Charge autoexplicativa:
Êta mundinho complicado!
No Brasil, onde faltam a cólera e a ira santas, quem, senão elas, hão de expulsar do Templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Ou exterminarão da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Ou banirão da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão elas, a varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão públicos? Quem, senão elas, a precipitar do governo o negocismo, a prostituição política e a tirania? (Rui Barbosa)
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18 fevereiro 2013
Yoani Sánchez no Brasil: espionagem, complô e difamação
Leiam o que vai na VEJA.com:
Por Laryssa Borges:
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) protocolou nesta segunda-feira na Mesa Diretora do Senado requerimento para que os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-geral da Presidência) e Antonio Patriota (Relações Exteriores) prestem esclarecimentos aos parlamentares sobre a informação de que dirigentes partidários, integrantes do corpo diplomático e pelo menos um representante da Presidência da República participaram de uma negociação para desqualificar a blogueira cubana Yoani Sánchez. A informação foi dada por reportagem de VEJA desta semana.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) protocolou nesta segunda-feira na Mesa Diretora do Senado requerimento para que os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-geral da Presidência) e Antonio Patriota (Relações Exteriores) prestem esclarecimentos aos parlamentares sobre a informação de que dirigentes partidários, integrantes do corpo diplomático e pelo menos um representante da Presidência da República participaram de uma negociação para desqualificar a blogueira cubana Yoani Sánchez. A informação foi dada por reportagem de VEJA desta semana.
O senador
tucano também oficializou convite para que o embaixador cubano no
Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, esclareça a perseguição que emissários
do governo de Raúl Castro pretendem fazer à ativista.
Reportagem
de VEJA desta semana informou ainda que o conselheiro político da
embaixada de Cuba em Brasília, Rafael Hidalgo, organizou uma reunião no
dia 6 de fevereiro com militantes do PT, do PCdoB e integrantes da CUT
para que fosse montada uma operação de desqualificação de Yoani Sánchez,
que desembarcou no Brasil nesta segunda-feira. Entre os participantes
do encontro estava Ricardo Poppi Martins, coordenador-geral de Novas
Mídias da Secretaria-geral da Presidência e subordinado ao ministro
Gilberto Carvalho.
A
estratégia de desqualificação da ativista cubana, informada pelo
embaixador Rodríguez na reunião, incluía uma ofensiva de
“contrainformação” por meio da divulgação de um dossiê com dados
distorcidos sobre a vida dela. Para sustentar a tese de que Yoani teria
uma vida de luxo, os presentes à reunião receberam fotos em que ela é
retratada bebendo cerveja, comendo banana ou tomando sol na praia.
“Diferentemente de Cuba, o Brasil goza de uma plenitude democrática que
se estende à liberdade de imprensa e, principalmente, de manifestação
pública de todos os seus cidadãos”, disse Dias em seus requerimentos.
13 fevereiro 2013
A segunda batalha do ministro Joaquim Barbosa: combater o “filhotismo” no Judiciário

DESIGUALDADE
DE CONDIÇÕES -- O ministro Joaquim Barbosa pretende criar mecanismos
para impedir que filhos, cônjuges e parentes de magistrados tenham
privilégios nas cortes de Justiça.
A SEGUNDA BATALHA
Depois de relatar o caso do mensalão, Joaquim Barbosa
assume a presidência do Conselho Nacional de Justiça com outra missão
espinhosa: acabar com filhotismo, que ele considera uma das práticas
mais nefastas do Judiciário brasileiro
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim
Barbosa, trabalha para concluir neste mês um dos ritos derradeiros da
maior batalha já encampada por ele no Judiciário. A publicação do
acórdão do julgamento do mensalão vai consumar as penas dos condenados,
abrir caminho para os recursos finais da defesa e, no last act —
expressão usada por Barbosa no julgamento —, colocar atrás das grades
os mensaleiros. Será o fim do maior julgamento da história do país e o
começo de uma nova, e não menos desafiadora, empreitada para Barbosa.
No fim do ano passado, ao assumir a presidência do Conselho Nacional
de Justiça (CNJ), órgão responsável pelo controle externo do Poder
Judiciário comandado cumulativamente pelo presidente do STF, Barbosa
elegeu como prioridade de sua gestão encontrar uma fórmula para coibir o
que ele considera uma das mais nocivas práticas ainda toleradas nos
tribunais brasileiros — a advocacia de filhos, cônjuges e toda sorte de
parentes de magistrados.
Esse tabu já esteve na mira da ministra Eliana Calmon
A atividade de familiares de magistrados, na avaliação de Barbosa,
“fere o princípio do equilíbrio de forças que deve haver no processo
judicial” e divide os advogados em duas classes: os que têm acesso
privilegiado — podendo beneficiar clientes por causa disso — e os
comuns, que não possuem os laços de sangue para favorecê-los.
“Filhos, mulheres, sobrinhos de juízes são muito acionados por seus
clientes pelo fato de serem parentes. Não é pela qualidade técnica do
seu trabalho. Sou visceralmente contra isso”, disse Barbosa.
Tratado como tabu, o filhotismo nos tribunais já esteve na mira de
outro integrante do CNJ no passado. Ex-corregedora do órgão, a ministra
do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon, foi uma das
primeiras a declarar guerra à prática.
O problema, segundo ela, não está na atuação formal dos familiares
nos processos. Para esses casos, a legislação já conta com mecanismos
para coibir abusos. O problema está nas relações que acontecem fora do
processo, quando os parentes usam a proximidade com um juiz para fazer
lobby em favor de um cliente.

A
MINISTRA ELIANA CALMON -- a primeira a tentar coibir a prática -- diz
que o problema é muito sério e que filhos de juízes usam as relações
familiares para tentar influenciar decisões judiciais — e ganham muito
dinheiro com isso: “Ele veio com outro advogado me chamando de ‘tia
Eliana’” (Foto: Cadu Gomes / Reuters)
Corregedor tem dois filhos advogados que atuam em seu tribunal
Conhecida pelo rigor de suas palavras, Eliana Calmon não conseguiu
encontrar uma solução para o problema durante os dois anos em que esteve
no conselho, o que demonstra a complexidade do assunto.
O próprio Barbosa, apesar de ser o comandante do Supremo, não
escapará de constrangimentos. O atual corregedor do CNJ, ministro
Francisco Falcão, por exemplo, tem dois filhos que atuam como advogados
em processos que tramitam no STJ, onde Falcão também trabalha.
11 fevereiro 2013
Marco Antonio Villa: Vou-me embora pra Bruzundanga
Publicado no blog de Augusto Nunes (Veja.com):
O
Brasil é um país fantástico. Nulidades são transformadas em gênios da
noite para o dia. Uma eficaz máquina de propaganda faz milagres. Temos
ao longo da nossa História diversos exemplos. O mais recente é Dilma
Rousseff.
Surgiu no mundo político brasileiro há uma década. Durante o regime militar militou em grupos de luta armada, mas não se destacou entre as lideranças. Fez política no Rio Grande do Sul exercendo funções pouco expressivas. Tentou fazer pós-graduação em Economia na Unicamp, mas acabou fracassando, não conseguiu sequer fazer um simples exame de qualificação de mestrado. Mesmo assim, durante anos foi apresentada como “doutora” em Economia. Quis-se aventurar no mundo de negócios, mas também malogrou. Abriu em Porto Alegre uma lojinha de mercadorias populares, conhecidas como “de 1,99″. Não deu certo. Teve logo de fechar as portas.
Caminharia para a obscuridade se vivesse num país politicamente sério. Porém, para sorte dela, nasceu no Brasil. E depois de tantos fracassos acabou premiada: virou ministra de Minas e Energia. Lula disse que ficou impressionado porque numa reunião ela compareceu munida de um laptop. Ainda mais: apresentou um enorme volume de dados que, apesar de incompreensíveis, impressionaram favoravelmente o presidente eleito.
Foi nesse cenário, digno de O Homem que Sabia Javanês, que Dilma passou pouco mais de dois anos no Ministério de Minas e Energia. Deixou como marca um absoluto vazio. Nada fez digno de registro. Mas novamente foi promovida. Chegou à chefia da Casa Civil após a queda de José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão. Cabe novamente a pergunta: por quê? Para o projeto continuísta do PT a figura anódina de Dilma Rousseff caiu como uma luva. Mesmo não deixando em um quinquênio uma marca administrativa ─ um projeto, uma ideia ─, foi alçada a sucessora de Lula.
Nesse momento, quando foi definida como a futura ocupante da cadeira presidencial, é que foi desenhado o figurino de gestora eficiente, de profunda conhecedora de economia e do Brasil, de uma técnica exemplar, durona, implacável e desinteressada de política. Como deveria ser uma presidente ─ a primeira ─ no imaginário popular.
Deve ser reconhecido que os petistas são eficientes. A tarefa foi dura, muito dura. Dilma passou por uma cirurgia plástica, considerada essencial para, como disseram à época, dar um ar mais sereno e simpático à então candidata. Foi transformada em “mãe do PAC”. Acompanhou Lula por todo o País. Para ela ─ e só para ela ─ a campanha eleitoral começou em 2008. Cada ato do governo foi motivo para um evento público, sempre transformado em comício e com ampla cobertura da imprensa. Seu criador foi apresentando homeopaticamente as qualidades da criatura ao eleitorado. Mas a enorme dificuldade de comunicação de Dilma acabou obrigando o criador a ser o seu tradutor, falando em nome dela ─ e violando abertamente a legislação eleitoral.
Com base numa ampla aliança eleitoral e no uso descarado da máquina governamental, venceu a eleição. Foi recebida com enorme boa vontade pela imprensa. A fábula da gestora eficiente, da administradora cuidadosa e da chefe implacável durante meses foi sendo repetida. Seu figurino recebeu o reforço, mais que necessário, de combatente da corrupção. Também, pudera: não há na História republicana nenhum caso de um presidente que em dois anos de mandato tenha sido obrigado a demitir tantos ministros acusados de atos lesivos ao interesse público.
Com o esgotamento do modelo de desenvolvimento criado no final do século 20 e um quadro econômico internacional extremamente complexo, a presidente teve de começar a viver no mundo real. E aí a figuração começou a mostrar suas fraquezas. O crescimento do produto interno bruto (PIB) de 7,5% de 2010, que foi um componente importante para a vitória eleitoral, logo não passou de uma recordação. Independentemente da ilusão do índice (em 2009 o crescimento foi negativo: -0,7%), apesar de todos os artifícios utilizados, em 2011 o crescimento foi de apenas 2,7%. Mas para piorar, tudo indica que em 2012 não tenha passado de 1%. Foi o pior biênio dos tempos contemporâneos, só ficando à frente, na América do Sul, do Paraguai. A desindustrialização aprofundou-se de tal forma que em 2012 o setor cresceu negativamente: -2,1%. O saldo da balança comercial caiu 35% em relação à 2011, o pior desempenho dos últimos dez anos, e em janeiro deste ano teve o maior saldo negativo em 24 anos. A inflação dá claros sinais de que está fugindo do controle. E a dívida pública federal disparou: chegou a R$ 2 trilhões.
