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20 janeiro 2014

Os rolezinhos

Publicado no blog de Ricardo Setti (Veja. com)
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Reynaldo-BH: Os fatos desmentem que os “rolezinhos” sejam um “movimento contra a discriminação”. Mas o que isso importa para o PT, o partido da tapeação?
APROVEITAMENTO POLÍTICO: Manifestação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Urbanos Sem Teto), ligado ao PT, chamada "Rolezão Popular Contra o Preconceito", juntou 500 pessoas em frente ao Shopping Campo Limpo, no extremo da Zona Sul de São Paulo. O shopping manteve as portas fechadas. Os manifestantes protestaram e bloquearam os dois sentidos de uma importante avenida (Foto: Jefferson Coppola)
APROVEITAMENTO POLÍTICO: Manifestação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Urbanos Sem Teto), ligado ao PT, chamada “Rolezão Popular Contra o Preconceito”, juntou 500 pessoas em frente ao Shopping Campo Limpo, no extremo da Zona Sul de São Paulo. O shopping manteve as portas fechadas. Os manifestantes protestaram e bloquearam os dois sentidos de uma importante avenida (Foto: Jefferson Coppola)
Quem tem a ousadia de discordar da constatação que no Brasil o PT implantou a tapeação como práxis de atuação?
Para onde se olhe, para o que se queira analisar ou observar, lá está ela.
Faz parte do material genético do PT.
Um partido que nasceu roubando as bandeiras do velho PTB de Brizola.
E dos pelegos, usando os mesmos métodos.
Depois, implantou o dito centralismo democrático (em que a palavra final sempre foi de Lula), copiado do PCB e do PCdoB.
Foi uma “UDN de esquerda” enquanto oposição. Uma banda de música monocórdica e monótona. Que acusava TUDO e TODOS sem provas ou evidências. Em nome do poder. Que deu resultado para além da UDN copiada. Produziu um líder que é maior (“n” vezes) do que o partido criado; é um mostrengo criado à imagem e perfeição do remendo de cópias mal feitas do passado.
Tapeação.
No governo roubou a base econômica e social deixada por FHC. Seja o Plano Real (que está sendo após 10 anos de tentativa, implodido!) ou os programas de assistência social.
Estes foram ampliados? Certamente. E como em um cozimento além da conta, queimou na panela. Passou a ser instrumento de dominação com a criação de currais eleitorais. Bem, mas esta é outra história.
A economia vai mal. E de mal a pior. Sem controle, com coelhos que não existem mais nas cartolas dos magos tapeadores.
Mas, é de perguntar-se: o que há de novo nisto? A rigor, nada.
O PT perdeu a auréola de santo do esquerdismo infantil, aprendidos nos livros de colorir de Marilena Chaui. Hoje é um cachorro correndo atrás do caminhão de mudança.
Os últimos movimentos políticos são – além de criminosos – de um primarismo que nem nos grotões do Brasil do século passado, conseguimos ver paralelo.
As manifestações de junho e julho de 2013 (que serão as deste ano de 2014!) foram tentadas ser apresentadas pelo alvo como sendo autores. A famosa vergonha alheia. Só um Rui Falcão poderia proferir tamanha estupidez. Faz parte do jeito Falcão/PT de ver o Brasil. O Brasil estava na rua com uma única reinvindicação: BASTA! E os surdos petistas ouviram MAIS!
Os black blocs forma incensados pelos petistas como exemplo de cidadania. Até partirem para a destruição no Rio e em São Paulo. Neste momento, o PT culpou os Estados pelo surgimento do antimovimento social, só aceito na cabeça de descerebrados.
De novo o PT tentando TAPEAR. Roubar ações. Mas hoje, sequer sabe escolher o que será roubado.
Vê-se nos atuais “rolezinhos”, já politizados, com cunho racial e espalhados por todo o Brasil.
São brincadeiras à beira da ilegalidade. Mas longe de um movimento orquestrado contra a discriminação racial ou social. O Movimento dos Sem Teto tentou, em São Paulo – claro que com o apoio do PT – transformar uma coisa adolescente em um tema nacional de invasão e depredação. Basta ler a série de reportagens com os participantes dos rolezinhos: são da nova classe média, querem (como dizem) “zoar, namorar, beijar e comprar roupas de grife”.
Como disse um deles, não pretende fazer um “rolezinho” em um shopping do Morumbi, em São Paulo, pois “não vai andar duas horas de ônibus para pagar mais caro do que no shopping que JÁ FREQUENTA!”.
Os black blocs já se articulam para se juntar aos rolezinhos previstos. E ministros do PT exaltam o movimento, sem entender as causas e sem propor alternativas.
Basta o discurso que pode incendiar o Brasil. A ministra da Igualdade Racial ( a mesma que adora gastar com o cartão de crédito oficial, pago POR NÓS!) afirma ser “um movimento contra o racismo!”.
É desmentida até por fotos!
Mas isto importa para o PT? Quem tem Lula – amante de Rose e chefe de José Dirceu – como trapaceiro-mor se importa em ter receios na tapeação?
Tapeação, teu nome é PT. Sempre foi.
Um partido que nasceu copiando e roubando ideias e bandeiras alheias. Sejam estas de esquerda ou da própria ditadura militar, como na defesa cega da censura e do aparelhamento estatal com milicianos não fardados.
Uma vergonha. Insisto; não foi para ver esta corja que fui exilado e lutei pela volta da democracia ao Brasil!
A plateia do espetáculo farsesco cansou. É hora de expulsar os magos e palhaços do picadeiro.
E pedir o ingresso de volta!

Carga tributária no Brasil do lupetismo

Publicado no blog de Ricardo Setti (Veja. com)
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BRASIL, IL, IL!!! ETA NÓS!! Governo lulopetista subiu em quase 10% a carga tributária entre 2010 e 2012. Assim a gente vai longe… para o buraco
dinheiro 
Carga tributária brasileira cresce 9,33% em dois anos
Por Talita Fernandes, do site de VEJA
A carga tributária do Brasil – a relação entre o que o governo arrecada em impostos e o Produto Interno Bruto (PIB) – cresceu 9,33% entre 2010 e 2012. O dado consta de documento divulgado nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) [entidade de 33 países-membros alinhados com a democracia representativa e livre iniciativa].
Em 2010, a carga tributária brasileira correspondia a 33,2% do PIB e passou para 36,3% em 2012, último dado disponível da OCDE.
De acordo com o chefe do escritório das Américas da OCDE, Christian Daude, a arrecadação de impostos tem crescido na América Latina, enquanto permanece estável nos países que fazem parte da OCDE (da qual o Brasil não faz parte).
“As receitas (com impostos)  têm crescido nos últimos dez anos na região, ainda que lentamente, passando de 16,4% do PIB em 2000, para 20,7%, em 2012. Enquanto isso, as receitas dos países da OCDE se mantiveram um pouco mais estáveis devido à crise e ao crescimento pequeno pós-crise.”
Esse porcentual para as nações do bloco estava em 34,1% em 2011, segundo o documento. Para Daude, isso se explica porque os países latino-americanos têm maior taxa de informalidade no mercado de trabalho e costumam ter mais isenções fiscais.
O relatório Estatísticas sobre Receita na América Latina foi lançado em cerimônia realizada em Santiago do Chile. No documento, a organização compara e analisa a evolução das receitas tributárias em dezoito países da América Latina e da Região do Caribe. O Brasil tem uma das cargas tributárias mais elevadas da região, 36,3%, e só perde para a Argentina, cuja receita tributária corresponde a 37,3% do PIB.
Daude explica que não se pode avaliar se uma carga tributária mais elevada é melhor ou pior do que uma arrecadação menor. Segundo ele, o segredo está na gestão. “Não está claro se existe um nível ótimo de receita tributária”, comenta. “Em países como Argentina e Brasil, em que a receita segue aumentando, a grande questão é como esse dinheiro é gasto. Se é melhorada a qualidade e eficiência dos serviços prestados.”
Ele diz, contudo, que uma análise da composição da receita pode permitir um melhor entendimento sobre a estrutura tributária de um determinado país. “No Brasil, por exemplo, os impostos previdenciários (INSS) correspondem a cerca de 25% da arrecadação. No Chile, essa relação é só de 5%”, comenta Daude.
O economista da OCDE explica que essa diferença entre os indicadores se deve ao fato que, enquanto no Brasil as pensões e aposentarias ficam a cargo do poder público, no Chile, elas são majoritariamente privadas.
Sistema previdenciário “é muito caro”
“Eu não digo que, necessariamente, o Brasil teria de se aproximar do Chile. Mas, no Brasil, o diagnóstico é muito claro: as aposentadorias são pagas com dinheiro público e a população é jovem ainda. Pelo que o país gasta, e dado que a população é muito jovem, o sistema é muito caro. E isso deve piorar com o envelhecimento da população”, analisa Daude.
Como solução, ele comenta que não necessariamente o país precisa de uma reforma completa, mas que ajustes são necessários para melhorar o sistema.
O relatório mostra ainda que os impostos sobre bens e serviços são responsáveis pela maior fatia da receita tributária do país, com 44,1% [são os impostos indiretos, embutidos nos preços, os quais a maioria esmagadora da população não tem consciência de que paga], número abaixo da média dos países da América Latina, de 51,3%, mas acima da mediana dos países da OCDE, de 32,9%. Em seguida, aparece o INSS, com 25%, e o imposto de renda, com 21,7%.

Entrevista com César Benjamin (ex-PT)

Republicado por Reinaldo Azevedo (Veja. com)
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Em 2005, em entrevista à Folha, Cesar Benjamin fez algumas revelações interessantes. Militante do PT de 1980 a 1995, o hoje em dia editor de livros situa no início dos anos 90, com a atuação de Delúbio no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o início da mudança que levou o partido ao escândalo do mensalão. De acordo com Benjamin, com repasses do FAT para sindicatos Delúbio Soares fortaleceu a tendência Articulação, do PT, da qual faziam parte Lula e José Dirceu. É a turma que comanda o partido ainda hoje, embora com outro nome. Leiam trecho daquela entrevista.

O senhor acha que as previsões que fez ao sair do o PT se cumpriram?
Vamos situar a saída. Na campanha de 1994, eu era da direção e da coordenação da campanha. E depois ficou claro que tinha havido uma série de financiamentos que desconhecíamos. De bancos e empreiteiras, para a campanha do Lula.

