No Brasil, onde faltam a cólera e a ira santas, quem, senão elas, hão de expulsar do Templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Ou exterminarão da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Ou banirão da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão elas, a varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão públicos? Quem, senão elas, a precipitar do governo o negocismo, a prostituição política e a tirania? (Rui Barbosa)
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17 julho 2014
15 julho 2014
Voto eletrônico no Brasil não é confiável
Eu sempre desconfiei dessas urnas. Leiam o que foi publicado no blog de Ricardo Setti (Veja.com):
ATENÇÃO, ISTO É MUITO IMPORTANTE: Entre todos os países que adotaram o voto eletrônico, o Brasil é o único que ainda utiliza urnas que podem ser manipuladas
ATENÇÃO, ISTO É MUITO IMPORTANTE: Entre todos os países que adotaram o voto eletrônico, o Brasil é o único que ainda utiliza urnas que podem ser manipuladas

Urnas eletrônicas com tecnologia ultrapassada são utilizadas apenas no Brasil (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
AS URNAS BRASILEIRAS ESTÃO ULTRAPASSADAS
Texto de Walter Del Picchia, professor aposentado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e participante do Fórum do Voto Eletrônico
Um estudo publicado no site do voto eletrônico
pelo engenheiro Amilcar Brunazo Filho, coordenador do Fórum do voto
eletrônico e um dos maiores especialistas em segurança de dados,
demonstra cabalmente que nossas urnas eletrônicas, endeusadas como a
oitava maravilha do mundo, na realidade estão tecnicamente ultrapassadas
pelas utilizadas nos dez países onde se realizam eleições
informatizadas (Modelos e Gerações das máquinas de votar –
Janeiro/2014).
Ele descreve os três modelos conhecidos (DRE, VVPAT e E2E),
denominando-os como de Primeira, Segunda e Terceira gerações. Estas
denominações traduzem o fato de que os três modelos surgiram como
evolução, um após o outro, para resolver algum problema do modelo
anterior.
Em todo o mundo onde se usa voto eletrônico, excluindo-se o Brasil,
modelos de 1ª geração já foram abandonados, devido à sua inerente falta
de confiabilidade e absoluta dependência do software (ou seja,
modificações intencionais ou erros não detectados no software poderiam
causar erros não detectados nos resultados da votação).
A 1ª Geração – DRE
Nas urnas de 1ª geração, conhecidas por DRE (Direct Recording Electronic voting machine —
máquina de gravação eletrônica direta do voto), os votos são gravados
apenas eletronicamente, não oferecendo possibilidade de auditoria por
outros meios. Deste modo, a confiabilidade do resultado publicado fica
totalmente dependente da confiabilidade do software instalado no
equipamento.
Máquinas DRE foram usadas em eleições oficiais em 1991 na Holanda, em
1992 na Índia e desde 1996 no Brasil. O modelo brasileiro chegou também
a ser usado em alguns países latino americanos entre 2002 a 2006.
A falta de confiabilidade do modelo DRE (utilizado no Brasil) fez com
que, a partir de 2004, este modelo fosse substituído por outros mais
evoluídos e confiáveis. De 2004 a 2012, a Venezuela, a Holanda, a
Alemanha, os Estados Unidos, o Canadá, a Rússia, a Bélgica, a Argentina,
o México e o Paraguai abandonaram o modelo DRE de 1ª Geração.
Em 2014, a Índia e o Equador adotarem modelos mais avançados, de
maneira que restou apenas o Brasil ainda usando o modelo DRE de 1ª
Geração em todo o mundo.
A 2ª Geração – IVVR ou VVPAT
A 2ª Geração foi proposta formalmente em 2000 (tese de doutorado da
Ph.D Rebecca Mercury, disponível na internet). Na tese, foi proposta a
possibilidade de auditoria contábil da apuração por meio de uma segunda
via de registro do voto, além do registro eletrônico usual.
Este novo registro deveria ser gravado em meio independente que não
pudesse ser modificado pelo equipamento de votação e deveria poder ser
visto e conferido pelo eleitor antes de completar sua votação. Ela
propôs o nome “Voter Verifiable Paper Audit Trail” (Documento de Auditoria em Papel Conferível pelo Eleitor), ou VVPAT.

Uma urna VVPAT — que produz “voto impresso conferível pelo eleitor” — fabricada na Espanha desde 2006 (Foto: brunazo.eng.br)
Posteriormente, a literatura técnica adotou também o nome “Independent Voter Verifiable Record”
(Registro Independente Conferível pelo Eleitor), ou IVVR. No Brasil é
comum ser chamado de “Voto Impresso Conferível pelo Eleitor”, ou VICE.
A principal característica de equipamentos com VVPAT (IVVR ou VICE) é
que passam a ser independentes do software. O Registro Digital dos
Votos (RDV) e a sua apuração eletrônica podem, neste caso, ser
conferidos por ações contábeis de auditoria, independentes do
desenvolvedor do software e do administrador do sistema.
Assim, em 2006, desenvolveu-se o Princípio da Independência do
Software em Sistemas Eleitorais que, aos poucos, passou a ser exigido em
todos os países que usam voto eletrônico, fora o Brasil. Ele diz: Um
sistema eleitoral é independente do software se uma modificação ou erro
não-detectado no seu software não pode causar uma modificação ou erro
indetectável no resultado da apuração ou na inviolabilidade do voto.
No Brasil, em 2002, houve um teste com urnas com VICE, de 2ª Geração,
o qual resultou em fracasso, decorrente da falta de planejamento e
condução da experiência. Em seguida, em 2004, a Venezuela implantou
equipamentos de 2ª Geração com VICE, com todo sucesso, demonstrando que a
proposta é perfeitamente viável, ao contrário do que afirma o TSE no
Brasil.
A partir de 2006, equipamentos de 2ª Geração, com voto impresso ou
escaneado, passaram a substituir os equipamentos de 1ª Geração em todos
os países.
A 3ª Geração – E2E
A partir de 2008, várias iniciativas começam a apresentar sistemas
eleitorais independentes do software, que aprimoravam e/ou facilitavam
os procedimentos de auditoria, tanto do registro do voto como de sua
apuração e totalização.
Na Argentina (2010) foi apresentada uma cédula eleitoral com um chip
de radio-frequência (RFID) embutido, onde, num só documento, estão
presentes o registro digital e o registro impresso do voto. Esse
documento é chamado de “Boleta de Voto Electrónico” (BVE) e
propicia muita facilidade para os eleitores e para os fiscais de partido
poderem conferir o registro do voto, a apuração e a transmissão dos
resultados.
O sistema argentino está descrito no 2º Relatório CMind (ver no site do voto eletrônico), com várias tabelas comparativas do desempenho desse sistema de 3ª Geração em relação ao sistema brasileiro de 1ª Geração.

Urna
com o sistema Scantegrity II: independência do software e facilidade de
auditoria independente em todo o processo (Foto: brunazo.eng.br)
Em 2009, no município de Tacoma Park, nos EUA, foi testado o sistema
Scantegrity II, onde o voto criptografado é impresso e entregue ao
eleitor, que poderá verificar posteriormente o seu processamento, sem,
no entanto, conseguir revelar o conteúdo do seu voto. Logo em seguida,
em Israel, foi apresentado o Wombat, muito parecido ao Scantegrity.
As características comuns de todos esses sistemas de 3ª geração são a
independência do software e a grande facilidade de auditoria
independente, de ponta a ponta. Por esse motivo, os sistemas de 3ª
geração são designados “End-to-End verifiability” ou, E2E.
