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03 março 2013

O JEITO PETISTA DE CENSURAR

Difamar é o negócio desses dois petistas

DINHEIRO PÚBLICO -- André Guimarães (à dir.) trabalha no gabinete do   deputado André Vargas, vice-presidente da Câmara (Fotos: Juliana Knobel /   Frame / Estadão Conteúdo)
DINHEIRO PÚBLICO -- André Guimarães (à dir.) trabalha no gabinete do deputado André Vargas, vice-presidente da Câmara (Fotos: Juliana Knobel / Frame / Estadão Conteúdo)
Texto de Hugo Marques publicado na edição de VEJA que está nas bancas

DIFAMAR É O NEGÓCIO
Petista que criou rede para denegrir adversários agora vende a tecnologia a prefeituras do partido
São muitas as histórias de anônimos que alcançaram a fama por meio da internet. O petista André Guimarães tem planos ambiciosos nessa direção. Criador da RedePT13, uma organização virtual formada por perfis falsos e blogs apócrifos usados para atacar aqueles que são considerados inimigos do partido, ele já é uma celebridade entre seus pares.
Se é preciso espalhar uma mentira para difamar alguém, Guimarães é acionado. Se for apenas para ridicularizar um oponente, o rapaz conhece todos os caminhos sujos. Na visita da blogueira Yoani Sánchez, ele trabalhou como nunca. A rede postou montagens fotográficas, incentivou os protestos e difundiu um falso dossiê produzido contra ela pela embaixada cubana. O problema é que o “ciberguerrilheiro” petista sustenta sua atividade criminosa com dinheiro público, dinheiro do contribuinte.
André Guimarães é funcionário do Congresso. Está lotado e recebe salário no gabinete do deputado André Vargas, o atual vice-presidente da Câmara e secretário nacional de comunicação do PT. Mas, como dito, o rapaz é ambicioso.
Ele está montando uma espécie de franquia. Quer expandir sua rede de difamação por todo o país. Os alvos, é claro, são os adversários do PT. Os financiadores, como sempre, os cofres públicos. Com as credenciais de homem da cúpula nacional petista, Guimarães está percorrendo municípios do país para oferecer a prefeitos e vereadores seus serviços.
Identificando-se como “consultor de mídias sociais”, ele oferta aos mandatários petistas um pacote, como ele diz, já testado e aprovado: a tecnologia de utilização das ferramentas da internet para desqualificar adversários políticos e espalhar na rede as versões de interesse do cliente. Mas, como nem petista trabalha de graça, o pacote, dependendo da amplitude, custa entre 2.000 e 30.000 reais.
Um dos primeiros interessados na franquia de Guimarães foi o prefeito de Jaciara (MT), Ademir Gaspar, que confirmou as negociações. O rapaz também já esteve em São Bernardo do Campo (SP), Ubatuba (SP) e Vitória da Conquista (BA) — quatro das 635 cidades administradas pelo partido. Um amplo e milionário mercado que pode render bons e lucrativos negócios.
Procurado, o consultor se atrapalhou todo na hora de se explicar. Primeiro, tentou negar que seu trabalho para “melhorar as mídias desse pessoal que tem mandato” seja remunerado. Depois, admitiu que até poderia levar algum dinheiro, mas era coisa pequena, quase um agrado voluntário: “Existe, sim, a possibilidade de quem quiser me pagar eu aceitar”.
(CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)
Mais adiante, reconheceu que cobra um valor das prefeituras interessadas: “Se eu for fazer uma consultoria dessas aí, vai ser 2.000 reais por mês”.
Indagado sobre as atividades do subordinado, o deputado André Vargas se disse surpreso: “Ele trabalha comigo, mas eu não sabia disso, não. É informação nova. Vou avaliar”. Outro dia, o presidente do Congresso, Renan Calheiros, demitiu duas estagiárias do Senado por causa de um comentário, considerado indecoroso, que elas fizeram na internet sobre um rato que apareceu nas dependências do Senado.
André Guimarães não corre esse risco. Em maio, ele será um dos destaques do encontro nacional dos chamados “blogueiros progressistas”, espécie de tropa de elite dos difamadores a serviço do PT. O encontro vai acontecer em Fortaleza.
A lista de atrações do evento reúne desde Lula até o mensaleiro José  Dirceu.

Gustavo Ioschpe: Como identificar um bom professor


O que faz um bom professor? (Foto: Fernanda Preto)
O que faz um bom professor? (Foto: Fernanda Preto)
Artigo publicado em edição impressa de VEJA

