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12 janeiro 2013

J. R. Guzzo: uma perturbadora descrição da face escura do lulopetismo

O artigo de J. R. Guzzo publicado na edição impressa de VEJA sob o título Joseph K. merece ser reproduzido em todos os espaços jornalísticos que defendem o Estado Democrático de Direito. Confiram:
Os leitores de O Processo, criação da mente tumultuada, enigmática e genial de Franz Kafka, conhecem bem a história de Joseph K. ─ ótimo rapaz, diretor de banco e cidadão que jamais tinha violado lei alguma em toda a sua vida. No dia em que completa 30 anos, Joseph K. recebe a visita de dois agentes que ele supõe serem da polícia, mas que não se identificam nem lhe mostram nenhum documento oficial. Estão a serviço de um departamento do governo, mas não revelam qual. Anunciam que ele deve responder a um processo, mas não informam qual é a acusação. Joseph K. fica intimado, apenas, a comparecer a um determinado endereço alguns dias depois, mas não sabe a que horas nem qual autoridade terá de procurar no local. Quando chega lá, encontra um pardieiro e, no sótão do prédio, o que parece ser o tribunal ─ mas ao ir embora continua sem saber qual o delito a que deve responder, quem vai julgá-lo e que lei autoriza o procedimento imposto a ele. Tudo o que consegue descobrir é que deve aguardar as instruções de um “Comitê de Questões”, de cuja existência jamais tivera conhecimento.
As coisas não melhoram quando Joseph K. vai se aconselhar com um tio, que lhe recomenda não “subestimar” a gravidade da situação e o encaminha a um advogado. Não adianta nada. O advogado diz que aceita fazer a sua defesa, mas não poderá apresentá-la ao magistrado, pois não sabe, nem nunca saberá, qual é a acusação ─ e, de qualquer forma, tudo seria inútil, pois em casos assim o fato de ser suspeito significa, automaticamente, ser culpado. Na verdade, informam a ele, nunca houve em toda a história do tribunal secreto que vai julgá-lo um único caso de absolvição. Um ano depois, na véspera de seu 31º aniversário, Joseph K. é preso, em seu apartamento, por dois agentes do “Comitê”, levado a uma pedreira remota e executado ─ sem nunca ter tido a menor ideia do que fizera de errado.
Quase 100 anos depois de escrita, a narrativa de Kafka continua sendo um dos textos mais possantes que a literatura mundial jamais produziu sobre a negação absoluta da justiça ─ e a impotência do ser humano diante de forças que não entende, que podem tudo e contra as quais ele não pode nada. A desgraça de Joseph K. é algo que não faz nexo num mundo racional. Mas a moral da fábula de Kafka, como sempre acontece nas fábulas, não tem nada de absurdo. Ao contrário, é um aviso muito claro do que pode acontecer em conflitos em que um dos lados dispensa a si próprio de qualquer obrigação lógica ─ como pretende ter toda a razão, julga-se com direito a tudo. Não precisa explicar nada, nunca. Não tem de provar nenhuma das alegações que faz. Basta denunciar suspeitos e declarar que são culpados.
Há no Brasil de hoje um clima por trás do qual, quando se olha um pouco melhor, é possível perceber algo muito parecido com a história de Joseph K. Trata-se do esforço permanente, por parte das forças que comandam o governo, para indiciar todos os que discordam delas num processo em que os julgadores não aceitam nenhum argumento de defesa, ignoram quaisquer fatos que os acusados possam apresentar em seu favor e só assinam sentenças de condenação. O ex-presidente Lula, os marechais de campo do PT e sua máquina de propaganda funcionam como o “Comitê de Questões” imaginado por Kafka. Os que têm opiniões diferentes, sobretudo quando podem expressá-las em público, ou divulgam fatos incômodos para seus interesses, ficam no papel de Joseph K.
O tribunal secreto de Lula encerrou 2012 com as turbinas a toda. Enrolado, cada vez mais, em histórias tão feias quanto marcadas pela pequenez, o líder supremo do PT não disse até agora uma única palavra para explicar o que quer que fosse, nem citou nenhum fato capaz de atenuar as suspeitas. Como sempre, pegou o microfone e passou a gritar insultos contra inimigos que ninguém vê. Jamais menciona seus nomes. Não diz que crimes cometeram. Não informa quais as acusações concretas a que devem responder. Limitou-se, desta vez, a falar em “vagabundos” que estão em salas “com ar condicionado”. Quem seriam? Há um vasto número de brasileiros nessa situação, quase sempre fazendo trabalho duro, indispensável e remunerado modestamente ─ nas UTIs hospitalares, torres de controle de aeroportos, usinas de energia elétrica, processadoras de alimentos e por aí afora. Vagabundos? Talvez. Se não há nomes, todos são suspeitos da acusação ─ especialmente infeliz quando feita por alguém que não trabalha desde os 29 anos de idade. E daí? Joseph K. não tem direito a nenhuma explicação.

‘Inflação, estagnação e teimosia’, editorial do Estadão


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA
O Brasil completou mais um ano com inflação bem acima da meta e crescimento econômico pífio ─ desempenho muito pior que o da maior parte dos emergentes e até inferior ao de alguns países desenvolvidos ainda em crise. O principal padrão de referência da política oficial, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,84% e poderia ter subido mais, sem a redução temporária do IPI sobre carros.
O indicador mais restrito, o INPC, referente aos gastos de famílias com ganho mensal de até cinco salários mínimos, aumentou 6,2%. Ruim para todos os trabalhadores, a evolução dos preços foi particularmente cruel, portanto, para os grupos de baixa renda. Mas o discurso-padrão do governo exclui o reconhecimento dos fracassos. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, festejou o resultado melhor (de fato, menos ruim) que o de 2011, quando o IPCA se elevou 6,5%, e garantiu para 2013 uma nova redução.
Não deixou, no entanto, de tentar uma explicação mal-ajambrada para os 5,84%. No segundo semestre, segundo ele, houve choques de preços agrícolas, “entre outros fatores”. Mas a perspectiva de um mercado agrícola mais acomodado havia sido, desde agosto de 2011, um de seus principais argumentos para justificar o corte dos juros. Mais do que nunca está claro: o corte de juros foi mais uma ação determinada pelo voluntarismo da presidente Dilma Rousseff.
Quanto aos preços dos alimentos, realmente impulsionaram a inflação, mas o fator mais importante foi o descompasso entre a demanda de consumo e a capacidade de oferta da economia. Houve aceleração de aumentos em seis dos nove grandes componentes do IPCA, em dezembro, e a variação do conjunto, no mês, foi a maior desde o fim de 2004.
Chegou a 70,7% a parcela de itens com aumento de preços, de acordo com o indicador de difusão calculado pelo banco Besi Brasil. Isso confirmou a tendência observada em todo o ano, de generalização dos aumentos pelo contágio. O crédito abundante, o aumento da massa de rendimentos, o gasto público e os incentivos mal dirigidos explicam esse fenômeno. Nenhuma faísca ─ no caso, a alta dos preços agrícolas ─ provoca um grande incêndio sem farto material combustível e sem oxigênio.
O fato mais grave é a combinação desastrosa de inflação alta e crescimento baixo. Desde 2005 a meta de inflação é de 4,5%, bem mais alta que a da maior parte dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. A partir de 2006 a margem de tolerância diminuiu de 2,5 pontos porcentuais para 2, mas continuou muito ampla. Outros países cresceram muito mais com alta de preços muito menor.
No ano passado, até novembro, os preços ao consumidor subiram em média 1,9% nos 34 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada majoritariamente por economias desenvolvidas e algumas em desenvolvimento. No México, o IPC aumentou 4,2% nesse período, mas no terceiro trimestre seu Produto Interno Bruto (PIB) foi 3,3% maior que um ano antes – mais que o triplo do resultado brasileiro.
O contraste entre o Brasil e outros latino-americanos é notável. No Chile, a inflação até novembro ficou em 2,1%, com provável expansão econômica de 5,2% em todo o ano. Na Colômbia, o número final da inflação foi 2,44%, mas o PIB deve ter aumentado cerca de 4%. No Peru, o produto deve ter aumentado uns 6%, talvez pouco mais, mas os preços ao consumidor, até novembro, haviam subido 2,7%. No Equador, a alta de preços está estimada em 4,2%. Os números da produção não estão atualizados, mas o desempenho foi certamente muito melhor que o do Brasil. No segundo trimestre, o PIB foi 5,2% maior que o de um ano antes.
Na China, a inflação até novembro ficou em 2%, mas o produto, no terceiro trimestre, foi 7,4% maior que o de um ano antes. Índia e Rússia tiveram taxas inflacionárias mais altas que a brasileira, mas com expansão econômica bem maior.
No Brasil, tudo indica mais um ano com aumentos de preços além da meta, alimentados pelo crédito fácil e pela gastança pública, e sem nenhum benefício para o crescimento econômico.

