Ouça no link abaixo o country sobre Dilma e a PeTebras em Pasadena:
https://soundcloud.com/luiz_trevisani/burrada-em-pasadena
No Brasil, onde faltam a cólera e a ira santas, quem, senão elas, hão de expulsar do Templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Ou exterminarão da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Ou banirão da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão elas, a varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão públicos? Quem, senão elas, a precipitar do governo o negocismo, a prostituição política e a tirania? (Rui Barbosa)
Pesquisar este blog
10 abril 2014
09 abril 2014
Os PTs mundo a fora
O nosso país é mesmo "do Kawaka"!
O partido do "polvo", que se auto-intitula "dos trabaiadô", aonde se instalam pelo mundo afora, têm em comum a destruição do Estado, a confusão entre este, o partido e o governo, de má fé ou por ignorância, ou ambas, tanto faz... Os movimentos sociais e sindicatos, que antes eram utilizados como instrumentos de sua "luta", são transformados em instrumentos de dominação.
Para se impor contra a sociedade, a qual engana com suas vãs promessas de um "paraíso" logo ali na esquina, os PTs lutam bravamente para ocuparem toda e qualquer função, seja ela pública ou privada, na estrutura da mesma sociedade por eles abduzida. É e sempre será o partido do "polvo". Aliás, os PTs fazem com o que é público como aquilo que eles fazem na privada.
A sua ética torta é capaz de auto-inocentar seus "companheiros" criminosos de qualquer crime, reputando-os como necessários para o atingimento daquele "paraíso" de araque antes "vendido" para as classes sociais, de alto a baixo. Antes de chegarem ao Poder - seja pela via das armas, seja pela via das urnas, tanto faz (a democracia para eles é apenas uma estratégia) -, os PTs denunciam toda e qualquer "maracutaia" (neologismo cunhado pela entidade petista Lula) dos outros... Uma vez instalados no Poder, começam montando uma máquina de apropriação do Estado, das empresas, dos empresários, do público e do privado, de sorte que se perpetuem no Poder e assim aufiram o méximo de fortunas possíveis. Ah, esses "santos" companheiros!
Em um país getulista como o Brasil, que se industrializou após 1930 por meio de empresas estatais na falta de capitais privados, e depois levou o estatismo aos píncaros da glória pelos milicos entre 1964-1980, que se diziam anti-estatistas, ou anti-comunistas, etc., etc., é fácil perceber porque aqui só existam "progressistas" de esquerda. Desenvolvimentistas cepalinos. Que privatizam à socalpa para si próprios aquilo que defendem como sendo públicos. As empresas estatais se transformam em empresas dos companheiros. Fazem o que bem querem. Não devem satisfação a ninguém.
Para que tenham sucesso é primordial que a sociedade enganada pelos companheiros nada saibam do que andam fazendo. É necessário calar os meios de comunicação que não estiverem sob seu controle com a falsa acusação de pertencerem às elites malvadas, anti-sociais, anti-povo. A receita é a mesma em todo lugar e tempo em que esses paquidermes se instalaram em nome do povo: na Itália de Mussolini; na Alemanha de Hitler; na Rússia de Stalin; na China de Mao; em Cuba dos Castros; nas republiquetas bananeiras da América Latina e por aí vai.
Distorcem estatísticas, mentem sobre tudo, atropelam a legislação, dominam os tribunais, as consciências, tudo. Nada escapa aos tentáculos desses PTs.
Contudo, muitos podem mentir para muitos por muito tempo, mas não podem mentir o tempo todo para todo o mundo. Um dia a casa cai. Corpos são estirados na praça pública. Monumentos da injustiça são derribados. Juízes são julgados. Carrascos se vêem frente a frente com verdugos.
A História está repleta de momentos como os que estamos vivendo.
Delenda, Catilina, abutere patientia nostra!
06 abril 2014
Nossa burocracia é tão mastodôntica que permite haver despachantes milionários
Publicado no blog de Ricardo Setti (Veja.com)
Artigo de Pedro Burgos, editor-chefe do site Oene, publicado em edição impressa da revista Superinteressante
A BALADA DA BUROCRACIA
A BALADA DA BUROCRACIA
Nosso país é um dos poucos que podem se dar ao luxo de
ter despachantes milionários. Culpa de um labirinto burocrático que
“desagrega valor” da nossa economia – e que nos afasta da área VIP do
mundo
O rei do camarote gasta de R$ 5 mil “até o infinito” (R$ 70 mil, pela contabilidade do sujeito) em uma noite,
boa parte em garrafas de champanhe com pirotecnia. Bom, esbanjadores
exibicionistas sempre existiram, e não são exclusividade dos novos-ricos
nacionais.
O que realmente intriga aí é outra coisa: de onde vem a fortuna do
baladeiro. Alexander de Almeida é despachante. Não que isso seja ilegal
ou imoral (ainda que engorde, caso você exagere no champanhe). O
problema é termos uma burocracia tão mastodôntica que permite a
existência de despachantes milionários.
No fundo, é como se alguém ganhasse dinheiro por vender cobertores
para os pacientes largados nos corredores dos hospitais públicos: há um
problema que poderia ser solucionado caso o Estado fosse mais eficiente
no atendimento à população, mas, enquanto isso não acontece, alguém vê
uma oportunidade a ser explorada. O Brasil seria um país melhor se eles
não fossem tão necessários. Fato. Mas, infelizmente, eles são.
A burocracia brasileira passa pela necessidade de imensas pilhas de
papel, filas em repartições públicas e carimbos de cartório até para
procedimentos simples. Gasta-se muito tempo com todas essas necessidades
artificiais: são em média 119 dias para abrir uma empresa (contra 20
nos países desenvolvidos).
Se tempo é dinheiro, empresas e mesmo pessoas comuns preferem
economizar quando podem e escolhem contratar as pessoas que sabem quais
os formulários, os atalhos e com quem falar. No Detran do Paraná, por
exemplo, os 850 despachantes cadastrados são responsáveis por entrar com
70% dos processos. O que é natural: pouca gente tem tempo ou paciência
para fazer por conta própria mudanças no cadastro de veículos ou
recorrer de uma multa, indo até uma repartição que tem filas desde antes
do expediente começar.
O excesso de processos também abre brechas para o surgimento de
falsos despachantes e fraudadores. Próximo a qualquer Detran, há os
chamados “zangões” – como são conhecidos os profissionais que exercem a
função sem autorização -, que prometem de vistorias “rápidas” até
carteira de habilitação sem a necessidade de exame.
No Rio de Janeiro, este ano, a corregedoria do Detran desmantelou um
esquema que gerava R$ 2 milhões por mês a uma quadrilha. Os bandidos
cobravam até R$ 1.000 para a aprovação rápida de vistorias. Sem a
necessidade de filas, papéis – ou vistorias.
Mas não é preciso estar na ilegalidade para atingir altas cifras. A
empresa do rei do camarote encontrou uma mina de ouro ao ligar a
burocracia do Detran com a burocracia bancária. A empresa dele recupera
automóveis de pessoas inadimplentes com financiamentos bancários,
atualiza a documentação e guarda a frota em pátios até um leilão
judicial acontecer. Prova de que nem grandes instituições financeiras
têm como viver sem despachantes.
Outro mercado lucrativo para os intermediários da burocracia é o de
importação. No terminal de cargas do Aeroporto de Guarulhos, onde chega
grande parte das encomendas estrangeiras para o País, circulam 500
despachantes aduaneiros que prometem acelerar o processo de liberação do
que estiver retido na Receita – e cobram cerca de 3% do valor da carga,
que pode custar dezenas de milhares de reais.
É importante dizer que o mercado dos despachantes é só uma das faces
da burocracia institucionalizada. Há, por exemplo, quase 15 mil
cartórios no Brasil. Os maiores chegam a faturar R$ 5 milhões por mês,
justamente porque há muita cópia a ser autenticada, firma a ser
reconhecida e títulos a serem transferidos. Coisas que despachantes
podem ajudar a fazer com a devida procuração, evidentemente.
É fácil colocar a culpa de toda essa burocracia no governo, ou na
herança cartorialista portuguesa. Mas de acordo com uma pesquisa da
Confederação Nacional da Indústria, para 63% dos brasileiros a
burocracia é importante para evitar o uso indevido do dinheiro público.
“No Brasil, em vez de se colocar o falsário na cadeia, obrigam-se todas
as pessoas a provar sistematicamente, com documentos, que não são
desonestas”, afirma o economista Hélio Beltrão, que foi “ministro da
desburocratização” nos anos 80 – a pasta foi extinta depois de sete anos
sem grandes progressos.
Para que haja menos processos, precisamos de uma sociedade não só
mais eficiente, mas que tenha mais fé no cidadão e em suas instituições.
Se a desconfiança parece estar arraigada na nossa cultura, há indícios
de que processos mais eficientes são atingíveis em um curto espaço de
tempo. O México, que também tem seus despachantes, começou em 2004 uma
grande campanha para transferir os processos que precisavam de papel
para a internet.
Pelo último relatório do Banco Mundial, a mudança ajudou a fazer com
que o país virasse o melhor lugar para fazer negócios na América Latina,
e o 35º do mundo. O Brasil está em 127º. Pesado…
Por outro lado, o horizonte é promissor. Iniciativas que reúnem
várias repartições no mesmo lugar (como o Poupatempo em São Paulo) e a
possibilidade de fazer mais processos online, como em alguns Detrans,
sugerem que estamos caminhando na direção de processos mais rápidos e
racionais. Quem sabe assim, um dia, o Brasil deixe de ser este “Boeing
com piloto de teco-teco”.
