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27 fevereiro 2014

Carga tributária brasileira: 36,42% do PIB

Republico aqui do blog de Ricardo Setti (Veja.com):
MARCUS GUEDES: A insanidade tributária no Brasil. Só de tributos, pagamos mais do que o PIB da Arábia Saudita, da Suécia…
Evolução da carga tributária (Charge: Jornal do Comércio)
Evolução da carga tributária (Charge: Jornal do Comércio)

Artigo do economista e professor universitário Marcus Guedes
INSANIDADE TRIBUTÁRIA
Estudos preliminares apontam que a carga tributária do Brasil, em 2013, atingiu a marca recordista dos 36,42% (em 1986, primeiro ano do governo Sarney, ela era de apenas 22,39%).
Cambiando pelo dólar de 31 de dezembro passado (US$ 1.00 = R$ 2,358), nós teremos fechado o PIB de 2013 em US$ 2,049 trilhões, com uma carga tributária equivalente a US$ 746,222 bilhões. Um número superlativo em termos de carga tributária!
EVOLUÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA NO BRASIL
Evolução da carga tributária no Brasil (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Somos os campeões da tributação dentre os BRICS (Rússia, 23,00%; China, 20,00%, Índia, 13,00%; e, África do Sul, agora integrada ao grupo, com 18,00%). Se contarmos com o Brasil, a média da tributação no bloco fica em 22,08%. Se subtrairmos o Brasil do ranking, a média cai para 18,50%.
Na América Latina, só perdemos para a Argentina, ora vivendo uma forte crise econômica (que fechou com uma carga tributária de 37,30%, um pouco superior à nossa, de 36,42%). O Uruguai, que tem o terceiro maior nível de tributação, fechou com 26,30%; o México, com 19,60%, mesmo percentual da Colômbia. Na moribunda Venezuela, a carga chega a meros 13,70%; e, na Guatemala, temos a menor carga tributária, equivalente a 12,30%.
Carga tributária brasileira (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Carga tributária brasileira (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Talvez, o mais doloroso nesse confronto de números é constatar que somente 18 (dezoito) economias mundiais têm um Produto Interno Bruto (PIB) maior do que o montante de tributos que os brasileiros pagaram em 2013.
O valor dos tributos que recolhemos só é menor do que o PIB (pela ordem) de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França, Brasil, Inglaterra, Itália, Rússia, Índia, Canadá, Austrália, Espanha, México, Coreia do Sul, Indonésia, Turquia e Holanda. As demais economias do mundo não produzem, individualmente, volume de riquezas suficiente para pagar os impostos brasileiros. Isso mesmo!
Carga tributária dos Brics (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Carga tributária dos Brics, em % (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Para que se tenha uma ideia do peso dessa insanidade tributária, a nossa carga de impostos é superior ao PIB de países como a Arábia Saudita (grande produtora de petróleo), Suíça, Suécia, Noruega, Áustria…
Nós pagamos duas vezes mais tributos do que o PIB de países como a Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Chile, Singapura, Hong Kong, Egito e Grécia.
Carga tributária dos países da América Latina, em % (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Carga tributária dos países da América Latina, em % (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Produzimos três vezes mais impostos do que riquezas em países como a Finlândia, Israel, Portugal, Irlanda e Peru. Para chegar ao patamar do que pagamos de tributos, Vietnã, Iraque e Hungria terão de fazer crescer as suas riquezas em mais de cinco vezes.
Ah, não vamos infernizar a vida do presidente José (Pepe) Mujica, do Uruguai: para ter em seu país a produção de riquezas compatível com o nosso insano poder de tributar, ele terá de fazer crescer o PIB de sua economia quinze vezes mais do que os US$ 49,7 bilhões alcançados em 2013.
A fictícia Belíndia (nação com impostos da Bélgica e prestação de serviços da Índia que se assemelharia ao Brasil), criação primorosa do economista Edmar Bacha, avançou para pior: em 2013, a carga tributária brasileira equivaleu a uma vez e meia o PIB da Bélgica (cotado pelo FMI, para 2013, em US$ 476,8 bilhões).
Carga tributária Brasil X países escolhidos, em  US$ bilhões X PIB (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Carga tributária Brasil X países escolhidos, em US$ bilhões X PIB (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Na verdade, pagamos muito para receber serviços públicos ainda piores, típicos de Bangladesh, Etiópia, Uganda ou Afeganistão.
Desde 1988 (advento da Constituição Cidadã) foram publicadas 4,7 milhões de normas legais voltadas ao ordenamento jurídico do País, nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal).
Dessas, 309.147 se referem à legislação tributária. Isso significa a emissão de 31 (trinta e uma) normas tributárias/dia ou 1,29 norma/hora!
Países com PIB maior do que a carga tributária brasileira, em  US$ bilhões (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Países com PIB maior do que a carga tributária brasileira, em US$ bilhões (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Ou seja, vivemos num ambiente de insanidade legal que obriga o contribuinte brasileiro a trabalhar mais de quatro meses por ano somente para pagar tributos, sem merecer justa contrapartida de um estado que segue escandalosamente perdulário e submetido a uma gestão de botequim.
Diante disso, parece que “Basta!” soa cada vez mais como boa palavra de ordem.
Fontes: Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, Fundo Monetário Internacional e sites de diversas economias mundiais.

26 fevereiro 2014

A Zona Franca de Manaus pratica "Política Comercial"?

Quando o ex-presidente Bill Clinton esteve em Manaus recentemente, foi convidado para conhecer o Polo Industrial de Manaus - PIM, da Zona Franca de Manaus - ZFM.
Saiu de lá dizendo que o PIM praticava um modelo de "subsídios". Ninguém prestou muita atenção. Talvez porque pouca gente se interessa em estudar as Teorias de Comércio Internacional. Essas teorias, desde Adam Smith (Teoria das vantagens absolutas), é que orientam as transações internacionais. Para este, a liberdade comercial entre os povos e a especialização para produção em larga escala é que promovem a riqueza das nações. A divisão internacional do trabalho seria apenas uma consequência "natural" dessa decisão. Outras teorias se somaram a esta, dentre as quais a moderna Teoria de Políticas Comerciais, que tem o subsídio como elemento primordial.
O Brasil se insurgiu contra esse, digamos "determinismo econômico" de Adam Smith, quando resolveu promover sua política de "substituição de importações" (produção e consumo interna de bens industriais nacionais, de preferência a importados) a partir dos anos 1930. Isso significa que o Brasil, com a produção de aço, energia elétrica e petróleo, saltaria cem anos e entraria - tardiamente, mas entraria - na era da industrialização. Lembremos que a Europa e EUA já estavam completamente industrializados havia cerca de 100 anos, desde 1850! A segunda guerra mundial nos empurrou para a produção (embora incipiente) de peças de reposição de automóvel, o que daria condições de mais na frente, nos anos de 1950, dar início à montagem dos automóveis aqui no Brasil. Essa indústria tem a vantagem de fomentar diversas outras indústrias, além de serviços. Ou seja, é uma indústria irradiadora de outras.
Voltando ao ex-presidente Bill Clinton, para bom entendedor, ao ele acusar a ZFM como praticante de "subsídios", ele estava defendendo a indústria americana e dando munição para o que a União Européia (UE) agora está fazendo: acusando também o Brasil, via ZFM, de praticar subsídio. Essa prática é condenada por representar competição desleal entre os parceiros comerciais internacionais.
A política brasileira de substituição de importações teve fim em 1990 quando o Brasil abriu suas fronteiras para os importados. Dessa forma, a ZFM perdeu sua vantagem de poder oferecer produtos importados e/ou montados em Manaus a brasileiros de outros estados, pois os preços desses produtos passaram a ser equalizados em todo o país. Antes disso, quem quizesse adquirir esses produtos acabava optando por vir a Manaus pagando passagem aérea, hospedando-se em bons hotéis, fazendo algum turismo (turismo de compras, como ficou conhecido) e ainda levava para casa o produto cobiçado. Isso tudo terminou em 1990, quando o presidente Collor abriu as fronteiras de todo o país para os importados acusando os produtos nacionais de "sucatas", ou "carroças" (no caso dos automóveis).
A partir desse ano, e por toda a década de 1990, a ZFM lutou para sobreviver. As fábricas aqui implantadas - grande parte delas subsidiárias de matrizes asiáticas, européias e americanas - substituíram suas velhas linhas de montagens por novas, contando para isso com a vantagem de não precisarem de cobertura cambial por tratar-se de investimento das suas matrizes. Essa "reengenharia" acabou por demitir cerca de 50% dos operários do PIM, cerca de 40 mil pessoas. Com isso, os produtos aqui fabricados passaram a competir com igualdade (e mesmo vantagens) de condições com os importados em termos de qualidade e preço. Aqui é que as coisas se complicam! Vantagem de preços com base nos incentivos fiscais! Isto é, os incentivos fiscais passaram a representar uma vantagem "desleal" em termos de comércio internacional porque se compara a um "subsídio". E isso é condenável em termos de prática de comércio exterior.
Os empregos na ZFM foram recuperados a partir dos anos 2000, chegando mesmo a ultrapassar os 110 mil empregos diretos e cerca de 400 mil indiretos.
A Teoria de Políticas Comerciais explica a prática do subsídio - sem, contudo, emitir conceito de valor, isto é, se é "boa" ou "ruim" - como sendo uma vantagem praticada pelas empresas quando estas vendem os seus prudutos no exterior pelo preço internacional, mas  o governo lhes entrega um outro valor adicional para compensar os custos internos de produção.
Esta prática somente é admitida quando há um acordo internacional a partir de um pedido de tempo para que as empresas de determinado país e setor tenham tempo para equalizarem seus produtos em termos de qualidade e preço com os praticados internacionalmente. Nunca se praticado de maneira unilateral. É disto que o Brasil está sendo acusado.
É bom verificarmos que a ZFM de Manaus, antes de 1990, era acusada internamente pelos estados do Sul-Sudeste do Brasil de ser um peso para o país por não exportar seus produtos e, assim, gerar uma balança comercial deficitária com o exterior de cerca de US$ 5 bi.
A partir da reengenharia citada, contudo, a ZFM pôde - e deu início - a sua fase exportadora, pois passou a contar com produtos de qualidade internacional e preços competitivos ("subsidiados", segundo os críticos - a meu ver com certa razão), diminuindo, assim, o déficit em sua balança com o exterior. Da mesma forma permanece a acusação no caso dos produtos da ZFM se destinarem apenas ao mercado interno, pois isso "impede" a entrada dos importados. Hoje isso não ocorre apenas em razão da depreciação do Real frente ao dólar, que estimula os importados. Daí os déficits em conta corrente da balança de pagamentos do Brasil.
Observe-se, também, que a crítica contra o "modelo ZFM" nem sempre foi correta, pois, se de um lado, a ZFM era deficitária em sua balança comercial com o exterior, também, de outro lado, a ZFM era promotora de emprego em São Paulo e em outros Estados do Brasil, pois de lá "importava" componentes para montagem em Manaus, além de outros insumos. A ZFM também se tornou "exportadora" de tributos federais a partir de um faturamento bilionário - de cerca de US$ 35-40 bi/ano. Portanto, o Amazonas, por conta disso, é o único Estado da Região Norte que remete mais tributos à União do que dela recebe. Basta ler os ensaios do falecido e saudoso professor Samuel Benchimol.
Na verdade, a ZFM nunca foi bem entendida pelo resto do Brasil e, por isso, agora o governo ficou aturdido com essas críticas. A presidente Dilma, atordoada, saiu-se logo demagogicamente com a surrada proposta de lei ampliando o prazo de vigência dos inentivos fiscais da ZFM por mais 50 anos. Poderia até ser mesmo por 120 anos, mas isso não vai mudar o fato de que está merecendo as críticas de agora pela UE.
Qual seria a solução? Para um grande problema não há solução fácil!
Talvez fosse a hora de o Brasil reconhecer que a Amazônia - como até ensasiou a presidente, talvez ouvindo algum sussurro do "fundão" - deve ser explorada com parcimônia, com inteligência, conservando (e não "preservando" - que pressupõe a não exploração), investindo pesado em Ciência e Tecnologia voltada para a Região, com a ajuda do resto do mundo - que se comprometeria em aceitar por mais um tempo essas práticas de incentivos fiscais (ou subsídios "mascarados") - e aí, sim, termos tranquilidade para avançar em termos econômicos e sociais. Para isso, o país precisa de estadistas. Na verdade, dormimos em "berço esplêndido". Reconheço que não é fácil transformar a cultura ancestral do Estado de extrativista para produtora de bens racionalmente programados, planejados e executados. Para isso, o nosso Estado precisa de governantes que saiam de sua zona de conforto e partam para a organização da produção aqui vocacionada, para a exploração da biomassa, do pescado, dos minerais, do pretróleo e gás, da farmacopéia, dos biogênicos, etc.
No entanto, não temos razões para sermos otimistas. O Centro de Biotecnologia da Amazônia - CBA, da Suframa, até hoje não funcionou como deveria. As universidedes locais estudam a "universalidade" (nada de mal nisso), mas não se voltam para a Região, nada conhecem da Região... ou, se conhece, não se sabe.
Oremos!

