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16 junho 2013

ATENÇÃO! PT VAI ENTRAR DE CABEÇA NA PANTOMIMA! APARELHOS DO PARTIDO DOS TRABALHADORES E ESTUDANTES ESTÃO LIBERADOS PARA IR ÀS RUAS NA SEGUNDA: A ORDEM É NÃO TOCAR NO VALOR DA TARIFA E SE MANIFESTAR CONTRA A PM E CONTRA ALCKMIN. MILHÕES DE PESSOAS SÃO VÍTIMAS DE UMA TRAMOIA ELEITORAL

Vejam a denúncia de Reinaldo Azevedo no seu blog (Veja.com):
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Isto é uma informação, não uma interpretação. O PT liberou a tigrada para ir às ruas na segunda-feira. Os sindicatos de trabalhadores e estudantes dominados pelo partido estão sendo convocados a participar do que pretendem que seja uma megamanifestação, aí não mais contra a tarifa de ônibus, mas contra a Polícia Militar e contra o governo de São Paulo. A ordem, aliás, é focar o menos possível no valor da passagem de ônibus. Por óbvio, a questão pode arranhar a imagem de Fernando Haddad. Os petistas estão vendo na questão uma chance de ouro de realizar uma dupla operação:
a: diluir o mal-estar com a elevação da tarifa;
b: mudar definitivamente o sentido dos protestos.
O movimento é organizado, veio de cima. O próprio Haddad saiu na frente. Foi a primeira autoridade petista, já na noite de ontem, a criticar “a violência” da polícia. Ele o fez depois de conversar com a cúpula partidária. Gilberto Carvalho — que comanda a pasta que, na prática, “organiza” os índios — está sabendo de tudo. É ele quem faz a interlocução com os movimentos sociais.
Os petistas tentam “assumir a liderança” do movimento em São Paulo, que consideram perigosamente fora do controle. Ao assumi-la, por intermédio dos movimentos sociais e lhe dar uma direção, pretendem mudar o eixo dos protestos. Observem que José Eduardo Cardozo também atacou a polícia. Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, defendeu “o direito à manifestação”, como se alguém estivesse a contestá-lo.
PCdoB
O PCdoB também está chamando a sua turma. Membros da Juventude Socialista já andaram aparecendo nos protestos. Na segunda, haverá uma espécie de adesão formal. Não se esqueçam de que o partido tem a vice-prefeita de São Paulo, Nádia Campeão.
Pusilanimidade
Haddad, diga-se, convidou o Movimento Passe Livre para um papinho. Quer ouvir as suas propostas. A menos que o grupo tenha mudado a agenda, sei qual é: transporte gratuito para todos. A turma tem uma máxima bucéfala: se é público, por que é pago? Entenderam? Eles fingem não entender que tudo, rigorosamente tudo, o que é é público é… pago! Alguém sempre arca com os custos.
É um caso evidente de pusilanimidade política. Ao receber pessoalmente os representantes do Passe Livre, o prefeito estará endossando seus métodos: depredação, quebra-quebra, coquetel molotov, porrada.
É preciso deixar claro: ao aderir aos protestos e tentar mudar a sua natureza, evidencia-se o caráter político-eleitoral dos protestos. O PT e o PCdoB enxergaram no episódio uma janela de oportunidades e decidiram tomar a rédea dos protestos, tirando-o da condução da turma do Passe Livre, PSOL e PCO. Ainda que, num dado momento, todos se entendam, têm lá suas diferenças de estratégia.
Violência
Os petistas graúdos passaram a considerar também que é fundamental que não haja violência na segunda-feira. Na fórmula de um deles, a manifestação só será bem-sucedida se for grande e pacífica e se concentrar suas palavras de ordem em favor da liberdade de expressão (como se ela estivesse sob ameaça), contra a violência policial e contra o governo Alckmin.
É assim que o PT faz política. É assim que sempre fez. E assim fará enquanto existir. Não é uma questão de escolha, mas de natureza. Podem contar: na segunda, os petistas param São Paulo. E tentarão provar que é para o bem dos paulistanos.
Para encerrar
Ao saber que jornalistas haviam sido feridos nos confrontos dessa quinta, um petista de alto coturno quase soltou rojão. Anteviu uma reação corporativista, como de fato aconteceu, e comemorou: “Agora eles [os jornalistas] vêm pro nosso lado!”.  Como se a maioria já não tivesse ido…

15 junho 2013

PM de Pernambuco prende 4 agentes da Abin que espionavam o governador Eduardo Campos


 Isso é coisa de estado policial, minha gente...
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É colossal o esforço do governo para impedir que decolem as candidaturas presidenciais do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e da ex-senadora Marina Silva (sem partido). Nos últimos meses, a presidente Dilma Rousseff reacomodou no ministério caciques partidários que ela havia demitido após denúncias de corrupção, loteou cargos de peso entre legendas desgarradas da base aliada e pressionou governadores do próprio PSB a minar os planos de Campos. Sob a orientação do ex-presidente Lula, Dilma trabalha para Montar a maior coligação eleitoral da historia e, assim, impedir que eventuais rivais tenham com quem se aliar. A maior parte dessa estratégia é posta em pratica a luz do dia, como a volta dos “faxinados” PR e PDT a Esplanada, mas ha também uma face clandestina na ofensiva governista, com direito a espionagem perpetrada por agentes do estado. Um dos alvos dessa ação foi justamente Eduardo Campos, considerado pelo PT um estorvo à reeleição de Dilma pela capacidade de dividir com ela os votos dos eleitores do Nordeste, região que foi fundamental para assegurar a vitória da presidente em 2010.
0 Porto de Suape, no Recife, carro- chefe do processo de industrialização de Pernambuco, serviu de arena para o até agora mais arrojado movimento envolvendo essa disputa pré-eleitoral. No dia 11 de abril, a Policia Militar deteve quatro espiões da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que fingiam trabalhar no local, mas há semanas se dedicavam a colher informações que pudessem ser usadas contra Campos. A Secretaria de Segurança Pública estadual já monitorava os agentes travestidos de portuários fazia algum tempo. Disfarçados, eles estavam no estacionamento do porto quando foram abordados por seguranças. Apresentaram documentos de identidade e se disseram operários. Acionada logo depois, a PM entrou em cena. Diante dos policiais, os espiões admitiram que eram agentes da Abin, que estavam cumprindo uma missão sigilosa e pediram que não fossem feitos registros oficiais da detenção. 0 incidente foi documentado em um relatório de uma página, numa folha de papel sem timbre, arquivada no Gabinete Militar do governador. Contrariado com a espionagem, Eduardo Campos ligou para o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Jose Elito Siqueira, a quem o serviço secreto do governo está subordinado.
Em uma reunião com aliados do PPS, o governador contou que o general garantiu que não houve espionagem de cunho político, ou de viés eleitoral, mas apenas um trabalho rotineiro. “Nos fazemos apenas monitoramento de cenários para a presidenta”. ponderou o chefe do GSI. Apesar da gravidade do incidente, o caso foi dado como encerrado pelos dois lados. Poucas pessoas souberam da história. A elas, Campos explicou que não queria tornar público o episódio para não “atritar” ainda mais a relação com o Palácio do Planalto nem causar um rompimento entre as partes. Mas houve desdobramentos. “Tive de prender quatro agentes da Abin que estavam me monitorando”. Revelou Eduardo Campos. E ainda desabafou: “Isso é coisa de quem não gosta de democracia, de um governo policialesco”. Pediu aos aliados que o assunto fosse mantido em segredo. “Não tenho nada a dizer sobre isso”, desculpou-se na semana passada o deputado Roberto Freire, presidente da legenda, que estava presente a reunião.
Os agentes detidos no Porto de Suape trabalham na superintendência da Abin em Pernambuco. São eles: Mario Ricardo Dias de Santana, Nilton de Oliveira Cunha Junior, Renato Carvalho Raposo de Melo e Edmilson Monteiro da Silva. No dia da detenção, usavam um Palio (JCG-1781) e um Peugeot (KHI-1941). A placa do Pálio é fria, não existe. Já a do Peugeot é registrada em nome da própria Abin. Na semana passada, o agente sênior Mario Santana se aposentou. Nilton Junior e Renato de Melo davam expediente normalmente na superintendência. Já Edmilson Silva, na quinta-feira, estava escalado para o plantão noturno. Nada mais natural. Edmilson Silva tem uma dupla jornada de trabalho. Além de espião, é vereador, eleito pelo PV, no município de Jaboatão dos Guararapes. Vive, portanto, urna situação curiosa. Durante o dia, como vereador, é um defensor das liberdades. Às escuras, como araponga, une-se aos colegas de repartição para violá-las. “Fui ao Porto de Suape algumas vezes apenas para visitar amigos”, disse a VEJA o agente-vereador.
(…)

