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13 fevereiro 2025

 

< Capítulo XVII >

NOVAMENTE EM BRASÍLIA

 

Permaneci no HUGV-EBSERH-UFAM até fins de 2022, quando o reitor Sylvio Puga achou por bem me mandar para Brasília, para a representação da UFAM, onde permaneço até o momento em que escrevo estas “mal traçadas linhas”.

Portanto, ter gerenciado o HUGV foi para mim uma grande experiência, de extremo aprendizado profissional. Hoje, posso abrir a boca e declarar que consigo administra qualquer hospital. Ou área da saúde. Novamente, agradeço a Deus, ao reitor e aos servidores da EBSERH e da UFAM que desempenham suas atividades naquele HUGV. Repito: acho que me saí muito bem nessa função.

Assim que cheguei em Brasília, comprei uma passagem de ônibus para ir a Salvador, para rever minhas filhas Alice e Clara, das quais fui separado pela distância e pela Pandemia. Alice estava completando 16 anos em 19.12.2021. Clara já vai completar 13 anos em abril.

Foi uma viagem fantástica de 1.400 km, em que fiquei 24 horas dentro de um ônibus, atravessando os Estados de Minas Gerais e Bahia. Toda a Serra da ‘Chapada Diamantina’. Uma viagem difícil, mas bastante interessante. Contudo, nunca mais farei isso...

 

< Capítulo XVI >

‘GERENTE’ DO HUGV-EBSERH-UFAM 

 

Após as eleições na UFAM e o início do segundo mandato do reitor Sylvio Puga, por ironia do destino, antes de ir para Brasília, eu fui indicado por ele para assumir a ‘Gerência Administrativa’ do HUGV. Nunca havia administrado um hospital. Mas um bom administrador, com aplicação e foco nas atividades típicas, consegue administrar desde um “carrinho de pipoca” até um “Boeing” – diziam meus professores. Tinham razão. Este matuto é a “prova viva” disso.

Consegui ter um bom desempenho (reconhecido até pelos Diretores da EBSERH em Brasília), graças à enorme ajuda dos servidores meus subordinados. Deixo de nominá-los para não cometer nenhuma injustiça, pois foram muitos. Agradeço a todos eles.

A criação da EBSERH para gerenciar os HUFs (Hospitais Universitários Federais) foi uma ‘jogada de mestre’ de quem a idealizou. Sei que foi no governo Dilma, em 2013.

A adesão do HUGV à EBSERH não se deu sem polêmica. Até hoje existem disputas políticas internas sobre isso.

Eu testemunhei o quanto o HUGV ganhou por adotar a GESTÃO EBSERH. Claro que ainda não se alcançou o ideal, uma vez que ainda perduram concepções antigas se digladiando contra a modernidade de gestão hospitalar imposto pela EBSERH.

Na verdade, eu fui convidado para ajudar a administração do HUGV logo após assumir como professor da FES-UFAM em 1994. Tentei, mas o antigo HUGV era então praticamente inadministrável. Cada um fazia o que achava mais certo. Desisti.

Agora, em 2021, a coisa foi diferente. Com a EBSERH, o profissionalismo impera. Claro que, como já mencionei, ainda existem “vozes do atraso” perturbando a boa gestão do Hospital, mas as coisas estão mudando e se ajustando.

 

< Capítulo XV >

SOBREVIVENDO À PANDEMIA

 

No primeiro semestre de 2020, o mundo foi envolvido na Pandemia do COVID-19, que serviu para toda sorte de maluquices: desde um lockdow extremo, sem nenhuma racionalidade, em que as autoridades internacionais (OMS) e nacionais (ANVISA e cia.), ‘batiam cabeça’ sobre como lidar com essa pandemia. O carnaval foi liberado mesmo com as primeiras informações da existência do vírus.

Muitos ‘especialistas’ emitiram opiniões as mais desencontradas. Desde que “se tratava de uma ‘gripezinha’ sem maiores consequências” a caos apocalíptico, mandando todo mundo se trancar em casa. Crianças, adultos e idosos foram trancados em casa. As ruas, praças e comércios foram trancados. “A economia a gente vê depois”, dizia a mídia ‘anti-bolsonarista’. Politizaram o vírus.