24 fevereiro 2014

No palanque tudo é fácil

Editorial de O Estado de S.Paulo do dia 22:
A presidente Dilma Rousseff acha que é "simples" enfrentar a seca no Nordeste.
Em discurso no Piauí, durante mais um dos eventos do calendário eleitoreiro do governo, Dilma declarou que o segredo é "conviver com a seca".
Façamos um esforço para acompanhar seu raciocínio. Segundo a presidente, "a seca não é uma maldição, a seca é uma ocorrência, é algo que ocorre", comparável aos "invernos rigorosos" dos países do Hemisfério Norte, que "duram seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol". Conceda-se que o tal inverno rigoroso que dura "sete meses" seja apenas um arroubo retórico para reforçar seu argumento. Mas Dilma continua, animada: "Eles têm um inverno forte, que acaba com toda a produção, a neve mata tudo o que cresce, e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes. Nós também podemos enfrentar a seca, sim".
Dilma descobriu agora que "a seca não deve ser combatida". Em lugar disso, é preciso haver "ações emergenciais" para ajudar os agricultores a contornar os efeitos da estiagem enquanto as condições climáticas não melhoram. É a institucionalização do assistencialismo - e nesse campo, como de hábito, chovem apenas promessas.
Em novembro de 2012, quando o Nordeste enfrentava a maior seca em meio século, Dilma lançou o programa Mais Irrigação e garantiu que o sertão seria transformado em "um dos maiores produtores de alimentos que nosso país e o mundo necessitam" e que "a vítima da seca deixará de ser flagelado para se tornar um produtor rural". Os investimentos anunciados para tão ousado objetivo somavam R$ 10 bilhões.
Seis meses depois, em abril de 2013, Dilma esteve no Ceará para prometer um novo pacote contra a estiagem, no valor de R$ 9 bilhões. Desse dinheiro, R$ 3,1 bilhões eram o quanto o governo estimava deixar de arrecadar em razão da renegociação de dívidas de agricultores que tiveram prejuízos com a seca. Outra parte dizia respeito à prorrogação de programas assistenciais, o Garantia Safra e o Bolsa Estiagem. Havia, portanto, pouco "dinheiro novo" no pacote, formado basicamente por verbas já empenhadas, seguindo a tradição dos governos petistas de reciclar programas antigos para apresentá-los como novidade.
Mas isso não é tudo. A caríssima e controversa transposição das águas do Rio São Francisco, prometida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o "compromisso não de um presidente, mas de um retirante nordestino", tornou-se um autêntico elefante branco. Além dos seguidos atrasos em seu cronograma, a obra, se e quando estiver concluída, vai produzir água a um preço proibitivo para os pequenos agricultores, o que obrigará o governo a recorrer a subsídios, adicionando sacrifícios aos contribuintes.
Agora, em 2014, depois de tantas promessas, Dilma diz que é preciso aceitar a seca como um fato da vida, a exemplo do que fazem os agricultores do Hemisfério Norte ante a dureza do inverno. A presidente tem razão, mas há importantes diferenças. Em vez de prometer bilhões em "ações emergenciais" e em projetos que mal saem do papel, os países do Hemisfério Norte estimularam o desenvolvimento de avançadas técnicas agrícolas mesmo em pequenas propriedades, o que permite aos produtores retomar seu trabalho em alto nível após o inverno, reduzindo os prejuízos. Em relatório sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura, a União Europeia diz que há uma "vasta gama de opções" para lidar com o problema, todas baseadas em tecnologia para prevenção. Considerar o inverno inevitável não significa aceitar, como uma fatalidade, as perdas decorrentes dele.
Ao dizer que é "simples" lidar com a seca no Nordeste, Dilma esbanja a mesma arrogância de seu criador, Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao deixar a Presidência, disse que era "fácil" governar o Brasil. Quando se governa do palanque, tudo parece mais simples mesmo. Mas já passou da hora de tratar o centenário flagelo da seca no Nordeste com mais responsabilidade. Não se pode mais admitir que o sertanejo continue a ser tratado como mera commodity eleitoral, sempre à espera do caminhão-pipa.

Óscar Árias desmascara a ditadura venezuelana, que vai cair de "maduro"