10 janeiro 2013

A corrupção no Brasil pela ótica petista de 10 anos atrás

Ganha um "doce-de-coco" quem advinhar de quem é o texto abaixo:
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"A corrupção representa uma violação das relações de convivência civil, social, econômica e política, fundadas na equidade, na justiça, na transparência e na legalidade. A corrupção fere de morte a cidadania. Num país tomado pela corrupção, como o Brasil, o cidadão se sente desmoralizado porque se sabe roubado e impotente. Sabe-se impotente porque não tem a quem recorrer. Descobre que os representantes traem a confiabilidade do seu voto, que as autoridades ou são corruptas ou omissas e indiferentes à corrupção, que os próprios políticos honestos são impotentes e que a estrutura do poder é inerentemente corruptora.
Dessa impotência se firmam as noções de que “nada adianta” e de que no fundo “são todos iguais”. A fixação desses sentimentos representa o fim da cidadania, pois ela se baseia na participação ativa do indivíduo na luta por direitos e na cobrança e fiscalização do poder. Quanto mais agonizante a cidadania, mais ativa se torna a corrupção. O corrupto sente-se à vontade para se justificar e até para solicitar o aval eleitoral para continuar na vida política.
O poder no Brasil protege os corruptos. A estrutura do poder público é corruptora. Em paralelo, a estrutura fiscalizadora favorece a impunidade. Mas se a corrupção, sua proteção e a impunidade se tornaram estruturais, há uma vontade explícita de manter intacta a estrutura corruptora. Essa vontade se manifesta de várias formas. A principal é a falta de iniciativa das autoridades constituídas. Outra ocorre pelo bloqueio das mudanças institucionais e legais que visam a ampliar e aperfeiçoar os instrumentos de combate à corrupção. No Congresso, medidas de combate à corrupção e mudanças moralizadoras da Lei Eleitoral foram sistematicamente derrotadas pela maioria governista, com o apoio de chefes dos poderes superiores.
A sociedade já percebeu que a corrupção estrutural está albergada na falta de vontade de mudar e de punir e na vontade explícita de proteger. A racionalidade do cidadão não consegue compreender o porquê e o como de tantos casos de corrupção não resultarem em nenhuma prisão dos principais envolvidos. E porque a razão não consegue compreender essa medonha impunidade, o cidadão sente-se desmoralizado. A corrupção assume a condição de normalidade da vida política do país. A degradação e a ineficiência do poder público atingiram tão elevado grau que não se pode mais acreditar que, apesar de lentas, as mudanças virão".
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 Isso mesmo, é de José Genoíno, que se fingia de Vestal, mas doido para se divertir no bordel...

09 janeiro 2013

Aumento de salários do STF desagrada magistrados

É importante verificar que o STF considera uma burla o reajuste de 15% escalonado em 3 anos pelo governo.

Do ponto de vista formal, a Lei 12.771/2012, que estipulou 15% de aumento salarial aos ministros do Supremo Tribunal Federal divididos em três anos, não trouxe nenhuma novidade. Do ponto de vista político, porém, desagradou às principais entidades corporativas da magistratura.
A regra geral para o aumento salarial dos ministros é que ele deve ser proposto por projeto de lei enviado pelo Supremo ao Congresso. Depois de aprovado o projeto, segue para sanção presidencial. O que tem acontecido ultimamente é que os reajustes têm sido feito abaixo da inflação, por conta de cortes feitos de ofício. A nova lei, em resposta, fixou o aumento em 5% por ano de 2013 a 2015.
Sendo assim, o salário dos ministros do Supremo, e dos demais funcionários públicos do país, foi fixado em lei até 2016. Para este ano, os vencimentos serão de R$ 28 mil. Em 2014, a cifra aumenta para R$ 29,4 mil e em 2015 vai para R$ 30,9 mil. A partir de janeiro de 2016, o Supremo volta a propor o reajuste diretamente ao Congresso, conforme dispõe o artigo 2º da lei.
Para o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), desembargador Nelson Calandra, a aprovação do texto foi “um estratagema para não dar aumento real nenhum”. Ele conta que o salário do Judiciário está defasado em cerca de 30% em relação à inflação acumulada de 2009 a 2012, mas a lei deu 15% de aumento para os próximos três anos, “como se não houvesse inflação”. “Na verdade, a lei tirou do Supremo a prerrogativa de propor o aumento todo ano”, disse.
Frustração 
Já para o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Renato Henry Sant’Anna, a lei foi “uma frustração”. “Pedimos 30%, o Supremo diminuiu para 15% e parcelou em três anos”, reclama.
Ele conta que entre 2006 e 2012 os juízes só tiveram um aumento, em 2009, de 9%. Só que em 2007 a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, ou IPCA, foi de 4,46% e, em 2008, de 5,9%. Em 2009, o índice ficou em 4,3%, segundo dados divulgados pelo Banco Central. “O que se fez foi congelar a perda para os próximos três anos”, afirma Sant’Anna.
Para 2013, o pedido, feito em projeto de agosto pelo então presidente do Supremo, ministro Ayres Britto, era de reajuste de 7,12%, deixando o salário dos ministros em R$ 32,1 mil. Para 2012, o pedido era de aumento de 4,8%, elevando os vencimentos para R$ 27,7 mil. O aumento dado fixou o salário em R$ 26,7 mil.
Estado de mobilização
O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), juiz federal Nino Toldo, chama atenção para o que seria uma pequena vitória no inciso II do artigo 2º da nova lei. O dispositivo diz que, a partir de janeiro de 2016 o STF voltará a propor o reajuste observando “a recuperação de seu poder aquisitivo”. Mas ele concorda com os colegas da AMB e da Anamatra: a lei não atendeu às reivindicações da categoria.
A reclamação tem o apoio dos juízes federais, que pretendem protestar, mas sem greve. Durante Assembleia Geral da Ajufe, em dezembro, a categoria rejeitou a ideia de greve, de operação padrão e até de paralisação, como aconteceu um mês antes.
Durante o encontro, foi feita uma pesquisa de opinião. Dos 1,6 mil associados à Ajufe, 566, ou um terço do total, responderam. A opinião majoritária foi contra paralisações de qualquer tipo. A greve imediata foi rejeitada por 68% dos entrevistas e a decretação de indicativo de greve, por 45%. Setenta e três por cento foram contra uma operação-padrão e outros 74% foram contra a suspensão da emissão de requisições para advogados.
Mas concordaram que os tempos são de “estado de mobilização”. “Embora a classe não esteja satisfeita com o reajuste, entendeu que a radicalização do movimento não seria o melhor caminho neste momento”, resumiu Nino Toldo. Em maio haverá outra Assembleia Geral, e o tema deve ser discutido de novo.
Pedro Canário é repórter da revista Consultor Jurídico.