Comissão de Educação da Câmara aprova criação do `superinstituto` do MEC

Davi Lira - O Estado de São Paulo - 13/06/2013 - São Paulo, SP
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o projeto de lei que cria o Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação do Ensino Superior (Insaes) - o `superinstituto` do Ministério da Educação (MEC). O projeto prevê a criação de 550 cargos ao custo de R$ 43,4 milhões por ano. Caberá à nova autarquia, os atos de regulação, supervisão e avaliação das instituições particulares e federais de ensino. O projeto ainda precisa passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado, para então ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff.
`Já existe um requerimento de urgência em curso para que o projeto possa ser apreciado no plenário, ao invés de passar diretamente pelas outras comissões, como a do Trabalho, Finanças, Tributação e Constituição e Justiça`, afirma o deputado Waldenor Pereira (PT-BA), relator do projeto, aprovado em sessão realizada nesta quarta.
Com a criação, o instituto passa a assumir algumas funções atualmente de responsabilidade da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) vinculada ao MEC, e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) - como a avaliação in locus das instituições, por exemplo.
Segundo Pereira, são `sólidos` os argumentos para a criação do Insaes. `A atual estrutura do MEC é precária e insuficiente para dar conta da expansão no número de matrículas do ensino superior. A Seres conta com pouco mais de 80 servidores, para analisar mais de 20 mil processos que estão em aberto. É preciso manter a expansão, mas com qualidade`, fala Pereira.
De autoria do Executivo, o projeto, enviado para apreciação do Congresso em setembro de 2012, tem gerando controvérsias desde o final do ano passado, especialmente entre as entidades privadas. `A lei não estabelece critérios transparentes sobre como vai ocorrer os processos de credenciamento, por exemplo. A situação abre caminho para a edição ilimitada de portarias pelo MEC`, diz Celso Frauches, consultor da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) - entidade que representa mais de 400 instituições particulares de ensino superior.
Ainda segundo Frauches, o Insaes `promove` um tratamento `desigual` entre as instituições. `O ministro atual não dá nenhuma atenção aos questionamentos da iniciativa privada, que conta com 75% das 7 milhões de matrículas no Brasil. Haverá um tratamento diferente entre as particulares e as públicas.`
A Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep) chegou a enviar uma carta, logo após o início das discussões do projeto, manifestando a `máxima estranheza e preocupação` com o projeto de lei, criticando a falta de um `amplo diálogo com o setor`.
Em contraposição, o posicionamento do governo foi enfático. No início do ano, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante chegou a afirmar que não vai dar `colher de chá` aos cursos de má qualidade. Ele defende a aprovação do Insaes. `Pretendemos fazer tudo mais rápido, precisamos de mais funcionários de carreira, mais servidores`, afirmou o ministro na ocasião.
Fusão
Caberá ao órgão, além de autorizar e reconhecer cursos, supervisionar as instituições, aprovar previamente aquisições, fusões e cisões, entre outras funções. As instituições irregulares podem ter seus cursos desativados, ser descredenciadas e ter seus dirigentes impedidos de atuar na área durante dois a dez anos.
`No caso das fusões, atualmente o MEC toma conhecimento dos processos de aquisição pela imprensa. Na fusão da Kroton Kroton e a Anhanguera Educacional, no que diz respeito aos aspectos educacionais, não houve nenhum tipo de parecer prévio concedido pelo MEC. Com o Insaes, o proceso precisará ser analisado previamente`, comenta deputado Waldenor Pereira.

13 junho 2013

Risco-país sobe, e culpa não é só dos Estados Unidos

É o Brasil descendo a ladeira...
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Por Naiara Infante Bertão, na VEJA.com:
O decepcionante desempenho da economia brasileira neste ano e a falta de clareza da política fiscal do governo Dilma Rousseff contribuíram diretamente para a piora do perfil da dívida soberana do Brasil. Como resultado disso, não só a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a perspectiva da nota de crédito da dívida pública do país, como o “risco-Brasil”, também chamado de risco-país, saltou 25% em apenas um mês.
Usado para medir o risco a que os investidores estrangeiros se submetem quando investem no Brasil – trata-se de uma espécie de termômetro da economia brasileira no exterior -, o indicador acumulou alta de 8%, passando de 173 pontos-base em 30 de abril para 202 em 31 de maio, segundo o Embi+Br, principal índice calculado pelo banco JP Morgan. Em pouco mais de seis meses, a alta é de 47%. Apesar de haver um aumento generalizado no risco-país dos emergentes devido à saída de dólares do mercado em direção aos Estados Unidos, é inegável a preocupação dos investidores internacionais com a evolução da situação fiscal do Brasil.
As contas públicas têm mostrado piora desde o início do ano devido às políticas expansionistas executadas pelo governo, que incluem um rosário de estímulos fiscais e medidas protecionistas. Resultado disso é que o superávit primário (a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida) em 12 meses terminando em abril está em 1,89% do Produto Interno Bruto (PIB), longe da meta de 2,3% do PIB que o governo anunciou que pretende cumprir este ano – e menos ainda que os 3,1% anunciados nos anos anteriores. Com isso, a trajetória da relação dívida/PIB, que mede o peso da dívida total do país, passou a subir. Estava em 35,2% em janeiro e foi para 35,4% em maio.
Não bastasse o fracasso dos números das contas públicas, o PIB do primeiro trimestre subiu apenas 0,6%, abaixo das estimativas mais pessimistas. Para completar o quadro, a inflação não dá sinais de retorno ao centro da meta de 4,5% ao ano. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,37% – e 6,5% no acumulado de 12 meses. “O descontentamento de investidores com o Brasil se baseia na falta de medidas estruturais que reforcem as fontes fundamentais de crescimento. Em vez disso, o governo tentar estimular a economia com políticas expansionistas transitórias”, afirma Alfredo Coutiño, diretor para América Latina da Moody’s Analytics.
Peso americano
O anúncio de diminuição de compra de títulos pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano) também pesou em alguns aspectos da piora do cenário brasileiro – sobretudo em relação à alta do dólar. Enquanto o Fed efetuava compras na casa dos trilhões em títulos da dívida, a economia americana era inundada por dólares que acabavam escapando para os mercados emergentes. Tal situação chegou a incitar declarações agressivas do governo brasileiro, que culpava os Estados Unidos pela entrada de dólares no Brasil – cenário que, por sua vez, ajudava na valorização do real.
Agora, diante de perspectivas de uma recuperação mais consistente, apesar de lenta, o Fed deu indícios de que diminuirá a compra de títulos. Esse movimento fez com que os juros pagos como prêmio pelos títulos americanos de longo prazo (10 anos) subissem, atraindo o capital para os Estados Unidos. “O aumento dos juros americanos deixa os outros investimentos menos atrativos e o investidor automaticamente exige um prêmio maior dos outros papéis”, diz Rodolfo Oliveira, economista da Tendências Consultoria.
Contudo, o cenário americano está longe de ser o único culpado pelo ponto em que se encontra o Brasil. Ele apenas serve como agravante para uma situação construída pelo próprio governo ao longo dos últimos três anos, período em que os pilares que sustentam a estabilidade da economia do país foram, pouco a pouco, sendo derrubados. Trata-se da popular máxima: “só se sabe quem está nu quando a maré baixa”. E, diante das mudanças de ventos trazidas pelos Estados Unidos, o Brasil, ao que parece, está nu. “O aumento do risco Brasil é uma resposta à mudança americana, mas também à piora da percepção sobre o Brasil”, diz Sérgio Vale, economista da MB Associados. Para ele, a perda de credibilidade leva naturalmente ao aumento do risco-país. “Ninguém acredita que a postura do governo Dilma vá mudar da água para o vinho”, afirma.
Segundo Vale, a situação brasileira é piorada pelo aumento do déficit em conta corrente, que é o resultado entre todas as entradas e saídas de recursos do país – produtos, serviços ou divisas. As contas externas ficaram 33 bilhões de dólares no vermelho nos quatro primeiros meses do ano, ante déficit de 17 bilhões de dólares registrado no mesmo período do ano passado. Em 12 meses, o déficit nas contas externas soma 3% do PIB – número que não se via há dez anos.”Esse ponto, especificamente, vai levar a um aumento definitivo do patamar da taxa de câmbio, com consequentes pressões inflacionárias”, diz o economista. Ele prevê o dólar no patamar de 2,20 reais no ano que vem e 2,30 reais em 2015.

11 junho 2013

‘A marcha dos oprimidos’, um artigo de Rodrigo Constantino

É, nestes tempos "pós-modernosos" só nos resta satirizar e se auto-ironizar mesmo...
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PUBLICADO NO GLOBO DESTA TERÇA-FEIRA