Publicado no blog de Augusto Nunes
Quatro anos depois de escancarar o abismo existente entre um palanqueiro e um estadista, Óscar Arias mostra a diferença que separa um democrata corajoso de uma cúmplice do capataz da Venezuela
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Em março de 2010, com poucas horas de diferença, os presidentes do Brasil e da Costa Rica se manifestaram sobre o tratamento dispensado pela ditadura cubana a presos políticos e oposicionistas em liberdade vigiada. Como atesta o post reproduzido na seção Vale Reprise, o que Lula disse durante outra visita à ilha-presídio e o que Óscar Arias escreveu num artigo publicado no jornal El País escancararam o abismo existente entre um palanqueiro sem grandeza e um genuíno estadista.
Passados quatro anos, chegou a vez de Dilma Rousseff ser exposta a uma desmoralizante comparação com Óscar Arias, desta vez provocada por opiniões antagônicas sobre a reação brutal do presidente Nicolás Maduro às manifestações de protesto promovidas pela oposição venezuelana. Um comunicado oficial endossado pelo governo brasileiro formalizou o apoio incondicional dos países do Mercosul ao companheiro ameaçado por “atos de violência”, “tentativas de desestabilizar a ordem democrática” e “ações criminosas de grupos violentos que querem disseminar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela, como instrumento de luta política”.
Nesta sexta-feira, de novo com um texto publicado no jornal El País sob o título Venezuela: inferno de perseguição, o costarriquenho premiado em 1987 com o Nobel da Paz implodiu mais um monumento ao cinismo erguido pelo clube dos farsantes. Confira:
Quero juntar minha voz ao coro de preocupação que se ouve em grande parte da nossa América.
Multidões de estudantes e cidadãos que se opõem ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro foram brutalmente atacados com armas de fogo pelas forças de segurança.
Em nenhum país verdadeiramente democrático alguém é preso ou assassinado por discordar das políticas do governo ou por manifestar em público seu descontentamento. A Venezuela de Maduro pode fazer todos os esforços de oratória para vender a ideia de que é efetivamente uma democracia. Cada violação dos direitos humanos que comete nega na prática tal afirmação, porque sufoca a crítica e a dissidência.
Todo governo que respeite os direitos humanos deve respeitar o direito de seu povo de manifestar-se pacificamente. O uso da violência é inaceitável. Recordemos a advertência de Gandhi: “Olho por olho e o mundo inteiro se tornará cego”.
Sempre lutei pela democracia. Estou convencido de que, se não existe oposição numa democracia, devemos criá-la, não reprimi-la e condená-la ao inferno da perseguição, como parece fazer o presidente Maduro.
O governo da Venezuela deve respeitar os direitos humanos, sobretudo os dos opositores. Não há nenhum mérito em respeitar apenas os direitos de seus partidários.
Martin Luther King Jr. disse que “os lugares mais quentes do inferno estão reservados àqueles que num período de crise moral se mantiveram neutros. Num determinado momento, o silêncio se converte em traição”.
Estou consciente de que estas afirmações me deixarão exposto a todo tipo de crítica por parte do governo venezuelano. Serei acusado de imiscuir-me em assuntos internos, de desrespeitar a soberania nacional e, quase com certeza, de ser um lacaio do império.
Sou, sem dúvida, um lacaio do império: do império da razão, da tolerância, da compaixão e da liberdade. Sempre que os direitos humanos forem violentados, não vou calar-me. Não posso calar-me se a mera existência de um governo como o da Venezuela, uma afronta à democracia. Não vou calar-me quando estiver em perigo a vida de seres humanos que apenas defendem seus direitos de cidadão.
Vivi o suficiente para saber que não há nada pior do que ter medo de dizer a verdade.
A resposta de Dilma ao jornalista que quis saber em Roma se tinha algo a dizer sobre a crise venezuelana reiterou que, como o padrinho, a afilhada não tem compromisso com a verdade. “Não quero de problemas internos de outro país”, mentiu a avalista do infame documento do Mercosul. O post de 2010 registrou que Arias é um democrata exemplar, um devoto do Estado Democrático de Direito que tenta moldar um mundo mais justo e generoso. Dilma só pensa na reeleição. O ex-presidente da Costa Rica se guia por princípios éticos e valores morais. Dilma não sabe o que é isso.

21 fevereiro 2014

O balanço de contas correntes do Brasil vai pro beleléu

Leiam o que informa a VEJA.com:
Rombo nas contas externas tem novo recorde em janeiro, aponta BC
O Brasil registrou déficit recorde de 11,591 bilhões de dólares nas transações correntes de janeiro, influenciado, sobretudo, pelo fraco desempenho da balança comercial e pelas remessas de lucros e dividendos das empresas — cifra que não foi coberta pelos investimentos estrangeiros diretos (IED). No acumulado em 12 meses encerrados no mês passado, o rombo nas contas externas do país ficou em 3,67% do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central nesta sexta-feira. Economistas já previam elevado saldo negativo — de 11,7 bilhões de dólares. O déficit registrado no mês passado está levemente acima do apurado em janeiro de 2013, que foi de 11,3 bilhões de dólares.
O BC informou ainda que os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no país somaram 5,098 bilhões de dólares no mês passado, melhor do que o esperado – de 4 bilhões de dólares -, mas insuficientes para cobrir integralmente o saldo negativo do mês.
O déficit nas transações correntes, que abrangem a importação e a exportação de bens e serviços e as transações unilaterais do Brasil com o exterior, foi impactado pelo déficit recorde de 4,058 bilhões de dólares na balança comercial em janeiro.
O BC informou ainda que as remessas de lucros e dividendos somaram 2,499 bilhões de dólares em janeiro, ante 2,068 bilhões em igual mês do ano passado. Pesaram também os gastos líquidos de brasileiros no exterior com viagens, que somaram 1,478 bilhão de dólares, ante 1,603 bilhão de dólares em igual mês do ano passado.
A trajetória das contas externas do país tem se deteriorado de maneira mais intensa desde meados de 2013. Esse fator, aliado à inflação e à deterioração fiscal, constitui a principal razão para a crescente desconfiança do investidor externo em relação ao Brasil. Analisando, sobretudo, as contas externas dos países emergentes, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), divulgou um relatório há algumas semanas apontando quais países estavam em situação mais vulnerável em relação a possíveis turbulências causadas pela retirada dos estímulos. O Brasil foi citado pelo Fed como um dos mais vulneráveis.
Apesar da saída de capital registrada nos últimos meses (em 2013, o fluxo cambial ficou negativo em 12,261 bilhões de dólares), o BC verifica uma leve retomada da entrada de moeda estrangeira no país. Segundo relatório parcial do fluxo cambial de fevereiro, o BC informa que a entrada de dólares superou a saída em 318 milhões de dólares na primeira quinzena do mês. Os ingressos se deram, diz o BC, pela chamada conta financeira, que registra a entrada de investimentos estrangeiros diretos no país.

20 fevereiro 2014

Repercuto aqui artigo do blog de Ricardo Setti (Veja.com) por acha ter sido até agora o mais claro de todos os que já li sobre o assunto e para ajudar a denunciar esse regime fascista da Venezuela, que infelicita o seu povo, e por ser amplamente admirado por esquerdopatas do governo brasileiro
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Nas ruas da Venezuela, cenas de guerra civil
(Foto: Facebook)
Lecheria, estado de Anzoategui, na Venezuela (Foto: Facebook)
Cenas de guerra civil. Ruas tomadas, tiroteios e coquetéis molotov, barricadas impedindo a passagem de veículos da polícia supermercados vazios, farmácias vazias, hospitais e clínicas de saúde lotadas.  Sete jovens estudantes foram mortos, um atropelado, os outros vítimas de tiros. Não há uma estimativa confiável sobre o número de feridos, que já são muitos.
Os manifestantes, de branco, protestam contra um governo que controla a Justiça, a polícia e as Forças Armadas, que faz todo o possível para calar o que resta de imprensa livre, que conduz uma política econômica desastrosa, com inflação crescente e falta generalizada de alimentos, remédios e outros artigos de primeira necessidade.
As aulas estão suspensas, mas algumas pessoas ainda conseguem ir trabalhar. Hoje o dólar bateu a marca de 87 bolívares — há um ano, valia 6,3 bolívares. O que se consegue comprar vem contrabandeado da Colômbia. Há meses não se vê nas prateleiras açúcar, papel higiênico, farinha de trigo, desinfetante, leite, detergente, carne, frango. Nas missas, não há hóstias.
Uma brasileira que mora na Venezuela, que entrou em contato com o blog e pede para não ser identificada, conta que “enquanto as pessoas protestam nas ruas, fazem queima de pneus e batem panelas, o governo anuncia pacotes econômicos. As notícias nos chegam por twitter e whatsApp, porque a TV é totalmente controlada pelo governo.”
Uma inquietação dela, repetida nas redes sociais, é sobre a falta de crítica dos países da América Latina, e do Brasil, em especial, à repressão aos manifestantes: “Enquanto isso, a presidente do Brasil está falando da tragédia na Ucrânia”.
Abaixo, fotos que dão uma ideia do que se passa nas ruas do país vizinho:
(Foto: Instagram)
(Foto: Instagram)
(Foto: Flickr)
(Foto: Flickr)
(Foto: Flickr)
(Foto: Flickr)
(Foto: Flickr)
(Foto: Flickr)
(Foto: Flickr)
(Foto: Flickr)
(Foto: Facebook)
Lecheria, no Estado de Anzoátegui (Foto: Facebook)
(Foto: Facebook)
Caracas, madrugada de  19 de fevereiro (Foto: Facebook)
(Foto: Facebook)
Lecheria, no Estado de Anzoátegui, às 5hs do dia 19 de fevereiro (Foto: Facebook)
(Foto: Facebook)
Caracas (Foto: Facebook)
(Foto: Facebook)
Caracas (Foto: Facebook)
(Foto: Facebook)
Caracas (Foto: Facebook)
(Foto: Twitter)
Caracas (Foto: Twitter)

VENEZUELA: Em nome do DEM, senador Agripino cobra posição do governo Dilma

Do blog de Ricardo Setti (Veja. com):
senador José Agripino (DEM-RN) (Foto: Ag. Senado)
Senador José Agripino, presidente do DEM: governo brasileiro precisa defender a paz e os direitos humanos na Venezuela (Foto: Agência Senado)
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O senador José Agripino (DEM-RN), um dos principais líderes da oposição no Congresso e presidente do DEM, reclamou hoje uma posição do governo brasileiro frente à situação de violência e caos vivida pela Venezuela, com o governo Maduro reprimindo com dureza os protestos de centenas de milhares de cidadãos.
“Os conflitos vividos neste momento pela sociedade venezuelana afligem e inquietam as nações democráticas no mundo inteiro”, manifestou-se Agripino, em nota em nome do partido. “O Brasil exerce natural papel de liderança na América do Sul. E, em assim sendo, impõe-se que o governo brasileiro, sem ideologias que não sejam a defesa da paz e o respeito aos direitos humanos, se posicione de modo a contribuir para o fim de um estado de beligerância de conseqüências imprevisíveis”.