02 janeiro 2013

‘A década perdida’, por Marco Antonio Villa


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEGUNDA-FEIRA

MARCO ANTONIO VILLA
A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 foi recebida como um conto de fadas. O país estaria pagando uma dívida social. E o recebedor era um operário.
Operário que tinha somente uma década de trabalho fabril, pois aos 28 anos de idade deu adeus, para sempre, à fábrica. Virou um burocrata sindical. Mesmo assim, de 1972 a 2002 ─ entre a entrada na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e a eleição presidencial ─, portanto, durante 30 anos, usou e abusou do figurino do operário, trabalhador, sofrido. E pior, encontrou respaldo e legitimação por parte da intelectualidade tupiniquim, sempre com um sentimento de culpa não resolvido.
A posse ─ parte dos gastos paga pelo esquema do pré-mensalão, de acordo com depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público ─ foi uma consagração. Logo a fantasia cedeu lugar à realidade. A mediocridade da gestão era visível. Como a proposta de governo ─ chamar de projeto seria um exagero ─ era inexequível, resolveram manter a economia no mesmo rumo, o que foi reforçado no momento da alta internacional no preço das commodities.
Quando veio a crise internacional, no final de 2008, sem capacidade gerencial e criatividade econômica, abriram o baú da História, procurando encontrar soluções do século 20 para questões do século 21. O velho Estado reapareceu e distribuiu prebendas aos seus favoritos, a sempre voraz burguesia de rapina, tão brasileira como a jabuticaba. Evidentemente que só poderia dar errado. Errado se pensarmos no futuro do país. Quando se esgotou o ciclo de crescimento mundial ─ como em tantas outras vezes nos últimos três séculos ─, o governo ficou, como está até hoje, buscando desesperadamente algum caminho. Sem perder de vista, claro, a eleição de 2014, pois tudo gira em torno da permanência no poder por mais um longo tempo, como profetizou recentemente o sentenciado José Dirceu.
Os bancos e as empresas estatais foram usados como instrumentos de política partidária, em correias de transmissão, para o que chamou o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, de “projeto criminoso de poder”, quando do julgamento do mensalão. Os cargos de direção foram loteados entre as diferentes tendências do Partido dos Trabalhadores (PT) e o restante foi entregue à saciedade dos partidos da base aliada no Congresso Nacional. O PT transformou o patrimônio nacional, construído durante décadas, em moeda para obter recursos partidários e pessoais, como ficou demonstrado em vários escândalos durante a década.
O PT era considerado uma novidade na política brasileira. A “novidade” deu vida nova às oligarquias. É muito difícil encontrar nos últimos 50 anos um período tão longo de poder em que os velhos oligarcas tiveram tanto poder como agora. Usaram e abusaram dos recursos públicos e transformaram seus Estados em domínios familiares perpétuos. Esse congelamento da política é o maior obstáculo ao crescimento econômico e ao enfrentamento dos problemas sociais tão conhecidos de todos.
Não será tarefa fácil retirar o PT do poder. Foi criado um sólido bloco de sustentação que ─ enquanto a economia permitir  ─ satisfaz o topo e a base da pirâmide. Na base, com os programas assistenciais que petrificam a miséria, mas garantem apoio político e algum tipo de satisfação econômica aos que vivem na pobreza absoluta. No topo, atendendo ao grande capital com uma política de cofres abertos, em que tudo pode, basta ser amigo do rei ─ a rainha é secundária.
A incapacidade da oposição de cumprir o seu papel facilitou em muito o domínio petista. Deu até um grau de eficiência política que o PT nunca teve. E o ano de 2005 foi o ponto de inflexão, quando a oposição, em meio ao escândalo do mensalão, e com a popularidade de Lula atingindo seu nível mais baixo, se omitiu, temendo perturbar a “paz social”. Seu principal líder, Fernando Henrique Cardoso, disse que Lula já estava derrotado e bastaria levá-lo nas cordas até o ano seguinte para vencê-lo facilmente nas urnas. Como de hábito, a análise estava absolutamente equivocada. E a tragédia que vivemos é, em grande parte, devida a esse grave erro de 2005. Mas, apesar da oposição digna de uma ópera-bufa, os eleitores nunca deram ao PT, nas eleições presidenciais, uma vitória no primeiro turno.
O PT não esconde o que deseja. Sua direção partidária já ordenou aos milicianos que devem concentrar os seus ataques na imprensa e no Poder Judiciário. São os únicos obstáculos que ainda encontram pelo caminho. E até com ameaças diretas, como a feita na mensagem natalina ─ natalina, leitores! ─ de Gilberto Carvalho (ex-seminarista, registre-se) de que “o bicho vai pegar”. A tarefa para 2013 é impor na agenda política o controle social da mídia e do Judiciário.
Sabem que não será tarefa fácil, porém a simples ameaça pode-se transformar em instrumento de coação. O PT tem ódio das liberdades democráticas. Sabe que elas são o único obstáculo para o seu “projeto histórico”. E eles não vão perdoar jamais que a direção petista de 2002 esteja hoje condenada à cadeia.
A década petista terminou. E nada melhor para ilustrar o fracasso do que o crescimento do produto interno bruto (PIB) de 1%. Foi uma década perdida. Não para os petistas e seus acólitos, claro. Estes enriqueceram, buscaram algum refinamento material e até ficaram “chiques”, como a Rosemary Nóvoa de Noronha, sua melhor tradução. Mas o Brasil perdeu.
Poderíamos ter avançado melhorando a gestão pública e enfrentado com eficiência os nossos velhos problemas sociais, aqueles que os marqueteiros exploram a cada dois anos nos períodos eleitorais. Quase nada foi feito ─ basta citar a tragédia do saneamento básico ou os milhões de analfabetos.
Mas se estagnamos, outros países avançaram. E o Brasil continua a ser, como dizia Monteiro Lobato, “essa coisa inerme e enorme”.

Minha vida - Parte III-B (Curso Técnico-Etfam- 1972-76)

