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07 junho 2013

Atenção, senhores democratas: o PT ameça o estado democrático de direito! Quando já for tarde, tarde será...

A que serve o enfraquecimento do Poder Judiciário com o desrespeito a suas decisões? A que serve o Poder Legislativo agachado e perplexo? A que serve as "vistas grossas" das autoridades do Executivo para com o uso da força bruta pelas minorias - índios, "sem-terras", Lgbts, etc. - contra a legalidade? Leiam a nota da Federação da Agricultura do Pará:
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Nos desrespeitos ao Poder Judiciário, as ameaças ao Estado Democrático de Direito.

Não cansamos de repetir – por se tratar de verdade axiomática – que é nosso dever lutar para que o Poder Judiciário seja, sempre, o grande bastião das aspirações da cidadania, a instituição acima de todas as outras – mesmo respeitando a independência dos Poderes – para que o Estado Democrático de Direito seja preservado e a esperança de que a Justiça prevaleça e se concretize para toda a sociedade, de forma serena, determinada, transparente e ágil.
Assusta-nos, pois, verificar que os desrespeitos às decisões judiciais, o descumprimento das ordens emanadas da magistratura, estão se tornando corriqueiros, com a complacência ditada pelo “silêncio” geral. O preceito de que “sentença judicial não se discute: cumpra-se ou se recorra” parece condenado a se tornar expressão em desuso, sem que as vozes ou as penas dos chamados “formadores de opinião” se levantem em protesto.
A atitude da liderança indígena, rasgando frente as câmeras das redes de televisão uma ordem judicial não pode ser encarada, simplesmente, como “folclórica” (nem parecer “emblemática” como se tornou a foto da índia que ameaçou com um facão um ex-presidente da ELETRONORTE) ou posta no patamar de que ele, o índio, não tinha “capacidade de entendimento” do que o seu gesto rebelde representava. Não, de modo algum! O que se mostrou ao país é que estamos caminhando firmes no rumo da anarquia, com o deliberado propósito das minorias, com o estranho apoio da mídia, em desmoralizar as instituições democráticas.
Aqui, no Pará, o não cumprimento dos mandados judiciais de reintegração de posse já ensejaram um pedido de intervenção federal, aprovado a quase unanimidade pelo Tribunal de Justiça do Estado, por iniciativa de um grupo de produtores rurais e a assistência da CNA e desta Federação. No presente, assistimos, estarrecidos, que, na prática, se rasga a Constituição Federal quando se coloca de lado a máxima da Lei Maior que consagra que o poder emanado do povo seja exercido pela representação legal ou pelos caminhos por ela ditados. Parcelas da população, extremamente minoritárias, como soem ser os trabalhadores sem-terra ou os índios, teimam em insistir que suas reivindicações por reforma agrária ou demarcações de território sejam obtidas pela força, pela intimidação, através de ocupações ilegais e armadas, ignorando de maneira afrontosa os ditames judiciais.
Estamos enveredando por um perigoso e desastrado caminho que tende a romper com a Democracia. A fragilização do Poder Judiciário, no momento em que suas decisões deixam de ser cumpridas e o Poder Executivo aceita “dialogar” com os grupos que assim procedem, transforma-se em uma ameaça a toda a sociedade. Esta observa, impassível, anestesiada, que os “direitos” devem sem conquistados pela força bruta, armada, com o Executivo complacente, o Judiciário ignorado e o Legislativo perplexo diante de um quadro assustador.
Não estamos querendo passar por “cassandras”, mas é preciso alertar a sociedade para o perigo que o desrespeito ao Poder Judiciário representa para o Estado Democrático de Direito, fator que se agrava mais ainda com o inquietante silêncio da grande imprensa. O jornalista Reinaldo Azevedo, em seu “blog”, destacou com propriedade: “Alertar para o mal e enfrentar a incredulidade dos crédulos — atentem para a graça desse oximoro — é coisa inscrita em nossa cultura, em nossas raízes morais. A razão é simples: se realmente nos damos conta do perigo e do malefício, somos obrigados a agir. E, muitas vezes, as instituições preferem a acomodação, o que é sempre um encontro marcado com a morte.”
É preciso que o inciso IV do Art.3º da Constituição Federal (IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.) seja aplicado literalmente, sem que ocorra – o que é uma evidência nos dias atuais – a odiosa discriminação da maioria da população brasileira que não concorda, temos certeza, com a prática de se usar a força para impor reivindicações, sejam elas quais forem.
Belém, 05 de junho de 2013.
Carlos Fernandes Xavier
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará e do Instituto Alerta Pará

06 junho 2013

‘Cru e quente’, por Dora Kramer


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUARTA-FEIRA

DORA KRAMER
Ditados simplificam pensamentos, desconsideram as nuances de cada situação, mas convém não desprezá-los como porta-vozes da experiência.
Sobre os malefícios da afobação, por exemplo, há vários. Citemos apenas dois: um diz que a pressa é inimiga da perfeição; outro alerta o apressado para o risco de comer cru e quente o seu repasto.
O ex-presidente Luiz Inácio da Silva ignorou tais conselhos quando, no início do ano, aproveitou um encontro do PT para reiterar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição.
Segundo alguns autores, a ideia era estancar o falatório sobre a possibilidade de ele mesmo ser o candidato à Presidência em 2014. Outra versão reza que Lula pôs a eleição na roda para mudar a pauta naquele momento voltada para as peripécias de Rosemary Noronha no governo enquanto desfrutou de sua bênção e proteção.
A motivação pouco importa. A questão agora é o efeito colateral que Lula, com sua celebrada intuição política, não pesou nem mediu. Abriu o debate da sucessão como fez em 2008 ao lançar a “mãe do PAC” à cena no mês de fevereiro, com a mesma antecedência.
E acaba aí a semelhança. A situação da economia era outra, o humor dos aliados era bem melhor, o comandante tinha ascendência sobre a tropa, não havia oponentes no campo governista e aos políticos em geral interessava sentar no banco do carona de Lula.
Não é raro ouvir nos partidos ditos situacionistas que devem muito ao ex-presidente, mas que Dilma deve à ajuda deles em grande parte a sua eleição.
Nesse cenário inteiramente diverso é que a antecipação da campanha mostra suas consequências nefastas. Animou a oposição a sair da toca, abriu espaço e deu justificativa à dissidência de Eduardo Campos e semeou inquietação antes do tempo entre os que deveriam estar concentrados na tarefa de renovar o contrato com o eleitorado.
Houve um erro de cálculo: antecipada a sucessão presidencial, anteciparam-se as demais campanhas e com elas a crise de aflição que assola deputados, senadores e governadores na busca de boas posições no jogo.
Abafa o caso. A fim de não criar confusão com o PSD que pode lhes render boas alianças estaduais no ano que vem, os tucanos pararam de criticar Guilherme Afif Domingos pelo acúmulo das funções de ministro em governo do PT e vice-governador em administração do PSDB.
De onde farão cara de paisagem durante os dois dias em que Afif assumir o Palácio dos Bandeirantes na próxima semana, quando Geraldo Alckmin irá a Paris.
Para fins de conveniência eleitoral, a tucanagem compara a situação àquela em que o vice ocupa também uma secretaria no governo. Fazer de conta que é igual não isenta a realidade de dizer que uma coisa é uma coisa. Outra coisa é a expressão do cinismo em estado sólido.
Redemoinho. A inflação cresce, o poder de compra decresce, o endividamento aumenta, o crédito farto desaparece, a confiança no governo estremece e as pesquisas começam a registrar curva de popularidade descendente.
São os sinais objetivos que os apostadores do mercado eleitoral levam em conta para avaliar as chances de Dilma Rousseff na reeleição e fixar a cotação das ações de seus oponentes.
A especulação gera fatos, alimenta profecias que se autorrealizam e leva as forças políticas à dispersão. O governo tem agora um olho na economia outro nos próximos quatro meses, até início de outubro, quando se encerra o prazo para mudanças e/ou filiações partidárias para os candidatos às eleições.

Nota da Confederação da Agricultura - CNA

Militantes ideológicos, que aparelharam a Funai e se associaram ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a ONGs nacionais e estrangeiras, estimulam os índios a invadir terras produtivas, devidamente tituladas – algumas há mais de um século. Provocam conflitos que, além de levar insegurança ao setor mais produtivo da economia brasileira, instalam um ambiente de ódio e confronto entre brasileiros.
Os produtores rurais não desrespeitam os direitos dos índios, mas, ao contrário, estão tendo os seus desrespeitados. As invasões têm sido sistemáticas, a partir de ação da Funai, que, ao arrepio da lei, decide de maneira autocrática que terras serão demarcadas, ignorando os direitos do produtor rural e a segurança de sua família e empregados.
O setor agropecuário tem, hoje, peso extraordinário na economia do país. Acumula recordes de produtividade, usando menos terra e unindo produção com preservação. Cresceu, no último trimestre, 9.7%, enquanto o PIB como um todo avançou 0.6%. Em relação ao mesmo trimestre de 2012, o crescimento foi de 17%.
É essa presença na vida econômica e social do país que faz com que a CNA seja recebida com frequência no Palácio do Planalto, para discutir questões nacionais, como o recém-lançado Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014. Esta agenda propositiva não se confunde com a presente crise indígena – que, inclusive, é de natureza judicial.
O clima instalado, se não for imediatamente revertido, prenuncia novos e dramáticos confrontos de consequências imprevisíveis.
O que está em pauta vai bem além de infrações pontuais à lei. É o Estado democrático de Direito que está sendo contestado, de dentro do próprio Estado. Não será com declarações que desafiam a lei, a ordem e o bom senso que problema dessa magnitude será resolvido. A lei precisa ser e será cumprida.
A posição da CNA a respeito das demarcações de terras indígenas é conhecida: total respeito às decisões da Justiça, em todas as suas instâncias. Essa é a orientação aos nossos associados. Queremos a paz no campo, o que só virá com segurança jurídica e respeito ao direito de propriedade. E ainda:
• imediata suspensão dos processos de demarcação em curso até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal dos embargos de declaração contra a decisão em que foram fixadas as condicionantes no caso Raposa Serra do Sol, para que todos os Poderes tenham uma orientação única sobre os procedimentos de ampliação ou criação de terras indígenas;
• revalidação da Portaria AGU 303/2012, com aplicação obrigatória das 19 condicionantes do caso Raposa Serra do Sol, enquanto o STF não julga os recursos pendentes;
• indenização não apenas das benfeitorias, mas também das terras legalmente tituladas tomadas dos produtores rurais.
A CNA apoia a iniciativa de construção de uma nova política indigenista, submetida não apenas à Funai, mas também a outros ministérios e órgãos do governo federal. É inconcebível que questão deste porte fique ao arbítrio de um único órgão, aparelhado por uma militância associada a objetivos ideológicos e comerciais, alheios ao interesse nacional.
Brasília, 5 de junho de 2013
Senadora Kátia Abreu
Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