Eram financiamentos ilegais?
Do ponto de vista partidário não eram legais. Porque tanto a direção quanto a militância nunca souberam disso. Tentei discutir na direção nacional, não houve possibilidade, e resolvi levar ao Encontro Nacional do PT de 1995, que era o primeiro na seqüência da eleição. E aí ficou claro para mim que já estava havendo no PT o início do esquema que agora vem à luz, inclusive com os mesmos personagens. Eu tive a percepção de que isso continha um perigo extraordinário, que era a entrada no PT, pesadamente, de esquemas de financiamento que teriam um impacto grande na vida interna do partido. O Dirceu foi eleito para a presidência, esse grupo que agora está nas manchetes assume cargos-chave, e fica claro que o partido tinha tido uma inflexão para pior. Ser direção passava a ser gerenciar interesses. E saí, eu me lembro que no meu pronunciamento no Encontro Nacional disse que estávamos diante do ovo da serpente que ia nos devorar. Então, quando vejo essa situação atual, tenho consciência de que não começou agora e é a expressão de uma prática continuada e sistêmica, que foi introduzida através do Lula e do Zé Dirceu.

Pode-se dizer que o processo de corrupção começou em 1994?
Talvez tenha começado antes.

Quando?
Há notícias de processos semelhantes no Fundo de Amparo ao Trabalhador. Não por coincidência o representante da CUT no FAT chamava-se Delúbio Soares e se multiplicaram notícias de esquemas de financiamento heterodoxos.

O que houve?
Até essa época, a Articulação, que é o grupo do Lula e do Dirceu, ainda disputava a hegemonia no PT cabeça com cabeça. A minha interpretação é a de que esse grupo usou esquemas de financiamento heterodoxos para fortalecer a Articulação. Porque o FAT faz convênios com sindicatos. E assim fortaleceu as finanças da Articulação, que passa a manejar poder financeiro que é uma arma nova na luta. Passa a ter capacidade de financiar candidaturas, trazer pessoas, estabelecer pontes. Delúbio se tornou figura paradigmática. Foi tesoureiro da CUT, foi para o PT como tesoureiro. E esse grupo começa a ser conhecido como “os operadores”.

Quem eram Delúbio, Sílvio?
Silvio Pereira, depois Marcelo Sereno… Esse grupo estabelece influência crescente no PT e na CUT. Ser da Articulação significava fazer campanhas muito caras. E se combina com o esvaziamento da militância. Então esse grupo consolida a hegemonia. Passa a operar em vários esquemas. Santo André é um deles. Passa a procurar maneiras de levantar dinheiro. E com a chegada ao governo federal as práticas ganham escala e um potencial de crescimento e visibilidade muito maior.

E o presidente Lula nisso tudo?
O Lula garante que foi traído, que não sabia. Mas eu não acredito nisso. Foram práticas sistemáticas durante mais de dez anos, do grupo que era mais próximo do próprio Lula. Me parece completamente inverossímil que ele fosse o único a não saber. Todos sabíamos. Eu, que já estava fora do PT, sabia. Como o Lula poderia não saber?
(…)

18 janeiro 2014

O old black bloc

Essa é pra relaxar:
O diálogo entre um jovem classe média e seu pai...

O pai (P) - Filho, eu descobri essas coisas no seu armário…
O Filho (F) - Qual é o problema de ter uma máscara do anônimos e um taco de beisebol?
P - Você usa isso?
F - Não… quer dizer, às vezes…
P - É que que estou precisando.
Será que você me empresta?
F - Precisando? Pra quê?
P - É que eu li as coisas que você andou escrevendo na internet…
F - Você andou lendo o meu face?
P - Qual é o problema? Não é público?
F - É…mas…
P - Pois é, eu li o que você escreveu e …
F - Pai, eu sei que você não gostou do que eu escrevi lá , mas… eu não vou discutir, são as minhas ideias. Eu sou anarquista e…
P - Não. Eu achei legal. Você me convenceu.
F - Convenci? De quê?
P - Tá tudo errado mesmo… eu li o que você escreveu e concordo. Agora eu sou anarquista também, que nem você…
F - Você o quê? Pai… que história é essa?
P - É, você fez a minha cabeça, tem que quebrar tudo mesmo! Agora eu sou Old Black Bloc!
F - Pai, você não pode… você é diretor de uma empresa enorme e…
P - Não sou mais não. Larguei o meu emprego. Mandei o meu chefe tomar no ... Mandei todo mundo lá tomar no ......
F - Pai, você não pode largar o seu emprego. Você está há 30 anos lá…
P - Posso sim! Aliás tô juntando uma galera pra ir lá quebrar tudo.
F - Quebrar tudo onde?
P - No meu trabalho! Vamos quebrar tudo ! Abaixo a opressão! Abaixo tudo!
F - Você não pode fazer isso, pai…
P - Posso sim! É só você me emprestar a máscara e o taco de beisebol. E aí, você vem comigo?
F - Não… acho melhor não…
P - É melhor você vir porque agora que eu larguei tudo, a gente vai ter sair desse apartamento…
F - Sair daqui? E a gente vai morar aonde?
P - Sei lá! Vamos acampar em frente a uma empresa capitalista qualquer e exigir o fim do capitalismo!
F - Pai, você não pode fazer isso ! Não pode abandonar tudo!
P - Tô indo! Fui!
F - Peraí, pai!
Pai!  E minha mesada ? E meu computador ? E a gasolina do meu carro ? Onde eu vou morar ? Volta aqui! Volta aqui, pai!!! Voooltaaaaa!

15 janeiro 2014

Ênio Mainardi - falando à Dilma (*)

Veja só o que o Ênio Mainardi escreveu:

Você tem câncer. Igual a mim. Os médicos dizem que estamos curados, que a químio funcionou… Mas nós dois sabemos que quem tem câncer é para sempre.

Nenhum exame pode garantir nada. A doença, depois de instalada, fica dentro de nós, só esperando uma chance para ressurgir. É assim o câncer.

O PT também, para mim, é um câncer definitivo. O Lula, você, o PT… todos com câncer. O Brasil está canceroso. Cada político corrupto é um canceroso do PT, do PMDB, do PSDB ou dos outros 37 partidecos que mamam na Pátria Gentil, corrompidos pelas barganhas de tempo na TV, do fundo partidário, das negociatas que eles perpetram, ávidos. Essa gente ruim acaba com nosso futuro, nossas esperanças. E os malditos sindicalistas. Os aparelhados. Os empreiteiros. Vocês não vão desaparecer nunca, sabemos disso. Não tem quimio, não tem veneno de rato que acabe com a raça de vocês. São como baratas sobreviventes mesmo depois de uma explosão nuclear.

O Stalin era do PT, o Hitler, também petista. O Chávez. Mussolini. Nero queimando Roma. Uma linhagem infinita de descendentes de Caim. Ninguém sabe como um petista aparece. No caso da doença câncer, propriamente dita, tem o fator stress. E os alimentos com pesticida, a genética. E a própria falta de fé na humanidade. Fé em Deus, na justiça divina. No caso de vocês, petistas, tudo leva ao câncer. A ganância pelo poder, a corrupção, a necessidade de compensar suas fragilidades espirituais, morais e éticas com o exercício da força bruta, do oportunismo que só busca vantagem para sipróprio. Vocês são do Mal. E, portanto, eternos.

De vez em quando penduram um Mussolini pelo pescoço, enforcado numa praça pública. Ou matam um Pol-Pot a pauladas. Um parco consolo. Você, Bruxa Odiada, ainda não se tocou daquilo que é. Você tem a caneta - mas não a cabeça. É uma serva do PT, qualquer dia o Lula vai te mandar lavar uma privada do Planalto, sem luvas. Ou te mandar trancar o processo de enriquecimento duvidoso - dele e de seu filho. De outro lado, não dá para esperar que você melhore seu QI.

Se eu fosse psiquiatra eu te diagnosticaria como sendo uma psicótica que costuma atravessar os limites da sanidade mental dez vezes ao dia. Então só nos resta lutar duramente contra você e contra todos os petistas do mundo, seja os da bandeira vermelha ou não. Talvez tenhamos até que usar um fuzil automático AR-15, igualzinho aquele com que você se deixou fotografar nos tempos da guerrilha. O consolo é que se câncer não pode ser extinguido - pode ser controlado, reduzido a quase nada. Aqui no Brasil, duvido que seja pelo voto. Outra hipótese é que o (a) canceroso (a) possa morrer depressa. Doença existe é para isso.

(*) Ênio Mainardi é um publicitário e escritor brasileiro, pai do também escritor e colunista Diogo Mainardi

08 janeiro 2014

Edmar Bacha: Estamos de costas para o mundo



Governo sobe de 0,38% para 6,38% o imposto sobre cartões de débito, cheques de viagem e saques em moeda estrangeira para reduzir gastos de turistas brasileiros no exterior
“A hiperinflação não vai voltar em 2015, pois o país é outro, graças ao Plano Real e às reformas que se lhe sucederam. Mas, com as políticas equivocadas que o atual governo persegue em relação ao déficit externo”, inclusive a alta do IOF sobre saques em moeda estrangeira…

Artigo publicado no jornal O Globo
Por Edmar Bacha (*)

DE COSTAS PARA O MUNDO
O governo acaba de subir de 0,38% para 6,38% o imposto (denominado IOF) sobre cartões de débito, cheques de viagem e saques em moeda estrangeira. O objetivo é reduzir os gastos de turistas brasileiros no exterior, que agora, se quiserem se livrar do imposto, terão que comprar dólares em espécie, com todos os inconvenientes e riscos de serem assaltados que isso implica.
Trata-se de mais uma das desacertadas medidas de encarecimento dos bens e serviços importados que o governo vem adotando em resposta ao déficit das transações comerciais do país com o resto do mundo.
Quando um país tem um excesso de importações sobre exportações tão alto como o Brasil tem, o que ocorre é uma desvalorização de sua moeda em relação ao dólar. Mas o governo teme os efeitos dessa desvalorização sobre a inflação. Por isso, recorre a medidas tópicas de encarecimento de bens e serviços importados que acredita terem menor efeito sobre a inflação do que uma desvalorização da taxa de câmbio.
Outras medidas recentes desse tipo incluem um aumento das tarifas de importação de cem produtos selecionados, uma margem de preferência de 20% para as compras pelo governo de bens produzidos no país, sendo que, no caso de equipamentos hospitalares e medicamentos, a margem de preferência chega a 25%.
Além disso, multas e punições foram instituídas para a venda de equipamentos e insumos para a Petrobras e para a indústria automobilística que não obedecerem aos requisitos de conteúdo local determinados pelo governo. Da mesma forma que com o aumento do IOF sobre o turismo externo, o governo espera que com essas medidas os gastos dos brasileiros no exterior se reduzam, sem ter que desvalorizar o câmbio.
Apesar das medidas protecionistas adotadas pelo governo, o déficit nas transações externas do país continua aumentando. Além disso, a perspectiva de elevação dos juros nos EUA reduz a oferta de dólares para financiar esse déficit.
Em consequência, os agentes do mercado financeiro antecipam que, mais cedo ou mais tarde, o governo terá que deixar o câmbio se desvalorizar. Tratam então de comprar dólares para ganhar com a desvalorização futura esperada. O efeito dessas compras seria desvalorizar o câmbio hoje.
Mas nesse caso, também, o governo procura evitar a desvalorização, vendendo ao mercado financeiro um seguro contra a desvalorização futura, os chamados swaps reversos do Banco Central. Esse seguro tem como lastro as reservas internacionais do Banco Central. Entretanto, o saldo das vendas desse seguro está crescendo dia a dia.
No ritmo atual, estima-se que até o início de 2015 seu valor equivalerá a nada menos do que a metade das reservas internacionais. Trata-se de uma política insustentável, que não tem como prosseguir indefinidamente.