Terminado o curso ginasial industrial, dei início, sem a necessidade de seleção, ao curso Técnico de Estradas. Esse curso me foi indicado pelo teste psicotécnico, pois eu fui dado como bastante habilidoso com números, cálculos. Fiquei muito feliza com essa constatação, além de que achava muito "legal" os alunos fazerem mediçõea com aparelhos topsgráfico. Não poderia ter escolhido um curso melhor! Foi amor à primeira vista. Já estamos em 1973.
Nessa época, meu primo José já enchera a casa de rebentos, todos com nomes artísticos, faltando apenas a Gina Lolobrígida... Não havia muito espaço para mim na rede debaixo daquela mesa onde por cinco anos me espremia no corredor, entrando na cozinha, onde me acordavam às cinco da manhã.
Dessa forma, José Brito, o pai das celebridades, me aprontou uma que nunca esqueço: como havia completado 18 primaveras, Brito me fez tirar minha documentação (RG, CPF, CTPS, essas coisas) e me levou para um passeio no centro da Zona Franca de Manaus, mais precisamente na rua Dr. Moreira, na loja Credilar Centro, e lá me apresentou para quem já conhecia da Etfam, o "Metralha". Dado esse nome, não precisa dizer mais nada: estava ferrado! O Brito, semeu saber, havia me empregado e lá fui encaminhado para uma megera, a gerente da Loja, que foi logo me dando um esporro e apontando para uma lata dágua, panos e esfregões, com os quais ela me apresentou ao trabalho. Há "filho da tia"! Foi meu primeiro com CTPS assinada. Um salário mínimo! Aquilo não dava pra nada! Mas assim mesmo fui despedido, desmamado pela mimha tia, e fui morar com minha mãe, a quem tinha trazido do Careiro em 1971 fugindo da enchente, como sempre.
Para poder pagar o quarto em que minha mãe veio morar com meu irmão Renato e minha irmã Jânia, tive de pedir, rogar, implorar mesmo, uma bolsa de estudos na Etfam, Contando minha situação, consegui sensibilizar o pessoal da Assistência Social, essa gente boa... Era Cr$ 50,00, o valor do quarto. Meu irmão renato é quem "segurava as pontas" para comprar o feijão, arroz e jabá. Para isso se tornou um excelente vendedor: bombons, pupunha cozida, cocada, e tudo o que pudesse ter valor de troca nesse capitalismo selvagem... Até hoje meu irmão compra e vende... De tudo, até casa pegando fogo, desde que a prazo para pagar com os lucros da operação...
Nosso pai, que retornara de ssua turnê de 3 anos, aparecu "morto de bêbado" em 1970, em plena copa do mundo, na casa de minha tia Alice. Não tinha onde ficar e tinha de lhe dizer que fosse embora, quase de madrugada, após assistrimos ao vídeotape dos jogos, e de ver os belos gols de Pelé & Cia.
Além de sofre a ausência de minha mãe e de meus irmãso, sofria a ausência de meu pai, e ainda tive de lhe sofrer a presença incômoda na casa de minha tia, que não tinha por ele nenhuma estima...
Aguentei firme por uns cinco meses. Trouxe minha mãe e irmãos do Petrópolis para a Praça 14. Mais perto do meu trabalho, pois teria de morar com eles, "expulso" que fui de minha tia Alice, que continuava ocupada em criar celebridades. Ia e vinha a pé da loja para casa e vice-versa, e para a Etfam à noite, onde iniciava meu curso técnico de Estradas. Isso me levou a uma estafa e a uma gripe "mortal". Fui hospitalizado por isso. Como não tinha ninguém para informar a megera na loja, ela me demitiu. Graças a Deus! Fui ao Cie-e e de novo roguei, implorei, que me conseguissem um estágio... Mas estava apenas no primeiro ano, se estivesse no terceiro... Mas tanto insisti que o Hamilton - grande alma! -, responsável pelo Sie-e, me encaminhou no meio da turma do terceiro ano embora estivesse no primeiro. Era uma roubada, mas vá lá, não timha outra saída.
Assim, fui encaminhado para a Prefeitura, para a Secretaria de Obras, e de lá direto para o campo. Graças a Deus, pois ali tinha mais chances de "esconder" minha ainda insuficiente qualificação... Passei a ganhar dois salários mínimos! Uau! Dobrei os ganhos, além do que passei a ser respeitado como estagiário da Etfam, quase um auxiliar de engenharia, tinha carro para me pegar em casa e levar à noite na Etfam, alimentação... Puxa! Que mudança! Da água para o vinho.
Ao final do estágio fui realmente contratado como Auxiliar de Engenharia, Nível I-A, na Secretaria de Obras, ganhando seis salários mínimos (!). Tinha sido tão bem sucedido, aprendendo tudo sobre as técnicas de construção de ruas fazendo as urbanizações do Parque Dez, Santo Antônio, Colônia Oliveira Machado, Petrópolis, etc., mas também em razão do engenheiro meu chefe ter-se tornado Secretário de Obras. Sorte!
O azar é que Dr. Fonseca, meu engenheiro-chefe era tão bom, mas tão bom, que não voltou de suas férias na Bahia, pois, como bom baiano, por lá ficou em carreira bem mais promissora...
Caí nas garras dos leões: meus "colegas" de estágio. Fizeram com que o chefe da Topografia, para onde fui transferido justamente para ser "moído" pelo "sistema" (um ente despersonalizado ao qual a gente se referia quando não se conseguia determinar a origem do mal), fui demitido por não ter aceitado fazer tarefa reservada a peões desqulificado. O engenheiro que perpetrou essa ignomínia comigo, um homem de pequena estatura - física e moral -, coitado, morreu de cirrose hepática segundo me disseram... Bebia muito. Como geralmente todo esse pessoal de engenharia de campo.
Como mais uma vez me vi desempregado, surgiu uma chance de ganhar algum dinheiro nos Correios. Para lá me dirigi e tirei dez nas provas. O salário era praticamente o mesmo e ainda tinha muito tempo livre para estudar.
Contudo, alguns meses depois, surgiu uma grande chance de passar em uma seleção feita pelo Incra na Etfam, entre alunos do terceiro e do quarto ano de Estradas, para cinco vagas de Topógrafo. Era minha grande chance. Passei! Fui o quarto colocado e fui contratado no Incra em outubro de 1975, ganhando seis salários mínimos. Era o piso de referência do Crea. Ganhava ainda cerca de 25 diárias mensais porque, novamente, fui agraciado com o campo, com a selva. Meus colegas ficaram no escritório.
Já como funcionário do Incra, fiz o meu primeiro vestibular em janeiro de 1976 e passei de cara para a primeira opção: Graduação em Matemática. Pronto! Não tive mais sossego. Todos me olhavam como um ET, visto que somente eu passei e logo para matemática. Uma disciplina que para mim se tornou particularmente prazerosa graças a execelentes professores na Etfam, muitos deles seriam também meus professores na UA (hoje Ufam).
No entanto, minha vida de estudante da UA não foi nada fácil. Meus chefes no Incra - não por culpa deles, é claro -, não me permitiam estudar, pois o horário diurno era incompatível. Tinha de me aausentar do Incra e voltar para compensar horário, mas cada vez mais se tornava insuportável o assédio moral para largar os estudos e cuidar do emprego: ou um, ou outro, segundo diziam.
Em respeito aos colegas, vou omitir alguns de seus nomes.
Com meu pai morrendo de câncer, já em 1977, tive uma das mais ternas dmonstrações de carinho por parte de meus colegas de trabalho: a ida em peso para o funeral de meu pai. Ria e chorava ao mesmo tempo.
Logo após esse triste e ao mesmo tempo bonito episódio, fui chamado à sala do superintendente do Incra, Sr. José Augusto Carioca - que todos tinham na conta de "Coronel" -, na presença  do Assessor do ASI-SNI, Sr. José Maria Castelo Branco, que era também o Executor do Projeto Integrado de Colonização - Tabatinga, e fui comunicado da minha transferência manu militari para Tabatinga, na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru. Meus pés não encontraram o chão! Esbocei a pergunta: "por que?" e tive como resposta palavrões, xingamentos e ameaças de demissão. Não tive como evitar tal violência... Era julho de 1977. Não estava indo bem nos estudos por conta das dificuldades de horário e porque passei 3 meses cuidando de meu pai no hospital. Praticamente ia ao INCRA apenas para assinar o ponto... Meus colegas me davam "cobertura".
Assim, me vi pela primeira vez na vida dentro de um avião seguindo para Tabatinga. Tentei entender isso, mas não achava explicação a não ser uma formaa de perseguição. Hoje sei que foi isso mesmo, pois, como topógrafo, demarcava as terras dos caboclos que não constavam dos Projetos, e por isso era questionado pela chefia. Era colega de acampamento do "comunista" João Pedro Gonçalves, que foi líder estudantilm deputado estadual e suplente de senador (imposto por Lula, quem era amigo de cachaça); ainda gostava de falar muito sobre a situação política do país em um período extremo da ditadura militar. O Incra viva infestado de militares, de quem herdou a metodologia de demarcação topográfica.
Fui demitido em 31.07.77 em Manaus e fui contratado em Tabatinga em 01.08.77. Morei ali 2 anos afastado da família e de todos.
No próximo post falarei desse período no "exílio".