Os políticos oportunistas criaram CPIs para resolver a questão. Acusaram Bolsonaro de ‘genocida’ porque este era contra o “tranca-tudo” e favorável ao chamado ‘tratamento precoce’ com o uso de medicamentos como: ‘Hidroxicloroquina’; ‘Ivermectina’; Predinisilona’, etc.

O certo é que não havia vacinas. As primeiras vacinas ‘experimentais’ foram adquiridas pelo governo federal apenas no final do ano.

Alguns ‘especialistas’, e o próprio ministro da saúde, aproveitaram o vírus para se autopromoverem. Mais pareciam ‘astros de cinema’ diante das câmeras da TV Globo. O tal de Mandetta foi exonerado pelo presidente justamente pela sua diuturna exposição e nenhum plano consistente que não brotasse dos estúdios da TV Globo e seu “consórcio” (um pool de emissoras ‘contra o Bozo’).

Foram duas “ondas” do COVID-19. A primeira em meados de 2020. A segunda onda em meados de 2021. Esta coincidiu com crise da falta de ‘oxigênio’ em Manaus e centenas de mortes e enterros em valas comuns, longe do acompanhamento dos familiares dos mortos. Um caos!

Graças à implantação do ‘processo eletrônico’ SEI, a UFAM conseguiu dar continuidade a suas atividades ‘administrativas’ por meio do ‘home office’; as atividades presenciais ‘laboratoriais’ e de ‘sala de aula’ foram objeto de cuidados especiais; as aulas foram mistas (presenciais e online). Foram adotados os protocolos sanitários preconizados pelos órgãos federais e estaduais. Não sem debates e histerias coletivas.

Eu fui atingido pelo vírus nas duas ‘ondas’ (talvez mais). Na primeira, ‘tirei de letra’ tomando os remédios típicos de gripe e bronquite: ‘Acetilcisteína’ e ‘Azitromicina’ foram as principais drogas por mim utilizadas, além de ‘Imosec’, ‘Tilenol’, etc. Na segunda ‘onda’, em meados de 2021, meu ‘diabetes’ degringolou e fui parar no HUGV. Passei dez dias internado. O que coincidiu com as eleições de recondução do colega e amigo ‘Sylvio Puga’ ao cargo de reitor, para um segundo mandato. Pouco pude fazer na campanha, a não ser garantir a normalidade da ‘Administração’ - o que não foi pouco!

Uma das consequências muito relatadas pelos casais foi a perturbação dos relacionamentos. Isso aconteceu comigo e minha mulher. Como meu trabalho passou a ser em casa (home office), o tempo de exposição aos problemas domésticos acabaram nos afetando, até porque os diversos estabelecimentos estavam sendo fechados, não havendo “para onde escapar da rotina caseira”. Isso causou muitos problemas de relacionamento, pois a mulher deixou de fazer as atividades com que estava costumada: academia, escola, igreja, etc. e ficou igual ‘siri na lata’. Acho que isso aconteceu Brasil afora.

Minha mulher, contudo, nunca deixou de sair em busca de suprir as suas necessidades de academia, de exercícios, companheirismo das amigas, etc. Isso foi gerando um certo afastamento, que culminou depois na minha ida para Brasília, sozinho. Novamente...

Após a bobagem que eu fiz sugerindo que a Míriam fosse morar sozinha, mais próxima de seu trabalho na HAVAN, sem dar chance a ela de argumentar sobre essa funesta decisão, fui morar em Brasília. E fiquei aguardando uma decisão dela de ir embora para continuarmos juntos essa minha última jornada. Me arrependi dessa separação – mais uma! - amargamente!

 

< Capítulo XIV >

COM 60 ANOS RECOMEÇANDO A VIDA

 

Não é fácil recomeçar a vida após os sessenta anos de idade, mas foi o que aconteceu comigo.

Como compensação por tudo o que eu estava tendo de enfrentar, no trabalho e na família, Deus me proveu uma companheira que foi para mim um bálsamo. Resposta para minhas preces.