RODRIGO CONSTANTINO
Represento a ONG Minorias Unidas na Luta Ativista (Mula). Somos uma entidade que defende as pobres vítimas do “sistema”, ou seja, os gays, as lésbicas, os transexuais, os negros, as mulheres, os índios, os muçulmanos e todos os demais grupos excluídos que são explorados pelos brancos capitalistas.
Nossa visão de mundo não engloba o indivíduo, essa figura de carne e osso criada pelos ocidentais para fins espúrios. Nós só enxergamos grupos, que formam nossas identidades: classe, raça, gênero, inclinação sexual, religião. Somente essas abstrações nos interessam. Falar em indivíduo é cair na estratégia pérfida dos liberais. Não aceitamos isso!
Dividir para conquistar, eis nossa meta. Separamos o mundo entre aqueles que estão conosco, e nossos inimigos mortais. Estes são representados pela ONG Brancos Ricos Ocidentais Capitalistas Heterossexuais e Associados (Brocha). São nossos arquiinimigos na retórica, e ao mesmo tempo nossos melhores amigos na prática. É que precisamos deles para que paguem a conta de nossos privilégios.
Conseguimos isso por meio de chantagem emocional, incutindo culpa nas “elites”. A bilionária Fundação Ford é ótimo exemplo, sempre do nosso lado. É verdade que o mundo teve escravidão desde sempre, que até Zumbi tinha escravos, que os próprios africanos escravizaram outros africanos, e que foi o Ocidente que colocou um fim nessa prática nefasta. Não importa! Vamos dizer que todo negro é vítima e que os brancos precisam pagar.
Alguns negros, como Thomas Sowell, condenam isso? Simples: chamamos eles de traidores da raça. Funcionava com Lênin e os demais comunistas. Lembrem-se: existem apenas dois grupos. Por isso podemos fazer como o ex-presidente Lula e culpar os “brancos de olhos azuis” pela crise de 2008, mesmo que o CEO de um dos maiores bancos envolvidos na confusão fosse negro.
Por falar em Lula, eis outra grande vítima: nordestino e metalúrgico. Não importa que ele não trabalhe em um chão de fábrica há décadas, ou que receba duzentos mil por palestra, ou que só ande em jatinho particular, ou que seja aliado de todos os velhos caciques da política. Lula sempre será um ícone das minorias oprimidas!
O mais importante é vender a ideia de que somos vítimas, e que os brancos são responsáveis por todos os males do mundo. Sabemos que os negros e “chicanos” americanos gozam de muito mais liberdade e prosperidade do que seus pares africanos e latino-americanos. Não importa! Eles são vítimas, mesmo que o homem mais poderoso do mundo seja negro. Eternas vítimas.
Somos herdeiros de Foucault, o sadomasoquista que falava da forma mais cruel de tirania: a “hegemonia” oculta. Esqueça Coreia do Norte, Irã ou Cuba. A verdadeira ditadura está nos Estados Unidos! Sabemos que os gays correm risco de vida nos regimes comunistas ou islâmicos, mas o que importa isso? São os gays em São Francisco e Ipanema as verdadeiras vítimas. É que tem de ser muito macho para ser ativista em Cuba ou no Irã.
Somos filhos de Paulo Freire, e também acreditamos na “pedagogia dos oprimidos”. As escolas e faculdades não podem ser máquinas de formação de engenheiros e cientistas para ajudar na hegemonia capitalista. Precisamos de ainda mais professores marxistas, engajados nas causas das minorias, doutrinando nas áreas humanas. Viva Gramsci!
Vamos criar várias nações dentro do Brasil. A nação negra, a nação gay, a nação indígena, e por aí vai. Nada de ver todos apenas como brasileiros. Cada um desses grupos vai receber sua legítima cota, e vai direto para ótimos cargos públicos ou dar aulas nas faculdades. Merecemos essa vantagem, nada mais do que uma reparação pelo domínio dos brancos ao longo dos séculos.
E podemos ficar tranquilos: o povo da Brocha costuma aceitar calado nossas demandas. Nada como uma “elite” culpada, mesmo que de classe média. Basta acusarmos eles de “homofóbicos”, “racistas”, “reacionários”, ou “preconceituosos” que eles logo se intimidam e recuam. Sempre funciona acusar alguém que não é nada disso dessas coisas feias. O verdadeiro homofóbico ou racista não liga, mas a turma da Brocha entra em pânico.
Eis nosso grito revolucionário: minorias do mundo todo, uni-vos! Vamos pleitear mais privilégios de grupo, pois essa coisa de igualdade perante as leis que os liberais defendem é muito chata. Alguns podem estranhar eu ser homem e branco. Mas Chico Buarque é branco, com olhos claros, rico e heterossexual, e é aclamado pela Mula. Somos nós contra eles. Só há identidade no grupo. Abaixo o indivíduo! Socialismo ou morte! A morte dos que discordam, claro.

10 junho 2013

Fala, Lobão! (1)

Peço permissão ao Augusto Nunes para republicar aqui neste blog os trechos do livro de Lobão, o roqueiro, que ele publicará em seu blog.
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A partir desta segunda-feira, a coluna vai publicar trechos do livro mais recente do Lobão ─ Manifesto do Nada na Terra do Nunca ─ que melhoram o dia e a cabeça dos leitores. Seguem-se os quatro primeiros:
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(Página 23)
Num clima de estupidez ideológica, estelionato intelectual ou, simplesmente, suborno, a grande parte dos artistas, dos cineastas, da imprensa e dos intelectuais está nocauteada. Quem ousa tecer algum comentário um pouco mais crítico sobre a realidade que nos rodeia acaba sofrendo violências morais e psicológicas, sempre no intuito de eliminar o interlocutor.
Como somos seres ungidos por uma natureza customizada que nos distingue do resto da humanidade, resolvemos optar por essa forma de perceber o mundo, absolutamente destacada de qualquer resíduo de razoabilidade. Somos o suprassumo da precariedade, a nata da malandragem agúlhica, de um nacionalismo chauvinista, e isso nos dá uma noção meio psicodélica de superioridade em relação ao restante dos outros meros mortais espalhados pelo planeta. 
Talvez esse comportamento seja fruto de um tipo coletivo de bipolaridade em que a alegria é um imperativo maníaco-depressivo. Somos o povo mais alegre do mundo!
Nessa maneira singular de encarar a vida, nasce uma espécie muito peculiar que reina soberana na nossa terra, patrulhando incautos e dando carteiradas nos descontentes, filha de um marxismo guarani-kaiowá de butique, uma espécie que, apesar de sua aparente e impositiva festividade carnavalesca, é a encarnação vívida da ofensa, da obtusidade e do recalque: o carola estatizado. 

(Páginas 24 e 25) Um dia, após chegar de uma turnê, comentei no Twitter que estava irritadíssimo com a infraestrutura do país, as estradas federais numa buraqueira dos infernos, sem sinalização, sem iluminação, os aeroportos caindo aos pedaços, superlotados, voos atrasados, ou seja, não era algo que eu havia lido por aí: eu tinha acabado de vivenciar, de sofrer na pele a precariedade da parada.
Pois bem, por essa declaração, fui instantaneamente admoestado por ofendidíssimos legionários governistas a bradar que o Brasil está muito melhor, que nunca estivemos tão bem, que aquela declaração era puro preconceito, e, sendo assim, fui sumariamente diagnosticado como… brasil-fóbico!
É a verdadeira Terra do Nunca, onde nos recusamos a crescer e com uma religião de Estado promovida por autoproclamados progressistas: os nossos carolas estatizados.

(Página 35)
Nosso imaginário coletivo também vive se retroalimentando de conceitos herdados de “heróis libertários”, sempre os mesmos. Já repararam? É o Lamarca, o Marighella ou qualquer outro que se autoproclame um ex-guerrilheiro combatente da ditadura militar. Símbolos em repetição buscando uma performance ideológica e existencial que se afaste de qualquer desvio ou oposição da norma. A reação é a situação. Marcação cerrada.
Essa compreensão da palavra “libertário” ganhou contornos próprios e, não raro, transmite justamente o contrário de seu significado original.
O libertário é, na viciada compreensão generalizada, uma criatura que pegou em armas nos anos 1960 para impor uma ditadura no Brasil, com o álibi capenga de lutar contra uma outra ditadura. Qualquer ditadura é injustificável, e esse pessoal, com raríssimas exceções, teima patologicamente em negar esse singelo detalhe. Anseiam de maneira apaixonada que Cuba seja aqui.
Hoje em dia, não conseguir enxergar e abominar o que acontece em Cuba é, no mínimo, imoral, quanto mais apoiar! E o governo do PT é associado e cofundador do Foro de São Paulo (Lula & Fidel), que visa implementar uma ditadura do proletariado continental, tipo uma União Soviética chicana. Tem gente que acha essa realidade, repleta de provas e fatos, uma simples teoria da conspiração.

(Página 53)
Nao conseguimos aprender com a sucessão dos fatos, não conseguimos nos desprender das mesmas ideias que nos paralisam. Morremos de medo de sermos comparados com o mundo civilizado e desmascarados diante da nossa mediocridade, soberba, inoperância e importência.

09 junho 2013

Popularidade de Dilma começa a derreter...

