aprender com a realidade. O dia será quente.

14 maio 2014

COPA DO MUNDO: Brutal incompetência do governo leva a fracasso vergonhoso nas obras prometidas e torna o país vitrine para o mundo — de suas coisas ruins

Leia post de Ricardo Setti (Veja.com):
Estado das obras em trecho da Avenida Miguel Sutiel, a Perimetral, de Cuiabá, onde fica o hotel que hospedará a delegação da FIFA: a foto é desta semana! (Foto: Joel Lima/Folhapress)
Estado das obras em trecho da Avenida Miguel Sutiel, de Cuiabá, onde fica o hotel que hospedará a delegação da FIFA: a foto é desta semana! (Foto: Joel Lima/Folhapress)
Chiiiii… Lá vem ele de novo.
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o “Gilbertinho”, fazendo uma autocrítica?
Na questão do vergonhoso atraso das obras para a Copa do Mundo, o governo Dilma “foi incompetente”?
Como assim? Gilbertinho admitindo o óbvio, o que todo o país sabe?
Nããããããããããããão, nada disso.
Foi incompetente, disse Gilbertinho, no diálogo com os chamados “movimentos sociais” e com “a sociedade” sobre o evento.
Pois, uma vez mais, Gilbertinho fugiu do assunto, como no caso das vaias em que recebeu no Sindicato dos Bancários do Rio.
Fugiu do assunto!
O governo foi BRUTALMENTE incompetente.
O jornal Folha de S. Paulo, em esplêndido trabalho de reportagem e em minucioso levantamento, acaba de demonstrar isso, de forma cabal e definitiva: a um mês de a bola começar a rolar na Arena Corinthians, só 41% do prometido foi cumprido.
NEM A METADE!
De um evento cuja realização o Brasil buscou, pelo qual caitituou, para o qual Lula rodou mundo afora, só faltando mendigar, e acabou recebendo a incumbência de realizar HÁ SETE ANOS.
Pois bem — mostrou a Folha –, nesses sete anos, das 167 metas para a Copa, só 68 foram concluídas. Das restantes, 60 estão incompletas — passageiros descerão em aeroportos em obras, não conseguirão trafegar por transporte público inacabado, terão dificuldades em avenidas feitas pela metade, não ultrapassarão viadutos que só serão entregues em 6 meses ou mais –, 28 só serão entregues DEPOIS da Copa e 11 foram simplesmente abandonadas.
É SÓ ABACAXI -- Gilberto Carvalho fala do povo exatamente como os barões do café no tempo do Brasil do atraso (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr)
Gilberto Carvalho descascando um abacaxi: no caso da Copa, nem metade da casca foi tirada por um governo incompetente  (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)
Que mobilidade urbana, que nada! Que melhora nos transportes públicos, que nada! Que “legado” para a população, que nada!
Isso num país que tem empreiteiras de porte gigantesco — responsáveis por obras ciclópicas no mundo todo –, que dispõe de engenheiros , arquitetos e urbanistas de Primeiro Mundo, cuja iniciativa privada é competente e competitiva.
O problema do Brasil, está mais uma vez comprovado, não é o Brasil — é o Estado brasileiro, pesadão, gordo, corrupto, atrasado, incompetente, concebido teoricamente para servir a sociedade mas que só sabe sugá-la.
E, hoje, sob a presidente Dilma, temos um problema adicional sobre o problema de sempre — porque esse Estado lerdo, atrasado e incompetente, já contaminado por pecados do lulopetismo desde Lula, é há quase quatro anos tocado por um GOVERNO incompetente, inchado, com absurdos 39 ministérios, atarantado, confuso, que não sabe para onde ir, que aos poucos detona os fundamentos da economia, esconde a inflação com preocupação eleitoral, não sabe fazer o país crescer, deteriora as contas públicas e está jogando no lixo a credibilidade internacional que o Brasil obteve e foi fortalecendo a partir do Plano Real e da estabilização econômica, em 1994.
A Copa, que poderia ser a vitrine de um novo Brasil perante o mundo, apenas tornará visível justamente aquele Brasil que queremos deixar para trás, mas que o lulopetismo não permite.