Antes de me mudar para Salvador, havia conhecido de vista uma moça que era vizinha e morava no final da rua de nossa casa e fiquei simplesmente embevecido pela sua beleza exótica de mestiça das raças negra, branca e índia. Mas, na época, a única coisa que pude fazer foi ficar admirando-a.

Em respeito a mim mesmo e ao meu senso de lealdade a Deus. Afinal, embora a mãe das minhas filhas nunca tenha aceitado casar comigo (já planejava separar-se de mim? Vá saber...), eu sempre procurei respeitar aos mandamentos de Deus. Nem sempre consigo, mas tento.

Contudo, após meu retorno nas condições que voltei, me vi completamente livre para um novo relacionamento. Voltei a admirar a Miriane (que gosta de ser chamada de Míriam), mas não mais como meu ‘amor platônico’ e sim como uma possibilidade ‘real’. Passei a falar disso para todos os nossos conhecidos, vizinhos, amigas, aos tios dela. E fazer com que meus recados chegassem até ela. Uma amiga dela acabou fazendo com que ela soubesse. Fez ela falar comigo ao telefone.

Registro isso porque ela foi para mim – e ainda é – uma pessoa muito importante na minha vida. Neste momento, estamos longe um do outro por razões que não cabe aqui esmiuçar. Respeito a decisão dela.

O certo é que ela aceitou conversarmos e começamos a sair para nos conhecer. Deu certo, mas tão certo, que nos casamos em 04/01/2019.

Nosso casamento culminou no batismo da Míriam na IASD do Shangrilá. Ela, que era pentecostal, passou a atuar na IASD com aquilo de que ela mais gosta: crianças.

Ela estava cursando ‘Pedagogia’ para trabalhar com crianças de alfabetização.

Minha percepção acerca do comportamento da Míriam estava absolutamente correta. Ela se demonstrou ser tudo o que eu imaginei sobre ela. Mas vejam como são as coisas: a pessoa mais indicada para ter filhos meus não me deu nenhum. Com certeza o problema está comigo e não com ela. Afinal, ela é muito jovem e eu já estou contornando o “cabo da Boa Esperança”.

 

< Capítulo XIII >

‘PRÓ-REITOR’ DE ‘ADMINISTRAÇÃO’ DA UFAM

 

Conforme eu havia prometido um ano antes ao meu colega e amigo Sylvio Puga, de que participaria de sua campanha para reitor da UFAM em 2017, a partir de janeiro desse ano comecei a ajuda-lo, ainda de ‘férias’ em Salvador.

Como eu estava equidistante das disputas internas no grupo de apoiadores do Sylvio em Manaus, ele me incumbiu de concentrar as propostas da plataforma de campanha.

Passei a receber por e-mail as diversas propostas do grupo e fui organizando por temas, de sorte que tivéssemos um quadro geral de plataforma política para apresentar à comunidade eleitora da UFAM. Encaminhei a Proposta para a equipe de Marketing, que deu o devido tratamento gráfico e integrou a Proposta do candidato.

Essas propostas foram quase que inteiramente cumpridas em seus diversos eixos: infraestrutura (obras concluídas e outras iniciadas para concluir); tecnologia da informação (processo eletrônico - SEI); melhoria dos indicadores pedagógicos tanto da graduação quanto da pós-graduação; avanço das estruturas dos campi; maior integração dos campi por meio do SEI; agilidade dos processos administrativos e de licitações; transparência total das ações por meio do Portal; luta pela recuperação da Fundação de Apoio UNISOL e contratação de Projetos por meio da Fundação de apoio do IFAM, etc.

A campanha para reitor da UFAM foi deslanchada em fins de janeiro e início de fevereiro de 2017. As eleições se deram em março desse ano.

Com uma margem muito pequena de votos, a chapa 33 de Sylvio e Cohen saiu-se vencedora.

Viajei para Manaus em fevereiro para me integrar presencialmente na memorável campanha. Memorável pelos desafios, pelos poucos recursos, pelo enfrentamento da “máquina”, etc.