05 junho 2013

União do pacífico: um contra-ponto ao Mercosul

 Por Pedro Simon: A Aliança do Pacífico, o Brasil e o Mercosul
Enrique Pena Nieto, Juan Manuel Santos, Sebastian Pinera e Ollanta Humala: Aliança do Pacífico (Foto: AFP)
Enrique Pena Nieto, Juan Manuel Santos, Sebastian Pinera e Ollanta Humala: Aliança do Pacífico (Foto: AFP)
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Artigo publicado no jornal Zero Hora

 A ALIANÇA DO PACÍFICO, O BRASIL E O MERCOSUL
É com angústia que vejo e analiso as declarações de autoridades diplomáticas brasileiras sobre a Aliança do Pacífico. Houve quem afirmasse que ela “não tira o sono do Brasil”. Uma opinião destemida, mas não apropriada quando se trata de um tema vital para os interesses estratégicos do país.
Assim, a criação de um novo bloco de países na América Latina, com suas implicações geopolíticas, comerciais e econômicas é analisada de forma superficial. Não se concebe que esse acontecimento não cause a mais leve apreensão, tanto por parte do governo, quanto pelo Itamaraty.
Ao contrário, o assunto é visto com displicência, um quase desdém, embora a Aliança do Pacífico tenha potencial para causar forte impacto no sonho da integração latino-americana. A começar pela redução do poder de atração representado pelo Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade.
A Aliança representa um forte contraponto à influência política e econômica do Brasil na região. Formada há dois anos por México, Chile, Colômbia e Peru, contabilizou no ano passado US$ 556 bilhões em exportações, contra US$ 335 bilhões registrados no comércio tradicional entre os países que integram o Mercosul.
É compreensível que a Aliança, subestimada no Brasil, seja acompanhada com maior objetividade por outros países. Estados Unidos, Canadá, Panamá e Costa Rica estão mais diretamente interessados. Ao mesmo tempo, França, Japão, Espanha, Portugal, Nova Zelândia e Austrália enviaram observadores à recente reunião de cúpula do grupo.
É quase inacreditável que todo esse barulho em nossa vizinhança, não desperte qualquer curiosidade por aqui. Tanta movimentação política e comercial na nossa retaguarda deveria – isso sim – despertar luzes amarelas piscantes no Itamaraty.
Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade (Foto: AFP)
Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade (Foto: AFP)
Mas, a preferência nesse ambiente é por outras cores. Talvez considere mais atraente o azul da bandeira da combalida União Europeia, com a qual o Mercosul tenta formalizar, há uma década, um acordo comercial capaz de equilibrar interesses da indústria e da agricultura de ambos os lados.
Nesse vácuo de interesse, cabe grande responsabilidade ao Senado e, especialmente, à Comissão de Relações Exteriores e Defesa. Daí, nossa sugestão de realização de uma audiência pública com autoridades e a quem mais interessar, para que possamos debater com profundidade a Aliança do Pacífico e suas implicações geoestratégicas, políticas e comerciais no continente, levando em conta, principalmente, o Brasil e o Mercosul.

Os comunistas de nossas universidades federais teimam em existir...

Vejam bem. Este é um dos posts que denunciam o que fazem o(a)s viúvo(as) do comunismo nas universidades federais Brasil a fora.
Aboletados nos órgãos chamados por eles de "coletivos", embora pratiquem mesmo é turismo e curtam mordomias durante foruns e outra reuniões para discutir a "luta-de-classes" ou o "bem da humanidade", na verdade seu comunismo de botequim não passa de bolivarianismo chulé, hoje em franco desmonte em razão da morte do padroeiro, o "Bolívar-de-hospício" Hugo Chaves.
Eles me detestam porque não rezo pela sua cartilha. 

Vejam o post publicado no blog de Ricardo Setti em Veja.com:
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UM ESPANTO E UM ABSURDO: há um Centro de Difusão do Comunismo em uma importante Universidade federal — pago com nosso dinheiro. O currículo inclui até “militância anticapitalista”

O comunismo como projeto de uma “nova sociedade” foi, provavelmente, o maior fracasso da história da Humanidade.
Durante décadas, oprimiu dezenas de países e centenas de milhões de pessoas, suprimiu-lhes a liberdade, condenou-as ao atraso e à carência.
Provocou milhões de mortes, prisões iníquas, violações sem conta dos direitos humanos.
Desabou a partir da queda do Muro de Berlim, em 1989, e morreu de vez, como projeto global em 1991, com o fim inglório da União Soviética, que já vinha caindo aos pedaços há vários anos.
Como relíquias de uma época da qual as pessoas querem distância, persistem regimes comunistas em países miseráveis e famélicos como a Coreia do Norte, ou próximos dessa situação, como Cuba. E formalmente comunistas, a China e o Vietnã enveredaram por um feroz capitalismo de Estado e, da ideologia de Marx aplicada à realidade, só restou a ditadura de partido único.
Nada disso fez mudar uma importante universidade federal “deztepaiz” — a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).
Com o suado dinheiro do contribuinte brasileiro, a Ufop mantém, sob as asas de sua Pró-Reitoria de Extensão (Proex), nada menos do que um inacreditável Centro de Difusão do Comunismo (CDC-Ufop). (TODAS AS ILUSTRAÇÕES DESTE POST FORAM EXTRAÍDAS DO SITE DESTE “CENTRO”).
Não se trata de um centro de ESTUDOS do comunismo, o que, naturalmente, se justificaria. Da mesma forma como se estudam dinossauros ou as pirâmides do Egito, o comunismo poderia, perfeitamente, ser objeto de estudos.
Mas não, vocês leram bem: uma Universidade federal abriga um centro de DIFUSÃO do comunismo.
De DI-FU-SÃO!
Há, na Ufop, sem disfarce de espécie alguma, até um Grupo de Debate e Militância Anticapitalista.
Sim, vocês leram corretamente: a universidade propõe e ensina MILITÂNCIA anticapitalista.
Não sei da existência de um suposto “centro de estudos” que proponha aos alunos militância política! É o fim do mundo!
A coisa é tão espantosa, tão absurdamente distante do propósito de qualquer universidade pública, tão escandalosamente propagandística de uma ideologia totalitária, que, mais do que continuar a descrever do que se trata, vou simplesmente reproduzir um pouco do que diz o próprio site do tal “Centro”. (As letras maiúsculas estão no original).
Vejam só:
(Foto: Centro de Difusão do Comunismo / Universidade Federal de Ouro Preto)

“APRESENTAÇÃO"

Liga dos Comunistas. Núcleo de Estudos Marxistas (CNPQ) é um PROJETO vinculado ao PROGRAMA CENTRO DE DIFUSÃO DO COMUNISMO (CDC – UFOP). Pretende ser um núcleo de estudo e pesquisa sobre o movimento do real, referenciado à teoria social de Marx e à tradição marxista.

JUSTIFICATIVA
Aberto à participação de alunos, professores e funcionários da UFOP e aos trabalhadores da região, a construção de um núcleo de estudo vinculado à tradição que se inspira em Marx e que defende o comunismo tem um objetivo seminal: a transformação da realidade. Nesse momento histórico e determinado, essa realidade é dominada por um “sistema de controle do metabolismo social” específico, o capital.

METODOLOGIA
Através do núcleo de estudos, realizar encontros quinzenais para leitura de textos de Marx e da Tradição marxista sobre o “movimento do capital”, seguidos de debate sobre o tema, além de incentivar a investigação científica (pesquisa), a produção de artigos e a divulgação em eventos e revistas.”
Continuando com mais elementos do site — e chegamos à “militância anticapitalista”:
(Foto: Centro de Difusão do Comunismo / Universidade Federal de Ouro Preto)

“EQUIPE ROSA LUXEMBURGO

APRESENTAÇÃO
Equipe Rosa Luxemburgo é um PROJETO vinculado ao PROGRAMA CENTRO DE DIFUSÃO DO COMUNISMO (CDC – UFOP) e se propõe a ser um Grupo de Debate e Militância Política Anticapitalista, com especial apoio ao movimento dos trabalhadores da mineração na região e às lutas próprias à educação na UFOP. Cabe à Equipe Rosa Luxemburgo a coordenação do PROGRAMA CDC – UFOP.