As promessas eleitorais de 2010 nunca se materializaram. Os milhares de creches desmancharam-se no ar. O programa habitacional ficou notabilizado por acusações de corrupção. As obras de infraestrutura estão atrasadas e superfaturadas. Os bancos e empresas estatais transformaram-se em meros instrumentos políticos ─ a Petrobrás é a mais afetada pelo desvario dilmista.
Não há contabilidade criativa suficiente para esconder o óbvio: o governo Dilma Rousseff é um fracasso. E pusilânime: abre o baú e recoloca velhas propostas como novos instrumentos de política econômica. É uma confissão de que não consegue pensar com originalidade. Nesse ritmo, logo veremos o ministro Guido Mantega anunciar uma grande novidade para combater o aumento dos preços dos alimentos: a criação da Sunab.
Ah, o Brasil ainda vai cumprir seu ideal: ser uma grande Bruzundanga. Lá, na cruel ironia de Lima Barreto, a Constituição estabelecia que o presidente “devia unicamente saber ler e escrever; que nunca tivesse mostrado ou procurado mostrar que tinha alguma inteligência; que não tivesse vontade própria; que fosse, enfim, de uma mediocridade total”.
Surgiu no mundo político brasileiro há uma década. Durante o regime militar militou em grupos de luta armada, mas não se destacou entre as lideranças. Fez política no Rio Grande do Sul exercendo funções pouco expressivas. Tentou fazer pós-graduação em Economia na Unicamp, mas acabou fracassando, não conseguiu sequer fazer um simples exame de qualificação de mestrado. Mesmo assim, durante anos foi apresentada como “doutora” em Economia. Quis-se aventurar no mundo de negócios, mas também malogrou. Abriu em Porto Alegre uma lojinha de mercadorias populares, conhecidas como “de 1,99″. Não deu certo. Teve logo de fechar as portas.
Caminharia para a obscuridade se vivesse num país politicamente sério. Porém, para sorte dela, nasceu no Brasil. E depois de tantos fracassos acabou premiada: virou ministra de Minas e Energia. Lula disse que ficou impressionado porque numa reunião ela compareceu munida de um laptop. Ainda mais: apresentou um enorme volume de dados que, apesar de incompreensíveis, impressionaram favoravelmente o presidente eleito.
Foi nesse cenário, digno de O Homem que Sabia Javanês, que Dilma passou pouco mais de dois anos no Ministério de Minas e Energia. Deixou como marca um absoluto vazio. Nada fez digno de registro. Mas novamente foi promovida. Chegou à chefia da Casa Civil após a queda de José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão. Cabe novamente a pergunta: por quê? Para o projeto continuísta do PT a figura anódina de Dilma Rousseff caiu como uma luva. Mesmo não deixando em um quinquênio uma marca administrativa ─ um projeto, uma ideia ─, foi alçada a sucessora de Lula.
Nesse momento, quando foi definida como a futura ocupante da cadeira presidencial, é que foi desenhado o figurino de gestora eficiente, de profunda conhecedora de economia e do Brasil, de uma técnica exemplar, durona, implacável e desinteressada de política. Como deveria ser uma presidente ─ a primeira ─ no imaginário popular.
Deve ser reconhecido que os petistas são eficientes. A tarefa foi dura, muito dura. Dilma passou por uma cirurgia plástica, considerada essencial para, como disseram à época, dar um ar mais sereno e simpático à então candidata. Foi transformada em “mãe do PAC”. Acompanhou Lula por todo o País. Para ela ─ e só para ela ─ a campanha eleitoral começou em 2008. Cada ato do governo foi motivo para um evento público, sempre transformado em comício e com ampla cobertura da imprensa. Seu criador foi apresentando homeopaticamente as qualidades da criatura ao eleitorado. Mas a enorme dificuldade de comunicação de Dilma acabou obrigando o criador a ser o seu tradutor, falando em nome dela ─ e violando abertamente a legislação eleitoral.
Com base numa ampla aliança eleitoral e no uso descarado da máquina governamental, venceu a eleição. Foi recebida com enorme boa vontade pela imprensa. A fábula da gestora eficiente, da administradora cuidadosa e da chefe implacável durante meses foi sendo repetida. Seu figurino recebeu o reforço, mais que necessário, de combatente da corrupção. Também, pudera: não há na História republicana nenhum caso de um presidente que em dois anos de mandato tenha sido obrigado a demitir tantos ministros acusados de atos lesivos ao interesse público.
Com o esgotamento do modelo de desenvolvimento criado no final do século 20 e um quadro econômico internacional extremamente complexo, a presidente teve de começar a viver no mundo real. E aí a figuração começou a mostrar suas fraquezas. O crescimento do produto interno bruto (PIB) de 7,5% de 2010, que foi um componente importante para a vitória eleitoral, logo não passou de uma recordação. Independentemente da ilusão do índice (em 2009 o crescimento foi negativo: -0,7%), apesar de todos os artifícios utilizados, em 2011 o crescimento foi de apenas 2,7%. Mas para piorar, tudo indica que em 2012 não tenha passado de 1%. Foi o pior biênio dos tempos contemporâneos, só ficando à frente, na América do Sul, do Paraguai. A desindustrialização aprofundou-se de tal forma que em 2012 o setor cresceu negativamente: -2,1%. O saldo da balança comercial caiu 35% em relação à 2011, o pior desempenho dos últimos dez anos, e em janeiro deste ano teve o maior saldo negativo em 24 anos. A inflação dá claros sinais de que está fugindo do controle. E a dívida pública federal disparou: chegou a R$ 2 trilhões.
As promessas eleitorais de 2010 nunca se materializaram. Os milhares de creches desmancharam-se no ar. O programa habitacional ficou notabilizado por acusações de corrupção. As obras de infraestrutura estão atrasadas e superfaturadas. Os bancos e empresas estatais transformaram-se em meros instrumentos políticos ─ a Petrobrás é a mais afetada pelo desvario dilmista.
Não há contabilidade criativa suficiente para esconder o óbvio: o governo Dilma Rousseff é um fracasso. E pusilânime: abre o baú e recoloca velhas propostas como novos instrumentos de política econômica. É uma confissão de que não consegue pensar com originalidade. Nesse ritmo, logo veremos o ministro Guido Mantega anunciar uma grande novidade para combater o aumento dos preços dos alimentos: a criação da Sunab.
Ah, o Brasil ainda vai cumprir seu ideal: ser uma grande Bruzundanga. Lá, na cruel ironia de Lima Barreto, a Constituição estabelecia que o presidente “devia unicamente saber ler e escrever; que nunca tivesse mostrado ou procurado mostrar que tinha alguma inteligência; que não tivesse vontade própria; que fosse, enfim, de uma mediocridade total”.
10 fevereiro 2013
O papel das agências reguladoras no Direito brasileiro
Deu no site Conjur:
As
agências reguladoras no Brasil crescem em número e importância a cada
dia, mas ainda são pouco conhecidas pela população e pelos profissionais
do Direito. Sua origem, como noticia Odete Medauar, deu-se com a
criação nos Estados Unidos, em 1887, da Interstate Commerce Comission, para disciplinar os negócios privados (O Direito Administrativo em evolução, RT, p. 55).O modelo, aos poucos, difundiu-se pelo mundo. José Vicente Godoi Junior, em dissertação de mestrado defendida na Unimar, analisa e dá exemplos de agências na Inglaterra, França, Portugal e Estados Unidos (http://www.unimar.br/pos/trabalhos/arquivos/BE318D57B1169ABAE138DF08592C84E2.pdf, acesso em 9.2.2013). Fernando Quadros da Silva observa que “o modelo de agência reguladora, adotado pelo legislador federal brasileiro, é inspirado nas agências independentes dos Estados Unidos, que regulam setorialmente as atividades, por meio de colegiados” (Agências Reguladoras, Juruá, p. 96).
A Constituição de 1988, no artigo 21, inciso XI, previu a criação de um órgão regulador para explorar os serviços de telecomunicação. No dia 16 de julho de 1997, a Lei 9.472 criou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), definindo-a como autarquia especial, pertencente à administração indireta e vinculada ao Ministério das Telecomunicações.
Mas a Carta Magna, ao tratar da Ordem Econômica, lançou base para a criação de outras agências, mencionando, no artigo 174, o Estado como ente regulador da atividade econômica. Posteriormente, por meio da Lei 10.871/2004, dispôs sobre a criação de carreiras e organização de cargos efetivos das agências reguladoras.
Registre-se que elas não devem ser confundidas com as autarquias. Estas, apesar de teoricamente pertencerem à administração descentralizada, na realidade se tornaram tão burocráticas e ineficientes quanto os órgãos da administração direta.
As agências reguladoras têm objetivos mais elevados. Seus dirigentes têm mandato fixo e estabilidade, são indicados pelo presidente da República e precisam ser aprovados pelo Senado. Gozam de autonomia quase igual à dos magistrados. Seus servidores são admitidos em concursos rigorosos e a remuneração é adequada. A Antaq, agência que regula os Transportes Aquaviários, dispõe de 22 vagas para técnicos administrativos, nível médio, com rendimentos de R$ 5.064,18 e de 76 vagas para especialistas de regulação de serviços de transportes aquaviários, nível superior, com vencimentos de R$ 10.323,20.
Com a concessão de garantias a seus membros e vencimentos acima dos que se pagam na administração direta, pretende-se das agências que tenham independência política, que regulem adequadamente as atividades que lhes são delegadas e que as fiscalizem com eficiência, assegurando a efetividade.
No Brasil atualmente temos as seguintes agências: Anatel, Aneel, ANP, Anac, Anvisa, ANS, ANA, ANTT, Antaq e Ancine. Algumas destacam-se por possuírem maior tradição e efetividade. A Anatel conquistou o respeito da população pela forma rápida e objetiva com que atende às reclamações que lhe são feitas. Para ficar em apenas um exemplo, no ano de 2012 ela proibiu a TIM de vender novas linhas por 11 dias, em 18 estados (Estado de S. Paulo, 8.2.2013, B12).
A Anvisa, de outubro de 2012 a fevereiro de 2013, fez 29 inspeções em navios de cruzeiros, assegurando o cumprimento de suas exigências (por exemplo, grau de limpeza e tratamento de lixo hospitalar). A ANP tem uma missão difícil e de relevância máxima. Qual seja, regular e fiscalizar a exploração de petróleo e gás. Suas exigências para o campo de Roncador, na Bacia de Campos (RJ), obrigarão a Petrobrás a investir mais de R$ 1 bilhão (Estado de S. Paulo, 18.1.2013, B1).