Quando cheguei em Manaus, encontrei minha casa em pandarecos. Recuperei o portão automático; o telhado com inúmeros vazamentos; e outras mazelas.

O lado bom é que já tinha conseguido vencer as dívidas e, portanto, caso necessário, podia contar com créditos para resolver qualquer emergência.

Usei a minha casa como meu suporte de campanha: adquiri uma rede; um banquinho; um frigobar; uma cafeteira; uma sanduicheira; um colchão inflável; consertei a porta do quarto e, felizmente, o ar condicionado ainda estava funcionando...

Pela manhã, um dos colegas de campanha ia me apanhar em casa para eu poder ajudar no comitê de campanha.

Durante o Carnaval, retornei a Salvador. Retornei para enfrentar um dos piores momentos de minha vida. Inesperadamente, a mãe de minhas filhas resolveu anunciar sua decisão de separar-se de mim. Foi um choque para mim! Não por ela, mas por minhas filhas. Não estava esperando esse desfecho por parte dela. Esse sempre é o meu erro: nunca esperar o pior das pessoas.

Eu, que cuidara de minhas filhas Alice e Clara desde a maternidade, teria de separar-me delas! Mas, como bom estoico que sou, concordei com a proposta dela de “dividirmos as despesas da casa em 50%”. Achei justo. Não esperando pelo seu pior, deixei de reduzir a termo tal acordo.

No dia seguinte passei a buscar imóvel para alugar na Praia do Flamengo, para onde tinha transferido a família um mês antes. Não desconfiei que tudo estava sendo planejado por ela para o desfecho inesperado. As filhas foram retiradas da ‘Escola Gênesis’ (onde eu pagava cerca de R$ 600,00 por cada uma) e foram transferidas para a ‘Escola Sul-americana’ (bem mais cara, cerca de R$ 1.100 cada uma). No apartamento próximo do aeroporto eu pagava R$ 900,00 e fui pagar R$ 1.400,00 na ‘Praia do Flamengo’.

Diante da separação, pedi dela uma passagem de volta (pelo benefício da Azul), e retornei a Manaus. Foi minha pior viajem: separado das filhas; trecho Fortaleza-Manaus cancelado me obrigando a ir no “pinga-pinga”, passando por São Luís, Belém e Santarém. Sem dormir, caindo de sono pelos aeroportos e lutando para manter meu equilíbrio metabólico em razão do diabetes recém-diagnosticado. Um inferno!

Cheguei em Manaus no dia seguinte à noite, 24 horas depois que saí de Salvador, e fui recepcionado pelo meu filho Alexandre, por sua esposa e pela filha (minha neta). Ainda bem! Isso serviu de consolo para mim. Um sinal de que não estaria só na minha dor.

Na UFAM, após o carnaval, a campanha para reitor foi retomada...

Compareci aos seguintes debates da campanha: Benjamim Constant; Itacoatiara; Coari e Humaitá. Foram bons debates. O ‘Sylvio’ se saiu bem em todos eles.

Após uma campanha desgastante, a chapa saiu-se vencedora. Da euforia da vitória às reuniões de transição, participei de todas e ajudei no que pude. Era para mim uma terapia ocupacional.

O reitor já eleito, ‘Sylvio Puga’, me havia reservado a ‘Representação em Brasília’, mas outros fatores acabaram me levando a assumir a ‘pró-reitoria’ de ‘Administração’ (PROADM). Foi para mim um grande desafio. Contudo, as minhas experiências anteriores como ‘Delegado Federal’ da ‘Agricultura’; superintendente do ‘INCRA’; e ‘Delegado Federal’ do ministério dos ‘Transportes e Comunicações’; as chefias do ‘DA’; e a ‘Representação da UFAM em Brasília entre 2001 e 2002, me serviram de lastro para enfrentar o desafio como pró-reitor de Administração da UFAM.

 Ao chegar na PROADM, tive a cautela de não alterar muito as direções dos departamentos, a não ser, por necessidade, a do DEFIN; a do DECC e do Setor de Licitações. Com trocas de “peças”, mas mantendo a estrutura básica. Funcionou muito bem. Fora alguns ajustes naturais de percurso.