04 abril 2014
Especial VEJA: Ernesto Geisel, do limbo ao Planalto
Publicado na edição impressa de VEJA


“Era uma espécie de cão leproso.” Assim o general Ernesto Geisel
classificou a situação em que estava quando João Goulart tomou posse, no
apressado arranjo parlamentarista, em 1961. Não teve cargo, comando nem
prestígio junto ao novo chefe de governo, a quem considerava “um homem
fraco e dominado pelas esquerdas”. Três anos depois, era um dos
integrantes mais importantes do grupo chefiado pelo general Humberto
Castello Branco.
A aproximação entre os dois futuros presidentes militares não tinha
sido exatamente fácil. Conspirador de primeira hora, Geisel, tão austero
que quando cursava a Escola Militar do Realengo não aceitava convites
de fim de semana de colegas cariocas porque não tinha roupas que
considerasse apresentáveis, fazia restrições ao cearense que gostava de
poesia e seguia a linha legalista. “Muitos de nós não gostávamos do
Castello na vida militar, inclusive eu e meu irmão Orlando, por causa do
seu feitio, por ser irônico”, relatou muitos anos depois, na série de
entrevistas transformada em livro por Maria Celina D’Araujo e Celso
Castro.
Ao se afastar de “generais amigos, contrários a nós e ligados ao
sistema Jango”, Castello se aproximou de Geisel e Golbery do Couto e
Silva, que estava na reserva e, como sempre, transitava no fluido mundo
das sombras. O general de cintura dura também teve seus momentos de
maquiavelismo, já nos estertores do governo Goulart, quando o presidente
apoiou em pessoa os sargentos praticamente em estado de sublevação.
“Alguns companheiros vieram a mim com a proposta de cercar o acesso ao
Automóvel Clube com elementos de confiança e assim impedir a realização
da reunião. Fui contrário a isso, dizendo: ‘Deixem que se faça a
reunião; agora, quanto pior, melhor para a nossa causa’.”
Geisel e Golbery acompanharam Castello em suas movimentações de 31 de
março e 1º de abril, no quartel-general do Exército e entre
apartamentos cedidos por simpatizantes que passaram a ser chamados de
postos de comando. Ironizada como a “revolução por telefone”, a
articulação na verdade foi essencial para aglutinar os diferentes focos
de rebelião militar. “Não havia um comando único na revolução. Mas, para
o nosso grupo, o chefe era o Castello”, descreveu Geisel.
O outro grupo se inclinava pelo general Arthur da Costa e Silva.
Falando com palavras cuidadosamente inteiras, como era de seu feitio,
ele resumiu assim a disputa em gestação: “Essa divergência, no meu modo
de ver, teve influência muito grande depois”. Mas, nos idos de março de
1964, Castello era o nome mais forte e Ernesto Geisel um de seus homens
de total confiança. Passados dez anos, tornou-se presidente com um voto
só que realmente contava ─ o de seu antecessor, Emílio Garrastazu Médici
─ e um projeto “lento, gradual e seguro” de retorno à democracia.
Demorou mais dez anos. Sua seca e final avaliação: “Foi um erro ter-se
ficado tanto tempo”.
************************************
Colaboradores: André Petry, Augusto Nunes,
Carlos Graieb, Diogo Schelp, Duda Teixeira, Eurípedes Alcântara, Fábio
Altman, Giuliano Guandalini, Jerônimo Teixeira, Juliana Linhares, Leslie
Lestão, Otávio Cabral, Pedro Dias, Rinaldo Gama, Thaís Oyama e Vilma
Gryzinski.
03 abril 2014
Especial VEJA: Castello Branco ─ A vitória sorriu afinal para o ‘Coronel Y’
Republico aqui artigo de Veja publicado no blog de Augusto Nunes (Veja.com):
Publicado na edição impressa de VEJA


Depois da parada do carro oficial para uma subida rápida ao
apartamento 304 da Rua Jangadeiros, 23, em Ipanema, na tarde de 31 de
março, Castello Branco só teria um superior hierárquico, o “Coronel Y”.
Castello tinha 63 anos. Ou 66, se verdadeira a plausível história de que
o pai, o general Cândido Castello Branco, roubou três anos para
garantir a gratuidade do filho no colégio militar. Castello vinha de
horas tensas passadas no seu gabinete de chefe do Estado-Maior no
quartel-general do Exército, quando, com uma ordem de prisão contra ele
sendo protelada por colegas de farda simpatizantes, expediu este
telegrama a todos os comandantes de tropa: “Restaurar legalidade.
Restabelecer a Federação. Eliminar o desenvolvimento do plano comunista
de posse do poder. Defender as instituições militares, que começam a ser
destruídas. Estabelecer a ordem para o advento de reformas legais”. O
regime de Jango estava liquidado e, apesar de o eterno rival, o general
Arthur da Costa e Silva, ter se autodenominado Comandante Supremo da
Revolução, Castello Branco era o líder inconteste aos olhos da tropa e
dos chefes civis do movimento.
Em casa, antes de seguir para um dos muitos locais secretos
preparados para aquele momento, ele tirou pela última vez a farda de
general de quatro estrelas e colocou um terno. Obedecia às ordens do
Coronel Y. Com esse codinome, ele assinou dez colunas em um jornal
carioca nos anos 1930. Nelas traçou a visão do papel do militar da qual
não se afastaria nunca mais. Se o menino é o pai do homem, o Coronel Y
foi o pai doutrinário de Castello: “O militar-político é um lobisomem,
um homem de existência dupla e misteriosa e que mete medo. Passando a
desempenhar função civil, é militarmente lógico e individualmente
honesto que ele se torne um egresso de sua classe”.
Castello se tornara um egresso de sua classe. Nessa condição foi
eleito presidente da República pelo Congresso, prendeu, cassou, mas não
permitiu a tortura. Fez uma reforma agrária, criou o Banco Central e o
FGTS. Quis devolver o poder aos civis. A linha dura não permitiu.
Assinou o Ato Institucional Nº 2 e acrescentou de próprio punho um
parágrafo único: “O atual presidente é inelegível”. Morreu em 1967 no
céu do seu Ceará em um acidente insólito. O avião em que viajava foi
abalroado em pleno ar por um caça da FAB. O piloto militar sobreviveu.
Humberto de Alencar Castello Branco foi o primeiro presidente do
ciclo dos generais, que seria fechado 21 anos mais tarde pelo general
João Figueiredo. Castello foi também um dos últimos oficiais superiores
da estirpe de numes tutelares nascida com a Proclamação da República, em
1889, pela espada do marechal Manoel Deodoro da Fonseca. Cresceu
ouvindo do pai general: “Nós militares parimos a república, é nosso
dever embalá-la”. Era um tempo em que as famílias cuidavam de ter filho
padre e militar. Não para salvar almas ou ganhar guerras. Mas para
angariar poder político. Foi para isso que o pai o encaminhou para a
farda. Foi por isso que ele a tirou em 31 de março.
Uma contradição em termos, Castello foi o grande legalista, mas deu o
golpe. Sendo um empedernido soldado profissional, fez política de
tenente a general. Sem chance de competir pelos primeiros lugares com os
cadetes teutônicos, louros, altos, atléticos, e os de inteligência
natural transbordante, como Luiz Carlos Prestes e Henrique Teixeira Lott
ou mesmo Costa e Silva, decidiu superá-los pelo esforço sobre-humano
nos estudos e na adesão fundamentalista à disciplina. Sua bússola era o
Regulamento Disciplinar do Exército (RDE). “Mas, enquanto os outros
militares só faziam o que o RDE permitia, o Castello fazia tudo o que o
RDE não proibia. Assim ele conseguiu estar sempre à frente e ter o
controle da maioria das situações conflituosas em que se metia”, lembra
um de seus recrutas. Isso o ajudou a superar oficiais mais graduados na
campanha da Força Expedicionária Brasileira na Itália durante a II
Guerra Mundial e a aderir à conspiração a curta distância do quepe de
Jair Dantas Ribeiro, ministro da Guerra e fiel a Jango, ao tempo que
dava ao superior seguidas provas de apego à hierarquia e à disciplina.
Ribeiro não tinha razões para duvidar de Castello, que sempre
rejeitou, um a um, todos os convites anteriores para tomar parte de
golpes, quarteladas, motins e revoluções. Tantas vezes colegas
esperançosos de que aderisse de última hora não lhe confiaram as senhas
desencadeadoras de movimentos como “o bebê nasceu” ou o “trem partiu da
estação”. Ele se manteve sempre legalista, racional, disciplinado e
obediente à hierarquia, guardião da Constituição ─ democrata, enfim.
Colocando em segundo plano as fraternas lealdades da caserna, colecionou
antipatias duradouras. Castello combateu a Coluna Prestes nos anos 20.
Foi contra a Revolução de 1930. Sem a menor admiração por Getúlio
Vargas, foi legalista em 1932. Ficou contra os oficiais que queriam
impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek, em 1955, por
ele ter como vice João Goulart. No levante de Aragarças, de 1959, quando
oficiais da Aeronáutica se amotinaram contra Juscelino, sua conduta foi
exemplar. Emissários enviados para sondar a possibilidade de obter
apoio do então comandante militar da Amazônia ouviram a negativa que
ecoava a doutrina do Coronel Y: “É um erro de visão acreditar que o
Brasil não pode melhorar dentro do regime constitucional. Só se faz uma
revolução dentro de uma ideologia e impelido por uma forte corrente de
opinião pública. O Brasil não quer quarteladas”.