Medida é uma repetição do que vimos acontecer em 1986, quando José Sarney anunciou o Plano Cruzado
Cenário repete em tom menor o que aconteceu depois que Sarney não fez os ajustes necessários ao Plano Cruzado
Em tom menor, é uma repetição do que vimos acontecer em 1986, quando o governo de José Sarney adiou para depois das eleições de novembro daquele ano os ajustes que se faziam necessários no Plano Cruzado. Quando esses ajustes foram feitos de forma mambembe no início de 1987, a hiperinflação tomou conta do país.
A hiperinflação não vai voltar em 2015, pois o país é outro, graças ao Plano Real e às reformas que se lhe sucederam. Mas, com as políticas equivocadas que o atual governo persegue em relação ao déficit externo, corremos o risco de haver uma maxidesvalorização após as eleições de outubro de 2014, seguida de forte contenção monetária e fiscal para evitar um aumento da inflação. Isso provocaria recessão e desemprego em 2015. Já vimos esse filme de terror acontecer em 2002 e 2003. E dele só saímos graças ao auge das commodities, que ocorreu a partir de 2004.
Mas pode ser ainda pior do que isso. Caso a atual presidente seja reeleita, dadas suas propensões intervencionistas, ela poderá não resistir à tentação que Lula teve no início de 2004, de abandonar as políticas de austeridade de Palocci e Meirelles e abraçar as alternativas favorecidas pelos economistas do PT.
O que esses economistas fariam para enfrentar a corrida ao dólar está anunciado em diversos artigos publicados por eles na imprensa — trata-se da centralização cambial. A flutuação do dólar seria abolida e se instituiria o monopólio do câmbio por parte do governo. Os dólares seriam racionados para atender às importações essenciais.
O resto das transações externas iria para o mercado negro, como ocorre hoje na Venezuela e na Argentina. Daríamos de vez as costas para o mundo, de forma consistente com a política de avestruz que o atual governo vem adotando desde a crise de 2009.
(*) Edmar Bacha é sócio fundador e diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças (RJ)

O lulopetismo quebrou a Petrobras...

No blog de Reinaldo Azevedo (Veja.com):
LULOPETISMO: Patacoada da “auto-suficiência” em petróleo, jurada por Lula há mais de SETE ANOS, redundou num gasto de importação de mais de 40 bi de dólares em 2013 — que afundou a balança comercial
Lula fantasiado de petroleiro, com as mãos sujas de óleo na plataforma P-50, a 21 de abril de 2006: "Brasil agora é dono de seu nariz". Ah, é? Pois leiam o texto abaixo (Foto: VEJA)
Lula fantasiado de petroleiro, com as mãos sujas de óleo na plataforma P-50, a 21 de abril de 2006: “Brasil agora é dono de seu nariz”. Ah, é? Pois leiam o texto abaixo (Foto: VEJA)
Foi um fuzuê danado.
Lula e um entourage inteiro embarcaram de helicóptero do litoral do Estado do Rio até 120 quilômetros mar adentro, descendo em uma plataforma da Petrobras, a P-50, de 77 mil toneladas, fundeada na Bacia de Campos. O presidente, fantasiado de petroleiro, com uniforme cor de laranja e capacete, apertou o botão que deu a partida nos equipamentos de perfuração, sujou suas mãos de petróleo — como Getúlio Vargas fizera, em gesto célebre, após uma das primeiras descobertas da Petrobras, nos anos 50 — e anunciou, de boca cheia, que o Brasil era auto-suficiente em petróleo.
Era o dia 21 de abril de 2006.
Dois dias depois, em seu programa de rádio, assegurou que o Brasil era a partir de então “dono de seu nariz”.
No dia da visita do presidente, o então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, distribuiu declaração dizendo, entre outras coisas, o seguinte:
“A Petrobras e os brasileiros venceram mais um desafio. Quando a empresa foi criada, muitos não acreditavam que fosse viável. O fato é que, 53 anos depois, ela conquistou a auto-suficiência para o Brasil”.
Pois bem, o que temos, hoje, MAIS DE SETE ANOS DEPOIS, segundo DADOS OFICIAIS?
O governo anunciou dias atrás que, depois de 11 anos registrando superávit de dois dígitos, a balança comercial brasileira ficou positiva em apenas 2,5 bilhões de dólares em 2013 — exportações de 242,2 bilhões versus importações de 239,6. Foi o pior resultado em 13 anos..
Só por comparação, em 2011 o saldo da balança comercial foi mais de DEZ VEZES superior — uma diferença favorável de 29,8 bilhões de dólares entre o que o país exportou e o que importou.
E o que é que afundou os resultados da balança comercial?
As IMPORTAÇÕES de petróleo, por parte do “auso-suficiente” Brasil de Lula e Dilma.
O déficit na chamada “conta-petróleo” — a diferença entre o que o país exporta de petróleo e derivados e aquilo que compra no exterior — explodiu, indo para 20,277 bilhões de dólares.
Este é o DÉFICIT, porque o total que o país gastou, importando petróleo, gasolina e outros produtos, chegou a nada menos que 40,5 BILHÕES DE DÓLARES. Só de petróleo bruto, propriamente dito — aquele a respeito do qual nos prometeram auto-suficência –, foram 16,32 bilhões de dólares, mais 24,18 bilhões em combustíveis, lubrificantes e outros produtos da cadeia produtiva do óleo vindos do exterior.
Esses são resultados de um tipo de governo que conta vantagens, inventa lorotas, torra bilhões em publicidade e faz tudo, tudo, tudo de olho na eleição seguinte e em sua perpetuação no poder. Só não faz, como podemos ver, a lição de casa.
Ignora-se por completo a opinião de Lula, que fala por seus próprios e também por cotovelos alheios, a respeito de se o Brasil ainda é, como ele afirmou, “dono de seu nariz”.

07 janeiro 2014

Governo do PT é como a saúva para a indústria brasileira

‘Por trás da maquiagem, a crise real da indústria’, um texto de Rolf Kuntz
Publicado no Estadão
ROLF KUNTZ
O pior saldo comercial em 13 anos ─ o pitoresco e discutível superávit de US$ 2,56 bilhões ─ está longe de ser um desastre isolado. Os números da balança retratam com precisão a crise brasileira: uma indústria com enorme dificuldade para competir, o descompasso entre consumo e produção, a política econômica feita de remendos e improvisações e a dependência cada vez maior de uns poucos setores ainda eficientes, com destaque para o agronegócio e a mineração. O menos importante, nesta altura, é apontar a exportação fictícia de plataformas de petróleo, no valor de US$ 7,74 bilhões, como evidente maquiagem dos números. Muito mais instrutivos, nesta altura, são outros detalhes. Uma dissecção da balança comercial, mesmo sumária, dá uma boa ideia dos estragos acumulados na economia em dez anos, especialmente nos últimos seis ou sete.
Sem os US$ 7,74 bilhões das plataformas, a exportação de manufaturados fica reduzida a US$ 85,35 bilhões. Para igualar as condições convém fazer a mesma operação com os números de 2012. Eliminada a plataforma de US$ 1,46 bilhão, a receita desse conjunto cai para US$ 89,25 bilhões. Sem essa depuração, o valor dos manufaturados cresceu 1,81% de um ano para o outro, pela média dos dias úteis. Com a depuração, o movimento entre os dois anos é uma assustadora queda de 5,13%.
Alguns dos itens com recuo de vendas de um ano para o outro: óleos combustíveis, aviões, autopeças, veículos de carga, motores e partes para veículos e motores e geradores elétricos. No caso dos aviões, a redução de US$ 4,75 bilhões para US$ 3,83 bilhões pode estar relacionada com oscilações normais no ritmo das encomendas e da produção. Mas o cenário geral da indústria é muito ruim. No caso dos semimanufaturados, a diminuição, também calculada pela média dos dias úteis, chegou a 8,3%.
Não há como atribuir esse resultado à crise internacional, até porque várias economias desenvolvidas, a começar pela americana, avançaram na recuperação, Para a América Latina e o Caribe, grandes compradores de manufaturados brasileiros, as vendas totais aumentaram 5,6%. Mesmo para a Argentina as exportações cresceram 8,1%, apesar do protecionismo.
O problema no comércio com os mercados desenvolvidos está associado principalmente ao baixo poder de competição da indústria, ou da sua maior parte, e às melhores condições de acesso de produtores de outros países. Mas essa é uma questão política. O governo brasileiro rejeitou em 2003 um acordo interamericano com participação dos Estados Unidos. Com isso deixou espaço a vários países concorrentes. No caso da União Europeia, o grande problema tem sido o governo argentino. É o principal entrave à conclusão do acordo comercial em negociação desde os anos 1990.
O Mercosul, promissor na fase inicial, tornou-se um trambolho com a conversão prematura em união aduaneira. Os quatro sócios originais nunca chegaram sequer a implantar uma eficiente zona de livre-comércio. Mas foram adiante, assumiram o compromisso mal planejado da Tarifa Externa Comum e aceitaram as limitações daí decorrentes. Nenhum deles pode, sozinho, concluir acordos ambiciosos de liberalização comercial com parceiros estranhos ao bloco.
De vez em quando alguém sugere, no Brasil, o abandono da união aduaneira e o retorno à condição de livre-comércio. Poderia ser um recomeço muito saudável, mas o governo brasileiro nem admite a discussão da ideia. A fantasia de uma liderança regional ─ obviamente associada ao terceiro-mundismo em vigor a partir de 2003 ─ tem sido um entrave ainda mais danoso que as amarras da fracassada união aduaneira.
Em 2013 o pior efeito da crise global, para o Brasil, foi a redução dos preços de commodities. Apesar disso, o comércio do agronegócio foi muito bem. Até novembro, o setor exportou US$ 93,58 bilhões de matérias-primas e produtos elaborados e acumulou um superávit de US$ 77,88 bilhões. O saldo final deve ter superado US$ 80 bilhões, valor anulado com muita folga pelo déficit da maior parte da indústria.
Em dezembro, só as vendas de milho em grão, carnes bovina e de frango, farelo e óleo de soja, café em grão, açúcar em bruto e celulose renderam US$ 3,87 bilhões. O quadro especial do setor, com valores discriminados e reorganizados, aparecerá, como sempre, no site do Ministério da Agricultura. Os números serão os do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mas a arrumação seguirá um critério diferenciado.
No caso do agronegócio, o poder de competição reflete os ganhos de produtividade acumulados em três décadas, além da manutenção, nos últimos anos, de um razoável volume de investimentos setoriais, como as compras de caminhões e máquinas em 2013. A eficiência tem sido suficiente para compensar, mas só em parte, as desvantagens logísticas.
Quando um setor respeitado internacionalmente mal consegue embarcar seus produtos, é quase uma piada insistir na conversa do câmbio como grande problema da economia nacional. Mas a piada convém a um governo com graves dificuldades para formular e executar uma política de investimentos públicos e privados.
Ainda no capítulo do humor, um lembrete sobre as exportações fictícias de plataformas: o expediente foi realmente criado em 1999 para proporcionar benefícios fiscais à atividade petrolífera. Até o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citou esse fato em entrevista. Mas essas operações nunca foram usadas tão amplamente quanto no último ano. Em 2012, esse item rendeu US$ 1,46 bilhão à contabilidade comercial. Em 2013, US$ 7,76 bilhões, com aumento de 426,4% pela média diária. Apareceu no topo da lista de manufaturados, acima de automóveis, aviões e autopeças. Mas nem isso disfarçou os problemas de uma indústria enfraquecida por anos de incompetência e irresponsabilidade na política econômica.