A charge de SPONHOLZ: o governo da “gerentona” e a Copa


a charge Copa do Mundo

11 maio 2014

As pesquisas reforçam a advertência: Dilma Rousseff é o Celso Pitta do Lula

  No "Direto ao Ponto" do blog de Augusto Nunes (Veja.com)
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Atualizado às 17h25
dilmapitta
Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação registrados nas pesquisas de popularidade, o prefeito Paulo Maluf em 1995 e o presidente Lula em 2007 resolveram mostrar-se capazes de instalar qualquer nulidade no cargo que ocupavam. Para que cumprissem sem resmungos a missão de guardar o lugar do chefe, como registrou um post publicado em julho de 2010, os escolhidos deveriam ser desprovidos de autonomia de voo e luz própria. Quanto mais medíocre, melhor.
Maluf pinçou no secretariado municipal um negro economista. Lula pinçou no primeiro escalão federal uma mulher economista. Ao apresentar o sucessor, o prefeito repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo. Mas quem arranjou o dinheiro foi um gênio da raça chamado Celso Pitta, secretário de Finanças. Ao apresentar a sucessora, o presidente reiterou que foi Lula quem pariu o Brasil Maravilha. Mas quem  amamentou o colosso foi uma supergerente chamada Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e Mãe do PAC.
Obediente ao criador e guiado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando platitudes e louvando o chefe de meia em meia hora. Como herdara uma cidade mais que perfeita, restou-lhe embelezá-la com espantos de matar alemão de inveja. Nenhum fez mais sucesso nos programas na TV do que  o Fura-Fila, um veículo leve sobre trilhos instalados em viadutos. Grávido de orgulho com o desempenho do poste que fabricara, o padrinho ordenou aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado fracassasse.
Obediente ao criador e tutelada pelo marqueteiro João Santana,  Dilma percorreu o circuito eleitoral driblando debates e entrevistas, gaguejando frases descartáveis e bajulando o chefe a cada 15 minutos. Como herdara um país pronto, restou-lhe acrescentar refinamentos que fariam do País do Carnaval uma Noruega com praia, samba e futebol. A campanha eleitoral nem começara quando os primeiros apitos do trem-bala anunciaram a chegada do Fura-Fila de Dilma. Grávido de confiança no poste que esculpira, o padrinho deixou claro que disputava o terceiro mandato disfarçado de Dilma, já conhecida nas lonjuras da nação como a “mulher do Lula”.
São Paulo demorou três anos para descobrir que era governada pelo pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, os iludidos escorraçaram Pitta do emprego e Maluf nunca mais foi eleito para qualquer cargo executivo. Milhões de brasileiros já constataram que a nação é presidida por uma fraude. Os eleitores que ainda não enxergaram a vigarice são suficientemente numerosos para que a pior governante desde o Descobrimento continue a sonhar com um segundo mandato. Mas também sobram motivos para que a oposição acredite e a última pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira deixa ainda mais evidente que uma era pode estar chegando ao fim.
“Volta, Lula!” não é uma palavra de ordem. É um grito de medo. Não é a senha para a ofensiva. É um pedido de socorro inútil. Se a afilhada naufragar, o padrinho não escapará do abraço de afogado. Dilma Rousseff é o Celso Pitta de Lula.

‘O Brasil está com ódio de si mesmo’, de Arnaldo Jabor

Publicado no Estadão
ARNALDO JABOR
O Brasil está irreconhecível. Nunca pensei que a incompetência casada com o delírio ideológico promoveria este caos. Há uma mutação histórica em andamento. Não é uma fase transitória; nos últimos 12 anos, os donos do poder estão a criar um sinistro “espírito do tempo” que talvez seja irreversível. A velha “esquerda” sempre foi um sarapatel de populismo, getulismo tardio, leninismo de galinheiro e agora um desenvolvimentismo fora de época. A velha “direita”, o atraso feudal de nossos patrimonialistas, sempre loteou o Estado pelos interesses oligárquicos.
A chegada do PT ao governo reuniu em frente única os dois desvios: a aliança das oligarquias com o patrimonialismo do Estado petista. Foi o pior cenário para o retrocesso a que assistimos.

07 maio 2014

Socorro! Alguém nos salve do PT!