A Agência Nacional de Águas (ANA) passa por uma crise, face à acusação contra seu ex-diretor Paulo Vieira, supostamente envolvido na corrupção de funcionários de órgãos federais para a compra de pareceres técnicos para a aprovação de projeto de interesse de um ex-senador da República (Estado de S. Paulo 17.12.2012, A4). Este fato, objeto da chamada Operação Porto Seguro da Polícia Federal, revela a absoluta necessidade de que os Diretores das Agências sejam recrutados entre pessoas de reconhecido conhecimento técnico e respeitabilidade notória, além de não exercerem atividade político partidária.
É fácil? Óbvio que não. Estes cargos são extremamente disputados, as pressões são fortes. Mas é neste e em outros detalhes que se distingue um estadista de um político comum. Se o que se quer é o bem do Brasil, nomeiam-se diretores com estas características. Se o que se pretende é mais e mais acordos políticos, nomeia-se um político não reeleito, sem conhecimento da área.
Finalmente, registre-se que as agências não se restringem às criadas pela União. Aos estados e municípios também se faculta a criação de suas agências, para tratar de temas de seus respectivos interesses.
No âmbito municipal, a mais antiga é a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cachoeiro do Itapemirim (ES), criada pela Lei 4.798, em 1999. Na área estadual existem dezenas de agências espalhadas pelo território nacional. Elas se encontram unidas na Abar, a Associação Brasileira de Agências de Regulação, que já possui 40 entidades associadas.
Este é o quadro atual. Inegavelmente, ainda falta às agências brasileiras tornarem-se mais conhecidas e gozarem de maior autonomia. Por vezes são confundidas com órgãos dos Ministérios aos quais se vinculam. O ideal a ser perseguido é que sejam cada vez mais técnicas e menos politizadas. E que nas suas áreas específicas, os julgamentos administrativos sejam tão isentos quanto os do Poder Judiciário, com a vantagem de serem respaldados por conhecimentos técnicos.
Nos EUA, os juízes só reveem as decisões dos Tribunais Administrativos existentes nas agências em caso de ofensa ao devido processo legal. E mais: o interessado deve fazer todas as provas de suas alegações no processo administrativo. Se não o fizer, estará impedido de fazê-las no processo judicial.
Em suma, o Brasil passa por uma fase de transformação social e econômica. É uma evolução lenta, mas que deve seguir firme. Neste caminho, as agências reguladoras têm um papel de grande importância. E os profissionais do Direito devem conhecer e enfrentar esta nova realidade, inclusive se especializando.
Vladimir Passos de Freitas é desembargador federal aposentado do TRF 4ª Região, onde foi presidente, e professor doutor de Direito Ambiental da PUC-PR.
Nocauteada pelo Plano Real, a inflação avisou de novo que está querendo acordar
Deu no blog de Augusto Nunes (Veja.com):

Milhões de brasileiros sensatos estão compreensivelmente inquietos com o
monstro adormecido há mais de 18 anos (Imagem: Gunilla Riddare)
Nocauteado pelo Plano Real em 1995, o dragão que atormentou o Brasil
por quase meio século voltou a entreabrir os olhos neste janeiro: o
índice de 0,86% é o maior dos últimos dez anos ─ e elevou para 6,15% a
taxa anual. Os números seriam ainda mais perturbadores se os prefeitos
Fernando Haddad e Eduardo Paes não tivessem adiado, a pedido de Dilma
Rousseff, o aumento das tarifas do transporte coletivo em São Paulo e no
Rio. Mas os governantes do Brasil Maravilha seguem contemplando o
horizonte com a expressão beatífica de um Gilberto Carvalho quando vê
Lula a menos de cinco metros de diostância. A coisa vai bem demais,
recitam as flores da inépcia. Se melhorar, estraga.
Na quinta-feira, Dilma Rousseff mandou a inflação passear para
encontrar-se a sós com o senador amazonense Alfredo Nascimento. Demitido
do Ministério dos Transportes depois de pilhado pela imprensa em cenas
de corrupção explícita, Nascimento apareceu no Planalto caprichando na
pose de presidente do PR. Na sexta-feira foi a vez de Carlos Lupi,
apeado do Ministério do Trabalho também por ter aterrissado ruidosamente
no noticiário político-policial. No papel de comandante do PDT, Lupi
enfim reviu a chefe que lhe inspirou espalhafatosas declarações de amor.
“A presidenta quis trocar ideias com nossos aliados”, fantasiou
Gilberto Carvalho. Quem passou a vida trocando favores não tem ideias
para trocar. Nas duas audiências, só se tratou do contrato de aluguel
que deverá garantir o apoio do PR e do PDT à candidatura de Dilma a um
segundo mandato. A trinca não perdeu tempo com assuntos desagradáveis ─
as razões do despejo da dupla, por exemplo. Ninguém infiltrou na pauta
temas incômodos ─ a inflação de janeiro, por exemplo. Dilma, Nascimento e
Lupi examinaram exclusivamente questões ligadas à eleição de 2014. O
passado e o presente ficaram fora da pauta que só tratou do futuro.
No lugar da presidente ocupada com dois casos de polícia, irrompeu no
picadeiro o inevitável Guido Mantega. O que tinha a dizer sobre o
índice divulgado pelo IBGE? “A projeção é de que janeiro foi o pico”,
reincidiu a usina de vigarices. Depois de atravessar 2012 enxergando um
pibão até ser atropelado pelo pibinho, depois de recorrer a trapaças de
envergonhar qualquer 171 para esconder crateras nas contas públicas,
Mantega recomeçou a sequência de previsões cretinas. A tapeação não pode
parar.
“Eu não tenho projeção até dezembro, mas nos próximos meses a
inflação vai para baixo”, mentiu outra vez. Até o aprendiz de
ilusionista disfarçado de ministro da Fazenda sabe que a taxa de janeiro
seria mais alarmante se o o preço da gasolina subisse no começo do ano,
como queria Graça Foster, presidente da Petrobras. O próximo índice já
refletirá os efeitos desse aumento.
Ainda no primeiro semestre, queiram ou não os prefeitos companheiros,
paulistanos e cariocas estarão pagando mais caro para embarcar em
ônibus, trens urbanos e metrôs. O crescimento da demanda (estimulado
pelo governo) e a redução da oferta (decorrente da retração da atividade
industrial) ameaçam reprisar a parceria historicamente perversa. E a
curva ascendente dos preços dos alimentos começa a causar estragos
sobretudo nos bolsos da classe média (velha ou nova).
Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA,
milhões de brasileiros sensatos estão compreensivelmente inquietos com
os sinais emitidos pelo monstro adormecido há mais de 18 anos. Os
encarregados de impedir que desperte não perdem o sono por tão pouco.
Dilma e Mantega estão brincando com o perigo. Podem acabar engolidos
pelo bicho que acordaram.
Oposição vai pro carnaval e Dilma deita e rola na lambança...
Deu no Jornal o Globo, em reportagem de Ontem, de Maria Lima:
Quinta-feira
de anúncio de novos números negativos da inflação seria, como avaliou
um líder governista, dia de a oposição ocupar as tribunas e “nadar de
braçada” nas críticas ao governo. Mas, no Senado, nenhum senador ou
líder do PSDB ou do DEM apareceu para faturar. Só os governistas
ocuparam o espaço da tribuna, com transmissão ao vivo pela TV Senado.
Além da criticada omissão em relação às eleições de Renan Calheiros
(PMDB-AL) e Henrique Alves (PMDB-RN) para os comandos do Senado e da
Câmara, esta quinta-feira foi só mais um exemplo de como, num período em
que o governo da presidente Dilma Rousseff enfrenta dificuldades de
gestão e na condução da política econômica, a oposição se encolhe e
silencia, em vez de partir para o ataque.
Ausentes
desde a quarta-feira — alguns desde terça — para uma folga carnavalesca
de duas semanas, os líderes da oposição fazem um mea-culpa da
desarticulação, mas prometem unificar a atuação depois do carnaval. “A
constatação é: o processo eleitoral do ano passado provocou um
distanciamento da oposição. Mas nós do DEM, o PPS e o PSDB já superamos
essas dificuldades e nos entendemos, e o diálogo voltou a ficar
lubrificado. Vamos nos reunir depois do Carnaval para retomar uma ação
unificada. O governo está errando e surfando sozinho porque nos
distanciamos”, admitiu ontem, por telefone, o líder do DEM, senador
Agripino Maia (RN).
Em
conversas esta semana com colegas da oposição, o ex-líder do PSDB no
Senado Álvaro Dias (PR) admitiu que o partido se perdeu na eleição do
Senado. E culpa a eterna briga entre as alas ligadas ao senador Aécio
Neves (MG) e ao ex-governador José Serra (SP). Ele chegou a defender que
o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) abrisse mão da 1ª Secretaria da Mesa
para reduzir o estrago no partido. Sem sucesso.
(…)
O professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Roberto Romano lembra que, na História recente do país, a oposição quase sempre foi minoria no Congresso Nacional, mas considera que nunca foi tão dramática a sensação de sua inexistência como na atualidade. “Em troca de um cargo na Mesa do Senado Federal, eles traíram, em sigilo, a palavra de ordem oposicionista. Essa oposição não diz a que veio, ela não tem uma alternativa de curto, médio e longo prazos para a economia do Brasil. A oposição nunca foi tão insignificante do ponto de vista político e legal como neste momento”, afirmou.
(…)
O professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Roberto Romano lembra que, na História recente do país, a oposição quase sempre foi minoria no Congresso Nacional, mas considera que nunca foi tão dramática a sensação de sua inexistência como na atualidade. “Em troca de um cargo na Mesa do Senado Federal, eles traíram, em sigilo, a palavra de ordem oposicionista. Essa oposição não diz a que veio, ela não tem uma alternativa de curto, médio e longo prazos para a economia do Brasil. A oposição nunca foi tão insignificante do ponto de vista político e legal como neste momento”, afirmou.
Os líderes
governistas comemoram a ausência de ação do campo adversário. No
plenário quase vazio do Senado, ontem, o líder do PMDB, Eunício Oliveira
(CE), subiu à tribuna para defender o governo Dilma. “Hoje seria um
prato cheio para a oposição, com esses números da inflação, que é uma
preocupação nossa. Mas é a cabeça de cada um, né?”, comentou Eunício.
(…)
(…)
Soneto Do Amor Total
Para não dizer que não falei de amor...
Vinicius de Moraes
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, no presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
*****
Dedicado à minha "ex-My love"
09 fevereiro 2013
Política econômica tipo "biruta de aeroporto" de Dilma e Mantega afasta investidores
Leiam o que informa a VEJA.com:
Em apenas
dois dias, o governo brasileiro conseguiu minar de maneira preocupante a
credibilidade da economia aos olhos mercado num momento em que o Brasil
tenta atrair investidores de longo prazo para os projetos de
infraestrutura. Há duas razões primordiais para a piora da percepção
externa em relação ao Brasil. Primeiro, a inflação de janeiro recém
divulgada. E, em seguida, pela política de câmbio falsamente flutuante
que está em curso. Não bastassem esses dois fatores, ainda há o
desalinho de mensagens emitidas pelo Banco Central e o Ministério da
Fazenda para justificar a deterioração dos pilares econômicos que
sustentam a economia. O mercado não sabe o que esperar do Brasil.