Por que em 1964 sua atitude foi diferente? Por que ele resolveu fazer
o “creme de abacate”? Essa era a expressão que os oficiais do Exército
usavam para ilustrar o fato de que, embora até reconhecessem o papel da
Força Aérea e da Marinha, qualquer ação contra o governo Goulart só
teria êxito com o predomínio das fardas verdes. Castello aderiu por duas
razões. A mais simples e prática decorria do fato de que a vitória era
certa. No pior cenário, na avaliação lógica do estrategista da tomada do
Monte Castelo na campanha da Itália, a vitória viria em no máximo dois
meses. Veio em um dia. A outra se assentava na constatação de que o
movimento contra Goulart não era uma quartelada. Não era a pura e
simples usurpação do poder. O movimento representava o desejo legítimo
de ampla parcela do povo.
A maioria dos generais do Exército selou o destino de Jango depois do
comício na Central, no dia 13 de março, quando Leonel Brizola propôs
fechar o Congresso e convocar um plebiscito. Castello precisou de mais
uma semana para aceitar a inevitabilidade da ação. No dia 20 ele se
comprometeu até a medula com o movimento ao emitir uma decisiva nota
circular aos oficiais comandantes do Exército: “Não sendo milícia, as
Forças Armadas não são armas para empreendimentos antidemocráticos”.
Usar o Exército como milícia era o plano mestre do núcleo duro em torno
de Jango. “Ele nunca elogiou ninguém”, reclamava o general Olympio
Mourão Filho, cujas tropas Castello tentou, em vão, fazer voltar aos
quartéis em telefonema ao governador mineiro, Magalhães Pinto. Mourão
encarnava tudo o que Castello desprezava em um comandante: “Fuja dos
generais intuitivos e emocionais. A hecatombe nunca anda longe deles”.
Castello não viu seu triunfo degenerar nos males que julgou vencidos
em 1964. Morreu como viveu: respeitado, admirado e temido. Talvez tenha
superado as marcas traumáticas da cifose, seu tormento da juventude, que
o levaria a usar um corretor postural na última década da vida. Talvez
tenha apagado o trauma do telegrama do pai ─ “faça exame” ─, recebido
quando era primeiro-tenente no 12º Regimento de Infantaria, em Belo
Horizonte. Fazer um exame médico fora a única exigência imposta pelo
sogro, o comerciante Arthur Vianna, para entregar-lhe a mão de sua filha
Argentina. Vianna temia que Castello fosse portador de uma doença
hereditária. O amor foi maior do que a indignação, e o tenente deixou-se
examinar, tranquilizando o sogro. Poucos meses depois, casou-se com
Argentina, que morreu, em 1963, no Recife. Dois anos mais tarde, dizem, o
coração de Castello já encontrava conforto ocasional ao lado de linda e
talentosa atriz.
****************************************
Colaboradores: André Petry, Augusto Nunes,
Carlos Graieb, Diogo Schelp, Duda Teixeira, Eurípedes Alcântara, Fábio
Altman, Giuliano Guandalini, Jerônimo Teixeira, Juliana Linhares, Leslie
Lestão, Otávio Cabral, Pedro Dias, Rinaldo Gama, Thaís Oyama e Vilma
Gryzinski.
02 abril 2014
O que lembro de "1964"
Estava com dez anos de idade quando o idiota do Jango e todos os socialistas ao seu redor empurraram o país para uma ditadura de 21 anos.
Nesta época, eu morava no Careiro da Várzea (AM), a 17 km e a 2,5 h por barco de linha de Manaus - com minha mãe, e meu pai sempre ausente - e não tive qualquer notícia desse evento "1964".
O Careiro da Várzea é uma ilha cercada à esquerda pelo rio Amazonas a partir do Rio Negro, no encontro das águas, e, à direita pelo paraná do Careiro.
Entre idas e vindas de Manaus ao Careiro, vivi ali por cerca de 13 anos. Até que me mudei definitivamente para Manaus em dezembro1966, com doze anos.
Nasci em Manaus em 1954 e logo minha mãe Alzira me levou de volta para o Careiro, onde morava no terreno deixado por meu avô Guilherme Pinheiro Bastos, oriundo do Ceará.
Em 1960, quando minha irmã Jânia nasceu, meu pai Waldetário Pinheiro, de origem pernambucana, fez minha mãe vender a pequena propriedade e se mudar para Manaus.
Ao chegar em Manaus, lembro que havia cartazes da seleção brasileira por todos os lugares e de nomes como Pelé e Garrincha, mas para mim estes eram ilustres desconhecidos. Nem pelo rádio acompanhei "1958". E pra dizer a verdade, nem mesmo "1962" significou para mim nenhuma novidade.
Aprendi a ler aos sete anos e fazia da leitura uma viagem mágica. Todos os domingos passava no Oratório Domingos Sávio, da paróquia de São José Operário. Fazia da sala de leitura meu lugar favorito.
Nasci em Manaus em 1954 e logo minha mãe Alzira me levou de volta para o Careiro, onde morava no terreno deixado por meu avô Guilherme Pinheiro Bastos, oriundo do Ceará.
Em 1960, quando minha irmã Jânia nasceu, meu pai Waldetário Pinheiro, de origem pernambucana, fez minha mãe vender a pequena propriedade e se mudar para Manaus.
Ao chegar em Manaus, lembro que havia cartazes da seleção brasileira por todos os lugares e de nomes como Pelé e Garrincha, mas para mim estes eram ilustres desconhecidos. Nem pelo rádio acompanhei "1958". E pra dizer a verdade, nem mesmo "1962" significou para mim nenhuma novidade.
Aprendi a ler aos sete anos e fazia da leitura uma viagem mágica. Todos os domingos passava no Oratório Domingos Sávio, da paróquia de São José Operário. Fazia da sala de leitura meu lugar favorito.
Vivemos em Manaus até 1964, quando meu pai vendeu a nossa casa e ficamos sem ter onde morar, quando então voltamos novamente para o Careiro - na verdade para o paraná do Cambixe (um paraná que corta a ilha do Careiro do início até o final, por cerca de 150 km) - , onde passamos a morar como caseiros da fazenda do Sr. Adalto Leite, que era conhecido da família. O irmão dele, Oscar Leite, que morava na parte norte, ou baixa, do Cambixe, era meu padrinho de batismo. Para mim, um pai.
Nessa fazenda fiz tudo o que para mim era de um prazer indizível, tal como nadar no rio, pescar e caçar no lago, trabalhar como vaqueiro, andar de cavalo, tocar boiada, tirar leite, fazer queijo, manteiga, etc. Eram atividades lúdicas maravilhosas que me dão imensa saudade. Contudo, nada disso significava para mim o meu "futuro", uma vez que vivia em uma fazenda como de favor.
Daí ter me mudado definitivamente, em dezembro de 1966, para Manaus, eu sozinho, para morar com minha tia Alice Pinheiro, e ali realmente completar a minha alfabetização e prosseguir nos estudos. Minha mãe Alzira ficou na fazenda do Adalto Leite, no Cambixe, juntamente com meus irmãos Renato e Jânia.
De 1967 a 1968, estudei justamente na Escola Industrial Salesiana, que funcionava no meu já querido Oratório Domingos Sávio, da paróquia São José, onde completei minha alfabetização e então, em 1969, dei início ao "ginásio industrial" da Escola Técnica Federal, que corresponde às hoje quinta a oitava séries do ensino fundamental.
Na querida Etfam foi onde percebi com maior proximidade a existência de um regime político duro, pois ali éramos tratados com um rigor quase militar. Éramos obrigados a estudar em regime integral, pois tínhamos que, além das aulas "normais", fazer a cada semestre um curso profissionalizante. Portanto, após quatro anos de ginásio industrial, já tinha feito mais de oito cursos profissionalizantes: eletricidade, encadernação, tipografia e linotipia, marcenaria e carpintaria, serralheria e solda, mecânica de autos e mecânica de máquinas. Sem contar as famosas "horas cívicas" em que éramos obrigados a cantar o hino nacional e astear a bandeira nacional, isso após ouvirmos o professor da disciplina "educação moral e cívica", um "coronel", dizia-se. Algumas vezes um aluno era escalado para falar na hora cívica. Quem fazia isso frequentemente era o hoje pastor Samuel Câmara. Era evidente o medo que reinava entre os professores, os quais se negavam a emitir qualquer opinião sobre a situação geral do país. Não estudavam mulheres na Etfam. Estas foram admitidas apenas em 1970. Acho que para pacificar o clima de "guerra" havida entre os homens, alunos e professores.
Vivíamos um momento ao mesmo tempo difícil politicamente, mas rico nas áreas culturais, na música (bossa nova, jovem guarda, tropicália), no cinema, etc.
Manaus, é óbvio, na verdade estava muito longe dos centros cultural e político do país e pouca coisa se percebia além dos muros da Etfam. Estou falando de minha própria experiência.