A charge de SPONHOLZ: o grito
a charge  o grito

‘Adeus, PT’, de Marco Antonio Villa


Publicado no Globo desta terça-feira
MARCO ANTONIO VILLA
A cinco meses da eleição presidencial é evidente o sentimento de enfado, cansaço, de esgotamento com a forma de governar do Partido dos Trabalhadores. É como se um ciclo estivesse se completando. E terminando melancolicamente.
A construção do amplo arco de alianças que sustenta politicamente o governo Dilma foi, quase todo ele, organizado por Lula no início de 2006, quando conseguiu sobreviver à crise do mensalão e à CPMI dos Correios. Naquele momento buscou apoio do PMDB — tendo em José Sarney o principal aliado — e de partidos mais à direita. Estabeleceu um condomínio no poder tendo a chave do cofre. E foi pródigo na distribuição de prebendas. Fez do Tesouro uma espécie de caixa 1 do PT. Tudo foi feito — e tudo mesmo — para garantir a sua reeleição. Parodiando um antigo ministro da ditadura, jogou às favas todo e qualquer escrúpulo. No jogo do vale-tudo não teve nenhuma condescendência com o interesse público.
A petização do Estado teve início no primeiro mandato, mas foi a partir de 2007 que se transformou no objetivo central do partido. Ter uma estrutura permanente de milhares de funcionários petistas foi uma jogada de mestre. Para isso foram necessários os concursos — que garantem a estabilidade no emprego — e a ampliação do aparelho estatal. Em todos os ministérios, sem exceção, aumentou o número de funcionários. E os admitidos — quase todos eles — eram identificados com o petismo.
Desta forma — e é uma originalidade do petismo —, a tomada do poder (o assalto ao céu, como diria Karl Marx) prescindiu de um processo revolucionário, que seria fadado ao fracasso, como aquele do final da década de 60, início da década de 70 do século XX. E, mais importante, descolou do processo eleitoral, da vontade popular. Ou seja, independentemente de quem vença a eleição, são eles, os petistas, que moverão as engrenagens do governo. E o farão, óbvio, de acordo com os interesses partidários.
Se no interior do Estado está tudo dominado, a tarefa concomitante foi a de estabelecer um amplo e fiel arco de dependência dos chamados movimentos sociais, ONGs e sindicatos aos interesses petistas. Abrindo os cofres públicos com generosidade — e que generosidade! — foi estabelecido um segundo escudo, fora do Estado, mas dependente dele. E que, no limite, não sobrevive, especialmente suas lideranças, longe dos recursos transferidos do Erário, sem qualquer controle externo.
O terceiro escudo foi formado na imprensa, na internet, entre artistas e vozes de aluguel, sempre prontas a servir a quem paga mais. Fazem muito barulho, mas não vivem sem as benesses estatais. Mas ao longo do consulado petista ganharam muito dinheiro — e sem fazer esforço. Basta recordar os generosos patrocínios dos bancos e empresas estatais ou até diretamente dos ministérios. Nunca foi tão lucrativo apoiar um governo. Tem até atriz mais conhecida como garota-propaganda de banco público do que pelo seu trabalho artístico.
Mas tudo tem um começo e um fim, como poderia dizer o Marquês de Maricá. E o fim está próximo. O cenário não tem nenhum paralelo com 2006 ou 2010. O desenho da eleição tende à polarização. E isto, infelizmente, poderá levar à ocorrência de choques e até de atos de violência. O Tribunal Superior Eleitoral deverá ser muito acionado pelos partidos. E aí mora mais um problema: quem vai presidir as eleições é o ministro Dias Toffoli – como é sabido, de origem petista, foi advogado do partido e assessor do sentenciado José Dirceu.
Se a oposição conseguir enfrentar e vencer todas estas barreiras, não vai ter tarefa fácil quando assumir o governo e encontrar uma máquina estatal sob controle do partido derrotado nas urnas. As dezenas de milhares de militantes vão — se necessário — criar todo tipo de dificuldades para a implementação do programa escolhido por milhões de brasileiros. Aí — e como o Brasil é um país dos paradoxos — será indispensável ao novo governo a utilização dos DAS (cargos em comissão). Sem eles, não conseguirá governar e frustrará os eleitores.
Teremos então uma transição diferente daquela que levou ao fim da Primeira República, em 1930; à queda de Vargas, em 1945; ou, ainda, da que conduziu ao regime militar, em 1964. Desta vez a mudança se dará pelo voto, o que não é pouco em um país com tradição autoritária. O passado petista — que imagina ser eterno presente — terá de ser enfrentado democraticamente, mas com firmeza, para que seja respeitada a vontade das urnas.
É bom não duvidar do centralismo democrático petista. Não deve ser esquecido que o petismo é o leninismo tropical. Pode aceitar sair do governo, mas dificilmente sairá do aparelho de Estado. Se a ordem de sabotar o eleito em outubro for emitida, os militantes-funcionários vão segui-la cegamente. Claro que devidamente mascarados com slogans ao estilo de “nenhum passo atrás”, de “manter as conquistas”, de impedir o “retorno ao neoliberalismo”. E com uma onda de greves.
A derrota na eleição presidencial não só vai implodir o bloco político criado no início de 2006, como poderá também levar a um racha no PT. Afinal, o papel de Lula como guia genial sempre esteve ligado às vitórias eleitorais e ao controle do aparelho de Estado. Não tendo nem um, nem outro, sua liderança vai ser questionada. As imposições de “postes”, sempre aceitas obedientemente, serão criticadas. Muitos dos preteridos irão se manifestar, assim como serão recordadas as desastrosas alianças regionais impostas contra a vontade das lideranças locais. E o adeus ao PT também poderá ser o adeus a Lula.