Segundo o jornal britânico Financial Times, o país se tornou “um
enigma”. Já o Wall Street Journal publicou um artigo nesta sexta-feira
afirmando ser impossível encontrar um meio termo entre as informações
desencontradas enviadas pelas autoridades brasileiras.
A inflação
(de 0,86% em janeiro) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) na quinta-feira mostrou-se acima das estimativas,
elevando a preocupação do mercado em relação à capacidade de o governo
conseguir domar a alta dos preços. No acumulado de 12 meses, o Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 6,15%, o que
mostra que o governo deixou de mirar o centro da meta de inflação, que é
de 4,5%, e tem admitido porcentuais maiores na expectativa de
impulsionar o crescimento econômico. “Há uma clara tolerância em relação
à inflação no Brasil. Já começa pelo nível alto que está no centro da
meta (de 4,5%), enquanto em países como o Chile, Colômbia e México, é de
3%, e no Peru, 2%”, afirmou o economista-chefe do Goldman Sachs para a
América Latina, Alberto Ramos, em comunicado enviado na última semana.
Na mesma
quinta-feira, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini,
demonstrou inquietação com a alta persistente do indicador, mas avisou
que não prevê utilizar a taxa de juros como forma de equalizar esse mal.
“A inflação nos preocupa a curto prazo, está mostrando uma resiliência
forte, mas não é o caso de descontrole inflacionário. A nossa
expectativa é que ela continue pressionada no primeiro semestre”, disse
Tombini em entrevista à jornalista Miriam Leitão.
Com a
queda da Selic descartada no curto prazo, uma forma lógica de viabilizar
a desaceleração do IPCA seria a desvalorização do dólar – ideia que
ganhou força em meados de janeiro quando o BC começou um movimento
intensivo de venda de contratos de câmbio no mercado futuro, fazendo com
que a moeda americana saísse do patamar de 2,10 e recuasse para menos
de 2 reais em duas semanas. Na manhã desta sexta-feira, após a fala de
Tombini sobre a Selic e a inflação, o dólar chegou a bater 1,95 real
(menor cotação em mais de nove meses), incomodando o ministro da
Fazenda, Guido Mantega – indivíduo que, em teoria, não tem como função
atuar na política cambial, e sim na fiscal.
Mantega,
em seguida, veio a publico dizer que não deixará o dólar cair para algo
próximo de 1,85 real – ignorando que a flutuação cambial é a política
oficial adotada pelo governo desde a gestão de Fernando Henrique
Cardoso. O ministro ameaçou ainda retomar todas as medidas de
protecionismo alicerçadas no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF),
que fizeram o capital estrangeiro fugir do Brasil no último ano e que
estavam sendo desfeitas pelo próprio governo devido, justamente, ao
baixo nível de investimento verificado na economia brasileira em 2012.
“O ideal é que não houvesse intervenção, mas isso é sonho. Agora, se
houver de novo uma tendência especulativa, se o pessoal se animar:
‘vamos puxar esse câmbio para 1,85′, aí estaremos de novo intervindo”,
disse o ministro. “Posso comprar mais reservas e posso reconstituir os
IOFs (que foram reduzidos)”.
Segundo o
analista da Economist Intelligence Unit (EIU), Robert Wood, tal
movimentação desconexa amedronta ainda mais o investidor estrangeiro –
exatamente quando o governo quer estimular o oposto. “As empresas que
estavam esperando um período de estabilidade na taxa de câmbio em torno
de 2 reais, agora se deparam com incertezas. E os últimos dados de
inflação também devem atrasar ainda mais as decisões de investimento no
Brasil”, afirma.
Preenchimento do Censo da Educação Superior 2012 vai até 26 de abril
Mariana Tokarnia - Agência Brasil
- 07/02/2013 - Brasília, DF
Teve início
essa semana, na segunda-feira (4), o prazo para preenchimento dos
questionários online no portal do Ministério da
Educação (MEC) para a realização do Censo da
Educação Superior 2012. As instituições de
ensino superior terão até 26 de abril para o preenchimento
dos dados.
O Censo da
Educação Superior reúne informações
sobre os cursos oferecidos pelas instituições superiores,
vagas ofertadas, inscrições, matrículas, alunos
ingressantes e concluintes, além de informações sobre
docentes. Os questionários são preenchidos pelo representante
legal ou pelo chamado pesquisador institucional. O responsável pela
verificação e organização das
informações é o Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O censo ainda
é utilizado no cálculo de indicadores de qualidade do ensino
superior, como o Cálculo Preliminar de Curso (CPC) e Índice
Geral de Cursos (IGC).
Durante o prazo
para preenchimento do questionário, os pesquisadores institucionais
podem fazer alterações ou inclusões a qualquer
momento. Após esse período, o Inep verificará a
consistência dos dados coletados. O sistema do censo será
então reaberto para conferência e validação dos
dados pelas instituições.
A reabertura este
ano ocorrerá do dia 14 de maio a 19 de junho. As
instituições que não participarem do censo
terão a situação avaliada pelo Inep. A
divulgação do levantamento será feita no dia 12 de
agosto.
O modelo atual do
censo é definido pelo Decreto 6.425, de 4 de abril de 2008. O
objetivo é oferecer à comunidade acadêmica e à
sociedade informações detalhadas sobre a
situação e as grandes tendências do setor.
De acordo com o
Censo do Ensino Superior 2011, divulgado em outubro de 2012, pelo MEC, o
número de matriculas na educação superior subiu 5,7%
no período de 2010 a 2011. Quanto às universidades federais,
atualmente são 59. A previsão do governo federal é que
até 2014 o Brasil tenha 63 universidades federais, com 321 campi
distribuídos em 272 municípios.
Governo agora quer que cada escola defina se haverá aulas durante Copa
FLAVIA FOREQUE - FILIPE COUTINHO - Folha
de São Paulo - 08/02/2013 - São Paulo, SP
Apesar de a Lei
Geral da Copa prever que todas as escolas do país ajustem o
calendário de férias para que ele abranja o período
dos jogos, a decisão pode ser suspensa.
O Conselho
Nacional de Educação, órgão vinculado ao MEC,
elaborou parecer em dezembro em que questiona a aplicação do
artigo da lei sancionada em junho pela presidente Dilma Rousseff.
O documento ainda
precisa ser homologado pela pasta para entrar em vigor --a Folha apurou que
a posição do conselho tem o apoio do ministro Aloizio
Mercadante.
O grupo argumenta
que o texto não revoga ou altera explicitamente trecho da LDB (Lei
de Diretrizes e Bases da Educação) que diz que o
calendário escolar deve ser fixado pelas escolas seguindo as
`peculiaridades` de cada região.
Por ser uma lei
específica sobre o ensino no país, a LDB se sobrepõe
à lei da Copa, argumenta Mozart Ramos, relator do assunto no
conselho.
`Ninguém
percebeu que o problema era mais complexo. Talvez o deputado [que fez o
projeto de lei] não tivesse experiência na área de
educação, e quem tinha não leu direito.`
Ele ainda
argumenta que a obrigatoriedade do recesso durante os jogos em 2014 pode
prejudicar o ritmo de aulas.
Quando a ideia foi
discutida na Câmara, deputados a defenderam como forma de garantir as
férias num período em que o país iria `parar`. De
início, chegou-se a discutir datas de início e fim dos
semestres, mas os deputados foram desmobilizados justamente para evitar
conflitos com a LDB.
Para o relator da
lei na Câmara, Vicente Cândido (PT-SP), a decisão do CNE
é uma `polêmica desnecessária`.
`Garantimos em lei
para dar estabilidade aos dirigentes da educação. No dia do
jogo do Brasil, alguém vai dar aula? Estamos tentando resolver de
uma forma legal para mudar as férias em janeiro ou julho. Esse
é o bom senso.`
Segundo ele, as
duas leis são específicas e cada um interpreta qual vale
mais. `Quando a LDB foi aprovada, o Brasil não pensava em sediar uma
Copa.`
A Lei Geral da
Copa é um conjunto de leis prometido pelo governo brasileiro
à Fifa para oferecer as condições jurídicas
para a entidade realizar o evento bilionário no Brasil.
Apesar de tratar
basicamente de regras para o evento e interesses da Fifa --como vistos e
proteção a marcas--, os deputados decidiram reunir num mesmo
texto todas as outras propostas sobre a Copa.
Foi assim que o
projeto de Cléber Verde (PRB-MA) foi aprovado. `Não podemos
deixar de propiciar que os torcedores, principal razão de ser dos
espetáculos esportivos, estejam liberados para festejar`, escreveu o
deputado ao justificar as férias durante os jogos.
Pelo texto da lei,
as escolas `deverão ajustar` os calendários para não
ter aulas na Copa. Não há, contudo, punição
prevista por descumprimento.
Apesar disso, como
texto tem força de lei, pais de alunos têm brecha para buscar,
na Justiça, a garantia de não ter aula durante o evento. Os
jogos da Copa ocorrem de 12 de junho a 13 de julho do próximo
ano.
07 fevereiro 2013
‘Tente calcular’, por Carlos Alberto Sardenberg
PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
A tarifa de luz caiu 18,5%, para todos os consumidores residenciais
no Brasil, desde 24 de janeiro, conforme anunciado pela presidente
Dilma. Assim, na conta a pagar em fevereiro, já aparece o desconto
referente aos últimos setes dias de janeiro. Em março, a redução plena.
Para comércio e indústria, a redução também está em vigor e o percentual é maior, podendo chegar a até 30%.
Portanto, consumidores e investidores podem programar seus gastos e
negócios incorporando nos cenários esta importante redução de custo de
um item econômico crucial.
Certo?
Certo, porém: consumidores pelo país afora receberam contas de luz de
janeiro com aumentos autorizados em meses anteriores pela Agência
Nacional de Energia Elétrica, nos processos regulares de revisão de
tarifas. Foi assim, por exemplo, no Rio, em Campinas (SP) e na Paraíba ─
neste último caso por causa do aumento do ICMS, imposto estadual.
Outro porém: por causa da falta de chuvas e, pois, do nível baixo dos
reservatórios das hidrelétricas, boa parte da energia brasileira vem
neste momento das termoelétricas, movidas a gás, diesel ou carvão. Esta
energia é mais cara, as distribuidoras já estão pagando mais, mas só
poderão cobrar dos consumidores em revisões tarifárias futuras. Estas
revisões dependem, é claro, do tempo de utilização das termoelétricas, o
que, de sua vez, depende das chuvas. Ou seja, nesse item, a conta de
luz vai subir, mas não se sabe quanto nem quando.