Dilma é uma atrapalhada além de azarada

AZARADA
Escrito por 
Uma coisa a gente precisa admitir: a presidente Dilma é azarada. Bem ao contrário do sortudo presidente Lula.
É verdade que Dilma fez escolhas que se mostraram equivocadas, como a tentativa de crescer via consumo e as intervenções nos juros, nos preços, no sistema elétrico. Mas não é menos verdade que o ambiente foi desfavorável.
          Se FHC, também azarado,  havia padecido com as sucessivas crises dos emergentes (México 94, Coréia 97, Rússia 98), Lula assumiu a presidência em 2003, quando o mundo todo exibia um crescimento exuberante. E, especialmente, no momento de máxima aceleração da China, o que turbinou nossas exportações e trouxe uma enxurrada de dólares para o país. Pela primeira vez na história, o Brasil teve sobra de dólares. 
         Caiu do céu. Do céu internacional e do agronegócio, sempre tão hostilizado pelo PT. Pois foi o agronegócio que trouxe a maior parte dos dólares. 
         Lula também usufruiu dos benefícios da estabilização monetária, iniciada com o Real em 1994 e consolidada no início de seu governo, o que permitiu a volta do crédito, turbina do consumo. 
         Verdade que veio a crise financeira dos EUA (2009). Mas, como todos os demais emergentes, o Brasil estava mais preparado, em razão mesmo das reservas de dólares. 
         E se FHC havia sofrido com a maior seca da história, Lula ganhou períodos generosamente chuvosos. Verdade que houve enchentes e alagamentos, mas o apagão teria sido pior. 
         E por falar em azar, Dilma está apanhando uma seca parecida com a de FHC. A presidente também apanhou com os efeitos da crise financeira. Primeiro, pegou recessão nos países desenvolvidos e quando estes começaram a se levantar, os emergentes, e especialmente a China, desaceleraram. O comércio externo virou, dos superávits enormes, para um déficit real. 
         O Fed, banco central dos EUA, primeiro, inundou o mundo de dólares baratos, forçando a valorização das moedas emergentes; agora, está retirando dólares, forçando desvalorizações - e inflação. 
         Os efeitos da estabilização monetária e da volta do crédito se esgotaram. E os truques da era Lula, como a falsa capitalização da Petrobrás ou a equivocada aliança Sul-Sul,  começaram a mostrar seus efeitos negativos. 
         O Brasil e os emergentes em geral, de queridinhos, viraram fonte de instabilidades. 
         Só falta Dilma perder a Copa. 
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 Com racionamento?
De uma entrevista na CBN (quarta-feira) com o engenheiro Mário Veiga, presidente da consultoria PSR, e um dos mas respeitados especialistas no setor elétrico: 
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. Há um risco de racionamento de 18,5%; racionamento, no caso, quer dizer, falta de mais de 4% da demanda por energia, algo equivalente a deixar sem luz 12 milhões de residências; 
. Embora seja verdade que, por oposição, há uma chance de 81,5% de não ocorrer racionamento, o risco de 18,5% é muito elevado para os padrões do sistema; 
. O problema não decorre da atual seca, nem do excesso de demanda; o sistema vem dando sinais de dificuldades há anos; 
. Não é o caso de se recorrer agora a um racionamento preventivo; dá para esperar até abril, ou seja, até o final do período de chuvas; pode ser que São Pedro ajude; mas um racionamento é uma complexa operação, que não pode ser improvisada; ou seja, deveria estar sendo preparada; 
. Há óbvios atrasos na entrada em operação de usinas e sistema de distribuição; 
. Há problemas estruturais; não se pode dizer que está tudo em ordem quando o sistema está usando todas as termoelétricas (espécie de seguro) e quando as usou mesmo em tempos de chuva; 
. Os últimos anos mostram também uma série de trapalhadas do governo, que deixaram distribuidoras sem energia contratada, obrigando-as a recorrer ao mercado livre, pagando preços muito mais elevados (hoje, de R$ 1.700/megawatt/hora); 
. O prejuízo tem que ser pago pelo Tesouro (pelo contribuinte brasileiro) ou pelo consumidor, na tarifa, já que a culpa do desequilíbrio financeiro não é das distribuidoras, nem das demais empresas do setor. 
. Simplificando, e sem contar os rombos do ano passado, o Tesouro teria que repassar, em 2014, cerca de R$ 24,5 bilhões; ou aplicar um aumento de tarifas de 24%. 
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Eis, portanto, o dilema da presidente Dilma: aumentar o gasto público -e prejudicar a realização do superávit primário, num ambiente de desconfiança com as contas do governo - ou elevar tarifas, com forte impacto numa inflação já alta, isso exigindo juros mais altos - tudo com prejuízo político. 
Uma bela enrascada - trapalhadas em cima de azar.

O PAC da Ilha da Fantasia

Editorial doO Estado de S.Paulodesta quinta-feira:
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Foi mais um espetáculo digno da Ilha da Fantasia, também conhecida como Brasília, capital do menos dinâmico dos países emergentes. O Brasil cresceu no ano passado mais que em 2012 e deverá crescer ainda mais neste ano, proclamou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao apresentar com sua colega do Planejamento, Miriam Belchior, mais um balanço triunfal do PAC 2, a segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento. Em 2012 a economia brasileira cresceu apenas 1% e o desempenho no ano passado, tudo indica, ficou longe de brilhante, mas o ministro dispensou esses detalhes. Em seu mundo, muito diferente e muito distante dessas ninharias, os problemas do Brasil vieram todos de fora, na pior fase da crise global. E agora? Com a recuperação dos Estados Unidos e do mundo rico, problemas continuarão sendo importados, porque os estímulos monetários americanos serão reduzidos e os mercados financeiros serão afetados. Em resumo, ruim com crise, ruim sem crise.
Mas o País conseguirá atravessar essa fase sem grandes danos, graças à solidez das contas públicas e à sua saúde econômica, garantiu o ministro da Fazenda. Ninguém sabe ainda quanto cresceu no ano passado o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. As estimativas mais otimistas são próximas de 2,3%. Para este ano, a última projeção do mercado financeiro é um resultado pior, de 1,79%. Talvez os dois ministros tenham tido a esperança de criar, com seu alegre dueto, um pouco mais de otimismo entre os economistas do mercado e, especialmente, entre os avaliadores de risco de crédito, ultimamente mal-humorados em relação ao País.
A mensagem teria sido mais convincente se tivessem apresentado uma boa meta fiscal para este ano - de tamanho razoável e com detalhes críveis de execução orçamentária -, mas o assunto foi evitado. Nem sequer, segundo o ministro da Fazenda, se havia resolvido como cuidar do aumento de custo da energia elétrica, um provável fato de aumento do gasto do Tesouro nos próximos meses.
Mantega e Belchior preferiram concentrar-se na enumeração dos avanços do PAC. Mas, como em todos os balanços anteriores, a retórica oficial foi muito mais impressionante que os detalhes da execução. Segundo o relatório, foram investidos no programa R$ 773,4 bilhões entre 2011 e 2013. Esse valor corresponde a 76,1% do total previsto para aplicação até o fim de 2014. Segundo a ministra do Planejamento, a execução está adiantada, porque essa porcentagem é superior à do período transcorrido (75%). Mas o quadro é muito menos bonito quando visto mais de perto.
Mais uma vez a maior fatia do dinheiro foi destinada ao setor habitacional. Foram destinados ao programa Minha Casa, Minha Vida R$ 328,1 bilhões. Isso corresponde a 42,42% dos R$ 773,4 bilhões empregados até o fim de 2013. O PAC, portanto, continua sendo principalmente um grande programa de construção habitacional - uma atividade com reflexos na manutenção do emprego a curto prazo, mas com efeito muito limitado na eliminação dos principais obstáculos ao crescimento, como as deficiências no setor de transporte e na área de energia.
Mas o detalhe fica um pouco mais feio quando se decompõe o valor registrado como investimento em habitação. A maior parte desse dinheiro, R$ 253,8 bilhões, corresponde a financiamentos. Falta esclarecer quanto desse valor foi efetivamente destinado a habitações novas.
No eixo de transportes, um dos mais importantes para a política de desenvolvimento econômico, foram aplicados R$ 43,8 bilhões, destinados a 3.080 quilômetros de rodovias concluídos em todo o País. O relatório registra obras em andamento em 6.915 quilômetros de estradas. A soma das duas parcelas - a concluída e aquela ainda em execução - dá 9.995 quilômetros. Só se terminou, portanto, uma fração correspondente a 30,81% das obras iniciadas no setor rodoviário. Isto é apenas mais um dos muitos pormenores feios do balanço. O conjunto reforça uma velha suspeita, renovada a cada balanço: mais que um nome de fantasia, Programa de Aceleração do Crescimento é um nome fantasioso. Não é programa nem acelera crescimento nenhum.

O Brasil no rumo de uma ditadura civil do PT...