No site do voto eletrônico,
em sua página de abertura, está o link para o estudo aqui resumido. Nele
há um mapa com a distribuição dos modelos usados no mundo. Estão
divididos em:
— País que ainda usa sistema DRE de 1ª Geração (dependente do software): Brasil
— Países que testaram e abandonaram sistemas de 1ª Geração por falta
de transparência ou falta de confiabilidade e, no momento, não estão
usando votação eletrônica: Alemanha, Holanda, Irlanda, Inglaterra,
Paraguai
— Países que abandonaram sistemas de 1ª Geração e passaram a usar
sistemas VVPAT de 2ª Geração (independentes do software): Bélgica,
Russia, Índia, EUA, Canadá, México, Venezuela, Peru, Equador, Argentina
— Países que adotaram ou estão testando sistemas E2E de 3ª
Geração (independentes do software, com auditoria facilitada): EUA,
Israel, Equador, Argentina
Na Página Principal do site do voto eletrônico encontra-se a Cartilha
Básica do voto-e no Brasil, que resume críticas e propostas para as
eleições informatizadas brasileiras.
‘Montoro, pedagogo da política’, de Marco Antonio Villa
Este é um texto que não pode ficar restrito, sem ampla difusão. Dou aqui minha contribuição para isso. Republico o que vai nas páginas do Estadão e no blog de Augusto Nunes, de autoria do professor Marco Antonio Villa:
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Publicado no Estadão desta terça-feira
MARCO ANTONIO VILLA
MARCO ANTONIO VILLA
Amanhã, dia 16 de julho, completam-se 15 anos do falecimento de André
Franco Montoro. Ele percorreu um caminho raro entre os políticos
brasileiros: foi vereador, deputado estadual, deputado federal, senador,
governador e ministro de Estado. Contudo nunca afastou o exercício da
função pública da elaboração de ideias que tivessem aplicação prática na
vida das pessoas. O fortalecimento da sociedade civil sempre foi uma
preocupação central da sua ação, isso num país onde o papel do Estado
foi superdimensionado, tanto pela direita como pela esquerda.
Montoro teve na democracia cristã do pós-guerra a sua matriz
ideológica. E com base nesse pensamento agiu como um pedagogo da
política, escrevendo, debatendo e formando militantes. Por onde passou
foi deixando a sua marca. Nos dez meses em que esteve à frente do
Ministério do Trabalho, durante o Gabinete Tancredo Neves, foi pioneiro
no incentivo à sindicalização rural – tema, à época, explosivo – e criou
o salário-família.
Na Câmara dos Deputados destacou-se na defesa dos trabalhadores e da
democracia. Tanto que, após a extinção dos partidos políticos, em 1965,
foi um dos primeiros a organizar o MDB. Cinco anos depois foi eleito
senador, numa eleição marcada pelo medo, no auge do regime militar.
Nos anos de vida parlamentar foi um incansável propagador da
integração econômica e cultural com a América Latina. De início foi voz
solitária. Poucos se interessavam. Mas a pregação foi ganhando adeptos
até ser incorporada à Constituição de 1988.
Assumiu o governo de São Paulo em março de 1983. O País estava em
recessão – o produto interno bruto (PIB) caiu 2,9% – e com uma inflação
anual de 211%. A economia estadual passava por uma profunda crise. O
número de desempregados não parava de aumentar. E as finanças estaduais
estavam em petição de miséria após o trágico quadriênio Maluf-Marin.
Organizou um secretariado de nível ministerial. Teve entre seus
principais colaboradores (incluindo os bancos e empresas estatais
paulistas) José Serra, João Sayad, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Almino
Affonso, Miguel Reale Júnior, Almir Pazzianotto, José Gregori, Paulo
Renato e Paulo de Tarso, entre outros. Nomeou para a Prefeitura de São
Paulo Mário Covas. Entendeu que na administração pública deviam ser
escolhidos os melhores. E que o governador não devia temer a competência
dos seus auxiliares, muito pelo contrário.
Pôs em prática os princípios defendidos desde os anos 1950. Fez da
descentralização um dos carros-chefes do governo. Insistiu na tese de
que o município é a base da democracia, da boa gestão e onde o cidadão
vive. Fez o saneamento financeiro zerando o déficit orçamentário graças à
austeridade nos gastos. Diversamente do governo anterior, deu à ética
um papel central.
Relacionou-se com a Assembleia Legislativa de forma republicana.
Acentuou a necessidade da participação do cidadão nos negócios públicos.
E foi o primeiro governador a ter preocupação (e ação) com o meio
ambiente – basta recordar o tombamento da Jureia, onde Paulo Maluf
queria construir duas usinas nucleares.
Conviveu com diversos movimentos grevistas. Reivindicações contidas à
força pelos governos anteriores acabaram eclodindo. Soube buscar
soluções harmoniosas em meio à tensão política. No tristemente célebre
episódio da derrubada das grades do Palácio dos Bandeirantes agiu com
moderação. Sabia que estavam em jogo a abertura democrática e o
exercício da autoridade. Era uma provocação arquitetada pelos
extremismos à direita e à esquerda. Tomou as decisões necessárias e saiu
engrandecido.
A campanha das diretas teve início – efetivamente – no dia 25 de
janeiro de 1984, no comício da Praça da Sé. Foi um ato de ousadia e
coragem política. Poucos acreditaram no sucesso do comício. E a
participação de 300 mil pessoas demonstrou a correta análise de
conjuntura do governador Montoro. A partir daí, a campanha deslanchou.
Foram realizados dezenas de atos por todo o Brasil. E em São Paulo, em
16 de abril, foi encerrada com o maior comício da História do Brasil.
A derrota da Emenda Dante de Oliveira não desanimou o governador.
Tornava-se indispensável a união da oposição. Passou a articular uma
frente de governadores. Era natural que fosse o candidato oposicionista
no Colégio Eleitoral. Afinal, o PMDB de São Paulo tinha a maior bancada
na Câmara dos Deputados, o presidente nacional do partido era paulista,
governava o mais importante Estado da Federação e tinha sido eleito com
mais que o dobro de votos do segundo colocado.
O interesse do País, porém, estava acima de qualquer veleidade
pessoal. Montoro identificou no governador de Minas Gerais, Tancredo
Neves, o nome ideal para unir a oposição e dividir o PDS, estimulando o
surgimento de uma dissidência, essencial para obter a maioria no Colégio
Eleitoral. E foi no Palácio dos Bandeirantes que Tancredo foi lançado
candidato do PMDB à Presidência da República. Não deve ser esquecido que
naquele momento, agosto de 1984, a sorte da sucessão presidencial não
estava decidida. O País corria o sério risco de ter Paulo Maluf como
presidente da República por seis anos e com poderes arbitrários
garantidos pela desastrosa Emenda Constitucional n.º 1 de 1969.
Desiludido com os rumos do PMDB, foi fundador do PSDB, em 1988. Criou
o símbolo do partido: o tucano. Foi um defensor do parlamentarismo.
Mesmo adoentado continuou entusiasmado pela política. Morreu quando
estava a caminho de um seminário no México.
O esquecimento de Franco Montoro é um ato perverso. Perverso para a
jovem democracia brasileira, tão carente de exemplos que dignifiquem o
compromisso com o interesse público. Perverso porque vivemos um momento
em que abundam políticos profissionais e são cada vez mais raros os
homens públicos.