Apenas em 1975, quando o Incra me recrutou na Etfam, eu e mais quatro colegas (José das Graças, Darlindo Alves, Tadashi e Pedro Marçal), para trabalharmos como topógrafos, é que fui me dar conta da estrutura de poder militar que estava comandando o país. O Incra era comandado por um "coronel". Coloco aspas porque nem sempre esses dirigentes eram militares, mas faziam questão de serem conhecidos e reconhecidos como tais.
Em 1976, ainda estudando na Etfam o quarto ano do curso técnico de Estradas, passei no meu primeiro vestibular na UA (hoje Ufam) para Matemática. Não sabia que isso era praticamente "proibido", isto é, não sabia que estudar na Universidade era como receber um "carimbo" de comunista. O certo é que minhas atitudes no Incra também acabaram "ajudando" para esse estereótipo, pois demarcava as terras tanto dos que constavam quanto dos que NÃO constavam dos Projetos de demarcação, causando perplexidade no departamento de cartografia.
Na verdade, comunista existiam aos magotes, tanto na UA quanto no Incra. Um e principal deles era o colega João Pedro Gonçalves, hoje um petista de carteirinha. Éramos colegas de campo, de demarcação de terras. A reforma agrária era um "campo minado" ideologicamente.
Em 1977, sem entender porque, fui transferido "mano militari" do Incra de Manaus para o Incra de Tabatinga, na fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia, onde fiquei "exilado" por dois anos. Isso me rendeu, em 1994, a anistia política e a reintegração ao Incra. Um anos depois, preferi ser professor da Ufam, aprovado que fui em concurso para professor de administração (depois fui credenciado também pela Faculdade de Direito para ministrar as turmas de direito oferecidas para o departamento de administração). Formei em direito em 1992, também na Ufam. Estou até hoje como professor, embora já esteja tecnicamente aposentado desde 2009. Contudo, embora anistiado, não recebo a indenização a que faço jus. A Comissão de Anistia dos "companheiros" não tem interesse pelo meu caso. Ingressei no STJ com Mandado de Segurança. Oremos!
Tenho outras lembranças do meu "1964", mas fica para outros posts.
‘Esquerda tinha ditaduras como modelo’, um texto de Marco Antonio Villa
Publicado no Blog do Marco Antonio Villa
Durante a ditadura, a oposição de esquerda transformou a experiência
dos países socialistas em referência de democracia. A ditadura do
proletariado foi exaltada como o ápice da liberdade humana e serviu como
contraponto ao regime militar. A falácia tinha uma longa história.
Desde os anos 1930 brasileiros escreveram libelos em defesa do sistema
que libertava o homem da opressão capitalista.
Tudo começou com URSS, Um Novo Mundo, de Caio Prado Júnior,
publicado em 1934, resultado de uma viagem de dois meses do autor pela
União Soviética. Resolveu escrevê-lo, segundo informa na apresentação,
devido ao sucesso das palestras que teria feito em São Paulo descrevendo
a viagem. À época já se sabia do massacre de milhões de camponeses (a
coletivização forçada do campo, 1929-1933) e a repressão a todas os não
bolcheviques.
Prado Júnior justificou a violência, que segundo ele “está nas mãos
das classes mais democráticas, a começar pelo proletariado, que delas
precisam para destruir a sociedade burguesa e construir a sociedade
socialista”. A feroz ditadura foi assim retratada: “O regime soviético
representa a mais perfeita comunhão de governados e governantes”. O
autor regressou à União Soviética 27 anos depois. Publicou seu relato
com o título O Mundo do Socialismo. Logo de início escreveu que estava “convencido dessa transformação (socialista), e que a humanidade toda marcha para ela”.
Em 1960, Caio Prado não poderia ignorar a repressão soviética. A
invasão da Hungria e os campos de concentração stalinistas estavam na
memória. Mas o historiador exaltava “o que ocorre no terreno da
liberdade de expressão do pensamento, oral e escrito”, acrescentando:
“Nada há nos países capitalistas que mesmo de longe se compare com o que
a respeito ocorre na União Soviética”. E continua escamoteando a
ditadura: “Os aparelhos especiais de repressão interna desapareceram por
completo. Tem-se neles a mais total liberdade de movimentos, e não há
sinais de restrições além das ordinárias e normais que se encontram em
qualquer outro lugar.”
Seguindo pelo mesmo caminho está Jorge Amado, Prêmio Stalin da Paz de
1951. Isso mesmo: o tirano que ordenou o massacre de milhões de
soviéticos dava seu nome a um prêmio “da paz”. Antes de visitar a União
Soviética e publicar um livro relatando as maravilhas do socialismo – o
que ocorreu em 1951 -, Amado escreveu uma laudatória biografia de Luís
Carlos Prestes. A União Soviética foi retratada da seguinte forma:
“Pátria dos trabalhadores do mundo, pátria da ciência, da arte, da
cultura, da beleza e da liberdade. Pátria da justiça humana, sonho dos
poetas que os operários e os camponeses fizeram realidade magnífica”.
A partir dos anos 1970, o foco foi saindo da União Soviética e se
dirigindo a outros países socialistas. Em parte devido aos diversos
rachas na esquerda brasileira. Cada agrupamento foi escolhendo a sua
“referência”, o país-modelo. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) optou
pela Albânia. O país mais atrasado da Europa virou a meca dos antigos
maoistas, como pode ser visto no livro O Socialismo na Albânia,
de Jaime Sautchuk. O jornalista visitou o país e não viu nenhuma
repressão. Apresentou um retrato róseo. Ao visitar um apartamento
escolhido pelo governo, notou que não havia gás de cozinha. O fogão
funcionava graças à lenha ou ao carvão. Isso foi registrado como algo
absolutamente natural.
O culto da personalidade de Enver Hoxha, o tirano albanês, segundo
Sautchuk, não era incentivado pelo governo. Era de forma natural que a
divinização do líder começava nos jardins de infância onde era chamado
de “titio Enver”. As condenações à morte de dirigentes que se opuseram
ao ditador foram justificadas por razões de Estado. Assim como a censura
à imprensa.
Com o desgaste dos modelos soviético, chinês e albanês, Cuba passou a ocupar o lugar. Teve papel central neste processo o livro A Ilha,
do jornalista Fernando Morais, que visitou o país em 1977. Quando
perguntado sobre os presos políticos, o ditador Fidel Castro respondeu
que “deve haver uns 2 mil ou 3 mil”. Tudo isso foi dito naturalmente ─ e
aceito pelo entrevistador.
Um dos piores momentos do livro é quando Morais perguntou para um
jornalista se em Cuba existia liberdade de imprensa. A resposta foi uma
gargalhada: “Claro que não. Liberdade de imprensa é apenas um eufemismo
burguês”. Outro jornalista completou: “Liberdade de imprensa para atacar
um governo voltado para o proletariado? Isso nós não temos. E nos
orgulhamos muito de não ter”. O silêncio de Morais, para o leitor, é
sinal de concordância. O pior é que vivíamos sob o tacão da censura.
O mais estranho é que essa literatura era consumida como um
instrumento de combate do regime militar. Causa perplexidade como os
valores democráticos resistiram aos golpes do poder (a direita) e de
seus opositores (a esquerda).
01 abril 2014
Vídeo sobre a deflagração do golpe de 1964
Assista ao vídeo feito por Augusto Nunes e publicado no site de veja sobre a deflagração do golpe militar de 1964, do qual já se passaram 50 anos...
50 ANOS DO GOLPE MILITAR: FHC lamenta: “Faltam-nos crença na democracia e grandeza na vida política”
Republico aqui a entrevista de FHC sobre o golpe de 1964:
Entrevista concedida à jornalista Laura Greenhalgh, de O Estado de S. Paulo

O
ex-presidente em sua sala no Instituto que leva seu nome, em São Paulo:
militares golpistas não tinham projeto (Foto: Eduardo Nicolau /
Estadão)
se entre ser socialista nos modos e marxista nas ideias. E fazia a
cabeça da estudantada da Faculdade de Filosofia da Universidade de São
Paulo (USP).
Daí o golpe se consumou e o professor Fernando Henrique teve que
sumir. Vazou, como se diz hoje. “Quando os policiais chegaram na Maria
Antonia (nome da rua onde ficava a faculdade, em São Paulo) para me
prender quase levaram o (filósofo) Bento Prado, achando que era eu”,
comenta o ex-presidente ao lembrar de um tempo em que precisou pular de
casa em casa, de cidade em cidade, às escondidas, até se fixar no Chile,
para onde seguiram a mulher, Ruth Cardoso, e os filhos pequenos.
entrevista que se segue, o trigésimo-quarto mandatário brasileiro
reflete sobre a ditadura e conclui que ela não chegou a desmontar o
Estado regulador. “Falam tanto em neoliberalismo, mas nunca tivemos isso
no País. Já liberalismo político, esse eu até gostaria que houvesse
mais”.
A 50 anos do golpe que o levou para o exílio e aos 82 de idade,
Fernando Henrique, deixa passar uma nota de amargura: “Não estamos em
condição de ensinar democracia a ninguém, porque há muito a aprender.
Faltam-nos, sobretudo, crença na democracia e grandeza na vida
política.”
Onde o senhor estava quando tudo aconteceu, 50 anos atrás?
Semanas antes do golpe, quando houve aquele comício da Central do
Brasil, eu estava no Rio, onde vivia meu pai. Passei pelo comício e
embarquei lá mesmo, rumo a São Paulo.