03 maio 2014

Acredite quem quizer: Dilma vai investir em porto do Uruguai

DEPOIS DE CUBA, O URUGUAI: Governo Dilma poderá colocar 1 bilhão em porto que vai concorrer em vantagem com os brasileiros
Neste local, junto à cidade d e Rocha, no Uruguai, está prevista a construção do superporto -- em boa parte com o dinheiro brasileiro (Foto: elpais.com.uy)
Neste local, junto à cidade d e Rocha, no Uruguai, está prevista a construção do superporto — em boa parte com o dinheiro brasileiro (Foto: elpais.com.uy)
Depois de Cuba, o Uruguai.
O BNDES vai precisar explicar as razoes que levaram o governo Dilma Rousseff a apoiar a construção, no Uruguai, de um porto de águas profundas que — acreditem!!! — poderá, por ser moderno e projetado para ter custos baixos, “roubar” cargas de terminais brasileiros.
Repetindo o caso Cuba — e enquanto os obsoletos portos brasileiros aumentam o custo Brasil e prejudicam a competitividade das nossas exportações –, o governo está prestes a colocar pelo menos 1 BILHÃO DE DÓLARES nas mãos do governo uruguaio para o porto, a ser erigido na cidade de Rocha, que fica a menos de 300 quilômetros de um dos principais portos brasileiros, o de Rio Grande (RS).
O requerimento de informação para esclarecer o caso é de autoria do líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), e foi protocolado na Secretaria Geral da Mesa, após o jornal O Globo ter revelado que as negociações entre Brasil e Uruguai estão “a pleno vapor”.
A reportagem mostra que o apoio brasileiro deve ser forte: “cerca de US$ 1 bilhão do BNDES, recursos do Orçamento, via Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), e conhecimento técnico, segundo fontes que acompanham a negociação. Maior oferta de frequências marítimas, fretes mais baratos, tempo de deslocamento menor e, principalmente, possibilidade de alcance do mercado asiático pelo Estreito de Magalhães (na extremo sul do continente), em condições de concorrência com o Canal do Panamá, atraem o Brasil.”
O senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do PSDB: país está exportando sua poupança (Foto: Agência Senado)
O senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do PSDB: país está exportando sua poupança em vez de investir na própria infraestrutura  (Foto: Agência Senado)
Para Aloysio, porém, o governo brasileiro, além de exportar a poupança do país, prejudica cada vez mais o investimento em infraestrutura. “O BNDES precisa enviar ao Senado todas as informações que esclareçam essa tentativa de gastar recursos do povo brasileiro em obras que não sejam para melhorar a infraestrutura do país”.
O Globo registrou que operadores portuários brasileiros temem uma concorrência com um porto mais moderno, mais capacitado e menos burocrático (e caro) que os nacionais, principalmente no Sul do Brasil.
Caso o empreendimento de fato saia do papel, poderá contar não só com recursos do BNDES e do Focem, como do Programa de Financiamento às Exportações (Proex), que prevê, por exemplo, subsídios para tornar a taxa de juros compatível com as do mercado internacional.
Do tamanho de Paranaguá e Rio Grande juntos
Diz ainda o jornal: “Como os navios no mundo são cada vez maiores, para ganho de escala, o porto deve se consolidar como parte das grandes rotas intercontinentais, deixando os terminais brasileiros de fora.
“O próprio governo uruguaio publica em sua página na internet algumas estimativas sobre o novo porto, que em 2025 deve movimentar 87,5 milhões de toneladas, mais do que a soma dos terminais de Paranaguá (PR), com 44,7 milhões de toneladas em 2013) e de Rio Grande (com 33,2 milhões de toneladas em 2013).
“Os preços dos fretes serão competitivos a ponto de atrair empresários brasileiros. Nas rotas para China — maior destino das exportações brasileiras –, Japão e Sudeste Asiático, a tonelada transportada pode ficar entre 12,50 e 22,50 dólares mais barata, enquanto para a Europa a redução de custos pode chegar a 3,50 dólares por tonelada.

Dilma despenca e garante segundo turno

PESQUISA SENSUS: DILMA TEM 35% E AÉCIO 23,7%
Do jornal O Estado de S. Paulo
Pesquisa Sensus divulgada neste sábado, 3, indica que se as eleições fossem realizadas hoje, haveria votação em segundo turno.
Charge de SPONHOLZ
Charge de SPONHOLZ
A presidente Dilma Rousseff (PT) teria 35% das intenções de votos, o senador tucano Aécio Neves (MG) teria 23,7% e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) teria 11%. O total de votos em branco, nulos ou de pessoas que se manifestaram dizendo não saber em quem votar ou não responderam à pesquisa é de 30,4%.
Juntos, Aécio e Campos têm 34,7% dos votos, praticamente a mesma porcentagem de Dilma (diferença de 0,3%). A margem de erro é de 2,2%.