JUSTIFICATIVA
Existe na região de abrangência da UFOP um significativo número de trabalhadores na área da mineração que tem o direito de receber apoio da UFOP para fortalecer suas lutas. Dentro da UFOP também, alunos, professores e funcionários tem o direito de receber apoio em suas reivindicações.

METODOLOGIA
- Formação de uma equipe de debate anticapitalista que envolva estudantes, professores, funcionários e trabalhadores da região da UFOP.
- Apoio ao movimento dos trabalhadores e suas ações públicas.
- Encontros semanais para monitoramento do PROGRAMA CDC – UFOP (planejamento e avaliação das ações a serem desenvolvidas).”
Vou parando por aqui.
Se quiserem saber mais sobre essa aberração — uma universidade transformada em centro de militância –, cliquem no link do Centro de Difusão do Comunismo.

04 junho 2013

Índios invadem a sede do PT no Paraná. Bem feito! É o PT provando do próprio veneno


Leiam o post de Ricardo Setti (em Veja.com). Concordo em gênero, número e grau:



Integrante da tribo dos caigangues na sede do PT do Paraná ocupada (Foto: Henry Milléo / Gazeta do Povo / Futura Press)
Amigas e amigos do blog, vocês viram essa?

Começa assim a matéria do site de VEJA:
“Um grupo de aproximadamente trinta índios da tribo caingangue invadiu na manhã desta segunda-feira a sede do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) do Paraná, em Curitiba. O objetivo dos índios é protestar contra a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que no início de maio determinou a suspensão da demarcação de terras indígenas no Estado.”  
Beleza! Bem feito!
O PT, desde seus primórdios, estimulou esse tipo de “ação” — seja as invasões não raro violentas de propriedades rurais pelos baderneiros do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), ou ”ocupações” de reitorias por estudantes baderneiros da UNE picareta, dominada bionicamente, sem eleições, por partidecos de esquerda, seja atos semelhantes praticados pelos diferentes movimentos de “sem-teto” em várias cidades.
O PT nunca condena — e vários de seus integrantes elogiam e até participam das “ações” — os diversos “movimentos sociais” que acham que ocupar prédios, danificar propriedade pública, invadir sedes do Legislativo (inclusive o Congresso), promover quebra-quebras e praticar outras ações violentas e antidemocráticas são formas legítimas de sua “luta”.
Quem não se lembra dos arruaceiros que ocuparam a pequena fazenda da família de um então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, sob o silêncio espesso da então oposição petista?
Quem não se lembra dos baderneiros de partidos “de esquerda” que agrediam participantes de leilões de privatização, durante o governo FHC?
(Agora, durante o governo Dilma, isso não vem acontecendo, até porque o governo, envergonhado, não usa a palavra “privatização” mesmo quando privatiza. Prefere “concessões” e outros eufemismos.)
A invasão em Curitiba foi pacífica. Não houve quebra-quebras e agressões tão comuns em fatos similares anteriores.
Melhor assim, claro. De todo modo, que ótima sensação ver o PT provar do próprio veneno!

‘Evo testa Dilma’, editorial do Estadão

Como ex-perseguido político, senti na pele o que é ser exilado. Detesto autoritários! O bolivarianismo para mim é uma praga a ser combatida sem tréguas. Essa coisa de marxismo de botequim... Leiam o eitorial do Estadão:


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO
O opositor Roger Pinto Molina, refugiado na embaixada brasileira em La Paz há um ano

O espantoso caso de Roger Pinto Molina, o opositor boliviano que está refugiado na embaixada brasileira em La Paz, completou um ano na terça-feira passada. Certo da tibieza do governo petista no trato com o presidente Evo Morales, que na última década tem desafiado o Brasil à vontade sem sofrer nenhuma consequência, o governo da Bolívia continua a negar a concessão de um salvo-conduto a Molina para que ele atravesse a fronteira e possa usufruir o asilo político que recebeu da presidente Dilma Rousseff. Mais uma vez, Morales testa os compromissos ideológicos do governo petista com o “bolivarianismo”, movimento em nome do qual o Brasil vem aceitando, docilmente, a arrogância dos vizinhos bolivarianos.
Dilma acertou ao conceder o asilo a Molina, senador que se refugiou na Embaixada do Brasil para não ser preso. O político é acusado pelo governo boliviano em mais de 20 processos que envolvem corrupção, participação num massacre de índios e conspiração para derrubar Morales. Molina nega tudo e se diz perseguido político. Começou a sofrer o assédio oficial depois de ter acusado um auxiliar direto de Morales de ser corrupto e de estar ligado ao narcotráfico. Considerando-se a tradição bolivariana de inventar denúncias contra seus adversários, para tirar a oposição do campo político e jogá-la no noticiário policial, Molina tem razão por temer por seu destino.
É da tradição brasileira conceder asilo a perseguidos políticos, sejam quais forem suas convicções ideológicas e sem considerar o mérito das acusações que estejam sofrendo. Dilma apenas seguiu o manual. A resposta a essa decisão, no entanto, veio na forma da intransigência de Evo Morales, que não vê problema nenhum em arriscar as relações com o Brasil quando lhe convém. Basta lembrar a ocupação militar de uma refinaria da Petrobrás, em 2006, liderada por Morales. Na ocasião, o Brancaleone andino não só não foi admoestado pelo governo Lula como ainda recebeu sua solidariedade, enquanto a Petrobrás contabilizava prejuízo bilionário.
O caso do senador Molina expõe a leniência e o duplo padrão moral da diplomacia petista quando se trata de enfrentar as desabridas atitudes dos bolivarianos. O opositor boliviano, de 53 anos, enfrenta há um ano duras condições de vida dentro da embaixada. Vive num espaço de cerca de 20 metros quadrados no primeiro andar do prédio e não pode sair para tomar sol. Foi proibido pelo Itamaraty de receber visitas de amigos e de correligionários e não pode conceder entrevistas.
O Ministério das Relações Exteriores argumenta que as restrições seguem a Convenção de Caracas, que normatiza a concessão de asilo diplomático e diz, em seu artigo 18, que os asilados não podem “praticar atos contrários à tranquilidade pública, nem intervir na política interna do Estado territorial”. No entanto, não houve o mesmo zelo legal quando o bolivariano Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, se refugiou na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, em 2009. Durante os quatro meses em que Zelaya permaneceu no prédio, ele recebeu visitas as mais diversas, incitou simpatizantes à rebelião, deu entrevistas e denunciou a “ditadura” hondurenha, sem que fosse repreendido.
No caso de Molina, seu advogado, que acusa a diplomacia brasileira de fazer “corpo mole”, pediu ao STF que mande o Itamaraty fornecer a seu cliente um carro do corpo diplomático para que ele possa deixar a Bolívia, independentemente da concessão de salvo-conduto. Enquanto isso, parlamentares governistas sugerem que Morales está usando os 12 corintianos presos desde fevereiro pela morte de um torcedor boliviano como moeda de troca para pôr as mãos em Molina. Há também a possibilidade, proposta pela Bolívia, de que Molina receba permissão para ir ao Peru, mas não está claro se ele receberia garantias de que de lá não seria repatriado.
Em qualquer desses casos, será inadmissível se Dilma se dobrar às chantagens bolivianas e não exigir garantias críveis de que Molina não será entregue a seus algozes.

Déficit comercial é o maior da história: US$ 5,4 bilhões até maio


Na VEJA.com:
A balança comercial brasileira registrou superávit de 760 milhões de dólares em maio, valor 74,3% inferior ao registrado em igual mês de 2012, quando atingiu 2,962 bilhões de dólares. Esse é o menor valor para o mês desde 2002. Com o resultado do mês passado, o país acumula um déficit de 5,392 bilhões de dólares de janeiro a maio deste ano, o pior déficit histórico para os cinco primeiros meses do ano. Entre janeiro e maio de 2012, o país teve um superávit de 6,261 bilhões de dólares.
O resultado vem depois de o país ter registrado de 994 milhões de dólares de déficit em abril. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações alcançaram 21,824 bilhões de dólares, com média diária de 1,039 bilhão de dólares, crescimento de 10,8% em relação a abril de 2013. As importações totalizaram 21,064 bilhões de dólares e média diária de 1,003 bilhão de dólares, números recordes para meses de maio.
No acumulado do ano, as exportações no ano somam 93,291 bilhões de dólares, com média diária de 905 milhões de dólares e queda de 2,8% em relação ao mesmo período de 2012. Em contrapartida, as importações são recordes para o período. Somam 98,683 bilhões dólares e média diária de 958,1 milhões de dólares, alta de 9,8% na comparação com janeiro a maio do ano passado.

31 maio 2013

Simpatias do PMDB por Aécio Neves reveladas por deputado são um problema a mais no caminho de Dilma-2014

Leiam o que foi publicado no blog de Ricardo Setti, em Veja.com: um prognóstico alentador para quem quer ver a derrota do lulopetismo...
Deputado Leonardo Quintão: foi ele quem conseguiu 199 assinaturas -- 52 de seu partido, o PMDB, supostamente parte da base papara formar uma CPI sobre a Petrobras que o governo não quer ver nem pintada
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Leiam essa frase do deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), em entrevista concedida ao site de VEJA:
“Boa parte do PMDB tem simpatia pelo Aécio Neves. Mas o jogo político começa no ano que vem. O senador tem uma habilidade muito grande de convencimento. A gente tem de ser franco nesse diálogo: se a parceria não for boa para o PT e o PMDB, o partido tem a obrigação de procurar os seus caminhos.”
Leonardo Quintão não é um deputado qualquer. Como você verá na entrevista, “enquanto o Palácio do Planalto tentava contornar a crise que travou a articulação política no Congresso nas últimas semanas, ele percorreu o plenário coletando assinaturas de deputados para criar uma CPI da Petrobras”
Aproveitando os ânimos acirrados — diz ainda a matéria — recolheu 199 nomes, bem acima do número necessário para instalar uma CPI. E, vejam bem, 52 dos deputados que pediram a CPI — num momento em que o governo quer ver Belzebu em pessoa do que a comissão funcionando — são do PMDB, partido do vice-presidente da República, Michel Temer, e esteio do governo Dilma no Congresso.
“O descontentamento dos parlamentares do PMDB com o governo tem aumentado muito”, afirmou Quintão ao site de VEJA. Para o deputado, a crise tem duas frentes: a dificuldade dos parlamentares em conseguir recursos nos ministérios e as negociações eleitorais nos Estados.
E esta, meus amigos, é apenas uma das pedras no sapato da campanha de reeleição da presidente Dilma, lançada como candidata pelo próprio Lula no começo do ano e que, em discursos, inaugurações e pronunciamentos à nação, pode-se considerar que, mesmo fora da época e da lei, já começou.