Era 13 março. No trem estavam o (hoje ex-ministro) José Gregori, o
(hoje ex-deputado federal) Plínio de Arruda Sampaio, com quem eu
acabaria me reencontrando no exílio, e um rapaz chamado Marco Antonio
Mastrobuono, que depois viria a casar com a Tutu, filha do Jânio
Quadros.
Viemos conversando ao longo da viagem sobre a situação. Ali ninguém
era entusiasta do Jango, eu também não era. Embora meu pai fosse um
militar nacionalista, que inclusive havia sido deputado pelo PTB.
Seu pai era um nacionalista. E o senhor?
Um socialista. Tivera contato com o comunismo nos anos 1950, mas
àquela altura, depois do stalinismo, não sobravam ilusões. Também não
tinha ilusão de que o Jango seria algo extraordinário ao país, porque
ele era um populista e eu, um acadêmico. E, na universidade, tínhamos a
convicção de que as mudanças viriam da luta de classes, não do
populismo.
Pois bem, chegando a São Paulo, encontrei um clima de grande
agitação. Nessa época o Darcy (Ribeiro) já havia sido nomeado chefe da
Casa Civil do Jango. E era muito amigo da minha família.
Nós nos falamos algumas vezes por telefone naqueles dias e isso
terminou me trazendo uma dor de cabeça tremenda, pois o aparelho do
Darcy estava grampeado e fui grampeado, também.
O que aconteceu exatamente?
O Darcy um dia me disse que viria a São Paulo e eu comentei “vem com
cuidado aí com o Grupo dos Onze” (grupo de resistência radical concebido
em 1963 pelo então governador gaúcho Leonel Brizola).
Disse aquilo por dizer, sem qualquer intenção, porque havia
acontecido uma violência contra o ministro da Reforma Agrária do Jango,
em São Paulo, algo assim. Esse comentário grampeado iria me complicar no
futuro, quando fui processado na Justiça Militar.
Mas, na noite do golpe, lá na Maria Antonia, havia mesmo muita
confusão. Eu exercia certa influência sobre alunos e professores mais
jovens, embora fosse jovem também – tinha só 33 anos, mas já fazia parte
do Conselho Universitário. Muitos dos meus colegas achavam que o golpe
era do Jango e dos generais leais a ele, o Amaury Kruel, o Osvino
Ferreira Alves.
A confusão era tanta que eu telefonei para o Luiz Hildebrando da
Silva, que era da Medicina da USP e ligado ao Partidão (o então
clandestino Partido Comunista Brasileiro), dizendo para ele vir até a
Maria Antonia, pois estavam preparando um manifesto contra um golpe do
presidente. E não um manifesto contra o golpe no presidente! Veja como
estávamos perdidos na USP, isolados da vida política, mergulhados num
marxismo teórico.
Vou contar uma passagem estapafúrdia: naqueles dias soubemos que
haveria uma resistência armada no Sul e então o Bento Prado, o
(cientista social) Leôncio Martins Rodrigues, o Paulo Alves Pinto, que
era sobrinho do general Osvino, e eu cogitamos tomar um aviãozinho no
Campo de Marte para lutar no Sul.
Ainda bem que não houve luta alguma (ri). Então, assim foi a minha
última noite andando pela rua Maria Antonia. No dia seguinte, a polícia
apareceu por lá para me prender. Quase levaram o Bento Prado, pensando
que fosse eu.
Como escapou de ser preso na Maria Antonia?
Alunos meus ficaram nas esquinas, à espreita, para me avisar que a
polícia estava lá, assim que eu me aproximasse. Acabei não indo à
faculdade e naquela noite dormi na casa de um amigo, o cineasta Bráulio
Muniz. Continuei me escondendo, daí fui para o Guarujá na casa do
(fotógrafo) Thomas Farkas, com o Leôncio. E a Ruth (Cardoso), minha
mulher, ficou aqui, tentando entender o que se passava.
Ruth procurou o Honório Monteiro, que fora ministro do presidente
Dutra e era meu colega no Conselho Universitário. O Honório tentou
interferir a meu favor junto ao Miguel Reale, então secretário de
Segurança. Mas o Reale respondeu que no meu caso não havia o que fazer,
porque “esse professor Cardoso não é só teórico, mas prático também”.
Outro amigo, o (economista, museólogo e autor teatral) Maurício
Segall, que já se ocupava de organizar fugas, achou que eu tinha que
cair fora, não havia condições de ficar no país. Saí por Viracopos e fui
para Argentina, para a casa de um ex-colega meu na França, que mais
tarde viria a ser ministro do Kirchner, o José Nun.
Tive convite para lecionar na Universidade de Buenos Aires, mas
também convite para trabalhar na Cepal, no Chile. Preferi ir para o
Chile. Meses depois Ruth veio ao meu encontro, com as crianças, e lá
ficamos anos.
Voltou ao Brasil nesse período?
Duas vezes. Eu me encontrei em Paris com (o professor e crítico
literário) Antonio Candido, que dava aulas por lá, e ele me ajudou a
voltar ao Rio para ver meu pai. Era 1965. Quando meu pai morreu, eu
estava no Chile, mas já com passaporte validado, portanto voltei para o
enterro. Houve uma missa com muitos oficiais e um deles chegou perto do
meu irmão para dizer, referindo-se a mim: “Ou ele vai embora ou vai ser
preso”.
Vim para a casa do (empresário e editor) Fernando Gasparian, em São
Paulo, dormi outra noite na casa do (sociólogo) Pedro Paulo Popovic, e
regressei ao Chile. Acabei não sendo preso.
Houve o processo contra mim na Justiça Militar, com acusações
ridículas, entre as quais aquela envolvendo o telefonema grampeado do
Darcy, e outras histórias vindas da universidade, de colegas que naquele
momento dedo-duraram bastante, mas depois virariam ultra-esquerdistas.
O general Peri Bevilacqua, neto do Benjamin Constant e homem ligado à
minha família, foi quem me deu um habeas corpus anos depois (no
Superior Tribunal Militar, de que era ministro). Mais tarde ele seria
cassado, também. Pude devolver as medalhas do general para a família
dele, quando estava na Presidência.
O que o senhor pesquisava na época do golpe?
O empresariado brasileiro. Foi minha tese de livre-docência, defendi em 1963 e publiquei-a no ano seguinte.
Contestava a visão da esquerda de que havia uma aliança dos
latifundiários com os imperialistas, contra a burguesia nacional e o
povo. Isso era bobagem. Os empresários tinham ligação com o campo e não
eram antiimperialistas, com exceção de dois ou três. A esquerda apostava
no papel progressista da burguesia nacional e eu tinha uma visão
crítica em relação a isso.
Disse que não se entusiasmava por João Goulart. Como o definiria?
Jango não era de assustar ninguém e hoje seria um político muito mais
tranquilo do que qualquer um desses governantes populistas da América
Latina. Mas, no contexto da Guerra Fria, e pelos contatos que tinha com
os comunistas, representava o horror naquele momento.
Vi isso acontecer de novo no Chile. Allende era um reformista e virou
o belzebu. Enfim, Jango era um político brasileiro tradicional,
populista, um latifundiário que nunca quis fazer revolução alguma.
Levantava a bandeira das reformas de base e ninguém sabia exatamente o
que eram.
Olhando sociologicamente: tínhamos o mundo contingenciado pela Guerra
Fria, porém o Brasil começava a se encaixar no eixo dos investimentos
estrangeiros, desde o Juscelino. Havia crescimento industrial, forte
migração campo-cidade e um Estado incompetente para atender às demandas
de uma sociedade que crescia.
Então, a população começou a se movimentar e ir para as ruas. Nós,
acadêmicos, estávamos tão entretidos com os debates teóricos, que quando
nos demos conta as ruas tinham entrado na universidade!
Qual era o projeto dos militares em 1964? Submeter o País a uma modernização imposta de cima para baixo?
Acho que nem tinham projeto. Setores pensavam de forma diferente e
foram variando de posição até o final. O general Amaury Kruel (foi
ministro da Guerra de Jango), por exemplo, foi um que variou até o
momento do golpe. Mesmo o general Mourão, de Minas, não tinha noção do
que deveria ser feito.
Quem tinha? Os oficiais da Escola Superior de Guerra, o grupo do
Castello Branco. Esses sabiam que seria importante empreender no País a
modernização conservadora. Mas, veja só, entregaram a economia ao
(Otávio Gouveia de) Bulhões e ao (Roberto) Campos, que por sua vez
saíram atrás da modernização capitalista – arrocho fiscal, arrocho
salarial, tudo feito a machadinhas, o povo pagando um preço alto.
Implantaram um programa austero, que deu na explosão econômica dos
anos 70. Ora, quem fez isso não foram os militares, mas o Bulhões e o
Campos. Havia necessidade de modernizar o capitalismo brasileiro. E,
consequentemente, frear o avanço do setor estatal. Até porque o
Juscelino já tinha feito o enganche do país com o setor produtivo global
e os militares sabiam disso.
O senhor acha que o regime, no seu primeiro momento, tratou de sepultar o legado varguista?
O Castello, talvez. A verdade é que os militares já estavam
claramente divididos, e isso era visível no Clube Militar: havia o setor
ultranacionalista e o setor democrático-liberal. Este se aproximava dos
Estados Unidos. E o ultranacionalista, embora não engolindo os russos,
achava que eles funcionavam como contrapeso ao poderio americano.