Especial VEJA: …E tudo acabou na mais longa ditadura


Publicado na edição impressa de VEJA
18- Tanque de Guerra passeia no RJ, um dia após Golpe Militar  Agência O Globo 01.04.1968
Os golpistas em geral tinham um objetivo comum a uni-los todos: acabar com o governo de João Goulart e livrar o Brasil do perigo vermelho. Derrubado Jango e afastado o risco da “comunização”, como se dizia na época, era hora de festejar. A imprensa, em peso, celebrou o golpe, com a solitária exceção da Última Hora. “Fora!”, gritava o Correio da Manhã, ao comemorar a queda de Jango. O ex-presidente Juscelino Kubitschek, então senador, simpatizou com a ideia de ver um general comandando o país até a eleição presidencial de 1965, na qual era favorito. Carlos Lacerda, governador da Guanabara, deu entrevista saudando a vitória militar e não conteve as lágrimas: “Obrigado, meu Deus, muito obrigado!”. A classe média do Rio de Janeiro, aliviada, reuniu milhares de pessoas na Marcha da Vitória, abençoada pelo cardeal dom Jaime Câmara, para quem o golpe contara com o “auxílio divino obtido por nossa Mãe Celestial”.
Atingido o objetivo que unira a todos e passada a euforia, a carranca da realidade reapareceu. O arco dos aliados pró-golpe não tinha mais o elo sólido em comum, e logo começaram pressões – e contrapressões – para endurecer e perpetuar o regime. Uma semana depois do golpe, o Correio da Manhã protestava contra a queima de exemplares do jornal nas bancas, numa operação que “possuía todos os requintes de intolerância e barbárie característicos dos regimes totalitários”. Dois meses depois do golpe, JK, que votara a favor do general Humberto Castello Branco para presidente da República, estava cassado. Três meses depois do golpe, Lacerda já percebera que os civis não seriam mais que coadjuvantes no regime militar e chegou a chamar Castello Branco de “Napoleanão”, em referência ao estilo imperial do militar de 1,64 metro de altura. Dois anos depois do golpe, a classe média, assustada com a reação truculenta do regime contra os protestos estudantis, já não reconhecia o governo que apoiara. Em 1968, quatro anos depois do golpe, a indignação popular saiu às ruas do Rio depois do assassinato, pela Polícia Militar, de um estudante de 18 anos. O protesto entraria para a história como a Passeata dos Cem Mil e foi abençoado por dom Jaime Câmara, o mesmo cardeal que, anos antes, louvara os militares vitoriosos. Por fim, no dia 13 de dezembro de 1968, o general Arthur da Costa e Silva, segundo general-presidente, baixou o AI-5, o ato institucional que o autorizava a fechar o Congresso, cassar mandatos parlamentares, censurar a imprensa e governar por decreto.
Com o AI-5, quatro anos, oito meses e treze dias depois do golpe, estava oficialmente proclamada a ditadura militar. Por que o golpe deu origem a um regime moderado inicialmente e acabou na mais longa e brutal ditadura da história do Brasil? Quase sempre, as rupturas fogem do controle. Em seu clássico Anatomia das Revoluções, o historiador Crane Brinton, morto em 1968, mostra que boa parte das revoluções começa com esperança, triunfa sob líderes moderados e, sob o peso das inevitáveis contradições internas, acaba por se radicalizar e naufraga no autoritarismo. O ciclo se repetiu nas revoluções inglesa, francesa e russa, que terminaram, respectivamente, sob o comando de um ditador regicida (Oliver Cromwell), um corso belicista (Napoleão Bonaparte) e um tirano paranoico (Josef Stalin). Nesse processo de radicalização autoritária, Brinton, inspirado na declaração de um revolucionário francês do século XVIII, escreveu o seguinte: “A revolução, como Saturno, devora os próprios filhos”.
Em 1964 não aconteceu uma revolução. Os militares não tinham um conjunto doutrinário capaz de dar ao golpe esse caráter orgânico e profundo. Mas houve uma ruptura que, de certo modo, reprisou o ciclo descrito por Brinton. Triunfou sob o comando de Castello Branco, um militar culto, de formação liberal e avesso ao barbarismo autoritário, e acabou sob o tacão implacável de Emílio Garrastazu Médici – de todos os generais-presidentes o que menos se incomodou com o uso da força bruta. Por volta de 1970, o golpe já esfacelara as instituições nacionais e devorara alguns de seus filhos mais pródigos. Perdera apoio até de um pedaço da elite e dos políticos conservadores.
O triunfo dos radicais de qualquer ideologia e em qualquer regime decorre de circunstâncias muito específicas, mas, em geral, relaciona-se à organização e ao ambiente. Os radicais são mais disciplinados e mais obstinados que os moderados. Por isso, costumam se organizar com mais competência e empenho. São ainda favorecidos por um ambiente em que toda manifestação de moderação é vista como covardia. No regime de 64, os radicais, sob o apoio ou o silêncio de comandantes militares, endureceram o regime a ponto de implantar o terrorismo de Estado para combater o terrorismo de esquerda. Explodiram bombas e colocaram presos no pau de arara. A direita extremista, que antes do golpe atuava por sua conta e risco, transferiu-se para dentro da máquina do Estado, anarquizando a ordem militar. E a radicalização da linha dura criou um ambiente no qual qualquer gesto de prudência equivalia a sinal de fraqueza.
Subvertido pela tortura e pela anarquia, o regime viveu a ilusão de que poderia eliminar o inimigo na clandestinidade do porão e no silêncio da censura. A tortura e o combate à esquerda armada cumpriram o objetivo imediato, mas apodreceram o regime moralmente. Disso, a ditadura jamais se recuperaria. A pensadora Hannah Arendt explicou: está fadada ao fracasso toda política de Estado cujo objetivo seja fazer seus adversários “desaparecer em silencioso anonimato”. A força bruta descarnou o regime. Até hoje, meio século depois do golpe, num Brasil em quase tudo diferente do de 1964, os comandantes militares não admitem que “fugitivos”, “desaparecidos” e “suicidas” foram, na verdade, assassinados. Sendo uma instituição baseada na ética, na honra e na lealdade, as Forças Armadas ainda precisam reconhecer para a sociedade que esse passado é condenado também pelos militares.
Colaboradores: André Petry, Augusto Nunes, Carlos Graieb, Diogo Schelp, Duda Teixeira, Eurípedes Alcântara, Fábio Altman, Giuliano Guandalini, Jerônimo Teixeira, Juliana Linhares, Leslie Lestão, Otávio Cabral, Pedro Dias, Rinaldo Gama, Thaís Oyama e Vilma Gryzinski.

26 abril 2014

A cizânia está formada: Dilma versus Lula. Alvíssaras!