As pedras não são poucas. Vamos a elas:
1. Crescimento do PIB. A economia vai capengando. Dilma caminha para um provável terceiro ano com taxas de crescimento do PIB inferiores às do lulalato. A oferta de empregos declinou um pouco, mas o problema nessa área é que a grande maioria dos postos oferecidos é de baixo salário.

2. Ameaça da inflação. A inflação voltou a assombrar, ameaçando duas décadas de conquistas dos brasileiros, e as mágicas tentadas pela área econômica do governo — como cortar impostos, intrometer-se na política de preços da Petrobras e das elétricas, entre outras ações — não vêm funcionando a contento, tanto é que o Comitê de Política Monetária (Copom), acaba de decretar a segunda alta consecutiva nas taxas básicas de juros.

3. Um aliado que pode debandar. O eleitorado potencial de Dilma em 2014 pode ser corroído pela candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, chefão do PSB, partido que vinha fechando com o PT em todas as disputas presidenciais desde 1989. Também Marina Silva, com seu novo partido de nome esquisito, tem cacife para atrair eleitores potenciais de Dilma.

4. Um aliado duvidoso. O PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab remancha e é reticente quando se fala na eleição de 2014.

5. Problemas sérios em alguns Estados. Vou ficar em apenas um — o Rio de Janeiro, Estado que possui o terceiro maior eleitorado após São Paulo e Minas Gerais. O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, ambos do mesmo PMDB do deputado Leonardo Quintão, são, sim, aliados da presidente Dilma. Mas estão furiosos com a manutenção, pelo PT, da candidatura do senador e ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindbergh Farias. Diante da ameaça clara de não eleger o candidato do partido, o vice-governador Luiz Fernando de Souza, o Pezão, não custa lembrar que ambos mantêm excelentes relações com o presidenciável tucano Aécio Neves, que foi criado no Rio de Janeiro e mantém na cidade um largo círculo de amizades e influências.
Cabral é aliado de Dilma, sim — mas será que vai querer um rival do PT em seu lugar no Palácio Guanabara? A cunha aberta no PMDB pode beneficiar Aécio. Se a ruptura não ocorrer, o senador já confidenciou a amigos ter uma carta surpreendente no bolso, alguém de muito prestígio mas de fora da política. A ver.
O Rio, de todo modo, é um entre vários Estados onde os palanques estaduais ameaçam a aliança do PMDB com a presidente.

6. Um adversário que vai dar trabalho. Quem acredita na pecha de gozador da vida pouco conectado com os grandes problemas nacionais que os adversários querem colar no senador Aécio Neves poderá se surpreender na campanha. Diferentemente de José Serra — que, não custa lembrar, levou Lula e Dilma ao segundo turno –, Aécio é vastamente conhecido como um agregador, um aparador de arestas. Diferentemente de Geraldo Alckmin — que deu um susto em Lula em 2006, indo também para o segundo turno — é dotado de forte carisma.
Tem um bom currículo como político: foi um deputado ativo, um presidente da Câmara dos Deputados que articulou proezas antes consideradas impossíveis, como acabar com a imunidade total para deputados e senadores e um governador de Minas bem avaliado e popular por dois mandatos, a ponto de eleger como sucessor seu vice, Antonio Anastasia, que começou a campanha com 3% de intenção de votos.
Como presidente recém-eleito do PSDB, obteve carta branca de governadores e cardeais do partido para a montagem dos palanques estaduais tendo em vista sempre o objetivo de obter o melhor resultado eleitoral — e quem vai montar é ele mesmo. Pretende trabalhar duro para tornar-se conhecido em São Paulo (que, somado à sua Minas natal, perfazem 43% do eleitorado brasileiro). Está muito mais próximo do governador Alckmin do que se imagina. Vai viajar por todo o país a partir de agosto e, no problemático (para os tucanos) Nordeste, acha que a ação de seu governo e do de Anastasia no empobrecido norte de Minas (incluído na área da Sudene) — Minas chegou a investir na região o triplo do que fazia no restante do Estado — pode servir de vitrine sobre o que representaria um presidente tucano para a região.

Além do mais,  está armando palanques que incluem os poucos governadores que PSDB tem na região e no Norte (Rosalba Carlini, do DEM, no Rio Grande do Norte, e Simão Jatene, do PSDB, no Pará) mas uma boa rede de prefeitos de grandes cidades, que vai de ACM Neto (DEM) em Salvador a Arthur Virgílio (PSDB) em Manaus.
A eleição de 2014, não é ousado arriscar, não deve ser um passeio para a presidente Dilma.

30 maio 2013

Acusação de Protógenes é criminosa, diz Gurgel


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse nesta quarta-feira (29/5) que não irá estabelecer qualquer bate boca com investigados, “por mais repugnantes e mentirosas que sejam as afirmações feitas pelo investigado”. Gurgel se manifestou sobre acusações feitas pelo ex-delegado e deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) em palestra no dia 9 de maio, na subseção de São Caetano do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil.
Em palestra intitulada “Os bastidores da operação satiagraha”, Protógenes, investigado em processo no Supremo Tribunal Federal justamente por sua atuação na operação, acusou a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio de ter recebido R$ 280 mil do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, para que ela desse parecer favorável à quebra de seus sigilos. Cláudia é mulher do procurador-geral da República.
Sobre a acusação, Roberto Gurgel (foto à direita) disse que se trata de uma reação “descontrolada, intolerável e criminosa” do deputado, ao pedido formulado no Supremo Tribunal Federal “de diversas diligências para apuração de fatos extremamente graves que envolvem esse investigado”.
Os pedidos foram atendidos pelo Supremo. O ministro Dias Toffoli atendeu uma lista de pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República. Entre eles estão a quebra de sigilo bancário do deputado e do sigilo telefônico do empresário Luís Roberto Demarco. Toffoli também determinou a expedição de carta rogatória à Itália, para obtenção das conclusões dos processos conduzidos pela Procuradoria da República de Milão. Nesse processo, apurou-se que da empresa Telecom Italia foram desviadas altas somas destinadas a subornar autoridades, políticos, policiais e jornalistas do Brasil.
“O que está me parecendo é que o deferimento dessas diligências está inquietando esse investigado a ponto de fazê-lo perder o controle”, afirmou o procurador-geral. Roberto Gurgel ainda disse que as acusações criminosas são “uma óbvia tentativa de obter o impedimento do procurador-geral” e também de obter o impedimento de ministros do STF. “Porque se eu tomo qualquer providência com relação a essas calúnias, fico impedido de atuar neste caso. E a Procuradoria não vai cair nessa armadilha. Vai continuar atuado no caso, apurando com todo o rigor e com toda a serenidade que caracteriza o MP esse fatos que, como disse, são extremamente graves."
Protógenes Queiroz também afirmou que Daniel Dantas ofereceu US$ 20 milhões para um delegado da Polícia Federal e cinco policiais, mas não citou os motivos ou nomes dos assediados. E emendou: “quanto que não deve ter oferecido, não ofereceu, para o procurador-geral da República?”.
Questionado sobre a desvalorização do Ministério Público — já que a suposta propina de R$ 280 mil muito menor do que a de US$ 20 milhões que teria sido oferecida, segundo o deputado, à PF — o procurador respondeu, rindo: “Já não vou discutir esse tipo de cotação”.
O banqueiro Daniel Dantas entrou com queixa-crime no Supremo por conta das declarações do deputado. Na palestra, Protógenes voltou a chamar Dantas de “banqueiro bandido”. O deputado disse também: “Não encontraram nada. No parecer ela (Cláudia Sampaio) diz que encontraram na minha casa R$ 280 mil, que foi apreendido. Ela escreveu isso e assinou. (…) Talvez tenha seja R$ 280 mil que o Daniel Dantas tenha dado para ela. Para ela dar esse parecer”.
Protógenes Queiroz é investigado em inquérito (Inq 3.152) que tramita no STF. Conforme revelou a revista Consultor Jurídico na última sexta-feira (24/5), o tribunal decidiu dar curso à investigação que apura se a operação satiagraha foi patrocinada e conduzida por empresários interessados em alijar o banqueiro Daniel Dantas do mercado de telecomunicações do Brasil.
Rodrigo Haidar é editor da revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 29 de maio de 2013