COMO IDENTIFICAR UM BOM PROFESSOR
“Você seria capaz de descrever as qualidades daquele professor especial que teve no passado, de forma que os atributos dele pudessem ser copiados por todos os outros professores em atividade? Essa é uma pergunta difícil”
Vou fazer uma pergunta fácil: você teve algum professor especial, que fez diferença na sua vida? Se você passou mais de dez anos estudando, aposto que não apenas a resposta foi positiva, como imediatamente lhe veio à mente aquele(a) professor(a). Agora, uma pergunta mais difícil: você poderia descrever as qualidades desse professor especial, de forma que seus atributos pudessem ser copiados por todos os outros professores em atividade?
Uma série de estudos demonstra que um bom professor exerce influência substancial sobre seus alunos, não apenas durante o período escolar mas por toda a vida. Boa educação melhora a saúde, diminui a criminalidade e aumenta o salário. Eric Hanushek, pesquisador de Stanford, calcula que um professor que esteja entre os 25% do topo da categoria e que tenha uma turma de trinta alunos gera, a cada ano, um aumento na massa salarial desses alunos de quase 500 000 dólares ao longo da vida deles.
O problema é que, mesmo que todos saibam intuitivamente quem é um bom professor, ainda não conseguimos explicar e decompor o seu comportamento de forma que seja possível identificar os bons profissionais, promovê-los e reproduzir a sua atuação. Os estudos estatísticos, que se valem de dados facilmente quantificáveis, nos trazem alguns bons indícios – por exemplo, a experiência do professor só importa nos dois a cinco primeiros anos de carreira; professores que faltam às aulas têm alunos que aprendem menos; professores que obtiveram notas melhores em testes padronizados, estudaram em universidades mais competitivas e têm mais habilidade verbal exercem impacto positivo sobre o aprendizado dos alunos; quanto mais sindicalizados os professores, mais eles faltam e mais insatisfeitos estão com a carreira; e professores com expectativas mais altas para seus alunos também obtêm resultados superiores.
Essas são todas variáveis “de fora”; estudos mais recentes começam a entrar na escola e na sala de aula e tentam explicar os componentes de um bom professor.
Um estudo lançado em janeiro representa um grande passo à frente (esse e todos os outros estudos citados aqui estão em www.twitter.com/gioschpe). Patrocinado pela fundação Bill & Melinda Gates, ele conseguiu criar um “mapa da mina” para a identificação de bons professores, depois de acompanhar milhares de professores e alunos em sete distritos escolares americanos (incluindo Nova York, Dallas e Denver) ao longo de três anos.
Normalmente, só cito neste espaço estudos publicados em revistas acadêmicas ou simpósios, que são revisados e criticados por outros acadêmicos, porque é pequena a probabilidade de uma fundação privada reconhecer em um relatório que, “depois de três anos de esforços e milhões de dólares gastos, não encontramos nada de relevante”. Nesse caso, porém, creio que a exceção é justificada, não apenas por se tratar de uma fundação séria, que chamou pesquisadores renomados para o trabalho, mas também por seu design inovador.
Em 2009-2010, o estudo tentou criar instrumentos que identificassem professores competentes. Chegou a um menu de três itens: observação de professores em sala de aula, questionários preenchidos pelos alunos e ganhos dos alunos em testes padronizados, ou seja, quanto os alunos daquele determinado professor ganhavam em aprendizado de um ano a outro nesses testes (equivalentes ao nosso Enem ou Prova Brasil).
"Você teve algum professor especial, que fez diferença na sua vida?" (Foto: Getty Images)
"Você teve algum professor especial, que fez diferença na sua vida?" (Foto: Getty Images)
Fez-se um trabalho cuidadoso para estabelecer quem deveria observar os professores, quantas vezes e olhando para quais dimensões; como inquirir os alunos; e, no quesito valor agregado, teve-se a precaução de controlar uma série de variáveis dos alunos (status social, situação familiar etc.) para que se pudesse isolar a qualidade do professor, não do aluno.
Mesmo com todos esses cuidados, ainda há muito que não sabemos nem controlamos que pode interferir nos resultados. Pode ser que os melhores alunos procurem os melhores professores, ou que os melhores professores escolham dar aulas para turmas ou séries melhores, e aí o que pareceria o impacto do professor seria uma complexa interação entre professores e alunos que inviabilizaria qualquer análise.
(Seria como examinar a eficácia de um médico julgando apenas a taxa de cura dos seus pacientes. Se os casos mais complicados procuram os melhores médicos, ou se os melhores médicos procuram os pacientes mais intratáveis, é provável que os melhores médicos e os piores tenham pacientes com expectativa de vida similar, apesar de terem competências radicalmente distintas.)
A fundação então conseguiu fazer o que se faz nas ciências exatas para isolar o efeito de uma variável: no ano seguinte, distribuiu os professores aleatoriamente. A turma a que cada um ensinaria foi totalmente determinada por sorteio. Mais de 1 000 professores, atendendo mais de 60 000 alunos, participaram. E os resultados são fascinantes.
Em primeiro lugar, a performance esperada dos professores ficou muito próxima da performance real (ambas medidas pelo aprendizado de seus alunos). Ou seja, os professores identificados como bons através das observações de seus pares, questionários de alunos e valor agregado em anos anteriores continuaram, gros­so modo, sendo bons professores ensinando a turmas aleatoriamente escolhidas.
Em segundo lugar, foi possível sofisticar o modelo. Testaram-se quatro variações das ferramentas de avaliação dos professores, e notou-se que uma das melhores combinações era aquela que dava peso igual (33% a cada um) aos três componentes (performance em teste, observação e questionário de alunos).
Quando alguns professores reclamam que é reducionismo avaliá-los somente pela performance de seus alunos em testes, aparentemente têm razão: é melhor adicionar essas duas outras variáveis. Também se testaram vários modelos diferentes de observação docente, desde aquele em que o professor é avaliado por seu diretor até versões mais complexas.
Os modelos mais confiáveis se mostraram aqueles em que o professor foi avaliado por pelo menos quatro observadores, em aulas diferentes, sendo dois deles pessoas da administração da escola (é importante que seja mais de uma para evitar a influência de conflitos/preferências pessoais) e dois, outros professores, treinados para a tarefa.
Nenhum estudo é definitivo, muito menos um feito por uma fundação, e nada garante que os mesmos achados serão encontrados no Brasil, ainda que normalmente o que apareça nos Estados Unidos também se verifique aqui. Mas, ante o modelo atual, obviamente fracassado, em que o professor é contratado por concurso no início da carreira e depois fica esquecido em sua sala de aula, fazendo o que bem entender e sendo promovido por nível de estudo e experiência, o horizonte descortinado por essa pesquisa é bem mais promissor. Precisamos encontrar e premiar os bons professores.
E ter ferramentas objetivas e mensuráveis para tirar os maus profissionais da sala de aula. Sem isso, dificilmente sairemos dessa pasmaceira.

‘Lula, aliás Lincoln’, editorial do Estadão

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

Lula deu agora para se comparar com Abraham Lincoln. A maior afinidade com o presidente responsável pela abolição da escravatura nos Estados Unidos, Lula a vê diretamente relacionada com a postura crítica da imprensa em relação a ambos: “Esses dias eu estava lendo o livro do Lincoln. E fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860, igualzinho bate em mim”. Com seu habitual descompromisso com a seriedade, Lula pretendeu ombrear-se com um dos maiores vultos da História e, ao mesmo tempo, mais uma vez desqualificar o trabalho da imprensa, a quem acusa do imperdoável crime de frequentemente contrariar suas opiniões e interesses. Foi um dos melhores momentos de seu show de meia hora durante as comemorações dos 30 anos da CUT, na última quarta-feira em São Paulo.
Essa nova bravata do Grande Chefe do Partido dos Trabalhadores (PT) não chega a ser novidade. É apenas mais uma a enriquecer a já alentada antologia das melhores pérolas de seu sofisticado pensamento político-filosófico. Novidade é a revelação de que Lula anda lendo livros. Confessou-o explicitamente, em tom de blague, dirigindo-se ao ministro Gilberto Carvalho, que fazia parte da mesa. “Estou lendo muito agora, viu Gilberto? Só do Ricardo Kotscho e do Frei Betto, li mais de 300″, exagerou, em simpática referência a dois ex-colaboradores com quem já manteve relações mais estreitas.
Depois de falar mal da imprensa, Lula sugeriu que, diante da “falta de espaço” para as questões de interesse dos assalariados na mídia “conservadora”, os sindicatos de trabalhadores se articulem para ampliar e tomar mais eficazes seus próprios meios de comunicação. Uma recomendação um tanto ociosa, pelo menos do que diz respeito à CUT, que dispõe de uma ampla rede de comunicação integrada por uma emissora de televisão, três de rádio, dois sites de notícias, dois jornais e uma revista mensal. Mas o verdadeiro problema não é exatamente a existência ou não de veículos de comunicação abertos às questões de interesse das organizações sindicais, mas o nível de credibilidade e, consequentemente, de audiência e leitura desses veículos.
Na verdade, o que o lulopetismo ambiciona para a consolidação de seu projeto de poder é dispor de mecanismos de controle da grande mídia, dos jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão que atingem o grande público e por essa razão têm maior peso na formação de opinião. Por entenderem que a maior parte da grande mídia está comprometida com interesses das “elites” e, por essa razão, é “antidemocrática”, o PT e seus aliados à esquerda defendem a criação de mecanismos que permitam a “democratização dos meios de comunicação”. Trata-se de um argumento absolutamente falacioso, pela razão óbvia de que, se a grande mídia tivesse realmente o viés que lhe é atribuído pela companheirada, o petismo, que se diz discriminado e perseguido por ela, não venceria três eleições presidenciais consecutivas e não estaria comemorando 10 anos de hegemonia política no plano federal.
Ocorre que o pouco que existe de pensamento político em Lula e seus companheiros está hoje quase todo vinculado estritamente à garantia das vantagens materiais que o poder proporciona. O que vai além disso se deixou impregnar pelo autoritarismo que sustenta regimes como os do Irã, Coreia do Norte e China, no Oriente, e Cuba e as repúblicas “bolivarianas” da Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua, no Ocidente. Ou seja, as autocracias às quais a diplomacia do governo petista se aliou.
Lula, a bem da verdade, não tem formação marxista – ou qualquer outra. Foi sempre um pragmático, avesso a dogmatismos. Forjado na luta sindical, seu pensamento se resume ao confronto de interesses entre empregados e patrões. O resultado desse pragmatismo é a indigência de valores que, como nunca antes na história deste país, predomina hoje na vida política nacional e tem seu melhor exemplo no nosso desmoralizado Parlamento.
Mas Lula é líder popular consagrado, glória que lhe subiu à cabeça e lhe permite acreditar no que quiser, inclusive que se parece com Abraham Lincoln.