NA VEJA DESTA SEMANA – A disputa de poder no PT expõe um racha inédito na história do partido
dilma x lula
Por Daniel Pereira e Adriano Ceolin, na VEJA.com:
A presidente Dilma Rousseff enfrenta um momento inédito de fragilidade. Além de ter problemas na economia, como o crescimento baixo, a inflação persistente e o desmantelamento do setor elétrico, ela perdeu apoio popular e força para barrar, no Congresso, iniciativas capazes de desgastá-la. A aprovação ao governo caiu a um nível que, segundo os especialistas, ameaça a reeleição. Partidos aliados suspenderam as negociações para apoiá-la na corrida eleitoral. Já os oposicionistas conseguiram na Justiça o direito de instalar uma CPI para investigar exclusivamente a Petrobras. Acuada, Dilma precisa mais do que nunca da ajuda do PT, mas essa ajuda lhe é negada. Aproveitando-se da conjuntura desfavorável à mandatária, poderosas alas petistas pregam a candidatura de Lula ao Planalto e conspiram contra a presidente. O objetivo é claro: retomar poderes e orçamentos que foram retirados delas pela própria Dilma. A seis meses da eleição, o PT está rachado entre lulistas e dilmistas — e, para os companheiros mais pragmáticos, essa divisão, e não os rivais Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), representa a maior ameaça ao projeto de poder do partido.
Com carreira política construída na resistência à ditadura militar e posteriormente no PDT, Dilma nunca teve alma petista. Ao assumir a Presidência, ela herdou boa parte da cúpula do governo Lula, como ministros, dirigentes de estatais e até a então chefe do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha. O governo era de continuidade mesmo nos nomes escalados para comandar o país. O plano de Dilma era dar uma feição própria à sua gestão de forma gradativa, reduzindo a influência do antecessor ao longo do tempo. Antonio Palocci, seu primeiro chefe da Casa Civil, ilustrou a estratégia: “No primeiro ano de mandato, será um governo Lula-Dilma. No segundo, um governo Dilma-Lula. No terceiro, será Dilma-Dilma”. Esse cronograma, no entanto, foi atropelado pelos fatos. Já em 2011 a presidente foi obrigada a demitir seis ministros acusados de corrupção e tráfico de influência — quatro deles egressos do governo anterior. Dilma se mostrava intransigente com os malfeitos, ao contrário de Lula, acostumado a defender políticos pilhados em irregularidades. Com a chamada faxina ética, ela atingiu recordes de popularidade e conseguiu força para tirar das mãos de notórios esquemas partidários setores estratégicos da administração. Nem mesmo o PT foi poupado nessa ofensiva.
O partido perdeu terreno em fundos de pensão e na Petrobras, que teve sua diretoria reformulada em 2012. A faxina ética era acompanhada da profissionalização da gestão. Com essas mudanças, muitos petistas estrelados, como o mensaleiro preso José Dirceu, perderam influência. Havia um distanciamento crescente entre a presidente e a engrenagem partidária, mas Lula mantinha o PT unido e silencioso. Ele alegava que a “mídia conservadora” — ao exaltar as demissões promovidas pela sucessora, com o intuito claro de atacá-lo — ajudava Dilma a conquistar eleitores que historicamente tinham aversão ao PT. Ou seja: a comparação entre os dois beneficiava o partido. Se alguns petistas registravam prejuízos em casos isolados, o conjunto estava sendo fortalecido. Esse discurso manteve a companheirada sob controle até 2013, quando a popularidade da presidente despencou devido à inflação e às manifestações populares de junho. Petistas, então, passaram a criticar Dilma, conspirar contra ela no Congresso e defender a candidatura de Lula. A cizânia interna se desenhava, mas ainda era incipiente e restrita aos bastidores. Esse dique foi rompido pelo escândalo da Petrobras.
Hoje, o PT testemunha uma batalha pública e cruenta entre a soldadesca dos dois presidentes. Palocci não previu, mas o último ano de mandato também tem seu epíteto: governo Dilma versus Lula.
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Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet, no iPhone ou nas bancas.

24 abril 2014

Rosa Weber surpreende e manda instalar a CPI da Petrobras

Republico aqui com muito prazer o que vai no blog de Ricardo Setti (Veja.com)
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ROSA WEBER DETERMINA CPI EXCLUVIDA DA PETROBRAS 
Ministra do Supremo Tribunal Federal atende pedido da oposição e Comissão Parlamentar não será ampliada para outros temas como desejava o governo
Do site de VEJA
A ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber determinou nesta quarta-feira a instalação pelo Senado de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva para investigar a Petrobras.
Leia também:
Petrobras é campeã mundial – em queda de ações na bolsa 

Câmara convida Mantega e Gabrielli para explicar Pasadena
Com a decisão, a ministra atendeu o pedido dos partidos de oposição e ignorou a tentativa do governo federal de empilhar na CPI outros temas.
Além do escândalo da Petrobras, a base governista tentou ampliar a investigação para os contratos de trens do metrô de São Paulo e a construção do Porto de Suape e da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – uma forma de atingir os adversários políticos e pré-candidatos à Presidência Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).
Durante a queda de braço entre integrantes do governo e da oposição, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) fraudou o conteúdo de um acordão para enterrar a CPI exclusiva, como revelou Reinaldo Azevedo em seu blog no site de VEJA.
A decisão de Rosa Weber tem caráter liminar até que o plenário do STF decida sobre o tema. “Defiro em parte a liminar. A definição, no momento oportuno, será do plenário desta Suprema Corte”, escreveu a ministra.
Supremo – O caso foi levado ao Supremo pela oposição, que exige a instalação imediata da investigação exclusiva sobre a Petrobras. O processo chegou ao gabinete da ministra Rosa Weber há duas semanas. Apesar de analisar apenas as duas CPIs propostas no Senado, pela oposição e pela base governista, a decisão de Rosa Weber deve se refletir sobre as duas CPIs mistas criadas no Congresso, mas que ainda não foram votadas.