Com essa definição de minha vida, passei a estruturar melhor a casa; comprei o carro VW Polo do meu filho André; e passei a cuidar da pró-reitoria como terapia ocupacional.

Contudo, outra surpresa me aguardava: a mãe das minhas filhas em Salvador “virou a pá” contra mim: me acionou na Justiça de Salvador por pensão alimentícia desproporcional aos meus ganhos; me cortou dos seus benefícios assistenciais de saúde e de passagens aéreas. Virou minha inimiga mortal! Em sua “homenagem”, passei a chamá-la de “Falsiane”!

Não fiquei chorando à beira do caminho! Nunca fui disso! Apesar da enorme saudade de minhas filhas, que as entreguei nas mãos de Deus.

 

<Capítulo XII >

‘APOSENTADO’, EM SALVADOR

 

Em fevereiro de 2016, me mudei para Salvador com minhas filhas Alice e Clara.

A razão disso foi que pedi minha aposentadoria precoce para “acompanhar” a mãe de minhas filhas para mais próximo de Belo Horizonte, para onde ela foi transferida pela Azul Linhas Aéreas, que havia fechado a sua base em Manaus. Deixo de citar seu nome para evitar processo...

Como eu já tinha alcançado o tempo de serviço e a idade para aposentadoria integral aos 53 anos, a despeito de todas as reformas, resolvi antecipar a decisão de aposentar, embora eu pudesse postergar até aos setenta e cinco anos.

Essa decisão fez parte da minha mania de “pensar antes nos outros”. Tivesse eu ficado em Manaus e deixado a mulher ser demitida pela Azul - como aconteceu com muitas de suas colegas -, poderia ter alcançado um nível e um salário maior caso ficasse mais alguns anos na ativa. Como inativo, perde-se parcelas da remuneração, tais como: férias e mais um terço; auxílio alimentação; auxílio transporte; etc.

Contudo, não me arrependo disso. Passei um ano “sabático” maravilhoso em Salvador com minhas filhas.

Levava minhas filhas para a aula em Stela Maris e ficava na praia até elas saírem. Bebendo água de coco, comendo queijo assado; ouvindo as ondas do mar. E lembrando da música de Caymi: - “É doce morrer no mar/Nas ondas verdes do mar”. Ou de Vinícius: - “Um velho calção de banho/Um dia pra vadiar/Um mar que não tem tamanho...”.

Aos sábados, aprontava, com enorme sacrifício, a ‘Alice’ e ‘Clara’ e as levava comigo para a IASD de ‘São Cristóvão’. Ficava bem próximo de onde morávamos, no Jardim Margarida, zona Norte de Salvador. Aluguei um apartamento próximo do aeroporto para facilitar meu trabalho de levar e trazer a mãe das minhas filhas quando esta ia e voltava de seus voos pela Azul Linhas Aéreas.

A ‘Alice’ sempre quis morar em prédio de apartamento. Bem no alto, nos últimos andares. Fomos morar no oitavo andar do prédio ‘Fórmula I’. O condomínio tinha uma ótima estrutura, com piscina; salão de festa; barzinho; playground; sala de musculação; segurança 24h. Todavia, eu sempre quis morar na praia. A mãe de minhas filhas dizia “não gostar de praia...”. Por isso, coloquei as duas filhas na ‘Escola Gênesis’, em Stela Maris, para ficar na praia esperando elas saírem da aula.

Aproveitei também para visitar os pontos turísticos de Salvador: ‘elevador Lacerda’; ‘Pelourinho’; ‘Igreja do Bonfim’; todas as praias ao longo dos 75 (setenta e cinco) quilômetros de calçadão de Salvador: ‘Stella Maris’; ‘Itapuã’; ‘Piatã’; ‘Amaralina’; ‘Ondina’; ‘Farol da Barra’; ‘Porto da Barra’; ‘Praia do Flamengo’. Nesta última, mais tarde, passei a morar.