Leiam o que vai na Folha:
Aprovação a Dilma cai pela primeira vez desde a posse.
Governo tem 57% de aprovação após sofrer queda de 8 pontos, diz Datafolha.
Perda de popularidade da presidente reflete maior pessimismo da população com a situação da economia.
(Por RICARDO MENDONÇA) DE SÃO PAULO
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A popularidade da presidente Dilma Rousseff caiu pela primeira vez desde o início de seu mandato, há dois anos. Pesquisa Datafolha realizada quinta e sexta-feira mostra que 57% da população avalia seu governo como bom ou ótimo. São 8 pontos a menos que no levantamento anterior, feito em março.
A presidente perdeu popularidade entre homens e mulheres, em todas as regiões do país, em todas as faixas de renda, idade e escolaridade, segundo o Datafolha.
As maiores oscilações foram verificadas entre brasileiros que ganham mais de dez salários mínimos (queda de 24 pontos), entre os que têm ensino superior (16 pontos), moradores da região Sul (13 pontos) e pessoas que têm entre 25 e 34 anos (13 pontos).
Os números do Datafolha indicam que a deterioração da imagem de Dilma é um reflexo do aumento do pessimismo dos brasileiros com a situação econômica do país e mostram que a população está mais preocupada com a inflação e o desemprego.
Ainda que apenas 11% avaliem a atuação de Dilma como ruim ou péssima na economia, todos os indicadores de expectativa pioraram.
Para 51%, a inflação vai subir. Em março, esse índice era de 45%. A mesma tendência pode ser observada nas questões sobre desemprego, poder de compra do salário, situação econômica do país e do próprio entrevistado.
Mais eloquentes são os dados sobre o passado recente: 80% dizem que notaram alta de preço dos alimentos nos últimos 30 dias. Só 3% dizem que notaram redução. O mesmo ocorre com material de higiene pessoal e de limpeza.
O noticiário dos últimos dias também pode ter influenciado. Dois problemas tiveram grande repercussão: o tumulto no pagamento do Bolsa Família, não esclarecido, e a tensão com indígenas do Norte e do Mato Grosso do Sul.
O período coincide ainda com a propaganda eleitoral de rádio e televisão dos dois principais partidos de oposição ao governo: PSDB e DEM.
Antes dessa queda, a popularidade de Dilma havia oscilado para baixo, dentro da margem de erro, apenas em agosto de 2011 e de 2012.
Mas, apesar do recuo, ela não pode ser considerada uma presidente com má avaliação. Primeiro porque seu atual índice está 10 pontos acima do que foi observado na primeira pesquisa de seu mandato, em março de 2011.
Além disso, a redução da aprovação não foi acompanhada de um aumento equivalente na reprovação. O índice de julgamento ruim ou péssimo oscilou só 2 pontos para cima, de 7% para 9%.
Por fim, Dilma continua melhor que seus antecessores na comparação dentro do mesmo período de mandato.
Em junho de 1997, a 1 ano e 4 meses de sua reeleição, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) somava 39% de bom e ótimo. Ou seja, 18 pontos a menos que o índice de Dilma.
Já Luiz Inácio Lula da Silva, que também acabou reeleito em 2006, tinha 36% de avaliação positiva na pesquisa feita no período equivalente.
O levantamento que mostrou Lula com 36% de popularidade foi feito em junho de 2005, poucos dias após a entrevista do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) à Folha que revelou a existência do esquema do mensalão.
Na pesquisa finalizada sexta-feira, o Datafolha ouviu 3.758 pessoas em 180 municípios. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.

07 junho 2013

PT é sinônimo de INCOMPETÊNCIA!

Investimentos públicos: padrão deplorável de gestão do governo leva a estouro de verbas, atrasos e muito desperdício do pouco que o país consegue investir
Transposição do rio São Francisco: um quadro de abandono
Transposição do rio São Francisco: um quadro de abandono (Foto: AP)

Artigo de Rogério Furquim Werneck. publicado no jornal O Globo
INVESTIMENTOS PÚBLICOS: UM MOSAICO DESALENTADOR

Além de investir pouco, o país investe muito mal.
O noticiário das últimas semanas deixou entrever um quadro desalentador da forma como o país vem administrando seu parco esforço de investimento. Basta ter em conta o mosaico de desacertos que emerge das notícias abaixo.

Incúria. Seis anos após ter sido iniciado com todas as fanfarras, o projeto de transposição do rio São Francisco ainda está muito longe do fim.
E não é só uma questão de atraso. Reportagem especial sobre a obra (O Estado de S. Paulo, 19/5) dá conta de um quadro de abandono, longos trechos inacabados, canais de concreto estourados e poucos canteiros de obra ainda em atividade.
No biênio 2011-2012, o governo investiu no projeto 35% menos do que tinha sido investido no biênio anterior. E, agora, promete que “os problemas do passado não vão se repetir”, que novos contratos serão assinados em breve, que o que estiver danificado será refeito e que, em 2015, a transposição estará concluída e a água do São Francisco poderá afinal chegar às regiões que serão beneficiadas pelo projeto.
Mas, com base no deplorável padrão de gestão dos últimos anos, é pouco provável que esse novo prazo vá ser cumprido.
Belo Monte, no Xingu: obras paralisadas constantemente por manifestações (Foto: ihu.unisinos.br)
Belo Monte, no Xingu: obras constantemente por manifestações e afetadas pela baixa produtividade dos trabalhadores (Foto: ihu.unisinos.br)

Custos. Os custos de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, vem estourando por larga margem os valores inicialmente orçados (O Estado de S. Paulo, 12/5).
Entre as várias razões para o estouro de custos, num canteiro de obras marcado por relações muito tensas, têm sido mencionadas as sucessivas interrupções das atividades em decorrência de invasões de índios e paralisações promovidas pelos trabalhadores.
As grandes construtoras vêm-se queixando também da baixa produtividade do trabalho. Alegam que, ao contrário do que se deveria esperar, tendo em vista a intensidade da inovação tecnológica e da mecanização observada nas últimas décadas, as obras de construção pesada têm exigido mais mão de obra do que exigiam no passado.
Arguem que obras similares, feitas há mais de 30 anos, requeriam um contingente de mão de obra 30% menor do que hoje se faz necessário (O Estado de S. Paulo, 15/5). São alegações intrigantes que merecem análise mais detida.
Falta de lincenças ambientais paralisaram obras da Comperj (Foto: Comperj)
Falta de lincenças ambientais paralisaram obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro, o Comperj (Foto: Comperj)

Esferas. Dias atrás, por determinação judicial, a Petrobras se viu obrigada a interromper as obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), gigantesco projeto iniciado em 2008 com previsão de investimento de mais de US$ 8 bilhões.
Um juiz federal de Itaboraí havia acolhido uma ação que contestava a suficiência da emissão de licenças ambientais na esfera estadual e arguia que um órgão federal, o Ibama, teria de ter se pronunciado sobre o projeto. Com a interrupção, 15 mil trabalhadores tiveram de voltar para casa. As obras só puderam ser restabelecidas dias depois, quando a Petrobras conseguiu decisão cautelar da Justiça (Estado, 16/5 e 18/5).
Descaso: a universalização de serviços de saneamento ainda vai ter que esperar mais 20 anos (Foto: Lucas Landau)
Descaso: a universalização de serviços de saneamento ainda vai ter que esperar mais 20 anos (Foto: Lucas Landau)

Prioridades. Mobilizado com a reeleição, o governo agora se deu conta de que pouco ou nada fez, nos últimos dez anos, para enfrentar a vergonhosa carência de saneamento básico que ainda se vê no país.
Cerca de metade da população não tem acesso à rede de esgoto. Como, no plano das ações, já não há mais tempo para providências concretas, o governo resolveu mostrar-se preocupado com o problema no plano das intenções.
A presidente pretende anunciar em junho, com o alarde de praxe, um amplo programa de investimento em saneamento básico (Estado, 15/5). A ideia é prometer universalização do serviço até 2033. Isso mesmo, daqui a 20 anos.
Tempo suficiente para que uma menina de sete anos, que hoje brinca no esgoto a céu aberto, ainda possa ver sua filha, com a mesma idade, na mesma situação. Causa espanto que um governo que alega representar os interesses das classes mais desfavorecidas entenda que, após tanto tempo de descaso, a universalização de serviços de saneamento ainda possa ser adiada por mais 20 anos.
Mas a verdade é que Brasília tem outras prioridades. Basta lembrar a lamentável fixação do Planalto no projeto do trem-bala, roseamente orçado, por enquanto, em nada menos que R$ 35 bilhões.
Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio

Redução da maioridade penal de 18 para 16 anos

Publicado no blog de Ricardo Setti (Veja.com):
Senador Aloysio Nunes defende como sendo constitucional a redução da maioridade penal para 16 anos, de forma a punir com a cadeia menores criminosos
Aloysio: se maior de 16 anos pode votar para presidente, pode também responder por atos criminosos(Foto: Agência Senado)
O senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), líder do PSDB no Senado, manifestou-se fortemente pela redução da maioridade penal dos atuais 18 para 16 anos de idade, levantando o argumento coerente e lógico que vários defensores da medida — entre os quais me incluo — apresentam: se um rapaz de 16 anos é considerado maduro o suficiente para votar para presidente da República (e todos os demais cargos eleitos), por que não será visto como alguém capaz perfeitamente de distinguir o certo do errado quando, por exemplo, comete um assassinato?
O senador tucano é autor de proposta de emenda constitucional (PEC) nº 33/2012 prevendo a mudança e defendeu suas ideias em audiência pública ocorrida a respeito do tema no Senado, em que convidados da comissão consideraram a medida inadequada e inconstitucional.
Leia, a respeito, o texto da Agência Senado:
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, debatedores convidados afirmaram que a redução da maioridade penal é inconstitucional e não trará maior proteção à sociedade brasileira.
O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, disse que a proposta de redução da idade mínima para imputar crimes não diminuirá a violência, já que o sistema carcerário do país não cumpre com a finalidade de ressocialização dos detentos.
Para ele, outras medidas menos interventivas poderiam ser implantadas na conquista desse objetivo, entre as quais o investimento em políticas públicas destinadas aos adolescentes e o maior cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no que se refere aos tratamentos socioeducativos e à prestação de serviços comunitários por menores infratores.
Coêlho citou estudo do Unicef que revela a diminuição, no Brasil, dos recursos para políticas públicas destinadas aos adolescentes. Segundo ele, a falta de cuidado do Estado com esse grupo faz com que fique vulnerável às organizações criminosas.
– Se é necessária a redução da maioridade penal para termos segurança pública em nosso país, seria necessário primeiro cuidar da implantação do ECA e do sistema carcerário. O adolescente ser internado com a proposta de reeducação para sociedade é bem melhor do que o tratamento semelhante ao dado aos adultos – disse.
A procuradora da República Raquel Dodge citou estudos segundo os quais as pessoas amadurecem por volta dos 20 anos (Foto: prgo.mpf.gov.br)
Medidas
A procuradora da República Raquel Elias Dodge também se posicionou contrária à redução da maioridade penal acrescentando outras medidas que poderiam ser implementadas para trazer segurança ao país.
Entre alas, mencionou aumentar a responsabilidade dos adultos que corrompem menores, ampliar prazos de internação de acordo com o crime cometido pelo adolescente e determinar que o menor infrator seja obrigado a concluir seus estudos durante o seu período de internação.