Balança comercial tem o pior fevereiro da história do país


Na VEJA.com:
A balança comercial brasileira registrou déficit de 1,276 bilhão de dólares em fevereiro,  conforme informou nesta sexta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações, que somaram 15.551 bilhões de dólares no mês, ficaram abaixo das importações, de 16.827 bilhões de dólares, o que explica o saldo negativo – o maior para meses de fevereiro desde 1959, início da série histórica do Banco Central.  Analistas esperavam um déficit de 500 milhões de dólares. Foi o segundo mês consecutivo de déficit comercial, ainda sob a influência do registro atrasado de aquisições de gasolina feita pela Petrobras no exterior em 2012, mas que estão sendo contabilizadas somente neste ano, elevando as importações. Em janeiro, o déficit havia ficado em 4 bilhões de dólares, também o pior resultado para o mês desde 1959.
Em fevereiro, o volume de exportações subiu 13,7% sobre o mesmo mês de 2012. Pela média diária, as vendas externas caíram quase 9% no mês passado sobre 2012. Os embarques para a China cresceram 2,3% pela média diária na comparação com fevereiro de 2012, enquanto que para os Estados Unidos caíram 25,4% e, para a União Europeia, 18,3%. Já as importações de fevereiro ficaram praticamente estáveis em relação a igual mês de 2012. Mas, pela média diária houve alta de quase 3% em fevereiro sobre janeiro. No mês passado, as importações de combustíveis e lubrificantes somaram 3 bilhões de dólares. Pela média diária, que somou 166,7 milhões de dólares, houve alta de 37,5% sobre um ano antes. Com isso, o ano acumula déficit comercial de 5,312 bilhões de dólares. No mesmo período do ano passado, o saldo estava positivo em 399 milhões de dólares.
A expectativa do governo é que os saldos deficitários na balança comercial sejam revertidos no segundo trimestre, com o início dos embarques da safra agrícola brasileira e com as exportações de minério de ferro com preços superiores aos praticados em 2012.

Aécio critica estagnação econômica e diz que País está ‘no rumo errado’


No Estadão:
O senador Aécio Neves (MG), provável candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, criticou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que ficou em 0,9% em 2012. Em nota, o tucano afirmou que o governo Dilma Rousseff poderia ter tomado medidas no ano passado para evitar a estagnação, mas escolheu o “irrealismo”. Em sua avaliação, o Brasil segue “no rumo errado”.
“Se o governo Dilma não optasse pelo irrealismo e pela auto enganação, o País talvez tivesse se livrado do mau resultado do PIB anunciado hoje pelo IBGE”, inicia a nota do senador. “Tivesse o governo do PT tomado melhor pé da situação já no decorrer de 2012, é possível que nossa economia não tivesse tido desempenho tão negativo quanto o crescimento de 0,9% conhecido nesta manhã. Tempo perdido não se recupera”, afirma.
O tucano aponta que o Brasil cresceu “muito menos que o resto do mundo”, que setores como a indústria “vão de mal a pior” e a expectativa para os próximos meses na área de investimentos “não é das melhores”. “São diagnósticos que vimos apresentando ao longo dos últimos meses, mas aos quais a gestão da presidente Dilma Rousseff contrapôs-se com previsões tão otimistas quanto irrealistas. O resultado oficial do IBGE mostra que estávamos certos, infelizmente”, acrescenta.

01 março 2013

LISTA DE MOVIMENTO “ANTIPOLÍTICA” ESPELHA NOVA GERAÇÃO

Jamil Chede (Estadão)
ROMA — Eles são jovens profissionais, pequenos empresários, técnicos com formação universitária, economistas, comerciantes, artistas, 15% estão desempregados e todos estão fartos dos políticos tradicionais.
Esse é, na realidade, o maior partido político da Itália hoje, formado por cidadãos que se dizem “antipolíticos” e conseguiram causar a maior surpresa nas eleições italianas. Ontem, os novos deputados não escondiam a euforia diante do resultado. Mas ainda não têm respostas para como aplicarão sua agenda política.
O Movimento 5 Estrelas é liderado pelo comediante Beppe Grillo. Mas não é ele quem se sentará na cadeira do Parlamento.
Isso porque, há 22 anos, ele matou três pessoas em um acidente de carro e decidiu que não teria direito de representar o povo politicamente. No novo Parlamento italiano, se um dia de fato entrar em vigor, 170 de seus membros virão do novo movimento, criado há apenas três anos.
A média de idade dos eleitos é de 32 anos e 40% deles são mulheres, a maior proporção entre todos os partidos na Europa hoje.
Com uma campanha fundamentalmente feita pela internet e um exército de jovens voluntários, o movimento acumulou mais de 7 milhões de votos (25%). O grupo conquistou 1 milhão de votos a mais que o partido de Silvio Berlusconi e três vezes mais que o movimento de Mario Monti, o primeiro-ministro demissionário.
Hoje, Grillo é o personagem político com maior número de seguidores nas redes sociais (2,25 milhões de seguidores), cinco vezes mais que o premiê britânico, David Cameron.
Carla Ruocco: "Nossos eleitores estão cansados de corrupção e simplesmente abandonaram os partidos tradicionais" (Foto: Movimentolazio.org)
Carla Ruocco: "Nossos eleitores estão cansados de corrupção e simplesmente abandonaram os partidos tradicionais" (Foto: Movimentolazio.org)
A lista de nomes do grupo é um espelho de uma geração que, até hoje, não havia conhecido a crise ou cortes sociais. “A guerra de gerações começou. Nossos eleitores estão cansados de corrupção e simplesmente abandonaram os partidos tradicionais”, disse em entrevista ao Estado Carla Ruocco, uma das estrelas do novo movimento.
A sede do movimento contrastava-se ontem com a dos partidos tradicionais. Jovens circulando sem os ternos bem cortados dos políticos tradicionais italianos. O poder financeiro também se contrastava. Enquanto o grupo montou seu quartel-general em um hotel de 3 estrelas de Roma, o Partido Democrático alugou um palacete.
“Justamente o custo da política é algo que precisamos arrumar”, disse Carla. “Hoje, políticos italianos gastam uma fábula e têm salários estratosféricos. Nossa primeira proposta no Parlamento será cortar os salários dos deputados e senadores”, afirmou. “Queremos também o fim de vários governos provinciais, a redução no número de deputados e mesmo a união de municípios”, acrescentou.
Questionada sobre se achava que o futuro da Itália estava em suas mãos, ela não fugiu à responsabilidade.
“Não temos nas mãos o futuro da Itália, queremos é dar um futuro para esse país. Tenho um filho de 8 anos e outro de 6″, disse. “Quero ajudar a dar um futuro para eles, num país meritocrático e transparente.”
“A classe política na Itália frustrou milhões de pessoas por anos e já não mais representava os cidadãos. Passaram a estar distantes da sociedade e nossa vitória faz bem a todos, na Itália e na Europa”, declarou Alberto Di Battisti, outro jovem deputado eleito. “Os partidos tradicionais receberam um duro recado: ou mudam ou vão desaparecer.”
Apesar da euforia, não faltavam perguntas sem respostas no movimento. Sobre o fato de terem se tornado da noite para o dia na força que poderia permitir a formação de um governo, Carla Ruocco deixa a porta aberta. “Temos um programa detalhado que é para colocar no centro o cidadão”, disse. “Vamos conversar com todos. Mas estamos determinados a manter tudo o que prometemos na campanha”, insistiu.
Na prática, ninguém sabe o que isso quer dizer.
Muitos dos deputados eleitos jamais conheceram Grillo. Poucos sabem como farão para aumentar aposentadorias e seguro-desemprego, como prometeram, nem como encontrarão dinheiro para nacionalizar bancos falidos ou financiar o projeto ambiental que defendem. Mas, por enquanto, a ordem é a de demonstrar força.