14 julho 2014
Nas Páginas AMARELAS de Veja: O Brasil deve esquecer o Mercosul, deixar a Argentina de lado e fazer, sozinho, um acordo de livre comércio com a União Europeia
O BRASIL DEVE SEGUIR SOZINHO
O economista e ex-diretor da área internacional da Fiesp diz que é hora de deixar a enrolada e endividada Argentina de lado e fazer um acordo de livre-comércio com a União Europeia
Entrevista a Duda Teixeira publicada em edição impressa de VEJA
O economista e ex-diretor da área internacional da Fiesp diz que é hora de deixar a enrolada e endividada Argentina de lado e fazer um acordo de livre-comércio com a União Europeia
Entrevista a Duda Teixeira publicada em edição impressa de VEJA
Por nove anos, o economista Roberto Giannetti da Fonseca foi diretor
de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entidade que representa 41%
do setor industrial nacional. Até o ano passado, quando deixou o cargo,
trabalhou dentro dessa instituição para que o Brasil se abrisse para o
mercado internacional.
Aos 64 anos, ele agora se dedica a sua consultoria econômica, a
Kaduna. “Por causa da decisão de priorizar o Mercosul, o Brasil ficou
muito dependente das exportações para a Argentina”, diz o economista.
Para Giannetti, com o país vizinho à beira de um novo calote na dívida
externa, fica claro quanto o Brasil se arrisca em não reduzir essa
dependência.
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A Argentina tem até o fim deste mês para pagar uma dívida com credores estrangeiros. Qual é o risco de o país dar o calote?
É bastante alto. A Argentina caiu em uma armadilha jurídica. No
contrato de reestruturação da dívida, feito alguns anos atrás, há uma
cláusula muito importante. Ela determina que os credores que aceitaram
receber o valor da dívida com desconto devem ter um tratamento igual ao
dos demais credores.
A questão é que uma parte menor dos credores, que ficou com 8% do
montante, obteve na Justiça americana o direito de receber os títulos
pelo seu valor de face, ou seja, 100%. Se os outros, que aceitaram
receber menos, agora também entrarem na Justiça, a Argentina terá de
pagar o valor integral. Isso representaria uma dívida total de 100
bilhões de dólares, muito mais do que os 28 bilhões de dólares de
reserva internacional que o país tem.
O que pode ser feito, então?
A única saída é negociar com aqueles que aceitaram o desconto e
tentar retirar a cláusula. Ao mesmo tempo, é necessário convencer os
outros fundos, chamados de abutres, a aceitar o valor de face, mas em um
prazo mais longo.
O que aconteceria se a Argentina desse o calote?
Se o calote for inevitável, os argentinos estarão diante de uma crise
da maior gravidade. Eles ficarão isolados do resto do mundo. Será uma
situação caótica. Qualquer propriedade do Estado argentino no exterior –
imóveis, navios e contas bancárias – poderá ser penhorada para pagar
aos fundos abutres.
A comunidade internacional, porém, se esforçará para evitar esse
cenário. Deve haver uma nova renegociação, com a ajuda do FMI (Fundo
Monetário Internacional) e de outras instituições. Para isso, a
Argentina tem de se sentar à mesa sem arrogância, com humildade.
A palavra “abutre” não é exagerada?
Pode ser, mas a analogia não deixa de fazer sentido. Esses fundos
compram títulos de dívida de países ou empresas em dificuldades por uma
fração da cifra original. Depois, entram na Justiça e tentam ganhar o
valor integral do devedor, arrancando o seu fígado. Pode-se não gostar
deles, mas a realidade é que não há nada de novo nisso. Fundos mais
agressivos existem em qualquer mercado.
O erro por parte da gestão dos presidentes Néstor e Cristina
Kirchner foi acreditar que eles não seriam um problema no futuro. Houve
um certo descaso. O governo argentino deveria ter negociado antes com
os administradores desses fundos e minimizado as dificuldades. Era algo
que podia ter sido evitado.
Qual seria a consequência, para o Brasil, de um calote argentino?
As consequências não seriam financeiras, já que os investidores sabem
muito bem diferenciar um país do outro. Os efeitos negativos ocorreriam
mais no âmbito comercial. O mercado interno argentino está em franco
declínio e é o destino de mais de 20% das nossas exportações de
manufaturados, como peças de automóveis, sapatos e eletrodomésticos.
Sem reservas em dólar, ou seja, se der o calote, a Argentina não terá
como pagar esses bens. O volume do nosso comércio com a Argentina então
cairia bastante. A perda em exportação de manufaturados pode chegar a 5
bilhões de dólares por ano.
No mês passado, o Brasil alterou o acordo automotivo com a
Argentina. Antes, podíamos exportar sem imposto 1,95 dólar em carros e
peças para cada dólar importado. Agora, ficou em 1,5 dólar para cada
dólar importado. Ou seja, ficou mais caro exportar. Foi uma decisão
acertada?
Qualquer acordo é melhor do que nada. Mas, se a crise chegar, nem
essa ajuda terá efeito. Eles não terão como pagar o que importam de
qualquer jeito.
Dar ênfase demais ao comércio com a Argentina foi um erro?
Certamente. Preso ao Mercosul, o Brasil deixou de assinar acordos de
livre-comércio com outros países. Exportar 20% dos manufaturados para um
país instável como o dos nossos vizinhos é muito arriscado. Se nossa
economia fosse mais aberta, estaríamos exportando esse valor para países
como Japão, Estados Unidos, Canadá ou para a Europa.
O Mercosul negocia um tratado de livre-comércio com a União
Europeia há catorze anos, mas a Argentina sempre atrapalha as conversas.
Qual é a probabilidade de esse país embolar o jogo novamente?
Os argentinos sempre surpreendem na última hora. Deixam a negociação
seguir para avaliar até onde o Brasil é capaz de chegar. Então, quando
tudo está bem adiantado, dizem que não aceitam o que foi colocado na
mesa. Em 2004, o Brasil chegou muito perto de fechar com a União
Europeia, mas aí houve o boicote da indústria argentina, que reclamou do
risco de ter tarifas reduzidas em relação aos concorrentes europeus.
Houve uma sabotagem em um momento decisivo.
Foi uma pena porque, enquanto o Mercosul fracassou, o México já havia
feito um acordo com a União Europeia quatro anos antes. O Chile
concluiu o seu em 2003. O tratado com a Colômbia e o Peru entrou em
vigor no ano passado. O elevado desempenho da economia desses países
atualmente é resultado direto desses tratados. O Mercosul, contudo, foi
na contramão e preferiu ficar isolado.
Pelas regras do Mercosul, o bloco só pode decidir por consenso. O Brasil está de mãos amarradas, ou há alternativas?
Os negociadores brasileiros deveriam ter assinado o acordo com a
União Europeia sem a Argentina, dando cinco anos para os nossos vizinhos
se adaptarem à nova situação.
Para fazer isso, há uma saída técnica. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário
11 julho 2014
08 julho 2014
01 julho 2014
MORDERAM DILMA, por Ricardo Noblat

Dilma na posse do novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)
Na última sexta-feira, em Salvador, ao participar da convenção que
lançou o candidato do PT ao governo do Estado, Lula afirmou que a
política vive um momento de descrédito e que é preciso moralizá-la.
E completou: “Aos olhos do povo parece uma coisa vergonhosa”.
E não é?
Ora, Lula e o PT, mas não somente eles, contribuem para que boa parcela dos brasileiros sinta nojo da política e dos políticos.
Um dia antes, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff havia dado posse a Paulo Sérgio Passos, o novo ministro dos Transportes.
Ministro costuma ser empossado em uma das amplas salas do segundo
andar do Palácio do Planalto. As cadeiras, ali, jamais são suficientes
para o número pessoas interessadas em prestigiar o novo ministro.