‘O cada vez mais elevado ‘custo Argentina”, editorial do Globo


PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA

De “aliada estratégica”, a Argentina de Cristina Kirchner se converte em fonte imprevisível de problemas para o Brasil. Depois de tornar impossível a permanência da Vale no país, à frente de um projeto de potássio ─ apesar da opinião em contrário do companheiro Marco Aurélio Garcia, jejuno em minérios e negócios ─, a Casa Rosada acaba de estatizar ferrovias exploradas pela brasileira América Latina Logística (ALL). Mesmo que se confirme a má prestação de serviço, por certo há formas menos beligerantes de se enfrentar a questão.
O contencioso entre Buenos Aires e Brasília não para de crescer, e sempre por iniciativa do kirchnerismo. Vale e ALL são apenas os fatos mais recentes. Já existe um extenso histórico de medidas protecionistas arbitrárias, em desrespeito a normas do Mercosul, baixadas pela Casa Rosada contra os interesses brasileiros. E virão mais problemas, pois o governo de Cristina K. é acometido de um ativismo compulsivo, à medida que a crise econômica, política e institucional avança no país.
Não se sabe até quando Brasília ficará passiva, em nome de um projeto ideológico de montagem de uma barreira na América Latina contra o “imperialismo ianque”, um delírio. Afinal, Juan Domingo Perón e Getúlio Vargas tentaram, na década de 50, e já não deu certo. Com a globalização da economia mundial, aí que se tornou mesmo impossível o projeto. Mesmo porque os líderes nesta trincheira, Venezuela e a Argentina recém-convertida ao chavismo, precisam primeiro resolver os grandes problemas internos antes de atacar o “Império”: inflação, desabastecimento (falta de papel higiênico), recessão, crise cambial.
A passividade do governo Dilma pelo menos parece ter levado a indústria de São Paulo a agir, a mais prejudicada pelo protecionismo argentino e, por tabela, pela crise do Mercosul. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a Fiesp e a própria Confederação Nacional da Indústria formalizarão ao governo a preocupação com a camisa de força que passou a representar o Mercosul. Impedido de fazer acordos bilaterais com outros países e blocos, o Brasil, tolhido pela ideologia, afunda abraçado à Argentina. No período de 2008 a 2011, o Brasil deixou de exportar US$ 5,4 bilhões para Argentina, México, Peru, Colômbia, Chile, Equador, Venezuela, Paraguai e Bolívia. O dinheiro foi redistribuído entre China, Estados Unidos, União Europeia e México.
Isso porque o Brasil está ficando para trás no rearranjo do comércio mundial. Exemplo é a criação recente da Aliança do Pacífico (Colômbia, Chile, Peru e México), mais aberta que o Mercosul para acordos com o mundo. Se Roberto Carvalho de Azevedo conseguir, na OMC, fechar com êxito a Rodada de Doha, muito bem. Mas até lá o Brasil precisa agir, se livrar do “custo Argentina”, para deixar de perder espaço no comércio global. O que passa pela conversão do Mercosul, de uma união aduaneira, numa área de livre comércio, mais flexível. Esta mudança já está atrasada.

Atenção, senhores democratas: o PT ameça o estado democrático de direito! Quando já for tarde, tarde será...

A que serve o enfraquecimento do Poder Judiciário com o desrespeito a suas decisões? A que serve o Poder Legislativo agachado e perplexo? A que serve as "vistas grossas" das autoridades do Executivo para com o uso da força bruta pelas minorias - índios, "sem-terras", Lgbts, etc. - contra a legalidade? Leiam a nota da Federação da Agricultura do Pará:
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Nos desrespeitos ao Poder Judiciário, as ameaças ao Estado Democrático de Direito.

Não cansamos de repetir – por se tratar de verdade axiomática – que é nosso dever lutar para que o Poder Judiciário seja, sempre, o grande bastião das aspirações da cidadania, a instituição acima de todas as outras – mesmo respeitando a independência dos Poderes – para que o Estado Democrático de Direito seja preservado e a esperança de que a Justiça prevaleça e se concretize para toda a sociedade, de forma serena, determinada, transparente e ágil.
Assusta-nos, pois, verificar que os desrespeitos às decisões judiciais, o descumprimento das ordens emanadas da magistratura, estão se tornando corriqueiros, com a complacência ditada pelo “silêncio” geral. O preceito de que “sentença judicial não se discute: cumpra-se ou se recorra” parece condenado a se tornar expressão em desuso, sem que as vozes ou as penas dos chamados “formadores de opinião” se levantem em protesto.
A atitude da liderança indígena, rasgando frente as câmeras das redes de televisão uma ordem judicial não pode ser encarada, simplesmente, como “folclórica” (nem parecer “emblemática” como se tornou a foto da índia que ameaçou com um facão um ex-presidente da ELETRONORTE) ou posta no patamar de que ele, o índio, não tinha “capacidade de entendimento” do que o seu gesto rebelde representava. Não, de modo algum! O que se mostrou ao país é que estamos caminhando firmes no rumo da anarquia, com o deliberado propósito das minorias, com o estranho apoio da mídia, em desmoralizar as instituições democráticas.
Aqui, no Pará, o não cumprimento dos mandados judiciais de reintegração de posse já ensejaram um pedido de intervenção federal, aprovado a quase unanimidade pelo Tribunal de Justiça do Estado, por iniciativa de um grupo de produtores rurais e a assistência da CNA e desta Federação. No presente, assistimos, estarrecidos, que, na prática, se rasga a Constituição Federal quando se coloca de lado a máxima da Lei Maior que consagra que o poder emanado do povo seja exercido pela representação legal ou pelos caminhos por ela ditados. Parcelas da população, extremamente minoritárias, como soem ser os trabalhadores sem-terra ou os índios, teimam em insistir que suas reivindicações por reforma agrária ou demarcações de território sejam obtidas pela força, pela intimidação, através de ocupações ilegais e armadas, ignorando de maneira afrontosa os ditames judiciais.
Estamos enveredando por um perigoso e desastrado caminho que tende a romper com a Democracia. A fragilização do Poder Judiciário, no momento em que suas decisões deixam de ser cumpridas e o Poder Executivo aceita “dialogar” com os grupos que assim procedem, transforma-se em uma ameaça a toda a sociedade. Esta observa, impassível, anestesiada, que os “direitos” devem sem conquistados pela força bruta, armada, com o Executivo complacente, o Judiciário ignorado e o Legislativo perplexo diante de um quadro assustador.
Não estamos querendo passar por “cassandras”, mas é preciso alertar a sociedade para o perigo que o desrespeito ao Poder Judiciário representa para o Estado Democrático de Direito, fator que se agrava mais ainda com o inquietante silêncio da grande imprensa. O jornalista Reinaldo Azevedo, em seu “blog”, destacou com propriedade: “Alertar para o mal e enfrentar a incredulidade dos crédulos — atentem para a graça desse oximoro — é coisa inscrita em nossa cultura, em nossas raízes morais. A razão é simples: se realmente nos damos conta do perigo e do malefício, somos obrigados a agir. E, muitas vezes, as instituições preferem a acomodação, o que é sempre um encontro marcado com a morte.”
É preciso que o inciso IV do Art.3º da Constituição Federal (IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.) seja aplicado literalmente, sem que ocorra – o que é uma evidência nos dias atuais – a odiosa discriminação da maioria da população brasileira que não concorda, temos certeza, com a prática de se usar a força para impor reivindicações, sejam elas quais forem.
Belém, 05 de junho de 2013.
Carlos Fernandes Xavier
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará e do Instituto Alerta Pará