Posse de Sylvio na FES/Ufam

Acabo de receber o convite para a posse de Sylvio Puga como Diretor da Faculdade de Estudos Sociais da Ufam.
Além de meu amigo, Sylvio é dessas pessoas com rara habilidade de angariar amigos. Sou amigo dele gratuitamente, afinal amigo a gente escolhe e é uma coisa para se guardar do lado esquerdo do peito.
Sou testemunha das humilhações pelas quais ele passou como Pró-reitor de Extensão na primeira gestão do Hidembergue, que o tratava sem a cordialidade que se esperaria de uma autoridade desse naipe. Para quem não sabe, aquele reitor era muito hábil em se parecer "democrata" quando na verdade era e é um perfeito autocrata. Ele se cercou de uma truminha da pesada, da qual a atual reitora é dileta representante. Fui seu representante em Brasília, aliás da Ufam, não dele, mas na sua primeira gestão (2001-2005), mas preferi retornar a Manaus depois de um ano.
Sylvio por certo fará um bom trabalho na FES, que precisa de um diretor que vá ao empresariado e às demais autoridades do Estado e do Município a fim de estreitar os laços institucionais e abrir a academia para a sociedade, ainda mais a FES, sob a qual se encontram os cursos de gestão.
Ganhou o pleito com uma vantagem expressiva, de 65% a 35%, demonstrando assim sua liderança à frente dessa Unidade. Com isso, se qualifica para postular cargos maiores, tal como a própria reitoria, malgrado a proximidade do processo já em abril. Não por culpa dele, mas das circunstâncias da greve.
Neste momento, temos de unir forças e tentar emplacar um nome da FES, pois outras Unidades já tiveram oportunidade de "gerir", com aspas, sim, a nossa Ufam, tendo de aprender empiricamente, e agora por que não dar  oportunidade a profissionais?
Se o Sylvio se dispuser - e acho que se disporá -, serei o primeiro a me filiar ao seu exército, assim como fiz com o Hidembergue e depois me decepcionei. Com Sylvio não me decepcionarei, com certeza, pois ele não se esconde por detrás de máscaras.
Na diretoria da Adua-SS estaremos proporcionando debates sobre o processo eleitoral e, mesmo tendo um lado, cuidarei, juntamente com meus companheiros de diretoria, para que o processo seja limpo, aberto, transparente, e que vença o melhor.
Começamos 2013 com ótimas notícias: primeiro com a posse de Arthur, embora com cheiro de dejavur do secretariado, que mais parece saído do tunel do tempo; segundo, com a posse de Sylvio.
 Vamos aguardar novas e gratas notícias...


31 dezembro 2012

Um ano novo cheio de trabalho

Daqui sentado em minha rede, "com a boca escancarada, cheia de dentes", e teclando estas "maltraçadas", desejo que todos tenham muito trabalho para realizar em 2013 e muito mais além!
Pode parecer estranho, mas é justamente isso que desejo a todos, pois, afinal de contas, é no trabalho que nos satisfazemos como humanos, dotados que somos de "habilidades" e, no dizer de Aristóteles, de "capacidades" - físicas, mentais, espirituais, éticas, estéticas", etc.
Nós que estudamos e ensinamos administração, sabemos que é no trabalho que nos realizamos. Parece incrível que o trabalho, instituído por Deus no Eden antes do pecado - e não como castigo (do latim tripalium, um instrumento de tortura) após a queda -, tenha sido recentemente constatado por estudos sociais, pela Pisocologia Social, como sendo o que realmente realiza as pessoas, isto é, aquilo que realmente "motiva" as pessoas em seus afazeres, que satisfaz a alma humana. Isso foi constatado nas pesquisas de Frederick Herzberg, quando testou o nivel de satisfação dos trabalhadores em seus trabalhos em termos de necessidades hierárquicas, estabelecidas por Abraham Maslow, quais sejam: (a) fisiológicas, (b) segurança, (d) sociais, (e) status e (f) realização.
Herzberg sintetizou que certas necessidades (as de "a" a "d" acima) seriam necessidades "neutras" no que tange à motivação, embora insatisfaciente se não atendidas pelos patrões em termos contratuais de trabalho, e pelos estilos de liderança exercidos em termos de supervisão; e as necessidades "e" e "f" acima, estas sim, seriam "motivadoras", pois as motivações estariam mais afetas ao próprio trabalho em si desenvolvido pelos trabalhadores.
Portanto, ao desejar muito trabalho, também espero que o trabalho que as pessoas estão fazendo as satisfaçam realmente. É sabido que as pessoas, na sua grande maioria, não fazem o que gostam, mas fazem o que fazem porque não têm outra saída, ou seja, gostariam de estar fazendo outra coisa. Assim, entre o ideal de um trabalho estimulante e a realidade de um trabalho "obrigatório", que todos façam o seu melhor a fim de que, o mais rápido possível, consigam "aquele" trabalho de seus sonhos.
Domenico Demasi, sociólogo do trabalho da Universidade de Turim, Itália, elege uma série de cargos, do "pior" para o "melhor" (mas todos dignos em sua essência), da seguinte forma:
1) Coveiro - que trabalha com a morte. Não pode haver algo "pior". No entanto, é uma função imprescindível para aqueles que querem ver seus queridos serem dignamente depositados em sua "última morada";
2) Lixeiro - que trabalha com dejetos humanos, com rejeitos, com restos, com odores terríveis, é um trabalho também de suma importância para asociedade, para a saúde pública;
3) Enfermeiro - que trabalha com a "pré-morte", isto é, com a dor, com o sifrimento humano. Embora nem sempre seja para a morte, toda doença acaba sendo sua antecâmara;
3) Operário - trabalha com rotinas cansativas, repetitivas, estressante e alienante, mas entrega aos consumidores, todos nós, os produtos necessários ao imprescindível conforto;
4) Burocrata - De todos os tipos, da iniciativa pública ou privada, geralmente dos serviços administrativos, das atividades-meio, que, assim como o operário, tem uma rotina estressante e extremamente cansativa, mas do qual depende em grande parte os cidadãos também para o conforto e a satisfação de suas necessidades;
5) Professor - Trabalha com atividades intelectuais, com a Ciência, com a pesquisa, com a reprodução do saber, com a formação educadora de jovens e adultos - que também pode ser esstressante -, mas tem muito mais condições de dar satisfação e realização ao espírito, malgrado muitas vezes mal recompensado financeiramente;
6) Artista - É unâmime que "ser artista é ser feliz obrigatoriamente", pois esse profissional trabalha se divertindo e divertindo os outros, e ainda ganha infinitamente bem por isso, embora, muitas vezes, se esqueçam que a dimensão humana não se afasta do artista e de nenhuma outra atividade. Até mesmo o palhaço pode estar divertindo os outros de coração partido e sofrendo muito por trás da máscara.
Claro que isso é apenas ilustrativo. Qualquer dessas profissões pode dar muita satisfação se aquele que as pratica o faz pensando no bem que sua atividade representa para a sociedade.
Pensando assim, se temos saúde, que possamos imprimir toda a nossa capacidade e energia em realizar aquilo que se nos estiver à mão, a fim de que alcancemos aquilo que mais desejamos, seja um novo trabalho, seja uma nova função, um trabalho no qual mais pudermos estar satisfeito.
Que Deus nos diga a cada um de nós: sejais fecundos! Dominai a Terra! Que a Terra vos seja sujeita!
Amém!