05 janeiro 2014

‘Mudar o rumo’, um artigo de Fernando Henrique Cardoso

Publicado no Estadão deste domingo
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Ano novo, esperanças de renovação. Mas como? Só se mudarmos o rumo. A começar pela visão sobre o mundo que ressurgirá da crise de 2007-2008. O governo petista, sem o dizer, colocou suas fichas no “declínio do Ocidente”. Da crise surgiria uma nova situação de poder na qual os Brics, o mundo árabe e o que pudesse assemelhar-se ao ex-Terceiro Mundo teriam papel de destaque. A Europa, abatida, faria contraponto aos EUA minguantes.
Não é o que está acontecendo: os americanos saíram à frente, depois de umas quantas estripulias para salvar seu sistema financeiro e afogar o mundo em dólares, e deram uma arrancada forte na produção de energia barata. O mundo árabe, depois da Primavera, continua se estraçalhando entre xiitas, sunitas, militares, seculares, taleban e o que mais seja. A Rússia passou a ser produtora de matérias-primas. Só a China foi capaz de dar ímpeto à sua economia. Provavelmente as próximas décadas serão de “coexistência competitiva” entre os dois gigantes, EUA e China, com partes da Europa integradas ao sistema produtivo americano e com as potências emergentes, inclusive nós, o México, a África do Sul e tantas outras, buscando espaços de integração comercial e produtiva para não perderem relevância.
Nessa ótica, é óbvio que a política externa brasileira precisará mudar de foco, abrir-se ao Pacífico, estreitar relações com os EUA e a Europa, fazer múltiplos acordos comerciais, não temer a concorrência e ajudar o País a se preparar para ela. O Brasil terá de voltar a assumir seu papel na América Latina, hoje diminuído pelo bolivarianismo prevalecente em alguns países e pelo Arco do Pacífico, com o qual nos devemos engajar, pois não deve nem pode ser visto como excludente do Mercosul. Não devemos ficar isolados em nossa região, hesitantes quanto ao bolivarianismo, abraçados às irracionalidades da política argentina, que tomara se reduzam, e pouco preparados em face da investida americana no Pacífico.
Para exportarmos mais e dinamizar nossa produção para o mercado interno a ênfase dada ao consumo precisará ser equilibrada por maior atenção ao aumento da produtividade, sem redução dos programas sociais e das demais iniciativas de integração social. A promoção do aumento da produtividade, no caso, não se restringe ao interior das fábricas, abrange toda a economia e a sociedade. Na fábrica, depende das inovações e do entrosamento com as cadeias produtivas globais, fonte de renovação; na economia, depende de um ousado programa de ampliação e renovação da infraestrutura; e na sociedade, de maior atenção à qualificação das pessoas (educação) e às suas condições de saúde, segurança e transporte. Sem dizer que já é hora de baixar os impostos, sem selecionar setores beneficiários, e de abrir mais a economia, sem temer a competição.
Isso tudo num contexto de fortalecimento das instituições e práticas democráticas e de redefinição das relações entre o governo e a sociedade, entre o Estado e o mercado. Será preciso despolitizar as agências reguladoras, robustecê-las, estabilizar os marcos regulatórios, revigorar e estimular as parcerias público-privadas para investimentos fundamentais. Noutros termos, fazer com competência o que o governo petista paralisou nos últimos dez anos e o atual, de Dilma Rousseff, se vê obrigado a fazer, mas o faz atabalhoadamente, abusando do direito de aprender por ensaios e erros, deixando no ar a impressão de amadorismo e dúvida sobre a estabilidade das regras do jogo. Com isso não se mobilizam no setor privado os investimentos na escala e na velocidade necessárias para o país dar um salto em matéria de infraestrutura e produtividade.
Mordido ainda pelo DNA antiprivatista e estatizante, persiste o governo atual nos erros cometidos na definição do modelo de exploração do pré-sal. A imposição de que a Petrobrás seja operadora única e responda por pelo menos 30% da participação acionária em cada consórcio, somada ao poder de veto dado à PPSA nas decisões dos comitês operacionais, afugenta número maior de interessados nos leilões do pré-sal, reduz o potencial de investimento em sua exploração e diminui os recursos que o Estado poderia obter com decantado regime de partilha. É ruim para a Petrobrás e péssimo para o País.
Além de insistir em erros palmares, o atual governo faz contorcionismo verbal para negar que concessões sejam modalidades de privatização. É patético. Também para negar a realidade se desdobra em explicações sobre a inflação, que só não está fora da meta porque os preços públicos estão artificialmente represados, e sobre a solidez das contas públicas, objeto de declarações e contabilidades oficiais às vezes criativas, não raro desencontradas, em geral divorciadas dos fatos.
Tão necessário quanto recuperar o tempo perdido e acertar o passo nas obras de infraestrutura será desentranhar da máquina pública e, sobretudo, nas empresas estatais (felizmente, nem todas cederam à sanha partidária) os nódulos de interesses privados e/ou partidários que dificultam a eficiência e facilitam a corrupção. Não menos necessário será restabelecer o sentido de serviço público nas áreas sociais, de educação, saúde e reforma agrária, resguardando-as do uso para fins eleitorais, partidários ou corporativos. Só revalorizando a meritocracia e com obsessão pelo cumprimento de metas o Brasil dará o salto que precisa dar na qualidade dos serviços públicos. Com uma carga tributária de 36% do PIB, recursos não faltam. Falta uma cultura de planejamento, cobrança por desempenho e avaliação de resultados, sem “marquetismo”. Ou alguém acredita que, mantido o sistema de cooptação, barganhas generalizadas, corrupção, despreparo administrativo e voluntarismo, enfrentaremos com sucesso o desafio?
É preciso redesenhar a rota do país. Dois terços dos entrevistados em recentes pesquisas eleitorais dizem desejar mudanças no governo. Há um grito parado no ar, um sentimento difuso, mas que está presente. Cabe às oposições expressá-lo e dar-lhe consequências políticas.
É a esperança que tenho para 2014 e são os meus votos para que o ano seja bom.