06 junho 2013

‘Cru e quente’, por Dora Kramer


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUARTA-FEIRA

DORA KRAMER
Ditados simplificam pensamentos, desconsideram as nuances de cada situação, mas convém não desprezá-los como porta-vozes da experiência.
Sobre os malefícios da afobação, por exemplo, há vários. Citemos apenas dois: um diz que a pressa é inimiga da perfeição; outro alerta o apressado para o risco de comer cru e quente o seu repasto.
O ex-presidente Luiz Inácio da Silva ignorou tais conselhos quando, no início do ano, aproveitou um encontro do PT para reiterar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição.
Segundo alguns autores, a ideia era estancar o falatório sobre a possibilidade de ele mesmo ser o candidato à Presidência em 2014. Outra versão reza que Lula pôs a eleição na roda para mudar a pauta naquele momento voltada para as peripécias de Rosemary Noronha no governo enquanto desfrutou de sua bênção e proteção.
A motivação pouco importa. A questão agora é o efeito colateral que Lula, com sua celebrada intuição política, não pesou nem mediu. Abriu o debate da sucessão como fez em 2008 ao lançar a “mãe do PAC” à cena no mês de fevereiro, com a mesma antecedência.
E acaba aí a semelhança. A situação da economia era outra, o humor dos aliados era bem melhor, o comandante tinha ascendência sobre a tropa, não havia oponentes no campo governista e aos políticos em geral interessava sentar no banco do carona de Lula.
Não é raro ouvir nos partidos ditos situacionistas que devem muito ao ex-presidente, mas que Dilma deve à ajuda deles em grande parte a sua eleição.
Nesse cenário inteiramente diverso é que a antecipação da campanha mostra suas consequências nefastas. Animou a oposição a sair da toca, abriu espaço e deu justificativa à dissidência de Eduardo Campos e semeou inquietação antes do tempo entre os que deveriam estar concentrados na tarefa de renovar o contrato com o eleitorado.
Houve um erro de cálculo: antecipada a sucessão presidencial, anteciparam-se as demais campanhas e com elas a crise de aflição que assola deputados, senadores e governadores na busca de boas posições no jogo.
Abafa o caso. A fim de não criar confusão com o PSD que pode lhes render boas alianças estaduais no ano que vem, os tucanos pararam de criticar Guilherme Afif Domingos pelo acúmulo das funções de ministro em governo do PT e vice-governador em administração do PSDB.
De onde farão cara de paisagem durante os dois dias em que Afif assumir o Palácio dos Bandeirantes na próxima semana, quando Geraldo Alckmin irá a Paris.
Para fins de conveniência eleitoral, a tucanagem compara a situação àquela em que o vice ocupa também uma secretaria no governo. Fazer de conta que é igual não isenta a realidade de dizer que uma coisa é uma coisa. Outra coisa é a expressão do cinismo em estado sólido.
Redemoinho. A inflação cresce, o poder de compra decresce, o endividamento aumenta, o crédito farto desaparece, a confiança no governo estremece e as pesquisas começam a registrar curva de popularidade descendente.
São os sinais objetivos que os apostadores do mercado eleitoral levam em conta para avaliar as chances de Dilma Rousseff na reeleição e fixar a cotação das ações de seus oponentes.
A especulação gera fatos, alimenta profecias que se autorrealizam e leva as forças políticas à dispersão. O governo tem agora um olho na economia outro nos próximos quatro meses, até início de outubro, quando se encerra o prazo para mudanças e/ou filiações partidárias para os candidatos às eleições.

Nota da Confederação da Agricultura - CNA

Militantes ideológicos, que aparelharam a Funai e se associaram ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a ONGs nacionais e estrangeiras, estimulam os índios a invadir terras produtivas, devidamente tituladas – algumas há mais de um século. Provocam conflitos que, além de levar insegurança ao setor mais produtivo da economia brasileira, instalam um ambiente de ódio e confronto entre brasileiros.
Os produtores rurais não desrespeitam os direitos dos índios, mas, ao contrário, estão tendo os seus desrespeitados. As invasões têm sido sistemáticas, a partir de ação da Funai, que, ao arrepio da lei, decide de maneira autocrática que terras serão demarcadas, ignorando os direitos do produtor rural e a segurança de sua família e empregados.
O setor agropecuário tem, hoje, peso extraordinário na economia do país. Acumula recordes de produtividade, usando menos terra e unindo produção com preservação. Cresceu, no último trimestre, 9.7%, enquanto o PIB como um todo avançou 0.6%. Em relação ao mesmo trimestre de 2012, o crescimento foi de 17%.
É essa presença na vida econômica e social do país que faz com que a CNA seja recebida com frequência no Palácio do Planalto, para discutir questões nacionais, como o recém-lançado Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014. Esta agenda propositiva não se confunde com a presente crise indígena – que, inclusive, é de natureza judicial.
O clima instalado, se não for imediatamente revertido, prenuncia novos e dramáticos confrontos de consequências imprevisíveis.
O que está em pauta vai bem além de infrações pontuais à lei. É o Estado democrático de Direito que está sendo contestado, de dentro do próprio Estado. Não será com declarações que desafiam a lei, a ordem e o bom senso que problema dessa magnitude será resolvido. A lei precisa ser e será cumprida.
A posição da CNA a respeito das demarcações de terras indígenas é conhecida: total respeito às decisões da Justiça, em todas as suas instâncias. Essa é a orientação aos nossos associados. Queremos a paz no campo, o que só virá com segurança jurídica e respeito ao direito de propriedade. E ainda:
• imediata suspensão dos processos de demarcação em curso até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal dos embargos de declaração contra a decisão em que foram fixadas as condicionantes no caso Raposa Serra do Sol, para que todos os Poderes tenham uma orientação única sobre os procedimentos de ampliação ou criação de terras indígenas;
• revalidação da Portaria AGU 303/2012, com aplicação obrigatória das 19 condicionantes do caso Raposa Serra do Sol, enquanto o STF não julga os recursos pendentes;
• indenização não apenas das benfeitorias, mas também das terras legalmente tituladas tomadas dos produtores rurais.
A CNA apoia a iniciativa de construção de uma nova política indigenista, submetida não apenas à Funai, mas também a outros ministérios e órgãos do governo federal. É inconcebível que questão deste porte fique ao arbítrio de um único órgão, aparelhado por uma militância associada a objetivos ideológicos e comerciais, alheios ao interesse nacional.
Brasília, 5 de junho de 2013
Senadora Kátia Abreu
Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

05 junho 2013

União do pacífico: um contra-ponto ao Mercosul

 Por Pedro Simon: A Aliança do Pacífico, o Brasil e o Mercosul
Enrique Pena Nieto, Juan Manuel Santos, Sebastian Pinera e Ollanta Humala: Aliança do Pacífico (Foto: AFP)
Enrique Pena Nieto, Juan Manuel Santos, Sebastian Pinera e Ollanta Humala: Aliança do Pacífico (Foto: AFP)
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Artigo publicado no jornal Zero Hora

 A ALIANÇA DO PACÍFICO, O BRASIL E O MERCOSUL
É com angústia que vejo e analiso as declarações de autoridades diplomáticas brasileiras sobre a Aliança do Pacífico. Houve quem afirmasse que ela “não tira o sono do Brasil”. Uma opinião destemida, mas não apropriada quando se trata de um tema vital para os interesses estratégicos do país.
Assim, a criação de um novo bloco de países na América Latina, com suas implicações geopolíticas, comerciais e econômicas é analisada de forma superficial. Não se concebe que esse acontecimento não cause a mais leve apreensão, tanto por parte do governo, quanto pelo Itamaraty.
Ao contrário, o assunto é visto com displicência, um quase desdém, embora a Aliança do Pacífico tenha potencial para causar forte impacto no sonho da integração latino-americana. A começar pela redução do poder de atração representado pelo Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade.
A Aliança representa um forte contraponto à influência política e econômica do Brasil na região. Formada há dois anos por México, Chile, Colômbia e Peru, contabilizou no ano passado US$ 556 bilhões em exportações, contra US$ 335 bilhões registrados no comércio tradicional entre os países que integram o Mercosul.
É compreensível que a Aliança, subestimada no Brasil, seja acompanhada com maior objetividade por outros países. Estados Unidos, Canadá, Panamá e Costa Rica estão mais diretamente interessados. Ao mesmo tempo, França, Japão, Espanha, Portugal, Nova Zelândia e Austrália enviaram observadores à recente reunião de cúpula do grupo.
É quase inacreditável que todo esse barulho em nossa vizinhança, não desperte qualquer curiosidade por aqui. Tanta movimentação política e comercial na nossa retaguarda deveria – isso sim – despertar luzes amarelas piscantes no Itamaraty.
Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade (Foto: AFP)
Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade (Foto: AFP)
Mas, a preferência nesse ambiente é por outras cores. Talvez considere mais atraente o azul da bandeira da combalida União Europeia, com a qual o Mercosul tenta formalizar, há uma década, um acordo comercial capaz de equilibrar interesses da indústria e da agricultura de ambos os lados.
Nesse vácuo de interesse, cabe grande responsabilidade ao Senado e, especialmente, à Comissão de Relações Exteriores e Defesa. Daí, nossa sugestão de realização de uma audiência pública com autoridades e a quem mais interessar, para que possamos debater com profundidade a Aliança do Pacífico e suas implicações geoestratégicas, políticas e comerciais no continente, levando em conta, principalmente, o Brasil e o Mercosul.

Os comunistas de nossas universidades federais teimam em existir...

Vejam bem. Este é um dos posts que denunciam o que fazem o(a)s viúvo(as) do comunismo nas universidades federais Brasil a fora.
Aboletados nos órgãos chamados por eles de "coletivos", embora pratiquem mesmo é turismo e curtam mordomias durante foruns e outra reuniões para discutir a "luta-de-classes" ou o "bem da humanidade", na verdade seu comunismo de botequim não passa de bolivarianismo chulé, hoje em franco desmonte em razão da morte do padroeiro, o "Bolívar-de-hospício" Hugo Chaves.
Eles me detestam porque não rezo pela sua cartilha. 