Publicado no blog de Augusto Nunes em Veja.com:
‘Nêumanne: Para onde íamos e aonde chegamos’, um artigo de Deonísio da Silva
DEONÍSIO DA SILVA
A demissão do jornalista e escritor José Nêumanne Pinto do SBT convoca-nos a um momento de reflexão muito pertinente.
Talvez tenha sido um passo decisivo no rumo de uma aliança que tem tudo para dar errado: a submissão ao poder de uma fatia relevante da mídia.
Quem trabalha na mídia ou a ela comparece eventualmente com artigos esporádicos, pode atestar o que digo: semana, sim, semana também, vinham telefonemas, mensagens, dossiês, recortes, excertos de áudios e vídeos, enfim um catatau convidando os destinatários a ajudar os remetentes de tão graves denúncias, repercutindo-as.
Mas pouco a pouco as coisas começaram a mudar. Iniciava-se a construção de um mundo estranho entre os intelectuais, que começava por indulgências plenárias a figuras referenciais que tinham, depois de anos de oposição, chegado ao poder!
Aqueles jornalistas e outros intelectuais que antes eram procurados para receber, não apenas denúncias, mas também calúnias, que pouco a pouco começaram a detectar, passaram a sofrer execrável clivagem. Se não repercutissem, estavam traindo os destinatários, mas muito pior ainda se escrevessem contra os interesses dos remetentes!
Aos poucos, como se combatessem um perigoso vírus, passaram a isolar os recalcitrantes, os indiferentes e principalmente aqueles que, por sua altivez e independência, jamais se tinham curvado a governo algum, nem sequer nos tempos ditatoriais!
Os detalhes me fascinam. Gosto de apreciar o que eles revelam e escondem. Profissionais de Letras, muitos deles habitualmente engajados nessas absolvições a Lula, criticaram asperamente FHC porque ele errou a pronúncia, não a escrita, de UMA palavra! Um ex-senador e ex-ministro dos tempos da ditadura foi atacado furiosamente porque errou a concordância verbal de um sujeito da oração, daqueles que são eles mesmos uma armadilha, coisa que não são em outras línguas. Exemplo: no Português “o povo” requer o verbo no singular, mas o  Inglês “the people” requer o verbo no plural. Dali a dizer ao distinto público e a vender ao governo milhares de exemplares de um livro que absolvia a falta de concordância nominal e a sua companheira inseparável, a concordância verbal, foi um pulinho. Logo “nóis pega o peixe” constituía-se em paradigma emblemático da novilíngua.
Aonde chegamos? Se você é um intelectual capaz de ler os fatos à luz da História, e não ao pálido lume das lamparinas do tempo que dura um mandato, já é de per si um suspeito. (Para melhor definição de “suspeito” e “suposto”, em outros sentidos, ver artigos postados recentemente no blog do audaz jornalista e talentoso romancista Moacir Japiassu).
Ainda que você reconheça figuras admiráveis tentando sinceramente acertar no poder federal, se não deixar de criticar as safadezas de outros, já é, mais do que “suspeito”, culpado! E alguém a ser evitado!
Penso que a demissão de José Nêumanne Pinto do SBT é um sinal dos tempos muito preocupante. Ela se dá por motivos inconfessáveis e por enquanto ele apenas trocou de emissora. Mas quando estiver “tudo dominado”, daí, sim, os ovos da serpente terão descascado, e os filhotes logo saberão o que fazer. O que? O que as cobras criadas vêm tentando fazer há mais tempo!
Só uma penúltima coisinha a mais: em outros tempos, uma demissão assim gerava um caudal de protestos. Agora, não. Porque estão caladinhos aqueles que ontem vociferavam. Eles agora só vociferam a favor! E nisto também se enganam, pois “o silêncio é aquilo que se diz naquilo que se cala”, lição que aprendi de um querido professor.
Portanto, é forçoso reconhecer neles uma vitória parcial que, se for total, colocará o Brasil no rumo aonde já chegaram Argentina e Venezuela. O Brasil dá indícios de caminhar naquela direção. Dependerá de nós que esta via seja interrompida, alterada ou excluída da rota, pois sabemos que isso termina em tragédias! As democracias se apoiam em liberdades, sendo a da imprensa fundamental. E a liberdade é o direito que os outros têm  de serem contra nós, sem que sofram punição alguma por isso, respeitadas as leis.
E a última coisa a ponderar é: quem censura, tem medo. E no caso é bom perguntar: tem medo de quê? Aqueles que se comportam como Nêumanne inspiram medo ao poder. Mas se inspiram medo verdadeiramente, é porque é fraco esse poder. Ou se considera fraco. Em democracias como a dos EUA, falar mal do governo é tão trivial que no decorrer de séculos soubemos mais dos EUA por seus nacionais do que por seus críticos estrangeiros.
Mas no Brasil, onde tudo parece ao contrário, um partido que se jacta de a próxima eleição estar ganha ainda no primeiro turno, dá indícios que deflagrou alianças que têm o fim de evitar o pior!
E o que é “o pior”? É deixar o poder. Daí, sim, o medo passa a pânico. Mesmo por hipótese, convém indagar os motivos deste pânico. (xx)

19 fevereiro 2014

Mercosul bolivariano...

Editorial do Estadão desta terça-feira:
Após guardar silêncio obsequioso por vários dias, o Mercosul resolveu pronunciar-se a respeito das manifestações na Venezuela, cuja repressão gerou confrontos e resultou na morte de ao menos três pessoas. Em lugar de condenar a violência e de conclamar o governo de Nicolás Maduro a respeitar o direito democrático de protestar, o bloco sul-americano, do qual o Brasil faz parte, preferiu alinhar-se aos chavistas. Ao escolher um lado, o Mercosul mostra definitivamente que sua diplomacia é refém da ideologia bolivariana, apoiando um governo que violenta a democracia à luz do dia.
Em nota oficial, tão chavista que parece ter sido da lavra do próprio Maduro, os integrantes do Mercosul criticam as "tentativas de desestabilizar a ordem democrática" - uma clara alusão aos manifestantes. A referência é ainda mais explícita quando o bloco diz rejeitar "as ações criminosas de grupos violentos que querem espalhar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela como uma ferramenta política".
Por fim, os parceiros de Maduro "expressam seu mais forte rechaço às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular" - uma acusação explícita de golpismo. A solução, segundo a nota, seria "aprofundar o diálogo sobre as questões nacionais, dentro do quadro das instituições democráticas e do Estado de Direito, como tem sido promovido pelo presidente Nicolás Maduro nas últimas semanas". O Mercosul pretende fazer crer, portanto, que Maduro - aquele que chama os manifestantes de "fascistas" e "golpistas" - quer mesmo dialogar.
Para completar a pantomima, a nota expressa a "posição firme na defesa e preservação das instituições democráticas" e invoca o "compromisso democrático do Mercosul", sem que haja uma única referência às violações cometidas pelo governo.
Compare-se esse comunicado com o emitido pela União Europeia (UE) sobre o mesmo assunto. Além de ter sido divulgada dois dias antes, a nota da UE pede calma a representantes de toda a sociedade, "tanto em seus atos quanto em suas declarações", e reafirma o princípio de que "a liberdade de expressão e o direito de participar de manifestações pacíficas são essenciais" - ponderação ausente na nota do Mercosul, que praticamente criminaliza os manifestantes. Por fim, a UE "faz um apelo às autoridades da Venezuela para que estendam a mão a todos os setores da sociedade" - isto é, considera que a iniciativa do diálogo deve partir de quem detém o poder.
Esperar que o governo venezuelano resolva dialogar com a oposição, no entanto, é ingênuo. Há 15 anos no poder, os chavistas não apenas construíram uma ampla estrutura de controle do Estado, como também montaram um sistema de defesa paraestatal, armando milícias nas regiões mais populosas da Venezuela. Movidos pela retórica patriótica e socialista, os chavistas não estão interessados no diálogo - ao contrário, é o confronto que eles desejam, para legitimar o regime de exceção que se está consolidando no país.
Não surpreende, assim, que se multipliquem as denúncias de arbitrariedades cometidas por agentes do governo contra os manifestantes - a maioria dos quais estudantes que protestavam contra a insuportável situação do país, com inflação galopante, escassez de produtos básicos e criminalidade fora de controle. Há relatos de prisões arbitrárias, de ataques das milícias chavistas e de tortura de presos.
Diante disso, as redes sociais, um dos poucos espaços ainda livres no país, vinham ecoando críticas ao silêncio do Mercosul, incitando o Brasil a fazer uso de sua importância regional para pressionar Maduro a interromper a violência. É possível imaginar agora a decepção desses oposicionistas.
O Mercosul considera a Venezuela uma democracia plena - como se a mera realização de eleições fosse suficiente para comprovar a saúde institucional do país. No entanto, se ainda resta algo do espírito democrático na Venezuela, ele não está nas envenenadas instituições, e sim nas ruas, com os estudantes que, corajosamente, desafiam a máquina repressiva chavista para expressar seu descontentamento.