Isso, evidentemente, tem a ver com as posturas “ser Getúlio” ou “ser
anti-Getúlio”, levando-se em conta que o Getúlio simbólico foi sempre o
nacionalista-estatizante. É interessante notar como era o contexto da
época: os militares nacionalistas-estatizantes, que nunca confiaram nas
forças do mercado, eram chamados de esquerda, o que era exagero. E os
democráticos-liberais eram vistos como direita, outro exagero.
Daí o regime foi se radicalizando.
Exato, foi radicalizando a tendência autoritária. Isso não foi
pretendido no começo, mas foi se formando. E virou um monstro que, não
fosse o (general Ernesto) Geisel ter-se oposto, justo ele, um
nacionalista-estatizante, correríamos o risco de cair numa direita
fascista. Uma direita que se justificaria pelo apego à ordem, e não pelo
desenvolvimento capitalista.
Cabe ainda muita pesquisa sobre o período, para analisar com
objetividade e entender como tudo aconteceu ao largo de um intenso
processo de industrialização e urbanização. São Paulo, em meados da
década de 70, crescia 5% ao ano. Havia mais de cinco milhões de pessoas
vivendo aqui. Tivemos um crescimento econômico que não correspondeu ao
social.
Isso começa a ser corrigido com a redemocratização e vem até agora.
Penso que hoje, de novo, vivemos algo parecido. Não se tem mais a
mobilidade rural-urbana do passado, mas uma intensa mobilidade social.
As pessoas querem mais e o Estado não tem como dar.
Instalados no poder, os militares trataram de providenciar uma
fachada de legalidade ao regime. Chegaram a falar em “democracia
relativa”.De fato, eles nunca aceitaram que o regime não fosse visto
como democrático.
23 março 2014
Tesão de petistas por viagra poderia render R$ 90 milhões
Publicado no blog de Reinaldo Azevedo (Veja.com):
NA VEJA DESTA SEMANA – Padilha, a pílula azul e um contrato investigado pela Polícia Federal
NA VEJA DESTA SEMANA – Padilha, a pílula azul e um contrato investigado pela Polícia Federal
É… Guardem
este nome: Labogen Química Fina e Biotecnologia. Segundo a Polícia
Federal, trata-se de um dos braços do esquema de lavagem de dinheiro do
doleiro Alberto Youssef, o mesmo que levou à prisão o ex-diretor da
Petrobras Paulo Roberto Costa, que colaborou com o rolo da refinaria de
Pasadena.
Pois bem:
essa tal Labogen assinou com o Ministério da Saúde um contrato de R$ 150
milhões para o fornecimento de citrato de sildenafila, o princípio
ativo do Viagra. A PF descobriu que essa “empresa” não tem planta
industrial e que o remédio seria fabricado por outro laboratório, ao
qual a Lobogen repassaria 40% do contrato. Ou por outra: segundo a
Polícia, a turma pagaria R$ 60 milhões pelo remédio e embolsaria nada
menos de R$ 90 milhões. Uma beleza!
“Eles”
estão começando a perder qualquer modéstia, né? Os escândalos subiram de
patamar. Já começam na casa dos R$ 100 milhões. Leiam reportagem
publicada na VEJA desta semana.
*
Pré-candidato petista ao governo de São Paulo nas eleições deste ano, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha é citado nominalmente no inquérito da Polícia Federal que investiga a rede de lavagem de dinheiro comandada pelo doleiro Alberto Youssef. Em um dos relatórios da Operação Lava-Jato, há ainda uma foto de Padilha ao lado de um homem que os investigadores apontam como laranja de Alberto Youssef, no ato de assinatura de um contrato que levou a investigação para dentro do Ministério da Saúde.
*
Pré-candidato petista ao governo de São Paulo nas eleições deste ano, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha é citado nominalmente no inquérito da Polícia Federal que investiga a rede de lavagem de dinheiro comandada pelo doleiro Alberto Youssef. Em um dos relatórios da Operação Lava-Jato, há ainda uma foto de Padilha ao lado de um homem que os investigadores apontam como laranja de Alberto Youssef, no ato de assinatura de um contrato que levou a investigação para dentro do Ministério da Saúde.
A imagem
foi interceptada pelos agentes na caixa de e-mails de um dos
investigados. O contrato foi assinado por Padilha com a Labogen Química
Fina e Biotecnologia, uma empresa que, segundo a Polícia Federal, é tudo
menos um laboratório farmacêutico, e ainda assim foi contemplada com
uma parceria em que planejava receber 150 milhões de reais em vendas de
remédios para o ministério. Um grande — e suspeitíssimo — negócio.
Pelo
modelo de contratação adotado, o Ministério da Saúde escolhe empresas
privadas dispostas a fazer parceria com laboratórios públicos para a
produção de remédios. A Labogen, com sede em São Paulo, foi uma das
escolhidas no ano passado para fornecer citrato de sildenafila,
medicamento com o mesmo princípio ativo do famoso comprimido azul para
disfunção erétil. O ministério informou que as empresas interessadas em
firmar parcerias passam por um rigoroso processo de seleção e análise de
capacidade técnica que envolve vários órgãos públicos. No papel,
segundo o ministério, a situação da Labogen estava o.k.
No mundo
real, a polícia concluiu que a Labogen não tem uma planta industrial e
passa longe de ser uma companhia de porte, compatível com os valores
milionários a ser recebidos do governo. Documentos juntados no inquérito
mostram que, na verdade, os remédios seriam fabricados por um outro
laboratório, de Goiás, ao qual a Labogen repassaria 40% do valor do
contrato. Sem produzir um único comprimido, a empresa do doleiro
pretendia faturar 90 milhões de reais. Os sócios da Labogen figuram como
titulares de remessas milionárias para contas no exterior, operações
que os investigadores dizem ser simuladas. A empresa tinha planos de
ampliar a lista de remédios a ser fornecidos ao governo. Diz a PF:
“Pode-se estar diante, portanto, de mais uma ferramenta para sangria dos
cofres públicos”.
FHC emite nota em que defende a instalação da CPI da Petrobras
O
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso emitiu uma nota neste domingo
em que defende a instalação de uma CPI para investigar os malfeitos na
Petrobras. Inicialmente, o tucano afirmou que a apuração poderia ser
conduzida por outros órgãos competentes do Estado, mas mudou de ideia.
Leia íntegra da nota.
********************
Os acontecimentos revelados pela imprensa sobre malfeitos na Petrobras são de tal gravidade que a própria titular da Presidência, arriscando-se a ser tomada como má gestora, preferiu abrir o jogo e reconhecer que foi dado um mau passo no caso da refinaria de Pasadena. Pior e fato único na história da empresa: um poderoso diretor está preso sob suspeição de lavagem de dinheiro.
********************
Os acontecimentos revelados pela imprensa sobre malfeitos na Petrobras são de tal gravidade que a própria titular da Presidência, arriscando-se a ser tomada como má gestora, preferiu abrir o jogo e reconhecer que foi dado um mau passo no caso da refinaria de Pasadena. Pior e fato único na história da empresa: um poderoso diretor está preso sob suspeição de lavagem de dinheiro.
Sendo
assim, mais do que nunca se impõe apurar os fatos. Embora, antes desse
desdobramento eu tivesse declarado que a apuração poderia ser feita por
mecanismos do Estado, creio que é o caso de ampliar a apuração. O
presidente do PSDB, senador Aécio Neves, conduzirá o tema, em nome do
partido, podendo mesmo requerer, com meu apoio, uma CPMI.
Afinal é
preciso saber por que só depois de tudo sabido foi demitido o
responsável pelo parecer que induziu a compra desastrada da refinaria
nos Estados Unidos e que relações havia entre o diretor demitido e o que
está preso. Afinal, trata-se da Petrobras, empresa símbolo de nossa
capacidade técnica e empresarial.
ass) Fernando Henrique Cardoso
16 março 2014
Ditadura e Democracia (no Brasil, no Uruguai e na Argentina): ontem e hoje...
Publicado no blog de Reinaldo Azevedo (Veja.com):
A
artista gráfica venezuelana Calavera teve um ideia simples, objetiva,
clara e eficiente: confeccionou cartazes que lembram o que diziam ontem
alguns líderes latino-americanos e o que dizem hoje; o que chamavam, no
passado, de “ditadura” e o que chamam, no presente, de democracia. (...) As estrelas dos cartazes são os presidentes Dilma
Rousseff (Brasil), José “Pepe” Mujica (Uruguai) e Cristina Kirchner
(Argentina). Vejam as imagens:
Supremo Tribunal do PT Federal
J.R. GUZZO: A mágica que fez um crime, julgado como crime, não virar mais crime

Artigo publicado em edição impressa de VEJA
DE DOSE EM DOSE


“Hoje
é possível obter o mesmo resultado, sem a necessidade de usar a tropa –
basta, com um pouco de paciência, ir colocando nas próximas vagas
ministros como Ricardo Lewandowski ou Luís Roberto Barroso, Teori
Zavascki ou José Dias Toffoli. Mas os novos juizes não teriam de
comprovar alto saber jurídico? Que piada” (Fotos: STF)
Artigo publicado em edição impressa de VEJA
DE DOSE EM DOSE

O
tribunal mais alto do país resolve que um crime foi cometido e, passado
algum tempo, decide que esse mesmo crime não é mais crime – coisa
incompreensível, no entendimento comum, quando se leva em conta que o
tal tribunal existe justamente para dar sentenças que não podem mais ser
mudadas.