Vejam o post publicado no blog de Ricardo Setti em Veja.com:
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UM ESPANTO E UM ABSURDO: há um Centro de Difusão do Comunismo em uma importante Universidade federal — pago com nosso dinheiro. O currículo inclui até “militância anticapitalista”

O comunismo como projeto de uma “nova sociedade” foi, provavelmente, o maior fracasso da história da Humanidade.
Durante décadas, oprimiu dezenas de países e centenas de milhões de pessoas, suprimiu-lhes a liberdade, condenou-as ao atraso e à carência.
Provocou milhões de mortes, prisões iníquas, violações sem conta dos direitos humanos.
Desabou a partir da queda do Muro de Berlim, em 1989, e morreu de vez, como projeto global em 1991, com o fim inglório da União Soviética, que já vinha caindo aos pedaços há vários anos.
Como relíquias de uma época da qual as pessoas querem distância, persistem regimes comunistas em países miseráveis e famélicos como a Coreia do Norte, ou próximos dessa situação, como Cuba. E formalmente comunistas, a China e o Vietnã enveredaram por um feroz capitalismo de Estado e, da ideologia de Marx aplicada à realidade, só restou a ditadura de partido único.
Nada disso fez mudar uma importante universidade federal “deztepaiz” — a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).
Com o suado dinheiro do contribuinte brasileiro, a Ufop mantém, sob as asas de sua Pró-Reitoria de Extensão (Proex), nada menos do que um inacreditável Centro de Difusão do Comunismo (CDC-Ufop). (TODAS AS ILUSTRAÇÕES DESTE POST FORAM EXTRAÍDAS DO SITE DESTE “CENTRO”).
Não se trata de um centro de ESTUDOS do comunismo, o que, naturalmente, se justificaria. Da mesma forma como se estudam dinossauros ou as pirâmides do Egito, o comunismo poderia, perfeitamente, ser objeto de estudos.
Mas não, vocês leram bem: uma Universidade federal abriga um centro de DIFUSÃO do comunismo.
De DI-FU-SÃO!
Há, na Ufop, sem disfarce de espécie alguma, até um Grupo de Debate e Militância Anticapitalista.
Sim, vocês leram corretamente: a universidade propõe e ensina MILITÂNCIA anticapitalista.
Não sei da existência de um suposto “centro de estudos” que proponha aos alunos militância política! É o fim do mundo!
A coisa é tão espantosa, tão absurdamente distante do propósito de qualquer universidade pública, tão escandalosamente propagandística de uma ideologia totalitária, que, mais do que continuar a descrever do que se trata, vou simplesmente reproduzir um pouco do que diz o próprio site do tal “Centro”. (As letras maiúsculas estão no original).
Vejam só:
(Foto: Centro de Difusão do Comunismo / Universidade Federal de Ouro Preto)

“APRESENTAÇÃO"

Liga dos Comunistas. Núcleo de Estudos Marxistas (CNPQ) é um PROJETO vinculado ao PROGRAMA CENTRO DE DIFUSÃO DO COMUNISMO (CDC – UFOP). Pretende ser um núcleo de estudo e pesquisa sobre o movimento do real, referenciado à teoria social de Marx e à tradição marxista.

JUSTIFICATIVA
Aberto à participação de alunos, professores e funcionários da UFOP e aos trabalhadores da região, a construção de um núcleo de estudo vinculado à tradição que se inspira em Marx e que defende o comunismo tem um objetivo seminal: a transformação da realidade. Nesse momento histórico e determinado, essa realidade é dominada por um “sistema de controle do metabolismo social” específico, o capital.

METODOLOGIA
Através do núcleo de estudos, realizar encontros quinzenais para leitura de textos de Marx e da Tradição marxista sobre o “movimento do capital”, seguidos de debate sobre o tema, além de incentivar a investigação científica (pesquisa), a produção de artigos e a divulgação em eventos e revistas.”
Continuando com mais elementos do site — e chegamos à “militância anticapitalista”:
(Foto: Centro de Difusão do Comunismo / Universidade Federal de Ouro Preto)

“EQUIPE ROSA LUXEMBURGO

APRESENTAÇÃO
Equipe Rosa Luxemburgo é um PROJETO vinculado ao PROGRAMA CENTRO DE DIFUSÃO DO COMUNISMO (CDC – UFOP) e se propõe a ser um Grupo de Debate e Militância Política Anticapitalista, com especial apoio ao movimento dos trabalhadores da mineração na região e às lutas próprias à educação na UFOP. Cabe à Equipe Rosa Luxemburgo a coordenação do PROGRAMA CDC – UFOP.

JUSTIFICATIVA
Existe na região de abrangência da UFOP um significativo número de trabalhadores na área da mineração que tem o direito de receber apoio da UFOP para fortalecer suas lutas. Dentro da UFOP também, alunos, professores e funcionários tem o direito de receber apoio em suas reivindicações.

METODOLOGIA
- Formação de uma equipe de debate anticapitalista que envolva estudantes, professores, funcionários e trabalhadores da região da UFOP.
- Apoio ao movimento dos trabalhadores e suas ações públicas.
- Encontros semanais para monitoramento do PROGRAMA CDC – UFOP (planejamento e avaliação das ações a serem desenvolvidas).”
Vou parando por aqui.
Se quiserem saber mais sobre essa aberração — uma universidade transformada em centro de militância –, cliquem no link do Centro de Difusão do Comunismo.

04 junho 2013

Índios invadem a sede do PT no Paraná. Bem feito! É o PT provando do próprio veneno


Leiam o post de Ricardo Setti (em Veja.com). Concordo em gênero, número e grau:



Integrante da tribo dos caigangues na sede do PT do Paraná ocupada (Foto: Henry Milléo / Gazeta do Povo / Futura Press)
Amigas e amigos do blog, vocês viram essa?

Começa assim a matéria do site de VEJA:
“Um grupo de aproximadamente trinta índios da tribo caingangue invadiu na manhã desta segunda-feira a sede do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) do Paraná, em Curitiba. O objetivo dos índios é protestar contra a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que no início de maio determinou a suspensão da demarcação de terras indígenas no Estado.”  
Beleza! Bem feito!
O PT, desde seus primórdios, estimulou esse tipo de “ação” — seja as invasões não raro violentas de propriedades rurais pelos baderneiros do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), ou ”ocupações” de reitorias por estudantes baderneiros da UNE picareta, dominada bionicamente, sem eleições, por partidecos de esquerda, seja atos semelhantes praticados pelos diferentes movimentos de “sem-teto” em várias cidades.
O PT nunca condena — e vários de seus integrantes elogiam e até participam das “ações” — os diversos “movimentos sociais” que acham que ocupar prédios, danificar propriedade pública, invadir sedes do Legislativo (inclusive o Congresso), promover quebra-quebras e praticar outras ações violentas e antidemocráticas são formas legítimas de sua “luta”.
Quem não se lembra dos arruaceiros que ocuparam a pequena fazenda da família de um então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, sob o silêncio espesso da então oposição petista?
Quem não se lembra dos baderneiros de partidos “de esquerda” que agrediam participantes de leilões de privatização, durante o governo FHC?
(Agora, durante o governo Dilma, isso não vem acontecendo, até porque o governo, envergonhado, não usa a palavra “privatização” mesmo quando privatiza. Prefere “concessões” e outros eufemismos.)
A invasão em Curitiba foi pacífica. Não houve quebra-quebras e agressões tão comuns em fatos similares anteriores.
Melhor assim, claro. De todo modo, que ótima sensação ver o PT provar do próprio veneno!

‘Evo testa Dilma’, editorial do Estadão

Como ex-perseguido político, senti na pele o que é ser exilado. Detesto autoritários! O bolivarianismo para mim é uma praga a ser combatida sem tréguas. Essa coisa de marxismo de botequim... Leiam o eitorial do Estadão:


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO
O opositor Roger Pinto Molina, refugiado na embaixada brasileira em La Paz há um ano

O espantoso caso de Roger Pinto Molina, o opositor boliviano que está refugiado na embaixada brasileira em La Paz, completou um ano na terça-feira passada. Certo da tibieza do governo petista no trato com o presidente Evo Morales, que na última década tem desafiado o Brasil à vontade sem sofrer nenhuma consequência, o governo da Bolívia continua a negar a concessão de um salvo-conduto a Molina para que ele atravesse a fronteira e possa usufruir o asilo político que recebeu da presidente Dilma Rousseff. Mais uma vez, Morales testa os compromissos ideológicos do governo petista com o “bolivarianismo”, movimento em nome do qual o Brasil vem aceitando, docilmente, a arrogância dos vizinhos bolivarianos.
Dilma acertou ao conceder o asilo a Molina, senador que se refugiou na Embaixada do Brasil para não ser preso. O político é acusado pelo governo boliviano em mais de 20 processos que envolvem corrupção, participação num massacre de índios e conspiração para derrubar Morales. Molina nega tudo e se diz perseguido político. Começou a sofrer o assédio oficial depois de ter acusado um auxiliar direto de Morales de ser corrupto e de estar ligado ao narcotráfico. Considerando-se a tradição bolivariana de inventar denúncias contra seus adversários, para tirar a oposição do campo político e jogá-la no noticiário policial, Molina tem razão por temer por seu destino.
É da tradição brasileira conceder asilo a perseguidos políticos, sejam quais forem suas convicções ideológicas e sem considerar o mérito das acusações que estejam sofrendo. Dilma apenas seguiu o manual. A resposta a essa decisão, no entanto, veio na forma da intransigência de Evo Morales, que não vê problema nenhum em arriscar as relações com o Brasil quando lhe convém. Basta lembrar a ocupação militar de uma refinaria da Petrobrás, em 2006, liderada por Morales. Na ocasião, o Brancaleone andino não só não foi admoestado pelo governo Lula como ainda recebeu sua solidariedade, enquanto a Petrobrás contabilizava prejuízo bilionário.
O caso do senador Molina expõe a leniência e o duplo padrão moral da diplomacia petista quando se trata de enfrentar as desabridas atitudes dos bolivarianos. O opositor boliviano, de 53 anos, enfrenta há um ano duras condições de vida dentro da embaixada. Vive num espaço de cerca de 20 metros quadrados no primeiro andar do prédio e não pode sair para tomar sol. Foi proibido pelo Itamaraty de receber visitas de amigos e de correligionários e não pode conceder entrevistas.
O Ministério das Relações Exteriores argumenta que as restrições seguem a Convenção de Caracas, que normatiza a concessão de asilo diplomático e diz, em seu artigo 18, que os asilados não podem “praticar atos contrários à tranquilidade pública, nem intervir na política interna do Estado territorial”. No entanto, não houve o mesmo zelo legal quando o bolivariano Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, se refugiou na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, em 2009. Durante os quatro meses em que Zelaya permaneceu no prédio, ele recebeu visitas as mais diversas, incitou simpatizantes à rebelião, deu entrevistas e denunciou a “ditadura” hondurenha, sem que fosse repreendido.
No caso de Molina, seu advogado, que acusa a diplomacia brasileira de fazer “corpo mole”, pediu ao STF que mande o Itamaraty fornecer a seu cliente um carro do corpo diplomático para que ele possa deixar a Bolívia, independentemente da concessão de salvo-conduto. Enquanto isso, parlamentares governistas sugerem que Morales está usando os 12 corintianos presos desde fevereiro pela morte de um torcedor boliviano como moeda de troca para pôr as mãos em Molina. Há também a possibilidade, proposta pela Bolívia, de que Molina receba permissão para ir ao Peru, mas não está claro se ele receberia garantias de que de lá não seria repatriado.
Em qualquer desses casos, será inadmissível se Dilma se dobrar às chantagens bolivianas e não exigir garantias críveis de que Molina não será entregue a seus algozes.