Terceiro porém: a partir do segundo semestre deste ano, algumas
geradoras e distribuidoras passarão por um processo regular de revisão
da produtividade, que pode levar a uma redução da conta ao consumidor.
Quanto? Não se sabe.
Como, pois, calcular nos cenários do ano o preço que se vai pagar por esse importante insumo?
Gasolina e diesel
Apesar do último aumento, a Petrobrás continua perdendo dinheiro no
setor de distribuição. A estatal vende aqui gasolina e diesel por preço
inferior ao que paga lá fora. A importação é cada vez maior, pois o
consumo só sobe no Brasil, entre outros motivos pela venda de
automóveis, oficialmente estimulada pelo governo. E a Petrobrás não tem
condições de aumentar a produção interna.
A estatal, pela sua presidente, Graça Foster, deixa claro que precisa
cobrar mais caro aqui dentro porque precisa de dinheiro para aplicar em
refinarias e na produção de petróleo, em queda neste momento. O
governo, pelo ministro Guido Mantega, deixa claro que não quer saber de
novos aumentos. E a presidente Dilma diz que o aumento recente da
gasolina é muito pequeno, pouco afeta o bolso do consumidor, revelando
por aí que não tem intenção de topar nova alta.
Porém, todo mundo, dentro e fora do governo, sabe que será preciso
elevar de novo o preço da gasolina e do diesel, porque todo mundo sabe
que a Petrobrás precisa de mais dinheiro para o programa de investimento
determinado pelo próprio governo.
Por causa dessa dificuldade de caixa, aliás, a Petrobrás cortou
dividendos que deveria pagar ao governo federal, seu acionista
controlador. Faz sentido, mas o governo estava cobrando mais dividendos
de suas estatais para fechar suas próprias contas.
Como, pois, calcular, no cenário do ano, o custo com esses combustíveis?
Inflação
A redução recente da conta de luz derruba a inflação. O aumento da
gasolina e diesel vai na direção contrária. Diz a presidente Dilma que a
queda na luz é muito maior do que a alta da gasolina, que pesa
diretamente no bolso do consumidor e, pois, no índice de inflação.
Certo?
Depende: se você usa muito o seu carro, sua conta será maior. Além
disso, o diesel provoca aumento no custo do frete rodoviário, que tem
impacto em praticamente tudo que se produz e consome no Brasil.
Se não chover e, por isso, houver aumentos significativos nas contas
de luz ao longo do ano, isso dá mais inflação. Com ganhos de
produtividade, dá menos.
O adiamento dos reajustes de tarifas de transportes coletivos no Rio e
em São Paulo, a pedido do governo federal, alivia a inflação de janeiro
e fevereiro. Mas esse aumento terá que sair em algum momento a partir
de meados do ano. Mais inflação.
A volta progressiva do IPI dos carros, desde janeiro, aumenta preços e, pois, causa inflação.
Mas a eliminação do Pis-Cofins e IPI da cesta básica, anunciada pela presidente, vai derrubar a inflação mais à frente.
Há, porém, uma bronca de deputados federais. Eles aprovaram o fim dos
impostos sobre a cesta básica no ano passado e a presidente Dilma
vetou. E agora? Deputados aliados dizem que não se pode cortar o IPI
porque isso reduz o repasse de impostos federais aos municípios.
Tudo considerado, qual inflação colocar no cenário? E quanto aos
municípios, por exemplo: quanto colocam de repasse federal em suas
previsões?
Política econômica não é ciência exata, claro. Muitos dizem que não é
sequer ciência. Mas também não precisa ser assim tão improvisada.
Impeachment do Presidente do Senado: Renan Calheiros
Há uma nova petição no site da Petições da Comunidade e nós pensamos que vocês pudessem se interessar:
Povo Brasileiro!
Acabamos de ser chamados de Palhaços!!!
O Senador Renan Calheiros acaba de ser eleito Presidente do Senado com 56 votos secretos!! Isso é um absurdo! E não podemos ficar calados diante de tal ATROCIDADE!!!
Não podemos ficar de mãos atadas!
Vamos conseguir 1.360.000* assinaturas (1% do eleitorado nacional), levar esta petição para o Congresso e exigir que os Senadores escutem a voz do povo que os elegeu.
Segundo nossa Constituição: “A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles”.
Infelizmente essa ferramenta popular foi criada apenas para propor leis e com requisitos tão complexos que quase ninguém consegue fazer uso dela. Mas se 1.360.000 se juntarem a nós, poderemos causar um rebuliço na mídia, desafiar as restrições desta Iniciativa popular e exigir a revogação do presidente do Senado, Renan Calheiros. Vamos usar o poder do povo agora para exigir um Senado limpo.
Clique aqui para assinar a petição e envie para todos:
http://www.avaaz.org/po/ petition/Impeachment_do_ Presidente_do_Senado_Renan_ Calheiros/?bxbQVdb&v=21735
Acabamos de ser chamados de Palhaços!!!
O Senador Renan Calheiros acaba de ser eleito Presidente do Senado com 56 votos secretos!! Isso é um absurdo! E não podemos ficar calados diante de tal ATROCIDADE!!!
Não podemos ficar de mãos atadas!
Vamos conseguir 1.360.000* assinaturas (1% do eleitorado nacional), levar esta petição para o Congresso e exigir que os Senadores escutem a voz do povo que os elegeu.
Segundo nossa Constituição: “A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles”.
Infelizmente essa ferramenta popular foi criada apenas para propor leis e com requisitos tão complexos que quase ninguém consegue fazer uso dela. Mas se 1.360.000 se juntarem a nós, poderemos causar um rebuliço na mídia, desafiar as restrições desta Iniciativa popular e exigir a revogação do presidente do Senado, Renan Calheiros. Vamos usar o poder do povo agora para exigir um Senado limpo.
Clique aqui para assinar a petição e envie para todos:
http://www.avaaz.org/po/
06 fevereiro 2013
MEC e CGU lançam cartilha para orientar gestores de instituições federais de ensino superior
Yara Aquino - Agência Brasil -
05/02/2013 - Brasília, DF
Uma cartilha para
orientar gestores de instituições federais de ensino superior
na execução dos recursos orçamentários foi
lançada hoje (5) em parceria entre o Ministério da
Educação e a Controladoria-Geral da União. São
122 perguntas e respostas para tirar dúvidas dos gestores e evitar a
ocorrência de irregularidades no processo de gestão das
instituições.
Entre as
questões respondidas na cartilha estão algumas relacionadas
à contratação de pessoal, hipóteses de dispensa
de licitação, requisitos para que um professor estrangeiro
ingresse como professor visitante na instituição e em que
situações podem ser pagas diárias e passagens para
colaborador eventual.
“A cartilha
dá recomendações claras, propõe
ações para os gestores e orienta sobre o que podem e
não podem fazer”, disse o ministro da Educação,
Aloizio Mercadante.
A
publicação foi elaborada por um grupo de trabalho que reuniu
experiências e regras existentes para a aplicação de
recursos em instituições federais de ensino superior e
institutos que compõem a Rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica.
Pesquisador afirma que estrutura das escolas adoece professores
Priscilla Borges - iG Último
Segundo - 05/02/2013 - São Paulo, SP
“O ambiente
escolar me dá fobia, taquicardia, ânsia de vômito.
Até os enfeites das paredes me dão nervoso. E eu era a pessoa
que mais gostava de enfeitar a escola. Cheguei a um ponto que não
conseguia ajudar nem a minha filha ou ficar sozinha com ela. Eu não
conseguia me sentir responsável por nenhuma criança. E eu
sempre tive muita paciência, mas me esgotei.”
O relato é
da professora Luciana Damasceno Gonçalves, de 39 anos. Pedagoga,
especialista em psicopedagogia há 15 anos, Luciana é um
exemplo entre milhares de professores que, todos os dias e há anos,
se afastam das salas de aula e desistem da profissão por terem
adoecido em suas rotinas.
Para o pesquisador
Danilo Ferreira de Camargo, o adoecimento desses profissionais mostra o
quanto o cotidiano de professores e alunos nos colégios é
“insuportável”. “Eles revelam, mesmo que de forma
oblíqua e trágica, o contraste entre as
abstrações de nossas utopias pedagógicas e a
prática muitas vezes intolerável do cotidiano escolar”,
afirma.
O tema foi
estudado pelo historiador por quatro anos, durante mestrado na Faculdade de
Educação da Universidade de São Paulo (USP). Na
dissertação O abolicionismo escolar: reflexões a
partir do adoecimento e da deserção dos professores , Camargo
analisou mais de 60 trabalhos acadêmicos que tratavam do adoecimento
de professores.
Camargo percebeu
que a “epidemia” de doenças ocupacionais dos docentes
foi estudada sempre sob o ponto de vista médico. “Tentei
mapear o problema do adoecimento e da deserção dos
professores não pela via da vitimização, mas pela
forma como esses problemas estão ligados à forma naturalizada
e invariável da forma escolar na modernidade”, diz.
Luciana
começou a adoecer em 2007 e está há dois anos
afastada. Espera não ser colocada de volta em um colégio.
“Tenho um laudo dizendo que eu não conseguiria mais trabalhar
em escola. Eu não sei o que vão fazer comigo. Mas, como essa
não é uma doença visível, sou
discriminada”, conta. A professora critica a falta de apoio para os
docentes nas escolas.
“Me sentia
remando contra a maré. Eu gostava do que fazia, era boa
profissional, mas não conseguia mudar o que estava errado. A escola
ficou ultrapassada, não atrai os alunos. Eles só estão
lá por obrigação e os pais delegam todas as
responsabilidades de educar os filhos à escola. Tudo isso me
angustiava muito”, diz.
Viver sem escola:
é possível?
Orientado pelo
professor Julio Roberto Groppa Aquino, com base nas análises de
Michel Foucault sobre as instituições disciplinares e os
jogos de poder e resistência, Camargo questiona a existência
das escolas como instituição inabalável. A
discussão proposta por ele trata de um novo olhar sobre a
educação, um conceito chamado abolicionismo escolar.
“Criticamos
quase tudo na escola (alunos, professores, conteúdos, gestores,
políticos) e, ao mesmo tempo, desejamos mais escolas, mais
professores, mais alunos, mais conteúdos e disciplinas. Nenhuma
reforma modificou a rotina do cotidiano escolar: todos os dias, uma
legião de crianças é confinada por algumas (ou muitas)
horas em salas de aula sob a supervisão de um professor para que
possam ocupar o tempo e aprender alguma coisa, pouco importa a
variação moral dos conteúdos e das estratégias
didático-metodológicas de ensino”, pondera.
Ele ressalta que
essa “não é mais uma agenda política para trazer
salvação definitiva” aos problemas escolares. É
uma crítica às inúmeras tentativas de reformular a
escola, mantendo-a da mesma forma. “A minha questão é
outra: será possível não mais tentar resolver os
problemas da escola, mas compreender a existência da escola como um
grave problema político?”, provoca.