27 fevereiro 2013

Lya Luft: Como deve ser uma boa escola — dever de todos os governos


A boa escola na visão de Lya Luft (Foto: Ajari)
Lya Luft: "Tem de existir escolas para todas as crianças, em todas as comunidades, as mais remotas, com qualidades básicas: não ultrapassar o número de alunos bem acomodados, e que eles não tenham de se locomover para muito longe; instalações dignas, que vão das mesas às paredes, telhado, pátio para diversão e recreio, lugar para exercício físico e esportes (...)" (Foto: Ajari)
Artigo publicado na edição de VEJA que está nas bancas
A BOA ESCOLA
Meu brilhante colega Gustavo Ioschpe, uma das mais lúcidas vozes no que diz respeito à educação, escreveu sobre o que é um bom professor. Eu já começava este artigo sobre o que acho que deva ser uma boa escola, então aqui vai.
Lya Luft
Lya Luft
Primeiro, a escola tem de existir. No Brasil há incrivelmente poucas escolas em relação à necessidade real.
Tem de existir escolas para todas as crianças, em todas as comunidades, as mais remotas, com qualidades básicas: não ultrapassar o número de alunos bem acomodados, e que eles não tenham de se locomover para muito longe; instalações dignas, que vão das mesas as paredes, telhado, pátio para diversão e recreio, lugar para exercício físico e esportes; instalações sanitárias decentes, cozinha para alimentar os que não comem suficientemente em casa; alguém com experiência médica ou de enfermagem para atender os que precisarem.
Em cada sala de aula, naturalmente, uma boa prateleira com livros sem dúvida doados pelos governos federal, estadual, municipal. E que ali se ensine bem o essencial: aritmética, bom uso da linguagem, noções de história e geografia para que saibam quem são e onde no mundo se situam.
Falei até aqui apenas de ensino elementar em escolas menos privilegiadas economicamente. Em comunidades mais resolvidas nesse sentido, tudo isso não será apenas bom, mas excelente, desde a parte material até professores muito bem preparados que sejam bem exigidos e bem pagos.
No chamado segundo grau, além de livros, quem sabe computadores, mas – ainda que escandalizando alguns – creio que esses objetos maravilhosos, que eu mesma uso constantemente, não substituem um bom professor. E que, nesse degrau da vida, todos sejam preparados para a universidade, desde que queiram e possam.
Pois nem todos querem uma carreira universitária, nem todos têm capacidade para isso: para eles, excelentes Escolas Técnicas, depois das quais podem ter mais ganho financeiro do que a maioria dos profissionais liberais.
Professores com mestrado e se possível doutorado, diretores que conheçam administração, psicólogos que conheçam psicologia, todos com saber e postura que os alunos respeitem a fim de que possam aprender.
Finalmente a universidade, que enganosamente se julga ser o único destino digno de todo mundo (já mencionei acima os cursos técnicos cada dia melhores e mais especializados). Universidade precisa existir, mas não na abundância das escolas elementares.
É incompreensível e desastrosa a multiplicação de faculdades de medicina, por exemplo, cujas falhas terão efeitos dramáticos sobre vidas humanas. Temos pelo país muitas onde alunos não estudam anatomia, pois não há biotério, não têm aulas práticas, pois não há hospital-escola. Essa é uma realidade assustadora, mas bastante comum, que, parece, se tenta corrigir.
Dessas pseudofaculdades sairão alunos reprovados nas essenciais provas do CRM, mas que eventualmente vão trabalhar sem condição de atender pacientes. Faculdades de direito pululam pelo país, sem professores habilitados, sem boas bibliotecas, formando advogados que nem escrever razoavelmente conseguem, além de desconhecer as leis – e reprovados aos magotes nas importantíssimas provas da OAB.
"Professor não é sacerdote nem faquir" (Foto: Pedro Mota)
"Professor não é sacerdote nem faquir" (Foto: Pedro Mota)
Coisa semelhante aconteceria com faculdades de engenharia mal preparadas, se existirem, de onde precisam sair profissionais que garantam segurança em obras diversas, de edifícios, casas, estradas, pontes.
Vejam que aqui comentei apenas alguns dos inúmeros cursos existentes, muitos com excelente nível, mas não se ignorem os que não têm condições de funcionar, e mesmo assim… existem. Em todas essas fases, segundo cada nível, incluam-se professores bem preparados, muito dedicados, e decentemente pagos – professor não é sacerdote nem faquir.
O que aqui escrevo é mero, simples, bom-senso. Todos têm direito de receber a educação que os coloque no mundo sabendo ler, escrever, pensar, calcular, tendo ideia do que são e onde se encontram, e podendo aspirar a crescer mais.
Isso é dever de todos os governos. E é nosso dever esperar isso deles.

Entenda as diferenças entre os cursos universitários nos EUA

Cláudia Emi Izumi - UOL Educação - 27/02/2013 - São Paulo, SP
A pesquisa que antecede a entrada em um curso superior nos Estados Unidos pode ficar confusa se o estudante não conhece a terminologia acadêmica. Um exemplo é o `undergraduate education`. Ao contrário do que parece sugerir, o termo se refere à graduação.
O ensino superior americano é estruturado de uma forma diferente do sistema de ensino brasileiro.
Confira os principais termos
Associate degree – Termo para quem termina um community college (faculdade comunitária), com dois anos de duração e ênfase no mercado de trabalho. O diploma não tem validade no Brasil. Ele pode ser, porém, uma opção para entrar em uma universidade americana, pois os anos no community college podem ser abatidos na universidade e esta, por sua vez, pode ter o diploma reconhecido no Brasil.
Bachelor’s degree ou baccalaureate – Os dois se referem a `bacharelado`.
Double major ou dual program – É uma graduação dupla, no qual o estudante se forma em duas áreas de `major` em um único curso. Nem todas as universidades americanas oferecem essa possibilidade.
Graduate education ou postgraduate education – São os cursos de pós-graduação. Nesta categoria se encaixam mestrados, doutorados e MBAs.
Honor degree – São cursos de graduação com aulas e ritmo de estudo mais intensos que a graduação tradicional. Geralmente as vagas são preenchidas por alunos considerados de excelência.
Major – É um dos nomes para graduação, mas frequentemente mais usado quando o curso já foi concluído. O minor, que também costuma ser citado, é a área de estudo secundária. Você pode ter um `major` em história e um `minor` em estudos asiáticos, por exemplo.
Master’s degree – É o mestrado.
PhD – É o título de quem concluiu um doutorado. Originalmente, significa `doutor em filosofia` (`doctor of Phylosophy`), mas não se limita a esse campo do conhecimento.
Undergraduate education – São os cursos de graduação.