Justiça e MP investigam uso de Oscips como fachada


Dois processos na Justiça Federal de Brasília e um na Advocacia-Geral da União (AGU) devem apurar, nos próximos dias, se a administração pública pode contratar empresas, por meio de Oscips (organizações da sociedade civil de interesse público), sem licitação. E, no caso de fraude, quem deve reembolsar o erário. Os dois processos judiciais já estão conclusos para sentença.
O caso concreto em julgamento envolve a venda de um software para o Ministério da Previdência no valor de R$ 38 milhões. A encomenda feita ao Instituto Vias nunca foi entregue. Ao mesmo tempo, a Corregedoria da AGU desdobra um Processo Administrativo Disciplinar contra o procurador da Fazenda Hugo César Hoeschl por atuar, ao mesmo tempo, em Oscips que mantêm contratos com o poder público e em empresas contratadas por esse esquema.
O esquema investigado baseia-se em contratações trianguladas. A Oscip faz convênio com o órgão público e contrata empresas sem licitação, em uma ação entre amigos. Segundo a promotora de Justiça Márcia Aguiar Arend, que investigou os negócios do Vias, a falta de fiscalização sobre as Oscips enseja desvio de dinheiro público “sob os auspícios de uma benemerência que sabemos afeiçoada ao lucro”.
O caso do Instituto Vias é paradigmático. A Oscip não lucra, por imposição legal. Mas as empresas contratadas sim. E as empresas têm como integrantes as mesmas pessoas que fazem parte do Instituto. O procurador da Fazenda estava ao mesmo tempo na Oscip e nas empresas WBSA e na KM Consult, contratadas pelo Vias. Posteriormente, a WBSA foi vendida.
Outra Oscip criada pelo procurador da Fazenda, o iJuris — que mudou de nome para Instituto i3G —, também é alvo de investigação. O instituto tinha como fornecedores, além da empresa WBSA, a empresa de consultoria KM Consult. Tanto a Oscip quanto a KM eram administradas pela mulher de Hoeschl, Tânia D’Agostino Bueno.
ONGs de fachada
Procurado, Hoeschl nega todas as acusações, diz que só tinha funções científicas na Oscip, sem poder de decisão, e alega que deixou de integrar o Instituto Vias antes de a denúncia do Ministério Público ser apresentada. Segundo ele, sua atividade “só passou a ser mais intensa” depois que ele se afastou da Procuradoria da Fazenda, em 2005. O golpe no Ministério da Previdência foi denunciado em 2004.
Essa prática das Oscips parece generalizada. Há centenas de processos civis e criminais tratando das mesmas ilegalidades. No Rio de Janeiro, o Ministério Público concluiu que toda a rede de assistência médica no município de Caxias, provida nesses moldes, era fraudulenta. No dizer dos promotores, essas Oscips “são ONGs de aluguel e fachada para desviar recursos”. No caso, o desvio apontado é da ordem de R$ 700 milhões.
O procurador da Fazenda Hugo César Hoeschl, que revezou período de licença, em que atuou como empresário, com outro em que atua dentro do setor público não está entre os acusados que respondem na Justiça Federal pelo golpe contra a Previdência. É que na data em que os processos foram ajuizados, ele já não integrava o Instituto Vias, embora tenha sido ele o arquiteto da transação que administrou o contrato durante a maior parte do tempo que o negócio vigorou.
Ação Penal 4444-13.2011.4.01.3400
Ação Civil Pública: 0027585-03.2007.4.01.3400
Márcio Chaer é diretor da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 29 de maio de 2013

29 maio 2013

A bagunça de costume do governo Dilma

Leia editorial de hoje do Estadão:
Depois de insinuar que foram propositais os boatos sobre a extinção do Bolsa Família, que levaram multidões a agências da Caixa Econômica Federal em 13 Estados no penúltimo fim de semana – quando, em meio a filas e tumultos, R$ 152 milhões foram sacados em cerca de 900 mil operações eletrônicas -, o governo e o banco oficial continuam devendo uma explicação convincente para o ocorrido. Enquanto isso, robustecem-se as evidências de que a presidente Dilma Rousseff não sabia o que dizia quando afirmou que o rumor sobre o término do programa foi “criminoso”. O mesmo vale, naturalmente, para o seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, que saiu falando em “ato de vandalismo” e “brincadeira estúpida”, sem esquecer da titular da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, que atribuiu a boataria a uma “central de notícias da oposição” e precisou se retratar.
Os fatos, na realidade, apontam para a clássica combinação de incompetência e tosca tentativa de acobertamento de seus resultados – no que a gestão Dilma é pródiga. Na segunda-feira seguinte aos dois dias de pânico disseminado, um alto funcionário da Caixa, o vice-presidente de Governo e Habitação, José Urbano Duarte, apareceu na TV Globo para dizer que, diante da aflição da clientela do Bolsa Família, a instituição decidiu liberar os pagamentos a todos os inscritos, quaisquer que fossem as datas autorizadas para os saques (conforme o último dígito dos respectivos cartões). A alegação se revelou falsa. No último sábado, a Folha de S.Paulo relatou que na véspera do caos, quando apenas os portadores de cartões com final 1 poderiam receber o benefício do mês, uma surpreendida dona de casa da região metropolitana de Fortaleza já tinha conseguido sacá-lo. Só então a Caixa reconheceu que os depósitos de maio, no valor total de R$ 2 milhões, precederam a corrida às agências – e não o contrário.
A quebra da rotina correu de boca em boca, desencadeando o medo – característico em tais circunstâncias, como ensina a psicologia do rumor – de que a mudança era presságio de más notícias. No caso, o encerramento do programa que transfere R$ 151 mensais, em média, a 13,8 milhões de famílias pobres. (O Bolsa Família custa ao erário quase R$ 24 bilhões por ano.) Essa hipótese parece mais plausível do que a teoria conspiratória segundo a qual alguém, não se sabe quando, teria acionado uma empresa de telemarketing do Rio de Janeiro para difundir gravações mentirosas anunciando o fim do benefício. O que pressupõe, entre outras coisas, que a firma teria ou recebeu os números dos telefones de uma parcela, ao menos, da população assistida.
Mas por que a Caixa resolveu mudar dessa vez o sistema de pagamento? Numa entrevista, anteontem, em que pediu desculpas pelo “erro” de sustentar dias a fio a versão desmascarada sobre a data da liberação antecipada do dinheiro, o presidente da Caixa, Jorge Hereda, deu uma resposta inverossímil.
Segundo ele, o banco havia descoberto que 692 mil famílias assistidas tinham mais de um cadastro, o Número de Identificação Social (NIS), que serve para definir o dia de recebimento do Bolsa Família. Apenas o NIS mais antigo foi revalidado. “Para garantir que esses beneficiários não estivessem impedidos de buscar os seus benefícios nas datas que usualmente tinham por referência”, argumentou Hereda, escolheu-se liberar tudo para todos.
O nexo entre uma coisa e outra é difícil de entender, assim como o fato de o órgão responsável pela decisão, o comitê operacional do programa, não ter se dado ao trabalho de avisar a tempo nem a direção da Caixa, muito menos a população interessada. Fica no ar a suspeita de que a instituição – antes por incompetência do que por malevolência – cometeu uma falha que se recusa a admitir e de cujos efeitos tenta se distanciar a todo custo.
O Planalto, de seu lado, está numa enrascada. Tendo reagido pavlovianamente ao episódio, ao culpar a oposição pela boataria, sem procurar saber, primeiro, qual teria sido a verdadeira origem dos saques em massa, a presidente Dilma se vê mais uma vez no papel constrangedor de espectadora inerte da bagunça que reina no seu governo.