12 fevereiro 2014

IDEIAS PARA AJUDAR O PREFEITO ARTHUR NETO (5)

De novo...
Sugiro ao prefeito que elimine a conversão dos veículos que vem do Japiim pelo v-8 (na verdade é assim que o povo ainda denomina a via), passando por baixo da passagem de nível da bola do Coroado (complexo Gilberto Mestrinho), proibindo assim a entrada destes à direita na Av. das Torres.
Para tanto, basta alongar a mureta que protege na subida da rampa (sentido Zona Leste e Japiim, à esquerda) por meio de dentes-de-dragão forçando esses veículos (que vem do Japiim) a seguirem em frente, rumo ao Detran. Na verdade isso forçaria aos mesmos a acessarem a Av. das Torres seguindo pela rotatória e não passando por baixo rumo ao Detran.
Assim, quanto àqueles veículos que vêm do Japiim ou da Zona Leste e querem acessar a Av. das Torres (governador Lindoso), os mesmos deveriam ou seguir em frente rumo ao Detran, ou devem ser forçados a acessarem a rotatória do mesmo complexo, à direita e em frente (para os que vêm do Japiim) ou, como já é, pela alça à direita para quem vem da Zona Leste. Na verdade, para estes já existe a entrada antes da concessionária Murano que justamente dá acesso à Av. das Torres. Ali deveria existir uma placa com os dizeres "Acesso à Av. das Torres" a fim de orientar melhor os motoristas.
Isso desafogaria o congestionamento ali na bola do Coroado.
Confuso? Hum, hum. Mais confuso é o trânsito de Manaus...
Pense nisso, prefeito!

11 fevereiro 2014

‘PT não gosta do Judiciário independente’, um texto de Marco Antonio Villa

Publicado no blog de Marco Antonio Villa
O Partido dos Trabalhadores, que teve suas lideranças históricas condenadas no processo do mensalão, é incansável. Quer porque quer desmoralizar o Supremo Tribunal Federal. O PT não gosta do Judiciário independente. O partido fez de tudo para dificultar o andamento da Ação Penal 470. Pressionou ministros e insinuou até chantagem. Depois desqualificou as condenações. E transformou as prisões em espetáculo de “resistência”. Em seguida, forjou convites fantasiosos de trabalho desacreditando os postulados do regime semiaberto. Deu — para o bem da democracia — tudo errado.
O alvo seguinte foi o presidente do STF, o ministro Joaquim Barbosa. É o mais odiado pelos marginais do poder, feliz expressão do ministro Celso de Mello. Desde 2012 sofre ataque cerrado dos petistas e dos seus aliados, dos blogs sujos que infestam a internet — e que são financiados com dinheiro público. É injuriado e caluniado sistematicamente pelo Ministério da Verdade petista.
Recentemente, Barbosa passou por mais uma situação extremamente constrangedora, quando da abertura dos trabalhos legislativos. E a ofensiva continua: no último sábado, o ex-presidente Lula, com a grosseria habitual, voltou a atacá-lo. O sinhozinho de São Bernardo do Campo não perdoa a independência do ministro Barbosa. Mais ainda: sonha que o STF seja uma repartição do Palácio do Planalto, uma espécie de Suprema Corte ao estilo cubano.
Para os policiais da verdade, o ministro Barbosa não pode tirar férias. Quando o fez, teve os repórteres nos seus calcanhares. Privacidade, zero. E até com certa ironia foram descritos os presentes que comprou em Paris. No fundo estava implícito que negro brasileiro deveria levar daqui um berimbau (e por que não um pandeiro?). É o velho racismo cordial, tão nosso como a jabuticaba.
Os petistas e seus sequazes aproveitaram o momento para desviar a atenção pública dos crimes cometidos pelos apenados. Construíram uma versão de que eram inocentes e que estavam sendo perseguidos por Barbosa. Como se o processo do mensalão e as condenações fossem da sua exclusiva responsabilidade. Como se os seus substitutos legais na presidência não pudessem dar andamento às decisões de rotina da Ação Penal 470.
Dias depois o foco foi dirigido ao ex-deputado João Paulo Cunha. Deu diversas entrevistas, atacou o tribunal, principalmente, claro, o ministro Barbosa. O sentenciado chegou a promover almoço em frente ao prédio da Suprema Corte. Fez de tudo para achincalhar o STF.
Mas os petistas são insaciáveis: agora tentam desqualificar o cumprimento de uma das penas — a de multa. Muito citado durante o julgamento do mensalão, o jurista Claus Roxin defende que não “se pode aprender a viver em liberdade e respeitando a lei, através da supressão da liberdade; a perda do posto de trabalho e a separação da família, que decorrem da privação de liberdade, possuem ainda maiores efeitos dessocializadores. O desenvolvimento político-criminal deve, portanto, afastar-se ainda mais da pena privativa de liberdade. Em seu lugar teremos, principalmente, a pena de multa, e é em especial no seu uso que reside a tendência à suavização de que falei acima (Estudos de Direito Penal, Renovar, 2008, pp.18-19)”.
Portanto, multa é uma pena. No caso da liderança petista, a pena de multa foi acrescida à privação da liberdade. Assim, neste caso, uma não está dissociada da outra. A nossa Constituição é muito clara quando determina que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado” (artigo 5º, XLV) e a multa é uma das formas da individualização da pena (artigo 5º, XLVI,c). E, no Código Penal, o valor da multa está vinculado às condições econômicas do réu.
A “vaquinha” patrocinada pelos petistas e seus asseclas violou explicitamente a decisão do STF, a Constituição e o Código Penal. É absolutamente ilegal. Os petistas saudaram como uma manifestação de solidariedade. Até aí, nenhum problema. Afinal, o respeito ao ordenamento jurídico nunca foi uma característica do PT. O mais terrível foi encontrar até um ex-presidente do STF respaldando esta chicana. E mais: os ministros da Suprema Corte silenciaram — ou quando se pronunciaram foi sobre a forma da doação, que é importante, mas marginal frente à gravidade da questão central.
Contudo, nem sempre é possível controlar todas as variáveis de um projeto criminoso de poder, outra feliz expressão do decano do STF. Henrique Pizzolatto percebeu ─ ainda na fase processual ─ que tinha sido jogado ao mar pela liderança petista. Logo ele, o homem de 73 milhões de reais. Não quis representar o papel de mordomo, como nas velhas tramas cinematográficas. Resolveu com seus próprios meios fugir do país. Foi preso. Sabe muito. Deve ter medo, principalmente se recordar os acontecimentos de Santo André.
Vale destacar que foram os milionários desvios do fundo Visanet, oriundos do Banco do Brasil, a principal fonte de recursos do mensalão, como ficou comprovado no julgamento. Sem este dinheiro, não teria havido a compra de apoio parlamentar. E quem foi o organizador deste peculato? Henrique Pizzolatto. Mas teve a colaboração de comparsas, como é possível constatar no relatório final da CPMI dos Correios, e que não foram indiciados pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza, em 2007.
O governo brasileiro, obviamente, prefere que Pizzolato permaneça na Itália. O pedido de extradição é para inglês ver. Hoje, ele é o elo mais fraco entre os sentenciados petistas. E se romper com a lei da omertà poderá ser o homem-bomba da campanha presidencial.

Bandidos é o que eles são

O Estado de S.Paulo (Editorial desta terça-feira):
Os poucos que ainda se iludiam com os black blocs - por ingenuidade ou recusa teimosa de abrir os olhos para a realidade, sabe-se lá por que - agora não têm mais desculpa. O artefato explosivo que atingiu na cabeça e matou o cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, lançado por dois integrantes desse grupo, durante manifestação no Rio de Janeiro contra o aumento da tarifa de ônibus, na última quinta-feira, é a trágica demonstração de que os black blocs não passam de perigosos delinquentes que se disfarçam de adeptos de um vago e confuso anarquismo.
As cenas gravadas por amadores - e a mais reveladora delas por uma rede de televisão russa - documentaram com precisão o ataque covarde de que foi vítima Santiago Andrade, que estava ali fazendo o seu trabalho. Além de correrem o mundo, mostrando a verdadeira face dos vândalos que se apropriaram das manifestações de protesto, elas permitiram à polícia carioca obter dados importantes sobre os dois criminosos.
Um deles, o tatuador Fábio Raposo, de 22 anos - que já tem duas passagens pela polícia -, se entregou na madrugada de sábado. Ele sabia que, por ser mais facilmente identificável que seu cúmplice pelas posições em que foi filmado durante o ato criminoso, logo seria localizado e preso. Sua versão de que apenas entregou o artefato explosivo - sem saber exatamente do que se tratava - a outra pessoa, filmada apenas de costas, que não conhecia e foi quem o acionou, foi considerada "no mínimo fantasiosa" pelo delegado da 17.ª DP, Maurício Luciano, encarregado da investigação do caso. Opinião compartilhada por peritos que analisaram as gravações.
Indiciado como coautor do crime de tentativa de homicídio qualificado com uso de explosivo - acusação que passa a ser de homicídio, depois da morte do cinegrafista, segunda-feira - e por crime de explosão, Raposo se deu conta de que não valia a pena tentar salvar a pele de seu cúmplice e decidiu colaborar com a polícia, pondo fim às versões destinadas a confundir as investigações. Seu advogado prometeu fornecer ao delegado Maurício Luciano a identidade de quem acendeu o pavio do artefato.
Com isso deve se fechar o círculo desse caso, típico do comportamento dos black blocs, cuja violência não tem como alvo apenas o patrimônio público e privado. Eles tratam com total indiferença e desprezo também a vida humana, como fica claro nas cenas em que utilizaram friamente aquele artefato, sabendo quais poderiam ser as suas consequências para quem fosse por ele atingido.
Desde que esse grupo - a essa altura, melhor seria dizer esse bando - se infiltrou nas manifestações iniciadas em junho passado e na prática passou a comandá-las, não faltaram advertências da polícia e das autoridades da área de segurança de vários Estados de que ele tinha de ser tratado de forma diferente, como criminoso que é. As cenas impressionantes, veiculadas pela televisão, dos atos de vandalismo sistematicamente praticados pelos black blocs durante as manifestações, que passaram por isso a não merecer esse nome - com depredação de prédios públicos, sinalização de trânsito, agências bancárias e revendedoras de carros -, sem falar no bloqueio de importantes vias, com reflexo no trânsito já caótico das grandes cidades, deveriam bastar para confirmar o alerta das autoridades.
A verdade é que, por receio de parecerem "repressivas" - mas não é elementar que o crime seja reprimido? - e se prejudicarem politicamente, nem elas se preocuparam seriamente em dar consequência prática à sua constatação, ou seja, tratar os black blocs e seus assemelhados como criminosos que agem em bando, como quadrilha. De político esses grupos nada têm. Não sabem sequer o que é o anarquismo que reivindicam. É pois como bandidos que devem ser tratados. Dar-lhes ares românticos de revoltados é pura irresponsabilidade, que só pode redundar em novos crimes.
A solidariedade que alguns black blocs foram prestar a Fábio Raposo, em frente à 17.ª DP, no Rio, apesar do grave crime por ele cometido, mostra que a arrogância desse bando não tem limites e que é preciso agir com urgência e rigor para colocá-lo na linha.