Pois a cerimônia ocorreu numa sala menor do terceiro andar. Durou
menos de 20 minutos. E foi quase clandestina. Políticos de peso não
compareceram. O discurso de Dilma não passou de uma peça chocha e
cínica.
Ela disse que a ocasião se prestava para uma “pequena reorganização
do time que toca a infraestrutura e logística do governo”. E concluiu:
“Estou realocando as melhores pessoas em funções diferentes”.
Referia-se à transferência de Paulo Sérgio, presidente da Empresa de
Planejamento e Logística, para o lugar de César Borges, até então
ministro dos Transportes.
Borges foi rebaixado à condição de ministro da Secretaria Especial
dos Portos em substituição a Antônio Henrique Silveira, que doravante
responderá pela secretaria-executiva do ministério de Borges.
Por que esse troca-troca?
A implacável faxineira ética do início do governo, a dura executiva
que não perdoa falhas dos seus auxiliares, a mulher valente que se
orgulha de manter distância dos políticos por considerá-los
desprezíveis, enfim essa senhora antipática e refratária a salamaleques
rendeu-se à pressão de uma agremiação inexpressiva chamada Partido da
República (PR).
Piscou primeiro. E ofereceu o ombro para ser mordido. Arrancaram-lhe uma fatia de autoridade.
Preocupada em assegurar o apoio do PR à sua reeleição e, por tabela,
pouco mais de um minuto de propaganda eleitoral na televisão e no rádio,
Dilma demitiu do Ministério dos Transportes quem mais de uma vez
apontara como um dos seus melhores ministros.
‘As ‘convicções’ de Dilma’, editorial do Estadão
Publicado no Estadão deste domingo
Amanhã, último dia estabelecido pela legislação eleitoral para a
realização de convenções partidárias destinadas a definir candidatos e
deliberar sobre coligações para o pleito de 5 de outubro, estará se
encerrando a mais despudorada temporada de compra e venda de minutos e
segundos da propaganda eleitoral gratuita, que estará no ar a partir de
19 de agosto, jamais registrada neste país. E à afronta à Nação
representada por esse vergonhoso espetáculo soma-se o cinismo de quem
tem a responsabilidade maior de zelar pela seriedade na vida pública: “A
política que aprendi a praticar ao longo da minha vida desde a minha
juventude, que me levou inclusive à prisão, implica em construir
relações que sejam baseadas não em conveniências, mas em convicções”.
Dilma Rousseff permitiu-se esse cínico rompante ao discursar na
convenção nacional do PSD que na quarta-feira selou o apoio à sua
reeleição. Não explicou a quais “convicções” se referia, mas recomendou a
todos que não aceitassem “provocações que buscam baixar o nível do
debate, que buscam acirrar o antagonismo”. E não deixou de se gabar das
“transformações rápidas e profundas” realizadas por seu governo,
garantia, no futuro, de “um ciclo ainda mais rápido e duradouro de
mudanças”.
» Clique para continuar lendo‘Nova ameaça ao dinheiro público’, de Fernando Tibúrcio Peña
Publicado no Estado de Minas
FERNANDO TIBÚRCIO PEÑA
Em 1968, o ecologista americano Garrett Hardin publicou artigo em que
apresentava aos leitores da então já prestigiada revista Science um
curioso dilema, segundo o qual certos indivíduos, atuando de forma
racional e olhando para os próprios umbigos, usavam de maneira desmedida
recursos comuns e limitados até o ponto em que a superexploração
acabava por trazer prejuízos para todos.
Para ilustrar o dilema, Hardin citou o exemplo hipotético de uma
pastagem compartilhada por um número qualquer de pastores, que por sua
vez tinham um número determinado de animais. Em um dado instante, os
pastores perceberam que, apesar do uso intensivo, havia ainda espaço
para mais animais. E, então, foram paulatinamente colocando novos
animais na pastagem, até que ela se esgotou e toda a criação pereceu.
Não é por menos que Hardin deu ao seu emblemático artigo o título de a
Tragédia dos comuns.
No Brasil, hoje, vivemos uma realidade em que grupos com os mais
diversos interesses vêm sistemática e progressivamente obtendo
benefícios do Estado. Os sindicatos têm as suas próprias demandas.
Também os aposentados, funcionários públicos, plantadores de maçã e os
pescadores de lagosta. Com o passar do tempo, tais grupos de interesse
vão ganhando terreno e, na ausência de visão sistêmica do governo para
modular as investidas, os recursos públicos tendem a se exaurir. Tal
estado de coisas tem um peso fundamental na desaceleração do crescimento
da economia brasileira e faz com que, na América do Sul, o Brasil fique
em termos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) somente à
frente da Argentina e da Venezuela.
Num momento em que o país está vivendo uma indisfarçável crise de
gestão – algo que começa a ser percebido nas pesquisas eleitorais –, o
governo decidiu não percorrer a rota cheia de armadilhas que passa pela
reforma das velhas estruturas que fazem com que a nossa economia avance a
passos de tartaruga (candidatos da oposição que arquem sozinhos com o
custo político de explicar ao povo brasileiro a verdade inconveniente
que dá sentido ao que se pode chamar de “medidas necessárias”).
O governo preferiu seguir por uma estrada aparentemente mais
tranquila e criou por decreto a Política Nacional de Participação Social
(PNPS), o coelho morto que o Palácio do Planalto tirou em tom
messiânico da cartola com o propósito anunciado de “consolidar a
participação social como método de governo”.
O problema é que essa estrada de mão única termina num despenhadeiro.
Os recursos públicos, assim como a pastagem imaginada por Hardin, são
bens comuns e, portanto, finitos. É sob esse contexto que deve ser vista
a PNPS.
Mais do que discutir se foi bolivarianamente inspirada nos conselhos
comunais de Hugo Chávez ou se o Executivo estaria invadindo um campo
reservado exclusivamente ao Legislativo, a questão primordial está em
saber se a nova política – em vez de fomentar a propagada
desconcentração e descentralização do poder político – poderá resultar
numa relação perigosa, em que determinados grupos sociais se empenharão
para desfrutar de uma condição ainda mais privilegiada junto ao governo,
ganhando, agora que ostentam a qualidade de protagonistas, a
musculatura necessária para dele exigir a ampliação dos benefícios
obtidos no passado.
A se confirmar esse sombrio cenário, as contas públicas não vão
aguentar, e, aí, não serão as ovelhas ou as vacas de Hardin que sofrerão
as consequências. Seremos nós
30 junho 2014
Entrevista com Marco Antonio Zago, reitor da USP: “O foco na qualidade e na meritocracia não predomina na administração do ensino superior no país”

“As
universidades, como as agências de pesquisa, favorecem mais a prudência
do que a inovação”, diz o reitor da USP, Marco Antonio Zago (Foto:
Lailson Santos)
É PRECISO ARRISCAR MUITO MAIS
O reitor da Universidade de São Paulo diz que o sistema
atual favorece a acomodação dos pesquisadores estáveis na carreira, que
nada criam e se bastam repetindo experimentos
Entrevista a Lucas Souza e Mariana Barros publicada em edição impressa de VEJA
O médico Marco Antonio Zago assumiu em janeiro a reitoria de uma
instituição que já teve dias melhores. A Universidade de São Paulo (USP)
perdeu posições importantes nos rankings internacionais, vive uma
dramática crise financeira e sai de uma greve para entrar em outra.
Zago, no entanto, vê soluções.