Na opinião
do pesquisador, “as mazelas da escola são rentáveis e
parecem se proliferar na mesma medida em que proliferam diagnósticos
e prognósticos para uma possível cura”.
Problemas
partilhados
Suzimeri Almeida
da Silva, 44 anos, se tornou professora de Ciências e Biologia em
1990. Em 2011, no entanto, chegou ao seu limite. Hoje, conseguiu ser
realocada em um laboratório de ciências. “Se eu for
obrigada a voltar para uma sala de aula, não vou dar conta.
Não tenho mais estrutura psiquiátrica para isso”, conta
a carioca.
Ela concorda que a
estrutura escolar adoece os profissionais. Além das doenças
físicas – ela desenvolveu rinite alérgica por causa do
giz e inúmeros calos nas cordas vocais –, Suzimeri diz que o
ambiente provoca doenças psicológicas. Ela, que cuida de uma
depressão, também reclama da falta de apoio das
famílias e dos gestores aos professores.
“O professor
é culpado de tudo, não é valorizado. Muitas
crianças chegam cheias de problemas emocionais, sociais. Você
vê tudo errado, quer ajudar, mas não consegue. Eu pensava: eu
não sou psicóloga, não sou assistente social. O que eu
estou fazendo aqui?”, lamenta.
05 fevereiro 2013
Mesmo doente, idoso deixa de pagar plano de saúde para fazer faculdade
Do G1 GO, com informações da
TV Anhanguera - G1 Globo.com - 05/02/2013 - Rio de Janeiro, RJ
O aposentado
João Gonzaga Dias, de 69 anos, está se tornando exemplo de
força de vontade para a família e para os alunos de uma
universidade particular de Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Mesmo
com problemas de saúde, como diabetes, pressão alta e
até um marcapasso no coração, ele não se
entregou às dificuldades e deixou de pagar o plano de saúde
para realizar o seu grande sonho: cursar uma faculdade de direito.
“Eu resolvi
entrar na faculdade depois dos 60 anos de idade, depois que eu
concluí a minha responsabilidade junto à minha família
porque eu consegui formar meus filhos. Então, eu senti a necessidade
de estudar para que eu pudesse ter conhecimento”, comenta o
aposentado, que é pai biológico de três filhos e criou
outros três. Destes, quatro já têm curso superior.
Aposentado
há quatro anos, João Gonzaga, que era comerciante, passa o
dia em casa auxiliando a mulher nos afazeres domésticos e na
confeitaria que o casal possui. Entre uma atividade e outra, ele acaba
consultando e revisando os livros da faculdade.
“Eu imaginei
que fosse um sonho dele no momento, mas não imaginei que ele fosse
realmente fazer uma faculdade”, relata a esposa, Izamar Braz
Dias.
Para pagar o
curso, que é em uma faculdade particular com taxa mensal de R$ 842,
além de deixar de pagar o plano de saúde, o aposentado
também vendeu o carro. Mesmo assim, não falta um dia sequer
às aulas. Como está sem carro, a filha ou colegas de sala
dão uma carona ao aposentado. “Às vezes, ele
está passando mal, mas vai para a faculdade. A faculdade para ele
é uma terapia”, diz Izamar.
Bastante
orgulhoso, João se lembra das dificuldades que passou durante os
cinco anos de faculdade. Além de renunciar a alguns
benefícios, o aposentado conta que teve de parar o curso por duas
vezes para poder pagar a faculdade do filho: `Ou eu pagava o plano ou
pagava a faculdade, ou eu pagava a faculdade do meu filho ou a minha porque
as duas eu não conseguia. Tinha de priorizar. Então, preferi
formá-lo primeiro. Depois, tive que fazer novo vestibular, mas
não desanimei`.
Exemplo
Na sala, ele
é o mais velho da turma, mas é muito querido e admirado pelos
colegas e professores. “Acho que ele é um exemplo para todos
nós e para muitas pessoas que acham que pela idade não podem
realizar um sonho antigo”, afirma a estudante Cintia Jesus de
Almeida. “Ele é estudioso, assíduo e dedicado
não só dentro da sala, mas nas atividades extraclasse
também”, comenta o professor Whaslen Fagundes.
Mas tem um amigo
que é especial para João. O estudante Fabrício Lamas
foi quem teve a ideia de contar a vida do amigo para a imprensa.
“Esse exemplo deveria ser divulgado mais adiante. Tantas pessoas
novas que podem estar estudando, mas dizem que não vão porque
não vai dar certo e está velho, e o João não
tem nada de velho. Ele é mais novo que todo mundo aqui junto e
está dando exemplo para todo mundo”, diz Fabrício.
O aposentado
agradece o apoio dos colegas de sala: “Eles têm me ajudado
muito na faculdade e em todos os setores. Para mim, é um orgulho
tê-los como amigos”.
Após 40
anos sem frequentar uma instituição escolar, João
Gonzaga admite a dificuldade, mas garante que está feliz com o sonho
realizado: “Na minha idade não é fácil. É
preciso ter muita persistência para concluir o curso”. O
entusiasmo do aluno contagia toda a equipe escolar. A coordenadora do
curso, Helena Maria Campos, conta que a força de vontade sempre
esteve presente no aposentado desde o início do curso.
“Ele sempre
foi assim, muito atencioso, comprometido, assíduo. Então,
realmente, ele é um exemplo de aluno para os colegas”, relata
Helena Maria.
“Para
nós, que já estamos na terceira idade, chegar em uma
faculdade como o João não é fácil. É
como se fosse um exemplo para todos nós, principalmente para os
colegas mais jovens e também para as pessoas que estão nessa
idade e pensam que o mundo acabou, a vida acabou. Então, é o
momento de recomeçar, a vida é sempre um
começo”, diz a diretora acadêmica da
instituição, Stefane Barbosa.
A formatura do
aposentado João Gonzaga Dias está marcada para o dia 2 de
março deste ano. Para ele, o sonho não acabou. Agora, o
aposentado quer atuar na profissão. Já até iniciou a
construção de um escritório em casa e está
estudando para a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
04 fevereiro 2013
Agonia de uma Profissão – Carta aos Médicos Brasileiros Tenho visto profissionais, às vezes de sessenta ou setenta anos, fazendo plantão nas emergências do Sistema Único de Saúde (SUS)

"Tenho
visto profissionais, às vezes de sessenta ou setenta anos, fazendo
plantão nas emergências do Sistema Único de Saúde (SUS). Comem mal, não
dormem, são ameaçados..." (Foto: Dedoc / Editora Abril)
Artigo de Milton Pires, médico em Porto Alegre e leitor do blog "Ricardo Setti" (Veja.com)
AGONIA DE UMA PROFISSÃO – CARTA AOS MÉDICOS BRASILEIROS
*******************
Permitam-me
os colegas fazer uso no presente artigo dos dois discursos que mais
encantam o “meio intelectual brasileiro” – o marxista e o psicanalítico.
Esqueçam, por alguns instantes, aquilo que ambos dizem do mérito e da
caridade humanos. Espero que minhas conclusões não os choquem e sugiro
ainda que, em caso de indignação, adotem como saída elegante afirmar que
não gosto de ser médico; passa a impressão de profissionalismo e pena
profundos de alguém como eu….rss
Tenho visto profissionais, às vezes de sessenta ou setenta anos,
fazendo plantão nas emergências do Sistema Único de Saúde (SUS).
Comem mal, não dormem (ou o fazem em quartos imundos), são ameaçados
ou agredidos pelos próprios pacientes, alguns roubam medicações
controladas para uso próprio, e muitos acabam como notícia no Jornal Nacional.
Seu instrumento de trabalho mais importante é um carimbo e seu chefe é
uma enfermeira. Eles assistem pacientes morrerem por falta de
medicamentos, leitos, cirurgias e métodos diagnósticos. Dia após dia,
independentemente de posição política ou tempo de formatura, são
representantes legítimos de um delírio cujo início remonta a década de
setenta.
Naquela época, um médico brasileiro, ex-assessor para saúde na
Nicarágua, e que depois viria se eleger deputado por um partido
comunista, pensou ser possível trazer à terra aquilo que nem Jesus
Cristo imaginou: um sistema de saúde com livre demanda, cobertura
completa de custos, e acesso imediato aos serviços. Sim, meus amigos, o
Brasil deve ao Dr. Sérgio Arouca e aos seus “companheiros” o fato de
homens maravilhosos como Fernandinho Beira-Mar e Marcola terem o mesmo
direito a um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que qualquer
trabalhador.
Certamente, se vivo, o Dr. Arouca ficaria exultante ao ver como
nossas UTIs são numerosas e estão bem equipadas e eu gostaria de saber
como ele explicaria o fato de Lula não tratar seu câncer no SUS.
Uma década antes, no governo Castelo Branco, o Brasil assistia ao
início de uma proliferação de faculdades que nos lembra que nem só de
futebol somos campeões. Daqueles bancos saíram médicos, e continuam
saindo, que vêem no futuro a possibilidade de uma prática liberal que a
muito deixou de existir.
A verdade é que nos tornamos empregados! O estereótipo do médico
recém-formado que vai para o interior casar com a filha de um
latifundiário e depois disputar algum cargo municipal é cada vez mais
difícil de ser encontrado.
Ao que nos parece, em 1964 os militares viram na classe médica uma
ameaça política e trataram de tomar providências. A primeira delas, em
silêncio garantido pelas paredes da Escola Superior de Guerra, foi
determinar que saúde era uma questão de segurança nacional. A segunda,
bem mais simples, foi submeter os médicos a mais elementar lei de
mercado: oferta e procura.
E o que houve daí em diante? Tornamo-nos muitos, empobrecemos, nos
sindicalizamos, e acima de tudo passamos a crer, como bons marxistas,
que tínhamos um poder de transformação social até então adormecido. Era
preciso ser um “trabalhador da saúde”. Médicos ligados à saúde pública
começaram a despontar na cena política, mas desta vez ligados aquilo que
se chamava na época de “esquerda”.
O país assistia então ao nascimento do Partido dos Trabalhadores e
quem não lutava por eleições diretas não tinha coração. Enquanto isso,
em silêncio mas de forma contínua, o sistema que fazia diferença entre
aqueles que trabalhavam e contribuíam ou não para os gastos com a saúde
nacional extinguia-se aos poucos.
Alheios a tudo, os antigos mestres das Escolas de Medicina,
consagrados pelo tempo e saber, continuavam ensinando que o importante
era a relação médico-paciente, que a medicina não podia se desumanizar e
conseguiram com isso contribuir para a visão maniqueísta que passou a
nos dividir entre “técnicos-frios” ou preocupados “com o paciente como
um todo”.