IDEIAS PARA AJUDAR O PREFEITO ARTHUR NETO (4)

Mais uma vez, vamos lá!
O prefeito deveria mandar fechar os retornos próximos do TJA no Aleixo (Av. André Araújo) , entre as ruas Paulo VI e Gabriel Gonçalves, e forçar os veículos a fazerem um único retorno próximo da "Cidade das crianças" (onde deveria construir uma rotatória), bem como impedir o acesso à esquerda dos veículos que saem daquele conjunto que fica por trás da cidade das crianças, pela rua 6 do mesmo, e forçar o seu fluxo no sentido na Paraíba.

No link do googlemap abaixo (bem desatualizado!) se vê a região de que estou falando:

 Esse trecho se torna um inferno a qualquer hora do dia e muito mais nas primeiras horas da manhã, entre as 11h e 13h, e ao final do dia.
Por hoje é só.

Lei de segurança nacional nessa turma!

Concordo com Reinaldo Azevedo. A Lei de segurança nacional foi, sim, recepcionada pela CF/88 e deve ser aplicada sem cerimônia contra essa corja dos "black blocs".
Transcrevo a parte dessa lei publicada por Reinaldo e que pode - e deve - ser aplicada nesses casos dos quebra-quebras:
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Não existe vazio legal
Não que exista vazio legal. O que existe é prevaricação. Com coragem e com determinação, há muito tempos estes chamados black blocs já teriam encontrado a devida punição. A que me refiro? Ainda está em vigência no Brasil a Lei 7,170, de 1983, que é a Lei de Segurança Nacional. Ela foi recepcionada pela Constituição de 1988. Transcrevo alguns de seus artigos (em azul):
Art. 15 – Praticar sabotagem contra instalações militares, meios de comunicações, meios e vias de transporte, estaleiros, portos, aeroportos, fábricas, usinas, barragem, depósitos e outras instalações congêneres.
Pena: reclusão, de 3 a 10 anos.
§ 1º – Se do fato resulta:
a) lesão corporal grave, a pena aumenta-se até a metade;
b) dano, destruição ou neutralização de meios de defesa ou de segurança; paralisação, total ou parcial, de atividade ou serviços públicos reputados essenciais para a defesa, a segurança ou a economia do País, a pena aumenta-se até o dobro;
c) morte, a pena aumenta-se até o triplo.
§ 2º – Punem-se os atos preparatórios de sabotagem com a pena deste artigo reduzida de dois terços, se o fato não constitui crime mais grave.
Art. 16 – Integrar ou manter associação, partido, comitê, entidade de classe ou grupamento que tenha por objetivo a mudança do regime vigente ou do Estado de Direito, por meios violentos ou com o emprego de grave ameaça.Pena: reclusão, de 1 a 5 anos.
Art. 17 – Tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito.
Pena: reclusão, de 3 a 15 anos.
Parágrafo único.- Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até a metade; se resulta morte, aumenta-se até o dobro.
Art. 18 – Tentar impedir, com emprego de violência ou grave ameaça, o livre exercício de qualquer dos Poderes da União ou dos Estados.
Pena: reclusão, de 2 a 6 anos.
Art. 19 – Apoderar-se ou exercer o controle de aeronave, embarcação ou veículo de transporte coletivo, com emprego de violência ou grave ameaça à tripulação ou a passageiros.
Pena: reclusão, de 2 a 10 anos.
Parágrafo único – Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até o dobro; se resulta morte, aumenta-se até o triplo.
Art. 20 – Devastar, saquear, extorquir, roubar, sequestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas.
Pena: reclusão, de 3 a 10 anos.
Parágrafo único – Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até o dobro; se resulta morte, aumenta-se até o triplo.

10 fevereiro 2014

FHC: um acorde dissonante, um ponto fora da curva

Em livro, o porquê de FHC ter sido, na Presidência, um acorde dissonante
O PONTO FORA DA CURVA -- Com dona Ruth, a primeira mulher de presidente a chegar a Brasília com uma profissão (Foto: Egberto Nogueira)
O PONTO FORA DA CURVA — Com dona Ruth, a primeira mulher de presidente a chegar a Brasília com uma profissão (Foto: Egberto Nogueira)

Resenha de Augusto Nunes, publicado em edição impressa de VEJA

O ACORDE DISSONANTE

Como Fernando Henrique, o candidato que tinha tudo para dar errado, virou o presidente certo na hora mais incerta

O sociólogo convertido em político aos 48 anos tinha tudo para dar errado como candidato a qualquer coisa. Tal suspeita vira certeza com a leitura das revelações de Fernando Henrique Cardoso no livro escrito em parceria com o jornalista americano Brian Winter.
capa-fhcA versão em português de O Improvável Presidente do Brasil (Civilização Brasileira; 368 páginas; 35 reais) justifica o título com a exposição de traços de temperamento, marcas de nascença, heranças genéticas e outras particularidades que, se favoreceram a trajetória vitoriosa do professor admirado em muitos sotaques, pareciam condenar ao fiasco o político aprendiz.
E reafirma que a chegada de FHC ao Palácio do Planalto em 1994 foi muito mais surpreendente que o triunfo de Lula ou sua substituição por Dilma Rousseff.
O grande viveiro de cabeças baldias tem tudo a ver com o ex-operário sem compromisso com a verdade (e o plural) ou com a mulher que fala dilmês (e não diz coisa com coisa).
Assombrosa, portanto, é a constatação de que um intelectual puro-sangue foi autorizado pelo voto a reinar, durante oito anos, num país em que a palavra elite deixou de designar o que há de melhor num grupo social para tornar-se estigma.
Foi Fernando Henrique o acorde dissonante na ópera do absurdo composta pelos que o antecederam e retomada por seus sucessores. Vistos de perto, os presidentes brasileiros exibem muito mais semelhanças que diferenças. Se estivessem vivos, todos seriam parceiros na base aliada. Menos Fernando Henrique Cardoso, informam os paradoxos que fizeram dele uma figura sem similares.
No país do futebol e do Carnaval, ele jamais calçou um par de chuteiras e não vestiu fantasias nem mesmo quando criança. Na terra dos extrovertidos patológicos, que na campanha se engalfinham com um eleitor desconhecido a cada metro e derramam lágrimas de esguicho na vitória ou na derrota, ele nunca foi além de tapinhas nas costas e chorou menos que Clint Eastwood.
com Itamar Franco (Foto: Nélio Rodrigues)
com Itamar Franco (Foto: Nélio Rodrigues)

No Brasil dos analfabetos sem cura, que instalam e mantêm no poder populistas iletrados, dedicou a maior parte da vida a ensinar, pesquisar, ler, escrever e, sobretudo, pensar. “Como poderia um professor de sociologia, paulista (embora nascido no Rio), ‘elitista’, ‘sem carisma’ e ‘arrogante’ derrotar um homem como Lula?”, perguntava-se.
Um marqueteiro da tribo de Duda Mendonça trataria de reconstruí-lo dos cabelos (sempre com cada fio em seu lugar) aos sapatos (muitos de cromo alemão). Em junho de 1994, com o candidato já em campanha pela Presidência, publicitários amigos tentaram aproximá-lo do que chamavam de “povão” com mudanças menos radicais.
“Decidiu-se que eu devia aparecer mais em mangas de camisa e tentar mostrar mais senso de humor”, exemplifica. “Especulava-se também que talvez eu precisasse de um apelido. Alguém sugeriu ‘FHC’, mas concluímos que era muito parecido com DDT. Acabamos ficando mesmo com Fernando Henrique.”
Com anêmicos 19% nas pesquisas que mantinham Lula acima de 40%, pensou em desistir. Não podia imaginar que derrotaria duas vezes, ambas no primeiro turno, o adversário invencível. Muito menos que FHC seria, ao lado de JK, uma das duas únicas siglas tombadas pelo patrimônio político nacional.
“Sempre tive muita sorte”, reconhece o beneficiário de uma extraordinária soma de acasos, ventos favoráveis, coincidências intrigantes e talento de sobra. Feliz com a vida de chanceler, foi surpreendido pelo presidente Itamar Franco com o convite para assumir o Ministério da Fazenda.
Dando aula: a grande exceção à regra da política brasileira (Foto: Arquivo / Ag. O Globo)
Dando aula: a grande exceção à regra da política brasileira (Foto: Arquivo / Ag. O Globo)