04 janeiro 2014

‘Contando com a sorte’, por J. R. Guzzo

Publicado na edição impressa de VEJA
J. R. GUZZO
Aí vamos nós, de novo sozinhos, para atravessar mais um ano. Em 2014, como em 2013 e nos anos anteriores, contaremos apenas com nossa própria capacidade de resolver os problemas que nos aparecerem; mais uma vez, será perfeitamente inútil esperar qualquer colaboração da máquina pública, que todos pagam justamente para isto ─ colaborar, por pouco que seja, para dar à população um grau a mais de conforto nesta vida já tão complicada pela própria natureza. Muita gente, como sempre, veio prometer ao longo do ano soluções para nossos problemas do presente e anunciar planos para resolver nossos problemas do futuro. Falaram muito; disseram pouco. Depois, também como sempre, foram sumindo, cada um em seu canto, atrás do que realmente lhes interessa: segurar a fatia do Brasil que já têm. Não vão mudar de vida só porque 2014 será ano de eleição presidencial e de Copa do Mundo no Brasil; talvez tenham de se esforçar um tanto a mais para manter em cartaz a sua comédia, mas para tudo há um jeito. Vão encontrar o seu, como sempre, e acabarão deixando os brasileiros tão abandonados em dezembro de 2014 como estão agora.
Sobram, para qualquer lado que se olhe, avisos claríssimos de que o ano novo promete ser igual ao ano velho ─ já nem se tenta disfarçar o pouco-caso com que os donos do país tratam o brasileiro comum e que aumenta a cada pesquisa de opinião garantindo que a presidente da República está a caminho dos 101% de popularidade. Há o caso do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que encerrou 2013 com um espetáculo realmente esquisito: foi brigar na Justiça com os cidadãos da própria cidade que dirige (e que lhe pagam o salário), para socar um aumento de até 35% em 85% dos contribuintes de um dos impostos municipais. Houve, nas alturas extremas onde vivem a presidente Dilma Rousseff, seu ministro da Fazenda e outras imensas autoridades federais, um surto de decisões desconexas sobre a possibilidade de retirar os airbags e freios ABS dos novos modelos de carro a ser fabricados, numa tentativa desesperada de impedir que subam de preço. Tira, põe, deixa ficar ─ a impressão que sobrou é que os decisores não sabiam realmente do que estavam falando, e acabaram perdidos de novo no nevoeiro mental em que vivem. Há ainda outros tumultos saídos da mesma pipa, mas parece que o mais instrutivo deles é a compra de 36 aviões-caça da Suécia, os Saab Gripen NG, que estaremos pagando ao longo dos próximos anos para defender o nosso espaço aéreo de seus possíveis inimigos.
Tudo indica que em nenhum momento uma autoridade do governo pensou que a população deste país tivesse alguma coisa a ver com isso. Para começar, nenhum brasileiro jamais sentiu a falta de 36 caças suecos para resolver algum problema real em sua vida, ou na defesa do seu país. O cidadão poderia achar estranho, também, que o modelo escolhido tenha o inconveniente de ainda não existir; é o mais barato, mas só a partir de agora começará a ser desenvolvido, para entrega final até 2023. Até lá, esperemos continuar com a sorte, que nos acompanha desde Santos Dumont, de não sofrer nenhum ataque aéreo contra o nosso território. Além disso, o governo levou doze anos inteiros para decidir qual modelo compraria ─ basicamente, o americano F-18, o francês Rafale e esse sueco. Doze anos? Como o Brasil jamais foi acusado de ser um país que pensa demais, ou tem a reputação de só decidir alguma coisa depois de ter 100% de certeza na correção do que está fazendo (não consegue se entender nem sobre os tais equipamentos de segurança), o motivo da demora só pode ser do mal. Pois ou a compra é necessária, e aí o cidadão brasileiro não pode ficar esperando doze anos por uma decisão, ou não é ─ e aí o mesmo cidadão não tem nada de pôr a mão no bolso para pagar a conta. Mas ninguém no governo sequer se lembrou de que ele existe. Toda essa história teve a ver apenas com uma questão pessoal do ex-presidente Lula, primeiro, e da presidente Dilma Rousseff, depois. Lula queria o modelo francês de todo jeito; jurava que era o melhor, embora fosse o mais caro. Mas a França não deu apoio a um disparate qualquer que ele propôs na diplomacia mundial; o homem emburrou e nunca mais quis ouvir falar dos Rafale, que até então achava o máximo. Dilma se inclinou para o F-18 dos Estados Unidos, mas ele subitamente deixou de ser o melhor quando a presidente se ofendeu com o delírio americano de espionar tudo o que existe sobre a face da Terra. Qual é o critério da escolha? Qualidade ou birra? Sorte dos suecos.

02 janeiro 2014

Cada ano um novo plano

Fazemos planos ao final de cada ano de nossas vidas, mas esquecemos de que não temos o controle sobre o nosso amanhã.
Claro que o desconhecimento do amanhã não nos deve servir de desculpas por sermos descuidados em não planejar a nossa vida, pelo contrário, justamente por não sabermos o que nos aguarda é que devemos ser precavidos e tentarmos, com os dados disponíveis do passado e um bom método quantitativo ou qualitativo, ou ambos, prever os acontecimentos e controlar nossas decisões.
Em se tratando de previsão dos comportamentos (referentes ao homem, portanto), a Ciência Sociais hoje nos fornecem essa possibilidade. Ela nos dá as condições de previsão a partir da análise dos dados do passado - as séries históricas - por meio de modelos lógicos-matemáticos, por meio de funções de cálculos probabilísticos, com um grau bastante elevado de precisão (não de certeza, que esta somente nos é garantida apenas quanto aos fenômenos físicos, químicos e biológicos - desde que certas condições ambientais de temperatura e pressão estejam "normais").
Contudo, mesmo contando com a Ciência a nos possibilitar um certo grau de certeza quanto ao futuro, é certo que a taxa de erro não nos permite que sejamos inconsequentes ao ponto de achar que aquilo que planejamos será finalmente conseguido sem uma alta taxa de assertividade, de ação eficaz e eficiente em nossas decisões a cada dia, a cada semana e a cada mês, isto com um certo grau de controle sobre cada uma dessas ações, sopesando o que cada uma delas está de conformidade com o planejado, fazendo ajustes a cada desvio das metas estabelecidas. É assim que as empresas funcionam. Ou melhor, qualquer organização. Das igrejas às escolas de samba. A família também pode e deve utilizar a ciência para se planejar, sem exageros, claro, pois é na família que nos permitimos viver sem as "camisas-de-força" que envergamos no dia-a-dia das empresas.
A Ciência das organizações, sendo aplicada nos mais diversos segmentos da vida, principalmente a partir da 2a.Revolução Industrial, é que possibilitou o progresso das demais ciências e assim contarmos com os itens de conforto que as inovações tecnológicas nos trouxeram.
Quando manipulamos hoje um "simples" smartphone nem nos apercebemos de quantos inventos foram compactados e mesclados em um único artefato tecnológico: eletricidade, bateria, máquina fotográfica, rádio, tv, gravador de áudio e vídeo, internet, gps, scanner, computador, máquina de calcular, lanterna, telefone, etc.
Tudo isso a partir da utilização das ações administrativas - planejamento, organização, coordenação/comando e controle - preconizadas por Taylor e Fayol em fins do Século XIX, e aplicadas por Henry Ford no mundo das empresas, e depois adaptadas e aplicadas nas universidades, nos laboratórios científicos, nos exércitos,  transformaram nosso mundo em um mundo previsível.
Tirante os eventos naturais e as fatalidades da vida, podemos até certo ponto controlar a nossa vida e a de inúmeros tipos de organização. 
Daí que isso, ao mesmo tempo que nos dá um certo grau de tranquilidade ao controlarmos o máximo possível os eventos futuros, também nos causa uma enorme frustração quando as coisas não saem como o planejado e fogem ao nosso controle. Daí o alto grau de depressão que atinge a cada um de nós nesses momentos.
Assim, por mais que seja desejado o planejamento e o controle das eventos futuros, devemos considerar que o futuro de certa forma não nos pertence de forma absoluta, mas sim relativamente ao grau de percepção que temos dele com os dados de que dispomos. Se tivéssemos absoluto controle dos eventos futuros, seríamos "deuses" e não homens.
Deus, portanto, é Quem detém comleto controle sobre os eventos porque Ele está fora do espaço-tempo, isto é, Ele vê o fim desde o começo. Apenas Ele detém o completo controle dos eventos futuros, porque para Ele não existe passado ou futuro, mas Ele existe em um eterno presente.
Daí, ao fazermos nossos planos, devemos sempre lembrar de pedir a Deus que abençôe nossos planos e que, caso os mesmos não estejam de acordo com a Sua vontade, ou caso os mesmos não sejam para o nosso bem, Ele nos faça ver e entender isso e nos faça alterá-los para o nosso bem.
Que Deus nos dê o discernimento necessário para planejarmos a nossa vida e que esta seja uma bênção para as demais pessoas que nos cercam, independentemente que as pessoas também estejam ou não trabalhando para o nosso bem.








Bolsa-família do PT se transforma em amplo programa de corrupção

‘Desvios no Bolsa Família’, editorial do Estadão
Publicado no Estadão
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) mostrou que os desvios e o mau uso de recursos públicos destinados ao pagamento do Bolsa Família e a outros programas federais no interior do país são uma prática generalizada e persistente. Graças às informações contundentes recolhidas pelos auditores, desfaz-se o mito segundo o qual essas irregularidades seriam apenas pontuais.
A investigação da CGU foi realizada no âmbito do Programa de Fiscalização por Sorteios Públicos, que seleciona aleatoriamente 60 municípios cujas contas serão examinadas. São cidades com até 500 mil habitantes, excetuando-se capitais. Conforme está expresso em seus princípios, o objetivo do programa, criado em 2003, é “inibir a corrupção” dos gestores públicos.
Na mais recente verificação, são comuns os casos de fraudes em licitações para a construção de creches e de Unidades Básicas de Saúde (UBS). Além disso, há diversos exemplos de obras paradas ou nem sequer iniciadas, apesar dos recursos terem sido repassados aos municípios.
Mas é no Bolsa Família que o descontrole do dinheiro público é mais evidente. Dos 60 municípios sorteados na última fiscalização, nada menos que 59 apresentaram irregularidades na administração do dinheiro destinado à transferência de renda. Tal proporção indica que se está diante de uma situação comum e recorrente ─ na verificação anterior, constataram-se irregularidades em 58 das 60 cidades.
Os problemas resultam basicamente do desvio de dinheiro por parte das prefeituras, que são responsáveis pela aplicação dos recursos e que devem prestar contas ao governo federal. A auditoria mostra que esses problemas são múltiplos, relacionados principalmente à corrupção e ao grave despreparo técnico por parte dos municípios.
Há casos escandalosos. Em Cipó, interior da Bahia, a CGU constatou que diversos servidores municipais com renda superior ao teto do Bolsa Família recebiam o benefício. Além deles, a própria filha do prefeito ganhava R$ 102 mensais do programa federal.
Em Boca da Mata (AL), funcionários públicos também recebem o benefício, assim como a integrante de uma família de comerciantes. Em Abaiara (CE), os beneficiários incluem o sócio de um posto de gasolina ─ que, conforme a auditoria ressalta, é fornecedor da prefeitura, num contrato que lhe deu entre R$ 240 mil e R$ 433 mil por ano desde 2009.
Há diversos casos de beneficiários do Bolsa Família que não poderiam receber o dinheiro porque são também aposentados ou pensionistas. Em Maracás (BA), constatou-se o pagamento a 54 famílias que apresentaram essa irregularidade.
Multiplicam-se também exemplos de violação da norma segundo a qual a família só recebe o Bolsa Família se mantém suas crianças na escola, como nos municípios de Ferreira Gomes (AP) e Itarantim (BA). A auditoria constatou ainda que é comum a falta de implantação de programas complementares ao Bolsa Família, necessários para a manutenção do benefício, e também de verificação frequente do cadastro dos beneficiários. As prefeituras falham ainda na divulgação dos nomes de quem recebe os pagamentos ─ um procedimento obrigatório justamente para facilitar a fiscalização ─ e no arquivamento de documentos, que ficam muitas vezes empilhados sem nenhum critério em salas improvisadas.
Confrontadas com as irregularidades apontadas, muitas prefeituras disseram já ter bloqueado os pagamentos, mas, segundo a CGU, raros são os casos em que os gestores apresentaram documentos para comprovar o que dizem.
Apesar desse cenário preocupante, as autoridades federais insistem em dizer que, em se tratando de um programa complexo como o Bolsa Família, tais irregularidades são insignificantes. Para contestar as denúncias de desvios no Bolsa Família, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já chegou a dizer que esse noticiário é fruto de “preconceito” das “elites”. Mas não será minimizando os desvios nem soltando bravatas sobre luta de classes que o mau uso do dinheiro público será combatido como se deve.