Resultado do 1º trimestre indica: Dilma amargará pibinho em 2013

Por Talita Fernandes, na VEJA.com.
Depois de mais um resultado decepcionante do desempenho econômico do Brasil – o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu apenas 0,6% no primeiro trimestre do ano -, a expectativa do governo para o crescimento da economia, de 3% ao final deste ano, fica cada vez mais distante. O resultado do primeiro trimestre, informado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou bem abaixo das estimativas de analistas, que previam alta entre 0,8% e 1% no período. O dado decepcionou o mercado e, segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, indica que a presidente Dilma Rousseff vai amargar um novo “pibinho” em 2013. Desde que assumiu o poder, em 2011, o melhor PIB obtido por Dilma foi o daquele ano, de 2,7%. Para analistas, os dados do primeiro trimestre indicam que a marca não será igualada em 2013.
Comenta Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim: “Nós continuamos nos frustrando com a economia. É algo que aconteceu ao longo de todo o ano de 2012″. Se o dado já veio ruim no começo do ano, a expectativa para os próximos trimestres não é muito animadora. Antes mesmo da divulgação do dado de hoje, a Tendências Consultoria – que apostava em alta de 0,8% no primeiro trimestre – trabalhava com projeções menores de crescimento para os demais trimestres do ano, uma média de 0,7%. Após a divulgação do PIB, a economista-sócia da Tendências Alessandra Ribeiro já fala em crescimento próximo a 2,5% no ano. Para Padovani está cada vez mais difícil fazer um diagnóstico da economia. “Os dados econômicos têm sido muito instáveis”, afirma.
A economista do Santander Fernanda Consorte diz que a divulgação do PIB é ainda muito pior na “abertura dos dados”, ou seja, quando é observado o desempenho dos itens que compõem o PIB de forma mais detalhada. Ela explica que, ao analisar os componentes que formam o indicador, pode-se perceber que o crescimento ficou escorado no grande avanço da agropecuária, que subiu 9,7% na comparação com o último trimestre de 2012. O resultado foi o melhor desde o segundo trimestre de 1998, quando o setor registrou expansão de 13,9%. Fernanda reforça que o resultado visto na agropecuária nos primeiros três meses do ano é pontual e não deve se repetir ao longo do ano. “Agropecuária não deve cair, mas também não vai crescer sempre a um ritmo de quase 10%”.
Outra surpresa negativa foi a indústria. Enquanto economistas esperavam recuperação, houve uma queda de 0,3% na comparação com o último trimestre de 2012. O que mais pesou para o dado foi a indústria de extração mineral, que registrou queda de 2,1% no período. Padovani explica que o recuo é marcado pela queda de produtividade da indústria petroleira, mas que isso deve ser algo mais pontual, devido a manutenções que interrompem as atividades. Além disso, o setor de serviços também desacelerou, o que já era esperado, mais a um ritmo mais intenso do que o previsto. A expansão dos serviços foi de apenas 0,5% no trimestre, ante alta de 0,7% no último trimestre de 2012.
Na análise de Fernanda, um olhar detalhado sobre os dados mostra que no primeiro trimestre a oferta teve desempenho maior do que a demanda. O PIB é analisado pelos economistas sob duas óticas: a da oferta, representada pelo setor produtivo (agropecuária, indústria e serviços) e a dos gastos, ou demanda, representada por investimentos, consumo das famílias, gastos do governo e balança comercial (exportações menos importações). Para ela, essa discrepância entre as duas óticas pode refletir numa estagnação nos próximos trimestres, visto que a produção foi maior do que o consumo, ou seja, os estoques devem permanecer altos e isso deve conter o setor produtivo.
O consumo, que sustentou o crescimento econômico no governo Lula, dá cada vez mais sinais de enfraquecimento. No primeiro trimestre deste ano, o esse indicador ficou praticamente estagnado, com alta de apenas 0,1% na comparação com o quarto trimestre de 2012. “Ainda que esperássemos um consumo das famílias mais fraco, o dado veio pior”, comenta Fernanda. Ela lembra que o endividamento e a inflação elevada estão diminuindo a renda da população. “O mercado de trabalho está morno, há quase nenhuma criação de vagas. Além disso, o crédito também ficou bem fraquinho nesse começo de ano.”
Para Alessandra, o cenário econômico que está se desenhando no Brasil é bastante assustador. “Nós vamos crescer pouco e com inflação muito alta. Não fossem os estímulos (desonerações), estaríamos com inflação na casa de 7%. O mundo todo está crescendo muito pouco, mais a inflação lá é menor”, critica.
Investimentos
Ainda sob a ótica da demanda, o resultado mais animador foi o dos investimentos, ou formação bruta de capital fixo (FBCF), que é uma medida dos investimentos realizados na expansão da capacidade produtiva interna. Para Padovani, houve um alívio, mas abaixo do esperado por ele. Entre janeiro e março, os investimentos subiram 4,6% na comparação com os três últimos meses de 2012, quando a FBCF teve a única alta do ano passado, de 1,3%. Padovani esperava uma expansão maior dos investimentos, na casa de 5,5%. O economista ressalta que a melhora nos investimentos “não significa que não haja desafio”. Para ele, o maior deles é construir um quadro regulatório que consiga atrair capital da iniciativa privada. Ele enumera a necessidade de mudanças estruturais para resolver problemas como carga tributária elevada, dificuldades em logística, em infraestrutura e mão de obra.
O cenário revelado pelo PIB do primeiro trimestre mostra que as sucessivas desonerações que o governo vem fazendo não estão apresentando resultado para o setor produtivo. E pior: isso só compromete cada vez mais as contas fiscais. Para conseguir atingir a meta de superávit primário, o governo vem fazendo sucessivos malabarismos e usando créditos adicionais para cobrir o rombo da arrecadação. Recentemente, foi publicada uma decisão no Diário Oficial da União que permite que o governo use antecipadamente créditos da usina de Itaipu para fazer repasses ao Tesouro Nacional, o que compensaria a baixa arrecadação e ajudaria nas contas do superávit primário.
Para Alessandra, o governo não está fazendo a lição de casa. O consumo, que era então o motor propulsor do PIB, já não deve crescer muito. Ela enfatiza que o problema que afeta a economia do país não é de falta de demanda, mas sim de falta de oferta. Segundo a economista, as mudanças no marco regulatório – como o governo tem feito nas concessões de aeroportos, ferrovias, rodovias e portos, por exemplo – são feitas “às avessas”. “O governo não faz nada para mudar isso. Nós temos de aumentar a capacidade produtiva e isso leva ainda algum tempo”, explica.

28 maio 2013

Renunciei à Adua!

Prezados amigos do blog: para quem não sabia, eu fui até ontem 1o tesoureiro da Associação Docente da Ufam. Pelos motivos que expus em minha carta renúncia, e como a diretoria remanescente já está disponibilizando gostosamente no site da Adua que não faço mais parte da mesma, sinto-me autorizado a divulgar a referida carta, de resto deve mesmo ser tornada pública. Segue o teor da mesma abaixo:
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"Ilmos. Senhores membros da Diretoria da ADUA-SS:
Ref. PEDIDO DE RENÚNCIA DA DIRETORIA E RAZÕES DESSA DECISÃO.
 
Sirvo-me desta para apresentar a minha renúncia da Diretoria da ADUA. Passo a apresentar as minhas razões.
Poderia valer-me apenas do subterfúgio “razões pessoais”, etc. e tal, mas não é do meu feitio.
Também não vou aqui destilar nenhuma mágoa, pois isso é coisa de pessoas fracas e destituídas de caráter firme, incapazes de assumir posições, mesmo quando estas lhes indicam o caminho que estou seguindo. Vou relatar fatos.
Foi com muita honra que ocupei até este momento o cargo de 1º. Tesoureiro da ADUA-SS, no qual contribuí decisivamente, sem falsa modéstia, para soluções de alguns entraves (e encaminhamentos de outros), tais como: (i) registro da Adua como personalidade sindical no cartório de registro de títulos e documentos (que causava transtorno junto ao Banco do Brasil e outros entraves); (ii) contratação de profissional para manter acesso ao sistema Siape e resolver os entraves referentes a atualização dos descontos, inclusões e exclusões de membros, etc., que hoje faz com que a arrecadação tenha um plus de cerca de mais R$ 20 mil/mês; (iii) elaboração de proposta de atualização do Regimento (em tramitação); e (iv) proposta de utilização da disciplina “Relações Sindicais” (FAA054), do Depto de Administração (onde sou lotado), para servir de “piloto” para o curso de Formação Sindical e assim atender a essa demanda do Grupo de Trabalho, etc.
Contudo, durante a quadra “eleitoral” para reitor da Ufam surgiram algumas animosidades entre mim e alguns membros da Diretoria, principalmente quanto ao fato de que abertamente tenha apoiado o candidato de minha Unidade Acadêmica (FES), prof. Sylvio Puga (sem, contudo, ter “caído em campo” na sua campanha – embora esteja sendo vítima de difamação quando afirmam por aí que panfletei pessoalmente utilizando artigo da Adua no qual figurei como entrevistado e que tratava das irregularidades levantadas pela CGU e publicado pelo jornal Diário do Amazonas quanto às licitações na Ufam, e que tiveram o condão de impor mudanças na equipe da reitora por força de afastamentos sumários ditados por ação da PF).
Minha indisposição com o Sr. Belizário, presidente da Adua, deu-se quanto ao fato do mesmo, enquanto presidente da entidade que liderava a Comissão organizativa do pleito, ter se imiscuído na disputa por meio da página da Adua na qual uma “enquete” (sem nenhum controle do IP de quem votava) apresentava supostas preferências eleitorais da “comunidade”, mas que na verdade estava sendo claramente utilizada pela chapa 10 para fazer proselitismo eleitoral e quem sabe assim “liquidar a fatura já no primeiro turno”, pois que essa “enquete” lhe dava percentuais com mais de 60% (sessenta por cento) dos votos. Procurei o Sr. Belizário, ponderei, pedi, fiz-lhe ver a impropriedade dessa manifestação, mas o mesmo se mostrou arrogante e decidiu manter a “pesquisa” até o último momento.
Talvez percebendo a situação, o mesmo chamou uma reunião de última hora, sem a minha presença, no sábado anterior ao pleito (quando o “mal” já estava consolidado). Reagi postando em minha página a minha contrariedade (sem saber da decisão de suspensão na madrugada daquele sábado), mas apenas explicitando o mesmo teor do que vai aqui exposto.
Pois bem. A partir desse episódio a nossa convivência passou a se demonstrar incompatível, mesmo após reuniões da Diretoria, e desta ampliada com os decanos professores Aloísio Nogueira e Oswaldo, percebi que apesar de toda a razão que pudesse ter minha causa esta seria suplantada pelo espírito de corpo e solidariedade ao companheiro Belizário, certamente por questões de afinidade ideológica. Paciência! Nestas questões, por princípio, não interfiro.
Como também estou precisando de tempo para cuidar da minha saúde e como a minha presença na Diretoria se tornou dispensável, não me resta agora nenhuma alternativa que não esta que estou aqui tomando, qual seja a da minha renúncia, mas sem perder a ternura, porquanto continuarei a me fazer presente aos eventos para os quais for convidado e tiver condições de assistir, sem mágoas nem rancores. Isto faz mal à alma. Espero que também da parte da Diretoria, após este meu gesto, passem a administrar a Adua com mais tranquilidade, paz e harmonia.
Não sou apegado a cargos (e não estou dizendo que alguém o seja), basta verificarem meu curriculum. Fui delegado federal do Minagri, do Incra, do MTC, do CAS da Suframa e fui representante da Ufam em Brasília. Talvez minha experiência seja tomada por alguns como arrogância, mas apenas por não me conhecerem. O de que não gosto é de receber “indiretas”, “recados”, essas coisas, gosto de ser franco, de enfrentar, como se diz por aí, “de frente”, hehe. De matar a cobra e mostrar... a cobra.
Saio de cabeça erguida, mas humildemente me penitenciando por erros que tenha cometido. Peco muito por excesso, nunca por omissão.
Et pax Dei.
Abraço fraternal.
                           