Na escala de preocupações desse paulista de Birigui, o
desconhecimento da língua inglesa pelos alunos ocupa hoje o primeiro
lugar (“Inglês é a ferramenta de que eles precisarão para trabalhar
globalmente”). A falta de ousadia dos pesquisadores e a predominância da
cultura sindicalista na vida universitária são outros entraves que
tiram o sono do reitor. Zago falou a VEJA em seu gabinete na Cidade
Universitária.
A USP perdeu onze posições no mais recente ranking de
reputação universitária da revista britânica Times Higher Education e na
lista das melhores caiu da 158ª posição para a faixa que vai da 226ª à
250ª. O que explica essa queda?
Nada. As oscilações são normais e não representam mudança
significativa de qualidade. Além do mais, as classificações são
obviamente relativas e, se alguns dão saltos de qualidade, isso pode
determinar a queda de outros que não necessariamente pioraram. Por outro
lado, os índices anuais acusam oscilações cuja natureza pode ser apenas
metodológica.
Mas a USP caiu também na listagem deste ano da britânica QS
Rankings. Foi ultrapassada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC)
do Chile como a melhor da América Latina.
Os rankings comparam universidades de dimensões, missões e focos
diferentes. Nós estamos em segundo agora, mas a USP tem 92 000
estudantes. A PUC do Chile tem 22 000 alunos e um orçamento expressivo
para o seu tamanho. Para mim, a queda nessa lista latino-americana não
significa nada.
A USP continua sendo a universidade mais relevante da América Latina.
Mas claro que há problemas. Sobretudo porque não temos ensino
secundário de qualidade no Brasil. O aluno que traz da escola
dificuldades de escrever bem, compreender textos e fazer cálculos
básicos não poderá ter um bom desempenho no ensino superior.
Outra questão deriva do fato de as universidades brasileiras
enfrentarem enormes dificuldades de gestão. Seria muito melhor se
houvesse um orçamento anual definido e a prerrogativa de contratar ou
demitir de acordo com o desempenho. Porém, o foco na qualidade e na
meritocracia é algo estranho à administração do ensino superior no
Brasil.
A estabilidade precoce de professores e funcionários paralisa as coisas. Isso não existe em nenhum outro lugar do mundo.
O que é preciso para a USP implantar o modelo que privilegia a meritocracia?
Isso depende de questões políticas e de leis federais. Mas,
internamente, é preciso abandonar a dinâmica de sindicalismo na vida
universitária. Não é fácil dar esse passo. Mas ele é essencial e já foi
dado em outros países.
O que a USP está fazendo para aperfeiçoar o sistema de avaliação de professores?
Infelizmente, ainda não se definiu claramente como avaliar o
desempenho dos docentes na USP. Por isso, criamos um grupo de trabalho
para determinar o que deve ser entendido como excelência.
Não basta verificar se o pesquisador está publicando trabalhos ou
não. Há outras formas de análise, como a produção de patentes, de
material crítico e a realização de debates.
A USP leva em conta o mérito ao contratar professores?
Em lugares como Harvard ou o Instituto de Tecnologia de
Massachusetts, o MIT, os diretores das universidades contratam
pesquisadores pagando o salário que consideram que eles valem. Aqui,
isso não é possível. Não temos diferenciação salarial. Não oferecemos
premiações.
Portanto, o único mecanismo de controle – e que não tem sido usado
com muita eficiência – é a promoção. Mas são concursos em que o
profissional concorre com ele mesmo, caso da livre-docência, ou com os
demais, caso das vagas de professor titular. Há vantagens salariais nos
dois casos.
Um programa instituído em 2011 criou a progressão horizontal, sistema
em que o profissional passa de doutor 1 para doutor 2 e vai evoluindo.
As mudanças não pressupõem aprovação de uma banca, e os aumentos
salariais que proporciona são menos significativos. É cedo ainda para
saber se isso surtiu o efeito desejado.
Criamos também um grupo para propor mudanças no regime de dedicação
exclusiva, revendo critérios de promoção e progressão na carreira.
O sistema atual compromete a inovação?
Os pesquisadores precisam se arriscar mais, sair da zona de conforto
que os leva a projetos de sucesso garantido de antemão. Ora, isso
permite que a vida deles transcorra sem surpresas muito positivas ou
negativas, o tempo passa, eles criam vínculos estáveis e passam a dispor
de uma estrutura de pesquisa. Para quê? Para continuarem repetindo
experimentos consagrados.
Tudo bem que isso, de certa forma, contribui para o progresso, mas
não é essa abordagem que produz grandes e decisivas descobertas. Sem
salto no escuro não surgem avanços revolucionários. Os que se arriscam
mais são sempre os mais jovens. Depois eles se casam, têm filhos, ficam
mais prudentes, e o sistema aceita.
Atualmente, no Brasil, tanto as universidades quanto as agências de pesquisa premiam a prudência e inibem a inovação.
Recentemente, 110 alunos do programa Ciência sem Fronteiras
retornaram ao Brasil por não terem fluência em inglês. Como essa
deficiência afeta a produção acadêmica?
Esse problema no Ciência sem Fronteiras serviu de alerta para todos.
Ele é resultante também da má qualidade do ensino secundário. De modo
geral, um estudante da PUC do Chile teve acesso ao ensino médio de maior
qualidade e, diferentemente do brasileiro, já chega à faculdade
competente em inglês. Mas não podemos nos esquivar do problema. Quando o
graduando receber o diploma, ele trabalhará em uma sociedade global em
que o inglês é necessário.
Posso dizer que a prioridade número 1 da USP hoje é garantir o
conhecimento da língua inglesa para os seus alunos. Já neste ano, a USP
oferecerá aulas de inglês aos estudantes da graduação em parceria com o
British Council.
A USP atualmente compromete 105% do que capta com a folha de
pagamento e está próxima da insolvência. O senhor fazia parte do
Conselho Universitário que aprovou as contas da gestão anterior. Como se
chegou a essa situação?
O Conselho Universitário não tinha consciência dessa situação
financeira. Durante todo o segundo semestre do ano passado não houve
reuniões do Conselho Universitário. Nem o próprio orçamento foi
discutido e aprovado. Tivemos de aprová-lo neste ano.
Esses fatos não foram discutidos, ninguém tinha informações reais.
Precisamos investigar onde tais decisões foram tomadas e onde as
informações pararam de circular. Para isso, resolvemos contratar uma
auditoria externa para buscar respostas a essas perguntas. Essa história
precisa ser contada de maneira formal.
Mas não é verdade que a universidade se encontra em estado de
insolvência. Há uma dificuldade financeira conjuntural que será
resolvida. » Clique para continuar lendo
UM ESPANTO: Fidel Castro e sua inacreditável ilha particular (que não é Cuba)

PARAÍSO
SECRETO — Localizada a 15 quilômetros do litoral sul de Cuba, Cayo
Piedra é, desde a década de 60, o refúgio particular e preferido de
Fidel Castro (Foto: Reprodução/VEJA)
A ILHA DO CARA
Revelado o segredo dos altos índices de desenvolvimento humano em Cuba.
Eles devem estar sendo medidos na ilha privativa de Fidel Castro, um paraíso nababesco
Reportagem de Leonardo Coutinho publicada em edição impressa de VEJA
Cultuado pelos partidos de esquerda do Brasil e da América Latina,
Fidel Castro vende com facilidade a falsa imagem do revolucionário
despojado, metido antes em farda de campanha e, agora, na decrepitude,
em agasalhos esportivos Adidas que ganha de presente da marca alemã.