Mas no Brasil não é assim que funciona, e por via dessa mágica, três
estrelas do mensalão, recém-condenadas pelo Supremo Tribunal Federal por
crime de quadrilha, não cometeram crime de quadrilha.
Nesse meio-tempo, o governo Dilma Rousseff substituiu dois ministros
que acabavam de se aposentar por dois nomes exatamente a seu gosto,
ficou com maioria de 6 a 5 no plenário e o que valia passou a não valer
mais. Desanimado? Talvez não seja o caso; não compensa comprar por 100
um aborrecimento que não vale nem 10.
No fundo, esse último show encenado no picadeiro do STF não quer
dizer lá grande coisa. Problema, mesmo, é a lata de formicida Tatu que o
governo parece interessado em nos servir, em doses bem calculadas, no
futuro aí à frente.
Dirceu & cia. foram absolvidos do crime de quadrilha? Sim, foram –
mas e daí? Continuam condenados por corrupção ativa: não é um
certificado de boa conduta. Sim, o PT festeja – mas festeja o quê? Não
mudou nada no que realmente tem importância: três dos maiores heróis da
Era Lula estão liquidados para a vida política brasileira, pelo menos no
grau de grandeza que julgavam merecer.
Seu futuro morreu. Que diferença faz, então, saber se vão cumprir X
ou Y meses a mais de sua pena, ou onde estão dormindo? Se fosse mantida a
condenação, não iriam ficar muito mais tempo no xadrez, levando em
conta que todos os criminosos brasileiros, por mais selvagens que sejam,
têm direito a cumprir só um sexto da pena – mesmo gente como o casal de
São Paulo que matou a própria filha de 5 anos, jogada do alto do seu
prédio.
De mais a mais, daqui a pouco todos eles começarão a ficar velhos, o
que é castigo suficiente para qualquer ser humano. A velhice, como é bem
sabido, não inspira muita pena, nem simpatia – e, uma vez que se entra
nela, não é possível voltar.
O verdadeiro perigo armado contra o Brasil se chama Supremo Tribunal
Federal, e o perverso sistema pelo qual os seus membros são nomeados.
Para simplificar: o STF deixou de ser uma corte de justiça. Hoje é um
amontoado de onze cidadãos dividido em grupinhos, cabalas e intrigas,
com um partido pró-governo e outro que se junta ou separa ao sabor das
circunstâncias.
Há gangues inimigas – onde, justamente, deveria haver esforço comum
para a prestação de justiça. Suas Excelências têm, é certo, a soma
daqueles pequenos talentos que servem de combustível para subir na vida,
mas é só o que têm. O senso moral desapareceu na atuação dos juízes.
Como pode funcionar um tribunal supremo onde o fator que determina as
decisões não é a lei, mas o ódio individual entre ministros e a
obediência a doutrinas políticas? A situação já estaria suficientemente
ruim se ficasse assim como está. Mas pode ficar pior ainda, dependendo
do sucesso que tiverem no futuro próximo as forças que têm o sonho de
rebaixar o STF à condição de repartição pública, ocupada por
despachantes encarregados de executar ordens do governo.
Durante toda a vigência do Ato Institucional Nº5, a ditadura militar
garantiu o controle sobre o STF através das “aposentadorias
compulsórias” dos ministros que não obedeciam a suas ordens. Para que o
trabalho de fechar o Supremo, se ele podia ser controlado pela força
armada?
- Hoje é possível obter o mesmo resultado, sem a necessidade de usar a
tropa – basta, com um pouco de paciência, ir colocando nas próximas
vagas ministros como Ricardo Lewandowski ou Luís Roberto Barroso, Teori
Zavascki ou José Dias Toffoli. Mas os novos juizes não teriam de
comprovar alto saber jurídico? Que piada.
Toffoli, advogado do PT, foi nomeado ministro do STF depois de levar
bomba em dois concursos para juiz de direito – provavelmente, um caso
único no sistema Judiciário mundial. Os demais, com ligeiras diferenças
que não alteram o produto, são nulidades.
Quando se aceita, como hoje, a ideia de que não é preciso ter
princípios nem valores morais na atividade de governar, tudo começa a
valer – e o resultado desse vale-tudo são aberrações como a “democracia
da Venezuela”, que tanto encanta Lula, Dilma e o PT.
Destruir o Supremo é destruir a pátria. País sem Supremo é país sem
lei, e país sem lei não é mais nada – apenas um ajuntamento de gente
submetida à vontade do mais forte.
15 março 2014
Dilma degrada a diplomacia_Editorial do Estadão (13.03.14)
A presidente Dilma Rousseff definitivamente rebaixou o Brasil à
condição de cúmplice de regimes autoritários na América Latina. Não
bastasse a reverência (e o vasto financiamento) à ditadura cubana, Dilma
agora manobra para que os atos criminosos do governo de Nicolás Maduro
contra seus opositores na Venezuela ganhem verniz de legitimidade
política.
Em vez de honrar as tradições do Itamaraty e cobrar do regime
chavista respeito aos direitos humanos e às instituições democráticas, a
presidente desidratou a única iniciativa capaz de denunciar, em um
importante fórum internacional, a sangrenta repressão na Venezuela, que
já matou duas dezenas de pessoas. Mandou o representante do Brasil na
Organização dos Estados Americanos (OEA) votar contra o envio de uma
missão de observadores à Venezuela e impediu que a entidade reunisse
seus chanceleres para discutir a crise.
Como todos os líderes populistas da região, Dilma considera que a OEA
é quintal dos Estados Unidos. O falecido caudilho Hugo Chávez costumava
referir-se à organização como "instrumento do imperialismo", entre
outros nomes menos simpáticos. Para o governo petista, contaminado pelos
ares bolivarianos, uma decisão da OEA sobre a Venezuela poderia ser
considerada inoportuna e com potencial para acirrar as tensões. Assim, a
título de não melindrar Maduro, premiam-se a brutalidade e a
indisposição para o verdadeiro diálogo democrático.
Manietada pelo Brasil e por seus parceiros bolivarianos, a OEA
limitou-se a emitir uma nota cuja anodinia mal disfarça a tentação de
apoiar Maduro. O comunicado manifesta "solidariedade" ao presidente e dá
"pleno respaldo (...) às iniciativas e aos esforços do governo
democraticamente eleito da Venezuela" no "processo de diálogo nacional" -
como se fosse autêntica a pantomima a que os chavistas chamam de
"Conferência de Paz". Estados Unidos, Canadá e Panamá votaram contra
essa nota, pela razão óbvia de ela não refletir os compromissos da OEA
com a democracia e os direitos humanos.
O passo seguinte da manobra, este ainda mais escandaloso, foi
convocar uma reunião de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas
(Unasul) para acertar o envio de um grupo de "mediadores" para a
Venezuela. A Unasul, como se sabe, é instrumento dos governos
bolivarianos - desimportante, ela hoje só existe para dar reconhecimento
a governos claramente antidemocráticos, em nome de uma certa
"integração latino-americana".
Assim, os tais "mediadores" da Unasul não farão nada além do que
deles se espera, isto é, fazer vista grossa às ações violentas de
Maduro. Ao anunciar a iniciativa, Dilma explicou, em seu linguajar
peculiar, que a ideia é "fazer a interlocução pela construção de um
ambiente de acordo, consenso, estabilidade, lá na Venezuela". Ora, que
"diálogo" é possível quando não se pretende exercer a necessária pressão
diplomática sobre Maduro, que reprime manifestantes usando gangues
criminosas e encarcera dissidentes sem o devido processo legal?
Portanto, a constituição de uma comissão na Unasul para a Venezuela
tem o único objetivo de deixar Maduro à vontade, sem ser constrangido a
recuar e a ouvir as reivindicações da oposição - que basicamente
protesta contra a destruição da Venezuela pelo "socialismo do século
21".
Percebendo o truque, os oposicionistas venezuelanos trataram de
enviar uma carta à Unasul em que pedem aos países-membros que observem
os acontecimentos no país "com objetividade" e que a entidade "não seja
usada como um instrumento de propaganda". Mas é justamente disso que se
trata: se tudo ocorrer conforme o script bolivariano, a Unasul vai
respaldar o governo Maduro, revestindo-o de legitimidade - o que, por
conseguinte, transforma a oposição em golpista.
Ao tratar de forma leviana este grave momento, em respeito a
interesses que nada têm a ver com a preservação da ordem democrática na
região, o Brasil torna-se corresponsável pela consolidação de um regime
delinquente.
14 março 2014
Comerciantes da CNC se estressam com o lulopetismo
Publicado no blog de Ricardo Setti (Veja.com):
Entidade geralmente moderada, Confederação Nacional do Comércio faz pesadas críticas à política econômica do governo Dilma

Entidade geralmente moderada, Confederação Nacional do Comércio faz pesadas críticas à política econômica do governo Dilma

Reunião
da em geral moderada Confederação Nacional do Comércio: subindo o tom
para criticar a política econômica do governo (Foto: CNC)
Críticas ao “Estado leviatã, burocrático e opressivo”, com “baixa
eficiência na gestão administrativa”, à sua “excessiva dimensão”, com
“inúmeras superposições administrativas distribuídas por 39 ministérios,
78 autarquias, inúmeros conselhos e fundações”, aos “danos causados”
pela gestão do governo à Petrobras e à Eletrobrás e à excessiva carga
tributária foram o resultado da reunião de hoje, no Rio, da normalmente
moderada diretoria da Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo (CNC).