21 abril 2014

Um vídeo definitivo sobre a "PeTebras"

O Implicante http://www.implicante.org/ edita um vídeo definitivo sobre esse imbroglio da "PeTbras". Assistam:



Dilma perde no segundo turno para Aécio e Campos entre os eleitores que conhecem os três

Quem conhece bem ou um pouco Dilma, Aécio e Eduardo Campos, não vota em Dilma no segundo turno (que parece seja certo). Veja a análise que faz Reinaldo Azevedo (Veja. com) sobre os números da Datafolha:
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Dillma careta
Já escrevi aqui algumas vezes que, em parte, a liderança da presidente Dilma Rousseff (foto) nas pesquisas de opinião se deve ao fato de que ela é conhecida, e seus adversários não. Parece que o Datafolha confirma isso. Vamos ver.
O instituto constatou, por exemplo, que 57% conhecem Dilma muito bem, índice que cai para 17% com o tucano Aécio Neves e 8% com Eduardo Campos, do PSB. Não conhece a presidente 1% do eleitorado — 25% no caso de Aécio e 42% no de Campos.
Não obstante, a rejeição dos três é de 33%. Observei, então, que muita gente não vota em Dilma porque a conhece, e muitos não votam nos oposicionistas porque não os conhecem. Algumas pessoas chiaram. Chiadeira ociosa.
Outro dado do Datafolha chama a atenção: 17% disseram conhecer bem ou um pouco os três candidatos. E aí se dá algo notável: nesse universo, os três estão tecnicamente empatados: Campos fica com 28%; Dilma, com 26%, e Aécio com 24%. Mais: nesse universo dos que conhecem os candidatos, nem que seja um pouco, a presidente perde as simulações de segundo turno: ela é derrotada pelo tucano por 47% a 31% e, pelo peessebista, por 48% a 31%.
É claro que se trata de números preocupantes para a presidente. Afinal, o objetivo de uma campanha política é justamente tornar conhecidos os candidatos. Isso demonstra como é remota a chance de Dilma, caso não seja solapada por Lula — não creio nisso, deixo claro! —, vencer a disputa no primeiro turno. Na verdade, é mais um indício que aponta o risco de derrota.
Lembrem-se de que a mais recente pesquisa do Ibope já apontou que, hoje, muito provavelmente, é maior o número de brasileiros que reprovam o jeito de Dilma governar do que o dos que aprovam: 48% a 47%. Há um mês, o placar era favorável à presidente: 51% a 43%. Vale dizer: nesse pequeno período, houve uma mudança de nove pontos percentuais contra Dilma Rousseff.
Esses números do Datafolha indicando virtual empate entre os eleitores que conhecem, ao menos um pouco, os candidatos é compatível com certo sentimento de enfaro que se percebe nas ruas. Se ele vai se traduzir, efetivamente, em voto, ainda não se sabe. Que Dilma não tem razões para comemorar os números, isso é evidente.
Assim, não havia, efetivamente, nada de errado com aquela minha conclusão: muita gente não vota em Dilma porque a conhece, e muitos não votam em Aécio e Campos porque não os conhecem.

20 abril 2014

Especial VEJA: Juscelino Kubitschek ─ A reeleição que nunca houve

Publicado por Augusto Nunes (Veja.com)
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Publicado na edição impressa de VEJA
jk
Havia seis candidatos a presidente em 1964. Todos, portanto, interessados em chegar até 1965. Ou seja, empurrar a crise até a próxima eleição presidencial. O mais interessado de todos era Juscelino Kubitschek (os outros candidatos eram os governadores Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e Miguel Arraes; além do próprio presidente João Goulart e seu cunhado Leonel Brizola, no caso de uma feitiçaria constitucional que os livrasse da inelegibilidade). As pesquisas de opinião já davam 37% dos votos para que ele voltasse à elegante cidade que havia criado do nada, deixando uma nada bela encrenca econômica, mas a imagem de político inovador nas realizações públicas e conciliador nas tratativas particulares. À véspera do golpe, conciliação era uma moeda em falta até mesmo no trato entre dois homens pouco sanguíneos como JK e Jango. A aliança política entre o PTB de Goulart e o PSD de Juscelino estava irreversivelmente deteriorada.
Em 1963, o presidente avisou o senador, eleito por Goiás, que ele não mais poderia contar com o apoio do PTB para sua candidatura presidencial. Em 15 de março, propôs ao Congresso mudar a Constituição e permitir a sua reeleição. “Ele passou dos limites. Saiu da legalidade que o sustentava”, reagiu Juscelino. Mesmo contra todas as evidências, na manhã de 31 de março Juscelino ligou para o Palácio Laranjeiras. Quando finalmente o atenderam, mandou chamar o oficial do dia e ditou: “Aqui está falando o senador Juscelino Kubitschek. Anote no seu livro de ocorrências que eu estou tentando telefonar para o presidente João Goulart há várias horas e ninguém atende”. Quando Jango retornou a chamada, JK apelou-lhe que interrompesse a marcha da insensatez. Suas palavras não surtiram efeito e, se surtissem, dificilmente mudariam o rumo dos acontecimentos.
Quarenta minutos depois, Juscelino soube por José Maria Alkmin ─ que havia sido seu ministro da Fazenda e era casado com uma prima sua ─ que o golpe já estava em curso. Às 4 horas da tarde, Jango pediu a JK que o visitasse no já quase vazio Laranjeiras. Recebeu-o no quarto. Juscelino sentou-se em uma das camas e fez o apelo final: “Você tem de fazer dois manifestos. Um tranquilizando a nação em relação ao problema do comunismo. O outro, às Forças Armadas, em que você evoca para si o problema da Marinha e resolve tudo no respeito aos regulamentos e à hierarquia”. Como havia feito com todos os conselhos semelhantes, Jango se recusou: “Se eu fizer isso dou uma demonstração de medo, e um homem com medo não pode governar o país”. JK, que havia sobrevivido às próprias crises militares e aplicava só dosadamente a tática do confronto, tinha uma máxima mais realista: “No Brasil, elege-se pelo povo, mas governa-se com os olhos voltados para as classes armadas”.
Onze dias depois, JK votava no Congresso para que o general Humberto Castello Branco se tornasse o primeiro presidente do regime militar. Em pouco tempo, como todos os outros candidatos em potencial à eleição que nunca existiu em 1965, estava cassado e exilado. “Caí na armadilha do Castello Branco”, disse anos depois. “Caímos todos.” Menos o primo torto, José Maria Alkmin, que virou vice de Castello.
Colaboradores: André Petry, Augusto Nunes, Carlos Graieb, Diogo Schelp, Duda Teixeira, Eurípedes Alcântara, Fábio Altman, Giuliano Guandalini, Jerônimo Teixeira, Juliana Linhares, Leslie Lestão, Otávio Cabral, Pedro Dias, Rinaldo Gama, Thaís Oyama e Vilma Gryzinski.