28 dezembro 2012

Minha vida - Parte VI - docência superior (1990 - 2000)




Durante o tempo em que ocupei (com o apoio do senador Carlos Alberto De Carli), o cargo de delegado federal da agricultura do Amazonas, de 1988 a 1990, sendo ministro Iris Resende, ocupei por diversas vezes o assento de conselheiro da Suframa, um dos postos mais honrosos de minha vida.
Desempenhei bem minha missão como delegado, dentro de minhas possibilidades, e da precária estrutura agrária do Estado em razão da quase total dedicação dos governadores, sem exceção, ao Distrito Industrial da Suframa, de onde o governo aufere suas maiores receitas com ICMS, deixando o interior do Estado em quase completo abandono. Para terem uma ideia do abandono do setor primário, eu era saudado pelo epíteto de "representante do setor primitivo", que sobrevivia de slogans do tipo “Terceiro ciclo” (com Amazonino distribuindo implementos agrícolas de forma eleitoreira, inclusive moto-serra, Santo Deus!, que acabavam sendo vendidas pelos caboclos por falta de peças de reposição e combustível), ou “Zona franca verde” (com Eduardo Braga mandando o Zé Melo fazer a mesma coisa, e com a Afeam distribuindo recursos a fundo perdido – via anistia - para os prefeitos assegurarem os votos do interior).
Os agro-pecuaristas do Estado viviam no campo por puro idealismo. Tirando as regiões de Boca do Acre, Apuí, Autazes, Manacapuru, Itacoatiara e Parintins, onde a pecuária é mais forte, apenas Coari, com opetróleo e gás, e Presidente Figueiredo, com minérios, o restante do interior é um grande vazio demográfico e econômico. Mais de 90% das atividades econômicas e da geração de receita tributária se encontram concentradas em Manaus. Isso um dia vai cobrar se preço - e já está cobrando em termos de superpopulação e deficiência em infraestrutura urbana, tais como transportes, habitação, fornecimento de água e de enrgia - como no passado do ciclo da borracha, quando Manaus terminou como de "porto de lenha" (em alusão ao combustível utilizado pelos barcos a vapor).
Como a Constituição Federal estava sendo elaborada desde 1986, ano em que foram eleitos os congressistas com Poder Constituinte - tendo o então deputado federal Bernardo Cabral como relator, um dos políticos amazonenses de rara habilidade, tendo preterido FHC e Pimenta da Veiga como relator -, dele tornei-me amigo e acompanhei de perto seu trabalho em Brasília, onde, como delegado federal da agricultura, estive constantemente participando de reuniões. Na época também era estudante de direito na "jaqueira" (denominação carinhosa da Faculdade de Direito da Ufam), curso que somente iria concluir em 1992 em razão das dificuldades de tempo e necessidade de ganhar dinheiro.
Com a eleição de Fernando Collor para presidente em 1989, o qual tinha uma grande admiração por Bernardo desde os tempos de relator, o escolheu em primeiro plano como ministro da Justiça e coordenador político. Nesta posição, me convidou para assumir o INCRA no Amazonas, o que me deixou perplexo e ao mesmo tempo honrado com o convite, e também preocupado com as resistências de que seria vítima, pois o INCRA sempre foi um órgão cobiçado pelos políticos locais em razão das possibilidades de ganhos - políticos e de outra ordem, se é que me entendem. Para terem uma ideia dessa "resistência", fui convidado por Bernardo em janeiro de 1990 e somente fui nomeado em agosto do mesmo ano.
As eleições de 1990 para governo do Estado, senador e deputados estaduais e federais foram decisivas para a saída de Bernardo do ministério e a minha saída do INCRA, pois o governo Collor “perdera” as eleições nacionais, pois as velhas raposas da política regional, ACM, Mestrinho, Sarney, Lobão, etc., voltaram à cena e cobraram a "conta" do "cabo-de-força" travado pelo governo federal contra suas pretensões, o que equivalia pedir a “cabeça” de Bernardo. O Brasil somente se livra dessas figuras nefastas pela solução biológica! O próprio Collor, como é sabido, viria a se demonstrar parte dessa corja.
Contudo, instado pelo presidente do Incra, José Reinaldo Tavares da Silva, elaborei um relatório devastador sobre as condições reinantes no INCRA e na Reforma Agrária no Amazonas, o qual rendeu de cara um Inquérito Administrativo no órgão e cerca de 18 Inquéritos na Polícia Federal, com gente sendo inclusive condenada. Como não tinha compromisso maior senão com a verdade e com minha consciência – sem ser santo e nem herói -, deixei esse Relatório de legado e o projeto de construção da estrada que ligaria Apuí a Novo Aripuanã – um velho sonho daquela gente do Madeira.
O fato pitoresco é que esse meu retorno ao INCRA como superintendente se deu após dez anos da minha demissão como topógrafo, e meus antigos companheiros instavam, na maior gozação, aos também meus antigos detratores e "perseguidores" a me “sacanearem” nessa nova e improvável situação, fazendo-os ver quão imponderáveis são os caminhos de Deus. Contudo, a vida nos ensina a não pagar com o mal o mal que nos fazem, ainda mais em posição de mando, quando se sabe que mais difícil que perseguir é perdoar e unir a todos em torno dos objetivos organizacionais. Sinceramente, nunca guardei mágoas contra quem quer que seja. Tratei a todos com lhaneza e profissionalismo.
Fora do Incra, fiquei desempregado novamente. Iniciei então minha vida acadêmica como docente de administração do Centro Integrado de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa), a primeira Instituição privada de ensino superior do Amazonas, que teve início no prédio da Djalma Batista, onde funcionava o CIEC (de níveis fundamental e médio, pertencente a Orígens Martins, de linha salesiana) . Como professor dessa Instituição, dei início ao curso de especialização em docência superior, que terminaria juntamente com o curso de direito em 1992.
Também, de novembro de 1990 a 1992, cuidei da Secretaria Geral do PTB, no qual ingressei em 1986 a convite do professor Plínio Ramos Coelho, ex-governador do Estado, que foi meu professor de direito comercial. Organizei o PTB em todo o Estado por conta do senador Carlos Alberto De Carli, o qual me convidou para assumir o cargo de delegado federal do Ministério dos Transportes e das Comunicações - MTC, que foram desmembrados por Collor do Ministério da Infraestrura. Assumi esse novo posto em pleno processo de impeachiment do presidente, o que não me possibilitou grandes realizações a não ser tocar o dia-a-dia do órgão e me dedicar em terminar o curso de Direito.
Em 1994 pedi e a Comissão de Anistia do INCRA me concedeu a minha anistia política por conta da minha transferência manu militari para Tabatinga entre 1977-79, fazendo assim justiça. Por conta da anistia, fui reintegrado ao INCRA de novo como topógrafo, mas tive de novamente pedir exoneração por não poder acumular esse cargo com o de professor concursado da UFAM.
Cansado de ocupar cargos comissionados - e já anistiado no INCRA -, prestei em 1995 concurso para professor do curso de Administração da Ufam, tendo sido aprovado juntamente com meu colega Afrânio Soares, ambos concorrendo para a cadeira de administração de vendas, que pertencera ao professor Nilton Lins, de quem fui aluno (e seu filho Niltinho foi meu colega de curso e direito). Portanto, ingressei na Ufam como professor desde esse tempo, onde fiz o meu mestrado em convênio com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), entre 1997-99. Também em 1998 assumi, com muita honra, a chefia do Departamento acadêmico de Administração, função que desempenhei até 2001, quando fui morar em Brasília como Representante da UFAM.
No próximo post relatarei minhas outras atuações na UFAM e outras experiências.