Dilma é otimista "dilm+" e "dilm-", ao mesmo tempo

‘O humor de Dilma’, de José Casado
Publicado no Globo
JOSÉ CASADO
Dilma Rousseff acha que seu governo está sob ameaça de uma “guerra psicológica” capaz de “inibir investimentos e retardar iniciativas”. Foi o que disse em cadeia nacional de rádio e televisão. Não explicou quem, quando, onde, como ─ e muito menos por que escolheu um termo cuja definição, nos manuais militares, consiste essencialmente no manejo das palavras para abalar o moral do inimigo.
Pode ser mero vício de linguagem, afinal Dilma é a última combatente da Guerra Fria com crachá de candidata na disputa presidencial de 2014. Ou talvez tenha sido um discreto desabafo, por estar “perdendo a batalha ideológica e política para o mercado financeiro”, como observou o economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo em entrevista à jornalista Eleonora de Lucena.
Seja qual for o motivo, a presidente-candidata esqueceu-se de que brasileiro só é otimista entre o Natal e o carnaval, como dizia o falecido economista Mário Henrique Simonsen. Na noite de domingo ela entrou na casa dos eleitores para fazer uma saudação de fim de ano. Gastou 1.400 palavras em autoelogios e se despediu semeando dúvidas sobre o futuro do país e das pessoas.
É notável a mudança no humor de Dilma. Basta ver seus discursos deste ano.
Em janeiro, ela proclamava, eufórica: “O Brasil está cada vez maior e imune a ser atingido por previsões alarmistas. Por termos vencido o pessimismo e os pessimistas, estamos vivendo um dos melhores momentos da nossa história.” Em março, baixou o tom: “Devemos ter o otimismo e o dinamismo e sempre reiterar a confiança, e mantermos uma atitude contra o pessimismo e a inércia que muitas vezes atingem outras regiões.” No mês seguinte, tentou animar a arquibancada: “Não tem quem nos derrote se não acharmos que já estamos derrotados. Não tem quem nos derrote! Isso é o que garante a nossa força, é o fato de que juntos ninguém nos derrota.”
Em julho, começou a exalar preocupação com “um ambiente de pessimismo que não interessa, que não é bom para o Brasil”. Chegou a novembro nostálgica de Juscelino Kubitschek, “quando dizia ‘o otimista pode errar, pode até errar, mas o pessimista já começou errado’”.
Poderia ter recordado outro mineiro, o escritor Fernando Sabino, para quem “o otimista sofre tanto quanto o pessimista, mas pelo menos sofre só uma vez”. E, aí, talvez a oposição até retrucasse com a definição de Woody Allen sobre pessimismo: “Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto; o outro, à total extinção. Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de escolher”.
Dilma gravou seu discurso rudimentar sobre a “guerra psicológica” e viajou à Bahia, onde o tempo avança em ritmo Dorival Caymmi. O governador Jacques Wagner, seu amigo, poderia contribuir para mudar o ânimo da presidente-candidata, sugerindo a leitura da biografia de Apparicio Torelly, o Barão de Itararé (“Entre sem bater”, de Claudio Figueiredo). O Barão ensinava: “Os acontecimentos se processam com tanta rapidez que os acontecimentos acontecem antes de terem acontecido.” Pode ser uma opção refrescante a quem precisa olhar para além daquilo que vê. Na pior hipótese, ajuda a começar 2014 de bom humor, um dos fundamentos para estar de bem com a vida.

Brasil: os jardins do Diabo, de Dilma (PT) e os Sarneys (PMDB)

‘Dias de cão no jardim das ilusões de Dilma’, um artigo de José Nêumanne
Publicado no Estadão
JOSÉ NÊUMANNE
Sempre que se fala em Glauber Rocha a tendência é relembrar obras-primas do cinema nacional que dirigiu, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, principalmente, e Terra em Transe, primoroso registro cinematográfico do subdesenvolvimento político nacional. Embora o documentário Maranhão 66 já circule há muito tempo no YouTube, poucos telespectadores o destacarão para o panteão em que figuram os dois grandes filmes citados. Afinal, trata-se de trabalho encomendado e pago e, portanto, suspeito de ser o registro hagiográfico de um político que sobreviveu ao cineasta e ainda atua com força e poder na gestão pública do seu Estado, onde seu clã reina até hoje, com raros interregnos insignificantes, e também na cena federal.
No entanto, Maranhão 66 é uma obra que só melhora com o tempo, sem ter sido necessária uma única mudança ou intervenção de seu diretor, o que seria impossível tanto tempo após sua morte precoce. Como é possível esse absurdo? Procure o filme e veja. O que assistirá é ao discurso competente, bem alinhavado e de certa forma barroco do jovem deputado federal do grupo rebelde da chamada banda de música da UDN nos anos 60 José Sarney assumindo o governo do Maranhão. As imagens acompanham, de início, o povo na praça ouvindo o eloquente tribuno e, depois, fazem um mergulho profundo num abismo de miséria e sordidez que confirma as palavras ditas na praça denunciando a barbárie vivida por aquela gente sob o jugo do padrinho e, depois, principal adversário do novo governador, o pessedista Vitorino Freire. E, coerente com as ancestrais utopias políticas nordestinas, prometendo uma era de paz, bonança e prosperidade, similar às profecias de peregrinos como Antônio Conselheiro, protagonista do massacre de Canudos. Hoje, quase meio século depois, a miséria é a mesma, o discurso é igual e o filme de Glauber, que parecia laudatório, torna-se uma denúncia política coerente e forte.
Já não se fazem documentários em p&b como antigamente e talentos como Glauber não existem mais. No entanto, o contraste brutal entre a retórica salvacionista e a horrenda realidade do subdesenvolvimento real manifesta-se de forma mais crua no cotidiano de informações e entretenimento da televisão colorida do dia a dia.
Ao começar o último fim de semana do ano passado, os telejornais diários exibiram de forma franca a atualidade ululante do documentário de Glauber no Maranhão de 1966. Câmeras e microfones registraram o drama de uma jovem mãe com seu bebê nos braços em peregrinação pelos hospitais públicos de sua cidade para encontrar um pediatra para consultar. Ela não estava no Vale do Jequitinhonha nem no sertão do Piauí, mas em plena capital da República e seus arredores. A criança não foi examinada, mas o secretário da Saúde do governo distrital, sob comando petista, não teve pejo de registrar a ausência de pediatras em sua jurisdição e terminou com a promessa de hábito: em março serão contratados novos profissionais. A pobre mãe e seu bebê que os esperem.
Domingo, à noite, em horário nobre, com discurso dessemelhante ao de seu aliado Sarney pelo estilo, mas bastante similar pelo afastamento da realidade, a presidente Dilma Rousseff descreveu e deu números positivos sobre o que seu governo tem feito pela saúde de pobres mães e bebês como aqueles. Vieram médicos de Cuba e eles estão garantindo o atendimento nos ermos do sertão brasileiro.
Por falar em sertão, os telejornais também noticiaram a falta de água em Itapipoca, no interior do Ceará, porque uma adutora, que custou R$ 16 milhões ao contribuinte, se rompeu e a construtora que vencera a concorrência para construí-la faliu. Ninguém responde pela obra inconclusa: os falidos sumiram e os que retomaram a obra nada têm a dizer. O governador Cid Gomes ─ que rompeu com o chefão de seu partido (PSB), Eduardo Campos, governador de Pernambuco, para ficar no palanque da presidente petista ─ tentou resolver o problema mergulhando num tanque buscando fechar um registro e evitar que a água vazasse. Enquanto isso, a população da cidade não tem água para lavar, cozinhar ou matar a sede de nenhum vivente.
Mas no Paraíso na Terra descrito por Dilma no domingo seguinte o país vive uma prosperidade não só inédita na própria História, como singular num planeta afundado em crise. E o único risco é provocado pela canalha oposicionista que maldiz a própria terra criando empecilhos para investimentos e prejudicando, assim, o pobre povo brasileiro. No discurso da presidente, de 15 minutos recheados de deselegantes gerúndios sem dês (estou fazeno, estou realizano, e por aí afora), os anjos dizem-lhe sempre amém, mas o diabo corre atrás para demolir sua fantástica obra de governo.
Só que no Maranhão governado por Roseana Sarney ainda resta um exemplo de que o endereço de nosso inferno é o mesmo do Éden de Dilma, embora o baiano Patinhas, que escreve seus discursos, não saiba. Na Penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, os chefões do crime organizado, que à ausência de autoridade mandam e desmandam, matam com métodos cruéis presos desassistidos pelo Estado cujas mulheres, irmãs e mães se neguem a lhes prestar favores sexuais. O Conselho Nacional de Justiça já contou 60 cadáveres e a Organização dos Estados Americanos cobrou reação imediata dos governos do Estado e da União. Ninguém apareceu para responder. O ofício foi para o Ministério da Justiça, o causídico Cardozo negou ser assunto dele e o reencaminhou para a Secretaria dos Direitos Humanos, cuja titular, Maria do Rosário, mandou de volta para o destinatário original. “Não é comigo” é o jeito gerentão com que Dilma modernizou o “não vi, não ouvi, não falei” do padim Lula de Caetés.
Infelizmente, contudo, ninguém encontrou nos longos e tediosos votos presidenciais de boas-festas uma só referência à segurança do bem-aventurado cidadão do Brasil sob a égide do PT e do PMDB. A vida de seu súdito não é da conta dela, nunca foi, nunca será. Vade retro! E amém nós tudo.