26 fevereiro 2013

UFAM REPROVADA PELA CGU




Foi noticiado pelo jornal Diário do Amazonas no último dia 15 que a Ufam não passou no teste da transparência em sua gestão.
Segundo aquele periódico, foram detectadas 33 impropriedades pela Controladoria Geral da União (órgão responsável pela auditoria interna dos órgãos da União) em inspeção feita na Ufam.
Algumas dessas falhas de gestão deu-se nos processos licitatórios, ou seja, no início do processo de aquisição (de bens, obras e serviços), tais como “restringir a preferência por produtos de uma única marca; (...) pagar valor acima do praticado no mercado; (...) e realizar ‘pesquisa de preços’ com uma única empresa”, bem como “identificou uma lista de ‘restos a pagar’ em diversas notas de empenho QUITADAS (dadas como liquidadas, isto é, concluídas em suas etapas para pagamento) que somadas chegam ao valor próximo de R$ 700 mil”, dentre outras irregularidades.
O que nos deixa preocupados com esse tipo de notícia é que coloca a Ufam no mesmo saco-de-gatos (ou seria de ratos?) que os demais órgãos públicos, ou seja, carente dos mínimos cuidados de zelo pela “coisa pública”, sem a menor preocupação com a sua imagem institucional.
Pior, no entanto, é consierar isso normal. Não, isso não é normal! Na verdade, isso é extremamente grave, pois uma Instituição que tem o dever de ensinar, de preparar, gestores dotados de conhecimentos e de técnicas corretas, dentro da legalidade, tanto na iniciativa privada quanto na administração pública, não poderia ser pega justamente cometendo práticas desonestas, ferindo os princípios constitucionais da Administração.
Deveria, isto sim, ser tida como também praticante daquilo que ensina, praticante das regras que toda a sociedade aplaude, praticante de procedimentos austeros com os dinheiros públicos e nunca de práticas “condenáveis” seja pela CGU, seja pelo TCU.
Isso demonstra para toda a sociedade que, infelizmente, “o nosso maior patrimônio” também padece dos mesmos males que o restante daqueles que não tem o menor cuidado com o dinheiro público, passa uma imagem de que seus dirigentes não são em nada diferentes daqueles que, por ignorância (o que é grave em uma academia), desonestidade ou má fé, repete as mesmas práticas que os demais dirigentes de órgãos públicos.
A licitação é um procedimento legal que permite aos órgaos públicos contratar fornecedores de maneira isonômica, mas o que se vêem todos os dias são “dispensas de licitação” para favorecer os amigos dos dirigentes de plantão. Prefeitos que assumiram recentemente os cargos alardeiam “estado de calamidade” (o que pode ser verdadeiro em face da ladroagem e incúria a que estão submetidas as administrações municipais), para então decretarem a “dispensa” do processo licitatório e assim contratar os amigos. A “coisa pública” passa a ser uma “ação entre amigos”.
Tanto quanto a “dispensa” pura e simples de licitação, são odiosas as trapaças formais para direcionar nos editais o fornecedor de determinado produto, obra ou serviço, exigindo “qualidades” que somente um deles pode apresentar.
Superfaturar compras, obras e serviços, então, virou quase “regra” nos tristes dias nos quais vivemos, em que os governos de plantão vivem qualhados de demagogos, incompetentes e desonestos. A própria Policia Federal detectou que o superfaturamento se incia no próprio Diário Oficial quando publica decretos e portarias de “registro de preços” JÁ SUPERFATURADOS, nos quais se baseiam os orçamentos apresentados nos Projetos Básicos que instruem os processo licitatórios.
Poderíamos elencar aqui milhares de exemplos de malversação de dinheiros público, mas esse assunto já estão tão presente nos meios de comunicaçõe que se tornararm objeto de fadiga, o que leva a apatia, o pior, a leniência com práticas nefastas para o Estado brasileiro.
Ontem o jornal "a Crítica" noticiou que a Ufam também é "campeã em gastos com viagens". Teria se tornado uma espécie de, como posso chamar?, UfamTur... Realmente, gastar algo como R$ 700 mil reais com viagens não é fácil de explicar mesmo para uma Instituição do tamanho da Ufam.
Aguardamos uma resposta firme da atual reitora, que está em franca campanha continuista...

23 fevereiro 2013

‘A bolsa é para a escola’, por Carlos Alberto Sardenberg


PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
Os programas tipo Bolsa Família nasceram no âmbito do Banco Mundial ─ e aqui no Brasil com o trabalho de Cristovam Buarque ─ com base numa teoria precisa.
O primeiro ponto foi a análise, em diversos países, dos programas que entregavam bens e serviços diretamente às famílias pobres (alimentos, roupas, remédios, material escolar, instrumentos de trabalho etc). O governo comprava e distribuía.
Já viu. Havia problemas de eficiência e de corrupção. Estudos mostraram que, do dinheiro aplicado na América Latina, a metade se perdia na burocracia e na roubalheira.
Melhor mandar o dinheiro direto para as famílias. Mas isso bastaria? A resposta foi não, com base na seguinte avaliação: as famílias não conseguem escapar da pobreza porque suas crianças não frequentam a escolas. E não frequentam porque precisam trabalhar (na lavoura ou nas cidades, caso dos meninos) e cuidar dos outros irmãos, caso das meninas. Apostando que crianças com educação básica têm mais oportunidade de conseguir empregos bons, a ideia é clara: é preciso pagar para as famílias manterem as crianças na escola. Daí o nome oficial do programa no Banco Mundial: Transferência de Renda com Condicionalidade. O cartão de saque do dinheiro contra o boletim escolar.
Parece óbvio, mas houve forte debate. Muita gente dizia que pais e mães gastariam o dinheiro em cachaça, cigarros, jogos e coisas para eles mesmos, usando os filhos apenas como fonte de renda. O bom-senso sugeria o contrário. As pessoas não são idiotas nem perversas, sabem do que precisam.
Havia também uma crítica política, curiosamente partindo da esquerda. Dizia que distribuir dinheiro era puro assistencialismo, esmola e, pior, prática eleitoreira dos coronéis para manter o povo pobre e ignorante. Mas essa é outra das teses que a esquerda no poder jogou no lixo.
O fato é que se começou com programas experimentais na América Central, com patrocínio do Banco Mundial, e funcionou muito bem. Nos anos 90, a ideia se espalhava pela América Latina. No Brasil, com o nome de Bolsa Escola (designação introduzida por Cristovam Buarque) apareceu em 1994, em Campinas, e logo depois em Brasília (com Buarque governador). Foi ampliado para nível nacional no governo FHC, em projeto liderado por Ruth Cardoso. Surgiram ainda por aqui programas paralelos, como vale-transporte e bolsa gás. Lula juntou tudo no Bolsa Família, que passou a ampliar.
Não se trata, pois, de dar dinheiro aos pobres. Se fosse apenas isso, seria mesmo caridade pública sem efeitos no combate duradouro à pobreza. Trata-se de colocar e manter as crianças na escola, ou seja, abrir a oportunidade para esses meninos e meninas escaparem da pobreza.
No México, aliás, o programa chama-se Oportunidades e o dinheiro entregue à família aumenta na medida em que a criança progride na escola. Vai até a universidade. Há também uma poupança depositada na conta de crianças, que podem sacar o dinheiro quando se formam no ensino médio.
Em muitos lugares, há limitação no número de bolsas por família, com dois objetivos: estimular o controle da natalidade (ou reduzir o número de filhos) e desestimular a acomodação dos pais. Também se introduziram outras condicionalidades, como a frequência das mães nos postos de saúde, especialmente para o acompanhamento pré-natal e parto, e das crianças, para as vacinas. Ao boletim escolar acrescenta-se a carteirinha do ambulatório.
Resumindo, o programa funciona no curto prazo ─ ao dar um alívio imediato às famílias mais pobres ─ e no médio e longo prazos, com a escola.
Mas há uma tentação perversa. Como o programa funciona imediatamente, assim que a família recebe o primeiro cartão eletrônico, há um estimulo para que os políticos se empenhem em distribuir cada vez mais bolsas. É voto na veia. Ao mesmo tempo, esse viés populista desestimula a cobrança da condicionalidade. Pela regra, se as crianças desaparecem da escola ou não progridem, a bolsa deve ser cancelada. Mas isso pode tirar votos, logo, é melhor afrouxar os controles.
Resumindo: há o risco, sim, de um belo programa social se transformar numa prática populista. Quando os governantes começam a se orgulhar do crescente número de bolsas distribuídas e nem se lembram de mostrar os resultados escolares e índices de saúde, a proposta já virou eleitoral.
E quer saber? Ter todos os pobres recebendo dinheiro do governo não significa que acabou a pobreza. É o contrário, é sinal de que a economia não consegue gerar educação, emprego e renda para essa gente. O fim da pobreza depende de dois outros indicadores: crianças e jovens nas escolas e qualidade do ensino.