26 dezembro 2012

Minha vida - Parte V (vida acadêmica - 1980 a 1990)

Quando terminou meu "exílio" involuntário no Incra de Tabatinga, onde fui obrigado a trabalhar de julho de 1977 a julho de 1979, retornei a Manaus. Minha mulher Suderly veio na frente gestante de nosso primeiro filho Adriel, que nasceu em Manaus no dia 2 de janeiro de 1980, justamente quando prestava meu segundo vestibular, desta vez para administração noturno. Graças a Deus fui novamente aprovado, mesmo correndo da maternidade para a sala de provas.
Com os parcos recursos que consegui guardar, comprei uma casinha de madeira no beco São João, na da Rua de Dr. Machado, entre as ruas Visconde de Porto Alegre e Duque de Caxias
Minha opção por administração decorreu, de um lado, da necessidade, pois como chefe da topografia em Tabatinga tive grandes dificuldades em lidar com as questões burocráticas típicas da Administração Pública e, de outro lado, em razão da alentada possibilidade que o Incra me dava de finalmente poder estudar caso o curso fosse noturno. Ledo engano! Isso era dito apenas para que eu aceitasse suas imposições porque imaginavam que não passaria. Se enganaram duplamente.
Como percebi que a perseguição apenas ficara mais sutil e que não cessaria, me insurgi contra as viagens que duravam no mínimo 15 dias (que me rendiam boas diárias, diga-se) e me inviabilizavam os estudo mesmo que fosse noturno, e fui demitido do Incra em maio de 1980. Foi a segunda vez que isso acontecia comigo no Incra de Manaus. Mas havia uma esperança. Meus amigos de Incra que não aguentaram a pressão e se mudaram para o recém criado Instituto de Terras do Amazonas pelo governador José Lindoso, que funcionava dentro do Palácio Rio Negro, me incentivaram a ir trabalhar com eles. O governo Lindoso - em que pese fosse preposto do governo militar, cujo presidente era o general João Batista Figueiredo -, foi um dos maiores governadores do Amazonas, reconhecidamente um homem honesto como poucos, professor de direito constitucional da Unb.
Não sei de onde tirei forças para IMPOR CONDIÇÃO (?!) para ir trabalhar no Iteram, pois exigi que não tivesse de viajar em razão de minhas aulas. Para minha surpresa, o diretor técnico Isaías e o presidente Bernardes Lindoso aceitaram "minhas imposições", santo Deus! Isso foi para mim inacreditável... Se o Incra jamais deixaria de fazer parte de minhas recordações como de um amor não correspondido, o Iteram jamais sairá de minhas recordações como de uma companheira leal. Pelo menos até o momento de mudança de guarda quando do início do governo mestrinho em março de 1983.
Um ano após essa minha transferência para o Iteram nasceu meu segundo filho, o André. As coisas para mim iam ficando difíceis financeiramente, pois, sem as viagens e com o processo inflacionário galopante, os preços não paravam de subir e o salário não acompanhava nem de longe esse descompasso.
O processo político a partir de 1980 ia se desenrolando para a redemocratização do país entre ameaças de retrocesso. Antigos políticos caçados pelo regime iam retornando à cena, para o bem ou para o mal.
No plano nacional ia se formando uma aliança em torno de Tancredo Neves, tendo como coadjuvantes Ulisses Guimarães, Antonio Carlos Magalhães, Leonel Brizola, e outros. No plano local a figura carismática de Gilberto Mestrinho retornou com a antiga força e conquistou o governo nas eleições de 1982. Isso para mim foi particularmente complicado uma vez que fora obrigado a apoiar (com desempenho técnico, é bom que se diga, na função de Chefe da Cartografia do Iteram, introduzindo a informática no cálculo e no desenho topográficos, tornando possível multiplicar por 100 os processos de titulação) ao perdedor Josué Filho, que se demonstrou depois um político extremamente pragmático, se é que me entendem, capaz de sujeitar qualquer ambição pessoal na política local por cargos menos importantes mas capaz de lhe garantir e à sua prole um futuro material tranquilo, como radialista, dono de emissora de rádio, deputado estadual, secretário de estado e conselheiro do TCE. Uma carreira, digamos, bem sucedida...
Quando os paus mandados de Mestrinho adentraram o Iteram, com sangue na boca e faro aguçado pelo queijo, comandados por João Mendonça - ex-advogado criminalista de Carlos Alberto De Carli, vindo do Banco de Rondônia, que já tinha sido diretor do Incra em Brasília -, e partiram para o butim, me vi obrigado a enfrentá-los com as únicas armas de que dispunha: competência e honestidade. Com essas armas a gente até perde as batalhas, mas, creio, a guerra final entre o bem e o mal será ganha. Afinal de contas a norma do Juízo será a maneira como empregamos em nossa vida o conhecimento que temos das leis morais de Deus. Tentaram provar, debalde, minhas incompetência e desonestidade. Tiveram que me demitir em maio de 1984 sob a "acusação" de ser "do PDS", o partido do governo federal originário da Arena (Aliança Renovadora Nacional). Não era. Quem acusava são esses mesmos que hoje fazem parte da Quadrilha Federal desde 2003, com Lula et caterva.
Foram momentos extremamente difíceis ao ponto de ter de vender meu carro, um "Corcel 76" - que conseguira comprar em 1982 a duras penas, trabalhando aos finais de semana - para pagar dívidas e conseguir atravessar o próximo ano de desemprego. Contudo meu objetivo maior estava conseguido. Me formei em administração em agosto de 1984, que cursei sem ter sido reprovado em nenhuma disciplina. Fui o orador da turma. E me filiei ao PDS para militar na oposição. Gosto de remar contra a corrente, não?!
No entanto, essa demissão permitiu que rompesse com os cargos de nível médio e que eu fosse contratado como administrador em maio de 1985 na Fundação Centro de Apoio ao Distrito Agropecuário (Fucada), da Suframa, que era comandada por Johnny De Carli, de quem ficara amigo no Iteram, onde o mesmo fora diretor técnico no período de 1983 a 1984, e que passou a onhecer de perto minha competência como chefe da cartografia. O mesmo se dirigiu à minha velha casa de madeira - onde curtia um misto de alegria pela formatura e desespero pelo desemprego - e me fez até hoje uma das melhores surpresas da minha vida: me anunciou que assumira a Diretoria da Fucada e me perguntou se eu queria ser "diretor administrativo". Caí de joelhos agradecido a Deus e chorando o abracei.
Esse emprego na Fucada representou para mim um "laboratório" de administração, pois tive de estruturar a Fundação, aprovar seu PCCS, estruturar seus centros de custo, acompanhar e fiscalizar a eletrificação da fazenda, etc. Não era fácil ir e vir todo dia embora fossem 38 km de rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista), que pr esse tempo não estava asfaltada, demorando uma hora de viagem em pleno chão batido e muita, muita lama. Escapei de morrer duas vezes no mesmo dia quando o carro em que viajava rodou na pista, e quando uma caçamba rodou em minha frente em outro trecho. Frear não adiantava.
Em junho de 1985, nasceu meu terceiro filho, o Alexandre, mas infelizmente meu casamento com Suderly já não estava tão bem assim. Nada resiste a tantas provas pelas quais passei, pelas humilhações em família, e pela fofoca (que termina por se materializar como se fosse uma autoprofecia - depois trato do assunto)... Meu casamento acabou em 1989, quando me separei para morar sozinho (embora muitos acreditem que deixei a Suderly por outra mulher, mas essa "profecia" acabou se materializando, para minha desgraça, pois me envolvi com uma mulher que vivia se dizendo minha amante...
Quando o Johnny deixou a Fucada e foi para a Delegacia Federal do Ministério da Agricultura em 1986, também deixei a fazenda modelo da Fucada (que na verdade pertencia, como de direito pertence, à Ufam) e fui trabalhar na sede da Suframa como vice-presidente da Associação dos Servdores da Suframa (Asframa). Boa experiência de direção de uma associação.
Em 1988, o Johnny foi eleito vereador de Manaus pelo PTB, partido ao qual me filiara em 1986 a convite do ex-governador Plínio Coelho, na Faculdade de Direito desde janeiro de 1985, quando passei em meu terceiro vestibular. Fui fazer o curso sem pensar em ser advogado, mas para me preparar melhor como administrador, minha verdadeira paixão acadêmica.
Trabalhamos juntos, Johnny e eu, até 1990, quando o mesmo abandonou a vereança e se mudou para Minas Gerais, ou Rio de Janeiro, não sei ao certo. Me reencontrei uma única vez com ele e depois nunca mais. Mantenho por ele uma enorme gratidão. Que Deus o guarde.
Todavia, ocupei o mesmo cargo que o Johnny ocupou, eu o sucedi mesmo, como Delegado Federal da Agricultura, entre 1988 e 1990, o mesmo período no qual o Johnny foi vereador.
Nos próximos posts falarei de minhas experiências docentes e acadêmicas no Ciesa e na Ufam. E de meus descaminhos familiares e religiosos.