Nunca entendeu as razões da escolha de um sociólogo sem intimidade com assuntos econômicos para domar a hiperinflação. Repassou a tarefa a uma equipe de especialistas que montaram o Plano Real com o expurgo dos erros que haviam cometido no Plano Cruzado. “Fui eleito pela economia”, reconhece Fernando Henrique no capítulo que narra a mais espetacular virada eleitoral desde a redemocratização do país.
Mas foi reeleito por milhões de brasileiros convencidos de que a estabilidade da moeda fora apenas a maior e mais improvável proeza do presidente. Há muitas outras no livro, que é uma espécie de “Fernando Henrique Cardoso para Estrangeiros”.
Não há nada que lembre a densidade informativa e a profundidade analítica do essencial A Arte da Política, coordenado pelo jornalista Ricardo Setti – hoje colunista de VEJA.com. “Mas nunca me referi de modo tão pessoal a certos acontecimentos”, avisa FHC. “É mais fácil, às vezes, entrar em pormenores pessoais conversando em outro idioma.”
As revelações em inglês permitem conhecer melhor alguns interiores, até agora indevassados, do homem que mudou a história de um país que pedia socorro em português.

Black blocs: mataram o primeiro!...

Um animal racional

E assim segue a humanidade...

IDEIAS PARA AJUDAR O PREFEITO ARTHUR NETO (3)

Vamos lá!
Até hoje não entendi a razão lógica - se é que existe - para que a alça da passagem de nível da Recife/Detran que vem no sentido da Paraíba para o Eldorado ter sido fechada e o trânsito desviado pela Paraíba para dentro do Parque Dez... Deve ter sido coisa de "português"...
Quem vem pelo V-8 deveria ter trânsito livre pela Recife até a rotatória do Eldorado, mas, em vez disso, como a tal "alça" está fechada para isso, o motorista que não fez o desvio  por dentro do Parque Dez é obrigado a seguir pelo V-8 até a Djalma Batista.
O mais inusitado dessa ópera bufa é que "ineventaram" 2 cruzamentos: 1) um na cabeceira dessa passagem de nível, justamente pelos veículos que foram desviados pelo Parque Dez e que queiram seguir pela Maceió; e 2) pelos esses mesmos veículos e mais aqueles que vem pela Recife a partir da rotatória do Eldorado, se afunilando, passando por baixo da passagem de nível e "cruzando" com os veículos que vêm pelo V-8. É confuso? Muito! Jabuticaba pura! Somente a passagem de nível do Olímpico ganha dessa presepada, onde existe um SINALEIRO EM BAIXO DA MESMA! Talvez o Eduardo Braga explique. Vamos lá! Coragem ex-governador e atual senador e líder do desgoverno Dilma!

Sugestões:
1) abrir a alça da passagem de nível para quem vem pelo v-8 e queira ir diretamente à rotatória do Eldorado;
2) fechar a lateral da passagem de nível para os veículos que vem da rotatória do Eldorado, à direita rumo ao v-8, e forçar que sigam em frente, acabando com o cruzamento com o v-8;
3) acabar com o retorno no v-8 após o passagem de nível, à direita, obrigando a seguir em frente para o Eldorado e Djalma Batista.

Se isso que vai aí acima exposto não é factível, gostaria de saber as razões dessa charada...

‘Afinal, Lula, que * é essa?’, um artigo de Ricardo Noblat

Publicado no Blog do Noblat
RICARDO NOBLAT
Concorda com a frase ‘Na política nunca podemos dizer nunca‘?
Bem, eu concordo. E parto dela para compartilhar com vocês o que penso.
Por exemplo: Sarney apoiou a ditadura militar de 1964 até à véspera de ela cair 21 anos depois. Então, rapidinho, passou para o lado dos que a combatiam. Entendeu?
É confuso. Outro exemplo? Em 1989, Lula e Collor brigaram pela presidência da República.
Collor ganhou chamando Lula de comunista. Lula perdeu chamando Collor de desonesto. Hoje, um apoia o outro.
Último exemplo?
Foi Lula quem fez Joaquim Barbosa ministro do Supremo Tribunal Federal. Os dois sempre estiveram do mesmo lado.
No último sábado, sem citar o nome dele, Lula bateu duro em Joaquim. Acusou-o de ter condenado inocentes. Sugeriu que Joaquim será candidato a alguma coisa.
Por que Lula procedeu assim? Porque o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, contou à VEJA o que ouviu de Joaquim no final do ano passado.
Em resumo, Joaquim disse que cansara. A experiência de ser ministro já estava de bom tamanho para ele. Desde então, segundo Marco Aurélio, “ventila-se” no Supremo Tribunal Federal (STF) que Joaquim será candidato à vaga de Dilma.
(Contenha a euforia, Noblat!)
Em 2005, estourou o escândalo do mensalão que quase derrubou o governo. Mensalão foi o nome dado ao esquema de compra de votos com dinheiro público para que Lula governasse.
Nunca teve nome o esquema de compra de votos no Congresso que permitiu a reeleição de Fernando Henrique.
Política é negócio. Um negócio milionário. Dê-me o que quero e lhe darei o que você quer. Nada sai de graça.
Estou dando voltas porque escrevo cansado. Vamos adiante, todavia.
Ameaçado pelo escândalo, Lula ocupou uma cadeia nacional de rádio e televisão para pedir desculpas aos brasileiros, negar que existira mensalão e se dizer traído. Suas mãos tremiam.
Mensalão? Jamais ouvira falar, disse. Corrigindo: ouvira uma vez, sim senhor. Foi quando recebeu em audiência o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), seu aliado.
Mandou investigar o que Jefferson lhe contou. A investigação no Congresso durou uma semana. Nada foi descoberto.
Lula ouviu falar do mensalão pela segunda vez quando visitou Goiás. O governador Marconi Perillo alertou-o para a compra do passe de deputados. E Lula?
Na boa… Nem aí.
Temeu-se depois que ele fosse capaz de se matar. Foi salvo pelo ministro José Dirceu.
(Se gosto de Dirceu? Gosto sim, política à parte)
Quanto aos traidores…
Bem, Lula não apontou nomes de traidores. Afinal, como reclamar do julgamento daqueles que o traíram? Incoerência total. Falta de compromisso com a verdade.
Nada que seja estranho à política cujas bases são a mentira, a fraude e a enganação. Lula não parecia um político melhor nem pior do que qualquer outro. Era diferente apenas. Deixou de ser.
Poderia ter dito com toda a clareza possível que seus traidores não foram esses que estão atrás das grades. E mais o que está preso na Itália. E nem os que estão dentro do STF.
Seria a forma mais eficiente de defendê-los. Mas tal coisa seria o mesmo que admitir que o mensalão existiu. E que ele, Lula, de fato fora traído.
O silêncio é a mais preciosa lei da máfia. E ele tem preço. Tanto no caso do traidor como no de quem se sente traído.
Ensinam os manuais sobre traições: morra sem confessar. Se for o caso, valerá o preço de ir para o inferno mentindo.
Que saudade de O Poderoso Chefão.

09 fevereiro 2014

IDEIAS PARA O PREFEITO ARTHUR NETO (2)

ALVORADA

Bem, vamos lá de novo com ideias sobre Manaus...
A rua 8 do Alvorada I também poderia ser transformada pelo prefeito em "Shopping-de-rua", bem como a Av. "J" no Alvorada II, visto que essas vias são uma grande alternativa para as compras e poderiam também ser dotadas de calçadões e terem instaladas lojas de departamento que serviriam como âncora. Algumas já estão por lá.

BANCOS 24 H

Encontrar um terminal de banco funcionando em algumas praças populares de Manaus é um tormento! 
A praça de alimentação do D. Pedro é um desses exemplos. Se você estiver com sua família em um daqueles pequenos lanches e não perceber que não pode pagar com cartão, aí você estará com sérios problemas. Na praça de alimentação do D. Pedro, na verdade em um posto de gasolina que fica em frente, existe um caixa eletrônico do Banco do Brasil que nem para "enfeite" se presta. Claro que ali deveria existir um "banco 24 h"! E se for na copa que os turistas os procurem?
Não é apenas na Dom Pedro, mas em várias outras praças semelhantes não existem "bancos 24 h" e isso é um serviço essencial que a prefeitura deveria cuidar de exigir dos estabelecimentos bancários a instalação dos mesmos.

PASSAGEM DE NÍVEL DA UFAM

A passagem de nível da Ufam é uma dessas obras que já estão atrasadas há décadas! Recentemente, ainda no governo Amazonino, fizeram uma intervenção simples e que melhorou enormemente o trânsito no local. Mas ainda é uma solução paliativa. E olhe que foi uma ideia de estudantes de engenharia da própria Ufam feita há 5 ou 6 anos atrás...
A passagem de nível é coisa simples, mas, enquanto ela não sai, que tal alargar a pista na saída do Campus no sentido "bola do Coroado" (afastando a cerca do Campus para trás) dando fluidez constante nessa alça (exclusivamente para quem sai do Campus), "jogando" parte desse trânsito no próprio bairro do Coroado, à direita, e lá na frente próximo do conjunto Tiradentes?