Acho que ninguém no Brasil passou as férias que eu passei. Um ano em Salvador curtindo as praias; os lugares turísticos; a amabilidade baiana; as comidas típicas. Nunca gostei de Carnaval...

Falo em “férias” porque tudo isso se acabou para mim em virtude da minha volta para Manaus, em 2017, para assumir o cargo de ‘pró-reitor’ de ‘administração’ da UFAM.

 

<< Capítulo XI >

‘PROFESSOR’ DA UFAM

Foi num misto de alegria contida, alívio e alta expectativa sobre o que me aguardaria o futuro, que, assumi agora como professor da Instituição mais prestigiosa do Estado -  a Universidade Federal do Amazonas -, a qual, assim como a ETFAM, faria toda a diferença na minha vida. Dei muitas graças a Deus por isso. Nem acreditava que isso estava acontecendo comigo, com este matuto do Careiro da Várzea, o qual, há trinta anos chegava em Manaus dando “bom dia a manequim de loja”.

Contudo, cheguei com a devida humildade para conviver com meus antigos professores, agora os tendo como ‘colegas’ (!) de Departamento Acadêmico da Faculdade de Estudos Sociais, no curso de Administração. Isso ainda soava inacreditável para mim. Mas deixei o deslumbramento à parte e, com pés na realidade, trabalhei duro para me qualificar mais ainda para exercer a cátedra.

Tive ajuda e incentivo da parte dos meus ex-professores como: Felismino Soares; Brito Filho; Luiz Aurélio; Haroldo Jathay; Carlinhos;

Em que pese estivesse iniciando como professor do ‘Departamento de Administração’ (DA), da FES/UFAM, não cheguei totalmente neófito, pois, como já relatei, há quatro anos já lecionava no magistério superior, no curso de ‘Administração em Comércio Exterior’, do CIESA.

Assim é que, num salto extraordinário para este matuto, assumi ao lado do saudoso prof. Luiz Aurélio como subchefe do DA e, logo em seguida, pela desistência do Aurélio, tornei-me ‘Chefe do DA’! Acho até que essa foi a forma como o Aurélio me fez chegar tão rápido a essa função. Até porque havia entre nós respeito, admiração (apesar de nossos estranhamentos ocasionais). Saudades do amigo, professor e colega de ‘Direito’! Neste momento, paro de escrever porque tomado pela emoção...

Com a ajuda do Aurélio, conseguimos trazer a UFSC para ministrar uma turma de Mestrado para nosso DA. De vinte e cinco colegas, se formaram doze. Depois, já como chefe, convenci o reitor a promover a segunda turma em parceria com o CIESA, onde mantive laços de amizades. Conseguimos formar mais oito professores da UFAM. Sem nenhum custo.

Me formei em 1999 como ‘Mestre em Administração’ pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Em 2001, após apoiar a eleição do Dr. Hidembergue Frota para reitor, por convencimento do Diretor da FES, Rosalvo Bentes Machado, e do colega do Departamento de Economia, Sylvio Puga, fui nomeado ‘Representante da UFAM em Brasília, onde fiquei entre julho de 2001 a julho de 2002, regressando a Manaus por vontade própria.

Este foi o último ano de FHC na presidência da República e o ano da ascensão de Lula ao Poder federal. O teatro das tesouras funcionando a todo o vapor.

Nesse contexto, regressei à cátedra e me dediquei a lecionar a disciplina Comércio Exterior no lugar do colega Sylvio Puga, que estava pró-reitor de Extensão.

Tentei ajudar a UFAM a apresentar Projetos para captação de recursos em Projetos oferecidos por meio de Editais mesmo junto ao MEC e outros ministério, já que a falta de Projetos era – e ainda é -. Um “calcanhar de Aquiles” da Administração pública brasileira em seus três entes federados: União, Estados e Municípios. Apesar do esforço, não houve compreensão sobre a natureza da proposta e acabei desistindo da ideia.

Além do curso de Administração da sede, me dediquei aos cursos de interiorização nos municípios de Coari; Parintins; Itacoatiara; e aos cursos em EAD.