22 dezembro 2012

Quero me solidarizar com todos neste final de ano, particularmete com meus colegas professores do ANDES-SN e da ADUA-SS, ainda mais diante da aprovação do PL 121-12 pelo Senado (cf, último comunicado do CNM), sem nenhuma discussão, como se fosse um departamento do governo federal, se agachando de forma vergonhosa ao Poder Executivo. O mal cobra seu preço, mais cedo ou mais tarde. O país caminha de lado como um carangueijo. O PT esgotou o Plano Real em seus fundamentos: a) abandonou o câmbio flutuante; b) abandonou o superávit primário para custear a máquina perdulária; c) abandonou a Responsabilidade Fiscal; d) abandonou a meta inflacionária. O pibinho da Dilma se sustenta apenas no consumo das famílias. Não há investimentos no país, nem com capital próprio, nem com capital estrangeiro. Continuamos a ser um país campeão em analfabetismo, concentração de renda, infraestrutura arrebentada (portos, aeroportos, estradas rodo-ferroviárias, geração de energia, serviço de celular e internet precário e caríssimo, etc.). O PIB não passa de 1%, enquanto os paíse do BRICS é de 5% em média. Se a área de serviços entrar em crise e as famílias endividadas parar de comprar, booom! O engraçado é que esse diagnóstico aparece nas pesquisas, mas os mesmos brasileiros aprovam o governo com índice absurdo de 65%, de maneira esquisofrênica. Por falta de oposição no país, que entrou de férias em 2003... Desculpem a chatice dessa análise, mas é o sentimento que passa neste momento

21 dezembro 2012

Isenção de IR para os professores!

Finalmente alguém no Congresso se lembrou de propor uma Lei verdadeiramente em favor do ensino no país. Se o governo não se sensibiliza para com a categoria dos professores, tão hipocritamente reverenciada - todos são a favor dos professores, etc, e tal -, o deputado Sérgio Petecão dá uma bela demonstração pragmática de como ser a favor de uma causa justa. Dá-lhe, Petecão!!!
Deu no blog Radar on-line, de Lauro Jardim, em Veja,com:

Isenção de IR
Em pauta
Sérgio Petecão tirou da manga uma ideia polêmica: apresentou um projeto de lei, que está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, propondo isenção de Imposto de Renda para todos os professores do país – sejam de instituições públicas ou privadas.
Para se ter ideia da brincadeira, o Brasil conta hoje com cerca de dois milhões de professores só no Ensino Básico.

20 dezembro 2012

‘O inimputável’, editorial do Estadão


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA

Eis a palavra de ordem: Luiz Inácio Lula da Silva paira acima da Justiça, e o seu detrator, o publicitário Marcos Valério, é um desqualificado. Desde que, na semana passada, este jornal revelou que o operador do mensalão, em depoimento à Procuradoria-Geral da República, em setembro último, acusou o ex-presidente de ter aprovado o esquema de compra de votos de deputados e de tirar uma casquinha da dinheirama que correu solta à época do escândalo, o apparat petista e os políticos governistas apressaram-se a fazer expressão corporal de santa ira: “Onde já se viu?!”
Apanhado em Paris pela notícia da denúncia, Lula limitou-se a dizer que era tudo mentira, alegou indisposição para não comparecer a um jantar de gala oferecido pelo presidente François Hollande à colega brasileira Dilma Rousseff e, no dia seguinte, fugiu da imprensa, entrando e saindo dos recintos pela porta dos fundos─ algo não propriamente honroso para um ex-chefe de Estado que se tem em altíssima conta. Em seguida, usando como porta-voz o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, declarou-se “indignado”. Outros ministros também se manifestaram. Como nem por isso as acusações de Valério se desmancharam no ar, nem o PT ocupou as praças para fulminá-las, os políticos tomaram para si a defesa do acusado.
Na terça-feira, um dia depois do término do julgamento do mensalão, oito governadores se abalaram a São Paulo em romaria de “solidariedade” a Lula, na sede do instituto que leva o seu nome. De seu lado, a bancada petista na Câmara dos Deputados promoveu na sala do café da Casa um ato pró-Lula. Foi um fracasso de bilheteria: poucos parlamentares da base aliada (e nenhum senador) atenderam ao chamado do líder do PT, Jilmar Tatto, para ouvir do líder do governo Dilma, Arlindo Chinaglia, que Lula “é (sic) o maior presidente do Brasil”, além de “patrimônio do País”, na emenda do peemedebista Henrique Eduardo Alves, que deve assumir o comando da Câmara em fevereiro. Não faltaram, naturalmente, os gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.
Já a reverência dos governadores ─ aparentemente, uma iniciativa do cearense Cid Gomes ─ transcorreu a portas fechadas. Havia três petistas, dois pessebistas (mas não Eduardo Campos, que se prepara para ser “o cara” em 2014 ou 2018), dois peemedebistas e um tucano, Teotônio Vilela Filho, de Alagoas, autodeclarado amigo de Lula. Seja lá o que tenham dito e ouvido no encontro, os seus comentários públicos seguiram estritamente a cartilha da intocabilidade de Lula, com as devidas variações pessoais. Agnelo Queiroz, do PT do Distrito Federal, beirou a apoplexia ao proclamar que Valério fez um “ataque vil, covarde, irresponsável e criminoso” a Lula. “Só quem confia em vigarista dessa ordem quer dar voz a isso.”
Não se trata, obviamente, de confiar em vigaristas, mas de respeitar os fatos. Valério procurou o Ministério Público ─ não vem ao caso por que ─ para fazer acusações graves a um ex-presidente e ainda figura central da política brasileira. Não divulgá-las seria compactuar com uma das partes, em detrimento do direito da sociedade à informação. Tudo mais é com a instituição que tomou o depoimento do gestor do mensalão, condenado a 40 anos. Ainda ontem, por sinal, o procurador-geral Roberto Gurgel, embora tenha mencionado o contraste entre as frequentes declarações “bombásticas” de Valério e os fatos apurados, prometeu examinar “em profundidade” e “rapidamente” as alegações envolvendo Lula.
Não poderia ser de outra forma. “Preservar” o ex-presidente, como prega o alagoano Teotônio Vilela Filho, porque ele tem “um grande serviço prestado ao Brasil”, é incompatível com o Estado Democrático de Direito. O que Lula fez pelo País pode ser aplaudido, criticado ou as duas coisas, nas proporções que se queiram. O que não pode é torná-lo literalmente inimputável. Dizer, por outro lado, como fez o cearense Cid Gomes, que Valério não foi “respeitoso com a figura do ex-presidente e com a memória do Brasil” põe a nu a renitente mentalidade que evoca a máxima atribuída ao ditador Getúlio Vargas: “Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”.