"Pobre do país cujos médicos estão doentes! Era neles que se depositava
a esperança de alívio de um povo que agora percebe que ele, povo,
cuidou muito mal dos seus próprios médicos" (Foto: Luiz Mourier)
Orientaram nossos acadêmicos a fazer estágio nos Estados Unidos. Para
lá partiram aos comboios, quase sempre financiados pelos pais,
lembrando os adolescentes brasileiros que visitam a Disneylandia.
Mas a mim me parece que o sonho está acabando. Voltamos de lá e
estamos de plantão. O que poderia ter saído errado? Nossos pacientes já
não nos respeitam e querem apenas atendimento de graça. Não nos
esqueçamos dos famosos exames – quem não os pede não pode ser bom
médico!
Será generalizada entre os colegas esta minha sensação? Medicação
antidepressiva, menos trabalho e um salário melhor não resolveriam meu
caso? Estas respostas ficam por conta de quem até aqui gastou seu tempo a
me ler.
Uma vez Freud escreveu que a capacidade do indivíduo ser feliz está
relacionada à realização no amor e no trabalho. Da vida pessoal de meus
colegas pouco sei, mas tenho visto em pequenas salas (chamadas pelos
otimistas de estar médico), em que se toma cafezinho frio, uma
verdadeira legião de gente triste.
Isso mesmo, meus colegas, tristes é como estamos em função do que
fazemos para sustentar nossas famílias. Aos dezoito anos de idade, com
todas as alegrias desta época da vida, estávamos, muitos de nós, em
frente a cadáveres. Quantas noites sem dormir por causa dos exames da
faculdade? E o que dizer então da disputa por uma vaga na residência?
Somos médicos, mas antes de tudo somos humanos e é nesta última
condição que a natureza e a doença vem cobrar seu preço. Aumenta cada
vez mais o número de colegas com problemas por causa do álcool e das
drogas. Patologias mentais entre nós avançam em número e gravidade.
Frieza, discussões, insensibilidade com a dor, e raiva das queixas
frívolas dos nossos pacientes são cada vez mais comuns nas emergências
em que trabalhamos com condições quase veterinárias.
Pobre do país cujos médicos estão doentes! Era neles que se
depositava a esperança de alívio de um povo que agora percebe que ele,
povo, cuidou muito mal dos seus próprios médicos. Estamos pedindo
socorro a pessoas comuns, sem treinamento, mas nem por isso sem coração e
vontade de ajudar.
Alguém há que nos possa e queira ajudar?
Uma vez aquele que foi considerado o maior escritor de todos os
tempos – James Joyce – disse que achava impossível escrever sem ofender
as pessoas. Termino aqui. Longe de mim ofendê-los por mais tempo ou ter a
audácia de pensar que Joyce pudesse estar errado.
’300 picaretas e uma pá de cal’, por Fernando Gabeira
PUBLICANO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA
FERNANDO GABEIRA
Num dos meus primeiro mandatos de deputado federal defendi na tribuna
da Câmara Os Paralamas do Sucesso, acusados de caluniar o Congresso
Nacional com a música Luís Inácio (300 picaretas’). Os primeiros versos
diziam: “Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou/ são trezentos picaretas
com anel de doutor!”.
Defendi-os em nome da liberdade de expressão. Não concordava
inteiramente com Lula. Talvez fossem 312 ou 417. Reconheço que 300 é um
número redondo, mais fácil de inserir nos versos de uma canção popular.
Além do mais, nem todos têm anel de doutor. Mas isso são detalhes. O
mais importante é registrar que estávamos na véspera da chegada do PT ao
governo federal, início da era do “nunca antes neste país”. E aonde
chegamos, agora, uma década depois?
Renan Calheiros deve assumir a presidência do Senado, Henrique
Eduardo Alves, a da Câmara e o deputado Eduardo Cunha, a liderança do
PMDB. Caso se concretizem, esses eventos representam um marco na
História do Congresso. Significa que, para muitas pessoas informadas, o
Congresso deixa de existir. É o fim da picada…
Conheço os passos dessa estrada porque transitei nela 16 anos. O
mensalão significa o ato inaugural, a escolha do tipo e da natureza de
alianças políticas do novo governo. O mensalão significa a compra de
votos dos partidos, uma forma de reduzir o Congresso a um balcão de
negócios. Em seguida vieram as medidas provisórias (MPs). Governar com
elas é roubar do Congresso tempo e energia para seus projetos. A
liberação das emendas parlamentares era a principal compensação pelo
espaço perdido.
Mas deputados e senadores não cedem o espaço porque são bonzinhos ou
temem o governo. As MPs são uma forma simplificada de o governo realizar
seu objetivo. Os parlamentares tomaram carona nesse veículo
autoritário. E inserem as propostas mais estapafúrdias no texto das MPs.
Com isso querem aprovar suas ideias sem o caminho democrático que passa
por debates em comissão, audiências públicas, etc.
Na Câmara essas inserções oportunistas são chamadas de jabuti O nome
vem da frase “jabuti não sobe em árvore, alguém o coloca-lá”. O nome
jabuti pressupõe que há interesses econômicos diretos por trás de cada
uma dessas emendas.
A perda de espaço para o governo não é o problema, desde que todos os
negócios continuem fluindo, das MPs às emendas ao Orçamento. O espaço
não interessa, o que interessa é o dinheiro. Espaço por espaço, o
Congresso já abriu uma grande avenida para o Supremo Tribunal
Federal julgar casos polêmicos, como aborto e união gay.
Os negócios, como sempre, são o centro de tudo. Negócios, trambiques,
maracutaias e, como diziam Os Paralamas em 2003, “é lobby, é conchavo, é
propina e jeton”. Uma década depois, vendo o Congresso idêntico à sua
caricatura, pergunto quando é que nos vamos dar conta dessa perda, desse
membro amputado de nossa anatomia democrática.
A saída da minoria ─ chamada, com uma ponta de razão, de Exército
Brancaleone ─ foi pressionar por dentro e estabelecer uma tensão entre
ala e a opinião pública. Na definição do voto aberto para cassar
deputados, vencemos o primeiro turno porque a imprensa e eleitores
estavam de olho. Vitória esmagadora, contra apenas três abstenções.
Agora até esse caminho está bloqueado. Todos os dispositivos internos
foram reforçados e passaram a impedir tais votações. Com a cumplicidade
do PT, os piores elementos foram ascendendo aos postos estratégicos e
agora o esquema chega ao auge, com a escolha de Calheiros e Alves.
De um lado, interessa-me avaliar como será o futuro do País sem um
Congresso que possa realmente ser chamado por esse nome. De outro lado,
um olho na saída. Não sei se repetiria hoje a campanha contra Renan, os
cartazes com chapéu de cangaceiro e a frase: “Se entrega, Corisco”. Nem
se gostaria de ver de novo aqueles bois se deslocando pelos campos
alagoanos para as terras de Renan, para comprovar que era dono de muitas
cabeças de gado. O ideal, hoje, seria poupar os bois dessa nova viagem
inútil. Passar o vídeo, criar uma animação, substituir toneladas de
carne de boi por milhões de pixels.
Henrique Alves destinou dinheiro a uma empresa fantasma de um
assessor dele. No lugar deserto onde a empresa funcionava havia apenas
um bode, chamado Galeguinho. O bode foi dispensado depois de sua
estreia. Os bois mereciam o mesmo. “Parabéns, coronéis, vocês venceram”,
diz a letra de Luís Inácio. Deixaram-nos monitorando bois de
helicóptero e pedindo ao bode que nos levasse ao gerente da empresa.
Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou. Mas foi o primeiro a passar
para o lado deles e a contribuir com algumas novas espécies para a fauna
já diversa que encontramos em 2003.
A vitória dos cavaleiros do apocalipse recoloca a urgência de salvar o
Congresso dele mesmo. A maneira de potencializar o trabalho da
minúscula oposição é a maior transparência possível e uma ajuda da
opinião pública. A partir dessa vitória, Calheiros, Alves e seus
eleitores no Parlamento dizem apenas à sociedade: somos assim, e daí?
Depois do descanso merecido, o bode que é o porteiro da empresa
favorecida por Alves deveria ser colocado na porta do Congresso.
É impensável que 300, 312 ou 417 ─ não importa o número exato ─
picaretas enfrentem o Brasil sem uma represália dura. O espírito do
“eles lá, nós aqui”, de distância enojada, no fundo, é bom para eles,
que querem total autonomia para seus negócios. Será preciso mostrar que
toda essa farsa é patrocinada pelo dinheiro público. E que sua
performance será amplamente divulgada agora e no período eleitoral. O
instinto de sobrevivência da instituição não existe. Mas o do político é
muito grande. É preciso que ele sinta o desgaste pessoal produzido por
suas escolhas.
Muitas pessoas vão trabalhar nisso, cada uma no seu posto, às vezes
em manifestações. A eleição direta para presidente foi uma conquista. A
perda do Congresso para o ramo dos secos e molhados é uma dolorosa
ferida em nossa jovem democracia.
Nós demos um boi para não entrar nessa luta. Daremos um bode para não sair dela.
‘Um caso perdido’, por J.R. Guzzo
PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA DE VEJA
J.R. GUZZO
J.R. GUZZO
Não há rigorosamente mais nada de útil que possa ser dito a respeito
do deputado federal Henrique Alves, candidato oficial do governo e do PT
à presidência da Câmara dos Deputados. Em pleno ano de 2013 da era
cristã, Alves foi considerado pelas forças que mandam hoje no país como o
homem ideal para dirigir um dos três poderes da República ─ justo ele,
“Henriquinho”, que em onze mandatos e 42 anos de casa construiu uma
biografia impecável como agente de tudo o que existe de mais atrasado na
política brasileira. O deputado, em si mesmo, vale por um gênero
inteiro: o dos profissionais que se mantêm nos galhos mais altos da vida
pública, geração após geração, servindo-se da pobreza, da ignorância e
dos vícios sociais que envenenam o Brasil desde os tempos do imperador.
Nas vésperas da eleição, coerente com seus hábitos de vida, estava outra
vez metido em confusão ─ agora, numa miserável embrulhada com dinheiro
público, seu principal assessor e uma empreiteira de obras, que ficará
na crônica como o caso do bode “Galeguinho”. Chega? Chega. Não há mais
nada a dizer, realmente, sobre esse novo gigante da classe trabalhadora.
Em compensação, há muito a dizer sobre o PT.
O partido fundado pelo ex-presidente Lula foi uma nova força na
política brasileira de trinta anos atrás. Talvez houvesse aí, pela
primeira vez, um alerta para os aproveitadores, demagogos e senhores de
engenho, rurais ou urbanos, que sempre exploraram o Brasil como um
negócio pessoal e jamais admitem mudança alguma para melhor. A esperança
durou pouco. Começou a se desmanchar quando o PT ganhou suas primeiras
prefeituras e descobriu algo chamado Erário. Vinte anos depois, quando o
partido chegou enfim à Presidência da República, já tinha ido tudo para
o diabo. Antes mesmo de tomar posse em 2003 o presidente operário e sua
tropa casaram no civil e no religioso com o tipo de gente que mais
combatiam. O objetivo seria amansar os inimigos. O resultado prático é
que acabaram ficando iguais a eles.