Minha vida familiar se esgarçou de vez. Tentei levar a mulher, Ana Zagury, para Brasília comigo, mas fracassei. Este foi um dos motivos porque aceitei ir morar em Brasília e ser o representante da UFAM na capital federal. Como não consegui levar a mulher para longe dos conflitos familiares nos quais vivia imergida, acabei retornando, apenas para recrudescer as brigas e finalmente a separação. Não foi nada fácil, pois o que poderia ter se dado de maneira consensual foi transformado em processo litigioso. Mais uma pensão alimentícia, fora os bens que deixei para ela: apartamento que construímos, e toda a mobília. Saí levando meus bens pessoais – roupas, sapatos, livros e cds. Casar e separar parece ser o meu “carma”.

Prefiro dar tudo como perda e preservar minha saúde física e mental. Bens materiais se compram novamente, mas a paz de espírito não se compra.

Estávamos em 2005. Com a ascensão do amigo Serafim Correa à Prefeitura de Manaus e o colega Jefferson Praia ter assumido a Secretaria de Trabalho, fui convidado par ajuda-lo.

Nesse ínterim, conheci a futura mãe de minhas filhas Alice e Clara. O resto da história basta fazer Ctrl C - Ctrl V. Acho que minha virtude também é o meu grande defeito: como pratico a filosofia de Epíteto, Sêneca e Marco Aurélio – o estoicismo – e não me deixo abalar por questiúnculas sem sentido, sou tido por “saco-de-pancadas” até que dou um basta e... “Ces’t fini”.

Em 2008, fiz uma coisa da qual me arrependo amargamente: comprei um carro em meu nome para um casal de amigos pagarem. Ela estava com câncer terminal. Meu coração falou mais alto que minha razão. Me dei mal. Muito mal. Fiquei três meses sem salário. Fiquei inadimplente no BB, que não me perdoou: zerou meu saldo; meus limites; meus cartões. Me vi interditado.

Esse foi também um dos motivos do azedamento da última relação “marital”.

Em 2010, assumi novamente o ‘DA’ juntamente com o ‘Luiz Aurélio’. Aconteceu tudo como da primeira vez em 1997: ele desistiu e me deixou na chefia.

Conseguimos, como da vez em que trouxemos o curso de Mestrado com a UFSC. Desta vez trouxemos o Doutorado com a UFMG.

Entre 2011 e 2012, tive aquilo que se pode chamar de “tempestade perfeita”: era chefe do DA; iniciei o curso de Doutorado com a UFMG; a mulher foi embora para a casa da mãe e levou minhas filhas; ainda estava lidando com a crise financeira no BB; tive de retirar vários pólipos dos intestinos; fiquei quase cego de catarata e tive de fazer implante de lente (acho que já estava pré-diabético e não sabia); fui retirado do doutorado por uma conspiração da coordenadora e dois professores (cujas razões deixo de relatar por uma questão ética). E meu amigo Sylvio perdeu mais uma disputa para Reitor da UFAM. Entrei em depressão, que foi por mim mesmo controlada em razão da filosofia estoica.

Mal comparando, entendi bem a história de Jó: ‘crise financeira’; ‘crise familiar’; ‘crise de saúde’.

As únicas coisas boas que me aconteceram nesse período foi ter ajudado a ADUA como primeiro tesoureiro e o meu retorno à IASD.

Para amenizar a crise financeira, vendi tudo de supérfluo que tinha em casa; corri atrás de cursos extracurriculares (pós-graduações); virei advogado de porta-de-cadeia, etc. Deus nunca deixou que passasse fome. Toda semana ganhava entre R$ 500 e R$ 1000 em audiências nos JEPC (juizados especiais de pequenas causas). Deixei de rolar dívidas com cartão de crédito (até porque n]ao os tinha mais).

Houve um fato bastante pitoresco: dois sócios cearenses iniciaram uma disputa como ex-sócios de uma empresa comercial de produtos químicos. Toda semana eu tinha de atender um deles na DP em razão de ‘BO’s que um fazia contra o outro. Assim, ganhava meu dinheiro com as audiências. Embora eu tentasse os acordos par evitar que se matassem, eles não amainavam as rixas. Até PMs entraram nas histórias.