22 fevereiro 2013

Aécio aponta 13 fracassos do governo petista



A VOZ DA OPOSIÇÃO -- Aécio discursa no Senado: "O Brasil parou" (Foto: Pedro França / Ag. Senado)
A VOZ DA OPOSIÇÃO -- Aécio discursa no Senado: "O Brasil parou" (Foto: Pedro França / Ag. Senado)

Amigas e amigos do blog, com seu discurso de ontem em que criticou severamente o governo e o petismo, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) parece ter iniciado uma fase de atuação mais enérgica como oposicionista, deixando de lado sua preferência pelo trabalho de bastidores e pondo a cabeça para fora, tal como manda o figurino de um provável candidato à Presidência em 2014.
Abaixo, um resumo do jornal O Globo com os 13 pontos em que Aécio acha que o governo petista naufragou. Concordo com todos.

 Publicado hoje no jornal O Globo
AÉCIO APONTA ’13 FRACASSOS’ DO GOVERNO PETISTA
1 . CRESCIMENTO ECONÔMICO
“Tivemos um biênio perdido, com o PIB per capita avançando minúsculo 1%. Superamos em crescimento na região apenas o Paraguai.”
2. PAC DO MARKETING
 ”O problema da infraestrutura permanece intocado. As condições de rodovias, portos e aeroportos nos empurram para as piores colocações dos rankings de competitividade.”
3. INDÚSTRIA SUCATEADA
“O setor industrial (…) praticamente não tem gerado empregos. Agora começa a desempregar.”
4. INFLAÇÃO
“O PT nunca valorizou a estabilidade da moeda. Na oposição, combateu o Plano Real. O resultado hoje é inflação alta, com baixíssimo crescimento.”
5. PERDA DA CREDIBILIDADE
“A má gestão econômica obrigou o PT a manobras contábeis que estão jogando por terra a credibilidade fiscal duramente conquistada.”
6. ESTATAIS
“A Petrobras teve perda no seu valor de mercado. Como o PT conseguiu destruir as finanças da maior empresa brasileira em tão pouco tempo e de forma tão nefasta? ”
7. O ETERNO PAÍS DO FUTURO
“(O PT) Anunciou em 2006, com as mãos sujas de óleo, que éramos autossuficientes na produção de petróleo e combustíveis. Pouco tempo depois, não apenas somos importadores de derivados como compramos etanol dos Estados Unidos.”
8. AUSÊNCIA DE PLANEJAMENTO
“No ano passado, especialistas apontavam que o governo Dilma foi salvo do racionamento de energia pelo péssimo desempenho da economia, mas o risco permanece.”
9. DESMANTELAMENTO DA FEDERAÇÃO
“O governo adota uma prática perversa que visa fragilizar estados e municípios.”
10. FLAGELO DAS DROGAS
“Um dos efeitos mais nefastos dessa omissão (na segurança) é a expansão do consumo de crack.”
11. SAÚDE / EDUCAÇÃO 
“As grandes conquistas na Saúde continuam sendo as do governo do PSDB: Saúde da Família, genéricos, combate à Aids. O governo herdou a universalização do ensino fundamental, mas foi incapaz de elevar o nível da qualidade em sala de aula.”
12. INTOLERÂNCIA
“Setores do PT tratam adversário como inimigo a ser abatido. Tentam, e já tentaram cercear a liberdade de imprensa.”
13. DEFESA DOS MALFEITOS
 ”Não falta quem chegue a defender em praça pública a prática de ilegalidades sob a ótica de que os fins justificam os meios”

20 fevereiro 2013

‘Liberdade à cubana’, editorial do Estadão


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUARTA-FEIRA

Os militantes que na segunda-feira hostilizaram a dissidente cubana Yoani Sánchez nos aeroportos do Recife e de Salvador e na mesma noite impediram a exibição, em Feira de Santana, de um documentário produzido no Brasil de que ela é protagonista decerto nunca leram uma linha da líder revolucionária alemã Rosa Luxemburgo (1871-1919). Eles são exímios, de toda forma, em pôr de ponta-cabeça a máxima que a apartou dos maiores líderes revolucionários de seu tempo, como Lenin e Trotsky. Enquanto estes, fiéis a Marx, consideravam a ditadura do proletariado imprescindível à construção do que seria o edênico sistema comunista, já então, com admirável senso premonitório, ela cunhou a máxima graças à qual se poupou de entrar para a história pela via da ignomínia e da apologia da violência em escala até então sem precedentes. “A liberdade”, escreveu, “é quase sempre, exclusivamente, a liberdade de quem discorda de nós.”
Os grupelhos autoritários que tentaram intimidar a filóloga e jornalista Yoani, de 37 anos ─ a única voz contra a ditadura castrista que se exprime pela internet, no seu blog Generación Y, criado em 2007 ─, desfrutariam em Cuba da “liberdade” de concordar com a senil ordem política local. Só há pouco, numa tentativa de adiar o seu desmanche, o castrismo passou a permitir viagens ao exterior sem que os interessados tenham de obter o infame visto de saída da ilha. Graças a isso, Yoani pôde tirar o passaporte que lhe vinha sendo negado sistematicamente. Ela só esteve fora de Cuba de 2002 a 2004, quando morou na Europa. Sendo o que são os seus fanatizados detratores ─ filiados a organizações patéticas como a União da Juventude Socialista, ligada ao PC do B e admiradora do regime norte-coreano; do Partido Comunista Revolucionário, que almeja “dirigir a classe operária”; e do Partido Consulta Popular, pró-MST, que ministra um curso de “realidade brasileira” ─, seria nulo o seu risco de punição no feudo dos irmãos Castro.
Isso porque não há hipótese de que o contato com a realidade cubana viesse a abalar a sua petrificada mentalidade. Antes, seriam capazes de competir com os serviços de segurança do regime no zelo persecutório aos que ousam exercer “a liberdade de quem discorda”. Esse lumpesinato político nem precisa ser mobilizado pela Embaixada de Cuba em Brasília para querer sabotar a passagem de Yoani pelo País. A blogueira e colunista do Estado, que só não foi agredida fisicamente na chegada porque estava sob proteção, não se surpreendeu. “Com insultos, estou acostumada”, comentou. “Tenho a pele curtida contra xingamentos. Isso é o cotidiano na minha vida.” (Depois de amanhã, ela participará de um evento aberto ao público, “Conversa com Yoani”, na sede deste jornal. No mesmo dia será exibido o documentário barrado em Feira de Santana, Conexão Cuba-Honduras, do cineasta baiano Dado Galvão.) Pior são os petistas que não só comungam com o castrismo e a chamada Revolução Bolivariana de Hugo Chávez, mas comparam dissidentes a delinquentes, ou “bandidos”.
Foi o inesquecível termo empregado pelo então presidente Lula, numa visita a Havana em março de 2010, quando o jornalista cubano Guillermo Fariñas completava 15 dos seus 135 dias em greve de fome pela libertação dos presos políticos da ilha. No Brasil, os manifestantes que chamam Yoani de “traidora” e de “agente da CIA” fazem barulho. O PT faz mais: o bastante para se assegurar de que o governo brasileiro se abstenha de criticar, que dirá condenar, Cuba nos fóruns internacionais sobre violações de direitos humanos. Dirigentes do partido, como o mensaleiro José Dirceu, pagam de bom grado a sua infindável dívida com Fidel por tê-los acolhido – e treinado para o desvario da guerrilha – no tempo da ditadura militar. Já Yoani, no que dependeu dela, começou bem a sua visita. O seu comedimento e manifesto fair-play chamaram desde logo a atenção. Por exemplo, recusando-se a comparar Cuba ao Brasil, mencionou os estrangeiros que, tendo passado duas semanas em um hotel de Havana, “explicam para mim como é o meu país”. Mas não deixou de lembrar a frase de um amigo: “Os brasileiros são como os cubanos, mas são livres”.