18 abril 2014

Especial VEJA: Carlos Lacerda ─ A tragédia da vitória

(publicado no blog de Augusto Nunes em Veja.com)


Publicado na edição impressa de VEJA
Carlos Lacerda
“Os civis também sabem morrer”, disse Carlos Lacerda a Humberto Castello Branco quando o general tentou convencê-lo a abandonar o Palácio Guanabara, sede do governo estadual, na noite de 31 de março de 1964. Ou pelo menos é assim que, já perto da morte, em 1977, preferiu lembrar o mais fenomenalmente dramático personagem político em ação à época, capaz de misturar tragédia grega e dramalhão mexicano com mente de intelectual canônico, tradutor de Júlio César, de Shakespeare, e de John Kenneth Galbraith, e coração de apresentador de auditório.
Quando se trancafiou no Guanabara, protegido por um batalhão da PM, caminhões de lixo, a fina flor da sociedade carioca e voluntários portando lenços azuis e brancos, tudo podia acontecer. Até um momento descrito como “emocionante” por Marcelo Garcia, assessor de Lacerda: a chegada dos generais e marechais reformados, que vinham aderir à rebelião e defender o Guanabara. “A essa altura, já não havia fuzis nem metralhadoras. Houve distribuição de pistolas. O brigadeiro Eduardo Gomes apareceu dizendo ter sido informado de que Aragão iria atacar o Palácio”, contou Garcia.
Cândido Aragão, almirante esquerdista que havia apoiado a revolta dos marinheiros, e seus fuzileiros nunca apareceram. Tiros, só os da retórica do homem que tinha o apelido de Corvo e a fama de “derrubador de governos”. Alvo de uma tentativa de assassinato, ele virou o jogo e empurrou Getúlio Vargas ao suicídio, também teve influência na patética renúncia de Jânio Quadros e contra João Goulart usava todos os truques do manual. Principalmente os sujos. Em 1963, em uma entrevista ao Los Angeles Times, ele denunciou a infiltração comunista no governo, com a ressalva de que Jango não era propriamente da turma: “Ele é um totalitário, à moda sul-americana. É um caudilho com todos os recursos dos tempos modernos”. A entrevista motivou uma malograda tentativa de prendê-lo (ou sequestrá-lo, já que a ordem de prisão, a ser efetuada por militares, não era oficial).
No dia do golpe, usando uma japona preta sobre a camisa branca para dificultar que fosse alvejado, conseguiu fazer pronunciamentos no rádio, na televisão e por altofalantes instalados no palácio. Comparou Jango ao fratricida Caim: “O que fizeste de teus irmãos que iam ser mortos por teus cúmplices comunistas, de teus irmãos que eram roubados para que tu te transformasses no maior latifundiário e ladrão do Brasil? Abaixo João Goulart!”. Desafiou o comandante dos fuzileiros: “Aragão, covarde, incestuoso, deixe os seus soldados e venha decidir comigo essa parada. De homem para homem. Quero matá-lo com o meu revólver”. Como nada disso aconteceu, caiu de joelhos e agradeceu a Deus quando os míseros três tanques que guardavam o Laranjeiras, o palácio presidencial, passaram para o Guanabara. Três anos depois, estava na Rua Leyenda Patria, em Montevidéu. “Estou procurando a casa do presidente João Goulart. Não sei o número porque perdi o papel”, disse a uma brasileira que não reconheceu. Maria Thereza Goulart levou-o ao marido. Os dois ex-inimigos, ambos cassados, abraçaramse e planejaram a nunca materializada Frente Ampla. A ditadura havia definitivamente derrubado o “derrubador de governos”.