Inúmeros relatos de pessoas que privaram da intimidade de Fidel
haviam arranhado a aura de asceta do ditador cubano. Sabia-se que ele
manda fazer suas botas de couro, sob medida, na Itália; que tem um iate e
um jato particulares; come do bom e do melhor – enfim, nada diferente
da vida luxuosa levada, em despudorado contraste com a miséria do povo,
por tantos ditadores de todos os matizes ideológicos no decorrer da
história.
Mas, como manda o manual do esquerdismo latino-americano, que nunca
conseguiu se afastar do culto ao caudilhismo populista, se a realidade
sobre Fidel desmentir a lenda, que prevaleça a lenda. Assim, a farsa
sobrevive. Assim, as novas gerações vão sendo ludibriadas.
Resta ver se a farsa vai resistir às revelações sobre a corte de
Fidel que aparecem na autobiografia de um ex-guarda-costas do ditador,
Juan Reinaldo Sánchez. O livro, que está chegando às livrarias
brasileiras no fim de junho com o título A Vida Secreta de Fidel (Editora Paralela), revela excentricidades que seriam aberrantes mesmo para um bilionário capitalista.
Algum rentista de Wall Street tem uma criação particular de golfinhos destinados unicamente a entreter os netos?
Fidel tem.
Os líderes das empresas mais valorizadas do mundo, Google e Apple,
que valem centenas de bilhões de dólares, são donos de ilhas
particulares secretas, vigiadas por guarnições militares e protegidas
por baterias antiaéreas?

Com
um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma
estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos
do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)
Fidel tem tudo isso em sua ilha – e não se está falando de Cuba, que, de certa forma, é também sua propriedade particular.
O que o ex-guarda-costas revela em detalhes é a existência de uma
ilha ao sul de Cuba onde Fidel Castro fica boa parte do seu tempo livre
desde a década de 60. Nada mais condizente com uma dinastia absolutista
do que uma ilha paradisíaca de usufruto exclusivo da família real dos
Castro.
Juan Reinaldo Sánchez narra a liturgia diária do séquito de
provadores oficiais que experimentam cada prato de comida e cada garrafa
de vinho que chegam à mesa do soberano para garantir que não estejam
envenenados. “A vida inteira Fidel repetiu que não possuía nenhum
patrimônio além de uma modesta cabana de pescador em algum ponto da
costa”, escreve Sánchez no seu livro.
A modesta cabana de Fidel é uma imensa casa de veraneio de 300 metros
quadrados plantada em Cayo Piedra, ilha situada a 15 quilômetros da
Baía dos Porcos, no mar caribenho do sul de Cuba. Quando Fidel conheceu
Cayo Piedra, logo depois do triunfo de sua revolução de 1959, o lugar
lhe pareceu o refúgio ideal para alguém decidido a nunca mais deixar o
poder.
Eram duas ilhotas desertas sobre um banco de areia com uma rica fauna
marinha. Condições excelentes para a caça submarina, um dos passatempos
do soberano resignatário de Cuba. Muito se especulava sobre a
existência do resort de Fidel, mas sua localização só se tornou
conhecida agora, depois da publicação do livro de Sánchez. » Clique para continuar lendo
‘Na melhor hipótese, um filme-catástrofe’, de Rolf Kuntz
Publicado no Estadão deste sábado
ROLF KUNTZ
ROLF KUNTZ
A presidente Dilma Rousseff parece ter-se inspirado em
filmes-catástrofe para governar. Se esse for mesmo o caso, ainda há
esperança: aqueles filmes terminam bem, ou pelo menos tão bem quanto
possível depois de muita devastação. Mas essa, por enquanto, é só uma
hipótese otimista, rejeitada por economistas do Banco Central (BC) e
desmentida, até agora, pelas principais fontes oficiais de informação.
As novas projeções do BC apontam inflação maior e crescimento econômico
menor que os previstos em março no relatório trimestral de inflação. O
desastre fiscal de maio – um rombo de R$ 10,5 bilhões nas contas
primárias do governo central – confirmou a piora geral do quadro
econômico. Foi o pior resultado das contas públicas neste ano, mas
perfeitamente compatível com a evolução das finanças federais. De
janeiro a maio, a receita líquida do governo central, R$ 412,74 bilhões,
foi 6,5% maior que a de um ano antes, mas a despesa, R$ 393,58 bilhões,
ficou 11,1% acima da contabilizada nos primeiros cinco meses de 2013.
Como consequência, o superávit primário, destinado ao pagamento de
juros, ficou em R$ 19,16 bilhões, 42,4% abaixo do valor do mesmo período
do ano anterior. Esse resultado foi equivalente a apenas 0,91% do
produto interno bruto (PIB). Parece muito difícil, nesta altura, a meta
fixada para o ano, um resultado primário correspondente a 1,9% do PIB.
Mas a meta será alcançada, prometeu na sexta-feira o secretário do
Tesouro, Arno Augustin. Ele se dispensou de dizer como esse alvo será
atingido. Mas a experiência indica uma resposta muito provável: como fez
em anos anteriores e nos primeiros meses deste ano, o governo federal
poderá recorrer a arranjos contábeis para fechar o balanço das contas
públicas.
» Clique para continuar lendo‘A Marcha dos Infames’, nova música de Lobão

A MARCHA DOS INFAMES
(Lobão)
Aqueles que não são
E que jamais serão
Abusam do Poder
demência e obsessão
Insistem em atacar
Com as chagas abertas do rancor
E aos incautos fazer crer
Que seu ódio no peito é amor
Tanto martírio em vão
Estupro da nação
Até quando esse sonho ruim,
esse pesadelo sem fim?
Apedrejando irmãos
E os que não são iguais
A destruição é a fé,
E a morte e a vida, banais
E um céu sem esperança
a Infâmia cobriu
com o manto da ignorância
o desastre que nos pariu
E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões
Tratados como heróis
E até quando ouvir
Cretinos e boçais
Mentir, mentir, mentir
Eternamente mentir
Mas o dia chegará
em que chão da Pátria irá tremer
e o que não é, não mais será
em nome do povo, o Poder
Clique aqui para escutar A Marcha dos Infames
27 junho 2014
Acuado, o PT decide acionar a tecla da intolerância, com decreto bolivariano e lista negra de jornalistas_Por José Serra
O PT não é um partido muito
tolerante já a partir de seus próprios pressupostos originais e de seu
nome: quem se pretende um partido “dos” trabalhadores, não “de”
trabalhadores, já ambiciona de saída a condição de monopolista de um
setor da sociedade. Mais ainda: reivindica o poder de determinar quem
pertence, ou não, a essa categoria em particular. Assim, um operário que
não vota no PT, por exemplo, não estará, pois, entre “os”
trabalhadores; do mesmo modo, o partido tem conferido a “carteirinha” de
operário padrão a pessoas que jamais ganharam o sustento com o fruto do
próprio trabalho.
A fórmula
petista é conhecida: a máquina partidária suja ou lava reputações a
depender de suas necessidades objetivas. Os chamados bandidos de ontem
podem ser convertidos à condição de heróis e um herói do passado pode
passar a ser tratado como bandido. A única condição para ganhar a bênção
é estabelecer com o ente partidário uma relação de subordinação. A
partir daí não há limites. Foi assim que o PT promoveu o casamento
perverso do patrimonialismo “aggiornado”, traduzido pela elite sindical,
com o patrimonialismo tradicional, de velha extração.