Assim começam as ditaduras e os holocaustos

Martin Niemöller (1892-1984):
“Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”
******

Reinaldo Azevedo publicou o seguint em seu blog:
 
Antes que [Hitler] se tornasse um homicida em massa, a França e a Inglaterra aceitaram que anexasse a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia. Assinaram com ele um “acordo de paz”. E se fez silêncio. No ano seguinte, ele entrou em Praga e começou a exigir parte da Polônia. Depois vieram Noruega, Dinamarca, Holanda, França… É que haviam feito um excesso de silêncios.
– Silêncio quando, em 1º de abril de 1933, com dois meses de poder, os nazistas organizaram um boicote às lojas de judeus.
– Silêncio quando, no dia 7 de abril deste mesmo ano, os judeus foram proibidos de trabalhar para o governo alemão. Outros decretos se seguiram — foram 400 entre 1933 e 1939.
– Silêncio quando, neste mesmo abril, criam-se cotas nas universidades para alunos não alemães.
– Silêncio quando, em 1934, os atores judeus foram proibidos de atuar no teatro e no cinema.
– Silêncio quando, em 1935, os judeus perdem a cidadania alemã e se estabelecem laços de parentesco para definir essa condição.
– Silêncio quando, neste mesmo ano, tem início a transferência forçada de empresas de judeus para alemães, com preços fixados pelo governo.
– Silêncio quando, entre 1937 e 1938, os médicos judeus foram proibidos de tratar pacientes não judeus, e os advogados, impedidos de trabalhar.
– Silêncio quando os passaportes de judeus passaram a exibir um visível “j” vermelho: para que pudessem sair da Alemanha, mas não voltar.
– Silêncio quando homens que não tinham um prenome de origem judaica foram obrigados a adotar o nome “Israel”, e as mulheres, “Sara”.
(…)

19 fevereiro 2013

Municípios inviáveis

O editorial, com o título em negrito abaixo, foi publicado ontem pelo jornal O Globo:
Falácia administrativa
Há teorias bem formuladas que funcionam numa atividade e são ruinosas em outras. A descentralização administrativa, por exemplo, é receita infalível de agilidade no setor privado, mas nem sempre dá certo em segmentos da área pública.
Não deu na municipalização excessiva do país. Os números são eloquentes: os 4.180 municípios existentes quando a Constituição foi promulgada, em 1988, se multiplicaram para 5.568 e, mesmo assim, porque, no governo Fernando Henrique, concordou-se em travar a indústria de geração de prefeituras, tocada a todo vapor por esquemas políticos paroquiais. E a eficiência no atendimento à população não melhorou na mesma proporção.
Até FHC, para se criar novas unidades da Federação bastava receber sinal verde das assembleias legislativas a fim de se fazer o plebiscito clássico, tudo sob o controle de caciques regionais. Com a determinação, por meio de emenda constitucional, aprovada em 1996, de que criação e fusão de municípios passavam a depender de lei complementar federal, aquela indústria foi contida. Mas ficou a herança da excessiva pulverização de prefeituras. [Vejam os números abaixo.]
QUANTIDADE DE MUNICÍPIOS POR REGIÃO GEOGRÁFICA
Centro-Oeste: 466 (8,37%)
Nordeste: 1.794 (32,24%)
Sudeste: 1.668 (29,97%)
Sul: 1.188 (21,35%)
BRASIL: 5.565 (100%)
A descentralização, em si, é correta. O problema é que, no Brasil, a Federação tem um modelo rígido de organização que se reproduz de cima para baixo, da União ao menor dos municípios. Legislativo, ministérios/secretarias, Tribunal de Contas, procuradorias — é uma estrutura cara, impossível de ser sustentada por todos os entes da Federação com receita própria.
Há, então, maciça dependência dos recursos dos fundos de participação, principalmente da União. A esmagadora maioria das 5.568 prefeituras vive desses repasses, muitas sequer cobram o principal imposto municipal, o IPTU. Por despreparo administrativo, demagogia ou ambos. É mais conveniente viver da mesada federal e estadual.
Esta dependência é tão funesta que serve até mesmo como obstáculo ao rebaixamento da carga tributária geral. No ano passado, vieram de prefeitos as primeiras reclamações contra a política do governo federal de reduzir o IPI para estimular o consumo de produtos de certas linhas da indústria (eletrodomésticos, automóveis). Não porque discordassem da estratégica, mas devido à diminuição do fluxo de recursos da Federação para seus cofres.
Por estarem mais próximos da população, os prefeitos são agentes públicos com posição privilegiada para agir com rapidez em defesa do bem comum. Não é o que acontece, como fica evidente nos desastres naturais, no vergonhoso problema da inexistência de saneamento básico, e assim por diante.
Sem viabilidade fiscal, a maioria dos municípios é peso morto, sanguessuga do contribuinte nacional.
Existem porque grupos políticos trabalharam para emancipar currais eleitorais e usar os empregos criados pelas novas prefeituras para exercitar o clientelismo. É preciso um debate sério sobre a extinção de municípios inviáveis.

18 fevereiro 2013

Yoani sonha com o dia em que também os cubanos poderão manifestar-se livremente

  Publicado no blog de Augusto Nunes (Veja.com) \ Direto ao Ponto

A coluna [de Augusto Nunes] transcreve o primeiro post de Yoani Sánchez sobre a viagem ao Brasil, enviado por Reynaldo-BH. (AN)
“Llevar una bitácora de viaje es tan difícil como tratar de estudiar para un examen de matemáticas en el interior de una discoteca. Atenta a la nueva realidad que se muestra ante mis ojos desde que salí de Cuba, me he visto ante la disyuntiva de si vivir o narrar lo que me ocurre, actuar como protagonista de este itinerario o como periodista que lo cubre. Ambas ópticas son difíciles de llevar a la par, dada la velocidad y la intensidad de cada suceso, por lo que trataré de ir poniendo por escrito algunas impresiones. Hilachas de lo que me sucede, fragmentos a veces caóticos de lo que experimento.
La primera sorpresa en el programa fue en el aeropuerto José Martí de La Habana, cuando después de atravesar la taquilla de emigración varios pasajeros comenzaron a acercarse y a darme sus muestras de solidaridad. El afecto fue creciendo en la medida que el trayecto avanzaba y en Panamá encontré a unos venezolanos también muy cariñosos… aunque me pidieron de favor que no subiera la foto con ellos a Facebook… para no tener problemas en su país. Después de esa escala, vino el vuelo más largo hacia Brasil, con una sensación mental y física de descomprensión. Como si hubiera estado sumergida demasiado tiempo sin poder respirar y lograra tomar ahora una bocanada de aire.
El aeropuerto de Recife un lugar para el abrazo. Allí encontré a muchas personas que durante años me han apoyado en mi empeño de viajar fuera de las fronteras nacionales. Hubo flores, regalos y hasta un grupo de gente insultándome que me gustó mucho ─lo confieso ─porque me permitió decir que yo soñaba con que “algún día en mi país la gente se pudiera expresar públicamente así en contra de algo, sin represalias”. Un verdadero regalo de pluralidad, para mí que llego de una Isla a la que han intentado pintar con el monocromático color de la unanimidad. Más tarde me asomé también a una Internet tan rápida que casi no comprendo, sin páginas censuradas ni funcionarios mirando por el hombro la página que visito.
Así que hasta ahora todo va muy bien. Brasil me ha dado el regalo de la diversidad y del cariño, la posibilidad de apreciar y narrar tantos asombros.
Segue-se o texto em português:
Carregar um caderno de viagem é tão difícil como estudar para uma prova de matemática no interior de uma discoteca. Atenta a nova realidade que se mostra ante meus olhos desde que saí de Cuba, vi-me ante a alternativa de viver ou narrar o que me ocorre, atuar como protagonista deste itinerário ou como a jornalista que o cobre. Os dois pontos de vista são difíceis de serem postos lado a lado, dado a velocidade e a intensidade de cada acontecimento, portanto tratarei de ir colocando por escrito algumas impressões. Linhas do que me sucede, fragmentos às vezes caóticos do que experimento.
A primeira surpresa do programa foi no Aeroporto Jose Martí de Havana quando depois de atravessar a porta da emigração vários passageiros começaram a se acercar e a me dar suas mostras de solidariedade. O afeto foi crescendo na medida em que o trajeto avançava e no Panamá encontrei uns venezuelanos também muito carinhosos… Apesar de me pedirem o favor de que não subisse a foto com eles para o Facebook… Para não terem problemas em seu país. Depois dessa escala veio o vôo mais longo até o Brasil, com uma sensação mental e física de descompressão. Como se houvesse estado submersa muito tempo sem poder respirar e conseguisse agora ter uma inspiração de ar.
No aeroporto de Recife um lugar para o abraço… Ali encontrei muitas pessoas que durante anos têm apoiado meu empenho de viajar para fora das fronteiras nacionais. Houve flores, presentes e até um grupo de gente me insultando que muito gostei – confesso – porque me permitiu dizer que eu sonhava com que “algum dia em meu país as pessoas pudessem expressar publicamente dessa forma contra algo, sem represálias”. Um verdadeiro presente de pluralidade para mim que chego de uma Ilha que tentaram pintar com a monocromática cor da unanimidade. Mais tarde tive aceso a uma Internet tão rápida que quase não compreendo, sem páginas censuradas nem funcionários olhando por cima do ombro a página que visito.
Desse modo que até agora vai tudo muito bem. Brasil tem me dado o presente da diversidade e do carinho, a possibilidade de apreciar e narrar tantos assombros.
(Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto)