Prof. Raimundo Nonato Pinheiro           
Ex-1º. Tesoureiro - ADUA"                  

Nobel da Paz diz que Bolsa Família é assistencialista e que o assistencialismo deve dar espaço a soluções de longo prazo

Por Cecília Araújo, na VEJA.com:
O Nobel da Paz Muhammad Yunus está no Brasil nesta semana para para lançar um fundo de apoio aos negócios sociais, além de uma filial do Yunus Social Business Centre, o primeiro Centro Acadêmico de Negócios Sociais da América Latina. O objetivo da instituição será fomentar o conceito e a prática do “negócio social”. “Ao se enveredar para o mundo dos negócios, a pessoa deve escolher entre acumular dinheiro ou solucionar problemas”, explicou Yunus, em palestra nesta segunda-feira em São Paulo, para um público formado por estudantes, professores, empresários e jornalistas. “Caso opte pela segunda alternativa, é preciso criar metas anuais de alcance para seu projeto como incentivo, da mesma forma como as empresas tradicionais focam no lucro”, completou. O modelo já existe no Japão, Coreia, Itália, Alemanha, Estados Unidos, França e Turquia.
Ao ser questionado por um jornalista, “por que o Brasil?”, Yunus rebateu com outra pergunta: “por que não o Brasil?”. Segundo ele, o país tem se mostrado muito consciente sobre as questões sociais e interessado em achar soluções locais e mundiais. Mas Yunus também critica o modelo assistencialista adotado pelo governo brasileiro ao falar sobre programas como o Bolsa Família. “É importante ajudar as pessoas que precisam, mas é preciso tomar cuidado para que elas não se tornem dependentes dessa ajuda por um tempo longo demais. A Europa criou um problema nesse sentido, com várias gerações de pessoas desempregadas. É necessário pensar em ideias para tirar as pessoas dessa situação de dependência, a começar por um grupo pequeno. Esse é o desafio do negócio social”. Para Yunus, o assistencialismo deve dar espaço para soluções de longo prazo, tornando os cidadãos responsáveis e colaborando para a sua integração à sociedade.
Problemas e soluções – Vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2006 e conhecido como “banqueiro dos pobres”, Yunus é o fundador do Grameen Bank, em Bangladesh – o primeiro banco do mundo especializado em conceder microcrédito a pessoas de baixa renda. Sua história tem servido de inspiração para governos e pessoas de várias partes do mundo. “A diferença do negócio social para as contribuições de caridade é que estas não são parte de um processo de conscientização: elas fazem um ótimo trabalho, mas o dinheiro investido para ali. Para ajudar mais pessoas, é preciso começar do zero e fazer uma nova arrecadação. Já o negócio social permite que o mesmo dinheiro seja investido várias vezes”, explica. “Para todo problema que vejo, penso em um negócio que busque uma solução para ele. Se a encontro, crio novas instituições para alcançar outras pessoas que enfrentam o mesmo problema”.
Para diminuir o desemprego, por exemplo, é possível incentivar a formação de profissionais que estão em falta no mercado. “É preciso combinar demanda e oferta”, diz. Já o microcrédito é a maior prova de que a solução de um problema local pode ser usada em vários países do mundo, sejam eles desenvolvidos ou não, por mais diferentes que sejam suas realidades. “Às vezes os problemas parecem tão gigantes, que individualmente nos sentimos minúsculos. Meu conselho é: não se sintam ameaçados pela amplitude dos problemas em questão. Tente pensar em como ele reflete em cada indivíduo. Se você conseguir solucionar o problema para uma única pessoa, você amplia a solução para centenas, milhares, milhões: ele pode ser aplicado em qualquer lugar do mundo. A fome, o analfabetismo e o desemprego não são problemas de uma só cidade, mas de todo o país, de toda a região, de todo o planeta”, pontua.
Trajetória
Yunus estudou economia nos EUA e voltou a Bangladesh depois que o país se tornou independente do Paquistão (1971). Diante de uma situação desesperadora, em que a fome era protagonista, criou uma solução inusitada: emprestar pequenas quantias de dinheiro aos pobres, que jamais conseguiriam ajuda dos bancos convencionais. Em 1976, quando ainda era professor universitário, fez a primeira experiência desse tipo ao oferecer 27 dólares a um grupo de 42 artesãos em dificuldades, grande parte deles mulheres. A soma foi suficiente para que comprassem matéria-prima, vendessem sua produção de tamboretes de bambu e garantissem a continuidade do negócio. Animado com as possibilidades que a iniciativa apresentava, o intelectual virou banqueiro no ano seguinte. Fundou o banco Grameen, que significa “banco da aldeia” em bengali, e passou a fomentar a atividade econômica entre os pobres.
Em 2011, porém, Yunus foi demitido da direção do banco que fundou. Naquele ano, o banco já tinha cerca de 955 milhões de dólares em empréstimos a 8,3 milhões de tomadores de crédito. Segundo o governo, o Nobel da Paz deveria ter se aposentado das funções no banco aos 60 anos. O ministro bengali das finanças, A.M. Muhit, chegou a sugerir que Yunus era muito velho para dirigir o banco. Deixando de lado as questões legais, alguns bengalis não descartaram a possibilidade de o economista ser vítima de uma campanha política movida pela primeira-ministra, Sheikh Hasina Wajed. À época, Hasina declarou publicamente que os fornecedores de microcrédito estão “sugando o sangue dos pobres”. Os desentendimentos entre os dois começaram em 2007, quando Yunus sugeriu que criaria seu próprio partido político para limpar seu país da corrupção na administração pública.

Giancarlo Civita, filho de Roberto Civita: “Reiteramos o compromisso (…) de perseverar na busca da verdade, na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros e no fortalecimento das instituições democráticas no Brasil”

Discurso lido por Giancarlo Civita na cerimônia de despedida de seu pai, Roberto: “Saudades de Roberto Civita.
A dor indescritível da perda de nosso pai torna-se suportável somente pela certeza de que ele teve uma vida plena em que fez frutificar suas convicções em uma obra memorável.
Roberto Civita foi um líder, uma referência de pensamento e ação em benefício da democracia e do avanço social, econômico e cultural do Brasil.
Nosso pai era um entusiasta do Brasil. Ele acreditava no Brasil.
Durante toda sua vida ele mostrou em atos e palavras que uma nação de verdade, viável e justa não nasce ao acaso. Ela precisa ser construída.
Ele tinha certeza de que as ferramentas para isso são a educação e a liberdade de expressão. A esses dois fundamentos, que ele via como inseparáveis, nosso pai dedicou sua vida.
Como seus filhos, reiteramos o compromisso que já havíamos feito a ele, de perseverar na busca da verdade, na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros e no fortalecimento das instituições democráticas no Brasil.
Esse foi o legado que ele recebeu do nosso avô, Victor Civita. Esse é o legado que ele nos deixou.
Vamos ser fiéis a ele.”
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Aprendi a ler "ideologicamente" a liberdade de expressão nas páginas desassombradas de Veja e aqui presto minha pequena homenagem ao seu criador morto fisicamente, mas sempre uma referência para os espíritos libertários.

27 maio 2013

Morre Roberto Civita

ROBERTO CIVITA: “Quanto mais independente do governo, maior será a contribuição da imprensa”
Roberto Civita: "Nosso patrão é o leitor"

Do site de VEJA
Em 2008, quando Roberto Civita completou 50 anos na Abril, uma publicação comemorativa trazia a seguinte entrevista – na verdade uma colagem de discursos, palestras e depoimentos feitos a partir de 1968. Ela resume o pensamento do editor sobre jornalismo e sobre o Brasil 

Como o senhor definiria o Brasil?
O Brasil é um fascinante, exasperante e bendito país!

Qual a razão do otimismo?
Nasceu em casa.
Conto uma historinha para ilustrar o que aconteceu pouco antes do golpe militar de 64. Um jantar na casa do meu pai com uns oito ou dez amigos dele e os caras dizendo: “Eu estou tirando o meu dinheiro do Brasil…”, “Estou vendendo a minha fábrica…”, “Vou voltar a viver na Europa…”.
O tom era esse. Eu calado porque eram todos de outra geração. Então, meu pai disse: “Pois eu estou comprando uma nova rotativa que custa 5 milhões de dólares”.
Os amigos reagiram: “Você está maluco?”, “O que é que deu em você, enlouqueceu?”, “Você não está vendo o que é que está acontecendo neste país? O Brasil vai virar comunista…”, “Acabou tudo e você está investindo…”.
A resposta do meu pai foi: “Se tomarem a minha empresa, pelo menos vão tomá-la com uma gráfica decente… É melhor que fiquem com uma gráfica grande”.

O comunismo não veio, o Brasil não acabou e passou até a se modernizar mais rapidamente…
É como dizem os hindus: a sorte é metade do sucesso. Mesmo assim, o que não falta é exasperação, certo? Era agosto de 1983. Eu dava uma palestra na Abril e dizia: “O Brasil está cansado e frustrado com a crise, com a corrupção, com a falta de perspectivas e com um governo que não governa”.
Felizmente, concluí a palestra com uma nota otimista, e da qual muito me orgulho. Disse então: “Da mesma maneira que reencontramos os caminhos da democracia e soubemos mergulhar na abertura sem perder o equilíbrio, tenho a certeza de que — muito antes do que se possa imaginar — reencontraremos o caminho do crescimento econômico. Para isso, vai ser preciso repensar e mudar muitas coisas. Mas não tenho dúvida de que, juntos e com muita inteligência e ainda mais trabalho, saberemos fazê-lo”.