Déficit comercial é o maior da história: US$ 5,4 bilhões até maio


Na VEJA.com:
A balança comercial brasileira registrou superávit de 760 milhões de dólares em maio, valor 74,3% inferior ao registrado em igual mês de 2012, quando atingiu 2,962 bilhões de dólares. Esse é o menor valor para o mês desde 2002. Com o resultado do mês passado, o país acumula um déficit de 5,392 bilhões de dólares de janeiro a maio deste ano, o pior déficit histórico para os cinco primeiros meses do ano. Entre janeiro e maio de 2012, o país teve um superávit de 6,261 bilhões de dólares.
O resultado vem depois de o país ter registrado de 994 milhões de dólares de déficit em abril. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações alcançaram 21,824 bilhões de dólares, com média diária de 1,039 bilhão de dólares, crescimento de 10,8% em relação a abril de 2013. As importações totalizaram 21,064 bilhões de dólares e média diária de 1,003 bilhão de dólares, números recordes para meses de maio.
No acumulado do ano, as exportações no ano somam 93,291 bilhões de dólares, com média diária de 905 milhões de dólares e queda de 2,8% em relação ao mesmo período de 2012. Em contrapartida, as importações são recordes para o período. Somam 98,683 bilhões dólares e média diária de 958,1 milhões de dólares, alta de 9,8% na comparação com janeiro a maio do ano passado.

31 maio 2013

Simpatias do PMDB por Aécio Neves reveladas por deputado são um problema a mais no caminho de Dilma-2014

Leiam o que foi publicado no blog de Ricardo Setti, em Veja.com: um prognóstico alentador para quem quer ver a derrota do lulopetismo...
Deputado Leonardo Quintão: foi ele quem conseguiu 199 assinaturas -- 52 de seu partido, o PMDB, supostamente parte da base papara formar uma CPI sobre a Petrobras que o governo não quer ver nem pintada
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Leiam essa frase do deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), em entrevista concedida ao site de VEJA:
“Boa parte do PMDB tem simpatia pelo Aécio Neves. Mas o jogo político começa no ano que vem. O senador tem uma habilidade muito grande de convencimento. A gente tem de ser franco nesse diálogo: se a parceria não for boa para o PT e o PMDB, o partido tem a obrigação de procurar os seus caminhos.”
Leonardo Quintão não é um deputado qualquer. Como você verá na entrevista, “enquanto o Palácio do Planalto tentava contornar a crise que travou a articulação política no Congresso nas últimas semanas, ele percorreu o plenário coletando assinaturas de deputados para criar uma CPI da Petrobras”
Aproveitando os ânimos acirrados — diz ainda a matéria — recolheu 199 nomes, bem acima do número necessário para instalar uma CPI. E, vejam bem, 52 dos deputados que pediram a CPI — num momento em que o governo quer ver Belzebu em pessoa do que a comissão funcionando — são do PMDB, partido do vice-presidente da República, Michel Temer, e esteio do governo Dilma no Congresso.
“O descontentamento dos parlamentares do PMDB com o governo tem aumentado muito”, afirmou Quintão ao site de VEJA. Para o deputado, a crise tem duas frentes: a dificuldade dos parlamentares em conseguir recursos nos ministérios e as negociações eleitorais nos Estados.
E esta, meus amigos, é apenas uma das pedras no sapato da campanha de reeleição da presidente Dilma, lançada como candidata pelo próprio Lula no começo do ano e que, em discursos, inaugurações e pronunciamentos à nação, pode-se considerar que, mesmo fora da época e da lei, já começou.

As pedras não são poucas. Vamos a elas:
1. Crescimento do PIB. A economia vai capengando. Dilma caminha para um provável terceiro ano com taxas de crescimento do PIB inferiores às do lulalato. A oferta de empregos declinou um pouco, mas o problema nessa área é que a grande maioria dos postos oferecidos é de baixo salário.

2. Ameaça da inflação. A inflação voltou a assombrar, ameaçando duas décadas de conquistas dos brasileiros, e as mágicas tentadas pela área econômica do governo — como cortar impostos, intrometer-se na política de preços da Petrobras e das elétricas, entre outras ações — não vêm funcionando a contento, tanto é que o Comitê de Política Monetária (Copom), acaba de decretar a segunda alta consecutiva nas taxas básicas de juros.

3. Um aliado que pode debandar. O eleitorado potencial de Dilma em 2014 pode ser corroído pela candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, chefão do PSB, partido que vinha fechando com o PT em todas as disputas presidenciais desde 1989. Também Marina Silva, com seu novo partido de nome esquisito, tem cacife para atrair eleitores potenciais de Dilma.

4. Um aliado duvidoso. O PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab remancha e é reticente quando se fala na eleição de 2014.

5. Problemas sérios em alguns Estados. Vou ficar em apenas um — o Rio de Janeiro, Estado que possui o terceiro maior eleitorado após São Paulo e Minas Gerais. O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, ambos do mesmo PMDB do deputado Leonardo Quintão, são, sim, aliados da presidente Dilma. Mas estão furiosos com a manutenção, pelo PT, da candidatura do senador e ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindbergh Farias. Diante da ameaça clara de não eleger o candidato do partido, o vice-governador Luiz Fernando de Souza, o Pezão, não custa lembrar que ambos mantêm excelentes relações com o presidenciável tucano Aécio Neves, que foi criado no Rio de Janeiro e mantém na cidade um largo círculo de amizades e influências.
Cabral é aliado de Dilma, sim — mas será que vai querer um rival do PT em seu lugar no Palácio Guanabara? A cunha aberta no PMDB pode beneficiar Aécio. Se a ruptura não ocorrer, o senador já confidenciou a amigos ter uma carta surpreendente no bolso, alguém de muito prestígio mas de fora da política. A ver.
O Rio, de todo modo, é um entre vários Estados onde os palanques estaduais ameaçam a aliança do PMDB com a presidente.

6. Um adversário que vai dar trabalho. Quem acredita na pecha de gozador da vida pouco conectado com os grandes problemas nacionais que os adversários querem colar no senador Aécio Neves poderá se surpreender na campanha. Diferentemente de José Serra — que, não custa lembrar, levou Lula e Dilma ao segundo turno –, Aécio é vastamente conhecido como um agregador, um aparador de arestas. Diferentemente de Geraldo Alckmin — que deu um susto em Lula em 2006, indo também para o segundo turno — é dotado de forte carisma.
Tem um bom currículo como político: foi um deputado ativo, um presidente da Câmara dos Deputados que articulou proezas antes consideradas impossíveis, como acabar com a imunidade total para deputados e senadores e um governador de Minas bem avaliado e popular por dois mandatos, a ponto de eleger como sucessor seu vice, Antonio Anastasia, que começou a campanha com 3% de intenção de votos.
Como presidente recém-eleito do PSDB, obteve carta branca de governadores e cardeais do partido para a montagem dos palanques estaduais tendo em vista sempre o objetivo de obter o melhor resultado eleitoral — e quem vai montar é ele mesmo. Pretende trabalhar duro para tornar-se conhecido em São Paulo (que, somado à sua Minas natal, perfazem 43% do eleitorado brasileiro). Está muito mais próximo do governador Alckmin do que se imagina. Vai viajar por todo o país a partir de agosto e, no problemático (para os tucanos) Nordeste, acha que a ação de seu governo e do de Anastasia no empobrecido norte de Minas (incluído na área da Sudene) — Minas chegou a investir na região o triplo do que fazia no restante do Estado — pode servir de vitrine sobre o que representaria um presidente tucano para a região.

Além do mais,  está armando palanques que incluem os poucos governadores que PSDB tem na região e no Norte (Rosalba Carlini, do DEM, no Rio Grande do Norte, e Simão Jatene, do PSDB, no Pará) mas uma boa rede de prefeitos de grandes cidades, que vai de ACM Neto (DEM) em Salvador a Arthur Virgílio (PSDB) em Manaus.
A eleição de 2014, não é ousado arriscar, não deve ser um passeio para a presidente Dilma.