Os petistas mais espertos, e são muitos, descobriram com grande
rapidez as oportunidades pessoais oferecidas pelo Brasil velho que
prometiam mudar. Desde então, não pararam mais de caçar empregos e
vantagens para si próprios e seus familiares. Gente com mais ambição
farejou logo a grande mina dos conselhos de estatais e fundos de pensão
controlados pelo governo ─ rolam bilhões aí. Aprenderam a traficar com
licenças para emissoras de rádio e TV, montar ONGs que recebem dinheiro
do Tesouro e fechar excelentes negócios no mercado de “prestação de
serviços”; é todo um mundo de empresas que pertencem a esposas ou
maridos, ex-esposas ou ex-maridos, amigos dos amigos e por aí afora,
empenhadas dia e noite em vender alguma coisa para o governo. A mistura
entre negócios privados e canetas públicas tornou-se
procedimento-padrão. Um filho do próprio Lula recebeu 5 milhões de reais
de uma empresa interessada em realizar negócios que dependiam da
assinatura de seu pai, em troca de ações na sua companhia de videogames ─
que jamais mostrou resultado algum capaz de justificar um investimento
desse tamanho. (As últimas notícias dizem que está à beira da falência,
devendo mais de 6 milhões de reais na praça.)
Hoje o PT é apenas o partido do homem-cueca, dos bebês de Rosemary e
do bode “Galeguinho”. Virou o beneficiário número 1 das doações feitas
pelas empreiteiras de obras. Em todos os escândalos de corrupção dos
últimos dez anos, assumiu automaticamente a defesa dos acusados. Está
100% ao lado de “Henriquinho”, Fernando Collor e Paulo Maluf. Ficará
marcado para sempre pela concordata moral do mensalão, que se tornou um
ponto central na biografia de Lula e despedaçou a reputação de José
Genoino, um dos últimos símbolos do PT que existiu um dia ─ e que hoje é
deputado com uma sentença de prisão nas costas. Ninguém falou mais
claro sobre esse mergulho na decadência do que o ex-governador gaúcho e
petista de raiz Olívio Dutra. “Eu acho que tu deverias pensar na tua
biografia, na trajetória que tens dentro do partido”, recomendou ele a
Genoino. “Eu acho que tu deverias renunciar.” Nada que a “direita”
disse, em anos de ataque ao PT, foi tão arrasador.
O que se ouviu, aí, foi a voz da consciência. O PT valeu enquanto foi
jovem; hoje é um caso perdido. Como nos mostra o personagem Chance
Wayne, de Tennessee Williams, em geral não vale a pena fazer viagens
para reencontrar o doce pássaro da juventude. É pouco provável que
esteja onde o procuramos — e talvez seja melhor não encontrar o que
sobrou dele.
E lá vai a Argentina rumo ao abismo: Cristina congela preços por dois meses
Em
meio a uma pendenga com o FMI, que acusa o governo do país, sem
meias-palavras, de fazer o que todo mundo sabe que ele efetivamente faz —
manipular os índices de inflação —, Cristina Kirchner, a Louca de
Buenos Aires, decidiu congelar os preços. A medida vale até abril.
Lógica elementar: quem toma uma medida como essas por dois meses está
num mato sem cachorro. Dá para ter uma ideia da urgência da questão.
O
congelamento de preços é um clássico de quem já tentou de tudo e não
sabe mais o que fazer. Que tristeza! Lá vai a Argentina morro abaixo,
direto para o abismo. Leia trecho da reportagem de Ariel Palacios, no Estadão:
O secretário de Comércio Interior da
Argentina, Guillermo Moreno, anunciou nesta segunda-feira, 4, o
fechamento de um acordo com a Associação de Supermercados Unidos (ASU),
que reúne as principais redes de supermercados do país, para congelar os
preços dos produtos durante dois meses. As empresas – entre as quais
Carrefour, Disco, Jumbo, Walmart, Coto, La Anônima e Vea – retrocederão
os preços àqueles que estavam vigentes no dia 1º de fevereiro, e os
manterão até 1 de abril. O presidente da ASU, Juan Vasco Martinez,
afirmou que o compromisso dos empresários foi o de manter os preços
congelados de “todos os produtos dos supermercados” durante os dois
meses.
Paradoxalmente,
o acordo foi fechado quando o governo da presidente Cristina Kirchner
voltou a negar a existência da escalada inflacionária. Há poucos dias o
Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou que a
inflação de 2012 foi de apenas 10,8%. No entanto, economistas
independentes sustentaram que a inflação real superou amplamente a
oficial, já que o ano passado teria sido encerrado com uma taxa de
25,6%.
“A
inflação mínima de 2013 oscilará entre 25% a 30%. Pensar em um
porcentual mais baixo é impossível”, afirmou o economista-chefe da
consultoria Management & Fit, Matías Carugatti.
A
Argentina conta com um longo histórico de congelamento de preços, desde
os tempos do primeiro governo do general e presidente Juan Domingo Perón
nos anos 40 e 50 e novamente na década de 70. Em 1985, a implementação
do Plano Austral, da equipe econômica do presidente Raúl Alfonsín,
implicou em um novo congelamento.
Passaram-se
duas décadas sem tentativas de congelamentos até que o presidente
Nestor Kirchner tentou em 2005 e 2006 aplicar essa modalidade a
supermercados e outros setores da economia. No entanto, o sistema foi à
pique. O resultado desse fracasso foi uma guinada na política de combate
à inflação por parte do governo Kirchner, que optou – na
impossibilidade de conter a alta de preços – por maquiar o índice.
Os
analistas destacam que o acordo de congelamento é um aceno aos líderes
sindicais argentinos, que estão em plena negociação salarial tripartite
com empresários e o governo Kirchner.
(…)
(…)
Renan Calheiros enfrenta protesto antes de subir rampa do Congresso
Por Denise Madueño e Débora Alvares, no Estadão Online:
Em sua primeira aparição pública após ser eleito presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) foi xingado nesta segunda-feira por manifestantes. Enquanto subia a rampa do Congresso Nacional, atividade que faz parte da cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, o senador ouviu calado gritos de “safado”, “sem vergonha” e “ladrão”. Os manifestantes portavam cartazes “Até quando o Poder Legislativo envergonhará o Brasil?” e “Fora Renan ou abaixo o Senado”.
(…)
Em sua primeira aparição pública após ser eleito presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) foi xingado nesta segunda-feira por manifestantes. Enquanto subia a rampa do Congresso Nacional, atividade que faz parte da cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, o senador ouviu calado gritos de “safado”, “sem vergonha” e “ladrão”. Os manifestantes portavam cartazes “Até quando o Poder Legislativo envergonhará o Brasil?” e “Fora Renan ou abaixo o Senado”.
(…)
Sites vendem diplomas falsos de universidades
Natália Oliveira, da Rádio
Estadão - O Estado de São Paulo - 04/02/2013 - São
Paulo, SP
Diplomas
falsificados de nível superior estão sendo vendidos
livremente na internet. A compra pode ser feita por qualquer pessoa –
até mesmo por quem nunca cursou uma universidade. Os supostos
comerciantes oferecem até certificados da área médica.
Um diploma de Enfermagem, por exemplo, custa R$ 6 mil.
Em diversos sites,
falsificadores prometem entregar os diplomas de curso superior em prazos de
até dez dias. Dizem também que o documento entregue
terá um suposto reconhecimento do Ministério da
Educação (MEC) e será oficializado, com a
publicação no Diário Oficial da União.
Sem saber que se
tratava de uma reportagem, um atendente do site Sucesso Corp
(www.sucessocorp.com.br) explicou por telefone como funciona o esquema
ilegal à Rádio Estadão. É preciso enviar
documentos à faculdade indicada pelo negociador e pagar 60% do
valor, como sinal. Por um diploma de Pedagogia, ele cobrou R$ 4,5 mil.
“Tudo
legalizado em 15 dias. Reconhecido e publicado”, afirmou.
“Você vai escanear os documentos e mandar por e-mail para
lá. Eles vão fazer o encaixe e mandar para o MEC. Em dois ou
três dias, o MEC deu OK. Você faz 60%. Mais oito dias, sai a
publicação e eu mando levar.”
Identificando-se
como Marcos, o atendente também disse que há a possibilidade
de o comprador escolher a universidade pela qual o documento falso
será emitido. “De repente, eu posso conseguir na (faculdade)
que você pretende. Como posso conseguir outra”, disse.
Em outro portal de
compras e vendas, um atendente ofereceu os serviços com a promessa
de entregar diplomas em todo o País. Também por telefone, o
infrator garantiu à reportagem a autenticidade do diploma e disse
conseguir um número de registro que dá acesso exclusivo ao
histórico escolar de um aluno desistente do curso pretendido.
O homem chegou a
oferecer a emissão do diploma por duas instituições de
ensino superior de São Paulo. “Aí em São Paulo
tem a Presbiteriana (Mackenzie) e, se for o caso, consigo pra você na
Unip”, disse.
“O diploma
é reconhecido e registrado e tem até o RA. Você vai
poder checar dentro da própria instituição a
autenticidade do que você está comprando. Tem muita gente que
te vende um pedaço de papel e você não pode averiguar
nada”, continuou.
Questionado se
havia riscos no esquema, ele garantiu que não: “Não vai
ter. Se der problema para você, com certeza eles vão chegar
até mim”.
Máfia.
Questionado sobre o caso, o diretor jurídico da
Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior,
José Roberto Covac, levantou a hipótese de que diplomas
originais estejam sendo usados no esquema fraudulento e de que haja
envolvimento de funcionários das universidades. “Quem assina o
diploma é o reitor. Quando a universidade faz o registro do diploma,
ela verifica todo o registro acadêmico do aluno. Parece que há
uma máfia e que alguém de dentro da universidade está
fabricando documentação e registro. E o reitor acaba
até assinando o diploma sem ter conhecimento”, disse.
A Universidade
Presbiteriana Mackenzie afirmou por nota que repudia a
comercialização de diplomas. A instituição diz
que o processo seria “praticamente impossível de ser realizado
dentro da universidade”, por causa do número de setores e
profissionais envolvidos na diplomação dos alunos.
Também
citada pelo fraudador, a Universidade Paulista (Unip) afirmou que “os
sistemas adotados pela instituição inviabilizam o esquema de
confecção de diplomas a não formandos”. A Unip
disse que pretende procurar a Polícia Civil para requerer a
instauração de um inquérito para investigar a
identidade de possíveis criminosos e a forma de
atuação deles.
Sobre a suposta
ajuda que os fraudadores mencionam ter na confecção dos
diplomas, a assessoria de imprensa do MEC disse que as universidades
são “inteiramente responsáveis” pelo documento e
“não cabe ao MEC parte alguma no processo”.
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