Nota publicada no site da entidade manifestou “grande preocupação com
o atual cenário da economia brasileira e sua evolução a curto e médio
prazos”.
O veterano presidente da CNC, Antonio Oliveira Santos, há 33 anos no
comando da entidade e flexível o suficiente para manter bons
relacionamentos com sucessivos governos de diferentes orientações, desta
vez subiu o tom, lamentando o baixo crescimento da economia somado aos
desequilíbrios em alguns setores — citou o permanente déficit fiscal e
crescimento da dívida pública — e queixando-se da inflação, da
estagnação industrial, da deficiente infraestrutura dos transportes e do
desequilíbrio do balanço de pagamentos.
Tudo isso, afirmou, exige correções de rumo na administração pública, sob pena de prejuízos ainda maiores para o país.
– A nosso ver, todo esse conjunto de entraves resulta, basicamente,
da excessiva dimensão a que chegou o Estado brasileiro, com inúmeras
superposições administrativas distribuídas por 39 Ministérios, 78
autarquias, inúmeros conselhos e fundações — disse Santos. — Esse Estado
leviatã, burocrático e opressivo, de baixa eficiência na gestão
administrativa, representa, hoje, cerca de 40% do PIB nacional,
absorvendo e comprometendo significativa parcela da poupança privada que
deveria financiar os investimentos mais essenciais.
A nota oficial sobre a reunião salienta, a certa altura, que “na
avaliação da Confederação, a excessiva carga tributária e a crescente
burocracia oficial, assim como os desvios da administração pública na
utilização e gestão dos recursos fiscais, acarretam a perda de dinamismo
da economia nacional e promovem o agravamento das pressões
inflacionárias”.
Quanto às duas maiores empresas nacionais, a Petrobras e a
Eletrobras, “estão sendo sacrificadas em sua situação financeira e
patrimonial, em função da política de combate à inflação”, disse Santos,
lembrando o fato de que, em menos de dois anos, a Petrobras perdeu 43%
de seu valor patrimonial e a Eletrobras 70%, em detrimento dos
acionistas minoritários. “É fundamental restabelecer o sistema de preços
que fornece sinais que levam à melhor alocação dos fatores de produção e
reforçam a democracia”.
O presidente da CNC pediu que o governo reveja suas posturas, “a
começar pela redução da excessiva carga tributária e da sufocante
burocracia oficial, além do restabelecimento do clima de confiança do
setor empresarial, fundado nos princípios de segurança jurídica que
devem presidir a maior liberdade de funcionamento do mercado”.
12 março 2014
O melhor resumo do julgamento do mensalão
‘O PT ganhou no tapetão’, um artigo de Marco Antonio Villa
Publicado no Blog do Marco Antonio Villa
Publicado no Blog do Marco Antonio Villa
O julgamento do mensalão reforçou os
defeitos do Poder Judiciário. A lentidão para apreciar as ações, a
linguagem embolada e oca de juízes, promotores e advogados, o
burocratismo e a leniência quando crimes são cometidos por poderosos.
O Supremo Tribunal Federal, ao longo da história republicana, em
diversos momentos foi subserviente frente ao Poder Executivo, ignorou a
Constituição e as leis — por mais incrível que isto pareça. Mas rasgar
uma decisão produto de um processo que se estende desde 2007 — quando a
denúncia foi aceita — isto nunca ocorreu. A revisão da condenação por
formação de quadrilha da liderança petista foi o ato mais vergonhoso da
história do STF desde a redemocratização.
Até 2012, o governo federal deu pouca importância à Ação Penal 470.
Mesmo a nomeação dos novos ministros foi feita sem dar muita atenção a
um possível julgamento. Um deles, inclusive, foi indicado simplesmente
para agradar ao então todo poderoso governador Sérgio Cabral.
Afinal, o processo vinha se arrastando desde agosto de 2007. Muitos
esperavam que sequer entraria na pauta do STF e que as possíveis penas
estariam prescritas quando do julgamento. Porém, graças ao árduo
trabalho do ministro Joaquim Barbosa e do Ministério Público, a
instrução do processo foi concluída em 2011.
O presidente Ayres Brito, de acordo com o regimento da Corte,
encaminhou então o processo para o exame do revisor. Esperava-se que
seria questão meramente burocrática, como de hábito. Ledo engano. O
ministro Ricardo Lewandowski segurou o processo com a firmeza de um
Gilmar dos Santos Neves. E só “soltou” o processo — seis meses depois —
por determinação expressa de Ayres Brito.
O calendário do julgamento foi aprovado em junho de 2012.
Registre-se: sem a presença de Lewandowski. Dois meses antes, o ministro
Gilmar Mendes repeliu (e denunciou publicamente) uma tentativa de
chantagem do ex-presidente Lula, que tentou vinculá-lo ao “empresário”
Carlinhos Cachoeira.
Em agosto, finalmente, começou o julgamento. Diziam à época que as
brilhantes defesas levariam ao encerramento do processo com a absolvição
dos principais réus. Os advogados mais caros foram aqueles que pior
desempenharam seus papéis. O Midas da advocacia brasileira foi o Pacheco
do julgamento, sequer conseguiu ocupar os 60 minutos regulamentares
para defender seu cliente.
Os inimigos da democracia perderam novamente. Foram sentenciados 25
réus — inclusive a liderança petista. Desde então, as atenções ficaram
voltadas para tentar — por todos os meios — alterar o resultado do
julgamento. A estratégia incluiu a nomeação de ministros que,
seguramente, votariam pela absolvição do crime de formação de quadrilha.
Mas faltava rasgar a Lei 8.038, que não permitia nenhum tipo de
recurso para uma ação penal originária, como foi o processo do mensalão.
E o PT conseguiu que o plenário — já com uma nova composição —
aceitasse os recursos. A partir daí o resultado era esperado
Derrubada a condenação por formação de quadrilha, o processo no seu
conjunto ficou absolutamente incompreensível. Como explicar — para só
falar dos sentenciados — que 25 pessoas de diversos estados da
federação, exercendo distintas atividades profissionais e de posições
sociais díspares, tenham participado de toda a trama? Foi por mero
acaso? Banqueiros, donos de agências de publicidade, políticos de
expressão, ministro, sindicalistas, funcionários partidários e meros
empregados com funções subalternas não formaram uma quadrilha para
através do desvio de dinheiro público comprar uma maioria na Câmara dos
Deputados? E as dezenas de reuniões entre os sentenciados? E as
condenações por peculato, corrupção ativa e passiva? E os crimes de
gestão fraudulenta e evasão de divisas?
Parodiando um ministro do STF, o processo do mensalão não fecha.
Neste caso, é melhor derrubar as condenações (claro que, seguindo a
tradição brasileira, somente dos poderosos, excluindo as funcionárias da
SM&P) e considerar tudo como um mal-entendido.
Deve ser registrado que toda esta sórdida manobra não encontrou
resposta devida do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Nas
últimas sessões estava macambúzio. Pouco falou. E, quando teve a
oportunidade de expor as teses do Ministério Público, deu a impressão
que o fez com enfado, como uma pesada obrigação. A única semelhança com a
enérgica atuação do procurador Roberto Gurgel foi o uso dos óculos.
O PT ganhou no tapetão, para usar uma metáfora ao gosto do réu oculto
do mensalão, o ex-presidente Lula. Para os padrões da Justiça
brasileira, o resultado pode até ser considerado uma vitória. Afinal,
mesmo que por um brevíssimo período, poderosos políticos estão presos.
Mas fica um gosto amargo.
A virada de mesa reforça a sensação de impunidade, estimula o crime e
a violência em toda a sociedade. O pior é que a decisão foi da
instância máxima do Judiciário, aquela que deveria dar o exemplo na
aplicação da justiça.
Mas, se a atual composição do STF não passa de uma correia de
transmissão do Executivo Federal, a coisa vai ficar ainda pior. Os
ministros que incomodam a claque petista — por manterem a independência e
julgarem segundo os autos do processo — estão de saída. Dois deles, nos
próximos meses, devem se aposentar. Aí teremos uma Corte que não vai
criar mais nenhum transtorno aos marginais do poder. Não fará justiça.
Mas isto é apenas um detalhe. O que importa é transformar o STF em um
simples puxadinho do Palácio do Planalto. Afinal, vai ficar tudo
dominado.
08 março 2014
Vídeo-denúncia inclui Dilma como cúmplice do que ocorre na Venezuela
Este vídeo abaixo está correndo o mundo. Nele a presidente Dilma aparece como estando sendo conivente com o que acontece na Venezuela.
Ela não apenas está sendo conivente, mas também é uma apoiadora do governo Maduro, herdeiro do "Bolívar-de-hospício" Hugo Chaves. Vejam o vídeo, que é minha pequena contribuição para divulgar e denunciar o "bolivarianismo" delinquente do governo venezuelano:
04 março 2014
A marchinha de carnaval do Celso-Henrique Pizzolato
Ouça no link abaixo a marchinha de carnaval do Celso-Henrique Pizzolato:
https://soundcloud.com/guca-domenico/eu-sou-o-celso
E aí? Gostou?
...E assim a gente se vinga deles...
https://soundcloud.com/guca-domenico/eu-sou-o-celso
E aí? Gostou?
...E assim a gente se vinga deles...
Assinar:
Comentários (Atom)