(…)
Não tendo mais auroras a oferecer, não sabendo por que governa nem por que pretende governar o País por mais quatro anos, e percebendo que amplos setores da sociedade desconfiam dessa eterna e falsa luta do “nós” contra “eles”, o petismo começa a adentrar terrenos perigosos. Se a prática não chega a ameaçar a democracia – tomara que não! –, é certo que gera turbulências na trajetória do País. No apagar das luzes deste mandato, a presidente Dilma Rousseff decide regulamentar, por decreto – quando poderia fazê-lo por projeto de lei –, os “conselhos populares”. Não por acaso, bane o Congresso do debate, verticalizando essa participação, num claro mecanismo de substituição da democracia representativa pela democracia direta. Na Constituição elas são complementares, não excludentes. Por incrível que pareça – mas sempre afinado com o bolchevismo sem utopia –, o modelo previsto no Decreto 8.243 procura substituir a democracia dos milhões pela democracia dos poucos milhares – quase sempre atrelados ao partido. É como se o PT pretendesse tomar o lugar da sociedade.
(…)
Não tendo mais auroras a oferecer, não sabendo por que governa nem por que pretende governar o País por mais quatro anos, e percebendo que amplos setores da sociedade desconfiam dessa eterna e falsa luta do “nós” contra “eles”, o petismo começa a adentrar terrenos perigosos. Se a prática não chega a ameaçar a democracia – tomara que não! –, é certo que gera turbulências na trajetória do País. No apagar das luzes deste mandato, a presidente Dilma Rousseff decide regulamentar, por decreto – quando poderia fazê-lo por projeto de lei –, os “conselhos populares”. Não por acaso, bane o Congresso do debate, verticalizando essa participação, num claro mecanismo de substituição da democracia representativa pela democracia direta. Na Constituição elas são complementares, não excludentes. Por incrível que pareça – mas sempre afinado com o bolchevismo sem utopia –, o modelo previsto no Decreto 8.243 procura substituir a democracia dos milhões pela democracia dos poucos milhares – quase sempre atrelados ao partido. É como se o PT pretendesse tomar o lugar da sociedade.
Ainda mais
detestável: o partido não se inibe de criar uma lista negra de
jornalistas – na primeira fornada estão Arnaldo Jabor, Augusto Nunes,
Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Guilherme Fiuza, Danilo Gentili,
Marcelo Madureira, Demétrio Magnoli e Lobão –, satanizando-os e,
evidentemente, expondo-os a riscos. É desnecessário dizer que tenho
diferenças, às vezes severas, com vários deles. Isso é parte do jogo. É
evidente que o regime democrático não comporta listas negras, sejam
feitas pelo Estado, por partidos ou por entidades. Mormente porque, por
mais que se possa discordar do ponto de vista de cada um, em que momento
eles ameaçaram a democracia? Igualmente falsa – porque há evidência dos
fatos – é que sejam tucanos ou “de oposição”. Não são. Mas, e se
fossem? Num país livre não se faz esse tipo de questionamento.
Acuado
pelos fatos, com receio de perder a eleição, sem oferecer uma resposta
para os graves desafios postos no presente e inexoravelmente contratados
para o futuro, o PT resolveu acionar a tecla da intolerância para
tentar resolver tudo no grito. Cumpre aos defensores da democracia
contrariar essa prática e essa perspectiva. Não foi assim que
construímos um regime de liberdades públicas no Brasil. O PT está
perdendo o eixo e tende a voltar à sua própria natureza.
Leia a íntegra aqui
Leia a íntegra aqui
18 junho 2014
16 junho 2014
Deu na PewResearch
Leiam. É em inglês.
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The
national mood in Brazil is grim, following a year in which more than a
million people have taken to the streets of major cities across the
country to protest corruption, rising inflation and a lack of government
investment in public services such as education, health care and public
transportation, among other things. A new survey by the Pew Research
Center finds that 72% of Brazilians are dissatisfied with the way things
are going in their country, up from 55% just weeks before the
demonstrations began in June 2013.
Opinions
about the national economy have changed even more dramatically over
this one-year period. Two-thirds now say Brazil’s once-booming economy
is in bad shape, while just 32% say the economy is good. In 2013, the
balance of opinion was reversed: a 59%-majority thought the country was
in good shape economically, while 41% said the economy was bad. Economic
ratings had been consistently positive since 2010, when Pew Research
first conducted a nationally-representative survey of Brazil.
Brazilians
are also concerned about the impact that hosting the World Cup, which
begins June 12, will have on their country. About six-in-ten (61%) think
hosting the event is a bad thing for Brazil because it takes money away
from schools, health care and other public services — a common theme in
the protests that have swept the country since June 2013. Just 34%
think the World Cup, which Brazil will host for the first time since
1950 and which could attract more than 3.5 million people to the nation’s twelve host cities, will create more jobs and help the economy.
The
survey also finds widespread concern about rising prices: 85% say this
is a major problem in the country. And at least two-thirds also say a
lack of employment opportunities and the gap between the rich and the
poor are very big problems.
Brazilian
President Dilma Rousseff receives overwhelmingly negative ratings for
her handling of important issues facing the country. And while about
half say the president is having a positive influence on the way things
are going in the country, this is in sharp contrast to opinions of
Rousseff’s predecessor and supporter, Luiz Inácio Lula da Silva, in the
last year of his two-term presidency. In 2010, more than eight-in-ten
(84%) said Lula was having a positive impact on Brazil.
Opinions
of Rousseff’s handling of specific issues are far more negative than
assessments of her overall influence. Clear majorities disapprove of the
way the president is dealing with all nine issues tested: corruption
(86% disapprove), health care (85%), crime (85%), public transportation
(76%), foreign policy (71%), education (71%), preparations for the World
Cup (67%), poverty (65%) and the economy (63%).
Yet,
despite her low approval ratings, the president is viewed more
favorably than her main challengers in the October election, who remain
less well known. Roughly half (51%) have a favorable opinion of
Rousseff, who represents the Workers’ Party (PT), about double the share
that say the same about Aécio Neves (27%), the candidate of the
Brazilian Social Democracy Party (PSDB), or Eduardo Campos (24%) of the
Brazilian Socialist Party (PSB). All three candidates have unfavorable
ratings hovering around the 50% mark. Roughly one-in-four do not offer
an opinion of Rousseff’s challengers.
Brazilians
express far less confidence in key groups and institutions than they
did four years ago. Fewer than half (47%) say the national government is
having a positive influence on the way things are going in Brazil, down
from 75% in 2010.
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Brazilian Discontent Ahead of World Cup
President Rousseff Gets Poor Marks on Key Issues
The
national mood in Brazil is grim, following a year in which more than a
million people have taken to the streets of major cities across the
country to protest corruption, rising inflation and a lack of government
investment in public services such as education, health care and public
transportation, among other things. A new survey by the Pew Research
Center finds that 72% of Brazilians are dissatisfied with the way things
are going in their country, up from 55% just weeks before the
demonstrations began in June 2013.
Opinions
about the national economy have changed even more dramatically over
this one-year period. Two-thirds now say Brazil’s once-booming economy
is in bad shape, while just 32% say the economy is good. In 2013, the
balance of opinion was reversed: a 59%-majority thought the country was
in good shape economically, while 41% said the economy was bad. Economic
ratings had been consistently positive since 2010, when Pew Research
first conducted a nationally-representative survey of Brazil.
Brazilians
are also concerned about the impact that hosting the World Cup, which
begins June 12, will have on their country. About six-in-ten (61%) think
hosting the event is a bad thing for Brazil because it takes money away
from schools, health care and other public services — a common theme in
the protests that have swept the country since June 2013. Just 34%
think the World Cup, which Brazil will host for the first time since
1950 and which could attract more than 3.5 million people to the nation’s twelve host cities, will create more jobs and help the economy.