28 dezembro 2013

A maquilagem de Dilma na economia

‘O modelo é feito de botox, maquiagem e remendos’, um artigo de Rolf Kuntz
Publicado no Estadão deste sábado
ROLF KUNTZ
Maquiagem, botox e remendos são os principais componentes do chamado modelo de crescimento em vigor há uma década, aperfeiçoado nos últimos três anos e pelo menos tão eficiente quanto a pedra filosofal procurada pelos alquimistas. Segundo se dizia, essa pedra, ou fórmula, poderia transformar em ouro metais menos valiosos. Com o tal modelo, o governo converteu um déficit primário de R$ 6,2 bilhões num superávit mensal de R$ 28,8 bilhões, um recorde. A mágica foi realizada basicamente com a inscrição de duas receitas atípicas — R$ 15 bilhões do bônus de concessão do campo de Libra, no pré-sal, e R$ 20,4 bilhões de pagamentos do novo Refis, o programa de parcelamento de impostos atrasados. Com esse resultado em novembro, a administração federal terá uma chance muito maior de fechar o ano com R$ 73 bilhões de resultado primário, o dinheiro destinado ao pagamento parcial dos juros da dívida pública.
As contas de novembro do governo central foram apresentadas pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin, principal auxiliar do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no setor de alquimia contábil. Mas o modelo composto principalmente de botox, maquiagem e remendo serve também para embelezar a inflação e as contas externas. Por sua aplicação variada, esse instrumento sintetiza as propriedades da pedra filosofal e do Bombril, o das mil e uma utilidades. O noticiário do dia a dia tem confirmado suas virtudes.
Neste ano o Brasil acumulou um superávit comercial de US$ 1,02 bilhão até a terceira semana de dezembro, segundo as últimas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No fim de novembro o saldo acumulado era um déficit de US$ 93 bilhões. O resultado continuou fraquinho nas duas semanas seguintes, mas na terceira foi registrada mais uma exportação de plataforma de exploração de petróleo e gás, no valor de US$ 1,15 bilhão. Pronto. De repente, a conta comercial passou do vermelho para o azul. Mas essa plataforma, como outras exportadas neste ano e em 2012, nunca deixou o país, porque a operação é meramente contábil e seu propósito é a geração de um benefício fiscal.
Neste ano, até a terceira semana de dezembro, as exportações dessas plataformas proporcionaram receita de US$ 7,73 bilhões, 351,41% maior que a obtida com o mesmo produto um ano antes. Terá sido um surto de sucesso comercial ou uma emergência na conta de comércio exterior? Outro detalhe notável: em 2013, essas plataformas foram a maior fonte de receita com as vendas externas de manufaturados.
Automóveis de passageiros apareceram em segundo lugar, com US$ 5 bilhões, e óleos combustíveis em terceiro, com US$ 3,46 bilhões. Em seguida apareceram partes e peças para veículos e tratores (US$ 3,1 bilhões) e aviões (US$ 3,02 bilhões). Mas todos esses produtos foram para fora. Muitos brasileiros devem ter voado, no exterior, em aviões da Embraer. Muito mais difícil será encontrar uma daquelas plataformas.
Sem essa operação quase milagrosa, o saldo comercial até a terceira semana de dezembro teria sido um déficit de US$ 6,71 bilhões. O resultado teria sido menos mau, é claro, se parte das importações de petróleo e derivados tivesse sido contabilizada — corretamente — em 2012, em vez de só aparecer neste ano (esta é mais uma bizarria das contas brasileiras). Mas esses produtos de fato foram comprados e chegaram ao país. Se essas compras tivessem entrado nas contas de 2012, o saldo comercial do ano passado teria ficado abaixo dos US$ 19,4 bilhões oficialmente registrados.
Problemas da Petrobrás, incluída a necessidade de importação de óleo e derivados, também têm relação com o uso do modelo de botox, maquiagem e remendo. Preços dos combustíveis têm sido politicamente contidos, há anos, como parte do esforço para administrar os índices de inflação (coisa muito diferente de combater as pressões inflacionárias). Essa política impôs perdas à empresa, reduziu sua geração de caixa e diminuiu sua capacidade de investir com recursos próprios. Além disso, prejudicou os investimentos na produção de etanol, porque a contenção dos preços da gasolina se refletiu na formação de preços do álcool. Depois de muita pressão, os novos dirigentes da Petrobrás conseguiram autorização para elevar os preços, mas em proporção inferior à necessária. A depreciação das ações da empresa, nas bolsas, é consequência dessa e de outras interferências políticas na administração da estatal.
O modelo de enfeite foi aplicado amplamente no esforço de controle dos índices de inflação. O governo forçou a redução das tarifas de eletricidade ao impor às concessionárias um novo esquema de renovação de contratos. Também manobrou para retardar os aumentos de passagens de transporte público e para anular, no meio do ano, os ajustes concedidos.
Esse esforço produziu algum efeito imediato. Os indicadores de inflação subiram mais lentamente durante alguns meses, mas a quase mágica logo se esgotou. Os índices de preços ao consumidor voltaram a aumentar cada vez mais velozmente a partir de agosto. O IPCA-15, uma espécie de prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a medida oficial de inflação, acumulou alta anual de 5,85% até dezembro. Se o resultado final do IPCA será igual ou inferior ao do ano passado (5,84%) só se saberá no começo de janeiro, quando conhecidos os números de todo o mês de dezembro. Mas, na melhor hipótese, a inflação será muito parecida com a do ano passado e as pressões continuarão fortes em 2014.
Nenhuma pessoa informada leva a sério o tabelamento de preços, o disfarce das contas externas e o enfeite das contas públicas. Operações atípicas podem gerar ganhos fiscais imediatos, mas corroem a credibilidade de quem governa. Com botox e maquiagem, alguns números ficam mais apresentáveis para os ingênuos. Paras os outros a cara do governo se torna cada vez mais disforme.

26 dezembro 2013

Um retrato fiel do chavismo

Reproduzido do blog de Ricardo Setti (Veja.com)
Resenha do livro escrita pelo repórter David Blair, do tradicional jornal britânico The Daily Telegraph:
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Nem um heroico aliado dos pobres, nem um déspota demente
Existirá palavra que traga em si mais poder de intoxicação do que “revolução”? Quando um ativista carismático proclama o advento de uma “revolução socialista” num recanto apropriadamente exótico da América Latina, a tendência de não poucos analista do Ocidente é deixar de lado a racionalidade.
Assim foi com Fidel Castro e, talvez inevitavelmente, com Hugo Chávez, o autodefinido presidente “revolucionário” da Venezuela, que morreu de câncer no dia 5 de março passado. Para muita gente, Chávez foi de duas, uma: ou um heroico aliado dos pobres ou um déspota demente, com poucos conseguindo ficar no meio desses dois extremos.Comandante
A possiblidade de que Chávez possa ter sido uma figura complexa, um ser humano real capaz do praticar o bem e de fazer o mal perdeu-se entre personalidades como o ex-prefeito socialista de Londres Ken Livingstone, que o saudou certa vez como “amigo e camarada”, ou John Bolton, o rei dos neocons norte-americanos, que chegou a denunciar Chávez como uma “ameaça global”.
Na verdade, o ex-prefeito de Londres e o fiel escudeiro de George W. Bush tinham mais em comum do que qualquer dos dois quisessem admitir. Ambos julgaram Chávez com seus próprios preconceitos ideológicos e com a insustentável leveza de quem vive a milhares de quilômetros da Venezuela.
Rory Carroll, correspondente para a América do Sul do jornal britânico The Guardian baseado em Caracas, entre 2006 e 2012, realmente viveu o dia-a-dia venezuelano e tenta demolir a figura caricatural de Chávez como modelo de perfeição como vilão no livro Comandante – A Venezuela de Hugo Chávez. Carroll, irlandês, 40 anos de idade, consegue oferecer uma visão equilibrada e repleta das necessárias nuances de Chávez e sua “Revolução Bolivariana”.
Paralalamente a isso, porém, o autor consegue ir mais longe. Além de traçar um raro e detalhado retrato pessoal e político de Chávez, este livro extremamente bem escrito e dotado de fina percepção equivale a uma meditação sobre a natureza do poder, e os extremos de absurdo e corrupção que ele pode encerrar.
Na TV, Chávez anuncia: foi o “imperialismo” que destruiu a civilização que havia em Marte
No livro, o leitor vai se deparar com batalhões de subalternos de todos os matizes às voltas com os incontáveis dilemas que significam servir a um homem que se comportava como um monarca absoluto.
Para sobreviver na corte do Rei Chávez, os ministros precisavam “transformar as expressões faciais em máscaras, arranjar os traços em expressões apropriadas quando diante de uma câmera ou na linha de visão do comandante”, escreve Carroll. “Isto”, acrescenta, “era traiçoeiro quando o comandante fazia algo bobo ou bizarro porque a resposta requerida poderia contrariar o instinto”.
E ele, efetivamente, fazia coisas bobas ou bizarras. Chávez conduzia um programa semanal de TV intitulado Alô, Presidente, que tinha hora para começar mas nunca para terminar. Seu recorde foi permanecer nove horas e meia consecutivas no ar, ao vivo. Certa vez, num dos programas, ele anunciou que uma próspera civilização havia existido em Marte até que “o imperialismo chegou e destruiu o planeta”.
Chávez ao vivo pela TV: seu recorde foi permanecer 9 horas e meia no ar, sem interrupções. E ali chegou a demitir altos funcionários expulsando-os de campo com um apito, como juiz de futebol (Foto: Palácio de Miraflores)
Como deveriam seus ministros reagir ao histrionismo do comandante? “Mesmo para veteranos na audiência, muitas vezes não ficava claro se se tratava ou não de uma piada”, escreve Carroll. “Então eles faziam cara de paisagem, à espera de que a situação se esclarecesse. Mas isso nunca acontecia: o comandante mudava de um assunto para outro sem parar”.
Esse tipo de dificuldade certamente contribuiu para que, durante seu reinado, Chávez tenha tido 180 ministros.
Com apito de juiz de futebol, e ao vivo, ele demitia ministros
Chávez lançava mão de seu programa de TV para anunciar demissões ou promoções, abolir ministérios inteiros, expropriar empresas e, em uma ocasião pelo menos, mobilizar as Forças Armadas contra a Colômbia.
[De outra feita, Chávez demitiu ao vivo, perante todo o país, figurões do governo, executivos graúdos da gigante petrolífera estatal PDVSA, sem avisá-los previamente. “Eddy Ramírez, diretor geral, até hoje, da divisão Palmaven [energia elétrica] (…), muito obrigado. O senhor está dispensado!” E soprou um apito, como se fosse um juiz de futebol mandando um jogador para o vestiário. O público ovacionou, e o ‘comandante’ continuou seguindo a lista: (…) “Carmen Elisa Hernández. Muito, muito obrigado, señora Hernández, pelo seu trabalho e serviço”. A voz destilava sarcasmo, e ele soprou o apito de novo: “Impedimento!“]
Carroll foi convidado do presidente no capítulo 291 do programa de TV. Ele teve a ousadia de perguntar a Chávez por que ele estava propondo ao Legislativo uma emenda à Constituição permitindo sua reeleição por um número indeterminado de vezes, sem contudo estender a mesma possibilidade a governadores e prefeitos.
“Ele lançou a pergunta para o mar, para além do horizonte [o programa se realizava numa pequena cidade do litoral], e a transformou numa arenga contra os males da mídia tendenciosa, da hipocrisia europeia, da monarquia, da rainha da Inglaterra, da Marinha Real, da escravidão, do genocídio e do colonialismo”, conta o jornalista.
Chávez e sua multidão de seguidores: o “socialismo bolivariano” foi conduzido por um “autocrata eleito”, diz o autor do livro (Foto: patriagrande.com.ve)
A roubalheira, uma marca corrosiva
Enquanto isso, os ministros que trabalhavam para um homem que mandava gravar seus telefonemas e não raro os demitia por mero capricho tornaram-se figuras risíveis e dignas de pena. “O sucesso – conseguir uma posição cobiçada – acabava se tornando um inferno”, escreve Carroll.
Não é de admirar que tanta gente tenha optado por rechear seus bolsos com a renda do petróleo da Venezuela, juntando-se a um festival de corrupção que se tornou a marca mais corrosiva do reinado de Chávez. [O que o livro descreve em matéria de roubalheira, inclusive por parte de generais das Forças Armadas, faz o Brasil parecer um país de conto de fadas.]
Ainda assim, em meio a absurdos e excessos, o comandante continuou sendo um líder eleito, sujeito a constante crítica por parte de uma barulhenta imprensa de oposição. Carroll isenta Chávez de ser um ditador: ele, na verdade, apesar de tudo — sustenta o jornalista –, ganhou quatro eleições e não havia gulags ou câmaras de tortura na Venezuela.
Expurgo no Judiciário e lista negra
Mas Carroll descreve detalhadamente como Chávez feriu seus críticos, expurgou o Judiciário e utilizou uma lista negra com as 3 milhões de pessoas que assinaram um manifesto em 2003 pedindo um plebiscito revogatório — medida prevista na Constituição e que significa votar pela saíde de um político eleito.
Funcionários públicos que puseram seus nomes no fatídico documento foram demitidos, muitas outras pessoas foram caluniadas e perseguidas. Carroll acaba fazendo a Chávez a concessão de descrevê-lo como “um autocrata eleito”.
Um flerte com o suicídio
Ao longo de seu trabalho, o jornalista oferece uma memorável série de passagens. Como Chávez encurralado no subterrâneo do Palácio Miraflores durante um levante popular que acabou, via golpe de Estado, sacando-o do poder por efêmeras 48 horas. Durante um breve momento, ele fixou o olhar numa pistola e pensou em suicídio, voltando à razão após um telefonema de Fidel Castro.
Também ficamos sabendo como o general Raúl Baduel, o oficial que resgatou Chavez naquele momento de crise, congregando as Forças Armadas para restaurar o poder do comandante, foi mais tarde demitido de seu cargo de ministro da Defesa e jogado numa cela de prisão, por suposta acusação de corrupção.
O amigável âncora do programa de TV que construiu clínicas nas favelas, recheando-as de médicos importados de Cuba, acabou sendo moldado pelo poder em um dirigente cruel e vingativo.
Agora que o comandante morreu, Carroll terá que atualizar seu relato. Quando ele o fizer, este livro merecerá ser o trabalho definitivo sobre Chávez.
(Nota do colunista: tecnicamente, o jornalista Rory Carroll — hoje correspondente do jornal em Los Angeles, nos EUA — atualizou o livro nas páginas finais, descrevendo algo brevemente a doença e a lenta agonia de Chávez até  sua morte. O autor desta resenha, porém, se refere a como o chavismo sobreviverá à morte do caudilho, o que com certeza demandará algum tempo e merecerá alguns capítulos a mais na provável reedição da obra).