A coisa somente teve fim quando o adversário de meu cliente envolveu a mãe deste em um processo no JEPC criminal. Ele esqueceu que, em outro juízo, havia se declarado amigo dos PMs que lhe fazia escolta. Pois cometeu o erro de levar um deles como sua testemunha na audiência da mãe do meu cliente. Aproveitei para desmascará-lo. O juiz queria prender os dois em flagrante por litigância de má-fé, mas deu a oportunidade para eles desistirem daquela ação nitidamente retaliatória. E assim, cessou o conflito entre eles. E também meus pagamentos de audiências.

Contudo, não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.

Minha companheira, mãe das minhas filhas Alice e Clara, acabou conseguindo o emprego de seus sonhos na Azul Linhas Aéreas como Comissária de Voo. Contudo, um ano depois teve de optar entre ser demitida ou transferir-se para Belo Horizonte – MG.

Como eu já havia alcançado o tempo para aposentadoria em razão de minha anistia no INCRA em 1994 - pelo que meu tempo de serviço retroagiu a 1975 -, pedi aposentadoria voluntária e fui com a família, não para BH, mas para Salvador, que me serviu de ‘férias sabáticas”, que descreverei em seguida.

 

< Capítulo X >

 ‘DELEGADO FEDERAL’ DO MIN. DOS TRANSPORTES E DAS COMUNICAÇÕES

 

Em agosto de 1991, fui nomeado ‘Delegado Federal’ do Ministérios dos Transportes e das Comunicações (MTC). Por indicação do senador Carlos Alberto De Carli.

Minha ‘colega-companheira’ que fora morar comigo me prometendo cumprir sua palavra de não me dar filhos, deu-me outro. Eduardo nasceu em 1991. Não sem causar um enorme conflito comigo, que passei a morar sozinho na residência oficial do ‘Delegado’ (regalia que o governo Collor depois haveria de extinguir). Deixei para ela a casa mobiliada e uma ‘pensão alimentícia’ de dois salários mínimos para meus dois filhos que tivera com ela.

Como já pagava quatro salários mínimos para a minha primeira ex-mulher, de quem me separara em 1989, passei a suportar o pagamento de seis salários mínimos. Para honrar com esses encargos, me virava também como professor do CIESA, com carga cheia. Correndo feito doido com meu carro velho para chegar a tempo. E estudando ‘Direito’. Até me formar em 1992, quando passei a atuar como advogado,

Portanto, estava novamente “morando” sozinho desde 1991.

Em 1992, na campanha municipal, eu exercia a função de Secretário-Geral do PTB e coordenava as eleições no Partido. Fizemos mais um vereador em Manaus e alguns outros pelo interior. Nesse ano, inovei no registro dos candidatos no TRE ao utilizar os números dos candidatos a partir do início da numeração do partido. O PTB leva o número 14. Assim, abandonando a tradição de atribuir números aos candidatos iniciando por, por exemplo, 14.600, e iniciei a contagem com 14.000. Consultei o juiz eleitoral coordenador do pleito, Dr. Yedo, e ele concordou que essa numeração mencionada na Lei era apenas exemplificativa e não taxativa. Portanto, estava fazendo uso dos meus conhecimentos jurídicos de advogado recém-formado. Acabei com a briga entre candidatos pelos “melhores números”.

Conheci nessa época a srta. Ana, com quem dei início a um relacionamento de outros dez anos, mas do qual não advieram filhos, pois ela não conseguia manter a gestação. Ela tentava desesperadamente ter filhos, mas tinha o útero emborcado. Até por isso nossa relação foi azedando. E por meu comportamento, digamos, reativo à sua tentativa de me dominar.

Em 1992, enquanto terminava o curso de ‘Direito’, terminei também a ‘Especialização’ em Magistério Superior com ênfase em ‘Comércio Exterior’, no CIESA.

Em 1994, ao tempo em que fui anistiado pelo INCRA, passei no concurso da UFAM para professor, alcançando assim minha estabilidade. Não aguentava mais ocupar cargos comissionados, demissível ‘ad nutum’.