There is also skepticism about the international benefit of hosting
the World Cup. About four-in-ten (39%) say it will hurt Brazil’s image
around the world while an almost equal number (35%) say it will help;
23% say it will have no impact.
These are among the major findings from the latest survey of Brazil
by the Pew Research Center. The survey is based on face-to-face
interviews conducted between April 10 and April 30, 2014 among a
representative sample of 1,003 randomly selected adults from across the
country.
The
survey also finds widespread concern about rising prices: 85% say this
is a major problem in the country. And at least two-thirds also say a
lack of employment opportunities and the gap between the rich and the
poor are very big problems.
In addition to economic concerns, large majorities also describe
crime (83%), health care (83%), political corruption (78%) and poor
quality schools (64%) as major problems. To be sure, these are not new
challenges in Brazil. Pew Research surveys conducted since 2010 have
documented similarly widespread concern with a range of social,
political and economic issues, including crime, corruption and
inflation. But the current level of frustration Brazilians express with
their country’s direction, its economy and its leaders is unmatched in
recent years.
Rousseff’s Dismal Ratings on Key Issues
Brazilian
President Dilma Rousseff receives overwhelmingly negative ratings for
her handling of important issues facing the country. And while about
half say the president is having a positive influence on the way things
are going in the country, this is in sharp contrast to opinions of
Rousseff’s predecessor and supporter, Luiz Inácio Lula da Silva, in the
last year of his two-term presidency. In 2010, more than eight-in-ten
(84%) said Lula was having a positive impact on Brazil.
Like Lula, Rousseff receives better overall ratings from those with
lower incomes and lower levels of education. But while Lula’s influence
was seen in a positive light by majorities across all demographic
groups, Rousseff receives negative ratings from most Brazilians with a
post-secondary education (70%) and higher incomes (61%).1
Majorities of those with a primary education or less (56%) and lower
incomes (58%) say the president’s overall impact on the country is
positive.
Opinions
of Rousseff’s handling of specific issues are far more negative than
assessments of her overall influence. Clear majorities disapprove of the
way the president is dealing with all nine issues tested: corruption
(86% disapprove), health care (85%), crime (85%), public transportation
(76%), foreign policy (71%), education (71%), preparations for the World
Cup (67%), poverty (65%) and the economy (63%).
Disapproval of the president’s handling of key issues is high across
demographic groups, but tends to be particularly widespread among the
more affluent and more educated, as well as among those who live in
urban areas.
Yet,
despite her low approval ratings, the president is viewed more
favorably than her main challengers in the October election, who remain
less well known. Roughly half (51%) have a favorable opinion of
Rousseff, who represents the Workers’ Party (PT), about double the share
that say the same about Aécio Neves (27%), the candidate of the
Brazilian Social Democracy Party (PSDB), or Eduardo Campos (24%) of the
Brazilian Socialist Party (PSB). All three candidates have unfavorable
ratings hovering around the 50% mark. Roughly one-in-four do not offer
an opinion of Rousseff’s challengers.Declining Views of National Groups and Institutions
Brazilians
express far less confidence in key groups and institutions than they
did four years ago. Fewer than half (47%) say the national government is
having a positive influence on the way things are going in Brazil, down
from 75% in 2010.
The police, already among the lowest-rated institutions in Brazil
four years ago, receive even less support today. Amid reports of excessive use of police force during last year’s protests and highly publicized cases of police brutality, just 33% of Brazilians currently say the police are having a good influence on their country, compared with 53% in 2010.
Similarly, about half (49%) now say the military is having a positive
impact on the way things are going in Brazil, down from the 66% that
shared this view in 2010. And while the media still receives mostly
positive ratings, fewer say its influence is positive than did so four
years ago (69% vs. 81% in 2010).
******************
Para ler na íntegra: http://www.pewglobal.org/2014/06/03/brazilian-discontent-ahead-of-world-cup/
13 junho 2014
09 junho 2014
ELEIÇÕES 2014: Porque os números do Datafolha de sexta-feira são muito ruins para Dilma
Republico o post de Ricardo Setti (Veja.com):
****************************************

Em
ordem alfabética, os candidatos a presidente Aécio Neves (PSDB), Dilma
Rousseff (PT), Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva, vice de Campos
(Fotos: J. R. Duran :: Ueslei Marcelino :: Lia Lubambo :: Exame)
Deixei de comentar no dia — na sexta-feira, 6 — mas, com essas coisas
(pesquisa de intenção de voto para presidente), nunca é tarde para dar
um pitaco.
Quem achar que é implicância o que vou escrever sobre a presidente Dilma, que ache — fazer o quê?
Faço a análise que acho correta dos dados do Datafolha, na minha
modesta opinião pessoal o instituto mais confiável de todos, por não
trabalhar nunca para partidos e candidatos.
Aécio Neves (PSDB) mudar de 20% das preferências para 19% significa,
na prática, estabilidade, ainda mais para um pré-candidato que tem até
agora exposição quase zero nas emissoras de TV e que ainda não é
suficientemente conhecido pelo eleitorado.
Já a presidente Dilma cair de 37% para 34% — mais uma queda, entre
várias que vêm ocorrendo em diferentes institutos — é um sintoma grave
para uma candidatura que começou explodindo de favoritismo.
Pior do que para Dilma são as notícias que chegam a Eduardo Campos,
do PSB, o ex-governador de Pernambuco que se aliou a Marina Silva. Ir de
11% para 7% significa realmente desabar, acima de qualquer margem de
erro.
Ainda é cedo para dizer isso, mas começa a apontar no horizonte uma
fuga de eleitores de Campos-Marina rumo aos indecisos e que, como não
são votos petistas, poderão cair no colo de Aécio mais adiante.
A
foto tirada pelo Datafolha ao realizar o levantamento não é agradável
para a presidente em vários outros aspectos. Ela apresentava 44% das
intenções de voto no Datafolha de fevereiro, e Aécio e Eduardo Campos,
juntos, chegavam a 25% — uma diferença de 19 pontos percentuais. Agora,
em maio, os dois candidatos de oposição têm praticamente a mesma coisa,
pouquinho mais (26%), mas, com seus 34%, Dilma fez a diferença realmente
DESPENCAR — de 19 pontos percentuais para apenas 8!!!
Outro dado péssimo para a presidente para se refere ao segundo turno.
Se em fevereiro ela venceria um dos nomes da oposição — no caso, Aécio —
com o dobro dos votos, ou seja, 54% a 27% dos válidos, em junho a
presidente exibe 46%, ao passo que Aécio pula para com 38%.
Dilma caiu 8 pontos, Aécio, sem cobertura quase alguma na TV, subiu
11— a diferença diminuiu uma enormidade, repito, uma ENORMIDADE,
passando de 19 pontos percentuais para somente 8.
Também diminuiu a rejeição a Aécio e a Eduardo Campos, e subiu a de Dilma, mas, como lembrou o Reinaldo Azevedo,
referindo-se a dados aos quais a mídia confere pouquíssimo destaque,
“nada menos de 74% dos que responderam à pesquisa esperam que as ações
do próximo governo sejam diferentes das que aí estão, e só 21% querem
mais do mesmo”.
E Reinaldo conclui: “Quando indagados sobre quem poderia, então,
operar essas mudanças, o nome mais lembrado ainda é o de Lula, com 35%,
mas quem aparece em seguida, com 21%, é o tucano Aécio Neves. Dilma está
apenas em terceiro, com 16%. Vale dizer: as pessoas querem outro rumo
para o país e não acham que a atual presidente seja capaz de liderar a
transformação”.
04 junho 2014
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