Bíblia Imune a crise

 Deu no Radar (Veja.com):


Biblia: ainda muito procurada pelos brasileiros
A Igreja Católica pode estar em crise, mas caminha de vento em popa no Brasil a venda de Bíblias – até por que os evangélicos também as compram.
Em 2012, estima-se que 10 milhões de Bíblias foram vendidas. Desse total, 7,4 milhões foram editadas perla Sociedade Bíblica do Brasil, um aumento de 9% em relação ao ano anterior.

Yoani chega ao Brasil e é hostilizada por gorilas ideológicos pró-ditadura cubana

Deu no blog de Reinaldo Azevedo


Yoani Sánchez, ao lado do cineasta Dado Galvão, chega ao Brasil: militantes pró-ditadura no encalço (Edmar Melo/EFE)
A blogueira Yoani Sánchez desembarcou na madrugada desta segunda no Aeroporto Internacional Guararapes, no Recife. Um bando de gorilas ideológicos —  é só metáfora; não pretendo ofender os bichos — resolveu hostilizá-la. Pertencem ao “Fórum de Entidades de Solidariedade a Cuba” e gritavam “Fora, Yoani”, acusando-a de ser agente da CIA. Um dos delinquentes tentou esfregar notas de dólares em seu rosto. A súcia cumpria as ordens do embaixador cubano no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, conforme relata reportagem de VEJA desta semana.
Quem também deve chegar hoje ao país é Augusto Poppi Martins, um dos coordenadores da Secretaria-Geral da Presidência. É auxiliar direto do ministro Gilberto Carvalho. Poppi esteve presente à reunião havida na embaixada de Cuba em que se organizou uma tramoia para desqualificar Yoani. O rapaz saiu de lá levando um disquete com um dossiê contra a cubana. Uma de suas especialidades é justamente a guerra na Internet. Poppi estava fora do Brasil porque participava de um seminário sobre o tema. Onde? Ora, em Cuba! Na reunião havida na embaixada, Rodríguez afirmou ainda que agentes cubanos estarão no encalço da blogueira enquanto ela estiver no Brasil. Tanto a reunião como a perseguição são ilegais. Trata-se de uma ofensa à soberania brasileira.
Vamos ver o que o que dirá a Secretaria-Geral da Presidência. As oposições já se mobilizaram para cobrar explicações do governo. Leiam texto sobre a chegada de Yoani publicado na VEJA.com.
*
Após cinco anos e 20 negativas do regime cubano de viajar para o exterior, a dissidente, jornalista e blogueira Yoani Sánchez chegou na madrugada desta segunda-feira ao Brasil, primeira parada de uma viagem de 80 dias que a levará a uma dezena de países da América e da Europa.
Depois de pegar um voo na Cidade do Panamá, Yoani, de 37 anos, desembarcou no Aeroporto Internacional Guararapes, no Recife, onde foi recebida por amigos e pelo diretor Dado Galvão, que convidou a cubana para vir ao Brasil participar da exibição do documentário Conexão Cuba-Honduras na noite desta segunda, em Feira de Santana (BA). Yoani é uma das entrevistadas do filme, que trata da falta de liberdade de expressão nos dois países. 
Acostumada a enfrentar a perseguição do regime comunista em seu país natal, onde já foi presa e torturada por escrever sobre as dificuldades do povo cubano provocadas pela ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro, Yoani Sanchéz foi surpreendida no aeroporto por um protesto de um pequeno grupo de militantes em defesa da ditadura castrista e contra sua presença no Brasil.
No saguão, a militância do chamado “Fórum de Entidades de Solidariedade a Cuba” recebeu a blogueira com gritos de “Fora Yoani” e a acusou de ser agente da CIA, o serviço de inteligência dos Estados Unidos. Em um ato grosseiro, um integrante do grupo tentou esfregar notas falsas de dólar no rosto da cubana, que reagiu de modo a valorizar a liberdade de expressão inexistente em Cuba: “Isso é a democracia. Queria que em meu país pudéssemos expressar opiniões e propostas diferentes com esta liberdade”.
Nos sete dias em que ficará no Brasil, no entanto, Yoani Sánchez não está livre das perseguições do regime cubano, como revela reportagem de VEJA desta semana. O governo de Havana escalou um grupo de agentes para vigiá-la e recrutou outro com a missão de desqualificar a ativista por meio de um dossiê com características patéticas – o documento a acusa de ir à praia em Cuba, tomar cerveja e aceitar premiações internacionais concedidas a defensores dos direitos humanos. O plano para espionar e constranger Yoani Sánchez foi elaborado pelo governo cubano, mas será executado com o conhecimento e o apoio do PT, de militantes do partido e de pelo menos um funcionário da Presidência da República.
Turnê
Do Recife, Yoani seguirá inicialmente em avião para Salvador e, de lá, irá de carro até Feira de Santana, cidade de 557.000 habitantes, a 116 quilômetros da capital baiana. A viagem da blogueira, uma das vozes mais críticas da ilha, foi possível devido à reforma migratória vigente desde o dia 14 de janeiro em Cuba.
No ano passado Yoani tentou visitar o Brasil para participar da apresentação do documentário e, apesar de receber o visto de entrada brasileiro, as autoridades cubanas voltaram a negar-lhe a permissão de saída. A blogueira terá no Brasil uma intensa agenda que inclui sua participação em conferências e debates sobre liberdade de expressão e direitos humanos, e também vai divulgar o livro De Cuba, com Carinho, uma coletânea de seus textos sobre o triste cotidiano do povo cubano.
Na quarta-feira ela fará turismo em Salvador e depois virá a São Paulo, onde tem atividades até sábado. A viagem de Yoani Sánchez pelo mundo também inclui México, Peru, Estados Unidos, República Tcheca, Alemanha, Suécia, Suíça, Itália e Espanha, onde entre outros eventos participará na cidade de Burgos de um congresso sobre internet entre 6 e 8 de março.