Existe uma fórmula mágica para o sucesso?
Sim. Eu a conheço e já registrei com o nome de A Fórmula Mágica da Sorte e do Sucesso (ou — pelo menos — da Sabedoria) em Alguns Minutos por Dia ou Seu Dinheiro de Volta.

Nossa! O senhor pode nos contar como ela funciona?
Trata-se, muito simplesmente, de LER.

Isso é uma sigla?
Verbo.

Ler o quê?
Tudo o que cair em suas mãos! Folhetos, folhetins, fascículos, panfletos e literatura de cordel. Jornais (grandes, pequenos, nanicos e alternativos), revistas (gerais, profissionais, técnicas… até da concorrência), boletins, fichas de receita, anúncios, embalagens, bulas, enciclopédias, circulares, relatórios, o manual de proprietário do seu carro, quadrinhos, dicionários, programas de teatro, discursos, cartas de amor e — se possível — até alguns livros…
Em qualquer lugar. E especialmente no trânsito, no banheiro, no ônibus, no avião, na praia, no elevador, no metrô, no intervalo do jogo no Estádio do Morumbi e — naturalmente — na sala de espera do médico ou dentista. Onde quer que você esteja. Em qualquer momento disponível. Quando não conseguir dormir, quando se encontrar em qualquer fila, no café-da-manhã, na hora do almoço (ou — se estiver de regime — no lugar do almoço), entre duas partidas de tênis no clube, durante os comerciais… até em vez de assistir a uma novela!
O importante é reservar tempo para ler. Escolha a hora que quiser. Acorde mais cedo. Durma mais tarde. Mude algum programa.
Mas… leia!

Mas funciona mesmo?
A “fórmula mágica” deve ser testada ao longo de, digamos, 23 anos. Até lá não aceitamos reclamações.
Falando sério, estou convencido de que a leitura é a receita mais simples para o conhecimento, a atualização permanente, o acesso ao mundo das idéias, a compreensão e a sabedoria. Quanto mais você ler, mais surpresas como estas terá: “Em vez de ser a condição natural do homem e da sociedade, a liberdade é algo que poucos alcançaram, em poucos lugares, através de esforço, dedicação, autodisciplina e engenhosidade social. A liberdade é a exceção da História, não a regra; é aquilo que os homens buscam, não o que possuem”. (Arthur Schlesinger)
Ou, ainda, sobre liberdade: “Se uma nação espera ser ignorante e livre ao mesmo tempo, espera ser algo que nunca existiu e que nunca existirá”. (Thomas Jefferson)
Ler não envolve apenas a busca de verdades eternas ou receitas universais. Ler é também diversão, entretenimento e bom humor.
Alexandre Dumas escreveu sobre o matrimônio: “A cruz do casamento é tão pesada que são necessárias duas pessoas para carregá-la, às vezes três”.
E, finalmente, um velho provérbio chinês, aplicável a todos os nossos planejamentos: “É muito difícil fazer profecias, principalmente com relação ao futuro”.

Mas haja memória… 
Se me permitirem acrescentar mais uma recomendação àquela básica, eu lhes diria: sempre que possível, leiam com um lápis ou caneta na mão.
Marquem os trechos que acharem importantes. Recortem artigos de jornais e revistas. Colecionem as frases ou parágrafos de que gostarem, como outras pessoas colecionam selos, figurinhas, autógrafos, conchas ou chaveiros. Classifiquem seus achados, arquivem-nos, troquem-nos com seus amigos… E voltem, sempre, para saboreá-los.
Descobrirão que a sua coleção através dos anos revelará muitas coisas importantes a respeito de si próprios. Bem, se isso não trouxer sorte e sucesso, garanto que — no mínimo — trará sabedoria e muita satisfação.

As revistas podem competir com esses autores fabulosos que o senhor citou?
Podem porque elas são o mais seletivo, segmentado, regionalizado, brilhante, íntimo, aproveitável, portável, rasgável, eficiente, dramático, inteligente, lindo, duradouro e maravilhoso veículo de comunicação que existe.

E com as novas tecnologias?
A revolução iniciada por Gutenberg foi tão importante que ainda não terminou, já passados 500 anos. E, na essência, o que fazemos hoje em matéria de imprensa obedece aos mesmos propósitos que levaram o nosso patriarca a construir a sua primeira prensa: levar informação relevante (no caso dele, os ensinamentos da Bíblia) a um número maior de pessoas, por um custo mais acessível.
Na Era da Informação — e apesar de tanta velocidade e diversidade — não podemos deixar de lado a fundamental importância da verdade, da honestidade, da objetividade, da solidariedade, e da “inteligência sensível”. Ou seja, daqueles princípios fundamentais que alicerçam a civilização desde os seus primórdios e sem os quais todo o resto será em vão.

Certas coisas não mudam, não é?
O mundo das publicações está mudando muito rapidamente (e vai continuar mudando ainda mais rapidamente). E a Abril pretende não apenas acompanhar mas liderar essas mudanças.

O que não muda?
Nossa credibilidade continua sendo nosso principal ativo. Daí a fundamental importância da rígida separação entre editorial e publicidade. É o certo a fazer, moral, ética e filosoficamente, como também (e felizmente) o que convém fazer pensando a longo prazo. É o que, afinal, transformou cada uma das nossas publicações na revista líder do seu setor. E é o que vai mantê-las nessa posição e fazê-las crescer e continuar contribuindo para o desenvolvimento do país no futuro.

O que mais não muda?
Quanto mais reflito, e quanto mais tempo sou editor, mais me convenço de que jornalista não precisa de diploma de jornalista, mas sim de uma boa e sólida formação que começa em casa, passa pela escola básica, e pode até chegar à universidade.
Um jornalista precisa de escolas, sim — escolas sem rótulos, que ensinem história, literatura, economia, ciência, filosofia, direito… o universo! Um jornalista precisa aprender a pensar, analisar, questionar, usar a cabeça.
Um jornalista precisa ler muitos livros, precisa ser curioso, querer saber sempre o porquê das coisas, todas as coisas. E precisa gostar de contar o que descobre, de contar histórias…

Além de querer tem de saber também…
Alguém com esse perfil acima vai ter apenas de aprender o ofício, a técnica, o “como fazer”.
Eu não apenas acredito nisso, como pratico há mais de trinta anos.

Quando o senhor sabe que uma publicação está no caminho certo?
Existem muitas variáveis, mas a infalível é quando os jornalistas de uma revista acreditam que o leitor é o seu verdadeiro patrão.
Quando eles trabalham unicamente para atender às necessidades desses leitores, por meio de um jornalismo sério, bem pautado, bem apurado, bem escrito, bem editado — resultando em revistas honestas, bonitas, úteis e surpreendentes.

Talvez nunca a imprensa tenha sido tão mal avaliada como agora, o senhor concorda?
Imprecisão, arrogância parcialidade (decorrente da defesa de interesses próprios em detrimento do interesse público), desprezo pela privacidade, insensibilidade, glorificação do bizarro, trivial e banal são queixas mais ou menos comuns atribuídas à imprensa em todos os tempos.
Mais do que um elenco de pecados capitais da nossa imprensa, esses itens constituem um roteiro dos males a evitar, um vade-mécum do que não deve ser feito.

Como evitá-los?
Primeiro, e principalmente, é preciso respeitar o público leitor.
O público não é burro. No máximo ele é mal informado, ocupado com outras coisas, facilmente distraído, muitas vezes por culpa nossa.
Os jornalistas devem conhecer melhor seu público. Temos a obrigação de entender que o processo de comunicação envolve não apenas transmitir mas também verificar o que foi captado e entendido do outro lado. E que a compreensão das notícias pelo público é parte essencial do processo. Ou seja, devemos prestar muita atenção no que nossos leitores pensam, acreditam, sentem, escrevem e dizem.
Nesse contexto, vale a pena considerar a declaração de William Broyles Junior, ex-editor de Newsweek, quando disse: “Todo jornalista deveria ser entrevistado, analisado e dissecado por outros jornalistas durante certo tempo. Essa simples experiência contribuiria mais para melhorar o jornalismo do que todas as escolas de jornalismo juntas”.

O senhor mesmo gosta de dizer, citando Thomas Jefferson, que apesar de todos os defeitos é melhor ter imprensa imperfeita do que nenhuma, certo?
Aos críticos, nunca é demais repetir: não criamos os fatos, não inventamos a natureza humana, não somos deuses com o poder de alterar o curso dos acontecimentos.
Não podemos mudar por muito tempo a verdadeira imagem de personagens ou sufocar as naturais repercussões dos eventos. Não podemos passar as 24 horas do dia ao lado de todas as figuras importantes ou acompanhar a evolução de todos os eventos significativos e significantes; por isso, somos obrigados a selecionar e trabalhar esse material com uma lente de aumento.
Nesse processo de seleção, síntese e magnificação, tornam-se mais gritantes certos traços que, de outra forma, ficariam diluídos se porventura tivéssemos o dom da onipresença, ubiqüidade e onisciência — e nossos leitores não fizessem outra coisa que não nos ler o dia inteiro.
Nosso Rui Barbosa definiu bem a necessidade da imprensa ao afirmar que ela é “a vista da nação. Através dela a nação acompanha o que se passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa e se acautela do que a ameaça”.

Para finalizar, se fosse preciso escolher um único indicador de qualidade da imprensa, qual seria?
Quanto mais independente do governo, maior será a contribuição da imprensa e da livre-iniciativa ao desenvolvimento do país.