24 dezembro 2013

Bom Natal a todos!

Neste momento em que todos estão comemorando mais um Natal, não poderia deixar de também vir externar a todos os meus mais calorosos desejos de que todos sejam abençoados com saúde a fim de poderem render homenagens ao Salvador Jesus Cristo pelo Seu aniversário (terreno) de 2016 anos.
Há uma diferença, um erro mesmo, de 3 anos na contagem do tempo quando da mudança do calendário lunar para o solar, feito pelo Papa Gregório XIII (1502-1585) - daí a denominação do nosso calendário como "gregoriano", em substituição ao calendário Juliano, implantado pelo líder romano Júlio César (100-44 a.C.). Assim é que, quando Jesus aparece para o mundo no ano 27 a.D. como Messias - o Ungido - (em hebraico), ou Cristo (em grego), em seu batismo (quando Ele foi Ungido pelo Espírito Santo), Ele estava já com 30 anos.
Aliás, nós cristãos acreditamos que Jesus é o Todo-poderoso YHWH (Javé) do AT, portanto, Ele é também o "Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz" (Isa. 9:6).
Assim, estes 2016 anos são apenas parte de Sua vida eterna, mas destinadas a nós em especial, a raça humana caída em pecados há cerca de 6 mil anos, desde o Éden - uma experiência ao mesmo tempo terrível e cheia de Esperança, pois o próprio Deus foi movido de Justiça e Compaixão pela raça humana e tomou sobre Si mesmo as nossas dores e pagou Ele mesmo o preço pela desobediência.
No entanto, para que seu sacrifício tenha eficácia, torna-se necessário que cada um de nós aceitemos pessoalmente esse sacrifício como substitutivo e tenhamos um encontro também pessoal com Ele, o Qual nos capacitará para vencermos a velha natureza e assim "nascermos de novo pela água e pelo Espírito", sem o qual de nada nos servirá Seu sacrifício salvífico.
Que Deus, o Pai, pelo Espírito Santo, nos capacite a reconhecermos nossa condição de pecadores e que possamos ir a Cristo como estamos, mas em humildade e arrependimento para esse encontro maravilhoso e assim sejamos transformados pela contemplação de sua Glória (caráter puro e santo).
A todos um Natal de bênçãos!



22 dezembro 2013

O PT federal e a "bolsa-companheiro"

No blog de Augusto Nunes (Veja.com)
Que Bolsa Família, que nada: nenhum programa assistencial deu tão certo quanto o Desemprego Zero para a Companheirada
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Que Bolsa Família, que nada: nenhum programa assistencial deu tão certo quanto o Desemprego Zero para a Companheirada, informa o balanço do projeto concebido em 2003 para garantir um bom salário mensal a todo brasileiro filiado ao Partido dos Trabalhadores. O sucesso foi tão extraordinário que, passados 11 anos, o petista desempregado sumiu. Ou é uma espécie extinta ou se tornou invisível. Faz tempo que busco em vão enxergar remanescentes da tribo. Não conheço nenhum. Nem sei de alguém que conheça.
A filiação ao PT dispensa o companheiro do aflitivo garimpo de vagas no mercado de trabalho. O emprego vem junto com a carteirinha de filiado (à disposição dos interessados por módicos R$3,50). Basta a exibição do documento para que o portador dê um jeito na vida e um fim nas inquietações financeiras. Sem concursos, exames ou avaliações de qualquer gênero, porque o currículo dos novos servidores da nação é irrelevante. Sejam gênios da raça ou cretinos fundamentais, doutores de verdade ou doutoras dilmas, primeiros da classe ou ignorantes sem cura, nunca falta lugar para mais alguns no mamute estatal.
Quase sempre sem trabalhar, frequentemente sem sequer comparecer ao emprego, a imensidão de oportunistas tunga o dinheiro dos pagadores de impostos no Planalto, no Congresso, no Judiciário, nos ministérios, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica, na Petrobras, no pré-sal, na empresa que promete parir um trem-bala, nas agências reguladoras, nas administrações estaduais, nas prefeituras, nas ONGs exploradas por comparsas, nos blogs estatizados, nos Correios, nos aeroportos, no Ibama, no Incra ─ os roedores dos cofres públicos estão por toda parte. Nem o mais remoto cafundó do Estado-patrâo escapou do aparelhamento indecente, repulsivo, criminoso.
O IBGE acaba de informar que, em novembro, os desempregados na Grande São Paulo somavam cerca de 1 milhão. É provável que muitos votem no PT. Mas não existe nesse oceano de brasileiros um único e escasso petista de carteirinha. É compreensível que a hipótese da derrota de Dilma Rousseff em outubro de 2014 tire o sono, o que resta de pudor e o pouco juízo dos ineptos assombrados pela demissão. Perder a eleição é muito ruim. Perder o salário é um pesadelo, principalmente quando não se tem para onde ir.
Como Lula em 2006 e a atual presidente em 2010, Dilma não vai apenas liderar uma campanha eleitoral. Vai sobretudo comandar uma guerra contra o desemprego no PT. É mais que uma batalha eleitoral. É uma luta pela sobrevivência.

20 dezembro 2013

Europa vai à OMC contra a política industrial de Dilma


Por Raquel Landim e Valdo Cruz, na Folha:
A União Europeia iniciou ontem uma disputa contra o Brasil na OMC (Organização Mundial do Comércio), acusando a política industrial do governo Dilma Rousseff de protecionismo. Os europeus dizem que o Brasil adotou “isenções ou reduções de tributação” para beneficiar produtos nacionais em detrimento de importados. Eles reclamam de barreiras contra a entrada de carros, computadores, smartphones e semicondutores. Segundo a Folha apurou, a iniciativa causou mal-estar no governo brasileiro, que avalia “dar o troco”, questionando as regras europeias para importação de carne bovina, madeiras e químicos. O processo é um balde de água fria na negociação do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, cuja troca de ofertas de abertura de mercado estava marcada para este mês, mas foi adiada para janeiro a pedido dos europeus.
 No jargão da OMC, a UE abriu “consultas” contra o Brasil –que é o primeiro passo dos ritos estabelecidos pelo xerife do comércio global. Os dois lados têm agora 60 dias para chegar a um acordo. Caso contrário, os europeus pedem a instauração formal do processo jurídico, chamado de “painel”. ”Essas medidas fiscais têm impacto negativo nos exportadores da UE, cujos produtos estão sujeitos a tributação mais elevada do que os concorrentes brasileiros”, informou a comissão de comércio da Europa em comunicado.
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