
Aécio
em 2010 em Januária, norte de Minas, fazendo campanha em para o Senado e
para eleger seu sucessor no governo de Minas, Antônio Anastasia, com
ele na foto (Foto: Rodrigo Lima / Nitro)
Apesar da recuperação de 5 pontos percentuais nas intenções de voto
da presidente Dilma para 2014 na mais recente pesquisa do Datafolha,
divulgada domingo (saltou de 30% para 35%, mas continuaria não
conseguindo vencer no 1º turno), análises internas sobre o levantamento e
outros dados realizadas pelo especialista Ricardo Guedes para o
presidenciável do PSDB, senador Aécio Neves, contêm números e avaliações
distintas das do Datafolha que não deixam mal o candidato — pelo
contrário.
Brincando, assessores do senador dizem que, mesmo respeitando o
trabalho sério do Datafolha, segundo os levantamentos do instituto em
2010 o atual governador de Minas não seria o tucano Antonio Anastasia,
mas o ex-senador Hélio Costa (PMDB).
Aécio e seu entorno acreditam que, neste momento, é mais relevante
para o futuro avaliar o nível de conhecimento e eventual rejeição de
cada candidato do que buscar uma hipotética intenção de votos entre
candidatos em situações tão distintas.
Tive acesso a esse trabalho e vou resumi-lo para os amigos do blog.

Na primeira página da "Folha de S. Paulo" de domingo, a manchete sobre a nova pesquisa Datafolha
Diz o trabalho, inicialmente, que as comparações entre Aécio Neves e José Serra favorecem à Aécio Neves. Os motivos:
• Serra mostra melhor desempenho do que Aécio no Datafolha, diz o trabalho.
• Este melhor desempenho, contudo, deve-se ao maior recall — ou seja,
a capacidade de ser lembrado — de Serra no eleitorado. Afinal, o
ex-governador já se candidatou duas vezes à Presidência, e teve
exposição nacional prolongada também como ministro da Saúde.
• Serra, entretanto, apresenta maior rejeição (36% não votariam nele
de jeito nenhum do que Aécio (23%). Os analistas enxergam mais
possibilidades de crescimento para Aécio. Dilma tem 27% de rejeição.
A metodologia deixa grandes contingentes do eleitorado de fora da pesquisa
A análise para Aécio faz considerações interessante sobre a metodologia da pesquisa Datafolha, a saber:
• O Datafolha utiliza uma metodologia diferente dos outros institutos
— todas válidas, ressalva o documento –, mas com maior margem de erro e
variabilidade, afirmam, da coleta no Datafolha.
A partir dessa afirmação, constatam que:
• O Ibope utiliza entrevistas domiciliares a partir dos setores
censitários do IBGE, controlando para sexo, idade, escolaridade e grupo
de emprego, no urbano e no rural.
• A Vox Populi utiliza entrevistas domiciliares a partir de bairros,
controlando para sexo, idade, escolaridade e renda, no universo urbano e
no rural.
• A Sensus utiliza entrevistas domiciliares a partir dos setores
censitários do IBGE, controlando para sexo, idade, escolaridade e renda,
no urbano e no rural.
• A CNT/MDA utiliza entrevistas domiciliares a partir dos setores
censitários do IBGE, controlando para sexo, idade, escolaridade e renda,
no urbano e no rural.
• O Datafolha utiliza o chamado fluxo de ponto (pesquisa em pontos de
maior circulaçãode pessoas), controlando somente para sexo e idade.
• Por ser fluxo de ponto, a pesquisa não vai à área rural, que — lembra o analista — representa 15% do eleitorado brasileiro.
• Por ser fluxo de ponto, com o controle somente para sexo e idade,
ocorre do Datafolha coletar mais opiniões de cidadãos com mais
escolaridade em suas amostras do que o nível de estudos da população e
do eleitorado brasileiro.
• Por ser fluxo de ponto, a amostra do Datafolha sempre representa
mais a população economicamente ativa do que a população geral.
• Em sua metodologia, o Datafolha solicita necessariamente o telefone
fixo do entrevistado para posterior checagem — o que exclui do
levantamento 30% da população.
• Por ser fluxo de ponto, considera a análise, a amostra do Datafolha
sempre obtém resultados para a parcela da população que apresenta mais
possibilidade de mudar de opinião.
• Por ser fluxo de ponto, a amostra do Datafolha tecnicamente tem
sempre o dobro da margem de erro dos outros institutos, para a mesma
quantidade de entrevistas.
• Alerta mais do que óbvia, no final deste item: “deve-se aguardar a
divulgação de novas pesquisas para a confirmação dos dados.”

A
análise em poder dos assessores de Aécio mostra que Dilma tem rejeição
muito maior do que o tucano. Marina Silva recebe o voto de protesto, mas
é vista como pouco preparada. E Serra, embora tenha imagem fixada no
eleitorado, mantém índices de rejeição que o tornariam eleitoralmente
inviável (Montagem: Alfa)
A questão da rejeição
O entorno de Aécio concede grande importância ao fator rejeição ao
candidato. A partir daí, o documento assinala, entre outros, os
seguintes pontos:
• Existem duas maneiras diferentes de se medir a rejeição:
1) A primeira, utilizada pelo Datafolha, mede a rejeição por
lembrança do nome rejeitado pelo entrevistado, numa espécie de “top of
mind” ao contrário.
Este método é considerado pelo documento como sendo de pouca
utilidade para fazer previsões, com manifestações de rejeição
espontâneas relativamente baixas, servindo somente para se saber quem
tem mais ou menos rejeição do que os demais candidatos.
Neste indicador, Serra tem maior rejeição do que Aécio.
2) Pelo segundo método, utilizado pelos outros institutos, a rejeição
é medida através da apresentação de cada nome estimulado,
separadamente. Obtém-se então a chamada “rejeição individual”.
Neste indicador, quem tem 40% ou mais de rejeição é considerado
eleitoralmente inviável. E quem tem no máximo 35% ainda é competitivo no
processo eleitoral.
• Serra tem mais de 40% de rejeição individual neste indicador.
• Aécio tem menos que 35% de rejeição individual neste indicador.
• A de Dilma, como ocorre com Serra, supera os 40%.
Tendências
• As eleições estão indefinidas.
• Nas pesquisas qualitativas, Aécio já é visto como liderança nacional.
• O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também é visto como liderança regional.
• Marina Silva é vista como liderança segmentada, mas, na percepção dos pesquisados, com pouco preparo para o cargo.
• Marina recebe hoje o voto do descontentamento, como voto de protesto.
• No processo eleitoral, o voto irá refluir necessariamente para os
partidos, como única forma institucional existente de alocação dos
votos.